Período Pré-socrático A filosofia pré-socrática se desenrolou num espaço de quase dois séculos.

Mais precisamente, os primeiros filósofos escreveram e ensinaram entre os anos 585 a.e.c. - data do eclipse, previsto por Tales,- e 410 a.e.c. quando Sócrates já atuava, orientando o interesse para a filosofia moral. Desde então muito se altera na situação do pensamento grego, o qual passou a se centralizar, pelo menos um século, em Atenas. Foram os primeiros filósofos do mundo ocidental que se tem notícia, são chamados assim pelo fato se antecederem àquele que foi talvez o mais famoso e importante de todos os filósofos da humanidade, Sócrates. Surgiram fora da Grécia propriamente dita, nas prósperas colônias gregas da Ásia Menor, do Egeu (Jônia) e da Itália meridional, da Sicília, favorecido sem dúvida na sua obra crítica e especulativa pelas liberdades democráticas e pelo bem-estar econômico. O legado desses primeiros filósofos que nos chega aos dias de hoje são apenas fragmentos de suas obras. São chamados de filósofos da natureza, por investigarem os processos naturais e por buscarem uma matéria única, mínima e homogênea que seria comum a todas as coisas. Romperam com a visão mítica e religiosa da natureza que prevalecia na época, adotando uma forma científica de pensar. Eram poetas, profetas desprendidos que qualquer luxo citadino ou demais coisas materiais, dedicando-se explicitamente ao estudo da Natureza. Alguns se propuseram a explicar as transformações dos processos naturais. Tinham preocupação cosmológica. A maior parte do que sabemos desses filósofos é encontrada na doxografia de Aristóteles, Platão, Simplício e na obra de Diógenes Laércio séc. III d.e.c., Vida e obra dos filósofos ilustres. A partir do séc. VII a.ec., há uma revolução monetária da Grécia, e advêm a ela inovações científicas. Isso colaborou com uma nova forma de pensar, mais racional. Os présocráticos inspiraram a interpretação de filósofos contemporâneos como Nietzsche, que nos iluminou com a sua obra. A filosofia na época trágica dos Gregos e Hegel, que aplicou seu sistema na história da filosofia. Os Pré-Socráticos conviveram com um pensamento grego cuja característica fundamental do pensamento estava na solução dualista do problema metafísico-teológico, na solução das relações entre a realidade empírica e o Absoluto que a explique, entre o mundo e Deus. O período pré-socrático se redivide em fases e em escolas. As fases do período pré-socrático não se apresentam claras, podendo-se falar em fase antiga e fase nova. As escolas são determinadas bastantepela diferença de região, mas também pela diretriz doutrinária. No Oriente grego as escolas são mais empiristas ou racionalistas moderadas, e as do Ocidente (ou Itália), são mais racionalistas, e mesmo racionalistas radicais. Didaticamente se insiste mais na divisão do período pré-socrático em escolas, que em suas fases de desenvolvimento. A divisão por escolas foi bastante condicionada pelas regiões geográficas, todavia não inteiramente. São escolas pré-socráticas: Escola jônica, a mais antiga, redividida, em fases, - escola jônica antiga, escola jônica nova, a que se acrescentam os seus epígonos; Escola itálica, ou pitagórica, no Ocidente; Escola eleática, também no Ocidente; Escola atomista, na Grécia continental. A divisão pelos autores é importante na filosofia pré-socrática, por causa do caráter fragmentário das informações e dúvida sobre muitas de suas idéias. Passamos a arrolar os filósofos pré-socráticos, distribuindo-os pelas suas escolas e seqüência cronológica.