INTRODUÇÃO

Mastocitomas são as neoplasias cutâneas mais comuns na espécie canina, ocorrendo principalmente em cães com idade média de 8-9 anos, e não existe aparente predileção por sexo. Os Mastócitos são células residentes do tecido conjuntivo, de origem hematopoiética e longa vida, que mantêm a capacidade de proliferar após a maturação. O achado característico de mastócitos

maduros é a presença de grânulos citoplasmáticos que contêm substâncias biologicamente ativas, como histamina e heparina. O diagnóstico definitivo é realizado por preparações citológicas e histológicas. São caracterizados pela proliferação excessiva de mastócitos neoplásicos que se originam na derme. Na espécie canina, os tumores relacionados aos mastócitos frequentemente ocorrem na região posterior do corpo do animal, sendo a bolsa escrotal e o flanco os locais de maior incidência. O diagnóstico do mastocitoma é baseado essencialmente na citologia ou no exame histopatológico das lesões. É possível classificar subjetivamente os tumores, com a finalidade de obter um bom prognóstico, em três graus: grau I (bem diferenciado), grau II (moderadamente diferenciado) e grau III (pouco diferenciado) conforme o crescimento da anaplasia celular. Na maioria dos casos de mastocitoma, o tempo de evolução é curto e, consequentemente, a sobrevida é baixa. A decisão do tratamento depende da avaliação das condições físicas do paciente, além de fatores clínicos, classificação histológica ou graduação do tumor. Os animais podem ser tratados com cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou a combinação dos três. Novos estudos devem ser realizados em relação ao tratamento, devido à extrema importância desse tumor na clínica e cirurgia de pequenos animais.

A principal mutação encontrada foi a duplicação que causa fosforilação constitutiva do receptor. que mantêm a capacidade de proliferar após a maturação. Os fatores como a nutrição com dietas balanceadas. compreende 7 a 21% dos tumores cutâneos caninos e 11 a 27% das neoplasias malignas . Bull Terrier. entre elas está a maior longevidade observada nestes animais. Boston Terrier. 1997). Fox Terrier. Beagle e Schnauzer (Patnaik et al. 1995).Ocorre principalmente em cães com idade média de 8-9 anos. Labrador Retriever.. A crescente incidência das afecções neoplásicas nessa espécie tem várias razões. mas recentemente indicou-se que há mutações no ponto do gene c-kit que codifica o domínio justamembrana do receptor tirosina-quinase do stem cell factor (SCF). de origem hematopoética e longa vida. os precisos métodos de diagnóstico e também os protocolos terapêuticos cada vez mais específicos e eficazes. as vacinações prevenindo mais precocemente as doenças infectocontagiosas. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Não existe padrão hereditário dos mastocitomas e sua etiologia é ainda desconhecida.. em mastócitos neoplásicos de cães. Vail. 1996). Contudo. 2003). 1996). Não existem evidências de causas virais (HOSPITAL VETERINÁRIO DO PORTO. . Mastocitoma é a neoplasia cutânea mais freqüente do cão.. As raças mais predispostas são Boxer. recentes levantamentos demonstram que cães sem raça definida e das raças Cocker Spaniel. Isso explica o crescimento descontrolado dos tumores e a relação positiva das duplicações com a malignidade do mastocitoma. contribuem para a maior longevidade dos cães (NELSON . A prevalência de câncer em cães está aumentando consideravelmente. Mastócitos são células residentes do tecido conjuntivo.1. Em raras ocasiões foi encontrada uma associação entre o tumor e inflamações crônicas ou irritativas da pele. Pit Bull Terrier e Shar-Pei também são predispostos aos mastocitomas (MILLER. 1984.1992). O achado característico de mastócitos maduros é a presença de grânulos citoplasmáticos que contêm substâncias biologicamente ativas. e não existe parente predileção por sexo (SCOTT et al. A causa dos mastocitomas não está completamente elucidada. como histamina e heparina (METCALFE ET Al. sem a necessidade da ligação com SCF.

em três graus (JONES..1. linfomas não epiteliotrópicos entre outros. A frequência dos graus histopatológicos do mastocitoma canino se dá de forma semelhante. No entanto. porém tende a decrescer do grau I ao III. Outra ferramenta bastante importante nesta diferenciação é o exame de imunohistoquímica que permite determinar a origem da célula tumoral através de pesquisa imunofenotípica. Contudo. com auxílio de colorações especiais como azul de toluidina e exame de imunohistoquímica Mastocitomas bem diferenciados são fáceis de diagnosticar em preparações histológicas de rotina. O método histoquímico azul de toluidina é importante. 1. a histopatologia faz-se imperativa para a determinação do grau histopatológico da neoplasia e. os aspirados com agulha fina de massas na derme ou no subcutâneo devem ser realizados no pré-operatório. DIAGNÓSTICO O diagnóstico definitivo é realizado por preparações citológicas e histológicas. 1997).. muitas vezes. consequentemente. é necessário avaliar o grau histológico pelo método de rotina da hematoxilina-eosina (HE). Mastocitomas de grau elevado estão associados à menor sobrevida (FURLANI et al. já que o diagnóstico de mastocitoma influenciará. mastocitomas pouco diferenciados podem ser confundidos com outros tumores de células redondas. Além disso. . tais como histiocitomas. A citologia aspirativa com agulha fina (CAAF) trata-se de um método seguro que permite o diagnóstico do mastocitoma canino. Para um prognóstico acurado. permite diferenciar mastocitomas pouco diferenciados de outros tumores de células redondas. plasmocitomas. para o delineamento adequado do tratamento.As células neoplasicas exibem graus variáveis de diferenciação. et al. pois auxilia na confirmação do diagnóstico e. 2008). possibilitando o aumento da sobrevida. cm base na presença e proeminência de seus grânulos citoplasmáticos e o índice mitotico das celulas tem sido utilizado subjetivamente na classificação dessa neoplasia com finalidade de prognostico .

ou bem diferenciados.1.4.3. anisocitose anisocariose e elevada proporção de núcleos proeminentes. confirmando a responsabilidade atribuída a eles pelos efeitos deletérios nos tecidos infiltrados. Muitos pacientes podem apresentar efeitos indiretos causados pelos mastocitomas como gastrite e úlceras duodenais. Os eosinófilos observados nos mastocitomas são associados com necrose e hemorragia. LESÕES CONCOMITANTES Alterações. Eosinófilos isolados ou agrupados estão presentes em todos os graus dos mastocitomas diagnosticados. normalmente apresentam um prognóstico favorável após o tratamento. os mastocitomas de grau I. como necrose. os eosinófilos contribuem para a formação do estroma e na angiogênese. GRAU HISTOLÓGICO O grau histológico é um parâmetro importante para determinar o prognóstico e a escolhado tratamento pelo clínico. característico de mastocitoma. ACHADOS MICROSCÓPICOS Microscopicamente o animal apresentA células redondas. falhas na resposta imunológica e na coagulação sanguínea. Nos mastocitomas. redondas a ovais. 1. citoplasma abundante com granulação acentuada e alterações nucleares de malignidade. Podem ocorrer ainda glomerulites focais. A IL.2.5 (interleucina 5). . nucléolo não-visível e ausência de figuras mitóticas. produzida por mastócitos e pelos próprios eosinófilos tem. São neoplasias potencialmente malignas. aspecto homogêneo basofílico. hemorragia e edema são comuns em mastocitomas. 1. predominam células uniformes. com citoplasma abundante. por estimulação histamínica dos receptores H2. como observado em tumores mamários em humanos. Contudo. núcleo redondo a oval. papel fundamental na atração dessas últimas células para o local da lesão. Incluem cromatina grosseira. Nos mastocitomas de grau I. também.

aspecto predominantemente vesicular com um nucléolo visível e uma figura mitótica/CMA. A escolha de tratamento vai depender das condições do paciente além de fatores como classificação histopatológica. A radioterapia é utilizada em mastocitomas com excisão incompleta. recorrente e com metástases nos linfonodos regionais (FRIMBERGER et al. O tratamento cirúrgico com amplas margens cirúrgicas é recomendado para mastocitomas localizados (TURREL et al. pois patologistas podem determinar diferentes graus para o mesmo tumor. SCOTT et al. ROGERS. Mastocitomas podem ser tratados com cirurgia. todas as células apresentam anisocitose. Já os mastocitomas de grau III. anisocariose e pleomorfismo. VAIL. estádio clínico e grau do tumor . 1996). 1. são usados para tratar mastocitomas sistêmicos ou quando não é possível realizar a ressecção dos mesmos (O’KEEFE. por vezes associadas a células multinucleadas. as células freqüentemente apresentam anisocitose. ou pouco diferenciados.. Um ou mais nucléolos são visíveis com média de quatro figuras mitóticas/CMA. são neoplasias malignas com alto potencial metastático e com prognóstico desfavorável. semelhante aos do grau III. Já nos mastocitomas de grau III. Apesar do sistema de graduação histológica seguir diversas características histológicas pré-definidas. radioterapia. 1988. 1994. Os mesmos critérios são usados atualmente com resultados semelhantes na distribuição dos graus. núcleo com anisocariose ou redondo a oval.Nos mastocitomas de grau II. uma vez que há mastocitomas de grau II com comportamento benigno e outros com comportamento maligno...1996). 2000). Os agentes quimioterápicos. principalmente glicocorticóides. Os mastocitomas de grau II apresentam um prognóstico difícil de predizer. com citoplasma moderado a escasso. Essa subjetividade é mais acentuada em mastocitomas de diferenciação intermediária (grau II).5. 1990.. pleomorfismo ou uniformidade. muitas vezes a classificação é subjetiva. quimioterapia ou a combinação dos três (WILLEMSE et al. TRATAMENTO A busca de um protocolo terapêutico mais adequado para o tratamento dos mastocitomas caninos tem sido um dos principais objetivos da oncologia veterinária (MERLO. 1996). 1997).

. 2002). EXCISÃO CIRURGÍCA O tratamento de eleição para massas solitárias e bem delimitadas é a cirurgia. Recomenda-se o uso de prednisona durante 10 a 15 dias para diminuir o tamanho do tumor e realizar o procedimento cirúrgico com abordagem mais segura (MERLO. 1986). 1996)... estes tumores podem se apresentar como massas macroscopicamente detectáveis. Em casos de mastocitoma de grau II ou de diferenciação intermediária. Em mastocitomas múltiplos.(VAIL. OGILVIE & MOORE. Entre as várias terapias adjuvantes propostas são citadas: quimioterapia. OGILVIE & MOORE. 1995). hidroxiurea ou lomustina combinados com a prednisona (GERRITSEN et al.. hipertermia. 2007). 1995). 1996).. Uma terapia adjuvante pré-cirúrgica com prednisona é recomendada para a redução da carga tumoral e posterior ressecção do tumor com margens mais delimitadas (WELLE et al. 1993. braquiterapia intralesional. esta realizada com amplas margens cirúrgicas. criocirurgia. ciclofosfamida. estendam-se além das bordas palpáveis (SIMPSON et al. 1995. A maior parte dos animais manifesta uma resposta inicial positiva sendo uma boa alternativa de tratamento nos casos de mastocitomas de grande tamanho. Com cirurgias agressivas o índice de recidivas alcança 30% dos casos (LAMARIE et al.. além de outras (THAMM & VAIL. 1997). disseminados. 2004). Outros protocolos quimioterápicos sugerem o emprego de vinblastina. As . 1995). em casos de neoplasia sistêmica. 1998. no mínimo de 3cm nas laterais e em profundidade (FOX. É recomendado reintervenção imediata caso as margens cirúrgicas da lesão mostrem infiltração após a avaliação histopatológica (ROGERS. Os corticóides são os fármacos que tem demonstrado maior eficácia no tratamento dos mastocitomas (LEMARIÉ et al. OGILVIE & MOORE. tumores não operáveis e tumores anaplásicos extirpados se recomenda o uso de quimioterapia sistêmica (ROGERS. 1998). é recomendada a utilização de radioterapia quando não for possível a extirpação completa (FRIMBERGER et al. 1995. radioterapia. como também na forma microscópica. Com cirurgias conservadoras.. mais de 50% dos mastocitomas apresentam recidivas (MACY. 2008). TYLER et al. 1997). 1999). Alguns autores recomendam ampliar a margem para 5cm se a zona de localização do tumor permitir (FRIMBERGER et al.

e em doenças microscópicas. a radioterapia pode controlar o tumor em cerca de um ano em 44% a 78% dos casos. como as de até 57 Gy devem ser reservadas para locais não operáveis (LARUE & GILETTE. 2006. tumores não operáveis. RADIOTERAPIA A radioterapia pode ser aplicada no pré-operatório a fim de reduzir a massa tumoral. neste caso. tratados com radioterapia adjuvante podem resultar de um a dois anos de intervalo livre da doença de 81% a 95% dos casos (POIRIER et al... Tumores de grau intermediário incompletamente excisados. a recisão incompleta do tumor de grau II acarreta em recorrência em 23% dos casos. disseminados. os tratamentos combinados com cirurgia e radioterapia melhoram o controle tumoral. Doses maiores. segundo SEGUIN et al. 2004).amputações devem ser indicadas em casos de tumores em extremidades. A recidiva tumoral é comum após excisão cirúrgica como única forma de tratamento (LAVALLE et al. 2006). 2007). quando a radioterapia (a opção principal para o tratamento dessa doença) não for indicada (NEVES et al. . 2012). QUIMIOTERAPIA O uso da quimioterapia como tratamento de mastocitomas é indicado para tumores com alto grau... Em baixas doses de 40-45 Gy ou protocolos hipofracionados. principalmente em casos em que a cirurgia apenas não controla a doença e em casos estéticos (LARUE & GILETTE. 2007).

O prognostico na maioria das vezes é reservado devido a sua infiltratação e seu alto nível metastático. . Essa neoplasia constitui-se em três graus quando mais alto o seu grau maior sua malagnidade. infiltrativa e pode levar as metástases.CONCLUSÃO O mastocitoma caracteriza-se por uma neoplasia do grupo de cálulas redondas sendo maligna. Mas se diagnostica rapidamente o animal pode ser submetido a uma cirurgia ou quimioterapia.

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