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PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

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NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. SERVIDÃO DE TRÂNSITO. OBSTRUÇÃO DO ACESSO À ÁREA CULTIVADA PELO AUTOR. ESBULHO. SENTENÇA MANTIDA. Provada a posse anterior e sua perda em razão de ato de esbulho praticado pelo réu, cabível reintegração na posse, nos termos do art. 927 do CPC. Costume, do autor, de servir-se de caminho aberto na propriedade do réu, como via de acesso a sua propriedade, a configurar verdadeira “servidão de trânsito”. Esbulho caracterizado quando da obstrução da referida passagem, pelo demandado, que culminou na perda da posse do requerente. Aplicação da Súmula 415 do STF. Sentença confirmada. NEGADO PROVIMENTO AO APELO. UNÂNIME. APELAÇÃO CÍVEL Nº 70038545737 DEOCLECIO ROTAVA ROGERIO ANTONIO POTRICK DÉCIMA OITAVA CÂMARA CÍVEL COMARCA DE ERECHIM APELANTE APELADO

ACÓ RDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos. Acordam os Desembargadores integrantes da Décima Oitava Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado, à unanimidade, em negar provimento ao apelo. Custas na forma da lei. Participaram do julgamento, além do signatário, os eminentes Senhores DES. PEDRO CELSO DAL PRÁ (PRESIDENTE) E DES.ª NARA LEONOR CASTRO GARCIA. Porto Alegre, 30 de setembro de 2010. 1

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DES. NELSON JOSÉ GONZAGA, Relator. RELATÓ RIO DES. NELSON JOSÉ GONZAGA (RELATOR) ROGERIO ANTONIO POTRICK E ALTAIR JOSÉ RICARDI movimentaram ação de reintegração de posse com pedido liminar cumulada com perdas e danos contra DEOCLECIO ROTAVA alegando que o demandante Rogério Antônio Potrick, há mais de 15 anos, vem plantando cereais no imóvel de propriedade do seu pai, Sr. Jathir Potrick, localizado no Lote Rural nº 91, com área de 25 hectares, sem benfeitorias, situado na Linha Três, Segunda Secção Cravo, no município de Barão de Cotegipe/RS, tudo mediante contrato particular de parceria/arrendamento agrícola. Ao que emerge da peça inaugural, o requerente Altair José Ricardi, cultivava as terras de sua propriedade, também localizadas nessa mesma região. Aduziram que, a fim de transitarem com colheitadeira e caminhão, para escoar a produção, os autores sempre utilizaram uma estrada de aproximadamente 500m, com 5,5m de largura, cascalhada, existente na propriedade do réu, há mais de 30 anos, e que liga os imóveis dos autores à “RST 480”. Explicaram que devido a obras de asfaltamento na referida rodovia, foi necessário fazer um aterro, que momentaneamente os impediu de acessarem a estrada em questão. Afirmaram que durante esse período, o réu permitiu que passassem com suas máquinas por dentro de sua propriedade. Referiram que uma vez concluídas as obras de terraplenagem no local, em meados de janeiro de 2007, os funcionários do DAER tentaram disponibilizar o acesso à dita estrada, restabelecendo a situação anterior, no entanto, foram impedidos pelo réu. Asseveraram que diante dessa situação, resolveram conversar com o demandado, tendo o mesmo concordado em desobstruir o acesso à via, o que foi realizado, inclusive, pela prefeitura de Barão de Cotegipe, no dia 25 de março de 2007. Disseram que no dia seguinte, ou seja, em 26 de março de 2007, no entretanto, o réu passou a depositar pedras e terra no meio da estrada, além de ter colocado uma cerca, impedindo por completo a passagem dos autores. Informaram que foram várias as tentativas de entrarem num acordo com o requerido, a fim de solucionar amigavelmente o problema, mas sem sucesso. Frisaram que a estrada, objeto da lide, é a única passível de se transitar com maquinário pesado (colheitadeira e caminhão) e escoar a produção. Postularam a concessão de medida liminar, consistente na expedição de mandado de reintegração de posse, e a procedência do pleito possessório. Requereram por fim, a concessão do benefício da justiça gratuita. Arrolaram testemunhas (fls. 02/07). Acostaram documentos (fls. 08/36). Sobreveio decisão interlocutória, na qual o magistrado homologou a desistência do autor Altair José Ricardi (fl. 40), deferiu o pedido de justiça gratuita ao demandante Rogério Antônio Potrick e, por derradeiro, concedeu 2

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liminarmente a reintegração de posse pugnada, fixando, de ofício, multa diária de R$ 500,00 para o caso de descumprimento do preceito ou novo esbulho (fls. 41/42). Citado, o requerido compareceu com prefacial de carência da ação, sob o argumento de que o autor nunca teve a posse da estrada a que pretende ser reintegrado, razão pela qual entendia que o processo deveria ser extinto, nos termos do art. 267, VI do CPC. No mérito, erigiu em defesa, que suas terras e as do autor não são encravadas e que esse sempre utilizou outros caminhos para chegar a sua propriedade. Negou a existência de estrada em seu imóvel, que servisse de acesso ao do requerente. Postulou a revogação da medida liminar, a improcedência da demanda e a concessão do benefício da justiça gratuita. Apontou testemunhas. (fls. 48/51). Apresentou documentos (fls. 53/70). Na réplica o autor o repisou os argumentos exarados na inicial e insistiu na acolhida da possessória (fls. 75/76). Adveio decisão judicial deferindo a justiça gratuita ao requerido e também nomeando perito (fl. 86). Em seguida, autor e réu apresentaram quesitos referentes à lide, a fim de que fossem respondidos a partir da realização da perícia técnica (fls. 89 e 90/91). Juntou-se Laudo Pericial (fls. 96/108), sobre o qual o requerente e o requerido manifestaram-se (fls. 111 e 112/113). Oportunizada às partes a produção probatória (fl. 114), ambos postularam a oral, com a indicação de testemunhas a serem ouvidas (fls. 116 e 117; 120). O demandante requereu a substituição da testemunha “Florentino Lira”, por “Valdelir José Talgatti” (fl. 126), obtendo despacho de deferimento (fl. 130). Realizada a audiência de instrução e julgamento, o magistrado dispensou, de ofício, a testemunha “Ivori Ângelo Marca”, arrolada pelo autor, por entender que os autos já continham elementos suficientes à entrega da prestação jurisdicional. O demandante agravou retidamente, alegando cerceamento de prova, já que a testemunha supracitada informaria o tempo que a estrada vinha sendo utilizada pelo réu. Mantida a decisão agravada (fl. 134). Nessa mesma oportunidade foram ouvidas as testemunhas trazidas a pedido do autor : “Vilmar Remus” (fls. 136/138) e “Valderi José Talgatti” (fl. 139), e também as arroladas pelo réu: “Idalina Teresa Colombelli” (fls. 140/141), “Floriano Sobis” (fls. 142/143) e Sérgio Domingos Tormen (fls. 144/146). Encerrada a fase de coleta de provas, com substituição dos debates por memoriais, o requerente abordou os mesmos pontos de vista anteriormente alinhados no feito (fls. 147/149). Já o requerido deixou transcorrer o prazo legal sem manifestação (fl. 149-v). Na sentença, o julgador decidiu pela parcial procedência dos pedidos, tornando definitivo o provimento que reintegrou o autor na posse da área esbulhada e rechaçando a pretensão desse quanto à reparação por perdas e danos, sob 3

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o fundamentando de que apenas os prejuízos efetivos são passíveis de indenização; os hipotéticos não (fls. 150-154). Inconformado com a decisão, tempestivo apelo formulou o demandado, reiterando a tese de que seu terreno e o do demandante não são “encravados”, e de que existem caminhos alternativos para esse acessar sua propriedade. Pugnou pelo provimento do recurso (fls. 160/162). O apelado, por seu turno, apresentou contra-razões, retomando o teor das provas documental, pericial e testemunhal produzidas. Postulou a conservação da decisão de primeiro grau de jurisdição (fls. 165/167). Subiram os autos e vieram-me conclusos. De registrar, por fim, que foi observado o disposto nos artigos 549, 551 e 552, do CPC, tendo em vista a adoção do sistema informatizado. É o relatório. VO TO S DES. NELSON JOSÉ GONZAGA (RELATOR) Eminentes Colegas Cuida-se de recurso de apelação, interposto pelo demandado, contra decisão que julgou procedente o pedido de reintegração de posse, conferindo ao autor a tutela possessória pretendida, ante a comprovação da sua condição de possuidor do objeto da lide, da prática de esbulho praticado pelo réu e da perda da posse. Por meio dos elementos probatórios coligidos, depreende-se que nenhuma razão assiste ao réu-apelante em buscar a reforma da sentença de primeiro grau, que concedeu ao autor a reintegração na posse da passagem/estrada, que há tempo utilizava como via de acesso a suas terras. Efetivamente, a legislação relacionada à matéria possessória considera como “possuidor” todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de alguns dos poderes inerentes à propriedade, conferindo-lhe o direito de ser mantido na posse, em caso de turbação, e de ser reintegrado no caso de esbulho (arts. 1.196, 1.210 do CC e art. 926 do CPC). Contudo, de acordo com o art. 927 do CPC, a proteção possessória somente caberá àquele que cumulativamente provar: a posse anterior, a turbação ou o esbulho praticado pelo réu, bem como a continuação da posse embora turbada (na ação de manutenção) e a perda da posse (na ação de reintegração). É o que ensina a lição de Nelson Nery Jr.: “A ação de força espoliativa é o remédio utilizado para corrigir agressão que faz cessar a posse. Tem caráter corretivo, mas para valer-se dela o autor tem que provar: a) a posse ao tempo do esbulho; b) que essa posse, com relação ao réu, não tenha se constituído de maneira viciosa; c) que o réu, por si ou 4

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por outrem, praticou os atos; e d) que os atos foram arbitrários. Previsão normativa: CPC 926 a 931. e CC 1210 caput (CC/1916 499)”.1 Nesse contexto, há de se atentar, que a realidade fática trazida aos autos acabou por configurar verdadeira “servidão de trânsito”, tutelável por meio de várias ações, dentre elas as possessórias. A servidão predial, prevista no art. 1.378 do CC, constitui restrição imposta a um imóvel, para o uso e utilidade de outro pertence a dono diverso. Tratase de direito real instituído em favor de um prédio (dominante) sobre outro (serviente), pertencente a distinto proprietário. O citado artigo prevê modos de constituição de servidões, mas decorrentes de ato humano, como por exemplo: de sentença, testamento, negócios jurídicos unilaterais ou bilaterais, dentre outros. No entanto, o doutrinador Carlos Roberto Gonçalves atribui à jurisprudência a revelação de uma nova modalidade de servidão: a constituída por fato humano, aplicável exclusivamente à servidão de trânsito. Esclarece o citado jurista: “(...) Tem-se entendido que, se o dono do prédio dominante costuma servir-se de determinado caminho aberto no prédio serviente, e se este se exterioriza por sinais visíveis, como aterros (...), pontilhões, etc., nasce o direito real sobre a coisa alheia, digno de proteção possessória”.2 E acrescenta: “(...) Tal entendimento encontra-se cristalizado na Súmula 415 do Supremo Tribunal Federal, do seguinte teor: ‘Servidão de trânsito não titulada, mas tornada permanente, sobretudo pela natureza das obras realizadas, considera-se aparente, conferindo direito à proteção possessória’. (...)”.3 Analisando-se a situação fática sob os crivos legal, doutrinário e jurisprudencial brevemente expostos, conclui-se que a sustentação do réu-apelante, consistente na negativa do direito possessório do autor, realmente não prospera.

1

NERY JÚNIOR, Nelson, Rosa Maria de Andrade Nery. Código Civil Comentado e Legislação Extravagante. 3ª Ed. rev., atual. e ampl. - São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005, p. 619.
2

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito das Coisas. 7ª Ed. rev. e atual.- São Paulo: Saraiva, 2006, p. 219. – (Coleção sinopses jurídicas; v. 3)
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Idem

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20).L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL As argumentações do demandante. até mesmo as testemunhas apresentadas pelo réu: “Idalina Teresa Colombelli” (fls. tanto que por si só foram hábeis à concessão de medida liminar de reintegração de posse. consistente em Contratos Particulares de Parceria Agrícola (fls. motivo pelo qual não há razão para reformar a decisão judicial que o reintegrou na posse da estrada. a testemunha “Valderi José Talgatti”. 104). pela mãe do réu ao terceiro “Itacir Bianchi” (fl. mas que para usá-lo teria de ser ampliado. Disse que até poderia existir outro caminho para chegar às terras do réu. fotografias da área objeto do litígio (fls. motorista que auxiliava o demandante no escoamento de sua produção. como a real existência da passagem em questão há pelo menos 31 anos. 13/15). matrícula de imóvel (fl. em 1977. estão em harmonia com o conjunto probatório e evidenciam os fatos constitutivos de seu direito. 16). foram uníssonas em afirmar que sempre fizeram uso da via em questão para acessar a propriedade do autor. estão em completa sintonia com os fatos por ele alegados. notas fiscais de produtor (fls. Nesse diapasão. Aliás. escritura pública de compra e venda (fl. 136/138) e “Valderi José Talgatti” (fl. Vejamos: As declarações das testemunhas trazidas a pedido do autor: “Vilmar Remus” (fls. confirmaram que a passagem em questão era usada pelo autor. por fim. No tocante à prova documental trazida aos autos pelo requerente. 144/146). 142/143) e Sérgio Domingos Tormen (fls. 140/141). melhorado. percebe-se o esclarecimento e a confirmação de importantes pontos debatidos na lide. registro de serviço prestado a particular pela Prefeitura Municipal de Barão de Cotegipe (fl. registro de ocorrência dando conta do ato de esbulho praticado pelo réu (fl. É o que se constata das afirmações da testemunha “Floriano Sobis” (fl. 24/36). ao contrário. a cessão de direitos dessa via. 21). asseverou desconhecer outra via de acesso tão fácil quanto à utilizada. Por sua vez. salienta-se que o laudo pericial (fls. Verificando-se a parte conclusiva da perícia (fl. que só conhece esse caminho para ingressar em tal área. objeto do litígio. 142): 6 . por não ostentarem as mesmas condições de trafegabilidade do caminho reinvidicado. 139). declaração do Daer (fl. lavrado pelo Engenheiro Agrônomo Evandro Meneghatti. técnico agrícola. não deixa dúvidas quanto à posse alegada pelo demandante. 94/108). declaração bancária (fl. 18). ainda. ouvida como informante “Floriano Sobis” (fls. 18) e a impossibilidade de o autor se servir de outra estrada para acessar suas terras. 19). 22/23) e. afirmou que prestava serviços ao autor desde o ano de 2000 e sempre fez uso da passagem em comento para chegar até o imóvel do requerente Aduziu. outorgados. A testemunha “Vilmar Remus”. 17 e 17-v).

(. passava com trator. 927 do Diploma Processual. 28/31) contribuem na comprovação da real ocorrência dos atos de violência à posse. morador da região onde se localizam as propriedades do autor e do réu: “(. relatou. mas a gente passava ali... POSSE PROLONGADA E CONSTANTE. Destarte.) J: O senhor mora ali.).) J: E antes de fecharem o asfalto...)”.). o Rogério (autor) utilizava essa rua? T: Era um pique.. SERVIDÃO DE TRÂNSITO. segue jurisprudência desta Corte: “APELAÇÃO CÍVEL.. (..L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL “(. Acerca do presente caso. INOVAÇÃO RECURSAL. J: E o Rogério também? T: Sim”.. há de se manter o provimento judicial exarado no primeiro grau. é vizinho? T: Eu moro nessa colônia que faz divisa com o Deoclécio (réu).. o termo de ocorrência policial (fl. Nessa mesma direção foram as asseverações da testemunha “Sérgio Domingos Tormen” (fl.. 139). J: Há quanto tempo o Rogério (autor) utiliza esse caminho? T: Faz uns 8 anos ou mais. De tal modo. a posse anterior do autor sobre a “estrada de acesso” as suas terras foi satisfatoriamente comprovada. Em se tratando de ação 7 . anteriormente citada... SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA MANTIDA. que “(.. praticados pelo réu. o esbulho praticado pelo réu e a conseqüente perda da posse também restaram evidenciados. Além disso.)”. J: Ele utiliza para passar caminhão e máquinas por ali? T: Anda com ceifa. ao ser inquirida sobre a obstrução da via em questão. 20) e as fotografias acostadas pelo autor (fls. (. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. J: Passava com caminhões e máquinas agrícolas? T: Pelo que eu vi. 144). De igual maneira. APELAÇÃO DOS AUTORES NÃO CONHECIDA. Consoante expressamente preconizado no art. OBSTRUÇÃO DE ACESSO QUE LIGA A PROPRIEDADE DOS AUTORES À ESTRADA PRINCIPAL.) o Deoclécio (réu) planta até em cima da estrada (. A testemunha arrolada pelo autor “Valderi José Talgatti” (fl. o pedido de reintegração de posse pressupõe prova cabal da posse anterior e sua perda em razão do esbulho..

diante da inovação recursal. A prova testemunhal e documental colhida nos autos conforta a existência de servidão de trânsito. quando esta implica prejuízo para a parte. NEGARAM PROVIMENTO AO APELO. Não conheceram do recurso dos autores. Relator: Cláudio Augusto Rosa Lopes Nunes. SERVIDÃO DE TRÂNSITO. Irrelevante a existência de outra via de acesso ao local. (Apelação Cível Nº 70019806561. (Apelação Cível Nº 70005026349. NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO DOS RÉUS E NÃO CONHECERAM DA APELAÇÃO DOS AUTORES. Julgado em 18/08/2005) APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL possessória. a obstrução unilateral constitui esbulho. Tribunal de Justiça do RS. SERVIDÃO DE TRÂNSITO. com amarras de arame e cadeado nas porteiras. Tribunal de Justiça do RS. Súmula 415 do STF. verificada a utilização do acesso durante muitos anos. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. interessa à solução da lide saber se a estrada era continuamente utilizada e se tal uso configurava posse. Julgado em 09/03/2006)”. (Apelação Cível Nº 70011586658. Aplicação da Súmula 415 do STF. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. Cabível a proteção possessória da servidão de trânsito. Décima Oitava Câmara Cível. UNÂNIME. suscetível de proteção judicial. Décima Oitava Câmara Cível. Cabível a proteção possessória. Julgado em 10/09/2009) APELAÇÃO CÍVEL. SERVIDÃO DE PASSAGEM. Prova do esbulho. Relator: Agathe Elsa Schmidt da Silva. Servidão de trânsito. Utilização desde longa data pelos autores. Unânime. Relator: Mario Rocha Lopes Filho. Necessidade de utilidade da passagem para escoamento da produção. ESBULHO PRATICADO. adquirida pelo uso prolongado do 8 . UNÂNIME. Décima Oitava Câmara Cível. Tribunal de Justiça do RS. Apelação cível desprovida. impõe-se a procedência da ação. Na espécie. Demonstrada a existência da servidão de trânsito utilizada pela autora há vários anos.

assim. configurado se mostra o esbulho por eles praticado. JULGADO EM 26/08/2003) Nada a modificar. não se afigura possível. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RS. portanto. UNÂNIME. DÉCIMA NONA CÂMARA CÍVEL.Apelação Cível nº 70038545737. Comarca de Erechim: "NEGARAM PROVIMENTO AO APELO. Do exposto. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. possam os réus fechar a passagem por simples querer. DES. VOTO em negar provimento ao apelo.ª NARA LEONOR CASTRO GARCIA (REVISORA) . (APELAÇÃO CÍVEL Nº 70006628820. POSSE (BENS IMÓVEIS). PEDRO CELSO DAL PRÁ (PRESIDENTE) .L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL acesso aos fundos da casa do autor através da propriedade dos demandados.Presidente . E como assim procederam. por conseqüência. manu militari. DES.De acordo com o(a) Relator(a).De acordo com o(a) Relator(a). jus ao pleito possessório. DES. fazendo o autor." Julgador(a) de 1º Grau: VICTOR SANT ANNA DE SOUZA NETO APELAÇÃO CÍVEL. PEDRO CELSO DAL PRÁ . 9 . na decisão recorrida. RELATOR: JOSÉ FRANCISCO PELLEGRINI. Apelação provida.

PROVA PERICIAL E INSPEÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE DE PERÍCIA. VIABILIDADE. Acordam os Desembargadores integrantes da Décima Oitava Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado. gera direito ao interdito possessório. POR PROVA TESTEMUNHAL. DESNECESSIDADE. DEMANDA CORRETAMENTE DIRECIONADA. relatados e discutidos os autos. por longos anos. O seu fechamento. conduz à ilação de que há servidão de passagem. REJEIÇÃO. manifestado por atos visíveis. de forma unilateral. APELAÇÃO CÍVEL Nº 70039266424 JORGE EDUARDO MARQUES MALAFAIA DÉCIMA OITAVA CÂMARA CÍVEL COMARCA DE BAGÉ APELANTE APELADO APELADO RIZOLETA DUARTE FARIAS ANDRE FARIAS DE ARAUJO ACÓ RDÃO Vistos. 10 . SÚMULA 415 DO STF.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL AGRAVO RETIDO. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. SERVIDÃO APARENTE. REQUISITOS PRESENTES. ante a prática de esbulho. à unanimidade. PEDIDO DE REABERTURA DE PASSAGEM. em negar provimento ao recurso de apelação e ao agravo retido. MÉRITO. MATÉRIA FÁTICA. A SER COMPROVADA. INDEPENDENTEMENTE DE A PROPRIEDADE DO IMÓVEL SER DE OUTRA PESSOA. UNÂNIME. PRECIPUAMENTE. O uso prolongado e não contestado de passagem. CONTRA QUEM SUPOSTAMENTE ESTÁ A PRATICAR ESBULHO. RECURSO DE AGRAVO RETIDO E DE APELAÇÃO DESPROVIDOS.

É o relatório.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL Custas na forma da lei. por fim. Refere que a prova testemunhal atesta a sua tese. Condenou o demandado. 188-93. alega ser mero arrendatário de terras pertencentes ao seu pai. os eminentes Senhores DES. que restou devidamente observado o disposto nos artigos 549. 11 . todos do Código de Processo Civil. Relator. Sustenta que os apelados não utilizam a passagem há mais de 20 anos. ao pagamento das custas e honorários advocatícios. Cuida-se de agravo retido interposto em face da decisão que rejeitou a preliminar de ilegitimidade passiva e que indeferiu pedido de produção de prova pericial e de inspeção judicial. No mérito. além do signatário.00. CLÁUDIO AUGUSTO ROSA LOPES NUNES (PRESIDENTE) E DES. porque nunca a tiveram. VO TO S DES. 551 e 552. tendo em vista a adoção do sistema informatizado. com o conseqüente julgamento de improcedência da ação.500. PEDRO CELSO DAL PRÁ (RELATOR) I. RELATÓ RIO DES. Registro. PEDRO CELSO DAL PRÁ. Requer o provimento do recurso. contra decisão que afastou preliminar de ilegitimidade passiva. indeferiu prova pericial e inspeção judicial. O apelante. outrossim. foram os autos distribuídos por sorteio automático em 11/10/2010. Participaram do julgamento. Porto Alegre. 171-84). arbitrados estes em R$ 1. Remetidos a este Tribunal de Justiça.ª NARA LEONOR CASTRO GARCIA. nem seus arrendatários. DES. em suas razões (fls. Do agravo retido das folhas 125/26. 171-76) que julgou procedente a ação de reintegração de posse ajuizada por RIZOLETA DUARTE FARIAS e ANDRÉ FARIAS DE ARAÚJO. vindo-me conclusos para julgamento em 14/10/2010. Menciona que os demandados nunca perderam a servidão de passagem. postula o conhecimento do agravo retido nos autos. Contrarrazões nas fls. PEDRO CELSO DAL PRÁ (RELATOR) Trata-se de recurso de apelação interposto por JORGE EDUARDO MALAFAIA MARQUES contra a sentença (fls. 04 de novembro de 2010.

II. cede ante o fato de que. em se tratando de demanda possessória. Cuida-se de recurso de apelação interposto em face da sentença de Primeiro Grau. pois farta a prova oral produzida. Relator: Cláudio Augusto Rosa Lopes Nunes. (Agravo de Instrumento Nº 70003119526. LIMINAR. em hipóteses especialíssimas. de que a propriedade do imóvel é de seu pai. como visto. Tribunal de Justiça do RS. POSSESSÓRIA. CORRETA A DECISÃO QUE DEFERIU A LIMINAR DE REINTEGRAÇÃO. 12 . A presente ação versa sobre pretensão reintegratória de posse. pela qual os autores buscam a reabertura de servidão de passagem. DIREITO DE PASSAGEM. ao recurso. em imóvel rural (servidão aparente). por longo período. a possibilidade de reconhecimento de direitos de posse em servidão de trânsito. pois. A jurisprudência vem admitindo. Décima Oitava Câmara Cível. não é o caso. desimporta eventual domínio do imóvel. RECURSO IMPROVIDO. Nego provimento. primeiramente. Nenhum reparo merece a sentença. apenas ocupando na condição de arrendatário. aduzindo que o seu imóvel encontra-se encravado no terreno pertencente ao réu. Julgado em 07/11/2002). como se vê do seguinte julgado deste Órgão Fracionário: AGRAVO DE INSTRUMENTO. portanto. INEXISTINDO DÚVIDA QUANTO AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE PASSAGEM. correta a decisão recorrida. a respeito do direito posto em causa. Do recurso de apelação. uma vez mais correta a decisão agravada. entretanto. pois a alegação do demandado. trata-se de ação possessória. a qual se mostra suficiente à formação da convicção deste Juízo (assim como o de Primeiro Grau). que a rejeitou. a qual acolheu a pretensão possessória. na qual a prova é eminentemente testemunhal. estando correto o direcionamento da ação contra aquele apontado como efetivo esbulhador da posse. o que. afigurando-se como esbulho o fechamento da passagem utilizada habitualmente. desde que demonstrado efetivo e desproporcional prejuízo decorrente da interrupção da passagem. à preliminar de ilegitimidade passiva. Já no que pertine ao indeferimento da prova pericial e inspeção judicial. Somente na falta desta é que se abre á parte a possibilidade de demonstrar seu direito por outros meios de prova.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL No tocante.

quantos anos existe aquela entrada ali? Testemunha: Aproximadamente. a focalizada servidão de passagem não é usada há mais de 10 (dez) anos. Diferente não é o depoimento da testemunha compromissada Lenir Batista Pires: “Pelo autor. especialmente diante desses depoimentos. 81). pelos arrendatários dos autores. a qual era utilizada pelos autores e.142/143): “Pelo autor: Precisamente seu Arley. pela estrada que passa na frente do seu Jorge Marques? Testemunha: Sim. pelo menos. verdadeiramente existente e utilizada num passado bastante distante. vista nas fotografias das folhas 21 a 27. foi fechada pelo réu. Pelo autor: O senhor sabe dizer quanto tempo. não é usada pelo mesmos. a testemunha compromissada Arley Oliveira da Silva disse (fls. a prova testemunhal demonstra a utilização da passagem. 13 . após. há mais de 20 (vinte) anos. pelo menos. durante 23 anos que eu moro ali.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL E. que apenas assim buscou justificar sua atitude: “De fato. a servidão de passagem referida pelos autores. Eu cuidava campo ali pro Edson Faria e eu fazia transferência de gado na Fazenda deles pros campos que ele arrendava ali e era sempre por ali”. mais de 50 anos. A entrada pro campo da dona Rizoleta. ela é pelo campo do seu Jorge Marques? Testemunha: A entrada sempre foi por ali. eu era criança e passava ali naquele local”. ela fica na frente do campo. a entrada pra esse campo da dona Rizoleta. pelos autores. Tenho. verifico que a existência da servidão de passagem é fato incontroverso nos autos. que restou demonstrada a existência de passagem no local há muitas décadas. Efetivamente. de há muito tempo. ” De outro lado. E. nesta esfera fática. sendo admitida expressamente pelo réu na contestação (fl.

927. considera-se aparente. a testemunha compromissada Arley Oliveira da Silva. autoriza a conclusão de que foi instituída uma servidão aparente. advém do exercício.º 415 do STF4. 14 . Prova dos autos que confirma a passagem contínua e permanente há anos. Igual é o depoimento da testemunha compromissada Lenir Batista Pires. Aplicação da Súmula 415 do STF. se essa estrada for fechada como que a dona Rizoleta vai fazer para chegar nesse campo? Testemunha: Não sei. No caso. autorizador dos interditos. conferindo direito à proteção possessória”. ou por testamento. quando questionado a esse respeito. merecedora da proteção possessória. do CPC preenchidos. a obstrução pura e simples e. Vigésima 4 “Servidão de trânsito não titulada. incontestado e contínuo. aliás. há vários anos. que assim respondeu quando questionado se pela fazenda de Clair tem entrada direta para o campo da autora: “Não tem”. sendo aquela obstruída pelo demandado o único acesso e trânsito. quando esta implica prejuízos expressivos para a parte. ESBULHO. especialmente frente ao fato de que não há outra passagem existente. Assim. de forma unilateral da passagem gerou. nos termos da Súmula n. o esbulho possessório. Como se sabe. Sentença modificada. sobretudo pela natureza das obras realizadas. mas tornada permanente. como visto. Apelos providos. irrelevante a existência de outra via. como consectário. não tem como chegar eu acho”. vem entendendo esta Corte: AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. suscetível de proteção judicial. efetivo e desproporcional prejuízo. como. (Apelação Cível Nº 70019999796. referiu (fls. conforme depoimentos das testemunhas. especialmente. Reintegração de posse procedente. Com efeito.142/143): “Pelo autor: Seu Arley. hipótese que se afigura servidão aparente. Unânime. manifestado por atos visíveis. e subseqüente registro no Cartório de Registro de Imóveis ou. OBSTRUÇÃO. SERVIDÃO APARENTE. Precedentes doutrinários e jurisprudenciais. ainda.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL E sua obstrução gera. diante da situação de fato verificada. É o que igualmente restou desvelado pela prova testemunhal. como consectário. a servidão de passagem decorre de declaração expressa do proprietário. o uso prolongado e não contestado da passagem. Requisitos do art. A obstrução unilateral constitui esbulho.

Julgado em 05/12/2007). de onde se pode inferir claramente que houve o fechamento do portão que dá acesso à passagem. é irrelevante tenha o autor na sua propriedade outros bebedouros. APELAÇÃO CÍVEL. Tribunal de Justiça do RS. também. CLÁUDIO AUGUSTO ROSA LOPES NUNES (PRESIDENTE) . Resta configurada a servidão aparente. não só porque o demandado não nega o fechamento da passagem. Sobre mais. que se trata do único acesso ao imóvel dos demandantes. ISSO POSTO. APELAÇÃO DESPROVIDA. Há elementos de prova nos autos que bem demonstram que o autor servia-se do açude. SERVIDÃO APARENTE. pelas fotografias acima apontadas. AÇUDE QUE SERVE PARA RETIRAR ÁGUA PARA O GADO DE PRÉDIO SERVIENTE.238 do CCB. com a tolerância do demandado. No caso. UNÂNIME.De acordo com o(a) Relator(a). vem satisfatoriamente demonstrado nos autos. mas. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. o esbulho praticado pelo réu e a ausência de fundamento a afastar o direito dos demandantes. DES. 1. Pertinente ao esbulho. para retirar água para o gado de sua propriedade. DES. não bastasse a servidão aparente. Art.Presidente . Tribunal de Justiça do RS. POR MAIS DE 30 ANOS. voto no sentido de negar provimento ao recurso de apelação. Relator: Rubem Duarte. repito. Desta forma. CLÁUDIO AUGUSTO ROSA LOPES NUNES . Relator: Glênio José Wasserstein Hekman.ª NARA LEONOR CASTRO GARCIA (REVISORA) . (Apelação Cível Nº 70021315965. Vigésima Câmara Cível. observa-se dos autos. Julgado em 03/10/2007). Comarca de Bagé: "NEGARAM PROVIMENTO AO AGRAVO RETIDO E AO RECURSO DE APELAÇÃO.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL Câmara Cível. que se encontra em situação de encravamento. é de ser julgada procedente a demanda.De acordo com o(a) Relator(a). há mais de trinta anos. DES." 15 . suficientemente demonstrada a posse anterior dos autores. a fim de determinar a reabertura da passagem.Apelação Cível nº 70039266424.

Suficiente para fins de prequestionamento que o tema invocado tenha sido suscitado em algum momento do processo. os eminentes Senhores DES. Sentença confirmada. DES. à unanimidade. APELAÇÃO CÍVEL Nº 70025723529 ANTONIO OUTROS FELIPE CERESER E DÉCIMA NONA CÂMARA CÍVEL COMARCA DE TRÊS DE MAIO APELANTE APELADO APELADO VOLMIR LEIDENS JANE CAMILO LEIDENS ACÓ RDÃO Vistos. Prova colhida a ratificar o pedido de reintegração de posse nos moldes determinados na sentença. Custas na forma da lei. necessariamente. SERVIDÃO DE PASSAGEM. relatados e discutidos os autos. JOSÉ FRANCISCO PELLEGRINI. PEDREIRA. Participaram do julgamento. GUINTHER SPODE E DES. 16 . 2. vez que demonstrados os requisitos do art. não. no acórdão que solveu a controvérsia. além do signatário (Presidente). PREQUESTIONAMENTO. Porto Alegre. em negar provimento à apelação. 927 do CPC. NEGARAM PROVIMENTO À APELAÇÃO. CARLOS RAFAEL DOS SANTOS JÚNIOR. 15 de março de 2011. Acordam os Desembargadores integrantes da Décima Nona Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado. 1.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL Julgador(a) de 1º Grau: ROBERTO COUTINHO BORBA AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE.

cuja área total pertenceu a Lourença Luiza de Oliveira Fernandes. matriculada no Registro de Imóveis sob o nº R-7-3. que foi alugada à Construtora Andrade Gutierrez S. RELATÓ RIO DES. em síntese. NELSON MELCHIADES CERESER E BOJENA MARIETA CERESER. vinham utilizando uma passagem de extensão de 384 metros por 05 metros de largura. JOSÉ FRANCISCO PELLEGRINI (RELATOR) Adoto o relatório da sentença das fls. Ocorre que os requeridos estão impedindo o exercício da posse. conforme demonstra o título nº 776/62. conforme confrontações que descreve. 316/319. Aduziram que a gleba ocupada pelos requerentes não tem acesso à Rodovia Federal e nem à própria pedreira a não ser pelo lote rural nº 58 dos réus. Mencionaram que todos os registros tiveram origem na Matrícula 3. que permitia o uso e gozo da propriedade. formando um condomínio com demais áreas de outros proprietários do mesmo lote rural nº 59. 02.385. com todos os atributos inerentes à propriedade. Valmor Bürkle. ocasionando esbulho. alegando. verbis: “VOLMIR LEIDENS e JANE CAMILO LEIDENS ajuizaram a presente ação de reintegração de posse contra ANTÔNIO FELIPE CERESER. Referiram que a antiga proprietária. sendo que os requerentes. dentre elas a que pertence ao espólio de Eduardo Cereser. também transferiu a estes a posse que já vinha exercendo mansa pacífica e sem nenhuma oposição há mais de 39 anos. Discorreram acerca da existência de pedreira. partes qualificadas à fl. ao transferir o domínio de uma gleba com 59. com a reintegração de posse 17 . que são proprietários de uma fração do lote rural situada no Distrito Quaraim.A e. ao Sr. posteriormente. Alegaram ter adquirido a propriedade com a finalidade de continuar extraindo da pedreira ali existente a matéria-prima para pavimentação de ruas nos loteamentos que se constituem na sua principal atividade.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL Relator. sucedendo os anteriores proprietários. Postularam pela procedência da ação.500m² aos requerentes.385.

L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL sobre a área onde a servidão de passagem foi obstruída pelos réus. que tentaram apossar-se da pedreira. que ocorreu de forma clandestina. mas tal arrendamento foi anterior à venda de 40. 22/24. Disseram ser verídica a afirmação de que a antiga proprietária. Requereram tutela antecipada. foi transmitida a posse da área de 40. A parte autora interpôs agravo de instrumento da decisão. (fls. os demandados ofereceram contestação. Referiram que a família Cereser. Acostaram documentos (fls. ou seja. sendo solicitado pelo Egrégio Tribunal de Justiça. Impugnaram os documentos de fls. cominando-se aos requeridos. alegando serem carecedores do direito de ação. 526 do CPC. as penas pecuniárias previstas no CPC. Pelo juízo foi dito ter havido o cumprimento 18 .000m². revogando-se a liminar sobre a servidão de passagem e condenando os demandantes em custas processuais e honorários advocatícios. Em audiência de justificação (fl. Buscaram a improcedência da ação. esclarecendo inexistir a alegada servidão de passagem. e. Aduziram ter ocorrido a retirada de pedras por parte da testemunha Valmor Bürkle.000m² para Pedras Basalto Três de Maio. 922 do CPC. porque que a colocação de barreira ocorreu tão-somente para evitar problemas com os empregados dos autores. Citados. 34/35). através de contrato de compromisso de compra e venda firmado na data de 12/10/1988. informações sobre o cumprimento do art. 39/131). passou a suceder a empresa Pedras Basalto Três de Maio. honorários de advogado. 33 e verso). condenando-os ao pagamento das custas processuais. sem qualquer autorização dos legítimos proprietários e possuidores. em caso de novo esbulho.885. à indenização prevista no art. foram inquiridas duas testemunhas e parcialmente deferida a liminar para determinar que seja novamente liberada a estrada pelos réus. Anexaram documentos (fls. 08/27). constante da matrícula de nº 3. Lourença Luzia de Oliveira Fernandes tenha arrendado área para a Construtora Andrade Gutierrez S/A. no prazo de 48 horas. pois jamais detiveram a posse mansa e pacífica sobre a área de terras que dizem ter sido esbulhada pelos demandados. finalmente.

19 . uma vez que encontram-se explorando a área reservada aos réus (fl. e que motivaram a presente ação. bem como foram inquiridas quatro testemunhas (fls. bem como a parte autora indicou assistente técnico. Nomeado perito para especificar a área objeto de litígio e qual pertence a cada uma das partes. Através de determinação judicial. Requereu a improcedência da presente ação. a parte ré requereu a produção de prova testemunhal. contestando a legitimidade passiva da demandada em face de não ter exercido qualquer posse ou administração sobre a área em litígio e nem mesmo teve qualquer participação nos problemas havidos. sendo totalmente ilegítima para figurar no pólo passivo da presente ação. sendo acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva da contestante. Em audiência de instrução. Requereram sejam determinadas diligências urgentes. o Sr. Referiu não ter qualquer participação societária na empresa da família Cereser. sob pena de crime de desobediência (fls. 526. 216/219). 164). do CPC. foi realizado o depoimento pessoal do primeiro demandante (fls. Instadas as partes acerca das provas que ainda pretendem produzir. Postulou o deferimento de proteção possessória em favor dos demandados. 161/163). e que deverá perdurar enquanto tramita o feito. Acostou documentos (fls. desrespeitando uma decisão judicial que não lhe autorizou o exercício de tal direito. As partes apresentaram quesitos. os demandantes estariam diariamente retirando pedras da pedreira objeto do litígio. sendo mantida a decisão atacada pelos mesmos fundamentos. 145/147).L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL do art. A parte ré peticionou informando que desde a data de 26/07. Oficial de Justiça veio relatou o descumprimento da ordem. informando sobre o que realmente está ocorrendo no local de localização da pedreira. 221). Marilene Bombardelli peticionou. 261/262 e 265/266). 214/215). devendo esclarecer se o referido imóvel tem acesso por qual dos lados (fl. As tentativas de conciliações restaram infrutíferas (fls.

que não se encontra encravado. que vendeu o imóvel para os recorridos. Os réus apelaram.reintegrar os autores tão-somente na parte da pedreira que está situada no Lote nº 59 correspondente a sua fração ideal. § 4º.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL Intimada a parte autora a depositar 50% dos honorários periciais. 09/10 e 14). contradição que dá crédito ao depoimento do recorrido. Além disso. bem como a condenar os demandados ao pagamento de indenização pelo período em que os autores deixaram de desfrutar do imóvel e da servidão de passagem. Na verdade. por ser tratar de filha de Lourença de Oliveira.500. A parte ré apresentou memoriais. em regime de exceção. em parte. Desacabida também a condenação por indenização. Acrescento que sobreveio sentença. ambos os valores são inferiores à avaliação do bem para fins tributários. bem como para declarar a área de 384 metros por 05 metros de largura como servidão aparente. restando prejudicada a perícia requerida (fl. para fins de acesso às suas propriedades. condenou os réus ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios dos patronos da parte autora. sendo controvertida a posse exercida sobre a mesma e não foi produzida prova pericial. No tocante à servidão de passagem. para o fim de “. Flagrante o interesse da testemunha Maria Neusa de Oliveira. No caso. aduzindo que a ação deve ser julgada improcedente. disseram que esta sempre teve por finalidade dar acesso ao lote nº 59. a ação.” No tocante à sucumbência. sendo a prova oral insuficiente para tal desiderato. 303). Inexistente o esbulho autorizador da proteção possessória postulada. reintegrando os requerentes na posse. nos termos do art.00. porque os recorridos não comprovaram a sua posse.. o apelado desconhece a área sobre a qual afirma exercer a posse. II. Os documentos juntados pelos recorridos demonstram alteração da verdade sobre o negócio. nos termos da fundamentação. 20. 400. porque não demonstrado o dano e nem o nexo causal entre este e o ato praticado pelos ora 20 . a fim de dar acesso ao lote nº 59. julgando procedente.. já que no contrato de compra e venda e na escritura constam valores diferentes relativos ao preço do bem (fls. Os recorrentes são possuidores da área abrangendo tanto o lote nº 58 como o nº 59. posse esta exercida bem antes da do apelado. sendo descabida a alegação de que necessite de tal servidão. do CPC. não há provas de que a área em que está a pedreira pertença a fração do lote 59 adquirido pelo recorrido. Além disso. conforme determina o art. Não veio aos autos prova documental capaz de corroborar a afirmação do apelado de ter explorado a pedreira desde 1988. esta não efetuou o pagamento. valores a serem apurados em liquidação de sentença. do CPC. Vieram-me os autos conclusos para sentença. 214. fixados em R$ 1. houve venda de uma área não identificada para o apelado. conforme se verifica de seu depoimento pessoal à fl.

sendo despicienda para o desate da lide a questão relativa ao domínio. vez que demonstrado que a pedreira existente no local fica situada entre os lotes nºs 58 e 59.I. cuida-se de ação de reintegração de posse em que os autores buscam a proteção possessória de parte do lote nº 59 . esta não era necessária para o desate da lide. em sede de prequestionamento e para fins de interposição de recurso especial. posse é fato e como tal deve ser comprovada. Como se sabe. c/c 927 ambos do CPC. pagamento de Lourença. no caso. Cuidando-se de ação de reintegração de posse. 400. proprietária na ocasião. isso há um pouco mais de um ano. por isso. segundo eles. 333. Também inexiste culpa. o qual mencionou que em medição realizada. 4ha são de propriedade dos requeridos. vindo a adquirir a referida terra no ano de 2000. já que a conduta dos apelantes se limita a proteção de sua fração no lote rural nº 59. 34.área de uma pedreira . 5. nos termos do art. Como bem referido na sentença (fl. I. e 05 há a um terceiro. conforme decisão da fl. única forma de se chegar à pedreira. ao 21 . Nesses termos. o lote 59 é encravado.e 927 todos do CPC. a posse anterior e a sua perda. A prova dos autos ratifica que os autores.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL recorrentes. 303. em decorrência do esbulho praticado pela parte adversa.9 há pertencem à Lourença. porque não depositado os honorários do expert. 333. subiram os autos.por eles ocupada. É o relatório. 34-verso e 35). ou seja. II. VO TO S DES. em consonância com o depoimento de Valmor Bürkle à fl. já a exploravam recebendo. 216). vez que. Gilberto Silva Santos (fl. bem como de uma servidão de passagem pelo lote 58 dos réus. Corrobora a assertiva os depoimentos de Maria Neusa de Oliveira (fls. a pedreira ficava situada na propriedade de três pessoas. e. ao mencionar que a “família Cereser passou a explorar toda a pedreira depois que adquiriu o lote 58. é ônus da parte autora a prova do fato constitutivo de seu direito. ainda que não houve a autorização da antiga proprietária”. antes mesmo de adquirem a parte do lote nº 59 em que se encontra a pedreira. Ainda que prejudicada a realização da prova pericial. Respondido o recurso. 329/330): “Tal conclusão se extrai do depoimento pessoal do autor. JOSÉ FRANCISCO PELLEGRINI (RELATOR) Ao que costa. requerem a reforma da sentença. invocaram o disposto nos arts.

” E a prova testemunhal colhida atesta a posse da pedreira pelo autor. mesmo que o imóvel dos demandantes não esteja encravado. De acordo com a sentença (fl. A finalidade da servidão é proporcionar melhor utilização econômica ao imóvel dos demandantes. como prédio serviente. Também merece crédito as declarações da referida testemunha ao dizer que: “ A parte da pedreira que ora está em litígio faz divisa com o Lote 58 de propriedade de Cereser. 22 . A servidão está caracterizada pela necessidade ou utilidade dos demandantes em garantir o acesso à área da sua propriedade em que se utiliza a pedreira. e que dita servidão de trânsito existe há muitos anos. bem como de que não dispõem de outro acesso à pedreira. bem como a existência da servidão de passagem. Justifica-se o reconhecimento da servidão de passagem de propriedade dos demandados. e permite o acesso à pedreira. Em que pese a inexistência de servidão averbada. A servidão se tornou aparente pelo caminho em si mesmo e pela utilização dos demandantes. há muitos anos.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL referir que desde 1997 o autor estaria explorando a pedreira mediante pagamento de valores para Sra. 331): “A servidão totaliza 384 metros de extensão por 5 metros de largura.” A prova colhida também atesta que para se chegar à pedreira no Lote nº 59 é preciso passar pelo Lote nº 58 . A servidão de passagem está no limite entre a propriedade dos demandados e de terceiros. seus antecessores e familiares. como se vê dos depoimentos acostados aos autos. conforme a utilização econômica da propriedade dos demandantes. A estrada que liga o lote nº 59 e dá acesso à rodovia existente entre Três de Maio e Santa Rosa. Lourença. a prova ora produzida (e já transcrita alhures) demonstrou que os requerentes e antecessores sempre utilizaram a entrada junto à propriedade dos requeridos.

para fins de recursos superiores. nego provimento à apelação. Viável a proteção possessória liminar. por ter esmiuçado os fatos. já que não puderam usufruir do imóvel e da servidão de passagem. No tocante ao prequestionamento. cujos fundamentos adoto como razões de decidir. notadamente quando por outro já firmou convencimento. cujo valor deverá ser apurado em liquidação de sentença. mas sim de enaltecê-la. CARLOS RAFAEL DOS SANTOS JÚNIOR . Portanto. com base na profunda análise das provas produzidas. no caso. Não se trata apenas de ratificar uma decisão. as razões de apelo investem sem êxito contra a sentença.De acordo com o(a) Relator(a). JOSÉ FRANCISCO PELLEGRINI . UNÂNIME. Desimporta. Comarca de Três de Maio: "NEGARAM PROVIMENTO À APELAÇÃO. razão pela qual passa a integrar este julgado. Ademais. já se disse que o julgador não está obrigado a declinar um a um os temas invocados pelas partes. Juíza de Direito. MM. Por esses fundamentos. O que se exige é que a parte tenha. Bianca Prediger. Servidão de passagem utilizada há várias décadas. DES. a existência de outro acesso à propriedade. o chamado “prequestionamento” não obriga o acórdão a dar resposta a todas argüições da parte. cabendo ao Tribunal a resposta à controvérsia típica da lide. suscitado o dispositivo de lei (constitucional ou infraconstitucional) amparador de sua tese. DES. deu correta solução à lide. prestando a melhor jurisdição ao caso concreto.Apelação Cível nº 70025723529. até mesmo para evitar inútil repetição. correta a sentença em condená-los ao pagamento de indenização. e aplicado o direito." Julgador(a) de 1º Grau: BIANCA PREDIGER/ dfs AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO A QUO. GUINTHER SPODE (REVISOR) .Presidente . em algum momento do processo. DES.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL Tendo o esbulho praticado pelos réus acarretado prejuízos aos autores. que. confrontando-os com os elementos probatórios. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE DE SERVIDÃO DE PASSAGEM COM PEDIDO LIMINAR.De acordo com o(a) Relator(a). 23 . da lavra da Dra.

ora agravados. que deferiu a liminar para que o requerido reabra a estrada de acesso à lavoura. JOÃO ILAR DE SOUZA. 57. Assevera que não estão preenchidos os requisitos do art. nego seguimento ao agravo de instrumento. Os autos foram distribuídos. não havendo fundamento legal para a existência de servidão. Em suas razões. Argumenta que os agravados já realizaram a colheita. perdendo parte da lavoura de milho. Vieram-me os autos conclusos. AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 70042906586 JOAO ILAIR DE SOUZA MONICA SCHMIEDT IRMFRIED OTTO INGBERT HARRY SCHMIEDT MARKUS GUSTAVO SCHMIEDT VIGÉSIMA CÂMARA CÍVEL COMARCA DE NÃO-ME-TOQUE AGRAVANTE AGRAVADO AGRAVADO AGRAVADO DECISÃO M NO O CRÁTICA Vistos. Eduardo Delgado. no prazo de 48 horas. inconformado com a decisão judicial da fl. carecendo os autores. Assinala que. com a retirada da cerca que obstrui a passagem de pessoas e de maquinário.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL Em decisão monocrática. de fundamento legal que lhes autorize a postulação de servidão. 1. É o relatório. agrava de instrumento. caso mantida a decisão agravada. 115/116). nos autos da ação de reintegração de posse de servidão de passagem ajuizada por IRMFRIED OTTO INGBERT HARRY SCHMIEDT e OUTROS. ao eminente Des. inicialmente. alega que não se trata de área encravada. sendo que seus animais ficarão soltos no pasto. 1285 do CCB. que declinou da competência (fls. terão que desmanchar a cerca. Passo a decidir. Requer a reforma da decisão interlocutória para afastar a liminar concedida. inclusive passando por sua própria área. fato que demonstra que possuem outro acesso. 24 .

com a retirada das cercas que obstruem a passagem de pessoas e maquinário. De início. sendo que há 15 dias o requerido fechou a entrada ao local com cerca. Recebo a inicial. observo que deve ser negado seguimento ao recurso. pois contado o prazo da juntada do mandado aos autos (fl. bem como seu escoamento. até mesmo para evitar indesejável tautologia. in verbis: “VISTOS. Sobrevindo a réplica ou manifestação do autor. desde já a expedição de mandado para tal finalidade. ou não contestada a ação. Por fim. Anote-se a tramitação preferencial de idoso. determino. determinando que o requerido reabra a estrada de acesso à lavoura dos autores. presentes os requisitos legais. com esta. localizada na divisa das propriedades do requerido e outro. a colheita do soja lá plantado e pronto para colher. 57). indicando-as e justificando a necessidade de cada uma. impossibilitando o ingresso de veículos e por consequência. à réplica. no prazo de 05 dias. digam as partes sobre outras provas que pretendem produzir. sendo que o autores devem fornecer os meios. cumpre assinalar que a decisão atacada é a que concedeu a liminar (fl. os quais afirmam que há mais de 35 anos é utilizada uma estrada para o acesso ao imóvel. Registre-se e autuem-se. visto que presentes os requisitos de admissibilidade recursal próprios. Desejando a produção de prova testemunhal. inexistem elementos aptos a modificar a decisão de primeira instância. no prazo de 48 horas.). razão por que a ele me reporto. vista ao autor. por ser improcedente. Em que pese os argumentos impressos nas razões recursais. Expeça-se mandado de citação e intimação do requerido para cumprimento da medida. o rol deverá vir no mesmo prazo acima. Da atenta análise dos autos. defiro o pedido liminar. O exame e julgamento quanto a prova juntada aos autos foi muito bem realizado pelo Magistrado de primeiro grau. A medida liminar há que ser deferida. se pretendem o julgamento do feito no estado em que se encontra. voltem. Decorrido o prazo para a contestação.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL 2. Desta forma. o que encontra guarida na declaração de fl. na medida em que verifica-se a verossimilhança nas alegações dos autores. 25 . anexando às presentes razões de decidir o seguinte. Conheço do agravo de instrumento. sendo tempestivo o presente recurso. Em caso de descumprimento. "inaudita altera pars". ou ainda. sem aviso aos autores. 60v. 42.

Cabível a proteção possessória da servidão de trânsito. não obstante existir outro meio de acesso ao local. Logo. Irrelevante a existência de outra via de acesso ao local. a obstrução do acesso à propriedade. nos termos dos precedentes de número 70019344464 e 70012012811. estando presentes os requisitos do art. 927 do Código de Processo Civil. constitui esbulho. 415 do STF. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. Vigésima Câmara Cível. PRESENÇA DOS REQUISITOS ARROLADOS NO ART. que não se confunde com o conceito de passagem forçada. Ademais. Nesse sentido. e não de passagem forçada. de forma ampla. AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO. amparado em um juízo sumário de cognição. o seguinte julgamento em caso análogo: AGRAVO DE INSTRUMENTO. enfatizo que se tem interpretado o CPC. CONCESSÃO DE LIMINAR. o que agiliza a solução do feito. Helena Ruppenthal Cunha. cabível a decisão monocrática. suscetível de ser estancado pela proteção judicial. Relator: José Aquino Flores de Camargo. a sua obstrução unilateral. uma vez que. cumpre o deferimento da medida liminar. verbi gratia. visto que o entendimento reiterado da Câmara a que pertence o relator autoriza desde logo o julgamento. cabe transcrever parte da fundamentação da Desa. entendo demonstrada a verossimilhança e o receio de difícil reparação necessários para embasarem a concessão da liminar. nos autos do agravo interno 70017297169: “Quanto à questão processual. não havendo nas razões recursais elementos suficientes para reformar a decisão atacada. Julgado em 08/11/2006) Nesse contexto.5 5 No mesmo sentido.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL Intime-se D. Isto é. Súmula n. SERVIDÃO APARENTE.L. diante da existência de posicionamento consolidado no âmbito do órgão julgador. segundo alegações. (Agravo de Instrumento Nº 70016468126. Assim. quando implica prejuízo para a parte. é exercida há mais de 35 anos.” Acrescento que a postulação dos autores é de reintegração de posse de servidão. 927 DO CPC. sugere a prática de esbulho. releva destacar que a insurgência foi apreciada e decidida em observância ao posicionamento jurisprudencial do colegiado. com a construção de cerca. Tribunal de Justiça do RS. com a construção de cerca. Demonstrando a prova que a passagem era contínua e permanente há mais de 18 anos. no tocante à possibilidade da decisão monocrática. preservado o exame pelo 26 . Essa circunstância legitima e justifica a decisão pela via monocrática.

Logo. merece especial relevo a precisa conclusão de que “não há a menor necessidade de serem analisados individualmente todos os artigos [referidos pelas partes] bastando.6 Isso posto. p. 31 de maio de 2011. Porto Alegre. do CPC. na seara processual. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE DE SERVIDÃO DE PASSAGEM COM PEDIDO LIMINAR. aplicando o direito. apenas. em forte síntese. vale ressaltar que o sistema do livre convencimento motivado do Juiz vigente no direito processual civil brasileiro permite que o julgador seja soberano no exame das provas trazidas aos autos.” (In NEGRÃO.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL Isto é. de modo que tampouco é necessário que sejam analisados todos os dispositivos legais invocados pelos litigantes. colegiado em razão do agravo interno. GLÊNIO JOSÉ WASSERSTEIN HEKMAN. Desimporta. MANUTENÇÃO DA DECISÃO A QUO. Servidão de passagem utilizada há várias décadas. ainda. lab AGRAVO DE INSTRUMENTO. nego seguimento ao agravo de instrumento. quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. Relator. DES. Tribunal de Justiça do RS. segundo corrente lição doutrinária: “o juiz não está obrigado a responder todas as alegações das partes. Comunique-se o Douto Juízo a quo.” (Embargos de Declaração Nº 70005409842. a existência de outro acesso à propriedade. a existência de jurisprudência uniforme da Câmara faculta a decisão monocrática. como agora ocorre. Julgado em 20/11/2002) 27 . Intimem-se. solucionar a lide de forma fundamentada. ao passo que o Relator tão-somente antecipa a prestação jurisdicional. nem se obriga a ater-se aos fundamentos indicados por elas e tampouco a responder um a um todos os seus argumentos (RJTJESP 115/207). Theotonio. não fica o Magistrado limitado aos argumentos esposados pelas partes. Em decisão monocrática. Por fim. podendo decidir de acordo com a sua convicção. Saraiva. Relator: Carlos Eduardo Zietlow Duro. com base no art. Primeira Câmara Especial Cível. 29ª edição. podendo adotar aqueles que julgar adequados para compor o litígio. Viável a proteção possessória liminar. por ser manifestamente improcedente.448) Na mesma linha. 557. no caso. Código de Processo Civil. nego seguimento ao agravo de instrumento. caput. imprimindo maior celeridade ao trâmite processual.” 6 Portanto.

inicialmente. Vieram-me os autos conclusos. JOÃO ILAR DE SOUZA. Passo a decidir.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 70042906586 JOAO ILAIR DE SOUZA MONICA SCHMIEDT IRMFRIED OTTO INGBERT HARRY SCHMIEDT MARKUS GUSTAVO SCHMIEDT VIGÉSIMA CÂMARA CÍVEL COMARCA DE NÃO-ME-TOQUE AGRAVANTE AGRAVADO AGRAVADO AGRAVADO DECISÃO M NO O CRÁTICA Vistos. alega que não se trata de área encravada. inclusive passando por sua própria área. carecendo os autores. no prazo de 48 horas. não havendo fundamento legal para a existência de servidão. fato que demonstra que possuem outro acesso. Requer a reforma da decisão interlocutória para afastar a liminar concedida. Os autos foram distribuídos. 1. É o relatório. 115/116). Assevera que não estão preenchidos os requisitos do art. caso mantida a decisão agravada. nos autos da ação de reintegração de posse de servidão de passagem ajuizada por IRMFRIED OTTO INGBERT HARRY SCHMIEDT e OUTROS. perdendo parte da lavoura de milho. 28 . Eduardo Delgado. que declinou da competência (fls. 1285 do CCB. ao eminente Des. 2. de fundamento legal que lhes autorize a postulação de servidão. inconformado com a decisão judicial da fl. 57. sendo que seus animais ficarão soltos no pasto. visto que presentes os requisitos de admissibilidade recursal próprios. Assinala que. terão que desmanchar a cerca. Conheço do agravo de instrumento. Em suas razões. Argumenta que os agravados já realizaram a colheita. ora agravados. que deferiu a liminar para que o requerido reabra a estrada de acesso à lavoura. agrava de instrumento. com a retirada da cerca que obstrui a passagem de pessoas e de maquinário.

Em caso de descumprimento. sendo que há 15 dias o requerido fechou a entrada ao local com cerca. a colheita do soja lá plantado e pronto para colher. O exame e julgamento quanto a prova juntada aos autos foi muito bem realizado pelo Magistrado de primeiro grau. Sobrevindo a réplica ou manifestação do autor. determinando que o requerido reabra a estrada de acesso à lavoura dos autores. razão por que a ele me reporto. pois contado o prazo da juntada do mandado aos autos (fl. inexistem elementos aptos a modificar a decisão de primeira instância. com esta. sendo tempestivo o presente recurso. à réplica. ou não contestada a ação. indicando-as e justificando a necessidade de cada uma.). Recebo a inicial. anexando às presentes razões de decidir o seguinte. Intime-se D. Em que pese os argumentos impressos nas razões recursais. Expeça-se mandado de citação e intimação do requerido para cumprimento da medida. se pretendem o julgamento do feito no estado em que se encontra. 60v. bem como seu escoamento. sem aviso aos autores. cumpre assinalar que a decisão atacada é a que concedeu a liminar (fl. 57). o rol deverá vir no mesmo prazo acima. Anote-se a tramitação preferencial de idoso. no prazo de 05 dias. Desejando a produção de prova testemunhal. no prazo de 48 horas. voltem. presentes os requisitos legais. 42. ou ainda. A medida liminar há que ser deferida. o que encontra guarida na declaração de fl. Desta forma. Da atenta análise dos autos. "inaudita altera pars". por ser improcedente. localizada na divisa das propriedades do requerido e outro.L.” 29 . Registre-se e autuem-se. os quais afirmam que há mais de 35 anos é utilizada uma estrada para o acesso ao imóvel. até mesmo para evitar indesejável tautologia. desde já a expedição de mandado para tal finalidade. na medida em que verifica-se a verossimilhança nas alegações dos autores. in verbis: “VISTOS.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL De início. Decorrido o prazo para a contestação. determino. defiro o pedido liminar. impossibilitando o ingresso de veículos e por consequência. com a retirada das cercas que obstruem a passagem de pessoas e maquinário. observo que deve ser negado seguimento ao recurso. Por fim. vista ao autor. digam as partes sobre outras provas que pretendem produzir. sendo que o autores devem fornecer os meios.

927 do Código de Processo Civil. cabível a decisão monocrática. Cabível a proteção possessória da servidão de trânsito. diante da existência de posicionamento consolidado no âmbito do órgão julgador. cumpre o deferimento da medida liminar. com a construção de cerca.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL Acrescento que a postulação dos autores é de reintegração de posse de servidão. 927 DO CPC. CONCESSÃO DE LIMINAR. verbi gratia. nos termos dos precedentes de número 70019344464 e 70012012811. com a construção de cerca. o seguinte julgamento em caso análogo: AGRAVO DE INSTRUMENTO. preservado o exame pelo colegiado em razão do agravo interno. Helena Ruppenthal Cunha. Isto é. Assim. visto que o entendimento reiterado da Câmara a que pertence o relator autoriza desde logo o julgamento. a obstrução do acesso à propriedade. Relator: José Aquino Flores de Camargo. e não de passagem forçada. segundo alegações. Súmula n. Julgado em 08/11/2006) Nesse contexto. constitui esbulho. Nesse sentido. nos autos do agravo interno 70017297169: “Quanto à questão processual. o que agiliza a solução do feito. não havendo nas razões recursais elementos suficientes para reformar a decisão atacada. que não se confunde com o conceito de passagem forçada. SERVIDÃO APARENTE. AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO. Tribunal de Justiça do RS. suscetível de ser estancado pela proteção judicial. uma vez que. releva destacar que a insurgência foi apreciada e decidida em observância ao posicionamento jurisprudencial do colegiado. cabe transcrever parte da fundamentação da Desa. Irrelevante a existência de outra via de acesso ao local. Demonstrando a prova que a passagem era contínua e permanente há mais de 18 anos. como agora ocorre. amparado em um juízo sumário de cognição. não obstante existir outro meio de acesso ao local. estando presentes os requisitos do art. a sua obstrução unilateral.” 30 . quando implica prejuízo para a parte. Logo. entendo demonstrada a verossimilhança e o receio de difícil reparação necessários para embasarem a concessão da liminar. enfatizo que se tem interpretado o CPC. Vigésima Câmara Cível. (Agravo de Instrumento Nº 70016468126. é exercida há mais de 35 anos. de forma ampla. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. sugere a prática de esbulho. no tocante à possibilidade da decisão monocrática.7 7 No mesmo sentido. Ademais. PRESENÇA DOS REQUISITOS ARROLADOS NO ART. Essa circunstância legitima e justifica a decisão pela via monocrática. 415 do STF.

Logo. apenas. CIRCUNSTÂNCIA DOS AUTOS QUE CONFIRMAM OS FATOS ALEGADOS PELO AUTOR. a existência de jurisprudência uniforme da Câmara faculta a decisão monocrática. por ser manifestamente improcedente. Relator. Porto Alegre. ao passo que o Relator tão-somente antecipa a prestação jurisdicional.8 Isso posto. p. DES. na seara processual. OS EFEITOS DA REVELIA COMBINADO COM OS DOCUMENTOS JUNTADOS AUTORIZAM A PROCEDÊNCIA DA DEMANDA CONFORME PROCEDIDO. Por fim. merece especial relevo a precisa conclusão de que “não há a menor necessidade de serem analisados individualmente todos os artigos [referidos pelas partes] bastando. Comunique-se o Douto Juízo a quo. DESCABE ALEGAR QUALQUER NULIDADE. Saraiva. SENTENÇA MANTIDA.448) Na mesma linha. 557. em forte síntese. aplicando o direito. com base no art. podendo decidir de acordo com a sua convicção. caput. nego seguimento ao agravo de instrumento. de modo que tampouco é necessário que sejam analisados todos os dispositivos legais invocados pelos litigantes.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL Isto é. podendo adotar aqueles que julgar adequados para compor o litígio. lab AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. segundo corrente lição doutrinária: “o juiz não está obrigado a responder todas as alegações das partes. Theotonio. GLÊNIO JOSÉ WASSERSTEIN HEKMAN. ainda.” (In NEGRÃO. 29ª edição. Primeira Câmara Especial Cível. Tribunal de Justiça do RS. solucionar a lide de forma fundamentada. quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. imprimindo maior celeridade ao trâmite processual. Julgado em 20/11/2002) 31 . 31 de maio de 2011. não fica o Magistrado limitado aos argumentos esposados pelas partes. Intimem-se. TRATANDO-SE DE AÇÃO POSSESSÓRIA E TENDO SIDO CITADA PARA CONTESTAR A RECORRENTE NADA REQUEREU. Código de Processo Civil. nem se obriga a ater-se aos fundamentos indicados por elas e tampouco a responder um a um todos os seus argumentos (RJTJESP 115/207). vale ressaltar que o sistema do livre convencimento motivado do Juiz vigente no direito processual civil brasileiro permite que o julgador seja soberano no exame das provas trazidas aos autos. 8 Portanto. do CPC.” (Embargos de Declaração Nº 70005409842. REVELIA. Relator: Carlos Eduardo Zietlow Duro.

32 . LORIVALDO DOS SANTOS. Participaram do julgamento. Custas na forma da lei. DES. VIGÉSIMA CÂMARA CÍVEL COMARCA DE SANTA MARIA APELANTE. Acordam os Desembargadores integrantes da Vigésima Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado. em negar provimento ao apelo. RELATÓ RIO DES. Relator. além do signatário. APELADO. ACÓ RDÃO Vistos. APELAÇÃO CÍVEL Nº 70 011 239 845 JAQUELINE GONÇALVES. relatados e discutidos os autos. que julgou procedente a ação de reintegração de posse movida por LORIVALDO DOS SANTOS. os eminentes Senhores DES. Porto Alegre. RUBEM DUARTE (RELATOR) Apelação cível interposta por JAQUELINE GONÇALVES contra sentença de fl.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL APELO DESPROVIDO. CARLOS CINI MARCHIONATTI. ARMINIO JOSÉ ABREU LIMA DA ROSA (PRESIDENTE) E DES. 25 de maio de 2005. perante a 4ª Vara Cível de Santa Maria. UNÂNIME. 25. à unanimidade. RUBEM DUARTE.

alega que adquiriu o imóvel de Adão Marques da Rosa em 2002 e pagou R$ 500. não contestou. requerendo a reintegração. permaneceu na posse e administração do recorrido. não havendo qualquer invasão conforme afirmado na inicial. alegando ter invadido o imóvel que lhe pertence. É o relatório. 31/36). razão porque nego provimento ao apelo. os fatos não restaram provados. o Magistrado proferiu sentença de provimento da ação. conforme determinação do artigo 927 do Código de Processo Civil. é de ser mantida a decisão recorrida. após. Foi intimada para audiência de conciliação e não compareceu. já que o imóvel pertenceu a seu padrasto. 33 . RUBEM DUARTE (RELATOR) O autor ajuizou ação de reintegração de posse contra a demandada. Concretizada a citação da ré-apelante e não oferecida contestação. mesmo sendo reconhecida a revelia da demandada. com fundamentos na presunção de veracidade dos fatos alegados na inicial em face da revelia. Com o falecimento dele. disposição do artigo 927 do Código de Processo Civil. configurada está a revelia. ficou comprovado que o autor tinha a posse anterior. Desta decisão recorreu a demandada. Requer o provimento do apelo para desconstituir a sentença e reabrir a instrução. Sustenta que. levam à procedência da ação. É o voto. Na ocasião. ora apelante. O apelado contra-arrazoou em fls. cujos efeitos. combinados com as informações dos autos.00 pelo terreno. Isso porque. descabendo o provimento conforme proferido.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL Em razões (fls. A demandada foi citada. alegando inexistente provas das alegações do autor. como fazem prova os recibos de pagamento de taxas e serviços relativos ao imóvel. os autos foram remetidos a esta Corte. 40/41. VO TO S DES. Assim.

SENTENÇA MANTIDA. Vistos. 2009. de Rio do Sul Relator: Des. Apelação Cível n. SERVIDÃO APARENTE DE PASSAGEM. CONCATENADO DE PROVAS CONCLUDENTES. em que são apelantes José de Jesus e outro. de maneira contínua e permanente. mormente não provado que ofereça igual comodidade aos que o utilizam. Custas legais. 2009. DIREITO DE PASSAGEM ASSEGURADO. em Terceira Câmara de Direito Civil. TEMÁTICA RECHAÇADA. "Litígio que não versa sobre a servidão. não significa que a servidão possa ser arbitrariamente fechada pelo dono do prédio serviente" (TJSC. consoante entendimento majoritário. DESLOCAMENTO PARA AS ATIVIDADES LABORAIS. PROVIMENTO. mas sobre a reintegração de posse do direito real de servidão tem caráter possessório e. Norberto Ungaretti).L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL DES. PAULO AFONSO ROBALOS CAETANO. posse não é direito real.” de Santa Maria: “NEGARAM Julgador de 1º Grau: DR. e apelado Pedro Sebold e outro: ACORDAM. da comarca de Rio do Sul (1ª Vara Cível). sendo inexigível nas demandas possessórias a citação do cônjuge para integrar a capacidade processual" (Nelson Nery Junior). CAMINHO UTILIZADO POR LONGO PERÍODO. Des. negar provimento ao recurso. Fernando Carioni APELAÇÃO CÍVEL. CITAÇÃO DO CÔNJUGE. é dado ao prejudicado se valer da proteção possessória quando verificado obstáculos que impeçam a normal passagem. APELAÇÃO CÍVEL Nº 70011239845. RELATÓRIO Trata-se da Ação Cominatória de Obrigação de Fazer Coisa Certa c/c 34 . "A existência de outro caminho.061449-7.061449-7. UNÂNIME. AÇÃO COMINATÓRIA DE OBRIGAÇÃO DE FAZER COISA CERTA. DES. CARLOS CINI MARCHIONATTI (REVISOR) – De acordo. Comprovado que a servidão aparente fora exercida por um longo período. RECURSO DESPROVIDO. ARMÍNIO JOSÉ ABREU LIMA DA ROSA (PRESIDENTE) – De acordo. relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível n. por votação unânime. PRESCINDIBILIDADE.

colocando duas porteiras com cadeados. a tutela antecipatória e a procedência do pedido. que deveria ser liberado imediatamente para efetuarem a colheita. Argumentou que permitia a utilização da estrada existente em seu terreno por tolerância. Os autores peticionaram no intuito de frisar o acesso único por meio da propriedade do réu para chegarem até as suas plantações. b) os imóveis confinantes constituem uma estrada. o réu passou a obstar a passagem por seu imóvel. além de condená-lo no pagamento das custas processuais e honorários advocatícios.149. e c) na data de 217-2008. Defendeu que a pretensão dos autores está 35 . 30. em síntese. Requereram. ao atalhar pela propriedade alheia. sob o risco de perderem o plantio (fls. pois possui uma estrada que dá acesso as suas roças. sem impedimentos. registrado sob o n. 68-76). Foi concedida a antecipação de tutela. que confronta com o imóvel pertencente ao réu.006373-3. que é utilizada há mais de sessenta anos. 60). esta resultou inexitosa (fl.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL Antecipação de Tutela n. o que os impediu de terem acesso as suas plantações. no qual alegou que o terreno dos autores não está encravado. proposta por Pedro Sebold e Terezinha Alflen Sebold contra José de Jesus. que o terreno dos autores não está encravado e que eles buscam apenas comodidade para chegar as suas roças. 3. para determinar que o réu promova a abertura dos portões que dão acesso à servidão. 36-39). com a fixação de multa diária por descumprimento no valor de R$ 500. que: a) são legítimos proprietários do imóvel rural matriculado no Registro de Imóveis da comarca de Rio do Sul (SC) sob o n. Promovida a tentativa conciliatória. O réu apresentou manifestação (fls.735. com a cominação de multa diária. diante disso. na qual aduziram. 64).08. sem que isso caracterizasse a servidão. 50-51). 054. o que inviabilizou o acesso às plantações. O réu apresentou resposta sob a forma de contestação (fls. em que alegou.00 (quinhentos reais) (fl. em suma. no entanto. eles não promoveram a sua manutenção.

(fls.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL fundada apenas na comodidade deles.. para 36 . Juiz de Direito Luiz Cláudio Broering. do CPC. Condeno o requerido ao pagamento das custas e honorários advocatícios que fixo valor de R$ 600.. sob pena de aplicação de multa R$500. Irresignado com o provimento jurisdicional.. o réu interpôs recurso de apelação (fls. Transcorreu in albis o prazo para contrarrazões (fl. Após a réplica (fls. por se tratar de direito imobiliário. VOTO Presentes os pressupostos de admissibilidade. foi proferida sentença nos seguintes termos: Ante o exposto.00 (. para ser constituída... Após. Insurgiu-se o apelante contra a sentença que acolheu o pedido.. nos termos do artigo 269. por existirem outras saídas para a via pública em condições de uso. Mencionou que a utilização do caminho existente em suas terras ocorria por mera liberalidade sua. 83-85). §4º. Argumentou que não se trata de passagem forçada. Fernando Carioni Sustentou que o imóvel dos autores não está encravado e que a passagem utilizada por eles não pode ser caracterizada como servidão. Argumentou que houve o encravamento voluntário do imóvel dos autores.). 30735).00 (. pelo MM. da 1ª Vara Cível da comarca de Rio do Sul. Gabinete Des. julgo procedente o pedido contido na presente ação cominatória que Pedro Sebold e Terezinha Alflen Sebold movem contra José de Jesus para confirmar a tutela antecipada de f. deve observar as solenidades previstas em lei.). Resolvo o mérito da lide. 60 e determinar que seja mantido o livre acesso dos requerentes relativamente à servidão de fato que grava o imóvel dos requeridos (matrícula n. passa-se à análise do mérito recursal.000.) por dia de descumprimento. 108). no qual alegou a nulidade processual pela ausência de citação da sua esposa. até o limite de R$10.00 (. que seria indispensável no caso. a teor do artigo 20. do CPC. que encurtam o caminho para chegarem a sua propriedade mediante a utilização do imóvel alheio. 86-87). 93-101). com base no artigo 461 do Código Civil. Ressaltou que a servidão. ascenderam os autos a este egrégio Tribunal. não configurando o direito à passagem forçada. inciso I.

1º TACivSP) (Código de Processo Civil Comentado. diante do entendimento majoritário de que a posse. Gabinete Des. Desse modo. Acerca do tema. uma vez que o pleito autoral está consubstanciado na proteção da posse que vinha sendo exercida sobre a servidão ora em análise. em 3-5-2007). sob pena de multa diária no valor de R$ 500. colhe-se precedente deste Tribunal: PRELIMINAR. consoante entendimento majoritário. Inicialmente. A propósito. ed. bem como a permissão de sua utilização. mas sua essência está na reintegração de posse da estrada existente no imóvel pertencente ao réu. posse não é direito real. sendo inexigível nas demandas possessórias a citação do cônjuge para integrar a capacidade processual (Nelson Nery Junior. conforme prevê o artigo 10 do CPC. Parecer de 23.022183-5. 10. Por conseguinte. não é direito real.1989. no MS 431926-0. estes fixados em R$ 600. nas custas processuais e honorários advocatícios. Nessa senda. não se exige a citação do cônjuge para integrar a lide. muito embora nas ações que envolvam direito real seja imprescindível a citação do cônjuge. é manifesto que a presente ação possui cunho possessório. Fernando Carioni Des. o litígio não versa exclusivamente sobre a servidão.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL determinar a manutenção do livre acesso dos autores na servidão de fato existente no imóvel do réu.00 (seiscentos reais). DESNECESSIDADE.00 (quinhentos reais). 10. 10. de Tijucas. 2008. Nas questões que versem sobre direitos possessórios. SALVO OS CASOS PREVISTOS NA LEI (CPC. mas sobre a reintegração de posse do direito real de servidão tem caráter possessório e. hipóteses não verificada nos autos. e condenou este. cumpre destacar que a alegada nulidade processual. Nelson Nery Junior leciona: Litígio que não versa sobre a servidão. 200). não prospera. n. Jorge Schaefer Martins. A citação da cônjuge virago como litisconsorte passivo necessário só é exigível nos casos em que envolvam direito real. (Ap. p. discutida nas ações possessórias. j. 2002. § 2 º). e sim direito pessoal. São Paulo: Revista dos Tribunais. Assim. em razão da ausência de citação da cônjuge do réu. INEXIGIBILIDADE NA ESFERA DOS INTERDITOS POSSESSÓRIOS. no caso dos autos. prescindível na hipótese em comento a citação do cônjuge 37 . a presença da mesma é exigida apenas no caso de composse ou nos casos de ato praticado por ambos (CPC. rel. ainda. § 2º). Cív.10. FALTA DE CITAÇÃO DA CÔNJUGE VIRAGO.

apesar de pertencerem ao direito das coisas. p. Se a serventia não tem utilidade para o prédio (para qualquer que venha a ser seu dono. o 38 .. enfiteuta. enquanto a passagem forçada decorre da vizinhança e do encravamento de um prédio. v.] Nas servidões prediais.. Sílvio de Salvo Venosa.. estabelece-se relação de serviência. na verdade servidões propriamente ditas. São Paulo. independentemente de quem sejam seus titulares. constituído pelo proprietário sobre um imóvel de sua propriedade. Superada a questão preliminar. os quais.. doutrina o mesmo autor: [. e grava o prédio serviente. 1. que ora nos interessam. A servidão proporciona utilidade para o prédio dominante. Fraga. 1970-1971:305). não há servidão. A servidão de trânsito se distingue da de passagem forçada.. assim dispõe em seu artigo 1. objetivando fornecer uma utilidade deste em benefício de imóvel pertencente a outra pessoa. cit. ou por testamento. porque usufruto. 18:197).. 6. que pertence a diverso dono. 2006. ou habitador). ao passo que a servidão é o direito real imobiliário limitado. [. [. ed. 1971.] A servidão de trânsito pode ser estabelecida em favor de prédio não encravado. p. [. tem-se que o Código Civil. 289). e subseqüente registro no Cartório de Registro de Imóveis. pode ocorrer mera relação jurídica pessoal entre sujeitos (Miranda. 431-432). submissão (recordando-se a compreensão etimológica do vocábulo servitus) entre dois imóveis. Editora Atlas.378: Art. ao tratar das servidões. cujo gozo o direito de servidão propicia.] A servidão predial é concebida como direito estabelecido em imóvel sobre outro imóvel (Direito Civil: direitos reais. usuário.] a servidão é direito real sobre coisa alheia. assevera: Por tradição à origem histórica. Por oportuno. discorrendo sobre o tema.. [.. usufrutuário..378. Sobre a servidão da passagem forçada.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL do autor. no Código Civil de 1916 encontra-se a epígrafe Das servidões prediais.. devem ser utilidades suscetíveis e serem gozadas por intermédio de outro prédio – o prédio dominante" (Moreira. possuem natureza diversa. decorrendo da vontade das partes (op.. porque esta é imposta por lei mediante indenização apenas em favor do titular do prédio onerado. Constituída a servidão. e constitui-se mediante declaração expressa dos proprietários. apenas para tornar mais cômoda a utilização do prédio dominante. é imperioso diferenciar os institutos da passagem forçada e da servidão..] "As utilidades. uso e habitação não merecem mais a denominação de servidões pessoais.

já existia antes de o imóvel ser adquirido pelos apelantes. Servidões: aspectos básicos. p. colocou cadeado nas duas (02) porteiras e as trancou com cadeado no dia 21/07/2008. enfatizaram: "Que os Autores não possuem nenhuma outra passagem ou estrada que permita acesso por qualquer espécie de veículo. Nessa senda. conforme declarado em sentença. já que a este a servidão impõe sofrer um dos seguintes ônus: a) não poder praticar determinados atos dominiais.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL imóvel serviente passa a sofrer uma limitação no seu pleno aproveitamento. foi colocada uma cerca obstruindo sua passagem. 1997. com isso. A esse respeito. 11-12). trata-se de servidão de passagem aparente que. sem motivo justificável ou aparente. b) estar obrigado a suportar que o proprietário do prédio dominante pratique no serviente os atos destinados à extração da utilidade fornecida pela Gabinete Des. São Paulo: Lejus. Fernando Carioni servidão (TEIXEIRA. passado algum tempo. José Guilherme Braga. impedindo os Autores de utilizar a estrada que sempre foi utilizada (mais de 60 anos). 2). sendo que uma grota (fotos anexas) dividem sua propriedade e que pela existência de nascentes é área de preservação permanente. do conjunto probatório conclui-se que os apelados faziam uso da estrada de propriedade dos apelantes como manifesta servidão que foi criada a fim de tornar mais fácil seu ingresso na área de produção agrícola. negando passagem através de seu imóvel." (fl. restringindo. única estrada possível para que os Autores possam ir até o seu imóvel que se encontra com plantações de safras agrícolas.. e que. a plenitude do domínio dele por seu proprietário. sendo único meio de 39 .] o Requerido JOSÉ DE JESUS. destinação proprietário. observa-se que o caso vertente.. os apelados se pronunciaram: "de forma unilateral e inesperada o Requerido resolveu colocar correntes e trancar as porteiras com cadeado. Em outra oportunidade. supostamente. Dito isso. [. sendo que nunca houve impedimentos.

Des. arts. a fotografia de fl. j. Existe outro caminho com aproximadamente 500 metros totalmente dentro do imóvel dos autores. indemonstrado. sendo curial. (fl. a prova de prejuízo que. a jurisprudência pátria já assentou: A comprovação da posse anterior do autor e da turbação praticada pelo réu – Gabinete Des. existem duas porteiras que o réu interrompeu colocando cadeados. Ap. Observa-se. em matéria de nulidades..] os Autores têm milhares de mudas de cebola prontas para transplantar. n. a existência da servidão que passa pelas terras dos apelantes. de São José. No mesmo sentido. 2005. colocação de tubos onde há uma nascente que cruza o caminho e bem como trabalho de máquina e macadamização" (fl. leva ao inacolhimento da pretensão. de que o caminho nas terras dos apelantes era o único acesso a sua propriedade. 40 . bem como a terra já esta pronta para recebê-las e que. Fernando Carioni consistente na colocação de uma cerca em servidão e a conseqüente interrupção do acesso ao imóvel – induz ao acolhimento do pedido de manutenção de posse (CPC.004744-3. 50). rel. 59). Com efeito. de sorte que está caracterizada a servidão de passagem. havendo necessidade de reparação. que compareceu ao local e certificou "que a servidão anteriormente utilizada pelos autores. Marcus Tulio Sartorato. O sistema processual moderno veda o apego a excessivos formalismos. Cív. 926 e 927) (TJSC.. por meio das referidas provas.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL acesso a estrada utilizada a muitos anos [. porém o terreno é acidentado. A respeito... pois confirma a versão dos apelados. com aproximadamente 300 metros cruzado no meio do imóvel do réu e finaliza no imóvel dos autores. é a declaração do Oficial de Justiça. se não forem imediatamente transplantadas implicará em perda total das mesmas". bem como não haver outro caminho pela propriedade dos apelados para que estes pudessem chegar até o local de suas plantações. 53 bem retrata essa situação.] os Autores ainda tem uma roça de milho pronto para colher e que caso não seja prontamente colhido implicará em perda total da lavoura dado as últimas chuvas ocorridas na região [. em 20-4-2006).

de Trombudo Central. RECURSO PROVIDO EM PARTE. rel. de Curitibanos. 1988. conforme Súmula 415 do STF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. j. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. o entendimento prevalecente é de que a servidão não fica prejudicada quando a utilização desta outra via implica prejuízos sensíveis à parte. tendo em vista que a comercialização e a manutenção do plantio fica prejudicada pela dificuldade de ingresso em sua propriedade. Des. rel. IMÓVEL NÃO ENCRAVADO. Ap. procedente é a ação de manutenção de posse (TJSC. de Joaçaba. demonstrada.687. Des. embora turbada. Des. em 28-9-2006). bem como que o seu acesso foi obstruído pelos apelantes. e demonstradas a posse e a turbação praticadas pelos réus. como também a data da ofensa e a permanência na posse. 41 . É de lembrar-se que. 70013619614. Cív. PRETENSÃO DESCABIDA. não significa que a servidão possa ser arbitrariamente fechada pelo dono do prédio serviente. Admissibilidade de proteção possessória. A existência de outro caminho. anterior à prática do esbulho. " (ACV nº 22. n. n. rel. o que caracteriza o esbulho possessório.091986-1. Alzir Felippe Schmitz. Monteiro Rocha. SERVIDÃO DE TRÂNSITO. impende destacar que a obstrução da servidão prejudica financeiramente os apelados. Des. e a caracterização do esbulho. considerando-se os parâmetros estabelecidos nas alíneas a a c do § 3º do art. mesmo que haja outra via de passagem no imóvel dominante. merece ser mantida a sentença que determinou que os apelados possam usufruir da servidão que foi fechada pelos apelantes. Ap. j. AÇÃO DE FORÇA VELHA. RECURSO DESPROVIDO. tem direito à proteção dos interditos. PERDAS E DANOS.010101-8. em 21-5-1998). Deve ser acolhida a pretensão reintegratória quando comprovado o exercício da posse pelo esbulhado. Apelação desprovida. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. 1998. estreme de dúvidas. a existência da servidão de passagem. Assim. como no caso em apreço. pois a servidão de passagem só merece proteção possessória quando o prédio que dela se serve encontra-se efetivamente encravado. PROIBIÇÃO DEFINITIVA DE USO. Cív. Cív. em 14-10-2004). Os honorários devem ser fixados de modo a remunerar condignamente o trabalho do advogado. 20 da Lei adjetiva civil (TJSC. Norberto Ungaretti) RECURSO ADESIVO. Ap. Sérgio Paladino. mormente não provado que ofereça igual comodidade aos que o utilizam. Rel. "Servidão de passagem. De outro norte. não se destinando a restrição no uso e posse do imóvel serviente a mera comodidade (TJRS.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL A posse sobre servidão de passagem não instituída em registro imobiliário. Individualizada a servidão de passagem. j. Vejamos: SERVIDÃO DE TRÂNSITO. mas permanente pelo uso do tempo.

a tutela antecipatória e a procedência do pedido. antiga e permanente. 43. mormente não provado que ofereça igual comodidade aos que o utilizam. que confronta com o imóvel pertencente ao réu.08. mantêm-se inalterada a sentença que determinou o livre acesso dos apelados pela servidão de passagem. e não diminua em nada as vantagens do prédio dominante". 3.735. em 29-9-1994). 054. (TJSC. Fernando Carion Comprovado que a servidão aparente fora exercida por um longo período. contanto que o faça a sua custa. sobretudo quando a outra estrada é Gabinete Des. que: a) são legítimos proprietários do imóvel rural matriculado no Registro de Imóveis da comarca de Rio do Sul (SC) sob o n. DECISÃO Nos termos do voto do Relator. Ante o exposto. proposta por Pedro Sebold e Terezinha Alflen Sebold contra José de Jesus. Francisco Borges.006373-3. 30. de maneira contínua e permanente. A teor do art. é dado ao prejudicado se valer da proteção possessória quando verificado obstáculos que impeçam a normal passagem. Florianópolis. os Exmos. e c) na data de 21-7-2008. "Pode o dono do prédio serviente remover de um local para outro a servidão. Ponte Serrada. Requereram. não significa que a servidão possa ser arbitrariamente fechada pelo dono do prédio serviente" (TJSC. na qual aduziram. registrado sob o n.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL Tratando-se de servidão de trânsito. j. realizado no dia 19 de janeiro de 2010. 703 do Código Civil. Des. Quarta Câmara Cível. em síntese. o que os impediu de terem acesso as suas plantações. Fernando Carioni PRESIDENTE E RELATOR Gabinete Des. Ap. sem impedimentos. Cív. nega-se provimento ao recurso. rel.875. a possibilidade de abertura de outro caminho não autoriza o dono do prédio serviente a proibir os proprietários do prédio dominante de utilizá-la. "A existência de outro caminho. 25 de janeiro de 2010. que é utilizada há mais de sessenta anos. RELATÓRIO Trata-se da Ação Cominatória de Obrigação de Fazer Coisa Certa c/c Antecipação de Tutela n. Des. com votos vencedores. Des. diante disso. Participaram do julgamento. colocando duas porteiras com cadeados. b) os imóveis confinantes constituem uma estrada. o réu passou a obstar a passagem por seu imóvel. Fernando Carioni de difícil acesso e a utilidade da servidão ainda persiste. Norberto Ungaretti). Marcus Tulio Sartorato e Maria do Rocio Luz Santa Ritta. para determinar que o réu promova a abertura dos portões que dão acesso 42 .149. Srs.

com a cominação de multa diária. que o terreno dos autores não está encravado e que eles buscam apenas comodidade para chegar as suas roças. no qual alegou que o terreno dos autores não está encravado..). 68-76). O réu apresentou manifestação (fls. que encurtam o caminho para chegarem a sua propriedade mediante a utilização do imóvel alheio. 60). Juiz de Direito Luiz Cláudio Broering. em suma. com a fixação de multa diária por descumprimento no valor de R$ 500. a teor do artigo 20. Defendeu que a pretensão dos autores está fundada apenas na comodidade deles. sem que isso caracterizasse a servidão. sob o risco de perderem o plantio (fls.00 (. inciso I. Condeno o requerido ao pagamento das custas e honorários advocatícios que fixo valor de R$ 600. 64).00 (.000.. além de condená-lo no pagamento das custas processuais e honorários advocatícios.50-51). 30735).. o que inviabilizou o acesso às plantações. esta resultou inexitosa (fl. Após a réplica (fls. o réu interpôs recurso de 43 . 36-39). até o limite de R$10..00 (quinhentos reais) (fl.00 (. pelo MM. eles não promoveram a sua manutenção. em que alegou. 86-87). Promovida a tentativa conciliatória. no entanto.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL à servidão. pois possui uma estrada que dá acesso as suas roças. nos termos do artigo 269. 60 e determinar que seja mantido o livre acesso dos requerentes relativamente à servidão de fato que grava o imóvel dos requeridos (matrícula n.). que deveria ser liberado imediatamente para efetuarem a colheita. com base no artigo 461 do Código Civil. não configurando o direito à passagem forçada. Foi concedida a antecipação de tutela. O réu apresentou resposta sob a forma de contestação (fls. Os autores peticionaram no intuito de frisar o acesso único por meio da propriedade do réu para chegarem até as suas plantações... §4º. ao atalhar pela propriedade alheia. Resolvo o mérito da lide. da 1ª Vara Cível da comarca de Rio do Sul. do CPC. Argumentou que houve o encravamento voluntário do imóvel dos autores. Irresignado com o provimento jurisdicional.) por dia de descumprimento. Argumentou que permitia a utilização da estrada existente em seu terreno por tolerância. sob pena de aplicação de multa R$500. (fls. do CPC. foi proferida sentença nos seguintes termos: Ante o exposto. 83-85). julgo procedente o pedido contido na presente ação cominatória que Pedro Sebold e Terezinha Alflen Sebold movem contra José de Jesus para confirmar a tutela antecipada de f.

sob pena de multa diária no valor de R$ 500. ainda. Por conseguinte. Transcorreu in albis o prazo para contrarrazões (fl. muito embora nas ações que envolvam direito real seja imprescindível a citação do cônjuge. Inicialmente. não é direito real. discutida nas ações possessórias.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL apelação (fls. 108). Nessa senda. bem como a permissão de sua utilização. Insurgiu-se o apelante contra a sentença que acolheu o pedido. cumpre destacar que a alegada nulidade processual. econdenou este. em razão da ausência de citação da cônjuge do réu. não prospera.00 (quinhentos reais). no qual alegou a nulidade processual pela ausência de citação da sua esposa. o litígio não versa exclusivamente sobre a servidão. ascenderam os autos a este egrégio Tribunal. Ressaltou que a servidão. uma vez que o pleito autoral está consubstanciado na proteção da posse que vinha sendo exercida sobre a servidão ora em análise. diante do entendimento majoritário de que a posse. não se exige a citação do cônjuge para integrar a lide. mas sua essência está na reintegração de posse da estrada existente no imóvel pertencente ao réu. para ser constituída. Gabinete Des. por se tratar de direito imobiliário. deve observar as solenidades previstas em lei. por existirem outras saídas para a via pública em condições de uso. passa-se à análise do mérito recursal. e sim direito pessoal. Fernando Carioni Sustentou que o imóvel dos autores não está encravado e que a passagem utilizada por eles não pode ser caracterizada como servidão. Após. que seria indispensável no caso. 93-101). é manifesto que a presente ação possui cunho possessório. VOTO Presentes os pressupostos de admissibilidade. Acerca do tema. no caso dos autos. Argumentou que não se trata de passagem forçada. Assim.00 (seiscentos reais). para determinar a manutenção do livre acesso dos autores na servidão de fato existente no imóvel do réu. Nelson Nery Junior leciona: 44 . nas custas processuais e honorários advocatícios. estes fixados em R$ 600. Mencionou que a utilização do caminho existente em suas terras ocorria por mera liberalidade sua.

porque usufruto. Jorge Schaefer Martins. Sílvio de Salvo Venosa. A propósito. (Ap. Gabinete Des. Fernando Carioni Des. 10. colhe-se precedente deste Tribunal: PRELIMINAR. § 2º). assim dispõe em seu artigo 1.378: Art. de Tijucas. e subseqüente registro no Cartório de Registro de Imóveis. j. A citação da cônjuge virago como litisconsorte passivo necessário só é exigível nos casos em que envolvam direito real. rel. posse não é direito real. ou por testamento. 10. e grava o prédio serviente. a presença da mesma é exigida apenas no caso de composse ou nos casos de ato praticado por ambos (CPC. na verdade servidões propriamente ditas.378.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL Litígio que não versa sobre a servidão. em 3-5-2007). Desse modo. que pertence a diverso dono. § 2 º).022183-5. 10. p. DESNECESSIDADE. 2008. consoante entendimento majoritário. hipóteses não verificada nos autos. 2002. 200). SALVO OS CASOS PREVISTOS NA LEI (CPC. Superada a questão preliminar. discorrendo sobre o tema. ao tratar das servidões. INEXIGIBILIDADE NA ESFERA DOS INTERDITOS POSSESSÓRIOS. no MS 431926-0. prescindível na hipótese em comento a citação do cônjuge do autor. 1º TACivSP) (Código de Processo Civil Comentado. ed.10. assevera: Por tradição à origem histórica. Cív. Parecer de 23. 45 . mas sobre a reintegração de posse do direito real de servidão tem caráter possessório e. no Código Civil de 1916 encontra-se a epígrafe Das servidões prediais. tem-se que o Código Civil. n. uso e habitação não merecem mais a denominação de servidões pessoais. conforme prevê o artigo 10 do CPC. e constitui-se mediante declaração expressa dos proprietários. FALTA DE CITAÇÃO DA CÔNJUGE VIRAGO. 1. São Paulo: Revista dos Tribunais. A servidão proporciona utilidade para o prédio dominante. sendo inexigível nas demandas possessórias a citação do cônjuge para integrar a capacidade processual (Nelson Nery Junior.1989. Nas questões que versem sobre direitos possessórios.

ed.. que ora nos interessam. ao passo que a servidão é o direito real imobiliário limitado. enquanto a passagem forçada decorre da vizinhança e do encravamento de um prédio. [. Por oportuno. objetivando fornecer uma utilidade deste em benefício de imóvel pertencente a outra pessoa. v. estabelece-se relação de serviência.] A servidão de trânsito pode ser estabelecida em favor de prédio não encravado. 1971. constituído pelo proprietário sobre um imóvel de sua propriedade. Fraga. Constituída a servidão. 289). 6. cit. A servidão de trânsito se distingue da de passagem forçada. 1970-1971:305). pode ocorrer mera relação jurídica pessoal entre sujeitos (Miranda.. [. 431-432). São Paulo. é imperioso diferenciar os institutos da passagem forçada e da servidão. cujo gozo o direito de servidão propicia. o imóvel serviente passa a sofrer uma limitação no seu pleno aproveitamento. já que a este 46 . 2006. submissão (recordando-se a compreensão etimológica do vocábulo servitus) entre dois imóveis.] "As utilidades. enfiteuta. p. não há servidão.. ou habitador). possuem natureza diversa. porque esta é imposta por lei mediante indenização apenas em favor do titular do prédio onerado. a plenitude do domínio dele por seu proprietário. decorrendo da vontade das partes (op. com isso.. usufrutuário.] Nas servidões prediais.] A servidão predial é concebida como direito estabelecido em imóvel sobre outro imóvel (Direito Civil: direitos reais.. devem ser utilidades suscetíveis e serem gozadas por intermédio de outro prédio – o prédio dominante" (Moreira. usuário.. Editora Atlas. Sobre a servidão da passagem forçada. restringindo. Se a serventia não tem utilidade para o prédio (para qualquer que venha a ser seu dono. os quais. independentemente de quem sejam seus titulares....L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL [. [. apenas para tornar mais cômoda a utilização do prédio dominante. 18:197). p. apesar de pertencerem ao direito das coisas.] a servidão é direito real sobre coisa alheia.. doutrina o mesmo autor: [...

Servidões: aspectos básicos. Nessa senda. 11-12). José Guilherme Braga. supostamente. sendo que uma grota (fotos anexas) dividem sua propriedade e que pela existência de nascentes é área de preservação permanente." (fl. negando passagem através de seu imóvel.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL a servidão impõe sofrer um dos seguintes ônus: a) não poder praticar determinados atos dominiais. conforme declarado em sentença. destinação proprietário. os apelados se pronunciaram: "de forma unilateral e inesperada o Requerido resolveu colocar correntes e trancar as porteiras com cadeado. 2). passado algum tempo. p. Dito isso. [. já existia antes de o imóvel ser adquirido pelos apelantes. única estrada possível para que os Autores possam ir até o seu imóvel que se encontra com plantações de safras agrícolas. sem motivo justificável ou aparente. e que. do conjunto probatório conclui-se que os apelados faziam uso da estrada de propriedade dos apelantes como manifesta servidão que foi criada a fim de tornar mais fácil seu ingresso na área de produção agrícola. colocou cadeado nas duas (02) porteiras e as trancou com cadeado no dia 21/07/2008. sendo único meio de acesso a estrada utilizada a muitos anos [.. b) estar obrigado a suportar que o proprietário do prédio dominante pratique no serviente os atos destinados à extração da utilidade fornecida pela Gabinete Des. São Paulo: Lejus. Em outra oportunidade. impedindo os Autores de utilizar a estrada que sempre foi utilizada (mais de 60 anos). enfatizaram: "Que os Autores não possuem nenhuma outra passagem ou estrada que permita acesso por qualquer espécie de veículo.] os Autores ainda tem uma roça de milho 47 . Fernando Carioni servidão (TEIXEIRA.. observa-se que o caso vertente. foi colocada uma cerca obstruindo sua passagem. trata-se de servidão de passagem aparente que.] o Requerido JOSÉ DE JESUS. 1997.. sendo que nunca houve impedimentos.. A esse respeito.

A respeito. 53 bem retrata essa situação. de sorte que está caracterizada a servidão de passagem.. 2005. Cív. se não forem imediatamente transplantadas implicará em perda total das mesmas". com aproximadamente 300 metros cruzado no meio do imóvel do réu e finaliza no imóvel dos autores. de São José. pois confirma a versão dos apelados. a jurisprudência pátria já assentou: A comprovação da posse anterior do autor e da turbação praticada pelo réu – Gabinete Des. colocação de tubos onde há uma nascente que cruza o caminho e bem como trabalho de máquina e macadamização" (fl. 926 e 927) (TJSC. Observa-se.004744-3. existem duas porteiras que o réu interrompeu colocando cadeados. de que o caminho nas terras dos apelantes era o único acesso a sua propriedade. 59). O sistema processual moderno veda o apego a excessivos formalismos. 50). arts. porém o terreno é acidentado. Existe outro caminho com aproximadamente 500 metros totalmente dentro do imóvel dos autores. Ap. No mesmo sentido. Fernando Carioni consistente na colocação de uma cerca em servidão e a conseqüente interrupção do acesso ao imóvel – induz ao acolhimento do pedido de manutenção de posse (CPC. por meio das referidas provas. rel. bem como não haver outro caminho pela propriedade dos apelados para que estes pudessem chegar até o local de suas plantações. a existência da servidão que passa pelas terras dos apelantes. que compareceu ao local e certificou "que a servidão anteriormente utilizada pelos autores. Com efeito. havendo necessidade de reparação. n. a fotografia de fl. Des. j.. é a declaração do Oficial de Justiça. Marcus Tulio Sartorato. (fl. bem como a terra já esta pronta para recebê-las e que. em 20-4-2006). sendo 48 .] os Autores têm milhares de mudas de cebola prontas para transplantar.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL pronto para colher e que caso não seja prontamente colhido implicará em perda total da lavoura dado as últimas chuvas ocorridas na região [.

L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL curial. a existência da servidão de passagem. em 28-9-2006). em matéria de nulidades. Monteiro Rocha. indemonstrado. não se destinando a restrição no uso e posse do imóvel serviente a mera comodidade (TJRS. leva ao inacolhimento da pretensão. Assim. e demonstradas a posse e a turbação praticadas pelos réus. tem direito à proteção dos interditos. Des. conforme Súmula 415 do STF. mas permanente pelo uso do tempo.010101-8. j. Admissibilidade 49 . n. Individualizada a servidão de passagem. o entendimento prevalecente é de que a servidão não fica prejudicada quando a utilização desta outra via implica prejuízos sensíveis à parte. tendo em vista que a comercialização e a manutenção do plantio fica prejudicada pela dificuldade de ingresso em sua propriedade. e a caracterização do esbulho. o que caracteriza o esbulho possessório. pois a servidão de passagem só merece proteção possessória quando o prédio que dela se serve encontra-se efetivamente encravado. anterior à prática do esbulho. Des. Cív. Deve ser acolhida a pretensão reintegratória quando comprovado o exercício da posse pelo esbulhado. "Servidão de passagem. Ap. impende destacar que a obstrução da servidão prejudica financeiramente os apelados. Vejamos: SERVIDÃO DE TRÂNSITO. a prova de prejuízo que. mesmo que haja outra via de passagem no imóvel dominante. como também a data da ofensa e a permanência na posse. De outro norte. bem como que o seu acesso foi obstruído pelos apelantes. estreme de dúvidas. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. rel. como no caso em apreço. demonstrada. Ap. A posse sobre servidão de passagem não instituída em registro imobiliário. 70013619614. de Curitibanos. em 14-10-2004). Cív. procedente é a ação de manutenção de posse (TJSC. j. RECURSO DESPROVIDO. 1998. merece ser mantida a sentença que determinou que os apelados possam usufruir da servidão que foi fechada pelos apelantes. n. embora turbada. É de lembrar-se que. Alzir Felippe Schmitz. rel. IMÓVEL NÃO ENCRAVADO.

mormente não provado que ofereça igual comodidade aos que o utilizam. " (ACV nº 22. nega-se provimento ao recurso. Quarta Câmara Cível. considerando-se os parâmetros estabelecidos nas alíneas a a c do § 3º do art. Norberto Ungaretti) RECURSO ADESIVO. rel. DECISÃO Nos termos do voto do Relator. Fernando Carioni 50 . Ap. Cív. Ponte Serrada. 25 de janeiro de 2010.875. j. realizado no dia 19 de janeiro de 2010. 703 do Código Civil.091986-1. não significa que a servidão possa ser arbitrariamente fechada pelo dono do prédio serviente. com votos vencedores. A teor do art. sobretudo quando a outra estrada é Gabinete Des. Cív. antiga e permanente. Florianópolis. contanto que o faça a sua custa. Des. em 21-5-1998).L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL de proteção possessória. Fernando Carioni PRESIDENTE E RELATOR Gabinete Des. PROIBIÇÃO DEFINITIVA DE USO. SERVIDÃO DE TRÂNSITO. Francisco Borges. 20 da Lei adjetiva civil (TJSC. Os honorários devem ser fixados de modo a remunerar condignamente o trabalho do advogado. e não diminua em nada as vantagens do prédio dominante". (TJSC. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 43. em 29-9-1994). a possibilidade de abertura de outro caminho não autoriza o dono do prédio serviente a proibir os proprietários do prédio dominante de utilizá-la. 1988. A existência de outro caminho. rel. Srs. de Trombudo Central. j. Des. RECURSO PROVIDO EM PARTE. Ante o exposto. PRETENSÃO DESCABIDA. Sérgio Paladino. Fernando Carioni de difícil acesso e a utilidade da servidão ainda persiste. Des. de Joaçaba. AÇÃO DE FORÇA VELHA. os Exmos. Des. PERDAS E DANOS.687. Marcus Tulio Sartorato e Maria do Rocio Luz Santa Ritta. Apelação desprovida. Tratando-se de servidão de trânsito. mantêm-se inalterada a sentença que determinou o livre acesso dos apelados pela servidão de passagem. Ap. Rel. "Pode o dono do prédio serviente remover de um local para outro a servidão. Participaram do julgamento.

disposição do artigo 927 do Código de Processo Civil. consoante entendimento majoritário. CAMINHO UTILIZADO POR LONGO PERÍODO. SERVIDÃO APARENTE DE PASSAGEM. alegando ter invadido o imóvel que lhe pertence. o Magistrado proferiu sentença de provimento da ação. Isso porque. sendo inexigível nas demandas possessórias a citação do cônjuge para integrar a capacidade processual" (Nelson Nery Junior). posse não é direito real. configurada está a revelia. Desta decisão recorreu a demandada. CONCATENADO DE PROVAS CONCLUDENTES. cujos efeitos. TEMÁTICA RECHAÇADA. levam à procedência da ação. i 51 . ora apelante. RECURSO DESPROVIDO. Foi intimada para audiência de conciliação e não compareceu. "Litígio que não versa sobre a servidão. Fernando Carioni APELAÇÃO CÍVEL. já que o imóvel pertenceu a seu padrasto. requerendo a reintegração. DIREITO DE PASSAGEM ASSEGURADO. PRESCINDIBILIDADE. Na ocasião. AÇÃO COMINATÓRIA DE OBRIGAÇÃO DE FAZER COISA CERTA. com fundamentos na presunção de veracidade dos fatos alegados na inicial em face da revelia. não contestou. permaneceu na posse e administração do recorrido. CITAÇÃO DO CÔNJUGE. A demandada foi citada. Concretizada a citação da ré-apelante e não oferecida contestação. SENTENÇA MANTIDA. DESLOCAMENTO PARA AS ATIVIDADES LABORAIS. Relator: Des.L D E JU NA ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ST T R IB U IÇ A PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA R S NJG Nº 70038545737 2010/CÍVEL O autor ajuizou ação de reintegração de posse contra a demandada. ficou comprovado que o autor tinha a posse anterior. alegando inexistente provas das alegações do autor. combinados com as informações dos autos. como fazem prova os recibos de pagamento de taxas e serviços relativos ao imóvel. mas sobre a reintegração de posse do direito real de servidão tem caráter possessório e. Com o falecimento dele.