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para Cer a

HISTÓRIA origensDA Das ao IGREJA I Século XV
Tílulo original
Pour lire VHistoire de rÉglist. Pes ttrigines au XV' Siécle, tome

1 © Editions du Cerf. I9K4 ISBN: 2-204-02173-3

Os desenhos sao de Liliane PIORKOWSKL exceto aqueles acompanhados da inscricãii DACL. extraídos do Dictionnaire
d'Archèolo^ie Chrétietme et de Utur^ie.

Edições Loyola

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ISBN: 85 15-01591-9 3U edição: outubro dc 2001
O KDK/ÕKS LOYOLA. São Paulo. Brasil. 1993

UM GUIA PARA PERCORRER A HISTÓRIA DA IGREJA
"Jesus salva* 1
Todos já noa surpreendemos alguma vez com inscrições que pontuam certas estradas: "Jesus salva!" ou com os adesivos que proclamam: "Jesus está vivo!", "Jesus te ama". Sempre nos fascina, de algum modo, a irrupção brutal de Deus e de Cristo numa vida: Deus existe, eu o encontrei era o título de uma obra que alcançar certo sucesso em sua época...

"Jesus Cristo propagado e comunicado'*
Mas por que podemos Falar de Jesus nos dias de hoje? Porque seu nome nos foi transmitido por gerações que vêm ae sucedendo há vinte séculos. Essa transmissão nào é somente a de um livro escrito e depois impresso. Ela se realiza na comunidade daqueles que ouviram o chamado de Deus proclamado por Jesus, isto é, na Igreja à qual Bossuet se referia como "Jesus Cristo propagado e comunicado*. Da mesma maneira, nào encontramos Jesus ao aderir à fórmula de um credo fixado há muito tempo nem tampouco ao retroceder vinte séculos. Nós o encontramos na trama de nossa vida atual, tal como ele foi "propagado c comunicado" na trama da existência daqueles que nos precederam. Mais que as fórmulas, sào os acontecimentos e as pessoas os portadores da fé. E essa é a razão por que esses acontecimentos e essas pessoas nos interessam hoje.

Evangelho e culturas

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Ao final do vinte séculos, talvez nos perguntemos a que Jesus conhecemos. A mensagem evangélica foi proclamada pela primeira vez sob o reinado do imperador Tibério, numa provín-a,i remota do Imprrm Romano, a 1'ale-iina JeMi.-. e seus discípulos se exprimiram através da culiiira Iudica. Contudo, a mensagem atingiu todas as margens do Mediterrâneo e, depois, o mundo inteiro. Foi necessário expressá-la constantemente em novas línguas, em novas culturas e em novas filosofias. Aqueles que a acolheram eram agricultores, habitnr-tfs da? cidade*, nômades .. Acaso a mensagem. ao mudar do cultura, permanece fiel a nua proclamação inicial? Não terá sido ela desnaturada, traída, como o subentendem os diversos "tradicionalismos" que consideram a* evol uives como desvios e se prevalecem de urna fidelidade ao pasmado designada por outros como imobilismo? Quando a mensagem foi expressa há muito tempo numa cultura, o que os mensageiros transmitem? Apenas o Evangelho ou, de modo conjunto, a mensagem e seu suporte cultural? Essa "civilização cristã" difundida no mundo inteiro a partir do século XVI chegou algumas vezes a destruir ou a desestruturar as antigas culturas dos povos com que entrou em contato. Ocasionalmente, a mensagem cristã foi recusada por ser vista como uma ameaça às bases de uma civilização. E bastante conhecido o fato de que a conquista da América pelos espanhóis e a pregação do cristianismo no Novo Continente coincidiram com uma destruição das antigas rulturas pré-mlombianax, corno a dos alteeis, do?» imas ele. [-'oi posaivcl considerar a rejeição do cristianismo por parte do Japão e da China como um desejo de autodefesa contra um agente destruidor.

Evangelho e instituição
As dificuldades não se detém nesse ponto. A vida cristã não se limita à iluminação interior dos indivíduos. O testemunho c fundamental, mas exige necessariamente um ensinamento e a organização de uma instituição de acolhida e de transmissão. Ora. toda instituição ia/, surgir um poder e os poderes se assemelham. A Igreja que transmite Jesus através de sua palavra e de seus sacramentos sente-se constantemente tentada a organizar-se como uma instituição político-social e a seguir o modelo das sociedades que a circundam. Alguns cristãos se perguntam: "Não estamos afastados de Jesus e de seu Evangelho? Essa Igreja não precisa ser purificada?" Dessa forma, surgiram, no decorrer dos séculos, esses movimentos de retorno ao Evangelho que algumas vezes desembocaram em cisões na Igreja. Valdo de Lião e Francisco de Assis, na Idade Média, obedeciam inicialmente à mesma inspiração. No século XVÏ, trata--se da grande ruptura da Heforma; Lutero — assim como muitos outros depois dele — sublevasse contra Roma nome do Evangelho.

A história, para què?
Ao percorrermos esses vinte séculos da Igreja, procuramos responder a todas essas questões que nos formulamos acerca da maneira pela qual Jesus chegou até nós. h Antigamente, falava-se muito das "licites da história". Nos dias de hoje, tornamo-nos desconfiados: tantos horrores foram justificados em nome de pretensos direitos históricos!

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A historia nào recomeça. "Nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio", dizia um filósofo antigo. e assume a forma de um jovem pastorIgreja, receitas diretamente aplicáveis... Mas eia é. em certa primeiro lugar, sua anttg?idade no p Não buscaremos, na historia da responde ?s suas quest?es. A velhice da Igreja significa, em medida, esse tesouro que o escriba do Reino extrai sem cessar do velho e do novo. Quando muitas pessoas partilham a amizade de um mesmo individuo, deseohrem nele aspectos dilerentes de acordo com o seu caráter. Da mesma maneira, os cristãos, ao longo dos séculos, tiveram uma experiência múltipla de Jesus. A história da Igreja nos leva a compartilhar essa experiência e amplia a nossa, que será sempre limitada Kle nos faz descobrir as contribuições sucessivas das diferentes épocas para a nossa existência cristã atual. Tinia herança merece respeito, mas ao mesmo tempo nos a recebemos reservando nus a direito de verificar a sua validade. Através da historia, descobrimos como o Evangelho julga o comportamento dos cristãos no passado e no presente. Posso explicar o surgimento da Inquisição e dizer, de modo simultâneo, ®s números a margem que essa instituição é contrária ao espírito evangélico, mesmo que eu não saiba como me teria dos textos remetem aos co IH portado no século XIII. quadros correspondentes

A IGREJA, VELHA DAMA QUE REJUVENESCE
E chega uma velha mulher em trajes resplandecentes, tendo um livro nas mãos: ela se assenta sozinha e me saúda: 'Bom dia. Hermas". E eu. aflito, em pranto, lhe digo. 'Bom dia. — Quem é ela?, pergunto ao jovem. — A Igreja, diz ele. Eu replico — E por que ela è tão velha? — Porque, diz. ela foi criada antes de todo o resto. Eis por que è tão idosa; foi para ela que o mundo foi (...) Na primeira visão, eu a vira muito velha e sentada numa poltrona. Na visão seguinte, tinha o aspecto mais jovem, mas o corpo e os cabelos ainda velhos; e ela me falava de pé, estava mais jovial que antes Quando da terceira visão, estava perfeitamente jovem e muito bela de uma velha, nèo tinha mais que os cabelos, ela se mostrou extremamente jovial e estava sentada num banco. mais alegre que antes, mas com o corpo e os cabelos de uma velha (...). O Senhor teve piedade de vós. Ele rejuvenesceu o vosso espinto: rejeitastes a vossa indolência, recuperastes a vossa força e vos consolidastes na fé Quando da terceira visão, vós a vistes mais jovem. bela. alegre, com uma aparência encantadora í.. .1 Aqueles que fizerem penitência estarão com-pletamente rejuvenescidos e revigorados L.l

í..J — Na primeira visão, diz o jovem, qual a razão de a mulher ter aparecido
idosa e sentada numa poltrona? Porque o vosso espinto estava envelhecido, já murcho e sem forças, em função de vossa indolência e de vossas dúvidas í1 Quando da segunda visão, vós a vistes de pé, a aparência mais jovem e

Hf "MAS. OPãslor2. 2. 8. 1: 18. 3-4. 20. 21. trsd a parte do (e*to de Sourves clirétieftnes

As diferentes épocas expressaram a mensagem cristã em sua própria linguagem. Nós devemos encontrar a do nosso tempo. Algumas linguagens antigas se integraram ao nosso credo. Torna-se necessário proceder a retraduçòes? As situações nas quais nos achamos são radicalmente novas em relação ao passado.

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Uma questão volta sempre aos nosso lábios: em que consiste ser cristão? Saber como se era cristão nos primeiros séculos, na Idade Média e no século XIX pode dardos uma nos transmite uma grande quantidade de documentos dos primei?ros s?culos, que. sem ele. estariam perdidos. Eus?bio nos diz quais resposta parcial. Através desse percurso, apreciaremos, em seu justo valor, a herança do passado e, algumas vezes, a relativizaremos. Nela encontraremos o meio de minimizar algumas crises atuais. Descobriremos riquezas ínsuspeitadas, e nossa imaginação talvez seja com isso estimulada.

O CONTEÚDO DE UMA HISTORIA DA IGREJA
A sucessão dos santos apóstolos, assim como o tempo transcorrido desde Nosso Salvador até agora; todas as grandes coisas que se diz terem sido realizadas ao longo da história ecteséstica: todos os personagens dessa história que, de modo excelente, presidiram à conduta das mais ilustres comunidades, aqueles que. em cada geração, foram, pela palavra e pelos escntos. os embaixadores da palavra divina; os nomes, o caráter, a época daqueles que. levados aos limites últimos do erro pelo encanto da novidade, se tomaram os arautos e os introdutores de uma ciência enganosa e que. como lobos esfaimados, devastaram cruelmente o rebanho de Cristo; além disso, as desgraças que advieram para toda a nação dos judeus logo após a conspiração contra Nosso Salvador, a natureza, as características e as épocas dos combates travados pelos gentios contra a palavra divina; os grandes homens que. segundo as circunstâncias, enfrentaram por ela o combate sangrento e as torturas; por outro lado. os testemunhos dados em nossos dias e a benevolência misericordiosa de Nosso Salvador em relação a todos nós — e*s o que pretendo registrar por escrito. Começarei a obra pelos primórdios da encarnação de Nosso Sat\'ador Senhor Jesus, o Cristo de Deus. e

Mas o tema requer a indulgência das pessoas benevolentes em relação a mim e confesso que está acima de minhas forças cumpnr completa e perfeitamente a minha promessa. Com efeito, sou o primeiro a procurar fazer uma obra desse tipo. a aventurar-me. por assim dizer, por um caminho deserto e intocado.

Eo-sí&o Í* CtSAftí*. Msfórw Eclesiástica, t I cap I trttd a part* do texto cie Sources cbnò-

GUIA LEITURA E TRABALHO

DE DE
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Percorreremos neste livro quinze séculos de história da Igreja. Eis aqui, à guisa de preâmbulo, os grandes traços de uma caminhada histórica e do método que seguimos.

HISTÓRIA DA IGREJA, HISTÓRIA DOS HOMENS
Não é possível separar a história da Igreja da história geral da humanidade. Ocorrernos-á, por conseguinte, evocar esse mundo no qual vivem os cristãos, recordar alguns acontecimentos políticos, sociais, econômicos que determinaram a vida da Igreja. Contudo, este pequeno livro não tem a pretensão de ser urna história universal Serão de grande ajuda os elementos de história estudados na escola primária e secundária que vocês ainda conservam na mente. O mesmo ocorre com os elementos de geografia. E útil visualizar essa história, as etapas da expansão cristã, situar cidades, províncias, impérios..., assim como avaliar as distâncias em épocas nas quais os transportes eram lentos e perigosos. O livro inclui alguns mapas, mas o leitor não deve hesitar em consultar um atlas.

OS VESTÍGIOS DO PASSADO
A história faz reviver o passado a partir dos vestígios que este ultimo nos deixou. Para a história religiosa, pode tratar-se de edifícios, batistérios, igrejas, obras de arte, estátuas, afrescos. São as escavações arqueológicas que sempre nos reservam novas surpresas. Utilizamos ainda os edifícios, e o turismo nos leva a conhecer muitos deles. Os álbuns fotográficos de arte, os edifícios e os sítios religiosos são inumeráveis.

OS TESTEMUNHOS ESCRITOS
Não obstante, apesar da importância da arqueologia e da arte, os principais documentos do historiador continuam sendo as fontes escritas, os textos. Para a história da Igreja, nào é adequado remeter a um único volume, por mais alentado que seja, de textos históricos, mesíiiü que existam algumas compilações. Vocês não dispõem do tempo necessário para consultar uma grande quantidade de obras Eis a razão por que este volume dará destaque tanto aos textos do passado como a apresentação propriamente dita dos acontecimentos. Nào é possível apresentar todos os textos que permitem o conhecimento de um evento. Nào há como não ser uma escolha limitada, que poderia ser diferente nas mãos de outro organizador.

PARA LER E ESTUDAR UM TEXTO
Recordemos aqui algumas regras de leitura. Não as considerem como um tratado completo sohre o método histórico nem como um roteiro a ser seguido ponto por ponto para cada texto proposto.

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Uma parte de um conjunto
Viv.ii letra, uma inscrição constituem um todo e se bastam. Mas. de modo mais geral, o

texto proposlo e um extrato de uma obra mais ou menos longa. Ele não reflete necessariamente todo o conteúdo da obra. Munidos da referência, é possível recorrer à obra completa, ver o que antecede e o que segue. Não se lancem a leituras absurdas, mas nào hesitem, se for o caso, em levar adiante a curiosidade!

Compreender
Numa primeira leitura, é necessário esforçar-se por compreender todas as palavras do texto. Devem M: situar as personagens, os lugares evocados. Evidentemente, se se tratar de pontos muito específicos, as notas darão os esclarecimentos necessários.

Tradução, traição?
Com muita freqüência, esses textos são tradução Vocês ja sabem qur existem várias traduções da Bíblia e que nelas pocie haver divergências importamos de um tradutor para outro em casos delicado-, Para a historia, a escolha do tradutor pode também ser significativa- Por exemplo, no Novo Testamento, episcopos e presbytéros são traduzidos por "epíscopa" e "presbítero". Referentes ao século III, recebem a tradução de "bispo" o "padre**, porque correspondem, de modo aproximado, ao que e um padre ou um bispo de hoje. No que diz respeito ao século II, o tradutor hesita, pois esses ministérios evoluíram a partir do Novo Testamento, mas ainda nào se encontram fixados da forma como o serão mais tarde.

Gêneros literários
E importante que se considere de modo acertado o gênero literário do documento. Tal coisa nos permite apreender os ensinamentos que ele pode nos fornecer. Um relatório de policia é diferente de um sermão, uma correspondência privada, de um texto jurídico...

Alguns ensinamentos inesperados
Um texto nào fornece apenas os ensinamentos que seu autor desejou explicitamente transmitir. Ele pode, de modo indireto, dar-nos outros que são ainda mais valiosos e mais seguros. Ao escrever a Trajano, Plínio demonstrava a preocupação fundamental de manter a ordem e de conservar as boas graças do imperador. Mas, fazendo-o, ele nos oferece, em relação às comunidades cristãs do norte da Ásia Menor, os mais antigos ensinamentos que possuímos.

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Onde está a verdade?
Diante de qualquer texto podemos propor-nos as seguintes questões: será que o autor nos diz a verdade? Será que ele está enganado? Acaso deseja enganar-nos? E evidente que, na maioria dos casos, não podemos responder simplesmente por um sim ou por um não. Muitos elementos estão em jogo. Conhecemos alguns acontecimentos da Antigüidade por meio de historiadores que não os testemunharam. De que forma eles utilizam fontes que hoje estão desaparecidas? Os perseguidores dos cristãos difamam seus adversários. Para se defender, os cristãos descrevem a sua própria comunidade de maneira idílica. Um autor de memórias faz uma releitura de seu passado. Ele faz escolhas. Tenta justificar-se... O historiador esforça-se por estabelecer aquilo que, num testemunho, lhe parece aceitável.

Comparação dos testemunhos
Para ter uma idéia mais acertada de um acontecimento importante, chegamos algumas vezes a ler vários jornais de tendências políticas diferentes. Procuramos elaborar a nossa própria opinião. No domínio da história, fazemos a mesma operação quando comparamos vários testemunhos. Mas pode ocorrer — particularmente no qui: se refere aos penedos mais antigos — que lenhamos conhecimento de um evento através de uma única fonte. Cabe ao historiador conceder-lhe ou não a sua confiança. Isso explica as nossas incertezas em relação a alguns aspecto* dos primeiros séculos. Nossa documentação tem muitas lacunas. Os historiadores formulam hipóteses, fazem comparações, extrapolações. Algumas vezes dão asas ã imaginação. Devem amiúde confessar a sua ignorância. Por conseguinte, não deve surpreender o fato de que, com os mesmos documentos, sei a possível apresentar-se uma historia bastante diferente. K útil que se leia uma outra exposição do mesmo período Para ler este pequeno livro, nào é exigido de vocês a retomada integral do trabalho critico acerca dos textos propostos. Isso já foi feito. Mas é importante conhecer o pano de fundo cia tareia do historiador e, algumas vezes, a sua fragilidade.

Deixar-se desorientar
Finalmente, as coisas são menos complicadas cio que parecem... Deixemo-nos desorientar por esses testemunhos do passado. Não os interpretemos com as nossas próprias categorias. Aprendamos a nos surpreender e a nos maravilhar. Nào busquemos uma utilização imediata. Naturalmente, chegara o momento de nus questionar sobre a maneira pela qual alguns acontecimentos antigos nos dizem respeito ainda hoje.

REGRAS PARA UM BOM USO
O livro apresenta dez capnulos com a mesma extensão. Cada um deles se divide em

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duas partes: um desenvolvimento continuo que apresenta acontecimentos, instituições etc, e diH.'umentos que estão na oriçem dessa hi-:õria Esses documento são mapas, cronologias e. de modo especial, textos do- período- apresentados Esses textos-doeumentos são compostos em uma tipologia diferente. Eles se encontram inseridos em quadros e numerados.
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Os números postos à margem do texto do autor remetem aos textos-documento correspondentes, inseridos em quadros. O sinal que se encontra no início de alguns parágrafos, remete a uma passagem do Novo Testamento ou a outros capítulos deste livro.

Propusemos mais acima alguns aspectos do método histórico. E importante que se transite da narrativa ao documento e inversamente, pois eles se articulam mutuamente. E possível utilizar este livro para uma leitura isolada, mas também para um trabalho em grupo. Num quadro igualmente restrito, algumas apresentações podem mostrar-se, para algumas pessoas, demasiado rápidas. Indicamos agora algumas obras às quais poderão recorrer tanto o leitor isolado como o animador de grupo.

INSTRUMENTOS DE TRABALHO
As bibliografias geralmente têm o dom de desencorajar o leitor: nunca será possível 1er tudo aquilo! Mas não se trata de 1er tudo... E necessário apenas saber onde descobrir o ensinamento procurado, utilizando-se, quando preciso, o índice, no caso de haver um. Não indicamos aqui mais que um pequeno número de obras gerais que podem elucidar o conjunto deste livro. Serão propostas outras no final de cada capitulo. Os livros indicados não são necessariamente os mais eruditos; são os mais práticos, que podem ser encontrados numa biblioteca média e, com freqüência, também nas livrarias. íincontrar-se-á uma apresentação do conjunto da história da Igreja:
— —

1 vol. de 125 pp.: J.-B. DUROSELLE, Histoire du catholicisme, col. "Que sais-je?*, n. 365; 1 vol. de 320 pp.: P. PIERRARD, Histoire de l'Église catholique. Desclée, 1978 <26 ed.), com índice; 2 vols, de 528 e 634 pp.: P.CHRISTOPHE. L'Église dans l'histoire des hommes, DroguetArdant, 1982 e 1983; 5 vols, (cerca de 3.400 pp.): Nouvelle histoire de l'Eglise, obra coletiva de historiadores europeus, Seuil, Paris, 1963-1975, com índice; 10 vols, (cerca de 2.900 pp.>: 2.000 Ans de christianisme. Société d'histoire chrétienne. Hachette, 1975-1977. A ilustração abundante é muito cuidada. Trinta dossiês com uma parte "Ontem" — isto é, a história — e uma parte "Hoje" — ou seja, a atualidade até 1975 — constituem a obra. Não existe um verdadeiro índice.

A obra de A.-M. HENRY e J. CHELINI, La Longue Marche de l'Église, Bordas-•Elsevier, 1981, 444 pp., apresenta uma história da Igreja por temas (liturgia, missão...) contínuos, das origens aos dias de hoje. Em l'Histoire de VÉglise par elle-même, Fayard, 1978, 679 pp., J. LOEW e M. MESLIN propõem uma escolha de textos-documentos que cobrem o conjunto da história da Igreja. A coleção Sources chrétiennes, que ultrapassa 300 volumes, publica textos da

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Antigüidade e da Idade Média. Muitos dos textos-documento contidos neste livro foram extraídos dessa coleção. Eles trazem a indicação "Sources chrétiennes". O dicionário Catholicisme, que se encontra (1984) na letra P, fornece um grande número de notas simples sobre muitas personagens e muitos aspectos da história da Ignu'a. Os 12 volumes da Histoire des conciles oecuméniques, de Nicée à Vatican I, Ed. de TOrante, 1962-1981, aos quais este livro se refere com freqüência, são mais "técnicos", mais difíceis que as obras anteriormente indicadas.

1 NASCIMENTO DA IGREJA I — OS TEMPOS APOSTÓLICOS
A Igreja tom inicie pnt- volta do ano 30. num dia de Pentecostes, em Jerusalém. Doze homens anunciam a seus compatriotas uma Boa Nova. Jesus, o enviado de Deus. que fora crucificado como um malfeitor, esta vivo. Deus o ressuscitou. Ele é o Messias, o Salvador esperado há gerações pelo povo da Bíblia. A história da Igreja, por conseguinte, tem início pelos acontecimentos narrados no Novo Testamento: Atos dos Apóstolos, Ep-stolas de Paulo, Apocalipse... Damos ao Novo Testamento um lugar de destaque, pois constitui a Palavra fundadora da Igreja. Contudo, como freqüentemente nos foi dito que a Revelação teve flrn quando da morte do último Apóstolo, corremos o risco de estabelecer uma separação radical entre o conteúdo das Escrituras e os acontecimentos que ocorreram mais tarde. A uma palavra eterna, definitiva, universal, sucederá uma historia dinâmica. E verdade que a experiência dos Doze é única: eles sào as testemunhas da vida e da ressurreição de Cristo. Mas devemos considerar os livros do Novo Testamento também como documentos históricos. "Naquele tempo...", dizia-se antigamente no início da leitura do Evangelho na liturgia. Fazia-se referência a um tempo privilegiado, mas não existe ruptura. Trata-se realmente do tempo da Igreja ao qual também nós pertencemos: vivemos no século XX dessa Igreja. Sem dúvida, vocês já estudaram o Novo Testamento e particularmente os Atos dos Apóstolos. Portanto, não se trata aqui senão de retraçar, em suas grandes linhas, as etapas cronológicas e geográficas do desenvolvimento da Igreja no século I. Os escritos do Novo Testamento constituem nossa fonte essencial. Mas tomamos conhecimento de algumas tradições por outros meios. Eusébio de Cesaréia compilou algumas delas. Há também documentos atribuídos a um apóstolo ou a uma personagem do ambiente de Jesus que não são reconhecidos pela comunidade cristã como Escritura inspirada. Sào os apócrifos (etimologicamente, texto misterioso, de sentido oculto, mas que acabou por significar inautêntico). Esses escritos apresentam muitas vezes características de romance. Eles desejam satisfazer a nossa curiosidade acerca de passagens sobre as quais as Escrituras nada nos dizem: a família e a infância de Jesus, a vida dos Apóstolos (da qual os Atos nào falam) etc. E possível que alguns desses documentos conservem elementos históricos. De qualquer maneira, eles nos dão ensinamentos sobre a mentalidade religiosa das comunidades em que surgiram. Vários deles exerceram considerável influência sobre a piedade e a liturgia, a arte e o folclore...

1 . JESUS MORTO E RESSUSCITADO ANUNCIADO AOS JUDEUS
- At 2

i

Por volta do ano 30, no dia de Pentecostes, em Jerusalém, diante dos peregrinos judeus reunidos por ocasião da festa, Pedro proclama:
Jesus de Nazaré foi por Deus aprovado entre vós com milagres, prodígios e sinais que Deus operou por meio dele entre vós [...} vós o entregastes, crucifícando-•o por mão de

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ímpios. Deus, porém, o ressuscitou /.../. E disto somos nós testemunhas. E agora, exaltado pela direita de Deus, recebeu do Pai o Espírito Santo, objeto de promessa, e o derramou [„.]. Deus constituiu Senhor a Cristo lAt 2,22s.).

- At 6 — 9 Aos judeus de cultura aramaica em breve se reúnem, na comunidade, judeus de cultura grega, os helenistas. Surgem desavenças entre os dois grupos culturais. Enquanto os Doze são encarregados da comunidade "hebraica", sete homens são designados para assumir responsabilidades pelos helenistas (At 6). Desse modo, a comunidade dos crentes se abre para os judeus da diáspora, isto é, para aqueles que vivem fora do marco palestino.
Estêvão, o chefe dos Sete, lança um requisitório contra

Que é preciso fazer?, perguntam os ouvintes. Pedro responde:
Arrependei-vos c que cada um de vós se faça batizar em nome de Jesus Cristo, para a remissão dos pecados, e recebereis então o dom do Espírito Santo.

Três mil pessoas recebem o batismo. A Igreja nasceu. Tal como Jesus, esses primeiros membros da Igreja sào judeus. Eles falam em aramaico, a língua semítica mais difundida no Oriente Próximo. Continuam a levar uma vida de judeus piedosos: oram no templo, respeitam as proibições alimentares, praticam a circuncisão. Em suma, aparecem como nova seita do judaísmo em meio a muitas outras: fariseus, saduceus, zelotes. Eles sào os "nazarenos". O que os caracteriza de modo distintivo é o batismo em nome de Jesus, a assiduidade ao ensinamento dos Apóstolos, a fração do pão (a Eucaristia) e a constituição de comunidades fraternais (At 2,41-47; 4, 3235).

o judaísmo de Jerusalém. Ele condena o culto e o templo, já que Jesus fora desprezado e assassinado pelos judeus de Jerusalém. Jesus anunciou um culto em espírito e verdade que não se encontra preso a um edifício. Estêvão não prega ainda aos pagãos; embora não proponha, de modo integral, uma religião universalista, não deixa de imprimir uma orientação nova a comunidade. Para ele, o Evangelho é um judaísmo depurado. O discurso de Estêvão leva-o a ser apedrejado como blasfemador. Ele é o primeiro a imitar Jesus em sua paixão e morte <At 7). Os helenistas perseguidos precisam fugir de Jerusalém para a Samaria, para a costa mediterrânea e para Antioquia (At 8 e 11.19V Eles se tornam missionários junto aos judeus que habitam esses lugares. Saulo iPauloK que assistiu ao apedrejamento de Estêvão, se mostra cruel perseguidor dos discípulos de

2. PRIMEIRA ABERTURA, PRIMEIRA RUPTURA: A MENSAGEM EVANGÉLICA NÃO ESTÁ PRESA A JERUSALÉM

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Jesus (At 8, 2), mas, a caminho de Damasco, é, por sua Antioquia se toma o ponto de partida para a vez, tomado por Jesus (At 9) e logo se tornará o evangelização do Império Romano. No decorrer de uma principal PASSAGEM DOS ATOS AP?CRIFOS primeira viagem missionária, Paulo, acompanhado por UMA pregador do Evangelho. Barnabé, se dirige inicialmente aos judeus nas sinagogas e, depois, aos pagãos, sem impor-lhes as práticas 3. SECUNDA ABERTURA, SECUNDA judaicas.

?

RUPTURA: NÃO É NECESSÁRIO FAZER -SE JUDEU PARA TORNAR-SE DISCÍPULO DE JESUS

- At 15
A comunidade de Jerusalém acredita ser necessário impor a circuncisão aos novos cristãos. Em Antioquia há duas comunidades: aqueles que vêm do judaísmo e conservam as suas prescrições e aqueles que vêm do paganismo. Cristãos de origens distintas dificilmente podem fazer suas refeições em comum, em virtude das proibições alimentares do judaísmo: rejeição da carne de porco, do sangue, de certas receitas culinárias etc. Poderão eles celebrar em conjunto a Eucaristia, que, de modo geral, é a conclusão de uma refeição? Pedro tergiversa. Em princípio, admite a acolhida incondicional dos pagãos na Igreja; ao mesmo tempo, tem medo dos representantes de Jerusalém. Ele não mais se atreve a fazer suas refeições com cristãos provindos do paganismo. Paulo o censura vivamente por isso (Gl 2).

At 10 e 11

Uma visão leva Pedro a compreender que o Evangelho se destina a todos os homens. Ele vè o Espírito descer sobre o centurião Cornélio, que não é judeu. Ele o acolhe na Igreja através do batismo e admite em princípio que não é necessário passa pelo judaísmo para se chegar à fé.

At 13 e 1 4

Em Antioquia, local em que muitos helenistas se refugiaram, os discípulos de Cristo recebem o nome de cristãos: trata-se do sinal pelo qual, a partir de então, eles se distinguem dos outros grupos religiosos.

Retrato (não garantido) de Paulo
Onesíforo seguiu o caminho real que conduz a Listra e incessantemente procurava Paulo: ele observava o aspecto dos transeuntes, de acordo com as indicações de Tito. E viu chegar Paulo, homem de pequena estatura, calvo, de pernas arqueadas, vigoroso, de sobrancelhas juntas, de nariz ligeiramente adunco, cheio de graça; pois ora aparecia como um homem, ora se mostrava na aparência de um anjo. Paulo,
Essa tensão e regulamentada por um compro misso ao qual se dá freqüentemente o nome de "concílio" de Jerusalém: por um lado, Tiago, o chefe da ((imunidade de Jerusalém ef por outro, Paulo e Barnabé, retornando da missão. No centro. Pedro atua como conciliador. A posição de Paulo é admi-tida. As prescrições judaicas não mais serão impostas. Contudo, Tiago consegue impor algumas concessões aos cristãos vindos do paganismo, quando estes se reunirem àqueles que vêm do judaísmo: eles deverão abster-se de consumir sangue... (At 15,29).

vendo Onesíforo, sorriu; e Onesiforo disse: 'Salve, servo de Deus bendito "; e ele lhe responde: 'A graça esteja contigo e com a tua casa".

ATOS DE PAULO. HIV. citodo em F Amiot. Êvangiies

apocryphes, p. 228.
Desse modo, a fé cristã se desvincula d o j u d a í s m o . N i n g u é m d e v e s u b m e t e r - s e a u m a t r a n s p l a n t a ç ã o cultural para chegar a o E v a n g e l h o . A Igreja se t o r n a v e r d a d e i r a m e n t e u n i v e r s a l . S e m dúvida, as d u a s g r a n d e s t e n d ê n c i a s — a d e P a u l o e a d e T i a g o — permanecem n o i n t e r i o r da I g r e j a . U m c o n f l i t o de influências tem s e g u i m e n t o , mas P a u l o se e s f o r ç a p o r m a n t e r a u n i d a d e e n t r e os g r u p o s , fazendo, p o r t o d o o I m p é r i o , uma c o l e t a p a r a os cristãos de Jerusalém que passavam por dificuldades

12

( I C o r 1 6 , 1 - 3 ; 2 C o r 8 e 9 ; R m 1 5 , 2 6 - 2 8 ; Gl 2 , 1 0 ; A t 2 4 , 1 7 ) .

pedido. 'Vem ã Macedónia, socorre-nos!*" ( A t 16,9). Essa é u m a etapa fundamentai. O Evangelho chega à Europa por volta do ano 50. Surgem as comunidades de Filipos, Tessalônica, Corinto... Paulo chega m e s m o

4- A IGREJA SE EXPANDE COM PAULO
-*■ At 16 a 18
No decorrer da

a aventurar-se n a cidade da cultura, Atenas. Ele se esforça por mostrar que e x i s t e uma convergência entre a filosofia grega e o Evangelho. C i t a até mesmo u m poeta. Em vão. "Ouvir-te-emos a respeito disto

segunda viagem

que faz pela Ásia Menor, Paulo

outra v e z . . . " ( A t 1 7 , 1 6 - 3 3 ) . Ao pregar em Corinto, ele j á n ã o se esforça para agradar o seu auditório e a n u n c i a apenas "Jesus Cristo e Jesus Cristo crucificado" (ICor 2,2).

tem uma visão i*m Troa de: "Um rr.acedó-n i o . de p e . dirigia-lhe e s t e

0

A DISPERSÃO DOS APÓSTOLOS PELO MUNDO
acordo com a tradição, obteve em partilha o pais dos partos (Mateus obteve a Etiópia; Bartolomeu, a índia antertor); André obte ve o Citia e João. a Ásia. onde viveu: ele morreu em Êfeso. Pedro parece ter pregado aos judeus da dispersão no Ponto, na Galâcia, na Bitínia. na Capadócia e na Ásia: finalmente, tendo também chegado a Roma, foi crucificado de cabeça para baixo, após ter ele próprio pedido esse Upo de sofrimento Que dizer de Paulo, que. de Jerusalém até a llina, cumpriu o Evangelho de Cnsto e. por fim. deu testemunho em Roma sob o reinado de Nero? Eis o que é dito textualmente por Origenes no terceiro tomo dos Comentários sobre o Gênesis

Diz-se que Marcos foi o primeiro enviado para o Egito, pregou o evangelho que havia composto e estabeleceu algumas Igrejas, inicialmente, já em Alexandria
ELSOBO
ce CtSAflín. Hrntôna fctesuwie*. tf. XV?. f.

Os santos apóstolos e discípulos de Nosso Salvador estavam dispersos por todo o terra habitada. Tomo, de

EJSÉBC M

Císaflf *. HiStóns Eclesiástica, tU 1

13

AS MAIS ANTIGAS COMUNIDADES CRISTÃS
entre as principais mencionadas nos documentos do século I.

-

At lí> e 20

No decorrer de uma terceira viagem, Paulo visita novamente as comunidades da Asia e da Europa. As dificuldades são muitas, e as epístolas de Paulo as refietem. Ele se depara com a hostilidade dos judeus

que não aceitam a mensagem sobre Jesus e dos pagãos cujo comércio — ligado às peregrinações e aos templos (At 19) — é por ele ameaçado. No interior das comunidades, particularmente em Corinto, o entusiasmo é muitas vezes transbordante: manifestam-se todas as 14

espécies de carismas, a mais espetacular sendo a de falar em línguas múltiplas e incompreensíveis (lCor 13 e 14). Mas, ao mesmo tempo, há disputas entre clãs opostos ílCor 3,3-9"; os ricos não compartilham com os pobres (iCor 11); alguns abusam da liberdade cristã i ICor 5>... — At 21 a 28 Uma quarta viagem conduz Paulo a Roma, mas como prisioneiro. Ele fora a Jerusalém encontrar-se com Tiago para entregar-lhe a coleta. Para mostrar sua vinculação à tradição judaica, aceita apresentar-se ao templo. Esse gesto é tomado como uma provocação. Incriminado numa rebelião, Paulo é preso. Passa dois anos na prisão, em Cesaréía. Baseando-se em seu título de cidadão romano, ele apela ao imperador diante do governador, que o envia como prisioneiro a Roma. Depois de uma viagem movimentada, chega à capital do Império. Dois anos de liberdade vigiada lhe

Estamos aproximadamente no ano 63...

5- BALANÇO DO PRIMEIRO SÉCULO A s comunidades do Novo Testamento c a s outras
A|i
>

e3

O confronto dos ensinamentos fornecidos pelos escritos do Novo Testamento permite situar as comunidades cristas de Jerusalém a Roma: as que foram fundadas na Asia Menor no dinamismo da Igreja de Antioquia, as estabelecidas por Paulo na Grécia, as do Apocalipse, originárias da irradicação da atividade de João, e a Igreja de Roma, cujo fundador é ignorado. A epistola de Paulo aos romanos supõe a existência, na capital do Império, de uma comunidade importante e já antiga. Se a ida de Pedro a Roma é um (7 dado tradicional, os textos informativos são tardios e pouco seguros. Por outro lado, a viagem de Paulo à /-Espanha íRm 15T 24» permanece hipotética. ^Outras fontes completam esses ensinamentos, mas (7 de uma maneira bastante limitado. Eusébio de Cesa-réia imagina uma divisão da evangelização da Terra levada a efeito pelos Apóstolos. O país dos partos, corresponde ao atual Irã: a Cítia. às regiões do norte do mar Negro. Alguns escritos apócrifos nos fornecem informações dificilmente controláveis. Os Atos de Tomé, verdadeiro romance de aventuras, talvez contenham alguns elementos históricos referentes à evangelização do Oriente. Mas a dificuldade das relações com esses países — decorrente da hostilidade permanente entre o império dos partos (posteriormente, império dos persas) e o império romano — explica, a um so tempo, os limites da evangelização e os da nossa informação.

NTlQVMCXimwV SEXMESISOCTODIES XXíií
Os apóstolos Pedro e Paulo (Epitáfio de AnselluO DACL.

permitem "proclamar o Reino de Deus e ensinar aquilo que diz respeito ao Senhor Jesus Cristo com plena segurança e sem obstáculos". A partir daí, os Atos nada mais nos dizem acerca de Paulo.

15

©
A

Os Atos afirmam PEDRO E PAULO EM ROMA claramente a ida tradição

associa Pedro e Paulo à Igreja de Roma. da qual são as colunas e o fundamento. Roma seria o local de seu martírio e conservaria os seus túmulos. Contudo, a crítica histórica, percebendo que os testemunhos referentes ao martírio romano dos dois Apóstolos não remontam senão aos últimos anos do século II. quis examinar mws detalhadamente o fim dos dois Apóstolos. O papel do papa na Igreja universal se funda no fato de que o bispo de Roma é o sucessor de Pedro Ora. disseram os protestantes na época da Reforma, as Escnturas não indicam de modo algum que Pedro tenha ido a Roma E um apócnfo tardio que nos relata a crucifixão de Pedro. Entretanto, os historiadores atuais acreditam que a presença e o martírio de Pedro em Roma estejam razoavelmente fundamentados num conjunto de indícios convergentes, o exame minucioso de vários textos do Novo Testamento, dos mais antigos escritos cristãos (Clemente de Roma), dos textos litúrgicos e o resultado de escavações arqueológicas. Um dos argumentos considerados mais convincentes ê a comparação que pôde ser feita recentemente

Narra-se que. sob o remado de Nero, Paulo foi decapitado na própria cidade de Roma e que. da mesma maneira, Pedro nela foi crucificado: esse relato é confirmado pelo nome de Pedro e de Paulo que. até o presente, è dado aos cemitérios desta cidade. Ê isso também que afirma um eclesiástico chamado Gaio. que v Paulo segundo Clemente, elevadas e viveu sob Zeferino (199-217). bispo mais justas e que combateram até a dos romanos. Argumentando por morte. Observentos os nossos escrito contra Pro-cio, o chefe da excelentes Apóstolos. s&ta catafrigia. ele diz. a propósito dos lugares em que foram depositados os despojos sagrados dos mencionados apóstolos, estas palavras: 'Quanto a mim, posso : t j O fim dos apóstolos Pcdrt bispo mostrar os troféus dos apóstolos. de Roma (c. 95) entre o monumento Se quiseres ir ao Vaticano ou seguir mente deseja restabelecer a pazde São na comunidade de Corinto, perturbada por um grupo que dos Óstia, os presb?teros A cau o caminho de tituiu encontrarás os descoberto sob a Basílica troféus daqueles que fundaram esta Pedro e o troféu de Gaio evocado Igreja'. por Eusébio. Pedro, que, em função de um inEjeíBo r* CF»**, HisWna Eclesiástica. H, justo ciúme, sofreu, não um ou dois. XXV. 5-7 mplos de nossa gera??o. Foi em fun???o do ci?me e da inveja que foram perse?guidos aouetes que eram as colunas mais Para deixar de lado os exemplos antigos, falemos dos combatentes bastante recentes, tomarxio os

de Paulo a Roma (At 28. 16-31) A incerteza diz respeito aos últimos anos de Paub. às ctrcunstàncias e à data de sua morte. Paulo manifestara o seu desejo de ir à Espanha após uma etapa romana (Rm 15, 24-'28). Por conseguinte, supõe se que sua absolvição tenha ocorrido em 63. bem conto a pregação na Espanha e. depois, novamente na Ás/a Menor e na Grécia Inserem-se ai as epistolas a Timóteo e a de Tito. Mais uma vez pnsioneiro (lTm 11 Paulo teria sido executado em 67. Vê-se uma alusão a essa viagem à Espanha no passagem em que Clemente de Roma diz que Paulo 'atingiu os limites do Ocidente ". Contudo, outros historiadores interpretam o silêncio do final dos Atos como o reconhecimento implícito da morte de Paulo, que teria sido executado em 63. A primeira confimioção conhecida da decapitação de Paulo em Roma se encontra em Tertuliano. que escreve no final do século II. As escavações 0 efetuadas sob a Basílica de São Paulo fora dos muros permitem igualmente pensar que se recuperaram os vestígios do troféu do caminho de Ôstia de que fala Gaio

mas numerosos tormentos, e que. após ter dado seu testemunho, se retirou para a existência de glóna que lhe era devida. Foi em função do ciúme e da discórdia que Paulo mostrou como se obtém a recompensa da paciência. Agrilhoado por sete vezes, exilado, apedrejado, tornado um arauto no Oriente e no Ocidente, por sua fé ele recebeu uma glória incontestável. Após ter ensinado a justiça no mundo inteiro, ter atingido os limites do Ocidente, ter dado testemunho diante daqueles que governam, ele deixou o mundo e se retirou para o santo lugar, ilustre modelo de paciência. Clemente de Roma, Caria aos

Coríntios. 5

... Os túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo em Roma

16

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Dois acontecimentos decisivos
A perseguição de Nero em 64, segundo a tradição, provoca o desaparecimento dos Apóstolos Pedro e Paulo. Contudo, os historiadores hesitam quanto à fixação ric urra data: I*< drteria mnrrido em »vl c Paul--' em 63. segundo alguns, ou em 67, segundo outros. A destruição de Jerusalém em 70 assinala mais uma ruptura na vida da Igreja nascente. Os judeus se revoltaram contra os romanos com o objetivo de reconstituir uma nação independente que honraria a Deus de acordo com a lei dos ancestrais. Uma guerra implacável leva à destruição da cidade e do Templo. Desde o início cia revolta, a comunidade crista de Jerusalém deixara a cidade para refugiar-se no outro lado do Jordão. O desaparecimento do Templo terminou por separar os cristãos do judaísmo. Deus mostrava com isso que a antiga Lei acabara. O acontecimento reforçava o universalismo do Evangelho. Destituído de templo, o judaísmo se reorganiza em Jamnia «sul de Telavive", marcando ciaram tn te

a sua oposição em relação aos cristãos. Entre estes últimos, aqueles que ainda conservam as práticas judaicas não constituem, a partir de então, senão pequenos grupos mais ou menos assimilados a algumas seitas.

A composição das Escrituras cristãs
Ao longo desse obscuro período formado pelos últimos decênios do século I se constituem, de modo paulatino, as Escrituras cristãs, a que hoje damos o nome de Novo Testamento. As epístolas de Paulo são reunidas. Os Evangelhos tomam sua forma definitiva. Mas ainda será necessário muito tempo para que as comunidades cheguem a um acordo acerca dos livros que consideram como sua regra de fé. Nesse final do século I, o cristianismo se voltara resolutamente para o Ocidente, utilizando as estruturas que lhe eram oferecidas pelo Império Romar.o.

II

O IMPÉRIO ROMANO
função de seu desabrochar recíproco. Esse tema do Império, quadro providencial para a pregação do Evangelho, será retomado com freqüência. Tanto Pascal como Péguy dão testemunho disso. Hoje somos menos sensíveis a essa leitura da história. Contudo, o cristianismo não é uma doutrina intemporal Após ter se formado no mundo semítico bíblico, ele se enraíza profundamente no mundo romano, que se tornou o primeiro campo da evangelização a partir do momento em que Paulo ouviu o apelo do macedónio (At 16,9). A Pérsia e talvez a índia logo foram evangelizadas, mas a barreira política e militar constituída pelo Império

1 . O IMPÉRIO ROMANO "PREPARAÇÃO EVANGÉLICA"
3

Melitão, bispo de Sardes, na Asia Menor, no século [I. se dirige através de uma carta ao imperador Marco Aurélio, que tem a reputação de filósofo, ou seja, de sábio. Para defender os cristãos perseguidos, Melitào apresenta a sua doutrina como uma sabedoria de vida, uma ^filosofia", e mostra que há uma coincidência providenciai entre o início do Império e o aparecimento do cristianismo: Jesus nasceu sob o reinado de Augusto e pregou sob Tibério. Igreja e Império encontram-se associados em

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Persa opôs muitos obstáculos a essa pregação. Em compensação, no Ocidente, o Império Romano unificou a Bacia Mediterrânea. A circulação das pessoas, das mercadorias e das doutrinas não se depara com nenhum entrave. Os pregadores do Evangelho utilizaram não somente as possibilidades geográficas e materiais que lhes eram fornecidas pelo Império, como também alguns meios de expressão e modos de pensamento que marcaram o cristianismo até os dias de hoje. Tal coisa suscitará alguns problemas quando esse cristianismo mediterrâneo for proposto, a partir do final do século XV, época das grandes descobertas, aos quatro cantos ú" mundo.

dividido em províncias, cujos governadores são designados, em Roma, pelo imperador ou pelo Senado: trata-se dos procônsules, legados, prefeitos ou procuradores. Nas regiões mais distantes, alguns reis permanecem no trono, mas com poderes bastante limitados. Eles são rapidamente substituídos por um funcionário imperial quando manifestam quaisquer veleidades de independência. Todas essas personagens aparecem muitas vezes no Novo Testamento: Lc 3,1--3; At 13,6-7; 18.12; 23, 26; 24,27 etc. As guarnições instaladas por todos os lugares mantêm a ordem romana, ao passo que o direito contribui para a existência de certa unidade legislativa. A sucessão imperial não se desenrola sem problemas, pois não existem regras fixas. Sem admitir, de forma alguma, todas as tagarelices dos cronistas, é provável que tenha havido, entre os sucessores de Augusto, certo número de degenerados como Calígula e Nero. Vespasiano e Tito são dois dos melhores imperadores. A dinastia dos Antoninos, no século II (de Trajano a Marco Aurélioi conduz o Império a seu apogeu.

Pequena história romana
Uma cidade da Itália, Roma. fundada em 753 a.C, conclui a conquista da Bacia Mediterrânea levada a efeito no decorrer do século I a.C. Pompeu tomou Jerusalém em 63, Júlio César conclui a conquista da Gália por volta de 50 e Otávio i Augusto» anexa o Egito em 30. No inicio, a República Romana não era mais que uma pequena municipalidade. As suas instituições são inadequadas para a gestão de um domínio tão vasto. Otávio, que se tornou Augusto, instaura, sem dizê-lo, um novo regime. Trata-se do Império surgido em 27 a.C. Comandando-o, o principal cidadão (princeps, o príncipe) guarda e transmite os títulos de imperador llmperator, general vitorioso) e de César íseu pai adotivo». As guerras civis têm fim. Trata-se da pax romana. E-se levado, na maioria das vezes, a enfatizar que Jesus nasceu quando a paz reinava no mundo. A partir de então, a Bacia Mediterrânea se inscreve numa única entidade politica e administrativa. Se vamos hoje, por via terrestre, de Paris a Jerusalém, precisamos atravessar cerca de seis fronteiras, enfrentando amiúde algumas dificuldades. No século I, continuava-se no mesmo Estado. O Império é

A s "cidades" do Império
No entanto, não se deve imaginar o Império como um Estado fortemente centralizado em todos os domínios. A unidade de base dos países mediterrâneos, se assim se pode dizer, continua sendo a cidade. Sem dúvida, já se encontra distante o tempo das cidades gregas do continente, da Ásia Menor ou da Sicília. Há muito as cidades perderam a independência, com a constituição dos impérios de Alexandre e de seus sucessores, bem como, mais tarde, do Império Romano. Mas elas conservam uma ampla autonomia de administração interna. A cidade não se limita ao território urbano; abrange também o campo circundante. Entretanto, tudo se define em relação à cidade. O cristianismo antigo é uma religião 18

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urbana; a Igreja é inicialmente a comunidade local: "A Igreja de Deus estabelecida em Corinto" <lCor

1,2»; "Paulo, Silvano Tessalònica" <lTs 1,1).

e

Timóteo

à

Igreja

de

©

O IMPÉRIO ROMANO, PREPARAÇÃO EVANGÉLICA
com Augusto, e que teus ancestrais, por sua vez. honraram ao lado das outras religiões. E constitui uma imensa prova de sua excelência o
fato de que nossa doutrina tenha florescido ao mesmo tempo que o feliz inicio do império e de que nada de mau tenho ocorrido desde o reinado de Augusto, mas, pelo contrário, tudo tenha sido brilhante e glonoso. segundo as orações de todos (...}.
C*A*A
Dt MtjiAO. btspo do Sardas, ao Imperador Marco Aurti&o por vottà de f 70. alada am Eusébio da Cesarêiâ. Htstóna Ecle&iãsljca. IV, 26.

A nossa filosofia floresceu inicialmente entre os bárbaros; depois, desabrochou em teus povos, sob o grande reinado de Augusto, teu ancestral, e se tomou, sobretudo para teu império, um bem favorável. Pois. a partir dessa época, o poder dos romanos se ampliou de modo acentuado e incontestável, tu te tornaste o seu herdeiro desejado e continuarás a sê-lo. com teu filho, conservando a filosofia que foi nutrida juntamente com o império e que teve inicio

© Quão belo é ver. com os olhos da fé, Dario e Oro. Alexandre, os romanos. Pompeu e Herodes agirem, sem o saber, pela glóna do Evangelho. ® E os passos de César marcharam por ele. Dos confins da Gália às margens de Mênfis Todo homem chegava aos pés do divino filho. Ele viera como um ladrão vem à noite L.l
78

Comunicações b e m organizadas
- At 27 e 28 Pessoas e mercadorias circulam de um extremo a outro do Império, tanto por terra como por mar. Os caminhos das mercadorias e das pessoas são também as trilhas das doutrinas e do Evangelho. E bastante provável que o mercador sírio, cujo epitáfio foi encon- Q trado em Lião, fosse ao mesmo tempo comerciante e pregador. Percursos por terra e por mar se alternam nas viagens de Paulo. Os capítulos 27 e 28 dos Atos figuram entre as mais belas páginas da história da navegação da Antigüidade. As condições de viagem ocupam um lugar de destaque na descrição das dificuldades e das provações do ministério de Paulo:
Três vezes naufraguei. Passei um dia e uma noite em alto-mar. Fiz numerosas viagens. Sofri perigos nos rios, perigos por parte dos ladrões, perigos por parte dos meus irmãos de estirpe, perigos na cidade, f>erigos no deserto, perigos

no mar, perigos por parte dos falsos irmãos! Mais ainda: fadigas e duros trabalhos, numerosas vigílias, fome e sede, múltiplos jejuns, frio e desnudamento [...] i2Cor 12,25-271

Dessa maneira, é compreensível que o Evangelho tenha sido anunciado, em primeiro lugar, nos portos, ao longo dos grandes eixos de comunicação, as estradas e os vales. Na Gália, a navegação marítima terminava em Aries, local em que dava lugar à navegação fluvial que subia o Ródano e a Salona; daí se chegava à Germânia. As pessoas viajavam para fins de negócios, de estudos (ia-se a Atenas para aprender filosofia, a Pérgamo para aprender medicina etc», de turismo (as Sete Maravilhas do Mundo). Funcionários e soldados deviam substituir-se uns aos outros nos locais onde eram lotados. Os escravos eram levados para longe de seus países de origem. Os pregadores podiam propor a sua mensagem por ocasião das escalas forçadas. - At 13,13s.; 14,1».; 15,21; 17,1 s.;

28,17s

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A precariedade e a duração das viagens explicam a importância da hospitalidade, recomendada constantemente nos documentos do Novo Testamento e do período seguinte. Todos podiam encontrar compatriotas agrupados num bairro de uma grande cidade — Alexandria, Antioquia e sobretudo Roma —, da mesma maneira como atualmente se agrupam em São Paulo originários do Nordeste e de muitos países do mundo. Havia uma quantidade imensa de judeus por todo o Império e a pregação cristã freqüentemente tem início na sinagoga local... Contudo, um dos mais antigos escritos cristãos, a Didachê (Doutrina do Senhor), exorta a que se desconfie dos bocas-livres, mesmo que eles se prevaleçam da pregação do Evangelho: "Que todo apóstolo que chegue à vossa casa seja recebido como o Senhor. Mas ele não dever permanecer mais que um dia, ou, em caso de necessidade, dois; se ficar três dias, trata-se de um falso profeta" (11,4-5). Como o serviço de correspondência estava reservado à administração, confiavam-se as cartas aos viajantes. Uma carta levava cerca de cinqüenta dias para ir de Lião a Efeso.

A unidade cultural
O Império é a reunião de uma grande quantidade de povos que conservam os seus costumes, as suas línguas e as suas culturas. Os primeiros cristãos da Palestina se expressam em aramaico, a língua de Jesus. Outros utilizam algumas línguas semíticas próximas, como o siríaco. Havia linguajares celtas na Gália e berberes na África. Contudo, duas línguas se impunham no conjunto do Império: — O grego, originalmente a língua de algumas cidades, tornou-se. em virtude das conquistas de Alexandre (356-323>, a língua comum de todo o Oriente. Dá-se justamente a esse grego que substituiu vários dialetos o nome de kainé, isto é, "comum". Não se trata somente da língua de cultura e da filosofia, como também da língua internacional dos mercadores. Ela é amplamente conhecida em Roma e nas grandes cidades do Ocidente. As inscrições gregas são numerosas em Lião. E possível compará-la, em certa medida, com o inglês de hoje. Da mesma forma, o grego é a primeira língua da Igreja. Os cristãos utilizam a versão grega da Bíblia, A Septuaginta. O Novo Testamento é escrito em grego, o mesmo ocorrendo com os textos litürgicos, mesmo em Roma, até o século III

®
A malha viária

AS COMUNICAÇÕES NO IMPÉRIO ROMANO
sao
— —

Quase toda a rede rodoviária italiana data da República A rede ferroviária atual a reproduz de modo perceptível. As estradas geralmente recebem o nome do magistrado que as cnou Os imperadores desenvolvem particularmente a rede provincial Algumas das vias mais conhecidas

de Roma a Brindes: a Via Áp»a. de Roma a Gênova a Via Auré—

tac da Itália à Espanha pela Gália Narbonesa: a Via Domícia;

— de Durazzo a Bizâncio: a Via Inácia

ultrapassa 500kg As mercadorias percorrem 30km por dia As empresas postais prrvadas não ultrapassam 60km O correio imperial atinge 150km. mas alternando vinte e quatro horas de viagem com vinte e quatro horas de parada Por conseguinte, as noticias caminham lentamente

A via marítima
A via marítima é. muitas vezes, preferível à via terrestre

A carga dos veículos é limitada em razào da imperfeição da atrelagem Nenhum transporte 20

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Sem ser muito significativas, as cargas dos navios atingem várias centenas de toneladas Alguns navios que transportam cereais ultrapassam 1 OOOt Quanto aos navios de passageiros, sabe-se que o de Paulo transporta 276 passageiros (At 27.37) e o de Flávio Josefo. 600 {Autobiografia. 15) Contudo, a navegação se detém de novembro a março Ela se encontra à mercê das

tempestades, das calmarias prolongadas e dos piratas A duração das viagens também varia consideravelmente Temos os seguintes recordes de tempo gasto:
— — — — —

viagens são muito mais longas
Algumas vezes, ê necessário hibernar longos meses antes de prosseguir (cf a viagem de Paulo). Se a navegação meditenãnea é a mais importante, existe também uma na-vegaçãopelo mar Vermelho na direção da índia. Os navegadores utilizam os ventos das monções. Eles podem fazer uma viagem de ida e volta de julho a

6 7 2 3

9 dias de Poziuoii (perto de Nápoles) a Alexandria; dias da Sicilia a Alexandria; dias da Cádis a ôstia: dias da Áfnca a Ôstia: dias da Narbona a ôstia

Mas. na maioria dos casos, as

fevereiro

— O latim, língua de Roma e, depois, do Ocidente, tem inicialmente uma difusão menor que o grego, mas é, para todo o Império, a língua da administração e do direito. Na Igreja, é utilizado, em primeiro lugar, como língua habitual na Africa, a partir do final do século II, em seguida em Roma e, depois, em todo o Ocidente cristão, no decorrer do século III.

■* Capítulos 4, 5 e 6

A utilização dessas línguas por parte dos cristãos implicava a transferência de um modo de pensamento para a Igreja. A filosofia grega serviria para a elaboração de uma primeira teologia. Através do latim, era o direito romano que viria a fornecer um quadro jurídico para as comunidades ocidentais. Quando os domínios respectivos do latim e do grego forem, no século IV, delimitados de maneira rígida, as duas áreas culturais da Igreja evoluirão de modo diverso, até chegarem à separação completa.

2. UMA INQUIETUDE RELIGIOSA FAVORÁVEL À ACOLHIDA DO EVANGELHO
A pregação crista encontra, no Império, sistemas religiosos extremamente variados. Embora possam contrariar a mensagem evangélica, essas religiões podem também

ivicjitjricii corri C J I I G I K J S duiordis favorecer a revelação cristã. Simplificando um pouco, dividiremos a vida religiosa antiga em trés grandes grupos.

A s religiões tradicionais
E possível distinguir entre elas uma religião dos

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campos e uma religião das cidades. A religião agrária permanece atuante. Trata-se de cultos "naturistas" que veneram as forças misteriosas que asseguram a fecundidade da natureza, dos solos e dos animais: são as divindades protetoras das colheitas, dos rebanhos e das fontes. No momento em que os campos se tornarem amplamente cristãos (século V>, alguns elementos dessas velhas religiões passarão para o cristianismo e alimentarão o folclore.

dês" —, elas deixam de satisfazer os espíritos esclarecidos e as verdadeiras necessidades religiosas. Entretanto, ainda que seu coração esteja voltado para outra coisa, as pessoas continuam fiéis a eles, pois se trata do "costume herdado dos ancestrais". Augusto procura reavivar nelas a vida, pois as considera alicerce social. Participar dos cultos da cidade, mesmo que se tenha uma atitude compietamente cética, constitui um ato de civismo.

- A t 1-1,12-13; A t 19,23-10
Cada cidade tinha as suas próprias divindades, as cidades gregas, latinas etc. Com as conquistas, esses deuses da Grécia e de Roma foram mais ou menos adotados em todas as partes. Foram estabelecidas equivalências: Zeus-Júpiter, Hermes-Mercürio, PosseidonNetuno... Tendo as cidades perdido a sua independência, essas religiões começam a perder seu dinamismo. Freqüentemente formalistas — trata-se do do ut dest "eu te dou para que tu me

O culto ao soberano
Esse culto é originário do Oriente, local em que os soberanos helenisticos, os sucessores de Alexandre, o desenvolveram. Mas, no Ocidente, quando os imperadores romanos se esforçam por generalizá-lo no Impe- s^, rio como um todo, surge como uma novidade. Trata- ^—^ •se de uma religião a serviço da política, comparável, em certa medida, àquilo que, nestes últimos anos, presenciamos em relação a Stálin, Mao e a alguns outros. Contudo, os imperadores não dispunham dos meios dos ditadores de hojt. E, se alguns manifesto-

©
Se desejares confiecer o mortal que aqui jaz. nada de oculto, mas suas obras e a inscrição que aqui está, tudo dsrão sobre ele. Euteknios ó o seu sobrenome, lou lianos. seu nome. Laodtcêia, sua pátria, ornamento admirável da Sina Notável por parte do pai. sua mãe também pertencia a uma bela estirpe; prestativo

MERCADORE PREGADOR
e justo para com todos, contava, em contrapartida com a afeição de todos Quando falava aos celtas, a persuasão fluia de sua boca. Ele percorreu diversos nações. Conheceu numerosos povos e, entre eles. demonstrou o valor da alma Ele se expôs sem descanso ás ondas e ao mar. apresentando aos celtas e à terra do Ocidente tudo aquilo que Deus determinou dar à terra do Oriente, fecunda em todos os produtos, porque, homem que era. o amava Ele conduziu as três tribos dos celtas para os degraus í . l
Inscnçãc grega (micjo dc século HIV encontrada em üâo cm 197? -ournal ;ie& &&v.ims j.imr.-.-n rrurço cít> »975 p 60. IHPJ Pi*#íVrtu«

2f>

ram a sua megalomania, muitos se mostraram mode-

rados. Nas províncias orientais, o imperador era divi22

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disso, apenas os magistrados e os soldados deviam participar dele. Quando se quis obrigar os cristãos a mana s?o evocados nesse texto o Capit?lio, templo dos tr?s deuses protetores de Roma J?piter, Juno e Minerva, os celebra Participar do culto de Roma e de Augusto consticultuarem o imperador, estes se recusaram a atritui um gesto de lealdade política. O culto imperial só buir-lhe o título de senhor (Kyrios), que reservavam se transforma numa obrigação no século III. Antes unicamente a Deus e a Cristo.

nizado ern vida; em Roma, só após a morte.

A "segunda religiosidade"
Designa-se dessa maneira um conjunto de correntes espirituais heterogêneas que aparecem no início da era cristã. Muitos habitantes do império são pessoas desprovidas de raízes: escravos, soldados, funcionários. No âmbito dessa enorme mescla de população, os deuses das cidades ou da natureza perdem seu interesse. Enquanto alguns espíritos caem no ceticismo, outros estão em busca de uma divindade capaz de oferecer consolo ao crente.

A RELIGIÃO TRADICIONAL
No décimo primeiro dia antes das estendas de julho 121 de junho de 70). com um céu límpido, todo o espaço consagrado ao templo foi cercado por pe quenas tiras e coroas. Nele penetraram em primeiro lugar os soldados, para trazer bons augúrios, carregando ramos favoráveis: depots, as virgens vestais, acompanhadas de garotos e garotas, com os pais. espargiram no solo a água retirada de fontes e de nos. Então, o pretor Hefvfdio Phsco. precedido do pontífice Pláucio Aeliano. após ter punficado o terreno consagrado pelo sacrifício de uma porca, de uma ovelha e de um touro, e de ter depositado as entranhas das vitimas num altar de placas relvadas, invocou Júpiter, Juno. Minerva e os deuses protetores do Império, pedindo que favorecessem e concedessem seu auxBio divino à elevação daquela morada que sena a sua e cuja construção havia sido iniciada pela piedade dos homens: ele tocou as pequenas tiras entrelaçadas nas cordas que prendiam a pedra, e. ao mesmo tempo, os demais magistrados, os sacerdotes, o Senado, os cavaleiros e uma grande porte do povo. unindo seus esforços e sua alegria, puseram se a transportar esse bioco enomre. Lançam-se ao acaso nas fundações algumas peças de prata e de ouro. bem como fragmentos de metais em estado bruto, conto são encontrados antes que os fomos os transformem os ariisptces hnvinm recomendado que não se conspurcasse a obr,i com pedras ou com um ouro destinado a outro uso. A altura das edificações foi aumentada, pois se acreditava ser essa a única coisa que fora autonzada peia reitgtâo e que faltara ò beleza do templo precedente.
T AC O , *V3-ÕSIAV
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IV. S3, otadõ P Pei-r, Le Pre m«cf S*cie de notfe r»-p crt V" Armand &>•>" p

A filosofia

- At 17,28
Os espíritos mais filosóficos se encaminham lentamente para o monoteísmo, para um deus único e transcendente, para uma religião do dever a cumprir e da perseverança no momento da

adversidade. Trata-se do estoicismo, que requer a submissão ã ordem do (J) universo. Os estóicos reinterpretam as religiões anti- /jj» gas e o velho politeísmo num sentido psicológico e ^ individual. De qualquer maneira, os deuses múltiplos não são mais que formas diferentes de se falar da divindade. Embora se conservem fiéis aos ritos, os estóicos enfatizam a purificação moral.

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O EPITÁFIO UE UM INCRÉDULO
algumas justas palavras, vai te. Viajante, a fim de que eu não te pareça demasiado taga rela para um morto. £ inútil enviar ou oferecer perfumes e coroas, aqui só há uma pedra e não se acende fogo. não gastes em vão. Em vida. se tens alguma coisa, partilho comigo, mas. ao ntolhaies as cinzas, produzirás lama. e o morto nào beberá Eis o que serei, e tu. quando amontoares a term. dirás: voltei a ser aquilo que fui quando não era
Inserção grega dc século I, crtaaa am Petit, Le í*tei™.«*' Sií*f.l«í ík* loin* «Mt- cul U2 A'n\*m1 Co*•> p 263

{...} Nào negligencies, ó Viajante, este epigrama; detém-te para entende--to e conhecê-lo antes de te ires. No Hades, nào há barca, não há barqueiro Carente, Ajax guardião das chaves nem cão Cérbero. Nós todos, os daqui de bilixo. os mortos, tornumo-nos ossos e cinzas, e nada mais. Eu te disse

Religiões orientais ou religiões mistèricas
Esta outra corrente suscita progressivamente o interesse de todos os meios, de modo especial, dos mais populares. Os escravos arrancados a suas terras, os soldados e os funcionários levam para Roma e para todo o Ocidente as religiões da Ásia Menor e do Egito. Esses cultos oferecem uma resposta à angústia existencial do homem, inquieto e infeliz. O seu ritual, em que se encontra o melhor e o pior, está distante do formalismo dos antigos cultos. Trata-se das procissões, dos cantos langorosos e de uma música embriagadora. Essas religiões novas propõem a um pequeno número de eleitos uma iniciação misteriosa na qual encontram pessoalmente a deus. Purificado no decorrer de diversas provações, o fiel tem o sentimento de estar salvo e de pertencer a um grupo privilegiado. As religiões agrárias celebravam a morte e a ressurreição da natureza. Nos Mistérios, o próprio fiel morre e renasce para uma vida nova...

M\Uit. o d«u* misterioso.

Dentre as religiões orientais desse tipo, as mais difundidas são o culto de ísis, proveniente do Egito» o de Mitra, originário da Pérsia, e o de Cibele-Atis, vindo da Frigia (Ásia Menor L "Os esgotos do Orontes [rio de Antioquial desaguam no Tibre", ironiza um poeta satírico romano. Mas nada detém o avanço dessas religiões novas. Alguns indícios mostram que essas múltiplas correntes religiosas se encaminhavam para um amplo sincretismo, isto é , para o fusão de seus diversos elementos numa religião universal. E então que aparece o cristianismo, também ele uma religião oriental capaz de satisfazer os desejos de elevação moral e de salvação. No entanto, o Evangelho não admite quaisquer concessões. Ele não se funde com outras doutrinas religiosas. O cristianismo se situa de uma maneira radicalmente diferente na constelação religiosa dos primeiros séculos.

3. O IMPÉRIO E O EVANGELHO
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Uma "cooperativa de felicidade"
Um historiador qualificou dessa forma a civilização greco-romana dos três primeiros séculos; ela continua a ser um edifício sólido. Mas a felicidade que propõe só beneficia uma minoria de privilegiados. Entre eles, há aristocratas conhecidos, que se entregam a prazeres nobres e refinados: a filosofia, a literatura, as artes e a amizade. Séneca e Plínio exemplificam esse comportamento. Mas há também vulgares plutocratas, traficantes que fizeram fortuna no grande comércio. Eles se comprazem nos grandes banquetes, nas termas ou nos excessos sexuais, como os heróis do Satiricon de Petrõnio.

aqueles que possuem o direito de cidadão romano e outros. Os cidadãos romanos podem, em princípio, recorrer à justiça do imperador. Conhecemos o exemplo de Paulo (At 25,12; 26,32 >. Os outros têm poucas garantias de justiça. O estatuto de cidadão romano nem sempre é reconhecido. E se chegará mesmo a fazer uma distinção, no conjunto dos cidadãos, entre hum Marca e honcstiores los humildes e os notáveis», ou seja, entre duas categorias segundo a fortuna e o nível social, fato que acarreta dois pesos e duas medidas em termos de justiça. Em Roma, muitos cidadãos vivem na miséria, subsistindo apenas de distribuições gratuitas de trigo; são concedidas a eles as diversões do circo e do anfiteatro: panem et circenses.

Uma sociedade dura para os fracos
A economia antiga fundamentada-se escravidão. O trabalho manual, ofício servil, é desprezado. Isso explica o frágil progresso das técnicas num momento em que a ciência grega havia feito importantes descobertas. Em algumas cidades, dois terços dos habitantes são escravos. O escravo não tem nenhum direito. Não pode casar-se nem ter posses. Ainda sob o reinado de Nero, o amo tem sobre seus escravos o direito de vida e de morte. Embora o estoicismo exorte as (íí pessoas a verem no escravo um homem e a agirem em conformidade com essa visão, há uma grande distância entre a teoria e a prática. Só alguns escravos escapam a seu destino através da alforria. Os homens livres estão longe de serem iguais entre si. Na província, uma distinção é estabelecida entre

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O CULTO IMPERIAL
I...J E que o magistrado ponha na pnmcira base a imagem do Deus Augusto, pai de César, na segunda, situada à direita, a de Júlia Augusta ÍLivia. espoas de Augusto); e. na terceira, a de Tibério César, filho de Augusto, devendo a cidade fornecer as imagens ao magistrado. E quo cie ponho, além disso, uma mesa no meio do teatro e um incensador e que. antes da chegada dos artistas, os membros do Conselho e os colégios de magistrados, em seu conjunto, queimem incenso pela salvação dos príncipes (..).
i'iM.'H.Vj ijrpi^i ik' '4 -15 d Ç nc. eutdâ «/» P$Ut op. çtt.. p. 125.
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gos, não seria necessário que houvesse alguém para substituir vos e para

O ESTOICISMO
conseguiras se realizares cada ação como se fosse a última de tua vida L.J.

AS RELIG
santo e quase nenhuma é estranha à outra, pois elas foram ordenadas conjuntamente e. juntas, contribuem para a ordenação do próprio mundo. Com efeito, não há senão um único mundo que abarca tudo. um único Deus difundido por todos os lugares, uma única substância, uma úrnca lei. uma única razão comum a todos os seres inteligentes; da mesma forma, só existe uma verdade

epois, retirou-se para a Gr?cia, estabelecendo se em Nicopolis. Ele pensamentosaleijado em conseq??ncia de torturas sofridas qu tinha ficado mas viajouJá que a maioria de vós sois ce- sa todos particular interesse pelosTu o murto Moralista e fil?sofo, ele demonstrava os outros proble?mas religiosos; Plutarco pertencia ao co

O credo de um estóico

A qualquer momento, reflete com gravidade, como romano e como homem, em fazer o que tens à mão. com uma estrita e simples dignidade, com amor, independência e justiça, e dispencantar de modo completo, em o decorrer de uma guerra contra os b?r?baros nome de todos, o hino de louvor o Deus? E que podena eu fazer de diferente, eu. velho

Todas as coisas estão entrelaçadas umas ás outras; seu encadeamento é aleijado, senão louvar a Deus? Se eu fosse um rouxinol, realizaria a obra do rouxinol; se fosse um cisne, a do cisne. Mas sou um ser racional e devo louvar a Deus: essa é a minha obra. Eu a realizo e não abandonarei meu posto, por tanto Apesar do car?ter elevado de seu pensamento, Mateo Aur?lio n?o nutre nenhuma tempo quanto me seja permitido, e vos L.J. exorto a fazer o mesmo.
Epctelo. Enlret*n6. I. 16. 19-21. Trad. BeOes latires. Marco AuróHo. Pens*«fi pour mâi-mémit. //. 5 e

IT

9 trad Gãrn*r.FlAmm*nori

A alma. no momento da morte, experimenta a mesma impressão que aqueles que são iniciados nos grandes mistérios ( . J Trata-se. inicialmente, das corridas ao acaso, de penosos desvios, das caminhadas inquietantes e infindáveis em meio às trevas- Depois, antes do fim. o medo está no auge; o

arrepio, o tremor, o suor fno, o pavor. Mas. em seguida, uma luz maravilhosa aparece e a pessoa entra em lugares puros e em campinas onde ressoam as vozes e as danças; as palavras sagradas e as aparições divinas inspiram um res peito religioso A partir de então, o ho mem perfeito c iniciado, tomado livre e passeando sem restrições, celebra os mistérios, uma coroa sobre a cabeça. Ele

vrve com os homens puros e santos. Ele vê. na terra, a multidão daqueles que não são iniciados nem purificados afundar e ser esmagada no lamaçal e nas trevas, e, por temor da morte, se apegar aos males, desconfiando da felicidade do além.
Pkilarco (46-J27) Tratado da .lima, citado cm E des Pbces. La RcUjon yecque Paris. 1969. pp

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difícil para eles, os escravos, os pobres, as mulheres e as crianças são particularmente sensíveis a essa mensagem. Isso nào impede que o cristianismo contrarie alguns comportamentos da época. Ele recusa uma religião reservada a urr, pequeno número de iniciados. As exigências morais do Evangelho se opõem ao desprezo pela vida, ao laxismo sexual, ao gosto do luxo e do dinheiro, que freqüentemente caracterizam a sociedade imperial. A mensagem cristã rejeita o relativismo religioso. Ele não deseja ser incluído entre os outros cultos e nào aceita a divinização do Estado. Temos aí a explicação de uma luta de vários séculos do Império contra os cristãos, mas também a explicação da atração cada vez maior que o Evangelho passa a exercer sobre os habitantes desse mesmo Império.

Algumas Io il urus passível*: Além das obras gerais indicadas mais acima, podem-sc consultar:
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E. CHARPENTIER, Para 1er o Novo Testamento, Edições Loyola, .São Paulo, 1992. Os Cahiers Evangile, que fazem uma introdução à leitura dos livros do Novo Testamento c ao conhecimento do meio histórico do século I. Tratase, de modo particular, dos seguintes números: 21: Une lecture des Actes des Apôtres; 26: Saint Paul en son temps; 27: La Palestine au temps de Jésus; Suplemento 36: Flavius Josephe (para o conhecimento da destruição de Jerusalém); Suplemento 42: Rome face à Jerusalém. J. CARCOPINO. La vie quotidienne à l'apogée de. l'Empire, Hachette (ed. de bolso). A. HA M MAN, Im vie quotidienne des premiers chréti-

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ens. Hachette, várias edições a partir de 1971.

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AS OBJEÇÕES DE UM SÁBIO
Por volta de 1 70, um pagão instruído. Cetso. que fez uma pesquisa bastante profunda sobre o cristianismo, procede a um ataque em regra da doutrina e do comportamento dos cnstãos numa obra em grego. Palavras de Verdade. As afrontas de Celso teriam ressonância nos dias de hoje?
infinidade de defeitos Uma mudança desse tipo não poderia convir a Deus.

Se se recusam a realizar os sacrifícios habituais e a prestar homenagem àqueles que governam Há uma raça nova de homens re-cem*surgidos, sem pátria nem tradtções. este lugar, os cristãos devem unidos contra toda as instituições religiosas e civis, perseguidos pela bem e renunciar a se deixar alforriar, a se s outrora n?o cuidara 1...1? Deus ? bom. belo. bem-aventurado, ele ? o sobe?ranojustiça, a beleza pedeita. Se vem ao mundo, sofrer? ne universalmente acusados de infâmia, mas que se vangloriam da execração casar, a ter filhos: a cumprir as geral: são os cristãos Í..J. funções da vida. Não lhes resta senão retirar-se para bem longe daqui, sem Eis suas máximas: "Afaste se de nós deixar o menor vestígio, para que a todo homem que possui alguma cultura, terra seja purgada dessa corja Mas. se alguma sabedoria ou algum juízo; essas desejam casar-se. ter filhos, são. a nosso ver. más recomendações: atimentar-se com os frutos da terra, mas aquele que for ignorante, limitado, participar das alegrias e das desventuinculto e simples de espínto deve vir a ras da vida. é necessário que prestem nós sem medo!' Reconhecendo que àqueles que estão encarregados de esses homens são dignos de seu deus. tudo administrar as honras que lhes eles mostram realmente que não são devidas i..J. desejam nem sabem convencer senão os néscios, as almas torpes e imbecis, os escravos, pobres, mulheres e crianças L..J. Que um Deus tenha descido à terra para justificar os homens, não há necessidade de um longo discurso para refutá-lo. Com que desígnio teria Deus descido a este lugar? Teria sido com o objetivo de aprender o que se passa entre os homens? Mas ele não sabe tudo? Ou será que, conhecendo todas as coisas, seu poder drvmo éatal ponto limitado que ele não pode corrigir nada sem enviar expressamente um mandatário ao mundo Í...J? Terá sido por nossa salvação que Deus quis se revelar a nós. a fim de salvar aqueles que. tendo-o reconhecido, serão considerados virtuosos, e de punir aqueles que. tendo-o rejeitado, ma

Se todos agissem como vós, o
im-perador
ficaria sozinho e abandonado 0 universo se tomaria então presa dos bárbaros mais grosseiros e mais ferozes Breve não haveria mais nenhum vestígio de vossa bela religião e o mesmo ocorrena com a glória da verdadeira sabedoria existente entre os homens 1.1 Apoiai o imperador com todas as vossas forças, dividi com ele a defesa do direito, combatei por ele se as circunstâncias o exigirem; ajudai-o no comando de seus exércitos Para isso. deixai de vos esquivar dos deveres civis e do serviço militar; assumi vossa parte nas funções públicas, se preciso for. para a salvação das leis e pela causa da piedade.

Ceko. La Parote de Vente t numa obra de Orígei*c*. do séctAo Hl — Contra Coiso — que sJo conservados numerosos extratos do escrito de Celso, trad Sourcea chrél«nnes

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to 6 A carta de Clemente termina por uma longa "ora??o universal" pelos crist?os e por todos os homens. Não há nada de secreto entre nós e parece ter sido composto em Alexandria, por volta do ano 200. O de Tertuliano. vibrante apologia do cristianismo para seu destin autor faz uma Vocês lançam contra nos a acusação de que nos escondemos como Podemos descrever-lhes todas as nossas ratos. Ora, nós estamos em toda parte. Temos as mescelebrações, proclamam eles. Tal coisa nos mas atividades que vocês, a mesma alimentação e as proporcionou o conhecimento dos principais ritos mesmas vestimentas. Recusamo-nos apenas a frequencristãos do século II, através da obra de Justino, bem tar os templos e os espetáculos do anfiteatro. como do funcionamento de urna comunidade, através

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Os cristãos não se distinguem dos outros homens nem pelo pais. nem pela linguagem, nem peh vestuário, tles não habitam cidades que lhes sejam específicas, não fazem uso de um dialeto extraordinário c seu modo de vrda nada tem de singular (..,]. Eles se distribuem pelas cidades gregas e bárbaras, aceitando a parte que lhes cabe; amoldam--se aos usos locais no que se refere ás vestes, à alimentação e à maneira de viver, embora manifestem as leis extraordinárias e verdadeiramente paradoxais de sua república espiritual. Cada um deles reside em sua própria pátria, mas como estrangeiro domiciliado. Eles cumprem todos os

OS CRISTÃOS NO MUNDO
seus deveres de cidadãos e aceitam todos os encargos como estrangeiros. Toda terra estrangeira é sua pátria e toda pátria, uma terra estrangeira. Eles se casam como todo mundo, têm filhos, mas não abando nam seus recémnascidos. Partilham todos a mesma mesa. mas não o mesmo leito Eles estão na carne, mas não vivem segundo a came. Passam sua vida na terra, mas são cidadãos do céu. Obedecem às leis estabelecidas e sua maneira de viver supera, em perfeição, essas leis. Eles amam todos os homens e todos os perseguem São desprezados e condenados: são mortos e. com isso. ganham a vida. Eles são pobres e enriquecem um grande número de pessoas. Falta-lhes tudo. mas tôm todas as coisas em abundância. São menosprezados e. nesse menosprezo, encontram sua glória. São caluniados e se justificam. São insultados e bendizem [...]. Numa palavra, o que a alma é no interior do corpo, os cristãos o são no mundo. A alma se difunde por todos os membros do corpo, como os cristãos nas cidades do mundo. A alma habita o corpo e. no entanto, não é do corpo, como os cristãos habitam o mundo, mas não são do mundo í.,1 A alma se torna melhor ao se mortificar pela fome e pela sede: perseguidos, os cristãos dia--adia se multiplicam sempre maís Tão nobre é o posto que Deus lhes concedeu que não lhes é permitido desertar.

A MAIS ANTIGA ORAÇÃO CRISTÃ PELAS AUTORIDADES
Dá-nos. ó Mestre, a concórdia e a paz. a nós e a todos os habitantes da terra, como as deste a nossos pais. quando invocavam teu nome na fé e na verdade. E. para isso. torna-nos submissos a teu nome todo-poderoso e santíssimo, assim como àqueles que nos governam e nos dirigem na terra. Foste tu. Senhor, que lhes deste o poder de exercer a sua autoridade, por tua força magnifica e inefável, a fim de que. sabendo que foi de ti que receberam a glória e a honra em que o vemos, lhes sejamos submissos e nada façamos que contra-ne a tua vontade. Dà-nos a saúde, a paz, a concórdia, a estabilidade e que eles exerçam sem obstáculos a soberania que tu lhes deste.
Q/xr**>ie <1c Roma. Carta aos Corvtlio* 60€1. canoa em Les Écrits dos Péres apoGtofcjues p 108

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São vocês que têm costumes deploráveis
A sociedade romana pratica o infanticídio e o aborto, coisas que os cristãos proíbem a si mesmos. Sâo ainda vocês que exaltam a sexualidade, que narram as proezas amorosas dos deuses, que toleram o intercâmbio de mulheres... Por sua vez, Tertuliano cai num exagero que não poderia absolutamente granjear-lhe a simpatia dos notáveis romanos.

75 imperador como divino, mas lhe obedecemos e rezamos por ele. Somos os primeiros a pagar o imposto.

A presença dos cristãos na administração e no exército
Tertuliano, em sua Apologética, afirma que existem cristãos em todas as partes, inclusive no exército. Cerca de dez anos mais tarde, em seu tratado Sobre a coroa dos militares, ele considera que um cristão não pode ser soldado. E possível explicar esse ponto de vista pela passagem de Tertuliano pela seita dos montanistas, alguns exaltados que pregam uma separação radical do mundo, cujo fim está próximo. Mas existem também outros textos do mesmo período que são profundamente reticentes quanto à presença dos cristãos no exército e nas funções públicas. Provam--no algumas exigências relativas aos candidatos ao batismo. A maneira reticente da Tradição apostólica se explica por duas razões. As atividades de magistrado e de soldado podem estar em contradição com o Evangelho porque tanto um como o outro serão, mais cedo ou mais tarde, obrigados a participar das cerimônias religiosas idolátricas e a cometer violências: o magistrado pronuncia condenações à morte e o soldado mata durante os combates. Da mesma maneira, é exigido daquele que tem o poder do gládio que renuncie à sua função. Para o soldado, a situação é mais complexa. Pode-se pedir a um cristão que não se engaje no exército, já que este último é composto apenas de voluntários. Mas aquele que já se engajou, geralmente por volta dos 20 anos, não pode abandonar o exército. E eis que a disciplina eclesiástica gostaria que ele se recusasse, a partir de então, a matar e a prestar juramento, uma vez que este último ato é assimilado ã idolatria. Era uma situação fácil? Como o serviço militar não é obrigatório, os cristãos podem escapar de seu cumprimento sem merecer censura. Enquanto são pouco numerosos, tal coisa não

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O cristianismo é uma doutrina e m conformidade com a razão
Ao vincularem a doutrina cristã ao Antigo Testamento, os apologistas crêem demonstrar a anterioridade do cristianismo em relação à filosofia grega. Moisés viveu antes dos pensadores gregos, que não fizeram mais que plagiá-lo. Diálogo de surdos! Celso afirmava que Moisés havia plagiado os egípcios. Ocorre algumas vezes aos apologistas de defenderem o cristianismo atacando a religião pagã sem muita psicologia. Os deuses pagãos sâo demônios imorais. '"Somos os ateus dos pretensos deuses de vocês", afirma Justino.

Os cristãos são bons cidadãos
— Ap 17 IH

Nos primeiros séculos, o Estado se apresenta para os cristãos como uma realidade ambígua. A corrente do Apocalipse de João e de seus comentadores vé no Estado romano Babilônia ou a Besta, porque esse Estado é idólatra e persegue a Igreja. Ele estará fadado à destruição como o ídolo de pés de barro. E igualmente verdade que alguns cristãos, à espera de um retorno iminente de Cristo ía parusia». se desinteressaram dos assuntos do mundo. Contudo, seguindo Rm 13,1-7 e lPd 2,13, os apologistas nüo cessam de proclamar a sua lealdade. Não consideramos o

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ue a coroa no decorrer das cerim?nias religiosas. Tertuliano conclui ser imposs?vel para o crist?o permanecer no ex?rcito. em o converteu Sua obra, a mais importante da literatura crist? M i pois da de Agostinho, ? extremamente pol?mica. Para defender cie

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TERTULIANO DESCREVE A COMUNIDADE CRISTÃ PARA OS MAGISTRADOS
condição presente do século, pela paz no mundo, pelo adiamento do fim. [...] Mas é sobretudo essa prática da caridade que. aos olhos de muitos, imprime em nós uma marca aviltante. 'Vede. dizem, como eles se amam uns aos outros '. pois eles se detestam uns aos outros; "vede. dizem, como eles estão prontos a morrer uns pelos outros pcts eles estão antes prestes a se matar uns aos outros. Quanto ao nome "irmãos", pelo qual somos designados, não os faz desarrazoar, creio eu, senão porque, entre eles, todos os nomes de parentesco só são dados em função de uma afeição simulada. Ora. somos realmente vossos irmãos, pelo direito da natureza, nossa mãe comum, è verdade que não sois absolutamente homens, já que sois meus irmãos. Mas com muito mais razão se denominam irmãos e se consideram como irmãos aqueles que reconhecem como pai um mesmo Deus. que se embeberam no mesmo espinto de santidade e que. saídos do mesmo s&o da ignorância, viram bolhar, maravilhados, a mesma luz da verdade! (...) Vivemos convosco, temos o mesmo alimento, as mesmas vestes, o mesmo tipo de vida que vós. estamos submetidos às mesmas necessidades da existência. Não somos brâmanes ou faquires da índia, habitantes das florestas ou exilados da vtda i..J. Freqüentamos vosso fórum, vosso mercado, vossos banhos, vossas oficinas, vossas lojas, vossos hospedarias, vossas feiras e os demais locais de comércio: nós habitamos este mundo como vós. Convosco navegamos, convosco servimos como soldados, trabalhamos a terra, comerciamos 1 . 1

Nossa existência è recente e já ocupamos a terra e tudo o que vos pertence: as cidades, as ilhas, os postos fortificados, os municípios, as aldeias, os própnos campos, as decúnas. o palácio, o senado, o fórum; não vos deixamos senão os templos! [..,] Ê chegado o momento de eu próprio expor as ocupações da "facção cnstâ". a fim de que. após ter provado que elas não sâo más. eu vos prove que são boas. mesmo que. desse modo. eu vos revele a verdade Nós somos um 'corpo' pelo sentimento de uma mesma crença, peta unidade da disciplina, pelo vínculo de uma mesmo esperança. Formamos uma liga e uma congregação para cercar Deus com nossas orações, como um batalhão de fileiras cerradas. Essa violência agrada a Deus. Nós oramos também pelos imperadores, pelos ministros e pehs poderes, pela

Tertubano. Apologética, c&p 37. 39 e 42. escnto por voUâ do ano 200. tmd Bettors Lettms

UM CRISTÃO NAO PODE SER SOLDADO
[...) Será permitido ao cnstão viver com a espada na mão, quando o Senhor afirmou que aquele que fizer uso da espada perecerá pela espada? Irá eh ao combate, o filho da paz para quem a própria disputa não é permitida? Inflmgirâ a outrem os grilhões, a prisão, a tortura ou os suplícios, ele que não deve vingar suas própnas injúrias I...J? Valerá diante dos templos aos quais renunciou? Ceará nos locais proibidos pelo apóstolo? Aqueles que desbaratou de dia por seus exorcismos, defendê-los-á é noite, apoíando-se na lança com a qual foi perfurado o lodo de Jesus? Carregará ele o estandarte inimigo de Cnsto?
Ttfi-LLUHO. A coroa dos matares CV 210).

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No tempo de Trajano ( 9 8 - 1 1 7 )
Uma carta de Plínio, o Moço, governador de Bití-nia (norte da Asia Menor), ao imperador Trajano nos informa sobre a perseguição e a execução de cristãos em sua província. O governador nutre pouca estima pelos cristãos, mas a sua busca não o levou a descobrir nada de realmente grave. Que fazer então? Con-denálo9 simplesmente porque têm o nome de cristãos ou quando ficar provado que são criminosos? A resposta de Trajano é desconcertante: MNào se pode instituir

uma regra geral que tenha, por assim dizer, uma forma fixa". Não se deve nem procurar os cristãos nem aceitar as denúncias anônimas. Contudo, é necessário condenar aqueles que persistem em dizer--se cristãos... Além de informar-nos acerca das incertezas de um governador, a carta de Plínio nos dá valiosos indícios sobre a vida de uma comunidade cristã muito antiga. Há um outro mártir bastante célebre que a tradição data do tempo de Trajano: Inácio, bispo de Antioquia. Conservamos as cartas que ele escreveu quando de sua transferência para Roma, mas ignoramos as verdadeiras circunstâncias de seu martírio.

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Os mártires de Lião ( 1 7 7 )
A todas as perguntas Sanctus respofKJia em latim: "Sou cnstâo": essa afirmação substituía, para ele. nome. cidade, raça e tudo o mais; e os pagãos não ouviram dele nenhuma outra palavra L..L Para terminar, eles lhe aplicaram lâminas de ferro incandescentes nas partes mais delicadas do corpo. Elas o consumiam, mas Sanctus permanecia inflexível e inabalável, firme em confessar sua fé, recebendo da fonte celeste, como um orvalho revitahzador. a água viva que brota dos flancos de Cristo. Seu pobre corpo testemunhava O que havia ocorrido não era mais que pisaduras e fendas; encarquilhado sobre si mesmo, ele deixara de ter uma aparência humana Mas. nele. Cristo sofria e realizava uma obra grande e gloriosa: ele tornava impotente o adversário e mostrava aos outros, a titulo de exemplo, que nada é temível ai onde se encontra o amor do Pai. nada é doloroso aí onde está a glória de Cnsto L..L

O bem-aventurado Potino. a quem fora confiado o ministério do episcopado em Lião. tinha então mais de noventa anos. Ele demonstrava uma fraqueza física extrema, respirando com dificuldade, mas. sob a influência do Espírito e em seu desejo ardente pelo martírio, recuperava suas forças. Ê arrastado, também ele. ao tribunal; seu corpo velho e doente o abandonava, mas. nele. velava sua alma. para que. por ele, Cnsto fosse glorificado. Levado pelos soldados ao tribunal, ele estava escoltado pelos magistrados da cidade e por todo o povo. que lançava contra ele todos os tipos de vociferaçôes. como se se dirigisse ao própno Cristo, ele prestou um beto testemunho. Interrogado pelo legado acerca do deus dos cristãos, repon-deu: "Tu o conhecerás se fores digno dele' LÀ Blandina, suspensa num poste, esta va exposta para servir de pastagem aos animais que foram soltos sobre ela. Ao vê-la suspensa nessa espécie de cruz. ao ouvi-la rezar em voz alta. os combatentes sentiam aumentar sua coragem, no meio de seu combate, eles viam. com seus olhos corporais, através de sua irmã. aquele

que for crucificado por eles. a fim de mostrar a seus fiéis que todos aqueles que sofrem para gionficar Cristo conservam sempre a união com o Deus vrvo Í..J. A bem-aventurada Blandina, n última de todos, como uma nobre mãe que. após ter encorajado seus filhos, fê-los caminhar vitoriosos para o r&. sofria, por seu turno, o ngor de todos os combates travados por seus filhos. Agora ela se apressava em reunir-se a eles, feliz e radiante de alegria por causa dessa partida, como se tivesse skfo convidada para um banquete, e não lançada às feras Após o chicote, as feras, a grelha, as pessoas acabaram porjogà-la numa rede e por expô-la. dessa maneira, a um touro. Muitas vezes projetada no ar por esse animal, ela nem mesmo chegava a perceber o que estava acontecendo consigo, absorvida que estava na esperança e na expectativa de sua fé. bem como em sua conversa com Cristo. Também ela é decapitada e os próprios pagãos reconheceram que nunca, entre eles. uma mulher havia suportado tantos e tão graves tormentos 1...1
C-*rta Oos cnstAos de UAo
O

de

Vrena.

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conservada por Eusétxo de Cesarèut. Hrstóna

Edesiásiea, V. i. trod C Mo-xtesert.

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na, elimina todos os seus concorrentes do Ocidente. Na ponte Milvío, situada sobre o Tibre, a sua vitoria sobre Maxêncio, em 312. encerra a guerra civil. Em seguida, dois autores cristãos, Lactáncio e Eusébio, explicaram essa vitória através de uma intervenção miraculosa. Constantino teria visto no céu uma cruz luminosa que trazia as seguintes palavras: "Por este sinal vencerás". Convertido, ele teria mandado inscrever sobre o labetrum «estandarte imperiali o monograma de Cristo, assegurando assim o próprio êxito.

pério, seja qual for a religião a que pertençam. As edificações confiscadas aos cristãos devem ser devolvidas a eles. Aparentemente, todas as religiões do Império se encontram em pé de igualdade. Contudo, de maneira bastante rápida, o equilíbrio será rompi do, desta vez em favor do cristianismo. Em 313, tem inicio uma nova era para a Igreja e para o Império. Falar-se-á, a partir de então, de "Igreja constantinia-na" e de "Império cristão".

O número de mártires A paz geral para a Igreja ( 3 1 3 )
Há vários anos, a perseguição cessara no Ocidente. No Oriente, Galério, prestes a morrer de uma horrível doença, assinara, em 311, um édito de tolerância para os cristãos que seu sucessor não pusera em prática. Licínio, o novo senhor do Oriente, impõe, por sua vez, a paz religiosa. Em 313, os dois imperadores, Constantino e Licínio, se unem em favor de uma política religiosa comum numa carta ao governador da Bitínia: trata-se daquilo que tradicionalmente se denomina o "édito de Milão". A carta reconhece integral liberdade de culto a todos os cidadãos do ImQuantos foram os mártires? Falava-se antigamente de centenas de milhares e até mesmo de milhões de vitimas. Esses números são extremamente exagerados. Não é possível estabelecer uma comparação entre as perseguições e os genocídios modernos. Em sentido inverso, os historiadores modernos só podem basear-se nos mártires dos quais se conservaram o nome e o relato de execução. Desse modo. o número se reduz consideravelmente: menos de três mil para a última perseguição. Sem dúvida, a verdade se situa entre os dois extremos, caso se leve em consideração a terrível lembrança deixada pela perseguição de Diocleciano.

®

CARTA AO GOVERNADOR DE BITÍNIA, TRADICIONALMENTE DENOMINADA ÉDITO DE MILÃO, 313
propicio o nós mesmos e a todos aque! es que se encontram sob a nosso autoridade Eis por que acreditamos, num desígnio salutar e muito digno, dever tomar a decisão dc não recusar essa possibilidade a quem quer que sejn. tenha esse individuo vinculado sua alma à religião dos cristãos ou à que considerar melhor convir-lhe. n fim de que a divindade suprema, a quem prestamos uma homenagem espontânea, possa testemunhar-nos. em todas as coisas, o seu favor e a sua benevolência costumeiros. Convém, portanto, que Vossa Excelência saiba que decidimos, sup-imindo com pletamente as restrições contidas nos escritos cnv;ados anteriormente a vós. referentes aos cristãos. abol:r as estipulações que nos parecem totalmente m felizes e estranhas à nossa mansuetude, bem como pemvtir doravante a todos os que têm a determinação de observar a religião dos cnstàos que o façam de modo livre o completo, sem serem aborrecidos nem molestados 1 . 1
T.'3.o>jrr.</KV UKIWCO t*nt Z>V Li "orT .1<:s pc*-v* JIK,!* ifoi "vfp da ;«»**pgw«\vEM! 4!

Eu. Constantino Augusto, assim como eu, Licínio Augusto, venturosamente reunidos em Milão, para discutir todos os problemas relativos à segurança e ao bem público, acreditamos dever regulamentar, em primeiro lugar, entre outras disposições de natureza a assegurar, segundo nós. o bem da maio na. aquelas sobre as quais repousa o respeito pela divindade, ou seja. dar aos cnstãos. como a todos, a liberdade e a possibilidade de seguir a religião de sua escolha, a fim de que tudo o que existe de divino na morada celeste possa ser benevolente e

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unidade t?val Ele morreu martirizado em 235 O BATISMO NO SÉCULO i l l Deixou-nos escritos conira as heresias, coment?rios das Escrituras e a Tradi??o Apost?lico,
Ao romper da aurora orar ■ se-â em primeiro lugar sobre a água l...h Os candidatos se despirão e serão batizadas inicialmente as crianças. Todas aquelas que puderem falar por si mes mas falarão. Quanto àquelas que não o puderem, seus pais falarão por elas. ou alguém de sua família. Bahzar ■ se êo em seguida os homens e. por último, as mulheres, depois de terem estas desatado os cabelos e de terem retirado as jóias de ouro que as estiverem enfeitando. Que ninguém conserve consigo nenhum objeto estranho no momento de descer à água. No momento fixado para o batis mo. o bispo renderá graças sobre o óleo, que colocará num vaso: dá-se a ele o nome de óleo de ação de graças Ele tomará também um outro óleo. que exorcizará. Um diácono pega o óleo de exorcismo e se põe à esquerda do sa cerdote. enquanto outro diácono pega o óleo de ação de graças e se põe à direita do sacerdote Este últ<mo tocando cada um daqueles que recebem o batismo, lhes ordenará que renunciem, ao dizerem. "Eu renuncio a ti, Satanás, e a toda a tua pompa e a todas as tuas obras'. Depois de cada um ter renunciado, o sacerdote o unge com o óleo. dizendo: "Que todo espírito mau se afãs te de ti" Dessa maneira, ele o confiará, nu. ao bispo ou ao sacerdote que se encontra perto da água para batizar. Um diácono descerá com ele desta maneira. Quando aquele que é batizado tiver descido na água, aquele que batiza lhe dirá. impondo-lhe a mão: "Crês em Deus. o Pai todo poderoso7' Eaquele que é batizado, por sua vez, dirá 'Creio". E. imediatamente, aquele que batiza, mantendo a mão em sua cabeça, o batizará ímergulharàl uma vez. E. em seguida, ele dirá- "Crês em Jesus Cnsto. Filho de Deus. que nasceu pelo Espírito Santo da Virgem Mano. foi Crucificado sob Pôncio Pilatos, morreu, ressuscitou no terceiro dia. revivendo dos mortos, subiu aos céus c está sentado à direita do Pai que virá julgar os vivos e os mortos7" E, quando ele tiver dito. "Creio". será batizado (mergulhado! uma segunda vez Novamente aquele que batiza dirá: "Crês no Espirito Santo e na Santa Igreja?" Aquele que è batizado dirá: "Creio" e. desse modo. será batizado uma terceira Jesus Cristo'. E, ot-r-im. depois que cada um tiver se enxugado, voltará a vestir se e. em seguida todos entrarão na igreja. O bispo, impondo-lhes a mão. pronunciará a invocação: "Senhor Deus. que os tomaste dignos de obter a remissão dos pecados peio banho da regeneração, torna-os dignos de abrigarem o Espírito Santo e manda sobre eles a tua graça, a fim de que eles te sirvam segundo a tua vontade: pois contigo está a glóne. Pai, Filho e Espírito Santo, nu Santa Igreja, agora c por todos os séculos dos séculos. Amém". Em seguida, espalhando óleo de ação de graças na mão e colocando-a sobre a cabeça do batizado, ele dirá: "Eu te unjo com óleo santo em Deus, o Pai todopoderoso, em Cnsto Jesus e no Espírito Santo E. após tê-lo marcado na testa, ele lhe dará o beijo c dirá "O Sonhor esteja contigo". E aquele que foi marcado dirá: "E com o teu espirito". O bispo agirá dessa maneira em relação a cada um dos batizados E. cm seguida, eles passarão o orar conjuntamente com todo o povo Í...I
Hpóteo da Roma.

vez.
Em seguida, quando tiver subido no vãmente, ele será ungido pelo sacerdote com o óleo de ação de graças: essa unção será acompanhada das seguintes palavras "Eu te unjo com o óleo santo em nome de

A Tradição Aposta***, írarf S-

x^es C'ú1ien'.GS pp 81 91

Numa Igreja que não é centralizada como nos dias de hoje, a preparação e os ritos variaram no tempo e no espaçoConhecemos bem os ritos praticados cm Roma (ae) a partir do século III graças ò Tradição Apostólica de Hipólito. Nessa época, a preparação, o catecumenato,

pode durar três anos. O candidato ao batismo deve ser apresentado pelos cristãos que se responsabilizam pela seriedade de seu procedimento (padrinhos e madrinhasi. Ele deve renunciar a certos ofícios ligados à idolatria ou a comportamentos imorais.

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O CRISTÃO NÃO DEVERIA VOLTAR A PECAR
Remeter-seá à apresentação do texto 1 Hermas dialoga com o anjo da penitência, ou seja. o Pastor

Hermas — Ouvi dizer, através de
alguns doutores, que não existe outra penitência senão a que fizemos no dia em que descemos na água do batismo e no qual recebemos o perdão de nossos pecados anteriores. Ele me diz

O Pastor — Está certo o que ou-

viste; é realmente assim Aquele que obteve a remissão dos pecados no PENOSA PROVA??O batismo não deveria voltar a pecar, mas viver na pureza (,,.). Contudo, o Senhor, que conhece os corações e que sabe tudo de antemão, previu a fraque za dos >"W *>tT, O f.ríínr ' ' rir..»!*-, iv» V;»jr m ! li* homens ados graves, umae a grande malícia do vez na vida Pouco tempo depois, '■,f/Ljr i/t 1.1 (.i>rirí-f!-f umaF>; -,<- e passa a considerar que alguns pecados, como o a ele entra para ((.ms l seita ,trn,'&\ ■ • demónio !...]. Em sua grande misericór- Cerf. 1966. pv 65 tô dia, o Senhor teve piedade de sua criaEssa segunda e única penitência, à medida que ó escura, que abandone sua alma à dor. que corrija suas faltas limitada, deve constituir uma provação penosa. Ela não passadas através de tratamentos severos (...). O penitente consiste somente em disposições inténores. mas deve normalmente reforça suas orações com jejuns, lamenta se. traduzir se numa ação. Essa ação (...) é o reconhecimento chora, grita noite e dia para o Senhor, seu Deus humitha-se através do qual confessamos nosso pecado a Deus I...J. Ê a diante dos sacerdotes, ajoelha se perante os servos de disciplina que impõe ao pecador prostrar-se e humilhar se; é Deus. recomenda a todos os seus irmãos que se juntem ás ela também que lhe prescreve um modo de vida tal que atraia suas súplicas para ele o perdôo-No que diz respeito ao vestuário e á alimentação, essa disciplina exige que o pecador se deite Teriiitw-. T'iitiKhi ~<:n tiím:..i nforfo r:n num saco e sobre cinzas, que envergue farrapos de cor op. ca., cp. 77-78

tura e instituiu essa penitência e atribuiu a num poder sotire tal penitência. Portanto, eu te ahmio. diz ele. se após esse chamado importante e solene, alguém, tentado pelo demónio cai em pecado, pode fazer penitência uma vez. Mas. se peca novamente e se arrepende, a penitência de nada serve a esse pecador: ele tero dificuldades para viver

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Como todos os seus contemporâneos, os cristãos veneram os seus mortos. Entre estes últimos, os mártires têm um lugar privilegiado. Sobre o »eu tumulo, celebra-se o aniversário de sua morte, considerada como o seu nascimento. Os cristãos foram inicialmente sepultados junto com os outros defuntos. A partir do século III, adquirem seus próprios cemitérios, como outros grupos corporativos. Em Roma. trata-se das catacumbas.

Arte cristã
Esses cemitérios darão origem a -.ima arte crista: representações de cenas evangélicas e bíblicas; símbolos cristãos como a âncora e o peixe (as letras da palavra grega Lchjhus, peixe, correspondem as iniciais de Jesus Cristo. Filho de Deus, Salvador: íesous CViristos Meou Í Í Í O S soter). As inscriçôe? funerárias cristas mais antigas datam do final do século II e do início do século (gj III — por exemplo, a inscrição de Abércio.

II — A IMPLANTAÇÃO DOS MINISTÉRIOS
Os ministérios precisaram de vários séculos para se fixarem. A evolução frequentemente é obscura. Os termo> utilizados variam bastante e um mesmo termo nem sempre possui a mesma significação segundo os lugares e as época- De qualquer maneira, não s»-encontra no Novo Testamento toda a organização da nossa Igreja de hoje. comunidades judaicas. Elas se fazem encabeçar por um colégio de anciãos ou presbíteros ido grego prc>'h\u-roft. mais velhos • Em Jerusalém, Tiago esta a frente do colégio cie anciào* Os Doze fundam um certo número de comunidades desse tipo. A partir de Antioquia tem origem uma Igreja missionária que apresenta dupla organização:

1 . A COMUNIDADE PALESTINA
A comunidade primitiva tem uma dupla organização. O grupo dos Doze, que remonta à vida terrestre de Jesus (Mc 3, 16-19) e que é completado depois da morte de Judas (At 1, 15-16), dirige a comunidade de língua hebraica laramaica-. O grupo dos Sete. encabeçado por Estevão (At 6, 1-6), dirige a comunidade originaria dos meio* judeu* helenizados, de língua grega.

os missionários itinerantes (evocados em lCor 12, 28) exercem um ministério carismático que provavelmente toma toda a sua vida. Trata-se dos apóstolos que nào pertencem necessariamente ao grupo dos Doze (por exemplo, Paulo e Barnabé). Responsáveis pela evangelização, eles se deslocam de modo constante. Trata-se, em seguida, dos profetas que comentam a palavra de Deus nas assembléias e, por último, dosí/ohtorss. espécie de rabinos cristãos, especialistas nas Escrituras; no decorrer de suas peregrinações, os missionários fundam comunidades locais e designam responsáveis para dirigi-las: trata-se dos epfscopos (vigilantes) e dos diáconos (ministros ou servos) (Fl 1,1). O autor da epístola a Tito dá igualmente aos epíscopos o título de presbíteros (Tt; lTm 3,1-13). Eles pregam, batizam e presidem à Eucaristia. Todos os ministros sao instituídopela imposição das mân*. acompanha-

2. A PARTIDA EM MISSÃO
A perseguição que sucede ao martírio de Estêvão provoca a dispersão dos helenistas, que se tomam missionários. A partir de então surgem algumas organizações diferentes, secundo a origem das comunidades. A comunidade de Jerusalém e algumas outras, nascidas do judaísmo, se estruturam com base no modelo das ra

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pelo problema du mal reinterpretam radicalmente o Antigo e o Novo Testamento. Eles rejeitam a Encarnação e recorrem a um conhecimento (gnose) transmitido de modo misterioso para pequenos grupos. Esse conhecimento traz a salvação. Essas gnoses associam elementos vindos do cristianismo, do judaísmo, do helenismo e até mesmo das religiões iranianas. Os autores cristãos consideraram-nas como heresias cristãs, mas alguns historiadores se perguntam se não se estaria lidando com religiões estrangeiras que incorporaram alguns elementos cristãos. Marcião, de quem nos fala Irineu, elimina da Bíblia tudo o que evoca o Deus criador e a Encarnação.

pois :i matéria e corpo são maus Outros autores se dedicam a especulações complicadas. Afanes (216-277), originário da Mesopotâmia, professa uni dualismo absoluto que associa doutrinas iranianas e cristianismo. A história do mundo é um gigantesco combate entre o deus do Bem ou da Luz e o deus do Mal ou das Trevas. Os homens são parcelas de luz encerradas dentro da matéria má. Essas parcelas de luz devem reincorporar o remo do Bem após numerosas purificações ou reencarnações. Jesus indica o caminho. Manes é o seu apóstolo, o novo Paráclito.

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O EVANGELHO ANUNCIADO A TODAS AS CATEGORIAS SOCIAIS
duvidar de que tal coisa supera as forças do homem, pois Jesus ensinou com toda a autoridade e com toda a persuasão necessárias para que a palavra se impusesse. Não podemos

No que se refere a Origenes, remeter-se-á ao cap. 3. Orígenes, onginâno de Alexandria, viajou muito pelo Império e por todo o Oriente Ele próprio anunciou o Evangelho e propôs, em Os Primeiros Princípios, o mais antigo manual de teologia dogmática (primr-irri metade do século IID.
Se consideramos os progressos imensos do Evangelho em alguns anos, apesar da perseguição e dos suplícios, da morte e do confisco, e a despeito do pequeno número de pregadores, a palavra foi anunciada por toda a terra Gregos e bárbaros, sábios e insensatos aderiram à religião de Jesus

Origenes. Os Primeiros PnncipkM. IV. 1. 2. Sources chrf lieras

Essas doutrinas obtêm êxito porque querem responder ás angústias profundas do homem. Há uma autêntica pesquisa religiosa entre alguns dos gnósticos. Aqueles que nos falam deles são freqüentemente os que os combatem: algumas vezes, sào malévolos e praticam o amálgama, provocando tumultos incontroláveis. Mas pode a Igreja aceitar sem riscos essa multiplicação de grupos na qual os cristãos estão ameaçados de desestabilização".' 3. A REGRA DA


Irineu, bispo de Lião, no final do século II, descreve, em sua obra um certo número (S de doutrinas que considera aberrantes. Indica em r£ seguida onde se encontra a verdadeira Igreja e, por- ^ tanto, a verdadeira doutrina. Os cristãos devem remeter-se a tradição dos Apóstolos: esta ultima chega ate

Contra as heresias,

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nos nas Igrejas, nas quais e possível remontar aos

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único L-MlÍLé. íi.ir.i :I M , -.irur .-ri: >,--,; >an-ik- i. . corno um único bispo [...]". que já vimos atuando — como pacificador na querela sobre a data da Páscoa e como o adversário das pseudo-revelaçòes —, propõe uma teologia em suas obras e

Irineu,

é uma catequese bíblica. Irineu ordena lodo o seu pensamento teológico em torno do tema da "recapitulaçào", extraído de Paulo <Ef 1, 10). A vida da humanidade é uma lenta progressão sob a '?] O conduta do Verbo de Deus. 10,30-37)encarna em bom samaritano (Lucas Quando se Jesus, o Verbo recapitula todo homem e toda a história do universo. E sempre relembrada a frase célebre: "A glória de Deus é o homem vivo e a vida do homem é a visão de Deus". Originário de Alexandria, no Egito,

Contra Demonstração apostólica, que

as da

heresias pregação

Origenes

(185--253) dedica sua vida ao ensino e à pregação. O bispo lhe confia uma escola de catequese que parece ter sido a primeira do tipo. Origenes viaja muito. Em Cesaréia da Palestina, torna-se padre e fornia uma grande biblioteca cristã. Morre em consequência das torturas sofridas no decorrer da perseguição de Décio. Origenes passou a vida comentando e pregando as Escrituras. Sua imensa obra desapareceu quase que inteiramente, em virtude das acusações de heresia lançadas contra ele dois séculos depois... Para Oríge- <M nes, Cristo se encontra presente em toda a Escritura (S As personagens e os acontecimentos do Antigo Testamento anunciam Cristo, os sacramentos e a Igreja. Assim como o homem é composto de um corpo, de uma alma (princípio vital) e de um espirito, segundo a antropologia grega, as Escrituras têm três sentidos: literal (histórico), moral e místico (espiritual). Origenes se aventura assim numa interpretação alegórica que algumas vezes é desconcertante.

ORIGENES (185-253)
@ A s Escrituras tom sempre um literal sempre sentido espiritual, mas nem sentido
por Josué, envia seus Apóstolos como sacerdotes portadores de trombetas retumbantes, isto é. do Evangelho (...), e todas as edificações da idolatria e os dogmas dos filósofos são destruídos até os fundamentos (. ../. senta o estado atual de nossa natureza, que se tomou semimortal (com efeito, a alma é imortal); o "sacerdote * é a Lei; o "levita', a profecia; o 'samaritano ' é o Cristo, que se fez carne no seio de Maria; o "animal de carga" é o corpo de Cristo; o "vinho" é a palavra de seu ensinamento (que cura ao "admoestar"); o 'óleo" é a palavra de benevolência e de compassiva mtsencôrdia para com os homens: o "albergue" é a Igreja; o 'taverneiro' representa os Apóstolos e seus sucessores, os bispos e os doutores da Igreja [...); a "volta do samaritano" é a segunda manifestação de Cristo.
Ofgenes. Homilias soíxe Lucas f. H, p 120a.. tentos seteennedos por Urs von Batthasa/. Ce*. Pans. 1960

Os muros de Jericó desmoronam ao som das trombetas Jericó é a representação deste século, cuja força e cujas muralhas vemos serem destruídas pelas trombetas dos sacerdotes. Essa força e essas muralhas eram o HomAa sob*e Josué 7 culto dos ídolos Nosso Senhor Jesus "ladrões ' representam os poderes hostis, Cristo, cuja vinda foi prefigurada os demónios ou esses falsos doutores 'Um homem descia de Jerusalém a que antecederam o Cristo, as 'chagas '. a Jencó." Vê-se nesse homem. Adão. o desobediência e o pecado: o 'roubo das homem e seu verdadeiro destino, a vestes' representa o despojamento da queda que sucedeu à desobediência: mcorrvptibilidade e da imortalidade. "Jerusalém" é o paraíso ou a Jerusalém celeste, e "Jericó" ê o mundo, os um assim como de todas as virtudes, "o homem abandonado semimorto" repre-

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Manda construir belos lugares de culto, as basílicas de Sào Pedro, do Santo Sepulcro, de Belém, todas as igrejas de Constantinopla etc. Ele faz doações significativas aos bispos. As comunidades cristas podem receber

legados. Desse modo, a Igreja forma para si um enorme patrimônio. O clero obtém privilégios jurídicos. Os tribunais episcopais têm uma jurisdição civil e os bispos sào considerados os equivalentes dos governadores.

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O IMPÉRIO DE CONSTANTINO, REINO DE DEUS SOBRE A TERRA?
elevado [Constantino e Licínio} edificavam ainda para nós. ampliavam e es tendiam, através de continuas legislações em favor dos chstãos, aquilo que vmha da magnificência de Deus Além disso, os bispos recebiam pessoalmente, e de maneira habitual, cartas, honrarias, ricos presentes do imperador l.. í. Era o esquecimento de antigos mates, a perda da lembrança de toda impiedade, a fruição dos bens presentes e. pnn-cipalmente. a esperança dos bens futuros. Promulgavam se. por conseguinte, em todos os lugares, as disposições plenas de humanidade do imperador vitorioso, bem como as leis que continham as manifestações de sua piedade magnífica e verdadeira. Assim, certamente, toda tirania era abolida e o governo do impéno que lhe pertencia se mantinha firme e não contestado para o único Constantino e para os seus filhos Acima de todas as suas outras ações, eles fizeram desaparecer do mundo o ódio a Deus Assim, de todos os bens que Deus lhes havia sabiamente concedido, eles manifestaram sobretudo o amor pela virtude, o amor de Deus. a piedade e o reconhecimento em relação ã divindade, por meio das ações que realizaram à vista de todos os homens.

Todos os homens estavam libertos da opressão dos tiranos e isentos dos antigos mates. Cada um por seu lado reconhecia como único e verdadeiro Deus aquele que combatera em favor dos homens piedosos. Mas, para nós em especial, que depuséramos nossas esperanças no Cristo de Deus. uma ategna indizível, uma felicidade drvina se manifestavam para todos, em todos os edifícios que. pouco antes, haviam sido destruídos pelas impiedades dos tira nos e que de alguma maneira voltavam à vida como de uma longa e mortal devastação. Víamos os templos se reerguerem de suas ruínas o uma altura infinita e se tornarem muito mais altos que os templos que outrora tinham sido destruídos Mas os imperadores do nível mais

t ü s è f r o <te Ccsnrci.1 H.mon» Ê c l f i s flaneis. X 2 e 9

A proteção aos cultos
O imperador não pode desinteressar-se pelas questões religiosas, sobretudo quando ameaçam a ordem no interior do Império. Por outro lado, os cristãos recorrem ao imperador como árbitro em suas querelas. O próximo capítulo evocará longamente as intervenções imperiais na crise ariana a partir de 325. Mas, desde 313, os cristãos da Africa solicitam o seu auxílio no que diz respeito à questão donatista, que envenena a vida

da Igreja da África ao longo de todo o século IV. Em 312, a eleição de Ceciliano como bispo de Cartago é contestada. Aqueles que o consagraram teriam apostasiado durante a perseguição de Diocleciano. Um outro bispo, Donato, é designado. A contestação se estende por toda a Africa Romana. Em muitas cidades se opõem dois bispos rivais. O imperador só dá subvenções aos bispos legítimos, no caso Ceciliano e seus amigos. Mas os donatistas recorrem a Constantino para que ele lhes reconheça a legitimidade. O

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do nome combate é considerada II. em 438) e o C?digo Justiniano (do nome do imperador Justiniano, em 529). Conservou-se o nom em do imperador Teo?d?sio como uma pu- tianismo.
fioos ou prestaram Ixxnenagem aos idohs

56 Apesar de suas qualidades, Juliano não é popular, niçâo divina. Não era possível deter o encanto do cris-Sua morte

ar estabelecido que participaram dos sacn na de morte aqueles acerca dos quais fi-

to imperador Constantino Do de Tessal?nica, em 380 em 3 1 9

?digo Teodosiano. IX. DA 2 16, LIBERDADE
Proibimos que os arúspices, sacerdotes e outros que tenham o costume de prattcar esse nto (exame das entranhas de animaisJ entrem numa casa par ticular ou transponham o umbral de outrem, mesmo sob o pretexto da amizade; é proposto um castigo contra eles caso desprezem esta lei. Mas vós que considerais que isso vos é útil. ide aos altares privados, aos templos,

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RELIGIOSA A RELIGIÃO OFICIAL
homem (...}. enfeita uma árvore com pequenas tiras, eleva um altar por meio de placas de terra tiradas do solo (...], tal coisa configura um ataque pleno e integral à religião. Culpado de haver violado a religião, esse homem será punido com o confisco da moradia ou da propriedade na qual se tiver mostrado escravo dessa superstição pagã.

e celebrai os ritos com os quais estais habituados: com efeito, não impedimos que se celebrem abertamente os ritos consagrados por um longo uso.

Dos imperadores Teodósio. Arcádio e Honório em 392
Código Teodosiano. XVI. 1 2
Se alguém depõe o incenso para venerar estátuas feitas pelo trabalho do

Desejamos que todos os povos que se encontram sob a branda autondade de Nossa Clemência vivam na fé que o santo Apóstolo Pedro transmitiu aos romanos, que é pregada até os dias de hoje. como ele próprio a pregara, e que é seguida, como é do conhecimento de todos, pelo Pontífice Dâmaso e pelo bispo Pedro de Alexandria i. í Decretamos que só terão o direito de se dizer cnstãos

católicos aqueles que se submeterem a essa lei e que todos os outros são loucos e insensatos sobre os quais pesará a vergonha da heresia. Eles poderão contar, em primeino lugar, com serem o objeto da vingança drvina e. em seguida, com serem castigados também por nós. segundo a decisão que o céu nos inspirou

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O batismo
Algumas pessoas recebem a marca da cruz, são instruídas nas verdades elementares por uma pré-catequese, nutridas pelo sal bento, e permanecem nesse ponto. O seu catecumenato se eterniza. Elas adiam o batismo até a velhice ou até a morte. Com efeito, como o batismo perdoa todos os pecados e como a penitência só é ministrada uma vez na vida, mais vale esperar que as paixões estejam extintas para se engajar definitivamente. Do mesmo modo, a Igreja perde o interesse por essa comunidade catecumenal subdesenvolvida e volta sua atenção para aqueles que desejam efetivamente o batismo para uma data próxima. Estes últimos se inscrevem no início da quaresma, que se torna o quadro temporal da preparação. As catequeses, asseguradas pelo bispo ou por seu delegado, revelam progressivamente o conteúdo da fé através de um símbolo de fé ou Credo. Por razões pedagógicas — trata-se de valorizar esse ensinamento que deve ser também vivido —, pede-se aos catecúmenos que mantenham segredo, diante dos não-batizados. aquilo que aprenderam. No decorrer de reuniões litúrgicas, os catecúmenos são submetidos aos exorcismos e lhes é lido solenemente o símbolo dos Apóstolos que eles deverão proclamar no Sábado de Aleluia. Em algumas Igrejas, procede-se da mesma maneira em relação ao pai-nosso... O rito da noite pascal permanece o mesmo. As catequeses têm seguimento durante a semana que sucede ao batismo. Essa é a razão por que se estabelece algumas vezes uma distinção entre as catequeses batismais anteriores ao batismo (w — centradas no Credo e na conversão moral — e as catequeses mistagógicas posteriores ao batismo — orientadas para a compreensão do próprio batismo e da Eucaristia. Num período em que a luta contra uma sociedade hostil passara para o segundo plano, a teologia enfatiza o valor do rito eficaz que significa a gratuidade do dom

de Deus. Impelido pelo desejo de encorajar o batismo das crianças, Agostinho insiste no pecado original que necessita da intervenção divina, mesmo nas ausências de qualquer pecado pessoal.

A penitência
Menos fervorosos, os cristãos recaem, na maioria das vezes, em faltas graves. Mas, como a penitência é ministrada somente uma vez na vida, os pecadores a adiam pelo maior período de tempo possível, deixando-os com freqüência para as proximidades da morte. A penitência oficial ou canónica é uma prática excepcional. A ela são submetidos somente aqueles que cometeram uma falta grave e escandalosa que os exclui da Eucaristia. Essas faltas não coincidem exatamente com os nossos pecados mortais. Por conseguinte, a maioria dos cristãos não recorre a essa penitência solene. Aquele que pecou gravemente reconhece a sua culpa, em princípio de maneira secreta, ao bispo, que pode também solicitar aos pecadores que se apresentem para a penitência. Esta última se desenrola por etapas no quadro da assembléia litúrgica. No decorrer da entrada em penitência, o bispo impõe as mãos sobre os pecadores e os faz vestir o cilício, vestimenta de pêlo de cabra. Eles constituem, a partir desse momento, um grupo particular (ordem) na Igreja. Não participam mais da oferenda nem da comunhão.

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Monge vem de monachos. solitário: originalmente, o mosteiro é a
residência de um monge. Eremita vem de eremos. deserto, e significa aquele que vive no deserto, afastado dos homens Anacoreta vem de unachorem. retirar-se. "esconder-se no matagal", e significa aquele que abandonou o mundo. A palavra é praticamente sinônima de eremita. Cenobita vem de koinos bios. vida comum, e significa aquele que leva uma vida comum organizada Abba ou Apa significa Pai. abade ou superior Amma significa Mãe. abadessa, superiora. O monaquismo terminou por designar o estado de vida de todos aqueles que abandonam o mundo pato se dedicarem plenamente a Deus. Desse modo, o monaquismo assume duas fornias pnnctpais: a vtda solttána fana-coretismo ou eremitismoJ e a vida comum ice-

SCSALIP IOS

nobitismo».

um compromisso a partir do século III. Ele é privado e não necessariamente definitivo. Os escritos da época propõem uma espiritualidade da virgindade. Ela é o prolongamento do batismo. E a restauração do estado anterior à queda. Surge o tema dos esponsais com Cristo. Ao mesmo tempo, aparecem alguns desvios. Algumas mulheres demonstram orgulho por sua escolha.

Outras coabitam com homens que fizeram a mesma opção, numa espécie de casamento místico. Por último, para alguns, a exaltação da castidade incita ao desprezo, senão à proibição, do casamento para os cristãos.

2. OS PRIMEIROS MONGES DO ORIENTE
Com a paz da Igreja, desaparece a eventualidade do

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martírio. Tornar-se cristão não envolve nenhum risco, e muitas pessoas entregam-se a certo relaxamento. Vários indivíduos que desejam levar uma vida cristã mais fervorosa, menos sujeita às preocupações do mundo, partem para o deserto. Essa é a origem do monaquismo. (251-356), tal como nos é apresentado na romanceada atribuída a Atanásio, bispo de Ale- (íí) xandria, é o pai dos eremitas ou anacoretas dos desertos do

Vida

Antão

Egito. O exemplo de Antão foi seguido por um grande número de cristãos. Agostinho difundiu-o em suas (VIII, 6». No vale superior do Nilo, (286-346) funda a vida monástica comunitária (cenobítica) para os homens, enquanto sua irmã estabelece a primeira comunidade feminina.

Pacômio

Confissões

Maria

Esse monaquismo primitivo se difunde rapidamente no Egito, na Palestina, na Síria e na Mesopotâmia. Não existem formas jurídicas muito precisas. O candidato se

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©

O ABADE NA REGRA DE SÃO BENTO
abade deve. portanto, governar seus discípulos mediante um duplo ensinamento, ou seja. deve inculcar o que é bom e santo mais por seus atos que por suas palavras. Aos que são inteligentes ele ensinará, por seus discursos, os preceitos do Senhor, aos duros de coração e aos simples transmiti-los-á por seu exemplo. Ê também por seus atos que ele ensinará aos seus discípulos a evitar aquilo que lhes for revelado como contrário à lei divina I...J (cap. Ill Todas as vezes que no mosteiro houver algum assunto importante a ser decidido, o abade convocará toda a comunidade e exporá ele própno a questão Após ter recebido a opinião dos irmãos, ele deliberará consigo mesmo e. em seguida, fará o que tiver julgado mais útil. O que nos leva a dizer que ele deve consultar todos os irmãos é o fato de que. com frequência. Deus revela a alguém mais jovem o que é melhor (cap. III). A obediência sem delongas é o pri-~meiro passo em nossa vida de humildade Ela convém àqueles que nada têm de mais caro que Cristo. Movidos pelo serviço sagrado no qual são professados, ou pelo temor do inferno, ou peh desejo da glória eterna, uma vez que o supenor lhes tenha ordenado alguma coisa, eles não devem adiar a sua execução, tal como se o próprio Deus lhes tivesse dado essa ordem (cap. V). Benedict Regula, trod. de

Ê evidente que existem quatro espécies de monges. A primeira é a dos cenobitas, isto é. daqueles que vivem em comum, num mosteiro e combatem sob uma regra e um abade (...) (cap pnmeiro). O abade que ê considerado digno de governar o mosteiro deve recordar-•se incessantemente do nome que ostenta e concretizar, através de seus atos. o titulo de chefe de família. Com efeito, considera se que ele ocupa o lugar de Cnsto no mosteiro; eis por que ostenta o prôpno nome dado ao Senhor, segundo estas palavras do Apóstolo: "Vós recebestes o espinto dos filhos de adoção, que clama em nós: Abba. isto é. Pai" (..). Aquele que aceita o encargo de

Ph. Schmitz. Maredsous. 1962

nascimento da Europa após a expansão do Império no Ocidente (v. cap. 7). Leituras possíveis: — A.G. HAMMAN, La Vie quotidienne en Afrique du Nord au temps de saint Augustin, Hachette, 1979.

— — —

M. MES LIN. J.-R. PALANQUE, Le Christianisme antique, col U2, A. Colin. 1967. C.-J. NESMY, Saint Benoit et la vie monastique, col. Maîtres spirituels, Seuil, 1959. C. VOGEL, Le Pécheur et la pénitence dans l'Eglise ancienne. Traditions chrétiennes, Cerf, 1982.

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Único senhor do Império desde a sua vitória sobre Licínio, Constantino desejava restabelecer a calma no Oriente. Em sua opinião, não se trata senão de uma querela sobre palavras. Que cada um faça um esforço para se reconciliar. Como a agitação persiste, Constantino decide reunir os bispos num grande concílio.

instâncias de Constantino, aconselhado por Hósio, os bispos acrescentam, ao se referirem ao Filho de Deus, o adjetivo que significa que o Filho tem a mesma (es a mesma substância que o Pai — em outras palavras, que é consubstancial ao Pai. Esse termo afirma a perfeita igualdade entre o Pai e o Filho. Como foi o imperador que o propôs, todos os bispos o ratificam, com exceção de dois, que são condenados ao exílio juntamente com Ário.

homoousios, ousía,

2. O CONCÍLIO DE NICÉIA (325)
No decorrer dos séculos precedentes, haviam ocorrido vários concílios locais. Ao convocar todos os bispos a Nicéia, em Bitínia, um pouco abaixo do Bósforo, Constantino deu origem a uma nova instituição na Igreja: o (universaH. Ele é considerado como o primeiro do gênero, sendo o Concílio Vaticano II o vigésimo primeiro. Nicéia reuniu cerca de trezentos bispos: duzentos e vinte nomes foram conservados. Tratavase sobretudo dos bispos do Oriente, de cultura grega. Eles se encontravam mais próximos e demonstravam maior entusiasmo em relação às querelas dogmáticas. Do Ocidente são conhecidos apenas Ceciliano, de Cartago, um calabrês, dois padres que representavam o bispo de Roma, Silvestre: um denominado Nicásio, bispo de Die da Gália, e o outro, Hósio, bispo de Córdoba, que desempenhava o papel de conselheiro eclesiástico de Constantino. A reunião tem uma grande repercussão. Nunca a Igreja havia promovido uma demonstração tão grandiosa. Alguns bispos exibiam as marcas da recente persegui-çào. Bispos poderosos se postavam junto aos bispos @ guardiães de rebanhos. Todos se maravilhavam com a acolhida que lhes era chula peio imperador, com as douraduras do palácio e com os uniformes dos militares que lhes prestavam honras. Acaso o Reino de Deus podia ser mais belo?

concilio ecumênico

O Concílio favorece também a regulamentação de alguns pontos de disciplina eclesiástica. Fica decidido que a data da Páscoa será a adotada por Roma e por Alexandria. Fixa-se certo número de regras para o episcopado. Voltaremos a isso um pouco mais adiante. Limita-se a coabitação das mulheres com o clero. Segundo o historiador Sócrates (início do século V), alguns bispos teriam desejado impor aos clérigos casados a renúncia à vida conjugal; essa regra parece ter sido adotada na Espan h a. O bispo Pafnúcio, em- (w bora celibatário, se opõe a essa exigência, e o Concílio dá aos bispos, padres e diáconos liberdade nesse domínio... Várias decisões regulamentam as seqüelas da perseguição, a reconciliação dos heréticos, as modalidades da penitência litúrgica etc.

3. MEIO SÉCULO DE PERTURBAÇÕES
O acordo de Nicéia é rapidamente questionado. Muitos rejeitam o termo porque nào é

homoousios

Os bispos, em sua maioria, confirmam a condenação de Ário. Como eles precisam definir uma doutrina positiva, Eusébio de Cesaréia propõe o Credo de sua Igreja. O Concílio aceita, mas, às

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dos os domingos. No século VIII, os latinos acrescentaram a ele o famoso <"que procede do Pai e uma das causas do cisma do século XI entre a Igreja latina e a Igreja grega.

do Filho"),

filioque

O concílio foi também a arena dos conflitos pessoais. Contesta-se a Gregório de Nazianzo a sua eleição para a sé episcopal de Constantinopla, porque ele fora anteriormente bispo de uma pequena aldeia. Abominando o tumulto, Gregório se retirou para suas terras e, para substituí-lo, escolheu-se um funcionário

aposentado. No Ocidente, o concilio reunido em Aquiléia 'no Adriático, perto de Trieste), no mesmo ano. pelo imperador Graciano nào reuniu mais que alguns bispos da Alta Itália e da Gália. Destituíram-se os bispos arianos, solicitando-se a intervenção do imperador para a aplicação da sentença. O arianismo desapareceu pouco a pouco no Império, mas permaneceu entre os bárbaros germânicos evangelizados por Wulfila, que fora ordenado bispo por um dos chefes do arianismo, Eusébio de Nicomédia.

II — COMO DEUS E O HOMEM ESTÃO UNIDOS EM JESUS CRISTO?
1 . NAS ORIGENS DA DISPUTA CRISTOLÓCICA
-

Unidade e diferença
Manifestam-se então duas tendências ou percepções teológicas. Em Alexandria, insiste-se na unidade de Cristo, partindo-se do Logos (Verbo.1. Cristo é o Verbo «Deus» que assume a carne. Essa é a condição da divinização do homem. Em Antioquia, enfattzam--se os dois aspectos do ser de Cristo. Parte-se das duas naturezas para se chegar à unidade. Deseja-se assegurar a plena humanidade de Jesus. Também nesse caso o vocabulário nào é muito claro. Emprega-se a palavra (natureza» em sentidos diferentes: para alguns, há uma única natureza em Jesus; para outros, duas.

A reflexão e as discussões nào se detêm nunca! Uma vez admitida a igualdade entre o Pai. o Filho e o Espírito, passou-se a questionar como se deveria entender a união entre a divindade do Verbo e a humanidade de Jesus. O Verbo de Deus é eterno, mas Jesus nasceu, sofreu, morreu. E possível dizer que Deus nasceu, teve fome, sofreu e morreu? Se se separam demasiadamente Deus e o homem em Jesus, como falar da Encarnação, dessa carne assumida pelo Verbo? bispo de Laodicéia (Síria) '310390). grande amigo de Atanásio, acreditava ter encontrado a solução. Como todo homem, Jesus e composto, segundo a antropologia da época, pela carne — isto é. pelo corpo animado — e pelo espírito — ou seja. pela alma espiritual. Mas, em Jesus, o papel da alma espiritual é desempenhado pelo Verbo. Desse modo, Jesus não pode conhecer o pecado, já que nào possui essa alma humana passível de pecar e de errar. Logo depois, algumas pessoas têm a impressão de que Apolinário compromete a redenção, pois "só pode ser salvo no homem aquilo que foi assumido por Cristo". Se Cristo não tem uma alma humana, a vontade do homem não pode ser salva. Apolinário é condenado diversas vezes.

Apolinário,

physis

Essa divergência de pontos de vista vai transformarse num conflito agudo, com o confronto de dois bispos rivais. e de Constantinopla. Por volta de 428. este último, originário de Antioquia, culpa a piedade popular que invoca Maria como isto é, como mãe de Deus. Para Nestório, esse termo não se encontra nas Escrituras, e Maria só pode ser mãe do homem Jesus. Por outro lado, Cirilo quer defender a unidade de Cristo e a crença comum dos cristãos. Ele propugna a existência de uma única natureza em Cristo. Cirilo entra em contato com Celestino, bispo de Roma, que condena

Cirilo de Alexandria thèotokos,

Nestório

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São formuladas igualmente algumas disposições disciplinares. Mais adiante voltaremos ao cânon 28. 0 imperador, "novo Constantino", aprova as decisões conciliares. O papa Leão reconhece somente as decisões dogmáticas.

receberam o nome de imperiais t.mclquiitas, em siríaco). Os monofisistas introduziram o Credo de Nicéia-Constantinopla na liturgia, para mostrar que eram fiéis a uma tradição mais antiga que as inovações de Calcedõnia.

4. AS PRIMEIRAS IGREJAS SEPARADAS E A SEQÜÊNCIA DAS DISPUTAS CRISTOLÓGICAS
A despeito de sua formulação equilibrada, o Concílio de Calcedõnia não restabelece a paz. De resto, nenhum concílio jamais regulamentou os problemas de modo definitivo. Vemo-lo claramente nos dias de hoje. As querelas cristológicas continuaram. Aqueles que se opunham à fórmula de Calcedõnia se separaram de Igreja oficial. As Igrejas monofisistas acreditavam ser fiéis a Cirilo quando falavam de uma única natureza de Cristo; as Igrejas nestoríanas desejavam salvaguardar a dualidade do homem e de Deus em Cristo. Contudo, na maioria dos casos, sobretudo quando se trata das comunidades de hoje. é preciso que se evite falar de heresia no sentido pleno do termo. As escolhas foram tanto políticas como dogmáticas.

Fora dos limites do Império
Para além das fronteiras orientais do Império, são igualmente as circustàncias políticas, senão o acaso, que levam as Igrejas dessas regiões a escolherem o monofisismo ou o nestorianismo. No final do século V, o imperador fecha a escola teológica de Edessa tUrfa, entre o Eufrates e o Tigre), considerada nestoriana, Ela se instala em território persa, em Nisibes. O nestorianismo se tornou a religião oficial dos cristãos do Império Persa no sínodo de Ctesifonte M86V Ao mesmo tempo, os cristãos persas pensam escapar à acusação de espiões a serviço do imperador de Constantinopla. Afastados do Ocidente, os nestorianos persas foram grandes missionários, chegando mesmo à Ásia Central e à China. A estela de Si-Ngan-Fou, inscrição nestoriana sírio-chinesa gravada em pedra, erigida em 781 na cidade do mesmo nome ientão capital da China i, dá testemunho desse zelo missionário. Quanto aos arménios, adotaram o monofisismo, em oposição aos persas nestorianos e aos gregos de Constantinopla. Os etíopes que dependiam de Alexandria optaram também pelo monofisismo. Os imperadores continuavam a alimentar a esperança de refazer a unidade dogmática e política através das fórmulas de compromisso. Em vão. Esse foi o momento de novas querelas e de novas violências. Dois concílios ecuménicos iConstantinopla II, em 553, e Constantinopla III, em 681* abordaram ainda alguns dogmas cristológico». Constantinopla III condenou as novas formas de monofisismo que eram o monotelismo <uma única vontade em Cristo) e o mo-noenergismo «uma única operação ou energiai.
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No interior das fronteiras do Império
O governo imperial de Constantinopla se encarregou de impor em seus territórios a doutrina ortodoxa (a "doutrina reta") de Calcedõnia. Muitas províncias ou regiões a recusaram para manifestar a sua independência cultural e religiosa diante do imperialismo grego de Constantinopla. No Egito, por fidelidade a Dióscoro e a Cirilo, os cristãos escolheram o monofisismo como religião nacional de uma Igreja de língua copta, ao passo que alguns calcedônios provinham das minorias helenizadas próximas do poder. O mesmo ocorreu na Síria, na qual o monofisismo se tornou a religião dos cristãos de língua siríaca. Os calcedônios

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possível remontar até Deus. seu autor invisível. Pouco a pouco os í fazem toda cultura antii cristianizando-a. Isso não ocorri* sem dificuldades. Nos séculos II e III, os Padres devem reagir contra os riscos de dissolução da mensagem evangélica por parte de doutrinas divergentes. Os conflitos em torno da Trindade e da pessoa de Cristo surgiram da dificuldade de • ima i uagi rn adi |uada para explicitar os dogmas cristãos (v. cf. ca ps. 3 e 5). Desse modo, as dizendo, a várias teologias.

séculos. Essa é a razão por que, se a tradição crista exige de um Padre a ortodoxia — isto é, o rigor do pensamento —. ela lhe exige também a santidade. mento que transmitiu.

Santidade e ortodoxia
Não obstante, é preciso compreender claramente essa santidade e essa ortodoxia. Trata-se de uma santidade comum, aquela que era suficiente para obter uma espécie de canonização popular. Isso não nos impedirá de reconhecer que Jerónimo tinha mau caráter, injuriava seus adversários e que foi odiosamente injusto para com João Crisóstomo. Quanto a ortodoxia, significa que existe um acordo entre os Padres, um consenso acerca dos pontos essenciais da doutrina num determinado momento. Algumas formulações do século II ou do século III pareceram ambíguas doi9 séculos depois. Muito embora alguns o tenham feito, não se devem julgar 1 - - • ■ ■ ■ " • .' 'i' ' ' •\ plicação e um desenvolvimento dos dogmas foram levaVicente de Lerin*. por volta de 434, resume muito bem a forma pela qual a Igreja entendeu o papel da Tradição e, no interior desta, o papel dos Padres, em relação às Escrituras e à formulação da fé. Um certo número de escritores cristãos, como Ter tuliano. se separaram da grande comunidade da Igreja, tornando-se heréticos ou cismáticos de acordo com os critérios da época. Eles não sao propriamente considerados como "Padres da Igreja". Contudo, não deixam de ser testemunhas bastante importantes da vida e da doutrina cristas. Eis por que sâo apresentados juntamente com os outros.

Diversidade das línguas e das culturas
Na verdade, não se trata de um sistema monolítico. Os Padres se exprimem nas duas grandes línguas da época, o grego e o latim, mas, no Oriente, alguns utilizam o siríaco, o copta, o armênio etc. A cada língua correspondem particularidades culturais que dão fisionomia própria ao Cristian is m< das diversa? regiões. Xão se trata de idealizar o passado: vimos que os confrontos entre as teologias foram algumas vezes violentos. Entretanto, o exemplo dos Padres nos convida a buscar para o anúncio do Evangelho uma linguagem que seja compreendida pelos nossos contemporâneos. Por outro lado. o ecumenismo atual descobre, nos escritos dos Padres, uma espécie de tronco comum da teologia antes das grandes rupturas e uma diversidade de expressões compatível com a unidade da Igreja.

4 . G A R A N T E S D A F É F. D A SANTIDADE DA IGREJA
Os Padres são testemunhas privilegiadas da tradição da Igreja, isto e. do Evangelho vivido nos primeiros

li

A IDADE DF OURO DOS PADRES DA IGREJA

Alguns Padres da Igreja foram apresentados mais neu, Orígenes, Tertuliano,.. N';i história da patrologia, acima como testemunhas das primeiras teologias: Ire- o Concilio de Niceia 13251 da inicio a um novo período.

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no Livro (o Co-râo). bem como nos homens daqueles que acreditavam profetas, que. por amor a Deus. dá do na verdade, a respeito da qual estavam em desacordo com a sua Em nome do Deus demente e que tem a seu próximo, aos ódâos. aos pobres, aos viajantes e aqueles permissão, pois ele dirige, a quem misericordioso; (92) Extratos da sura da Vaca (cap. II do C o r n o ) que pedem, que resgata os deseja, pelo caminho reto (209). Louvor a Deus, o senhor dos prisioneiros, que observa a oração, mundos. Deus é o único Deus: não há Cor?o e O que dá esmolas, cumpre seus O demente, o misericordioso. outro Deus senão ele. o vivo. o compromissos; que ê paciente na imutável. Nem o torpor nem o sono O rei do dra do juízo! adversidade, nos tempos difíceis e nos atuam sobre ele Tudo o que está nos Ê a ti que adoramos. tempos de violência Esses são justos e céus e na terra lhe pertence Quem Ê teu auxílio que imploramos. temem o Senhor (172) Conduz-nos pelo caminho reto. pode interceder junto a ele sem a Via daqueles em quem to Os homens formavam outrora sua permissão? Ele conhece o que compra uma únrea nação. Deus enviou os está diante de'cs e o que está atrás zes. profetas com o fmahdade de anunciar deles. e. de sua ciência os homens E não daqueles que são objeto e de alertar. Ele lhes deu o Livro da apreendem apenas aquilo que ele de tua cólera. Verdade ta Bíblia) para se pronunciar deseja ensinar-lhes. Seu trono se Nem daqueles que se entre os homens sobre o projeto de estende pelos céus e pela terra, e encontram no suas disputas. Ora. os homens não se sua guarda não lhe demanda erro. põem a disputar senão por terem nenhum esforço Ele é o altíssimo, o A piedade não consiste em inveja uns dos outros e depois de grande (256). olhardes para o lado do Nascente ou terem sido apresentados a todos os do Poente Piedoso é aquele que crê sinais evidentes Deus foi o guia dos £<n E Dctmttfíçnem. V^omn: Í?I la íradiiic-'-. em Deus e no último dia. nos anjos e

Oração preliminar

O CORAO

são os seguidores de um monoteísmo primitivo. Algumas comunidades judias e cristãs se instalaram ao longo da costa do Mar Vermelho e no sul (lêmen). Mas a maior parte do país é percorrida por tribos nômades politeístas constantemente em luta umas com as outras. A cidade de Meca, com sua pedra negra ia Kaabaí atrai os árabes por suas feiras e sua peregrinação.

O último d o s profetas
Marcado por essas diversas correntes, por volta do ano 610, Maomé proclama uma mensagem

recebida do céu. O julgamento divino é iminente. Não há senão um Deus único, ao qual o crente 'muçulmano» deve uma submissão (islam) absoluta. Ultimo de uma longa série de profetas — série que passa por Abraão e Jesus —, Maomé tem a missão de restaurar na Arábia o monoteísmo, assim como de dar a seu povo, em sua própria língua, o Livro fCorão) que o porá em pé de igualdade com os outros povos. Diante da rejeição ( 9 2 das pessoas de sua tribo, Maomé foge de Meca para Medina em 622. Trata-se da Hégira, o início da era muçulmana. Não tendo conseguido reunir os cristãos e os judeus, Maomé entra em conflito com eles e pro

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temente germanizado, pretende ser o herdeiro do Império Romano. Tal restabelecimento traduz a persistência de um ideal de unidade e de paz realizado tanto numa instituição política como na Igreja. Os dois pólos da sociedade ocidental passam a ser o papa e o imperador. Contudo, o novo imperador é considerado como um usurpador pela corte de Constantinopla, que não pode tolerar que o título imperial se encontre fora dos limites da capital bizantina. Trata-se de um elemento suplementar na contenda que opõe o Oriente grego e o Ocidente latino.

compreendem mais o latim, a missa se transformou num espetáculo misterioso e sagrado. O pão natural é substituído pelo pão ázimo. O padre passa a celebrar a missa de costas para as pessoas e recita o cânon em voz baixa. As missas privadas se multiplicam. Os capitulários desejavam deter o êxito da penitência taxada dos irlandeses e restaurar a penitência litúrgica antiga.

Renovação intelectual
Ao exigir a fundação de escolas para os clérigos, Carlos Magno se torna o iniciador de uma renovação intelectual. Na corte de Aix-la-Chapelle, a Academia Palestina reúne os grandes espíritos da época, muitos dos quais são monges. Há um esforço para restaurar o latim clássico, bem como o estudo das Escrituras, dos Padres e da liturgia. Das salas dos copistas saem numerosos manuscritos notáveis por sua caligrafia e por suas ricas iluminuras. Essa renovação frutifica plenamente no inicio do século IX. A teologia recupera os grandes nomes e o gosto pelas controvérsias dogmáticas. Pascásio Radberto (t 865), Rábano Mauro (? 856' e Ratrãmnio expressam pontos de vista diferentes acerca da presença de Cristo na Eucaristia. O diácono de Lião, Floro ("i" 860», se esforça por aperfeiçoar os textos das Escrituras em circulação e vê na leitura da Palavra de Deus o melhor remédio contra as superstições ou o culto excessivo às imagens.

Reorganização
Os soberanos carolingios consideram que seja seu dever reorganizar a Igreja e voltar a dar-lhe um pouco de prestígio. Fala-se, a esse propósito, de renascimento carolingío. Sob o reinado de Pepino, o monge--bispo Bonifácio (T 754) reestrutura as dioceses da Germânia. Em numerosos capitulários 'textos legislativos) — freqüentemente inspirados por monges como Alcuino —, Carlos Magno reforma vigorosamente a Igreja franca. Ele escolhe de maneira judiciosa os bispos, que considera como altos funcionários. No que tange ao clero secular, favorece o estabelecimento de comunidades de cónegos segundo o espirito de Chrodegang de Métis (t 766). Para os monges. Bento, abade de Aniane (perto de Montpellier', generaliza a prática de regra beneditina e reforma numerosos mosteiros. Embora nem sempre tenha êxito, ele se esforça por restabelecer a eleição do abade por parte dos monges.

2. AS VICISSITUDES DO IMPÉRIO BIZANTINO
Em meio ás perturbações dinásticas e militares, a querela das imagens assume um lugar preponderante no Império Bizantino durante mais de um século 1726843). Os cristãos dos primeiros séculos haviam manifestado a sua oposição quanto às representações da divindade, que consideravam como ídolos. Entretan

Reforma litúrgica
Para deter a decadência da liturgia dos países da antiga Gália, Carlos Magno introduz e impòe em seu reino os livros da liturgia romana. Impregnada pelo espírito do Antigo Testamento, a reforma pende para o ritualismo e para o jurisdicismo. O aspecto comunitário da oração se desvanece. Para os fiéis, que não

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sores se fixam e constituem novos Estados. Os normandos se instalam no pais que passa, a partir de então, a ter o seu nome (911). Em muitos casos, o nascimento de uma nova nação coincide com o batismo do chefe. Vencidos em 965 no Lech, os húngaros se fixam no vale do Danúbio: o reino da Hungria tem

surgimento com o batismo do rei Estevão (1000). Em 966, com o batismo do duque Mieszko, tem início a Polônia católica. Ao receber o batismo no Dniepre, em 989, o grào-duque Vladimir estende a Igreja de Constantinopla para o norte e inclui a Rússia de Kiev entre os Estados europeus.

BISPOS DE MANS NO SÉCULO X
O Senhor Mainard. bispo (de 951 a 9711. que pertencia à nobreza de Mame, era o irmão germano do visconde da cidade de Mans Inicialmente ligado à vida secular, ele teve numero sos filhos, do sexo masculino e femininoEra considerado tÕo ignorante que não o julgavam um clérigo, mas um leigo Contudo, como a cidade de Mans permanecera por muito tempo sem pontífice e como muitos desejavam obter o bispado a peso de ouro. mas alguns outros, alegando astuciosamen te terem instrução, se pretendiam dignos do episcopado, o Senhor, que escolheu a fraqueza para confundir a força, escolheu como bispo um homem que tinha consciência de sua ignorância e era um sábio iletrado, isto é. o senhor Mainard. de acordo com a palavra das Escrituras, segundo a qual uma simplicidade modesta é preferível a uma ciência orgulhosa. Com o consentimento do clero, do rei que estava no poder e do povo. Mainard é consagrado bispo pela vontade de Deus. por causa de sua grande humildade e de sua grande inocência. Após a morte do bispo Mainard, o senhor Sifroi. personagem de conduta deplorável e absolutamente recriminável, apoderou-se do bispado vago Embora nascido de pais nobres, ele realizou, não obstante, obras ruíns durante O seu episcopado. Tudo o que o seu predecessor havia construído, ele o demoliu com afinco. Antes mesmo de ser ordenado bispo, começou a ser o demolidor da Igreja. Com efeito, ele doou um domínio pertencente aos bispos, seus predecessores, que se chamava Coulames e que valia mais de mil libras, assim como a cidade de Dissay sobre o Loire, ao conde de Anjou. Foulque. a fim de que este interviesse fielmente junto ao rei da França para obter-lhe o bispado Depois, em Ittgar de reconhecer sua falta em relação aos bens da Igreja que hawa dilapidado e expiar seus pecados após ter cometido um tal cnme. ele exacerbou sua culpabilidade, tomando, em sua velhice, uma mulher chamada Audeberge. a qual, tendo tido relações com eh. concebeu e deu á luz algumas filhas Estas morreram, mas ele teve um filho, Aubri. que sobreviveu e que. quando atingiu a idade adulta, foi cumulado pelo pai de bens pertencentes à Igreja I...L
JCÃIO eirado cn> fl Lietntcho L<? f .lm rte l'n.5tD.fí. -M«ÍI|« pp 73s

2. A IGREJA IMERSA NO FEUDALISMO O sistema feudal
Tanto as guerras civis como as invasões provocam a decomposição do Estado. Só tém validade os vínculos que os homens estabelecem entre si através de um juramento. A terra pertence ao guerreiro que a defende. Este último se põe sob a proteção de um senhor mais poderoso, que reconhece a seu vassalo a posse e

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O papa e o patriarca
Enquanto os gregos têm uma concepção mais colegiada do episcopado, o papa, como sucessor de Pedro, algumas vezes atribui a si um poder de intervenção na Igreja universal. Para os orientais, Roma não tem mais que um primado de honra. Do século V ao século XI, foram numerosas as rupturas seguidas de reconciliação. No ponto de partida dos acontecimentos de 1054, havia inicialmente um desejo de reaproximaçào por parte do papa Leão IX. O papa e o imperador bizantino tinham um inimigo em comum, os normandos, no sul da Itália. Uma aliança

teria permitido enfrentá-los. Mas uma reconciliação religiosa prévia era a condição necessária para isso. Infelizmente, os dois personagens encarregados de fazer o acordo não eram pessoas que estivessem à altura da situação. O legado do papa, o cardeal Humberto, um loreno ansioso por reformas, não tinha senão uma cultura grega limitada e era totalmente desprovido de flexibilidade. Igualmente frágil se mostrava o patriarca de Constantinopla. Miguel Cerulá-rio. A ausência de relações com Roma o satisfazia, pois, dessa maneira, ele continuava a ser o único chefe da Igreja grega.

®

DECLARAÇÃO COMUM DO PAPA PAULO VI E DO PATRIARCA ATENÁGORAS (7 DE DEZEMBRO DE 19(55)
{...}* CMt 5. 23-24). comum acordo.
I.

(...) Dentre os obstáculos que se encontram no caminho do desenvolvimento dessas relações fraternais Ion' tre o Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa} de confiança e de estima, figura a recordação das decisões, atos e sncidentes penosos, que. em W5J. desembocaram na sentença de excomunhão proferida contra o patriarca Ms-gu&l Ceruláno e dois outros personagens pelos legados da sé romana, conduzidos pelo cardeal Humberto, legados quo em seguida foram, por sua vez. objeto de uma sentença anãloga por parte do patriarca e do sínodo eonstan-tinopohtano ( . 3. O papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras I , em seu sínodo, seguros de exprimir o desejo comum de justiça e o sentimento unânime de caridade de seus fiéis, o recordando se do preceito do Senhor. 'Quando apresentas tua oferenda no altar

declaram

do

Bxrcssar pesar pelas palavras ofen sivas. pelas recnmrnaçôcs sem fundamen to e os gestos condenáveis que. de lado a lado. marcaram ou acompanharam os tristes acontecimentos daquela época Expressar pesar igualmente e retirar da memória e do seio da Igreja as sentenças de excomunhão que a eles se seguiram e cuja recordação atua. até hoje. como um obstáculo à aproximação na caridade, e vota las ao esquecimento; Deplorar, finalmente, os desagradáveis precedentes c os eventos ulteriores que, sob a influência de diversos fa tores. entre os

quais a incompreensão e a desconfiança mútuas, terminaram por conduzir à ruptura efetiva da comunhão eclesiástica O papa Paub VI e o patriarca Atenágoras, juntamente com seu sínodo, estão conscientes de que este gesto de justiça e de perdão não é suficiente para pôr fim às diferenças, antigas Ou mais recentes, que subsistem entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa e que. pela ação do Espínto Santo, serão superadas graças à punficação dos corações, ao anependimento em relação a enganos históricos, bem como a um desejo eficaz de se chegar a uma compreensão e a uma expressão comum da fé apostólica e de suas exigências i. J.

II.

III.

di Documenta!**" C«hu»iin>c

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167

ÍNDICE
UM GUIA PARA PERCORRER A HISTÓRIA DA IGREJA............... GUIA DE LEITURA E DE TRABALHO.........................................................................................
IV. Q

O NASCIMENTO DA IGREJA ..................................................................................................

U

I. Os tempos apostólico»......................................................................................................................... lt O império romano...............................................................................................................................
V.


«J

OS CRISTÃOS NUM MUNDO QUE NÃO OS COMPREENDE (SÉCULOS l-IID. _...............................

33
OUtrOS

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1

É»IÉÍ

II As perseguições..................................___.....-.........................................................—~.......................
1— SER CRISTÃO NOS PRIMEIROS SÉCULOS (SÉCULOS l-lll).......................................................

41

50 I. A liturgia e a oração................................................................«.......................................................... 51 II. A implantação dos mmsténos............................................................................................................... 58 III. Fermentos de divisão e vínculos entre as tgrejas.................................................................................... 62

VI.

70 I. Da liberdade religiosa á posiçòo de religião oficial.......... ........................................................................ 71 II. O desenvolvimento do culto e os progressos da evangelização........ 79 83 til. O meio do monarquismo............................................................
A IGREJA NO IMPÉRIO CRISTÃO (SÉCULOS IV-VI..................................................................... A FORMAÇÃO DO CREDO (SÉCULOS IV-V).......................... Os primeiros concílios ecuménicos na vida Igreja

VII. —

fi —

I. Como Jesus Cnsto e o Espínto Santo são Deus7.........................................................................-............ 90 II. Como Deus e o homem estão unidos em Jesus Cnsto?............................................................................. 96 III A organização eclesial e os vínculos entre Igrejas............. 101 OS PADRES DA IGREJA ........................................................................................................... 105
Os escritores cristãos dos primeiros séculos

I. Quem eâo os Padres da Igreja?............................................................................................................. 106 II. A »dade de ouro dos Padres da Igreja.........................................................................,.......................... 1ÜZ
7 — A ALTA IDADE MÉDIA.......................................................................................................... 1 1 6 Fragmentação e reestruturação do mundo cristão do século V ao século XI

VIII.Invasões e nova geografia religioso...................................................................................-....................... IX. Primeira reestruturação do mundo cristão..................................................................................................

117 124 III. Novo caos e lento retomo ao eojutfcbno................................................................................................ 128
X. XI.

8 — A CRISTANDADE: OS FUNDAMENTOS DC UMA SOCIEDADE (FINAL DO SÉCULO XI — SÉCULO XIID. . . . 135
Os fundamentos da Cristandade medieval............................................................................................ 135 As obras da fé.....-.............................................................................................................................. 144 III A fé inspiradora da intefcgéncio e das artes ........................................................................................... 150 154 EXPANSÃO. CONTESTAÇÃO E DEFESA DA CRISTANDADE (FINAL DO SÉCULO IX - SÉCULO XIIO I. Cruzada e missão................................................................................................................................ 154 III. A repressão da heresia....................................................................—™.................................„.......... 164
— O OUTONO DA CRISTANDADE (SÉCULOS XIV E XVI.................................................................... 169

fl —

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II. As tribulações do papado ............. ...................................................................................................... 172 III A perturbação dos homens......................................................................».....................................•. . 178 IV. Enquanto isso, no teste* 133
A FINAL DE QUINZE SÉCULOS............................................................................................................ 187

Viditridi com üirtjiios duiordi

169

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Eis um percurso de quinze séculos de história da Igreja. Quais as grandes linhas de sua traietória histórica e de seu método? — Em primeiro lugar, não separar a história da Igreja da história geral da humanidade. Os cristãos vivem no mundo e muitos dos acontecimentos políticos sociais e económicos determinaram a vida da Igreja. — Em seguida, utilizar todos os vestígios do passado: edifícios, obras de arte, escavações arqueológicas. — Por último, apresentar diretamente aos leitores as fontes escritas. Este volume confere igual importância aos textos do passado e a apresentação dos acontecimentos. E ele oferece chaves para situar, compreender e apreciar os textos.

Jean Comby, professor da Faculdade Católica de Lião. propõe a questão: Em que consiste ser cristão? E mostra com vivacidade que estudar a condição do cristão dos primeiros séculos ou da Idade Média pode dar uma resposta parcial, mas fundamental, aos mais modernos questionamentos.
9788515015917