02129_08_Decisao_cbarbosa_APL-TC.pdf

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO PROCESSO TC N.

º 02129/08 Objeto: Recursos de Apelação Relator: Auditor Renato Sérgio Santiago Melo Impetrantes: Rosália de Cássia Batista Barbosa e outra Procurador: José Virgolino Júnior EMENTA: PODER EXECUTIVO MUNICIPAL – ADMINISTRAÇÃO DIRETA – PRESTAÇÃO DE CONTAS ANUAIS – GESTORAS DE FUNDO ESPECIAL – ORDENADORAS DE DESPESAS – IRREGULARIDADE – IMPUTAÇÕES DE DÉBITOS E IMPOSIÇÕES DE PENALIDADES – FIXAÇÕES DE PRAZOS PARA RECOLHIMENTOS – RECOMENDAÇÕES – REPRESENTAÇÃO – INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE APELAÇÃO – REMÉDIO JURÍDICO ESTABELECIDO NO ART. 31, INCISO I, C/C O ART. 32, AMBOS DA LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL N.º 18/1993 – Elementos probatórios capazes de elidir apenas duas máculas constatadas e de reduzir as imputações de débitos – Subsistência das demais eivas. Conhecimento e provimento parcial do recurso. Remessa dos autos à Corregedoria da Corte. ACÓRDÃO APL – TC – 00093/13 Vistos, relatados e discutidos os autos dos RECURSOS DE APELAÇÃO interpostos pelas ex-gestoras do Fundo Municipal de Assistência Social de Santa Rita/PB, Sras. Rosália de Cássia Batista Barbosa e Maria Gorett Rolim da Silva, em face da decisão da 1ª Câmara desta Corte, consubstanciada no ACÓRDÃO AC1 – TC – 0473/2012, de 09 de fevereiro 2012, publicado no Diário Oficial Eletrônico do TCE/PB de 22 de fevereiro do mesmo ano, acordam, por unanimidade, os Conselheiros integrantes do TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAÍBA, em sessão plenária realizada nesta data, com as ausências justificadas dos Conselheiros Arnóbio Alves Viana, Fernando Rodrigues Catão e Arthur Paredes Cunha Lima, a declaração de impedimento do Conselheiro André Carlo Torres Pontes e as convocações dos Conselheiros Substitutos Antônio Cláudio Silva Santos e Antônio Gomes Vieira Filho, na conformidade da proposta de decisão do relator a seguir, em: 1) TOMAR conhecimento dos recursos, diante da legitimidade das recorrentes e da tempestividade de suas apresentações, e, no mérito, DAR-LHES PROVIMENTO PARCIAL, apenas para eliminar o valor de R$ 52.127,85 imputado à Sra. Rosália de Cássia Batista Barbosa, concernente a despesas sem comprovação documental em favor da empresa LÁPIS & LAÇO PAPELARIA LTDA., bem como para reduzir o montante imputado à Sra. Maria Gorett Rolim da Silva de R$ 306.497,82 para R$ 109.548,37, sendo R$ 82.852,05 relativos à transferências realizadas para a ASSOCIAÇÃO VIDAL DE NEGREIROS e R$ 26.696,32 atinentes aos repasses efetuados para a ASSOCIAÇÃO DOS PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS – APAE, ambos sem a devida prestação de contas. 2) REMETER os presentes autos à Corregedoria deste Sinédrio de Contas para as providências que se fizerem necessárias.

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO PROCESSO TC N.º 02129/08

Presente ao julgamento o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas Publique-se, registre-se e intime-se. TCE – Plenário Ministro João Agripino João Pessoa, 27 de fevereiro de 2013

Conselheiro Fábio Túlio Filgueiras Nogueira Presidente

Auditor Renato Sérgio Santiago Melo Relator

Presente:
Representante do Ministério Público Especial

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO PROCESSO TC N.º 02129/08 RELATÓRIO AUDITOR RENATO SÉRGIO SANTIAGO MELO (Relator): A 1ª Câmara desta Corte, em sessão ordinária realizada no dia 09 de fevereiro de 2012, mediante o ACÓRDÃO AC1 – TC n.º 0473/2012, fls. 1.244/1.253, publicado no Diário Oficial Eletrônico do TCE/PB de 22 de fevereiro do mesmo ano, fls. 1.254/1.255, ao analisar as contas do exercício financeiro de 2007 das ex-gestoras do Fundo Municipal de Assistência Social de Santa Rita/PB, Sra. Rosália de Cássia Batista Barbosa (período de 01 de janeiro a 07 de outubro) e Sra. Maria Gorett Rolim da Silva (intervalo de 08 de outubro a 31 de dezembro), decidiu: a) julgar irregulares as referidas contas; b) imputar débitos de 52.127,85 a Sra. Rosália de Cássia Batista Barbosa, concernente a despesas sem comprovação, bem como de R$ 306.497,82 a Sra. Maria Gorett Rolim da Silva, sendo R$ 34.713,50 atinentes a dispêndios não demonstrados, R$ 245.088,00 relativos às transferências realizadas para a ASSOCIAÇÃO VIDAL DE NEGREIROS e R$ 26.696,32 respeitantes aos repasses efetuados para a ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS – APAE, estes dois últimos sem a devida prestação de contas; c) fixar prazo de 60 (sessenta) dias para recolhimento; d) aplicar multas individuais às responsáveis na quantia de R$ 2.805,10; e) conceder lapso temporal de 30 (trinta) dias para pagamento; f) fazer recomendações à nova gestão do fundo; e g) remeter cópia dos autos ao Ministério Público Comum para análise dos indícios de cometimento de atos de improbidade administrativa. A supracitada decisão teve como base as seguintes máculas remanescentes. No período de responsabilidade da Sra. Rosália de Cássia Batista Barbosa: a) realização de despesas sem licitação no montante de R$ 52.170,00; b) fracionamento de despesas com locação de veículos no total de R$ 178.720,00; c) carência de empenhamento e pagamento de obrigações patronais devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS na importância de R$ 105.533,40; d) implementação de procedimentos licitatórios com irregularidades; e e) realização de dispêndios sem comprovação no montante de R$ 52.127,85. No intervalo de gestão da Sra. Maria Gorett Rolim da Silva: a) utilização de créditos adicionais sem fonte de recursos na quantia de R$ 32.026,00; b) déficit na execução orçamentária no valor de R$ 125.879,45; c) divergência entre os registros das receitas e despesas extraorçamentárias contabilizadas no BALANÇO FINANCEIRO e os informados nos Sistema de Acompanhamento da Gestão dos Recursos da Sociedade – SAGRES; d) realização de dispêndios sem licitação no montante de R$ 76.310,00; e) fracionamento de despesas com locação de veículos no total de R$ 63.010,00; f) apropriação indébita de valores retidos a título de consignações na soma de R$ 20.158,86; g) falta de empenhamento e pagamento de obrigações patronais devidas ao INSS na importância de R$ 34.895,70; h) carência de pagamento do décimo terceiro salário aos funcionários contratados; i) implementação do Convite n.º 335/2007 com irregularidades; j) realização de gastos não demonstrados na importância de R$ 34.713,50; k) ausência de prestação de contas de entidades beneficiadas com subvenções sociais, sendo R$ 245.088,00 transferidos à ASSOCIAÇÃO VIDAL DE NEGREIROS e R$ 26.696,32 à ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS – APAE; e l) não apresentação ao Tribunal de documentos solicitados.

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO PROCESSO TC N.º 02129/08 Não resignadas, as Sras. Rosália de Cássia Batista Barbosa e Maria Gorett Rolim da Silva interpuseram, em 07 de março de 2012, recursos de apelação. As referidas peças processuais estão encartadas aos autos, fls. 1.258/1.276 e 1.277/1.782, onde as interessadas juntaram documentos e alegaram, resumidamente, que: a) as imputações de débitos foram calcadas na ausência parcial de comprovação documental, que, por falha de ordem formal no processo de juntada de defesa, não foi apresentada inicialmente; b) dentro do que preconiza o fumus boni juri, solicita-se a anexação da respectiva documentação a fim de elucidar as inconformidades constatadas pela unidade técnica. Ato contínuo, o álbum processual foi encaminhado aos peritos do Grupo Especial de Auditoria – GEA, que, ao esquadrinharem as referidas peças recursais, emitiram relatório, fls. 1.788/1.793, onde destacaram, inicialmente, que as provas documentais acostadas não deveriam ser consideradas nos presentes recursos à luz do que disciplina o art. 236 do Regimento Interno deste Tribunal. Ao final, sugeriram o conhecimento das apelações, em razão da legitimidade das suplicantes e da tempestividade dos pedidos, e, no mérito, caso os documentos juntados aos autos sejam recebidos ou aproveitados em outro recurso, que seja concedido provimento parcial, para alterar as imputações de débito determinadas no Acórdão AC1 – TC – 0473/2012, posto que: a) foram sanadas as irregularidades referentes às despesas não comprovadas de responsabilidade da Sra. Rosália de Cássia Batista Barbosa, que culminou na imputação de débito, no valor de R$ 52.127,85, e de responsabilidade da Sra. Maria Gorett Rolim da Silva, que desaguou na imputação de débito na quantia de R$ 34.713,50; b) a importância sem a devida prestação de contas dos recursos repassados para a ASSOCIAÇÃO VIDAL DE NEGREIROS, de responsabilidade da Sra. Maria Gorett Rolim da Silva, foi reduzida de R$ 245.088,00 para R$ 82.852,05; e c) ficam mantidas as demais eivas. Instado a se pronunciar, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas emitiu parecer, fls. 1.794/1.799, onde opinou, em preliminar, pelo conhecimento dos presentes recursos, por atenderem aos pressupostos de admissibilidade, e, no mérito, pela procedência parcial dos pedidos, considerando firme e válida a decisão consubstanciada no Acórdão AC1 – TC – 0473/2012, sendo retificado tão somente no que concerne às alterações verificadas pela unidade técnica em sua manifestação, fls. 1.788/1.793. Ademais, entendeu o Parquet que as irregularidades remanescentes justificam a manutenção da multa aplicada às ex-gestoras do Fundo Municipal de Assistência Social de Santa Rita/PB, bem como o julgamento irregular das contas de gestão do exercício em análise. Solicitação de pauta inicialmente para a sessão do dia 20 de fevereiro de 2013, conforme fls. 1.800/1.801, e adiamento para a presente assentada, consoante ata. É o relatório.

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO PROCESSO TC N.º 02129/08 PROPOSTA DE DECISÃO AUDITOR RENATO SÉRGIO SANTIAGO MELO (Relator): Recurso de apelação é remédio jurídico – remedium juris – que tem sua aplicação própria indicada no art. 31, inciso I, c/c o art. 32 da Lei Complementar Estadual n.º 18, de 13 de julho de 1993 (Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba – TCE/PB), sendo cabível para o eg. Tribunal Pleno contra decisão proferida por qualquer das Câmaras deste Pretório de Contas, no prazo de 15 (quinze) dias, contados a partir da publicação da decisão vergastada.

In limine, evidencia-se que os recursos interpostos pelas ex-gestoras do Fundo Municipal de
Saúde de Santa Rita/PB, Sras. Rosália de Cássia Batista Barbosa e Maria Gorett Rolim da Silva, atendem aos pressupostos processuais de legitimidade e tempestividade, sendo, portanto, passíveis de conhecimento por este colendo Pretório de Contas. Entrementes, quanto ao aspecto material, constata-se que os argumentos e documentos apresentados pelas recorrentes são capazes de eliminar apenas parte das irregularidades remanescentes. Com efeito, é importante destacar que as interessadas rechaçaram apenas parte das eivas que deram causa à decisão atacada, notadamente aquelas que ensejaram as imputações de débitos, deixando de se manifestar especificamente acerca de diversos itens. No período de responsabilidade da Sra. Rosália de Cássia Batista Barbosa: a) realização de despesas sem licitação no montante de R$ 52.170,00; b) fracionamento de despesas com locação de veículos no total de R$ 178.720,00; c) carência de empenhamento e pagamento de obrigações patronais devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS na importância de R$ 105.533,40; e d) implementação de procedimentos licitatórios com irregularidades. No intervalo de gestão da Sra. Maria Gorett Rolim da Silva: a) utilização de créditos adicionais sem fonte de recursos na quantia de R$ 32.026,00; b) déficit na execução orçamentária no valor de R$ 125.879,45; c) divergência entre os registros das receitas e despesas extraorçamentárias contabilizadas no BALANÇO FINANCEIRO e os informados nos Sistema de Acompanhamento da Gestão dos Recursos da Sociedade – SAGRES; d) realização de dispêndios sem licitação na soma de R$ 76.310,00; e) fracionamento de despesas com locação de veículos na ordem de R$ 63.010,00; f) apropriação indébita de valores retidos a título de consignações no patamar de R$ 20.158,86; g) falta de empenhamento e pagamento de obrigações patronais devidas ao INSS na importância de R$ 34.895,70; h) carência de pagamento do décimo terceiro salário aos funcionários contratados; i) implementação do Convite n.º 335/2007 com irregularidades; e j) não apresentação ao Tribunal de documentos solicitados. Em seguida, é necessário assinalar que, apesar de não estar enquadrada nas hipóteses de admissão de prova documental em apelação previstas no art. 236, incisos I e II, do Regimento Interno do Tribunal – RITCE/PB, a documentação juntada aos autos pelas postulantes deve ser acolhida, notadamente em homenagem ao princípio da verdade real e da economia processual. Sendo assim, com base no exame acurado dos inspetores da unidade de instrução, fls. 1.790/1.793, ficam afastadas as máculas concernentes à realização de dispêndios sem comprovação, sendo R$ 52.127,85 no período de administração da

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO PROCESSO TC N.º 02129/08 Sra. Rosália de Cássia Batista Barbosa e R$ 34.713,50 no intervalo de gestão da Sra. Maria Gorett Rolim da Silva. Além disso, no tocante à ausência de prestação de contas de entidades beneficiadas com subvenções sociais, os especialistas deste Pretório de Contas assinalaram que os documentos juntados pela Sra. Maria Gorett Rolim da Silva justificam parte das transferências realizadas para a ASSOCIAÇÃO VIDAL DE NEGREIROS na importância de R$ 162.235,95. Ou seja, dos R$ 245.088,00 repassados àquela entidade em 2007, restam sem comprovação de sua destinação R$ 82.852,05 (R$ 245.088,00 – R$ 162.235,95). Já no que concerne à aplicação dos recursos repassados para a ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS – APAE, no total de R$ 26.696,32, os analistas desta Corte informaram que nada foi apresentado. Finalmente, tem-se que as demais eivas remanentes não devem sofrer quaisquer reparos, seja em razão da carência de pronunciamento das impetrantes sobre elas ou porque as informações inseridas no caderno processual não induziram às suas modificações por provocação ou ato oficial. Neste sentido, a decisão torna-se irretocável, devendo, portanto, ser mantida por seus próprios fundamentos jurídicos. Ante o exposto, proponho que o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba: 1) TOME conhecimento dos recursos, diante da legitimidade das recorrentes e da tempestividade de suas apresentações, e, no mérito, DÊ-LHES PROVIMENTO PARCIAL, apenas para eliminar o valor de R$ 52.127,85 imputado à Sra. Rosália de Cássia Batista Barbosa, concernente a despesas sem comprovação documental em favor da empresa LÁPIS & LAÇO PAPELARIA LTDA., bem como para reduzir o montante imputado à Sra. Maria Gorett Rolim da Silva de R$ 306.497,82 para R$ 109.548,37, sendo R$ 82.852,05 relativos à transferências realizadas para a ASSOCIAÇÃO VIDAL DE NEGREIROS e R$ 26.696,32 atinentes aos repasses efetuados para a ASSOCIAÇÃO DOS PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS – APAE, ambos sem a devida prestação de contas. 2) REMETA os presentes autos à Corregedoria deste Sinédrio de Contas para as providências que se fizerem necessárias. É a proposta.

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