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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUI CAMPUS PARNAÍBA CURSO PSICOLOGIA 4º BLOCO DISCIPLINA: Psicologia e Processos Grupais I DOCENTE: JOÃO PAULO

BARROS

DIE WELLE (A ONDA) – Reflexões sobre a formação de grupos

ALEX DANIEL CLEBER GOMES HYAGO CASTRO

Parnaíba, PI Março/2013

ditando paradigmas que deveriam orientariam neste novo contexto social. a primeira ponto que se deve observar é que. Esse aspecto é observado quando Barros (2007) fala que as mudanças na sociedade do sec. Deleuze aponta a existência de simulacros. Surgem os donos de terras e fábricas. Quer seja um líder ou ideal. Alguns alunos. dentro do ambiente de sala de aula. assim. Durante o filme pode-se perceber quando é feita proposta. O conceito de grupo. O curso é ministrado pelo professor Rainer Wenger. todavia. formatou-se um clima que possibilitou uma relação comunitária entre os alunos. No filme. vários estudantes escolhem fazer um minicurso sobre autocracia para conseguir créditos na escola. Observa-se no texto de Barros (2007) que mudanças sociais são propícias para que uma massa aceite um ideal e possa nascer um grupo. uma ideia. antes. mas partem a fazer parte do projeto de Wenger. mas a população precisava de novas formas de relacionar-se com a realidade. a partir do texto. o ideal passa a ser este algo que orienta as decisões. Em A Onda. Assim. No filme Die Welle (A onda) percebe-se a transformação de uma proposta. mas não quando apenas um trabalho escolar para alunos vem a torna-se um grupo que teria proporções grandiosas. assim novas classes (grupos) foram surgindo (a classe proletária. Este é o ponto de partida para o desenvolvimento da trama No desenrolar do filme alguns pontos podem ser notados e refletidos quanto a formação de um grupo que pode gerar uma autocracia e. também é técnico do time de pollo aquático. Assim. É importante frisar que. pontua que o capitalismo possibilitou a igualdade entre todos. Então. questionando um grupo de estudantes alemães. esse algo. em algum momento. Essas mudanças ocorreram. por exemplo. Os alunos não acreditam nesta possibilidade. todos poderiam ascender socialmente. Por exemplo. como aqueles que direcionariam a população para as novas estruturas sociais. formam um grupo. na Alemanha nazista. um porquê de sua existência. O professor Wenger propõe um trabalho. um grupo emerge a partir da sala de aula do professor Wenger. apesar de o professor Wenger ainda ser visto como o principal agente capaz de orientar as ações dos estudantes. que escapam às dicotomias de ideias perfeitas e suas cópias. a desnaturalização é uma forma de simulacro. A cultura seria partilhada por todos e para todos. consequentemente. que além de professor de ciências políticas. Só tinha destaque quem se . A produção era pra todos.Segundo Barros (2007). O que se propôs foi uma forma de comunidade onde os valores seriam compartilhados por todos. que passa a ser assimilada como ideal de indivíduos que. no decorrer do filme. Todo grupo precisa de algo que os norteie. o simples encontro dos alunos e do professor Wenger em uma sala de aula possibilitou uma mudança social na vida dos alunos. com o fim do feudalismo. por exemplo). proposto como contrário ao indivíduo. durante uma semana. mas estavam apenas por créditos escolares. as estruturas sociais estavam necessitavam de mudanças. passa a ser refletido e vem a tornar-se um simulacro. não queriam estar na sala. a principio. as mudanças físicas e sociais favorecem o surgimento de grupos. Em A Onda. XVII permitiram que novos paradigmas fossem aceitos. é o professor Wenger. No texto de Barros (2007). á formação de uma ditatura. credo e sexo. raça. O clima social não veria distinção de cor. se seria possível um retorno a uma ditadura tal como foi o 3º Reich de Hitler.

O nome sugerido é A Onda. Esse ritmo cria uma sensação de unidade e sinergia. Essa forma de nivelar possibilitava o compartilhamento entre os jovens e ajuda mútua. onde reis e nobres era assim por direito divino. O nome é uma forma de identificação sintetizada de um grupo. expressa os valores. No capitalismo. onde o dominador exerce pode nas ações do dominado. mediadas pelo professor Wenger. No filme. em locais particulares e. com cultura e ideias desenvolvidos. O grupo. esse ícone é uma onda que sintetiza no signo as expressões do grupo. apesar de suas características e gostos pessoais. Tudo o que ocorre dentro do grupo reflete na vida dos próprios alunos. Assim. Essa característica é distinta do modelo feudal. Um ponto importante é a construção de laços entre os participantes.esforçasse. é uma forma de disciplina. Em A Onda o professor Wenger estimula os jovens a pensar em um nome que os defina como grupo. No filme essa vigilância é observada no uso do branco e do cumprimento. ideias e ideais criados pelo grupo. essa imposição é sutil. segundo o Barros (2007). determina o ritmo do andamento das atividades dos participantes do grupo. em A Onda ocorre um nivelamento entre todos os estudantes. que serão assimilados por todos que se associarem ao grupo. Essa identidade pelo nome e ícone gera nos alunos de Wenger uma necessidade de exposição à comunidade. No filme. Mesmo grupos que se considerem apolíticos tem uma mensagem que transmitem. a cruz como um símbolo cristão evoca todos os significados que o cristianismo tem para seus adeptos. Todavia. Os muitos funcionam como um. como pichação. característica de grupos. cria-se uma cultura para que haja disciplina. para o melhor do grupo. Frisa-se também o ritmo do grupo. Como comunidade. os jovens do grupo A Onda passa a demonstrar sua existência como grupo com ações vândalas. Por exemplo. tem algum impacto na sociedade. A identidade vem pelo nome. Quem não usa branco na sala de aula. As roupas. Desta forma. onde os próprios participantes são os zeladores por esta cultura e vigias uns dos outros. Toda uma cultura é formada a partir da sala de aula. aprenderiam o valor de comunidade e de ajuda. não pode ser considerado participante e nem ter voz dentro do grupo. Todo grupo. assim como. quem não cumprimenta com a saudação da onda não pode ser reconhecido como igual e nem tem respeito. apesar de divergências anteriores aos encontros da sala de aula. Essa construção de uma cultura própria. por menor que seja. O ícone também é uma forma de associação entre o nome e a ideologia. fala. o professor Wenger ensina que deve-se haver harmonia nas ações do grupo. Uma comum unidade. Ícones são signos visuais que evocam sensações. os plebeus não poderiam ascender socialmente. comportamento. necessita de identificação. todo grupo tem cultura própria. Tudo sofre uma forma de padronização a partir das discursões do grupo. ou grupo de líderes. mesmo em áreas de outros grupos . Assim. O líder. emoções e ideias de quem os vê para que reconheçam o que os signos significantes. Desta forma. mediada pela cultura. a polícia médica foi uma poderosa instituição que impôs esse poder na sociedade industrial. No filme isso é demonstrado quando o professor Wenger incentiva os alunos a marcharem até que o som seja uníssono.

Os indivíduos da massa estão ligados . como relata o professor Wenger. Assim. poder pela ação. dentre elas. Assim. Outra característica assinalada por Le Bon é o contágio mental presente na massa. incluindo domínios do poder público e privado. pois sendo essa massa anônima. Essas ações de vandalismo são. devemos destacar que o sujeito na massa adquire sentimento de poder. demonstram seu caráter políticos como grupos. chegando ao ponto de o individuo sacrificar seus interesses individuais em prol dos interesses coletivos. onde essa ideias sugeridas são facilmente transformadas em atos. este interesse em comum sendo mais umas das características da massa. para Freud. onde há o destruimento de determinadas faculdades mentais em detrimento de outras. Le Bon afirma que os indivíduos na massa assumem características que não possuíam enquanto sujeito individual.políticos. As ações demonstram as naturezas das ideias. ou seja. no que se referem a grupos. havendo o contágio de sentimentos e ideias com um mesmo sentido. Apesar de discordar de Le Bom em alguns aspectos. permitindo-lhe ceder a instintos. Percebemos isso quando o personagem marco. Vemos isso no filme quando o professor sacrifica seu casamento apenas porque a esposa estar contra a “onda” para que possa prosseguir com o projeto pedagógico. Além da modificação da cultura e modo de comportamentos. No filme podemos observa esse fenômeno quando o grupo A onda sai as ruas propagando suas ideias através de vandalismo. no filme observou-se isso durante o jogo onde todos da onda estavam comemorando o jogo rapidamente a massa tornou-se um tumulto caótico. grupos não organizados que contrapõe as massas estáveis. Ele cita que todo ato é contagioso numa massa. dentre as quais devemos citar a alma coletiva. especialmente pela questão inconsciente da massa. Freud apresenta os pontos de Le Bom como norteadores iniciais sobre sua discussão dos processos grupais. Freud ressalta a importância das questões apesentadas pelo autor. há exemplificações de sua tese de extrema importância para o entendimento dos processos grupais. Podemos constatar um interesse em comum entre os participantes. No filme Die Welle . Apesar de Freud não concorda totalmente com Le Bom. desaparecendo o sentimento de responsabilidade que retém indivíduos a executar certos atos. Em sua discussão sobre os processos grupais. passam a agir e pensar de forma que não fariam isoladamente. só se dá conta de que a “onda” não está sendo positiva para todos ao sair do movimento. ao se tornarem uma massa. Freud (2011) afirma que há uma diminuição da capacidade intelectual do sujeito diante do grupo. ou seja. Le Bom apenas aborda as questões das massas efêmeras. Uma terceira causa apontada pelo autor é a sugestionabilidade. não é possível a culpabilização enquanto individuo. As ações demonstrarão a presença de ideologias que são o que guiam os comportamentos. indo facilmente a extremos.A Onda – observa-se ainda diversas características descritas por Le Bom. No filme o grupo é formado por pessoas dessemelhantes em seus estilos de vida e interesses entre outras particularidades que. Os sentimentos da massa são sempre muito exaltados. as ações apontam para o caráter do grupo. com pichações pela cidade.

Le Bon cita algumas caraterísticas que podemos facilmente identifica-las no personagem como o fascínio pela ideia que representa. Tim aterroriza seus colegas e seu professor lhe dizendo que a “onda” não pode terminar assim. Este prestígio. durante a festa na beira do lago organizada pelos estudantes. provocando desde emoções patrióticas apaziguadoras em alguns. não desejando por muito tempo uma mesma coisa. Percebe-se ainda que a noção de impossível desaparece nos indivíduos do filme. não aceitando renunciar desse movimento decidindo tirar a própria vida. quando o personagem Tim quer levar a “onda” para todo o resto da Alemanha e Europa. que se agrupam diante de interesses passageiros. o aparente sucesso do movimento. definha-se ao final do filme. O professor durante a disciplina utiliza-se do poder da palavra. Com relação ao líder. Outro fenômeno que deve ser destacado é o aumento da afetividade por partes dos sujeitos do grupo. Dotado de um prestigio. adquirido pelo professor. símbolos e cumprimentos. pois sem a esperança dessa continuidade Tim prefere tirar sua própria vida a ver a massa se diluir. há ódio nos quais não concordavam com seus ideais. possuindo características em comum. Vontade imponente que a massa irá aceitar. Nada na massa é medido. porem permaneceu nele até o fim. percebemos uma comoção geral pela reciprocidade de comemorarem juntos. O movimento de massa caracterizado no filme constitui-se de um movimento efêmero. pois Marco estava ciente de que o movimento já tinha ido longe de mais. Essas ideias opostas são oriundas de sujeitos heterogêneos. foi um dos principais fatores para o fim trágico da trama. Algumas das exigências básicas para a perpetuação de um movimento são observadas na “onda”. juntamente com a identificação dos indivíduos presentes na massa. com o fracasso que seus planos de terminar a “onda” dão completamente errados. se identifica com o grupo. Constatamos isso na cena em que saem as ruas para . Este líder adquire importância pelas ideias que ele carrega. para perpetuação de sua existência. pois dilui-se com a mesma velocidade com que foi fundada. Essa característica mostra-se presente no filme. com o fim da “onda” mais que certo. No final do filme. capaz de provocar uma espécie de fascínio hipnótico nos alunos. pois estes abrem mão de suas particularidades. Outro ponto observado no filme foi a busca de evidenciação da massa em relação a grupos semelhantes. poder de domínio sobre o outro. Constatamos que ideias opostas podem coexistir na “onda”. Nas massas desvanecem as aquisições próprias de cada sujeito. durando apenas uma semana. onde este consegue o encanto de todos na forma de um encanto magnético. Por exemplo: certo grau de continuidade.entre si por estes sentimentos. Constatamos isso quando. mesmo possuindo outra nacionalidade. Este prestígio é pessoal. afirma Le Bon. no filme constatamos que existem características comuns ao professor. No filme há um personagem turco que. Podemos constatar que as massas necessitam de uma ilusão para que possa continuar a existir. havendo uma necessidade de mostrar sua existência.

Redução das capacidades intelectuais e suscetibilidade: Quanto o professor questiona os alunos o porquê de terem força Marco até o palco. nesse momento todos só responderam que o fizeram porque o professor mandou. O extremismo fica bem estabelecido no primeiro dia em que os alunos usam camisas brancas. Esse mesmo personagem chega atirar em seu colega no momento que é contrariado. outros do site. Existe ainda uma divisão nas tarefas destinadas a cada um dos sujeitos no grupo.difundir seu símbolo. O que falta para nossa geração é um objetivo comum para unir a gente”. A seguir. Esse líder precisa ser confiante e acreditar em suas ideias. Há um momento de confronto entre os dois grupos no filme. Essa massa diverge dos anarquistas havendo uma rivalidade entre os dois grupos. eles não questionaram as questões morais de suas ordens. Freud usa o conceito de libido e diz que “são essas ligações libidinais que caracterizam a massa”. a necessidade de um objetivo é o terreno perfeito para o líder estabeleça uma ideologia. mas o mais interessante é que está questão faz uma referência a uma afirmação feita no início do filme: “Parece que mais nada valeu a pena. Outra necessidade para a consolidação de uma massa são aquisições de tradições e costumes como as vestimentas brancas e o comprimento peculiar. ou seja. Sendo graças ao Eros que os indivíduos são unidos e se disponibilizam a abdicar de seus desejos pessoais. Esse momento fica bem claro no momento que Tim queima suas roupas. nesse momento Karo é a única a usar camisa vermelha e discriminada. se tornando motivo de chacota. Lisa responde a pergunta do professor sobre se é propício o estabelecimento da autocracia. A indistinção entre o real e irreal encontra terreno fértil no filme de uma forma interessante. buscando justificativa para esse jeito de agir. O aumento da intensidade afetiva e impulsividade são perfeitamente exemplificados no momento que Marco agride a namorada e a briga na piscina entre os jogadores de polo aquático. e outras tarefas importantes para a consolidação e expansão. ou seja. Em uma cena na sala de aula.     A partir desses pontos Freud vai introduzir sua crítica a Le Bom e apresentar como a teoria psicanalítica vai explicar os processos das massas. Assim. . O sentimento de onipotência aparece no momento que Tim saca uma arma para anarquistas após levar um soco por ter pichado o símbolo da onda sobre o anarquista. A gente só quer se divertir. a uma força psicossexual que vai orientar esses grupos para uma busca da satisfação inconsciente. Confirmando a aceitação da ideologia. evidenciamos isto quando alguns ficam responsáveis pela criação da logomarca. e o Eros é essa “força amorosa” que vai fortificar e sustentar essas ligações. um resumo as ideias de Le Bom e vários momentos do filme são apresentados:    Alma coletiva: momento em que todos passam a usar roupas brancas e abrem mão das características individuais se vestirem. Defende-las e sustenta-las. Assim. Processos inconscientes ganham espaço: desejos e intenções reprimidos ganham força.

2011. 15 (19201923). Referencias Barros. B. Freud. São Paulo: Companhia das Letras. Psicologia das massas e analise do eu. Vol.Assim. Grupos: a afirmação de um simulacro. Obras Completas. O filme A Onda torna-se assim. S. 2007. um objeto onde essas características podem ser observadas e comparadas com seus estudos. percebe-se que os de Freud e Barros tem pontos de comunalidade quanto ao estudo e observação de grupo. Porto Alegre: Editora UFRGS. R. .