Poder Judiciário da União Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

Órgão Processo N. Agravante(s) Agravado(s) Relator Acórdão Nº

3ª Turma Cível Agravo de Instrumento 20090020176447AGI SOES SOCIEDADE OBJETIVO DE ENSINO SUPERIOR ELISANGELA DA SILVA SOARES Desembargador MARIO-ZAM BELMIRO 415.100 EMENTA

AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. PENHORA. DIREITOS SOBRE EVENTUAIS CRÉDITOS. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. INADMISSIBILIDADE. 1.Nos contratos de alienação fiduciária, a impossibilidade da penhora se funda no fato de que eventuais direitos de crédito advindos do contrato de financiamento, em razão de prestações pagas, não são de livre disposição. Recurso desprovido. ACÓRDÃO Acordam os Senhores Desembargadores da 3ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, MARIO-ZAM BELMIRO - Relator, HUMBERTO ADJUTO ULHÔA - Vogal, JOÃO MARIOSI - Vogal, sob a Presidência do Senhor Desembargador MARIO-ZAM BELMIRO, em proferir a seguinte decisão: CONHECER. NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. UNÂNIME., de acordo com a ata do julgamento e notas taquigráficas. Brasília (DF), 17 de março de 2010

Certificado nº: 45 11 13 0B 00 04 00 00 0D 40 30/03/2010 - 19:58

Desembargador MARIO-ZAM BELMIRO Relator

Código de Verificação: GJC1.2010.6MZ9.X8Z6.TV6L.L49X

X8Z6. A agravada não apresentou resposta.6MZ9. porquanto a “devedora fiduciante possui a expectativa do direito quanto à futura reversão do bem alienado. em caso de mora e excussão por parte do credor”1.L49X GABINETE DO DESEMBARGADOR MARIO-ZAM BELMIRO 2 . nos autos da ação de execução promovida em face de Elisangela da Silva Soares. albergo o entendimento no sentido de que não há possibilidade de penhora de direitos que não podem ser livremente cedidos. não se admite deliberação por terceiros sobre eventual direito advindo do ajuste sem a aquiescência do credor fiduciário. decisório que indeferiu o pedido de penhora sobre os direitos relativos ao contrato de alienação fiduciária. Inconformada. ao credor que financia a dívida. Pugna. assim. Pretende a agravante a reforma da decisão que indeferiu pedido de penhora sobre os direitos relativos a contrato de alienação fiduciária. o que implica em dizer que tal direito é insuscetível de transferência de forma livre e.TV6L. 47.AGRAVO DE INSTRUMENTO 2009 00 2 017644-7 AGI RELATÓRIO Cuida-se de agravo de instrumento interposto pela Sociedade Objetivo de Ensino Superior . decisum objurgado.2010.Relator Conheço do agravo. É o relatório.SOES em face do r. pelo provimento do recurso. ou à parte do valor já quitado. o domínio do bem adquirido. nos contratos dessa espécie. presentes os requisitos legais. VOTOS O Senhor Desembargador MARIO-ZAM BELMIRO . sob condição resolutiva. Assim. reformando-se o r. 50. em caso de pagamento da totalidade da dívida. De fato. 1 Fl. O MM. A alienação fiduciária em garantia exprime negócio jurídico em que o adquirente de um bem móvel transfere. incabível a constrição sobre ele. por isso. 8. Tenho que razão não assiste à recorrente. conforme certidão de fl. a agravante alega que é possível a penhora sobre direitos relativos ao bem alienado fiduciariamente. Juiz da causa apresentou as informações solicitadas à fl. Código de Verificação: GJC1. conquanto haja divergência nesta Casa sobre o tema.

6MZ9. 2. porquanto o valor de mercado dos automóveis não acompanha nem de perto a forma de correção do saldo devedor utilizada nos contratos de financiamento. 4ª Turma Cível. o devedor é mero possuidor do veículo. Recurso provido.L49X GABINETE DO DESEMBARGADOR MARIO-ZAM BELMIRO 3 .TV6L. eventualmente decorrentes do contrato de alienação. mas sim o do credor fiduciante. Não há possibilidade de penhora de direitos que não podem ser livremente cedidos. EXECUÇÃO. sequer haveria saldo remanescente a ser devolvido ao devedor. O ato processual deve ter utilidade e o potencial para alcançar o fim a que se propõe. julgado em 30/09/2009. como ocorre no caso de veículo alienado fiduciariamente. DIREITOS DO DEVEDOR FIDUCIÁRIO.Veículo gravado de alienação fiduciária não pode ser objeto de penhora. 4ª Turma Cível. nas hipóteses de mora do devedor. EXECUÇÃO. julgado em 23/09/2009. 3 . não são de livre disposição. 2 . EXECUÇÃO. a impossibilidade da penhora se funda no fato de que eventuais direitos de crédito advindos do contrato de financiamento. 162)” “PROCESSO CIVIL. CRUZ PENHORA. que.Agravo de instrumento improvido. 4ª Turma Cível. DJ 19/10/2009 p.AGRAVO DE INSTRUMENTO 2009 00 2 017644-7 AGI Realmente. Vale lembrar. em razão de prestações pagas. 139)” “AGRAVO DE INSTRUMENTO. É tão ineficaz quanto a penhora de "esmeraldas" ou de alguns títulos de dívida pública. (20090020107213AGI. Dessa forma. o valor apurado após o leilão do bem apreendido. Revejam-se precedentes desta Casa de Justiça a respeito do tema: “CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INSUSCETIBILIDADE DE CESSÃO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. tudo o que justifica o seu indeferimento. INEFETIVIDADE. consistentes no direto à devolução das parcelas do financiamento adimplidas. 3. PENHORA DOS DIREITOS. PENHORA SOBRE VEÍCULO ALIENADO FIDUCIARIAMENTE. em regra. com a agravante de que pode repercutir indevida e negativamente na relação negocial fiduciária. Relator HECTOR VALVERDE SANTANA. DIREITO DE CRÉDITO DO DEVEDOR.Penhora sobre os direitos de crédito do devedor. julgado em 07/10/2009.(20090020090766AGI. não são livremente suscetíveis de cessão. IMPOSSIBILIDADE. 132)” Código de Verificação: GJC1. Relator FERNANDO HABIBE. DJ 03/11/2009 p. RECURSO IMPROVIDO 1 . que não integra seu patrimônio. No contrato de alienação fiduciária. Relator MACEDO. DJ 03/11/2009 p. Por isso. VEÍCULO ALIENADO FIDUCIARIAMENTE.X8Z6. A experiência evidencia que a penhora de direitos do devedor fiduciário carece desses atributos.2010. (20080110128956APC. ainda. sequer liquida o crédito do credor fiduciário. 2. 1. seria inútil a constrição de direitos sobre parcelas do financiamento adimplidas. 1.

Vogal Com o Relator. Código de Verificação: GJC1. que somente é passível de constrição direitos que podem ser livremente dispostos.TV6L.L49X GABINETE DO DESEMBARGADOR MARIO-ZAM BELMIRO 4 . O Senhor Desembargador HUMBERTO ADJUTO ULHÔA .6MZ9. NEGO PROVIMENTO ao recurso.Vogal Com o Relator. É como voto.X8Z6. O Senhor Desembargador JOÃO MARIOSI . Por tais fundamentos..AGRAVO DE INSTRUMENTO 2009 00 2 017644-7 AGI Conclui-se. assim. UNÂNIME. DECISÃO CONHECER.2010. NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.