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Vigilância Sanitária

Marcos Vilela Ribeiro (1); Fernanda Junges (2).
(1) Autor. Farmacêutico Clínico Industrial. Universidade de Brasília – UnB. (2) Orientadora: Farmacêutica graduada pela UFRGS, Especialista em Gestão de Assistência Farmacêutica Pública pela UNB, Mestre em Ciências Farmacêuticas na área de Gestão de Assistência Farmacêutica pelo Programa de Pós Graduação em Ciências Farmacêuticas da UFRGS.

RESUMO
As ações de vigilância sanitária fazem parte de nossa sociedade desde as populações primitivas, sendo que desde tempos remotos as populações promovem tentativas de se controlar o meio em que vivem. No Brasil a implantação da vigilância sanitária se deu precipuamente com a vinda da família real ao país, porém foi só no final dos anos 1980 que a vigilância sanitária ganha seu corpo jurídico e conceitual, devido à edição da Constituição da República que dispõe ao Estado o dever de provedor da saúde, e em 1990 é criada a Lei Orgânica da Saúde (LOS) conceituando suas ações. O campo de atuação da vigilância é muito vasto e isso gera uma grande complexidade em realizar suas ações, demandando, dessa forma, um grupo de profissionais capacitados em promover a saúde e que tenham, principalmente, características de trabalhos multidisciplinares. Com a caracterização jurídica da Vigilância Sanitária passa-se a fazer tentativas de promover uma melhor efetividade das ações, não se resumindo a atividades fiscalizatórias, e com isso são editadas algumas normas operacionais para promover a vigilância sanitária, chegando ao modelo de descentralização das atividades de saúde, o que designa aos municípios a responsabilidade de realizar as ações de vigilância sanitária. O objetivo deste trabalho é realizar uma revisão bibliográfica que trace o perfil histórico, conceitos, atuação da Vigilância Sanitária no Brasil. Conclui-se neste trabalho que a atuação da Vigilância Sanitária não deve focar apenas na ideia de simples recuperadora da saúde versus doença, mas sim focar sua atuação na prevenção e promoção da saúde.

Palavras chaves: Vigilância Sanitária; Sistema Nacional de Vigilância Sanitária; Descentralização.

ABSTRACT
The actions of health surveillance is part of our society from primitive people, and that since ancient times people were advancing attempts to control the environment in which they live. In Brazil, one the first representation of the Health Surveillance was made with the arrival of the Portuguese royal family to the country, but only at the end of the 1980s that was the sanitary won its conceptual and legal body, because the edition of the Constitution of the Republic that the state has the duty of the health provider, and in 1990 created the Organic Law of Health (LOS) defining their actions. The field of action of monitoring is very wide and that creates a great complexity in performing its actions, demands, thus, a group of trained professionals to promote health and have, above all, characteristics of multidisciplinary work. With the legal characterization of health monitoring it is going to make attempts to promote better effectiveness of actions, not to resuming the activities of surveillance, and with it some operational standards are published to promote health surveillance, reaching the model of decentralization of activities of health, which refers to municipalities the responsibility to carry out actions for health monitoring. The aim of this paper is to review literature that trace the historical profile, concepts, performance of Health Surveillance in Brazil. We conclude this paper that the performance of Health Surveillance should not just focus on the simple idea of recovering health versus disease, but focus on its role in prevention and health promotion. Keywords: Health Surveillance; National System of Health Surveillance; Decentralization.

1. INTRODUÇÃO
As ações de Vigilância Sanitária constituem a mais antiga atividade de Saúde Pública. Desde tempos remotos as organizações sociais fazem tentativas de realizar o controle sobre os pontos chaves da vida em coletividade e sobre as ameaças geradas à saúde e à própria vida (COSTA, 2000).

Para Costa (2001) as ações de Vigilância Sanitária sempre existiram no Brasil, porém com pouca expressão para a população, para os profissionais e gestores de saúde, ficando marcada apenas as atuações policiais e burocrático-cartoriais. A ausência de políticas de Vigilância Sanitária correlacionada às políticas públicas, a pouca vontade governamental para a área da saúde coletiva, ao incipiente desenvolvimento científico e tecnológico aprofundaram os problemas estruturais dos serviços de vigilância sanitária no Brasil. A Vigilância Sanitária no Brasil teve seu marco fundamental no final dos anos 1980 e início dos anos de 1990, visto que foi em 1988 que ocorreu a promulgação da nova Constituição da República Federativa do Brasil, o que no campo da saúde tratou de introduzir um novo conceito e uma nova amplitude de relações, atestando, desde sua promulgação, que a saúde é direito de todos e dever do Estado provê-la (SOUZA E STEIN, 2007). A vigilância sanitária, tal como foi introduzida no Brasil a partir do ano de 1988 engloba em suas atividades a regulação de uma variedade de produtos e serviços, de natureza diversa. Esses produtos e serviços podem ser agrupados em grandes ramos como cita Lucchese (2001):
“dos alimentos; dos medicamentos; dos produtos biológicos, tais como vacinas e derivados de sangue; dos produtos médicos, odontológicos, hospitalares e laboratoriais; dos saneantes e desinfestantes; dos produtos de higiene pessoal, perfumes e cosméticos, além do controle sanitário dos portos, aeroportos e estações de fronteiras e da ampla gama de serviços de interesse à saúde.”

A grande diversidade de produtos e serviços, listados acima, expressa os mais variados tipos e graus de complexidade das tecnologias envolvidas na promoção da vigilância sanitária, conferindo diretamente às ações de vigilância um alto grau de especialização, visto que essas ações podem ser defrontadas com demandas simples ou muito complexas, exigindo da vigilância sanitária conhecimentos variados e em diferentes disciplinas, demonstrando o seu caráter transdiciplinar e multiprofissional (LUCCHESE, 2001; IVAMA e MELCHIOR, 2007). A abrangente e complexa atividade de vigilância sanitária adquiriu em 1990 seu corpo conceitual e jurídico com a edição da Lei 8.080, a qual ficou conhecida como a Lei Orgânica da Saúde (LOS), muito embora as questões relacionadas à qualidade e à segurança de produtos e serviços estejam correlacionadas ao período colonial, instalada com a chegada da

Desta feita. A Lei 8. já que é esse ente que se insere com maior proximidade do cidadão e dos seus problemas. 2001). 2001). da produção e circulação de bens e consumo e da prestação de serviço que está ligada direta ou indiretamente com a saúde (Brasil. Tal fato se justifica por ser o município a instância apropriada para realizar as ações de saúde. Contudo. Com os processos de descentralização e municipalização das atividades de saúde. (grifos nossos) Uma questão a se enfatizar é que as ações de vigilância sanitária promovem a defesa e a proteção da saúde coletiva o que diversas vezes faz oposição à classe hegemônica e detentora do poder na sociedade. da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde. para com a saúde de seus munícipes (Rio Grande do Norte. que tem objeto o ambiente. 2001). impedindo a promoção das ações educativas em vigilância (Brasil. direta ou indiretamente. era preciso romper com o estigma da polícia sanitária e das ações cartoriais de vigilância.Corte Portuguesa ao Brasil (Brasil. após a caracterização jurídica e conceitual das atividades de vigilância sanitária. a área de abrangência da vigilância sanitária age sobre os problemas sanitários derivados do meio ambiente. a municipalização promove o conhecimento da responsabilidade do município pela saúde. as ações centradas nas pessoas (Brasil. 2007). 2001). 2007). se relacionam com a saúde da população. Com o papel definido e escopo visando à eliminação. onde a gestão municipal deve executar suas ações segundo as Normas Operacionais Básicas (NOB). principalmente. diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente. abrangendo o controle de bens de consumo que.080/90 conceitua as ações de vigilância sanitária como: Um conjunto de ações capazes de eliminar. foram construídos novos meios para efetivar a democratização da gestão e para a concretização das ações de vigilância sanitária. diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). visto que nessas normas estão elencadas as condições para realizar as . As definições de competências são distribuídas para as três esferas do poder. que designava aspectos plenamente burocráticos e autoritários da vigilância sanitária. a burguesia dominante dos meios mercantis que se relacionam com a saúde da população (SOUZA e STEIN. a organização social e. O processo de descentralização das atividades de saúde se tornou um ponto chave para a efetivação da saúde com um direito de todos os cidadãos e dever do Estado. diminuição e prevenção de riscos à saúde. por exemplo.

relata-se que 16 séculos antes de Cristo havia homens que tinham o domínio de técnicas para compor drogas. Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. o que provém de interações de vários processos. 3. social. porém eles não . Como exemplo. Na atualidade o desafio para o setor saúde é acompanhar a ampliação das necessidades da população. formulando assim uma linha temporal da estruturação. Inicialmente foi feito o levantamento bibliográfico em banco de dados com o uso das seguintes palavras-chaves: Vigilância Sanitária. seu campo de abrangência. 4. 2001). política e científico-tecnológica (COSTA. Além de conceituar a Vigilância Sanitária e definir suas funções e objetivos. MÉTODO Para o desenvolvimento do presente projeto de pesquisa foram implantadas estratégias de investigação. OBJETIVO O objetivo deste estudo foi traçar o perfil histórico e a atuação da Vigilância Sanitária junto à sociedade na República Federativa do Brasil. mas também com a possibilidade de existência de adulterações e falsificações dos mesmos. e não apenas com o estado de conservação dos alimentos e medicamentos. como os de natureza econômica. conformação e ação da Vigilância Sanitária na República Federativa do Brasil. 2007).responsabilidades e prerrogativas que o gestor deverá assumir para as atividades que visam à vigilância sanitária (SOUZA e STEIN. verificar a sua importância para a saúde da população. 2. Por fim foram compiladas as informações obtidas da revisão bibliográfica na forma de redação. No segundo momento foram analisadas as informações relativas aos artigos obtidos e feita uma revisão sistemática e analítica das caracterizações da Vigilância Sanitária. Financiamento da Vigilância Sanitária e Processo de Descentralização das Ações de Vigilância Sanitária. sendo que o método utilizado foi a revisão de material bibliográfico e a análise crítica do mesmo. cultural. do consumidor e do meio ambiente e definir os instrumentos para a efetividade das ações de Vigilância Sanitária. HISTÓRICO Existem relatos de casos nos quais indicam que as sociedades de eras remotas demonstravam preocupações com o exercício médico.

leva a obrigatoriedade de regulação das práticas mercantis que gerem interesse à saúde humana (COSTA. 63-97. 2000. da liberdade e dos direitos. In: Rozenfeld. Complexidade da ordem social contemporânea e redefinição da responsabilidade pública. desafios e perdas. In: ROEMER. do mercado e do consumo de produtos. Houve também a partir desse marco a afirmação do individualismo. G. 2 BODSTEIN. R. no mercado de consumo. Consumer protection: The Federal Food. O Processo de “mercantilização” do setor saúde introduziu novos elementos ao imbricado meio de ação da vigilância sanitária devido ao aumento da produção de itens relacionados à saúde. G. 2000)]1. como conservar e qual deveria ser seu prazo de validade [MCKREY (apud COSTA. Rio de Janeiro. p. direcionados a prevenção de doenças. ditos “livres”. uma espécie de creditação de resistência às atrocidades geradas pela via do poder. de conquistas. à ignorância dos governantes. (Org. Então o reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor. Conecticut. Drug and Cosmetic Act. S. com serviços e informações das mais variadas fontes. 1980.). Como contrapartida a esses processos foram implementadas também estratégias de coletivização e ampliação do espaço público. Issues and trends. 4. 2000). R. 173211. história do medo da doença e da morte. A experiência adquirida com fatos históricos afirma que o mercado não tem a eficácia de se autorregular. & MCKRAY. 2000).1. ao descaso das autoridades sanitárias que em épocas remotas faziam o isolamento dos doentes o seu método de cura.apenas produziam-nas. Fundamentos da Vigilância Sanitária. um relato de tragédias e figuras heroicas. p. Editora Fiocruz. . promoção. Com o advento da Revolução Industrial foi constituída uma nova configuração social. onde os trabalhadores. suplanta os direitos à saúde e com isso à vida. Além da inércia dos gestores a população estava sujeita às ações 1 MCKRAY. Vigilância Sanitária no Brasil Segundo Bueno (2005) a história da Vigilância Sanitária brasileira se confunde com a história de nosso país. tornando as relações sociais mais complexas devido. O que se nota com todo esse arcabouço de inovações é que as funções sociais vão se tornando mais diferenciadas e especializadas [BODSTEIN (apud COSTA 2001)]2.C. Legal aspects of health policy. Greenwood Press. tendo em vista que o modo de produção. ou purificação. preservação e recuperação da saúde (COSTA. mas também tinham a atribuição de ensinar como empregar essas drogas. principalmente. ao crescimento da produção. centrado na mercadoria. de A. deveriam tomar para si novas posições e consequentemente novos deveres no universo do trabalho.

1978. LOUREIRO. e MURICY. porém essas reconheceram a saúde apenas como um 3 MACHADO. Saúde e previdência: estudos de política social. 1986. LUZ. A. K.. Para Costa (apud COSTA.. principalmente. A história da Saúde Pública no Brasil foi impactada por vários conluios administrativos e produção de muitas normas legais. representando uma pequena parcela da população.2. porém tiveram pouca execução. Da instalação da família real portuguesa até a década de 1920. e PAULA. Graal. Danação da norma: medicina social e constituição da Psiquiatria no Brasil. sem distinção do que era cada uma [MACHADO et al. foi estabelecido o Regulamento Sanitário Federal como se fora um Código Sanitário que regulamentava os diversos objetos de interesse da saúde. Medicina e ordem política brasileira: políticas e instituições de Saúde (1850-1930). São Paulo. 2008) foi com a estadia da Família Real portuguesa no Brasil que se deu inicio à fundação e criação de vários meios normativos e diversos órgãos públicos os quais tinham a finalidade de exercer os serviços sanitários. Rio de Janeiro. 2000). pouca utilidade prática. R. . Hucitec. 4 BRAGA. República Velha. A singularidade desses serviços somente se consolidou como um saber específico na área da Saúde Coletiva no final do século XX. à instalação da Família Real portuguesa em nosso território (PIMENTA. 1978. 2ª ed. 1982 (apud COSTA. JCS. 2000)]3. ou seja. visto que essa primeira Constituição republicana em nada abordou o tema da saúde em seu arcabouço legal (COSTA. Graal. 2004). As ações destinadas ao controle sanitário apresentam no Brasil um caminho ligado à formação dos serviços sanitários iniciados no início do século XIX devido. Com o Estado Novo (1930-45) foi apresentado um novo projeto para promover o desenvolvimento econômico do Brasil. 4. LUZ. SG. LUZ. as ações de vigilância sanitária eram tidas como parte integrante da Saúde Pública. 2000)]4. ampliando dessa forma a segregação social [BRAGA e PAULA (apud COSTA. MT. Em 1934 e 1937 promulgam-se duas novas Constituições. 1982. Da década de 1930 a 1960 As décadas de 1930 e 40 estabeleceram marcos importantes para a vigilância sanitária no Brasil e para a saúde em geral. Rio de Janeiro. com isso a economia urbanoindustrial cresceu. FERNANDES e PIMENTA.truculentas e com uso da violência para conter as comunidades revoltadas com a situação da saúde pública. Em 1923 com o advento da primeira Constituição Republicana. R.

como pode transparecer. Em meados dos anos 50 foi criado um laboratório específico para a realização de análises de drogas. as questões sociais que havia mister de reestruturação nas políticas de saúde. ou seja. Na esfera federal as atividades desenvolvidas com maior primazia eram a regulamentação e registro de medicamentos. 4. controle de importações e circulação de produtos farmacêuticos e correlatos (COSTA. tendo suas ações desenvolvidas pelo Serviço Nacional de Fiscalização da Medicina e Farmácia. transformando assim a farmácia em um estabelecimento comercial (COSTA. regulamentação para adaptação da produção brasileira às exigências internacionais de qualidade de produtos. que tinha o objetivo de averiguar as questões comerciais abusivas das indústrias farmacêuticas e suas políticas de introdução de novos produtos no mercado. tal qual. com a estratégia de diminuir as suas conseqüências. FERNANDES e PIMENTA. O desenvolvimento econômico impulsionado pelo “milagre econômico” gerado no pós-1968 gerou novas necessidades do Estado. 2000). levando consigo a vigilância sanitária (COSTA. devido à quebra das patentes de produtos farmacêuticos. apesar de que suas atribuições não se limitavam apenas fiscalizar o exercício profissional. o Laboratórios Central de Controle de Drogas e Medicamentos. esse código designou uma grande abrangência às ações de saúde (COSTA. a saúde era direito apenas da classe trabalhadora (COSTA. Soma-se a tal fato. Em 1945 houve a expansão das indústrias farmacêuticas nacionais. e isso impulsionou as reformas do setor saúde.3. 2008). No início da década de 1940 foi instituído o Serviço Nacional de Fiscalização da Medicina. 2000). 2008). FERNANDES e PIMENTA. medicamentos e posteriormente de alimentos. Dos anos de 1970 a 1988 Até os anos 1970 a Vigilância Sanitária não se apresentava de maneira visível ao setor saúde. Em 1975 foi implantada a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Consumidor. No final do governo de Juscelino Kubitschek foi promulgado o Código Nacional de Saúde. As ações de vigilância sanitária eram desenvolvidas a nível estadual sob a responsabilidade de órgãos congêneres ao Serviço Nacional de Fiscalização da Medicina e Farmácia. A notoriedade dos feitos realizados por essa CPI foi de grande valia e.direito do trabalhador que possuía um emprego formal. e nos anos 50 cria-se também o da Farmácia. o governo federal então propôs uma nova legislação que veio a constituir . 2000). provavelmente.

tais como Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). Apesar das grandes mudanças ocorridas com a promulgação das novas legislações e com a nova instituição ministerial.360. FERNANDES e PIMENTA.360 significou um avanço na conformação da vigilância sanitária. as drogas. E. Fernandes e Pimenta (2008) a Lei 6. desta forma.437/77 que “configura infrações à legislação sanitária federal. que fora promulgada em 1976 [COSTA (apud COSTA. conforme afirma Costa (apud 5 Costa. cosméticos. Essa lei “dispõe sobre vigilância sanitária a que ficam sujeitos os medicamentos. 2008). a Lei 6. Conforme relata Costa (apud COSTA. 2004. o que demonstra um novo conceito. a Vigilância Sanitária. e obteve forte influencia de organismos internacionais na sua implementação.991/73. São Paulo: Sobravime. estabelece as sanções respectivas” (COSTA.368/76 que “dispõe sobre medidas de prevenção e repressão ao tráfico ilícito e uso indevido de substâncias entorpecentes ou que determinem dependência física ou psíquica”. Segundo Costa. Conforme mencionam Costa. Lei 6. tornando-a mais importante. cuidado e prevenção. porém com essa nova secretaria foi promovida a separação entre a Vigilância Sanitária e a Vigilância Epidemiológica. ela se apresenta como ação permanente e rotineira dos órgãos de saúde de modo integrado com as várias outras esferas de gestão. pois se insere como parte central de modernização da legislação voltada para a área da saúde no nível de federação. os insumos farmacêuticos e correlatos. visto que o termo “vigilância” remete às ações destinadas a precaução. 2ª ed. . Vigilância Sanitária: proteção e defesa da saúde. a instituição dessa nova Secretaria e a compilação de suas competências deu nova visão à vigilância sanitária. no âmbito da Saúde Pública. insumos farmacêuticos e correlatos”.A. Durante os anos de 1970 foram introduzidas várias outras legislações no sistema legal brasileiro tais como a Lei 5. Tal modificação foi devido à criação da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS/MS) em 1976. medicamentos. Fernandes e Pimenta (2008) uma outra questão importante na década 70. que “dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas. 2008)]5. FERNANDES e PIMENTA. saneantes e outros produtos”. FERNANDES e PIMENTA. 2008). visto que se localizaram em espaços institucionais distintos no MS. foi a modificação da terminologia “fiscalização” para “vigilância”.a chamada Lei de Vigilância Sanitária. constituindo assim uma noção mais abrangente do que as ações demandadas pelo termo “fiscalização” que é apenas de controle e punição. a Lei 6. que foi gerada em conseqüência à reformulação do Ministério da Saúde (MS).

que outorga maior visibilidade às ações de vigilância sanitária. Fonseca C.” A maioria dos pontos discutidos durante a VIII Conferência Nacional de Saúde foi admitida no processo Constituinte de 1988. Rio de Janeiro: Fiocruz. Suarez JM. sujeitos coletivos e pessoas de destaque. proteção e recuperação” [LIMA et al. A saúde na construção do Estado Nacional no Brasil. distante da população e marcada pela centralização de suas ações e forte autoritarismo para com as instâncias estaduais. Rio de Janeiro: Fiocruz. surgiram algumas preocupações. reconhecendo o direito à informação. porém é 6 Lima N. FERNANDES e PIMENTA. tais como fazer a integração das ações entre os níveis hierárquicos das esferas federal. Hochman G. Na mesma Constituição é criado o SUS. Gerschman S. Os consumidores “apareceram” no cenário político e sanitaristas ocuparam postos importantes no aparelho de Estado. estaduais e municipais. Costa (2000) diz que: “No movimento pela redemocratização do país cresceram os ideais pela reforma da sociedade brasileira envolvendo diversos atores sociais. ainda se apresentava de forma isolada das demais ações de saúde. A democratização na saúde fortaleceu-se no movimento pela Reforma Sanitária. Edler FC. o qual foi pressionado pelos movimentos sociais tentando a afirmação dos direitos sociais no período pós-ditadura. A democracia inconclusa: um estudo da Reforma Sanitária brasileira. que permeou a década de 80. proibindo a comercialização de sangue. 2008). Gerschman S. Saúde e democracia – história e perspectivas do SUS. Em meio às idéias de Reforma Sanitária. tornando-a integrante da normatização jurídica da saúde. . 2004. garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção. FERNANDES e PIMENTA. avançando e organizando suas propostas na VIII Conferência Nacional de Saúde de 1986 que deu as bases para a criação do Sistema Único de Saúde. A sociedade brasileira obteve um imenso avanço em relação à cidadania. como também resolver os problemas de capacitar seus trabalhadores (COSTA. 2008)]6. determinando a defesa do consumidor. FERNANDES e PIMENTA.COSTA. 2005. In: Lima N. 2008). organizadores. que por fim teve proclamado no artigo 196 da Constituição que “a saúde é direito de todos e dever do Estado. e deferindo ao Poder Público algumas atribuições para controlar os riscos sanitários. e GERSCHMAN (apud COSTA.

2000). São Paulo. o que promove crises no SUS. autonomia administrativa e estabilidade dos dirigentes (COSTA. Segundo Mendes (apud COSTA.4. Org.782. aeroportos e fronteiras.V. inclusive dos ambientes. EV. por intermédio do controle sanitário da produção e da comercialização de produtos e serviços submetidos à vigilância sanitária. todos esses fatores incitam às modificações e à reforma institucional (COSTA. e desta forma o setor privado de saúde começa a obter uma maior parcela da população e por conseguinte desenvolve uma maior capacidade de pressão política. 1993. A reforma institucional então ocorreu em 1999 culminando com a criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) sob a Lei 9. Na Lei de criação da ANVISA fica clara em seu artigo 6º qual é sua finalidade institucional: “A Agência terá por finalidade institucional promover a proteção da saúde da população.. sendo essa uma entidade que funcionaria sob a forma de uma agência reguladora. Anos de 1990 A década de 90 é institucionalizada pela contrariedade da saúde ao projeto neoliberal7. 8 MENDES. tais como desumanização do atendimento nos serviços públicos. de falsificações e de comércio ilegal de medicamentos. Distrito Sanitário: o processo social de mudanças das práticas sanitárias do Sistema Único de Saúde. P. 19-91 . Seu modelo institucional se baseia em três “pilares” que são independência financeira. bem como o controle dos portos. 2000). desta forma o cenário se torna insustentável quando ocorrem episódios de mortes evitáveis. só devendo esta ocorrer em setores imprescindíveis e ainda assim em um grau mínimo (Hauaiss). dos processos. conferindo-lhe uma administração pública gerencial orientada por resultados. Com a fragilidade na área da saúde insurge-se a crise sanitária que é derivada de várias circunstâncias. 2000)8 a cultura desenvolvida no Brasil é a paternalistaautoritária o que gera uma diminuição do ímpeto social na participação do desenvolvimento de uma política de saúde pública. 4.” (grifos nossos) Além disso fica a cargo da ANVISA a coordenação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) e também as ações de vigilância sanitária realizada por laboratórios da Rede 7 Neoliberal é a absoluta liberdade de mercado e uma restrição a intervenção estatal na economia. In: MENDES. E. As políticas de saúde no Brasil nos anos 80: a conformação da reforma sanitária e a construção da hegemonia do projeto neoliberal. filas e falta de atendimentos.necessário apontar que a proteção e promoção da saúde são de responsabilidade pública o que implica dizer que é competência de todos os cidadãos do país (COSTA. 2000). Hucitec/Abrasco. dos insumos e das tecnologias a eles relacionados.

2001). o Legislativo. da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde. direta ou indiretamente. 2000).” Desta forma. Desta forma. envolvendo o pode Executivo. no julgamento de procedimentos irregulares e nas sanções penais. com a função de trabalho no sentido de amoldar o sistema produtivo de bens e serviços relacionados à saúde. II . 1998): “Entende-se por vigilância sanitária um conjunto de ações capazes de eliminar. constante na Lei 8.o controle de bens de consumo que. perigo virtual ou ameaça de agravos. principalmente. a conceituação de vigilância sanitária. CONCEITO DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA Com a assunção pela Constituição brasileira de 1988 de tornar a saúde um direito de todos os seres humanos. assim como os espaços ambientais às exigências sociais e às necessidades do sistema de saúde (LUCCHESI.080 de setembro de 1990. na concessão de licenças a estabelecimentos. independentemente de condição social e se possui ou não uma relação empregatícia. sobre a ótica da epidemiologia. 2001). o Judiciário além de outros setores do Estado e da sociedade. funções estas derivadas de seu poder de polícia. está conforme o artigo 6º. que devem ter sua participação constituída (LUCCHESI. parágrafo 1º que diz que (EDUARDO e MIRANDA. diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente. os problemas vivenciados pela vigilância sanitária demandam tratamentos interdisciplinares. compreendidas todas as etapas e processos. As práticas de Vigilância Sanitária são baseadas nas concepções de risco.Oficial de Laboratórios de Controle de Qualidade em Saúde Integrante do SUS (COSTA. a ação de vigilância sanitária pode ser identificada sob a ótica de intervenção do Estado. Características essas mais conhecidas . da produção ao consumo. 2000). as ações de vigilância sanitária ainda conservam suas atribuições mais antigas e estão estabelecidas nas atividades de fiscalização. e tratamentos interinstitucionais. Necessita ainda da mediação das diferentes instâncias dos poderes. e apregoar ao Estado o dever de ser o provedor da saúde. abastecimento de água. 5. abrangendo: I . observação do fato. agricultura. se relacionem com a saúde.o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde. demandando a interação entre vários setores como saneamento. Na prática. Ministério Público (COSTA.

6. Eduardo e Miranda (1988). realizam e promovem o controle sanitário. as ações de vigilância sanitária são principalmente de caráter preventivo. e Cunha e Freitas (2001). dividindo competências com diversos órgãos e instituições de outros setores que da mesma forma. quanto para fomentar os processos de construção da cidadania no país. Conforme leciona Costa (2003). senão todas. do ambiente e dos serviços. “O mundo em que vivemos e trabalhamos parece cada vez mais cheio de riscos e perigos que representam ameaças à saúde do homem. na prática. Costa (2003) descreve as seguintes funções da Vigilância Sanitária: .pela população. o que demonstra diretamente a necessidade da função de proteção à saúde. dos processos de produção. cargas e pessoas. 1998). Por tal assertiva é que se entende que a área de vigilância sanitária tem um papel importante e diferencial para a modificação do modelo assistencial de saúde. as atividades médico-sanitárias. isolada e marcadamente cartorial. De acordo com Costa (2000. 1996-1997). tendo sua atuação sobre fatores de risco e danos em conexão a produtos. com o meio ambiente incluindo nesse o de trabalho. Como visto. Para Lucchesi (2001) as ações de vigilância sanitária têm a função de levar a cabo as percepções e os propósitos éticos relacionados à qualidade das relações. 2003). partindo da promoção chegando à proteção/recuperação e reabilitação da saúde. do meio ambiente e das futuras gerações” (FREITAS e GÓMEZ. diminuição ou eliminação de riscos e/ou danos à saúde. insumos e serviços que englobam a saúde. porém ainda possuem as demandas de normatização e educacional (EDUARDO e MIRANDA. São devidas à Vigilância Sanitária as funções de desenvolver metodologias e políticas públicas destinadas a englobar o crescente aumento da qualidade de vida (COSTA. 2003). as ações de vigilância sanitária possuem um caráter multidisciplinar além de possuir a capacidade de interferir nas relações sociais de produção-consumo para realizar a prevenção. a qual se deve refletir na saúde e na qualidade de vida dos cidadãos. apesar dos avanços em termos de ordenamento jurídico. uma atuação frágil. a Vigilância Sanitária no Brasil tem apresentado. percorrendo quase todas. com a circulação internacional de transportes. direta ou indiretamente. FUNÇÕES E OBJETIVOS DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA As ações da Vigilância Sanitária englobam variadas categorias de objetos de cuidado.

comercialização e consumo de substâncias e produtos de interesse da saúde. 7. 7. aeroportos e fronteiras. guarda. novas tecnologias. procedimentos e equipamentos e aspectos da pesquisa em saúde. do uso e consumo de novos produtos. IINormatização e controle de tecnologias médicas. IVNormatização e controle específico de portos. circulação. e saúde do trabalhador. pois conforme mencionam Eduardo e Miranda (1998) a vigilância sanitária poderá atuar em todos os aspectos que exercem influência direta ou indireta sobre a saúde dos cidadãos. como o lixo hospitalar. abrangendo veículos. resíduos de materiais radioativos. tanto direta quanto indiretamente. 7. VNormatização e controle de aspectos do ambiente. Meio ambiente . prestados pelo Estado e modalidades do setor privado. vasto e ilimitado. IIINormatização e controle de serviços direta ou indiretamente relacionados com a saúde. processos e equipamentos. CAMPO DE ABRANGÊNCIA DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA Com a definição de vigilância sanitária vê-se que o seu campo de atuação é bastante abrangente. ambiente e processos de trabalho. Costa (2003) ainda diz que o controle sanitário deve fornecer os meios para proteção do ambiente de “externalidades negativas” que são devidos do processo de manufatura dos serviços. armazenamento. necessidades novas.” Para Lucchesi (2001) a Vigilância Sanitária é uma área da saúde coletiva que possui vínculo direto com as ameaças à saúde pública que são resultantes da maneira de vida contemporânea. Bens e serviços de saúde O controle sanitário dos serviços relacionados. da produção. segundo Costa (2003). suas matérias-primas. cargas e pessoas.1. coadjuvantes de tecnologias. com as questões da saúde deve possuir a capacidade de realizar a proteção da saúde da população contras as iatrogenias. hábitos e formas de relacionamentos da vida em coletividade.2. são as doenças relacionadas com os serviços de saúde. geralmente demandadas pela imposição da sociedade.“I- Normatização e controle de bens. ou seja. Eduardo e Miranda (1998) dividem o campo abrangente de atuação da vigilância sanitária em dois subsistemas o de bens e serviços de saúde e o de meio ambiente. transporte.

IMPORTÂNCIA DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA Segundo Baudrillard10. P. resíduos em saúde. BAUDRILLARD. água. Rio de Janeiro. o mercado cria a necessidade. CAMPOS. porém ao “conjunto de condições de existência humana que integram e influenciam o relacionamento entre os homens. 1987. A Sociedade de Consumo. terra. a vigilância sanitária tem sob seu escopo de atuação. ambientes. as técnicas mercadológicas também 9 DERANI. o aumento do consumo de seus produtos. G. Max Limonad. não resumindo. 13 SINGER. Como não existem diferenças nas indústrias produtoras de bens para saúde e de indústrias de outras frentes de trabalho. transporte e a distribuição dos produtos acima referidos (EDUARDO e MIRANDA. Direito Ambiental Econômico. Forense-Universitária. sendo que muitas vezes a necessidade do consumidor é só fictícia e não real. E. direta ou indiretamente. equipamentos. J. 12 FANUCK. Prevenir e curar: o controle social através dos serviços de saúde. 10 11 GIOVANNI. A questão dos remédios no Brasil: produção e consumo. sangue e hemoderivados. devido à ideologia do consumismo que está implantada nos meios sociais. tecnologias. 19:12-4. . 1997. Edições 70. ou seja. produtos hemoterápicos. Lisboa. 2003) é nesse âmbito que os produtores exercem seu papel manipulador sobre os consumidores. produtos que envolvem risco à saúde. De modo geral. sobretudo sociais. 1975. cigarros. equipamentos. Justiça na Saúde: Quem Age na Defesa do Povo? Saúde em Debate. agrotóxicos. processos envolvidos nas fases de produção de bens e produtos. COSTA 2003). mas expandido esse conceito à qualidade de vida. influenciando-os a adquirir cada vez mais mercadorias. Livraria e Editora Polis. saneantes.. obtidos por engenharia genética. radioisótopos. sua saúde e seu desenvolvimento”. água. bebidas. 2003) estratégias dos mercados produtores induzem. cosméticos. a promoção do controle sanitário sobre medicamentos. psicológicos e. alimentos. Giovannni11 e Fanuck12 (apud COSTA. imunobiológicos. São Paulo. propaganda de produtos que geram risco sanitário. Para Singer13 (apud COSTA. que demanda não fatos pontuais e sim fatos complexos e que demandam fatores físicos. & OLIVEIRA. 1978. 1998. portanto. órgãos e tecidos humanos usados em processos de transplantes. radiofármacos. 8. São Paulo. 2003) não é resumido em conceitos de ar.O conceito de meio ambiente neste subsistema segundo Derani9 (apud COSTA.M. suas instalações físicas. O. produtos de higiene e perfumes. exercer o controle sanitário dos serviços relacionados à saúde. 1980. L. C.

o qual é o titular dos interesses que se relacionam com uma existência de uma vida digna. Questões da atualidade .tais como o consumo de produtos transgênicos. 2003) há na atualidade um aumento dos interesses difusos. 2003). que tende a promoção da segurança sanitária [Durand (apud Costa. exemplo disso são os medicamentos que se transformaram em objeto de estratégias comerciais. expandindo as frentes apenas curativas (COSTA 2003).2003)]. visto que além da verificação dos requisitos de qualidade. Revista dos Tribunais. 1994. cabe ainda à vigilância sanitária a promoção do princípio bioético do benefício e o princípio da precaução15 para garantir a segurança e credibilidade da saúde coletiva (COSTA. SISTEMA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA 14 MANCUSO. 2003). interessando a todos esses processos de controle.ª ed. R. 2003)]. pois o mercado está centrado no produto e não na promoção da saúde da coletividade. as atividades de vigilância sanitária se enquadram como parte das ações de controle dos processos econômico e social que se destinam a impedir ou evitar contradições que interfiram na produção e/ou no processo de consumo de bens e serviços de saúde [SINGER (apud COSTA. incapaz de se autorregular para a fixação dos interesses sanitários da população. (grifos do autor) Com os fatos históricos pode-se verificar que o mercado produtor é inábil para exercer a sua própria função regulatória. tanto a consumidores quanto a produtores [LIMA (apud COSTA. . 2003)]. ou seja.trazem novas exigências à prática da vigilância sanitária. Nesse contexto. 3. que é buscada pelo ser humano.invadem e se aplicam ao setor saúde. que acabam se confundindo com a busca pela saúde. São Paulo. eficácia e segurança das práticas e produtos de interesse à saúde. que se relacionam para com a vigilância sanitária na noção de qualidade de vida. Existem doutrinadores que reconhecem a vulnerabilidade das populações frente ao mercado produtor o que justifica a real necessidade de uma prática de regulação do mercado por meio de controles sanitários que garantam a saúde humana e ambiental (COSTA. Interesses difusos: conceito e legitimação para agir. 9. Gerando nos consumidores a busca incessante por serviços para/de saúde.C. que em certos pontos apresentam questões antagônicas uma com as outras. Para Mancuso14 (apud COSTA. 15 Este princípio foi incorporado nas reformulações promovidas pela França em seu sistema da saúde pública. uso de embriões em pesquisas .

o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (CONASS). 2007). de modo complementar e . o controle e a fiscalização de produtos. a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). substâncias e serviços que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde da população. a vigilância de portos. As Esferas Municipais são compostas pelos órgãos de Vigilância Sanitária das Secretarias Municipais de Saúde. pelos Conselhos Municipais de Saúde e Colegiados de Gestão Regional (CGR) (Rio Grande do Norte. o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (CONASEMS). As Esferas Estaduais são compostas pelos órgãos de Vigilância Sanitária das Secretarias Estaduais de Saúde e do Distrito Federal. pelos Conselhos Estaduais e Distrital de Saúde e pela Comissão Intergestores Bipartite (CIB). As demais esferas ficam sob coordenação do estado e dos municípios (IVAMA & MELCHIOR. Para Eduardo e Miranda (1998) as atribuições de normatizar e fiscalizar ficam sob a responsabilidade de todos os órgãos. que criou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – que substituiu a antiga Secretaria de Vigilância Sanitária integrante do Ministério da Saúde – e definiu o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. aeroportos e fronteiras. as atividades de características macro. 2001). o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS). entrando em consonância com os ordenamentos jurídicos que organizam o sistema de saúde brasileiro. Além de atribuir a todo o sistema federativo a atividade de manutenção de monitoramento do sistema de vigilância sanitária propriamente dito e de um sistema de informações em vigilância sanitária [Lei 9. 2003). COSTA. que contam com os Laboratórios Centrais (LACENs) de Saúde Publica. e se inserindo nas estratégias para se enfrentar os problemas da época. 2001. como a normatização.A organização da Vigilância Sanitária no Brasil foi modificada com a edição da Lei 9. assim as responsabilidades são fracionadas por áreas de competência. 2007. O Sistema Nacional de Vigilância Sanitária é composto na Esfera Federal pela ANVISA. ficando a cargo da ANVISA a coordenação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária tendo as atribuições de regulamentar e executar as ações com abrangência nacional. agência vinculada ao Ministério da Saúde. o Conselho Nacional de Saúde (CNS) e a Comissão Intergestores Tripartite (CIT).782/99 (apud DALLARI. IVAMA & MELCHIOR.782 de 1999. como a crise dos medicamentos falsificados no país (DALLARI. 2007). Com a edição dessa nova lei nacional passa a ser de responsabilidade da esfera federal a definição da política e do sistema nacional de vigilância sanitária. As ações de vigilância sanitária são realizadas na prática pelos três entes federativos incumbidos de exercer a gestão da saúde.

principalmente. Dentre as atribuições da ANVISA estão a de “assessorar. as responsabilidades de cada ente não são excludentes. nos Estados. ou seja. tende a atender as variabilidades apresentadas pelas diferenças socioeconômicas. 2004). portanto. o qual possui sua organização político-administrativa compreendida na União. conjugando meios de transferência de responsabilidades e competências junto à transferência de recursos financeiros para os Estados e municípios (COHEN. dos estados e dos municípios. com todo esse tamanho e conseqüente complexidade é que se justificam as ações de descentralização das atividades de vigilância sanitária. 2004). A descentralização. demográficas e sanitárias que são encontradas em cada ente federado brasileiro. estando em conformidade com o que propõe o SUS. (grifos nossos) A descentralização. respeitando os princípios da hierarquização e descentralização das ações de saúde. 2007). agora entendidos como os gestores do SUS (Brasil.harmônico. portanto. conforme o texto constitucional em seu artigo 8º. E ao longo desse período. os municípios e estados. complementar ou suplementar as ações estaduais. A gestão do Sistema (SUS) passa a ser de responsabilidade da União. no Distrito Federal e nos Municípios. culturais. Os anos 1990 para o setor saúde foram marcados pela formulação estratégica da ação descentralizadora do sistema de saúde. só deve executar aquilo que o nível local. tais como: . municipais e do Distrito Federal para o exercício do controle social” (IVAMA & MELCHIOR. identificado com a criação da Lei Orgânica da Saúde. é a redistribuição de recursos e responsabilidades entre os entes federados com base no entendimento de que o nível central. 2004). ao sistema federativo adotado pelo Brasil. o processo de descentralização “consolidou a reestruturação da arena decisória em torno da saúde”. Segundo Solla e Costa (2007) o processo de descentralização das ações do setor saúde aponta diversas vantagens nos âmbitos administrativo. A DESCENTRALIZAÇÃO DAS AÇÕES DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA Segundo Juliano e Assis (2004) a adoção do sistema de descentralização das ações de vigilância sanitária são devido. não podem ou não conseguem executar. 10. todos autônomos. a Lei 8080/1990 e os seus desdobramentos. as Normas Operacionais Básicas (NOB´s) e a Norma Operacional de Assistência à Saúde (NOAS) (JULIANO e ASSIS. MOURA e TAMAZELLI. a União. O Brasil é dividido em 27 Estados e possui 5564 municípios com uma população aproximada de 170 milhões de habitantes (dados do Censo Demográfico de 2000). político e econômico.

étnicos. passa a ser do município a responsabilidade pela saúde pública de sua população. pode permitir maiores oportunidades para inovações e aumentar o universo de experiências positivas de gestão. melhores condições para formulação de políticas. destinadas aos municípios. e vários são os desafios e avanços registrados”. mas. particularmente para atenção básica à saúde. tendo em vista que o município é o nível mais próximo do cidadão e consequentemente dos seus problemas. Pereira CRA. 2003. Lima JC. possibilita às representações de vários grupos sociais. aquisição local de determinados tipos de insumos estimula a economia na região. ENSP/FIOCRUZ. Para Cohen. assim o processo de municipalização das ações de vigilância sanitária é visto como primordial. sim. 2004) “dentre as diretrizes e princípios que orientam o SUS. comunicação inadequada e áreas de difícil acesso. pode-se afirmar que a descentralização é aquele cujos processos e resultados têm sido mais estudados e acompanhados. . Lima e Pereira16 (apud COHEN.“Possibilidade de organizar de forma mais racional o sistema de saúde com base em áreas administrativas locais.” Tratar a saúde como direito de todos e dever do Estado tem na descentralização uma estratégia fundamental para a efetivação desse direito. promove um contato mais próximo entre governo e população. Dando continuidade à normalização do processo de descentralização. sendo criadas as modalidades de gestão plena da atenção básica e gestão plena do sistema. permitindo melhorar o controle sobre os recursos aplicados. MOURA e TAMAZELLI. religiosos e políticos em diferentes regiões do país participar mais diretamente das tomadas de decisão sobre as políticas de saúde. de assumir a titularidade do dever constitucional da execução das ações de Vigilância Sanitária em seu território (Rio Grande do Norte. contribui para facilitar a coordenação intersetorial. cooperação e sustentabilidade da política de saúde. Normas Operacionais do SUS e a Vigilância Sanitária. onde o suporte para programas nacionais é geralmente mais frágil. facilita a participação da comunidade. Desta forma. envolvendo estados e municípios. não cabendo mais a possibilidade de escolha na execução ou não das ações de Vigilância Sanitária. e as modalidades de gestão avançada do sistema e 16 Cohen MM. é editada a NOB-SUS de 1996 o qual ajusta o processo de gestão em modalidades. permite soluções locais para problemas relacionados a grandes distâncias. planos e programas mais realistas e adequados à realidade local. a aceitabilidade. e permite que as políticas nacionais penetrem em áreas distantes. 2007). permite melhores condições para incrementar a provisão de atenção à saúde em regiões com baixa cobertura. Curso de atualização em gestão da VISA para dirigentes do RJ-2003.

com repasse “fundo a fundo”17. cerca de 99%. durante a década de 1990. o qual se define pela equalização das transferências de recursos por base populacional. por meio do Piso de Atenção Básica (PAB)18 compreendendo uma parte fixa. 2001). 2004). 2001). Como exemplo são as necessidades de se comprovar as condições para o desenvolvimento das ações básicas de 17 Repasse automático de recursos financeiros do Fundo Nacional de Saúde para os Fundos Estaduais e Municipais de Saúde [Viana. esta é definida com base em critérios técnicos específicos [VIANA. sendo a Gestão Plena da Atenção Básica Avançada (GPABA) e a Gestão Plena do Sistema Municipal (GPSM). responsabilidades. 19 Viana ALD. No fim do ano 2000 quase a totalidade dos municípios brasileiros. Descentralização e federalismo: a política de saúde em novo contexto – lições do caso brasileiro. Lima & Oliveira (apud Juliana & Assis. A gestão plena da atenção básica concede a responsabilização pelas ações de atenção básica ao gestor municipal. 2002)] (grifos do autor). 2004). Com a Norma Operacional de Assistência à Saúde (NOAS-SUS) 2001 foram disponibilizadas duas condições de gestão em que os municípios puderam se habilitar. . 18 Conforme diz Sousa (2002) o Piso de Atenção Básica consiste em um montante de recursos financeiros destinado exclusivamente ao custeio de procedimentos e ações de atenção básica à saúde.gestão plena do sistema destinados aos estados. (SOUSA. O que diferencia essas formas de gestão são os níveis de responsabilidades que cada esfera governamental passa a exercer. Com a implementação e a transferência das responsabilidades e atribuições dos serviços de saúde para os entes estaduais e municipais. LIMA & OLIVEIRA19 (apud JULIANO & ASSIS. com o aprimoramento do controle e avaliação e com a formulação de consórcios intermunicipais e também pela criação e implementação de planos de regionalização promovidos pelas secretarias estaduais de saúde em conjunto com os municípios ocorreu um aumento significativo na articulação da rede de serviços de saúde (Brasil. abrangendo as ações de promoção. Sendo que em cada gestão há alguns conjuntos de prerrogativas. Com o desenvolvimento da programação integrada. Ciência & Saúde Coletiva 7(3):1-15. já faziam parte de alguma das modalidades de gestão implantada pela NOB-SUS 96 (Brasil. Lima LD & Oliveira RG 2002. esse fato demonstra que tais entes passaram a fazer a substituição da lógica de pagamento por produção. atividades que eram realizadas anteriormente no país (Brasil. verificou-se um grande crescimento das transferências “fundo a fundo”. com a criação de centrais de regulação. requisitos e instrumentos que devem ser cumpridos pelos municípios. proteção e recuperação da saúde. outorgando autonomia ao gestor municipal na gestão plena do sistema para gerir o sistema como um todo. obtido pela multiplicação de um valor per capita nacional pela população de cada município e uma parte variável. 2001).

2004). aparelhos ou serviços. pois a nova ordem econômica mundial não estendeu a distribuição dos benefícios gerados pela acumulação de riquezas a todos os países do globo terrestres. é necessário usar a técnica apropriada e identificar quais são os pontos críticos naquela unidade. e não como algo estático e pontual. comercialização ou prestação de serviços. o conjunto de procedimentos que são básicos. Observou-se que com o processo de globalização da produção e da circulação de bens e produtos sobrevieram pontos interrogativos sobre a atuação da Vigilância Sanitária. mas promoveu a ampliação de distribuição internacional dos riscos difusos à saúde humana. Não basta fiscalizar burocraticamente. Torna-se claro que os países . Desta forma. menos complexos. Constatou-se que a caracterização de uma estrutura sanitária começou a ocorrer com a instalação da Família Real portuguesa em solo brasileiro. Daí a necessidade de divisão solidária de responsabilidades entre os entes federativos e de capacitação permanente dos profissionais. mesmo executando os procedimentos de maior complexidade em Vigilância Sanitária. a Vigilância Sanitária estadual poderá cumprir seu efetivo papel coordenador e regulador. Moura e Tamazelli (2004) informam que: “Um dos maiores desafios para a ação regulatória do Estado moderno na área sanitária é a avaliação do risco das novas tecnologias. sejam elas substâncias. percebendo o processo como uma estratégia operacional em freqüente aprimoramento. respectivamente (COHEN. buscando Boas Práticas na fabricação. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste trabalho observou-se que a história da Vigilância Sanitária no Brasil foi diretamente influenciada pelos movimentos sócio-políticos que ocorreram neste país. pelo menos. 11. Moura e Tamazelli (2004) concluem dizendo que o desfio é fazer a implementação dos avanços alcançados no SUS quanto ao processo de descentralização das ações de vigilância sanitária. estrutura que se limitava a um controle sanitário do capital imperial português.vigilância sanitária e comprovar a execução de ações de maior complexidade nas áreas de vigilância sanitária para que o município possa se habilitar em GPABA e GPSM. sem. entretanto.” Cohen. seja num estabelecimento de saúde ou em qualquer outro sujeito à Vigilância Sanitária. Cohen. atribuir a este processo de descentralização uma característica meramente burocrática. MOURA e TAMAZELLI. mas fundamentais para proteção da Saúde da população. Para que se possa atuar nesta lógica é imprescindível que o município assuma.

a produção e disseminação de conhecimentos e informações atualizadas. tal qual o que ocorreu em meados dá década de 70 denominado de o “milagre econômico brasileiro” que gerou a necessidade de se regular os mercados produtivos para que os nossos produtos pudessem entrar em competição com o mercado internacional. sendo que um deles foi na área da saúde. universal. sem privilégios de grupos ou pessoas. O processo evolutivo da Vigilância Sanitária no Brasil foi também influenciado pela evolução econômica do país. que se consolida então em 1986 na VIII Conferência Nacional de Saúde por lançar as bases para um sistema único de saúde. O processo de construção de uma Vigilância Sanitária no Brasil alcançou seu ápice nos anos 80 e 90 com o fim do regime militar e consequente redemocratização do país. a estrutura tradicional do modelo sanitário fragmentado e anacrônico. centrado no cuidado à doença e agravado pela pulverização de ações similares descoordenadas em distintos espaços institucionais”. e até mesmo as tecnologias que envolvem todo o meio em que se insere a vigilância sanitária (COSTA. o que leva então a criação do SUS na Constituição Federal de 1988. 2001). neste período começam a se discutir as ideias da Reforma Sanitária. para que em “equipe” implantem políticas públicas intra e intersetoriais com a finalidade de integrar as atividades de vigilância sanitária no conjunto de ações de saúde e demais setores que visem à boa qualidade de vida (COSTA. sobretudo. buscando desta forma a afirmação da saúde como um direito social. igualitário. o que gerou vários movimentos sociais. Para que a finalidade da Vigilância Sanitária seja realizada e com isso consiga obter a sua legitimidade social é necessário promover ações integradas entre a sociedade e os profissionais e trabalhadores de saúde. o que provê juridicamente maior visibilidade ás ações da Vigilância Sanitária. tudo afirmando que o conceito de Vigilância Sanitária envolve aspectos não apenas de recuperação da saúde. mas de prevenção também. demonstrando que o processo evolutivo do sistema de saúde brasileiro sofria uma determinação do capitalismo internacional. A Vigilância Sanitária como uma das partes integrantes do Sistema Único de Saúde enfrenta vários desafios que não se restringem apenas às discórdias entre questões mercantis versus saúde. a pontos conceituais e doutrinários que envolvem todo o arcabouço da área da saúde. 2001). 2000). mas a várias demandas externas como a qualidade da formação profissional. .mais vulneráveis aos problemas sanitários serão aqueles que possuem sistemas de vigilância frágeis (COSTA. Conforme afirma Costa (2001) “é preciso romper.

2000). perpassando desde fatores relacionados ao desenvolvimento teórico-conceitual e metodológico até a formação e capacitação do corpo humano envolvido nas ações de vigilância sanitária. ou seja. a serem conjugados com os princípios e diretrizes afirmados para a constituição da saúde como um valor. promoção. à regulação. propiciando assim as ações de saúde pelos níveis mais próximos do alvo. tomando como consideração também e de grande importância o repasse de recursos do nível federal para os demais entes. os princípios de universalização. ou seja. tais como a necessidade de regulação das práticas mercadológicas de incentivo ao consumo desenfreado de produtos de risco. visto estarem sujeito a menos efeitos de concorrência desleal e a fraudes. A regulação sanitária tratada do ponto de vista econômico trata de superar falhas mercadológicas. por realizar as atividades de regulação destinada à proteção da saúde. são integrantes tanto da ação de saúde quanto meio de organização econômica. Estas questões exigem da Saúde Pública/Vigilância Sanitária. integralidade. os desastres com produtos tóxicos e perigosos. proteção e defesa da saúde. Costa (2000) finaliza dizendo que: “O processo de transformação que a atualidade requer defronta-se com imensos desafios expressados em temáticas polêmicas. a necessidade de depuração do mercado farmacêutico.Conforme diz Solla & Costa (2007) as ações de vigilância sanitária. 2001). ética e responsabilidade pública. intervenções de natureza mais complexa que a das práticas usuais nos sistemas de saúde. como campo de saberes e práticas sociais. um direito humano fundamental. cultural e social. a saúde dos consumidores. caracterizadas pelo simples fato de o mercado não ser capaz de se auto-regular. participação e controle social no Sistema Único de Saúde. da descentralização e municipalização da saúde. visto que o movimento tecnológico está em constante manufatura. Na área de saúde ainda há muito por ser feito. eqüidade. ou seja. A atividade de proteção da saúde não inclui apenas cidadãos e consumidores de gêneros que interfiram direta ou indiretamente na saúde. Esta exigência recompõe conceitos e noções ainda pouco elaboradas. mas engloba também os produtores. ao passo do Sistema Único de Saúde. desde o próprio conceito de saúde. Nota-se. a deterioração do meio ambiente e a extração predatória dos recursos naturais. de redução e controle das iatrogenias. medicamentos e tecnologias médicas. sob as diretrizes de descentralização. que atuarão em ambientes de credibilidade. porém que existe um grande processo de desenvolvimento das ações de vigilância sanitária. segurança sanitária. a segurança do consumo. da população (COSTA.” . ao ambiente limpo (LUCCHESE. as forças do mercado não são suficientes para garantir qualidade dos bens essenciais.

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