1

ARTIGOS ESPÍRITAS LUZ NA MENTE A DOUTRINA ESPÍRITA VISTA POR JORGE HESSEN ANO 2012 Jorge Hessen o grande pensador espírita analisa temas da atualidade tendo como ente a Doutrina Espírita e usando os ditames da reencarnação e da imortalidade da alma. Os artigos espíritas que buscam trazer luzes ao entendimento da vida maior devem ser apreciados aos pesquisadores que não se contentam com superficialidade da vida e que buscam a sua essência.
"Dia virá, em que todos os pequenos sistemas, acanhados e envelhecidos, fundir-se-ão numa vasta síntese, abrangendo todos os reinos da idéia. Ciências, filosofias, religiões, divididas hoje, reunir-se-ão na luz e será então a vida, o esplendor do espírito, o reinado do Conhecimento" Léon Denis

Fontes dos Artigos Espíritas http://jorgehessen.net/page75.php E.mail de contacto do autor jorgehessen@gmail.com

2

Apresentação do autor Jorge Hessen, nascido no Rio de Janeiro a 18/08/1951, Servidor Público Federal, residente em Brasília desde 1972. Formado em Estudos Sociais com ênfase em Geografia e Bacharel e Licenciado em História pela UnB. Escritor com livros publicados: Luz na Mente publicada pela Edicel, Praeiro, um Peregrino nas Terras do Pantanal publicado pela Ed do Jornal Diário de Cuiabá/MT, Anuário Histórico Espírita 2002, uma coletânea de diversos autores e trabalhos históricos de todo o Brasil, coordenado pelo Centro de Documentação Histórica da União das Sociedades Espíritas de São Paulo - USE. Articulista com textos publicados na Revista Reformador da FEB, O Espírita de Brasília, O Médium de Juiz de Fora, Brasília Espírita, Mato Grosso Espírita, Jornal União da Federação Espírita do DF. Artigos publicados na Revista eletrônica O Consolador, no Jornal O Rebate, Diário da Manhã, site da Federação Espírita Espanhola, site da Espiritismogi.com.br. Sumário Centro Espírita não comporta vícios de quaisquer natureza / 05 Sabedoria ou amor? A questão está exposta! / 08 As conseqüências do suicídio e da eutanásia ante as soberanas leis de Deus / 11 Reflexões Históricas e as defecções do Cristianismo sem Jesus / 15 Tatuagens, piercings e outros adereços sob o ponto de vista espírita / 27 Fatalidade como conseqüência da escolha que fazemos / 32 Métodos contraceptivos, uma reflexão espírita / 35 Suicídios na Europa - alguns apontamentos espíritas / 39 A convertida de Migdol, uma apóstola / 42 Não há efeito sem causa, logo, Deus existe! 1 Artigo / 48 Não há efeito sem causa, logo, Deus existe! 2 Artigo / 53 Nascido em tarso, renascido nas vias de Damasco / 58 Guerras e rumores de guerras / 65

3

Por efeito da corrosão moral / 68 Movimento espírita no “mundo do faz de conta” / 71 Será que foi um pueril devaneio?.. / 75 Espiritismo - 155 anos (alguns comentários) / 80 O amor é a força mais abstrata e mais poderosa que o mundo possui (Gandhi) / 83 Estêvão - um fadário de agonia e sublime amor / 85 Perdoar é ter domínio sobre a felicidade para conquistar a paz / 90 Pensar / 93 Suicídio - uma fuga sem norte, sem sentido, sem razão / 96 Aos escravos das bebidas alcoólicas recomendamos Jesus – “vinde a mim...” ( Mateus 11:28-30) / 101 Chico Xavier e os discos voadores / 106 A conexão televisão-violência-comportamento é preocupante / 107 “Pátria do Evangelho” – será que ismael conseguirá conduzir essa empreita? / 111 O Espiritismo ante o censo 2010 – retrato de um panorama que clama por mudanças de rumo / 116 Ser espírita é erigir a paz edificante, organizando o cenário da nova era /
120

Beber alcoólicos é um flagelo social/ 125 Desonestidade e Espiritismo não se coadunam / 128 A desencarnação é a certeza futura que temos / 131 Descriminalização da droga - alguns ajuizamentos espíritas / 136 Idolatria, uma cegueira dos sentimentos / 141 Francisco de Paula Cândido ou puramente o "Cândido Xavier de todos os povos" / 144 Começo do fim do mundo?...qual mundo?... / 149 Aos escravos da bebida indicamos Jesus / 153 Se abraçamos o Espiritismo por ideal... / 158 O Espiritismo é uma religião e nós nos ufanamos disso / 160 Doutores? Ah, sim! Os doutores!... / 165 Deus é o agente iniludível para a explicação da vida / 168 Palestras realizadas na internet (paltalk) / 175 Entrevista - Jornal Verdade e Vida / 176

4

Orientação ao centro espírita - USE / 182 A Revista Aurora Publicou - Espiritismo - 155 anos (alguns comentários)
/ 184

Violação do direito autoral??? Empréstimo de livro pelo centro espírita é violação do “direito autoral”? / 187 Violação do direito autoral publicado no Jornal o Bem / 190 Ante a difusão espírita - algumas palavras / 194 Comunicação na mídia espírita / 197 A família e a educação espírita / 197 Jesus, o mestre por excelência - Jesus foi com toda pujança o mestre por excelência / 198 Artigo publicado no jornal "O Caminho da Luz" / 200

5

Janeiro de 2012 CENTRO ESPÍRITA NÃO COMPORTA VÍCIOS DE QUAISQUER NATUREZA A doença do jogo compulsivo atinge mais de 10% da população mundial. Mark Griffiths, psicólogo britânico, professor da Nottingham Trent University, assegura que o hábito de jogar e apostar, se levado ao extremo, é tão viciante quanto qualquer droga. Pesquisas sobre jogadores crônicos garantem que tais viciados padecem pelo menos um efeito colateral quando sofrem por ocasião de abstinência, como insônia, cefaléias, bulimia, fraqueza física, disritmias cardíacas, consternações musculares, dificuldades de respiração e calafrios. A rigor, todos e quaisquer vícios são, invariavelmente, danosos ao crescimento espiritual do ser humano. Infelizmente, hoje em dia tornou-se "modismo" o hábito da jogatina. O Governo estimula inclusive os sorteios de loteria. Em realidade, para os pesquisadores, os vícios se alargam a partir de uma combinação biológica e genética de uma pessoa, além do ambiente sociocultural em que ela cresce, e sua compleição psicológica, como traços de personalidade, atitudes, experiências, crenças e a própria atividade. Para alguns descrentes, o comportamento exagerado por si só não significa que alguém seja viciado. A diferença fundamental entre o exagero de entusiasmo e o vício é que os entusiastas saudáveis adicionam alegria de viver às atividades, ainda que desprovidas dos objetos de desejo. Não afirmaremos jamais que o vício, mormente o que propomos analisar, seja um problema de criminalidade, mas como um problema de desequilíbrio íntimo, diante das leis da vida. E isto não apenas no terreno em que o vício é mais claramente examinado. Sobre a temática (vício),

6

Chico Xavier disse: “se falamos demasiadamente, estamos viciados no verbalismo excessivo e infrutífero. Se bebemos café excessivamente, estamos destruindo também as possibilidades do nosso corpo nos servir.”(1) Quando ponderamos a palavra vício, podemos também citar os corrompidos pelo álcool, cigarro, dinheiro, comida e recordamos ainda do sexo. Sobre esse último tópico, Chico Xavier instrui: “do sexo herdamos nossa mãe, nosso pai, lar, irmãos, a bênção da família. Tudo isto recebemos através do sexo. No entanto, quando falamos em vício, lembramo-nos do fogo do sexo e a droga... Mas droga é outro problema para nossos irmãos que se enfraqueceram diante da vida, que procuram uma fuga. Não são criminosos; são criaturas carentes de mais proteção, de mais amor. Porque se os nossos companheiros enveredaram pelo caminho da droga, eles procuraram esquecer algo. E esse algo são eles mesmos. Então, precisávamos, talvez, reformular nossas concepções sobre o vício.”(2) Paulo confessou: “não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas a iniqüidade que habita em mim.”(3) Sob o ponto de vista espírita, o vício de jogar pode se tornar um grave entrave moral para o viciado que se diz adepto de Espiritismo, colocando sob suspeita a sua credibilidade. Não é recomendável um Centro espírita angariar recursos oriundos de jogos, pois isso provocará um ambiente desfavorável para a tranqüilidade e harmonia dos freqüentadores. As Instituições Espíritas voltadas a essa prática hospedam inevitavelmente irmãos do além despreparados para os serviços de socorro espiritual que a casa pode oferecer. Ainda que procuremos amenizar os argumentos, em realidade, o vício açoita as bases da consciência cristã e desarmoniza a estrutura psicológica. Alguns confrades são afeitos aos jogos de azar, porém é importante recordá-los de que o hábito persistente de jogar os enlaçará invariavelmente nas urdiduras da obsessão. Tais irmãos poderão ficar encarcerados nas garras insaciáveis do parasitismo ou do vampirismo, e vidas que poderiam ser nobres, dignas, proveitosas, tornam-se vazias, estimulantes de sujeição calamitosa, cujas defecções morais muitas vezes atingem famílias inteiras. No Brasil, há 60 anos, desde o Governo Eurico Gaspar Dutra, os jogos de

7

azar são proibidos. Explorá-los é contravenção penal. Todavia, como assinalo acima, o Governo tem estimulado o jogo de azar (legal). Evocase para tal concessão a sena, a megasena, a quina etc. Lembremos que nem tudo que é legal é moral, muito embora essa diversidade de jogos seja perfeitamente aceita pela sociedade. Quaisquer tipos de jogos nos centros espíritas contrariam os princípios cristãos, pelos efeitos nefastos que provocam aos seus praticantes. Não há como compactuar com tais práticas, que estimulam o ânimo dos dirigentes das instituições a promover rifas, bingos e sorteios viciantes, numa inquietante justificativa de que as finalidades são "justas". Todavia, ainda que para "fins beneficentes", não se justificam os meios comprometedores, consoante admoesta André Luiz, em "Conduta Espírita", publicada pela FEB. É certo que a Doutrina Espírita não é condescendente com quaisquer proibições em suas hostes, desde que observadas as advertências dos Benfeitores quanto aos malefícios que os vícios (no caso, os jogos) causam aos que a eles se afinizam e se entregam. Cremos ser de bom alvitre a consignação, nos dispositivos estatutários e Regimentos Internos da casa espírita, o termo "fica vedado" tal ou qual coisa, pois não faltará quem sugira a divisão da doutrina em Espiritismo Conservador e Espiritismo Liberal, tal qual vem acontecendo - sabemos - com outras religiões, que a cada dia perdem adeptos e, consequentemente, força. Obviamente, se pessoalmente alguém quiser entrar numa casa lotérica e tentar a "sorte", o problema é pessoal, isso é claro, mas se quiser arrastar essa mazela para a comunidade espírita, a questão muda de figura. A partir daí, alguém precisa alçar a questão em benefício dos postulados kardecianos. A despeito de quaisquer pretextos, uma instituição espírita não comporta, em suas instalações, rifas e jogos de azar. Para se angariar recursos visando obras transitórias das edificações materiais, a experiência tem mostrado que podemos pegar a charrua do esforço maior e promovermos os tradicionais almoços fraternos, exibições de fitas cinematográficas, bazares, festival da torta, festival do sorvete etc. Se alguém se dispuser a doar para a instituição um bem de expressivo valor (terreno, casa, carro, jóias), a fim de ser revertido em recursos para

8

obras assistenciais, esforcemo-nos por comercializá-lo a preço de mercado, sem rifar, lembrando sempre o que a sabedoria popular proclama: "o 'pouco' com Deus, é 'muito'!" Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Fonte: "O Espírita Mineiro", número 179, julho/agosto/setembro de 1979. Publicado no livro CHICO XAVIER - MANDATO DE AMOR, Editado abril/1993 pela União Espírita Mineira - Belo Horizonte, Minas Gerais (2) idem (3) Epístola aos Romanos 19-20

Janeiro de 2012 SABEDORIA OU AMOR? A QUESTÃO ESTÁ EXPOSTA! Um confrade perguntou-nos se era mais importante ao espírito encarnado a caridade (amor) ou a intelectualidade (sabedoria). Para esclarecê-lo procuramos beber informações nas fontes do saber emmanuelino. Disselhe que ante as perspectivas do crescimento espiritual, a caridade (sentir) é sobejamente mais importante, na essência, que a inteligência (saber), inobstante necessitarmos das duas asas (amor e sabedoria) para alçar vôos rumo à excelsa destinação luminosa. Em realidade, o sentimento e a sabedoria são as duas asas com que a alma se elevará para a perfeição infinita; os dois são classificados como adiantamento moral e

9

adiantamento intelectual; ambos são imprescindíveis ao progresso, sendo justo, porém, considerar a superioridade do primeiro (sentimento) sobre o segundo (sabedoria), porquanto “a parte intelectual sem a moral pode oferecer numerosas perspectivas de queda, na repetição das experiências, enquanto que o avanço moral jamais será excessivo, representando o núcleo mais importante das energias evolutivas.”(1) Em verdade, a nossa capacidade intelectual é demasiadamente curta, em face dos elevados poderes da personalidade espiritual, independente dos laços da matéria. Segundo Emmanuel, “os elos da reencarnação fazem o papel de quebra-luz sobre todas as conquistas anteriores do Espírito reencarnado. Nessa sombra reside o acervo de lembranças vagas, de vocações inatas, de numerosas experiências, de valores naturais e espontâneos, a que chamamos subconsciência. Aliás, a incapacidade intelectual do homem físico tem sua origem na sua própria situação, caracterizada pela necessidade de provas amargas.” (2) Os valores intelectuais da Terra, atualmente, padecem a afronta de todas as forças corruptoras do declínio. “A atual geração, que tantas vezes se entregou à jactância, atribuindo a si mesma as mais altas conquistas no terreno do raciocínio positivo, operou os mais vastos desequilíbrios nas correntes evolutivas do orbe, com o seu injustificável divórcio do sentimento.” (3) É por esse ensejo que notamos no cenário político-socialeconômico da Terra as aberrações, os absurdos teóricos, os extremismos estabelecendo a inversão de todos os valores. “Excessivamente preocupados com as suas extravagâncias, os missionários da inteligência trocaram o seu labor junto ao espírito por um lugar de domínio, como os sacerdotes religiosos que permutaram a luz da fé pelas prebendas tangíveis da situação econômica.” (4) Entretanto, é imprescindível reconhecer que há uma tarefa especializada da inteligência no orbe terrestre, sobretudo para os que recebem a delegação abençoada, em lutas expiatórias ou em missões santificantes, de ampliar a boa tarefa da inteligência em benefício real da coletividade. É urgente, contudo, a vigilância constante, pois “o destaque intelectual, muitas vezes, obscurece no mundo a visão do Espírito encarnado,

10

conduzindo-o à vaidade injustificável, onde as intenções mais puras ficam aniquiladas.”(5) Outro aspecto que devemos refletir é se devemos, em nome do Espiritismo, buscar os intelectuais para a compreensão dos seus deveres espirituais. Emmanuel responde-nos essa questão de forma categórica: “provocar a atenção dos outros no intuito de regenerá-los, quando todos nós, mesmos os desencarnados, estamos em função de aperfeiçoamento e aprendizado, não parece muito justo, porque estamos ainda com um dever essencial, que é o da edificação de nós mesmos. No labor da Doutrina, temos de convir que o Espiritismo é o Cristianismo redivivo pelo qual precisamos fornecer o testemunho da verdade e, dentro do nosso conceito de relatividade, todo o fundamento da verdade da Terra está em Jesus Cristo.” (6) A Terceira Revelação triunfa por si, sem a concorrência das fracas possibilidades humanas. Ninguém deverá procurar os intelectuais supondo-se elemento indispensável à sua vitória. Emmanuel alerta que “o Espiritismo não necessita de determinados homens (intelectualizados) para consolar e instruir as criaturas, depreendendo-se que os próprios intelectuais do mundo é que devem buscar, espontaneamente, na fonte de conhecimentos doutrinários, o benefício de sua iluminação.” (7) Caro irmão, lembremos que os homens simplórios, iletrados, humildes que “passam a vida inteira trabalhando ao Sol no amanho da Terra, fabricando o pão saboroso da vida, têm mais valor para Deus que os artistas de inteligência viciada, que outra coisa não fazem senão perturbar a marcha divina das suas leis. Portanto, que a expressão de intelectualidade é muito valiosa, não há dúvida, mas não pode prescindir jamais dos valores do sentimento em sua essência sublime.”(8) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Bibliografia: (1) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1990, perg. 204

11

(2) Idem perg. 205 (3) Idem, perg. 206 (4) Idem, perg. 207 (5) Idem, perg. 208 (6) Idem, perg. 210 (7) Idem, (8) Idem

Janeiro de 2012 AS CONSEQÜÊNCIAS DO SUICÍDIO E DA EUTANÁSIA ANTE AS SOBERANAS LEIS DE DEUS Roberto Rodrigues de Oliveira, valendo-se de um capuz, “invadiu” a residência e assassinou Geraldo Rodrigues de Oliveira, seu irmão tetraplégico, a pedido da própria vítima. “Sem poder se movimentar e vivendo em uma cama, Geraldo já havia pedido inclusive para que a exesposa o matasse, o que foi negado. Como não conseguia cometer suicídio, ele propôs ao irmão (Roberto) a simulação do roubo seguido de morte. Roberto Rodrigues aceitou e planejou o crime com a vítima.”(1) O fato ocorreu no interior do estado de São Paulo. O crime foi esquematizado a fim de que parecesse um latrocínio. Roberto se sentia culpado pela situação do Geraldo porque foi o causador do acidente automobilístico que deixou o irmão tetraplégico. A ex-mulher da vítima explicou em depoimento à polícia que Geraldo (um autocida confesso), só pensava em morrer devido à situação em que se encontrava. Não obstante a montagem do cenário para parecer um latrocínio, o pacto criminoso tem algumas sérias implicações espirituais para os envolvidos. Roberto transportará o fardo da culpa pelo homicídio, em que pese a sua

12

consciência dizê-lo estar aplicando a “misericordiosa” eutanásia. E Geraldo carregará nas profundezas da mente o aguilhão da criminosa intenção do suicídio indireto. Embora com rudimentos diferentes quanto ao modus operandis, o “caso Roberto e Geraldo” remete-nos ao “caso Bridget Kathleen Gilderdale”, em que a Justiça inglesa a absolveu pelo crime de tentativa de homicídio por ter induzido ao suicídio a filha Lynn Gilderdale, portadora de esclerose múltipla, que se comunicava apenas através de sinais, e estava, há dezessete anos, aprisionada em uma cama.(2) A corte foi informada de que Lynn já havia tentado se matar antes e registrado um pedido para que não mais fosse ressuscitada. Gilderdale confessou ter auxiliado a filha a suicidar-se depois de ter tentado, sem sucesso, convencê-la a permanecer viva. A decisão do Tribunal de Lewes, no condado de East Sussex, ganhou as páginas dos principais jornais ingleses porque, dias antes, a mesma justiça britânica condenou Frances Inglis à prisão perpétua por ter induzido a morte, com injeções de heroína, o filho que havia sofrido lesão cerebral e estava sob tratamento intensivo desde 2007, gerando o debate sobre mudanças nas leis que tratam de suicídio assistido, eutanásia e homicídio. Enquanto o juiz do caso Gilderdale declarou apoio à ré, o juiz Brian Barker, do caso de Inglis, disse que não há na lei nenhum conceito sobre assassinato misericordioso - isso continua sendo assassinato. A eutanásia vem suscitando controvérsias nos meios jurídicos, lembrando, no entanto, que a nossa Constituição e o Direito Penal Brasileiro são bem claros: constitui assassínio comum. Nas hostes médicas, sob o ponto de vista da ética da medicina, a vida é considerada um dom sagrado e, portanto, é vedada, ao médico, a pretensão de ser juiz da vida ou da morte de alguém. A propósito, é importante deixar consignado que a Associação Mundial de Medicina, desde 1987, na Declaração de Madrid, considera a eutanásia como sendo um procedimento eticamente inadequado. Sem entrar no mérito jurídico do homicídio, as manchetes nos induzem a comentar, doutrinariamente, sobre a eutanásia e o suicídio. A eutanásia, como sabemos, é uma prática que não tem o apoio da Doutrina Espírita. Kardec e os Mentores espirituais já se posicionaram sobre esse tema.

13

Nem sempre conhecemos as reflexões que o Espírito pode fazer nas convulsões da dor física e os tormentos que lhe podem ser poupados graças a um relâmpago de arrependimento. Dessa forma, entendamos e respeitemos a dor, como instrutora das almas e, sem vacilações ou indagações descabidas, amparemos quantos lhe experimentam a presença constrangedora e educativa, lembrando sempre que a nós compete, tão somente, o dever de servir, porquanto a Justiça, em última instância, pertence a Deus, que distribui conosco o alívio e a aflição, a enfermidade, a vida e a morte, no momento oportuno. Muitos infelizes crêem que a solução para seus sofrimentos é o suicídio. Todavia, afirmamos que além de sofrer no mundo espiritual as dolorosas consequências de seu gesto equivocado de revolta diante das leis da vida, o autocida ainda renascerá com todas as seqüelas físicas daí resultantes, e terá que enfrentar novamente a mesma situação dolorosa que a sua inexistente fé e distanciamento de Deus não lhe permitiram o êxito existencial. Após a desencarnação, não há tribunal nem Juízes para condenar o Espírito, ainda que seja o mais culpado. Fica ele, simplesmente, diante da própria consciência, nu perante si mesmo e todos os demais, pois nada pode ser escondido na consciência espiritual, tendo o indivíduo de enfrentar suas próprias criações mentais. O suicídio é a mais desastrada maneira de fugir das provas ou expiações pelas quais devemos passar. É uma porta falsa em que o indivíduo, julgando libertar-se de seus males, precipita-se em situação muito pior. Arrojado, violentamente, para o Além-túmulo, em plena vitalidade física, revive, intermitentemente, por muito tempo, os acicates de consciência e sensações dos derradeiros instantes, além de ficar submerso em regiões de penumbras, onde seus tormentos serão importantes para o sacrossanto aprendizado, flexibilizando-o e credenciando-o a respeitar a vida com mais empenho. André Luiz cita nas suas obras que "os estados da mente são projetados sobre o corpo através dos bióforos, que são unidades de força psicossomáticas que se localizam nas mitocôndrias. A mente transmite seus estados felizes ou infelizes a todas as células do nosso organismo

14

através dos bióforos. Ela funciona ora como um sol, irradiando calor e luz, equilibrando e harmonizando todas as células do nosso organismo, ora como tempestades, gerando raios e faíscas destruidoras que desequilibram o ser, principalmente em atingindo as células nervosas".(3) O verdadeiro cristão porta-se, sempre, em favor da manutenção da vida e com respeito aos desígnios de Deus, buscando não só minorar os sofrimentos do próximo - sem eutanásias, claro! - mas também confiar na justiça e na bondade divina, até porque, nos Estatutos de Deus não há espaço para injustiças. Somos responsáveis pela situação em que o mundo se encontra. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Disponível em: http://eptv.globo.com/noticias/NOT,3,10,375412,Homem+encomendou+a +propria+morte+por+ser+tetraplegico+Rio+Claro.aspx (2) Lynn sofria desde os 14 anos de encefalomielite miálgica. A doença que afeta o sistema nervoso e lhe privou dos movimentos da cintura para baixo e da capacidade de engolir alimentos. (3) Xavier, Francisco Cândido, Missionário da Luz, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB 2003

15

Janeiro de 2012 REFLEXÕES HISTÓRICAS E AS DEFECÇÕES DO CRISTIANISMO SEM JESUS Com base nas declarações do Espírito Emmanuel, decidimos formatar e publicar em nossas páginas as ajuizadas reflexões históricas sobre o Cristianismo sem Jesus, conforme foram publicadas no livro A Caminho da Luz. Fazendo isso, estamos oportunizando aos leitores conhecer um pouco melhor Emmanuel e a famosa Carta do Bispo Strossmayer, lida no Vaticano em 1870, quando da decretação da Infalibilidade papal. Segundo escreve o mentor de Chico Xavier, no capítulo intitulado IDENTIFICAÇÃO DA BESTA APOCALÍPTICA, sobre as narrativas do Apocalipse, lemos que “a besta poderia dizer grandezas e blasfêmias por 42 meses, acrescentando que o seu número era o 666 (Apoc. XIII, 5 e 18). Examinando-se a importância dos símbolos naquela época e seguindo o rumo certo das interpretações, podemos tomar cada mês como sendo de 30 anos, em vez de 30 dias, obtendo, desse modo, um período de 1260 anos comuns, justamente o período compreendido entre 610 e 1870, da nossa era, quando o Papado se consolidava, após o seu surgimento, com o imperador Focas, em 607, e o decreto da infalibilidade papal com Pio IX, em 1870, que assinalou a decadência e a ausência de autoridade do Vaticano em face da evolução científica, filosófica e religiosa da Humanidade.”(1) Com referência ao fantasmagórico número 666, Emmanuel pronuncia: “sem nos referirmos às interpretações com os números gregos, em seus valores, devemos recorrer aos algarismos romanos, em sua significação, por serem mais divulgados e conhecidos, explicando que é o Sumo-Pontífice da igreja romana quem usa os títulos de "VICARIVS GENERALIS DEI IN TERRIS", "VICARIVS FILII

16

DEI" e "DVX CLERI", que significam "Vigário-Geral de Deus na Terra", "Vigário do Filho de Deus" e "Príncipe do Clero". Bastará ao estudioso um pequeno jogo de paciência, somando os algarismos romanos encontrados em cada titulo papal a fim de encontrar a mesma equação de 666, em cada um deles. Vê-se pois, que o Apocalipse de João tem singular importância para os destinos da Humanidade terrestre.”(2) Emmanuel ainda tece comentários sobre as PROVAÇÕES DA IGREJA, lembrando que “aproximando-se o ano de 1870, que assinalaria a falência da Igreja com a declaração da infalibilidade papal, o Catolicismo experimenta provações amargas e dolorosas. Exaustos de suas imposições, todos os povos cultos da Europa não enxergaram nas suas instituições senão escolas religiosas, limitando-se-lhes as finalidades educativas e controlando-se-lhes o mecanismo de atividades.” (3) Recorda o autos espiritual de “Há dois mil anos” que “compreendendo que o Cristo não tratara de açambarcar nenhum território do Globo, os italianos, naturalmente, reclamaram os seus direitos no capítulo das reivindicações, procurando organizar a unidade da Itália sem a tutela do Vaticano. Desde 1859 estabelecera-se a luta, que foi por muito tempo prolongada em vista da decisão da França, que manteve todo um exército em Roma para garantia do pontífice da Igreja. Mas a situação de 1870 obrigara o povo francês a reclamar a presença dos guardas do Vaticano, triunfando as idéias de Cavour e privando-se o papa de todos os poderes temporais, restringindo-se a sua posse material. Começa, com Pio IX, a grande lição da Igreja. O período das grandes transformações estava iniciado, e ela, que sempre ditara ordens aos príncipes do mundo, na sua sede de domínio, iria tornar-se instrumento de opressão nas mãos dos poderosos. Observava-se um fenômeno interessante: a Igreja, que nunca se lembrara de dar um título real à figura do Cristo, assim que viu desmoronarem os tronos do absolutismo com as vitórias da República e do Direito, construiu a imagem do Cristo-Rei para o cume dos seus altares.”.(4) Emmanuel cita ainda que após as “afirmativas do Sílabo e depois do famoso discurso do bispo Strossmayer (*) (vide discurso abaixo), em 1870, no Vaticano, quando Pio IX decretava a infalibilidade pontifícia”(5), o Clero tenta reabilitar-se através de encíclicas de cunho

17

social. Jorge Hessen http://jorgehessen.net (*)(Discurso pronunciado no célebre Concílio de 1870 , pelo Bispo Strossmayer) (6) “Veneráveis padres e irmãos: Não sem temor, porém com uma consciência livre e tranqüila, ante Deus que nos julga, tomo a palavra nesta augusta assembléia. Prestei toda a minha atenção aos discursos que se pronunciaram nesta sala, e anseio por um raio de luz que, descendo de cima, ilumine a minha inteligência e me permita votar os cânones deste Concílio Ecumênico com perfeito conhecimento de causa. Compenetrado da minha responsabilidade, pela qual Deus me pedirá contas, estudei com a mais escrupulosa atenção os escritos do Antigo e Novo Testamento, e interroguei esses veneráveis monumentos da Verdade: se o pontífice que preside aqui é verdadeiramente o sucessor de São Pedro, Vigário do Cristo e Infalível Doutor da Igreja. Transporei-me aos tempos em que ainda não existiam o Ultramontanismo e o Galicanismo, em que a Igreja tinha por doutores: Paulo, Pedro, Tiago e João, aos quais não se pode negar a autoridade divina, sem pôr em dúvida o que a santa Bíblia nos ensina, santa Bíblia que o Concílio de Trento proclamou como a Regra da Fé e da Moral. Abri essas sagradas páginas e sou obrigado a dizer-vos: nada encontrei que sancione, próxima ou remotamente, a opinião dos ultramontanos? E maior é a minha surpresa quando, naqueles tempos apostólicos, nada há que fale de papa sucessor de São Pedro e Vigário de Jesus Cristo! Vós, Monsenhor Manning, direis que blasfemo; vós, Monsenhor Pio, direis que estou demente! Não, monsenhores; não blasfemo, nem perdi o juízo! Tendo lido todo o Novo Testamento, declaro, ante Deus e com a mão sobre o crucifixo, que nenhum vestígio encontrei do papado. Não me recuseis a vossa atenção, meus veneráveis irmãos! Com os vossos

18

murmúrios e interrupções, justificais os que dizem, como o Padre Jacinto, que este concílio não é livre se assim for, tende em vista que esta augusta assembléia, que prende a atenção de todo o mundo, cairá no mais terrível descrédito. Agradeço a S. Excia. o Monsenhor Dupanloup, o sinal de aprovação que me faz com a cabeça; isso me alenta e me faz prosseguir. Lendo, pois, os santos livros, não encontrei neles um só capítulo, um só versículo que dê a Pedro a chefia sobre os apóstolos. Não só o Cristo nada disse sobre esse ponto, mas, ao contrário, prometeu tronos a todos os apóstolos (Mateus, XIX, 28), sem dizer que o de Pedro seria mais elevado que os dos outros! Que diremos do seu silêncio? A lógica nos ensina a concluir que o Cristo nunca pensou, em elevar Pedro à chefia do Colégio Apostólico. Quando o Cristo enviou os seus discípulos a conquistar o mundo, a todos - igualmente - deu o poder de ligar e desligar, a todos - igualmente - fez a promessa do Espírito Santo. Dizem as Santas Escrituras que até proibiu a Pedro e a seus colegas de reinarem ou exercerem senhoria (Lucas, XXII, 25 e 26). Se Pedro fosse eleito Papa Jesus - não diria isso, porque, segundo a nossa tradição, o papado tem uma espada em cada mão, simbolizando os poderes espiritual e temporal. Ainda mais: se Pedro fosse papa ou chefe dos apóstolos, permitiria que esses seus subordinados o enviassem, com João, a Samaria, para anunciar o Evangelho do Filho de Deus? (Atos, VIII, 14). Que direis vós, veneráveis irmãos, se nos permitíssemos, agora mesmo, mandar Sua Santidade Pio IX, que aqui preside, e Sua Eminência, Monsenhor Plantier, ao Patriarca de Constantinopla, para convencê-lo de que deve acabar com o Cisma do Oriente? O símile é perfeito, haveis de concordar! Mas temos coisa ainda melhor: Reuniu-se em Jerusalém um concílio ecumênico para recindir questões que dividiam os fiéis.

19

Quem devia convocá-lo? Sem dúvida Pedro, se fosse papa. Quem devia presidi-lo? Por certo que Pedro. Quem devia formular e promulgar os cânones? Ainda Pedro, não é verdade? Pois bem: nada disso sucedeu! Pedro assistiu ao concílio com os demais Apóstolos, sob a direção de Tiago! (Atos, XV). Assim, parece-me que o filho de Jonas não era o primeiro, como sustentais. Encarando agora por outro lado, temos: enquanto ensinamos que a Igreja está edificada sobre Pedro, Paulo (cuja autoridade devemos todos acatar) diz-nos que ela está edificada - sobre o fundamento da fé dos apóstolos e profetas, sendo a principal pedra do ângulo, Jesus Cristo (Efésios, II, 20). Esse mesmo Paulo, ao enumerar os ofícios da Igreja, menciona apóstolos, profetas, evangelistas e pastores; e será crível que o grande Apóstolo dos Gentios se esquecesse do papado, se o papado existisse? Esse olvido me parece tão impossível como o de um historiador deste concílio que não fizesse menção de Sua Santidade Pio IX. (Apartes: Silêncio, herege! Silêncio!) Calmai-vos, veneráveis irmãos, porque ainda não concluí. Impedindo-me de prosseguir, provareis ao mundo que sabeis ser injustos, tapando a boca do mais pequeno membro desta assembléia. Continuarei: O Apóstolo Paulo não faz menção, em nenhuma das suas Epístolas, às diferentes Igrejas, da primazia de Pedro; se essa existisse e se ele fosse infalível como quereis, poderia Paulo deixar de mencioná-la, em longa Epístola sobre tão importante ponto? Concordai comigo: A Igreja nunca foi mais bela, mais pura e mais santa que naqueles tempos em que não tinha papa. (Apartes: não é exato! não é exato!) Por que negais, Monsenhor de Laval? Se algum de vós outros, meus veneráveis irmãos, se atreve a pensar que a Igreja, que hoje tem um papa (que vai ficar infalível), é mais firme na fé e mais pura na moralidade que a Igreja Apostólica, diga-o abertamente ante o Universo, visto como este recinto é um centro do qual as nossas palavras voam de pólo a pólo! Calai-vos? Então continuarei:

20

Também nos escritos de Paulo, de João, ou de Tiago, não descubro traço algum do poder papal! Lucas, o historiador dos trabalhos missionários dos apóstolos guarda silêncio sobre tal assunto! Isso vos deus preocupar muito. Não me julgueis um cismático! Entrei pela mesma porta que vós outros; o meu titulo de bispo deu-me direito a comparecer aqui, e a minha consciência, inspirada no verdadeiro Cristianismo, me obriga a dizer-vos o que julga ser verdade. Penso que, se Pedro fosse vigário de Jesus Cristo, ele não o sabia, pois que nunca procedeu como papa: nem no dia de Pentecostes, quando pregou o seu primeiro sermão, nem no Concílio de Jerusalém, presidido por Tiago, nem em Antioquia, nem nas Epístolas que dirigiu às Igrejas. Será possível que ele fosse papa sem o saber? Parece-me escutar de todos os lados: Pois Pedro não esteve em Roma? Não foi crucificado de cabeça para baixo? Não existem os lugares onde ensinou e os altares onde disse missa nessa cidade? E eu responderei: Só a tradição, veneráveis irmãos, é que nos diz ter Pedro estado em Roma; e como a tradição é tão somente a tradição da sua estada em Roma, é com ele que me provareis o seu episcopado e a sua supremacia? Scalígero, um dos mais eruditos historiadores, não vacila em dizer que o episcopado de Pedro e a sua residência em Roma devem-se classificar no número das lendas mais ridículas! (Repetidos gritos e apartes: tape-lhe a boca, fazei-o descer dessa cadeira!) Meus veneráveis irmãos, não faço questão de calar-me, como quereis, mas não será melhor provar todas as coisas como manda o apóstolo e crer só no que for bom? Lembrai-vos de que temos um ditador ante o qual todos nós, mesmo Sua Santidade Pio IX, devemos curvar a cabeça: Esse ditador, vós bem o sabeis, é a História! Permiti que repita: folheando os sagrados escritos, não encontrei ó mais leve vestígio do papado nos tempos apostólicos. E, percorrendo os Anais da Igreja, nos quatro primeiros séculos, o mesmo sucedeu! Confessar-vos-ei que encontrei o seguinte:

21

Que o grande Santo Agostinho, Bispo de Hipona, honra e glória do Cristianismo e secretário no Concílio de Melive, nega a supremacia ao bispo de Roma! Que os bispos da África, no Sexto Concílio de Cartago, sobe presidência de Aurélio, bispo dessa cidade, admoestavam a Celestino, Bispo de Roma, por supor-se superior aos demais bispos, enviando-lhes comissionados e introduzindo o orgulho na Igreja. Que portanto, o papado não é instituição divina. Deveis saber, meus veneráveis irmãos, que os padres do Concílio de Calcedônia colocaram os bispos da antiga e da nova Roma na mesma categoria dos demais bispos. Que aquele Sexto Concílio de Cartago proibiu o título de Príncipe dos Bispos, por não haver soberania entre eles. E que São Gregório I escreveu estas palavras, que muito aproveitam à tese: "Quando um patriarca se intitula Bispo Universal, o título de patriarca sofre incontestavelmente descrédito. Quantas desgraças não devemos nós esperar, se entre os sacerdotes se suscitarem tais ambições? Esse bispo será o rei dos orgulhosos! (Pelágio II, Cett. 15). Com tais autoridades e muitas outras que poderia citar-vos, julgo ter provado que os primeiros bispos de Roma não foram reconhecidos como bispos universais ou papas, nos primeiros séculos do Cristianismo. E para mais reforçar os meus argumentos, lembrarei aos meus veneráveis irmãos que foi Osio, bispo de Córdova, quem presidiu o Primeiro Concílio de Nicéia, redigindo os seus cânones; e que foi ainda esse bispo que, presidindo o Concílio de Sardica, excluiu o enviado de Júlio, Bispo de Roma! Mas da direita me citaram estas palavras do Cristo “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Sois, portanto, chamados para este terreno. Julgais, veneráveis irmãos, que a rocha ou pedra sobre que a Santa Igreja está edificada é Pedro; mas permiti que eu discorde desse vosso modo de pensar. Diz Cirilo, no seu quarto livro sobre a Trindade: “A rocha ou pedra de que nos fala Mateus é a fé imutável dos Apóstolos”.

22

Olegário, Bispo de Poitiers, em seu segundo livro sobre a Trindade, repete: “aquela pedra é a rocha da fé confessada pela boca de Pedro. É no seu sexto livro mais luz nos fornece dizendo: “e sobre esta rocha da confissão da fé que a Igreja está edificada”. Jerônimo no sexto livro sobre Mateus é de opinião de que Deus fundou a sua Igreja, sobre a rocha, ou pedra, que deu nome a Pedro. Nas mesmas águas navega Crisóstomo, quando, em sua homilia 56 a respeito de Mateus, escreve: "Sobre esta rocha edificarei a minha Igreja: e esta rocha é a confissão de Pedro." E eu vos perguntarei, veneráveis irmãos, qual foi à confissão de Pedro? Já que não me respondeis, eu vô-la darei: "Tu és o Cristo, o filho de Deus.''Ambrósio, Arcebispo de Milão; Basílio de Salência e os padres do Concílio de Calcedônia, ensinam precisamente a mesma coisa. Entre os doutores da Antiguidade Cristã, Agostinho ocupa um dos primeiros lugares, pela sua sabedoria, e pela sua santidade. Escutai como ele se expressa sobre a Primeira Epístola de João: "Edificarei a minha Igreja sobre esta rocha, significa claramente que é sobre a fé de Pedro." No seu tratado 124, sobre o mesmo João, encontra-se esta frase significativa: "Sobre esta rocha, que acabais de confessar, edificarei a minha Igreja; e a rocha era o próprio Cristo, filho de Deus." Tanto esse grande e santo bispo não acreditava que a Igreja fosse edificada sobre Pedro, que disse em seu sermão n. 13: "Tu és Pedro, e sobre esta rocha ou pedra, que me confessaste, que reconheceste, dizendo: Tu és o Cristo, o filho de Deus vivo, edificarei a minha Igreja; sobre mim mesmo: pois sou o Filho de Deus vivo, edificarei sobre mim mesmo, e não sobre ti." Haverá coisa mais clara e positiva? Deveis saber que essa compreensão de Agostinho; sobre tão importante ponto do Evangelho, era a opinião corrente do mundo cristão naqueles tempos. Estou certo de que não me contestareis. Assim é que, resumindo, vos direi: .ª Que Jesus deu aos outros apóstolos o mesmo poder que deu a Pedro. .ª Que os apóstolos nunca reconheceram em Pedro a qualidade de vigário do Cristo e infalível Doutor da Igreja.

23

.ª Que o mesmo Pedro nunca pensou ser papa, nem fez coisa alguma como papa. .ª Que os concílios dos quatro primeiros séculos nunca deram, nem reconheceram o poder e a jurisdição que os bispos de Roma queriam ter. .ª Que os Padres da Igreja, na famosa passagem: “Tu és Pedro e sobre essa pedra (a confissão de Pedro) edificarei a minha Igreja” nunca entenderam que a Igreja estava edificada sobre Pedro (super petrum), isto é: sobre a confissão da fé do Apóstolo. Concluo, pois, como a História, a razão, a lógica, o bom senso e a consciência do verdadeiro cristão, que Jesus não deu supremacia alguma a Pedro, e que os Bispos de Roma só se constituíram soberanos da Igreja confiscando um por um, todos os direitos do episcopado! (Vozes de todos os direitos do episcopado! vozes de todos os lados: Silêncio, Insolente! Silêncio! Silêncio!) Não sou insolente! Não, mil vezes não! Contestai a História, se ousais fazê-lo; mas ficai certos de que não a destruireis! Se eu alguma inverdade, ensinai-me isso com a História, da qual vos prometo fazer a mais honrosa apologia! Mas, compreendei que não disse ainda tudo quanto quero e posso dizer! Ainda que a fogueira me aguardasse lá fora, eu não me calaria! Sedes pacientes como manda Jesus. Não juntei a cólera ao orgulho que vos domina! Disse Monsenhor Dupanloup, nas suas célebres Observações sobre este Concílio do Vaticano, e com razão, que se declararmos infalível a Pio IX, necessariamente precisamos sustentar que infalíveis também eram todos os seus antecessores. Porem, veneráveis irmãos, com a História na mão, vos provareis que alguns papas faliram. Passo a provar-vos, meus veneráveis irmãos, com os próprios livros existentes na Biblioteca deste Vaticano, como é que faliram alguns dos papas que nos têm governado: O papa Marcelino entrou no Templo de Vesta e ofereceu incenso à deusa do Paganismo. Foi, portanto, idolatra; ou pior ainda foi apóstata.

24

Libório consentiu na condenação de Atanásio; depois passou-se para o Arianismo. Honório aderiu ao monoteísmo. Gregório I chamava Anticristo ao que se impunha como Bispo Universal; entretanto, Bonifácio III conseguiu obter do parricida Imperador Focas este título em 607. Pascoal II e Eugênio III autorizavam os duelos, condenados pelo Cristo: enquanto que Julio II e Pio IV os proibiram. Adriano II, em 872, declarou válido o casamento civil; entretanto, Pio VII, em 1823, condenou-o! Xisto V publicou uma edição da Bíblia, e com uma bula recomendou a sua leitura; e aquele Pio VII excomungou a edição! Clemente XIV aboliu a Companhia de Jesus, permitida por Paulo III; e Pio VII restabeleceu-a! Porém, para que mais provas? Pois o nosso Santo Padre Pio IX não acaba de fazer a mesma coisa quando, na sua bula para os trabalhos deste Concílio, dá como revogado tudo quanto se tenha feito em contrário ao que aqui for determinado, ainda mesmo tratando-se de decisões dos seus antecessores? Até isso negareis? Nunca eu acabaria, meus veneráveis irmãos, se me propusesse a apresentar-vos todas as contradições dos papas, em seus ensinamentos! Como então se poderá dar-lhes a infalibilidade? Não sabeis que, fazendo infalível Sua Santidade, que presente se acha e me ouve, tereis de negar a sua falibilidade e a dos seus antecessores. E atrevereis a sustentar que o Espírito Santo vos revelou que a infalibilidade dos papas data apenas deste ano de 1870? Não vos enganeis a vós mesmos: Se decretais o dogma da infalibilidade papal, vereis os protestantes, nossos rancorosos adversários, penetrarem por larga brecha com a bravura que lhes dá a História. E que tereis vós a opor-lhes? O silêncio, se não quiserdes desmoralizarvos. (Gritos: É demais; basta! basta!) Não griteis, monsenhores! Temer a História, é confessar-vos derrotados! Ainda que pudésseis fazer correr toda a água do Tibre sobre ela, não borraríeis nem uma só de suas páginas! Deixai-me falar e serei breve.

25

Virgílio comprou o papado de Belizário, tenente do Imperador Justiniano. Por isso foi condenado no Segundo Concílio da Calcedônia, que estabeleceu este cânone: "O bispo que se eleve por dinheiro será degradado". Sem respeito àquele cânone, Eugênio III, seis séculos depois, fez o mesmo que Virgílio, e foi repreendido por Bernardo, que era a estrela brilhante do seu tempo. Deveis conhecer a história do Papa formoso: Estevão XI fez exumar o seu corpo, com as vestes pontificais: mandou cortar-lhe os dedos e o arrojou no Tibre. Estevão foi envenenado; e tanto Romano como João, seus sucessores, reabilitaram a memória de Formoso. Lede Plotino, lede Barônio, Barônio, o Cardeal! É dele que me sirvo! Barônio chega a dizer que as poderosas cortesãs vendiam, trocavam e até se apoderavam dos bispados; e, horrível é dizê-lo, faziam seus amantes serem papas! Genebrado sustenta que, durante 150 anos, os papas, em vez de apóstolos, foram apóstatas! Deveis saber que o Papa João XII foi eleito com a idade de apenas dezoito anos; e que seu antecessor era filho do Papa Sérgio com Marozzia! Que Alexandre XI era... nem me atrevo a dizer o que ele era de Lucrecia! e que João XXII negou a imortalidade da alma, sendo deposto pelo Concílio de Constança. Já nem falo dos cismas que tanto têm desonrado a Igreja. Volto, porém, a dizer-vos que se decretais a infalibilidade do atual Bispo de Roma, devereis decretar também a da todos os seus antecessores: mas, vós atrevereis a tanto? Sereis capazes de igualar, a Deus todos os incestuosos, avaros, homicidas e simoníacos Bispos de Roma? (Gritos: Descei da cadeira, descei já! Tapemos a boca desse herege). Não griteis, meus veneráveis irmãos. Com gritos nunca me convencereis! História protestará eternamente sobre o monstruoso dogma da infalibilidade papal; e, quando mesmo todos vós aproveis, faltará um voto, e esse voto é o meu! Mas, voltemos à doutrina dos Apóstolos:

26

Fora dela só há erros, trevas e falsas tradições. Tomemos a eles e aos profetas nossos únicos mestres, sob a chefia da Jesus. Firmes e imóveis como a rocha, constantes e incorruptíveis nas inspiradas Escrituras digamos ao mundo: Assim como os sábios da Grécia foram vencidas Paulo, assim a Igreja Romana será vencida pelo seu 98 (Gritos clamorosos: Abaixo o protestante! Abaixo o calvinista! Abaixo o traidor da Igreja!) Os vossos gritos, monsenhores, não me atemorizam, e só vos comprometem. As minhas palavras têm calor, mais minha cabeça está perene. Não sou de Lutero, nem de Calvino, nem de Paulo, e, sim, e tão somente, do Cristo! (Novos gritos: Anátema! Anátema vos lançamos!) Anátema! Anátema! para os que contrariam a Doutrina de Jesus! Ficai certos de que os apóstolos, se aqui comparecessem, vos diriam a mesma coisa que vos acabo de declarar. Que lhes direis vós, se eles, que predicaram e confirmaram com o seu sangue, lembrando-os o que escreveram, vos mostrassem o quanto tendes deturpado o Evangelho do Amado Filho de Deus? Acaso lhes diríeis: Preferimos a doutrina dos Loiolas à do Divino Mestre? Não! mil vezes não! A não ser que tenhais tapado os ouvidos, fechado os olhos e embotado a vossa inteligência, o que não creio. Oh! se Deus nos quer castigar fazendo cair pesadamente a sua mão sobre nós, como fez ao faraó, não precisa permitir que os soldados de Garibaldi nos expulsem daqui; basta deixar que façais de Pio IX um Deus, como já fizeste uma deusa de Maria! Evitai, sim, evitai, meus veneráveis irmãos, o terrível precipício a cuja borda estais colocados! Salvai a Igreja do naufrágio, que a ameaça, e busquemos todos, nas sagradas Escrituras, a regra da Fé que devemos ter e professar! Digne-se de assistir-me! Tenho concluído! (Todos os padres se levantaram, muitos sairão da sala; porém, alguns prelados Italianos, americanos, franceses e Ingleses rodearam o inspirado orador e, com fraternais apertos de mão, demonstraram concordar com o seu modo de pensar.)” Coisa singular: desde a tal infalibilidade dos papas, vem a Igreja como se atirando num despenhadeiro, de cabeça para baixo!”

27

Quão inspirado estava o Bispo Strossmayer! Referências bibliográficas: (1) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo espírito Emmanuel, 22 a. edição, pag. 123 Rio de Janeiro, Ed FEB, 1996 (2) idem (3) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo espírito Emmanuel, 22 a. edição, pag. 193 Rio de Janeiro, Ed FEB, 1996 (4) idem (5) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo espírito Emmanuel, 22 a. edição, pag. 197 Rio de Janeiro, Ed FEB, 1996 (6) Fonte http://www.autoresespiritasclassicos.com/Autores%20Espiritas %20Classicos%20%20Diversos/Cairbar%20Schutel/10/Cairbar %20Schutel%2

Janeiro de 2012 TATUAGENS, PIERCINGS E OUTROS ADEREÇOS SOB O PONTO DE VISTA ESPÍRITA Alguém nos questionou se se usar uma tatuagem na pele teria influência sobre o perispírito. Há dirigentes de casas espíritas advertindo que todas as pessoas que fizeram ou pensam em gravar tatuagens ou usar piercings, automaticamente estarão em processo de obsessão. Alguns cristãos baseiam-se nas Antigas Escrituras, onde encontramos advertência aos israelitas de “que não deveriam marcar o corpo, fazer cicatrizes com açoites como autoflagelo, por nenhum motivo.”.(1)

28

Conhecemos líderes espíritas convictos de que pessoas que tatuam o corpo inteiro ou o enchem de piercings são espíritos primários que ainda carregam lembranças intensas de experiências pretéritas, sobretudo dos tempos dos bárbaros, quando belicosos e cruéis serviam-se dessas marcas na pele para se impor ante os adversários. Positivamente não identificamos pontos de caráter prático no uso de tatuagens, especialmente se a lesão imposta ao próprio corpo for por mero capricho. Isso sim, refletirá invariavelmente no perispírito, já que, sendo o corpo físico (templo da alma) um consentimento divino para nossas provas e expiações, devemos mantê-lo dignamente protegido e saudável. Entretanto, será que o uso de piercings e tatuagens sobrepujam qualidades morais? Quem pode penetrar na intimidade do semelhante e saber o que aí ocorre? Sob a percepção histórica, a tatuagem é uma técnica ancestral que se esvai na memória cultural das civilizações. Antigamente eram aplicadas para marcar o corpo de um escravo com o símbolo do proprietário. Gravavamse os corpos das prostitutas com o emblema de um reino, governo ou estado. Servia também para estigmatizar o corpo da mulher adúltera. Ainda hoje é tradição o seu uso no corpo de príncipes de tribos beduínas, africanas e das ilhas do pacífico. Presentemente, servem para marcar o corpo de membros de gangues, grupos de atletas esportistas (surfe, motociclismo), "beatniks" (movimento sociocultural nos anos 50 e princípios dos anos 60 que subscreveram um estilo de vida antimaterialista, na sequência da 2.ª Guerra Mundial.), hippies, roqueiros e alastrados principalmente entre jovens comuns dos dias de hoje. Os que se tatuam devem procurar identificar seus motivos íntimos. Recordemos que o corpo é o templo do Espírito e não nos pertence, portanto, é importante preservá-lo contra agressões que possam mutilar a sua composição natural. Há os que usam vários brincos, piercings e outros adereços. Haveria a mutilação espiritual por causa desses apetrechos? Talvez sim, provavelmente não! O certo é que o perispírito é efetivamente lesado pela defecção moral, desequilíbrio emocional que leva a suicídios

29

diretos e indiretos; vícios físicos e mentais, rancores, pessimismos, ambição, vaidade desmesurada, luxúria. Esfola-se o corpo espiritual todas as vezes que se prejudica o semelhante através da maledicência, da agressividade, da violência de todos os níveis, da perfídia. Destarte, analisado por esse prisma, os adereços afetam menos o corpo perispirítico. Principalmente porque na atualidade muitos desses adornos que ferem o corpo físico podem ser revertidos, já na atual encanação, e naturalmente não repercutirá no tecido perispiritual. André Luiz elucida que o perispírito não é reflexo do corpo físico; este é que reflete a alma. “As lesões do corpo físico só terão, pois, repercussão no corpo espiritual se houver fixação mental do indivíduo diante do acontecido ou se o ato praticado estiver em desacordo com as leis que regem a vida.”.(2) As tatuagens e as pequenas mutilações que alguns indivíduos elaboram como forma de demonstrar amor a exemplo de alguém que grava o nome do pai ou da mãe no corpo de modo discreto não trariam, logicamente, os mesmos efeitos que ocorreriam com aqueles que se tatuam de modo resoluto, movimentados por anseios mais grosseiros. Curiosamente, muitas pessoas, retornando ao plano espiritual, podem optar pelo uso dos adornos aqui discutidos. Segundo o autor do livro Nosso Lar, “os desencarnados podem, sob o ponto de vista fluídico, moldar mentalmente e de maneira automática, no mundo dos Espíritos, roupas e objetos de uso e gosto pessoal. Destarte, é perfeitamente possível, embora lamentemos, que um ser no além-túmulo permaneça condicionado aos vícios, modismos e tantas outras coisas frívolas da sociedade terrena.”.(3) No que concerne às tatuagens especificamente, por ser um tipo de insígnia permanente, pode, sem dúvida, ocasionar conflitos mentais. A começar na atual encarnação, quando chega a ocasião em que o tatuado se arrepende, após ter mudado de idéia, em relação à finalidade da tatuagem. Concebamos que seja o apelido, sobrenome, o desenho ou algum emblema de alguma pessoa que já não estima, não ama ou qualquer outra silueta que já não aceita em seu corpo. Então, o que era um mero enfeite,

30

culmina cansando a estética e torna-se um problema particular de complexa solução. Então, por que a pessoa se permite tatuar? Nas culturas primitivas se usavam tatuagens com finalidades mágicas, para evocar a interferência de divindades, para o bem ou o mal. Hoje é, para muitos indivíduos, uma espécie de ritual de passagem, envolvendo a integração num grupo. Pode ser também de identificação. Pela tatuagem a pessoa está dizendo algo de si mesma. Nas estruturas dos códigos espíritas não há espaços para proibições. Não obstante, a Doutrina dos Espíritos oferece-nos subsídios para ponderação a fim de que decidamos racionalmente sobre o que, como, quando, onde fazer ou deixar de fazer (livre-arbítrio). Evidentemente que não é o uso de tatuagens que retratará a índole e o caráter de alguém. Todavia, não podemos perder de vista que alguns modelos de tatuagens, com pretextos sinistros, podem ser classificados (sem anátemas) como censuráveis e inadequados para um cristão de qualquer linhagem. Nesse contexto, é importante compreender a pessoa de forma integral. As características anunciadas no corpo são resultados de seus estados mentais, reflexos das experiências culturais, aprendizados e interpretação de mundo. Como dissemos, o Espiritismo não proíbe nada e fornece-nos as explicações para os fenômenos psíquicos. Assim sendo, as recomendações doutrinárias não combatem, porém conscientizam! Não são indiferentes aos dramas existenciais e demonstram como edificar e marchar no mais acautelado caminho. Dissemos que o uso piercings e outros adereços e da própria tatuagem por si só não caracteriza alguém com ou sem moralidade. Investiguemos porém as causas dessas atitudes. Quais sãos os anseios, os sonhos, as crenças dos que cobrem seus corpos com tais marcas? Tatuagens, piercings, são estágios transitórios. Importa alcançar, porém, se tais indivíduos estão mutilados psíquica, emocional e espiritualmente. O que os conduz muitas vezes a despedaçar a barreira da ponderação e do juízo? Por que atentam contra si submetendo-se a dores e sofrimentos incompreensíveis? Para uns o motivo é o modismo. Outros, todavia, ainda se acham atrelados a costumes de outras existências físicas e trafegam do

31

mundo inconsciente para o consciente, derivando na transfiguração do corpo biológico. Perante questões controversas, as mensagens kardecianas buscam na intimidade do ser o seu real problema. Convidam-nos ao autoconhecimento e ao estágio do autoaprimoramento. Sugere-nos sensatez, autoestima, altivez, comedimento e a busca incessante de Deus, o Exclusivo Ente, que facultara-nos completar de contentamento e paz de consciência. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Levítico 19.28; Deuteronômio 14.1-2. (2) Xavier, Francisco Cândido e Vieira , Waldo. Evolução em dois mundos, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro, Ed. FEB, 1959 (3) Xavier, Francisco Cândido. Nosso Lar, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1955.

32

Janeiro de 2012 FATALIDADE COMO CONSEQÜÊNCIA DA ESCOLHA QUE FAZEMOS Numa curiosa pesquisa realizada pela Universidade de Michigan (EUA), foi empregado um ambiente virtual com todas as imagens, sons e consequências das ações dos voluntários, incluindo os gritos de desespero daqueles seres virtuais cujos destinos (mortes) seriam traçados pelos voluntários. O ambiente cibernético apresenta-se com um trem se dirigindo para uma passagem estreita onde estão cinco pessoas que não têm como sair do seu caminho. Só os participantes têm a possibilidade de redirecionar o trem para outra passagem, onde só há uma pessoa que não conseguirá escapar. Acionaríamos ou não a alavanca para mudar o trem de rota? Considerando essa experiência fatalística, construamos o seguinte cenário: estamos conduzindo um automóvel e nos defrontamos com situação bem real de atropelarmos um grupo de crianças, entretanto em frações de segundos podemos desviar o trajeto do veículo e entrechocarnos com apenas uma criança. Será que optaríamos por desviar o veículo rumo a única criança para preservar a vida do grupo? Sabemos ser uma situação embaraçosa, porquanto estamos diante de duas soluções extremas, ambas trágicas, o que redundará terrível perplexidade para uma opção. Eis aí um dilema penoso perante o mandamento “não matarás”. Sabemos que é muito delicado e improvável tal episódio, mas se verdadeiro, como resolver? Não desviar do grupo de crianças para preservar apenas uma vida? Será que violaríamos uma regra moral considerando a escolha entre “um mal maior e um mal menor?” E se a única criança fosse nosso filho?

33

Podemos por nossa vontade, intenções e por nossos atos, fazer que não ocorram eventos que deveriam verificar-se, se essa aparente mudança tiver cabimento na sequência da vida que escolhemos. “Para fazer o bem, como nos cumpre – pois que isso constitui o objetivo único da vida – énos facultado impedir o mal, sobretudo aquele que possa concorrer para a produção de um mal maior.” (1) Carlos David Navarrete, coordenador do experimento de Michigan, descobriu que o mandamento divino “não matarás” foi esmagado literalmente, pelos participantes, pois 90% dos voluntários acionaram várias vezes a chave para mudar o trem de rota, decidindo quem deveria morrer, tendo como justificativas o jargão: “um mal menor” é “melhor” do que “um mal maior”(!...)(2) Segundo Chico Xavier “o bem sanará o mal, porque este não existe: é o bem, mal interpretado. Muitas vezes aquilo que julgamos como mal, daqui a dois, quatro, seis anos, é um bem. Um bem cuja extensão não conseguimos avaliar. Portanto, o mal está muito mais na nossa impaciência, no nosso desequilíbrio quando exigimos determinadas concessões, sem condições de obtê-las. De modo que o mal é como se fosse o frio. Este existe porque o calor ainda não chegou. Mas chegando o aquecimento, o frio deixa de existir. Se a treva aparece é porque a luz está demorando, mas quando acendemos a luz ninguém pensa mais nas trevas. Não creio na existência do mal em substância. Isso é uma ficção.”(3) Cremos que estamos diante de situação funesta e fatalística, mas, será que existe fatalidade nos acontecimentos da vida? Os fatos de nossa existência estariam, assim, irremediavelmente traçados? A fatalidade, como comumente é percebida, supõe deliberação precedente e irrevogável de todos os episódios da vida, qualquer que seja a gravidade deles. Mas, se tal fosse a ordem das coisas, seríamos quais fantoches destituídos de anseios. De que nos serviria a inteligência, desde que houvéssemos de estar inexoravelmente dominados, em todos os nossos atos, pela força do destino? A Doutrina Espírita elucida que “semelhante doutrina, se verdadeira, conteria a destruição de toda liberdade moral, já não haveria para o homem responsabilidade, nem, por conseguinte, bem nem mal, crimes ou

34

virtudes.”(3) No entanto, a fatalidade não é uma palavra sem sentido. Existe na disposição que ocupamos na Terra e nas funções que aqui cumprimos, em decorrência do modo de vida que escolhemos como prova, expiação ou missão. Padecemos inevitavelmente todas as atribulações dessa existência e todas as tendências boas ou más que nos são intrínsecas. Aí, porém, finaliza a fatalidade, pois da nossa vontade depende ceder ou não a essas tendências. As particularidades dos acontecimentos, essas ficam subordinadas às circunstâncias que criamos pelos nossos atos, sendo que nessas ocorrências podemos ser influenciados pelos pensamentos que os espíritos sugerem. Há fatalidade, por conseguinte, nos episódios que se apresentam, por serem estes consequência da escolha que fazemos. Pode deixar de haver fatalidade no resultado de tais acontecimentos, visto sernos possível, pela nossa prudência, modificar-lhes o curso. “Quanto aos atos da vida moral, esses emanam sempre do próprio homem que, por conseguinte, tem sempre a liberdade de escolher. No tocante, pois, a esses atos, nunca há fatalidade.” (4) Jorge Hessen http://jorgehessen Referências bibliográficas: (1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB 2001, síntese das questões. 851, 860, 861 e 866 e 872 (2) Disponível em acessado em 15 de janeiro de 2012 (3) Xavier, Francisco Cândido. Mandato de Amor, org. Geraldo L. Neto Espíritos Diversos, São Paulo: Ideal, 1993 (4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB 2001, síntese das questões. 851, 860, 861 e 866 e 872 (5) idem síntese das questões. 851, 860, 861 e 866 e 872.

35

Fevereiro de 2012 MÉTODOS CONTRACEPTIVOS, UMA REFLEXÃO ESPÍRITA Ao realizar a vasectomia em comum acordo com a esposa, tendo dois filhos e sem projetos para outros e considerando que a consorte, por recomendações médicas, não pode tomar pílula anticoncepcional, perguntou-nos certo leitor, se ele lesaria o perispírito? Dissemos que a questão é complexa e deve ser analisada conforme cada caso. Explicamos que não se pode ter uma visão simplista do assunto, até porque as situações e casos devem ser abordados em particular e individualmente, por pessoas preparadas e com conhecimento desses tópicos para melhor orientar os envolvidos. Todavia, em face da insistência do nobre leitor para que opinássemos, dissemos a ele que temos o direito de fazer o nosso planejamento familiar e essa decisão está atrelada ao livre arbítrio dos casais. Sem colidir com a coerência doutrinária, explicamos que a prole é programada no mundo dos Espíritos, considerando as determinações de crédito e débito, oriundas das vidas pregressas, antes da incursão no corpo físico. Portando, “planificamos a formação da família antes do renascimento terrestre, com o amparo e a supervisão de instrutores beneméritos.”.(1) Há escolhas que antecederam o planejamento reencarnatório, bem como aquelas no decorrer da encarnação – são conhecidas como momentos de decisão. Será então que “podemos proceder à escolha de nossas provas, enquanto encarnados? Sim, é possível. Mesmo na vida material, há sempre momentos em que nos tornamos independentes da matéria que serve-nos de habitação.”.(2) Os filhos derivam de pactos asilados antes do processo reencarnatório pelos futuros pais, visando erguerem a família de que carecem para a

36

inevitável evolução. Mas é de boa lembrança não deixar as coisas por conta da natureza – pode ser insensatez e imprudência. O Criador nos deu o uso do raciocínio no bom emprego das leis naturais. Não fosse assim, em que pese os prévios compromissos pactuados no “além”, teríamos que procriar indefinidamente, durante toda a existência física, o que obviamente não seria uma atitude racional. Na literatura básica do Espiritismo não há referência específica sobre os métodos contraceptivos da vasectomia e da laqueadura de trompas. Não obstante, analisando O Livro dos Espíritos, no capítulo sobre a “Lei de Reprodução”, encontramos alguns subsídios importantes para discutir o tema. Aprendemos com os Espíritos que se pode controlar a natalidade, sem abusos. Porém, advertem-nos os Benfeitores que se o objetivo for a sensualidade, onde a predominância do lado animal esmague os anseios do espírito, acarretará gravíssimas conseqüências morais. E quanto mais nos sentimos culpados por alguma coisa, igualmente isto nos afeta o campo emocional. Há os que fazem vasectomia ou a laqueadura de trompas apenas para evitar as complicações oriundas de uma gravidez indesejada. Todavia, permanecem abusando da sensualidade. Estes, naturalmente, terão na mente culpada os reflexos perversos, acicatando a consciência. A culpabilidade é de contínuo uma nesga de sombra eclipsando-nos a visão. O sentimento de Culpa é sempre um colapso da consciência e, através dele, sombrias forças do mal se insinuam. O controle da natalidade precisa ser verificado à luz da finalidade de quem o pratique. Se o intuito for de levar a cabo um planejamento familiar que se ajuste às realidades do casal, sobretudo de ordem financeira, nada encontramos nas orientações kardecianas que o desaprove. Se contudo a finalidade é puramente física, de nutrir a sensualidade, de ter uma atividade sexual voltada precipuamente para o prazer, aí a circunstância muda de silhueta. Neste caso, estará sendo contrariada a Lei Natural e a implicação será a obrigatória retificação numa reencarnação subsequente, de forma bastante dolorosa. Existindo motivo genuinamente justo, podemos limitar nossa prole, principalmente se já possuímos filhos e não desejamos ter outros.

37

Percebemos nessa suposição corretamente admissível que podemos evitar a concepção. Se alguém escolhe fazer vasectomia ou laqueadura de trompas apenas como forma preventiva de se livrar de filhos e se despreocupar para ter uma vida sexual intensa e inconsequente, a conotação e a implicação serão uma. Se, ao contrário, em razão de uma patologia grave pela qual seria arriscado gerar filhos sob pena de vir a mãe desencarnar, a consequência será outra. A rigor, o que vai definir se haverá ou não transgressão às Leis Naturais será a intenção que motivou a decisão de fazer a cirurgia. Chico Xavier, que não era avesso aos anticoncepcionais, disse: “acreditamos que o anticoncepcional é um recurso que nos foi concedido na Terra pela Divina Providência para que a delinquência do aborto seja sustada, uma vez que a criatura humana, por necessidade de revitalização de suas próprias forças orgânicas, naturalmente precisará do relacionamento sexual entre os parceiros que estão compromissados no assunto, mas usarão esse agente anticoncepcional para que o crime do aborto seja devidamente evitado em qualquer parte do mundo.”.(3) O “Mineiro do Século” afirmou que “os anticoncepcionais não estarão invadindo a Terra sem finalidade justa. Pessoalmente, acreditamos que o casal tem direito de pedir a Deus inspiração para que não venha a cair em compromissos nos quais eles, os cônjuges, permaneçam frustrados.”.(4) Sabemos que há métodos e métodos contraceptivos. Sobre a vasectomia ou a laqueadura de trompas, cremos que a atual tecnologia detém outras maneiras menos traumáticas para se evitar a procriação, que não precisam de procedimentos invasivos (cirúrgicos) nem ocasionam qualquer lesão física. Tais métodos de contracepção, por serem menos hostis, podem ser utilizados. Os procedimentos cirúrgicos precisam ser repensados, adiados e/ou impedidos por serem medidas extremas, definitivas e com altos índices de irreversibilidade. A orientação espírita permite-nos contemplar a gestação como uma série de episódios que extrapolam em muito os aspectos físicos. Dessa forma, a eleição de métodos contraceptivos abarca encargos morais superiores aos que possamos imaginar. E nada mais prudente do que a informação para nos auxiliar em nossas deliberações. A possibilidade de recorrer a

38

métodos eficazes para planejar adequadamente o nascimento dos filhos é umas das melhores contribuições da ciência. Por essa razão, os métodos contraceptivos precisam ter a restrição e a recomendação apropriada pela medicina terrena a fim de se evitar a esterilidade irreversível. Em razão da prorrogação definitiva de uma reencarnação pré-agendada, ocorrerá sim acicates conscienciais, ferindo o perispírito. É importante considerar o grau de consciência do ato deliberado e da sua intenção, pois esses são vetores importantes que podem amenizar ou ampliar patologias emocionais, neuroses, psicoses, infertilidade, doenças sexuais diversas, compressão mental através de perseguição espiritual produzida pelos “filhos” rejeitados de “lá”. Por esses motivos, pode-se recorrer a diversos outros métodos menos traumáticos ao corpo psicossomático. Cremos que o ideal é o emprego de métodos anticoncepcionais capazes de apenas impedir a fecundação. Ou seja, controle feito através de métodos naturais como a tabelinha, a ovulação, o muco cervical, cópula descontínua e a temperatura, ou métodos artificiais como preservativo de látex, espermicida, diafragma, pílula anticoncepcional. Somos impetuosamente contrários ao uso da pílula do dia seguinte e fazemos ressalvas ao DIU , pois na área da medicina muitos ginecologistas têm debatido se ele é ou não abortivo. Obviamente se não é abortivo, é um método válido para contracepção. A vida inicia na concepção, se o DIU age após a fecundação , visando interromper o processo da gravidez é absolutamente contrário aos preceitos espíritas. Em suma, sobre o assunto, cada caso é um caso. Todavia, desaconselhamos a utilização rotineira e indiscriminada de medidas contraceptivas, exceto que haja um pretexto lícito e doutrinariamente aceitável, lembrando, nesse contexto, que os ditames da Lei de Deus encontram-se no âmago da consciência de cada um. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências Bibliográficas:

39

(1) Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo , ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1999, cap 17 (2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, questão 267 (3) Disponível no portal http://www.editoraideal.com.br/chico_ler_perguntas.php?id=21, acessado em 05/02/2012 (4) Chico Xavier em Goiânia, págs. 49, 64, 65 e 66)

Fevereiro de 2012 SUICÍDIOS NA EUROPA - ALGUNS APONTAMENTOS ESPÍRITAS A Grécia tem sido notabilizada ao longo dos séculos como um dos berços da civilização ocidental. Aos gregos são atribuídas realizações legendárias nas áreas da filosofia, das artes plásticas, do teatro, da política, da gastronomia e da organização de cidades. Entre as maiores contribuições está a mitologia. E as mais conhecidas e notórias narrativas mitológicas estão contidas nas duas grandes obras de Homero – “A Ilíada” e “A Odisséia”. Alguns dos expoentes gregos como Sócrates, Platão, Aristóteles, Péricles e Sólon (entre muitos) são considerados patrimônio eterno da sabedoria humana. Os milênios esvaíram-se nos labirintos dos anos. Hoje a Grécia atravessa momentos de flagelo econômico, com drásticas consequências psicossociais. Ondas de suicídios adensam a psicosfera grega. Nos cinco primeiros meses de 2011 houve um aumento de 40% nos suicídios na república helênica, em semelhança a período homólogo, conforme dados do Ministério da Saúde. Sob o ponto de vista sociológico, o suicídio é um

40

ato que se produz no marco de situações anômicas(1), em que os indivíduos se vêem forçados a tirar a própria vida para evitar conflitos ou tensões inter-humanas, para eles insuportáveis. O pensador Émile Durkheim teoriza que a "causa do suicídio, quase sempre, é de raiz social, ou seja, o ser individual é abatido pelo ser social. Absorvido pelos valores [sem valor], como o consumismo, a busca do prazer imediato, a competitividade, a necessidade de não ser um perdedor, de ser o melhor, de não falhar, o jovem se afasta de si mesmo e de sua natureza. Segundo avaliação dos estudiosos, alguns países do Velho Continente precisam de um plano nacional para a prevenção de suicídios, pois é assustador o número de mortes auto-infligidas. A taxa de autocídio aumentou em toda a Europa desde o início da crise financeira em 2008, e de acordo com um estudo recente do jornal médico britânico The Lancet, a Grécia é um dos países que sofreu o maior impacto da crise. Na França, como se não bastasse o preocupante “Dia nacional de prevenção ao suicídio”, a Justiça francesa está investigando a onda de suicídios na operadora de telefonia France Telecom. Nos últimos anos, 46 funcionários da companhia se mataram – 11 deles apenas em 2010, segundo dados da direção da empresa e dos sindicatos. Até mesmo no Novo Mundo, nos EUA, a Universidade de Cornell, no estado de Nova York, lançou recentemente uma campanha de prevenção ao suicídio. A Universidade já carrega há muito tempo a fama negativa de ser uma escola marcada por suicídios. Entre 2000 e 2005 houve 10 casos de suicídio confirmados nessa instituição. O suicídio é um ato exclusivamente humano e está presente em todas as culturas. Os nexos causais são numerosos e complexos. Os determinantes do suicídio patológico estão nas inquietações mentais, desesperanças, tristezas, desequilíbrios emocionais, delírios crônicos etc. Existem os processos depressivos, em que há perda de energia vital no organismo, desvitalizando-o e, consequentemente, interferindo em todo o mecanismo imunológico do indivíduo. O suicida é, especialmente, um deprimido, e a depressão é a doença da modernidade. A religião, a moral e todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da

41

Natureza. Todas asseveram que ninguém tem o direito de abreviar, voluntariamente, a vida. Por que não se tem esse direito? Ao Espiritismo estava reservado comprovar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é uma falta somente por constituir infração de uma lei moral – consideração essa de pouco peso para certos indivíduos – mas também um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica. A Doutrina dos Espíritos adverte: o suicida, além de sofrer no plano espiritual as dolorosas consequências de seu gesto extremo, de revolta diante das leis da vida, ainda renascerá com todas as sequelas físicas daí resultantes, e terá que arrostar, novamente, a mesma situação provacional que a sua flácida fé e distanciamento de Deus não lhe permitiram o êxito existencial. A rigor, não existe pessoa "fraca" a ponto de não suportar um problema, por julgá-lo superior às suas forças. O que de fato ocorre é que essa criatura não sabe como mobilizar a sua vontade própria e enfrentar os desafios. Na Terra, é preciso ter calma para viver, até porque não há tormentos e problemas que durem uma eternidade. Recordemos que Jesus nos assegurou que "O Pai não dá fardos mais pesados que nossos ombros" e "aquele que perseverar até o fim, será salvo”.(2) Situação grave que merece ser avaliada é a obsessão. Há suicídios que se afiguram como verdadeiros assassinatos, cometidos por perseguidores desencarnados (e encarnados também). Esses seres envolvem de tal forma a vítima que a induzem a se matar. Obviamente que o suicida nesse caso não estará isento de responsabilidade, porque um obsessor não obriga ninguém ao suicídio. Ele sugere telepaticamente o ato, porém a decisão será sempre de quem o pratica. Refletindo sobre a grave questão em "O Livro dos Espíritos", Kardec indaga aos Espíritos: “que pensar do suicídio que tem por causa o desgosto da vida?”. Os Benfeitores da Codificação Espírita redarguiram: "Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes seria uma carga!"(3); “A vida na Terra foi dada como prova e expiação, e depende do próprio homem lutar, com todas as forças, para ser feliz o quanto puder, amenizando as suas dores”.(4) Jorge Hessen

42

http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Anomia é um estado de falta de objetivos e perda de identidade, provocado pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno (1) Cf. informa a edição online do jornal de Hong Kong South China Morning Post (2) MT. 24:13 (3) Kardec , Allan, O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2001, perg. 945 (4) idem perg. 920

Fevereiro de 2012 A CONVERTIDA DE MIGDOL, UMA APÓSTOLA A biografia de Maria de Magdala é um dos mais admiráveis temas da história do Cristianismo, destacando-se como exemplos inesquecíveis sua sujeição na ilusão da beleza inóspita e sua posterior ternura aos hansenianos do Vale dos Imundos. Segundo consta na tradição, a “mansão” daquela mulher, em Magdala ou Migdol (torre), hoje el-Mejdel, à época cidade localizada na costa ocidental do Mar da Galileia, era procurada pelos príncipes das sinagogas, abastados comerciantes, bilionários senhores de terras e de escravos, funcionários de alta categoria da administração herodiana, que lhe assentavam no cofre moedas de ouro, jóias, dracmas de prata, perfumes raros, presentes exóticos. Aquela mulher ficou conhecida como Maria Madalena, personagem que traz à tona discussões com interpretações dessemelhantes sobre sua vida.

43

Destarte, optamos por esquadrinhar um consenso a propósito de determinadas questões fundamentais, para que nossa pesquisa não perdesse apropriada uniformização do seu conteúdo. Há quem afirme que muito mais a tradição do que a realidade se encarregou de difundir a suposta má fama de Madalena. “O Talmud apresenta como casada com o judeu Pappus Benjudah, que abandonou para unir-se ao oficial de Herodes chamado Panther; não era necessariamente uma "pecadora pública" nem uma "viciada" como a descreve Gregório Magno”.(1) Muitos a identificam como endemoninhada (por sete obsessores), prostituta (as bases históricas dessa última afirmação parecem ser bastante frágeis para alguns exegetas). Sabe-se, com certeza, que a Maria difamada de Magdala não era feliz. Alguns escritores e estudiosos contemporâneos, baseados nos Evangelhos Canônicos, nos livros apócrifos do Novo Testamento e nos escritos gnósticos, sobretudo Margaret George, Henry Lincoln, Michael Baigent e Richard Leigh, autores do livro O Santo Graal e a Linhagem Sagrada (1982), e Dan Brown, autor do romance O Código da Vinci (2003), apesar de proporem teses mirabolantes, descrevem Maria Madalena como uma apóstola. Certa noite, instada por uma serva de confiança, permitiu um diálogo sobre um Excelso Peregrino que percorria as estradas da Galiléia e da Judéia. Entusiasmada, no dia seguinte, servindo-se de frágil embarcação, atravessou o lago para conhecer Jesus, em Cafarnaum. Os dias se passaram até quando o Cristo esteve em Magdala, a proprietária da famosa “casa nobre” tomou de um vaso de alabastro que continha o perfume do lótus, comprada a preço de ouro. Era seu presente ao sublime Rabi da Galileu. Sabendo-O num banquete em casa de Simão, um rico comerciante da Galiléia, para lá se dirigiu.(2) Quase ao final da ágape, rompendo a segurança, a famosa e afamada de Magdala(3) irrompe na sala e se arroja aos pés do sublime Galileu. O endinheirado Simão, dono do casarão se enche de fúria, mas receia determinar expulsá-la.(4) O afetuoso Nazareno exalta o gesto daquela corajosa Madalena que ajoelhada a seus pés, rega-os com suas lágrimas,

44

enxuga-os com seus sedosos cabelos e os unge com o sobrenatural bálsamo que invade todo o recinto. O divino Senhor simplesmente diz: por esse gesto te digo que os teus muitos pecados te são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado, pouco ama. Mulher, a tua fé te salvou; vai-te em paz.(5) Avaliava o Mestre o coração daquela alma intensamente amorosa, transitoriamente fraquejada sob o guante da ilusão da beleza física desértica. Por isso investiu na sua recuperação, incentivando a modificar de vida, o que ela acolheu com a consistência adamantina da sua personalidade forte e iniciou um rumo novo, transformando-se, depois da Mãe de Jesus, no maior exemplo de Amor na face da Terra. Na manhã subsequente a população de Magdala soube, surpreendida, a notícia da conversão da mulher, insígnia da iniquidade. Ela abrira mão de todos os bens materiais que possuía e, com o estritamente necessário, iniciara nova vida. Juntou-se discretamente aos que seguiam o Messias, mas infelizmente por várias vezes, recebeu a bofetada da suspeição. No transcurso dos meses, atingindo os momentos da traição de Judas, da prisão de Jesus, do julgamento arbitrário, ei-la, peregrinando para o Gólgota, acompanhando-O. A convertida de Magdala conservou-se ao pé da cruz, unida a Maria de Nazaré e ao jovem João Evangelista. No instante em que a fronte do Mestre pendeu pesada, ansiou abraçar-se outra vez aos Seus pés e osculá-los com soberana veneração, porém se sentiu imobilizada. No domingo (três dias após o martírio da Cruz), chegando ao túmulo do Mestre ao lado de Joana de Cusa, Maria (mãe de Marcos) e outras mulheres (6), deparou com a pedra do sepulcro deslocada, dobrados os lençóis de linho que lhe haviam envolvido o corpo e o sepulcro vazio. Madalena teve receio que os fanáticos judeus houvessem furtado e escondido o corpo do Príncipe da Paz.(7) Enquanto as demais mulheres retornaram a Jerusalém, a fim de noticiar o sucedido, Madalena conservou-se no jardim adjacente, a chorar. A nostalgia feita de agonia lhe enxovalhava o coração, quando escutou a dúlcida voz do Crucificado, chamando-a: - Mulher! “[Gyne]”(8) Ela se volta, e mal consegue avistar um vulto, os olhos ainda embaciados pelas

45

lágrimas e as pupilas dilatadas pela escuridão do sepulcro. Seria o jardineiro? Teria ele ocultado o corpo do Divino Amigo? Então, os ouvidos descobrem o que os olhos não podem desvendar: a voz torna a chamá-la, mas desta vez pelo nome: Maria! Quando a filha de Magdala ouve aquela voz transcendente chamando: “- Maria!”, ocorre uma transformação admirável: ela reconhece o suave Rabi redivivo, e exclama: “- Raboni(9), meu Mestre!” E, literalmente, tenta abraçá-lo, todavia não era momento para tocá-lO.(10) Interessante meditar “por que razões profundas deixariam o Divino Mestre tantas figuras mais próximas de sua vida para surgir aos olhos de Madalena, em primeiro lugar? O gesto de Jesus é profundamente simbólico em sua essência divina. Dentre os vultos da Boa Nova, ninguém fez tanta violência a si mesmo para seguir o Salvador, como a inesquecível obsedada de Magdala.”.(11) A ex-vendedora de ilusões difamada pelos madalenos, em quem se costumava atirar injúrias, no encontro com o Mestre materializado redescobre sua identidade e até amplia seu horizonte existencial. Ao reconhecer Jesus, imediatamente O coloca acima, chamando-O Raboni. O Cristo estava ali, redivivo, radioso como a madrugada recém nascida. Madalena foi anunciar o episódio aos apóstolos, que não acreditaram. Por que haveria Jesus de aparecer logo para ela? No entanto, Maria de Nazaré a abraçou e lhe pediu detalhes. Os dias que se seguiram foram de saudades e recordações. As notícias auspiciosas chegavam-lhe aos ouvidos. Soube que naquele mesmo dia, indo dois discípulos para suas residências situadas nos arrabaldes (Emaús), distante de Jerusalém sessenta estádios(12), os discípulos enquanto conversavam, o Cristo se lhes juntou e se pôs a caminhar com eles (Jesus havia tido seus pés dilacerados na crucificação); - mas não O reconheceram. “Ao aproximarem-se de suas casas, o Crucificado queria ir adiante. Os dois disseram-Lhe: - Fica conosco, que já é tarde. Ele entrou com os dois. Estando com eles à mesa, dividiu o pão, abençoou-o e lhes deu. Abriram-se-lhes ao mesmo tempo os olhos e ambos O reconheceram; Jesus, porém, lhes desapareceu das vistas.

46

Madalena soube que Jesus apareceu também para “Simão Pedro ,Tomé, Natanael, os filhos de Zebedeu e dois outros de seus discípulos à margem do mar de Tiberíades.”.(13) Depois disso, “Jesus os conduziu para Betânia e, tendo levantado as mãos, os abençoou, e, tendo-os abençoado, se separou deles e foi arrebatado ao infinito. Quanto a eles, depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém, cheios de alegria.”.(14) A convertida de Magdala experimentou solidão e abandono e, para suavizar a imensa saudade do Rabi, passou a andar pelas longas praias que tanto O relembravam. Numa dessas tardes, encontrou leprosos que vinham da Síria a fim de buscar o socorro da cura. Ela os abraçou, dizendo-lhes que Jesus foi crucificado. Deteve-se por horas a falar, saudosa, do que aprendera com quem era o Caminho, a Verdade e a Vida. Depois, seguiu com eles ao vale dos imundos (leprosos). Alguns anos após, devorada pela lepra, sentindo que ia desencarnar, desejou rever Maria de Nazaré e foi a Éfeso. Após três dias de delírios, sentiu-se repentinamente expulsa do corpo, na praia onde encontrara os leprosos sírios e, sua aparência era de quando jovem e bela. Nesse momento vê caminhar sobre as águas a figura de Jesus que lhe disse: - Vem Maria, já atravessaste a porta estreita. Todas as tuas culpas estão perdoadas porque muito amaste e muito sofreste. Eu estava a tua espera. Agora dorme. Eu te escolho para que venhas ao meu reino! Madalena adormeceu nos braços de Jesus. Jesus realizou duas hierarquias de “ressurreição”: “ressurreição” do corpo, e “ressurreição” do espírito. “Ressuscitou” Lázaro, e “ressuscitou” Madalena. Aos olhos do mundo, a primeira dessas duas maravilhas assume maiores proporções, mas, aos olhos de Deus, o segundo prodígio é mais belo, mais valioso. O corpo de Lázaro veio a morrer após aquela “ressurreição”. Madalena nunca mais morreu, porque o que nela ressurgiu não foi a carne, foi o espírito. O mundo se maravilha na “ressurreição” de Lázaro. O Mundo Espiritual Superior se extasia da “ressurreição” de Madalena. Especula-se que após essa encarnação dos tempos apostólicos, Maria de Magdala ainda teve outras encarnações, até chegar a encarnar pela última

47

vez como Madre Teresa de Ávila (Santa Teresa de Jesus) cujo nome verdadeiro era Teresa de Cepeda Y Ahumada, uma revolucionaria religiosa nascida na Espanha em 1515 e falecida em 1582.(15) “Se non è vero, é ben trovato”.(16) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Pastorino, Carlos T. Sabedoria do Evangelho , Rio de Janeiro: Ed Sabedoria, 1964 (2) Não deve ser confundido com outra cena semelhante, ocorrido mais tarde (em abril do ano seguinte) na casa de Simão, ex-leproso, em Betânia (Mat. 26:6-13, Marc. 14:3-9 e João, 12:1-8), quando Maria de Betânia, irmã de Marta, executou o mesmo gesto. (3) Alguns exegetas não reconhecem Maria Madalena como sendo a mulher da narrativa de Lucas. (4) Por delicadeza, Marcos omite o nome da mal-afamada. Esse silêncio fez com que na igreja antiga se desenvolvesse uma interpretação extremamente confusa. (5) Lucas, VII, 47 e 48 (6) De acordo com Lucas e Marcos, o objetivo, para as mulheres se dirigirem ao túmulo, foi embalsamar o corpo de Jesus com especiarias (7) A pilhagem de sepulturas era algo bem comum na Palestina, onde as tumbas ficavam acima do chão. Diante disso, um crime devia ser esperado, uma vez que Jesus foi sepultado num túmulo emprestado, de um rico doador. (8) Em grego, mulher é gyne, de onde derivam as palavras portuguesas “gene”, “genética”, “gênero”, “gênesis” (9) O termo "Raboni" é mais solene que o habitual "Rabi" (10) Na narrativa joanina , Madalena ela é destacada como primeira testemunha do túmulo vazio (20:1-10) e como a primeira pessoa a quem o Senhor ressurrecto apareceu (20:11-18), em contraposição aos Sinópticos,

48

onde ela dividiu estas experiências com várias outras mulheres (Mat. 28:1-10; Mar. 16:1-8; Luc. 24: 1-11 (11) Xavier, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1999, cap. 92) (12) O estádio romano valia 625 pés romanos ou seja 185 metros (13) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1977, item 59 (14) Lucas, cap. XXIV, vv. 50 -53 e At :9-12 (15) Disponível em http://feparana.com.br/parolima.comacesso em 16/02/2012 (16) "Se não é verdade, é bem contado."

Fevereiro de 2012 1 Artigo NÃO HÁ EFEITO SEM CAUSA, LOGO, DEUS EXISTE! Todos nós trazemos na consciência um importante e gigantesco espaço reservado para Deus. Há porém, pessoas que imaginam poder expulsá-Lo de suas vidas. Ao enumerar pensadores de ampla influência na sociedade, encontramos uma confraria de intelectuais, arautos do mote anti-Deus, qual Karl Marx, para quem a religião era o ópio do povo; Sigmund Freud que considerava a fé uma manifestação de infantilismo, Friedrich Nietzsche que teve a ousadia de decretar a “morte” de Deus. Atualmente existem outros que permanecem recusando a existência do Criador, a exemplo do biólogo Richard Dawkins, que escreveu o livro “Deus, um delírio”. Nessa esteira ateia, o Diretor do Projeto Genoma, Francis Collins escreveu o livro “A linguagem de Deus”. A Ciência sempre negou o Deus “teológico” porque Ele seria um tipo de protótipo

49

correspondente exclusivamente à criatura humana, a ponto de tê-la criado à sua imagem e semelhança, o que, por si, não recomenda nada este Criador. O homem teria sido feito a partir de um modelo cheio de defeitos desde os morais até os físicos. Em 1921, inquirido pelo rabino H. Goldstein, de New York, se acreditava em Deus, Albert Einstein redargüiu: "Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens".(1) No final do Século XIX, Kelvin, expoente e considerado o “Pai” da Termodinâmica(2), foi categórico em sua declaração: Acabou, Chegamos ao zênite! a ciência já sabe como estudar o movimento, a eletricidade e o magnetismo; não há nada além desses universos físicos. Entretanto, poucos anos depois desvendaram o átomo, o elétron e, já no começo do século XX, Albert Einstein instituiu a Teoria da Relatividade.(3) A cada desvendar científico sobre o ilimitado macro e micro cosmo assinala-se a certeza de que a vida universal oferece enigmas maiores e mais profundos sobre sua verdadeira essência, transtornando a hegemônica e materialista inteligência científica. Como nem todo pesquisador é ateu, materialista e presunçoso, importa fazer referência a um livro de expressiva importância científica – “A Partícula de Deus” – publicado nos Estados Unidos pelo físico Leon Lederman, Prêmio Nobel em 1988, em que defende a tese de que Deus existe e está na origem de todas as coisas. O desempenho de investigação do físico holandês, Willem B. Drees, autor de “Além do Big Bang – Cosmologia Quântica e Deus”, demonstra com clareza que há um empenho crescente pela inquirição científica, fundamentado na certeza da existência de Deus. Marcos Eberlin, presidente da Sociedade Internacional de Espectrometria de Massas e membro da Academia Brasileira de Ciências(4), sustenta a Teoria do Design Inteligente. Assegura que adota uma metodologia científica robusta capaz de detectar sinais de inteligência na vida e no universo. Para ele, Deus é uma mente inteligente (causa primeira da vida) e consciente, único agente conhecido, necessário e suficiente para a vida e o Cosmo. Ou seja, o design detectado no universo e na vida não é

50

aparente ou ilusório, mas real e inteligente. O físico americano Paul Davies, no seu livro intitulado Deus e a Nova Física, afirma, categoricamente, que o Universo foi desenhado por uma inteligente consciência cósmica. Eberlin assume que a Vida é fenômeno de Deus, sobretudo ao nível molecular, em que constatamos ainda mais claramente as assinaturas da mente inteligente e consciente do Grande Regente (Deus), que orquestrou os diversos códigos e a informação zipada, encriptada e compartimentalizada do DNA, tipo hard-disk. A arquitetura top-down algorítmica da vida, sua lógica é estonteante e hiperotimizada. A descoberta da "partícula de Deus" poderia completar os elementos essenciais do chamado Modelo Clássico da física, derivado da labuta de Albert Einstein e seus herdeiros no começo do século 20, e que abriu caminho para a "nova física". Nessa direção quase transcendental da física, os cientistas já conseguiram até mesmo capturar átomos de antimatéria por mais de 16 minutos. A antimatéria é um dos grandes mistérios ainda não completamente explicados pelas teorias modernas da física. Um átomo se compõe de diversas partículas elementares (o elétron, o próton, o nêutron e outras mais), algumas leves e outras pesadas. A existência de méson (uma partícula intermediária) entre as leves (léptons) e as pesadas (hadrons), segundo se diz, tem a finalidade exatamente de estruturar o átomo. O méson (é um bóson) tem um comando para que possa atuar em sua devida função. Para Yukawa, descobridor do méson, este seria o elo entre a vida material do átomo e o seu respectivo estruturador.(5) O bóson de Higgs, ou “Partícula de Deus”, supostamente garante massa a todas as demais; seria teoricamente a última fronteira não resolvida pela física. Explicaria como os átomos ganharam massa, dando origem à matéria. Para alguns aventureiros, se ficasse comprovada a existência do famigerado Bóson de Higgs, a teoria do “Deus criador” ruiria por terra, já que ficaria evidenciado que não haveria a necessidade de nenhum agente espiritual divino para a formação do mundo.

51

É atitude aparvalhada e destituída de sensatez a caça da partícula “Deus” nos confins da matéria e no interior do “Campo Higgs”. Ora, Deus não é episódio! Deus é Origem das coisas. Deus É! Puramente É!... Deus se revela em suas obras, como a de um pintor no seu quadro, elucida Allan Kardec, ilustrando que “as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou.”.(6) No século XIX, o ínclito Mestre de Lyon indagou aos Espíritos: "Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?”(7) Os Sábios do Além responderam: “Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá".(8) Incontestavelmente, não há efeito sem causa, e para todo efeito inteligente tem que haver uma causa inteligente; como tal, a matéria não poderia existir sem que houvesse a Inteligência Suprema que atuasse sobre a energia cósmica amorfa e a modulasse, formando suas partículas desde as mais elementares às mais complexas, inclusive, as que permitem transformá-las em seres biológicos. Da megaestrutura dos astros à infraestrutura subatômica, tudo está mergulhado na substância viva da mente de Deus. Carl Gustav Jung, num programa de televisão americana, disse que não acreditava em Deus porque sabia que Ele existia!!! Voltaire afirmou que não acreditava nos deuses criados pelos homens, mas sim no Deus Criador do homem. Sócrates nomeava Deus como "A razão perfeita", e o seu educando Platão O designava por "Idéia do bem". "Sendo Deus a essência divina por excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização o podem perceber".(9) Com a ciência poderemos até mesmo adentrar na intimidade da estrutura atômica, fotografar a célula e extasiar-nos ante a genética. Entretanto, não alcançaremos, sem prejuízos psíquicos e emocionais, deslocar a idéia de Deus em um milímetro de rota. Deus representa claridade de um Sol que ilumina a Inteligência humana, e sem esse Astro Rei portentoso nas vias do conhecimento terreno, perderíamos contato com a magnífica construção da sabedoria.

52

Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências Bibliográficas: (1) Citado em Golgher, I. O Universo Físico e humano e Albert Einstein, B.H: Oficina de Livros, 1991, p. 304. (2) Genericamente, calor significa "energia" em trânsito, e dinâmica se relaciona com "movimento". Por isso, em essência, a Termodinâmica estuda o movimento da energia e como a energia cria movimento. (3) Muitos historiadores e físicos atribuem a criação da famosa fórmula que explica a relação entre massa e energia ao físico italiano Olinto De Pretto, que, segundo especulações, desenvolveu a fórmula dois anos antes que Albert Einstein, e que teria previsto o seu uso para fins bélicos e catastróficos, como o desenvolvimento de bombas atômicas. Apesar disso, foi Einstein o primeiro a dar corpo à teoria, juntando os diversos fatos até então desconexos e os interpretando corretamente. (4) Professor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico e autor de mais de 300 artigos científicos com mais de três mil citações. Realizou pós-doutorado na Purdue University, Estados Unidos (5) Hideki Yukawa Especializado em física atômica e familiarizado com as ferramentas quânticas, propôs em 1935 uma original teoria que explicava a natureza das forças nucleares fortes, fazendo uso de uma partícula, o méson, cuja massa se situa entre os valores do próton e elétron, uma teoria análoga à vigente em eletrodinâmica quântica, que explicava a interação entre cargas elétricas por meio de intercâmbio de fótons. acreditava em Deus, era reencarnacionista e admitia a vida espiritual fora da matéria. (6) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1994, Questão 16 (7) Questão 4 (8) idem

53

(9) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed Feb, 2001, Cap. II - A Providência, item 34.

Fevereiro de 2012 2 Artigo NÃO HÁ EFEITO SEM CAUSA, LOGO, DEUS EXISTE! Deus é a Inteligência Suprema, Causa Primária de tudo. Todos nós trazemos na consciência um importante e gigantesco espaço reservado para Deus. Há porém, pessoas que imaginam poder expulsá-Lo de suas vidas. Ao enumerar pensadores de ampla influência na sociedade, encontramos uma confraria de intelectuais, arautos do mote anti-Deus, qual Karl Marx, para quem a religião era o ópio do povo; Sigmund Freud que considerava a fé uma manifestação de infantilismo, Friedrich Nietzsche que teve a ousadia de decretar a “morte” de Deus. Atualmente existem outros que permanecem recusando a existência do Criador, a exemplo do biólogo Richard Dawkins, que escreveu o livro “Deus, um delírio”. Nessa esteira ateia, o Diretor do Projeto Genoma, Francis Collins escreveu o livro “A linguagem de Deus”. A Ciência sempre negou o Deus “teológico” porque Ele seria um tipo de protótipo correspondente exclusivamente à criatura humana, a ponto de tê-la criado à sua imagem e semelhança, o que, por si, não recomenda nada este Criador. O homem teria sido feito a partir de um modelo cheio de defeitos desde os morais até os físicos. Em 1921, inquirido pelo rabino H. Goldstein, de New York, se acreditava em Deus, Albert Einstein redargüiu: "Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus

54

que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens".(1) No final do Século XIX, Kelvin, expoente e considerado o “Pai” da Termodinâmica(2), foi categórico em sua declaração: Acabou, Chegamos ao zênite! a ciência já sabe como estudar o movimento, a eletricidade e o magnetismo; não há nada além desses universos físicos. Entretanto, poucos anos depois desvendaram o átomo, o elétron e, já no começo do século XX, Albert Einstein instituiu a Teoria da Relatividade.(3) A cada desvendar científico sobre o ilimitado macro e micro cosmo assinala-se a certeza de que a vida universal oferece enigmas maiores e mais profundos sobre sua verdadeira essência, transtornando a hegemônica e materialista inteligência científica. Como nem todo pesquisador é ateu, materialista e presunçoso, importa fazer referência a um livro de expressiva importância científica – “A Partícula de Deus” – publicado nos Estados Unidos pelo físico Leon Lederman, Prêmio Nobel em 1988, em que defende a tese de que Deus existe e está na origem de todas as coisas. O desempenho de investigação do físico holandês, Willem B. Drees, autor de “Além do Big Bang – Cosmologia Quântica e Deus”, demonstra com clareza que há um empenho crescente pela inquirição científica, fundamentado na certeza da existência de Deus. Marcos Eberlin, presidente da Sociedade Internacional de Espectrometria de Massas e membro da Academia Brasileira de Ciências(4), sustenta a Teoria do Design Inteligente. Assegura que adota uma metodologia científica robusta capaz de detectar sinais de inteligência na vida e no universo. Para ele, Deus é uma mente inteligente (causa primeira da vida) e consciente, único agente conhecido, necessário e suficiente para a vida e o Cosmo. Ou seja, o design detectado no universo e na vida não é aparente ou ilusório, mas real e inteligente. O físico americano Paul Davies, no seu livro intitulado Deus e a Nova Física, afirma, categoricamente, que o Universo foi desenhado por uma inteligente consciência cósmica. Eberlin assume que a Vida é fenômeno de Deus, sobretudo ao nível molecular, em que constatamos ainda mais claramente as assinaturas da mente inteligente e consciente do Grande Regente (Deus), que orquestrou

55

os diversos códigos e a informação zipada, encriptada e compartimentalizada do DNA, tipo hard-disk. A arquitetura top-down algorítmica da vida, sua lógica é estonteante e hiperotimizada. A descoberta da "partícula de Deus" poderia completar os elementos essenciais do chamado Modelo Clássico da física, derivado da labuta de Albert Einstein e seus herdeiros no começo do século 20, e que abriu caminho para a "nova física". Nessa direção quase transcendental da física, os cientistas já conseguiram até mesmo capturar átomos de antimatéria por mais de 16 minutos. A antimatéria é um dos grandes mistérios ainda não completamente explicados pelas teorias modernas da física. Um átomo se compõe de diversas partículas elementares (o elétron, o próton, o nêutron e outras mais), algumas leves e outras pesadas. A existência de méson (uma partícula intermediária) entre as leves (léptons) e as pesadas (hadrons), segundo se diz, tem a finalidade exatamente de estruturar o átomo. O méson (é um bóson) tem um comando para que possa atuar em sua devida função. Para Yukawa, descobridor do méson, este seria o elo entre a vida material do átomo e o seu respectivo estruturador.(5) O bóson de Higgs, ou “Partícula de Deus”, supostamente garante massa a todas as demais; seria teoricamente a última fronteira não resolvida pela física. Explicaria como os átomos ganharam massa, dando origem à matéria. Para alguns aventureiros, se ficasse comprovada a existência do famigerado Bóson de Higgs, a teoria do “Deus criador” ruiria por terra, já que ficaria evidenciado que não haveria a necessidade de nenhum agente espiritual divino para a formação do mundo. É atitude aparvalhada e destituída de sensatez a caça da partícula “Deus” nos confins da matéria e no interior do “Campo Higgs”. Ora, Deus não é episódio! Deus é Origem das coisas. Deus É! Puramente É!... Deus se revela em suas obras, como a de um pintor no seu quadro, elucida Allan Kardec, ilustrando que “as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou.”.(6) No século XIX, o ínclito Mestre de Lyon indagou aos Espíritos: "Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?”(7) Os Sábios do Além

56

responderam: “Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá".(8) Incontestavelmente, não há efeito sem causa, e para todo efeito inteligente tem que haver uma causa inteligente; como tal, a matéria não poderia existir sem que houvesse a Inteligência Suprema que atuasse sobre a energia cósmica amorfa e a modulasse, formando suas partículas desde as mais elementares às mais complexas, inclusive, as que permitem transformá-las em seres biológicos. Da megaestrutura dos astros à infraestrutura subatômica, tudo está mergulhado na substância viva da mente de Deus. Carl Gustav Jung, num programa de televisão americana, disse que não acreditava em Deus porque sabia que Ele existia!!! Voltaire afirmou que não acreditava nos deuses criados pelos homens, mas sim no Deus Criador do homem. Sócrates nomeava Deus como "A razão perfeita", e o seu educando Platão O designava por "Idéia do bem". "Sendo Deus a essência divina por excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização o podem perceber".(9) Com a ciência poderemos até mesmo adentrar na intimidade da estrutura atômica, fotografar a célula e extasiar-nos ante a genética. Entretanto, não alcançaremos, sem prejuízos psíquicos e emocionais, deslocar a idéia de Deus em um milímetro de rota. Deus representa claridade de um Sol que ilumina a Inteligência humana, e sem esse Astro Rei portentoso nas vias do conhecimento terreno, perderíamos contato com a magnífica construção da sabedoria. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências Bibliográficas: (1) Citado em Golgher, I. O Universo Físico e humano e Albert Einstein, B.H: Oficina de Livros, 1991, p. 304.

57

(2) Genericamente, calor significa "energia" em trânsito, e dinâmica se relaciona com "movimento". Por isso, em essência, a Termodinâmica estuda o movimento da energia e como a energia cria movimento. (3) Muitos historiadores e físicos atribuem a criação da famosa fórmula que explica a relação entre massa e energia ao físico italiano Olinto De Pretto, que, segundo especulações, desenvolveu a fórmula dois anos antes que Albert Einstein, e que teria previsto o seu uso para fins bélicos e catastróficos, como o desenvolvimento de bombas atômicas. Apesar disso, foi Einstein o primeiro a dar corpo à teoria, juntando os diversos fatos até então desconexos e os interpretando corretamente. (4) Professor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico e autor de mais de 300 artigos científicos com mais de três mil citações. Realizou pós-doutorado na Purdue University, Estados Unidos (5) Hideki Yukawa Especializado em física atômica e familiarizado com as ferramentas quânticas, propôs em 1935 uma original teoria que explicava a natureza das forças nucleares fortes, fazendo uso de uma partícula, o méson, cuja massa se situa entre os valores do próton e elétron, uma teoria análoga à vigente em eletrodinâmica quântica, que explicava a interação entre cargas elétricas por meio de intercâmbio de fótons. acreditava em Deus, era reencarnacionista e admitia a vida espiritual fora da matéria. (6) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1994, Questão 16 (7) Questão 4 (8) idem (9) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed Feb, 2001, Cap. II - A Providência, item 34.

58

Fevereiro de 2012 NASCIDO EM TARSO, RENASCIDO NAS VIAS DE DAMASCO Saulo nasceu entre os anos 5 e 10 d.C.(1) em Tarso, província de Mersin, na zona meridional da Turquia central. Era descendente de uma respeitável e rica família de judeus da Diáspora.(2) Seu nome representava um tributo a Saul, primeiro rei judeu, consistindo, porém, a palavra Saulo na tradução para o grego. Possuía a cidadania romana, o que lhe conferia uma situação legal privilegiada. Sua formação rabínica foi iniciada aos 14 anos de idade, em Jerusalém, sob um costume rígido por efeito das normas dos fariseus e exercitado a ter o orgulho racial, condição peculiar aos judeus da antiguidade. É importante pronunciar, porém, que sua inteligência espiritual foi moldada sob os toques da instrução de Gamaliel, um dos maiores catedráticos nos anais do Judaísmo. Imbuído de extrema retidão para com a sua fé, acuava os primeiros discípulos de Jesus na região de Jerusalém. Certa ocasião, sentindo-se gravemente insultado por Estevão, na Casa do Caminho, deu início à violenta perseguição aos cristãos, culminando com a lapidação e extermínio do próprio Estevão(3), irmão de sua noiva Abigail. Durante planificada viagem para encalço de Ananias, homem que influenciou as idéias da noiva, Saulo, no auge dos 25 anos de idade, teve uma clarividência do Mestre envolto em intensa luz. Aquele fenômeno ocorrido na via que conduzia a Damasco deixou-lhe cego; todavia foi socorrido pelo azado Ananias que lhe recuperou a visão. A partir daí, é impressionante a conversão de Saulo. Ele teve que modificar o conceito que fazia sobre o Cristo e inverter a opinião sobre a supremacia do

59

judaísmo. Os primeiros cristãos tinham como preceito de fé e prática os estudos das regras do Torá (Pentateuco de Moisés), normalmente na versão grega (Septuaginta) ou a tradução aramaica (Targum). Indignado com aquela conjuntura, Saulo asseverou que recebeu as "Boas Novas" por uma revelação pessoal de Jesus Cristo, razão pela qual se entendia independente da comunidade de Jerusalém, conquanto alegasse sua concordância com a essência do conteúdo das lições. Os ensinamentos paulinos são fortemente desiguais dos princípios originais de Jesus, anotados pelos evangelistas. Alguns analistas garantem que o Apóstolo de Tarso sintetizou o judaísmo, o gnosticismo(4) e o misticismo(5) para um Cristianismo como uma religião com um “salvador” cósmico. O Espírito Emmanuel afirma que “no trabalho de redação dos Evangelhos, que constituem o portentoso alicerce do Cristianismo, verificavam-se, algumas dificuldades para que se lhes desse o precioso caráter universalista. Todos os Apóstolos do Mestre haviam saído do teatro humilde de seus gloriosos ensinamentos; mas, se esses pescadores valorosos eram elevados Espíritos em missão, estavam muito longe da situação de espiritualidade do Mestre, sofrendo as influências do meio a que foram conduzidos.”(6) É fato! Basta verificar o seguinte: Mateus escreveu para convencer os judeus que Jesus era o Messias que estava por vir, desta forma enfatizou o Antigo Testamento e as profecias a respeito desse ungido; Marcos, sobrinho de Barnabé e “filho” adotado de Pedro, escreveu para evangelizar, mormente os romanos, relatou somente quatro das parábolas de Jesus, enfatizando especialmente as atuações de Jesus; Lucas (não conheceu Jesus pessoalmente) escreveu para os gentios, enfatizando a misericórdia de Deus através da “salvação”, sobretudo para os pobres e humildes de coração, e João (sobrinho da Mãe de Jesus) escreveu num contexto mais vasto a propósito da missão do Mestre. Depois do martírio do Gólgota, discípulos e apóstolos do Mestre, de modo geral, começaram a contemporizar com a autoridade do judaísmo. Emmanuel explana que “quase todos os núcleos organizados, da doutrina,

60

pretenderam guardar feição aristocrática, em face das novas igrejas e associações que se fundavam nos mais diversos pontos do mundo.”.(7) Em razão dessa anomalia doutrinária, Jesus resolveu convidar “o espírito luminoso e enérgico de Saulo de Tarso ao exercício do seu ministério.”. (8) Essa determinação foi uma ocorrência das mais expressivas na história do Cristianismo. As atitudes, atuações e missivas de Paulo consubstanciaram-se em decisivo componente de universalização da Doutrina Cristã. Paulo transformou as crenças religiosas e a filosofia de toda a região da bacia do Mediterrâneo (Sul da Europa, Norte da África, zona mais ocidental da Ásia, Oriente Próximo). Nas viagens missionárias percorreu cerca de 16.000 km, a pé ou de navio. Foram quatro grandes excursões apostólicas: 1ª Viagem (46-48 d.C.); 2ª Viagem (49-52 d.C.); 3ª Viagem (53-57 d.C.); 4ª Viagem (59-62 d.C.), sendo que na última viajou a Roma como prisioneiro, para ser julgado, e nunca mais retornou para a Judéia. Com ênfase proferiu o Missionário dos Gentios, “fiz muitas viagens Sofri perigos nos rios e mares, ameaças dos ladrões, riscos por parte dos meus irmãos de raça, perigos por parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos por parte dos falsos irmãos.”. (9) De cidade em cidade, de igreja em igreja, o convertido de Damasco, com o seu admirável prestígio, falou do Mestre, inflamando os corações. “A princípio, estabeleceu-se entre ele e os demais Apóstolos uma penosa situação de incompreensibilidade, mas sua influência providencial teve por fim evitar uma aristocracia injustificável dentro da comunidade cristã, nos seus tempos inesquecíveis de simplicidade e pureza.”.(10) Curiosamente, o uso do nome Paulo surge pela primeira vez quando ele começou sua primeira jornada missionária. Em “Atos”(11), o Evangelista dos Gentios aparece, juntamente com Barnabé e João Marcos, conversando com Sérgio Paulus, um oficial romano em Chipre que foi convertido por ele. Paulus era um sobrenome romano e alguns argumentam que Paulo o adotou como seu primeiro nome. Há os que consideram admissível a homenagem a Sérgio Paulus, mas, provavelmente a mudança pode estar relacionada ao desejo do apóstolo em se distanciar da história do rei Saul.

61

Paulo, ao levar o Cristianismo a outros povos, não exigia a circuncisão desses novos cristãos. Diante disso, os discípulos de Jerusalém se reuniram em torno de Tiago para fazer valer a obrigatoriedade da circuncisão. O apóstolo de Tarso foi a Jerusalém para discutir o assunto. Em sua epístola, declara que foi neste encontro que Pedro, Tiago e João aceitaram a sua missão junto aos gentios.(12) Apesar do acordo encontrado na reunião de Jerusalém, o Convertido de Damasco confrontou publicamente Pedro, no que ficou conhecido como "Incidente em Antioquia", por causa da relutância do ex-pescador em realizar suas refeições com os cristãos gentios em Antioquia. Escrevendo posteriormente sobre o incidente, relata: “Se tu [Pedro], sendo judeu, vives como gentio, e não como judeu, como obrigas os gentios a viver como os judeus?”.(13) Barnabé, que até aquele momento era companheiro de viagem de Paulo, ficou do lado de Pedro. Conquanto abandonado, Paulo não desistia, e foi um constante formador de missionários(as) e de equipes missionárias itinerantes. As suas cartas e Atos citam os nomes de 63 missionários(as). Na sua ética, não permitiu o mercantilismo do Cristianismo. Pregou o Evangelho gratuitamente(14) e justificou essa atitude: “Pregamos o Evangelho a vocês, trabalhando de dia e de noite, a fim de não sermos de peso para ninguém”.(15) Até porque “tudo posso naquele que me fortalece”.(16) Paulo partiu para Jerusalém em 57 com uma coleta de dinheiro que realizou para atender as vítimas da grande fome que ocorreu na Judéia. Viajou para a Casa do Caminho para entregar a ajuda financeira da igreja de Antioquia, igreja essa que já era um centro importante para os fiéis após a dispersão dos discípulos de Jesus que se seguiu ao martírio de Estevão, e foi aí em Antioquia que os seguidores de Jesus foram, pela primeira vez, chamados de cristãos, por sugestão de Lucas. Paulo foi implacável contra a circuncisão, contra as restrições alimentares e contra os requerimentos da Tora(17), e isto provocou o rompimento final com os judeus. Foi notadamente acossado pelos judeus, que o consideravam um grande infiel. Na sua derradeira ida a Jerusalém, o filho de Tarso causou um alvoroço ao aparecer no Templo, e somente escapou

62

da morte por ter sido preso. Ele foi então mantido encarcerado por quase 2 anos em Cesareia até que um novo governador reabrisse seu processo em 59 d.C. Paulo foi acusado de traição, por isso recorreu a César, alegando seu direito, como cidadão romano, de ser levado a um tribunal apropriado e de se defender das acusações. Foi enviado para a capital do Império Romano por volta do ano 60; passou mais 2 anos em prisão domiciliar. No caminho para Roma, Paulo sofreu um naufrágio em "Melite" (Malta). Apesar de não ter sido o introdutor do Cristianismo em Roma, pois já havia cristãos na capital do Império, quando aí chegou teve um desempenho importante na formação da Igreja na capital de César. O noivo de Abigail, em face dos seus sobre-humanos testemunhos, desabafou: “eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim.”.(18) “Dos judeus recebi cinco chicotadas menos uma. Fui flagelado três vezes; uma vez fui apedrejado; três vezes naufraguei; passei um dia e uma noite em alto mar...”(19). Pressagiou ao discípulo Timóteo: “Meu sangue está para ser derramado, chegou o tempo da minha partida. Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé...”.(20). Paulo foi decapitado na Via Apia, em Roma, pela soldadesca romana nos primeiros meses do ano 67, durante a perseguição do insano imperador Nero. Nessa conjuntura, o Apóstolo dos Gentios transportava a experiência de 59 anos de idade, sendo que 30 deles dedicados a intensa vida missionária, dos quais cerca de seis anos amargou prisões, açoites, apedrejamentos e, por fim, o fio da espada amaldiçoada do famigerado soldado de César. Descreve Emmanuel(21) que no momento da desencarnação, Paulo sentia a angústia das derradeiras repercussões físicas; mas, em poucos minutos, experimentou alívio reparador. Tomado de surpresa, foi recebido por Ananias, que o transportou a Jerusalém, e ali, foi orar a Jesus para ofertarlhe o agradecimento. Ananias e Paulo reuniram-se no cimo do Calvário e aí cantaram hinos de esperanças e de luz. Lembrando os erros do passado amarguroso, Paulo de Tarso ajoelhou-se e elevou a Jesus fervorosa súplica.

63

Desenhou-se então, na tela do Infinito, um quadro de beleza singular e surgiu na amplidão do espaço uma senda luminosa e três vultos que se aproximaram radiantes. O Mestre estava ao centro, conservando Estevão à direita e Abigail ao lado do coração. O Mestre sorriu, indulgente e carinhoso, e falou: - Sim, Paulo, sê feliz! Vem, agora, a meus braços, pois é da vontade de meu Pai que os verdugos e os mártires se reúnam, para sempre, no meu reino!... E assim unidos, ditosos, os fiéis trabalhadores do Evangelho da redenção seguiram as pegadas do Cristo, em demanda às esferas da Verdade e da Luz... Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Alguns afirmam ano 8 d.C. (2) Dispersão (3) Nome grego sugerido por Pedro a Jeziel , que se tornou o primeiro mártir do Cristianismo. (4) Conjunto de correntes filosófico-religiosas sincréticas que chegaram a mimetizar-se com o Cristianismo primitivo (5) Busca da comunhão com a identidade, com, consciente ou consciência de uma derradeira realidade, divindade, verdade espiritual, ou Deus através da experiência direta ou intuitiva (6) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1977 (7) idem (8) idem (9) 2Cor 11,26 (10) _______, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1977 (11) Atos 13:6-13

64

(12) Essa primeira magna reunião cristã foi muito importante para o início do cristianismo, porque teve como principal objetivo discutir a incompatibilidade da doutrina nascente com as regras antigas da Sinagoga. Foi o marco do desligamento do Cristianismo do judaísmo e confirmou o ingresso dos não-judeus na cristandade. (13) Gálatas 2:11-14 (14) 1Cor 9,18 (15) 1Ts 2,9 (16) Filipenses 4,13 (17) O Cristianismo baseado na tradução grega Septuaginta também conhece a Torá como Pentateuco, que constitui os cinco primeiros livros do Velho Testamento. (18) Gálatas 2,20 (19) 2Cor 11,24-25 (20) 2Timóteo 4,6-7 ) Xavier, Francisco Cândido. Paulo e Estevão, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1990

65

Março de 2012 GUERRAS E RUMORES DE GUERRAS No dia 25 de maio de 1982, o Skyhawk, um caça-bombardeiro da Força Aérea Argentina, pilotado por Mariano Velasco, investiu contra uma embarcação militar inglesa deixando um saldo de 19 mortos. Dois dias após, o também Skyhawk pilotado por Velasco foi abatido no Estreito de São Carlos, arquipélago no Atlântico Sul, por Neil Wilkinson, artilheiro antiaéreo no navio de combate HMS Intrepid da Inglaterra. O argentino sobreviveu ao saltar de pára-quedas poucos minutos após ser atingido. Quase três décadas após o fim do confronto entre Argentina e GrãBretanha pelas ilhas Malvinas(1), os dois ex-inimigos de guerra viveram um encontro emocionante. "Meglio tardi che mai." Como diz o provérbio italiano ("Antes tarde do que nunca"), Mariano Velasco recebeu em sua casa na província de Córdoba, para um magnificente banquete, o veterano artilheiro inglês Neil Wilkinson. Atualmente, são amigos e se correspondem com certa frequência por e-mail, Facebook ou Skype. O episódio inevitavelmente nos remete para reflexões sobre a guerra. Qual a base lógica que justifica uma guerra? Os Benfeitores do Além admoestam que a guerra é a “predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões”.(2) No transcurso da guerra, predominou entre Velasco e Wilkinson a índole selvagem sobre a espiritual. Hoje, 30 anos depois, a situação é inversa entre os dois excombatentes inimigos do front de batalha. Infelizmente, o “caso Velasco / Wilkinson” é uma raríssima exceção, pois nem sempre esse é o desfecho entre ex-inimigos de guerra. Combates militares existem há mais de 5 mil anos, desde os primitivos embates entre os Mesopotâmios, entre gregos e persas, entre Atenas e

66

Esparta, entre Roma e Cartago. Mais recente ocorreram a Primeira e Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Coreia, do Vietnã, do Golfo, e entre Israelitas e Palestinos. Os recentes conflitos armados entre a Coreia do Sul e a do Norte e os ataques ao Afeganistão, após os atentados terroristas suicidas a Washington e Nova York, em 11 de setembro de 2001. Desde eras remotas o império dos maus de ordinário reprime a força dos bons, porque os bons se fazem fracos. “Os maus são intrigantes e audaciosos; os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, haverão de preponderar”.(3) "Épocas de lutas amargas, desde os primeiros anos do século XX, a guerra se aninhou com caráter permanente em quase todas as regiões do planeta. A Liga das Nações, o Tratado de Versalhes, bem como todos os pactos de segurança da paz, não têm sido senão fenômenos da própria guerra, que somente terminarão com o apogeu dessas lutas fratricidas, no processo de seleção final das expressões espirituais da vida terrestre.".(4) O Século XX, recentemente findo, foi o século mais sangrento de todos os anteriores. Após a Segunda Guerra Mundial, já ocorreram 160 conflitos bélicos, resultando em 40 milhões de mortos. Se contabilizarmos os resultados dessas paixões primitivas desde 1914, estes números sobem para 401 guerras e 187 milhões de mortos, numa projeção bem superficial. Os Estados Unidos da América detêm o maior poder bélico do planeta. Seus orçamentos em armamentos ultrapassam os US $ 320 bilhões. Rússia e China gastam US $ 48 bilhões cada; França consome US $ 38 bilhões; Reino Unido desgasta US $ 35 bilhões; Coreia do Norte gasta US $ 4,7 bilhões; Índia consome US $ 13 bilhões; Paquistão gasta US $ 2,5 bilhões; Coreia do Sul gasta US $ 12 bilhões e, por fim, Israel detona US $ 9,4 bilhões. Juntas, essas nações gastam mais de meio trilhão de dólares com artefatos para exterminar a vida. O que poderíamos alcançar de valor para a melhoria de vida na Terra com esse montante de dinheiro? A lista é ampla... Entretanto, os líderes dos países acima, assim como os seus partidários, não ambicionam o engrandecimento do orbe e de seus habitantes.

67

Há milênios entronizamos o debate sobre a razão humana, e permanecemos na guerra da destruição quais irracionais; exaltamos as mais elevadas demonstrações de inteligência, porém engendramos todo o conhecimento para o massacres humanos impiedosos; exaltamos a paz, fabricando os canhões homicidas e as ogivas de destruição em massa; sugerimos soluções para os problemas sociais, intensificando a construção das cadeias e dos prostíbulos. “Esse progresso é o da razão sem a fé, em que os homens se perdem na luta inglória e sem-fim.”(5) Por felicidade, “à medida que o homem progride, ela se torna menos frequente, porque lhe evita as causas e, quando é necessária, sabe aliá-la à humanidade.”.(6) Cremos que a guerra desaparecerá um dia da face da Terra, “quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus; então todos os povos serão irmãos.”(7) Jesus nos deixou, há dois milênios, a grande lição do amor, a fim de que chegássemos ao estágio de perfeita harmonia entre os homens. O Príncipe da Paz ensinou: "Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei".(8) Deste modo, não ouviremos mais falar de guerras e nem rumores de guerra. Jorge Hessen http://jorge hessen Referências bibliográficas: (1) Falklands (para os britânicos) (2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000 Perg. 742 (3) idem Perg. 932 (4) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB 1987 (5) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB , 1999, Perg 199

68

(6) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000 Perg. 742 (7) idem Perg. 743

Março de 2012 POR EFEITO DA CORROSÃO MORAL Fato, no mínimo excepcional, aconteceu recentemente, quando o capitão Francesco Schettino, comandante do navio Costa Concórdia, naufragado entre os rochedos da ilha de Giglio, na Itália, abandonou o transatlântico com quatro mil vidas a bordo. A intervenção imperativa do Capitão Gregorio de Falco, da Capitania dos Portos de Livorno – “Vada a bordo, cazzo!” – culminou por fazer de Falco um herói nacional e certamente deve estar acachapando a consciência do poltrão Schettino. No entanto, de Falco cumpriu simplesmente o seu dever. Por isso, Raffaella, sua esposa, abdicou o título de “herói” do esposo. Para ela “é preocupante que pessoas como meu marido, que simplesmente fazem o seu dever todos os dias, tornem-se de súbito heróis neste país.”.(1) Não devemos reivindicar pedestais nos panteões terrenos por executarmos bem aquilo o que é nossa obrigação fazer. O que esperar dos médicos servidores dos hospitais públicos se não outra coisa que estejam em seus postos e tratem os pacientes com dignidade? Dos funcionários públicos, almeja-se que não abracem a corrupção nas suas funções. Dos senadores, deputados, vereadores, governadores, prefeitos, que trabalhem em nome da população. Segundo estatísticas oficiais, o Brasil é um dos países campeões mundiais em corrupção, fazendo associação a determinados países africanos diminutos. Que tipo de cobiça descomedida e estúpida está na base da

69

deficiência de caráter capaz de olvidar todos os escrúpulos para com consciência e arremessar-se tão sagazmente no erário do Estado? Urge sacralizar o bem público, pois todos nós somos responsáveis por ele. Se assim o fizermos, não há por que nos alarmar. “Assombro, como diz Raffaella, é chegarmos a ponto de tratar o correto como excepcional, como se a regra fosse prevaricar, omitir, corromper, não fazer.”.(2) É urgente a invalidação do padrão da improbidade. É imperiosa a quebra de valores invertidos, com o banho de ética, com a recuperação da honestidade. Não só com os homens públicos, porque a corrupção é uma via de mão dupla. Quem se corrompe não se perverte sozinho, mas através de alguém. São caminhos que estão muito contaminados em todos os lugares, nos partidos políticos, na sociedade como um todo, que precisam, verdadeiramente, ser mexidos ou recuperados. O calão "jeitinho brasileiro", ou levar vantagem a despeito de tudo e de todos, irrompe-se como um desígnio institucionalizado, que se potencializa e se generaliza no contexto da organização social. Não sou o primeiro, o único, ou o último a divulgar esse cortejo de vícios, contudo a mídia, frequentemente, anuncia e expõe tais fatos, francamente abomináveis e com grande repercussão negativa. Com os escândalos divulgados pela imprensa, constata-se um entrelaçamento crescente e preocupante da administração pública com as atividades delituosas, mediante um sistêmico processo de pressões, chantagens, tráfico de influência, intimidações e corrupções, com a prática do suborno e da propina, dentre outras tramóias morais insonháveis. Há decomposição moral na política, na polícia, na justiça, na administração pública, na educação, nas diversões públicas, na família, na economia, no âmbito do “Direito”, nos medicamentos, nos discursos/argumentos pseudocientíficos, nas instituições religiosas. Se quisermos viver um cenário social harmônico, devemos nos empenhar para promover uma reforma ética generalizada. É imprescindível a adoção de novos hábitos. Basta de procurar levar vantagem, de fugir dos próprios deveres! Vamos, definitivamente, dar um “chega prá lá” nas mentiras, nas

70

fraudes e na sonegação fiscal. Que se restabeleçam os valores da Ética Cristã e que se revitalize o mundo da honestidade. "A violência urbana é reflexo natural dos que administram dos gabinetes luxuosos e desviam os valores que pertencem ao povo; a impunidade ensombra a Justiça e instiga novos desmandos. A massa, em geral, se espelha nos personagens eminentes da vida pública e procura, nas ressonâncias no comportamento destes, as próprias justificativas para seus deslizes deliberados. Na condição de espíritas cristãos sabemos que, para a concepção da "República da Ética Cristã", será necessária uma renovação mental e comportamental, já em curso por força das circunstâncias, mas que pode ser acelerada pela disseminação dos saberes que valorizam a honestidade, a dignidade da vida humana, a natureza e principalmente a nossa realidade espiritual. Quanto aos pervertidos morais, só carecem inspirar nossa mais intensa comiseração. Certamente não têm plena consciência do equívoco que cometem. Se soubessem das consequências, ainda que com grande chance de escapar da justiça terrena (obviamente não terão análogo fadário em analogia à Justiça divina), agiriam de forma inversa. Até porque, invariavelmente, na atual ou na próxima encarnação, e notadamente no intervalo entre as existências físicas (erraticidade), enfrentarão as árduas consequências de seus atos delinquentes. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Disponível em http://www.istoe.com.br/assuntos/editorial/detalhe/187515_OS+HEROIS +E+O+COTIDIANO acesso em 07/03/2012 (2) idem.

71

Março de 2012 MOVIMENTO ESPÍRITA NO “MUNDO DO FAZ DE CONTA” Este artigo advém do imaginário do autor, razão pela qual qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais terá sido mera coincidência. Concebamos um panorama confuso do movimento espírita do “mundo DO FAZ DE CONTA”. Aí notamos exercício doutrinário mesclado de ideologias cognominadas “neo-esotéricas” (ufologia, astrologia, tarô, cristais, orientalização, cromoterapias, apometrias). É óbvio que toda essa carga morta esmaga o movimento doutrinário e abre as suas portas para a infestação de exorcismos inócuos (desobsessões que mais parecem os inocentes exorcismos, “choques anímicos” por correntes magnéticas(!), festival caricato de mensagens psicografadas dos parentes desencarnados. Nos imagos “DO FAZ DE CONTA”, pasmem! Estão imitando os trabalhos que Chico realizava com sobriedade. Substituem a simplicidade e a espontaneidade dos fenômenos mediúnicos por promessas de supostas consolações advindas do “além”. Para denunciar tal fantasia uma pessoa informou ter pedido a comunicação de um inventado avô “falecido”, e “conseguiu” a mensagem do tal avô. Há instituições que criaram trabalhos de passes para todos os gostos e interesses, ou seja, passe normal (para os inconvenientes “papa-passes”), passe forte (com direito a incorporações na presença do obsedado), passe superforte (para doentes, obsedados e “papa-passes”), passe "virtual"(!?...). No “FAZ DE CONTA” há o extravagante Espiritismo da “prosperidade”, do “cure o seu corpo” e da “paz mental e emocional”. Inventaram cursos, palestras e workshops a R$.1.600,00 per capta sobre os temas da autoajuda realizados em hotéis de luxo. Nesse mistifório tramaram o

72

movimento da “nova era” (neoespiritismo!?), das sugestões das surradas querelas sobre a coqueluche da moda “planeta em transição”, da paracientífica psicologização, pedagogização, espiritização(!?), filosofização, academização, idolatria de oradores, endeusamento de médiuns, palestrantes cover que querem ser famosos a qualquer cotação, para esse escopo fazem shows teatrais de oratória com direito a burlescas e afetadíssimas declamações poéticas e posteriores incorporações de ilustres velhinhos falecidos, cujas vozes arrastadas mais parecem personagens criadas pelo Chico, não o Xavier de Uberaba, mas o Anísio da “Escolinha do Professor Raimundo”. Nessa tendência mística popular, carregada de superstições seculares, no “FAZ DE CONTA” observamos a proliferação de pregadores santificados, tribunos de voz empostada e gesticulação ensaiada. Lá os órgãos “unificadores” pretendem a “união”, aplaudindo oradores empavonados, personalistas, visivelmente obsedados que encontram espaços nas diretorias das federativas para manipularem e ditarem a espetacularização e a comercialização de congressos ditos “espíritas”. Além disso, os congressos são marcados pela erudição acanhada, oratória plagiada e retórica de auto-ajuda e infelizmente ausência de trabalhos mais urgentes e debates coerentes, pois renunciam aos critérios da lógica e da razão propostos por Kardec. No país “DO FAZ DE CONTA” os idólatras desprevenidos aplaudem a presença de palestrantes estrelinhas que comercializam caridosamente os DVDs da palestra filmada, cantada, recitada etc, perturbando a credibilidade da Doutrina. Lembremos que aqui ou no “FAZ DE CONTA” comercializar uma palestra, além de deplorável, é uma estultícia moral. No “país DO FAZ DE CONTA” percebemos impulsos incontidos do culto à personalidade de tal ou qual médium. São os notáveis adoradores das gloríolas mundanas, médiuns que se ufanam com os galanteios do “reconhecimento social”, de preferência com vassalagens e construções de museus destinados a preservar sua memória enquanto estão “encarnados”. Que escárnio! Tais idolatrados no país do “FAZ DE CONTA” têm

73

consciência da fatalidade biológica (morte física). Sabem que ao receberem a visitinha inevitável da “dama desencarnação” haverão de prestar contas na contabilidade do Criador, porém têm ciência que o seu cofre estará vazio de humildade, motivo pelo qual assumirão colossal dívida por terem encenados na ribalta das ilusões, das luzes dos holofotes da fama estéril, enquanto estão fazendo turismo no corpo físico. No mundo “DO FAZ DE CONTA” há pessoas que idolatram tais espíritas famosos, pois são seus amigos pessoais. Contudo, escudados nessa “amizade” não têm a dignidade de adverti-los quando cometem erros. Tais amigos, que são mais “amigos da onça” do que do idolatrado, sabem dos seus lapsos doutrinários, mas silenciam, cruzam os braços, colocam vendas nos ouvidos, na boca e nos olhos para não se comprometerem e muitas vezes se agastam com os que têm a altivez de admoestar direta ou indiretamente tais médiuns purpurinados. Graças a Deus esse elenco de disparates só acontece no universo do “FAZ DE CONTAS”. Todos os fatos do FAZ DE CONTA” nos mostram que a Doutrina Espírita aqui na vida real também ainda não chegou a ser conhecida pelos seus próprios adeptos. Herculano Pires asseverou que “expor os temas fundamentais da Doutrina não é falar bonito, com tropos [tons] pretensamente literários, que só servem para estufar vaidade, à maneira da oratória bacharelesca do século passado. É incrível a leviandade com que oradores e articulistas espíritas tratam de certos temas, com uma falsa suficiência de arrepiar, lançando confusões ridículas no meio doutrinário. Temos de compreender que isso não pode continuar. Chega de arengas melífluas nos Centros, de oratória descabelada, de auditórios parvos, batendo palmas e com palavreado pomposo. Nada disso é Espiritismo. Os conferencistas espíritas precisam ensinar Espiritismo - que ninguém conhece - mas para isso precisam primeiro aprendê-lo.”(1) Se abraçamos o Espiritismo por ideal cristão, não podemos negar-lhe fidelidade. É inegável que na vida real existem inúmeras práticas não compatíveis com o projeto doutrinário que urge sejam combatidas à exaustão, nas bases da dignidade cristã, sem quaisquer pecha de intolerância, tendente a impossibilitar discussão sadia em torno de

74

questões controversas. “Jesus ensinou a orar e vigiar; recomendou o amor e a bondade, pregou a humildade, mas jamais aconselhou a viver de orações e lamúrias, santidade dissimulada, disfarçada em vãs aparências de humildade, que são sempre desmentidas pelas ambições e a arrogância incontroláveis do homem terreno.”(2) A verdadeira prática Espírita é a expressão da moral cristã, consubstanciada no Evangelho do Mestre Jesus. No Espiritismo, o Cristo desponta como excelso e generoso condutor de corações e o Evangelho brilha como o Sol, na sua grandeza mágica. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Pires, José Herculano. O Centro Espírita, São Paulo, Editora Pandeia, 1970 (2) idem

75

Março de 2012 SERÁ QUE FOI UM PUERIL DEVANEIO?.. Em face da publicação do artigo o “Mundo do Faz de Conta”, leitores residentes na Europa enviaram-me mensagens inquietantes; vejamos: “Estou plenamente de acordo com tudo quanto afirma e acho até que ficou aquém, pois muito mais haveria para você dizer (...).” “O movimento Espírita europeu “adoeceu” já algum tempo. Diversos e distintos diagnósticos poderíamos fazer. Há competição entre os médiuns, ausência de conhecimento do Evangelho e o pior de todos: o nefasto ideário do “EU SOU O MAIOR” (síndrome de grandeza). Nos últimos 5 anos, instalou-se uma desordem, pois não sabemos diferenciar o JOIO do TRIGO. Recebemos aqui com frequencia espantosa alguns palestrantes que mais fazem turismo nas terras EUROPÉIAS do que difundir Espiritismo. O pior é que esses “oradores” vêm, usufruem da hospedagem e boa vontade e da simplicidade, mas abusam da ingenuidade de alguns confrades anfitriões.” “Desculpe é um desabafo! Aqui temos o culto aos “deuses médiuns” aquele que é o maior. Vendem milhares de livros por aqui, e o que é mais trágico as obras da Codificação são substituídas pelos livros dos “deuses da oratória”, que objetivam muito mais a vendagem de livros da sua lavra. É um “salve-se quem puder”. Uma hora de palestra e 30 minutos de publicidade e vendagem de livros, CDS, DVDs, revistas. São os mascates estrangeiros que encontram aqui um paraíso de FÉRIAS (de graça) e vendas dos seus produtos.” Fui dormir preocupado com tudo isso e tive mau sonho. Sonhei que estava imerso em um mundo estranho onde testemunhei fatos que anseio jamais aconteçam no mundo de vigília.

76

No cenário “onírico” identifiquei esforços para “unir” espíritas, entretanto algo distante de uma programação kardeciana sensata. As representações das trevas empregavam astúcias e encaminhavam seus emissários para cargos de direção dos órgãos federativos. Os obsessores, como sempre, mostravam-se perspicazes, influentes, instrumentalizados e impetravam desinteligências no movimento doutrinário. Ao oposto de perseguirem articulista inexpressivo tal qual sou, que nenhuma influência exerce no movimento espírita, assestavam, óbvio! Suas armas contra as instituições coordenadoras do movimento doutrinário, e aí transformavam suas vítimas em prestigiosos “diretores”. Deste modo, seus representantes adquiriam mais poder de comando perante os espíritas ignorantes e cometiam irreparáveis estragos ao programa doutrinário. Só para se ter uma pálida idéia, tais “diretores” ofereciam cartelas de bingo, a R$ 25,00; defendiam Ramatís, como espírito superior; afirmavam que tudo é parte de Deus, inclusive a matéria; Kardec era desconhecido, mas divulgavam pesquisas da ciência como hologramas, Stephen Hawking etc., menos, é claro, o próprio codificador. Lamentavelmente, as obras espíritas arruinavam-se ao acolher a enxertia dos conceitos e práticas anômalos à singeleza que lhes vigoravam no alicerce. Percebi que adulavam líderes megalomaníacos, encharcados de arrogâncias, que se arvoravam como benfeitores da construção e difusão doutrinárias. No letargo do sonho, ainda consegui perceber que “somente os viajores irresponsáveis escolhiam perlustrar atalhos perigosos e desfiladeiros obscuros, espinheiros e charcos, no labirinto de aventuras marginais, ao longo da estrada justa.” (1) O panorama dos sonhos estava totalmente contaminado de práticas doutrinárias irregulares e não havia nenhuma perspectiva de melhora; ao contrário, modelos estavam sendo consolidados e havia uma epidemia de expositores afetados surgindo em cada centro espírita, dispostos a copiar o comportamento do endeusado líder-chefe. Foi extenuante testemunhar as sempre passivas idolatrias a esse guia, cheio de autoridade moral, um condutor completamente intocável, cujas sentenças tornavam-se regra definitiva para os dirigentes incautos.

77

A proeminente e tenaz tática do chefe-famoso era a injunção de um legado espetaculoso de palestras ostentosas, motivo pelo qual os outros copistas permaneciam rasos de conteúdos, hipnotizados sob os grilhões da vaidade. Mas, graças a Deus!, Havia espíritas prevenidos que inquiriam após cada palestra espetacularizada: Falaram de quê? Abordaram que conteúdo? O adorado líder tinha a empáfia de batizar com o título “PURITANOS” todos defensores da gratuidade dos eventos espíritas , ou seja dos que defendiam um Espiritismo para todos e ao alcance de todos. Tal líder ignorava que na sua ética, Paulo de Tarso não permitiu o mercantilismo do Cristianismo. Pregou o Evangelho gratuitamente (2) e justificou tal atitude: “Pregamos o Evangelho a vocês, trabalhando de dia e de noite, a fim de não sermos peso para ninguém”.(3) Na contramão da advertência do Convertido de Damasco, os pretensos expositores, em seguida aos shows das palestras (cantadas, recitadas, declamadas, gritadas etc... etc... etc.) , quais ambulantes de feira livre, punham à venda seus DVDs, CDs, livros etc., enfim, com toda a tralha para a comercialização, gastavam tempo precioso promovendo suas quinquilharias “doutrinárias”, muitas vezes em centros espíritas pobres, simples, escassos de recursos. Entretanto, curiosamente, os dirigentes de tais centrinhos sentiam-se orgulhosos porque trouxeram um nome “famoso” para a instituição que dirigem. Nos imagos oníricos, portanto, lidava-se com os egos de dirigentes e palestrantes, e pouquíssimas exceções estavam sintonizados com os Benfeitores. Infelizmente os oradores modestos, despretensiosos, sinceros, importantíssimos para o engrandecimento do Espiritismo eram desprezados. Quase todos os pregadores encontravam-se instilados pelas presunções, pelas ribaltas e holofotes da glória, sobretudo pelos aplausos inférteis. Sem nenhum pudor os mais famosos exigiam reverências e bajulações desenfreadas. Não era assegurada a simplicidade e a pureza dos princípios espíritas nos núcleos e associações doutrinários, por isso suas atividades não atingiam a meta da libertação espiritual dos frequentadores. Estes contemporizavam com todo tipo de profissionalismo religioso e nem se atreviam a arguir

78

porque, se interrogassem o líder-venerado, estariam questionando os que o apoiam, sabiam que perderiam amigos e, por isso, silenciavam. Ou ainda porque lhes interessava algum lucro divulgando os “produtos” do líder-mor, seja lucro financeiro ou mesmo o que vem da pura vaidade, da notoriedade, pois quem adentrasse o meio espírita, se não citasse o líderchefe, se não divulgasse os eventos de que ele fazia parte, se não apoiasse quem o apoiava, transformar-se-ia em proscrito, deixado de lado por todos os idólatras. Presenciei um palestrante implorando junto ao público uma colaboraçãozinha de recursos financeiros a fim de "ajudá-lo" nos projetos “assistenciais”, visando adquirir microfones, tripés de luz, computadores e quejandos. Tal palestrante fazia um showzinho particular com direito a jogos de imagens e músicas, para “agradar” a todos, passando a idéia de apurado bom gosto, mas na realidade estava querendo “encher linguiça” (como se diz na gíria popular), com várias cantorias e apresentações. Lá não se tinha o alcance moral para entender que zelo pela pureza e simplicidade doutrinária não é intolerância, fanatismo e nem rigorismo de espécie alguma, porquanto, agir de outro modo é o mesmo que “devolver um mapa luminoso ao labirinto das sombras, após séculos de esforço e sacrifício para obtê-lo, como se também, a pretexto de fraternidade, fôssemos obrigados a desertar do lar para residir nas penitenciárias; a deixar o caminho certo para seguir pelo cipoal; a largar o prato saudável para ingerir a refeição deteriorada e desprezar a água potável por líquidos de salubridade suspeita.” (4) Havia uma neurastenia generalizada em torno das temáticas: “terra em transição”, “final dos tempos”, cujos enredos catastrofistas atrofiavam mentes fanatizadas. Alguns neuróticos esquadrinhavam respaldo (acreditem!) no célebre clichê: “Chico Xavier me contou” para corroborar as afirmações ( supostamente“reveladas” pelo médium de Uberaba nos colóquios íntimos), sobre bizarras profecias espalhafatosas, com datações e outras pérolas sobre o trági(cômico) amanhã da Humanidade. De manhãzinha, ao despertar do sono, identifiquei que a experiência onírica evidenciava muitas práticas indesejáveis que é urgente se evitem na Terra. E se tais práticas ocorrerem, alguém precisa denunciar, para não

79

ser apenado por omissão. “Todos os espíritas que, de coração, vigiam para que a Doutrina não seja comprometida, devem, sem hesitação, denunciálas [práticas estranhas], tanto mais porque, se algumas delas são produtos da boa-fé, outras constituem trabalho dos próprios inimigos do Espiritismo, que visam desacreditá-lo e poder motivar acusações contra ele. Eis porque é necessário que saibamos distinguir aquilo que a Doutrina Espírita aceita daquilo que ela repudia”. (5) Somos daqueles que preferem a análise construtiva para quaisquer tarefas doutrinárias, e não cultivamos paternalismo ou mimos impróprios, não aveludamos consciências junto a irmãos de nosso convívio, “em vista de reconhecermos que nenhum bem se fará sem trabalho disciplinado; entretanto, não podemos esquecer que muitos companheiros se marginalizam nos compromissos por não conseguirem suportar o malho da injúria, o frio da desconsideração e do abandono, a supressão de meios justos para o exercício das funções a que foram chamados e as lutas enormes, decorrentes das armadilhas de sombra, de que muitos não conseguem escapar, hipnotizados pelos empreiteiros da obsessão. (6) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Xavier, Francisco Cândido e Vieira Waldo. Opinião Espírita, ditados pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz, São Paulo, Editora: Boa Nova 1ª edição agosto/2009, Item 25 - PRÁTICAS ESTRANHAS (2) 1Cor 9,18 (3) 4 1Ts 2,9 (4) idem (5) (Allan Kardec, Viagem Espírita em 1862. Instruções Particulares. VI.) (6) Xavier, Francisco Cândido. Companheiros, ditado pelo Espírito Emmanuel, São Paulo: IDE 1977, cap. MÉDIUNS NA TERRA

80

Abril de 2012 ESPIRITISM0 - 155 ANOS (ALGUNS COMENTÁRIOS) Meio século após a Revolução Francesa, também no palco da grande demanda popular, o professor Rivail, com o aporte dos luminares Benfeitores do além, publicava o livro que apontaria o alvorecer de distinta, porém ampla revolução aos franceses e ao mundo. Desta vez, uma insurreição intrínseca, sucessiva e silenciosa, por consubstanciar na intimidade de cada indivíduo. Estava sendo oferecido à Humanidade O Livro dos Espíritos, numa clara manhã de primavera sob o pulsar da Estrela Maior, regente do sistema planetário, que alberga a humanidade. Era o dia 18 de abril de 1857, no majestoso Palais Royal, na Rua de Rivoli, Galeria d' Orleans, número 13, exatamente na Livraria E. Dentu, que é publicado o primeiro livro espírita, contendo os excelsos postulados da Terceira Revelação. Ante este espetáculo transcendente surgia a Doutrina Codificada pelo gênio de Lyon, Allan Kardec. O Livro dos Espíritos é acatado pelos estudiosos como a insigne literatura da mais avançada Filosofia que se tem notícia na História terrestre, pois aborda temas que raiam todas as províncias do conhecimento. Com o notável livro inaugura-se a Era do Espírito e da Fé Racional. Um dos pontos culminantes da extraordinária obra espírita é o preceito da lei das vidas sucessivas (reencarnação), recomendando abonar a realidade de que não encarnamos uma só vez, mas, tantas e quantas forem necessárias a fim de nos tornarmos seres perfeitos e portadores das mais nobres qualidades intelectuais, morais e espirituais. Cento e cinquenta e cinco anos se esvaíram, e nesta quadra em que a badalação na mídia, em especial no cinema e na televisão, se destaca

81

como fator de publicidade doutrinária, constituindo em novo campo de disputa no espaço público, o Espiritismo vem alargando sua inserção social entre as camadas de classe sociais de todos os segmentos. Doutrina de educação moral e de liberdade, propõe a revisão de modelos comportamentais, assumindo-se valores verdadeiros e imorredouros, como humildade, honestidade, dignidade, amor ao próximo e outras virtudes como sendo a fórmula revolucionária de melhoria progressiva da Humanidade. Nesses 155 anos, quando muitos confrades e instituições se movimentam para comemorações ao longo de 2012, cabível advertir que não bastam as manifestações exteriores alusivas ao Espiritismo e as reuniões de congraçamento de grande número de pessoas. Mais importante de tudo será o alcance em profundidade que essa mensagem de renovação e de esperança se dê em nós, para que movimente-nos a intimidade, impulsionando-nos no dia-a-dia para uma vivência em plena consonância com as proposições de Jesus. Para esse mister torna-se imperioso mantermos o Espiritismo com a pureza essencial, aos moldes do Cristianismo nascente, sem permitir que sejam incorporadas práticas estranhas ao projeto dos Espíritos Superiores. A unidade doutrinária foi a única e derradeira divisa de Allan Kardec, por ser a fortaleza intransponível do Espiritismo. Para tornarmos o Espiritismo inexpugnável, urge munir-nos contra a infiltração nas fileiras espíritas de ideologias discutíveis, ligadas a movimentos incompatíveis com os sãos princípios e com as finalidades essenciais da Doutrina. Por essa razão, e por não ser tarefa das mais fáceis, os chamados órgãos “unificadores” ainda encontram extremas dificuldades em realizar o ideal sonhado por Bezerra de Menezes na Pátria do Evangelho. Isto porque as trevas são extremamente poderosas e organizadas, e assestam suas armas para destruir o projeto doutrinário, incrementando, por exemplo, a publicação de livros “espíritas” que jamais deveriam existir nas hostes doutrinárias. Recordemos que por força dos interesses aristocráticos, financeiros e de poder pessoal, a mensagem do Cristo sofreu no decorrer dos séculos um desgaste irreparável. A atual liderança do Movimento Espírita permanece

82

claudicando, rejeitando e desviando o Projeto do Espiritismo, promovendo pomposos e ricos congressos não GRATUITOS, eventos em que “escritores” insignificantes (mascates de livros), expõem vergonhosamente seus livros via “noites de autógrafos”, mirando projetar seus “nomes” definitivamente na galeria da fama. Infelizmente alguns líderes espíritas vão adequando a proposta doutrinária às suas ambições e prepotências, corrompendo os textos da codificação, escondendo o tirocínio histórico do mestre lionês e dos seus cooperadores, acarretando para as instituições espíritas comportamentos autoritários, contagiados caprichos e vaidades pessoais. São seres dominados por um dissimulado ranço clerical, ciumentos, intolerantes, e quais vinhos acres e frutos deteriorados, contaminam os mais caros celeiros doutrinários. Porém, tão estáveis são os fundamentos espíritas que, apesar desses desmandos pessoais, a Doutrina Espírita permanecerá com o homem, sem o homem e apesar do homem. Anos se passaram de convite ao amor e à instrução à luz da Terceira Revelação. Atualmente são milhões, em todos os quadrantes do Globo, aqueles que aceitam a convocação, penetram o conhecimento da vida em sua máxima amplitude e grandeza, e estão trabalhando proficuamente para a grande reforma moral, numa revolução silenciosa, porém constante, rendendo preito de gratidão ao Espiritismo, por tudo o que ele já fez e continua fazendo a cada dia pela humanidade. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

83

Abril de 2012 O AMOR É A FORÇA MAIS ABSTRATA E MAIS PODEROSA QUE O MUNDO POSSUI (GANDHI) O Evangelista João anotou na sua magna escritura que Deus é amor. O vidente de Patmos expôs que o Divino mestre indicou um novo mandamento: “Que nos amássemos uns aos outros como Ele nos amou, pois somente assim nos reconheceríamos como discípulos do Cristo.”.(1) Nas instruções dos Benfeitores, aprendemos que o amor e a sabedoria são duas asas que nos conduzem ao pináculo da evolução. Essas alegorias são identificadas como desenvolvimento moral e avanço intelectual; ambas são imperativas ao avanço espiritual, sendo lícito, porém, ponderar a ascendência do amor sobre a ciência, uma vez que o componente intelectivo sem amor pode proporcionar abundantes perspectivas de queda, na reprodução das provas, enquanto que o progresso moral nunca será demasiado, fortalecendo a essência mais admirável das potências espirituais. A presente geração, amputada de maiores anseios espirituais, intrinsecamente hedonista, sensual, consumista, conferindo a si mesma as mais elevadas aquisições de caráter prático na província da razão, produziu os mais extensos desequilíbrios nos cursos evolutivos do planeta, com o seu imperdoável alheamento do amor. Diz-se que “o amor é a força mais abstrata e, também, a mais poderosa que o mundo possui”, consoante afirmou Mahatma Gandhi, e nessa confiança, o iluminado da Índia conseguiu sozinho neutralizar o ódio de milhões de compatrícios jugulados sob o tacão do império britânico. "A natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado".(2) Alguns estudiosos pragmáticos afirmam que o "amor" é a decorrência de

84

ajustada reação química conduzida pelo cérebro. Nos argumentos inconsistentes, os "especialistas" propõem uma análise dos sentimentos apenas como resultante de um aglomerado de forças nervosas, movimentando células físicas geridas pela combinação de substâncias neurotransmissoras. Obviamente o amor não se traduz nisso. Até porque o amor não se deixa decifrar, repelindo toda tentativa de definição. Por isso, a poesia, campo mítico por excelência, encontra, na metáfora, a tradução melhor da paixão, como se esta fosse o amor. Nesse imbróglio, o psiquiatra William Menninger, dos EUA, vociferou: "o amor é um sentimento que a gente sente quando sente que vai sentir um sentimento que jamais sentiu".(!) (3) Esse vazio conceptual deve-se à dificuldade de manifestação do amor na forma de solidariedade e fraternidade no mundo contemporâneo. A ampliação dos centros urbanos cunhou a “Era da alienação”, a síndrome da multidão solitária, das adesões afetivas frágeis. As pessoas estão lado a lado, mas suas relações são de contigüidade e brutal desconfiança. O verdadeiro amor é o convite para banir o egoísmo. Se a pessoa for muito centrada em si, não será capaz de ouvir o apelo do próximo. É a sublimidade dos bons sentimentos dirigidos ao outro, porém, sem que haja limites ou condições para que expressemos tais sentimentos de vínculo fraterno; é o abraço, o olhar sereno, o aperto de mão, as palavras de ânimo e respeito, os ouvidos atentos para ouvir serenamente; tudo isso em função do semelhante, contudo, sem que venhamos impor ao próximo que nos recompense; e, mais ainda, que todo esse sentimento possa alcançar as pessoas, não apenas nossos consanguíneos, mas também amigos próximos e companheiros de jornada humana. Em síntese, tudo o que possamos idealizar sobre o amor pode se consubstanciar como parcela deste sentimento, mas ele é muito maior e mais abrangente, até porque o bem-querer, a bondade, a tolerância, a alegria, a proximidade só poderão ser um fragmento do amor quando não tiverem laços no apego, na imperiosa necessidade de permuta, no egoísmo que exigem sempre condições e regras.

85

Em suma, o amor só será verdadeiro e incondicional quando for dilatado por todos nós, a todas as coisas e a todos os seres que nos cercam, nessa estupenda experiência humana que é a própria vida. Jorge Hessen http://jorghessen.net Referências bibliográficas: (1) (João:13 vs 34-35) (2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB , 2000, questão 938-a (3) Menninger, William. ABC da psiquiatria, São Paulo: Editora IBRASA, 1973

Maio de 2012 ESTÊVÃO - UM FADÁRIO DE AGONIA E SUBLIME AMOR No capítulo I do monumental livro “Paulo e Estevão” há uma descrição da cidade de Corinto, reedificada por Júlio César, localizada ao sul da Grécia entre os mares Jônio e Egeu, no Mediterrâneo. Destruída pelo cônsul romano Múmio em 146 a.C., Corinto era um importante centro produtor de uvas e passas. Homero (autor de Ilíades e de Odisséia) chamou-lhe “Riquíssima Corinto”, pela excelência de suas terras. Também era famosa pelas libertinagens e os romanos aí encontravam campo vasto para suas devassidões. No ano 34 a.D., Corinto em peso foi atormentada por violenta revolta dos escravos oprimidos. Controlando a situação os romanos elegeram as

86

numerosas famílias judaicas para suas extorsões. Uma delas foi o clã de Jochedeb ben Jared, pai de Abigail (18 anos) e Jeziel (25 anos de idade). Licínio Minúcio, questor do Império, confiscou a propriedade de Jochedeb e dilacerou-lhe a família. Ben Jared, considerado violador da lei romana, foi condenado e morto sob a violência da chibata em presença dos dois filhos. Abigail foi amparada por Zacarias ben Anan e sua esposa, e passou a residir em uma granja, na estrada de Jope. Todavia, o jovem Jeziel, após sofrer bárbaro martírio por espancamento, foi recolhido à prisão e depois de 30 dias foi conduzido para o serviço das galeras romanas. Em Cefalônia, a embarcação recebeu Sérgio Paulo, patrício romano, que se dirigia para a cidade de Citium em missão de natureza política. Durante a viagem, o aristocrático romano adoeceu gravemente. Abriu-se seu corpo em ulcerações, de tal modo que o seus conterrâneos não se arriscaram a tratá-lo. O constrangimento foi imposto ao jovem Jeziel, que valendo-se das orações curou o eminente romano, enquanto ele próprio, Jeziel, contraia a mesma moléstia. Penhorado em face do cuidado do irmão de Abigail, Sérgio Paulo conseguiu persuadir o comandante da galera, que almejava arremessar Jeziel ao mar no pressuposto de impedir o contágio na embarcação, para deixá-lo em terra, na costa da Palestina. Em terra firme, foi conduzido à Casa do Caminho, em Jerusalém. Na instituição, recebido por Pedro e Tiago menor, Jeziel foi tratado, e após duas semanas ficou curado e depressa afeiçoara-se ao Pescador como um verdadeiro filho. Por sugestão do velho apóstolo, Jeziel passou a adotar o nome Estevão, em homenagem à velha Acaia, na Grécia. O filho de Jochedeb era dos arredores de Sebastes e descendia da tribo de Issacar. Analisava as profecias, sobretudo de Isaias, pelas belezas das promessas divinas de que foi portador, anunciando o Messias. Ali, na Casa do Caminho, ficou sabendo que Jesus havia sido crucificado há mais de um ano e, em lágrimas, recordou o profeta: “Levantar-se-á como um arbusto verde, vivendo na ingratidão de um solo árido, onde não haverá graça nem beleza. Carregado de opróbrios e desprezado dos homens, todos lhe voltarão o rosto. Coberto de ignomínias, não merecerá

87

consideração. É que Ele carregará o fardo pesado de nossas culpas e de nossos sofrimentos, tomando sobre si todas as nossas dores.”(1) Estevão instruiu-se nas anotações de Mateus sobre o Divino Mestre e prontamente se integrou na vida da comunidade cristã. Em pouco tempo tornou-se célebre em Jerusalém. Lembre Emmanuel: “Quando muitos discípulos de Jesus deixavam de ampliar os comentários públicos para além das considerações agradáveis ao judaísmo dominante, ele apresentava à multidão, o Salvador do Mundo, indiferente às lutas que iria provocar, comentando sobre a vida do Crucificado com o seu verbo inflamado de luz.”(2) O seu primeiro encontro com o futuro “Apóstolo dos Gentios” ocorreu no ano 35, no cenáculo da Casa do Caminho, quando Saulo ali esteve, levado por Sadoc, que o incitava a perseguir "os homens do caminho", cujo prestígio ascendia em Jerusalém. Durante a palestra, o irmão de Abigail leu um trecho das anotações de Mateus, capítulo 10 versículo 6 e 7: “Mas ides antes às ovelhas perdidas da casa de Israel; e, indo, pregai dizendo: É chegado o Reino dos Céus.”(3) Explicou que a Boa Nova era a resposta de Deus aos apelos humanos. Moisés foi o condutor, mas, Jesus é o Salvador. Com a Lei éramos servos, com o Evangelho somos filhos livres de um Pai amoroso justo e bom, pregava Estevão. Saulo o ameaçou com a autoridade do Sinédrio, contudo o palestrante não se atemorizou e redarguiu ao rabino se tivesse alguma acusação legal contra ele, que expusesse e seria obedecido; mas, naquilo que diz respeito a Deus, só ao Criador competia arguir-lhe. Estevão tinha consciência de que o Sinédrio detinha muitas maneiras de fazer-lhe chorar, mas não reconhecia poderes para obrigar-lhe a renunciar ao amor de Jesus Cristo. Anunciou ao filho de Tarso que aquele templo humilde era construção de fé e não de justas casuísticas. Agastado, Saulo providenciou para que o orador fosse conduzido ao Sinédrio a fim de ser interrogado. Sob o falso testemunho de Neemias, o jovem Estevão foi acusado de blasfemo, caluniador e feiticeiro, porém explicou a todos que não desrespeitava Moisés, mas não havia como deixar de reconhecer a superioridade de Jesus-Cristo, por isso, saberia pagar, pelo Mestre, o preço da mais pura fidelidade.

88

Saulo, por vingança, na condição de juiz, deliberou a pena de lapidação contra o irmão de sua noiva (Abigail, irmã do réu) encarcerado por dois longos meses. Após a leitura das denúncias, antes de proferir a sentença, Saulo perguntou-lhe se estaria disposto a renegar o Carpinteiro, com o que seria poupada sua vida. A resposta desassombrada do filho de Corinto foi de que nada no mundo o faria renunciar à tutela de Jesus. Morrer por Ele significava uma glória. No dia assinalado para o apedrejamento, Estevão apresentava barba crescida e maltratada, trazia equimoses (sangue pisado) nas mãos e nos pés. Caminhando vagarosamente, fadigado, foi conduzido às proximidades do altar dos sacrifícios no Templo. Algemado no tronco do suplício, com os pulsos sangrando, pela brutalidade dos soldados, sob o sol abrasador das primeiras horas da tarde, foi cruelmente apedrejado. Os verdugos eram os emissários das sinagogas das cidades que convergiam ao Templo. Tais carrascos se esmeraram para “resguardar” a cabeça do condenado, a fim de que o abominável espetáculo perdurasse mais tempo. Nesse momento, Estevão pensa em Jesus e ora. O peito se cobre de ferimentos e o sangue flui abundante. Recita o Salmo XXIII: “O Senhor é o meu Pastor, Nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, Guia-me mansamente A águas mui tranquilas, Refrigera minh’alma, Guia-me nas veredas da justiça Por amor do seu nome. Ainda que eu andasse Pelo vale das sombras da morte, Não temeria mal algum, Porque Tu estás comigo... A Tua vara e o Teu cajado me consolam.”...(4). Sentindo a presença de seus amigos espirituais, exclama: "Eis que vejo os céus abertos e o Cristo ressuscitado na grandeza de Deus!".(5) Recorda a irmã Abigail. Por onde andaria? Que teria sido feito dela? Nunca mais a encontrara. Abigail, noiva de Saulo, e por ele convidada para assistir a execução chegava naquele instante. Ela que não desejava presenciar o espetáculo vil. Tentara mesmo junto a Saulo se não poderia ser outra a sentença ao jovem pregador, a respeito do qual o noivo lhe falara. Surpresa, reconhece o irmão e ele, ante a visão do Cristo que olhava melancolicamente para Saulo, a reconhece igualmente. Já não tem certeza

89

se ela em espírito ali se apresenta ou se é produto de alguma alucinação, pelas dores que o acometem. A pedido de Saulo, que não entende como se tornara o verdugo do irmão de sua noiva, Estevão é retirado do poste e conduzido ao gabinete dos sacerdotes. Tanto quanto teve forças, o primeiro mátir do Cristianismo resumiu para Abigail sua história e lançou em sua alma as primeiras sementes da Boa Nova. A irmã lhe apresenta o noivo, Saulo, a quem o moribundo contempla sem ódio e acentua: "Cristo os abençoe... Não tenho no teu noivo um inimigo, tenho um irmão... Saulo deve ser bom e generoso, defendeu Moisés até ao fim..." (6) A cena é comovedora. Abigail deixara o irmão preso ao poste de martírio em Corinto uma vez e torna a encontrá-lo, em idêntica condição, em Jerusalém. Ora, a pedido dele, conforme o fizera um dia, na sala de torturas. Ele desencarna, em seu regaço. Estêvão ficaria agora mais junto do cunhado, transmitindo os pensamentos de Jesus. Seria o intermediário entre o Cristo e o Apóstolo dos gentios. Seria ainda o filho de Corinto que, ao lado de Jesus e de Abigail (desencarnada pouco depois do irmão, acometida de febre) viria receber o apóstolo Paulo, liberto dos laços da carne, conduzido por Ananias para a região do Calvário, logo após a sua decapitação ocorrida em Roma. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho a Luz, ditado pelo espírito Emmanuel, 22ª edição, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1992 (2) Xavier, Francisco Cândido. Paulo e Estêvão, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1982 (3) Mt.10: 6-7 (4) Salmo cap. XXIII (5) Atos 7: 56

90

(6) Xavier, Francisco Cândido. Paulo e Estêvão, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1982

Maio de 2012 PERDOAR É TER DOMÍNIO SOBRE A FELICIDADE PARA CONQUISTAR A PAZ. Todos ansiamos a conquista da paz e procuramos a alegria de viver na Terra. Porém, que tipo de felicidade é essa que quanto mais se caça mais afastada permanece? Para que verdadeiramente conquistemos a paz e a felicidade, é urgente reconhecermos nossas fraquezas morais e colocarmos em prática a melhoria pessoal. Das diferentes angústias que nos afastam da paz e da felicidade, a mágoa tem lugar de relevo. Pensando nisso, deliberamos escrever a respeito do perdão, por considerar ser uma das grandes virtudes, por via das quais conseguiremos a paz e a felicidade cobiçadas. A ordem “perdoar setenta vezes sete vezes” proferida por Jesus precisa ser aplicada ao limite máximo das nossas experiências cotidianas. Não obstante, excepcionalmente conseguimos perdoar pessoas que nos causaram algum agravo, lesão, perda ou ofensa, pois quase sempre elegemos permanecer zangados, desgostosos, melindrados ou magoados (às vezes por uma vida inteira ou várias encarnações). Há casos em que alguns instantes após a ocorrência da ofensa, quiçá, o agressor que nos danificou já tenha esquecido a expressão infeliz ou o insulto a nós dirigido. No que tange ao nosso sentimento de justiça, experimentamos em cada afronta sofrida a cólera ou a aversão e diversas ocasiões podemos escolher espaçar no tempo esses sentimentos destrutivos, na forma de

91

rancor, preservando no recesso de nossa mente a aflição, a agonia, a ansiedade por alongados anos. Jesus ensinou: "Se perdoardes aos homens as ofensas que vos fazem, também vosso Pai celestial vos perdoará os vossos pecados. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará os vossos pecados".(1) Perdoar é atitude sublime, além de imperativo, já que para que sejamos perdoados é mister que absolvamos o ofensor. O Criador tem nos indultado desde sempre. Tomando-se por base o convite ao perdão, ensinado e exemplificado pelo Cristo, aprendamos a não permitir que consternações, injúrias, danos morais de qualquer espécie nos causem repugnâncias, desapontamentos e agressividades delituosas. Temos na figura incomparável do Crucificado o exemplo culminante de clemência. Infelizmente, quase sempre optamos por não perdoar no sentido mais exato do termo perdão. Criamos imagens sobre a ofensa sofrida e permanecemos reproduzindo a mágoa a todos que atravessam o nosso caminho, e muitas vezes chegamos às lágrimas, nos fazendo de vítimas quase sempre diante de tudo e de todos. Quando não topamos com alguma pessoa disposta a escutar a nossa lamúria, continuamos reprisando de contínuo a história do insulto em nosso coração. Essa sensação nos deteriora as ideias e ocupa um imenso espaço em nossa mente. É uma categoria de auto-obsessão. Com a mente embebida de pensamentos de “vingança e justiça com as próprias mãos”, não alcançamos raciocínios lógicos; não localizamos expedientes criativos para as dificuldades mais simples, arruinamos a aptidão de concentração, nos tornamos irrequietos e enfadados com pequeninas coisas. “O perdão do Senhor é sempre transformação do mal no bem, com renovação de nossas oportunidades de luta e resgate, no grande caminho da vida. O perdão é em qualquer tempo, sempre um traço de luz conduzindo a nossa vida à comunhão com Jesus.”(2) Mas quando optamos por não perdoar (ou tão somente perdoar da “boca para fora”), denunciamos o outro pela nossa desdita, o que equivale a responsabilizar o próximo pela nossa condição de vítima em infindável amargura. Agindo assim, estamos oferecendo autoridade ao ofensor sobre nós, ou seja, a

92

faculdade de despedaçar a nossa paz, a nossa calma, o nosso prazer de viver (felicidade) e sobretudo a nossa preciosa saúde. Não desconhecemos que nosso estado emocional conduz a saúde de todos os complexos fisiológicos. Quando sustentamos bons pensamentos e emoções serenas, geramos frequências magnéticas que alcançam todas as estruturas celulares, conduzindo as reações eletrobioquímicas, a seiva imunológica, a divisão das células, a simbiose entre os tecidos, a alimentação, as funções neuropsíquicas, a pujança de ânimo, enfim, o vigor e a harmonia do arcabouço orgânico. Sem sombra de dúvida, o máximo de benefício do perdão é para quem perdoa incondicionalmente. O infrator que nos ocasionou determinado agravo não está torturado com a nossa situação emocional. “Quem bate esquece” - diz o jargão popular – é verdade! O ofensor, via de regra, esquece a injúria que suscitou o nosso ajuizamento com a consequente condenação. Em boa medida, perdoar constitui desanuviar o coração; arrancar um espinho encravado n’alma, ter domínio sobre a tão procurada felicidade e conquistar a paz. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1)Mateus, VI: 14-15 (2)Xavier, Francisco Cândido. Pai Nosso, ditado pelo Espírito Meimei, Rio de Janeiro: Ed. FEB.

93

Maio de 2012 PENSAR O dicionarista define o termo “pensamento” como o ato de refletir o processo mental que se concentra em ideias, formulações de conceitos e de juízos. O mecanismo pelo qual se opera o fenômeno do pensamento é enigma que os ilustres acadêmicos não conseguiram, ainda, desvendar. Diz-se que o Universo é a projeção da Mente Divina e a Terra, qual a arquitetamos em seu aspecto político, econômico e social, é reflexo da Mente Humana ainda delirante sob o tacão do egoísmo e da ambição. A mente, em que pese a indefinição do limitado ajuizamento científico, é locus de toda manifestação vital no planeta. Qual um espelho de luz, segundo os Benfeitores espirituais, emitindo raios e assimilando-os, a mente é a matriz de treva ou de luz, alegria ou infelicidade, paz ou guerra, onde quer que se manifeste. Para fins elucidativos, assinalemos a estrutura mental estratificada em três níveis, a saber: “consciente” (personalidade) como um sistema de acesso, gravação e reprodução; “subconsciente”, material adquirido na atual experiência física arquivado temporariamente nos arcanos do ser; e, finalmente, o “inconsciente” (individualidade), conteúdo imêmore, de vidas transatas e que pode ser reconstruído por determinados artifícios psicológicos, a exemplo do sonho e da “regressão” hipnótica. Categoricamente, muito de nossos atos só advém porque pensamos alguma coisa, cobiçamos algo, cremos ou descremos em algo, receamos algo, ou seja, há uma condição individual que gera um tipo de circulação no mundo palpável. Deste modo, é difícil, na prática, vacilar sobre esse fato, logo, a influência do que pensamos sobre o que vivemos é bem maior do que comumente concebemos.

94

"O pensamento é o gerador dos infracorpúsculos ou das linhas de força do mundo subatômico, criador de: correntes de bem ou de mal, grandeza ou decadência, vida ou morte, segundo a vontade que o exterioriza e dirige."(1) Energia viva, o pensamento desloca, em torno de nós, forças sutis, construindo paisagens ou formas e criando centros magnéticos ou ondas, com os quais emitimos a nossa atuação ou recebemos a atuação dos outros. A gravidade no campo mental é tão contundente quanto no domínio da experiência física. Estaremos sempre sob o influxo de nossas próprias criações, seja onde for. Pensamos, e produzimos vida ao componente imaginado. Temos, então, pensamentos que geram ações, que geram pensamentos, que geram ações. Ações que geram o mundo, que gera ações. O pensamento do outro que constitui o meu pensamento, que constitui o pensamento do outro. Nessa dinâmica aprendemos que existem pessoas desregradas infestando todos os pontos da Terra, em vista do caráter evolutivo inferior que ainda ostentam os agrupamentos humanos e, muitas vezes, multidões de espíritos devassos exercitam vampirismo junto dos encarnados incautos, puramente no intento de continuar fixados às sensações do campo físico das quais não se desvencilharam (subjugação). Quem mentalize tramoias com o cofre público, violências de toda ordem, erotismos, infidelidade conjugal, crimes, desventura e excitação, só poderá agir e reagir sob o impacto da desarmonia e do desgosto pessoal. Cada mente é um verdadeiro mundo de emissão e recepção de ondas magnéticas, e cada qual atrai os seres que se lhe assemelham. Os adúlteros se procuram, os tristes agradam aos tristes, os violentos se reúnem, os bons estabelecem laços recíprocos de trabalho e realização. Sob o ponto de vista espírita, "nosso espírito residirá onde projetarmos nossos pensamentos, alicerces vivos do bem e do mal".(2) Atraímos pessoas e recursos de conformidade com a natureza de nossas ideias, aspirações, invocações e apelos. Quem se atira ao subterrâneo da desonra, da improbidade, do adultério, será influenciado por espíritos perversos e depravados que os buscarão, seduzidos pelo tipo de suas tendências recrimináveis e absorverão os conteúdos mentais lançados,

95

arremessando sobre os desonestos e infiéis as exalações deteriorantes. É do alicerce palpável da ideia que despontam as asas dos anjos e as grilhetas dos condenados. Vigiemos os pensamentos, depurando-os no trabalho incessante do bem, a fim de arremetermos de nós a algema capaz de agrilhoar-nos a indigestos artifícios de vida promíscua. Pelo pensamento malsão, escravizamo-nos a genealogias de agonia cruel, sentenciando-nos, muitas vezes, a séculos de perambulação nos carreiros da dor e do autoextermínio. Nossos pensamentos compõem, no fundo, cargas de força eletromagnética, com as quais golpeamos ou acalentamos, protegemos ou danificamos, vitalizamos ou aniquilamos, e que regressam firmemente a nós mesmos, saturadas dos recursos ditosos ou deprimentes com que lhe assinalamos a rota. É absolutamente inútil proclamarmos o título de “cristãos” sem nenhum empenho de sublimação do pensamento; aliás, é tão arriscado para alguém quanto deter uma qualificação honorífica entre os homens com menosprezo pela responsabilidade que ela inflige. Segundo os Benévolos seres do além, os títulos de fé não se fundam em meras palavras, acobertando-nos deficiências e desvios morais. Anunciam obrigações de melhoria a que não nos será lícito esquivar, sem agravo de constrangimentos. O pensamento é um núcleo de forças inteligentes, produzindo plasma sutil que, a exteriorizar-se ininterruptamente de nós, harmoniza recursos de concretude às figuras de nossa imaginação, sob o governo de nossos próprios desígnios. Escalemos o plano superior, instilando pensamento de sublimação naqueles que nos cercam. Procuremos a consciência de Jesus para que a nossa consciência lhe retrate a perfeição e a beleza!... Para Emmanuel, “a mente é o espelho da vida em toda parte. Ergue-se na Terra para Deus, sob a égide do Cristo, à feição do diamante bruto, que, arrancado ao ventre obscuro do solo, avança, com a orientação do lapidário, para a magnificência da luz. Nos seres primitivos, aparece sob a ganga do instinto, nas almas humanas surge entre as ilusões que salteiam a inteligência, e revela-se nos Espíritos Aperfeiçoados por brilhante precioso a retratar a Glória Divina.”(3)

96

Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Xavier, Francisco Cândido. Roteiro, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB 1972 (2) Xavier, Francisco Cândido. Pão Nosso, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB 2000, (3) Xavier, Francisco Cândido. Pensamento e Vida, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB 1990.

Junho de 2012 SUICÍDIO - UMA FUGA SEM NORTE, SEM SENTIDO, SEM RAZÃO Em julho de 1862, Kardec analisa uma estatística estarrecedora e publica na Revista Espírita que “desde o começo do século XIX, o número dos suicídios na França, de 1836 a 1852, era de 52.126 suicídios, ou seja em média 3.066 por ano. Em 1858, contaram-se 3.903 suicídios, dos quais 853 mulheres e 3.050 homens. Enfim, segundo a última estatística no curso do ano de 1859, 3.899 pessoas se mataram, a saber, 3.057 homens e 842 mulheres."(1) Atualmente, como se não bastasse o inquietante “Dia Nacional de Prevenção ao Suicídio”, a Justiça francesa está investigando a onda de suicídios na operadora de telefonia France Telecom. Nos últimos anos, 46

97

funcionários da companhia se mataram – 11 deles apenas em 2010, segundo dados da direção da empresa e dos sindicatos. Infelizmente, é exatamente nos países ricos, em que a ambição e o materialismo se acentuam, onde sobressaem os preconceitos, que o número de óbitos por suicídio é mais aterrorizante. Segundo estimativa dos estudiosos, alguns países do Velho Continente carecem de um “plano nacional para a prevenção de suicídios”, pois é ameaçador o número de mortes autoinfligidas. Kardec escreveu que o suicídio é contagioso – “o contágio não está nem nos fluidos nem nas atrações; ele está no exemplo que familiariza com a ideia da morte e com o emprego dos meios para que ela se dê; isto é tão verdadeiro que quando um suicídio ocorre de uma certa maneira, não é raro ver vários deles do mesmo gênero se sucederem.”(2) Quinze anos antes da Revolução Francesa, o lançamento do livro “Werther”, do poeta alemão Goethe, provocou uma onda de suicídio na Europa. “Romeu e Julieta, criação de Shakekspeare, assim como tantos Romeus e Julietas da vida real, se matam para vingar-se de seu ambiente e das pessoas que estão ao seu redor”(3) Albert Camus, em “O Mito de Sísifo”, defende a tese de que só existe um problema filosófico realmente grave: o suicídio - Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder a questão de filosofia.(!?) Que o abonem os escritores Artur Shopenhauer em “As Dores do Mundo”, que induz seu leitor invigilante ao suicídio, e Friedrich Wilhelm Nietzsche, que escreveu em “Assim Falava Zaratustra”, que orar é vergonhoso, afirmando que “a ideia do suicídio é uma grande consolação: ajuda a suportar muitas noites más.”(!?) O suicídio é uma ação unicamente humana, e está presente em todas as civilizações. Suas matrizes originais são abundantes e intricadas. Algumas pessoas (re)nascem com certas desordens psiquiátricas, tal como a esquizofrenia e o alcoolismo, o que obviamente acresce o risco de suicídio. Os determinantes do autocídio patológico estão nas ansiedades mentais, desesperanças, desgostos, intranquilidades emocionais, alucinações recorrentes. Podem estar vinculados a falência financeira, vergonha e mácula moral, decepções amorosas, depressão, solidão, medo

98

do futuro, soberba pessoal (recusa a admitir o fracasso) ou exacerbado amor próprio (acreditar que sua imagem não possa sofrer nenhum arranhão ou ferimento). Mas cremos que a exata causa do suicídio não está nas ocorrências infelizes em si, todavia na atitude como a pessoa cede diante do desgosto. Há autoextermínios por ideias fixas, realizados fora do império da razão, como aqueles, por exemplo, que ocorreram na psicose, na embriaguez; aqui a causa é meramente fisiológica; mas paralelamente “se encontra a categoria, muito mais numerosa, dos suicídios voluntários, realizados com premeditação e com pleno conhecimento de causa.”(4) O Codificador indagou aos espíritos – “que pensar do suicídio que tem por causa o desgosto da vida?”. Os Benfeitores responderam: "Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes seria uma carga!"(5) Há dois milênios Jesus disse: “Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados”.(.6) Mas como compreender a conveniência de sofrer para ser feliz? Por que uns já (re)nascem abastados e outros na miséria, sem nada haverem feito (na atual existência) que justifique essas posições? “A certeza da imortalidade pode confortar e gerar resignação, contudo não elucida essas aberrações, que parecem contradizer a justiça Divina. Se Deus é soberanamente bom e justo, não pode agir caprichosamente, nem com parcialidade. Logo, as vicissitudes da vida derivam de uma causa e, pois que Deus é justo, justa há de ser essa causa.”(7) Na Terra, é preciso ter tranquilidade para viver e conviver, até porque não há tormentos e problemas que perdurem uma eternidade. Lembremos que a vida não assenta em nossos ombros fardos mais pesados que nossos limites de carregá-los. A calma e a resignação hauridas da maneira de avaliar a vida terrestre e da certeza no futuro “dão ao espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio.”(8) Porém, a incredulidade, a simples suspeição sobre o futuro espiritual, as opiniões materialistas por fim, são os grandes incitantes ao suicídio e ocasionam o acovardamento moral. Os Benfeitores Espirituais advertem que o suicídio é comparável a alguém que pula no escuro sobre um despenhadeiro de brasas. Após a

99

morte, descrevem os espíritos , advém ao suicida a sede, a fome, a friagem ou o calor insuportável, o cansaço, a insônia, os irresistíveis desejos impudicos, a promiscuidade e as tempestades com constantes inundações de lamas fétidas. E pior, aos que fogem da luta, lembramos que adiar dívida moral significa reencontrá-la mais tarde (pela reencarnação) com juros somados com cobrança sem moratória. A Terceira Revelação comprova através das comunicações mediúnicas a posição desventurada com que deparam os suicidas e comprova que nenhuma pessoa infringe impunemente a lei de Deus. O espírita tem, assim, vários motivos a contrapor à ideia do suicídio: a confiança de uma vida futura, em que, sabe-o ele, será de tal maneira mais venturosa quão mais infeliz e abdicada tenha sido na Terra. É vero! O suicídio é uma porta falsa em que o indivíduo, avaliando alforriar-se de seus incômodos, desmorona em circunstância extremamente mais arruinada. Precipitado violentamente para o Alémtúmulo, repleto de fluido vital no corpo aniquilado, revive, continuamente, por longo tempo, os espicaces de consciência e sensações dos últimos momentos, além de permanecer debaixo de penosa tortura, aprisionado aos despojos carnais sob a própria tumba. Como se ainda não bastasse, permanecerá na dimensão espiritual submerso em regiões de penumbras, onde seus martírios serão tenazes, a fim de aprender na dor pungente a respeitar a vida com mais empenho noutras oportunidades reencarnatórias. Portanto, “a certeza de que, abreviando a vida, chega justamente a um resultado diferente daquele que espera alcançar; que se livra de um mal para ter um pior, mais longo e mais terrível, que não reverá, no outro mundo, os objetos de sua afeição, que queria ir reencontrar; de onde a conseqüência de que o suicídio está contra os seus próprios interesses. Também o número de suicídios impedidos pelo Espiritismo é considerável, e se pode disso concluir que quando todo o mundo for espírita, não haverá mais suicídios voluntários, e isso chegará mais cedo do que se crê.”(9) Sabemos que a prece é um apoio para a alma; contudo, não basta: é preciso tenha por base uma fé viva na bondade do Criador. Destarte,

100

quando nos advenha uma causa de sofrimento ou de contrariedade, urge sobrepor-se a ela, e, quando houvermos conseguido dominar os ímpetos da impaciência, da cólera ou do desespero, devemos dizer, cheios de justa satisfação: "Fui o mais forte."(11) Ante o impositivo da Lei da fraternidade, precisamos orar pelos nossos irmãos que deram fim às suas vidas, apiedando-nos de suas dores, sem condená-los. Jorge Hessen http//jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1)Análise sobre Estatística dos suicídios que Kardec fez do livro “Comédie sociale au dix-neuvième siècle” , autoria de B. Gastineau, publicado na Revista Espírita, julho de 1862. (2)Idem (3)Disponível em http://www.espirito.org.br/portal/artigos/geae/argumentos-suicidio-... (4)Análise sobre Estatística dos suicídios que Kardec fez do livro “Comédie sociale au dix-neuvième siècle” , autoria de B. Gastineau, publicado na Revista Espírita, julho de 1862 (5)Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2001, perg. 945 (6)Lc. VI, vv. 20 e 21 (7) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed FEB, 2006, cap V (8)Idem (9)Análise sobre Estatística dos suicídios que Kardec fez do livro “Comédie sociale au dix-neuvième siècle” , autoria de B. Gastineau, publicado na Revista Espírita, julho de 1862 (10) Kardec , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed FEB, 2006, cap V.

101

Junho de 2012 AOS ESCRAVOS DAS BEBIDAS ALCOÓLICAS RECOMENDAMOS JESUS – “VINDE A MIM...” ( Mateus 11:28-30) O consumo de alcoólicos pelo ser humano não é hábito recente; é tão antigo quanto o próprio homem das cavernas. Seja qual for o período histórico e em que sociedade com a qual se relacionou ou a cultura que recebeu, o homem tem bebido. Há 3700 anos “Código de Hamurabi” já trazia normativos sobre as situações, lugares e pessoas que podiam ou não fazer a ingestão de bebida alcoólica. Há 2500 anos os chineses perdiam – literalmente – a cabeça por causa da bebida alcoólica – a prática era punida com a decapitação. Configura-se um costume extremamente antigo e que vem persistindo por milhares de anos. Paulo escreveu para os cristãos de Efésio: “e não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito.”.(1) O álcool é a droga “lícita” mais consumida no mundo contemporâneo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda de acordo com a OMS, a bebida alcoólica é a droga legalizada de escolha entre crianças e adolescentes. Estima-se que o uso desse tóxico tenha início aos 10 a 12 anos. Os males gerados pelo alcoolismo são a terceira causa de morte no mundo. Estudos encontrados na literatura científica mostravam que os homens bebiam mais que as mulheres em todas as faixas etárias, e que jovens consumiam mais álcool do que idosos. Porém, outras pesquisas apontam para o aumento anual, no Brasil e no mundo, do porcentual de mulheres dependentes. No passado, pontuam os especialistas, para cada cinco usuários problemáticos de álcool existia uma mulher na mesma condição.

102

O estudo demonstra que atualmente a razão comparativa é de 1 para 1. Elas já bebem tanto quanto eles, mas concentradas em fases distintas. É mais recente a aceitação social do uso do álcool pelas mulheres. Realmente, antes elas não bebiam tanto. Com isso, o foco das campanhas preventivas ficou muito centrado nos homens. As mulheres ficaram negligenciadas nessa abordagem. Raros são os ginecologistas, por exemplo, que questionam se as suas pacientes bebem. As grandes vítimas são os filhos, envolvidos numa rotina de restrições e constrangimentos. Filhos de mulheres que consomem álcool em excesso durante a gravidez estão sujeitos à síndrome alcoólica fetal, que pode provocar sequelas físicas e mentais no recém-nascido. Crianças e adolescentes filhos de pais com o vício estão mais sujeitos a desequilíbrios emocionais e psiquiátricos. Normalmente, o primeiro problema identificado é um prejuízo severo na autoestima, com repercussões negativas sobre o rendimento escolar e as demais áreas do funcionamento mental. Esses adolescentes e crianças tendem a subestimar suas próprias capacidades e qualidades. Os dados atuais sobre alcoolismo são devastadores. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas (HC) de São Paulo, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, mais de 9% dos idosos paulistanos consomem bebida alcoólica em excesso. O levantamento feito com 1.563 pessoas com 60 anos ou mais apontou que 9,1% dessa população abusa do álcool, o equivalente a 88 mil idosos da capital paulista. Demonstrado cientificamente que o álcool é pernicioso em qualquer faixa etária, seus danos entre os adolescentes são patentes, sobretudo, durante a fase escolar, uma vez que o uso sucessivo da substância impede o rendimento, além de provocar desordem mental, falta de coordenação, problemas de memória e de aprendizado. Consequentemente, esse processo resulta também em dores de cabeça, alteração do ciclo natural do sono, da fala e do equilíbrio. A dependência ao álcool pode ser hereditária, havendo uma predisposição orgânica do indivíduo para o seu desdobramento, no qual o Espírito imortal traz em seu DNA perispiritual as marcas e consequências do vício

103

em outras experiências reencarnatórias, sendo compreensível, então, que o alcoolismo seja transmissível de pais para filhos. As matrizes dessas disfunções estão no passado, seja de forma hereditária ou espiritualmente, em decorrência de experiências infelizes, remanescentes de pregressas existências. Segundo André Luiz, “ao reencarnarmos trazemos conosco os remanescentes de nossas faltas como raízes congênitas dos males que nós mesmos plantamos, a exemplo, da Síndrome de Down, da hidrocefalia, da paralisia, da cegueira, da epilepsia secundária, do idiotismo, do aleijão de nascença desde o berço.” (2) “O corpo perispiritual, que dá forma aos elementos celulares, está fortemente radicado no sangue. O sangue é elemento básico de equilíbrio do corpo perispiritual”. (3) Em “Evolução em dois Mundos” o mesmo autor espiritual revela-nos que “os neurônios guardam relação íntima com o perispírito.”(4) Portanto, a ação do álcool no psicossoma é letal, criando fuligens venenosas que saturam no corpo psicossomático, danificando tanto as células perispirituais quanto as células físicas. As substâncias dos alcoólicos ingeridos caem na corrente sanguínea, daí chegam ao cérebro, atacam as células neuronais; estas refletirão nas províncias correlatas do corpo perispiritual em configuração de danos e deformações apreciáveis que, em alguns casos, podem chegar até a desfigurar a própria feição humana do perispírito. Infelizmente a liberalidade de muitas famílias com o álcool é um dos maiores problemas para a prevenção: é mito considerar que maconha leva os jovens a outras drogas. São as bebidas alcoólicas que fazem esse papel. Nefastamente é a azada família que estimula a ingestão dos “inofensivos destilados e/ou fermentados”. Não são poucos que começaram a beber quando o patriarca (pai), orgulhoso do filho que virava homem, os atraía para os drinques dos “machões”. O vício de beber cria rotinas que envolvem cúmplices encarnados e desencarnados que compartilham do mesmo hábito e manias. Bares, restaurantes, lanchonetes, clubes sociais e avenidas estão repletos de jovens que, displicentemente, fazem uso, em larga escala e abertamente, das tragédias engarrafadas ou enlatadas. A instalação do alcoolismo

104

envolve três características: a base genética, o meio e o indivíduo. Filhos de pais alcoólatras podem ser geneticamente diferentes, porém só desenvolverão a doença se estiverem em um meio propício e/ou características psicológicas favoráveis. Os infelizes “canecos carnais” não só desfiguram e arrasam o corpo como agridem e violentam o caráter e deterioram o psicossoma através das obsessões, acendidas por espíritos beberrões que compartilham junto do bêbado os mesmos vícios e se alimentam através dos vapores alcoólicos expelidos pelos poros e boca numa simbiose mortificante. É precisamente esse vampirismo incorpóreo que ilustra o motivo de o alcoolismo ser avaliado como moléstia progressiva e de certo modo incurável. É verdade! Parar de beber, dizem membros do AA’s (Alcoólicos Anônimos), é a vitória maior para o dependente, mas a doença não acaba. Se ele voltar a dar uns goles, em pouco tempo recupera um ritmo igual ou até maior do que o mantido antes da pausa. “Não existe ex-alcoolista nessa história”, sustentam os frequentadores dos AA’s. Essas são razões suficientes para que nas celebrações e festejos com amigos nos bares da vida, fugir do compromisso da vã tradição da bebedeira a fim de divertir-se. O oceano é constituído de pequenas moléculas de H2O, e as praias se formam com incontáveis grânulos de areia. É indispensável, portanto, desatar-se daquele clichê do “é só hoje”, e quando arrastados a comportamentos para “distrair”, não se deve aceitar a perigosíssima escapadela do "só um golinho", até porque não se pode esquecer que uma miúda picada de cobra peçonhenta, conquanto em acanhada porção, pode produzir a morte imediata, portanto ao invés de se distrair vai se destruir. Sem dúvida que mais fácil é evitar-lhes a instalação do que lutar depois pela supressão do vício (como dizem os membros dos AA’s: não há exalcoólatra). A questão assenta raízes densas na sociedade, provocando medidas curadoras e profiláticas nos círculos religiosos, médicos, psicológicos e psiquiátricos, necessitando de imperiosa assistência de todos os segmentos sociais para (quem sabe!) minimizar seus efeitos flagelantes. Destarte, faz-se urgente assentar a questão da alcoolfilia no foco dos debates públicos. Até porque o problema da consumação

105

alcoólica precisa ser atacado sem trégua, a fim de que sejam encontradas soluções para a complexa epidemia do “tóxico legal”. Para todos jugulados pelos vícios recomendamos Jesus. Sim! O Messias que prometeu: “vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”(5) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Efésios, 5:18. (2) Xavier, Francisco Cândido. Nos domínios da mediunidade, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 2000, p.139-140 (3) Xavier, Francisco Cândido. Missionário da Luz, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 2001 (4) Xavier, Francisco Cândido. Evolução em, Dois Mundos, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 2003 (5) Mateus 11:28-30

106

Junho de 2012 CHICO XAVIER E OS DISCOS VOADORES Fala-se muito nos contatos de seres extraterrenos. Certa vez perguntou-se ao Chico Xavier se ele acreditava na existência de discos voadores. Com extremo bom senso e cautela doutrinária Chico respondeu o seguinte: "- Eu acredito que existem naves interplanetárias. Mas o assunto é um tanto quanto difícil, porque pertence ao campo da ciência. Nós não podemos ignorar que, depois da Segunda Guerra Mundial, as superpotências experimentaram determinadas máquinas, mormente máquinas voadoras, naturalmente com segredos de Estado que são compreensíveis. Possivelmente, teremos máquinas de formas esféricas para voar e concorrer com nossos aviões, com nossos "Concordes" e talvez estejam esperando a hora certa para surgir. Se entrarmos aí numa contenta sobre discos voadores, que dependem de outros mundos, de outras regiões de nossa galáxia, e se as sedes desses engenhos não permitirem que eles venham visitar a Terra durante muito tempo e aparecerem as máquinas esféricas das superpotências, então com que rosto vamos aparecer? Vamos deixar que a ciência resolva este problema." Grifo meu(*) (*)Jorge Hessen http//jorgehessen.net Transcrito do livro Chico Xavier - Mandato de Amor, Editado pela União Espírita Mineira - Belo Horizonte, Minas Gerais.

107

Junho de 2012 A CONEXÃO TELEVISÃO-VIOLÊNCIA-COMPORTAMENTO É PREOCUPANTE A violência de todas as gradações conspurca as conquistas sociológicas deste século. Irrompe-se em todos os níveis da sociedade, manifestandose em múltiplas magnitudes. Lemos um jornal, uma revista; assistimos televisão e a bestialidade é obstinadamente difundida, seja pelos noticiários, pelos documentários, seja pelos filmes (inclusive desenhos “infantis”), pelos programas de auditório cada vez mais obscuros em termos de valores éticos. Por quanto tempo teremos que conviver com os aviltantes programas de tevê na Pátria do Evangelho? São como “shows” que profanam os princípios fundamentais da moral e da ética. Há programas televisivos brasileiros que estão sendo vetados pelos telespectadores europeus através passeatas contra as licenciosas aberrações que se cometem nas programações importadas destas plagas do Cruzeiro do Sul. É imperioso que haja, no Brasil, um movimento de conscientização popular robusto, a fim de que ocorra uma alteração na legislação para que seja devolvido ao País o culto dos valores morais elevados veiculados pelas emissoras de TV. Uma mobilização popular será necessária e justa, pois são nossos filhos que estão sendo influenciados pelas programações promíscuas que vêm corrompendo a família brasileira. Atualmente, é claro que o conflito fundamental não é mais, unicamente, o conflito de classes. Há conflitos de gênero, étnicos, religiosos, regionais, por afirmação de identidade sexual etc. Que princípio filosófico será capaz de dar conta da relação entre os agentes de socialização – desenvolvimento de opinião pública, de ethos (1) e de sociabilidade – e

108

qual a importância dos meios de comunicação, particularmente da mídia televisiva, nesse processo de harmonização social? Dois estudos realizados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em 2009, mostraram que as telenovelas apresentadas nos últimos 40 anos vêm moldando as famílias em aspectos como número de filhos e divórcios. As telenovelas produzidas no país não estão exclusivamente influenciando e acarretando polêmica no Brasil. Especialistas afirmam que em Angola, na África, por exemplo, as novelas são os programas de maior sucesso. O comércio igualmente é influenciado, desviando centenas de feirantes informais angolanas a atravessarem o Atlântico e desembarcarem em São Paulo à procura de produtos para (re)venda em seu país. Para as pessoas de Angola, as novelas brasileiras são referência sobre o que vestir. Dizem os especialistas que estamos na “era da alienação”, do estar sozinho e das adesões frágeis, o que facilita a violência. O alcance do produto televisivo, em particular das teledramaturgias (as famigeradas telenovelas), nos juízos e desejos dos brasileiros, suscita empecilhos, superstições, supressões e anuências que, além de repercussões particulares, acarretam sequelas sociais em nível mundial. Como se não bastasse, a mídia televisiva tornou-se uma das principais instituições de influência sobre a formação cultural da criança e jovens. Estudos realizados pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul demonstram que a exibição de violência na TV tem efeitos inequívocos. Há correlações concretas entre a frequente exposição à violência exibida na Televisão e o comportamento agressivo do telespectador. Pesquisas comprovam que nos Estados Unidos, após a entrada da televisão os lares, na década de 40, a taxa de homicídios aumentou 93%. A televisão ocupa um lugar central nos descaminhos dos rumos que a infância tem tomado. Para desviar-se dos choros e esperneios, muitos pais permitem que os filhos permaneçam mais tempo diante da tevê do que o preconizado. Mesmo considerando que a criança assista apenas a programas “infantis”, aquelas menores de cinco anos deveriam assistir televisão no máximo duas horas por dia. A recomendação é da Academia Americana de Pediatria (AAP). Os programas invadem as casas, afetam

109

os ouvidos, os olhos, modificam as opiniões das pessoas, estabelecem campanhas, decompõem comportamentos. Diante desse dilema foi perguntado a Chico Xavier como era analisado o trabalho dos meios de comunicação pelo Mundo Espiritual. O médium de Uberaba respondeu: “Na Inglaterra há uma lei que consideramos de muita importância. A própria imprensa, através da cúpula formada pelos homens de responsabilidade que a representam, decidiu formar uma associação de censura, de tudo que tivesse de ser lançado ao público pelos mais novos, pelos jornalistas, pelos radialistas, por todos aqueles que estivessem começando a tarefa de se comunicar com o público. No Brasil, a minha opinião, sem qualquer crítica, mas absolutamente sem qualquer crítica, eu creio que os excessos na televisão, nos jornais e nas revistas são de molde a falsear os sentimentos e pensamentos de muita gente.” (2) Somos influenciados a partir do bombardeio informativo detonado pelos programas televisivos. Há uma espécie de efeito acumulativo, isto é, uma exposição exagerada à violência midiática que poderá desenvolver um certo temor e uma espécie de complexo de vítima. Quanto mais violência vemos na tevê, mais facilmente aceitamos a ideia de que o comportamento agressivo é uma coisa normal. Embora alguns afirmem que os efeitos da tevê não interferem no comportamento, ou seja, seus efeitos são mais discretos do que se imagina, não concordamos com isso! Afirmam que a violência que a tevê transmite não é inventada pelas emissoras, pois sempre existiram gangues, traficância, prostituição, assassinatos, antes mesmo da TV existir, vociferam os acadêmicos “libertários”! Entretanto, entronizar os lixos da sociedade numa ensandecida guerra por audiência nos leva a refletir sobre a tese da regulação das programações, a fim de diminuir a exposição das pessoas, sobretudo crianças, aos entulhos da violência que a televisão transmite. A guerra pela audiência, como todo duelo, é demente, é irracional. E na pugna pela audiência, como em toda batalha, as principais vítimas são as crianças. Numa sociedade de mercado, tudo é tratado como mercadoria. Inclusive a infância. Conquanto seja questão bastante discutida, não há

110

como tapar o sol com peneira; não podemos desconsiderar a nefasta influência da tevê na formação das crianças, tanto na erotização precoce quanto na antecipação do imaginário social. Hoje isso pode ser considerado uma forma de profunda violência. Óbvio que o controle é um bom método, sempre a partir da discussão popular, possibilitando determinar programas a ser privilegiados ou não na veiculação. Uma regulação (sem a característica de censura), porém de um controle democrático, por parte do telespectador sobre as programações que serão exibidas. A relação televisão-violência-comportamento, é evidente que existe! Não obstante seja uma relação extremamente complexa e não confinante. Não há como deixar de responsabilizar os meios de comunicação, em especial a TV, para explicar ao conjunto da população o aumento do grau de violência que se tem observado. Segundo alguns especialistas, a televisão amolece o corpo e anestesia o espírito. Diante da tevê, o telespectador permanece, fisicamente, inerme, qual androide. Dos seus sentidos, trabalham somente a visão e a audição, mas de maneira absurdamente parcial. É evidente que quem estuda o Espiritismo e pratica seus preceitos vê-se melhor instrumentalizado para a vida em sociedade nestes tempos atribulados, encontrando conceitos lógicos e racionais para o entendimento da vida numa visão cristã da mesma. Em nome de uma pretensa ruptura com a antiga base educacional, modelada nos princípios da austeridade, não podemos abraçar o comodismo na tarefa disciplinadora dos filhos, por preguiça ou porque não adquirimos as bases necessárias para essa tarefa. Em face disso, não podemos permitir que os nossos frágeis rebentos sejam marionetes dos processos de (des)educação alienante da mídia televisiva. A criança é um adulto que está numa fantasia transitória, conforme afirmava, sempre, Chico Xavier. O adolescente, nos seus 14 e 15 anos, não tem ainda perfeito discernimento para fazer opções quanto ao caminho que lhe cabe trilhar. É geralmente muito instável, o que é natural. Por essa razão, os programas de tevê têm de ser mais bem selecionados pelos pais espíritas, especialmente aqueles que contêm cenas degradantes

111

nos filmes, novelas e em programas de auditório de qualidade duvidosa, e em horários impróprios para eles. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Ethos, na Sociologia, é uma espécie de síntese dos costumes de um povo. (2) Entrevista com Chico Xavier durante o Programa "Terceira Visão", da Rede Bandeirantes, São Paulo, exibido em 25/12/1987.

Junho de 2012 “PÁTRIA DO EVANGELHO” – SERÁ QUE ISMAEL CONSEGUIRÁ CONDUZIR ESSA EMPREITA? Chico Xavier Para o Espírito Humberto de Campos “o Brasil não está somente destinado a suprir as necessidades materiais dos povos mais pobres do planeta, mas, também, a facultar ao mundo inteiro uma expressão consoladora de crença e de fé raciocinada e a ser o maior celeiro de claridades espirituais do orbe inteiro.”(1) Evidentemente, essas ideias não são para já e nem se restringem ao desenvolvimento dos ensinos de Jesus apenas por aqui, até porque a visão doutrinária do pensamento de Jesus é universalista.

112

O ilustre filho de Miritiba (município maranhense hoje batizado com o seu nome) narra que Jesus, “pelas mãos carinhosas de Ismael, acompanha desveladamente a evolução da pátria extraordinária e delegou autoridade aos grandes médiuns, que seriam os portadores da luz do Cristo. Dentre eles, é citada a personalidade de Bezerra de Menezes, aclamado na noite de julho de1895, diretor de todos os trabalhos de Ismael no Brasil.”(2) Há estudiosos que abominam os argumentos do livro, sobretudo porque Humberto faz referência a Roustaing (estudado por Bezerra no século XIX), sendo esse fato uma “punhalada cruel contra Kardec”! Que exagero! (não sou roustenista, porém divirjo dessa postura intolerante dos adversários da obra). Acudimos a tese de que Jesus realmente transferiu a Doutrina Espírita, a mais liberal filosofia que o mundo já conheceu, para o Brasil, e creio que aqui haverá de ser o celeiro imenso de riquezas espirituais e recursos materiais para os povos mais pobres do planeta. Quanto a isso, não paira dúvida de que o Brasil aposta ser hoje o grande exportador do Espiritismo, nas suas teses abençoadas, que valorizam a Terra, as nações, todos os povos e todos os seres. Quando mencionamos nosso país como "celeiro", materialmente falando, é importante frisar que até hoje no Brasil somente foi extraído do subsolo aproximadamente 10% do petróleo existente (incluindo o pré-sal). As reservas minerais estão em grande monta intocadas. As reservas florestais ainda são colossais. A plataforma continental brasileira é depósito de recursos quase infinitos. A nossa reserva hídrica e capacidade fluvial é uma das maiores do mundo. As terras imensas, inabitadas, virgens, guardam possibilidades incontáveis de realizações no que tange ao ecossistema global. O IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - calcula que existam 20 milhões de adeptos e simpatizantes da Doutrina Espírita no Brasil. Existem pelo menos 9.000 núcleos espíritas; milhares de instituições kardecianas de assistência e promoção social; há uns 500 jornais espíritas impressos, milhares de Portais da Internet contento Revistas Eletrônicas, Jornais Virtuais, Blogs, Salas de Estudos espíritas, centenas de programas radiofônicos, alguns poucos programas espíritas de

113

televisão (aqui o número é irrisório); são pelos menos 50 as editoras espíritas, editando aproximadamente 4.000 livros (alguns bons e outros que jamais deveriam ter sido publicados); são quase 90 milhões de exemplares de livros editados e vendidos; atualmente, há centenas traduções para dezenas de idiomas dos livros psicografados por Chico Xavier. Como se não bastasse, o movimento espírita mundial é incrementado por brasileiros que se radicaram noutros países. Pronuncia Humberto de Campos que o Cristo orientou Ismael nos seguintes termos: “doravante sejas o zelador dos patrimônios imortais que constituem a Terra do Cruzeiro. Para aí transplantei a árvore da minha misericórdia e espero que a cultives com a tua abnegação e com o teu sublimado heroísmo. Concentraremos todos os nossos esforços, a fim de que se unifiquem os meus discípulos encarnados. Na pátria dos meus ensinamentos, o Espiritismo será o Cristianismo revivido na sua primitiva pureza. Sem as ideologias de separatividade, e inundando todos os campos das atividades humanas com uma nova luz.”(3) Bezerra de Menezes O “Conselheiro XX”, magno esteta das letras do Maranhão, explana: “a Federação Espírita Brasileira, fundada em 1884, aguardava, sob a proteção de Ismael, a ocasião propícia para desempenhar a sua tarefa junto aos grupos do País. Quando Bezerra de Menezes assumiu a direção da FEB e fez da Instituição o porto seguro a todos os corações.”(4) Entretanto, após a sua administração, tem-se a impressão de que o Movimento Espírita Brasileiro ficou sem orientação. Com vistas à integração nacional do Movimento, no dia 5 de outubro de 1949, por ocasião da Grande Conferência Espírita no Rio de Janeiro, com a participação de vários dirigentes de Instituições Espíritas, foi firmado um acordo, que passou a ser chamado "PACTO ÁUREO". Nessa ocasião foi criado, na Casa-Máter, o Conselho Federativo Nacional, integrado pelas Federações e Uniões representativas dos Movimentos Espíritas estaduais e do DF (o Distrito Federal era no Rio de Janeiro). Tal instância

114

foi instituída com o objetivo de promover a união dos espíritas e a unificação do Movimento Espírita no Brasil. A bem da verdade, os Benfeitores nos ofereceram todas as condições necessárias para o cumprimento da missão (Pátria do Evangelho). Eles fizeram e continuam fazendo a parte que lhes cabe, mas será que a liderança atual está fazendo a sua? Sinceramente? Não percebemos esse empenho com muita clareza! Pronunciamos isso baseado na seguinte premissa: Quando o Mestre enfatiza a revivescência do Evangelho na sua “primitiva pureza”, infelizmente constatamos que as federativas atuais (com raríssimas exceções) estão absurdamente longe de alcançar o que significa “PIMITIVA PUREZA”. Basta medirmos os eventos esplêndidos e dispendiosos que obstinadamente são concretizados no Brasil. Paira um infeliz ranço aristocrático na coordenação do movimento espírita contemporâneo. Como resolver esse imbróglio? Ora, que os dirigentes espíritas, sobretudo os comprometidos com órgãos “unificadores”, compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar como insistentemente advertia Chico Xavier. Devem primar pela simplicidade doutrinária e evitar tudo aquilo que lembre castas, discriminações, evidências individuais, privilégios injustificáveis, imunidades, prioridades, mercantilismos dos eventos doutrinários, urge melhorar o emprego dos recursos financeiros oriundos do comércio de produtos espíritas (CD’s, DVD’s, Livros e outros). É impraticável “um Espiritismo sem Jesus e sem Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que o projeto da Terceira Revelação alcance os fins a que se propõe.”(5) A tendência fidalga nas celebrações doutrinárias vai sujeitando-nos a dogmatização dos postulados espíritas na configuração do Espiritismo para abastados, para pobrezinhos, para intelectuais, para iletrados, para expoentes (estrelas) da tribuna, para empavonados sabichões (“doutores”), para associações de “notáveis”, e para uma lista colossal de diversos disparates. Infelizmente, alguns insistem e se perdem nos labirintos das promoções de eventos cognominados “congressos espíritas” que jamais se assemelham às reuniões modestas conduzidas por Jesus há dois mil anos. Realizam esses festivos encontrões não raro em luxuosos Centros de

115

Convenções destinados a espíritas abastados. Sem qualquer inquietação espiritual ou escrúpulos, justificam a cobrança de taxas (falaciosamente alcunhada de “contribuição espontânea, colaboração ou rateio”) aos interessados, razão pela qual a flâmula tão “almejada” da “unificação” se submerge nesse cipoal de incongruências. Nos chamados eventos grandes, os órgãos “unificadores” devem envidar todos os esforços para que não haja a necessidade de qualquer cobrança de taxa de inscrição dos fortuitos participantes. O ideal será a opção por eventos menores, com estruturas modestas e eficazes. Muitas vezes temos a impressão de que a liderança atual deseja concorrer com os segmentos evangélicos a fim de abarrotarem de gente os ginásios e estádios. Detalhe: o expositor-mor que arrebanha milhares de ouvintes para esse desiderato não vai ficar reencarnado 300 anos e já está próximo dos 90. Batendo sempre na mesmíssima tecla, recordamos o Cândido Xavier de Uberaba, que alertou: "é preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais.”(6) Não queremos ser prisioneiros do pessimismo. Talvez nem tudo esteja perdido. Não ignoramos que há muitos Centros Espíritas bem conduzidos em alguns municípios do Brasil. É exatamente por causa desses Núcleos Espíritas e médiuns humildes que o Espiritismo poderá se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no futuro, possamos dizer que o Brasil é concretamente a “Pátria do Evangelho e Coração do Mundo ”, segundo Jesus determinou e ordenou a Ismael a tarefa de administrar essa empreita. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências Bibliográficas:

116

(1) XAVIER, F. C. Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (pelo Espírito Humberto de Campos). 11. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977. (2) idem (3) idem (4) idem (5) Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979 (6) idem

Julho de 2012 O ESPIRITISMO ANTE O CENSO 2010 – RETRATO DE UM PANORAMA QUE CLAMA POR MUDANÇAS DE RUMO O Censo 2010 do IBGE evidencia um crescimento de 65% em 10 anos do número de espíritas com maior salário e instrução (são quase 4 milhões de espíritas e 700 mil possuem rendimento acima de 5 salários mínimos). O incremento de adeptos com maior salário e instrução pode nos levar a deduzir que após a desencarnação do Chico Xavier o desígnio de divulgação doutrinária foi e ainda é aristocrático, ou seja, há distanciamento dos confrades que estão em dificuldade material, mormente na região nordeste, norte e centro-oeste (excluindo-se Brasília, maior renda per capta do país). O IBGE demonstra que entre os espíritas, 98,6% são alfabetizados. Os adeptos da Doutrina possuem as maiores proporções de pessoas com nível

117

superior completo (31,5%) e taxa de alfabetização (98,6%), além das menores percentagens de indivíduos sem instrução (1,8%) e com ensino fundamental incompleto (15,0%). Os dados são reflexos de uma programação doutrinária que opta pela leitura e tem a aquisição de cultura como um de seus focos. Mas a rigor, o fato de haver um monte de espíritas com curso superior não quer dizer muita coisa. A liderança do movimento espírita não deveria priorizar ou consentir ambiente de proeminência para os que se blasonam com seus títulos de doutor, de mestres e intelectuais extravagantes, até porque agindo assim expulsariam do movimento personagens quais Leon Denis, que não tinha diploma de doutor (foi um caixeiro viajante), de Chico Xavier, que só fez o curso primário (foi apenas um escriturário) e pasmem! do próprio Cristo, que não esteve na Universidade (era simples carpinteiro). Pois é! Ambos não encontrariam acolhimento nos eventos espetacularizados nos anfiteatros, centros de convenções e nalguns centrões espíritas destinados à nata social. O Censo 2010 aguçou nossa curiosidade ao dar conta de que há mais de 40 milhões de evangélicos, em sua maioria absoluta componentes da população periférica, mais pobres e de baixa instrução. Imaginamos que essa massa provavelmente se tornou evangélica devido às agruras da pobreza, da discriminação, da falta de acesso à qualidade de vida (educação, saúde, lazer etc.). Deduzimos que a proposta doutrinária dos evangélicos (em que pese a inconveniência da cobrança de dízimos dos pobres) tornou-se interessante via disponível de alívio e conforto da vida dura, e importante porta viável para a melhoria de suas condições de humanidade e cidadania. E isso é um respeitável serviço de inclusão e melhoria social desse segmento religioso. Por que a proposta espírita não consegue se aproximar dessa massa humilde? Respondem alguns que a Doutrina dos Espíritos não defende proselitismos, não assegura o “céu beatífico”, nem a “salvação” etc. Obviamente, esses argumentos não respondem à questão. Talvez pudéssemos inferir que paire um sistema de difusão doutrinária alarmante e excludente. Contudo, a despeito de tudo e de todos, queira a elite ou não, a culminância da programação espírita, no plano terreno, deverá ser a

118

concretização da transformação social, e será impossível essa transformação sem uma efetiva aproximação da população sofrida e pobre. A considerar as diretrizes doutrinárias que incentivam e mantêm a formação da fidalguia (intelectuais e abastados) o Censo 2010 demonstrou uma situação inusitada: talvez haja algum preconceito entre nós, espíritas, no que tange a questão racial e que desfavorecem as massas. Essa ocorrência pode ser constatada num dado estatístico no mínimo indiscreto: do “segmento populacional que se declarou espírita, quase 70% eram brancos, percentual bem mais elevado que a participação do grupo de outra cor ou de outra raça no conjunto da população.”(1) Outro detalhe: a difusão da mensagem espírita não se dá precipuamente pela TV nem pelo rádio, mas através dos livros, jornais, revistas, folhetos e Internet. Assim, a capacidade de ler se torna um requisito para a prática doutrinária. Mas será que os confrades espíritas – assalariados, desempregados ou pobres – conseguem ter acesso a essa literatura? Como?... Sabemos que os livros espíritas, via de regra, são caros. Quantos espíritas carentes podem ter Internet em casa? Quantos podem ingressar nos rotineiros e aristocráticos “congressos espíritas”? Aliás, congressos que se assemelham a meros “encontros” para recreações embaladas pelas palestras quase sempre proferidas por ilustres segmentos da fina flor da sociedade. A rigor, ignoramos que há efetivação de congressos espíritas destinados a debates e estudos atinados a propósito dos graves problemas sociais e das enxertias de ideias, práticas e conceitos absurdos contidos nos livros “psicografados”, supostamente espíritas, que hipnotizam impiedosamente os incautos confrades tangidos pelo misticismo. Quando os Mentores realçam a necessidade da revivescência do Evangelho na sua “primitiva pureza”, constatamos que não se consegue abarcar o sentido “PIMITIVA PUREZA”. Não há dúvida de que o Espiritismo só se justificará na Terra se alcançar a base da sociedade – o “povão”, como se diz. É indispensável que o pratiquemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximemos. É imperioso destruir qualquer ranço que tanja hierarquias

119

mesquinhas, discriminações, proeminências individuais, mordomias, regalias, primazias ou mercantilagens dos shows de oratórias doutrinárias. Esperemos que no próximo Censo, em 2020, tenhamos um quadro demonstrativo mais interessante. É um delito de Lesa Codificação um Espiritismo sem Jesus e sem Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos. Quiçá nem tudo esteja perdido. Cremos que o “Projeto de Interiorização – Espiritismo para os simples” se consolidará. (2) Lemos recentemente o excelente artigo intitulado “União com fidelidade, simplicidade e fraternidade”, do César Perri, Vice-Presidente da FEB. O texto expõe argumentos esperançosos e inspira-nos para o pensamento de Emmanuel: “unidade do espírito pelo vínculo da paz”. (3) Consigna o documento que “entre os desafios atuais para a união dos espíritas (...) há necessidade de revisão de algumas estratégias e posturas, para se ampliar a difusão do Espiritismo em todas as faixas etárias e sociais. (...) entendemos que o acolhimento dos simples [espíritas desempregados, iletrados, pobres] no ambiente das reuniões espíritas é tarefa de primordial importância nos tempos em que vivemos.”(4) Para o Presidente em exercício da Casa Máter, “a realização de eventos federativos e de divulgação devem ter como parâmetros o que é simples e viável para a maioria das instituições e dos espíritas.”(5) As federativas estaduais jazem a passos demasiadamente vagarosos e não alcançam “o que é simples e viável para a maioria das instituições e dos espíritas”, (6) por isso urge seja acelerado o desenvolvimento de mais projetos sociais no âmbito dos chamados órgãos unificacionistas do País. À semelhança do Movimento Cristão, dos tempos apostólicos, a Doutrina dos Espíritos precisa se fazer robusta nos Centros Espíritas simples, situados nos lugarejos de infortúnio, nos assentamentos, nas favelas, nos bairros miseráveis, nas periferias urbanas esquecidas. Por essa fortíssima razão, que sejam Jesus e Kardec não apenas acreditados ou experimentados, anunciados ou despontados à nossa fé, mas intensamente vividos, padecidos, pranteados e concretizados em nossas próprias vidas. “Sem essa base, é difícil forjar o caráter espírita-cristão que o mundo conturbado espera de nós pela unificação.” (7)

120

Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Disponível acesso em 02-07-2012 (2) disponível em: acesso em 01-07-2012 (3) Xavier, Francisco C. Fonte Viva, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 49, pg.116 (4) Carvalho, Antonio C. Perri. Artigo “União com fidelidade, simplicidade e fraternidade” publicado em Reformador, abril, ano 2011 pags. 29,30 e 31 (5) idem pags. 29,30 e 31 (6) idem pags. 29,30 e 31 (7) Bezerra de Menezes, trechos da mensagem “Unificação”, Psic. F. C. Xavier – Reformador, dez/1975 - FONTE: CEI - Conselho Espírita Internacional.

Julho de 2012 SER ESPÍRITA É ERIGIR A PAZ EDIFICANTE, ORGANIZANDO O CENÁRIO DA NOVA ERA. O mundo passa por decisivo momento de transição, com sofrimentos e inquietações atingindo-nos a todos. Infelizmente, as antevisões flagelantes fazem parte de pensamentos apocalípticos. Alguns confrades forçam argumentos ante os fenômenos calamitosos como se estivéssemos no derradeiro instante da vida planetária. Evoca-se com ênfase o famigerado

121

calendário Maia; porém, importa dizer que “há muitos séculos as humanidades prosseguem de maneira uniforme a sua marcha ascendente através do espaço e do tempo.” (1) É inquietante o aparecimento de facções, seitas e cultos que se multiplicam mundo afora pressagiando flagelos sob o impacto de neurotizante expectativa irrequieta de uma "nova era". Além disso, o argumento do fim dos tempos é uma peculiaridade de alguns médiuns distraídos, que propagam catástrofes naturais como se fossem a ira de Deus. Há nessas ocasiões pessoas maníacas que abandonam emprego e família, à espera do "grande final" e alguns criam seitas delirantes. Só na França "há cerca de 200 seitas, com 300 mil adeptos". No Japão, inquietos "gurus" vaticinam o final do mundo (2). Nos Estados Unidos, pasmem! 55 milhões de americanos creem que falta pouco para o "mundo acabar". Nessas cruciais ocasiões de transição planetária, notemos que o advento do mundo de regeneração não se dará nem se finalizará em precário período. É aventureiro datar, precisar, fixar uma estação em que tal processo será complementado. Não se pode esquecer que “os distúrbios parciais do globo ocorrem em todas as épocas, e se produzem ainda, porque se ligam à sua constituição, mas esses não são os sinais dos tempos.” (3) É inegável que atravessamos um pique elevado de duras provações. De 2007 até 2011 ocorreram comoções colossais na crosta terrestre. Foram terremotos, tornados, ondas gigantes na Ásia (tsunamis), os fenômenos La niña e El niño, ciclones extratropicais, recordes de tempestades, enchentes (nunca se viu tanta chuva), aquecimento global, frio descomunal. “A Fome é outra tragédia que já abarca 1 bilhão e duzentos milhões de pessoas em todo o planeta” (4). A exploração da energia nuclear ainda não é assunto do total controle humano. O desmatamento insano, a poluição do ar, o vigor da expansão do tráfico e consumo de drogas, a banalização do comportamento sexual, estimulado pela revista, jornal, televisão, cinema, teatro, videocassete, TV a cabo, computador etc, que escapam à racionalidade do homem.

122

Há igualmente nesse contexto um preocupante vaticínio sobre a drástica redução da reserva de água potável para daqui a quatro décadas na Terra. Acerca disso, sabemos que algumas potências econômicas querem internacionalizar a Amazônia, por uma simples razão: cerca de 35% de precipitação de chuva no Planeta ocorre naquela área, levando a região a possuir a maior reserva hídrica terrestre. A propósito, sabemos que muitos especialistas prevêem conflitos mundiais, tendo como causa a corrida pela posse e controle do líquido vital. Paradoxalmente, pregamos a paz produzindo os canhões assassinos; cobiçamos resolver os problemas sociais ativando a edificação dos presídios e bordéis. "Esse progresso é o da razão sem a fé, onde os homens se perdem em luta inglória e sem-fim”. (5) A atual situação de violência, maldade, injustiça, opressão dos poderosos sobre os fracos, tanto em nível de pessoas, como instituições e países, certamente terá que ceder lugar a uma nova era de paz, harmonia, fraternidade e solidariedade. "Época de lutas amargas, desde os primeiros anos do século XX, a guerra se aninhou com caráter permanente em quase todas as regiões do planeta. A Liga das Nações, o Tratado de Versalhes, bem como todos os pactos de segurança da paz, não têm sido senão fenômenos da própria guerra, que somente terminarão com o apogeu dessas lutas fratricidas, no processo de seleção final das expressões espirituais da vida terrestre.” (6). O século recentemente findo foi, sem dúvida, o século mais sangrento de todos. Já ocorreram após a Segunda Guerra Mundial 160 conflitos bélicos, com 40 milhões de mortos. Se contabilizarmos desde 1914, estes números sobem para 401 guerras e 187 milhões de mortos, aproximadamente. É notória a eficácia avassalante do avanço científico. Os ensaios da genética, das clonagens, das células-tronco, da cibernética, das conquistas espaciais, do império dos raios lasers, das fibras óticas, dos supercondutores, dos microchips, da nanotecnologia. Nunca tivemos tanta capacidade de proporcionar bem estar, casa, educação e alimento a todos, embora nunca tenhamos tido tantos desabrigados, famintos e, principalmente, carentes de educação. Amargamos os contrastes da hegemonia tecnológica, ao mesmo tempo em somos abatidos diante da

123

falta de comida, da dengue hemorrágica, da febre amarela, da tuberculose, da AIDS e de todos os tipos de entorpecentes. Os Benfeitores lembram que o “ocaso não demora e, sob a saliência de suas sombras espessas, não nos esqueçamos de Jesus, cuja misericórdia sem fim constituirá o fulgor imortal da aurora futura, feita de paz, de fraternidade e de redenção.” (7). Para amenizar a “noite que não tarda”, recordemos o que o Mestre ensinou: “Então, perguntar-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? - Quando foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? - E quando foi que te soubemos doente ou preso e fomos visitar-te? - O Rei lhes responderá: Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes.”(8) Nas próximas reencarnações, se ainda quisermos encontrar aqui estoques razoáveis de água potável, ar puro, terra fértil, menos lixo e um clima estável, precisaremos atuar imediatamente, sem perda de tempo. Apesar dos pesares, não faltam as vozes otimistas que apregoam um porvir renovado sob a luz de uma nova era. É verdade! Paralelamente a todo esse caos, jamais se viu, em todos os tempos, tantas pessoas boas e pacíficas se mobilizarem em prol de programas assistenciais aos irmãos menos afortunados, trabalhando voluntariamente por um mundo melhor e mais justo, e com total desprendimento e espírito cristão. Para descontentamento dos arautos do “quanto pior, melhor!”, felizmente, tudo está se transformando em passo acelerado atualmente, trazendo mais conforto e melhor qualidade de vida ao habitante da Terra. A dor física está, relativamente, sob controle; a longevidade ampliada; a automação da vida material está cada vez maior, em face da tecnologia fascinante, especialmente na área da comunicação e informática. O Mestre advertiu: “Tenho-vos dito isto para que em mim tenhais paz: no mundo, tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.”(9). Cremos que ser espírita é constituir-se em núcleo de ação edificante através do qual principia a Nova Era. “Fala-se no mundo de hoje, qual se o mundo estivesse reduzido à casa em ruínas. O espírita é chamado à função da viga robusta, suscetível de

124

mostrar que nem tudo se perdeu. Há quem diga que a Humanidade jaz em processo de desagregação. O espírita é convidado a guardar-se por célula sadia, capaz de abrir caminho à recuperação do organismo social. O espírita, onde surja a destruição, converte-se em apelo ao refazimento; onde estoure a indisciplina, faz-se esteio da ordem e, onde lavre o pessimismo, ergue-se, de imediato, por mensagem de esperança.” (10). Em face do exposto, por mais difícil que seja o processo de seleção final dos valores morais da sociedade, não podemos olvidar jamais que Jesus é o Senhor da Vida. Os Seus mandamentos não passaram e jamais passarão. Nessa esperança, compreendamos que em Suas mãos assentam-se os destinos da Terra. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Kardec, Allan. Revista Espírita, junho de 1869 (2) Revista, "Isto É", de 4 de agosto de 1999 (3) Kardec, Allan. R.E. abril/1866 – “Regeneração da Humanidade” (Paris, resumo das comunicações dadas pelos srs. M... e T... em sonambulismo.) (4) Publicado no Jornal Correio Braziliense edição de 17 de setembro de 2009 (5) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditada pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed FEB, 2001, perg 199. (6) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, RJ: Ed FEB 1987. (7) Xavier, Francisco Cândido A Caminho da Luz– ditado pelo espírito Emmanuel, 22ª edição História da Civilização à Luz do Espiritismo (Psicografado no período de 17 de agosto a 21 de setembro de 1938) RJ: Ed FEB 2001 (8) Mateus, 25:37 a 40 (9) JESUS JOÃO, 16:33

125

(10) Xavier. Francisco Cândido. Livro da esperança, ditado pelo Espírito Emmanuel, Uberaba/MG: Ed CEC, 1964.

Agosto de 2012 BEBER ALCOÓLICOS É UM FLAGELO SOCIAL Se analisarmos atentamente os flagelos da sociedade, na base dos “homicídios”, quase sempre estão ocorrências atreladas ao consumo de álcool. Os tribunais estão abarrotados de processos em face dos delitos oriundos do consumo de alcoólicos. As penitenciárias estão superlotadas por questões vinculadas ao consumo de bebidas alcoólicas. Muitas famílias estão aniquiladas, desestruturadas por causa dos alcoólicos de vários arranjos (destilados ou fermentados), a saber, tequila, vodca, rum, cachaça, gim, cerveja, vinho. Os alcoólicos não matam a sede, não aquecem no frio, não relaxam músculos. Revoguemos esses e outros mitos de que os alcoólicos podem ser bebidos com moderação – isso quase sempre não é verdade. Sob o escudo das desculpas esfarrapadas, um espantoso número de pessoas tem absolvido a devassidão do consumo de bebidas alcoólicas em suas práticas usuais. Muitos são os paranoicos de plantão que se abeiram da insensatez para afiançar que até mesmo o Cristo bebeu vinho. Nada mais hediondo que essa forma leviana de rebaixar o Mestre até as alamedas de imoralidade e morbidez em que estagiam os viciados. Beber é histórica e culturalmente considerado um hábito social “inofensivo”, um prazer, uma curtição. Tudo muito irônico, até no escárnio das piadas sobre os bêbados. A rigor, o alcoolismo é uma enfermidade grave e crônica que, como qualquer dependência, não tem cura, porém tem tratamento. Desde 2003, os cientistas já afirmavam ter

126

descoberto um gene importante para a explicação dos inúmeros efeitos do álcool no cérebro, e esperavam poder produzir um medicamento que desativasse alguns dos efeitos de prazer ligados à ingestão do álcool, e talvez tentar combater o alcoolismo com remédio. Não deu certo! O vício, seja revestido de que caráter for, e onde for e por quem for cometido, nunca deixará de ser um ato nefasto, carecendo ser eliminado a fim de que se reerga o sujeito a ele jugulado, para conseguir seus apropriados caminhos de renovação e exultação. Nessas vias em que o vício se oferece como coisa admitida, existem os que fazem questão de se despontar impassíveis a quaisquer advertências do bom senso, sinalizando com o livre-arbítrio, enquanto outros perpetram deboches dos que pregam virtudes, provocando-os com a ridícula exposição de suas moléstias, tão logo acabam de ouvir ou de ler qualquer admoestação ponderada. Ingerir alcoólicos apenas para manter companhias sociais, ou para que tragam excitações artificiais para a desinibição ou para o que for, poderá denotar longo período de destrambelhamento e de agonias nos imperiosos desagravos do corpo e da mente, em função dessas autodestruições que se vão perpetrando à sombra de muitas falácias que encachaçam os ouvidos com citações de efeito, bem arranjadas, mas que não impetram apaziguar a consciência, onde agitam as Sublimes Leis. Num contexto social permissivo, o vício da ingestão de alcoólicos tornase expressão de "status", atestando a decadência de um período histórico que passa lento e doído. Vale ressaltar que ao reencarnarmos trazemos conosco os remanescentes de nossas faltas como raízes congênitas dos males que nós mesmos plantamos. O Espiritismo também relata e adverte sobre a influência espiritual oculta, ou seja, o meio espiritual que respiramos pode contribuir para o surgimento de um determinado vício. O viciado em álcool quase sempre tem a seu lado entidades inferiores que o induzem à bebida, nele exercendo grande domínio e dele usufruindo as mesmas sensações etílicas. Há o mito de que a nefasta maconha leva os jovens a outras drogas. Mas é o álcool que faz esse papel. E a própria família incentiva o consumo. O “álcool gera uma doença de longa evolução (dez anos em média) e o

127

abuso entre jovens os leva a drogas maiores – uma delas é o ecstasy, encontrado em dois tipos de pastilha: a MAP (meta-anfetamina) e a MDMA (metil-dietil-MA), esta com propriedades alucinógenas. O adolescente se expõe hoje muito mais ao álcool. Está se formando uma geração de dependência de álcool. Além dos riscos à saúde, há os perigos de dirigir embriagado, da violência e de traumatismos decorrentes do abuso de álcool. Sabemos que tudo se inicia no primeiro gole. Depois vem a necessidade do segundo, do terceiro e o alcoolismo se instala em nossas vidas. A sede, o sabor, a oportunidade social, as comemorações, a obrigatoriedade em aceitar um drinque oferecido por um “amigo”, são as muitas desculpas nas quais nos apoiamos para ingerir as doses que, mais tarde, serão letais. Precisamos estar atentos para não cometer exageros, abusos, e não resvalar por esse “hábito social”, que pode terminar por nos condicionar a ele e nos transformar num trapo de gente, num farrapo humano. Ressaltese que os limites entre o uso "social" e a dependência nem sempre são claros. Allan Kardec indagou à Espiritualidade se o homem poderia, pelos seus próprios esforços, vencer suas inclinações más. Os Espíritos, de maneira objetiva, responderam afirmativamente, explicando que o que falta nos homens [sobretudo nos viciados] é a força de vontade e a legítima fé em Deus. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

128

Agosto de 2012 DESONESTIDADE E ESPIRITISMO NÃO SE COADUNAM O termo desonestidade é empregado para descrever os atos velhacos, a corrupção, a falta de probidade, a ausência de integridade, o mentir ou ser deliberadamente falaz. O mau caráter é adverso ao decoro; é indecente; é desonrado; é escandaloso e assim vai... A propósito, será que realmente somos honestos? Não somos mentirosos? Contemporizamos com a rapina, com as fraudes, a sonegação de impostos, a falcatrua. A rigor, ser incorruptível requer disciplina. Ser honesto demanda disciplina moral e ética, fadiga para abater más tendências, diligência por não se consentir desabar na perdição das trapaças. A desonestidade remete à fantasia instantânea de levar vantagem inescrupulosa, contudo certamente ficaremos a mercê da inevitável cobrança da consciência e não há como enganá-la. A consciência não se corrompe; nela estão assentadas as Leis de Deus, é ela que nos espicaça e traz a realidade das circunstâncias e atos que praticamos quando agindo de má fé, utilizando-nos da infeliz lei do proveito insensato. Quando alguma pessoa nos indaga se somos incorruptíveis, normalmente a indignação nos invade a mente, só em ajuizar que alguém hesite de que somos honestos. Muitas vezes nos pronunciamos honrados, mas será que verdadeiramente o somos a todo instante ou é só de fachada essa virtude? Se raspamos ou amassamos involuntariamente um automóvel no estacionamento, cujo dono não está presente, tendemos fugir do local, em vez de colocarmos um aviso do incidente, deixando nosso telefone num bilhete para contato. Quantos são os que não obedecem a ordem de uma

129

fila dos bancos, cinemas, hospitais etc, e arquitetam meios escusos para ocupar o local reservado aos que chegaram antes? Habituamos aquilatar negativamente assaltantes vigaristas, homicidas, encarcerados de penitenciária de forma geral. Todavia, será que fora das prisões há superávit de gente honesta? Quantas vezes compramos produtos de origem duvidosa para sonegarmos impostos? Quantas vezes devolvemos o troco que o caixa do supermercado nos deu a mais? Quantos mecânicos de automóveis, técnicos de geladeiras, de televisão, máquinas de lavar, de computadores, mentem para cobrar mais caro? Quantas vezes estacionamos na vaga de idoso ou deficiente sem sermos um idoso ou deficiente? Quantos usam de sua autoridade para anular multas de trânsito? Quantos bebem alcoólicos e assumem a direção de veículo nas estradas? Não assombra que administradores se apropriem das verbas publicas, e que empresários demitam para terem máximo lucro. Segundo estatísticas consagradas, o Brasil é um dos países campeões mundiais em corrupção, fazendo associação a determinados países africanos diminutos. Que tipo de ambição exorbitante e estúpida está na base da deficiência de caráter capaz de olvidar todos os escrúpulos para com a consciência e arremessar-se tão sagazmente no cofre do Estado? Não somos o primeiro, o único ou o último a anunciar esse séquito de vícios, contudo a mídia, frequentemente, noticia e expõe tais fatos francamente execráveis e com grande repercussão negativa. Algumas vezes pronunciamos da tribuna que o verdadeiro espírita é honesto em tudo que faz. Se for presidente de uma casa espírita, precisa apresentar as movimentações financeiras aos frequentadores. É indispensável haver transparência na prestação de contas, mensalmente, com os contribuintes da casa espírita. Cremos que é simples obrigação afixar, no “quadro de avisos” ao público, a comprovação da correta aplicação dos recursos recebidos. Os dirigentes que assim procedem veem patenteadas a credibilidade da instituição que administram e a pureza de suas intenções. Quando os dirigentes são omissos e não prestam contas, é evidente que ficamos atônitos e envergonhados, principalmente quando sabemos, pela imprensa, que algumas instituições "filantrópicas" desviam recursos,

130

emitem recibos forjados de falsas doações, deixam de pagar impostos etc... É imperdoável haver instituições que recebem, à guisa de doações, roupas, calçados, alimentos, eletrodomésticos etc, e os administrantes se apropriem delas. É irredimível existir instituições que aceitem doações, até de objetos valiosos, e seus diretores se apropriem das melhores peças antes de os exporem em bazares ditos "beneficentes". A prudência continua sendo a nossa melhor conselheira. Por questão de consciência ética, sabemos que um autêntico espírita tem que ser fiel aos princípios que a Doutrina dos Espíritos impõe e ter noção de que honestidade é prática obrigatória para todo ser humano, sobretudo para um cristão. Ou será que devemos reivindicar pedestais nos panteões terrenos por executarmos dignamente aquilo o que é nossa obrigação fazer? É imperiosa a quebra de valores invertidos, com o banho de ética, com a recuperação da honestidade. Na condição de espíritas cristãos, sabemos que, para a consubstanciação da "Pátria do Evangelho", será imperativa uma renovação mental e comportamental urgente no País. Se quisermos viver um panorama social harmônico, devemos nos empenhar para promover uma reforma ética generalizada, entronizando a força da integridade moral. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

131

Agosto de 2012 A DESENCARNAÇÃO É A CERTEZA FUTURA QUE TEMOS. Quando pessoa querida desencarna é crucial resignar-nos, observando no fenômeno da “morte” a manifestação da Lei de Deus que governa a vida. A desencarnação é a única certeza futura que temos. Todos passaremos por essa provisória despedida. Não há como tapearmos o pensamento a respeito desse impositivo da natureza. Em face disso, permitamos que o pensamento sobre a “morte” componha de forma ininterrupta e serena nossos estados mentais, reflexão sem a qual estaremos desaparelhados, ou para o regresso inevitável ou despreparados para arrostarmos com quietação a “morte” dos nossos entes queridos. Compreendemos que “nenhum sofrimento, na Terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio. Ver a névoa da morte estampar-se, inexorável, na fisionomia dos que mais amamos, e cerrar-lhes os olhos no adeus indescritível, é como despedaçar a própria alma e prosseguir vivendo.” (1) Em verdade, depois do desenlace, sobrevém ao “falecido” um período de inquietação transitória, variando obviamente de espírito a espírito, consoante seu talhe moral, mormente no que tange ao desprendimento das coisas materiais. Em verdade, nem todo Espírito se desune imediatamente da carcaça biológica. Entretanto, em qualquer circunstância, jamais escasseará o socorro espiritual, sobretudo aos que fazem jus, proporcionado pelos bons espíritos. É como elucidou Jesus: "Em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a “morte”." (2)

132

Quando a desencarnação de ente amado nos bata à porta, dominemos o desespero e dissolvamos a corrente da aflição no manancial da prece, porquanto os desencarnados são tão somente ausentes e os pingos de nossas lágrimas lhes açoitam a consciência como chuva de fel. “Eles pensam e lutam, sentem e choram, inquietam-se pelos que ficam. Ouvemnos os gritos e as súplicas, na onda mental que rompe a barreira da grande sombra e tremem cada vez que os laços afetivos da retaguarda se rendem à inconformação.” (3) O luto (4) pode variar muito dependendo das pessoas, do tipo de “morte” e da cultura, mas que o caminho mais comum é entender que a pessoa partiu e redefinir a vida com a ausência do ente querido. Uma das teorias mais consagradas para elucidar a reação humana durante o luto é a dos “cinco estágios”, desenvolvida pela psiquiatra suíça e reencarnacionista Elizabeth Kübler-Ross, em 1969. Segundo Kübler-Ross, até superar uma perda, as pessoas enlutadas passam por fases sucessivas de negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Cerca de 50% das pessoas lidam muito bem com a “perda” e volta à vida normal em semanas. Apenas 15 % de enlutados desenvolvem graves dificuldades que afetam a convivência social, possivelmente porque o “aceitar perdas”, especialmente aquelas referentes aos sentimentos, é enormemente complexo e trabalhoso para tais pessoas. Se o luto não é essencialmente tão insuportável quanto se concebia, e se a maior parte dos enlutados conseguem suplantar bem uma “perda”, por que razão algumas pessoas não conseguem superar o trauma? Pois os 15% atravessam anos sobrevivendo como nos primeiros e mais complicados períodos do luto. Essas pessoas não conseguem retomar a vida. Cultuam a dor, em uma espécie de luto crônico, chamado pelos psiquiatras de “luto patológico” ou “luto complicado”. Transportando o sentimento para a família, o luto pode provocar uma grave crise doméstica, pois exige a tarefa de renúncia, de excluir e incluir novos papéis na cena familiar. Sigmund Freud, em “Luto e Melancolia”, remete-nos para ponderações razoáveis sobre o desencadear patológico da “perda” afetiva pela desencarnação. Entre suas teses, o pai da psicanálise assegura que o luto é a resposta emocional benéfica, adequada para a

133

ocorrência da “perda”, já que há necessidade do enlutado de reconhecer a “morte” como evento, como realidade que se apresenta e que naturalmente suscita constrangimento. O “pai da psicanálise” afiança que na melancolia o enlutado identifica-se com o morto e, ao deparar com essa “perda”, a pessoa entende que parte dela também está indo; há uma identificação patológica com o “de cujus”. Vemos então que no enlutamento melancólico há o que Freud chama de estado psicótico, em que o ego não suporta essa ruptura e adoece gravemente. A revelação Espírita demonstra que “morte” física não é o extermínio das aspirações e anseios no bem, porém o ingresso para a existência autêntica, para a vida real. Sim! A existência física é ilusória, fugaz, transitória demais. A separação do corpo pela “morte” não é uma anomalia da natureza. Simplesmente transfere-se da dimensão física, para o sítio espiritual. O chamado morto jaz na ligação pelo pensamento, de modo que ele captura as orações que lhe forem direcionadas e se sentirá apoiado com isso. Da mesma forma ficará descansado sabendo que os familiares estão resignados e trabalhando para que a vida terrena continue sem sobressaltos. Não olvidemos que em futuro mais próximo que imaginamos respiraremos entre os falecidos, comungando-lhes as necessidades e os problemas, porquanto terminaremos também a própria viagem no mar das provas terrenas. Quando a saudade é dolorida, há os que buscam a instituição espírita para obter informações do finado, porém, nem sempre é possível obterem-se notícias sobre os parentes desencarnados; para tanto é necessário que eles tenham condições morais e a permissão dos Bons Espíritos. Mas, para abrando de alguns, existem episódios em que os saudosos poderão ter encontros com seus entes queridos no plano espiritual; isso poderá ocorrer durante o sono, quando os Benfeitores permitem essas aproximações, a fim de que sobrevenha renovação de ânimo entre encarnados e desencarnados. De qualquer modo, o tema “morte” ainda se revela assunto quase inteiramente incompreendido na Terra. Efetivamente, “morrer” (término da vida biológica) e desencarnar (ruptura do laço magnético que une

134

espírito ao corpo) são fenômenos que nem sempre acontecem simultaneamente. Os intervalos de tempo para desligar-se do corpo variam para cada Espírito. Para uns pode ser mais dilatado, para outros é uma passagem rápida. A intermitência de tempo entre a “morte” biológica e a desencarnação tem relação direta com os pensamentos e ações praticados enquanto encarnado. Ninguém topará com o “céu” ou o “inferno” do lado de “lá”, porquanto o “empíreo” e a “geena” são conteúdos mentais construídos aqui no plano físico. Após o fenômeno da fatalidade biológica pela “morte”, cada Espírito irá deparar com o cárcere ou a liberdade a que faz merecer como fruto do desleixo ou disciplina mental que cultivou durante a experiência física. Para os que alcançaram aproveitar a encarnação, sem viciações e apegos, os que cumpriram a lei de amor, tornam-se menos densos os laços magnéticos que prendem o Espírito ao corpo. Nesse caso, a desencarnação será rápida, proporcionando adequada liberdade, até mesmo antes de sua consumação. Todavia, os indisciplinados que se afundaram nos excessos, nas viciações, nos prazeres mundanos, cunham intensas impressões e vínculos magnéticos na matéria, e unicamente alcançarão a liberação após um intervalo de tempo, análogo ao tempo de desequilíbrio vivido na carne. Contudo, mesmo após a ruptura dos embaraços magnéticos, que o algemavam à vida física, padecerá, por tempo indefinido, dos tormentos disseminados nas vias de suas experiências no mal (eis aí a metáfora do inferno). Ante os impositivos cristãos, devem-se emitir para os desencarnados, sem exceção, pensamentos de consideração, paz e desvelo, seja qual for a sua condição moral. Temos consciência da imortalidade, da vida alémtúmulo. Allan Kardec nos remete a Jesus, e com o Meigo Rabi certificamos que o fenômeno da “morte” é totalmente diferente. No túmulo de Jesus não há sinal de cinzas humanas, nem pedrarias, nem mármores luxuosos com frases que indiquem ali a presença de alguém. Quando os apóstolos visitaram o sepulcro, na gloriosa manhã da Ressurreição, não havia aí nem luto nem tristeza. Lá encontraram um mensageiro do reino espiritual

135

que lhes afirmou: não está aqui. Os séculos se dissiparam e o túmulo [de Jesus] permanece aberto e vazio, há mais de dois mil anos. Seguindo, pois, com o Cristo, através da luta de cada dia, jamais localizaremos a amargura do luto por ensejo da “morte” de pessoa amada, e sim a vida em plenitude. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Xavier, Francisco Cândido. Religião dos Espíritos , ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1960 (2) JOÃO, 8:51 (3) _________ Francisco Cândido. Religião dos Espíritos , ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1960 (4) Luto [do latim luctu] – 1. Sentimento de pesar ou de dor pela morte de alguém.

136

Agosto de 2012 DESCRIMINALIZAÇÃO DA DROGA - ALGUNS AJUIZAMENTOS ESPÍRITAS No Brasil há um preocupante movimento para a liberalização da maconha. Infelizmente, algumas pessoas famosas defendem as drogas e oferecem péssimos exemplos para a juventude. Cantores, atores e políticos utilizam-se do horário nobre da TV para desenvolver mentalidade partidária à descriminalização (1) do uso de drogas. Sustentam os causídicos que o porte e o uso de entorpecentes não devem ser crimes no País, pois a descriminalização é uma “tendência mundial.”!?...) Crêem os defensores que a liberação das drogas diminuirá a sua busca. É evidente que a afirmação é trapaceira, pois contraria a lógica fundamental de comércio, que estabelece como regra de mercado que quanto maior a oferta de um produto, maior a sua procura. Para modificar a atual lei de drogas brasileira, considerada antiquada por alguns, há proposta sobre um regulamento com foco no tratamento dos dependentes não violentos, liberando assim os recursos policiais para o enfrentamento do crime organizado. Dizem que as leis atuais em nível internacional são indulgentes para o usuário e rigorosas para o traficante. No Brasil, atualmente o usuário não é preso. Nem é constrangido a se tratar. Na prática, para atual legislação, os indigentes sociais (favelados) sempre são classificados como traficantes e os endinheirados da classe “A e B” (filhinhos de papai) como usuários. Argumenta-se que ao invés de oferecer tratamento àqueles que sofrem com a dependência, o sistema brasileiro concentra maciçamente seus recursos policiais em réus primários não violentos, deixando espaço para o crescimento do crime

137

organizado. Cremos que infinitamente mais importante que discutir a descriminalização de drogas é a urgência de debater a assistência ao contingente assombroso de dependentes químicos que se encontram categoricamente desassistidos pelo Estado. Nesse imbróglio, como definir quem é usuário e quem é traficante? Ante esse conflito temático, formatou-se um Novo Código Penal prevendo a “descriminalização do plantio e do porte de maconha para consumo.”.(2) Porém, nunca é demais advertir que a maconha de 50 anos atrás era bem menos devastadora que a de hoje em dia. Naquela época, a concentração de THC (princípio ativo da maconha) era em redor de 0,5%, enquanto que as de hoje são em torno de 15% a 20%. Enfim, a redação organizada por jurisconsultos deverá ser transformada em lei ordinária e seguirá a tramitação no Congresso Nacional. Eis aí um complexo dilema: o que seria resolver o problema das drogas? Consentir o consumo? Autorizar a compra e venda só de maconha? Permitir o consumo de outros entorpecentes? Ou a solução é erradicar as drogas do planeta? Como fazê-lo? Será possível uma sociedade livre das drogas? Sempre haverá pessoas interessadas no uso de substâncias que alteram a consciência? Estudiosos acreditam que com a liberalização o consumo será desenfreado. Os defensores, óbvio, não acreditam nisso. Outra questão enigmática: é quem poderá comercializar a droga? Que órgão público controlará essa venda, a ANVISA? Na falsa ilusão de que o usuário não pode ser considerado criminoso, nos 21 países que resolveram despenalizar o usuário de drogas, como Portugal, por exemplo, os homicídios relacionados aos entorpecentes aumentaram 40%. Isso é fato! É urgente ponderar sobre as ameaças dramáticas que a liberalização das drogas pode ocasionar ao Brasil. Arrazoamos que as regras que se aplicam às drogas ilegais deveriam ser aplicadas ao álcool (calamitosa droga legal) que deveria ser criminalizada com urgência. Acreditamos que se a maconha for tão acessível para o viciado quanto os alcoólicos, é presumível que desaqueça a bestialidade provinda do tráfico. Entretanto, o consumo alargará, aumentando o

138

número de moléstias e mortes ocasionadas pelo uso permanente de outras drogas. Infelizmente, de cada 100 consumidores que usam entorpecentes (incluindo alcoólicos), de 10 a 13 apresentarão graves barreiras para abandonar o uso. O álcool, uma tragédia lícita, é responsável por 70% das internações por dependência de drogas e por 90% da mortalidade. A droga (incluindo os alcoólicos) constitui uma das maiores insensatezes do século XXI. O governo do Uruguai está estatizando a maconha, pasmem! “No Brasil, 1,5 milhão de pessoas usam maconha diariamente, dos quais 500 mil são adolescentes. Dos jovens na faixa de 14 a 18 anos, 17% conseguem a substância dentro da escola. De todos os consumidores, 1,3 milhão reconhecem já ter sintomas de dependência.”. (3) Imaginem a patética situação: um usuário fumando baseado, cheirando ou injetando cocaína, cachimbando uma pedra de crack defronte da nossa residência, próximo dos nossos filhos. Um policial que pegar em flagrante uma criança de 15 anos com droga “apenas para consumo”, não poderá fazer nada. Isso vai acontecer com a liberalização das drogas, pois o usuário terá o direito de consumir em qualquer lugar e não se poderá impedi-lo. Os dependentes de drogas (incluindo alcoólicos) são pessoas de personalidade medrosa, fraca, covarde. Em verdade, o uso de drogas (incluindo alcoólicos) para “curtição” poderá acarretar dependência com sequelas arrasadoras por prolongados séculos (séculos, sim! Pois a vida permanece para muito além da tumba). Logicamente, trancafiar o viciado na penitenciária não resolverá o seu drama nem da sua família; contudo, descriminalizar as drogas será ocorrência bem ameaçadora, principalmente quando o mundo confrontase com a esfinge do crack. O viciado dessa droga corrompe todas as barreiras éticas: sobrevive na sarjeta, se droga na rua, dorme na imundície, devora restos de comida do lixo e mergulha nos porões da promiscuidade. Enquanto o usuário de outros entorpecentes (maconha, ecstasy ou cocaína) se camufla em nichos e não se expõe socialmente. Doutrinariamente, compreendemos que todos os tipos de vícios dão campo a ameaçadores micro-organismos psíquicos no domínio da alma.

139

Transgressões violentas como uso de drogas (incluindo alcoólicos) rompem o revestimento magnético das pessoas e as consequências são a devastação da saúde física e até a morte, às vezes precedidas da loucura. “Paralelamente aos micróbios alojados no corpo físico há bacilos de natureza psíquica, quais larvas portadoras de vigoroso magnetismo animal. Essas larvas constituem alimento habitual dos espíritos desencarnados [obsessores] e fixados nas sensações animalizadas. A indiferença à Lei Divina determina sintonia entre encarnado e desencarnado viciados, este [obsessor] agarrando-se àquele [obsedado], sugando a grande energia magnética da infeliz fauna microbiana mental que hospeda, em processo semelhante às ervas daninhas nos galhos das árvores sugando-lhes substancia vital".(4) As emanações voláteis das drogas (inclusive alcoólicos), ao se evaporarem, são prontamente atraídas pelos obsessores-viciados, os quais aspiram essas emanações, nelas se acomodando e impulsionando o viciado encarnado a consumir cada vez mais... Por isso, os vorazes obsessores-viciados, sempre em falanges, afluem aos lugares frequentados pelos drogaditos encarnados (abrangendo as residências), conectando-se a eles, mente a mente, arrastando-os ao consumo das drogas (inclusive alcoólicos), ou importunando pessoas incautas, permissivas, inobstante ainda não contagiadas pelo vício, para que o cometam. Sem quaisquer escrúpulos, em permuta de qualquer satisfação do vício, todos os desatentos serão jugulados a uma fileira de perversidades. Sem nunca concordar com a liberalização de quaisquer drogas (incluindo os alcoólicos) o espírita estará sempre acolhendo os desafortunados, cônscios ou inconscientes, algemados às drogas que buscam auxílio para libertarem-se de suas agonias, sejam eles encarnados ou desencarnados. Na instituição espírita, o acolhimento aos viciados de cá e do “alémtumba” é totalmente compatível com o serviço doutrinário. Aí se propõe explicação, inclusão, acolhimento fraterno, bem como passes magnéticos, água fluidificada e palestras pública,s além dos apelos aos zelados para atividades assistenciais junto às famílias carentes.

140

Jorge Hessen http://jorgehessen.net Notas e referências: (1) Descriminalizar significa retirar de algumas condutas o caráter de criminosas. O fato descrito na lei penal deixa de ser crime. Há três espécies de descriminalização: (a) a que retira o caráter criminoso do fato mas não o retira do âmbito do Direito penal (essa é a descriminalização puramente formal); (b) a que elimina o caráter criminoso no fato e o proscreve do Direito penal, transferindo-o para outros ramos do Direito (essa é a descriminalização penal, que transforma um crime em infração administrativa, e (c) a que afasta o caráter criminoso do fato e lhe legaliza totalmente (nisso consiste a chamada descriminalização substancial ou total). Na legalização, o fato é descriminalizado substancialmente e deixa de ser ilícito, isto é, passa a não admitir qualquer tipo de sanção. Sai do direito sancionatório. A venda de bebidas alcoólicas para adultos, hoje, está legalizada (não gera nenhum tipo de sanção: civil ou administrativa ou penal etc.). A posse de droga para consumo pessoal deixou de ser formalmente "crime", mas não perdeu seu conteúdo de infração (de ilícito). A conduta descrita no antigo art. 16 e, agora, no atual art. 28 continua sendo ilícita, mas, como veremos, cuida-se de uma ilicitude inteiramente peculiar. Houve descriminalização "formal", ou seja, a infração já não pode ser considerada "crime" (do ponto de vista formal), mas não aconteceu concomitantemente a legalização da droga. De outro lado, paralelamente também se pode afirmar que o art. 28 retrata uma hipótese de despenalização. Descriminalização "formal" e despenalização (ao mesmo tempo) são os processos que explicam o novo art. 28 da lei de drogas. Disponível em aceso em 20/08/12 (2) Disponível em aceso em 22/08/12 (3) Estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), divulgado em 1o de agosto de 2012, disponível em aceso em 21/08/12

141

(4) Xavier, Francisco Cândido. Missionários da Luz, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB 1945.

Setembro de 2012 IDOLATRIA, UMA CEGUEIRA DOS SENTIMENTOS Com todo o vigor de afeição arrebatada que voluntariamente lançamos a algum médium ou orador, não evitamos empreender amplo dolo de sentimentalismo. Mas urge que “fujamos ao condenável sistema de adoração recíproca, em que a falsa ternura opera a cegueira do sentimento”. (1) No atual movimento espírita vem surgindo, em vários lugares, confissões de afago exagerado, endeusamento, adulação indigesta, confetes intermináveis, recorrentes e baldios, disputas por fotografias ao lado de médiuns famosos etc. Adota-se assustadoramente o hábito dos dirigentes incautos de elogiar e exaltar médiuns e oradores em público. Essas pompas e grandiloquências, observadas à volta de alguns espíritas ilustres, é bem a repetição dos faustos do cristianismo sem o Cristo. Infelizmente, ressalta-se a devassidão emocional de decompor, especificamente oradores do arraial espírita, em personagem de semideus. Conheço confrades que habituam alardear que são amigos “íntimos” desses espíritas semideuses, como se esse fato abonasse credencial especial para eles. Será que ser “amigo” de médium divinizado os tornam superiores? A rigor, “criar ídolos humanos é pior que levantar estátuas destinadas à adoração”. (2) Quem se encontra nesse abarcamento afetuoso passa a se esquecer das adequadas obrigações básicas de crescimento para o Criador e para o Mestre Jesus. Percebemos o fanatismo, o fascínio, a pieguice, a exaltação, o arrebatamento exagerado, a sujeição ideológica maníaca, mormente na

142

área da psicologia. Os anseios embaraçados suscitados na fantasia delirante tonificam, fortalecem e levedam o culto crônico do “EGO”. Com suas mentes frenéticas, entronam tais médiuns imprevidentes, deificam alguns oradores e forjam pedestais aos dirigentes personalistas. É imprescindível não elogiar (adular) dirigentes, médiuns e oradores que estejam agindo de conformidade com as nossas conveniências, para não lhes criar empecilhos à caminhada enobrecedora, embora nos constitua dever prestar-lhes assistência e carinho para que mais se agigantem nas boas obras. Até porque a adulação é tóxico em formato verbal. Por essa razão, não esqueçamos “ainda quando provenha de círculos bemintencionados, urge recusar o tóxico da lisonja, pois no rastro do orgulho, segue a ruína.” (3) Kardec advertia: “As faculdades de que gozam os médiuns lhes atraem os elogios dos homens, os cumprimentos e as adulações: eis o seu tropeço”. (4) É inquietante a lisonja de médiuns nas hostes espíritas. “Combatamos os ídolos falsos que ameaçam o Espiritismo cristão”.(5) A Bíblia, a Torah e o Alcorão são particularmente taxativos quanto à idolatria, comparandoa com alguns dos piores crimes e iniquidades concebíveis. Destarte, “é indispensável evitar a idolatria em todas as circunstâncias. Suas manifestações sempre representaram sérios perigos para a vida espiritual.”(6) Desde que adentramos nos portais dos ensinos kardecianos, aprendemos que o elogio (ainda que bem intencionado) nos enternece e ilude. “As crenças antigas permanecem repletas de cultos exteriores e de ídolos mortos. O Consolador, enviado ao mundo na venerável missão espiritista, vigiará contra esse venenoso processo de paralisia da alma”.(7) Escorregar para o despenhadeiro ameaçador da prática obsessiva do endeusamento a médiuns e oradores espíritas é prática inteiramente avessa aos princípios libertadores do Espiritismo. “Aqui e acolá, surgem pruridos de adoração que se faz imprescindível combater. Não mais imagens dos círculos humanos, nem instrumentos físicos supostamente santificados para cerimônias convencionais, mas entidades amigas e médiuns terrenos que a inconsciência alheia vai entronizando, inadvertidamente, no altar frágil de honrarias fantasiosas. É

143

necessário reconhecer que aí temos um perigo sutil, através do qual, inúmeros trabalhadores têm resvalado para o despenhadeiro da inutilidade”. (8) Cochicha a prudência cristã que nunca cederíamos campo à vaidade se não vivêssemos reclamando o deletério coquetel da adulação ao nosso egocentrismo doentio. Invariavelmente ficamos submissos às injunções sociais quando buscamos aprovação (bajulação) dos outros, “quando permanecemos na posição de permanentes escravos e pedintes do aplauso hipócrita e do verniz, da lisonja, condicionando-nos a viver sem usufruir de liberdade de consciência, submetendo-nos a ser manipulados pelos juízos e opiniões alheias.”(9) O espírita que esquadrinhe provar a humildade é alguém transparente que modera em ser continuamente autêntico. Não vive atrás de confetes, não perturba e nem é difícil no relacionamento com o próximo. Não cultiva em seu coração qualquer empenho infeliz de superioridade e cobrança, embuste e concorrência, prevenção e arrogância. O espírita leal, com o Cristo percebe-se pessoa comum como qualquer outra. Exibe suas emoções e conceitos com sensatez e prudência, e a sua fidelidade de sentimento é imagem fulgente da boa-fé, que reproduz seu caráter incorruptível. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Xavier, Francisco Cândido. Missionário da Luz, ditado pelo Espírito André Luiz, capítulo 20 , “Adeus”, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2000 (2) Xavier, Francisco Cândido. Pão Nosso, ditado pelo Espírito Emmanuel, capítulo 150 , “É o mesmo”, Rio de Janeiro: Editora FEB, (3) Xavier, Francisco Cândido. Missionário da Luz, ditado pelo Espírito André Luiz, capítulo 20 , “Adeus”, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2000 (4) Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns, cap. XXXI, item XII, “Sobre os Médiuns” , pág. 410, São Paulo: Editora LAKE, 1997

144

(5) Xavier, Francisco Cândido. Pão Nosso, ditado pelo Espírito Emmanuel, capítulo 52 ,“Perigos sutis” , Rio de Janeiro: Editora FEB, 1997 (6) Idem (7) idem (8) idem (9) Xavier, Francisco Cândido. Saudação do Natal – Mensagem “Trilogia da vida”, ditado pelo espírito Cornélio Pires , SP: Editora CEU, 1996

Setembro de 2012 FRANCISCO DE PAULA CÂNDIDO OU PURAMENTE O "CÂNDIDO XAVIER DE TODOS OS POVOS" Temos acompanhado a votação do “Maior brasileiro de todos os tempos”. Observamos que há extraordinário entusiasmo da plateia do SBT. Percebemos isso, principalmente quando foi anunciada a vitória do Chico Xavier sobre Airton Senna, sendo, por esse motivo, eleito para a grande final do certame. Assim como o século XIX, em termos de Espiritismo, foi o “Século de Allan Kardec”, o século XX e XXI serão conhecidos, no Brasil, como os “Séculos de Chico Xavier”. Há um intenso acatamento por Chico Xavier na Pátria do Evangelho e, em particular, em Minas Gerais, que o elegeu, em promoção da Rede Globo-Minas, em 2000, “O mineiro do século”, com mais de 700.000 votos, derrotando Santos Dumont, Pelé, Betinho, Carlos Drummond de Andrade, Juscelino Kubitschek, Carlos Chagas, Guimarães Rosa e outros. Há alguns anos ocorreu outro sufrágio para eleger o “Maior brasileiro da história”, realizada pela revista Época na internet, e na ocasião o médium de Pedro

145

Leopoldo obteve 36% do total dos votos, sendo eleito o Maior brasileiro da história. Transcorridos 102 anos do nascimento do maior médium da história e seu nome permanece estimado. É até natural que tenhamos uma renovação do interesse pelo tema “Chico Xavier”: desde filmes a livros e matérias de revistas conhecidas, além é claro dos costumeiros ataques. Chico sempre inspirou os crédulos e algumas vezes incomodou os agentes contrários ao Espiritismo. Curiosamente o filme As vidas de Chico Xavier foi baseado numa pesquisa do jornalista – e descrente – Marcel Souto Maior sobre a vida de Chico. Foi uma biografia escrita por um céptico que gerou um filme dirigido por um ateu (Daniel Filho), tendo o papel de protagonista incidido sobre um ator que além de ateu sempre foi comunista (Nelson Xavier). Detalhe: Todos se disseram “mudados” pela história de Chico (1). A figura de Chico Xavier, como pessoa, ainda é insuficientemente conhecida. Newton Boechat dizia “Chico Xavier é indimensionável. Sobre ele nada adiantam os critérios humanos que sempre refletem os seus biógrafos, nunca o biografado.(2) Para Cesar Perri, diretor da Federação Espírita Brasileira, “a portentosa obra mediúnica de Chico Xavier constituir-se-á em matéria para metabolização em longo prazo, por parte da família espírita e da Humanidade. Há claras propostas traçadas para um novo homem e para a construção de uma nova sociedade.” (3) Chico Xavier nunca pensou em si, e sim, no próximo, mormente os carentes. Seus mais de 400 livros somam aproximadamente 45 milhões de cópias vendidas, segundo Perri. “Somente o livro ‘Nosso Lar’ tem 2,5 milhões de edições comercializadas em 15 idiomas”.(4) São livros publicados em diversos idiomas, cerca de 600 autores e centenas de mensagens esparsas, cujos direitos autorais (se cobrasse)lhe granjeariam a fabulosa fortuna de aproximadamente 200 milhões de reais, que ele caridosamente doou e distribuiu para centenas de instituições filantrópicas. Chico nunca ficou com um centavo do dinheiro arrecadado com as vendas. Viveu inteiramente a vida em residência humilde, sustentado por sua aposentadoria, e atendendo pessoas de segunda a sábado sem jamais cobrar nada de alguém.

146

Não há, na história humana, um único caso de potencial mediúnico que se compare a Chico na psicografia. Ele nunca foi psicopata ou epilético. Não há um único registro médico de alguma doença mental!Mas, em nome da pseudociência críticos de plantão apresentaram 4 explicações para o fenômeno “Chico Xavier”: psicose, epilepsia, criptomnésia e telepatia. Esqueceu-se, no entanto, de pedir aos “cientistas” para reproduzir em outras pessoas o fenômeno mediúnico e escrever obras do nível de “Evolução em Dois Mundos”, “Mecanismos da Mediunidade”, “A Caminho da Luz”, “O Consolador” com conteúdos cientificamente irrepreensíveis, e romances do gênero “Há Dois Mil Anos”, “Ave Cristo!”, “Renúncia”, “Paulo e Estevão”, incomparáveis em beleza e em profundidade. O que seria a tal criptomnésia, por exemplo, é um tipo de distúrbio de memória que faz com que as pessoas se esqueçam de que conhecem uma determinada informação. Segundo essa teoria, Chico psicografava “sem saber” do próprio inconsciente, e resgatava as informações que já havia “lido em algum lugar” durante a vida. Porém, imaginemos que junto a sua biblioteca composta de poucos livros e algumas revistas que ocasionalmente leu durante a vida, expliquem como tais informações se alojaram no seu inconsciente sem que ele conhecesse, nada mais risível... E sobre as poesias? E quanto aos volumes científicos? E quanto às explicações a propósito de economia e outros temas completamente fora de sua competência que deu certa ocasião aos inquisidores da Revista Cruzeiro que tentaram humilhá-lo? Anotou Marcel Souto Maior que quando os jornalistas da Revista Cruzeiro realizaram a célebre reportagem tentando ridicularizá-lo e desacreditá-lo, Chico reclamou para Emmanuel e este respondeu: “Rejubile-se, lembre que Jesus Cristo foi para cruz e você foi para o “Cruzeiro”.(5) Lembram-se do espetáculo cultural que demonstrou durante o programa Pinga-Fogo da TV Tupi, realizado em 27 de julho de 1971? Chico provou seu descomunal conhecimento e incomensurável desenvoltura poética. À época, os antagonistas insinuaram que Chico Xavier foi um fracasso no “Pinga-Fogo”, todavia, conforme o “IBOPE” da época, 40 milhões

147

brasileiros assistiram ao programa. Considerando-se que a população na época era de 90 milhões de habitantes, estamos diante de um fenômeno único na tevê aberta do País. Foi a maior audiência em percentagem da TV brasileira, maior até do que a final da copa de 70. Chico sofreu uma devassa de indagações, mas, convenceu e agradou de tal maneira o público, que a TV Tupi deliberou produzir novo “Pinga-Fogo” em 12 de dezembro de 1971. Para desgosto dos detratores, consignamos que os maiores poetas e eruditos brasileiros defenderam Chico Xavier. Em 1932, Humberto de Campos, presidente da Academia Brasileira de Letras, indumentado de espantosa audácia ética, deu entrevista ao “Diário Carioca” acastelando o médium, exaltando os temas e os estilos dos espíritos comunicantes, fiéis aos que tinham em vida terrena. Sobre esta hipótese no mínimo tão fantástica quanto à hipótese dos espíritos existirem, Monteiro Lobato declarou: “Se Chico Xavier produziu tudo aquilo por conta própria, merece quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras”. Agripino Grieco, um dos mais receados e reverenciados críticos literários do País, confessadamente católico, testemunhou, espantado, Chico psicografar escritos de Augusto dos Anjos e Humberto de Campos, deixando evadir-se no seu arrebatamento e admiração perante estilos sóbrios e irrepreensíveis. Asseguramos, sem fanatismo nenhuma, que inexistirá quem possa substituí-lo com a mesma índole de coragem, humildade, amor e elevação espiritual. Percebemos que aguardaremos uma eternidade (coloca tempo nisso!), até que Deus expeça a reencarnação de outro ser humano (ou sobre-humano?) da mesma natureza moral de Francisco de Paula Cândido (nome civil), ou seja, Francisco Cândido Xavier (pseudônimo literário), o “Cândido Xavier” de todos os povos. Uma situação que muito nos entristece presentemente são as bombásticas “revelações” dos que conviveram com ele e estão alegando que Chico disse lhes isso ou aquilo (assuntos forasteiríssimos tais como previsões com datações de catástrofes, extraterrestres, abduções, “suas” reencarnações anteriores etc...). Em verdade uma coisa é ouvir dizer que o Chico disse (!); outra é ouvir o Chico dizer. Uma coisa é ler narrações a

148

respeito dele; outra é vê-lo expressar-se naquela simplíssima modalidade, como ele o fez. Ele foi, no culminante da compreensão humana, aquele amor que se deu, firmemente, e que, agora, por íntimo regozijo de si mesmo empunhará das esferas luminosas o bastão dos destinos da Terceira Revelação na Terra. Recordamos que no dia 30 de Junho de 2002, a televisão noticiou em apenas 15 segundos o seu falecimento para exibir horas a fio a repercussão da conquista do penta campeonato pela seleção brasileira de futebol. No dia seguinte as pessoas chegaram ao trabalho e conversaram, não sobre o Chico Xavier, mas sobre a Copa conquistada. Em verdade, Chico deixou a existência no mundo discretamente, sem ostentação, sem algazarra. Sua vida foi simples demais para se compreender assim com facilidade. O que é simples é profundo e difícil. E por ser difícil é que muitos, sem compreenderem, tentaram lhe fazer justiça. Gritaram tardiamente o quanto foi digno. Tentaram contrabalançar a discreta notícia de sua “morte” com preleções e inscrições abrasadas, exaltando a sua excelsitude. Contudo, Chico Xavier nunca precisou dessas homenagens, porquanto, naquela manhã, foi recepcionado e abraçado pelo Governador da Terra nas paragens luminosas das Esferas Sublimes do firmamento. Jorge Hessen http/jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Essa “mudança” é narrada no livro de Marcel Souto Maior sobre os bastidores da filmagem de Chico Xavier, O Filme. Não quer dizer, nem de longe, que tenham se convertido ao Espiritismo... Mas o exemplo moral de Chico é capaz de afetar – no bom sentido – até os maiores opositores da doutrina, contanto é claro que se disponham a estudá-lo. (2) Boechat, Newton.Artigo Chico Xavier: a Liderança Insubstituível, publicado no Jornal A Nova Era - Setembro de 1980 (3) Carvalho, Antonio Cesar Perri de. Admiração por Chico Xavier ,

149

artigo publicado no Dirigente Espírita número 66, de julho/agosto de 2001 (4) Disponível em acessado em 12/09/2012 (5) Maior, Marcel Souto. AsVidas de Chico Xavier, São Paulo: Editora: Planeta do Brasil, 2003.

Outubro de 2012 COMEÇO DO FIM DO MUNDO?...QUAL MUNDO?... Em face da atual saturação mística sobre o “calendário 2012”, avulta-se a obstinação nostradâmica lançando previsões absurdas. Cada facção com seu cortejo de iludidos vão estabelecendo sua agenda. Datas são repetidamente afixadas, ou adiadas, porque os adivinhos não abrangem que a fragmentação do tempo em milênios, séculos, anos, dias, horas, minutos etc, é apenas uma convenção humana, fruto da observação secular dos fenômenos naturais. A contagem do tempo como um fluxo linear nasceu, sobretudo com a Renascença. De Leonardo da Vinci a Einstein, observou-se na estruturação da percepção do tempo o devir (vir a ser). Desde eras pitagóricas ao período cartesiano, nos achamos atualmente perante a desconstrução do tempo clássico. A relatividade einsteiniana instituiu uma inovação na percepção temporal. O momento quântico sobrepujou a cadência newtoniana e a percepção do tempo (se houver como o compreendemos), deverá ser (re)significado. Subliminarmente, alguns permanecem assombrados com a passagem do tempo, esquecendo-se de que a nossa contagem cronológica é totalmente arbitrária. As Leis naturais não são tangidas em face da maneira de como dividimos e contamos o tempo.

150

Crenças antigas têm sido entronizadas. O zoroastrismo, por exemplo, vem influenciando há milênios o pensamento judaico-cristão, notadamente quanto à escatologia e ao tempo linear de mundo. Por conta dessas crenças, uma infinidade de seitas tem arregimentado pessoas de imaginação fecunda, mormente revendendo a ideia de que a “Era de Aquários” está se aproximando, e que haverão transformações definitivas no planeta. Anuncia-se a liquefação da calota polar, irrupções de maremotos, terremotos, tornados, tsunamis, erupções vulcânicas. Afiançase até que a partir de 2014 um asteroide irá se colidir com a Terra e acarretará uma grande destruição, e logo após os homens estarão aptos a vivenciar a “Nova Era”, em “paz”.(!?...) Destaca-se o mote da “transição planetária” apregoando-se sobre hipotético “cinturão de fótons”(1) orbitando as Plêiades(2) e da acreditada órbita do sistema solar ao redor da estrela Alcíone. De acordo com a corrente “new age”, a Terra passará por esse “cinturão de fótons”, o que derivará ou na elevação moral da humanidade, ou no fim do Planeta. Essa superstição é rebatida por David Morrison, que atesta ser mística e não ter nada a ver com a ciência. “Ademais o conceito de um cinturão de fótons em órbita é um absurdo. Os fótons são luzes e eles se movem em linhas quase retas, e não orbitando em torno de qualquer coisa, muito menos em torno do aglomerado de estrelas Plêiades”.(3) Na década de 90, “peritos” e estudiosos das centúrias de Nostradamus também afirmavam o extermínio do Planeta para setembro de 1999. Não obstante o alarme dos adivinhos milenaristas, a Terra não desapareceu do mapa sideral. A ideia de que haverá uma morte planetária é um mito presente em quase todas as civilizações. Para o historiador Georges Duby, há muita similitude entre os medos do homem medieval e os do homem contemporâneo. É verdade! O mundo mudou muito em matéria de hábitos, costumes, tecnologia e ciência, mas a realidade social e anímica do indivíduo e da sociedade de hoje não difere muito do quadro que existia no século XI. Evoca-se a ideologia milenarista bastante enraizada na cultura cristã. Os historiadores cognominam milenarismo os fenômenos sociais advindos, sobretudo através do movimento ativista medieval aparecido no século

151

XII, sob o auspício intelectual Gioacchino da Fiore, um abade cisterciense e filósofo místico. A partir de uma explicação personalíssima das Escrituras, de Fiore imaginava que por um período de mil anos haveria a paz e a prosperidade na Terra, sob a tutela do Cristo Entretanto, esse milênio seria antecedido por tragédias, fome, moléstias, guerras e cataclismos. Em seguida surgiria a tranquilidade de mil anos, antes do “Juízo Final”, do categórico triunfo das forças do bem sobre as forças do mal, num inacabável fluxo e refluxo de acontecimentos. Embora o jogo milenarista de temor do final dos tempos versus esperança num mundo melhor permaneça no imaginário de muitos desde o início da cultura judaico-cristã, existem épocas em que o pânico se acentua de modo quase obsessivo, galvanizando colossais parcelas da população. Paradoxalmente ou não, esquivando-nos dos ultimatos escatológicos (milenarista ou equivalente), distinguimos atualmente a experiência de agudas transformações planetárias. Todavia, também distinguimos que o planeta esteve sucessivamente em processo de transição, até porque faz parte da sua história. Não há como não admitir que o Orbe atravessa alguns episódios sinistros quais crepúsculos, prenunciando tensas noites. Emmanuel avisou que “ao século XX competiria a missão do desfecho dos acontecimentos espantosos (...) efetuaria a divisão das ovelhas do grande rebanho e uma tempestade de amarguras varreria toda a Terra. Depois da treva surgiria uma nova aurora. Luzes consoladoras envolveriam todo o orbe regenerado no batismo do sofrimento.” (4). Em realidade, e não escapando da linearidade do tempo, percebemos que o século passado foi o mais sanguinolento de toda história humana. Talvez “Deus tenha já marcado com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente, a fim de que não usurpem o salário dos servidores animosos, pois aos que não recuarem diante de suas tarefas é que Ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração”.(5) Sim! “o homem espiritual estará unido ao homem físico para a sua marcha gloriosa no Ilimitado, e o Espiritismo terá retirado dos seus escombros materiais a alma divina das religiões, que os homens perverteram, ligando-as no abraço acolhedor do Cristianismo restaurado. Para esse

152

desiderato, a Humanidade necessitará de decididas inovações religiosas, porque a lição do Cristo ainda não foi compreendida.”(6) Deus adverte-nos por meio de flagelos destruidores para que avancemos mais depressa. Assim, “os flagelos são necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos.”(7) Assegura o Codificador que o Espiritismo será a doutrina mais apta a desempenhar o papel de secundador do processo de regeneração da humanidade. Recordemos que a prática dos códigos evangélicos é e sempre será a condição intransferível que determinará a grande transformação social, política e econômica do porvir. Nessa esteira, que ainda poderá perdurar alguns séculos, haverá de ser o final do "mundo velho", desse mundo governado pela colossal ambição, pela corrupção, pelo extermínio das normas éticas, pela arrogância, pelo egoísmo e pela descrença. Jorge Hessen http://jorgehessen.net/blog Referências bibliográficas: (1) Alguns visionários creem que o Sistema solar ao percorrer a órbita de 26.000 anos mergulha periodicamente no cinturão de fótons, o que supostamente ocasiona transmutação da matéria, e os seres humanos se transformam em uma “nova raça”, mais “espiritualizada”. A humanidade entra em uma “Nova Era”. (2) As Plêiades (Sete Irmãs ou Messier 45) são um aglomerado estelar aberto com cerca de 1000 estrelas, situado a 440 anos-luz do Sol, na constelação do Touro. (3) Cf. David Morrison, astrobiologista sênior da NASA, disponível no site https://astrobiology.nasa.gov/acessado em 25/09/2012 (4) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo espírito Emmanuel, 22ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Ed. FEB, (5) Kardec , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap XX, item 5, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1997

153

(6) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro-RJ: Ed. FEB questão 238 (7) Kardec , Allan. O Livro dos Espíritos, perg. 737, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1999.

Outubro de 2012 AOS ESCRAVOS DA BEBIDA INDICAMOS JESUS O consumo de alcoólicos pelo ser humano não é hábito recente; é tão antigo quanto o próprio homem das cavernas. Seja qual for o período histórico e em que sociedade com a qual se relacionou ou a cultura que recebeu, o homem tem bebido. Há 3700 anos “Código de Hamurabi” já trazia normativos sobre as situações, lugares e pessoas que podiam ou não fazer a ingestão de bebida alcoólica. Há 2500 anos os chineses perdiam – literalmente – a cabeça por causa da bebida alcoólica – a prática era punida com a decapitação. Configura-se um costume extremamente antigo e que vem persistindo por milhares de anos. Paulo escreveu para os cristãos de Efésio: “e não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito.”.(1) O álcool é a droga “lícita” mais consumida no mundo contemporâneo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda de acordo com a OMS, a bebida alcoólica é a droga legalizada de escolha entre crianças e adolescentes. Estima-se que o uso desse tóxico tenha início aos 10 a 12 anos. Os males gerados pelo alcoolismo são a terceira causa de morte no mundo. Estudos encontrados na literatura científica mostravam que os homens bebiam mais que as mulheres em todas as faixas etárias, e que jovens consumiam mais álcool do que idosos. Porém, outras pesquisas apontam

154

para o aumento anual, no Brasil e no mundo, do porcentual de mulheres dependentes. No passado, pontuam os especialistas, para cada cinco usuários problemáticos de álcool existia uma mulher na mesma condição. O estudo demonstra que atualmente a razão comparativa é de 1 para 1. Elas já bebem tanto quanto eles, mas concentradas em fases distintas. É mais recente a aceitação social do uso do álcool pelas mulheres. Realmente, antes elas não bebiam tanto. Com isso, o foco das campanhas preventivas ficou muito centrado nos homens. As mulheres ficaram negligenciadas nessa abordagem. Raros são os ginecologistas, por exemplo, que questionam se as suas pacientes bebem. As grandes vítimas são os filhos, envolvidos numa rotina de restrições e constrangimentos. Filhos de mulheres que consomem álcool em excesso durante a gravidez estão sujeitos à síndrome alcoólica fetal, que pode provocar sequelas físicas e mentais no recém-nascido. Crianças e adolescentes filhos de pais com o vício estão mais sujeitos a desequilíbrios emocionais e psiquiátricos. Normalmente, o primeiro problema identificado é um prejuízo severo na autoestima, com repercussões negativas sobre o rendimento escolar e as demais áreas do funcionamento mental. Esses adolescentes e crianças tendem a subestimar suas próprias capacidades e qualidades. Os dados atuais sobre alcoolismo são devastadores. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas (HC) de São Paulo, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, mais de 9% dos idosos paulistanos consomem bebida alcoólica em excesso. O levantamento feito com 1.563 pessoas com 60 anos ou mais apontou que 9,1% dessa população abusa do álcool, o equivalente a 88 mil idosos da capital paulista. Demonstrado cientificamente que o álcool é pernicioso em qualquer faixa etária, seus danos entre os adolescentes são patentes, sobretudo, durante a fase escolar, uma vez que o uso sucessivo da substância impede o rendimento, além de provocar desordem mental, falta de coordenação, problemas de memória e de aprendizado. Consequentemente, esse processo resulta também em dores de cabeça, alteração do ciclo natural do sono, da fala e do equilíbrio.

155

A dependência ao álcool pode ser hereditária, havendo uma predisposição orgânica do indivíduo para o seu desdobramento, no qual o Espírito imortal traz em seu DNA perispiritual as marcas e consequências do vício em outras experiências reencarnatórias, sendo compreensível, então, que o alcoolismo seja transmissível de pais para filhos. As matrizes dessas disfunções estão no passado, seja de forma hereditária ou espiritualmente, em decorrência de experiências infelizes, remanescentes de pregressas existências. Segundo André Luiz, “ao reencarnarmos trazemos conosco os remanescentes de nossas faltas como raízes congênitas dos males que nós mesmos plantamos, a exemplo, da Síndrome de Down, da hidrocefalia, da paralisia, da cegueira, da epilepsia secundária, do idiotismo, do aleijão de nascença desde o berço.” (2) “O corpo perispiritual, que dá forma aos elementos celulares, está fortemente radicado no sangue. O sangue é elemento básico de equilíbrio do corpo perispiritual”. (3) Em “Evolução em dois Mundos” o mesmo autor espiritual revela-nos que “os neurônios guardam relação íntima com o perispírito.”(4) Portanto, a ação do álcool no psicossoma é letal, criando fuligens venenosas que saturam no corpo psicossomático, danificando tanto as células perispirituais quanto as células físicas. As substâncias dos alcoólicos ingeridos caem na corrente sanguínea, daí chegam ao cérebro, atacam as células neuronais; estas refletirão nas províncias correlatas do corpo perispiritual em configuração de danos e deformações apreciáveis que, em alguns casos, podem chegar até a desfigurar a própria feição humana do perispírito. Infelizmente a liberalidade de muitas famílias com o álcool é um dos maiores problemas para a prevenção: é mito considerar que maconha leva os jovens a outras drogas. São as bebidas alcoólicas que fazem esse papel. Nefastamente é a azada família que estimula a ingestão dos “inofensivos destilados e/ou fermentados”. Não são poucos que começaram a beber quando o patriarca (pai), orgulhoso do filho que virava homem, os atraía para os drinques dos “machões”. O vício de beber cria rotinas que envolvem cúmplices encarnados e desencarnados que compartilham do mesmo hábito e manias. Bares,

156

restaurantes, lanchonetes, clubes sociais e avenidas estão repletos de jovens que, displicentemente, fazem uso, em larga escala e abertamente, das tragédias engarrafadas ou enlatadas. A instalação do alcoolismo envolve três características: a base genética, o meio e o indivíduo. Filhos de pais alcoólatras podem ser geneticamente diferentes, porém só desenvolverão a doença se estiverem em um meio propício e/ou características psicológicas favoráveis. Os infelizes “canecos carnais” não só desfiguram e arrasam o corpo como agridem e violentam o caráter e deterioram o psicossoma através das obsessões, acendidas por espíritos beberrões que compartilham junto do bêbado os mesmos vícios e se alimentam através dos vapores alcoólicos expelidos pelos poros e boca numa simbiose mortificante. É precisamente esse vampirismo incorpóreo que ilustra o motivo de o alcoolismo ser avaliado como moléstia progressiva e de certo modo incurável. É verdade! Parar de beber, dizem membros do AA’s (Alcoólicos Anônimos), é a vitória maior para o dependente, mas a doença não acaba. Se ele voltar a dar uns goles, em pouco tempo recupera um ritmo igual ou até maior do que o mantido antes da pausa. “Não existe ex-alcoolista nessa história”, sustentam os frequentadores dos AA’s. Essas são razões suficientes para que nas celebrações e festejos com amigos nos bares da vida, fugir do compromisso da vã tradição da bebedeira a fim de divertir-se. O oceano é constituído de pequenas moléculas de H2O, e as praias se formam com incontáveis grânulos de areia. É indispensável, portanto, desatar-se daquele clichê do “é só hoje”, e quando arrastados a comportamentos para “distrair”, não se deve aceitar a perigosíssima escapadela do "só um golinho", até porque não se pode esquecer que uma miúda picada de cobra peçonhenta, conquanto em acanhada porção, pode produzir a morte imediata, portanto ao invés de se distrair vai se destruir. Sem dúvida que mais fácil é evitar-lhes a instalação do que lutar depois pela supressão do vício (como dizem os membros dos AA’s: não há exalcoólatra). A questão assenta raízes densas na sociedade, provocando medidas curadoras e profiláticas nos círculos religiosos, médicos, psicológicos e psiquiátricos, necessitando de imperiosa assistência de

157

todos os segmentos sociais para (quem sabe!) minimizar seus efeitos flagelantes. Destarte, faz-se urgente assentar a questão da alcoolfilia no foco dos debates públicos. Até porque o problema da consumação alcoólica precisa ser atacado sem trégua, a fim de que sejam encontradas soluções para a complexa epidemia do “tóxico legal”. Para todos jugulados pelos vícios recomendamos Jesus. Sim! O Messias que prometeu: “vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”(5) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Efésios, 5:18. (2) Xavier, Francisco Cândido. Nos domínios da mediunidade, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 2000, p.139-140 (3) Xavier, Francisco Cândido. Missionário da Luz, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 2001 (4) Xavier, Francisco Cândido. Evolução em, Dois Mundos, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 2003 (5) Mateus 11:28-30.

158

Outubro de 2012 SE ABRAÇAMOS O ESPIRITISMO POR IDEAL... Se abraçamos o Espiritismo por ideal, não podemos negar-lhe lealdade. A fidelidade doutrinária ressoa como algo vazio para os que não têm compromisso alinhado com Jesus e Kardec. A lealdade a Kardec incide na observância da singeleza dos preceitos anotados, atidos e alicerçados na Codificação, cujos preceitos fundamentais foram sustentados pelos Espíritos Superiores. Uma Instituição Espírita tem que laborar como legítimo pronto-socorro espiritual, tal qual refrigério em favor das almas em desalinho, e não qual recinto de miragens e devaneios. O adequado reduto kardeciano tem que estar preparado para abrigar um contingente cada vez maior de pessoas submersas no atoleiro de suas próprias crises morais, e que jazem nos vales nebulosos da ignorância. Os núcleos espíritas refletem a índole e consciência doutrinária dos seus dirigentes. Instituições que adotam práticas “doutrinárias” que chocam com os postulados Kardecianos não constituem casas genuinamente espíritas. O Espiritismo apresenta-nos uma nova ordem religiosa que necessita ser resguardada. A Codificação é a resposta ajuizada dos Espíritos superiores às questões do homem aflito na Terra, conduzindo-o ao encontro do Criador. Entendemos que protegê-la da arrogância dos novidadeiros e das propostas vaporosas dos que a desconhecem é obrigação de todos nós. Se adotamos o Espiritismo por ideal cristão não podemos negar-lhe fidelidade. O espólio da tolerância não pode tanger pela omissão diante das enxertias anormais e métodos irregulares que seres incautos planejam infligir, sobretudo nas sinuosidades do Movimento Espírita.

159

Não estamos discorrendo sobre defesa intransigente dos postulados espíritas, e nem propondo rígida igualdade de metodologias sem a devida consideração aos graus distintos de evolução em que estagiam as pessoas. Seria contraproducente enredarmos pelos atalhos dos extremismos injustificáveis. É óbvio que não podemos transformar defesa da fidelidade doutrinária em uniformização estanque de exercícios que podem bloquear a criatividade natural diante do livre arbítrio de cada um. Conquanto rebatamos atitudes extremadas, não podemos abrir mão da prudência preceituada pela pureza dos postulados espíritas. Não hesitemos, pois, quando a situação se impõe, e estejamos alertas sobre a fidelidade que devemos a Jesus e a Kardec. É importante não olvidarmos de que nos sutis consentimentos vamos descaracterizando a programação do Consolador Prometido. É imprescindível conservar o Espiritismo segundo herdamos do Codificador, conservando-lhe o fulgor dos conceitos, a clareza dos seus conteúdos, não consentindo que se lhe aloje ideias nocivas, que somente irão embaraçar os ingênuos e os pouco informados das suas lições. No Espiritismo, o Cristo desponta como sublime e magnânimo condutor de corações e o Evangelho brilha como o Sol para iluminar todas as consciências. Lembremos que Kardec transmitiu à humanidade a melhor de todas as embalagens (fidelidade doutrinária) ao grandioso presente que é a Doutrina dos Espíritos, e todos aqueles que têm como base o alicerce do amor podem, até, coexistir com qualquer obra ou filosofia, que permanecerão blindados contra os agentes das influenciações obsedantes. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

160

Outubro de 2012 O ESPIRITISMO É UMA RELIGIÃO E NÓS NOS UFANAMOS DISSO ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA O CONSOLADOR ACESSE O LINK ABAIXO http://www.oconsolador.com.br/ano6/282/especial.html Esta frase foi dita em novembro de 1868, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, por Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo Circula pela internet, e também em alguns periódicos espíritas, absurdas críticas à literatura de Emmanuel. Trata-se, sem dúvida, de improfícua tentativa de desmerecer a extraordinária obra do excelso médium Chico Xavier e de entronizar-se a hegemonia ideológica desses agentes da perturbação. Não é preciso fazer um grande esforço para identificar nesses irmãos a carência de sensatez, pelo fato de se encontrarem inteiramente distanciados da Doutrina dos Espíritos, engolfados nas malhas do fascínio obsessivo. Melancólicos críticos de Chico Xavier, Emmanuel e André Luiz, tais confrades permanecem no torpor hipnótico, delirando no interior de uma composição descarrilada que culminou na tolice apontada como "emmanuelismo", patrocinada por “espíritas” que não têm mais o que fazer de útil. Essa ojeriza a Emmanuel há muito existe no movimento Espírita, da mesma forma a aversão a André Luiz, desde a publicação do livro Nosso

161

Lar. Recentemente, deliberamos assistir a uma apresentação em vídeo sobre o que apelidam de “Emmanuelismo”. Vimos; contudo, não suportamos a mutilada pseudopesquisa e paramos de assistir para não obliterar nosso mundo cerebral. Entre as “preciosidades” do conteúdo, afirma-se que até para os próprios “espíritas” Emmanuel é um “pseudossábio”. Não sabemos em qual fonte bebericaram para afirmação tão incoerente. Emmanuel: um pseudossábio? A fundamental descrição de Emmanuel que fazemos é: ele nem enaltece, nem recrimina. Demonstra, conscientiza. É veemente, faz notar que os que se recuperam são incólumes aos horrores do amanhã. Por isso exortanos à reforma íntima. Nós que o interpretamos, e consentimos em admirálo, deixamos escapar um grito de conforto: "Sim, nós somos capazes!” Isso é meio poético, mas é assim que sentimos o benfeitor Emmanuel. É evidente que para um espírita consciente o assunto cheira a discussão estéril, sem lógica. Retrucá-lo pode ser perda de tempo, mas, mesmo assim, vamos utilizar um tempinho para escrever sobre essa doideira, lembrando que teremos o cuidado para não esbarrarmos na mesma faixa de sintonia. É risível o esforço dos confrades (reencarnações tupiniquins dos excientíficos do século XIX) que consideram Emmanuel um pseudossábio. Quem consideram sábio? Afonso Angeli Torteroli? Ou eles mesmos? irrisão!! Escrevemos com o propósito de alertar os leitores, pois “conforme as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode ser um dever, pois é melhor que um homem caia do que muitos sejam enganados e se tornem suas vítimas". (1) Esses irmãos, sob o guante de fértil imaginação e desnorteados no raciocínio, reverberam que o jovem “católico” Chico Xavier, quando teve a visão mediúnica daquele que teria sido o padre Manoel da Nóbrega em pretérita encarnação, e que passou a ser identificado como Emmanuel, certificou-se de que este seria o seu mentor espiritual. Com isso, todo o

162

processo mediúnico do extraordinário médium mineiro teria sido plasmado por um “misticismo católico”. (!?...) Espiritismo: uma academia de expoentes do “saber”? Destarte, os atuais idólatras de Torteroli (aquele “científico” que abusava da resignação do “místico” Bezerra de Menezes, no século XIX) andam dizendo que, por ter sido jesuíta, Emmanuel impôs um viés catoliquizante ao Movimento Espírita. Ora, se esses companheiros estudassem com inteligência os princípios espíritas, identificariam que o Espiritismo não precisou se catoliquizar com as sublimes mensagens do grande arquiteto do catolicismo, o Doctor Gratia, Aurélio Agostinho, ex-bispo de Hipona, que ditou dezenas mensagens insertas no Pentateuco Kardeciano. O importante é a essência de suas orientações, que em nada ferem a Terceira Revelação; ao contrário, contribuem para clareá-la ao fulgor do Evangelho. "O Espiritismo é uma doutrina moral que fortalece os sentimentos religiosos em geral, e se aplica a todas as religiões; é de todas, e não pertence a nenhuma em particular. Por isso não aconselha ninguém que mude de religião.” (2) A rigor, o que está escamoteada na retórica desses aventureiros da ilusão, sob o tema “Emmanuelismo”, é, nada mais nada menos, uma restrição velada ao aspecto religioso da Doutrina Espírita sustentado dignamente no Brasil pela FEB e abrilhantado por Chico Xavier na prática mediúnica. Esses kardequeólogos “PhD’s de coisa nenhuma”, longe do uso do bom senso, insistem em divulgar a “progressista” tese de que se é preciso fugir do “Cristo Católico”, do religiosismo, do igrejismo no Espiritismo e transformá-lo numa academia de expoentes do “saber”, sob a batuta deles, obviamente! Isso só pode ser chacota! Jesus: o tipo mais perfeito, nosso guia e modelo Sob o império dessa compulsiva tendência filosófica, vão para a internet, redigem livros, artigos, promovem palestras inócuas, aguilhoados às diretivas telepáticas das “inteligências” sombrias do Umbral. Mas, gostem

163

ou não, queiram ou não, o Cristo é o modelo de virtudes para todos os homens, e não foi Emmanuel que o disse, mas os imortais que participaram da codificação do Espiritismo e o próprio Kardec. Não nos custa lembrar aqui o que lemos na questão 625 d´O Livro dos Espíritos: “Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?” Resposta: “Jesus”. Comentando a resposta, Kardec anotou, em seguida: “Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava”. (L.E., item 625.) Tais confrades têm-se colocado como vítimas da pecha de afugentadores do Mestre Jesus das hostes doutrinárias. Trôpegos, cavalgam sem norte, suspirando a falácia de que peregrinam o calvário do xenofobismo contra eles. Talvez porque, numa entrevista cedida a confrades de Uberaba, Chico advertiu: "Se tirarem Jesus do Espiritismo, vira comédia. Se tirarem Religião do Espiritismo, vira um negócio. A Doutrina Espírita é ciência, filosofia e religião. Se tirarem a religião, o que é que fica? Jesus está na nossa vivência diária, porquanto em nossas dificuldades e provações, o primeiro nome de que nos lembramos, capaz de nos proporcionar alívio e reconforto, é Jesus". (3) Jesus: Messias divino, o enviado de Deus Atacam, com o mesmo propósito, até a figura do pioneiríssimo Olympio Teles de Menezes, alcunhando-o de espiritólico. As hordas das regiões densas são poderosas e se "organizam", uma vez que têm, como meta, a proscrição de Jesus dos estudos espíritas. Confrades esses, aprisionados por astutos cavaleiros das brumas umbralinas, atestam que Kardec escreveu o Evangelho para apaziguar os teólogos, tentando uma aproximação com a Igreja (pasme, leitor, e acredite se quiser!). Ficam rubros de fúria quando leem Kardec, que afirmou: "O Espiritismo é uma religião e nós nos ufanamos disso". (4) Além disso, o Espírito São

164

Luís adverte que "os Espíritos não vêm subverter a religião, como alguns o pretendem. Vêm, ao contrário, confirmá-la, sancioná-la por provas irrecusáveis. Daqui a algum tempo, muito maior será do que é hoje o número de pessoas sinceramente religiosas e crentes".(5) O mestre lionês assevera com todas as letras que o "Espiritismo repousa sobre as bases fundamentais da religião e respeita todas as crenças; um de seus efeitos é incutir sentimentos religiosos nos que os não possuem, fortalecê-los nos que os tenham vacilantes". (6) Para os arautos da antirreligião que afirmam ser "Jesus somente o emergir de um arquétipo plasmado no inconsciente coletivo", lembramos que o Mestre da Galileia foi a manifestação do amor de Deus, a personificação de sua bondade. E para Kardec, o célebre pedagogo e gênio de Lyon, o Cristo foi um Espírito superior, dos de ordem mais elevada e colocado, por suas virtudes, muitíssimo acima da humanidade terrestre: “Pelos imensos resultados que produziu, a sua encarnação neste mundo forçosamente há de ter sido uma dessas missões que a Divindade somente a seus mensageiros diretos confia, para cumprimento de seus desígnios. Mesmo sem supor que ele fosse o próprio Deus, mas unicamente um enviado de Deus para transmitir sua palavra aos homens, seria mais do que um profeta, porquanto seria um Messias divino”. (7) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 2000, cap. X, 20:21 (2) Kardec, Allan. Revista Espírita, fevereiro de 1862 - Resposta dirigida aos Espíritas Lionenses por ocasião do Ano-Novo, Brasília: Edicel, 2001 (3) Entrevistas com Chico Xavier disponíveis em http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/religiao/espiritismosem-jesus.html

165

http://www.meumundo.americaonline.com.br/eespirita/espiritismo_sem_j esus.htm (4) Kardec, Allan. Revista Espírita, dezembro de 1868, discurso de Kardec em reunião pública realizada na noite de 01/11/1868, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Brasília: Edicel, 2001 (5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2002, perg. 1.010 (a) (6) Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns RJ: Ed. FEB, 2000, Capítulo III, Do Método, Item 24, (7) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 1998, XV, item 2.

Outubro de 2012 DOUTORES? AH, SIM! OS DOUTORES!... Sentimo-nos constrangidos quando empregamos o vocábulo “doutor” antes do nome de um médico ou de um advogado, mormente ser for um espírita. Ajuizamos que o termo “doutor” é uma erva daninha inflexível que reflete muito sobre um Brasil tupiniquim. Nossa rejeição ao extemporâneo “doutor” é um ato consciente. Dia virá (queira Deus, o quanto antes!) em que os filólogos e bons dicionaristas definirão a palavra “doutor” como “um arcaísmo usado no passado pelos subordinados (pobres) para acercar-se dos mais presunçosos (ricos), a fim de limitar a dominação especialmente de médicos e advogados, entretanto, com a abolição da desigualdade socioeconômica e a conquista dos direitos de cidadania, essa definição desmoronou em desuso”. A tradição impôs o termo “doutor” em nossa sociedade como uma maneira de abordar os superiores na divisão socioeconômica. O “doutor”

166

não se instituiu em nosso idioma como uma expressão inocente, porém como um abismo, ao propagar na linguagem uma diferença vivida na realidade do dia-a-dia que deveria ter nos envergonhado desde o século XIX. Os causídicos de plantão defendem o “Dr.” porque estaria numa licença régia no qual D. Maria, de Portugal, avaliada como “a louca”, teria concedido o título de “doutor” aos advogados. Mais tarde, em 1827, o “Dr.” teria sido garantido aos bacharéis de Direito por um decreto de D.Pedro I, ao instituir os primeiros cursos de Ciências Jurídicas e Sociais no Brasil. Ora, supostamente o decreto imperial não foi “derrogado”, assim, ser “doutor” seria parte do “direito” dos advogados (pasmem, mesmo com a inauguração da República!). Ah! No Brasil se dá um jeitinho em tudo e o título de “Dr.” foi “espontaneamente” esticado para os médicos em décadas posteriores (acreditem!). No caso dos médicos, a contemporaneidade e a insistência do título de “doutor” devem ser abrangidas no contexto de uma sociedade enfermada, na qual as pessoas se decidem em grande monta por seu check-up ou por suas patologias. De ordinário, o “doutor” médico e o “doutor” advogado (promotor, procurador, delegado) têm algo em comum: o império sobre os indivíduos. Um pela lei, o outro pela medicina, eles normatizam a vida de todos os outros. Etimologicamente, o vocábulo "doctor" procede do verbo latino "docere" ("ensinar"). Significa, pois, "mestre", "preceptor", "o que ensina". Da mesma família é a palavra "douto” que significa "instruído", "sábio”.(1) Infelizmente, a maioria dos “doutores” médicos e dos “doutores” advogados estimula e até exige o título no dia a dia, mesmo que não sejam doutores. DOUTORES (com maiúsculas) somente são os que tenham defendido uma tese diante de uma banca de notáveis. E diga-se que os autênticos DOUTORES (com maiúsculas) em geral, quase sempre nenhum deles é chamado de Doutor na vida cotidiana, seja na sala de aula, seja na rua. Por essas razões, não podemos concordar com líderes espíritas que fazem questão de manter em seus nomes a sigla "doutor" e se vangloriam desse pronome de tratamento (2) nos eventos de que participam em nome do

167

Cristo. Como dissemos acima, o emprego ultrapassado de "doutor" é comum entre os pobres, os sem instrução que associam a palavra a um status social ou a um nível de autoridade superior ao seu. Estratificações sociais que não se coadunam com o Evangelho. Enquanto houver líderes espíritas que não se reconheçam como indivíduos comuns e acreditem merecer o tratamento cerimonioso, submetido às formalidades dos protocolos sociais, com cuidadosa discriminação em vários graus de adequação e propriedade, indiscutivelmente refletirá a prova de seu "potencial doutrinário" e "superioridade moral", incentivando comportamentos distorcidos das propostas cristãs. É bastante conhecida a influência que os endinheirados desempenham nos diferentes domínios da sociedade, e também no movimento espírita. Fragmentos dos poderosos acabaram assumindo postos de autoridade nas federações e centros espíritas. E como idolatram os prestígios sociais, os títulos e o assentar-se nos principais espaços dos eventos o desfile do inchaço da vaidade passa a ser apenas um espelho adequado desse antiespiritismo bem em voga dos dias de hoje, onde a barganha pública de “meiguices” é tão somente o verniz da moléstia moral dos que detêm as rédeas do movimento espírita. Os expositores-“doutores" não deveriam olvidar que Chico Xavier, Ivone Pereira, Zilda Gama, Frederico Junior, tanto quanto no passado Léon Denis, não poderiam participar desses congressos pagos conduzidos pela importância dos títulos acadêmicos, sob pena de se perceberem desambientados e constrangidos, por nunca terem possuído uma titulação conferida pelas universidades do mundo. Isso para não citar o próprio Cristo, que não passou da condição de modesto carpinteiro. Por mais respeitáveis os títulos acadêmicos que detenhamos, não hesitemos em nos confundir na multidão para aprender a viver, com ela, a grande mensagem. Não é admissível prosseguirmos escutando expositores espíritas, aplaudidos pelo tratamento de doutores, realizarem preleções jactanciosas de prosperidade enquanto a humanidade estertora na penúria da ignorância das letras.

168

Jorge Hessen jorgehessen.net/blog Referencias bibliográficas: (1) Nos países de língua inglesa, os médicos são chamados de "doctor". Quando escrevem artigos, ou em seus jalecos, no entanto, não empregam o termo, mas apenas o próprio nome, acompanhado da abreviatura M.D. (medical degree), isto é, "formado em Medicina", "médico". (2) O “Aurélio” define os pronomes de tratamento como "palavra ou locução que funciona tal como os pronomes pessoais". Os gramáticos, por sua vez, ensinam que esses pronomes são da terceira pessoa, substituindo o "tu" da segundo pessoa.

Outubro de 2012 DEUS É O AGENTE INILUDÍVEL PARA A EXPLICAÇÃO DA VIDA Abraham Lincoln, o 16° presidente dos Estados Unidos, disse certa vez: “impossível compreender que alguém, contemplando o céu numa noite estrelada, possa dizer que não existe um Criador”. Felizmente há pensadores sensatos que não veem contradição entre a busca para entender as leis da natureza e a fé em uma divindade superior. Em 1921, Albert Einstein foi perguntado pelo rabino H. Goldstein, de New York, se acreditava em Deus e redarguiu: "Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens. Essa

169

convicção, profundamente emocional na presença de um poder racionalmente superior, que se revela no incompreensível universo, é a ideia que faço de Deus". (1) Em que pese desgostar os ateus, encorparemos mais alguns depoimentos de grandes sábios da ciência humana: O genial Isaac Newton afirmou que “a maravilhosa disposição e harmonia do universo só pode ter tido origem segundo o plano de um Ser que tudo sabe e tudo pode. Isso fica sendo a minha última e mais elevada descoberta". Voltaire falou para alguns fanáticos de seu tempo: “Eu creio em Deus, apesar de tudo que me dizem para acreditar nele.” O filósofo da Crítica da Razão Pura – Emmanuel Kant – aclamou: “Não creio no Deus que os homens criaram, mas no Deus que criou os homens”. Max Planck, fundador da teoria quântica, proferiu o seguinte: “após minhas pesquisas sobre o átomo concluí que toda matéria é originada e composta por uma única força. Temos que aceitar um Espírito consciente e inteligente atrás desta força. Não me envergonho em denominar este Criador misterioso do mesmo modo, como foi em todos os antigos povos civilizados da terra das eras passadas: DEUS. Thomas Alva Edison, inventor da lâmpada e com 2.332 patentes registradas, declarou: "tenho enorme respeito e a mais elevada admiração por todos os engenheiros, especialmente pelo maior deles – Deus". Wernher Von Braun, principal pesquisador no desenvolvimento de foguetes, admitiu: “quanto mais compreendesse a complexidade da estrutura atômica, a natureza da vida ou o caminho das galáxias, tanto mais encontrava razões novas para se assombrar diante dos esplendores da criação divina". Deparamos outros contextos possantíssimos para comprovação da existência de Deus. Consideremos a obra “Seven Reasons Why a Scientist Believes in God By” (Sete razões pelas quais um cientista acredita em Deus) de autoria do cientista Abraham Cressy Morrison, ex-presidente da Academia de Ciências de Nova York, livro bastante sondado por expositores de várias religiões, inclusive oradores espíritas. No livro, Cressy argumenta: “será que a Terra, a Lua, o Sol, o mar são decorrências do acaso? Por meio do princípio matemático podemos demonstrar que o mundo foi projetado e executado por uma Grande Inteligência de

170

engenharia. Há uma coerência matemática para o equilíbrio e manutenção da vida. A Terra tem inclinação de 23 graus, evento que permite as 4 estações; se não fosse inclinada, massas de ar oceânicas deslocariam de norte a sul e gelos antárticos escorreriam pela crosta, levando tudo de roldão, transformando o planeta em continentes de gelo.”(2) A Terra gira em seu eixo a 1.600 km por hora no Equador; se girasse 160 km por hora, nossos dias e noites seriam dez vezes mais longos e o Sol possivelmente incineraria a vegetação de dia enquanto a noite longa congelaria qualquer broto que resistisse. Se por acaso a distância da Lua não fosse de aproximadamente de 380 mil km, mas de tão somente 150 mil km, a vida seria impossível na Terra, porque a pressão magnética que o satélite exerce sobre os mares faria levantar ondas tão elevadas, banhando os picos mais altos do Himalaia, as marés e preamares destruiriam inteiramente a vida terrena. “A camada atmosférica tem uma espessura de aproximadamente 80 km (3); se fosse mais estreita 10 km, a vida no orbe seria impraticável, pois são arremessados sobre a Terra diariamente cerca de 50 milhões de aerólitos e meteoritos, que se não fossem desintegrados no cinturão atmosférico ocorreriam incêndios e destruições inomináveis, e a vida na Terra seria impossível. Bastaria que o fundo do mar fosse mais profundo apenas 3 metros e a vida seria impossível, porque o oxigênio do ar seria absorvido e se, por acaso, fosse mais raso 2 metros o gás carbônico , o argônio, o xenônio e o neônio seriam absorvidos pelas águas oceânicas, eliminando toda forma de vida.” (4) A extensão que separa a Terra do Sol é de quase 150 milhões km, possibilitando-nos apropriada sensação de calor, nem insuficiente, nem demasiada para a vida, porque o Sol tem uma temperatura superficial de 6.648º centígrados. Assim, se a Terra estivesse mais próxima, seria destruída pelo calor; se estivesse mais afastada, seria destruída pela falta do calor, dos raios ultravioletas e infravermelhos, que mantêm o equilíbrio metabólico na vida orgânica. A Existência de Deus é justificada pela Lei da exuberância da vida. Mas o que é a vida? Bem, a vida é um arquiteto admirável, que alça nas profundezas submarinas os castelos de algas e de corais. A vida é um

171

formidável escultor, que constrói cada folha e talha ramículos e contornos jamais repetidos em qualquer outra flor ou folha encontrada na Terra. A vida é um químico sublime, que confere a cada fruta o seu sabor peculiar e inconfundível, e através das raízes entranhadas nos solos consegue converter água em açúcar e madeira. A vida é um perfumista primoroso que transforma o húmus em fragrância. Porém, onde está a vida? A vida está no ar, na terra, no mar, nas montanhas, nas flores, nas estrelas. A vida está no protoplasma, uma gota gelatinosa invisível a olho nu, que na cabeça de alfinete comportaria 1 milhão de gotículas. Se por acaso toda a vida – animal, vegetal, humana – desaparecesse da face da Terra e ficasse um só protoplasma e um raio de sol, o heliotropismo (5) restabeleceria a vida através da lei da cissiparidade, e essa única gotícula se multiplicaria sucessivamente, e em breve estariam os campos e prados reverdecidos, os mares e rios povoados, a Terra povoada, na ninharia de alguns milhões de anos apenas. Ah! o processo do surgimento de seres humanos deu-se há aproximadamente 50 mil anos, e apesar disso pode ser considerado um tempo curto, comparado aos 600 milhões de anos quando surgem os primeiros seres unicelulares. Deus decorre da inexplicabilidade do instinto dos animais. Vejamos: O João-de-barro, por exemplo, quando chega a época do acasalamento, sobe a árvore e ali ergue o seu ninho; mas antes de assentar a porta, ele empoleira no galho mais alto e embica na direção dos ventos, para descobrir de qual direção emanarão os ventos invernais a fim de instalar a porta do lado oposto ao do vendaval, visando preservar a sua prole. E não erra nunca a direção dos ventos. O salmão vive anos no mar, depois retorna para o próprio rio onde nasceu. Se for alterado o afluente ele saberá corrigir a rota e encontrar o lugar certo. O que o dirige? E o prodígio das enguias (são peixes em forma de serpente?). As enguias só se reproduzem em águas profundas e frias. Quando vão procriar abandonam todos os mares, o lagos, os rios do mundo e nadam na direção das águas abissais das Ilhas Bermudas. Ali procriam e morrem. Mas seus descendentes sabem, por instinto, de onde vieram seus pais e fazem a viagem de volta para habitar as águas de onde

172

vieram seus antepassados. Os piscicultores e pescadores atestam que nunca localizaram extraviadas “enguias americanas” em águas europeias e vice-versa. (6) O Homem tem algo mais que instinto animal – o poder da razão. Nenhum outro animal alguma vez deixou um registro de sua habilidade para contar dez ou até mesmo entender o significado de dez. Onde está o instinto, como em uma única nota de uma flauta, bonita, mas limitada, o cérebro humano contém todas as notas de todos os instrumentos na orquestra. Graças à razão humana podemos contemplar a possibilidade que nós somos o que somos porque temos uma centelha da Inteligência Universal. As provisões para todos os seres são vistas como nas maravilhas dos genes. Tão minúsculos são os genes (cromossomos) que, se cada um dos seres humanos fosse reduzido a um cromossomo, e todos fossem colocados juntos, caberiam num dedal de costureira. No dedal seriam colocadas todas as características individuais de 7 bilhões de humanos. A concepção de Deus veio de uma faculdade divina do homem, única como o resto do nosso mundo – a faculdade da imaginação. Deus é cientifica e imaginativamente comprovado. O Sol tem um volume de 1.300.000 vezes maior que a Terra; a Lua dista em torno de 380 mil quilômetros; Marte está a cerca de 56.000.000 de quilômetros distante da Terra na época de sua maior aproximação; Capela é 5.800 vezes maior do que o nosso planeta; Canópus tem um brilho oitenta vezes superior ao Sol. Somente se enxergam a olho nu 5 mil estrelas, ou melhor, 2.500, porque as outras 2.500 estarão do outro lado do planeta; se usarmos de um binóculo poderemos ver 15 mil estrelas; se usarmos de um telescópio doméstico, poderemos ver 150 mil estrelas e se usarmos o telescópio de Monte Palomar, poderemos ver 30 milhões de estrelas em nossa Via Láctea. Através do observatório de radioastronomia da Alemanha, observamos que a nossa Via Láctea tem mais de 100 bilhões de estrelas. Existem trilhões de galáxias maiores do que a nossa. A luz do Sol, viajando a uma velocidade de cerca de 300 mil km/s, chega até aqui aproximadamente 7 minutos e 8 segundos depois de ter partido de lá. Alpha de Hércules é uma estrela 80 mil vezes maior do que o Sol. Um quasar chega a ter uma

173

radiação 300 bilhões de vezes mais potente que a do sol; a sua luz percorre mais de 15 bilhões de anos-luz para chegar até nós! Impossível explicar a vida sem a crença na existência de um Planejador Consciente. Seria não científico e irracional conferir à vida uma procedência aleatória. As características do universo e dos seres vivos são racionalmente esclarecidas através de um Agente Inteligente, e não por normas físicas e processos casuais inteiramente fortuitos. A Doutrina dos Espíritos recusa a fé cega e defende, com contextos, a fé racional, conduzindo as pessoas a não crerem, simplesmente por terem uma crença qualquer, mas, a saber, porque creem em algo. Uma das básicas questões espíritas é demonstrar científica e filosoficamente a existência de Deus. Jorge Hessen http://jorgehessen.net/blog Referências bibliográficas: (1) Citado em Golgher, I. O Universo Físico e humano e Albert Einstein, B.H: Oficina de Livros, 1991, p. 304. (2) Morrison ,Abraham Cressy. Seven Reasons Why a Scientist Believes in God By , Former President of the New York Academy of Sciences, Matéria publicada no Jornal Americano "The State", Carolina do Sul e "The Daily Ardmoreite", Oklahoma, USA, disponível nos sites < http://www.sivanandadlshq.org/messages/sciblgod.htm> e acessos em 08/10/2012 (3) Atmosfera - atmos (gás) + sfera (esfera) ou seja , esfera gasosa, que envolve a Terra. Alguns documentos estimam sua espessura em 800 km. Exerce um papel fundamental na manutenção da temperatura, e da vida planetária. Ao nível do mar, é constituída de 78% de nitrogênio, 21% de oxigênio e apenas 1% de outros gases (argônio, xenônio, neônio, gás carbônico), etc., além de poeira. Está estruturada em três camadas mais ou menos quentes, separadas por duas camadas relativamente frias. Uma das divisões mais aceita de suas camadas é: troposfera (16 km de altitude) , estratosfera (espessura de cerca de 40 km), mesosfera (estende-se até

174

aproximadamente 85 km de altura), ionosfera (cerca de 80 km de altitude) e exosfera (começa após uns 500 km e continua até se confundir com o espaço interplanetário.). (4) ________ ,Abraham Cressy. Seven Reasons Why a Scientist Believes in God By , Former President of the New York Academy of Sciences, Matéria publicada no Jornal Americano "The State", Carolina do Sul e "The Daily Ardmoreite", Oklahoma, USA, disponível nos sites < http://www.sivanandadlshq.org/messages/sciblgod.htm> e acessos em 08/10/2012 (5) É um tipo de fototropismo, resposta de um organismo a uma fonte de luz. (6) ________ ,Abraham Cressy. Seven Reasons Why a Scientist Believes in God By , Former President of the New York Academy of Sciences, Matéria publicada no Jornal Americano "The State", Carolina do Sul e "The Daily Ardmoreite", Oklahoma, USA, disponível nos sites < http://www.sivanandadlshq.org/messages/sciblgod.htm> e acessos em 08/10/2012

175

Outubro de 2012 PALESTRAS REALIZADAS NA INTERNET (PALTALK) PALESTRA FIXAÇÃO MENTAL PARTE1 CLIQUE AQUI http://jorgehessen.net/paltalk/hessen-fixacao-mental-1.zip PALESTRA FIXAÇÃO MENTAL PARTE2 CLIQUE AQUI http://jorgehessen.net/paltalk/hessen-fixacao-mental-2.zip PALESTRA FIXAÇÃO MENTAL PARTE3 CLIQUE AQUI http://jorgehessen.net/paltalk/hessen-fixacao-mental-3.zip PALESTRA FIXAÇÃOMENTAL PARTE4 CLIQUE AQUI http://jorgehessen.net/paltalk/hessen-fixacao-mental-4.zip PALESTRA FIXAÇÃO MENTAL PARTE 5 CLIQUE AQUI http://jorgehessen.net/paltalk/hessen-fixacao-mental-5.zip PALESTRA SOBRE PRÁTICAS UMBANDISTAS CLIQUE AQUI http://jorgehessen.net/paltalk/hessen-praticas-umbandistas-no-centroespirita.zip PALESTRA SOBRE A MÃE E A FAMÍLIA CLIQUE AQUI http://jorgehessen.net/paltalk/hessen_mae_e_familia.zip PALESTRA SOBRE MEDIUNIDADE CLIQUE AQUI http://jorgehessen.net/paltalk/hessen_mediunidade.zip PALESTRA SOBRE SUICÍDIO CLIQUE AQUI http://jorgehessen.net/paltalk/hessen_suicidio.zip PALESTRA SOBRE VIDA E SEXO PARTE 1 CLIQUE AQUI http://jorgehessen.net/paltalk/hessen_vida_e_sexo_1.zip PALESTRA SOBRE VIDA E SEXO PARTE 2 CLIQUE AQUI http://jorgehessen.net/paltalk/hessen_vida_e_sexo_2.zip PALESTRA SOBRE VIDA E SEXO PARTE 3 CLIQUE AQUI http://jorgehessen.net/paltalk/hessen_vida_e_sexo_3.zip

176

PALESTRA REALIZADA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS http://jorgehessen.net/paltalk/camara-dos-deputados-palestra-parte-1.m

Outubro de 2012 ENTREVISTA - JORNAL VERDADE E VIDA Por Renata Girodo/São Paulo Jornal Verdade e Vida: Defina mediunidade e os diferentes tipos que podem se apresentar. Jorge Hessen: Podemos definir mediunidade como a capacidade que temos de perceber a influência ou ensejar a comunicação dos Espíritos. Em o Livro dos Médiuns - cap. XIV, Allan Kardec assegura serem raros os que não têm essa percepção. Para Emmanuel, é aquela luz que seria derramada sobre toda carne. É atributo do Espírito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral da criatura terrena. Em algumas pessoas a mediunidade é ostensiva e precisa ser disciplinada; noutras jaz latente, podendo revelar-se episódica. Numa definição mais circunscrita, a mediunidade tem um aproveitamento mais limitado, aplicando-se às pessoas dotadas de uma capacidade intercessora, seja para a produção de efeitos físicos, seja para transmitir o pensamento dos Espíritos pela escrita ou pela palavra. Para o Codificador, a mediunidade de efeitos físicos são as materializações, curas, transfiguração, pneumatofonia, pneumatografia, e a mediunidade de efeitos intelectuais são a intuição, psicografia, psicofonia, vidência, audiência, dentre outras. Jornal Verdade e Vida: Em sua opinião, a mediunidade pode se apresentar em todas as religiões? Por que ainda existe uma resistência de outros credos ao termo mediunidade?

177

Jorge Hessen: Sim! Relembremos que a mediunidade é a “luz que seria alastrada sobre toda carne”, consoante anunciado por Jesus. A oposição de outros credos quanto à mediunidade conferimos basicamente à superstição e a falta de informação correta sobre a fenomênica mediúnica. Cremos que, quando os seguidores de outras designações religiosas compreenderem que o Cristo sancionou a mediunidade para todos os seus seguidores, a partir de então as suas igrejas beberão nas fontes límpidas dos fenômenos psíquicos, beneficiando-se com as suas imarcescíveis luzes. Jornal Verdade e Vida: Você acredita que ainda hoje médiuns que não entendem o seu dom podem ser enviados a clínicas de repouso, sendo considerados com problemas psicológicos e mentais? Jorge Hessen: Com certeza! Dificuldades psicológicas e mentais podem ter vinculação com a obsessão (mediunidade torturada) que, mormente altera-se em demência, não só porque a lei das provações também o decreta, como igualmente na suposição de o obsedado oferecer-se voluntariamente ao embaraço das forças negativas do além que o circundam, elegendo essa espécie de provas. Jornal Verdade e Vida: Existe diferença entre a mediunidade natural e a desenvolvida? Jorge Hessen: Considerando que mediunidade é a “luz derramada na carne”, então ela é natural, e portanto inerente a todos os homens. Nenhuma pessoa necessitará forçar o “desenvolvimento” da mediunidade, até porque, nesse território, toda a espontaneidade é imperiosa. É extremamente importante expor que a mediunidade não pode ser produto de afoiteza em qualquer setor da atividade doutrinária, pois que, em tal contexto, avigoramos a lembrança de que toda a espontaneidade é imprescindível, ponderando-se sempre que as empreitadas mediúnicas são conduzidas pelos instrutores do plano espiritual. Jornal Verdade e Vida: Como a mediunidade surge nas crianças e como ela deve ser tratada? Jorge Hessen: A mediunidade pode surgir espontaneamente em qualquer idade. Cremos que na criança há inconveniência do exercício da faculdade por ser muito perigoso, pois seu organismo frágil e delicado padeceria de

178

sequelas. Por isso os pais prudentes devem afastá-las dessas ideias. Exceção feita, porém, segundo Kardec aclara no Cap. XVIII, as crianças que são médiuns inatos, quer de efeitos físicos, quer de escrita e de visões. Nesse caso, quando numa criança a faculdade se mostra espontânea, é que está na sua natureza e que a sua constituição se presta a isso. O mesmo não acontece quando é provocada e sobre-excitada. Note-se que a criança que tem visões geralmente não se impressiona com estas, que lhe parecem coisa naturalíssima, a que dá muito pouca atenção e quase sempre esquece. Mais tarde o fato lhe volta à memória e ela o explica facilmente, se conhece o Espiritismo. Jornal Verdade e Vida: Qual o mecanismo de desenvolvimento de mediunidade nos nossos irmãos menores – os animais? Jorge Hessen: Os animais, por não possuírem a faculdade do raciocínio, não têm capacidades mediúnicas conforme entendemos. Apesar disso, determinados animais têm sensibilidades psíquicas rudimentares, harmônicas à sua condição evolutiva, pelo meio das quais podem “perceber” Espíritos. Em O Livros dos Médiuns, Cap. XXII, abeira-se do tema certificando que Espíritos podem tornar-se visíveis e tangíveis aos animais e, muitas vezes, o medo súbito que os animais denotam é determinado pela visão de Espíritos mal-intencionados em relação aos humanos presentes, lembrando porém, que nesse caso é sempre necessário o concurso, consciente ou inconsciente, de um médium humano, porque é imprescindível a união de fluidos magnéticos análogos, o que não existe nem nos animais (irracionais), nem na matéria grosseira. Jornal Verdade e Vida: Explique sobre o propósito da mediunidade, e como os médiuns auxiliam os encarnados e desencarnados. Jorge Hessen: O principal desígnio da mediunidade, sobretudo a ostensiva, é a correção dos desacertos praticados, nesta vida e noutras encarnações. Considerando que o médium precisa praticar os valores cristãos para ser leal ao seu programa espiritual, vai ajustando as tendências de reassumir os erros contidos no pretérito recente ou remoto. O atendimento pela psicografia, psicofonia, seja para orientação de encarnados ou de desencarnados, cura física e espiritual, clarividência ou clariaudiência ou qualquer outra manifestação mediúnica, está sempre

179

permitindo ao médium a correção dos seus defeitos, ao mesmo tempo m que traz consolo e ensinamento a todos os necessitados. Jornal Verdade e Vida: O que você pensa a respeito de pessoas que se utilizam da mediunidade, cobrando para fazer intercessões ao mundo espiritual? Jorge Hessen: Se um médium resolve fazer da mediunidade uma fonte de renda material, será mais prudente olvidar suas potencialidades psíquicas e não se arriscar pelo chão delicado dos assuntos espirituais. A mercantilagem no trato dos capítulos intensos da alma institui um comércio delinquente, do qual o médium imprevidente precisará aguardar no amanhã os resgates mais sinistros. Jornal Verdade e Vida: Como o médium poderá controlar a manifestação de espíritos em ambientes não adequados? Jorge Hessen: Depende da estatura moral do médium. O centro espírita, em tese, não pode ser apenas uma construção de cimento e tijolo. Não é o ambiente físico que influencia o exercício mediúnico, mas a postura moral do médium e do grupo. Uma Casa Espírita bem dirigida tende a se saturar das vibrações favoráveis para o intercâmbio com o além; porém, lamentavelmente há gravíssimos conflitos ideológicos e pessoais em vários núcleos espíritas, e nesses casos não recomendaria a prática mediúnica de nenhuma espécie, exceto a oração e o “jejum” mental. Execramos o conceito do tal “fora do centro espírita não há salvação”. Nossas grandes inspirações para escrever ocorrem dentro de nossa casa. Os grandes médiuns desempenharam tarefas de psicografia fora do Centro Espírita - basta lembrarmos que O Livro dos Espíritos foi recebido em reuniões familiares. Se examinarmos médiuns como Ivone Pereira, Chico Xavier, Zilda Gama, Frederico Junior, e mesmo as obras da codificação, notaremos reuniões mediúnicas e recebimento de mensagens em lugares muito diferentes de um Centro Espírita. É bem verdade que para o médium ter um horário fixo, um grupo definido, um ambiente específico para essa finalidade, o centro pode facilitar a tarefa - não pela edificação material, mas pela disposição mental em que devem se achar os médiuns para isso. Naturalmente há tarefas complexas, como a desobsessão, por exemplo, que segundo creio,

180

o ideal seja realizado impreterivelmente no Centro Espírita. Jornal Verdade e Vida: Todos os médiuns conseguem ouvir e ou enxergar os seus guias espirituais, ou essa ação é variável? Jorge Hessen: Há os que ouvem espíritos através de uma espécie de voz interior, que se faz ouvir no foro íntimo, mas há os que podem ouvir a voz exterior, clara e distinta, qual a de uma pessoa encarnada. Nesse caso, podem até mesmo travar conversação com os Espíritos. Para o Codificador, essa faculdade é muito agradável quando o médium ouve apenas Espíritos bons; já não o é quando um Espírito mau se lhe agarra, fazendo-lhe ouvir a cada instante as coisas mais desagradáveis e não raro as mais inconvenientes. Quanto aos médiuns videntes, alguns poucos gozam dessa faculdade em estado normal, quando perfeitamente acordados. Kardec ressalta no Livro dos Médiuns que raro é que a vidência se mostre permanente – quase sempre é efeito de uma crise passageira. A faculdade de ver os Espíritos pode ser desenvolvida, mas é uma das de que convém esperar o desenvolvimento natural, sem o provocar, em não se querendo ser joguete da própria imaginação. Para o Codificador, médiuns videntes propriamente ditos são raros e há muito que desconfiar dos que se inculcam possuidores dessa faculdade. É prudente não se lhes dar crédito, senão diante de provas positivas. E fora de dúvida que algumas pessoas podem enganar-se de boa-fé, porém outras podem também simular essa faculdade por amor-próprio ou por interesse. Jornal Verdade e Vida: O tipo de mediunidade mais popular é a psicografia? Você acredita que Chico Xavier foi o principal divulgador dessa técnica? Jorge Hessen: Entendemos que a mais notória das mediunidades seja a psicografia, e Francisco Cândido Xavier o mais admirável médium psicógrafo de todos os tempos. Jornal Verdade e Vida: Como diferenciar experiências fora do corpo e as viagens ao plano espiritual dos sonhos? Jorge Hessen: Pronunciam os Espíritos que uma experiência fora do corpo pode ser natural ou provocada. Deste modo, através do desdobramento podemos “percorrer” espaços imensuráveis com a velocidade do

181

pensamento e nos deslocar para confins remotos (Europa por exemplo, e visitarmos um parente encarnado). Entretanto, qualquer “viagem” para as chamadas colônias espirituais, acreditamos ser tarefa mais intricada – urge um “passaporte” dos Benfeitores que outorgam ou não o acesso, e o fato pode advir durante o sono. Jornal Verdade e Vida: Por que comer carne vermelha pode trazer prejuízos à energia do médium no momento do passe ou da ajuda aos desencarnados na mesa mediúnica? Jorge Hessen: Conquanto os Benfeitores não desaprovem a alimentação animal, segundo questão 723 do Livro dos Espíritos, não recomendamos a ingestão de carne nos dias de tarefas mediúnicas. Os Bons Espíritos corroboram nossa assertiva quando ilustram na questão 724 que é importante privar-nos de comer carne em benefício dos outros. Emmanuel explana no item 129 do livro O Consolador que o consumo de carne é um vício de nutrição de enormes consequências, por isso devemos trabalhar pelo advento de uma Nova Era em que dispensaremos a alimentação dos despojos sangrentos dos animais. Jornal Verdade e Vida: No mundo de regeneração pelo qual a terra passará você acredita que a ciência comprovará a existência da mediunidade? Jorge Hessen: A comprovação da mediunidade será a grandiosa tarefa da ciência. Cremos que será uma das profundas conquistas científicas, objetivando despertar e iluminar a consciência humana, de modo que o homem se recomponha como ser integral (matéria e espírito) e próspero período de vida social se exprima na Terra, em lares espiritualizados, para a nova era da Humanidade. Jornal Verdade e Vida: Deixe uma mensagem final aos leitores do Jornal Verdade a Vida. Jorge Hessen: Instruem-nos os Benfeitores que o médium sem Evangelho pode prover os mais erguidos subsídios para a filosofia e ciência humanas; mas não poderá ser um missionário pelo coração. O médium evangelizado consegue aperfeiçoar a modéstia no amor às empreitadas do cotidiano, na tolerância iluminada, na diligência educativa de si mesmo, conseguindo também erguer-se para a defesa da sua tarefa de amor,

182

protegendo a verdade sem contemporizar com os princípios no momento oportuno. O apostolado mediúnico, segundo Emmanuel, exige o trabalho e o sacrifício do coração, onde a luz da comprovação e da referência é a que nasce do entendimento e da aplicação com Jesus-Cristo. Obrigado!

Outubro de 2012 ORIENTAÇÃO AO CENTRO ESPÍRITA - USE A União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE), entidade federativa coordenadora e representativa do movimento espírita do Estado de São Paulo, no Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, em reunião do seu Conselho Deliberativo Estadual, realizada em 8 de junho de 2008, aprovou a declaração "Orientação ao Centro Espírita". Orientação ao Centro Espírita O trabalho Federativo e de Unificação do Movimento Espírita é uma atividade-meio que tem por objetivo fortalecer, facilitar, ampliar e aprimorar a ação do Movimento Espírita em sua atividade-fim, que é a de promover o estudo, a difusão e a prática da Doutrina Espírita. Decorre da união fraterna, solidária, voluntária, consciente e operacional dos espíritas e das Instituições Espíritas, através da permuta de informações e experiências, da ajuda recíproca e do trabalho em conjunto. É fundamental para o fortalecimento, o aprimoramento e o crescimento das Instituições Espíritas e para a correção de eventuais desvios da adequada prática doutrinária e administrativa. O estudo constante da Doutrina Espírita com base nas obras de Allan Kardec e o propósito permanente de colocar em prática os seus ensinos, são fundamentos para a correta execução de toda atividade espírita. O

183

Espiritismo não possui qualquer forma de culto, não se ocupa de dogmas particulares, não tem hierarquia sacerdotal, sacramentos, rituais ou idolatrias. A direção dos trabalhos, quando possível, poderá ser feita na forma de rodízio ou revezamento, visando ao espírito de equipe e à preparação de seus colaboradores. A astrologia, piramidologia, quiromancia, radiestesia, tarô, numerologia, apometria, cromoterapia, reiki e cristalterapia são práticas respeitáveis, mas cada qual dentro das suas próprias Doutrinas, pois não são adotadas pela Doutrina Espírita. (GRIFAMOS) Com estas considerações, registramos algumas recomendações: Agir de tal modo a não permitir, mesmo indiretamente, o profissionalismo religioso, quer na prática da mediunidade e quer na direção de instituições espíritas. “Quando um médium se resolva a transformar suas faculdades em fonte de renda material, será melhor esquecer suas possibilidades psíquicas e não se aventurar pelo terreno delicado dos estudos espirituais. A mediunidade não é ofício do mundo...” (questão 402, O Consolador, Chico Xavier). “Dai de graça o que recebestes de graça”.Jesus. (ESE, cap. XXVI, itens 1 e 2) Livros de auto-ajuda e outras literaturas que estão em desacordo com a Doutrina Espírita não são recomendados para serem oferecidos ou expostos ao alcance do público freqüentador do centro espírita. Convidar para proferir palestras apenas pessoas reconhecidamente espíritas e conhecidas dos dirigentes do centro espírita, para não proporcionar, inadvertidamente, apresentação de princípios não condizentes aos postulados espíritas. Precaver-se de autores de livros e outras produções espíritas e/ou espiritualistas que possuem um serviço de oferecimento de palestras, com finalidade comercial, pois nem sempre têm compromisso com a filosofia e princípios espíritas. Também, há que se atentar para o conteúdo dos programas lítero-musicais oferecidos às instituições espíritas. União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE) Aprovada pelo Conselho Deliberativo Estadual, em 8 de junho de 2008.

184

PUBLICADA NO JORNAL DIRIGENTE ESPÍRITA, julho/agosto de 2008 (veículo de comunicação da USE)

107,

Novembro de 2012 A REVISTA AURORA PUBLICOU ESPIRITISM0 - 155 ANOS (ALGUNS COMENTÁRIOS) Meio século após a Revolução Francesa, também no palco da grande demanda popular, o professor Rivail, com o aporte dos luminares Benfeitores do além, publicava o livro que apontaria o alvorecer de distinta, porém ampla revolução aos franceses e ao mundo. Desta vez, uma insurreição intrínseca, sucessiva e silenciosa, por consubstanciar na intimidade de cada indivíduo. Estava sendo oferecido à Humanidade O Livro dos Espíritos, numa clara manhã de primavera sob o pulsar da Estrela Maior, regente do sistema planetário, que alberga a humanidade. Era o dia 18 de abril de 1857, no majestoso Palais Royal, na Rua de Rivoli, Galeria d' Orleans, número 13, exatamente na Livraria E. Dentu, que é publicado o primeiro livro espírita, contendo os excelsos postulados da Terceira Revelação. Ante este espetáculo transcendente surgia a Doutrina Codificada pelo gênio de Lyon, Allan Kardec. O Livro dos Espíritos é acatado pelos estudiosos como a insigne literatura da mais avançada Filosofia que se tem notícia na História terrestre, pois aborda temas que raiam todas as províncias do conhecimento. Com o notável livro inaugura-se a Era do Espírito e da Fé Racional. Um dos pontos culminantes da extraordinária obra espírita é o preceito da lei das vidas sucessivas (reencarnação), recomendando abonar a realidade

185

de que não encarnamos uma só vez, mas, tantas e quantas forem necessárias a fim de nos tornarmos seres perfeitos e portadores das mais nobres qualidades intelectuais, morais e espirituais. Cento e cinquenta e cinco anos se esvaíram, e nesta quadra em que a badalação na mídia, em especial no cinema e na televisão, se destaca como fator de publicidade doutrinária, constituindo em novo campo de disputa no espaço público, o Espiritismo vem alargando sua inserção social entre as camadas de classe sociais de todos os segmentos. Doutrina de educação moral e de liberdade, propõe a revisão de modelos comportamentais, assumindo-se valores verdadeiros e imorredouros, como humildade, honestidade, dignidade, amor ao próximo e outras virtudes como sendo a fórmula revolucionária de melhoria progressiva da Humanidade. Nesses 155 anos, quando muitos confrades e instituições se movimentam para comemorações ao longo de 2012, cabível advertir que não bastam as manifestações exteriores alusivas ao Espiritismo e as reuniões de congraçamento de grande número de pessoas. Mais importante de tudo será o alcance em profundidade que essa mensagem de renovação e de esperança se dê em nós, para que movimente-nos a intimidade, impulsionando-nos no dia-a-dia para uma vivência em plena consonância com as proposições de Jesus. Para esse mister torna-se imperioso mantermos o Espiritismo com a pureza essencial, aos moldes do Cristianismo nascente, sem permitir que sejam incorporadas práticas estranhas ao projeto dos Espíritos Superiores. A unidade doutrinária foi a única e derradeira divisa de Allan Kardec, por ser a fortaleza intransponível do Espiritismo. Para tornarmos o Espiritismo inexpugnável, urge munir-nos contra a infiltração nas fileiras espíritas de ideologias discutíveis, ligadas a movimentos incompatíveis com os sãos princípios e com as finalidades essenciais da Doutrina. Por essa razão, e por não ser tarefa das mais fáceis, os chamados órgãos “unificadores” ainda encontram extremas dificuldades em realizar o ideal sonhado por Bezerra de Menezes na Pátria do Evangelho. Isto porque as trevas são extremamente poderosas e organizadas, e assestam suas armas para destruir o projeto doutrinário, incrementando, por exemplo, a

186

publicação de livros “espíritas” que jamais deveriam existir nas hostes doutrinárias. Recordemos que por força dos interesses aristocráticos, financeiros e de poder pessoal, a mensagem do Cristo sofreu no decorrer dos séculos um desgaste irreparável. A atual liderança do Movimento Espírita permanece claudicando, rejeitando e desviando o Projeto do Espiritismo, promovendo pomposos e ricos congressos não GRATUITOS, eventos em que “escritores” insignificantes (mascates de livros), expõem vergonhosamente seus livros via “noites de autógrafos”, mirando projetar seus “nomes” definitivamente na galeria da fama. Infelizmente alguns líderes espíritas vão adequando a proposta doutrinária às suas ambições e prepotências, corrompendo os textos da codificação, escondendo o tirocínio histórico do mestre lionês e dos seus cooperadores, acarretando para as instituições espíritas comportamentos autoritários, contagiados caprichos e vaidades pessoais. São seres dominados por um dissimulado ranço clerical, ciumentos, intolerantes, e quais vinhos acres e frutos deteriorados, contaminam os mais caros celeiros doutrinários. Porém, tão estáveis são os fundamentos espíritas que, apesar desses desmandos pessoais, a Doutrina Espírita permanecerá com o homem, sem o homem e apesar do homem. Anos se passaram de convite ao amor e à instrução à luz da Terceira Revelação. Atualmente são milhões, em todos os quadrantes do Globo, aqueles que aceitam a convocação, penetram o conhecimento da vida em sua máxima amplitude e grandeza, e estão trabalhando proficuamente para a grande reforma moral, numa revolução silenciosa, porém constante, rendendo preito de gratidão ao Espiritismo, por tudo o que ele já fez e continua fazendo a cada dia pela humanidade. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Leia mais: http://leitoresdojorgehessen.blogspot.com/#ixzz2C3xhpUp9

187

Novembro de 2012 VIOLAÇÃO DO DIREITO AUTORAL??? EMPRÉSTIMO DE LIVRO PELO CENTRO ESPÍRITA É VIOLAÇÃO DO “DIREITO AUTORAL”? Em época de Internet é natural o emprego dos recursos virtuais para pesquisas e estudos. Em face disso, a divulgação das ideias espíritas através dos livros para download não pode ficar condicionada à questão dos “direitos autorais”. À semelhança das bibliotecas dos centros espíritas que emprestam livros doutrinários, há sites espíritas com função de bibliotecas virtuais, sem finalidade de lucro financeiro, disponibilizando para download os livros espíritas gratuitos. Infelizmente esses portais têm esbarrado com a avareza dos negociantes de livros, que sob o jargão da suposta destinação dos lucros financeiros para obras filantrópicas, elevam a bandeira do famoso “direito autoral”, promovendo ameaças ridículas e antidoutrinárias através de intimidações extrajudiciais. (Pasmem!) O movimento espírita transformou-se num negócio lucrativo, em que o comércio de livros doutrinários, CDs, DVDs (de palestras) reflete a cobiça de vendilhões compulsivos. Existem até atacadistas e distribuidores dos livros espíritas, que passam por vários atravessadores até chegarem às mãos de quem verdadeiramente procura o conhecimento, e por motivo do elevado preço muitas vezes não os pode adquirir. Será que tal sovinice alcançará os Centros Espíritas? Será que algum dia, em nome dos “direitos autorais”, as editoras impetrarão mandados extrajudiciais proibindo os empréstimos de livros dos Autores espirituais, contidos nas bibliotecas dos Centros Espíritas?

188

É evidente que a divulgação da Doutrina Espírita deve ser feita em total acatamento às leis do País. Contudo, urge ponderar que a Lei sobre os “Direitos Autorais” foi promulgada em 1998, ou seja, está desatualizada. (1) Destaque-se também que na época da publicação da Lei, a amplitude do mundo cibernético não era satisfatoriamente conhecida. É urgente reconhecer que o mundo virtual tem sido admirável veículo de disseminação dos conteúdos revelados pelo mundo espiritual. Além disso, tem facilitado a democratização da apropriação do conhecimento espírita e a inserção social dos espíritas assalariados. Portanto é inaceitável a proibição das reproduções de livros espíritas pela Internet para fins específicos de pesquisa. A Terceira Revelação não pode demorar-se à mercê dos avarentos e nem dos truanescos interesses do mundo material. Sem ferir os princípios da ética e do respeito aos “direitos” das editoras, cremos que tais comerciantes de livros deveriam estimular e apoiar os divulgadores dos portais (bibliotecas espíritas virtuais) para o exercício do pleno direito da divulgação gratuita dos princípios doutrinários. Até porque, inevitavelmente diversas obras já foram e continuarão sendo digitalizadas e publicadas pelas redes sociais, e se encontram atualmente dispersas e disponíveis através da rede mundial de computadores, sendo inexecutável o controle jurídico desse cenário. Em que pese existirem muitos espíritas excluídos do ambiente virtual, sobretudo aqueles mais pobres, que não possuem computador / internet, e os menos afeitos às tecnologias novas, a Doutrina dos Espíritos tem um colossal papel social e em tempo de Internet é um absurdo a exclusão das leituras virtuais gratuitas para um enorme número de espíritas que não podem comprar livros psicografados caros. Chico Xavier teria se locupletado se se atrevesse a vender os direitos autorais dos mais de 400 livros que psicografou. Porém, cônscio de que os livros não lhe pertenciam, já que procediam de autores espirituais, cedeu de boa fé todos os direitos autorais para algumas privilegiadas editoras que atualmente vendem e (re)vendem, editam e (re)editam as obras psicografadas. O médium de Uberaba doou os direitos autorais convicto de que suas psicografias jamais seriam minas de dinheiro. Em boa lógica!

189

As obras cedidas não podem ser convertidas em lavras de ouro para garimpeiros cobiçosos. Os Espíritos e o médium de Uberaba ansiavam que todas as pessoas indistintamente pudessem ter acesso aos livros cedidos; porém, a voracidade pelo lucro através da monopolização editorial e a majoração de preço das obras psicografadas tem excluído os menos favorecidos da compra dos livros. É inconcebível e inaceitável surgirem no amanhã editoras espíritas cujos donos venham locupletar-se através do comércio das obras psicografadas (presenteadas de mãos beijadas pelo cândido Chico), visando supostamente a divulgação doutrinária e os “serviços de filantropia”. A publicação da literatura espírita, mormente as psicografadas, dispensa as incubações de pré-edições com “provocantes” capas luxuosas e conteúdos velhos, com categoria gráfica requintada, impressão “esplendorosa”, forjando-se aspectos visuais de material inédito, como se fosse uma mensagem saída do forno, mirando com essa estratégia majorar o preço. Onde está o limite dessa exploração comercial? E tem mais: cremos que os legítimos livros espíritas, se comercializados, devem ter preços populares, e sempre que possível, distribuídos gratuitamente aos centros espíritas pobres, ou pelo menos cedidos a preços iguais ao custo de sua confecção. Isso é divulgação espírita para todos, com todos e ao alcance de todos, tão desejada por Chico Xavier. Cremos que o Espiritismo não assenta com interesses comerciais, e a publicação das mensagens do mundo espiritual não pode ser objeto de lucro financeiro, apenas moral. Isso não faz o menor sentido, já que na espiritualidade não precisamos desse artifício do mundo material, que tanto corrompe o homem encarnado. Entendemos que é uma improbidade falar em direitos autorais quando se trata de uma obra espírita psicografada. O seu autor dispensa este recurso, pois não precisa dele. Seu objetivo são a elevação e a educação, fatores essenciais à nossa evolução, e não há como colocar preço nisso. Uma instituição espírita, por mais briosa que seja, por mais filantrópica consistam as suas atividades, seu interesse não pode sobrepor aos objetivos doutrinários da divulgação correta e honesta do Espiritismo,

190

sobretudo através da Internet, que pode proporcionar consolação aos corações e mentes atormentados. Entendemos que a Associação de Editoras Espíritas deveria apoiar a divulgação do Livro Espírita por todas as bibliotecas espíritas virtuais idôneas da Internet, até porque se o Apóstolo de Uberaba fosse encarnado atualmente, criaria um site para divulgar e disponibilizar seus livros a todos os leitores, sem necessitar de qualquer editora para desfrutar de lucros financeiros com o produto da sua psicografia. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referência: Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998

Novembro de 2012 VIOLAÇÃO DO DIREITO AUTORAL PUBLICADO NO JORNAL O BEM EMPRÉSTIMO DE LIVRO PELO CENTRO ESPÍRITA É VIOLAÇÃO DO “DIREITO AUTORAL”? Em época de Internet é natural o emprego dos recursos virtuais para pesquisas e estudos. Em face disso, a divulgação das ideias espíritas através dos livros para download não pode ficar condicionada à questão dos “direitos autorais”. À semelhança das bibliotecas dos centros espíritas que emprestam livros doutrinários, há sites espíritas com função de

191

bibliotecas virtuais, sem finalidade de lucro financeiro, disponibilizando para download os livros espíritas gratuitos. Infelizmente esses portais têm esbarrado com a avareza dos negociantes de livros, que sob o jargão da suposta destinação dos lucros financeiros para obras filantrópicas, elevam a bandeira do famoso “direito autoral”, promovendo ameaças ridículas e antidoutrinárias através de intimidações extrajudiciais. (Pasmem!) O movimento espírita transformou-se num negócio lucrativo, em que o comércio de livros doutrinários, CDs, DVDs (de palestras) reflete a cobiça de vendilhões compulsivos. Existem até atacadistas e distribuidores dos livros espíritas, que passam por vários atravessadores até chegarem às mãos de quem verdadeiramente procura o conhecimento, e por motivo do elevado preço muitas vezes não os pode adquirir. Será que tal sovinice alcançará os Centros Espíritas? Será que algum dia, em nome dos “direitos autorais”, as editoras impetrarão mandados extrajudiciais proibindo os empréstimos de livros dos Autores espirituais, contidos nas bibliotecas dos Centros Espíritas? É evidente que a divulgação da Doutrina Espírita deve ser feita em total acatamento às leis do País. Contudo, urge ponderar que a Lei sobre os “Direitos Autorais” foi promulgada em 1998, ou seja, está desatualizada. (1) Destaque-se também que na época da publicação da Lei, a amplitude do mundo cibernético não era satisfatoriamente conhecida. É urgente reconhecer que o mundo virtual tem sido admirável veículo de disseminação dos conteúdos revelados pelo mundo espiritual. Além disso, tem facilitado a democratização da apropriação do conhecimento espírita e a inserção social dos espíritas assalariados. Portanto é inaceitável a proibição das reproduções de livros espíritas pela Internet para fins específicos de pesquisa. A Terceira Revelação não pode demorar-se à mercê dos avarentos e nem dos truanescos interesses do mundo material. Sem ferir os princípios da ética e do respeito aos “direitos” das editoras, cremos que tais comerciantes de livros deveriam estimular e apoiar os divulgadores dos portais (bibliotecas espíritas virtuais) para o exercício do pleno direito da divulgação gratuita dos princípios doutrinários. Até porque, inevitavelmente diversas obras já foram e continuarão sendo

192

digitalizadas e publicadas pelas redes sociais, e se encontram atualmente dispersas e disponíveis através da rede mundial de computadores, sendo inexecutável o controle jurídico desse cenário. Em que pese existirem muitos espíritas excluídos do ambiente virtual, sobretudo aqueles mais pobres, que não possuem computador / internet, e os menos afeitos às tecnologias novas, a Doutrina dos Espíritos tem um colossal papel social e em tempo de Internet é um absurdo a exclusão das leituras virtuais gratuitas para um enorme número de espíritas que não podem comprar livros psicografados caros. Chico Xavier teria se locupletado se se atrevesse a vender os direitos autorais dos mais de 400 livros que psicografou. Porém, cônscio de que os livros não lhe pertenciam, já que procediam de autores espirituais, cedeu de boa fé todos os direitos autorais para algumas privilegiadas editoras que atualmente vendem e (re)vendem, editam e (re)editam as obras psicografadas. O médium de Uberaba doou os direitos autorais convicto de que suas psicografias jamais seriam minas de dinheiro. Em boa lógica! As obras cedidas não podem ser convertidas em lavras de ouro para garimpeiros cobiçosos. Os Espíritos e o médium de Uberaba ansiavam que todas as pessoas indistintamente pudessem ter acesso aos livros cedidos; porém, a voracidade pelo lucro através da monopolização editorial e a majoração de preço das obras psicografadas tem excluído os menos favorecidos da compra dos livros. É inconcebível e inaceitável surgirem no amanhã editoras espíritas cujos donos venham locupletar-se através do comércio das obras psicografadas (presenteadas de mãos beijadas pelo cândido Chico), visando supostamente a divulgação doutrinária e os “serviços de filantropia”. A publicação da literatura espírita, mormente as psicografadas, dispensa as incubações de pré-edições com “provocantes” capas luxuosas e conteúdos velhos, com categoria gráfica requintada, impressão “esplendorosa”, forjando-se aspectos visuais de material inédito, como se fosse uma mensagem saída do forno, mirando com essa estratégia majorar o preço. Onde está o limite dessa exploração comercial? E tem mais: cremos que os legítimos livros espíritas, se comercializados, devem ter

193

preços populares, e sempre que possível, distribuídos gratuitamente aos centros espíritas pobres, ou pelo menos cedidos a preços iguais ao custo de sua confecção. Isso é divulgação espírita para todos, com todos e ao alcance de todos, tão desejada por Chico Xavier. Cremos que o Espiritismo não assenta com interesses comerciais, e a publicação das mensagens do mundo espiritual não pode ser objeto de lucro financeiro, apenas moral. Isso não faz o menor sentido, já que na espiritualidade não precisamos desse artifício do mundo material, que tanto corrompe o homem encarnado. Entendemos que é uma improbidade falar em direitos autorais quando se trata de uma obra espírita psicografada. O seu autor dispensa este recurso, pois não precisa dele. Seu objetivo são a elevação e a educação, fatores essenciais à nossa evolução, e não há como colocar preço nisso. Uma instituição espírita, por mais briosa que seja, por mais filantrópica consistam as suas atividades, seu interesse não pode sobrepor aos objetivos doutrinários da divulgação correta e honesta do Espiritismo, sobretudo através da Internet, que pode proporcionar consolação aos corações e mentes atormentados. Entendemos que a Associação de Editoras Espíritas deveria apoiar a divulgação do Livro Espírita por todas as bibliotecas espíritas virtuais idôneas da Internet, até porque se o Apóstolo de Uberaba fosse encarnado atualmente, criaria um site para divulgar e disponibilizar seus livros a todos os leitores, sem necessitar de qualquer editora para desfrutar de lucros financeiros com o produto da sua psicografia. Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referência: Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998

194

Novembro de 2012 ANTE A DIFUSÃO ESPÍRITA - ALGUMAS PALAVRAS Considerando a imprensa laica, Emmanuel advertiu: “nunca os círculos educativos da Terra possuíram tanta facilidade de amplificação, como agora, em face da evolução das artes gráficas; jamais o livro e o jornal foram tão largamente difundidos; entretanto, a imprensa, quase de modo geral, é órgão de escândalo para a comunidade e centro de interesse econômico para o ambiente particular, enquanto que poucos livros triunfam sem o bafejo da fortuna privada ou oficial, na hipótese de ventilarem os problemas elevados da vida.” (1) A divulgação espírita atual faz jus ao apoio e o incentivo de todos nós? Sim! Não há como desconhecermos a importância da divulgação doutrinária para a manutenção da chama viva da Terceira Revelação. "O conhecimento espírita, na essência, é tão importante no reino da alma, quanto a alfabetização nos domínios da vida comum".(2) A imprensa espírita é um notável canal de divulgação, capaz de conduzir o leitor às informações fundamentais da nossa realidade doutrinária, balizando-o, vigorosamente, em efetivos projetos de espiritualização. Destarte, é mister que os meios de comunicação estejam compromissados com a ética, com a verdade revelada pelos Espíritos Superiores e com a melhor qualidade dos temas difundidos. Sendo poderoso meio de disseminação das verdades eternas e por dirigirse a dois públicos – o espírita e o não espírita – a mídia kardeciana não deve ultrapassar os limites dos interesses doutrinários e imiscuir-se em altercações políticas ou disputas de lideranças pelo movimento espírita institucionalizado. Para lograr os ideais de convivência pacífica na disseminação das

195

verdades eternas entre pessoas de diferentes convicções, é forçoso fugir do egocentrismo. O Espiritismo é uma doutrina transcendente, destinada a influir na transformação social; por isso, deve tornar-se alteritária, para possibilitar o diálogo fraterno e não-excludente. Não se pode imaginar uma divulgação espírita desatenta ao mundo, enclausurada em si mesma. Não é difícil averiguar que falecem meios de comunicação arejados (jornais, revistas, sites, televisão, rádios), que se pode confiar sem a sensação desagradável de asfixia, de sujeição servil a lideranças extravagantes. A coordenação do movimento espírita coevo estabeleceu um clima de autocensura, reduzindo a divulgação espírita a uma insensibilidade inerme, como se jazesse abafada a uma administração clerical. Nos centros espíritas surgem palradores “estrelas”, funcionais e irrequietos, que transformam tribunas em ribaltas para os holofotes das mídias espíritas, quase sempre expondo a doutrina com superficialidade, aventurando uma cultura de aluguel. Não perdem a menor oportunidade de teatralizarem a palestra com surtos oratórios para extraírem dilúvios de palmas da plateia. Outra realidade é: quanto mais se expande o ciberespaço, mais se amplia o universo da disseminação espírita na sociedade. Daí urge toda cautela para que a veiculação dos preceitos doutrinários, sobretudo virtuais, não venha a se converter em ingente esforço de propagação ideológica, a fim de converter a todos, sob o tacão da insensatez dos espiritismos à moda brasileira. Qual inumana expiação, notamos muito personalismo na difusão do Espiritismo; há muita presunção, prevalecem muitos interesses pessoais sobrepondo-se ao coletivo. Poucos são os articulistas e oradores que têm a audácia e a consistência de se assentarem em amparo do restabelecimento da verdade revelada pelos Espíritos e do comportamento crítico no círculo doutrinário. Infelizmente, a massa popular ainda não entendeu a Doutrina Espírita. O nível baixo da cultura do povo não permitiu o desenvolvimento coerente da doutrina entre os “ilustres” excluídos do sistema elitizante. Quiçá não haja interesse da elite cultural pelo despertar das consciências vulgares, porque senão os aduladores desaparecem. Isso é muito evidente, até porque

196

quanto mais esclarecimentos doutrinários, menos idolatrias, e como se busca shows e aplausos, é preferível "afagar" a todos, a "desgostar" o grande público de idólatras inscientes. E nessa direção a divulgação Espírita vai abafando a orientação do Evangelho Redivivo. Jorge Hessen http://jorgehessen.net/blog Referências bibliográficas: (1) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel, questão 206, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001 (2) Vieira, Waldo. Sol Nas Almas, ditado pelo espírito André Luiz, São Paulo: Ed. Boa Nova, 2010.

197

Dezembro de 2012 COMUNICAÇÃO NA MÍDIA ESPÍRITA CLIQUE AQUI PARA OUVIR A PALESTRA http://www.autoresespiritasclassicos.com/Apostilas/Artigos%20Espiritas %20-%20Jorge%20Hessen/Artigos%20Espiritas%20-%20Jorge %20Hessen.htm

Dezembro de 2012 A família e a educação espírita CLIQUE AQUI PARA OUVIR A PALESTRA http://www.youtube.com/watch?v=REc8PJrx-s0

198

Dezembro de 2012 JESUS, O MESTRE POR EXCELÊNCIA JESUS FOI COM TODA PUJANÇA O MESTRE POR EXCELÊNCIA Entre todos os temas sobre os quais tenho escrito, os mais fascinantes são aqueles em que discorro sobre Jesus. Ele que é a mais elevada expressão humana e a mais mencionada da História. O Mestre foi, é e sempre será, inspiração para os majestosos arranjos literários e sobretudo para obras de arte (música, pintura, teatro, escultura, poesia). Mesmo assim, nenhum vocábulo, fórmula poética, artística, filosófica ou qualquer louvor em Sua memória conseguirá traduzir o que Ele representa para cada um de nós. Ele é a avenida, a veracidade e a existência. Nenhuma pessoa irá ao Criador, senão por Ele. Todos os milhares de volumes dos mais variados livros ditos sagrados Jesus resumiu em uma única citação, que abrange toda a sabedoria e cultura terrestres – amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. O seu desempenho foi o de colossal fanal, fulgurando nossas estradas e mostrando a todos como poderemos obter a felicidade. Foi um Educador por excelência, tanto que foi o único adjetivo que teve o seu apoio, o de Mestre. É verdade! Jesus jamais aceitou qualquer outra qualificação, e o único título que admitiu foi o de ser chamado de Mestre. Verdadeiramente, Jesus foi com toda a pujança o Mestre por excelência. Translúcido como um cristal era o Seu caráter – e no entanto, Ele continua sendo o maior enigma de todos os séculos. Para alguns religiosos, é entronado como uma divindade. O motivo pelo qual alguns consideram Jesus um Semideus, é a sua colossal elevação espiritual. Diante Dele, todos ficamos muito pequeninos, ressaltando-se as nossas

199

deficiências e inferioridades. Perante o Mestre, somos tão nanicos que ele nos parece ser uma Divindade. Daí a confusão de alguns religiosos. Um dos mandamentos inesquecíveis de Jesus está contido no Sermão da Montanha. Nessa belíssima lauda, avaliada por Mahatma Gandhi como a mais pura essência do cristianismo, a ponto de o Iluminado da Índia pronunciar que se um cataclismo extinguisse toda a sabedoria humana, com todos os seus livros e bibliotecas, se restasse apenas o Sermão da Montanha, as gerações futuras teriam nele toda a beleza e sabedoria necessárias para a vida. Jesus é o redentor, o consolador, o diretor planetário, o Profeta, o Mestre. Não adulava os poderosos e não oprimia os excluídos sociais. Não repudiava "madalenas" nem apedrejava “adúlteras” – mas lançava os penitentes verbos de perdão. Por servir ao próximo, com modéstia, sem agressões e arrogâncias, Ele foi tido como insensato e rebelde violador da lei e inimigo da população, sendo escolhido por essa mesma turba para receber com a cruz o glorioso laurel de acúleos. Mas o sacrifício Dele não deve ser apreciado tão somente pela dolorida demonstração do Calvário. A coroa e a cruz representaram o desfecho da obra do Mestre, mas o sacrifício na sua exemplificação se constatou em todos os dias da sua passagem pela Terra. Anunciando as bem-aventuranças à população no monte, não a desvia para a brutalidade, a fim de assaltar o celeiro dos outros. Multiplica, Ele mesmo, o pão que a reconforta e alimenta. Não alicia o povo a reclamações. Recomenda acatamento aos patrimônios da direção política, na circunspecta expressão "a César o que é de César". Evidenciando as apreensões que o vestiam, diante da renovação do mundo íntimo, não se regozijou em assentar-se no trono dos gabinetes, de onde os generais e os legisladores costumam ditar ordens. Desceu, Ele próprio, ao seio do povo e entendeu-se pessoalmente com os velhos e os doentes, com as mulheres e as crianças. A Sua lição fulge como um Sol sem crepúsculo, conduzindo a Humanidade ao Porto da paz! Para a maioria dos teólogos, Ele é objeto de estudo, nas letras do Velho e do Novo Testamento, imprimindo novo rumo às interpretações de fé. Para os filósofos, Ele é o centro de polêmicas e cogitações infindáveis. Conquanto alguns (kardequiólogos) tentem bani-lo do movimento

200

espírita, para nós, ESPÍRITAS, Jesus foi, é e será sempre a síntese da Ciência, da Filosofia e da Religião (tripé do edifício Espírita). A Doutrina dos Espíritos vem colocar o Evangelho do Cristo na linguagem da razão, com explicações racionais, filosóficas e científicas. Sem abandonar o aspecto sensível da emoção que é colocado na sua expressão profunda, demonstra que o sentimento e a razão podem e devem caminhar pela mesma alameda, pois constituem as duas asas de libertação definitiva do homem. Jorge Hessen http://jorgehessen.net

Dezembro de 2012 ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O CAMINHO DA LUZ" O ESPIRITISMO É UMA RELIGIÃO E NÓS NOS UFANAMOS DISSO Esta frase foi dita em novembro de 1868, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, por Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo. Circula pela internet, e também em alguns periódicos espíritas, absurdas críticas à literatura de Emmanuel. Trata-se, sem dúvida, de improfícua tentativa de desmerecer a extraordinária obra do excelso médium Chico Xavier e de entronizar-se a hegemonia ideológica desses agentes da perturbação. Não é preciso fazer um grande esforço para identificar nesses irmãos a carência de sensatez, pelo fato de se encontrarem inteiramente

201

distanciados da Doutrina dos Espíritos, engolfados nas malhas do fascínio obsessivo. Melancólicos críticos de Chico Xavier, Emmanuel e André Luiz, tais confrades permanecem no torpor hipnótico, delirando no interior de uma composição descarrilada que culminou na tolice apontada como "emmanuelismo", patrocinada por “espíritas” que não têm mais o que fazer de útil. Essa ojeriza a Emmanuel há muito existe no movimento Espírita, da mesma forma a aversão a André Luiz, desde a publicação do livro Nosso Lar. Recentemente, deliberamos assistir a uma apresentação em vídeo sobre o que apelidam de “Emmanuelismo”. Vimos; contudo, não suportamos a mutilada pseudopesquisa e paramos de assistir para não obliterar nosso mundo cerebral. Entre as “preciosidades” do conteúdo, afirma-se que até para os próprios “espíritas” Emmanuel é um “pseudossábio”. Não sabemos em qual fonte bebericaram para afirmação tão incoerente. Emmanuel: um pseudossábio? A fundamental descrição de Emmanuel que fazemos é: ele nem enaltece, nem recrimina. Demonstra, conscientiza. É veemente, faz notar que os que se recuperam são incólumes aos horrores do amanhã. Por isso exortanos à reforma íntima. Nós que o interpretamos, e consentimos em admirálo, deixamos escapar um grito de conforto: "Sim, nós somos capazes!” Isso é meio poético, mas é assim que sentimos o benfeitor Emmanuel. É evidente que para um espírita consciente o assunto cheira a discussão estéril, sem lógica. Retrucá-lo pode ser perda de tempo, mas, mesmo assim, vamos utilizar um tempinho para escrever sobre essa doideira, lembrando que teremos o cuidado para não esbarrarmos na mesma faixa de sintonia. É risível o esforço dos confrades (reencarnações tupiniquins dos excientíficos do século XIX) que consideram Emmanuel um pseudossábio. Quem consideram sábio? Afonso Angeli Torteroli? Ou eles mesmos? irrisão!! Escrevemos com o propósito de alertar os leitores, pois “conforme as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode

202

ser um dever, pois é melhor que um homem caia do que muitos sejam enganados e se tornem suas vítimas". (1) Esses irmãos, sob o guante de fértil imaginação e desnorteados no raciocínio, reverberam que o jovem “católico” Chico Xavier, quando teve a visão mediúnica daquele que teria sido o padre Manoel da Nóbrega em pretérita encarnação, e que passou a ser identificado como Emmanuel, certificou-se de que este seria o seu mentor espiritual. Com isso, todo o processo mediúnico do extraordinário médium mineiro teria sido plasmado por um “misticismo católico”. (!?...) Espiritismo: uma academia de expoentes do “saber”? Destarte, os atuais idólatras de Torteroli (aquele “científico” que abusava da resignação do “místico” Bezerra de Menezes, no século XIX) andam dizendo que, por ter sido jesuíta, Emmanuel impôs um viés catoliquizante ao Movimento Espírita. Ora, se esses companheiros estudassem com inteligência os princípios espíritas, identificariam que o Espiritismo não precisou se catoliquizar com as sublimes mensagens do grande arquiteto do catolicismo, o Doctor Gratia, Aurélio Agostinho, ex-bispo de Hipona, que ditou dezenas mensagens insertas no Pentateuco Kardeciano. O importante é a essência de suas orientações, que em nada ferem a Terceira Revelação; ao contrário, contribuem para clareá-la ao fulgor do Evangelho. "O Espiritismo é uma doutrina moral que fortalece os sentimentos religiosos em geral, e se aplica a todas as religiões; é de todas, e não pertence a nenhuma em particular. Por isso não aconselha ninguém que mude de religião.” (2) A rigor, o que está escamoteada na retórica desses aventureiros da ilusão, sob o tema “Emmanuelismo”, é, nada mais nada menos, uma restrição velada ao aspecto religioso da Doutrina Espírita sustentado dignamente no Brasil pela FEB e abrilhantado por Chico Xavier na prática mediúnica. Esses kardequeólogos “PhD’s de coisa nenhuma”, longe do uso do bom senso, insistem em divulgar a “progressista” tese de que se é preciso fugir do “Cristo Católico”, do religiosismo, do igrejismo no Espiritismo e transformá-lo numa academia de expoentes do “saber”, sob a batuta deles, obviamente! Isso só pode ser chacota! Jesus: o tipo mais perfeito, nosso guia e modelo

203

Sob o império dessa compulsiva tendência filosófica, vão para a internet, redigem livros, artigos, promovem palestras inócuas, aguilhoados às diretivas telepáticas das “inteligências” sombrias do Umbral. Mas, gostem ou não, queiram ou não, o Cristo é o modelo de virtudes para todos os homens, e não foi Emmanuel que o disse, mas os imortais que participaram da codificação do Espiritismo e o próprio Kardec. Não nos custa lembrar aqui o que lemos na questão 625 d´O Livro dos Espíritos: “Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?” Resposta: “Jesus”. Comentando a resposta, Kardec anotou, em seguida: “Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava”. (L.E., item 625.) Tais confrades têm-se colocado como vítimas da pecha de afugentadores do Mestre Jesus das hostes doutrinárias. Trôpegos, cavalgam sem norte, suspirando a falácia de que peregrinam o calvário do xenofobismo contra eles. Talvez porque, numa entrevista cedida a confrades de Uberaba, Chico advertiu: "Se tirarem Jesus do Espiritismo, vira comédia. Se tirarem Religião do Espiritismo, vira um negócio. A Doutrina Espírita é ciência, filosofia e religião. Se tirarem a religião, o que é que fica? Jesus está na nossa vivência diária, porquanto em nossas dificuldades e provações, o primeiro nome de que nos lembramos, capaz de nos proporcionar alívio e reconforto, é Jesus". (3) Jesus: Messias divino, o enviado de Deus Atacam, com o mesmo propósito, até a figura do pioneiríssimo Olympio Teles de Menezes, alcunhando-o de espiritólico. As hordas das regiões densas são poderosas e se "organizam", uma vez que têm, como meta, a proscrição de Jesus dos estudos espíritas. Confrades esses, aprisionados por astutos cavaleiros das brumas umbralinas, atestam que Kardec escreveu o Evangelho para apaziguar os teólogos, tentando uma aproximação com a Igreja (pasme, leitor, e acredite se quiser!). Ficam rubros de fúria quando leem Kardec, que afirmou: "O Espiritismo é

204

uma religião e nós nos ufanamos disso". (4) Além disso, o Espírito São Luís adverte que "os Espíritos não vêm subverter a religião, como alguns o pretendem. Vêm, ao contrário, confirmá-la, sancioná-la por provas irrecusáveis. Daqui a algum tempo, muito maior será do que é hoje o número de pessoas sinceramente religiosas e crentes".(5) O mestre lionês assevera com todas as letras que o "Espiritismo repousa sobre as bases fundamentais da religião e respeita todas as crenças; um de seus efeitos é incutir sentimentos religiosos nos que os não possuem, fortalecê-los nos que os tenham vacilantes". (6) Para os arautos da antirreligião que afirmam ser "Jesus somente o emergir de um arquétipo plasmado no inconsciente coletivo", lembramos que o Mestre da Galileia foi a manifestação do amor de Deus, a personificação de sua bondade. E para Kardec, o célebre pedagogo e gênio de Lyon, o Cristo foi um Espírito superior, dos de ordem mais elevada e colocado, por suas virtudes, muitíssimo acima da humanidade terrestre: “Pelos imensos resultados que produziu, a sua encarnação neste mundo forçosamente há de ter sido uma dessas missões que a Divindade somente a seus mensageiros diretos confia, para cumprimento de seus desígnios. Mesmo sem supor que ele fosse o próprio Deus, mas unicamente um enviado de Deus para transmitir sua palavra aos homens, seria mais do que um profeta, porquanto seria um Messias divino”. (7) Jorge Hessen http://jorgehessen.net Referências bibliográficas: (1) Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 2000, cap. X, 20:21 (2) Kardec, Allan. Revista Espírita, fevereiro de 1862 - Resposta dirigida aos Espíritas Lionenses por ocasião do Ano-Novo, Brasília: Edicel, 2001 (3) Entrevistas com Chico Xavier disponíveis em http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/religiao/espiritismosem-jesus.html e

205

http://www.meumundo.americaonline.com.br/eespirita/espiritismo_sem_j esus.htm (4) Kardec, Allan. Revista Espírita, dezembro de 1868, discurso de Kardec em reunião pública realizada na noite de 01/11/1868, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Brasília: Edicel, 2001 (5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2002, perg. 1.010 (a) (6) Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns RJ: Ed. FEB, 2000, Capítulo III, Do Método, Item 24, (7) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 1998, XV, item 2.