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O que é a comunicação?

A comunicação pode ser descrita como o ato de se relacionar, através de experiências, ideias, conhecimentos, sempre havendo uma interação entre o emissor e o receptor, sendo o “meio” o que conduz a mensagem. A origem do termo comunicação surgiu do latim comunis, que significa pôr em comum, comunhão. Segundo Bordenave “Os meios são usados pelos interlocutores para transmitir sua mensagem. São eles: o artesão usa o barro, sua mão, sua voz para transmitir conhecimento ao filho. O locutor usa sua voz, o roteiro, o disco, a emissora de rádio, a fita gravada”. Porém anteriormente aos meios tecnológicos de comunicação do século como o rádio, televisão e a internet, os meios usados para a transmissão de informação eram físicos, como por exemplo os navios que levavam correspondências de um lado do mundo a outro. Hoje com um simples toque de mouse podemos saber o que se passa em países muito distantes no mesmo momento em que estamos conectados a esse poderoso e complexo “universo de comunicação” chamado internet. A comunicação sempre esteve inserida dentro da sociedade, desde a pré história quando o homem se expressava através de gestos ou grunhidos, porém por falta de permanência (a mensagem se perdia no tempo) e alcance (não atingia grandes distâncias), a comunicação foi se aperfeiçoando, através dos desenhos nas cavernas e posteriormente a escrita. A Industria Cultural Através dos avanços tecnológicos, a transmissão e recepção de informações em tempo real tornaram-se cada vez mais aceleradas. O tempo e o espaço deixaram de serem uma barreira a informação nessa era da informação. Surgiram novos meios de comunicação no início do século XX como o rádio e a televisão, no qual se espalharam rapidamente pelos lares de todo o mundo. A definição indústria cultural surgiu em meados da década de 40, quando dois pensadores da Escola de Frankfurt (Theodor W. Adorno e Max Horkhemer) publicaram a obra Dialética do Esclarecimento. Segundo os pensadores, a indústria cultural é uma forma de vulgarização da arte sendo ela superior ou inferior, e sua distribuição através dos meios de comunicação de massa manipuladores da consciência e da visão crítica humana. Como um fruto do capitalismo, a cultura na década de 40 se assemelhava em tudo, tendo em parte o cinema, o rádio e as revistas como uma unidade de influencia, tudo se assemelhava de certa forma para poder ditar regras e normas pra uma vida “politica e

socialmente correta”. Com o surgimento da propaganda juntamente com a revolução industrial capitalista, houve o início dos estudos sobre o comportamento do consumidor e seu nivelamento através das categorias de preferência. Através disso a industria cultural foi se desenvolvendo e distinguindo seus “produtos culturais” de acordo com cada indivíduo e seu nível de classificação, para o consumidor tudo já havia sido previsto através do esquema da produção. Adorno e Horkheimer afirmam que pelo poder no monopólio da informação, a cultura de massas é idêntica, e que, ao ser financiada pelos detentores de capital e poder, legitimou a produção cultural como um negócio, perdendo assim seu compromisso com a produção artística. A arte passou a ser valorizada pelo seu valor mercadológico mais do que seu valor artístico propriamente dito. Através da industrialização cultural, houve a padronização dos produtos culturais, sendo eles idênticos, sem preocupação com a lógica da obra artística e seu papel na sociedade, portanto, segundo o pensamento frankfurtiano, basta conhecer um gênero do produto que já se conhece a série toda. A industria cultural revelou sua onipotência através do sistema capitalista, quando se apropriaram dos meios de produção do bem cultural, o efeito e a técnica ocuparam o lugar da própria obra, invertendo o que era pra ser veículo da idéia, tornou-se um objeto. A técnica é mais importante do que a arte em sí, juntamente com a necessidade quase obrigatória de retratar o cotidiano com o intuito de prender a atenção do espectador com a ilusão de um mundo fictício como se fosse uma extensão do mundo real, podemos usar como exemplo as novelas tão difundidas no Brasil, que seguem uma linha altamente desenvolvida em questão de qualidade técnica para adestrar os telespectadores com as “realidades” apresentadas, geralmente escassas de visão crítica mas com grande caráter consumista, voltadas para uma publicidade oculta e para o benefício do capital hegemônico, sendo assim, a industria cultural conclui seu propósito de tornar uma sociedade dependente dessa cultura “massificada” tornando o espectador incapaz de obter uma visão crítica para julgar e decidir, aceitando tudo o que lhe é imposto pela mídia como uma verdade única (através dos jornais), ou como um alívio inconsciente da tensão(novelas, filmes, etc) gerada perante tantas irregularidades do cotidiano que são gradualmente aceitas com conformismo pela sociedade. Para Adorno e Horkheimer, esses produtos aparentemente inofensivos e suas influências são de caráter destrutivo para o se ser humano, são produtos feitos para o povo, e não pelo povo, formando assim uma espécie de “ditadura do consumo”.

Fontes: DIAZ Bordenave, Juan E. O que é comunicação. São Paulo: Brasiliense, 2006. ADORNO, T. W. ; HORKHEIMER, M. Dialética do Esclarecimento. Trad. Guido A. de Almeida. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1985.