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Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN-SP) Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação

Disciplina TNR5764 Fundamentos de Tecnologia Nuclear Reatores

Dr. Luís Antônio Albiac Terremoto 2004

ÍÍndiice nd ce
ÍNDICE................................................................................................................2 PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO ....................................................................4 PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO ELETRÔNICA ............................................5 PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃO ELETRÔNICA ............................................6 I - FÍSICA DOS REATORES NUCLEARES .......................................................7
A - FÍSICA DE NÊUTRONS .................................................................................................................... 7 A.1 - Introdução ....................................................................................................................................... 7 A.2 - Produção de nêutrons...................................................................................................................... 7 A.3 - Interação de nêutrons com a matéria .............................................................................................. 8 A.4 - Moderação de nêutrons................................................................................................................. 10 A.5 - Nêutrons térmicos ......................................................................................................................... 15 A.6 - Variação da seção de choque com a energia cinética do nêutron ................................................. 17 B - FISSÃO NUCLEAR........................................................................................................................... 20 B.1 - Teoria do processo de fissão ......................................................................................................... 20 B.2 - Seções de choque de fissão ........................................................................................................... 23 B.3 - Efeitos de temperatura .................................................................................................................. 24 B.4 - Produtos de fissão ......................................................................................................................... 26 B.5 - Distribuição de massa dos produtos de fissão............................................................................... 27 B.6 - Emissão de nêutrons na fissão....................................................................................................... 28 B.7 - Distribuição de energia cinética dos nêutrons emitidos na fissão ................................................. 30 B.8 - Emissão de raios-gama na fissão................................................................................................... 30 B.9 - Liberação de energia na fissão ...................................................................................................... 31 C - FISSÃO NUCLEAR COMO FONTE DE ENERGIA .................................................................... 33 C.1 - Introdução ..................................................................................................................................... 33 C.2 - Reator nuclear ............................................................................................................................... 33 C.3 - Ciclo do nêutron em um reator nuclear térmico............................................................................37 C.4 - Fator de multiplicação de um reator nuclear térmico homogêneo ................................................ 39 C.5 - Reator nuclear térmico heterogêneo.............................................................................................. 43 C.6 - Tamanho crítico de um reator nuclear térmico ............................................................................. 45 C.7 - Conversão e regeneração .............................................................................................................. 50 C.8 - Reatividade ................................................................................................................................... 51 C.9 - Coeficientes de reatividade ........................................................................................................... 52 C.10 - Período de um reator nuclear ...................................................................................................... 53 C.11 - Controle de um reator nuclear..................................................................................................... 54

II - TERMODINÂMICA E TRANSFERÊNCIA DE CALOR EM REATORES NUCLEARES....................................................................................................56
A - TRANSFERÊNCIA DE CALOR E CIRCULAÇÃO DE FLUIDO EM REATORES NUCLEARES ........................................................................................................................................... 56 A.1 - Introdução ..................................................................................................................................... 56 A.2 - Condução de calor em elementos combustíveis............................................................................ 56 A.2.1 - Elemento combustível tipo placa ............................................................................................... 59 A.2.2 - Elemento combustível cilíndrico ............................................................................................... 60 A.3 - Transferência de calor do elemento combustível para o refrigerante ........................................... 63 A.4 - Transferência de calor por convecção forçada.............................................................................. 67 A.5 - Transferência de calor por ebulição .............................................................................................. 69

A.6 - Escolha do refrigerante para reatores nucleares............................................................................ 71 A.7 - Circulação de refrigerante pelo núcleo de um reator .................................................................... 72 B - ASPECTOS TERMODINÂMICOS DE USINAS NUCLEOELÉTRICAS .................................. 78 B.1 - Introdução ..................................................................................................................................... 78 B.2 - Descrição sumária de uma usina nucleoelétrica............................................................................ 78 B.3 - Considerações gerais de termodinâmica ....................................................................................... 80 B.4 - Calor de decaimento dos produtos de fissão ................................................................................. 84 B.5 - Projeto térmico de um reator nuclear ............................................................................................ 87

III - TIPOS DE REATORES NUCLEARES .......................................................91
A - REATORES NUCLEARES DE PESQUISA................................................................................... 91 A.1 - Introdução ..................................................................................................................................... 91 A.2 - Breve histórico dos reatores nucleares de pesquisa ...................................................................... 91 A.3 - Classificação dos reatores nucleares de pesquisa.......................................................................... 92 A.3.1 - Reatores tipo piscina.................................................................................................................. 92 A.3.2 - Reatores a grafite ....................................................................................................................... 93 A.3.3 - Reatores Triga............................................................................................................................ 93 A.3.4 - Reatores Argonauta.................................................................................................................... 94 A.3.5 - Reatores de potência zero .......................................................................................................... 96 A.3.6 - Reatores de alto fluxo ................................................................................................................ 96 A.4 - Reator IEA-R1 .............................................................................................................................. 97 B - REATORES NUCLEARES DE POTÊNCIA ................................................................................ 102 B.1 - Introdução ................................................................................................................................... 102 B.2 - Breve histórico dos reatores nucleares de potência..................................................................... 103 B.3 - Classificação dos reatores nucleares de potência ........................................................................ 104 B.4 - Reatores refrigerados a gás (GCR) ............................................................................................. 105 B.5 - Reatores avançados refrigerados a gás (AGR)............................................................................ 107 B.6 - Reatores refrigerados a gás com temperatura elevada (HTGR) .................................................. 107 B.7 - Reatores refrigerados a água pressurizada (PWR) ...................................................................... 108 B.7.1 - Usinas nucleoelétricas brasileiras ............................................................................................ 111 B.8 - Reatores refrigerados a água fervente (BWR) ............................................................................112 B.9 - Reatores refrigerados a água pesada pressurizada (PHWR) ....................................................... 114 B.10 - Reatores rápidos (FBR)............................................................................................................. 116

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..............................................................120
I - FÍSICA DOS REATORES NUCLEARES ..................................................................................... 120 II - TERMODINÂMICA E TRANSFERÊNCIA DE CALOR EM REATORES NUCLEARES....... 120 III - TIPOS DE REATORES NUCLEARES....................................................................................... 120

Prefáciio à Priimeiira Ediição Prefác o à Pr me ra Ed ção
O presente roteiro de estudos aborda resumidamente os fenômenos físicos e as características de projeto inerentes aos reatores nucleares de fissão. A elaboração deste roteiro de estudos foi motivada pela necessidade de se apresentar aos alunos uma obra que lhes facilitasse o acompanhamento da disciplina Fundamentos de Tecnologia Nuclear (CTN-752), a qual integra o programa de pós-graduação do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN-SP). Trata-se do segundo de uma série de quatro volumes concebida com esta finalidade. Este segundo volume é composto por três tomos contendo tópicos básicos para o entendimento do processo de funcionamento dos reatores nucleares de fissão. O tomo I abrange os fenômenos físicos de interação dos nêutrons com os núcleos atômicos de materiais que constituem o cerne do reator. São apresentados conceitos sobre seções de choque, reações nucleares de fissão em cadeia, fator de multiplicação, fluxo de nêutrons, taxas de reação, reatividade, coeficientes de reatividade e controle de reatores nucleares. O tomo II apresenta conceitos fundamentais sobre transferência de calor, leis da termodinâmica, geração de calor em reatores nucleares e a remoção deste calor por intermédio de um refrigerante. O tomo III mostra os vários tipos de reatores nucleares de fissão, classificando-os de acordo com as características de projeto que apresentam. A autoria do volume coube ao Dr. Luís Antônio Albiac Terremoto, auxiliado na elaboração do tomo III pela Dra. Nanami Kosaka. Participação importante tiveram o Dr. Daniel Kao Sun Ting e o Dr. João Manoel Losada Moreira, que na condição de revisores fizeram comentários, críticas e sugestões incorporadas ao texto. Acima de tudo, porém, este roteiro de estudos representa a continuidade de um trabalho iniciado pelo Dr. José Rubens Maiorino e pela Dra. Nanami Kosaka, autores da primeira versão desta obra que, publicada há três anos, serviu como referência principal na elaboração de todo o volume. Com esta nova versão do roteiro de estudos, espera-se não só contribuir para a melhoria no aproveitamento da disciplina CTN752, mas também proporcionar aos leitores uma idéia da importância que o domínio da tecnologia nuclear representa para uma nação. São Paulo, 30 de agosto de 1996.

Prefáciio à Priimeiira Ediição Elletrôniica Prefác o à Pr me ra Ed ção E etrôn ca
Ao longo dos anos decorridos desde a publicação deste roteiro de estudos, a incorporação de novas tecnologias aos métodos de ensino tem se consolidado de maneira cada vez mais rápida e abrangente. Foi no contexto desta nova realidade que, por iniciativa do Sr. Fernando J. F. Moreira, Chefe da Divisão de Ensino, decidiu-se disponibilizar uma edição do roteiro de estudos utilizando a rede interna de computadores (Intranet) do IPEN/CNEN-SP. A presente edição eletrônica traz como novidades não apenas a forma de veiculação, por si só digna de destaque, mas também a revisão e a atualização do texto apresentado no roteiro de estudos publicado em agosto de 1996. O trabalho de revisão e atualização, que resultou nesta nova versão, coube ao Dr. Luís Antônio Albiac Terremoto. Todo este esforço inovador visa sobretudo conferir maior eficiência à consecução dos mesmos objetivos centrais que nortearam a elaboração da edição anterior: contribuir para a melhoria no aproveitamento da disciplina de pós-graduação Fundamentos de Tecnologia Nuclear (TNA-752) e ao mesmo tempo proporcionar uma idéia da importância que o domínio da tecnologia nuclear representa para uma nação. São Paulo, 05 de março de 2002.

Prefáciio à Segunda Ediição Elletrôniica Prefác o à Segunda Ed ção E etrôn ca
A partir do corrente ano, o módulo de reatores nucleares passa a constituir disciplina autônoma no âmbito da pós-graduação do IPEN/CNEN-SP. O nome da nova disciplina criada neste ensejo é Fundamentos de Tecnologia Nuclear – Reatores (TNR5764). Este fato motivou a realização de uma nova revisão do conteúdo do presente roteiro de estudos, visando incorporar ao texto tanto algumas atualizações quanto sugestões feitas por alunos. Uma vez mais, o trabalho de revisão coube ao Dr. Luís Antônio Albiac Terremoto. Ao disponibilizar esta versão aperfeiçoada na rede interna de computadores (Intranet) do IPEN/CNEN-SP, consolida-se uma marca de continuidade e renovação na busca perseverante dos mesmos objetivos: contribuir para a melhoria no aproveitamento da disciplina de pós-graduação doravante intitulada Fundamentos de Tecnologia Nuclear – Reatores (TNR5764) e ao mesmo tempo proporcionar uma idéia da importância que o domínio da tecnologia nuclear representa para uma nação. São Paulo, 20 de setembro de 2004.

1 . Tais usos de nêutrons e as aplicações da Física de Nêutrons dependem do conhecimento das propriedades destas partículas e de uma compreensão de sua interação com a matéria. Estas reações em cadeia tiveram aplicações militares que marcaram época (armas nucleares) e podem ser utilizadas como uma fonte importante de calor industrial e de energia elétrica.Produção de nêutrons As reações nucleares são a única fonte de nêutrons e as reações (α. por serem partículas pesadas desprovidas de carga elétrica. Estes nuclídeos produzidos artificialmente fornecem informações adicionais sobre a estrutura nuclear e têm aplicações em outras áreas da ciência.2 .68 MeV e os nêutrons emitidos pela fonte têm energias cinéticas de cerca de 1 MeV até 13 MeV.FÍSICA DE NÊUTRONS A. que fornecem nêutrons praticamente monoenergéticos e independem do uso de substâncias radioativas naturais. Entretanto. a ênfase será referente ao estudo dos nêutrons propriamente ditos.F S CA DOS REATORES NUCLEARES A . Isótopos radioativos Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . As diversas reações nucleares induzidas por nêutrons são uma valiosa fonte de informação sobre o núcleo atômico e foram utilizadas para produzir muitos radioisótopos novos. A. métodos e aplicações que se desenvolveram neste campo. Quando se mistura um grama de rádio (elemento radioativo que emite partículas α espontaneamente) com vários gramas de berílio em pó.n)1H. A energia de ligação do último nêutron é particularmente pequena no 9Be e no 2D. possuem propriedades que os tornam especialmente interessantes e importantes na ciência e tecnologia contemporâneas.Introdução Desde a descoberta do nêutron em 1932. Os nêutrons têm também usos diretos como ferramentas de pesquisa. O conjunto assim constituído é denominado fonte neutrônica de Ra-Be. a Biologia e a Medicina. Os nêutrons. de maneira que as reações (γ. A maior parte destas fontes está baseada nas reações nucleares 9Be(γ. suas propriedades os tornam mais úteis do que os raios-X para certos fins analíticos.II . o papel e a importância da Física de Nêutrons cresceram acentuadamente.n) em elementos leves. O rádio e seus produtos de decaimento emitem partículas α com energias cinéticas entre 4. Por exemplo.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 7 de 120 . como a Química. que levaram à descoberta do nêutron. sua produção e interação com a matéria. respectivamente.n)8Be e 2D(γ. são produzidos cerca de 107 nêutrons rápidos por segundo como resultado da reação nuclear 9 Be + 4α → 12C + 1n (1) A mistura pode ser contida num volume de 6 ou 7 cm3.n) apresentam limiares muito baixos: 1.23 MeV. ainda são usadas para produzir estas partículas.79 MeV e 7. Outra maneira de produzir nêutrons é através das chamadas fontes de fotonêutrons. o uso mais impressionante de nêutrons é em reações em cadeia envolvendo materiais físseis. Nesta parte.67 MeV e 2. fornecendo uma fonte de nêutrons conveniente. havendo hoje um grande interesse nas idéias.FÍÍSIICA DOS REATORES NUCLEARES .

em seguida. o fenômeno será: a) espalhamento elástico (g é um nêutron e a energia cinética total do sistema nêutron incidente + núcleo-alvo se conserva). Nêutrons também são produzidos em aceleradores de partículas. captura. intermediários (1 keV < E ≤ 100 keV). Na interação de nêutrons lentos com núcleos atômicos.75 MeV) com berílio metálico em pó (Be) ou água pesada (D2O). de maneira controlada. nêutrons não interagem com a matéria através da força coulombiana. rápidos (0. classificados como muito rápidos (15 MeV < E ≤ 50 MeV). A perda de energia cinética por intermédio do espalhamento elástico faz com que os nêutrons entrem em equilíbrio térmico com o meio material. Pelo fato de não possuírem carga elétrica. epitérmicos (1 eV ≤ E ≤ 1 keV) e térmicos (E < 1 eV). Y é um núcleo-produto e g é um produto da interação. caso a reação nuclear correspondente seja exotérmica) venha Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . captura radiativa e captura. dependendo do tipo de acelerador usado). prótons. onde um elemento-alvo é bombardeado por partículas aceleradas que possuem carga elétrica (elétrons. sendo a ênfase da abordagem voltada para os fenômenos envolvidos.artificiais que emitem raios-gama podem ser produzidos em grandes quantidades por meio de reatores nucleares e. será adotada uma classificação bastante simplificada referente aos nêutrons. X é o núcleo-alvo. causando reações nucleares que resultam na emissão de nêutrons. prótons. b) espalhamento inelástico (g é um nêutron. A classificação destes fenômenos pode ser feita através da seguinte formulação geral simplificada n+X→Y+g (2) onde n é o nêutron incidente. reações nucleares de fissão em cadeia auto-sustentada.1 MeV < E ≤ 15 MeV). etc.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 8 de 120 . etc. um isótopo radioativo emissor de raios-gama (por exemplo 24Na. com energias cinéticas médias de 830 keV (no caso do uso de Be) ou de 220 keV (no caso do uso de água pesada). considerando-se como rápidos ou lentos os nêutrons cuja energia cinética é respectivamente maior ou menor que 0. dêuterons. as fontes mais importantes de nêutrons são aquelas associadas com reatores nucleares. as probabilidades relativas de ocorrência destes fenômenos mudam drasticamente com a energia cinética E dos nêutrons incidentes. que emite raios-gama com energias de 1.37 MeV e 2.. utilizados para fazer fontes de fotonêutrons bastante intensas. Como conseqüência. para efeito de uma descrição geral dos fenômenos mencionados no parágrafo anterior. A. Este processo vem sendo cada vez mais utilizado em pesquisas que utilizam nêutrons. A única maneira pela qual nêutrons perdem energia cinética ao atravessarem um meio material é através de fenômenos decorrentes de interações com núcleos atômicos. e) emissão de nêutrons (g é dois ou mais nêutrons). a presença de elétrons atômicos não altera a trajetória ou a energia cinética de nêutrons que incidem em um meio material. Esta característica faz com que os nêutrons sejam bastante penetrantes. onde ocorrem. f) fissão (g é um núcleo atômico mais dois ou três nêutrons). dêuterons. d) captura radiativa (g é um raio-gama).Interação de nêutrons com a matéria Ao longo deste tópico serão abordados alguns aspectos relevantes da interação de nêutrons com a matéria. Cada uma destas fontes pode fornecer até 107 nêutrons por segundo. No entanto. Uma fonte deste tipo é obtida ao se misturar. c) captura (g é uma ou mais partículas carregadas pesadas: partículas α. Dependendo da natureza de g.3 . predominam os fenômenos de espalhamento elástico. Entretanto. a energia cinética total do sistema nêutron incidente + núcleo-alvo não se conserva e o núcleo-alvo é levado a estados excitados).).5 eV. Para um determinado tipo de núcleo-alvo. partículas α. em condições apropriadas. possibilitando que outro fenômeno (por exemplo.

Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores (6) Página 9 de 120 .x Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .σ (3) sendo que Σ possui a dimensão de cm−1. A seção de choque macroscópica total resulta da soma das seções de choque macroscópicas correspondentes a cada um dos fenômenos mencionados (espalhamento elástico. a variação de intensidade do feixe em dx pode ser escrita como: dI(x) = − I(x). Para nêutrons com uma energia cinética bem definida (monoenergéticos) incidindo em um núcleo atômico conhecido. captura. os quais podem ser detectados como núcleos de recuo.e −Σ t . A desexcitação do núcleo-alvo ocorre por emissão de um raio-gama. parcela considerável da energia cinética inicial dos nêutrons é transferida aos núcleos-alvo.Σ en . a probabilidade de ocorrência correspondente a cada um dos fenômenos mencionados é uma constante.então a ocorrer. A grandeza denominada seção de choque macroscópica Σ resulta da multiplicação da seção de choque σ pelo número N de núcleos atômicos por unidade de volume (cm3): Σ = N.Σ f ): Σt = Σee + Σei + Σc + Σcr + Σen + Σf (4) e deste modo Σt fornece a probabilidade. Para um grande número de materiais. A análise apresentada a seguir supõe um feixe paralelo de geometria estreita na qual qualquer nêutron defletido. A probabilidade de ocorrência dos fenômenos de captura radiativa e captura diminui muito quando se trata da interação de nêutrons rápidos com núcleos atômicos. No espalhamento elástico de nêutrons rápidos. No espalhamento inelástico de nêutrons rápidos. sendo medida em unidades de barn (1 b = 10−24 cm2). O fenômeno de espalhamento inelástico é de grande importância na construção de blindagens para nêutrons rápidos.Σt. à seção de choque macroscópica total Σt do meio material e à espessura incremental dx. possui dimensão de área. por unidade de comprimento atravessado.Σ c .dx A integração da expressão (5) fornece o resultado (5) I(x) = I0.Σ cr . ainda que por um ângulo pequeno. emissão de nêutrons. é considerado removido do feixe.Σ ee . na qual o fenômeno predominante é a emissão de dois nêutrons através da reação (n. Outros fenômenos decorrentes deste tipo de interação. espalhamento inelástico- Σ ei . são espalhamento inelástico e espalhamento elástico. Uma vez que o número de nêutrons removidos do feixe em uma espessura x do meio material é proporcional à intensidade I(x) naquela espessura.2n). embora menos prováveis. constituindo a base da construção de blindagens para nêutrons lentos. Um feixe paralelo monoenergético de nêutrons exibe uma atenuação exponencial característica ao atravessar um meio material. predominando os fenômenos de espalhamento elástico e espalhamento inelástico. parte da energia cinética inicial dos nêutrons é consumida para levar o núcleo-alvo a um de seus estados excitados. Caso especial constitui a interação de nêutrons muito rápidos (15 MeV < E ≤ 50 MeV) com núcleos intermediários e pesados. captura radiativa. Esta probabilidade é denominada seção de choque σ (também usualmente designada como seção de choque microscópica). fissão. o fenômeno de captura radiativa é aquele que apresenta maior probabilidade de ocorrência. Estas reações são de grande relevância na detecção de nêutrons. de que qualquer um destes fenômenos venha a ocorrer. pois os produtos designados por g na formulação geral (2) podem ser detectados diretamente.

onde I0 é a intensidade inicial do feixe paralelo monoenergético incidente. por simplicidade.).x . conforme mostra a figura 1 a seguir. E ). denominada moderação.e 0 ∞ − Σ t .) e no sistema de coordenadas do centro de massa (sistema c. Na maioria das situações práticas envolvidas nos cálculos de Física dos Reatores Nucleares. é importante estudar o fenômeno de espalhamento elástico com mais detalhes.t−1. O tratamento matemático do fenômeno pode ser efetuado de acordo com a mecânica clássica. tanto a quantidade de movimento total quanto a energia cinética total são conservadas. os nêutrons que incidem em um meio material não estão estreitamente colimados. uma vez que os nêutrons considerados não são relativistas (possuem energia cinética menor que 200 MeV). Para a maior parte dos fins práticos. O caminho livre médio λ é definido como a distância média percorrida por um nêutron no meio material antes de interagir com um núcleo atômico. É conveniente considerar a interação no sistema de coordenadas do laboratório (sistema lab. dE 0 ∞ r (9) A.4 . enquanto para nêutrons rápidos λ perfaz geralmente dezenas de cm. Σ ( E ). será abordado ao longo deste tópico somente o espalhamento elástico de nêutrons por núcleos leves. O espalhamento inelástico por núcleos intermediários ou pesados é importante para nêutrons com energias cinéticas acima de 1 MeV.m. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . λ é da ordem de um cm. o processo importante de moderação é o espalhamento elástico por núcleos leves.dx 1 Σt (7) Para nêutrons lentos que incidem em materiais sólidos. A taxa de reação R de um determinado tipo é dada pelo produto do fluxo de nêutrons pela seção de choque macroscópica para o fenômeno correspondente: R = φ( r ).Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 10 de 120 .Σ r [reações/cm3. A desaceleração de nêutrons rápidos em nêutrons lentos. Portanto.d x = ∫e 0 ∞ − Σ t . com dimensão de cm−2. Nestas circunstâncias é conveniente introduzir o conceito do r fluxo de nêutrons φ( r ). para uma determinada posição r definida pelo vetor r .s] (8) Esta expressão pode ser generalizada para incluir um fluxo de nêutrons e uma seção de choque macroscópica dependentes da energia cinética E dos nêutrons considerados: R= ∫ φ( r . O valor desta grandeza pode ser calculado como λ = ∫ x. porém se torna praticamente desprezível abaixo desta energia. pois as seções de choque para os fenômenos de fissão e captura radiativa aumentam com a diminuição da energia cinética do nêutron incidente.Moderação de nêutrons Pelo fato de ocorrer para nêutrons de todas as energias e por se constituir no principal processo pelo qual nêutrons rápidos são convertidos em nêutrons lentos.x . é de grande interesse prático. Na interação entre um nêutron e um núcleo atômico leve através de espalhamento elástico.

Utilizando-se a lei de conservação da quantidade de movimento e a equação (10). m. o centro de massa permanece em repouso. implica na validade da seguinte relação adicional: V2 = ν 0 Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .2 formando ângulos θ1 e θ2 com a direção de incidência do nêutron (ver figura 1a)). Assim pois. resulta que neste sistema tanto o nêutron quanto o núcleo-alvo têm vetores momento iguais e opostos. o nêutron e o núcleo-alvo se movimentam respectivamente . supondo espalhamento elástico.. m. resulta M1V1 = M2V2 (11) r r sendo V1 e V2 as respectivas velocidades também após a interação.Esquema representativo da interação entre um nêutron de massa M1 e um núcleo atômico de massa M2. a conservação da energia cinética total só é possível se cada partícula mantiver sua velocidade após a interação.Figura 1 . se V1 e V2 são respectivamente as velocidades do nêutron e do núcleo-alvo no sistema c. O centro de massa do sistema se move com uma velocidade v0 = M 1v1 M1 + M 2 (10) na direção de v 1 .Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores (12) Página 11 de 120 . A interação ocorre em um plano porque inicialmente não há r momento perpendicular à velocidade v 1 . um nêutron de massa M1 e velocidade inicial ν 1 interage com um núcleo-alvo de massa M2 em repouso. Para descrever o fenômeno. Se o vetor v 0 é subtraído de todos os vetores velocidade. Uma vez que o núcleo-alvo está em repouso no sistema lab. antes da interação. considera-se que no sistema lab. m. a partir deste procedimento (ver figura 1b)). antes e após a interação. Após a interação. a construção do sistema c. Por sua vez. definindo-se portanto o sistema c. com velocidades ν 1 e ν .

Esta quantidade é conveniente para ser usada em cálculos de moderação de nêutrons. todas as relações referentes a velocidades e ângulos podem ser obtidas imediatamente a partir da própria figura. Como a razão entre energias mostrada na expressão (18) é uma função Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . a expressão (15) torna-se: ' E1 A 2 + 1 + 2A cos Θ = E1 (A + 1) 2 (16) A razão entre massas designada por A pode ser considerada como sendo igual ao número de massa do núcleo-alvo (moderador) sem introduzir qualquer erro considerável. a razão entre a energia cinética do nêutron ' E1 após a colisão e a sua energia cinética inicial E1 é dada por ' ' 2 E1 v12 M 2 + M 1 + 2M 2 M 1 cos Θ = 2 = 2 E1 v1 (M 2 + M1) 2 (15) Se a razão entre a massa do núcleo-alvo (moderador) e a massa do nêutron. A expressão (16) assume então a forma ' E1 1 + r 1 − r = + cos Θ E1 2 2 (18) A perda média de energia cinética por colisão pode ser calculada através do decréscimo médio do logaritmo da energia cinética do nêutron por colisão. denotado por ξ . passa a ser designada por A. É conveniente exprimir a razão de energia em termos da quantidade ⎛ A − 1⎞ r=⎜ ⎟ ⎝ A + 1⎠ 2 (17) que. (ver figura 1c)). igual a M2/M1. m. requer a adição da velocidade v 0 a todos os vetores velocidade do sistema c. 2 M 1v12 = M 1 (V12 + v0 + 2V1v0 cos Θ ) 2 2 (13) que apresenta valores máximo e mínimo respectivamente quando Θ = 00 e Θ = 1800. pois M1 é próximo da unidade e M2 é muito próximo a um inteiro. conforme mostra a expressão (14). é uma medida da energia cinética máxima que pode ser perdida pelo nêutron em uma única colisão. a energia cinética do nêutron no sistema lab. após a interação é dada pela expressão ' E1 = r 1 1 . Efetuada esta adição. Portanto. pois a mesma é independente da energia cinética inicial do nêutron incidente.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 12 de 120 . dados por ' E 1max = 1 1 M 1 ( V1 + v 0 ) 2 = M 1v12 = E 1 2 2 (14) 2 ' E1min = ⎛ M − M2 ⎞ 1 1 M1 ( V1 − v0 ) 2 = M1 ( v1 − 2v0 ) 2 = E1 ⎜ 1 ⎟ 2 2 ⎝ M1 + M 2 ⎠ Para valores intermediários do ângulo Θ .O retorno ao sistema lab.

a expressão (21) pode ser escrita novamente como 1 ξ= 1− r o que resulta ∫ ln x . segue-se que todos os valores da razão entre energias mostrada na expressão (18) são igualmente prováveis. P.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores . dada por E = ' 1 E1 rE1 ∫ E. Por sua vez. conforme mencionado anteriormente. dx 1 r (22) ξ = 1+ ou ainda r ln r 1− r (23) ( A − 1) / ( A + 1) ln ( A − 1) / ( A + 1) ξ = 1+ 1 − [( A − 1) / ( A + 1)]2 2 2 (24) sendo ξ independente da energia cinética do nêutron. o decréscimo do logaritmo da energia cinética devido ao espalhamento de um nêutron é dado por : ξ = ln E 1 − ln E = ln E1 E (20) Portanto. dE = dE E1 (1 − r ) (19) onde E1.linear de cos Θ e todos os valores de cos Θ são igualmente prováveis (desde que a energia cinética inicial do nêutron seja menor que 10 MeV. entre E e E+dE é dada por P.(1−r) representa a faixa inteira de valores de energia cinética que um nêutron pode ter após uma colisão.dE de que um nêutron com energia cinética inicial E1 tenha uma energia cinética. Nestas circunstâncias. Por definição. a probabilidade P. a expressão (24) pode ser escrita na forma ( A − 1) 2 ⎛ A + 1⎞ ξ = 1− ln⎜ ⎟ ⎝ A − 1⎠ 2A (25) Uma outra grandeza útil é a energia cinética média de um nêutron após uma colisão. P . condição satisfeita na grande maioria dos casos de interesse). d E = E E1 rE 1 ∫ E ⎞ dE ⎛ ⎜ ln 1 ⎟ ⎝ E ⎠ E 1 (1 − r ) (21) Se x é igualado à razão entre energias cinéticas. após uma colisão. o valor de ξ pode ser calculado da seguinte maneira E1 ξ = rE 1 ∫ E ln 1 . dE = E 1 (1 + r ) 2 (26) Página 13 de 120 Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .

Quando se conhece o valor de ξ . o número de colisões neste caso é dado por N médio = ln[(2. o número médio de colisões necessárias para produzir um dado decréscimo na energia cinética do nêutron pode ser facilmente calculado. r = 0 e a energia cinética média de um nêutron após uma colisão com um núcleo de hidrogênio (constituído por um próton) fica sendo justamente a metade da energia cinética inicial. e não valores precisos. O poder de moderação tem a dimensão de cm−1 e deve apresentar um valor relativamente grande para um bom moderador. A razão de moderação é a medida do poder de moderação relativo e habilidade de absorção de uma dada substância. O número de átomos por unidade de volume que a substância apresenta. Σ ee = N 0 .10 6 ) / 0. captura radiativa e fissão).Para o hidrogênio (A=1). se os nêutrons possuem inicialmente uma energia cinética média de 2 MeV. A primeira destas é o poder de moderação. o logaritmo da perda de energia cinética total é ln(2.86.σ ee = ξ. as seções de choque para os fenômenos de captura.E1. σ ee ξ .025). definida por Razao de moderacao = ξ . ρ é a massa específica. N .98 e E 1 = 0. N0 é o número de Avogadro (igual a 6. usaram-se as seções de choque para absorção de nêutrons térmicos. mas mesmo assim são úteis para fins de comparação. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . assim como a probabilidade de ocorrência do fenômeno de espalhamento elástico (expressa no valor da seção de choque correspondente). Como a perda média por colisão é ξ . Σ ee = Σa σa (29) onde σa é a seção de choque para absorção (resultante da soma das seções de choque para os fenômenos de captura. também devem ser considerados.ξ. para um bom moderador. de maneira que os valores das razões de moderação mostrados na tabela 1 são limites inferiores. r = 0. A segunda quantidade é a razão de moderação. As propriedades de alguns bons moderadores de nêutrons são mostradas na tabela 1. Se entretanto um nêutron colidir com o ' núcleo de um átomo de carbono (A=12).023. pois caso contrário um grande número de nêutrons seria perdido por absorção.025] 18. r = 0. são usadas duas outras quantidades para expressar as propriedades de um moderador de nêutrons.E1. No cálculo dos valores da razão de moderação.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 14 de 120 . Por exemplo.99. captura radiativa e fissão devem ser muito pequenas. Estes valores são maiores do que aqueles encontrados para nêutrons com energias cinéticas mais elevadas. outras características devem ser levadas em conta antes de decidir pelo uso da mesma como moderador.σ ee A (28) onde N é o número de átomos por cm3.2 = ξ ξ (27) Apesar da quantidade ξ ser um indicador da adequação de uma dada substância para diminuir a energia cinética de nêutrons que nela incidem.ρ. Finalmente.1023) e σee é a seção de choque para o fenômeno de espalhamento elástico.025 eV (energia cinética do nêutron correspondente à energia térmica na temperatura ambiente). Caso o nêutron ' colida com um átomo cujo núcleo possua número de massa A = 200.72 e E 1 = 0.106/0. e se eles devem ser moderados para 0. Como resultado destas considerações. definido por Poder de moderacao = ξ.

O lado direito pode ser escrito na forma Cf (v) . Numa colisão particular com um núcleo atômico. dada por ⎛ m ⎞ n (v )d v = 4 π n ⎜ ⎟ ⎝ 2πkT ⎠ 3/2 v 2 e − m .k . Na prática. onde C representa o coeficiente 4πn(m/2πkT) 3/2 .53 72 D2O 0. n(v)dv é o número de nêutrons por unidade de volume que possuem velocidades entre v e v + dv. uma das quais é o valor da velocidade mais provável. Quando as condições para o equilíbrio térmico são satisfeitas. m é a massa de um nêutron. O berílio também é caro. A razão de moderação relativamente fraca da água é causada pela seção de choque para captura radiativa razoavelmente alta (igual a 0. De acordo com estes resultados. água pesada é uma substância muito cara e só pode ser usada para aplicações especiais nas quais o custo não é a consideração primária. para nêutrons térmicos) do hidrogênio.Valores do poder de moderação e da razão de moderação para alguns bons moderadores de nêutrons.5 . sendo raramente utilizado.064 170 Tabela 1 .T dv (30) onde n é o número total de nêutrons por unidade de volume. água pesada (D2O) é o melhor dos moderadores listados e água (H2O) o menos efetivo. k é a constante de Boltzmann e T é a temperatura absoluta do moderador. Em um grande número de colisões entre nêutrons e núcleos atômicos. a expressão (30) n(v) = Cf(v) = Cv 2 e − α v de tal maneira que 2 2 (31) Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . sendo também . os ganhos de energia cinética são tão prováveis como as perdas de energia cinética. A. pelo fato de oferecerem uma relação satisfatória entre poder de moderação e custo.370 12000 Be 0. O comportamento destes nêutrons é similar àquele dos átomos de um gás e pode ser descrito razoavelmente bem pela teoria cinética dos gases.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 15 de 120 . que pode ser determinado pelo procedimento usual de diferenciar o lado direito da expressão (30) em relação a v e igualar a derivada a zero. medida em graus Kelvin. Efetuadas estas alterações. os nêutrons têm a bem conhecida distribuição maxwelliana de velocidades. os nêutrons podem alcançar o estado em que suas energias estejam em equilíbrio com aquela dos átomos ou moléculas do moderador no qual eles se movem. Diz-se então que os nêutrons estão em equilíbrio térmico com os átomos ou moléculas do moderador. A distribuição maxwelliana possui algumas propriedades importantes. um nêutron pode então ganhar ou perder uma pequena quantidade de energia cinética. Grafite (uma das formas alotrópicas do carbono) e água são os moderadores usados mais freqüentemente.332 b.v 2 / 2 .Nêutrons térmicos Como resultado do processo de moderação. que é independente de conveniente estabelecer α = (m/2kT) pode ser escrita novamente na forma 1/2 v.176 159 Grafite 0.Moderador Poder de moderação (cm−1) Razão de moderação H2O 1.

A energia cinética correspondente à velocidade mais provável é designada por E e resulta 0 E0 = 1 mv 2 = kT 0 2 (34) O valor numérico da velocidade mais provável v0 para a temperatura ambiente igual a 200 C (ou seja.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 16 de 120 .v (38) (39) Apesar de qualquer uma das propriedades discutidas poder ser usada para caracterizar a distribuição maxwelliana de nêutrons térmicos. é mais comum descrever Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . dada por v= 2 v 0 = 1. Como n(v) alcança seu valor máximo quando v = v 0 .1284. como se pode verificar comparando as expressões (35) e (37). A distribuição de energia dos nêutrons é dada por n(E)dE = 2πn e − E/ kT E1/ 2 dE 3/ 2 (πkT) (36) onde n(E)dE representa o número de nêutrons com energia cinética entre E e E + dE . A energia cinética média é E= 3 3 kT = E 0 2 2 (37) sendo 50% maior do que a energia cinética correspondente à velocidade mais provável.v 0 = 1.v 0 π1/2 (35) sendo cerca de 13% maior do que a velocidade mais provável.2 2 2 2 1 dn(v) = 2ve −α v − 2v 3 α 2 e −α v = 0 C dv (32) Para que a equação (32) seja satisfeita para algum valor de velocidade v = v 0 . T = 293 graus Kelvin) é igual a 2198 m/s. esta velocidade é a mais provável. mas sim à velocidade quadrática média vs dada por v s2 = ou ainda 2E 2 ⎛ 3 ⎞ 3 ⎛ 2kT ⎞ 3 2 = ⎜ kT⎟ = ⎜ ⎟ = v0 m m⎝2 ⎠ 2⎝ m ⎠ 2 v s = 1. é necessário que v0 ⎛ 2kT ⎞ = = ⎜ ⎟ ⎝ m ⎠ α 1 1/ 2 (33) para cada valor da temperatura absoluta T. Outra propriedade importante da distribuição maxwelliana é a velocidade média.085.0252 eV. A energia cinética média não corresponde à velocidade média.2248. correspondendo a uma energia cinética do nêutron igual a 0.

0. nas quais. a estrutura molecular faz com que o valor da seção de choque para espalhamento elástico aumente muito com a diminuição da energia cinética do nêutron. Para núcleos intermediários e pesados a seção de choque para espalhamento elástico é constante para energias baixas e exibe alguma variação em energias mais elevadas. a variação da seção de choque em função da energia cinética do nêutron incidente depende do tipo de fenômeno considerado.Variação da seção de choque com a energia cinética do nêutron Conforme mencionado anteriormente.5 MeV. Convém destacar também que não há uma variação muito grande de um elemento para outro. As energias de limiar para espalhamento inelástico de nêutrons em oxigênio. O fenômeno de espalhamento inelástico ocorre principalmente entre nêutrons com energia cinética elevada e núcleos intermediários e pesados.6 . A. dedicando-se especial atenção a alguns exemplos de maior interesse para a Física dos Reatores Nucleares. do número de massa do núcleo-alvo e da temperatura do meio no qual o nêutron incide. apesar das seções de choque dos átomos constituintes se manterem constantes. considera-se como válida a generalização de que a seção de choque para espalhamento elástico é constante para todas as energias e elementos de interesse.os nêutrons térmicos em termos da velocidade mais provável e da energia cinética correspondente. mas também de um isótopo para outro. Entretanto. A seção de choque para absorção de nêutrons por muitos isótopos leves é inversamente proporcional à velocidade dos nêutrons em uma ampla faixa de energias. Estes nêutrons são em geral denominados “nêutrons kT” e as seções de choque indicadas para nêutrons térmicos são usualmente aquelas para a velocidade de 2200 m/s ou para uma energia cinética de 0. Serão consideradas seções de choque para nêutrons cuja energia cinética se encontra na faixa compreendida entre 0. sódio e urânio são respectivamente cerca de 6. ou seja σa ∝ 1 1 ∝ 1/ 2 v E (40) Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . pois a energia a partir da qual este fenômeno passa a ocorrer. como em Física dos Reatores o interesse maior é na ocorrência de espalhamento elástico em núcleos leves. as seções de choque para interações com nêutrons em geral não são constantes.4 MeV e 0. sendo que praticamente todos os elementos possuem seções de choque para espalhamento elástico que variam entre 2 b e 20 b. As exceções importantes a esta regra geral são constituídas pela incidência de nêutrons com energia cinética inferior a 1 eV em água ou água pesada. e acima destes valores a seção de choque de espalhamento inelástico aumenta até atingir um valor pequeno e aproximadamente constante que em geral perfaz alguns barns. O espalhamento inelástico de nêutrons por núcleos leves não apresenta muito interesse prático. cuja abordagem ficará restrita a um resumo geral do tema. As seções de choque para absorção exibem uma variação bem mais acentuada que as seções de choque para espalhamento elástico. não apenas em função da energia cinética do nêutron incidente.025 eV.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 17 de 120 . Uma descrição completa da variação destas seções de choque está além dos propósitos deste curso. mas variam como função da energia cinética do nêutron incidente.01 eV e 10 MeV. Em geral. Seções de choque para espalhamento elástico em núcleos leves são razoavelmente independentes da energia cinética do nêutron incidente até energias de aproximadamente 1 MeV. denominada energia de limiar. é muito alta.05 MeV. sendo importante em Física dos Reatores porque estes nêutrons podem perder grande parte da energia inicial como resultado de espalhamento inelástico em núcleos pesados como urânio.

(e) seção de choque para captura radiativa. 233U e 239Pu variam de maneira semelhante à seção de choque para absorção de nêutrons por isótopos pesados. a seção de choque para absorção de nêutrons por isótopos intermediários apresenta comportamento típico que pode ser descrito em linhas gerais pela seguinte seqüência: proporcionalidade a 1/v em baixas energias. (d) seção de choque típica para captura. (b) seção de choque para espalhamento elástico. A figura 2 mostra esquematicamente o comportamento típico das seções de choque para incidência de nêutrons em núcleos intermediários. não há resolução para distinguir as diferentes ressonâncias e a seção de choque para absorção assume um valor aproximadamente constante que perfaz alguns barns. Para energias acima de 1 keV. presença de algumas ressonâncias em energias intermediárias e oscilação suave em torno de um valor relativamente baixo em energias elevadas.Para isótopos pesados. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . (c) seção de choque para espalhamento inelástico. As seções de choque para fissão nos núcleos 235U. o valor da seção de choque para absorção pode alcançar valores muito elevados. Na faixa de energias intermediárias. cujo comportamento foi descrito anteriormente em linhas gerais: proporcionalidade a 1/v em baixas energias. a seção de choque para absorção apresenta um comportamento bastante irregular caracterizado pela presença de picos conhecidos como ressonâncias.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 18 de 120 . Figura 2 . ocorrência de ressonâncias em energias intermediárias e oscilação suave em torno de um valor constante na faixa de energias elevadas. Nestas ressonâncias.Esquema ilustrativo das seções de choque para incidência de nêutrons com energia cinética E em núcleos intermediários: (a) seção de choque total. a variação segundo 1/v é observada em baixas energias até cerca de 10 eV. Por sua vez. compreendida entre 10 eV e 1 keV.

Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .É possível explicar qualitativamente alguns dos motivos pelos quais as seções de choque apresentam as variações características gerais apresentadas anteriormente. Se. caso contrário.4 MeV e de 1 MeV. a seção de choque assume valores consideravelmente mais baixos. dando origem aos picos de ressonância. Os núcleos compostos pesados como o 239U possuem vários estados excitados muito próximos.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 19 de 120 . fato que resulta na proporcionalidade a 1/v. nos núcleos 232Th e 238U. Este tempo varia de maneira inversamente proporcional à velocidade do nêutron. A explicação dos picos de ressonância provém dos mecanismos de formação do núcleo composto. a probabilidade de que ocorra a interação entre o nêutron incidente e o núcleo-alvo aumenta e. O núcleo composto é formado com uma energia de excitação dada por B+Ec. a probabilidade de que a interação venha a ocorrer é muito menor e. Se a energia cinética do nêutron é tal que o núcleo composto resulta formado em um de seus estados excitados ou muito próximo deles. como conseqüência. onde B é a energia de ligação de um nêutron em um núcleo composto e Ec é a energia cinética do nêutron multiplicada por A/(A+1). Por exemplo. o que explica o grande número de ressonâncias presentes na seção de choque para absorção de nêutrons pelo núcleo 238U. a seção de choque assume valores elevados. é importante destacar que o comportamento geral da seção de choque para fissão em núcleos pesados também varia muito conforme o isótopo considerado. respectivamente. a probabilidade de interação é governada pelo tempo durante o qual o nêutron se encontra na vizinhança do núcleo. Por fim. como conseqüência. a energia cinética do nêutron incidente é tal que o núcleo composto resulta formado com uma energia cujo valor está entre dois estados excitados. as seções de choque para fissão apresentam energia de limiar em torno de 1. de interesse para a Física de Reatores Nucleares. Em energias abaixo da região de ressonância.

Em meio ao grande número de elementos estudados. Se a energia de excitação é suficientemente grande. evidências posteriores mostraram que o produto radioativo isolado continha na verdade átomos de bário. Em vista das notáveis propriedades do processo de fissão. No modelo da gota líquida.Etapas possíveis no processo da fissão nuclear de acordo com o modelo da gota líquida. uma soma de esforços foi direcionada em estudos teóricos do processo. no âmbito destes experimentos. estabelecem-se oscilações dentro da gota.Teoria do processo de fissão Após a descoberta do nêutron. com a energia de excitação sendo liberada na forma de raios-gama. em razão da natureza revolucionária da conclusão de que o bombardeamento de um núcleo de urânio (com Z = 92) fosse capaz de produzir um núcleo com cerca da metade da massa do núcleo original (o bário possui Z = 56).1 . A descoberta do processo de fissão nuclear ocorreu em 1939. foram efetuados experimentos detalhados com o objetivo de estudar o efeito causado pela incidência deste tipo de partícula nos mais diversos elementos. A seqüência das etapas que levam à fissão está mostrada na figura 3. ao invés de urânio. o urânio. Se a energia de excitação não é suficientemente grande. enquanto que a energia de excitação tende a distorcer ainda mais a forma. isolou-se um produto radioativo que inicialmente foi considerado como sendo constituído por um isótopo do urânio. a gota pode atingir a forma de um haltere. de maneira que a gota pode assumir uma forma elipsoidal. Se energia for adicionada à gota. Este resultado foi assumido com relutância. o núcleo é considerado como sendo uma gota inicialmente esférica. Este modelo pode ser usado para descrever o processo de fissão com algum detalhe e fazer previsões bem sucedidas sobre a ocorrência de fissão espontânea e sobre a capacidade de vários núcleos pesados sofrerem fissão ao serem bombardeados com nêutrons lentos ou rápidos. Após bombardear átomos de urânio com nêutrons lentos. As forças de repulsão eletrostática podem então forçar os dois extremos para fora até que o haltere se rompa em duas gotas similares. Entretanto. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . atenção especial foi dedicada ao elemento natural com maior número atômico.B . Figura 3 . Estas oscilações tendem a distorcer a forma esférica. As forças de tensão superficial tendem a fazer a gota retornar à sua forma original. como na forma de energia de excitação resultante da captura de um nêutron lento. Neste caso. a gota elipsoidal pode retornar à forma esférica. o fenômeno é de captura radiativa ao invés de fissão.FISSÃO NUCLEAR B.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 20 de 120 . cada uma das quais com forma esférica. mas cuja forma depende em cada instante do balanço envolvendo as forças de tensão superficial e as forças repulsivas de origem eletrostática. O primeiro tratamento completo teve como base o modelo da gota líquida do núcleo.

A figura 4 mostra como varia a energia potencial E da gota em função de um parâmetro r que é uma medida do grau de deformação.Z2)]. quando a energia potencial é 197 MeV. As formas destas curvas e os valores de E0 estão relacionados com a massa do núcleo. O valor de E0 corresponde ao estado fundamental do núcleo composto formado quando o núcleo-alvo captura um nêutron. existe uma certa probabilidade de que possam sofrer fissão espontânea. O cálculo de E então é complicado. urânio ou plutônio são do tipo II.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 21 de 120 . r é a distância entre seus centros. sendo E0 cerca de 50 MeV menor que Ec. há uma quantidade de energia disponível E0. Figura 4 .E0 perfaz cerca de 6 MeV. O valor de E nesta região é dado por (Z1Z2e2/r).A energia potencial da gota nos diferentes estágios pode ser calculada em função do grau de deformação da gota.Z) . ou seja. cerca de 25 Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . r representa o grau de desvio da gota original de sua forma esférica. a energia é justamente a energia eletrostática resultante da repulsão mútua dos dois fragmentos nucleares carregados positivamente. Núcleos estáveis com valores de A um pouco maiores que 100 são do tipo I. Núcleos do tipo III devem sofrer fissão espontaneamente.Z) representa o núcleo que pode sofrer fissão e os índices 1 e 2 denotam os possíveis produtos finais. como no caso III.Z1) . de acordo com a mecânica quântica. para os quais Ec . Quando a gota está dividida em dois fragmentos. E0 pode ser maior que Ec. Se R1 e R2 são os raios das duas gotas produzidas.M(A1. Para valores de r maiores que R1 + R2. Neste caso. o que ocorre por meio de um fenômeno quântico denominado tunelamento. a energia depende não apenas das forças eletrostáticas. que representa a gota esférica inicial. Para r → ∞. Quando os dois fragmentos estão encostados. núcleos do tipo II devem ser estáveis com respeito à fissão. sendo Z1 Z 2 e 2 Ec = R1 + R 2 (42) Para valores de r menores que R1 + R2. II e III) para a possível variação de E nesta região. Como conseqüência. Para valores de r menores que R1 + R2. r = R1 + R2 é o valor do parâmetro de deformação no qual as duas gotas simplesmente encostam. dependem do valor de A na expressão (41).Energia potencial de dois fragmentos de fissão em função da distância entre os centros e a configuração no contato. mas também das forças de tensão superficial.M(A2. dada por E0 = [M(A. tendo curta duração. Tendo como base a física clássica. os fragmentos podem “passar através” da barreira representada por Ec. o valor de E é considerado como sendo igual a zero. Porém. sendo mostradas três curvas diferentes (I. r = R1 + R2 e a energia eletrostática é designada por Ec. de maneira que E diminui conforme a distância entre os dois fragmentos aumenta.c2 (41) onde (A. Em r = 0. mas não inclui a energia de excitação resultante da captura deste nêutron. Núcleos como os de tório. Para núcleos ainda mais pesados.

6 4. de maneira que. a energia de ligação é calculada como segue : Massa do 235U (235. esperando-se portanto que estes núcleos sofram fissão quando neles incidem nêutrons térmicos.m. Massa do núcleo composto 236U = 236. Núcleo-alvo Energia de excitação Energia de ativação (MeV) (MeV) 233 234 U U 6.4 5.) = 236. para induzir fissão nestes dois núcleos. a fissão induzida pela incidência de nêutrons térmicos é binária.E0 necessária para induzir fissão em núcleos do tipo II foi calculada a partir da teoria da gota líquida. Nos núcleos 238U e 232Th. Os dados experimentais confirmam também esta previsão.11704 u. em que o núcleo atômico pesado divide-se em três fragmentos. A aplicação adicional do modelo nuclear de camadas obteve algum sucesso na explicação da assimetria observada. podendo ser comparada com a energia de excitação resultante da captura de um nêutron.4 4.9 232 233 Th Th 5. Diferença entre ambos → ΔM = 0. Núcleo composto Nos núcleos 233U.12602 u.4 MeV Os valores da energia de excitação calculados desta maneira para vários núcleos pesados estão listados na tabela 2. juntamente com os valores correspondentes da energia de ativação obtidos a partir da teoria da gota líquida.1015 anos.) + Massa do nêutron (1. Foram feitas tentativas de modificar a teoria da gota líquida da fissão para superar esta dificuldade.a.m.m. o modo mais provável de divisão de um núcleo do tipo gota líquida é em dois fragmentos iguais. da interação com outra partícula ou da incidência de um raio-gama.a. Observa-se que a fissão por nêutrons térmicos ocorre muito mais freqüentemente em núcleos que possuem um número ímpar de nêutrons. com a emissão simultânea de raios-gama prontos mais dois ou três nêutrons rápidos. Muito mais rara é a ocorrência de fissão ternária.a.a.9 5. neste caso a fissão apresenta uma energia de limiar.3 239 240 Pu Pu 6.m. A discussão apresentada nesta parte indica que a teoria da gota líquida do núcleo foi aplicada com sucesso ao fenômeno da fissão nuclear.Fissionabilidade de núcleos pesados por nêutrons térmicos. No caso do núcleo composto 236U. Isto realmente ocorre e as seções de choque para fissão por nêutrons térmicos nestes três núcleos são elevadas.00690 u. a energia de excitação difere por uma quantia desprezível da energia de ligação do último nêutron.1 6. Quando o núcleo composto é formado pela captura de um nêutron lento. = 6.0.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 22 de 120 . tendo sido observados os seguintes tipos principais decorrentes da incidência de nêutrons térmicos: a) os três fragmentos Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . sendo a meia-vida para este processo igual a 8.6 235 236 U U 6.a. consistindo na divisão de um núcleo atômico pesado em dois fragmentos de tamanho comparável. 235U e 239Pu. caso estes sejam conhecidos. Ainda que quase sempre assimétrica. de acordo com a teoria. Porém.11912 u.m.0 238 239 U U 4.5 Tabela 2 . a energia de excitação é menor que a energia de ativação e portanto os mesmos não devem sofrer fissão por nêutrons térmicos.fissões espontâneas ocorrem por grama por hora em uma amostra de 238U. A energia de ativação Ec . os nêutrons incidentes devem ter uma energia cinética considerável. Por conseguinte.00898 u. do que em núcleos que possuem um número par de nêutrons. quando na verdade a divisão que ocorre é assimétrica. a energia de excitação é consideravelmente maior que a energia de ativação. A energia de excitação de um núcleo composto pode ser calculada a partir das massas dos núcleos envolvidos.

03 0.T = 27 . é um assunto de interesse teórico e de grande importância prática. β − . a seção de choque para fissão é relativamente pequena.07 ± 0. b) um dos fragmentos é uma partícula α com energia cinética elevada – corresponde a cerca de um evento a cada 400 fissões binárias.02 2.004 (683 ± 3) b (577 ± 5) b (101 ± 5) b (15 ± 2) b 2.01 (1028 ± 8) b (742 ± 4) b (286 ± 4) b (9.51 ± 0. c) um dos fragmentos é um núcleo leve.T = 22 .025 eV). O 239Pu é produzido a partir da captura radiativa de um nêutron pelo 238U.Propriedades apresentadas pelos principais materiais físseis mediante incidência de nêutrons térmicos (v = 2200 m/s. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .10 anos 7. β − . com número de massa 4 < A < 12 – corresponde a cerca de um evento a cada 80 fissões binárias. apenas estes três materiais físseis são importantes em aplicações em larga escala de fissão nuclear. o 233U e o 239Pu têm seções de choque altas para fissão por nêutrons térmicos.39 ± 0. 3 min .γ)239U ⎯β .03 2. A seção de choque para fissão nestes materiais varia com a energia de uma maneira bastante complicada. E = 0.6 ± 0. somente o 235U. Conforme mostra a figura 6. com pelo menos 20 ressonâncias diferentes abaixo de 20 eV. comportamento análogo é exibido pela seção de choque para fissão do 239Pu por nêutrons. 0 d .01 2. ocorrendo naturalmente (235U) ou podendo ser produzidos em quantidades significativas durante intervalos de tempo praticáveis (233U e 239Pu). comparada com a probabilidade de ocorrência de outros fenômenos.T = 2 .possuem tamanho comparável – ocorre à taxa de cinco eventos para cada um milhão de fissões binárias.18 ± 0.10. 235U e 239Pu são mostradas na tabela 3.104 anos Tabela 3 . As seções de choque térmicas para os diferentes fenômenos no 233U. há muitas ressonâncias próximas. Dentre os núcleos pesados. Em energias altas.101 ± 0. perfazendo somente cerca de um barn na vizinhança de 1 MeV.62.5) b 2. O 233U é produzido a partir da captura radiativa de um nêutron pelo seguida de decaimento beta negativo segundo a cadeia mostrada abaixo: 232 1/ 2 1/ 2 Th(n.02 5 8 T1/2 1.89 ± 0. Propriedade 233 U 235 U 239 Pu σa σf σ cr (578 ± 4) b (525 ± 4) b (53 ± 2) b (12 ± 3) b 2.02 0. 1/ 2 U(n.28 eV.08 ± 0.2 . assim como meias-vidas longas. Começando em 0.02 0. Na região térmica σf varia aproximadamente com 1/v.44.28 ± 0. 36 d .γ)233Th ⎯⎯ ⎯ ⎯ ⎯ → 233Pa ⎯⎯ ⎯ ⎯⎯→ 233U ⎯ Th. seguida de decaimento beta negativo segundo a cadeia mostrada abaixo: 238 σe ν α = σ cr / σ f η = ν /(1 + α) T = 23 .Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 23 de 120 .44 ± 0. Portanto.Seções de choque de fissão A probabilidade de fissão.⎯2⎯ ⎯5⎯⎯→ 239Np ⎯⎯ ⎯ ⎯⎯→ 239Pu ⎯ 1/ 232 − β − . min .10 anos 2. B. como mostra a figura 5 para o 235U.

Por exemplo. a energia cinética passa a ser comparável com a energia que os núcleos possuem em razão da agitação térmica Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . sendo este um modo de decaimento muito menos provável do que a emissão de partículas α.8.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 24 de 120 . assume-se em geral que o núcleo está em repouso no sistema de referência do laboratório (sistema lab. Figura 6 . Entretanto. Muitos núcleos pesados sofrem fissão espontânea.Seções de choque total (σT) e para fissão (σf) do 239Pu mostradas em função da energia cinética dos nêutrons incidentes. o 235U tem meia-vida para fissão espontânea de cerca de 1.1015 anos. Para nêutrons rápidos.3 . esta hipótese é adequada.1017 anos. Núcleos que sofrem fissão mediante a incidência de nêutrons lentos têm taxas de fissão espontânea menores do que seus isótopos que sofrem fissão apenas com nêutrons rápidos.Seções de choque total (σT) e para fissão (σf) do 235U mostradas em função da energia cinética dos nêutrons incidentes.0. correspondendo a uma taxa de cerca de uma fissão por grama por hora. enquanto que o 238U tem uma meia-vida para fissão de 8. e que o nêutron incide no mesmo com uma dada energia cinética. para nêutrons lentos (da ordem de eV). B. o que corresponde a uma taxa de 25 fissões por grama por hora.Figura 5 .Efeitos de temperatura Na interação de nêutrons com o núcleo atômico.). pois a energia cinética dos nêutrons é muito maior que a energia térmica associada ao movimento dos núcleos.

σ (E c ). T) = r r 1 ∫ v r . Vy . m. como aquelas observadas na região de baixas energias em núcleos pesados.⎜ ⎟ ⎝ M + m⎠ ⎝ m ⎠ 1/ 2 . é dada por: Ec = M m ⎛ M. v é a velocidade dos nêutrons incidentes medida no sistema lab. Vz (44) onde m e M são respectivamente as massas do nêutron e do núcleo-alvo. m. de maneira que a seção de choque deve levar em consideração o movimento relativo entre o nêutron e o núcleo-alvo. a seção de choque média para fenômenos causados pela incidência de nêutrons térmicos em um meio material deve ser escrita como função da temperatura.v 2 z / 2kT (48) é uma distribuição maxwelliana de velocidades. de modo que a expressão (44) pode ser escrita como ⎛ M . A expressão (43) assume então a forma σ (E. N(V). T) = onde 1 v r σ (E c )N(V z )dV z Nv ∫ (47) ⎛ M ⎞ N(Vz ) = N ⎜ ⎟ ⎝ 2 π kT ⎠ 1/ 2 e − M . A energia cinética Ec no sistema c. Vz )dV x dVy dV z = N(V z )dV z ∫ (46) onde N(Vz)dVz é o número de núcleos-alvo por unidade de volume que se move no meio material com velocidades entre Vz e Vz + dVz. a integral em dVx e dVy pode ser efetuada diretamente. m ⎞ ⎛ 2E ⎞ E+ EA − ⎜ ⎟ .. σ(Ec) é a seção de choque em função da energia cinética Ec medida no sistema do centro de r r massa (sistema c. Os efeitos de temperatura são de grande importância nas imediações de ressonâncias estreitas. Para tanto.. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . e Vz é a componente da velocidade do núcleo-alvo ao longo da direção de movimento do nêutron incidente. resultando r ∫ N(V)dV = ∫∫∫ N(V r r x .) e N ( V ) d V é o número de núcleos-alvo por unidade de volume r r r do meio que se move com velocidades entre V e V + d V . m ⎞ ⎛ 2E ⎞ Ec ≅ E − ⎜ ⎟ .⎜ ⎟ ⎝ M + m⎠ ⎝ m ⎠ M+m M+m 1/ 2 .Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 25 de 120 . m/(M+m) ≅ 0 enquanto M/(M+m) ≅ 1. Neste caso específico. N é o número de núcleosalvo por unidade de volume do meio. Vz (45) Uma vez que Ec e consequentemente vr dependem apenas da componente z da velocidade V .dV Nv (43) onde E é a energia cinética dos nêutrons incidentes medida no sistema lab. vr é a velocidade relativa entre o nêutron e o núcleo-alvo.do meio material no qual estão inseridos. de acordo com a expressão σ (E. E e EA são suas respectivas energias cinéticas no sistema lab. T é a temperatura absoluta do meio no qual os nêutrons incidem.

correspondendo a um isótopo de crômio (Cr. fornece produtos com números de massa próximos a 95 e 139.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 26 de 120 . O aumento de potência produz um aumento de temperatura no combustível nuclear (constituído por uma mistura de 235U e 238U). Esta particularidade é de fundamental importância no controle de um reator nuclear. B. que representam o número total de núcleos diferentes formados como fragmentos de fissão diretos. causando um maior número de absorções de nêutrons lentos pelo 238U devido aos efeitos de temperatura. Figura 7 . próximo da ressonância de 6. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Z = 64). cerca de 97% dos núcleos de 235U que sofrem fissão fornecem produtos que podem ser classificados em dois grupos: um “leve” com números de massa entre 85 e 104 e um “pesado” com números de massa entre 130 e 149. Portanto.67 eV. ocorre um aumento na taxa de absorção. fazendo com que este seja inerentemente seguro em relação a aumentos de potência ocorridos como conseqüência de um eventual acidente. sendo formado um par diferente de núcleos em cada modo. Este aumento do número de absorções faz com que diminua o número de fissões no combustível nuclear e portanto a potência liberada pelo reator. Como resultado da incidência de nêutrons térmicos.4 . portanto. o nêutron incidente necessita atravessar um intervalo de energia maior antes de atingir as regiões térmicas. Há 106 números de massa possíveis entre 66 e 172. O tipo de fissão mais provável. Z = 24). Desta maneira.67 eV (efeito Doppler). ilustra-se o comportamento da seção de choque média para captura radiativa no 238U.Produtos de fissão A investigação dos produtos de fissão do 235U mostrou que a faixa de números de massa vai de 66. fato que aumenta a probabilidade deste nêutron ser absorvido na ressonância. com o aumento da temperatura. Entretanto. Observa-se que embora haja um alargamento da ressonância com uma diminuição do pico. a área sob as curvas (para qualquer temperatura) se mantém constante e. correspondendo a um isótopo de gadolínio (Gd. até 172.Na figura 7. Comportamento muito semelhante é observado em relação à fissão dos núcleos de 233 U e 239Pu. que ocorre em cerca de 7% do total. o núcleo de 235U é capaz de se dividir de 53 maneiras diferentes. devido ao alargamento da ressonância.Efeitos de temperatura no alargamento da seção de choque para captura radiativa de nêutrons pelo 238U na vizinhança da ressonância de 6. seria de se supor que os efeitos de temperatura não teriam influência sobre a taxa de absorções. Este fenômeno é conhecido como efeito Doppler.

o máximo fica perto dos números de massa 95 e 139. b) fissão do 233U e do 239Pu por nêutrons térmicos. 58 − − − − − Esta cadeia é particularmente interessante. A produção de um nuclídeo particular pela fissão é a probabilidade. de maneira que para cobrir variação tão grande é utilizada uma escala logarítmica na ordenada da curva de produção. envolvendo sucessivos decaimentos beta negativos. a produção total soma 200%. Z = 43). 54 ⎯ ⎯ 1/2 13. Por fim. expressa como porcentagem. Como dois núcleos resultam de cada fissão. 56 ⎯ ⎯ 1/2 12. é importante destacar que dois elementos químicos foram pela primeira vez identificados de maneira indubitável ao se estudar os produtos de fissão.Distribuição de massa dos produtos de fissão A distribuição de massa dos produtos de fissão é mostrada mais convenientemente na forma da curva de produtos de fissão. apesar de freqüentemente ocorrerem cadeias mais longas e mais curtas. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . T1/2 =⎯ →140 Xe ⎯β . de formar aquele nuclídeo ou a cadeia da qual ele é um membro.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 27 de 120 . 57 ⎯ ⎯ 40. os fragmentos de fissão têm nêutrons demais no núcleo atômico para serem estáveis.6s. T⎯=⎯⎯→140 La ⎯β . na qual a produção percentual dos diferentes produtos é mostrada como função do número de massa. Estes elementos são o promécio (Pm. A produção mostrada varia de cerca de 10−5% até cerca de 7%. T1/2 =⎯ ⎯→140 Ce(estável) ⎯ ⎯ 0.7s. enquanto a figura 8 b) mostra as curvas para a fissão do 233U e do 239Pu por nêutrons térmicos.86s. Cada curva contém dois picos. correspondendo aos grupos de produtos “leves” e “pesados”. 233U e 239Pu: a) fissão do 235 U por nêutrons térmicos e por nêutrons de 14 MeV.28h. Figura 8 . pois contém dois dos nuclídeos (140Ba e 140 La) cuja identificação levou à descoberta da fissão. ou medindo-se a abundância do produto final estável. Um exemplo típico de cadeia de decaimento é 140 53 I ⎯β .Curvas de produtos de fissão para os núcleos 235U. T⎯=⎯ →140 Cs ⎯β . Z = 61) e o tecnécio (Tc.Na grande maioria dos casos. Ela também pode ser vista como a porcentagem de fissões que produzem o nuclídeo ou a respectiva cadeia. B. No caso do 235U. cujos isótopos foram identificados em meio aos produtos de fissão. Cada um destes fragmentos radioativos inicia uma curta série radioativa.75d. As curvas de produtos para a fissão do 235U por nêutrons térmicos e por nêutrons de 14 MeV estão mostradas na figura 8 a).5 . Estas séries são denominadas cadeias de decaimento dos produtos de fissão e cada cadeia possui em geral seis ou sete membros. T⎯=⎯ →140 Ba ⎯β . 55 ⎯ ⎯ 1/2 63. geralmente apresentando decaimento beta negativo (emissão de elétrons). A produção de núcleos com um determinado número de massa é obtida medindo-se a abundância do nuclídeo de meia-vida mais longa perto do final de uma cadeia de decaimento.

pois algumas absorções resultam na emissão de raios-gama. A mudança mais notável é no aumento da probabilidade de fissão simétrica. O número médio de nêutrons emitidos por fissão espontânea foi determinado para vários núcleos pesados. É conveniente lembrar que nem todos os nêutrons absorvidos por um material físsil provocam a fissão. para o 240Pu. existe uma outra propriedade dos materiais físseis que tem importância prática: o número médio de nêutrons emitidos para cada nêutron absorvido por um núcleo físsil.6) MeV para a energia cinética média total dos fragmentos de fissão do 235U.13 ± 0.14. sendo que a divisão em dois fragmentos iguais ocorre em apenas 0. há ainda dois picos. como o núcleo físsil pode ser dividido segundo 53 maneiras diferentes. mas também pela emissão simultânea de alguns raios-gama e nêutrons. Entretanto. de maneira que α= σ cr σf (45) Por sua vez. estando listados na sexta linha da tabela 3 para fissões induzidas por nêutrons térmicos. ν = 2. para o 244Cm. Com nêutrons de 90 MeV observa-se somente um pico. Este aumento é interpretado como indicando uma maior probabilidade de fissão simétrica quando a energia cinética do nêutron é alta.691 ± 0. ser sempre inteiro.150 ± 0.A fissão induzida por nêutrons lentos é um processo altamente assimétrico. As curvas de produtos de fissão para o 235U ilustram o efeito do aumento da energia cinética do nêutron na distribuição de massa dos produtos de fissão.6 .01% dos casos. Os valores médios do número de nêutrons emitidos na fissão. aumentando em função da energia cinética dos nêutrons que induzem a fissão.99 ± 0. O número médio de nêutrons emitidos na fissão é sempre maior que dois. é claro. B. ν = 2. Os resultados obtidos forneceram: para o 232Th. Apenas nestas energias extremamente altas a fissão simétrica se torna o modo mais provável. que para nêutrons de 14 MeV aumenta em cerca de 100 vezes. foram medidos para vários materiais físseis. Além de ν. A razão entre a seção de choque para captura radiativa e a seção de choque para fissão é usualmente indicada por α. Em resumo. o número de nêutrons de fissão emitidos para cada nêutron absorvido por um núcleo físsil é dado por η= ν (1 + α) (46) Os valores de α e η obtidos para incidência de nêutrons térmicos nos principais materiais físseis são mostrados respectivamente na sétima e oitava linhas da tabela 3.07. o valor médio de ν não necessita assumir um valor inteiro. ν = 2. O número de nêutrons liberados num processo de fissão deve. mas o vale entre eles é pequeno e a probabilidade de fissão simétrica aumenta muito.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 28 de 120 . ν = 1.015.1 ± 1. Quando a energia cinética dos nêutrons incidentes perfaz 45 MeV. mediante a utilização de técnicas experimentais sofisticadas. correspondendo à divisão em dois fragmentos iguais. ocorre uma competição entre a ocorrência de fissão e a ocorrência de captura radiativa. Medidas efetuadas utilizando métodos calorimétricos forneceram como resultado o valor de (167.032 Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . para o 238 U. geralmente indicados por ν.Emissão de nêutrons na fissão O fenômeno da fissão nuclear é caracterizado não só pela formação de produtos de fissão.

009 0. é usado na fabricação de fontes de nêutrons.118 0. isto é. Cabe acrescentar que o 252Cf.027 0.20 0. Se a energia de um dos estados excitados do núcleo atômico com Z + 1 e N − 1 for maior do que a energia de ligação do último nêutron.6. está associado com o grupo de 22.009 0.52 0. portanto.215 0. Apesar da produção de nêutrons atrasados ser menos que 1% do número total de nêutrons emitidos.43 0. sendo possível. são emitidos dentro de um intervalo de tempo extremamente curto decorrido após a fissão.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 29 de 120 . associar uma meiavida específica a cada grupo. a emissão de nêutrons será atrasada e vai aparecer como tendo a meia-vida do núcleo (Z. que constituem cerca de 99% do total de nêutrons da fissão. com meias-vidas de 3.50 0.140 0. O mecanismo para a emissão de nêutrons atrasados baseia-se no fato de que alguns dos produtos de fissão apresentam núcleos que contém muitos nêutrons. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .046 0.10−10 e 2.078 0.46 0.72 segundos. observaram-se seis grupos bem definidos de nêutrons atrasados. enquanto o 137I.013 0.756 ± 0.20 Fração total β (%) Tabela 4 .253 0.125 0.072 0. ν = 3.96 0. Além dos grupos listados.353 0. da ordem de 10−14 segundos.26 0.57 2.Propriedades dos principais grupos de nêutrons atrasados.021 0.068 0. de baixa intensidade. N) que decai por emissão beta negativa.8.10−8.65 anos. Os nêutrons prontos.25 0.50 0.095 0.e para o 252Cf.378 0. No decaimento beta negativo.45 0.42 0. Estudando-se a taxa de decaimento da intensidade de nêutrons.981 0. com meia-vida de 24 segundos. Nestas condições. o 87Br é o precursor do emissor de nêutrons atrasados de 54.330 4. A fração total de nêutrons atrasados é representada por β.341 1.21 1.72 0.609 0. Vários dos grupos de nêutrons atrasados foram relacionados ao decaimento de isótopos radioativos do bromo e do iodo encontrados entre os produtos de fissão.64 0.254 0.020 0. cuja meia-vida perfaz T1/2 = 2.022 0. são emitidos com intensidade gradualmente decrescente durante vários minutos após o processo de fissão. 5. enquanto a fração correspondente ao i-ésimo grupo de nêutrons atrasados é representada por βi.010. Os nêutrons emitidos como resultado do processo de fissão podem ser classificados em dois tipos: nêutrons prontos e nêutrons atrasados. respectivamente. Fração de nêutrons atrasados βi (%) Meia-vida (s) Energia (MeV) Fissão térmica e rápida 235 233 239 Fissão rápida 238 232 U U Pu U Th 54.007 0. Os nêutrons atrasados.64% do total de nêutrons da fissão do 235U. As propriedades principais dos nêutrons atrasados são listadas na tabela 4.018 0. o núcleo produto pode ser deixado ou no estado fundamental ou em um dos muitos estados excitados. deixando um núcleo atômico com Z + 1 prótons e N − 2 nêutrons.9. aquela do precursor do nêutron atrasado.50 segundos. a desexcitação pode ocorrer pela emissão de um nêutron. sendo portanto muito instáveis em relação ao decaimento beta negativo (um produto de fissão com Z prótons e N nêutrons pode ter uma energia de decaimento beta negativo maior do que a energia de ligação do último nêutron no núcleo resultante do decaimento.074 0. justamente como para outras formas de decaimento radioativo. foram descobertos ainda três grupos de nêutrons adicionais.41 0. o qual possui Z + 1 prótons e N − 1 nêutrons). 12 e 125 minutos e produção por fissão que perfazem 5. Assim.063 0. os nêutrons atrasados têm uma forte influência no comportamento temporal de um sistema de reação em cadeia baseado na fissão nuclear.066 0. desempenhando um papel importante no controle do sistema. A taxa de decaimento de cada grupo é exponencial. que constituem cerca de 0.075 22.10−10.

o valor mais provável é igual a 0.B. A boa concordância entre a função descrita pela expressão (47) e os dados experimentais pode ser observada na figura 9. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .1) MeV. A determinação de energias cinéticas dos nêutrons em uma faixa tão ampla não é problema fácil.Emissão de raios-gama na fissão Pesquisas revelaram que dois tipos diferentes de raios-gama são emitidos como decorrência direta do processo de fissão. Para a energia cinética dos nêutrons prontos. Nota-se a boa concordância da função com os dados experimentais obtidos para os núcleos 235U.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 30 de 120 .7 .0 ± 0. Figura 9 .8 . enquanto o valor médio perfaz (2.075 MeV e 17 MeV pode ser descrita pela seguinte fórmula empírica: N(E) = e − E senh(2E) 1/ 2 (47) onde N(E) representa o número relativo de nêutrons por unidade de faixa de energia cinética E do nêutron.05 MeV até mais que 17 MeV. Os resultados obtidos em diversos experimentos indicam que a distribuição de energia cinética entre 0.Número relativo de nêutrons prontos emitidos N por unidade de faixa de energia cinética E. B.Distribuição de energia cinética dos nêutrons emitidos na fissão Os valores da energia cinética dos nêutrons prontos emitidos na fissão variam entre menos que 0. 233U e 239Pu. requerendo a utilização de diversas técnicas experimentais.72 MeV.

5 x 2. .a. o mesmo não excede alguns poucos nanosegundos após a fissão.a.m. O valor médio da energia cinética total dos fragmentos de fissão obtidos a partir da fissão do 235U por nêutrons térmicos é 167 MeV. correspondente a estes dois nêutrons.215 = 200 MeV. .a. ambos totalizam 94. No caso dos raios-gama prontos.m.m. sendo que cerca da metade é carregada pelos anti-neutrinos e a outra metade está dividida. a energia cinética dos nêutrons emitidos.133 u. Como 1 u.O primeiro tipo é constituído por raios-gama de decaimento. A energia dos raiosgama prontos está entre 5 e 8 MeV.m.m.m. = 236.a. sendo em média igual a 7 MeV. de modo aproximadamente igual. = 233.215 u. A quantidade total de energia liberada por fissão é a soma da energia cinética dos fragmentos de fissão. Quando se adiciona 2.a. sendo 200 MeV um bom valor para a quantidade média de energia liberada por fissão. Medidas mostraram que. Finalmente. . raios-gama e anti-neutrinos) perfaz (21 ± 3) MeV. sendo a massa do núcleo composto 236U aproximadamente igual a 235. que é cerca de 200 MeV.a. Estes resultados se encontram resumidos na tabela 5. B. são emitidos ao longo de um determinado período de tempo. O espectro de energia correspondente aos raios-gama de decaimento é discreto. este cálculo resulta 2.m. os produtos da reação têm uma massa total de 235. O segundo tipo abrange os chamados raios-gama prontos.918 u.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 31 de 120 .a.m. é equivalente a 931.9 . em média. portanto. entre as radiações beta e gama.124 u.918 u. aproximadamente 7 MeV de energia são liberados sob a forma de raios-gama prontos em cada fissão. comparada com alguns MeV para outras reações nucleares e alguns eV para as reações químicas. a energia média de todas as radiações (partículas beta.900 u. o excesso de massa é aproximadamente o mesmo para todos estes processos.a. = 0.Liberação de energia na fissão Uma das propriedades mais impressionantes do fenômeno da fissão é a magnitude da energia liberada por ele. .a. cujo valor máximo perfaz aproximadamente 7 MeV. os quais são emitidos pelos fragmentos de fissão diretos durante as respectivas transições para o estado fundamental. a energia dos raiosgama prontos e a energia total do processo de decaimento nas cadeias de decaimento dos produtos de fissão. − 235. Para fissão do 235U por nêutrons térmicos.5 MeV.a.a.m.m. a energia liberada no processo totaliza 931. Considerando 42 Mo e 57 La como um par de produtos de fissão estáveis obtidos no final das cadeias para suas respectivas massas.m.009 u. Uma estimativa do tempo de emissão dos raios-gama prontos indicou que.a. O valor previsto de 200 MeV pode ser comparado com valores experimentais.0 MeV = 5 MeV.a.m.133 u.. + 138.124 u. O excesso de massa que é convertido em energia é igual a 236.m. A massa do 235U é 235. para a maioria deles. O valor médio da energia cinética carregada pelos nêutrons é igual ao número médio de nêutrons emitidos por fissão multiplicado pela energia cinética média dos nêutrons. + 1.5 x 0. sendo que a ocorrência mais comum consiste na emissão de cerca de 8 fótons com energia média em torno de 1 MeV cada. A energia total liberada por fissão pode ser calculada a partir das massas nucleares do núcleo composto 236U e de um par típico de produtos de fissão. o espectro da radiação emitida é contínuo e apresenta intensidade decrescente com o aumento da energia do fóton.946 u. Mostrouse que os produtos de fissão produzidos em maior quantidade têm números de massa 95 139 perto de A = 95 e A = 139.955 u. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Apesar de haver 53 maneiras diferentes pelas quais o núcleo pode ser fissionado.018 u. assim denominados porque acompanham o decaimento beta negativo da maioria dos produtos de fissão radioativos e. O número de massa correspondente é 234 e aparentemente são liberados 2 nêutrons neste processo de fissão.

são bastante semelhantes aos encontrados para o 235U. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . com uma incerteza entre 5 MeV e 10 MeV. Energia total liberada na fissão de um núcleo de 235U por nêutrons térmicos Energia cinética dos fragmentos de fissão 167 MeV Energia cinética dos nêutrons da fissão 5 MeV Energia dos raios-gama prontos 7 MeV Energia do decaimento beta 5 MeV Energia do decaimento gama 5 MeV Energia dos anti-neutrinos 11 MeV ENERGIA TOTAL DA FISSÃO 200 MeV Tabela 5 . Resultados obtidos com outros núcleos físseis.Energia total liberada na fissão de um núcleo de 235U por nêutrons térmicos. em boa concordância com os valores calculados.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 32 de 120 .A energia total da fissão determinada desta maneira totaliza 200 MeV. como 233U e 239Pu.

acompanhada da emissão de mais de um nêutron. O intervalo de tempo entre duas gerações sucessivas de fissões pode ser uma fração muito pequena de um segundo e. a fissão completa de 1 kg de 235U produziria energia na forma de calor a uma potência constante de 1000 MW.2. Estes fatos podem ser ilustrados por alguns cálculos simples. vulgarmente conhecido como “bomba atômica”. com o número de nêutrons emitidos sendo maior que o número de nêutrons capturados b) captura de nêutrons pelo urânio sem ocorrência de fissão Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .60. Sob certas condições. A taxa com que as fissões ocorrem e a taxa segundo a qual a energia é liberada são mantidas constantes e o resultado é um reator nuclear. permite dar início a uma reação em cadeia na qual estes nêutrons produzem mais fissões e mais nêutrons.dia. e assim sucessivamente.s.10−13 J = 3.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 33 de 120 .04 g) de 235U.1. o resultado seria uma arma poderosa. neste caso.5 nêutrons na fissão de um núcleo de 235U. Como 1 MeV = 1.hora.10−11 J. de maneira que a quantidade de energia liberada torna-se enorme.1 . A fissão completa de 1 kg de 235U liberaria 8. É o que ocorre em um artefato nuclear de fissão. porque cada fissão produz mais nêutrons do que aquele absorvido. o número de fissões e nêutrons cresce exponencialmente com o tempo. A liberação de energia na fissão também pode ser expressa em termos de unidades de potência com resultados interessantes.2 . ou 2.3. Se este calor pudesse ser transformado em energia elétrica com uma eficiência de 30%. O fato de 1 kg de material físsil como o 235U ser equivalente a 2500 toneladas de carvão como fonte de energia é responsável pela pesquisa e desenvolvimento da tecnologia nuclear para geração de eletricidade.1013 J. Se a liberação de energia ocorresse ao longo do período de um dia inteiro.1010 kcal.Introdução A grande quantidade de energia liberada na fissão nuclear. Esta produção é equivalente a uma usina termoelétrica que consome cerca de 2500 toneladas de carvão mineral por dia.2. A emissão de 2.C . C. ou cerca de 1.6. a fissão de um núcleo de 235U libera 3.60. Ainda que somente uma pequena fração desta energia pudesse ser liberada explosivamente.10−11 W. Quando se multiplica esta quantidade de energia pelo número de Avogadro. que pode ser usado como uma fonte de nêutrons ou de potência.1013 W.10−13 W.21. Sob outras condições.1010 fissões por segundo fornecem um W de potência. a reação em cadeia pode ser controlada e atingir um estado estável no qual o número de nêutrons produzidos por unidade de tempo é justamente aquele que foi consumido. o que equivale a cerca de 2.s de energia. a energia liberada na reação em cadeia toma a forma de uma explosão. A energia liberada na fissão completa de 1 kg de 235U seria 8.10−13 J = 1.107 kW. o produto expressa a energia liberada na fissão de todos os núcleos contidos em um Mol (235. tornou possível a utilização deste fenômeno como fonte de energia.103 MW. de maneira que 3.s de energia. seriam gerados 300 MW elétricos. que totaliza 1. A fissão de um único núcleo de 235U libera 200 MeV x 1.93. Esta quantidade espantosa de energia equivale àquela liberada na explosão de 20000 toneladas do explosivo convencional trinitrotolueno (TNT). em média.0.Reator nuclear A realização de uma reação em cadeia auto-sustentada com urânio depende de um balanço favorável entre quatro processos competitivos: a) fissão de núcleos de urânio.2.1013 J.FISSÃO NUCLEAR COMO FONTE DE ENERGIA C.

c) captura de nêutrons por outros materiais, sem que ocorra fissão d) escape de nêutrons do núcleo do reator Se a perda de nêutrons como conseqüência dos três últimos processos é menor ou igual ao excesso produzido pelo primeiro, a reação em cadeia auto-sustentada ocorre. Caso contrário, não ocorre. A necessidade de um balanço de nêutrons favorável estabelece certas condições sobre qualquer sistema no qual se deseja estabelecer uma reação em cadeia auto-sustentada. Uma destas condições diz respeito ao tamanho do sistema. Se o urânio está distribuído de uma maneira regular através do conjunto, a produção de nêutrons depende do volume do sistema, enquanto que a probabilidade de escape depende da área superficial do mesmo. Existe um certo tamanho do sistema, denominado tamanho crítico, para o qual a produção de nêutrons pela fissão é exatamente igual à sua perda por captura sem fissão e escape, tornando possível uma reação em cadeia auto-sustentada. Se o tamanho do sistema é menor que o tamanho crítico, uma reação em cadeia não pode ser sustentada. A existência de um tamanho crítico abaixo do qual uma reação em cadeia não se estabelece contrasta fortemente com sistemas baseados em reações químicas, nos quais a possibilidade de ocorrência de uma reação independe do tamanho do sistema. Uma vez conhecido este princípio, torna-se necessário investigar a possibilidade de que uma reação de fissão nuclear em cadeia auto-sustentada possa se estabelecer em um sistema constituído por um material físsil. Inicialmente, esta possibilidade será investigada para uma massa de urânio natural suficientemente grande, tal que a perda de nêutrons por escape possa ser desprezada. Algumas fissões espontâneas ocorrerão no sistema, liberando cerca de 2,5 nêutrons rápidos por fissão, com uma energia cinética média de aproximadamente 2 MeV. O urânio natural consiste em uma mistura contendo 238U com uma abundância isotópica de 99,28% e 235U com uma abundância isotópica de 0,72%. As seções de choque para fissão dos dois isótopos, na faixa de energia cinética média dos nêutrons que são emitidos na fissão, não diferem muito. Entretanto, se os nêutrons emitidos na fissão causam novas fissões, estas ocorrerão principalmente no 238U, com um número desprezivelmente pequeno de fissões rápidas ocorrendo no 235U. Nestas circunstâncias, é necessário considerar somente a interação dos nêutrons de fissão iniciais com o 238U. Para estes nêutrons, a fissão é mais provável que a captura radiativa, porém menos provável que o espalhamento elástico ou inelástico. Os nêutrons que sofrem captura radiativa são perdidos. O espalhamento elástico pelo núcleo de urânio tem um efeito muito pequeno sobre a energia cinética do nêutron emitido na fissão e, após tal interação, o nêutron está livre para colidir outra vez, como se nada tivesse acontecido. Entretanto, o espalhamento inelástico tem um efeito bastante importante, pois uma única interação deste tipo pode reduzir a energia cinética do nêutron a cerca de 0,3 MeV em média, valor abaixo do limiar de fissão no 238 U. Consequentemente, os nêutrons de fissão originais só aumentam levemente em número como decorrência da fissão rápida no 238U e quase todos os nêutrons são deixados com energias abaixo do limiar de fissão. O espalhamento inelástico também é uma reação limiar e não ocorre para nêutrons com energia cinética abaixo de 1 MeV. Os nêutrons que tiveram sua energia diminuída abaixo dos limiares para fissão e espalhamento inelástico podem sofrer captura radiativa ou espalhamento elástico. Aqueles que sofrem captura radiativa são perdidos. Os que são espalhados elasticamente perdem energia muito lentamente, sendo necessárias muitas colisões para reduzir a energia cinética de aproximadamente 105 eV até 1 eV. Nesta faixa de energia, a probabilidade de captura radiativa no 238U é muito maior que a probabilidade de fissão no 235U. Como os nêutrons perdem energia muito lentamente, a probabilidade de que eles alcancem energias cinéticas térmicas sem serem capturados é muito pequena. Apesar da seção de choque para fissão do urânio natural em energias térmicas ser maior que a seção de choque para captura radiativa, muito poucos nêutrons podem alcançar estas energias cinéticas baixas e causar fissão.
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Como resultado, o estabelecimento de uma reação em cadeia auto-sustentada não é possível somente com urânio natural. Uma reação em cadeia pode ser conseguida se o 238U for removido, deixando apenas o 235U, ou então no 239Pu. Nêutrons de qualquer energia podem causar a fissão no 235U, de modo que o espalhamento inelástico dos nêutrons emitidos na fissão não reduz a probabilidade de que novas fissões venham a ocorrer. De fato, mesmo nêutrons que possam alcançar energias de ressonância contribuiriam para a reação em cadeia, porque a ressonância de fissão do 235U é muito mais provável que a captura radiativa. Argumentos análogos valem para o 239Pu. Assim, tanto 235U quanto 239 Pu são materiais adequados para uso em armas nucleares de fissão ou como combustível nuclear em reatores nos quais as fissões são induzidas principalmente por nêutrons rápidos. Num reator rápido deste tipo, existe muito pouca moderação de nêutrons e a presença de materiais que possam causar moderação é evitada tanto quanto possível. Uma reação em cadeia pode ser alcançada com urânio natural e um moderador adequado num arranjo apropriado. A seção de choque para fissão do 235U é tão grande que, apesar da pequena abundância, a fissão por nêutrons térmicos compete favoravelmente com a captura radiativa. Então, a condição a ser obtida é que nêutrons suficientes alcancem energias térmicas. Este resultado pode ser conseguido usando-se um moderador. Um nêutron pode perder energia suficiente em uma única colisão com um núcleo moderador e assim saltar sobre muitas ressonâncias, com o resultado de que a absorção de nêutrons na ressonância diminui. Água pesada (D2O) e grafite têm sido usadas com sucesso como moderadores junto com urânio natural. Quando D2O é moderador, o urânio pode estar na forma de uma solução de um sal como sulfato de uranila (UO2SO4), ou partículas muito pequenas de óxido de urânio podem estar suspensas uniformemente na D2O. Este tipo de reator é dito homogêneo. Quando o moderador é grafite, o urânio deve estar na forma de grandes blocos e podem ser distribuídas barras de urânio de uma maneira regular através da grafite, formando uma rede. Este tipo de conjunto é chamado heterogêneo por causa da separação do combustível e do moderador. O urânio natural e a água comum não podem sustentar uma reação em cadeia, tanto em um sistema homogêneo quanto em um sistema heterogêneo, porque a seção de choque do hidrogênio para captura radiativa de nêutrons térmicos é relativamente elevada (0,332 b). O enriquecimento do urânio no isótopo 235U em usinas de difusão gasosa ou em instalações de ultracentrifugação e a produção de 239Pu em reatores nucleares têm fornecido combustíveis nucleares altamente purificados e estendido grandemente a faixa dos possíveis sistemas de reação em cadeia. Por exemplo, uma solução aquosa de um sal contendo urânio enriquecido pode formar um reator homogêneo pequeno. O urânio enriquecido e plutônio também podem ser usados em conjuntos moderados parcialmente, nos quais as fissões são causadas principalmente por nêutrons de energia intermediária. Nestes reatores “intermediários” existe moderador suficiente somente para moderar os nêutrons em parte, mas não de todo, até alcançar energias térmicas. O nuclídeo 233U, obtido a partir do 232Th, também pode ser usado em reatores térmicos, intermediários ou rápidos. A taxa com que as fissões ocorrem num reator determina o número de nêutrons produzidos por unidade de tempo e também a taxa com que o calor é produzido, relacionada com o nível de potência. Para que um reator opere num nível de potência constante, a energia liberada na fissão deve ser removida do conjunto. A energia da fissão, originalmente na forma de energia cinética dos fragmentos de fissão, nêutrons, raios-beta e raios-gama, é convertida em calor quando estas partículas são barradas nos materiais do reator. O calor é removido fazendo circular um refrigerante através do reator. Podem ser usados como refrigerante a água, um gás ou um metal líquido. A escolha do refrigerante depende da finalidade a que se destina o reator, sendo limitada por considerações nucleares e de engenharia. Os reatores nucleares podem ser classificados de acordo com as características do sistema de reação em cadeia que os constitui. A classificação pode ser efetuada de acordo com os seguintes critérios:
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1 - A energia dos nêutrons em que ocorre a maior parte das fissões a) energias altas b) energias intermediárias c) energias baixas

2 - O material físsil presente no combustível nuclear a) urânio natural b) urânio enriquecido em 235U c) 239Pu d) 233U

3 - A configuração do conjunto combustível / moderador a) homogêneo b) heterogêneo

4 - O moderador a) grafite b) água c) água pesada d) berílio ou óxido de berílio

5 - O refrigerante a) gás (ar, CO2 ou He) b) água c) água pesada d) metal líquido

6 - Finalidade a que se destina a) pesquisa científica b) produção de radioisótopos c) produção de material físsil d) geração de energia elétrica

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Ciclo do nêutron em um reator nuclear térmico O balanço de nêutrons em um reator nuclear térmico pode ser descrito em termos de um ciclo que mostra o que acontece com os nêutrons.Representação esquemática de uma reação em cadeia auto-sustentada baseada na fissão de núcleos de urânio por nêutrons térmicos. antes de colidir com os núcleos do moderador. O ciclo é iniciado com a fissão de um núcleo de 235U por um nêutron térmico. onde ε é uma grandeza que Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . e assim para um dado número de nêutrons obtidos a partir da fissão térmica do 235U. alguns nêutrons adicionais resultam da fissão rápida de núcleos de 238U. Figura 10 . ν nêutrons rápidos são emitidos. Uma pequena fração dos nêutrons que colidem com os núcleos de 238U pode causar fissões. Estes nêutrons possuem uma energia cinética média acima do limiar de fissão do 238U. Este ciclo é mostrado na figura 10.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 37 de 120 .3 . O número total de nêutrons rápidos obtidos a partir da fissão passa de ν para νε. A probabilidade de ocorrência para tais fissões adicionais depende de como os nêutrons da fissão possam colidir com os núcleos de 238 U.C. Neste processo de fissão. e alguns deles podem causar a fissão dos núcleos de 238U.

Apesar dos nêutrons absorvidos não poderem mais causar fissões no 235U. Se k é maior que a unidade.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 38 de 120 . Para constituir um sistema de reação em cadeia operando em um estado auto-sustentado. enquanto que νε(1-lf)(1-p) nêutrons são capturados e vão formar o 239Pu. sendo então perdidos. Portanto k = ν ε (1-lf) p (1-lt) f σ f ( U) σ a ( U) (48) O produto ν[σf(U)/σa(U)] representa o número de nêutrons produzidos por fissão por nêutron térmico absorvido no urânio. é denominado fator de multiplicação. sendo designado por η. o número de nêutrons e fissões aumenta a cada ciclo.pode ser igual ou maior que a unidade. e neste sentido estarem perdidos. o sistema é denominado subcrítico. o sistema é denominado supercrítico. por fissão do 235U causada por um nêutron de primeira geração. O número de nêutrons ainda disponível para levar adiante a reação em cadeia é então νε(1-lf)p(1-lt)f. Se a fração que escapa do sistema é indicada por lt. A expressão (49) é conhecida como fórmula dos seis fatores para o valor de k. sendo muito próxima da unidade em um reator homogêneo. O número de fissões de segunda geração no 235U. sendo indicado por k. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . A maior parte deles é moderada. O tamanho crítico para um sistema de reação em cadeia é o tamanho para o qual k é igual à unidade. mas uma fração lf escapa antes de ser moderada a energias térmicas. é necessário que k seja igual à unidade. tais como o moderador ou materiais estruturais. Para k < 1. A grandeza f é chamada de utilização térmica. dada pela expressão (49). Os restantes νε(1-lf) nêutrons são moderados por meio de colisões com núcleos do moderador. onde tanto a fissão quanto a captura radiativa ocorrem. uma fração contendo νε(1-lf)p nêutrons escapa da captura. não pode haver reação em cadeia. O fator de multiplicação pode então ser escrito novamente como k = η ε p f (1-lf) (1-lt) (49) A grandeza k. Os nêutrons que escapam das ressonâncias de absorção são moderados a energias cinéticas térmicas. Nem todos os nêutrons absorvidos pelo urânio causam fissão em núcleos de 235U. e a reação em cadeia é chamada divergente. Alguns dos nêutrons são absorvidos pelo 238U para formar o núcleo composto 239U e. Os nêutrons térmicos restantes perfazem νε(1-lf)p(1-lt). A grandeza ε é chamada de fator de fissão rápida . na seqüência. mas pode ser tão grande quanto 1. 239Pu. dos quais uma fração f é absorvida pelo urânio e uma fração (1-f) é absorvida por outros materiais. A fração dos nêutrons térmicos absorvidos pelo urânio e que causa fissão é exatamente a razão entre a seção de choque de fissão e a seção de choque de absorção (que resulta da soma das seções de choque de fissão e captura radiativa) para o urânio. o número de nêutrons térmicos por fissão do 235U que escapa é igual a νε(1-lf)plt. Para k > 1. que decai para o 239Np e depois para o 239Pu. A grandeza p é chamada de probabilidade de escape da ressonância. enquanto que outros são absorvidos pelo 235U para formar o núcleo composto 236U. σf(U)/σa(U). Os νε nêutrons difundem-se através do reator. mas durante o processo de moderação alguns deles podem ser capturados pelo 238U para formar o núcleo composto 239U. de maneira que νεlf nêutrons são perdidos. Dos νε(1-lf) nêutrons que iniciam o processo de moderação. é em geral denominada fator de multiplicação efetivo e corresponde a um conjunto de tamanho finito. ou seja. Alguns dos nêutrons se difundem sem serem capturados e eventualmente escapam do sistema.1 em certos reatores heterogêneos. eles são importantes porque contribuem para a fabricação do 239Pu. Se k é menor que a unidade.

em maior detalhe. O fator de multiplicação é então indicado por k∞.4 . Quando H2O ou D2O é o moderador. dependem das propriedades nucleares do combustível. assim como da configuração segundo a qual todos estes materiais estão arranjados. Um dos problemas básicos de projeto é encontrar as quantidades relativas de todos os materiais e a maneira pela qual eles podem ser arranjados para fornecer o maior valor possível do produto pf. As grandezas restantes. o resultado é Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Quando o numerador e o denominador do lado direito da 235 equação (53) são divididos por N235 σf( U). Para um determinado combustível nuclear. mas também do seu tamanho e forma. Não há escape de nêutrons de tal sistema e as grandezas lf e lt são ambas iguais a zero. C. sendo útil escrever este parâmetro numa forma que mostre sua dependência em relação à concentração deste nuclídeo.O valor de k para um sistema infinitamente grande é útil na teoria e projeto de reatores nucleares. urânio natural moderado com água comum e urânio natural moderado com água pesada. supõe-se que partículas muito pequenas de urânio estejam dispersas uniformemente em meio a um grande bloco de grafite. A fórmula para k∞ fica reduzida a k∞ = ηf (51) Dos quatro fatores que compõem k∞. O valor de η para o urânio natural e nêutrons térmicos é obtido a partir da expressão η=ν σ f ( U) σ a ( U) (52) O valor de η muda quando o urânio é enriquecido no isótopo 235U. este arranjo fornece o maior valor de k∞. o fator de multiplicação será calculado para três sistemas homogêneos. como ν N 235 σ f ( 235 U) η= N 235σ f ( 235 U) + N 235σ cr ( 235 U) + N 238σ a ( 238 U) onde σcr( 235 (53) U) representa a seção de choque para captura radiativa no 235U e σa(238U) = σcr(238U) + σf(238U). constituídos por: urânio natural moderado com grafite.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 39 de 120 . enquanto ε depende não só das propriedades nucleares do combustível. Sendo N238 e N235 respectivamente o número de átomos de 238U e 235U por cm3 de urânio. tanto o fator de fissão rápida ε quanto a probabilidade de escape da ressonância p são praticamente iguais à unidade.Fator de multiplicação de um reator nuclear térmico homogêneo Ao longo desta parte. No caso especial de um reator em que o combustível contém apenas 235U e nenhum 238U. η depende somente das propriedades nucleares do combustível. No primeiro destes. sendo dado por k∞ = ηεpf (50) A expressão (50) é denominada fórmula dos quatro fatores e o cálculo de k∞ é um dos principais problemas no projeto de reatores nucleares. supõe-se que o urânio esteja na forma de uma suspensão de UO2 no fluido. p e f. moderador e quaisquer outros materiais presentes no reator. a equação (52) pode ser escrita.

p. e não mais do que 15% dos nêutrons térmicos devem ser absorvidos em outros materiais que não o combustível nuclear.η= 1 + σ cr ( [ 235 U)/σ f ( 235 ν U) + N 238 σ a ( 238 U)/N 235 σ f ( 235 U) ] [ ] (54) O valor de σcr(235U) / σf(235U) é 0.180 + 0. sendo em geral expressa em termos de porcentagem em peso.00470 N 238 / N 235 (55) A razão N238 / N235 é obtida a partir de valores experimentais da concentração de 235U no urânio que está sendo utilizado como combustível nuclear. enquanto os índices 0 e 1 denotam respectivamente grandezas relativas ao combustível nuclear e ao moderador.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 40 de 120 . pf e k∞ são mostrados para diferentes valores de N1 / N0 . É quase certo que os nêutrons da fissão escapem do urânio antes de colidir com um núcleo de 238U. Esta condição expressa um difícil problema de projeto. enquanto os valores de p são pequenos.335. Em outras palavras.44 1. Os resultados de cálculos estão relacionados na tabela 6. termos adicionais devem ser incluídos no denominador da expressão (57). a razão N238 / N235 diminui. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . logo (N238 / N235) = 137. na qual os valores de f. η aumenta e são produzidos mais nêutrons para cada nêutron térmico absorvido no urânio. Quando a absorção em outros materiais é considerada. Quando o combustível é urânio natural. sendo o valor de ε portanto igual a unidade. Portanto. a condição pf > 0. o combustível está na forma de partículas muito pequenas.180 e o valor de σa(238U) / σf(235U) é 0. A condição para que uma reação em cadeia seja possível em um sistema homogêneo de tamanho finito pode ser escrita como k∞ > 1 ou ηfp >1 ou ainda pf > (1/η) = 0. a razão do número de átomos do moderador para o número de átomos de urânio. Os nêutrons entrarão no moderador e serão moderados antes de poder causar fissão no 238 U. a utilização térmica pode ser escrita como f = N 0 σ a0 1 = N 0 σ a0 + N 1σ a1 1 + ( N 1σ a1 / N 0 σ a0 ) (57) onde N0 e N1 representam respectivamente o número de átomos do combustível nuclear e do moderador por cm3. A utilização térmica é definida pela expressão: f= Absorção de nêutrons térmicos no urânio Absorção total de nêutrons térmicos (56) Considerando um conjunto que consiste somente em combustível e moderador. Para pequenos valores de N1 / N0 .75.8. Quando a razão N235 / N238 aumenta. esta concentração é 0.00715. Nos sistemas homogêneos a serem considerados.75 pode ser muito difícil de ser atingida. Esta perda de nêutrons adicionais provenientes de fissões rápidas é uma das desvantagens de um sistema homogêneo.85. da ordem de μm de diâmetro. para o urânio natural η = 1. Para o urânio natural. A probabilidade de escape da ressonância e a utilização térmica devem estar ambas na vizinhança de 0. como no urânio enriquecido. f aproxima-se da unidade. de tal maneira que a equação (54) pode ser escrita como η= 2. não mais do que cerca de 15% dos nêutrons devem ser perdidos devido à ressonância de absorção durante o processo de moderação.00470.

Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 41 de 120 .

que levou à consideração de sistemas heterogêneos. a impossibilidade de atingir valores de k∞ maiores que a unidade resulta do baixo valor da probabilidade de escape da ressonância p. É este o resultado. Felizmente. com p igual a 0. O valor máximo de k∞ com urânio natural e grafite era de aproximadamente 0. pode-se conseguir uma reação em cadeia tanto com grafite quanto com água na condição de moderador. k∞ deve também passar por um máximo.Este resultado é esperado. Para efeito de ilustração. será estudado o reator moderado a grafite. Com urânio enriquecido. mas um valor de p suficientemente alto não é alcançado até que (N1 / N0) = 800. pois tanto a absorção de nêutrons térmicos quanto a ressonância de absorção devem crescer.07 para o 235U puro. Um aumento de 20% em η seria necessário para trazer k∞ até a unidade. Nestas circunstâncias. portanto.6 e 1. especialmente no caso da grafite.7. a seção de choque σa pode ser calculada a partir da expressão σ a ( U) = N( 235 U). Os máximos são razoavelmente suaves. sendo que o produto pf deve passar por um máximo para um dado moderador. causando um aumento no valor de f. as propriedades de moderação e de ressonância de absorção são tais que a probabilidade de escape da ressonância pode ser aumentada significativamente agrupando o urânio. O cálculo de k∞ foi feito para N1 / N0 = 400. o que é confirmado pelos cálculos. A seção de choque para absorção do urânio também cresce com o aumento da concentração de 235U. a dificuldade consiste no pequeno valor da utilização térmica f obtido para todos os valores de N1 / N0. O resultado mais importante obtido a partir dos dados mostrados na tabela 6 é que misturas homogêneas contendo urânio natural e água pesada podem atingir valores de k∞ maiores que a unidade. fica claro que o valor necessário de η pode ser atingido para alguma concentração de 235U intermediária entre a do urânio natural e a do 235U puro. exceto os menores. com o resultado de que o valor máximo de pf é cerca de 0. 150 a 500 para D2O e de 300 a 600 para grafite. para obter valores úteis de f.8. os valores de p diminuam. sendo o aumento verificado no valor de η o mais importante. Quando se dispõe de urânio enriquecido em 235U. Supõe-se que o decréscimo na concentração de 238 U sobre a faixa de concentração do 235U seja muito pequeno para afetar o valor obtido para a probabilidade de escape da ressonância.6 e o valor máximo de k∞ perfaz cerca de 0.8. Quando a grafite é o moderador. os valores de f e η aumentam. à medida que N1 / N0 varia. Valores adequados de f podem ser atingidos para valores de N1 / N0 de até 300 ou 400.σ a ( 238 U) 1 + (N 238 / N 235 ) Os valores das seções de choque a serem usados são σa(235U) = 683 b e σa(238U) = 2. que num arranjo no qual f aumente.σ a ( 238 U) ⇒ N( 235 U) + N( 238 U) (58) σ a ( U) = σ a ( 235 U) + (N 238 / N 235 ). ou seja.744. No caso da água. ocorrendo na faixa (N1 / N0) = 4 a 10 para H2O. à medida que a quantidade de urânio no reator aumenta.71 b. Como η = 2. um valor de η entre 1. O valor de η pode ser calculado a partir da expressão (54). Neste caso. deve haver uma quantidade muito grande de urânio. Espera-se.σ a ( 235 U) + N( 238 U). o que aumentaria muito a absorção nas ressonâncias. Assim pois. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Os resultados estão mostrados na tabela 7. O mesmo não ocorre com misturas homogêneas de urânio natural e grafite ou de urânio natural e água comum.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 42 de 120 . o valor correspondente ao urânio natural.

f pf N238 / N235 σa (b) η k∞ 137,8 7,68 0,810 0,603 1,335 0,80 130 8,01 0,816 0,607 1,362 0,83 120 8,45 0,824 0,613 1,399 0,86 110 9,04 0,834 0,620 1,439 0,89 100 9,57 0,841 0,626 1,479 0,93 90 10,3 0,852 0,634 1,523 0,97 80 11,3 0,862 0,641 1,569 1,01 70 12,5 0,874 0,650 1,618 1,05 60 14,1 0,887 0,660 1,670 1,10 50 16,3 0,901 0,670 1,726 1,16 Tabela 7 - Valores do fator de multiplicação para uma mistura homogênea de urânio enriquecido e grafite, sendo (N1 / N0) = 400. É possível verificar que uma reação em cadeia auto-sustentada pode ser alcançada quando a concentração de átomos de 235U aumenta de 1:138 para cerca de 1:80, o que equivale a um enriquecimento de 1,23%. Analogamente, uma reação em cadeia auto-sustentada pode ser alcançada num sistema homogêneo com urânio parcialmente enriquecido e água comum.

C.5 - Reator nuclear térmico heterogêneo
No tópico anterior foi mostrado que um conjunto homogêneo de urânio natural e grafite não pode manter uma reação em cadeia, não importa quão grande seja, mas que, quando o urânio é suficientemente enriquecido no isótopo 235U, esta é possível. Na falta de urânio enriquecido, surgiu a questão sobre se o urânio natural e grafite podiam ser arranjados de alguma maneira que pudesse levar a uma reação em cadeia. Os resultados listados na tabela 6 indicam que a principal dificuldade é o pequeno valor da probabilidade de escape da ressonância p. A solução deste problema foi obtida pelo uso de blocos de urânio de tamanho considerável envolvidos por moderador. Uma consideração da maneira pela qual ocorre a ressonância de absorção mostra que o uso de blocos de urânio aumenta a probabilidade de escape da ressonância. A ressonância de absorção ocorre quando nêutrons, durante o curso de um processo de moderação, alcançam energias cinéticas que, junto com a energia de ligação, correspondem a níveis do núcleo composto 239U. Quando um nêutron com tal energia cinética colide com um núcleo de 238U, existe uma chance apreciável de que ele seja absorvido. Em um conjunto homogêneo de urânio/grafite, cada partícula de urânio tem a mesma chance de capturar uma certa fração dos nêutrons de ressonância. Porém, quando o urânio está presente em blocos relativamente grandes, este não é mais o caso. Para ilustrar este fato, considera-se nêutrons colidindo com um bloco de urânio. Aqueles nêutrons que possuem energias cinéticas dentro da faixa de ressonância podem ser absorvidos na superfície do bloco, enquanto que nêutrons com energias que não correspondem à faixa de ressonâncias entram dentro do bloco. Alguns destes nêutrons podem sofrer colisões elásticas com os núcleos de urânio e, apesar da perda de energia cinética por colisão ser pequena, uma fração deles pode ser espalhada dentro de faixas de energia de ressonância e serem absorvidos. Entretanto, muitos nêutrons podem passar através de blocos sem serem absorvidos, podendo escapar de colisões elásticas junto aos núcleos de urânio ou ser espalhados, mas não dentro de uma faixa de ressonância. A probabilidade de uma ressonância de absorção dentro do bloco é, portanto, menor do que na superfície do bloco. Em outras palavras, os núcleos de 238U dentro do bloco têm uma chance menor de capturar nêutrons durante o processo de moderação do que os núcleos de 238U situados perto da superfície do bloco, existindo assim uma certa “auto-blindagem” do urânio contra uma ressonância
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de absorção. Os nêutrons que reentram no moderador sofrem nova moderação numa região sem urânio e podem perder energia cinética suficiente para saltar várias faixas de ressonância antes de entrar em outro bloco ou de alcançar energias térmicas. A magnitude deste efeito depende do espaçamento dos blocos de urânio na matriz constituída pelo moderador e sua probabilidade é apreciavelmente maior do que em um conjunto homogêneo. Assim, uma vantagem do arranjo heterogêneo é a menor ressonância de absorção devido à “filtragem” de nêutrons cujas energias cinéticas caem dentro de faixas de ressonância do urânio na superfície do bloco. Segue-se das considerações acima que a ressonância de absorção pode ser dividida em duas partes: uma absorção de superfície e uma absorção de volume. Assim, o tamanho e a forma dos blocos de urânio podem ser escolhidos para tornar a probabilidade de escape da ressonância relativamente alta. Algumas noções qualitativas sobre o tamanho dos blocos podem ser obtidas facilmente. Para diminuir a absorção de volume, o tamanho de cada bloco não deve ser muito grande comparado com o caminho livre médio dos nêutrons de ressonância dentro do bloco. Apesar deste caminho médio não ser conhecido precisamente, uma estimativa grosseira pode ser feita, considerando-se os nêutrons térmicos e de fissão como casos limites. A seção de choque térmica total do 238U é 16,0 b e o urânio apresenta 0,048.1024 átomos/cm3, sendo o caminho livre médio total para nêutrons térmicos dado por

λt =

1 1 ≈ ≈ 1,3 cm N.σ t (0,048).(16,0)

A seção de choque total média para nêutrons rápidos no 238U perfaz 7,2 b, de maneira que o caminho livre médio totaliza cerca de 2,9 cm. Portanto, um tamanho de bloco de urânio adequado corresponde a um diâmetro entre 1,3 cm e 2,9 cm. O fluxo de nêutrons de ressonância é menor dentro do bloco do que perto da superfície, porque uma parte considerável da ressonância de absorção ocorre perto da superfície do bloco. Este efeito favorece blocos grandes, mas a escolha do tamanho destes depende também do efeito dos blocos sobre o fator de fissão rápida e a utilização térmica. O valor do fator de fissão rápida aumenta com o tamanho do bloco, porque a probabilidade de uma colisão entre um nêutron rápido e um átomo de 238U aumenta com o tamanho do bloco. Este efeito também tende a favorecer tamanhos maiores. A principal desvantagem de um conjunto heterogêneo de urânio e um moderador é o decréscimo na utilização térmica, em comparação com uma mistura homogênea com a mesma concentração de combustível nuclear. Supondo que os nêutrons térmicos sejam monoenergéticos e incidam sobre a superfície de um bloco de urânio, o fluxo térmico diminuirá porque alguns dos nêutrons incidentes serão absorvidos perto da superfície. Os nêutrons restantes penetram no bloco e mais nêutrons são absorvidos. O fluxo de nêutrons térmicos é então reduzido dentro do bloco, com a conseqüente diminuição da probabilidade de que uma absorção venha a ocorrer posteriormente. O efeito é diretamente análogo àquele de uma ressonância de absorção, exceto que ela não é desejável no caso da absorção térmica. Em outras palavras, a “auto-blindagem” do bloco de urânio contra a absorção de nêutrons térmicos resulta num decréscimo da utilização térmica. A escolha precisa de um tamanho de bloco adequado depende do balanceamento dos efeitos sobre p e ε (que tendem a aumentar o valor de k∞) e do decréscimo em f (que tende a diminuir o valor de k∞). O cálculo real de p, ε e f é muito mais complicado para um conjunto heterogêneo do que para um conjunto homogêneo. Valores de até k∞ = 1,075 foram obtidos para reatores a urânio natural moderados a grafite e valores de até k∞ = 1,21 foram obtidos para reatores a urânio natural moderados a água pesada. Num conjunto heterogêneo combustível nuclear/moderador (rede), a escolha do espaçamento da rede, ou seja, a distância entre os elementos combustíveis, também é importante. Do ponto de vista da economia de nêutrons, a escolha envolve
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um balanceamento entre as propriedades de moderação e difusão do conjunto. Se o moderador é um absorvedor muito fraco (D2O ou grafite), a distância entre os blocos deve ser suficientemente grande para que, em média, os nêutrons rápidos de um bloco sejam moderados a energias cinéticas térmicas antes de alcançar um outro bloco. Existe uma grandeza Ls , denominada comprimento de moderação, que pode ser determinada experimentalmente ou calculada teoricamente, a qual constitui uma medida de quão longe um nêutron de fissão viaja em média, enquanto está sendo moderado a energias cinéticas térmicas. Os valores do comprimento de moderação 2 para alguns moderadores estão listados na tabela 8, juntamente com L s , denominada área de moderação. Para reatores moderados com D2O ou grafite, o espaçamento da rede deve perfazer pelo menos um comprimento de moderação. A água comum é um absorvedor muito mais forte que a água pesada ou grafite, de maneira que um espaçamento da rede igual a um comprimento de moderação permitiria muita absorção de nêutrons lentos. Portanto, em um reator contendo urânio enriquecido no isótopo 235U e moderado com H2O, as barras de combustível devem estar próximas e N1 / N0 teria que ser muito menor do que para o D2O ou grafite.

L s (cm2) Moderador Ls (cm) H2O 5,3 28 D2O 11,2 125 Be 9,8 96 C 19,1 364 Tabela 8 - Valores do comprimento e área de moderação para diversos moderadores.
Em cálculos de projetos detalhados, as escolhas do tamanho dos blocos e do espaçamento da rede não são independentes e devem ser consideradas juntas. A escolha final dos parâmetros do projeto pode ser fortemente influenciada por outros fatores que não as propriedades nucleares do combustível e moderador. Estes outros fatores podem incluir a facilidade ou eficiência de remoção de calor, propriedades estruturais e efeitos de ênfase em um fim especial para o reator.

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C.6 - Tamanho crítico de um reator nuclear térmico
O valor do fator de multiplicação sozinho não permite determinar o tamanho crítico de um sistema de reação em cadeia. O fator de multiplicação k∞ indica como a concentração de nêutrons cresceria se nenhum nêutron escapasse fora do sistema, devendo ser combinado com uma grandeza que diz algo sobre o escape de nêutrons. A teoria matemática do tamanho crítico é uma parte importante da teoria de reatores nucleares, e será ilustrada ao longo desta parte por um exemplo bastante simples. Seja um reator homogêneo na forma geométrica de uma chapa infinita nas direções y e z, mas de espessura finita na direção x. As propriedades nucleares deste sistema, incluindo k∞ , serão consideradas conhecidas. O problema consistirá em determinar a espessura crítica a na qual a chapa vai sustentar uma reação em cadeia. Neste sistema, nêutrons são produzidos e absorvidos através da chapa, podendo também escapar para fora dos limites da mesma. Supõe-se que no início todos os nêutrons são térmicos e monoenergéticos, apresentando uma distribuição de velocidades maxwelliana que pode ser representada pela velocidade mais provável. Esta hipótese pode ser feita se os materiais do reator são absorvedores cujas seções de choque para absorção são proporcionais a 1/v. O tratamento baseado nesta hipótese é chamado de modelo de um grupo, porque todos os nêutrons são considerados como se tivessem a mesma energia cinética. Busca-se a espessura necessária para que o reator opere num estado contínuo. A condição para este equilíbrio pode ser escrita como uma equação de balanço de nêutrons, que esquematicamente se resume a
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foi observado experimentalmente que os nêutrons tendem a se difundir da região que tem alta população de nêutrons para aquela que tem baixa população de nêutrons. Figura 11 . a taxa líquida de fuga de nêutrons na espessura dx localizada entre x e x + dx é dada por Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . A corrente de nêutrons é uma grandeza que indica o fluxo de nêutrons em uma determinada posição x do reator.s] (59) onde D é o coeficiente de difusão do meio e v a velocidade média do nêutron no meio. Quanto maior for o valor de D. a população de nêutrons tende a se tornar uniforme no meio. Basicamente.Representação esquemática da lei de Fick.Taxa de fuga + Taxa de absorção = Taxa de produção Para se determinar a taxa de fuga de nêutrons do reator. O sinal negativo na equação (59) indica que os nêutrons fluem da região de maior concentração de nêutrons para a região de menor concentração de nêutrons. por meio de inúmeros espalhamentos. Assim sendo. A partir desta constatação experimental foi estabelecida a lei de Fick para a corrente de nêutrons J(x) = − v D dn dx [nêutrons/cm2. maior será a difusão do mesmo através do meio. O coeficiente de difusão indica quanto o meio é difusor de nêutrons. maior será a difusão dos nêutrons através do meio.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 46 de 120 . Em um meio que apresenta baixa absorção e bastante espalhamento de nêutrons. conforme ilustra a figura 11. é necessário introduzir o conceito de corrente de nêutrons. A equação (59) mostra também que quanto maior a energia cinética (e portanto a velocidade) do nêutron.

ou seja Taxa de produção de nêutrons no elemento dx = n. por exemplo) são produzidas por nêutrons térmicos.Taxa liquida de fuga fora do elemento dx = J(x + dx). Agora é possível levar em conta o fato de que os nêutrons de fissão são emitidos como nêutrons rápidos e devem ser moderados a energias cinéticas térmicas.Σa.dx A equação de balanço dos nêutrons é portanto (63) −D v d2n + nvΣ a = nvΣ a k ∞ dx 2 (64) que reagrupada resulta d2n Σa + ( k ∞ − 1) n = 0 dx 2 D (65) Define-se um comprimento de difusão L para o reator. ou seja. para tratar a fuga de nêutrons. A taxa de produção é obtida se for observado que cada nêutron térmico absorvido resulta na emissão de k∞ novos nêutrons. se quase todas as fissões (da ordem de 95%.v. utilizando a expressão L2 = D Σa (66) onde D e Σa são definidos pelas expressões (59) e (62).A − J ( x).Σa. A expressão do lado direito da equação (61) fornece o número de nêutrons absorvidos por segundo em um elemento de volume com área A e espessura dx. utiliza a lei de Fick de difusão de nêutrons.A. A equação de balanço dos nêutrons torna-se então d2n k∞ − 1 n=0 + dx 2 L2 (67) A equação (67) acima é conhecida como equação de difusão de nêutrons pois. A = dJ d2n . a grandeza L2 pode ser substituída por Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . A taxa de fuga fornece o número líquido de nêutrons que deixam por segundo uma chapa de espessura dx através de uma área A normal a dx. A taxa de absorção é dada por Taxa de absorção de nêutrons no elemento dx = n.A. Se o reator é bem moderado.A.dx onde (61) Σa = N0 σa0 + N1 σa1 (62) é a seção de choque macroscópica para absorção apresentada pelo material que constitui o reator.v.k∞. respectivamente.dx = −A v D 2 dx dx dx (60) onde A é a área transversal do reator (considerada como sendo infinita).Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 47 de 120 .

ainda que de maneira não muito precisa. A equação de balanço dos nêutrons torna-se então d2n k∞ − 1 + n=0 dx 2 M2 (69) A equação (67) é a equação de um grupo modificada. No caso tratado ao longo desta seção. os nêutrons que fogem do reator não retornam mais. nos quais k∞ é próximo da unidade. pela hipótese de que a densidade de nêutrons deve desaparecer na fronteira externa do reator. A solução da equação (69) requer condições de contorno. A solução geral da equação (69) é n(x) = A cosBx + C senBx onde B2 = (71) k∞ −1 M2 (72) sendo A e C constantes arbitrárias. de modo que C deve ter um valor nulo e a solução fica sendo somente n(x) = A cosBx (73) Aplicando-se a condição de contorno (70) à solução (73). a condição de contorno é que n(x) = 0 em x = ± a 1 2 (70) Se o reator é uniforme. baseada na teoria de difusão. onde há vácuo. Este modelo fornece resultados razoavelmente bons para reatores bem moderados.5 e M2 é denominada área de migração de nêutrons. ou seja. sendo que a formulação precisa destas condições constitui em geral um problema complicado. resulta Ba π π πM = ⇒a= = 2 B (k ∞ − 1)1/ 2 2 (74) A expressão (74) dá a espessura crítica do reator em termos das propriedades nucleares representadas por k∞ e M = (L2 + L2s )1/2. a densidade de nêutrons deve ser simétrica em relação a x = 0 e positiva ao longo do interior do reator. Entretanto. É possível demonstrar que esta condição de contorno real pode ser representada. k∞ − 1 << 1. Se o centro x = 0 do sistema de coordenadas é posicionado no plano central do reator.M 2 = L2 + L2s (68) onde Ls é o comprimento de moderação (também chamado comprimento de difusão rápida) apresentado na seção C. Isto significa que a corrente de nêutrons na fronteira é composta apenas de nêutrons que saem do reator. considera-se que na fronteira externa do reator. senBx não é uma função simétrica em relação a x = 0.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores . A distribuição da densidade de nêutrons em função da posição é dada por n(x) = A cos πx a (75) Página 48 de 120 Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Reatores a urânio natural moderados a grafite são um exemplo.

O escape de nêutrons de um reator pode ser reduzido circundando o reator com um refletor feito de um absorvedor de nêutrons fraco. É comum que um reator seja construído com um tamanho maior do que o tamanho crítico. A massa crítica do urânio pode ser determinada a partir do volume crítico e da massa de urânio por unidade de volume do reator. Para a esfera.π. O valor real do fator de multiplicação no reator em operação pode ser mantido próximo da unidade por intermédio do ajuste apropriado das barras de controle. c) para k∞ >1 → valor da espessura crítica é finito. b) para k∞ = 1 → a espessura crítica é infinita. com a economia em combustível nuclear daí resultante.M (k ∞ − 1)1/ 2 (77) A esfera apresenta uma razão superfície/volume menor do que o cubo. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . com uma configuração tal que k = 1 + δ. constituído em geral por fortes absorvedores de nêutrons. A grafite é usada freqüentemente com este propósito. ou sendo absorvidos dentro do reator para produzir novos radioisótopos. ou seja. deve ser envolvido por uma blindagem. com a finalidade de reduzir a intensidade das radiações (nêutrons e raios-gama) que escapam para o ambiente externo a valores abaixo de limites que representam algum risco biológico. utilizando-se para tanto o mesmo método apresentado anteriormente e coordenadas adequadas. A expressão (74) mostra que: a) para k∞ < 1 → não existe valor real para a espessura crítica. ou na forma de feixes saindo do reator através de canais.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 49 de 120 . em geral feita de concreto. tais como barras de cádmio ou compostos de boro. onde δ é chamado excesso de reatividade.onde A é uma constante arbitrária cujo valor é determinado pela taxa de remoção de calor ou pelo nível de potência do reator. e o escape diminuído reduz o tamanho crítico do reator. ⎜ Vc = ⎟ 3 ⎝ k ∞ − 1⎠ 3/2 (78) enquanto que. Esta última é um dos parâmetros básicos de projeto. ou ainda para outras finalidades. e um volume crítico menor. este volume perfaz 3 c Vc = A ⎛ M2 ⎞ = 1 6 1. O refletor devolve nêutrons que de outra maneira deixariam o reator. incluindo o refletor. O sistema do reator. O raio crítico Rc de um reator esférico é Rc = πM (k ∞ − 1)1/ 2 (76) e o comprimento da aresta de um cubo crítico é dado por Ac = 3 . ⎜ ⎟ ⎝ k ∞ − 1⎠ 3 /2 (79) ou cerca de 24% maior que o volume crítico da esfera. para o cubo. A existência de um excesso de reatividade torna necessário haver um sistema de controle do reator. Alguns resultados são de interesse e merecem ser mencionados. O excesso de reatividade é necessário para que os nêutrons sejam usados. o volume crítico é ⎛ M2 ⎞ 4 3 πR c = 130. O tamanho crítico de um reator nuclear térmico pode ser calculado para outras formas geométricas do arranjo combustível nuclear + moderador.

É inevitável que alguns nêutrons sejam perdidos por escape ou por absorção pelos outros materiais que compõem um reator. Considerando o primeiro par e supondo que 239Pu suficiente esteja disponível para alcançar uma reação em cadeia em meio a um sistema que pode ser usado para gerar potência: a fissão do 239Pu por nêutrons térmicos produz três nêutrons. Para caracterizar quantitativamente este processo. Para fins de exemplo. sendo concebível que um reator possa ser construído com base em um sistema que produz mais plutônio do que consome. o 233U. o 239Pu e o 233U. A utilização da regeneração. O 238U (fértil) e o 239Pu (físsil) formam um par deste tipo. o 238U é o material fértil. Isto ocorre porque a captura sem fissão de nêutrons pelo combustível pode ser suficientemente grande para interferir decisivamente na regeneração.7 . de maneira que se alguns destes nêutrons pudessem ser absorvidos no 238U para formar mais 239Pu. Entretanto. designado por η. um átomo de 235U estaria sendo usado e dois átomos de 239Pu estariam sendo produzidos. Analogamente. pois apenas 0. pode ser convertido em um bom material físsil. a mesma é denominada taxa de regeneração. um dos quais é físsil e um outro que é fértil. de mais de dois nêutrons por fissão. Se esta razão for menor que um. porque apesar de não ser físsil de maneira útil.C. um átomo de 235U). restando ainda um nêutron. pode ser obtido num reator contendo 232Th. Neste caso. sendo portanto apenas ligeiramente maior que dois. Apesar do problema da disponibilidade e custo de combustíveis nucleares ser um problema sério. É claro que este exemplo está bastante simplificado. a razão entre a seção de choque para fissão e a seção de choque total para absorção é mais próxima da unidade em energias cinéticas elevadas Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 50 de 120 . além disso. O plutônio tem sido obtido pela fissão do 235U em um reator contendo 238U. é necessário considerar a razão entre o número de núcleos físseis criados e o número de núcleos físseis consumidos. um pode ser usado para converter um átomo de urânio em um átomo de plutônio. será considerado que três nêutrons são emitidos por fissão. O valor de η obtido para a incidência de nêutrons térmicos no plutônio é 2. Outro par é formado pelo 232Th (fértil) e o 233U (físsil). dar origem a um estoque de material físsil que poderia ser acumulado para uso em novos reatores. existe a possibilidade de novos núcleos de material físsil serem produzidos no núcleo do reator enquanto este estiver operando. a mesma é denominada taxa de conversão. em conjunto com o reprocessamento do combustível nuclear utilizado. em média. designado por ν. nenhum dos quais está disponível na natureza em grandes quantidades. O processo de regeneração de material físsil depende de dois materiais. Dos dois nêutrons que sobram. mas sim o número médio de nêutrons produzido por nêutron absorvido no combustível. O resultado final do processo seria a produção de mais material físsil do que é consumido. que a exemplo do plutônio não ocorre na natureza. porém se for maior ou igual a um. Este resultado parece tornar impraticável a regeneração do 239Pu em um reator térmico. Se este último nêutron pudesse ser usado para produzir um outro átomo de plutônio a partir de um outro átomo de 238U.02. mas este processo é complicado e dispendioso. deixando um lucro de um átomo de material físsil. Esta propriedade é a emissão. os materiais físseis considerados foram o 235U. por meio da indução de fissão em outro átomo de combustível (por exemplo. A propriedade nuclear que determina se a possibilidade de regeneração existe não é o valor do número médio de nêutrons emitido por fissão. Um destes nêutrons é necessário para manter a reação em cadeia funcionando. Até esta parte. porém enquanto mais de dois nêutrons forem emitidos na fissão. tornaria possível a um reator fazer novo combustível para uso próprio e.72% do urânio disponível poderia ser usado diretamente.Conversão e regeneração O futuro da indústria de potência elétrica baseada na fissão nuclear levanta a questão da disponibilidade e custo do material físsil.08 ± 0. uma única e notável solução é possível por causa de uma das propriedades nucleares do processo de fissão. um ciclo de regeneração poderia ser conseguido. Seria ineficiente obter potência em escala grande a partir da fissão do 235U.

8 . assim como o fator de multiplicação k. o mesmo se torna subcrítico.02. não possui unidades físicas (grandeza adimensional). atribui-se a este valor de reatividade o valor de 1 dólar (1$). tanto o 238U quanto o 232Th poderiam converter-se em materiais físseis. fazendo com que a criticalidade do reator varie durante um ciclo de operação.28 ± 0. se ρ = 13000 pcm ⇒ ρ = 13000/700 = 18. Por exemplo. Um sistema contendo 233U e 232Th também poderia ser usado como reator rápido. a regeneração do 239Pu torna-se possível em um sistema de nêutrons rápidos que contenha 238U e 239Pu. Devido à relevância que possui. o que altera o balanço de nêutrons. Se a regeneração pudesse ser conseguida. Como conseqüência. sendo definida como ρ= k -1 k (81) onde k é o fator de multiplicação. se uma barra de controle insere uma reatividade de − 2000 pcm em um reator. pois aumentando-se a temperatura aumenta a absorção de nêutrons pelo combustível nuclear. O valor de η para a incidência de nêutrons térmicos no 233U perfaz 2.00)/1. para compensar estes efeitos e para em cada instante ficar crítico.13 = 13000 pcm. tornando-se supercrítico quando k > 1 e ρ > 0.007 = 700 pcm. Quando reatividade negativa é inserida em um reator. por exemplo pela introdução de uma barra de controle ou de um material absorvedor de nêutrons.02k = 1 ⇒ k ≅ 0. mas o valor maior de ν para o 239Pu favorece o uso deste último material em reatores regeneradores rápidos. Um valor de reatividade que possui importância no comportamento dinâmico de um reator é aquele correspondente à fração de nêutrons atrasados.6$. Vários parâmetros podem alterar a criticalidade de um reator. O consumo do combustível nuclear faz com que sejam originados produtos de fissão que absorvem nêutrons. atinge a criticalidade quando k = 1 e ρ = 0.7% Δk/k. Nestas circunstâncias.dos nêutrons incidentes. Um reator está subcrítico quando k < 1 e ρ < 0. fato que torna aparentemente possível obter a regeneração deste nuclídeo físsil a partir do 232Th em sistemas de reatores térmicos.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 51 de 120 .02 = k -1 ⇒ k + 0. dado por ρ ≅ 0.13 ou 13% Δk/k. a temperatura altera a criticalidade. Portanto. e por outro lado utilizar sistemas de controle desta reatividade em excesso. Desta forma. se no início de um determinado ciclo de operação de um reator o fator de multiplicação é tal que k = 1. ou seja. Por exemplo.98 k Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . ρ = 0. A reatividade. então a reatividade inicial é ρ = (1.15 = 0. de maneira que pode ser expressa em valor absoluto ou em porcentagem. Uma outra maneira de expressar a reatividade é em termos de partes por cem mil (pcm). o valor do fator de multiplicação k decresce. pois ρ = −2000 pcm = −0. de maneira que η e ν apresentam valores próximos em um reator rápido.15 − 1. O aumento da quantidade de combustíveis nucleares disponíveis abriria perspectivas promissoras para o futuro da indústria nuclear a longo prazo. um reator nuclear deve por um lado ser projetado para apresentar um excesso de reatividade no início de cada ciclo de operação.Reatividade A reatividade é uma grandeza que descreve o desvio percentual da criticalidade que um reator apresenta. ou seja ρ = 1$ ≅ 0.007 = 700 pcm = 0. C.15.

por exemplo. A variação da reatividade expressa em relação à variação de um determinado parâmetro x (por exemplo: temperatura. dado por α TM = 1 dk k dTM (84) O efeito do aumento de temperatura do moderador pode ser resumido da seguinte maneira : TM aumenta. após terem sido cometidas violações grosseiras das normas de segurança na operação do reator.) é denominada coeficiente de reatividade devido ao parâmetro x. evitando desta forma “excursões de potência” indesejáveis. sendo denotado por αT. No projeto de um reator nuclear. retirando-se barras de controle). fazendo eventualmente com que diminua a quantidade de átomos do moderador por unidade de volume. etc. Este efeito. podem ser agrupados em um coeficiente de potência dado por αP = dρ 1 dk ≅ dP k dP (85) onde P é a potência do reator nuclear. por definição αx = ou ainda dρ dx (82) αx = dρ dρ dk 1 dk 1 dk = ⋅ ⇒ αx = 2 ≅ dx dk dx k dx k dx (83) Quando o parâmetro x é a temperatura. a reatividade de um reator nuclear varia de acordo com diversos parâmetros. o coeficiente de reatividade é denominado coeficiente de temperatura.C. é descrito pelo chamado coeficiente de temperatura do moderador. H2O) diminui-lhe a massa específica. em última análise. que ocorre no moderador. Por outro lado. pressão. estabeleceu-se pelo fato de αP ser positivo.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 52 de 120 . Esta Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . potência. O aumento da temperatura do moderador (por exemplo. Os efeitos causados pela variação de todos os parâmetros mencionados. é desejável que αP seja negativo em toda a faixa de operação. Como conseqüência. teve como uma das causas uma excursão de potência que. É importante observar que quando a temperatura do reator sobe devido a um aumento de potência (o que ocorre. o número de fissões induzidas diminui e o valor do fator de multiplicação abaixa.9 . entre os quais a temperatura. k diminui e α TM < 0. normalmente é exigido que os coeficientes de reatividade sejam negativos. O acidente ocorrido em 26 de abril de 1986.Coeficientes de reatividade Conforme destacado anteriormente. as absorções de nêutrons pelo combustível nuclear aumentam. causando um aumento de temperatura no mesmo. No projeto de um reator nuclear. de modo que (dk/dT) < 0 e portanto αT < 0. pois neste caso um aumento de potência introduz reatividade negativa. no reator 4 da central nucleoelétrica de Chernobyl (Ucrânia). levando a uma diminuição do fator de multiplicação (pois o parâmetro f diminui). de maneira que. o que diminui a capacidade de moderação e faz com que menos nêutrons sejam termalizados. principalmente o coeficiente de temperatura αT. tendendo a trazer a potência do reator de volta para o valor inicial. o calor gerado no combustível nuclear é transferido ao moderador.

totalizando l a = 12.0064 ⇒ l = 0.10−4 segundos. Por outro lado. Para exemplificá-lo. o fluxo total de nêutrons e.10 −4 ⋅ (1 − 0.718282. Partindo de uma potência inicial P0.10 −4 l* ⇒T= ⇒ T = 0. enquanto para nêutrons atrasados este tempo é muito maior. o tempo médio de duração l é dado por: l = l * ⋅ (1 − β) + l a ⋅ β (88) 235 onde β é a fração total de nêutrons atrasados. 2 ⇒ P = P0 e 5 ⇒ P = 148.Período de um reator nuclear O período de um reator nuclear é o tempo necessário para que a potência do reator aumente por um fator igual a e = 2. a equação que descreve este aumento é: P = P0 e t / T (87) sendo P0 a potência inicial do reator.0064) + 12. Assim. após apenas um segundo. Por exemplo. devido ao efeito que exerce sobre o valor do período. No caso da potência.exigência tem a finalidade de tornar o reator intrinsecamente seguro no que concerne a acidentes que causem aumento da temperatura do núcleo. O tempo médio de duração de um nêutron é o intervalo de tempo médio transcorrido desde a geração do nêutron até a absorção do mesmo por um núcleo atômico ou o escape do mesmo para fora do cerne do reator. a potência do reator é mantida constante. a potência do reator. ou seja. de maneira que a população neutrônica. basta considerar um reator nuclear supercrítico no qual k = 1. consequentemente.001. para todos os nêutrons de uma geração.0064 e portanto: U. sendo definido como: T= l k −1 (86) onde k é o fator de multiplicação efetivo e l é o tempo médio de duração de um nêutron. Para nêutrons prontos. β = l = 2. no caso do 0.7 segundos. em um reator supercrítico.41 ⋅ P0 → controle impossível Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . C.10 . aumentam exponencialmente com o tempo. O valor do período fornece uma indicação da taxa de variação da população neutrônica no cerne do reator. Portanto.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 53 de 120 . a potência deste reator aumentaria: a) considerando apenas a existência de nêutrons prontos (só hipótese) T= 2. T é pequeno. em um reator crítico. k = 1 e portanto T → ∞.7 ⋅ 0. o tempo médio de duração é igual a l * = 2.2 s k −1 1.0815 s A existência dos nêutrons atrasados é fundamental para manter controlável a reação nuclear de fissão em cadeia auto-sustentada.001 − 1 P = P0 e t / T ⇒ P = P0 e1/ 0.

O mais utilizado dentre os absorvedores deste tipo é o ácido bórico (H3BO3). destacam-se: carbeto de boro (B4C). alguns reatores (por exemplo.001 − 1 P = P0 e t / T ⇒ P = P0 e1/ 81. Entre os materiais mais usados em elementos de controle. liga de prata-índio-cádmio (Ag-In-Cd. enquanto em reatores de potência refrigerados a água fervente (BWR) estes elementos possuem a forma de cruz. Uma barra de controle. A taxa temporal de inserção de reatividade é limitada por normas internacionais ao valor de 20 pcm/s. de maneira a diminuir o valor do fator de multiplicação. alterando-se a quantidade de moderador presente no sistema. os chamados reatores refrigerados a água pressurizada . É importante destacar que a utilização do absorvedor de nêutrons solúvel é homogênea em todo o núcleo do reator.11 . Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . por causa da elevada seção de choque para captura de nêutrons exibida pelo 10B (isótopo que constitui 20% do boro natural). Na figura 12 ilustra-se a variação da concentração de boro (expressa em partes por milhão. de maneira a compensar a variação da reatividade. introduz reatividade negativa quando de sua introdução física no núcleo do reator ou introduz reatividade positiva quando de sua retirada física do núcleo do reator. assim como desligá-lo.Controle de um reator nuclear O controle de um reator nuclear tem os seguintes propósitos: a) variar a reatividade ou a criticalidade do reator. com a finalidade de fazer com que o reator possa subir de potência de maneira segura.5 ⇒ P = P0 e 0. é uma elevada seção de choque para absorção de nêutrons. Para cumprir este propósito.0815 l ⇒T= ⇒ T = 81. ppm) ao longo de um ciclo de operação inteiro de um típico reator PWR. na proporção respectivamente de 80%-15%-5%) e háfnio metálico (Hf).b) considerando a existência tanto de nêutrons prontos quanto de nêutrons atrasados (caso real) T= 0. A concentração do absorvedor solúvel é variada ao longo do ciclo de operação do reator. fato que permite aumentar ou diminuir a potência do reator. O absorvedor solúvel causa um aumento na absorção de nêutrons.0123 ⋅ P0 → controle possível C. o mecanismo mais utilizado consiste em introduzir um material absorvedor de nêutrons.PWR) utilizam absorvedores de nêutrons dissolvidos no refrigerante. embora nem sempre tenham o formato geométrico de uma barra.01227 ⇒ P = 1. o que altera o parâmetro f e consequentemente o fator de multiplicação k. Por exemplo. c) desligar o reator em caso de necessidade. não ocasionando distorções na distribuição de potência ou fluxo. Para compensar a variação da reatividade ou do fator de multiplicação que ocorre ao longo de um ciclo de operação de um reator nuclear. o material absorvedor de nêutrons é introduzido no reator sob a forma de elementos de controle.). Em geral. que usualmente recebem o nome de barras de controle. b) manter o reator crítico durante todo o ciclo de operação do mesmo. sendo portanto alta no início e praticamente zero no fim do ciclo (quando então é trocado o combustível nuclear).Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 54 de 120 . Outra maneira seria variar o grau de moderação. em diversos reatores de pesquisa estes elementos são placas. através da introdução de reatividade negativa no sistema que o constitui. de maneira a compensar o efeito de alterações ocorridas nas características do sistema que o constitui (consumo do combustível nuclear. variações de temperatura. A principal propriedade destes materiais. ou um conjunto de barras de controle. para deste modo poder variar a potência. comum a todos eles.5 s k −1 1. etc.

O veneno queimável pode ser misturado ao combustível nuclear ou a materiais estruturais do núcleo (formas de utilização mais comuns). bem como ser instalado separadamente no núcleo do reator. Escolhendo-se adequadamente a distribuição e a quantidade com que tal substância é incorporada ao núcleo do reator. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . a mesma pode compensar parcialmente a perda de reatividade devida à depleção do combustível nuclear e à acumulação de produtos de fissão ocorridas ao longo de um ciclo de operação do reator. Outra maneira de compensar a variação da reatividade consiste em utilizar substâncias denominadas venenos queimáveis.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 55 de 120 . A substância é.Concentração de boro ao longo de um ciclo de operação inteiro de um típico reator PWR. ao absorvê-los.É importante destacar que a curva de concentração de boro apresenta a mesma forma de variação exibida para o fator de multiplicação k ao longo de um ciclo de operação do reator nuclear. ou “queimada”. depletada. Define-se como veneno queimável uma substância contendo núcleos com elevada seção de choque para absorção de nêutrons e que.65% do gadolínio natural). Figura 12 . dão origem a novos núcleos com baixa seção de choque para absorção de nêutrons. desta forma. por causa das elevadas seções de choque para absorção de nêutrons exibidas respectivamente pelo 10B (isótopo que constitui 20% do boro natural) e pelo 157Gd (isótopo que constitui 15. As substâncias mais empregadas como veneno queimável são o óxido de boro (B2O3) e o óxido de gadolínio (Gd2O3).

TERMOD NÂM CA E TRANSFERÊNC A DE CALOR EM REATORES NUCLEARES DE CALOR EM REATORES NUCLEARES A . do combustível nuclear para o refrigerante. Por fim. sendo transferida por condução de calor para a superfície do combustível e através do revestimento.Condução de calor em elementos combustíveis Os elementos combustíveis são geralmente constituídos por barras cilíndricas longas ou placas retangulares de urânio ou outro material físsil envolvido por um revestimento.TRANSFERÊNCIA DE CALOR E CIRCULAÇÃO DE FLUIDO EM REATORES NUCLEARES A. nos quais pode ser gerado vapor por intermédio de um sistema de potência termodinâmico. taxas de transferência de calor e níveis de potência em um reator nuclear. sob a forma de calor. o combustível nuclear deve apresentar as seguintes propriedades: elevada condutividade térmica.IIII . após ter sido transferida para o refrigerante. A temperatura máxima de operação do combustível nuclear é um dos fatores mais importantes no projeto térmico de um reator.1 . boa resistência à corrosão.TERMODIINÂMIICA E TRANSFERÊNCIIA . de tal maneira que a transferência de calor ocorre por convecção para um fluido que escoa em torno do elemento combustível. visando determinar temperaturas. A importância da análise térmica de um reator nuclear reside. Além de ser físsil.Introdução O valor máximo da taxa de fissão e portanto da potência máxima gerada em um reator nuclear é limitado pelo fato de que a energia liberada deve ser transferida. com a finalidade de manter a temperatura em todas as partes do reator abaixo dos limites impostos pelas propriedades dos materiais que o constituem. O urânio pode estar na forma metálica pura. variações de pressão e requisitos referentes à potência de bombeamento.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 56 de 120 . Nesta abordagem. é transportada para fora do reator quando o refrigerante sai do núcleo e ingressa em trocadores de calor externos. portanto. Estes processos serão estudados ao longo desta parte. Para que esta transferência ocorra de maneira efetiva. a energia liberada pela fissão. A geração e o processo de transferência de calor em um reator nuclear típico podem ser resumidos da maneira descrita a seguir. na forma de um composto (em geral um óxido) ou na forma de uma liga com outro metal (em geral alumínio ou zircônio). O calor é então transferido por convecção da superfície do revestimento para o refrigerante.2 . em permitir fixar na prática a máxima potência liberada tendo em vista as propriedades dos materiais do reator. o refrigerante circula ao longo da superfície do revestimento. boa resistência mecânica em altas temperaturas e temperatura máxima de operação elevada. A análise térmica permite também determinar as temperaturas dos componentes do reator nuclear (combustível nuclear. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . a ênfase será para reatores que utilizam refrigerantes monofásicos líquidos ou gasosos. A circulação de refrigerante em um reator nuclear será também estudada para determinar efeitos de atrito. enquanto reatores que operam com refrigerantes bifásicos e transferência de calor por ebulição serão apenas mencionados brevemente. revestimento do combustível nuclear e refrigerante) em qualquer ponto do mesmo. A energia é liberada pela fissão em meio ao combustível. A.

boa resistência mecânica em altas temperaturas e inércia química em relação ao combustível nuclear e ao refrigerante. Se além deste fato a condutividade térmica k do meio material for constante. de maneira a tornar mais efetiva a transferência de calor para o refrigerante. atualmente em desuso). c é o calor específico do material r (J/kg. por unidade de volume: ⎛ Taxa de variação da ⎞ ⎛ Taxa de geração ⎞ ⎛ Taxa de condução de ⎞ ⎜ ⎜ energia interna do meio ⎟ = ⎜ de energia no meio ⎟ − ⎜ calor para fora do meio ⎟ ⎟ ⎜ ⎟ ⎜ ⎟ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ou. b) proporciona suporte e reforço estrutural ao combustível nuclear. c) amplia a área da superfície externa do elemento combustível em certos tipos de reatores (principalmente naqueles refrigerados a gás).O revestimento que envolve o combustível nuclear possui três funções: a) evita a liberação de produtos de fissão no refrigerante quando o mesmo passa pelo núcleo do reator. O sinal negativo indica que o calor é transferido na direção de temperaturas decrescentes. resultando Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . o estudo abrange apenas condições estacionárias em um reator. Nesta parte. resultando: Taxa de perda de calor por condução / unidade de volume = − k ⋅ ∇ 2 T (3) onde o operador laplaciano ∇2 pode ser escrito em coordenadas retangulares..0C).. Os materiais adequados para o revestimento devem satisfazer alguns requisitos entre os quais se destacam: baixa seção de choque para captura radiativa de nêutrons. Os materiais mais utilizados no revestimento de combustíveis nucleares são alumínio. + ∇ ⋅ k∇T ∂t ( ) (4) onde ρ é a massa específica do material (kg/m3). cilíndricas ou esféricas de acordo com a forma geométrica do meio no qual ocorre a condução de calor. q”’ é a taxa de liberação de energia no meio (W/m3) e ∇ é o operador gradiente. A equação geral para condução de calor em um meio tridimensional no qual energia é liberada (por exemplo.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 57 de 120 . elevada condutividade térmica.. a equação (4) pode ser simplificada. dT/dx o gradiente de temperatura no ponto considerado (0C/m) e k a condutividade térmica do material (W/m.0C). = − k A dx (2) onde q” é o fluxo de calor (W/m2). ligas de magnésio (denominadas Magnox. aço inoxidável e ligas de zircônio (denominadas Zircaloy). A equação de Fourier que define a relação entre o fluxo de calor e o gradiente de temperatura para condução de calor unidimensional é dada por: Q = −kA dT dx (1) sendo Q a taxa de transferência de calor (J/s ≡ W). A a área através da qual o calor é transferido (m2). de maneira que as temperaturas são independentes do tempo. como resultado de fissão nuclear) resulta. A perda de calor por intermédio de condução pode ser generalizada para abranger um meio tridimensional. em termos matemáticos ρc r r ∂T = q . A equação (1) pode ser escrita também da seguinte maneira: Q dT = q .

. a taxa de liberação de energia por unidade de volume do combustível é dada por : q ... tal elemento combustível é aquele posicionado no centro do núcleo.. = E f ⋅ Σ f ⋅ φ t ⇒ q . A potência térmica total Qr fornecida por um reator nuclear cilíndrico (forma geométrica mais comum) está relacionada com a taxa volumétrica máxima de liberação de energia q .s) que incide no combustível em condições estacionárias de operação do reator nuclear. Σ [W / m 3 ] (6) onde Ef = 200 MeV = 3.2 ⋅ 10 −8 ⋅ Σ f ⋅ φ t ρF [W / g] (7) onde ρF é a massa específica do combustível (kg/m3). e com a taxa máxima de liberação de energia por unidade max de massa do combustível Fmax através das equações Qr = e q . ∇ T=− k 2 (5) Esta equação será aquela utilizada para analisar as temperaturas em elementos combustíveis de reatores nos quais energia foi liberada por fissão nuclear.. A taxa de liberação de energia também pode ser expressa por unidade de massa do combustível como F= 3 . 2 ⋅ 10 − 5 ⋅ Σ f ⋅ φ t material físsil presente no combustível. Considerando-se que toda a energia liberada por fissão nuclear é depositada no combustível. busca-se principalmente determinar as temperaturas máximas no núcleo.2.. .. Em um núcleo no qual a distribuição do combustível é uniforme. = 3..q . A variação do fluxo de nêutrons térmicos ao longo do elemento combustível central (direção z) é dada por: φ( z) = φ max ⋅ cos βz (10) enquanto a taxa de liberação de energia neste mesmo elemento combustível é dada por: Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .10−11 J é a energia liberada na fissão de um átomo de f é a seção de choque macroscópica média para fissão do material físsil presente no combustível e φt é o fluxo de nêutrons térmicos (número de nêutrons térmicos/cm2.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 58 de 120 . ⋅ Volume de combustível max ( φ max / φ ) (8) Qr = Fmax ⋅ Massa de combustível (φ / φ) max (9) onde φmax e φ são respectivamente os valores máximo e médio do fluxo de nêutrons térmicos no núcleo do reator. que em geral ocorrem no elemento combustível onde a taxa de liberação de energia é maior e no refrigerante que o circunda. . Na análise térmica de um reator.

As dimensões da placa nas direções y e z são grandes comparadas com os valores de a e b. que resulta da soma da altura geométrica L do núcleo (que é igual à altura ativa dos elementos combustíveis) com a distância de extrapolação d: L' = L + d ⇒ L' = L + 2 ⋅ λ tr 2A ⇒ L' = L + 3 Σ e ⋅ (3A .Distribuição de temperatura em um elemento combustível tipo placa. A. considera-se que o fluxo de nêutrons e consequentemente a taxa de liberação de energia são uniformes através do combustível nuclear.Elemento combustível tipo placa A figura 1 mostra um elemento combustível tipo placa. Figura 1 . No combustível nuclear. de maneira que a condução de calor pode ser assumida como ocorrendo apenas na direção do eixo x.2) (12) onde A é o número de massa dos átomos da substância que constitui o combustível nuclear e Σe é a seção de choque macroscópica para espalhamento de nêutrons por esta substância. sendo L a altura extrapolada do núcleo. ( z) = q . ⋅ cosβz max ’ ’ (11) onde β = π/L .. a equação (13) pode ser integrada. Uma vez que os elementos combustíveis a serem estudados apresentam a forma de cilindros finos ou placas.. resultando: Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . ao atravessar a superfície livre de um meio.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 59 de 120 . =− dx 2 kF (13) Considerando os valores da condutividade térmica e da taxa de liberação de energia como sendo constantes em meio ao combustível nuclear. Esta aproximação despreza a atenuação do fluxo de nêutrons no interior do combustível. a equação (5) é escrita como: d 2T q . no qual o combustível nuclear de espessura 2a se encontra emoldurado em ambos os lados por um revestimento de espessura b..2.... a distância de extrapolação d perfaz cerca de 2 cm.q . anula-se apenas a uma distância fixa d situada além dos limites desta superfície. que é pequena se a espessura do combustível for pequena. A distância de extrapolação surge como conseqüência de que o fluxo de nêutrons. Para a maioria dos materiais.1 .

Integrando a equação (14) entre x = 0 e x = a. ΔTF = 2k F (15) onde ΔTF é a diminuição de temperatura do centro para a superfície do combustível nuclear... envolvida por um revestimento de espessura b. fornece (16) ΔTcl = a. ⎜r ⎟ = − dr ⎝ dr ⎠ kF Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . resulta a expressão: . hipótese correta para varetas em que o comprimento é muito maior que o raio. =− +C dx kF (14) Quando x = 0.. é encontrado o resultado: a 2 .Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores (20) Página 60 de 120 ....b. =− dx k cl que integrada entre x = a e x = a + b.. A distribuição de temperatura no interior do combustível nuclear é parabólica.q .... ⋅ ⎜ + ⎟ k cl ⎠ ⎝ 2k F A. Usando a equação (2) neste caso específico.Elemento combustível cilíndrico (18) A figura 2 mostra um elemento combustível com a forma de uma vareta cilíndrica de raio a. dT a. q . q .. (dT/dx) = 0 e portanto C = 0.2 .q . + =− dr 2 r dr kF ou ainda (19) d ⎛ dT ⎞ r . q ..q . Considerando desprezível a condução de calor ao longo da vareta..dT x. a equação de condução de calor para o combustível em coordenadas cilíndricas fica sendo dada por d 2 T 1 dT q .2. k cl (17) onde ΔTcl é a diminuição de temperatura da superfície interna (em contato com o combustível nuclear) para a superfície externa (em contato com o refrigerante) do revestimento. Não há liberação de energia no revestimento e o calor conduzido por unidade de área através do mesmo em cada lado do combustível é a q (em unidades W/m2).... A diminuição total de temperatura do centro do combustível nuclear para a superfície externa do revestimento (desprezando qualquer variação de temperatura através da interface combustível nuclear/revestimento) é dada por: ⎛ a b ⎞ Δ T F + Δ T c l = a .

a 2 ⎛ 1 ln[(a + b) / a] ⎞ Δ T F + Δ Tcl = + ⎜ ⎟ 2 ⎝ 2k F k cl ⎠ (24) Na análise apresentada ao longo desta parte.. Utilizando este resultado em conjunto com a equação que exprime a diminuição de temperatura através de uma parede cilíndrica.Distribuição de temperatura em um elemento combustível cilíndrico.. Estas hipóteses são: a) não há espaçamento algum entre as Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 ... a diminuição de temperatura do centro para a superfície do combustível nuclear resulta: a 2 . q .. . Integrando a equação (20).. encontra-se a seguinte expressão: q . (dT/dr) = 0 e portanto C = 0.. ΔTF = 4k F (22) O calor conduzido através do revestimento por unidade de comprimento do ... foram feitas duas hipóteses que podem introduzir erros significativos em cálculos referentes à importante classe de reatores nucleares cujo combustível é constituído por pastilhas cilíndricas de dióxido de urânio (UO2) acondicionadas em um revestimento também cilíndrico de aço inoxidável ou Zircaloy. A diminuição total de temperatura do centro do combustível nuclear para a superfície do revestimento que o envolve é: q ..Figura 2 .ln[(a + b) / a] ΔTcl = 2k cl (23) que fornece a diminuição de temperatura através do revestimento. .Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 61 de 120 . C =− + dr 2k F r (21) Quando r = 0.q .a 2 . Integrando a equação (21) entre r = 0 e r = a. encontra-se dT r. elemento combustível cilíndrico é igual a πa2 q .

porém conforme o combustível vai sendo irradiado. Se a condutividade térmica do combustível é considerada como sendo função da própria temperatura. fissuras surgem nas pastilhas e produtos de fissão gasosos (principalmente xenônio e criptônio) se difundem por elas até alcançarem o espaçamento. Dilatação térmica do combustível (devido à temperatura de operação do reator) e alterações no formato do combustível (decorrentes de longos períodos de irradiação) acabam reduzindo este espaçamento de maneira não uniforme para cerca de apenas 0. expressa em coordenadas cilíndricas e designada anteriormente por equação (19).1 mm entre as pastilhas de UO2 e a superfície interna do revestimento. Em geral.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores (29) Página 62 de 120 . A condutividade térmica do UO2 é muito mais baixa que a do urânio metálico puro. A diminuição de temperatura através do espaçamento de uma vareta cilíndrica preenchido com gás é dada por q .. deve ser modificada para: 1 d ⎛ dT ⎞ . Neste caso. que foi assumida até aqui como sendo constante. . e assim a diminuição de temperatura através de uma pastilha de UO2 é muito maior que em uma vareta combustível de urânio metálico com as mesmas dimensões. tornando a hipótese de condutividade térmica constante uma possível origem de erro significativo.0 C] (25) onde k é a condutividade térmica do gás no espaçamento (fornecida em unidades W/m. A transmissão de calor através do espaçamento pode ser caracterizada pela condutância térmica dada por: hG = k g [W/m 2 ..01 mm. variações acentuadas de temperatura no interior do combustível podem ocorrer. Inicialmente.a 2 ⎛ 1 1 ln[(a + b) / a] ⎞ + + ⎜ ⎟ 2 ⎝ 2k F ah G k cl ⎠ (28) A segunda hipótese é referente à condutividade térmica do combustível nuclear UO2... o que altera as características de condução térmica do mesmo. b) a condutividade térmica do UO2 é independente da temperatura.. a diminuição da largura do espaçamento faz com que sua condutância térmica aumente consideravelmente.. Assim pois. este espaçamento é preenchido com gás hélio. combustíveis nucleares do tipo mencionado no parágrafo anterior são fabricados com um espaçamento radial de cerca de 0.a ΔTG = 2h G (26) e a equação (24) para a diminuição total de temperatura do centro do combustível nuclear para a superfície externa do revestimento pode ser modificada de maneira a levar em conta este espaçamento. resultando: ΔTtotal = ΔTF + ΔTG + ΔTcl o que implica (27) ΔTtotal = q .0C) e g é a largura do espaçamento (medida em m). ⎜r ⋅kF ⎟ = −q r dr ⎝ dr ⎠ Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . . a equação geral para condução de calor.pastilhas de UO2 e a superfície interna do revestimento. tornando necessário considerar os efeitos decorrentes deste fato.

. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . (z) ⋅ a θ c ( z) = h (33) e no caso do elemento combustível cilíndrico esta diminuição de temperatura é dada por: q .Transferência de calor do elemento combustível para o refrigerante A equação geral para a transferência de calor por convecção entre uma dada superfície e um fluido que escoa ao longo desta superfície é dada pela equação de Newton: Q = h ⋅A⋅θ ou ainda (31) q . não fornecendo diretamente a temperatura em que de fato se encontram estes componentes. Para determinar estas temperaturas... uma vez conhecida a temperatura na superfície da pastilha de UO2. (W/m2.. pode ser escrita como: ∫ TF Tf a 2 . (z) ⋅ a 2 θ c ( z) = 2(a + b)h (34) A diminuição total de temperatura do centro do combustível para o refrigerante é calculada pela soma ΔTF + ΔTcl + θc.. θ é a diferença entre a temperatura da superfície e a temperatura da massa de fluido que escoa ao longo da superfície (0C). q .. = h ⋅ θ (32) onde Q é a energia transferida para o fluido por unidade de tempo (J/s ≡ W).m2 ≡ W/m2). é necessário conhecer a diminuição de temperatura da superfície externa do revestimento para o refrigerante e também a temperatura do refrigerante em qualquer posição no núcleo do reator. h é o coeficiente de transferência de calor . a diminuição de temperatura em qualquer ponto da superfície do revestimento para o refrigerante é dada por: q .0C). A é a área da superfície em contato com o fluido (m2) e q é a energia transferida para o fluido por unidade de tempo e por unidade de área (J/s.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 63 de 120 ..3 . k FdT = 4 (30) onde TF e Tf são respectivamente as temperaturas na linha central e na superfície da pastilha. sendo necessário consultar estas tabelas para. No caso do elemento combustível tipo placa. determinar a temperatura no centro da mesma ou vice-versa.A solução desta equação. Valores da condutividade térmica do UO2 foram medidos e a integral que aparece no lado esquerdo da equação (30) é geralmente tabelada em função da temperatura T. É importante destacar que as equações mostradas ao longo desta parte expressam as diminuições de temperatura através do combustível nuclear e do respectivo revestimento. A. obtida por meio de integração..

⎛ βL ⎞ max = ⎜ sen β z + sen ⎟ & m C c Pβ ⎝ 2 ⎠ (37) Página 64 de 120 Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .. Figura 3 .. enquanto a temperatura com a qual o refrigerante deixa o canal é designada por TC2. Será assumido que não há condução de calor na direção axial do elemento combustível. a temperatura do refrigerante em qualquer ponto do canal pode ser encontrada por integração: ∫-L / 2 d T C = z π a 2 q . A temperatura com a qual o refrigerante ingressa no canal é designada por TC1..Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores . de maneira que toda a energia liberada em uma seção do combustível é transferida radialmente para fora. posicionado no respectivo canal de refrigeração. cP é o calor específico do refrigerante (J/kg....ax cos β z dz m (35) & onde mC é a vazão do refrigerante que escoa passando pela seção mencionada (kg/s). sendo absorvida pelo refrigerante em circulação quando este passa por aquela seção. A figura 3 mostra um elemento combustível cilíndrico de comprimento L. O comprimento extrapolado do núcleo é L’.0C) e dTC é o aumento de temperatura do refrigerante no comprimento dz (0C). a x m & m Cc P ∫ z -L / 2 co sβ z d z (36) que fornece como resultado TC (z) − TC1 π a 2 q . A partir da equação (35).Escoamento e temperaturas do refrigerante no canal de refrigeração do elemento combustível central.A temperatura do refrigerante em qualquer ponto do núcleo do reator depende de sua temperatura ao entrar no núcleo e do calor que foi transferido a ele até o ponto em questão. Um balanço de energia para o refrigerante que escoa passando por uma seção do combustível de comprimento dz em z é dada por: & m C c P dTC = π a 2 q .

conforme mostrado na figura 3. situado na interface combustível nuclear/revestimento. Ts e TF ao longo do canal de refrigeração e indica a existência de valores máximos para Ts e TF. . as equações são: Ts (z) = TC (z) + θC (z) = TC1 + ΔTC ⎛ senβz ⎞ ⎜1 + ⎟ + θC0cosβz 2 ⎝ sen(βL / 2) ⎠ (40) TFcl (z) = TC (z) + θC (z) + ΔTcl (z) = TC1 + ⎛ (a + b)h ln[(a + b) / a]⎞ senβz ⎞ ΔTC ⎛ ⎟ ⎜1 + ⎟ + θC0 cosβz⎜1 + 2 ⎝ sen(βL / 2) ⎠ kcl ⎝ ⎠ (41) TF ( z) = TC ( z) + θ C ( z) + Δ Tcl ( z) + Δ TF ( z) = TC1 + ⎛ ( a + b ) h ln[( a + b ) / a ] ( a + b ) h ⎞ ⋅⎜ 1 + + ⎟ 2k F ⎠ k cl ⎝ onde Δ TC 2 ⎛ sen β z ⎞ ⎜1 + ⎟ + θ C 0 cos β z sen(β L / 2 ) ⎠ ⎝ (42) θ C0 q . ax βL m = Δ TC = sen & m C c Pβ 2 (38) Usando este resultado. TC(z) pode também ser escrita da seguinte forma TC (z ) = TC 1 + ⎞ Δ TC ⎛ senβ z ⎜1 + ⎟ 2 sen (β L / 2 ) ⎠ ⎝ (39) A temperatura do refrigerante ao longo do canal varia de acordo com uma função seno.. obtém-se a temperatura máxima da superfície externa do revestimento: Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . a 2 = max 2(a + b) h (43) é a diminuição de temperatura da superfície externa do revestimento para o refrigerante no meio do canal.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 65 de 120 . Nas equações (41) e (42). na interface combustível nuclear/revestimento (TFcl) e no centro do combustível nuclear (TF) podem finalmente ser determinadas em qualquer posição z. encontra-se a posição na qual é atingida a temperatura máxima da superfície externa do revestimento. Para um elemento combustível cilíndrico. foi desprezada a diminuição de temperatura através do espaçamento preenchido com gás.O aumento de temperatura do refrigerante em todo o canal é dado por: TC 2 − TC 1 2 π a 2 q ... Diferenciando a equação (40) e igualando a zero. As temperaturas na superfície externa do revestimento (Ts). É importante determinar a magnitude destes valores máximos. A figura 3 mostra a variação das temperaturas TC.. sendo tal posição dada por: z= ΔTC / 2 1 arctg β θ C 0 sen(β L / 2) (44) Substituindo esta expressão para z na equação (40).

fatores como distorção do fluxo de nêutrons. Estas limitações são decorrentes das propriedades dos materiais usados no reator. A obtenção das equações para as temperaturas dos componentes de um reator. Em um reator realmente existente. as temperaturas do combustível e do revestimento resultam mais baixas porque apenas cerca de 95% da liberação de calor ocorre de fato no combustível. Entretanto. distribuição incorreta da circulação de refrigerante nos canais e pequenas variações nas dimensões do combustível nuclear ou do revestimento podem causar incorreções nos valores calculados para as temperaturas. esta hipótese muito raramente é observada. a qual resulta: 2⎤ ⎡ ΔTC ⎢ C ⎞ ⎥ 2 βL ⎛ 1 + cossec = TC1 + +⎜ ⎟ 2 ⎢ 2 ⎝ ΔTC / 2 ⎠ ⎥ ⎢ ⎥ ⎣ ⎦ TF(max) (46) onde ⎛ (a + b) h ln[(a + b) / a] ( a + b) h ⎞ C = θ C0 ⎜ 1 + + ⎟ k cl 2k F ⎠ ⎝ (47) As equações mostradas ao longo desta parte permitem determinar as temperaturas do combustível nuclear. limitações na temperatura máxima de operação apresentada por certos componentes do reator impõem uma limitação na temperatura máxima do refrigerante e portanto na potência do reator. constituindo portanto um fator adicional de segurança na determinação das mesmas. Sob o ponto de vista termodinâmico. baseou-se sempre na hipótese de que todos os fatores determinantes da temperatura são conhecidos exatamente. Para manter estas eventuais incorreções dentro de limites seguros. sendo o conhecimento detalhado de tais propriedades absolutamente fundamental no projeto de reatores nucleares. superfície externa do revestimento e refrigerante em termos da potência do reator. de maneira que as diminuições de temperatura através do combustível e do revestimento são reduzidas em cerca de 5%. Uma outra hipótese feita na análise apresentada nesta parte deve ser examinada mais atentamente: aquela segundo a qual toda a liberação de calor proveniente da fissão ocorre no combustível. pelos quais as diminuições de temperatura calculadas são multiplicadas com a finalidade de determinar as temperaturas máximas em condições adversas. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . A fração da energia de fissão liberada como calor no moderador perfaz aproximadamente 5% do total.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 66 de 120 . efetuada ao longo desta parte. é desejável que a temperatura do refrigerante seja a mais alta possível. Na prática. Este não é o caso em um reator térmico no qual nêutrons são moderados e radiação gama é absorvida no moderador. A hipótese de que todo o calor é liberado no combustível superestima as temperaturas do combustível e do revestimento. Porém. são introduzidos os chamados “fatores de canal quente”. Esta energia acaba sendo transferida ao refrigerante (exceto se houver refrigeração especial para o moderador) e o aumento de temperatura do refrigerante é o mesmo que se verificaria caso toda a energia de fissão fosse liberada no combustível sob a forma de calor. uma vez que este atua como fonte de calor para o ciclo de potência.Ts(max) 2⎤ ⎡ ΔTC ⎢ 2 βL ⎛ θ C0 ⎞ ⎥ 1 + cossec = TC1 + +⎜ ⎟ 2 ⎢ 2 ⎝ ΔTC / 2 ⎠ ⎥ ⎢ ⎥ ⎣ ⎦ (45) O mesmo procedimento pode ser aplicado para encontrar a temperatura máxima do combustível nuclear.

a condutividade térmica do fluido (k). As constantes que aparecem nestas equações são determinadas experimentalmente. de tal modo que o escoamento é turbulento.023 ⋅ (Re) 0. A equação deste tipo mais utilizada para água e gases em canos redondos lisos é a equação de Dittus-Boelter: (Nu) b = 0. o refrigerante circula em alta velocidade através do núcleo com valores de (Re) muito maiores que 2000. o calor específico do fluido a pressão constante (cP).4 . e outras características relevantes são arranjadas em grupos adimensionais. a velocidade de escoamento do fluido (v) e o diâmetro efetivo do duto no qual o fluido escoa (de). a massa específica do fluido (ρ). sendo dado pela razão entre a viscosidade cinemática e a difusividade térmica. O número de Prandtl depende apenas das propriedades do fluido. Os grupos adimensionais geralmente usados em equações que descrevem a convecção forçada são: O número de Reynolds → (Re) = ρvd e μ O número de Prandtl → (Pr) = c Pμ k hd e k O número de Nusselt → (Nu) = O número de Stanton → (St) = h (Nu) = ρvc P (Re)(Pr) O número de Peclet → (Pe) = (Re)(Pr) As quantidades envolvidas são a viscosidade do fluido (μ).Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores (49) Página 67 de 120 . a transição entre escoamento laminar e escoamento turbulento ocorre para valores de (Re) da ordem de 2000. dimensões do sistema. caracteriza o escoamento.A.4 b b Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . definido como sendo: de = 4 ⋅ Área de escoamento Perímetro em contato com o fluido (48) O número de Reynolds. uma vez que o fluido é bombeado através do núcleo do reator. que constitui uma medida da razão entre a inércia e as forças viscosas em um fluido em circulação. torna-se necessário empregar equações apropriadas para descrever convecção forçada em condições de escoamento turbulento.Transferência de calor por convecção forçada A equação (31) expressa a transferência de calor por convecção da superfície externa do revestimento para o refrigerante. O escoamento de refrigerante em um reator nuclear ocorre por meio de convecção forçada. Portanto. Em particular. Este número determina a maneira pela qual a temperatura e velocidade de um fluido variam próximo da parede de um tubo em que o mesmo escoa e no qual está sendo aquecido ou resfriado. Há diversas equações empíricas adimensionais que são utilizadas para determinar coeficientes de transmissão de calor. Em quase todos os reatores de potência. O método mais comum para correlacionar dados de transferência de calor por convecção utiliza equações nas quais as propriedades do fluido.8 ⋅ ( Pr) 0. O principal problema que surge ao usá-la consiste em determinar o coeficiente de transferência de calor h.

a condução predomina sobre a difusão turbulenta.As propriedades do fluido a serem incluídas nesta equação são aquelas medidas à temperatura Tb em que se encontra toda a massa em escoamento. No caso de alguns fluidos. As equações empíricas para metais líquidos são diferentes daquelas para água e gases.8 b ⋅ (Pr) 0. água e metais líquidos em condições de operação em um reator nuclear. que é medida à temperatura Tw da parede do duto.14 (51) Nesta equação.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 68 de 120 . Para tanto. 0 + 0 . Estas equações foram obtidas principalmente a partir de dados coletados em tubos circulares e são confiáveis para calcular coeficientes de transferência de calor neste tipo de duto dentro de uma margem de incerteza de aproximadamente 10%.0C) e de números de Prandtl (Pr) para gases.023 ⋅ (Re) 0. A dificuldade em usar as equações (51) e (52) consiste em não se conhecer antecipadamente os valores das temperaturas Tw e Tf.8 ⋅ (P r) 0. Esta diferença provém do fato de que. no mecanismo de transferência de calor em um metal líquido. exceto μw. de maneira que se houver uma diferença acentuada entre as temperaturas da parede do duto e da massa de fluido esta variação deve ser considerada. certas propriedades (especialmente a viscosidade) variam consideravelmente com a temperatura.8 (53) A tabela 1 mostra valores típicos de coeficientes de transferência de calor h (medidos em W/m2. de modo que pode ser necessário empregar uma solução do tipo tentativa e erro. A equação de Colburn também leva em conta variações de propriedades na camada de fluido situada próxima da parede aquecida do duto. 0 2 5 ⋅ ( P e ) 0 . Esta equação é dada por: ( N u) f = 0 . definida como sendo Tf = (Tw + Tb) / 2. z0 é o ponto no qual o fluido ingressa no duto e q . é o calor transferido ao fluido por unidade de comprimento do duto. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . A temperatura da massa de um fluido em qualquer ponto z de um duto no qual escoa e está sendo aquecido é definida pela equação: Tb ( z) = T0 + 1 & m cP ∫ z z0 q . tem a forma: ( N u ) = 7 . a equação de Sieder-Tate utiliza a seguinte correlação: (Nu) b = 0.02 ⋅ ( R e) 0. As mesmas equações podem ser utilizadas com acurácia razoavelmente boa para cálculos em dutos não circulares. todas as propriedades do fluido são aquelas medidas à temperatura Tb em que se encontra a totalidade da massa em escoamento.4 f f (52) onde as propriedades do fluido são aquelas medidas à temperatura Tf da camada. dentro de uma margem de incerteza de aproximadamente 20%. dz (50) onde T0 é a temperatura com a qual a massa de fluido ingressa no duto. Uma das correlações aceitas para metais líquidos e que é utilizada no cálculo de coeficientes de transferência de calor.4 b ⎛μ ⎞ ⋅⎜ b ⎟ ⎝ μw ⎠ 0. desde que em cada caso considerado o diâmetro efetivo de seja calculado de acordo com a definição mostrada na expressão (48).

ocorrendo em fluxos de calor elevados mediante os quais a temperatura da camada de água em contato com a superfície aquecida atinge a temperatura de saturação enquanto a temperatura da massa de água como um todo permanece mais baixa. Enquanto Ts for menor que Tsat. torna-se possível que a ebulição da água se inicie mesmo com a temperatura Tb permanecendo menor que Tsat. resultando em um aumento de Ts. a água não entrará em ebulição. aplicável a reatores refrigerados a gás e a reatores refrigerados a água nos quais não ocorre ebulição. envolvendo dados experimentais expressados por meio de equações empíricas. Enquanto Tb for significativamente menor que Tsat ou o fluxo de calor for baixo. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . cuja condutividade térmica é baixa. dependendo da temperatura Tb em que se encontra a massa de água como um todo e do fluxo de calor na superfície aquecida.0C] Gases 0. Outra maneira empregada para aumentar a área da superfície de transferência de calor consiste em utilizar um grande número de varetas combustíveis cilíndricas com diâmetro pequeno.Valores típicos de (Pr) e coeficientes de transferência de calor para refrigerantes usados em reatores nucleares.Refrigerante (Pr) h [W/m2. será considerada a transferência de calor por convecção de uma superfície aquecida à temperatura Ts (como a superfície externa do revestimento de um elemento combustível. Este fenômeno é denominado ebulição subrefrigerada. sendo a temperatura de saturação da água igual a Tsat. por exemplo) para a água que escoa ao longo desta superfície. Este aumento do coeficiente de transferência de calor é indicado na figura 4 pela parte íngreme da curva situada entre as regiões 1 e 2. Entretanto. Esta é a forma de revestimento adotada preferencialmente em combustíveis nucleares de UO2. é possível que a ebulição da água se inicie.Transferência de calor por ebulição Até este ponto foi estudada a transferência de calor por convecção forçada monofásica. porém o aumento de turbulência devido ao movimento destas bolhas acaba causando um aumento no valor do coeficiente de transferência de calor. conforme o fluxo de calor aumenta. Bolhas de vapor formam-se na massa de água. Para efeito de estudo. Este comportamento é mostrado na região 1 da figura 4. a ebulição da água não ocorrerá e a transferência de calor será monofásica. condição na qual a troca de calor é mais eficiente. o conteúdo desta parte abordará este tema de maneira apenas introdutória. procura-se trabalhar em regime próximo à ebulição. geralmente os revestimentos dos elementos combustíveis são dotados de extensões sob a forma de aletas. de fato ocorre ebulição no núcleo do reator. A. a ebulição passa a ocorrer em todo o volume de água. A partir dos dados contidos na tabela 1.01 5000 a 50000 Tabela 1 .5 . principalmente nos reatores refrigerados a água fervente (BWR). Devido ao fato da descrição do mecanismo de transferência de calor por ebulição ser relativamente complexo.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 69 de 120 . Quando Ts exceder Tsat. Entretanto. Portanto. caracterizada pela transferência de calor monofásica. elas rapidamente se condensam e colapsam. em certos tipos de reatores. estabelecendo-se plenamente. com o objetivo de promover uma transferência de calor mais efetiva em reatores refrigerados a gás. Quando a temperatura da massa de água aumenta e se torna igual à temperatura de saturação. Em reatores refrigerados a água pressurizada (PWR). Conforme as bolhas formadas na superfície aquecida se movimentam em meio à massa de água mais fria. fica claro que os coeficientes de transferência de calor obtidos com gases são consideravelmente mais baixos que os obtidos com água ou metais líquidos.8 50 a 500 Água 1a7 2000 a 20000 Metais líquidos 0.

conforme mostra a região 4 da figura 4. A ocorrência deste tipo de situação em um reator nuclear deve ser evitada de qualquer maneira. além de outras conseqüências sérias que podem caracterizar um acidente grave. ebulição estável da camada de água se estabelece. Entretanto. Uma vez que a camada de vapor é contínua ao longo da superfície aquecida. resultando na forma íngreme bastante acentuada exibida pela curva na região 2 da figura 4. É importante conseguir prever o fluxo de calor crítico em um reator no qual pode ocorrer ebulição da água.Figura 4 . pois a fusão do revestimento de combustíveis nucleares causa a liberação de produtos de fissão no refrigerante. Com o aumento da ebulição nucleada. devido ao fato do coeficiente de transferência de calor ser razoavelmente baixo por causa da camada de vapor. Em tais condições. pois qualquer tentativa de aumentar o fluxo de calor acima deste valor resulta em uma transição de ebulição nucleada em A para ebulição de camada em B. a superfície aquecida vai sendo crescentemente envolvida por bolhas de vapor que. Um fluxo de calor denominado desvio da ebulição nucleada (DNB) é então atingido.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 70 de 120 . O fluxo de calor correspondente ao pico da curva no ponto A da figura 4. que constitui o desvio da ebulição nucleada (DNB). é também conhecido como fluxo de calor crítico. de maneira que qualquer aumento adicional da temperatura da superfície causará um aumento do fluxo de calor. o aumento do fluxo de calor é muito menos acentuado que na região de ebulição nucleada. Nestas circunstâncias. denominada região de ebulição nucleada. se a temperatura da superfície aquecida for aumentada ainda mais. Trata-se do máximo fluxo de calor permissível em um reator refrigerado a água fervente (BWR). tendo um efeito de isolamento térmico. a curva mostrada na figura 4 começa a decrescer. o que pode torná-la suficientemente elevada a ponto de provocar danos. a taxa de transferência de calor diminuirá devido ao aumento da resistência térmica da camada de vapor que se encontra ao redor da superfície aquecida. até mesmo aumentos pequenos no fluxo de calor podem causar aumentos grandes na temperatura Ts da superfície. Nesta região. Isto causa um estado instável de ebulição parcial da camada de água. A turbulência causada pela formação de bolhas de vapor e pelo movimento que estas provocam na massa de água ao se afastarem da superfície aquecida faz com que o coeficiente de transferência de calor aumente ainda mais. Tal tipo de reator inclui não apenas reatores refrigerados a água fervente (BWR) nos quais ebulição nucleada ocorre durante a Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . podendo nestas condições ocorrer passagem direta do ponto A para a região 4. acompanhada de aumento brusco e grande na temperatura da superfície. o fluxo de calor aumenta rapidamente com apenas um pequeno aumento na temperatura da superfície aquecida. dificultam a transferência de calor e causam uma diminuição no valor do coeficiente de transferência de calor. como por exemplo o derretimento da superfície. mostrado na região 3 da figura 4. o que pode causar fusão da mesma. Como conseqüência.Curva da transferência de calor por ebulição.

O custo elevado do hélio é o principal fator que tem impedido o uso deste gás em reatores de potência de grande porte. as temperaturas da superfície e do fluido. No caso de um reator térmico. a fração de secura (ou qualidade de vapor) e as dimensões do sistema. o que requer baixo número de massa e elevada seção de choque para espalhamento de nêutrons. A. tampouco deve se decompor quando submetido a condições de alta temperatura e irradiação. Em vários reatores de potência. Hélio e dióxido de carbono são os gases mais apropriados para uso como refrigerante. ou um metal líquido como sódio ou liga sódio-potássio. Muito trabalho experimental foi feito para desenvolver correlações empíricas que envolvem. Este fato é mostrado na região 2 da figura 4. b) aumento da velocidade de escoamento do fluido causa aumento do valor do fluxo de calor crítico. d) Baixa atividade induzida por nêutrons. O valor de n é cerca de 4. o refrigerante deve possuir as seguintes características: a) Baixa seção de choque para absorção de nêutrons. os trocadores de calor primários devem ser blindados e um circuito secundário contendo refrigerante não ativado precisa ser usado para a geração de vapor. o fluxo de calor. c) aumento da fração de secura causa diminuição do valor do fluxo de calor crítico.6 . O refrigerante não deve reagir quimicamente com outros componentes do reator com os quais entra em contato direto. a pressão do fluido. Entretanto. sendo portanto importante que o refrigerante não se torne radioativo ao passar através do núcleo como resultado da absorção de nêutrons. O fluxo de calor durante a ocorrência de ebulição nucleada pode ser relacionado à temperatura da superfície aquecida por meio da seguinte equação: Q n = C ⋅ ( Ts − Tsat ) A (54) onde C e n são constantes. Isto é essencial. os trocadores de calor não possuem blindagem protetora contra raios-gama. sendo portanto evidente que o fluxo de calor aumenta rapidamente com o aumento da temperatura Ts da superfície durante a ebulição nucleada.Escolha do refrigerante para reatores nucleares O refrigerante para um reator nuclear pode ser um gás. b) Valores elevados de calor específico. mas também reatores refrigerados a água pressurizada (PWR) nos quais ebulição sub-refrigerada ou ebulição nucleada podem ocorrer.operação normal. é também desejável que o refrigerante exerça um efeito moderador. enquanto as duas outras propriedades controlam a diminuição de temperatura da superfície externa do revestimento para o refrigerante. reatores refrigerados a gás e que operam a temperatura elevada podem no futuro usar hélio. entre os parâmetros relevantes. pode-se afirmar que estes parâmetros afetam o fluxo de calor crítico da seguinte forma: a) aumento da pressão pode causar diminuição do valor do fluxo de calor crítico. água ou água pesada. a velocidade de escoamento do fluido. As duas primeiras propriedades determinam a quantidade de energia por unidade de volume que o refrigerante tem a capacidade de transportar. Em linhas gerais.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 71 de 120 . Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . c) Boa estabilidade. Independente do estado físico em que se encontra. Caso o refrigerante fique ativado de fato. condutividade térmica e coeficiente de transferência de calor. uma vez que a economia de nêutrons no reator não permite uma absorção elevada de nêutrons pelo refrigerante. massa específica. nos quais o vazamento de gás refrigerante pode ser significativo.

Apresentam temperaturas de saturação elevadas à pressão atmosférica. em conjunto com uma característica não moderadora. Quando o refrigerante escoa através dos canais de combustível existentes no núcleo de um reator. é muito pequeno e será desprezado. denotado por f e definido pela equação: ρv 2 τw = f ⋅ 2 (55) onde τw é a tensão de cisalhamento na parede do tubo. somado a perdas localizadas que ocorrem em componentes como cotovelos de tubulações e válvulas. O segundo é a aceleração de escoamento do refrigerante como resultado da diminuição de sua massa específica com o aumento da temperatura. porém é muito cara. Sódio e a liga eutética sódio-potássio são os metais líquidos mais usados como refrigerante. Entretanto.γ)24Na gera um radioisótopo emissor de raios-gama. a água pesada apresenta seção de choque para captura de nêutrons muito baixa.Circulação de refrigerante pelo núcleo de um reator Ao escoar em regime estacionário no interior de um tubo cilíndrico posicionado horizontalmente. O primeiro é o atrito entre o refrigerante e as paredes dos canais. causando uma redução adicional de massa específica e portanto aceleração. mas pode ser relevante em um reator refrigerado a gás. A seção de choque para captura radiativa de nêutrons lentos pelo sódio é razoavelmente alta. tornando desnecessário o uso de um sistema de refrigeração pressurizado. apresentam a grande desvantagem de que temperaturas elevadas destes refrigerantes requerem pressões elevadas sobre o sistema e portanto vasos de contenção muito fortes. a reação nuclear de captura radiativa 23Na(n. faz do sódio metálico um refrigerante mais apropriado para uso em reatores rápidos. Esta propriedade. porém. ele sofre uma diminuição de pressão que ocorre devido principalmente a dois fenômenos. Por sua vez. O mesmo não se verifica. que perfaz 374 0C. A. Tanto o uso de água quanto de água pesada como refrigerante requerem o uso de aço inoxidável ou Zircaloy como material de revestimento do combustível nuclear. Outra desvantagem consiste no fato de que a temperatura máxima da água é limitada ao valor da temperatura crítica. As reações químicas violentas que ocorrem quando sódio metálico é colocado em contato com ar ou água tornam imprescindível eliminar qualquer possibilidade de vazamento do refrigerante.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores (56) Página 72 de 120 . que sofre queda de pressão ao longo do tubo. Fato análogo ocorre com o refrigerante líquido ou gasoso em circulação pelo núcleo de um reator.046⋅ (Re)− 0. O efeito causado pelo segundo fenômeno é geralmente pequeno em um reator cujo refrigerante é líquido. Entretanto. sendo necessário utilizar combustíveis nucleares contendo urânio enriquecido para compensar este efeito. A seção de choque para captura radiativa de nêutrons pela água é razoavelmente elevada. Um terceiro efeito devido à diminuição de pressão ao longo do canal.7 . O fator de atrito de Fanning foi determinado experimentalmente para escoamento turbulento em tubos comerciais lisos. O efeito do atrito no escoamento em tubos é levado em conta por meio da introdução do fator de atrito de Fanning.Água e água pesada são apropriadas para uso em reatores térmicos nos quais podem desempenhar tanto a função de moderador quanto a de refrigerante. o que torna este metal inadequado para uso como refrigerante em reatores térmicos. no caso do escoamento de um fluido real.2 Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . um fluido ideal apresenta a mesma pressão em todas as seções. de maneira que os trocadores de calor primários devem ser blindados e um circuito secundário de refrigerante precisa ser usado para a geração de vapor. sendo a correlação empírica f = 0.

Diminuição de pressão em um canal. mas as variações na viscosidade elevadas à potência 0.geralmente aceita.023 ⋅ (Re) −0. É interessante comparar esta equação com uma forma modificada da equação de Dittus-Boelter: (St) = 0. Convém entretanto destacar que as considerações a serem feitas ao longo desta seção são válidas também para canais cuja seção transversal não é circular. Figura 5 . considerando que de = 4A/P: 4 f ρ v2 − dp = dz + ρ v dv 2 de (61) & Usando a equação de continuidade para substituir m /A por ρv e integrando ao longo do canal entre os limites −L/2 e L/2.2 e comparando com a equação (56) resulta (58) (St) = f 2 (59) Este resultado constitui uma confirmação da analogia de Reynolds entre calor e transferência de momento. A diminuição de pressão do refrigerante em um canal de elemento combustível pode ser determinada considerando o canal mostrado na figura 5. que é válida para fluidos com (Pr) ≈ 1 escoando em tubos lisos.2 podem ser Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .2. & A equação de continuidade para o escoamento é m = Aρv .Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 73 de 120 . e o balanço das forças que atuam no fluido contido em um elemento do canal cujo comprimento é dz resulta na expressão: − A dp − f ρv 2 P dz = ρ A v dv 2 (60) ou.2 ⋅ ( Pr) −0. encontra-se: & 4 ⎛ m⎞ p1 − p 2 = ⎜ ⎟ 2d e ⎝ A ⎠ 2 ∫ & f ⎛ m⎞ dz + ⎜ ⎟ ( v 2 − v1 ) ⎝ A⎠ − L/ 2 ρ L/2 (62) O fator de atrito f. que é proporcional a (Re)−0. esta equação assume a seguinte forma simplificada (St) = 0. pode ser afetado por mudanças de temperatura.023 ⋅ ( Re) −0.6 (57) Se (Pr) é igual ou aproximadamente igual à unidade.

desprezadas e f pode ser considerado como constante ao longo do comprimento do canal. O primeiro termo do lado direito da equação (62) pode neste caso ser escrito como: & 4 f ⎛ m⎞ R ⎜ ⎟ 2 de ⎝ A⎠ p 2 ∫ L/2 − L/2 TC dz (65) Se o fluxo de nêutrons e a taxa de liberação de energia forem simétricos em relação ao centro do canal. As equações (63) e (69) fornecem a diminuição de pressão somente no canal do elemento combustível.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 74 de 120 . fazendo uso da equação do gás p = RρT e assumindo que as variações de pressão são pequenas em comparação com a pressão absoluta do gás. mediante o uso das equações de continuidade e do gás. de maneira que a variação de pressão resulta: p1 − p2 = & 4 f L ⎛ m⎞ 4 f L ρ v2 ⎜ ⎟= 2 d e ρ ⎝ A⎠ 2 de (63) Para gases. a integral na equação (65) resulta: ∫ L/2 −L/2 TC dz = TC L = 1 ( TC1 + TC2 ) L 2 (66) O segundo termo do lado direito da equação (62). como é o caso em um fluxo cossenoidal. de maneira que efeitos verificados na entrada e na saída do Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . o termo de temperatura (TC2 − TC1) / TC contribui em geral com cerca de 10% da diminuição da pressão no núcleo. por meio da equação: 1 R TC = p ρ (64) onde p é a pressão média do gás no canal. Para fluidos incompressíveis como a água. tanto ρ quanto v são constantes. pode ser escrito como: 2 2 & & & ⎛ m⎞ ⎛ m⎞ ⎛ 1 1 ⎞ ⎛ m⎞ R (T − T ) ⎜ ⎟ ( v2 − v1 ) = ⎜ ⎟ ⎜ − ⎟ = ⎜ ⎟ ⎝ A ⎠ ⎝ ρ2 ρ1 ⎠ ⎝ A ⎠ p C2 C1 ⎝ A⎠ (67) A solução da equação (62) para a diminuição de pressão em um gás resulta portanto na expressão: 2 ⎤ & R ⎛ m⎞ ⎡ 4 f L R TC p1 − p2 = ⎜ ⎟ ⎢ + ( TC2 − TC1) ⎥ ⎝ A⎠ ⎣ 2 de p p ⎦ (68) ou ainda p1 − p2 = 2 & T −T ⎤ 1 ⎛ m⎞ ⎡ 4 f L + C2 C1 ⎥ ⎜ ⎟ ⎢ ρ ⎝ A⎠ ⎣ 2 de TC ⎦ (69) Em um reator refrigerado a gás. a expressão para a massa específica do gás pode ser escrita em função da temperatura.

Estes dois processos produzem redemoinhos e turbulência no escoamento que resultam em perdas de altura de carga. então a potência térmica total fornecida pela usina é (Qr + ηPPP).5 ⎛ m ⎞ = ⎜ ⎟ 2 ρ ⎝A⎠ 2 (70) A diminuição de pressão em todo o circuito de refrigeração inclui a diminuição de pressão no núcleo mais a perda de pressão na entrada e saída mais a diminuição de pressão em tubos externos e trocadores de calor. Desprezando-se perdas. apesar das perdas na saída poderem ser reduzidas pelo uso de um difusor nesta extremidade do canal. onde ηP é a eficiência eletromecânica dos motores das bombas. que mostra esquematicamente a estrutura de um reator de potência típico. Ao entrar no núcleo. então a potência necessária para comprimir o refrigerante nas bombas de circulação é dada aproximadamente pela seguinte expressão: W= & m Δp ρP (71) onde ρP é a massa específica do refrigerante nas bombas. em geral como uma fração da potência elétrica produzida pelos turbo-geradores. Se a diminuição de pressão Δp em todo o circuito for pequena em comparação com a pressão absoluta do refrigerante. O efeito da potência de bombeamento na potência elétrica total e na eficiência térmica geral da usina é ilustrado por meio da figura 6. Se a potência térmica fornecida pelo reator é Qr e a potência necessária para fazer o refrigerante circular é W ou ηPPP. não estão incluídos. Esta situação é semelhante ao escoamento de um fluido que passa por uma contração súbita de um tubo com diâmetro grande para um tubo com diâmetro pequeno. então a perda combinada de pressão em ambas as extremidades do canal é dada pela seguinte expressão aproximada: Δ p (e n tra d a e s a í d a ) & 1 . Também sob o ponto de vista mecânico.canal. Na saída do núcleo ocorre o processo inverso. Assumindo-se a ocorrência de escoamento incompressível sem qualquer difusor na saída e que a velocidade do refrigerante é desprezível nos tubos de comunicação de entrada e saída. pelo fato de passar dos tubos de comunicação de entrada para os canais do elemento combustível. esta é a energia transferida ao vapor por unidade de tempo sob a forma de calor. Apesar da equação (71) fornecer a potência necessária para fazer o refrigerante circular. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . é dada por: PP = & 1 m Δp η P ρ1 (72) Esta potência deve ser fornecida pela usina. ρP deve ser a maior possível e as bombas de circulação devem ser posicionadas no ponto de menor temperatura do circuito: a entrada para o reator. portanto. a potência requerida para acionar as bombas é maior que aquela por um fator 1/ηP. assim como em outras partes do circuito de refrigeração. o refrigerante experimenta uma contração súbita em seu escoamento. A potência de bombeamento. Neste caso ρP = ρ1. Esta potência é adicionada à potência térmica fornecida pelo reator para obter a energia total transferida ao vapor sob a forma de calor. é desejável que as bombas sejam instaladas no ponto de menor temperatura do circuito. Com a finalidade de tornar o valor de W o menor possível. com o refrigerante experimentando uma expansão similar ao escoamento que ocorre em um tubo cujo diâmetro interno é aumentado subitamente.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 75 de 120 .

Figura 6 .35 e ηP = 0.40 aproximadamente). usando a expressão (59). como: Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .90.Qr (valor típico para um reator refrigerado a gás).35 e 0. então a potência elétrica bruta gerada pela usina é: E t = η T ⋅ (Q r + η P P P ) enquanto a potência elétrica resultante fornecida pela usina é: (73) E ef = η T ⋅ ( Q r + η P P P ) − P P Nestas circunstâncias. Um critério útil para avaliar o desempenho de refrigerantes gasosos pode ser estabelecido considerando um reator com uma potência térmica fixa igual a Qr.Representação esquemática de um reator de potência típico. então ηG = 0. a eficiência térmica geral da usina resulta: (74) ηG = E ef = ηT − Qr PP ⋅ (1 − η T η P ) Qr (75) O efeito da potência de bombeamento na eficiência térmica geral da usina pode ser avaliado quantitativamente usando a expressão (75). dimensões fixas e temperaturas fixas do combustível nuclear e do refrigerante.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 76 de 120 . o calor específico e a massa específica dependem da pressão e do tipo de refrigerante gasoso utilizado. Se PP = 0.05. Este valor representa uma redução de aproximadamente 9% na eficiência térmica geral. ηT = 0.316. A taxa de escoamento. Assumindo que a eficiência combinada do ciclo de vapor e dos turbo-geradores seja igual a ηT (cujo valor em geral perfaz entre 0. A potência de bombeamento pode ser escrita como: & & m ⎛ m ⎞ ⎡ 4 f L TC2 − TC1 ⎤ PP = + ⋅⎜ ⎟ ⋅ ⎢ ⎥ TC ⎦ ηP ρ ρ1 ⎝ A ⎠ ⎣ 2 d e 2 (76) O termo de temperatura é constante e o fator de atrito f pode ser escrito.

sendo o limite imposto pela resistência mecânica do vaso de pressão no qual o núcleo do reator está contido. Porém. as temperaturas e a pressão do gás são fixas.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 77 de 120 .165 0. a potência de bombeamento é menor para o refrigerante cujo valor de c3 M 2 é maior.04 Hélio 0. Após o hidrogênio. a elevada reatividade química apresentada por este gás impede seu uso. os melhores refrigerantes gasosos são o hélio (He) e o dióxido de carbono (CO2).181 0. a massa específica de todos os gases é proporcional à massa molecular dos mesmos.091 2 3 Tabela 2 . Para quaisquer valores de temperatura e pressão dados. o que é feito em reatores refrigerados a gás. m ∝ 1/cP e como as temperaturas do refrigerante são fixas ρ1 ∝ ρ . Encontra-se então a expressão: PP ∝ & m3 ρ ρ1 (78) & Para um dado valor fixo da potência térmica fornecida e de ΔTC. Para um gás.252 Ar atmosférico 0. tomando como referência um valor igual a 1 para o hidrogênio (H2) à temperatura absoluta de 500 K.181 Dióxido de carbono 0. A tabela 2 P 3 2 mostra os valores de cP M para alguns gases. com este último mostrando certa vantagem a temperaturas elevadas. de maneira que a equação (79) pode ser escrita como PP ∝ 1 c M2 3 P (80) onde M é a massa molecular. Este resultado indica que em um reator no qual a potência térmica fornecida. h é constante e consequentemente o fator de atrito f também o é. sob o ponto de vista do transporte de calor e da potência de bombeamento. o hidrogênio é um excelente refrigerante. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . as dimensões.f = 2(St) = 2 h A 2 h A ΔTC = & m cP Qr (77) Uma vez que a potência térmica fornecida e as temperaturas do combustível nuclear e do refrigerante foram consideradas fixas.Valores de cP M para alguns gases. logo: PP ∝ 1 c ρ2 3 P (79) Este resultado indica que a potência de bombeamento é inversamente proporcional ao quadrado da massa específica do refrigerante. Gás c3 M 2 P 500 K 800 K Hidrogênio 1 1.075 0. A tabela 2 mostra que. a massa específica pode ser aumentada por intermédio do aumento da pressão.

o aspecto de maior importância que distingue uma usina nucleoelétrica de uma usina termoelétrica convencional é o calor de decaimento dos produtos de fissão. o qual por este motivo será abordado em um tópico específico.1 .B . é conveniente apresentar a descrição sumária de uma usina nucleoelétrica completa. sob o ponto de vista termodinâmico. Se o moderador é sólido (por exemplo grafite). moderador e refrigerante. Em uma usina nucleoelétrica completa. Convém destacar. Estes reatores são conhecidos como reatores de ciclo direto. de maneira que a descrição feita a seguir tem caráter genérico e não se refere a nenhum tipo específico de usina nucleoelétrica.Descrição sumária de uma usina nucleoelétrica Antes de discutir aspectos termodinâmicos de reatores. Por fim. nos quais o calor é transferido do refrigerante do reator para o fluido operante no ciclo de potência. e o ciclo de potência propriamente dito. As instalações integrantes de uma usina nucleoelétrica estão representadas esquematicamente na figura 7. Ao longo desta parte serão estudados mais detalhadamente os aspectos termodinâmicos de usinas nucleoelétricas. Entretanto. com diferentes escolhas de combustível nuclear. constituindo a fonte de energia. no entanto. será também apresentada uma breve introdução ao projeto térmico de um reator nuclear.ASPECTOS TERMODINÂMICOS DE USINAS NUCLEOELÉTRICAS B. que o tipo mais importante de reator nuclear é o reator de potência. O núcleo do reator consiste em um conjunto de combustível nuclear e moderador. B. no qual a energia do fluido operante é convertida em trabalho nas turbinas.Introdução A maioria dos reatores nucleares construídos até hoje em todo o mundo é destinada à produção de energia elétrica. Alguns reatores de grande porte foram construídos com a finalidade de produzir plutônio e um grande número de reatores menores foi construído para fins de pesquisa científica. com a diferença que os gases aquecidos liberados na queima em uma usina convencional são substituídos pelo refrigerante à alta temperatura em uma usina nucleoelétrica. O trocador de calor de uma usina nucleoelétrica é equivalente à caldeira de uma usina termoelétrica convencional em que o calor resulta da combustão de hidrocarbonetos. os trocadores de calor e o ciclo de potência. sendo o grande esforço dedicado à pesquisa e desenvolvimento de reatores nucleares apenas justificável se possibilitar que os recursos mundiais de urânio e tório sejam usados como fonte de energia.2 . ou seja. produção de radioisótopos e como protótipo para reatores de potência maiores. o reator é um componente. uma vez que não há trocadores de calor. com o combustível nuclear tendo a forma de varetas cilíndricas ou placas posicionadas em uma rede instalada em meio ao moderador. Em alguns tipos de reator o refrigerante serve também como fluido operante no ciclo de potência. de maneira que o ciclo de potência para o caso de um reator nuclear pode diferir em alguns aspectos de ciclos de potência convencionais. Os outros dois componentes importantes são os trocadores de calor. Há muitas variações possíveis. Se o moderador é líquido (por exemplo H2O ou D2O). o refrigerante escoa em espaçamentos ou canais anulares existentes entre o combustível nuclear e o moderador. A temperatura do refrigerante do reator não é tão elevada quanto a dos gases aquecidos liberados na combustão em uma caldeira convencional. ele pode servir também como refrigerante e circular através do Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 78 de 120 .

pois as temperaturas geralmente disponíveis em reatores são menores que as obtidas em caldeiras convencionais. o que implica na remoção do topo do vaso de pressão. Tal blindagem em um reator de potência é geralmente uma estrutura de concreto com alguns metros de espessura. O núcleo do reator é instalado dentro de um vaso de pressão cujas funções são conter o refrigerante e proporcionar suporte mecânico ao núcleo. Outros reatores são estruturados de maneira que todo o combustível existente no núcleo é retirado simultaneamente quando o reator está desligado. constituída por aço e água. Figura 7 . a pressão do sistema pode ser de até 160 atm para permitir que o refrigerante alcance temperaturas elevadas. No caso de reatores a água pressurizada. O escoamento do refrigerante ocorre em geral verticalmente de baixo para cima através do núcleo. seis ou até oito circuitos de refrigeração e trocadores de calor.Representação esquemática das instalações integrantes de uma usina nucleoelétrica. As barras de controle são inseridas no núcleo ou retiradas do núcleo em espaços existentes entre os elementos combustíveis. Em geral.núcleo do reator. baixo custo e massa específica suficientemente alta a ponto de constituir uma blindagem efetiva para raios-gama. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Alguns reatores são estruturados de tal modo que o combustível nuclear pode ser posicionado ou retirado do núcleo enquanto o reator se encontra em operação. O ciclo de potência de um reator nuclear é semelhante ao convencional. O concreto foi escolhido como material utilizado para fins de blindagem biológica por causa de suas propriedades estruturais. conforme destacado anteriormente.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 79 de 120 . ou o refrigerante pode ser separado do moderador e escoar em tubos de pressão existentes entre o combustível nuclear e o moderador. Os motores que acionam as barras de controle geralmente são instalados acima do reator. Nestes reatores a máquina de carga e descarga está geralmente situada acima da blindagem superior do reator. A blindagem biológica existente ao redor do reator evita o escape de radiações ionizantes (nêutrons e raios-gama) para o meio-ambiente. tendo acesso aos elementos combustíveis no núcleo através de tubos guia na blindagem superior. o que permite desligar um circuito para reparos sem afetar a operação do reator. A circulação do refrigerante através do núcleo e dos trocadores de calor é feita pelo uso de bombas de refrigeração. o vaso de pressão é feito de aço carbono. enquanto em reatores refrigerados a gás a pressão do sistema pode ser de até 40 atm. Os reatores nucleares compactos utilizados para propulsão naval têm blindagem biológica mais leve. ciclos de vapor para usinas nucleoelétricas podem diferir em alguns pormenores de ciclos de vapor convencionais. Entretanto. revestido internamente por uma camada de aço inoxidável e com as diferentes seções que o compõem unificadas por meio de soldagem. Normalmente há quatro.

pois do mesmo modo que a eficiência do ciclo de Carnot pode ser aumentada elevando T1 ou diminuindo T2. a temperatura na qual calor é transferido ao fluido operante depende da temperatura do combustível nuclear. Em uma usina nucleoelétrica. Nestas circunstâncias.Representação esquemática de uma usina nucleoelétrica com reator refrigerado a gás.3 . a expressão (81) pode ser interpretada de maneira geral. os quais são a atmosfera e os oceanos terrestres. também a eficiência de qualquer ciclo de potência pode ser aumentada pela elevação da temperatura média na qual calor é transferido ao fluido operante. nenhuma usina de potência opera segundo o ciclo de Carnot. É importante que a diminuição de temperatura entre o gás refrigerante primário e a água no trocador de calor não seja Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .Considerações gerais de termodinâmica A função de um ciclo de potência termodinâmico é converter calor em trabalho. é impossível converter calor inteira e continuamente em trabalho. Conforme enuncia a segunda lei da termodinâmica. Este fato limita a cerca de 25 0C o valor da temperatura mínima na qual calor é rejeitado. Neste ciclo todo o calor é recebido isotermicamente a uma temperatura T1 e todo o calor rejeitado é liberado isotermicamente a uma temperatura mais baixa T2. da diminuição de temperatura do combustível nuclear para o refrigerante no reator e da diminuição de temperatura. será considerado o reator refrigerado a gás mostrado esquematicamente na figura 8.B. Entretanto. Figura 8 . Com a finalidade de estudar a influência do trocador de calor na eficiência geral de uma usina nucleoelétrica. O ciclo de potência termodinâmico básico é o ciclo de Carnot. entre o refrigerante do reator e o fluido operante do ciclo de potência. Neste sistema o trocador de calor é um componente intermediário essencial entre o reator e o ciclo de potência.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 80 de 120 . no trocador de calor. A eficiência termodinâmica de um ciclo de potência é dada pela razão entre o trabalho fornecido e o calor recebido. o qual apresenta a maior eficiência possível para um ciclo de potência cujas temperaturas mais alta e mais baixa sejam respectivamente iguais a T1 e T2. de maneira que se deve procurar converter em trabalho o máximo possível do calor recebido. Todos os processos deste ciclo são reversíveis e a eficiência térmica do mesmo é dada pela expressão: η th = 1− T2 T1 (81) Na prática. ou pela diminuição da temperatura média na qual calor é rejeitado pelo fluido operante no ciclo. que no caso se trata de um ciclo de Rankine simples contendo água como fluido operante. a melhoria da eficiência térmica torna-se uma questão de transferir calor ao fluido operante na temperatura média mais alta possível. Em ciclos de potência reais a temperatura mínima na qual calor é rejeitado tem como limite a temperatura média dos grandes reservatórios térmicos existentes na natureza.

o trabalho máximo pode ser obtido a partir de um processo cíclico desde que todo o calor rejeitado seja liberado à temperatura mais baixa possível. denotada por EA.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 81 de 120 . em um processo de transferência de calor. no interior do qual calor é transferido do CO2 (fluido A) para a H2O (fluido B). executados em conjunto com o processo 1-2 para formar um ciclo termodinâmico. produzirão o trabalho máximo. Em um trocador de calor através do qual o fluido está escoando.Diagrama temperatura-entropia ilustrando a energia disponível. A energia disponível é definida como a energia máxima transferida para um fluido. Figura 9 . mostrado na figura 9. que vem a ser a temperatura absoluta média da atmosfera e oceanos terrestres. tal processo seria essencialmente um processo a pressão constante (isobárico) e seguiria uma linha de pressão constante no diagrama temperatura-entropia. ou ainda. A partir destas considerações básicas. torna-se possível entender o que ocorre no trocador de calor mostrado na figura 8. é possível escrever: energia disponível do processo de transferência de calor 1-2 = trabalho realizado no ciclo 1-2-3-4 = (calor recebido de 1 para 2) − (calor rejeitado de 3 para 4). O fluido recebe calor em um processo durante o qual sua temperatura varia ao longo da curva 1-2. Portanto. causando assim uma diminuição da eficiência do ciclo de potência. Uma grandeza termodinâmica útil no estudo de trocadores de calor e ciclos de potência é a energia disponível. Assim o “ciclo de trabalho máximo” mostrado na figura 9 é completado por uma expansão adiabática reversível (isoentrópica) de 2 para 3 realizada à temperatura T0. A figura 10 mostra os dois processos envolvidos: i) rejeição de calor pelo CO2 a pressão constante implica em uma transferência de energia disponível a partir do CO2. T0. Esta definição pode ser melhor compreendida considerando o diagrama temperaturaentropia para um dado fluido. pois caso contrário haverá uma queda de temperatura média na qual calor é transferido para o fluido operante. seguida por uma rejeição isotérmica de calor de 3 para 4 também à temperatura T0 e encerrado por uma compressão adiabática reversível de 4 para 1. Conforme a segunda lei da termodinâmica. que pode ser convertida em trabalho por meio de um ciclo termodinâmico. em termos matemáticos E A = Q − T0 ⋅ ΔS (82) onde Q é o calor transferido no processo 1-2 e ΔS é a variação de entropia do fluido neste processo.maior que a necessária. A questão consiste em determinar que outros processos. ii) a transferência de calor para a H2O resulta em evaporação e formação de vapor Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .

QA = − QB.Diagramas temperatura-entropia para os fluidos primário (i) e secundário (ii) em um trocador de calor. a energia disponível transferida a partir do fluido A por unidade de tempo é dada por: & E A (A) = Q A − T0 ⋅ ΔS A = Q A − T0 ⋅ m A ⋅ Δs A (83) & onde QA é o calor transferido a partir do fluido A por unidade de tempo. Assim. o aumento de entropia da H2O (ΔSB) é maior que a diminuição de entropia do CO2 (ΔSA). e implica em transferência de energia disponível para a H2O.superaquecido.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 82 de 120 . então todo o calor transferido pelo CO2 passa para a H2O e a área sob a linha 1-2 na figura 10 i) é igual à área sob a linha 3-4 na figura 10 ii). A energia disponível transferida a partir do fluido A é igual em módulo. Primeiro. Segundo. porém com sinal trocado. mA é a massa do fluido A que escoa pelo trocador de calor por unidade de tempo e ΔsA é a variação de entropia específica do fluido A no trocador de calor. Por outro lado. Ainda em relação à figura 10. se as perdas de calor ocorridas no trocador de calor são desprezíveis. Como conseqüência. de modo que a perda de energia disponível no trocador de calor por unidade de tempo resulta: & & E A ( perda ) = E A ( A) + E A ( B ) = − T 0 ⋅ (m A Δ s A + m B Δ s B ) (85) Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . tanto QA quanto ΔsA têm sinal negativo de acordo com a convenção de sinais usual em termodinâmica. dois aspectos devem ser destacados. também a pressão constante. Figura 10 . à energia disponível que seria transferida para este fluido caso ele fosse aquecido de 2 para 1 ao invés de ter sido resfriado de 1 para 2. a energia disponível transferida para o fluido B por unidade de tempo é dada por: & E A (B) = Q B − T0 ⋅ m B ⋅ Δs B (84) sendo que neste caso tanto QB quanto ΔsB têm sinal positivo. ocorrendo portanto um aumento geral da entropia dos dois fluidos que passam através do trocador de calor. então em qualquer ponto do trocador de calor a temperatura do CO2 deve ser maior que a temperatura da H2O. Se as perdas de calor ocorridas no trocador de calor são desprezíveis. se calor é transferido do CO2 para a H2O. No caso do fluido A.

Observa-se que em todos os pontos no interior do trocador de calor a temperatura da H2O é menor que a temperatura correspondente do CO2. os valores desta função em sua forma específica se encontram relacionados entre as grandezas termodinâmicas mostradas na tabela 3. Outro fato digno de nota é que. Nestas considerações serão utilizados alguns valores de grandezas termodinâmicas que são típicos dos primeiros reatores nucleares refrigerados a gás. com a finalidade de determinar a perda de energia disponível ocorrida no trocador de calor. no Reino Unido.639 Tabela 3 . Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . devido à forma característica do diagrama. a superfície de transferência de calor e consequentemente o tamanho e custo do trocador de calor devem ser aumentados. considerando a massa de 1 kg de H2O. conforme destacado anteriormente. qualquer decréscimo na diferença de temperatura significa que. Em processos de aquecimento ou resfriamento que são realizados enquanto a pressão é mantida constante. diminuição de entalpia específica (Δh) e diminuição de entropia específica (Δs). entropia específica (s). a de Calder Hall.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 83 de 120 . pressão (P).267 Δs (kJ/kg. torna-se necessário encontrar a solução economicamente mais viável no que se refere à diferença de temperatura entre os fluidos primário e secundário em trocadores de calor.K) T (0C) 135 395 P (atm) 49 H2O Estado físico Líquido Gasoso h (kJ/kg) 567 3185 s (kJ/kg. Cabe destacar que a primeira usina nucleoelétrica do mundo. a qual representa a taxa de perda de “trabalho possível” (energia útil) ocorrida no trocador de calor como resultado da transferência de calor irreversível. será adotada a temperatura de referência T0 = 20 0C = 293 K.Valores de grandezas termodinâmicas para fluidos na entrada e na saída do trocador de calor em um reator nuclear refrigerado a gás: temperatura (T). O sinal negativo da quantidade à direita na expressão (85) indica que há uma perda de energia disponível. A perda de “trabalho possível” pode ser reduzida pela diminuição da diferença de temperatura entre os dois fluidos no trocador de calor. entalpia específica (h). ⏐ΔsB⏐ > ⏐ΔsA⏐. Grandezas Trocador de calor termodinâmicas Entrada Saída 0 T ( C) 405 246 P (atm) 28 Estado físico Gasoso CO2 171 Δh (kJ/kg) 0.O termo da expressão (85) contido entre parênteses é positivo pois. Por ser este o caso dos processos a que estão submetidos os fluidos no trocador de calor. a diferença de temperatura média entre a H2O e o CO2 é muito maior que a menor diferença de temperatura verificada entre estes dois fluidos.K) 1. Como exemplo simples será considerada uma usina nucleoelétrica cujo reator é refrigerado a gás.687 6. A tabela 3 relaciona valores de grandezas termodinâmicas para os fluidos dióxido de carbono (CO2) e água (H2O) na entrada e na saída do trocador de calor em um reator refrigerado a gás. é do tipo considerado neste exemplo. do tipo representado esquematicamente na figura 8. Nos cálculos a serem efetuados. Entretanto. o calor transferido é dado pela variação da função termodinâmica denominada entalpia (denotada por H). para uma dada potência térmica fornecida pelo reator. de maneira que a pressão do vapor de H2O gerado é muito baixa em comparação com a pressão de vapor obtida em usinas nucleoelétricas mais modernas. cujo funcionamento se iniciou em 1956 fornecendo 50 MW elétricos. Fluido A figura 11 mostra o diagrama de temperatura-transferência de calor para um trocador de calor. Nestas circunstâncias.

K • Perda de energia disponível no trocador de calor por kg de H2O = − 293.Figura 11 . Portanto.952) = 1167 kJ/kg Na turbina o trabalho realizado / kg de vapor perfaz 792 kJ.3 kg de CO2/kg de H2O 171 B.4. O cálculo apresentado a seguir é baseado na passagem de 1 kg de H2O através do trocador de calor.0. 2618 = 15.952 kJ/kg.Calor de decaimento dos produtos de fissão Uma característica muito importante de um reator nuclear. • Calor transferido por kg de H2O = (3185 − 567) = 2618 kJ/kg • Massa de CO2 escoada por kg de H2O = • Δs H 2O = (6.267)] = − 254. fato que ilustra o grau de complexidade apresentado pela tarefa de projetar trocadores de calor para este tipo de usina nucleoelétrica. com os Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .639 − 1.K • Δs CO 2 = 0.3.687) = 4. é que apesar do sistema de controle poder cessar a reação em cadeia muito rapidamente.[4.Diagrama temperatura-transferência de calor para um trocador de calor que tem CO2 como fluido primário e H2O como fluido secundário.0 kJ/kg • Energia disponível transferida para cada kg de H2O no trocador de calor = 2618 − (293. particularmente se o mesmo esteve em operação durante um período de tempo muito longo. a perda de energia disponível no trocador de calor totaliza quase um terço do trabalho efetivamente realizado.4 . e a perda de energia disponível no ciclo de potência termodinâmico devido à expansão irreversível na turbina e rejeição irreversível de calor no condensador é (1167 − 792) = 375 kJ/kg de vapor.952 − (15.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 84 de 120 .267 kJ/kg.

Utilizando-a e considerando um reator que tenha operado a uma potência estacionária P durante um tempo t0. mas o equacionamento resultante torna-se complicado demais para ser usado de maneira prática. gerados por um reator que tenha operado a uma potência P durante um intervalo de tempo dt. esta reação produz hidrogênio.0 6 ⋅ P ⋅ [t s− 0 .2 ] (87) A expressão (87) é válida para valores de ts maiores que cerca de 10 segundos.2 d t = 0 .nêutrons atrasados causando uma demora de alguns minutos antes que esta reação seja completamente extinta.0 1 2 ⋅ P ⋅ ∫t t0 + ts s t − 1. Para ilustrar o efeito do calor gerado pelo decaimento dos produtos de fissão radioativos. Um estudo dos resultados expostos na figura 13 mostra que. estando a acurácia da mesma na faixa de 50%. que diminuirá apenas com o decaimento dos produtos de fissão. Esta energia precisa ser retirada do núcleo por intermédio da circulação contínua de refrigerante. ainda há uma liberação de energia considerável pelo combustível nuclear devida ao decaimento dos produtos de fissão radioativos acumulados. Decorrido este tempo a partir do desligamento do reator. Em particular. pois caso contrário a temperatura do combustível nuclear subirá. A taxa de liberação de energia dPpf em qualquer instante t.2 − ( t 0 + t s ) − 0 . logo após o desligamento do reator. é dada por: dPpf = 0.Gráfico da potência do reator antes e depois do desligamento. tais como a reação entre zircônio e vapor de água em temperaturas maiores que 1200 0C. A descrição precisa e detalhada do decaimento dos diversos produtos de fissão radioativos (cujas meias-vidas variam entre frações de segundo e dezenas de anos) é possível. t s ) = 0 . este valor pode significar a liberação de uma quantidade de energia considerável por unidade de tempo. a razão Ppf / P é aproximadamente a mesma para ambos os Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Uma expressão simplificada para a liberação de energia devida ao decaimento dos produtos de fissão radioativos pode ser obtida conforme relatado a seguir. o valor da potência resultante do decaimento dos produtos de fissão radioativos totaliza aproximadamente 4% da potência do reator antes do desligamento. o que acarreta risco adicional de explosão. Nada pode ser feito para controlar esta taxa de liberação de energia.ts). pode ser obtida integrando a expressão (86) entre ts e (t0 + ts). Ppf(t0. podendo causar derretimento de componentes do núcleo ou reações químicas que ocorrem a temperaturas elevadas.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 85 de 120 . Em um reator de potência operacional elevada.2 ⋅ dt (86) A expressão (86) não é precisa. conforme esclarece o gráfico mostrado na figura 12.012 ⋅ P ⋅ t −1. a figura 13 mostra as variações da razão Ppf / P após o desligamento de um reator que esteve em operação (i) durante um período muito longo (t0 → ∞) e (ii) durante 50 dias. tornando portanto essencial a remoção do calor gerado. Assim procedendo. encontra-se o resultado: P p f ( t 0 . a taxa de liberação de energia devida ao decaimento de produtos de fissão radioativos decorrido um tempo ts após o desligamento deste reator. devida ao decaimento de produtos de fissão radioativos. Figura 12 .

Na eventualidade de falha no fornecimento de energia elétrica para as bombas de refrigeração (o que causaria o desligamento automático imediato do reator). Figura 13 . destinados também a receber exclusivamente o calor de decaimento. Por fim. os quais ainda não tiveram tempo de alcançar uma concentração de equilíbrio em um reator que tenha estado em operação durante 50 dias. no qual os produtos de fissão com meia-vida longa alcançaram a concentração de equilíbrio antes do desligamento. Portanto. extrai água do circuito primário e a faz passar através de trocadores de calor independentes. a circulação natural de refrigerante através do núcleo deve ser suficiente para remover o calor de decaimento. Vários dias após o desligamento. a remoção do calor de decaimento é assegurada por meio da circulação de refrigerante através de caldeiras e do condensador da turbina. a remoção do calor de decaimento é obtida pela circulação do refrigerante primário através de caldeiras auxiliares concebidas para este fim e. através do condensador da turbina. pois neste intervalo de tempo são os produtos de fissão com meia-vida curta (T1/2 < 1 dia) os que mais contribuem para a potência de decaimento. Em reatores refrigerados a água pressurizada (PWR). Caso todas as bombas de refrigeração venham a falhar simultaneamente. a potência de decaimento é devida aos produtos de fissão com meia-vida longa. Em reatores refrigerados a gás.casos. na seqüência. o calor de decaimento é removido do núcleo através de caldeiras e do condensador da turbina. concebido apenas para remover do núcleo o calor de decaimento.Calor de decaimento dos produtos de fissão após o desligamento de um reator. analogamente.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 86 de 120 . os quais alcançaram uma concentração de equilíbrio no reator antes do desligamento e independentemente do tempo de operação do mesmo. deve haver fontes de emergência disponíveis. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . no caso de um evento de perda de refrigerante. o refrigerante deve continuar a circular através do núcleo para remover o calor resultante do decaimento dos produtos de fissão radioativos. Em reatores rápidos. um aspecto importante relativo à segurança de qualquer reator de potência é que. A atividade em tal reator é muito menor que a apresentada por um reator que tenha estado em operação durante um tempo muito longo. ao mesmo tempo em que um outro sistema. após o desligamento. há um sistema de emergência para resfriamento do núcleo (conhecido pela sigla ECCS) que injeta uma solução de ácido bórico (H3BO3) diretamente nesta parte do reator. o que ocorre em reatores refrigerados a gás.

c Com esse objetivo. o reator deve ser projetado de tal maneira que o fluxo de calor q . é conveniente definir a razão DNB (que... durante o desligamento do mesmo e na eventualidade de um acidente no qual se configurem condições anormais de refrigeração. significa desvio da ebulição nucleada) como sendo: . Esta temperatura baixa não é um sério obstáculo à transferência de calor para o refrigerante. este critério é essencialmente equivalente a requerer-se que este combustível não venha a derreter.Projeto térmico de um reator nuclear Os reatores nucleares são projetados de modo que os produtos de fissão permaneçam sempre confinados dentro do combustível: durante o ciclo de operação do reator.. depende de algum modo da fração de átomos físseis contidos no mesmo que sofreram fissão (parâmetro denominado usualmente “queima”). O ponto de fusão do combustível nuclear mais utilizado atualmente em reatores de potência... mas em geral está entre as temperaturas de 2700 0C e 2800 0C. mediante o qual ocorreria fusão do revestimento.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 87 de 120 . O critério de projeto aceito normalmente é que a integridade do revestimento que envolve o combustível nuclear deve ser mantida em todas estas circunstâncias. Devido a estas circunstâncias. real q . mas este metal sofre duas variações na fase sólida (alterações na estrutura cristalina): a primeira ao atingir a temperatura de 668 0C e a segunda ao atingir a temperatura de 774 0C.. Para evitar a penetração de água em algum ponto do revestimento como resultado da formação de uma película de vapor nesse ponto. a temperatura máxima verificada está abaixo de 2500 0C.B.. que se expande e tensiona o revestimento. q real (88) onde q . Esta característica permite que produtos de fissão gasosos se agrupem e se difundam para o centro do combustível. Se o calor liberado paralelamente ao combustível nuclear pode ser desprezado. pois a condutividade térmica do urânio metálico é muito maior que a do UO2. qc DNB R = .. Uma vez que a expansão do combustível nuclear em fusão pode romper o revestimento. acima de aproximadamente 400 0C a solidez do metal decresce rapidamente. Af é a área da seção transversal do combustível nuclear e C0 é o perímetro do combustível nuclear. reatores cujo combustível nuclear consiste em barras de urânio metálico são projetados de maneira que a temperatura máxima atingida pelo combustível seja inferior a 400 0C... a temperatura máxima permitida para o combustível perfaz cerca de 3600 0C.5 . De qualquer maneira. . então: q . real ao longo do canal refrigerante mais quente e q denota o fluxo de calor real na mesma posição deste canal. Na maioria dos reatores que utilizam UO2 como combustível nuclear. Em reatores refrigerados a gás com temperaturas elevadas (HTGR). seja sempre menor que o fluxo de calor crítico q .. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . c representa o fluxo de calor crítico calculado como uma função da distância . Urânio metálico natural ou enriquecido funde a 1132 0C. onde o combustível consiste em pequenas partículas de UC2 e ThC2. conforme destacado anteriormente. é a taxa de liberação de energia por unidade de volume do combustível nuclear. A f = C0 (89) onde q . o dióxido de urânio (UO2).

. (90) onde q reator. o fluxo de calor máximo em qualquer ponto do núcleo é limitado pela razão DNB.. . é alto. o valor de q . q é dado pela expressão geral: (91) Q r = q . Pastilhas contendo mais material físsil produzem mais potência e caso tais pastilhas estejam localizadas em um ponto do núcleo onde o fluxo de calor q . a distribuição de potência. é o fluxo de calor máximo e q é o fluxo de calor médio no núcleo do . max pode diferir do valor calculado como conseqüência de diversos fatores estatísticos sobre os quais o projetista tem pouco ou nenhum controle.. Se este fosse o único motivo. nuclear de canal quente (FN).. O motivo mais importante tem origem no fato de que a distribuição de potência através do núcleo não é homogênea. para um dado projeto de reator. a quantidade de material físsil incluído nas pastilhas combustíveis de um reator BWR ou PWR no momento da fabricação varia lentamente de pastilha para pastilha por causa da natureza inerentemente estatística do processo de manufatura. Analogamente. max q .. Em reatores refrigerados a gás. utiliza-se o chamado fator de canal quente (também conhecido como fator de ponto quente). Do mesmo modo. a partir da razão entre os valores máximo e médio do fluxo de nêutrons térmicos no núcleo do reator. q .Com um limite mantido sempre abaixo da razão DNB.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 88 de 120 . Por exemplo. enquanto q . Em alguns reatores. Em reatores refrigerados a água. para avaliar quanto o valor do fluxo de calor máximo excede o fluxo de calor médio no núcleo. A onde Qr é a potência térmica total do reator e A é a área total através da qual o calor gerado pelas fissões é transferido para fora do combustível nuclear com revestimento. max difere de q e portanto Fcq é diferente da unidade.. Há vários motivos pelos quais q .. max q . assegura-se que a fusão do revestimento não ocorrerá em nenhum ponto do reator. o fluxo de calor máximo é determinado somente pela necessidade de manter a temperatura do combustível bem abaixo do ponto de fusão. tolerâncias na fabricação de elementos combustíveis podem resultar em leves deformações das varetas combustíveis.. max pode ser maior que o calculado quando se leva em consideração apenas a não homogeneidade na distribuição de potência. Este fator é definido pela relação: Fcq = . max e q obtidos desta maneira fornece o chamado fator . O valor da razão DNB impõe a maioria das limitações de projeto para reatores refrigerados a água.. causando a redução do fluxo de refrigerante em alguns pontos e consequentemente uma elevação de temperatura nestes pontos. Além do efeito decorrente da não homogeneidade na distribuição de potência. Fcq poderia ser calculado diretamente. Cabe também mencionar que alguns aspectos relativos ao escoamento do refrigerante são estatísticos e tendem a causar flutuações nos valores do fluxo de calor.... A razão entre os valores de q .. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .. flutuações nos valores da espessura do revestimento podem causar um aumento de temperatura em pontos onde o mesmo for mais fino. max depende de vários parâmetros nucleares que determinam . Assim pois.

constituindo uma ocorrência improvável. O fator de canal quente fica sendo então: Fcq = FN FE (92) Por sua vez. max é proporcional a um parâmetro x que apresenta distribuição normal. o subfator resulta: Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . max difira do valor calculado. Entretanto. é apenas 1.x. será considerada a quantidade de material físsil me por unidade de comprimento de uma vareta combustível. Em particular. no caso da quantidade de material físsil. Por exemplo.. encontra-se para o valor real deste parâmetro uma distribuição normal em torno de um valor médio me . Os subfatores de engenharia são obtidos a partir dos dados de fabricação dos componentes e por meio de testes que simulam o escoamento de refrigerante em partes de elementos combustíveis ou em maquetes do reator.. max é aproximadamente proporcional a me. denotado por FE. Em situações semelhantes à descrita anteriormente. Para efeito de ilustração.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 89 de 120 . o subfator de engenharia de canal quente é definido como: FE. esses mecanismos são descritos pelo fator de engenharia do canal quente (FE).Distribuição normal obtida nas medidas dos valores de me. Figura 14 .Estes diversos mecanismos e outros fazem com que q . q . Todos os valores da distribuição são possíveis. Para um dado fluxo de nêutrons térmicos.x = x + 3σ(x) 3σ(x) = 1+ x x (93) onde x é o valor médio de x e σ(x) é o desvio padrão na medida de x. conforme mostrado na figura 14. cada um dos mecanismos individuais são descritos pelo subfator de engenharia de canal quente. Tomados juntos.35 em mil. onde σ é o desvio padrão da distribuição. Quando medidas de me são efetuadas em varetas combustíveis. é possível mostrar que a probabilidade de um determinado valor do parâmetro me exceder me por mais que 3σ. determinados valores de me tornam-se cada vez menos prováveis com o aumento do desvio em relação ao valor médio. na qual q ..

o fator FE. uma vez conhecidos os valores de FE. se em um determinado PWR a densidade linear média me de UO2 em uma vareta combustível é 6. Uma vez calculados os vários subfatores de engenharia. O método preferido para calcular FE é baseado na análise da sobreposição das distribuições estatísticas obtidas para cada parâmetro. Contudo. pois ao se efetuar o produto dos subfatores está implícita a hipótese de ocorrência simultânea de todos os eventos estatísticos considerados. o cálculo de FE pode ser efetuado.8 Este resultado significa que. max e a variável estatística.35 chances em 1000 de q . torna-se possível calcular FE. max exceder o valor calculado em mais de 8%. Este cálculo pode ser efetuado de diversas maneiras.. É necessário somente dizer que. A mais óbvia consiste em multiplicar todos os subfatores.18 = 1. tais subfatores são muitas vezes obtidos empiricamente a partir de testes. devido a flutuações estatísticas na quantidade de material físsil colocado nas varetas combustíveis durante a fabricação. resulta: FE.8 g/cm e o desvio padrão no valor da medida deste parâmetro é 0.me = 1 + 3 ⋅ 0. Conforme foi mencionado anteriormente.x.me = 1 + 3σ(m e ) me (94) Assim pois..18 g/cm.FE.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 90 de 120 . Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Tal análise é demasiado complicada para ser reproduzida neste texto. são mais complicados e requerem uma análise das relações entre a variável em questão e q .08 6.me neste caso. existe 1. .. o valor resultante de FE levaria a um projeto de reator desnecessariamente conservativo. max Cálculos de outros subfatores de engenharia. especialmente daqueles que não envolvem uma proporcionalidade direta entre q .

Dentre todos estes critérios. e) tipo de refrigerante. medicinais e agrícolas. atingiu a criticalidade no dia 02 de dezembro de 1942. b) material físsil presente no combustível nuclear. enquanto os reatores de pesquisa servem como fontes de nêutrons para propósitos diversos.1 . 6 m de altura. a potência térmica destes reatores nucleares pode atingir até 25 MW. com destaque para as instalações deste gênero existentes no âmbito do IPEN/CNEN-SP. com urânio natural metálico sob a forma de barras inserido internamente (52 toneladas) e controlado por folhas de cádmio metálico. era constituído por blocos de grafite empilhados (9 m de largura. havia no mundo 272 reatores de pesquisa em operação em 56 países. A Índia foi o primeiro país em desenvolvimento a construir um reator de pesquisa. Adotando-se este critério de classificação. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Os reatores de potência são projetados com a finalidade de gerar energia elétrica. Os reatores para teste de materiais fornecem um fluxo alto de nêutrons rápidos. A grande maioria dos reatores de pesquisa iniciou suas operações em fins da década de 50 e início da década de 60.2 . que abrangem desde experimentos em física nuclear básica até irradiações para produção de radioisótopos utilizados em atividades industriais. os reatores nucleares podem ser classificados de acordo com os seguintes critérios: a) energia dos nêutrons em que ocorre a maior parte das fissões. Os reatores de potência zero. A denominação dada aos reatores nucleares de pesquisa varia de acordo com o propósito a que se destina o fluxo de nêutrons deles proveniente. também chamados conjuntos críticos ou unidades críticas. Os reatores para produção de radioisótopos destinam-se à produção de isótopos radioativos utilizados em atividades industriais. Em abril de 2004.Introdução Conforme foi destacado anteriormente neste trabalho. c) configuração do conjunto combustível nuclear + moderador. O primeiro reator nuclear do mundo. Ao longo desta parte serão estudadas as características e usos principais dos reatores nucleares de pesquisa. A potência térmica deste tipo de reator nuclear geralmente perfaz entre 10 kW e alguns poucos MW. f) finalidade a que se destinam.REATORES NUCLEARES DE PESQUISA A. permitindo estudar o comportamento sob irradiação apresentado por materiais utilizados em reatores nucleares. Quando utilizados para a produção de radioisótopos.5 m de comprimento.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 91 de 120 .T POS DE REATORES NUCLEARES A . no ano de 1956 (IN0001. são utilizados principalmente para estudar as propriedades neutrônicas de um arranjo físsil a baixa potência (P < 1 kW). Os reatores protótipo são reatores de potência baixa que servem como protótipo para reatores de potência elevada. tipo piscina. 9. o principal é aquele referente à finalidade a que se destinam os reatores nucleares. agrícolas e medicinais. O Chicago Pile 1 (CP-1). A. um conjunto crítico. APSARA.TIIPOS DE REATORES NUCLEARES . d) tipo de moderador. totalizando 1350 toneladas de grafite). 1 MW).Breve histórico dos reatores nucleares de pesquisa Os reatores nucleares de pesquisa servem como fontes de nêutrons para propósitos experimentais diversos.IIIIII . como foi denominado. os reatores nucleares podem ser agrupados em dois tipos principais: os reatores de pesquisa e os reatores de potência. conforme dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

k) alto fluxo. Apresenta como característica principal o fato do núcleo do reator estar imerso em uma piscina ou tanque contendo água. O combustível nuclear é formado por placas agrupadas em elementos combustíveis. Este reator é do tipo piscina e na época da inauguração era previsto que o mesmo viesse a operar na potência de 5 MW. O terceiro reator de pesquisa brasileiro foi instalado no Instituto de Engenharia Nuclear (IEN/CNEN-RJ). tipo HEU. portanto. pois o combustível nuclear e o moderador estão separados fisicamente. foi atingida no dia 16 de setembro de 1957. d) conjunto crítico seco. e) conjunto crítico tipo tanque. g) Argonauta. tipo LEU).Classificação dos reatores nucleares de pesquisa Os principais tipos de reatores nucleares de pesquisa desenvolvidos no mundo podem ser classificados segundo as características de projeto que apresentam. tendo atingido a criticalidade pela primeira vez no dia 20 de fevereiro de 1965. projetado e construído inteiramente com tecnologia nacional (inclusive os combustíveis) pelo IPEN/CNEN-SP em conjunto com a Marinha do Brasil (através do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo . h) Triga. atualmente em desuso) ou baixo (cerca de 20%. situado no Município de São Paulo. de acordo com as especificações fornecidas pela Comissão de Energia Atômica dos EUA.1 . O IPEN/MB-01 constitui. Trata-se de um reator heterogêneo. situado no Município do Rio de Janeiro. quando foram concluídas diversas reformas que o capacitaram para efetivamente operar a 5 MW. o grau de enriquecimento do urânio em 235U pode ser alto (cerca de 93%. pois muitas características de um tipo de reator se confundem com as de outro tipo.3 . até setembro de 1997 o reator operou quase sempre apenas a 2 MW. No dia 09 de novembro de 1988 atingiu pela primeira vez criticalidade o quarto reator de pesquisa brasileiro. No cerne de cada placa está localizado o material combustível propriamente dito. O reator Argonauta foi construído por técnicos brasileiros que modificaram e adaptaram o projeto original. O reator IEA-R1 se enquadra neste grupo de reatores e será descrito à parte. c) piscina. um reator de potência zero denominado IPEN/MB-01. i) grafite.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 92 de 120 .CTMSP). hoje Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN/CNEN-MG) situado no Município de Belo Horizonte. sendo freqüentemente denominado reator tipo MTR (sigla para “Materials Testing Reactor”). Entretanto. denominado IEA-R1. o segundo reator de pesquisa instalado no IPEN/CNEN-SP.. j) água pesada. A. Nestes combustíveis. permitindo distinguir os seguintes tipos: a) homogêneo líquido. f) conjunto crítico homogêneo. são descritas em linhas gerais as características principais de alguns tipos de reatores de pesquisa mais importantes.3. Este reator foi projetado e construído pela empresa norte-americana Babcock & Wilcox Co.Reatores tipo piscina Este tipo de reator de pesquisa é o mais utilizado em todo mundo. Este reator iniciou sua operação no dia 11 de outubro de 1960. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Em seguida. hoje Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN-SP).O primeiro reator de pesquisa brasileiro. Convém destacar que esta classificação não é estanque. A. sendo o revestimento de cada placa feito de alumínio. Após o IEA-R1. constituído por uma liga metálica de urânioalumínio (U-Al) ou por um composto de urânio (geralmente U3O8 ou U3Si2) disperso em alumínio. A criticalidade inicial. foi instalado no antigo Instituto de Energia Atômica (IEA). de maneira que normalmente um tipo de reator se caracteriza pelo detalhe de projeto e instalações experimentais. a primeira do hemisfério sul. o segundo reator de pesquisa brasileiro foi um reator tipo Triga (IPR-R1) de 100 kW construído pela empresa norte-americana General Atomics para o Instituto de Pesquisas Radioativas (IPR). b) tanque.

A parte ativa (ocupada pelo combustível nuclear) possui cerca de 35. preenchido com água.3.2 . O combustível nuclear deste tipo de reator é hidreto de urânio e zircônio (UZrH). revestidas por aço inoxidável ou alumínio.A.3 . que permite a irradiação de amostras sob um fluxo de nêutrons térmicos que perfaz aproximadamente 5. empregando-se CO2 ou ar atmosférico como refrigerante. o CP-1 (Chicago Pile 1). situado a cerca de 30 m de distância. As três barras de controle são feitas de carbeto de boro (B4C). tendo entrado em operação pela primeira vez em 1958.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 93 de 120 . é do tipo magneto. com 2 m de diâmetro. A estrutura do reator é constituída por blocos de grafite sobrepostos. situado no topo do tanque. Os átomos de hidrogênio presentes no combustível nuclear são os principais moderadores de nêutrons deste tipo de reator.Reatores a grafite O primeiro reator nuclear construído no mundo.6 cm de altura e 3. foi um reator deste tipo. Em geral. apresentando baixa densidade de potência. A blindagem biológica deste tipo de reator é formada por grandes volumes de concreto com massa específica elevada. O núcleo do reator IPR-R1 possui atualmente um total de 63 elementos combustíveis com revestimento de alumínio. colocados acima e abaixo da parte ativa para servir como refletor de topo e de fundo. No que se refere às instalações experimentais. Possui a vantagem de possibilitar a realização simultânea de vários experimentos. Isotopes. A figura 1 mostra o núcleo do reator IPR-R1.73 cm de diâmetro e 73 cm de comprimento. A característica principal deste tipo de reator é o fato do núcleo estar imerso em um tanque de alumínio. sendo o restante do elemento preenchido por tarugos de grafite. II e III). O Triga Mark . sem incluir blindagem.61 cm de diâmetro. Trata-se de um reator bastante seguro. localizado abaixo do nível do solo a 7 m de profundidade. pelo concreto que circunda o tanque e pelo próprio solo. A. mesma potência máxima do IPR-R1 atualmente. A região central desta estrutura é preenchida com barras de urânio natural metálico para formar o núcleo do reator. este tipo de arranjo requer o uso de aproximadamente 30 toneladas de urânio natural metálico. O combustível nuclear deste tipo de reator é o urânio natural metálico. possuindo 3. com o revestimento feito de aço inoxidável ou alumínio. na parte superior. Há três modelos disponíveis (Mark I. Cada elemento contém cerca de 38 g de 235U. Os elementos combustíveis têm formato cilíndrico. tendo cerca de 3. General Atomics”. pois os coeficientes de temperatura apresentam valores negativos elevados. possibilitando que o tempo de desligamento do reator seja menor que dois segundos.2 cm de diâmetro e 30 cm de comprimento. contendo urânio enriquecido em 235U a 20%. Para atingir a massa crítica. A blindagem biológica é constituída. O mecanismo de acionamento das barras de controle. Estes dispositivos são também equipados com sistemas pneumáticos que permitem a introdução e retirada rápida (em menos de 30 segundos) de amostras do núcleo para um terminal remoto. os reatores Triga apresentam potência baixa na operação em estado estacionário. É hoje um dos mais utilizados em todo mundo.I opera a 250 kW. Estes reatores se caracterizam principalmente pelo grande tamanho quando utilizam urânio natural (o que implica em alto custo). pela água acima do núcleo e. os dispositivos de irradiação anexos a este tipo de reator incluem um tubo central experimental. que formam um cubo com aproximadamente 6 m de aresta. Este tipo de reator foi desenvolvido pela empresa norte-americana General Atomics.1012 nêutrons/cm2s. e as primeiras instalações destinadas à produção de plutônio também utilizaram este tipo de reator.Reatores Triga Triga é uma sigla utilizada para designar “Training.3. Research. pela água do tanque (que também tem a função de refrigerante e moderador). na parte lateral. cheio de água desmineralizada. devido ao seu grande tamanho. O reator é refrigerado a gás. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .

A distribuição dos elementos combustíveis é bastante flexível. c) carga uniforme – elementos posicionados uniformemente em todo o anel. O Argonauta foi originalmente projetado para operar a potências de até 10 kW. b) carga bilateral – elementos posicionados em dois segmentos iguais e simétricos do anel. Posteriormente. vários reatores deste tipo tiveram a potência de operação máxima aumentada para 100 kW. A figura 2 mostra a configuração do núcleo do reator. sigla para “Argonne Nuclear Assembly for University Training”.Figura 1 . Todo o conjunto acima descrito é envolvido por uma blindagem biológica de concreto. sendo quatro as maneiras mais usuais: a) carga unilateral – elementos posicionados em apenas um segmento de anel. denominada coluna térmica externa. Nesta configuração. d) carga alternada – elementos agrupados dois a dois e formando seis conjuntos distribuídos simetricamente. enquanto a água serve como moderador de nêutrons e refrigerante do núcleo do reator. será tomado como base o reator existente no Instituto de Engenharia Nuclear (IEN/CNEN-RJ). contendo várias gavetas para introdução de amostras.3.Reatores Argonauta O reator tipo Argonauta. O fluxo médio de nêutrons e a massa crítica variam bastante com a distribuição adotada. A. a grafite funciona como moderador e refletor de nêutrons. entrou em operação pela primeira vez em 1957 no Laboratório Nacional de Argonne (EUA).Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 94 de 120 . Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . para ser um reator de baixo custo e servir principalmente para treinamento e experimentos em universidades. O reator é constituído por dois cilindros de alumínio instalados concentricamente. sendo denominado coluna térmica interna. O anel formado entre os dois cilindros se encontra imerso em água desmineralizada e nele estão localizados os elementos combustíveis. O núcleo central anular do reator é envolvido por blocos de grafite empilhados e possui uma região de maior comprimento.Núcleo do reator IPR-R1.4 . O cilindro de menor diâmetro é preenchido com grafite. Para descrever as características principais do reator Argonauta. de modo a formar um anel cilíndrico.

b) 2 elementos. cada um contendo 11 placas com 21 g de 235U por placa mais 6 placas com 9. Atualmente há três tipos de elemento combustível em uso no reator.84 g de 235U). Os elementos combustíveis do reator são fabricados no IPEN/CNEN-SP. ensaios não destrutivos (principalmente neutrongrafia). Apesar da potência máxima nominal de projeto do reator ser 5 kW. tanto de temperatura como de vazio. cada um contendo 17 placas com 21 g de 235U por placa. A massa crítica atual do reator totaliza cerca de 2. no entorno do núcleo. o controle do reator pode ser feito por drenagem da água e também por borbulhamento de nitrogênio para induzir vazios na água.243 cm (placas com 21 g de 235U) ou de 0.0 cm de comprimento. O fluxo máximo de nêutrons térmicos no núcleo perfaz 109 nêutrons/cm2. O reator possui coeficiente de reatividade negativo. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Adicionalmente.182 cm (placas com 9. Os elementos podem ser desmontados e placas falsas (feitas só de alumínio) podem ser colocadas no lugar das placas combustíveis. situados paralelamente à geratriz do cilindro maior.1 kg de 235U. constituídas por placas de cádmio metálico revestidas com alumínio. mantendo-se em arquivo um catálogo com as características de cada uma delas e sua distribuição nos diversos elementos. cada um contendo 7 placas com 9. O controle do reator é feito por intermédio de seis barras. mantendo um espaçamento de 6.25 cm de largura e 61. característica que o torna inerentemente seguro. próximos às extremidades. Cada placa combustível possui aproximadamente 7. tendo espessuras de 0. c) 2 elementos.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 95 de 120 . todos contendo placas planas com revestimento de alumínio: a) 4 elementos. O reator é utilizado para pesquisa em Física de Reatores. O combustível nuclear empregado no reator é U3O8 disperso em alumínio. O conjunto de placas que constitui um elemento combustível é fixado por meio de dois pinos que atravessam as mesmas. As placas combustíveis são todas numeradas. teste de materiais e treinamento de pessoal. sendo três utilizadas como barras de segurança e três utilizadas como barras de controle. com urânio enriquecido em 235U a 19. usualmente 170 W ou 340 W. sendo a potência máxima licenciada para uma operação contínua igual a 500 W.91%.84 g de 235U por placa.77 mm entre elas. irradiação de amostras.84 g de 235U por placa mais meio prisma de grafite.Configuração do núcleo de um reator Argonauta. o que introduz reatividade negativa no núcleo. o mesmo opera a baixa potência.Figura 2 .s. As barras se deslocam verticalmente dentro de canais existentes na grafite refletora.

O controle de reatividade através do uso de barras de controle é típico de reatores navais.A. Os reatores de potência zero tipo tanque têm sido utilizados como simulador neutrônico de reatores de potência moderados e refrigerados a água leve ou pesada. A função principal destas instalações é permitir estudos das características neutrônicas para diferentes composições e configurações de núcleos de reatores de potência. localizado nas dependências do IPEN/CNEN-SP. 24 são barras de controle e 24 são barras de segurança. projetados para proporcionar rápidas variações de potência. No Brasil. que contém em seu interior 52 pastilhas cilíndricas de dióxido de urânio (UO2) com enriquecimento em 235U igual a 4. Exemplos são os reatores Osiris (França).3%. As barras de controle são feitas de uma liga de prata-índio-cádmio (Ag-In-Cd. contido em um tanque de aço inoxidável com dimensões ativas de 39 cm x 42 cm x 54. é composto por um arranjo de 28 x 26 varetas cilíndricas. sendo revestidas com aço inoxidável AISI-304. no qual o controle de reatividade fosse efetuado a partir da inserção ou retirada de barras de controle. ou seja. High Flux Isotope Reactor (EUA) e BR-2 (Bélgica). O controle de reatividade neste tipo de reator é geralmente efetuado por meio de barras de controle e por drenagem do fluido moderador.Reatores de potência zero Este tipo de reator constitui um laboratório para a montagem segura e eficiente de conjuntos críticos com baixa potência (da ordem de Watts). Um conjunto análogo utilizando 235U metálico puro foi denominado Godiva. formado por uma esfera metálica de plutônio subdividida em duas semiesferas. ou seja. Pelo fato de operarem à temperatura ambiente e potência bastante baixa. enfatizando-se a flexibilidade em se realizar mudanças experimentais. o núcleo a ser estudado é montado dentro de um tanque na configuração pretendida. estes reatores não necessitam de sistemas de refrigeração. As barras de controle e de segurança têm as mesmas dimensões das varetas combustíveis.3. sendo construídos em forma de mesa partida.s). O primeiro arranjo deste tipo foi o conjunto denominado Jezebel. contrariando o modelo de muitas unidades críticas em que o controle se dá pelo nível de fluido moderador no tanque. Este tipo de reator é também conhecido pela denominação de “mock-up”. Cada vareta combustível é constituída por um tubo de aço inoxidável AISI304 com comprimento total de 1. High Flux Beam Reactor (EUA). Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . O moderador utilizado neste reator é água desmineralizada.Reatores de alto fluxo Este tipo de reator é destinado à pesquisa do desempenho de materiais sob irradiação. afim de se empreenderem manobras de fuga ou de perseguição. Os reatores de potência zero secos são empregados no estudo de reatores refrigerados a gás. cada um deles contendo 12 barras. sendo este tanque posteriormente completado com o moderador (água ou água pesada). enquanto as barras de segurança são feitas de carbeto de boro (B4C). Neste caso. utilizando para tanto um fluxo de nêutrons elevado (geralmente maior que 1014 nêutrons/cm2. mediante simulações em escala de potência zero.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 96 de 120 .3. sendo 2 grupos de barras de segurança e 2 grupos de barras de controle. destinado ao estudo da massa crítica do plutônio metálico. das quais 680 são varetas combustíveis. na proporção respectivamente de 80%-15%-5%). Os 48 tubos guias para as barras de controle e segurança estão dispostos em 4 grupos. Há dois tipos de reatores de potência zero: os secos e os tipo tanque.6 .6 cm.19 m e diâmetro externo de 9. A. com potência máxima de 100 W. O projeto do reator IPEN/MB-01 teve como objetivo construir e testar um núcleo típico para uso em propulsão naval de submarinos. fechado nas extremidades e pressurizado. o único reator de potência zero tipo tanque é a unidade crítica IPEN/MB-01. O núcleo do reator.5 . o arranjo crítico é dividido em duas partes que se tornam críticas quando juntas.8 mm. Cada grupo está posicionado em um quadrante do núcleo do reator.

A figura 3 mostra esquematicamente a configuração atual do núcleo do reator IEA-R1.97 cm x 11. e desde então o mesmo vem sendo utilizado extensivamente na produção de radioisótopos. A placa matriz possui um total de 80 furos. A configuração do núcleo inclui um total de 24 elementos combustíveis. o reator passou a operar a uma potência definida de 2 MW. A primeira criticalidade deste reator foi atingida no dia 16 de setembro de 1957. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .A. O núcleo do reator tem a forma de um paralelepípedo.Reator IEA-R1 O IEA-R1. A partir de 1961. permitiram aumentar a potência máxima de operação para 5 MW. até 1961 não havia um regime definido de operação para o reator IEA-R1 e a potência variou entre 200 kW e 2 MW. o IPEN/CNEN-SP decidiu capacitar o reator IEA-R1 para operar a 5 MW.Configuração atual do núcleo do reator IEA-R1. posicionados segundo um arranjo 5 x 5. mas sim por um elemento de irradiação feito de berílio (designado pela sigla EIBE). O reator passou então por diversas reformas e modernizações que. Entre 1971 e 1991. em análise de materiais por ativação. O reator é propriedade da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) e está sob a guarda do IPEN. em São Paulo. Em 1995. em experimentos científicos que utilizam tubos de irradiação e no treinamento de pessoal.4 . várias modificações foram sendo introduzidas no reator para adequar as suas instalações a normas de segurança mais recentes.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 97 de 120 . Apesar de ter seu núcleo projetado para 5 MW. atendendo a demandas de todas as áreas do IPEN/CNEN-SP e também a solicitações externas. na Cidade Universitária. Figura 3 . concluídas em setembro de 1997. que se encontra suspensa por uma estrutura de alumínio. sendo composto por elementos combustíveis e refletores encaixados verticalmente em furos existentes na placa matriz.43 cm.86 cm x 63. de acordo com as especificações fornecidas pela Comissão de Energia Atômica dos EUA. A posição central do arranjo não é ocupada por um elemento combustível. um reator nuclear de pesquisa do tipo piscina aberta. sua potência nominal de projeto. O edifício do reator está localizado nas dependências do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN-SP). As dimensões da placa matriz são 82. foi projetado e construído pela empresa norte-americana Babcock & Wilcox Co. dispostos segundo um arranjo 8 x 10.

fabricado no IPEN/CNEN-SP. com grau de enriquecimento do urânio em 235U igual a 19. Ao longo dos 47 anos de operação do reator IEA-R1. fabricado na Alemanha. contendo 1. utilizado entre 1988 e 2004.15% de enriquecimento em 235U. A figura 4 mostra a seção longitudinal de um elemento combustível padrão e a estrutura de duas placas combustíveis sucessivas deste elemento.289 cm. e) U3O8 disperso em matriz de alumínio. com grau de enriquecimento do urânio em 235U igual a 19. A espessura de cada placa combustível totaliza 0.9 gU/cm3. Figura 4 . sendo atualmente igual a 0. enquanto a distância entre duas placas combustíveis sucessivas em um mesmo elemento perfaz 0.0 cm de altura. utilizado entre 1968 e 1997.152 cm. na qual o urânio apresenta 20% de enriquecimento em 235U. utilizado entre 1981 e 1996. Cada elemento combustível de controle possui um total de 12 placas combustíveis planas paralelas. foram usados os seguintes tipos de combustível nuclear: a) Liga U-Al contendo 1.076 cm. 4 são elementos especiais.9%. mas também na França.9%. onde está localizado o combustível nuclear propriamente dito. utilizado desde 1996. contendo 2. contendo 1. utilizado entre 1957 e 1976. c) UAlX disperso em matriz de alumínio.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 98 de 120 . Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . fabricado principalmente nos EUA. Compõem-se de 18 placas combustíveis planas paralelas cada um.Seção longitudinal de um elemento combustível padrão utilizado no reator IEA-R1.Dentre os 24 elementos combustíveis. Os outros 20 elementos combustíveis.9 gU/cm3.0 cm) por 88.8 gU/cm3. mostrando em detalhe a estrutura de duas placas combustíveis sucessivas deste elemento. denominados elementos combustíveis padrão.3 gU/cm3.6 gU/cm3. As placas combustíveis contêm um cerne. na qual o urânio apresenta 93. montadas mecanicamente em dois suportes laterais de alumínio com ranhuras. fabricado nos EUA. fabricado no IPEN/CNEN-SP. d) U3O8 disperso em matriz de alumínio. sendo por este motivo denominados elementos combustíveis de controle.6 cm x 8. com grau de enriquecimento do urânio em 235U igual a 20%. As dimensões externas de cada elemento combustível perfazem (7. são do tipo MTR (sigla para “Materials Testing Reactor”). A espessura do cerne depende do tipo de combustível utilizado. b) Liga U-Al contendo 0. revestido por duas camadas de alumínio. projetados para permitir a inserção das barras de controle.

O sistema utilizado para irradiações de amostras no núcleo do reator é refrigerado a água. que permite o retorno de elementos combustíveis irradiados até 2016 em reatores de pesquisa ou teste. Há também dispositivos projetados especialmente para irradiações de amostras que não se enquadram nos sistemas mencionados. foram sendo armazenados a 6 m de profundidade em cestos de aço inoxidável situados dentro da piscina de estocagem do reator (87 elementos combustíveis) ou em tubos de aço inoxidável envolvidos por concreto localizados no primeiro andar do edifício do reator (40 elementos combustíveis). as cápsulas padrão de alumínio (com 20 mm de diâmetro e 70 mm de comprimento) nas quais estão contidas as amostras entram em contato direto com a água de refrigeração do núcleo do reator. na placa matriz. permitindo uma grande economia de nêutrons por reflexão dos mesmos e. cujas características dependem da amostra a ser irradiada. consequentemente. Um deles é o já mencionado elemento de irradiação feito de berílio (EIBE). elementos refletores. fabricados no próprio IPEN/CNEN-SP. uma membrana de aço carbono e finalmente uma camada externa de concreto de barita.f) U3Si2 disperso em matriz de alumínio. sendo dois localizados na parte frontal à coluna térmica e os demais na parede semicircular da piscina. ou seja.625 eV) no núcleo ativo totaliza 3. enquanto o fluxo médio de nêutrons rápidos (energia cinética maior que 0. A piscina é construída em concreto com dimensões 5. como por exemplo o elemento de irradiação de fios (designado pela sigla EIF). o fluxo médio de nêutrons térmicos (energia cinética menor ou igual a 0. desde setembro de 1997. Em novembro de 1999. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . o reator IEA-R1 opera utilizando exclusivamente combustíveis nucleares nacionais. dos tipos d). todos estes elementos combustíveis irradiados foram transportados para o Laboratório Nacional de Savannah River. distribuídos em um total de 127 elementos combustíveis. uma camada mais externa de concreto comum. Caso o período de irradiação varie entre um dia e uma semana.7 m x 9. causando uma redução considerável na massa crítica. Carolina do Sul. A piscina é dividida em dois compartimentos. Os combustíveis nucleares fabricados no exterior. em seqüência. É importante destacar que. Quando o reator IEA-R1 se encontra em operação à potência de 5 MW. torna-se necessário utilizar dispositivos adequados.1013 nêutrons/cm2s. Os experimentos são realizados com o uso dos tubos de irradiação e dos tubos pneumáticos. irradiados no reator IEA-R1 e retirados em definitivo do núcleo entre 1957 e 1997. contendo 3. posicionado no centro do núcleo onde o fluxo de nêutrons é o mais alto do reator. seguindo-se logo abaixo. fabricado no IPEN/CNEN-SP.9%. que podem ser isolados um do outro por meio do fechamento de uma comporta de alumínio localizada entre ambos. Os elementos refletores são blocos de grafite revestidos em alumínio ou blocos de berílio e apresentam a mesma geometria e dimensões externas dos elementos combustíveis. São posicionados ao redor do núcleo do reator. Nestas condições. O conjunto formado pelos elementos combustíveis. são utilizadas hastes verticais presas à ponte rolante localizada sobre a piscina. Há um total de 14 tubos. Para amostras que precisam ser irradiadas durante período superior a uma semana. As paredes internas da piscina são revestidas de aço inoxidável.2 m x 13. EUA.0 gU/cm3. O compartimento próximo à parte semicircular é o compartimento de operação. utiliza-se o elemento de irradiação feito de berílio e refrigerado a água (designado pela sigla EIBRA). e) e f).625 eV) totaliza 9. utilizado desde 1999. Para tanto.1013 nêutrons/cm2s.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 99 de 120 . conforme mostra a figura 6. no âmbito do programa do governo norte-americano intitulado “Foreign Research Reactor Spent Nuclear Fuel Acceptance Program”. utiliza-se o elemento de irradiação refrigerado a água (designado pela sigla EIRA).45.5 m (ver figura 5). elementos de irradiação e placa matriz pode ser movimentado entre as extremidades da piscina. desde que o urânio utilizado na confecção dos elementos tenha sido enriquecido nos EUA. denominados genericamente elementos de irradiação. No compartimento oposto à parte semicircular não é permitido operar ou carregar o reator. com grau de enriquecimento do urânio em 235U igual a 19.45.

Piscina do reator IEA-R1: A) seção horizontal da piscina. mostrando o posicionamento dos tubos de irradiação.Panorama geral das instalações do reator IEA-R1. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .Figura 5 . B) detalhe dos tubos de irradiação.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 100 de 120 . Figura 6 .

que é introduzido no sistema de tubos à baixa pressão e enviado a uma das quatro posições existentes nas proximidades do núcleo. Com a finalidade de melhorar as condições gerais de refrigeração do núcleo do reator. sendo movida continuamente para compensar as flutuações de potência verificadas durante a operação do reator. Um sistema pneumático de tubos permite a irradiação de amostras durante curto intervalo de tempo. A barra utilizada na função de controle está diretamente acoplada ao mecanismo de acionamento. O sistema de refrigeração tem como função retirar o calor produzido nas placas combustíveis. a utilização deste dispositivo. Todas as barras absorvedoras de nêutrons em uso atualmente no reator IEA-R1 foram fabricadas em 2003 no IPEN/CNEN-SP. Coloca-se a amostra em um recipiente de alumínio ou polietileno (usualmente denominado “coelho”). como refrigerante para o núcleo e como blindagem biológica para os operadores. O baixo fluxo de nêutrons limita. Após a irradiação. podem ser preenchidos com água de modo a proporcionar blindagem adequada aos pesquisadores.Os tubos são feitos de alumínio e no interior dos mesmos podem ser colocadas amostras para serem irradiadas. mas cujas placas combustíveis externas (primeira e décima oitava) têm metade da densidade de urânio (1. a atual carga total de combustível nuclear do reator IEA-R1 perfaz 22. desde o início de 2004 passaram a ser utilizados elementos combustíveis padrão contendo combustível nuclear do tipo e). porém. Além do sistema para irradiações de amostras no núcleo do reator. Para tanto. Sistemas auxiliares permitem que a água da piscina seja tratada e purificada. O controle do reator é efetuado por meio de quatro barras absorvedoras de nêutrons. citado anteriormente e baseado no uso de elementos de irradiação. há ainda outros sistemas no reator IEA-R1 projetados com esta finalidade. o eletroímã é desligado e as quatro barras são inseridas rapidamente no núcleo. garantindo assim o desligamento do reator em menos de um segundo. decidiu-se reduzir a geração de calor no espaçamento existente entre componentes adjacentes. Caso necessário. Em valores aproximados. Em caso de emergência.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 101 de 120 . a circulação é forçada de cima para baixo por intermédio de uma bomba de refrigeração. não havendo portanto necessidade de bombeamento. Este calor é eliminado para a atmosfera mediante o uso de trocadores de calor e torres de refrigeração. através da circulação da água da piscina.15 gU/cm3). na proporção respectivamente de 80%-15%-5%) revestidas com uma fina camada de níquel. As barras absorvedoras de nêutrons possuem a forma de garfo e são sustentadas por um eletroímã fixado a uma haste acoplada ao mecanismo de acionamento. Cada uma delas é formada por duas placas feitas de uma liga metálica de prata-índio-cádmio (Ag-In-Cd. sendo composta de grafite disposta em blocos com a finalidade de facilitar a formação de gavetas onde podem ser colocadas amostras para irradiação. A irradiação de amostras também pode ser feita utilizando a coluna térmica localizada em uma das paredes laterais do concreto. sendo que uma é utilizada em função de controle e as outras três são empregadas como barras de segurança. preso à ponte rolante. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . situados no edifício do reator. a refrigeração é feita por convecção natural. o recipiente pode retornar para duas posições diferentes nos laboratórios. Quando a potência de operação do reator é superior a 200 kW.5 kg de urânio e contém 4.5 kg de 235U. A água da piscina é desmineralizada e serve como moderador e refletor para os nêutrons. Esta coluna é geralmente empregada em experimentos com nêutrons térmicos. Para operar abaixo de 200 kW.

B . O emprego de reatores nucleares de potência com esta finalidade específica há muito deixou de ser algo singular e exótico para se tornar fato corriqueiro.REATORES NUCLEARES DE POTÊNCIA B. Na usina nucleoelétrica. sem dúvida.1 . o vapor é produzido a partir do calor gerado pelas reações nucleares de fissão que ocorrem no combustível nuclear. óleo combustível). uma usina nucleoelétrica é uma instalação projetada para gerar energia elétrica. gás natural. B) usina nucleoelétrica. notadamente nos países mais desenvolvidos. A diferença entre uma usina nucleoelétrica e uma usina termoelétrica convencional diz respeito essencialmente ao modo como o vapor de água é produzido. o vapor é produzido em uma caldeira aquecida pela queima de combustível fóssil (carvão mineral. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .Geração de energia elétrica: A) usina termoelétrica convencional. Conforme destacado anteriormente.Introdução O uso mais importante dos reatores nucleares consiste. Na usina termoelétrica convencional.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 102 de 120 . na geração de energia elétrica. na qual a fonte de calor usada na produção do vapor de água que move a turbina é um reator nuclear. Figura 7 . A figura 7 mostra esquematicamente estas duas maneiras de gerar energia elétrica.

a utilização de usinas nucleoelétricas era responsável por apenas 3. Pennsylvania. Ainda segundo dados da AIEA. Dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) indicam que. 13 países tinham na energia nuclear a origem de mais de um terço da eletricidade que consumiam. já correspondia a 16.S.2 . totalizando uma capacidade geradora de 362. Nautilus. O mesmo levantamento aponta que a maior capacidade instalada em geração nucleoelétrica estava nos EUA. B. em abril de 2004. solar.2 MW elétricos em dezembro de 1951.6% gerados através do uso de fontes alternativas de energia (eólica. um reator nuclear refrigerado a água pesada (PHWR) destinado à geração de eletricidade. fornecendo 5 MW elétricos para as fazendas. em Arco. é lançado ao mar em 1955 pela marinha dos EUA.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 103 de 120 . condição que requer a produção de vapor de água seco e em temperatura elevada.3% do total da energia elétrica gerada naquele país. Em 1973. entrou em operação gerando 0.1% gerados por usinas hidroelétricas. Ao longo do último quarto do Século XX.4% gerados por usinas termoelétricas a gás natural.Breve histórico dos reatores nucleares de potência O primeiro reator nuclear de potência do mundo. O reator nuclear PWR desta usina foi projetado e construído tendo como base a tecnologia de reatores nucleares utilizados para propulsão naval. Dentre as potências industriais. assume relevância especial a descrição dos tipos de reatores nucleares de potência que. 7. enquanto o segundo abrange o circuito secundário para produção do vapor de água e o conjunto turbinagerador.0% da energia elétrica gerada por usinas nucleoelétricas. pela primeira vez no mundo.205 MW elétricos. Ao sair da turbina. Em 1962 entra em operação no Canadá. o país que mais a utilizava era a França. componente onde o vapor residual é resfriado e condensado novamente em água. No dia 27 de junho de 1954.1% gerados por usinas termoelétricas a carvão mineral. o governo da URSS divulgava um comunicado informando que. estavam em funcionamento 441 usinas nucleoelétricas localizadas em 31 países. Em 1° de outubro de 1956.Uma usina nucleoelétrica compõe-se basicamente de duas partes distintas: o sistema de geração do vapor de água e o sistema de geração de energia elétrica. geotérmica. A eficiência da usina nucleoelétrica é medida pela razão entre a energia elétrica produzida e a energia térmica gerada no reator nuclear. com 104 usinas responsáveis pela produção de 98298 MW elétricos.9% do total da energia elétrica gerada mundialmente. com 78. pela primeira vez no mundo.S. na forma superaquecida. Idaho. operando em usinas nucleoelétricas. O reator nuclear desta usina é refrigerado a gás (GCR). no ano 2000. O vapor de água deve sempre entrar na turbina o mais seco possível.3% da energia elétrica gerada em todo o mundo.9% gerados por usinas termoelétricas a derivados líquidos de petróleo e 1. 17. a mistura contendo vapor e água passa pelo condensador. EUA. O primeiro abrange o reator e o circuito de refrigeração primário. denominado EBR-1. 17. entra em operação comercial no Reino Unido a primeira usina nucleoelétrica do mundo. esta utilização se expandiu de tal maneira que. um protótipo de usina nucleoelétrica havia começado a funcionar na cidade russa de Obninsk. A propulsão deste submarino é efetuada por um reator nuclear refrigerado a água pressurizada (PWR). vilas e fábricas próximas. em comparação com 39. EUA. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Nestas circunstâncias. Para alcançar uma eficiência alta é necessário operar a turbina na maior temperatura possível. A primeira usina nucleoelétrica equipada com um reator nuclear refrigerado a água pressurizada (PWR) entra em operação no dia 02 de dezembro de 1957 em Shippingport. a de Calder Hall. permitirão o uso amplo dos recursos mundiais de urânio e tório como fonte duradoura de energia. biomassa e outras). correspondendo a 20. O primeiro submarino impulsionado a energia nuclear. gerando 75 MW elétricos. o U. fornecendo 50 MW elétricos.

reator rápido (FBR). O dióxido de urânio possui um ponto de fusão muito elevado (2730 0C) de maneira que os reatores nos quais UO2 é utilizado como combustível nuclear podem operar a temperaturas mais elevadas que os reatores nos quais urânio metálico é utilizado como combustível nuclear.04 g/cm3 a 25 0C) e relativamente dúctil que sofre a primeira variação na fase sólida (mudança na estrutura cristalina) ao atingir a temperatura de 668 0C.Classificação dos reatores nucleares de potência Um sumário descrevendo os vários tipos diferentes de reatores nucleares de potência. a partir da qual as mesmas não se liqüefazem mediante compressão isotérmica. reator refrigerado a água pesada pressurizada (PHWR). há diversas formas de utilização do urânio como combustível nuclear em um reator. 239Pu é um combustível nuclear importante. é colocado em tubos finos de aço inoxidável ou Zircaloy para formar varetas combustíveis. Uma possibilidade é o uso de urânio puro. reator refrigerado a água fervente e moderado a grafite (RBMK). água pesada e grafite. Outra possibilidade. Combustível Enriquecimento Moderador Refrigerante Tipo de reator País de origem UO2 UO2 U metálico UO2 ThC2 + UC2 UO2 2% a 4% 2% a 4% 2% a 4% 93% - H2O H2O Grafite Grafite Grafite D2O H2O H2O (fervente) CO2 CO2 He PWR BWR GCR AGR HTGR EUA EUA Reino Unido Reino Unido EUA Reino Unido Alemanha Canadá D2O PHWR H2O SGHWR Reino Unido UO2 2% a 4% D2O (fervente) H2O UO2 2% a 4% Grafite RBMK URSS (fervente) UO2 + PuO2 Na0 líquido FBR Vários Tabela 1 . A temperatura crítica da água e da água pesada (374 0C). um pó marrom escuro ou preto que. A classificação dos tipos de reatores nucleares de potência desenvolvidos até os dias de hoje no mundo é mostrada na tabela 1. sendo usado na forma de dióxido de plutônio (PuO2. enquanto uma representação esquemática de alguns destes reatores é apresentada na figura 8. pode ser organizado tendo como base a classificação dos mesmos de acordo com o combustível nuclear e outros materiais neles utilizados. Este valor constitui o limite superior para a temperatura de operação deste tipo de combustível. Estes reatores são adequados para proporcionar a regeneração do combustível nuclear. um metal cinzento muito denso (19. incluindo o moderador. torna necessário Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . No caso de reatores rápidos.Tipos de reatores nucleares de potência: reator refrigerado a água pressurizada (PWR). Os três moderadores utilizados em reatores de potência são água. reator refrigerado a água fervente (BWR). reator gerador de vapor moderado a água pesada (SGHWR).B.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 104 de 120 . consiste em usar dióxido de urânio (UO2) como combustível nuclear. reator refrigerado a gás (GCR). um pó amarelado) misturado com dióxido de urânio (UO2) para constituir um combustível de óxido misto (designado por MOX) que contém tipicamente cerca de 25% em massa de PuO2. Conforme pode ser notado. depois de compactado na forma de pastilhas e sinterizado. desenvolvidos até hoje no mundo.3 . através da transformação de núcleos de 238U em novos núcleos de 239Pu. mais amplamente utilizada. reator refrigerado a gás com temperatura elevada (HTGR). pois a variação na fase sólida pode acarretar distorções e deformações no mesmo. reator avançado refrigerado a gás (AGR).

é necessário que uma substância refrigerante circule através do núcleo do reator para remover a energia liberada pela fissão e transferir esta energia para o ciclo de potência por intermédio do qual é gerado o vapor de água. 8. A usina nucleoelétrica de Calder Hall. Optou-se então por construir reatores nucleares de potência caracterizados pelo uso de urânio natural metálico como combustível. os primeiros reatores nucleares refrigerados a gás passaram a ser conhecidos como reatores Calder Hall.8% do tipo PHWR. fica restrita a cerca de 400 0C. Em reatores nucleares de potência. 3. grafite como moderador e dióxido de carbono como refrigerante. pelo fato de ser constituído por urânio metálico revestido com Magnox.9% são do tipo PWR. inexistência de instalações para enriquecer urânio e produção de água pesada em quantidade insuficiente para uso como moderador em reatores. cuja operação comercial se iniciou no Reino Unido em 1° de outubro de 1956 fornecendo 50 MW elétricos.7% do tipo FBR. O material de revestimento do combustível nuclear era uma liga de magnésio denominada Magnox. constatou-se que nesta temperatura o dióxido de carbono causava corrosão em certos componentes de aço carbono da tubulação de refrigeração. Em fins da década de 90. A primeira usina nucleoelétrica do mundo. Posteriormente. Para diminuir este efeito.4 .Reatores refrigerados a gás (GCR) Este tipo de reator nuclear de potência foi desenvolvido no Reino Unido durante a primeira década após a Segunda Guerra Mundial.que reatores moderados com estas substâncias operem a temperaturas mais baixas que os reatores moderados a grafite. Calder Hall. como conseqüência das seguintes circunstâncias com as quais se defrontava aquele país: decisão de utilizar fontes energéticas complementares ao carvão mineral na geração de eletricidade. o projeto que os originou terá passado para a história. provavelmente operando a potência reduzida. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . utilizava este tipo de reator. Um total de 26 reatores deste tipo foi construído para equipar 11 usinas nucleoelétricas britânicas entre 1956 e 1970. por exemplo. Mediante a utilização destes reatores. dispostas na forma de 32190 barras cilíndricas com 2.9 cm de diâmetro e 62 cm de comprimento. a temperatura máxima do dióxido de carbono foi diminuída para 370 0C.9% do tipo BWR. sódio metálico líquido e dióxido de carbono.7% do tipo GCR e 0. 20. A escolha do refrigerante influencia o projeto e a temperatura na qual o reator nuclear opera. A limitação mais importante no projeto destes reatores consiste na temperatura máxima de operação do combustível nuclear que. Dentre os reatores nucleares de potência em funcionamento atualmente no mundo. 59. Quando os últimos reatores Magnox forem desativados. foi desativada definitivamente em março de 2003. Tais reatores devem funcionar apenas durante mais alguns poucos anos. obtém-se vapor de água a uma temperatura de no máximo 395 0C e a uma pressão de no máximo 49 atm para acionar as turbinas geradoras de energia elétrica. água pesada. Devido a estes fatos. os primeiros reatores Magnox construídos entraram no período final de vida útil. O gás hélio pode ser utilizado em reatores refrigerados a gás que venham a ser construídos no futuro.2% do tipo AGR. sendo os mais importantes água.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 105 de 120 . A carga completa de um reator nuclear Magnox típico totaliza em média 251 toneladas de urânio metálico. pois reatores deste tipo se tornaram obsoletos e não serão mais construídos no futuro. necessidade de produzir plutônio para armas nucleares. 3. 2.8% do tipo RBMK. Magnox ou Mark 1. durante a operação destes reatores. revestidas por tubos de Magnox dotados de aletas para permitir uma transferência mais efetiva de calor do combustível para o refrigerante. B. Tanto um líquido quanto um gás podem ser escolhidos como refrigerante de reatores nucleares.

Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .Figura 8 .Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 106 de 120 .Representação esquemática de alguns reatores nucleares de potência.

A massa total de urânio contida na carga completa de combustível instalada no núcleo perfaz 122. torna-se possível obter temperaturas do refrigerante na Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . denominado Hunterston B. Nestas condições. Com base na experiência adquirida durante a construção e operação deste protótipo. será considerado um destes reatores. No sentido de fazer com que estas condições sejam atingidas também em usinas nucleoelétricas com reatores refrigerados a gás. apresentando cerca de 1 mm de diâmetro. O moderador. UC2 e grafite serem muito altos. continuou sendo grafite. Com o decorrer do funcionamento destes reatores. podem ser colocadas junto com grafite de maneira a formar uma mistura homogênea combustívelmoderador. As partículas revestidas. nas quais o vapor de água gerado pode atingir temperaturas de até 565 0C e pressões de 160 atm.1% em 235U e revestimento de aço inoxidável. projetado para operar utilizando o processo de conversão 232Th / 233 U. Para efeito de exemplo. torna-se necessário elevar a temperatura de operação destes reatores. entretanto. com enriquecimento de 3. O vapor de água gerado mediante o uso deste tipo de reator atinge a temperatura máxima de 541 0C a uma pressão máxima de 167 atm. para eliminar a corrosão induzida pelo dióxido de carbono a temperatura elevada.0% e 2. Apenas cinco reatores deste tipo foram construídos até hoje em todo o mundo. Os reatores nucleares de potência com estas características gerais são denominados reatores avançados refrigerados a gás (AGR). B. b) substituição de urânio natural metálico por dióxido ou carbeto de urânio ligeiramente enriquecido em 235U como combustível nuclear.6%. o material físsil passa a ser 233U. O combustível nuclear contendo tório-urânio é utilizado na forma de esferas minúsculas (diâmetro menor que 1 mm) constituídas por uma mistura de carbetos ThC2 / UC2 e revestidas com carbono pirolítico para reter produtos de fissão.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 107 de 120 .5 toneladas. O combustível deste reator AGR protótipo era dióxido de urânio (UO2). Tratavase de um protótipo projetado para fornecer 105 MW térmicos e gerar 33 MW elétricos. que operou durante 20 anos. Utilizava grafite como moderador e dióxido de carbono como refrigerante. o que exigiu a implementação dos seguintes aperfeiçoamentos em relação ao projeto dos primeiros GCR: a) substituição de Magnox por aço inoxidável ou Zircaloy como material de revestimento do combustível. é provável que nenhum outro reator AGR venha a ser construído no futuro. sendo que o primeiro deles entrou em funcionamento no ano de 1962 em Windscale. c) uso de aços especiais na fabricação dos componentes do circuito de refrigeração. Devido ao fato dos pontos de fusão de ThC2.5 . Os primeiros HTGR utilizaram como combustível uma mistura de 232Th e urânio altamente enriquecido contendo aproximadamente 93% de 235U. sete usinas nucleoelétricas britânicas foram equipadas com reatores AGR até 1988. e o enriquecimento da mesma em 235U fica entre 2. Reino Unido.B. Devido ao custo de um reator AGR ser atualmente mais elevado que o de um reator PWR com a mesma potência.Reatores refrigerados a gás com temperatura elevada (HTGR) Aperfeiçoamentos adicionais introduzidos na tecnologia de reatores de potência refrigerados a gás deram origem ao reator refrigerado a gás com temperatura elevada (HTGR). uma vez que quantidades suficientemente grandes deste nuclídeo são originadas por meio do processo de regeneração. Este reator AGR típico foi projetado para fornecer 1496 MW térmicos e gerar 624 MW elétricos.Reatores avançados refrigerados a gás (AGR) As condições em que o vapor de água é gerado em usinas nucleoelétricas com reatores tipo Magnox são bem mais desfavoráveis que as obtidas em usinas termoelétricas convencionais modernas. estas misturas combustível-moderador podem operar a temperaturas bastante elevadas.6 . A temperatura máxima do dióxido de carbono chega a atingir 654 0C quando este gás sai do núcleo do reator.

Outra característica importante da água. estas temperaturas muito elevadas podem ser melhor utilizadas em uma turbina acionada a gás do que em uma turbina acionada a vapor de água. denominado reator “leito de esfera” (AVR).2%. o gás refrigerante chega a apresentar temperaturas de até 900 0C. Foi neste contexto que o primeiro submarino com propulsão nuclear. proporciona uma boa economia de nêutrons e aumenta a taxa de regeneração. Vrain. foi construído em Jülich. B. turbinas acionadas a gás requerem temperaturas de entrada muito elevadas para se tornarem competitivas. era equipada com um reator HTGR. A temperatura máxima do combustível atingia 2300 0C e a temperatura do hélio ao sair do reator alcançava 770 0C.48 toneladas de tório e 0.S. Entretanto. contendo uma mistura de ThC2 e UC2.7 . era colocado dentro de cavidades usinadas em blocos hexagonais de grafite. enquanto hélio é bombeado para cima através do espaço existente entre as esferas. As temperaturas muito elevadas do refrigerante que podem ser obtidas mediante o uso de um reator HTGR tornam possível produzir vapor de água em condições equivalentes às encontradas em usinas termoelétricas modernas.88 toneladas de urânio altamente enriquecido. A usina nucleoelétrica de Fort St. O uso de materiais de revestimento convencionais. diz respeito às propriedades termodinâmicas deste fluido como refrigerante. embora nada deste gênero tenha ainda sido testado. Para que a água seja mantida em estado líquido mesmo a temperaturas Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Por sua vez. O núcleo de um reator de potência moderado a água pode apresentar dimensões que totalizam apenas 2 m de altura e 3 m de diâmetro. o U. tais como aço inoxidável. as partículas de ThC2 / UC2 são dispersas em grafite e esta matriz homogênea combustível-moderador é fabricada na forma de esferas com diâmetro de 28 mm. Na saída do reator. tais como grafite e hélio. utilizou um reator deste tipo. o uso de materiais que possuem baixa seção de choque para absorção de nêutrons. mediante uma eficiência térmica total de 39. os quais constituíam o núcleo do reator. A carga completa de combustível nuclear deste reator continha um total de 19. não é necessário. pelo motivo de ser inerte quimicamente. Nautilus. O reator pode ser reabastecido em serviço.S.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 108 de 120 .Reatores refrigerados a água pressurizada (PWR) As excelentes propriedades da água como moderador para um reator nuclear térmico fazem com que reatores de potência moderados a água sejam bem mais compactos que reatores de potência moderados a grafite. Havia outros orifícios nos blocos para passagem de gás refrigerante e para colocação de barras de controle. O reator fornecia uma potência térmica de 842 MW e. Outro modelo de reator HTGR que merece destaque. de maneira que a combinação de um reator HTGR com uma turbina de ciclo direto acionada a gás pode constituir um sistema promissor. característica que o torna apropriado para usos industriais envolvendo temperaturas elevadas. gerava 330 MW elétricos. Por outro lado. uma vez que a última não aumenta o rendimento de maneira apreciável se o refrigerante que nela incide apresenta temperaturas maiores que as obtidas por meio de um reator AGR. lançado ao mar em 1955 pela marinha norteamericana. feitas de carbeto de boro (B4C).faixa entre 750 0C e 1000 0C. Caso tal sistema gerador de potência fosse construído. O combustível nuclear particulado revestido. Este fato motivou o uso inicial destes reatores na propulsão naval. no que se refere ao uso em reatores nucleares de potência. Neste reator. O refrigerante mais adequado para reatores HTGR é o hélio. notadamente de submarinos. que funcionou no estado norteamericano do Colorado entre 1976 e 1989. Estas esferas são colocadas dentro do vaso de pressão do reator de maneira a criar uma massa crítica. Alemanha. mas também o melhor fluido operante para a turbina devido às boas propriedades termodinâmicas que apresenta. possuir baixa seção de choque para absorção de nêutrons e apresentar propriedades boas no que se refere à transferência de calor. removendo-se do fundo do vaso de pressão as esferas irradiadas e substituindo-as por esferas novas. o hélio seria não apenas o refrigerante ideal para o reator HTGR.

para evitar a corrosão causada pela água em temperaturas elevadas. torna-se necessário utilizar aço inoxidável ou ligas de zircônio como material de revestimento dos combustíveis nucleares. Desde 1968 a liga de zircônio denominada Zircaloy passou a ser adotada como o material padrão de revestimento dos combustíveis nucleares em reatores PWR. ficou contido dentro do vaso de pressão. definida como sendo a potência fornecida por unidade de volume do núcleo. gerando 75 MW elétricos. Os reatores PWR. tendo como base a tecnologia de reatores nucleares utilizados para propulsão naval. além de muito mais compactos que reatores moderados a grafite. a refrigeração do reator se tornou insuficiente e o calor de decaimento dos produtos de fissão causou derretimento de parte do núcleo do reator. o vaso de pressão é feito de aço carbono revestido internamente por uma camada de aço inoxidável. incluindo elementos combustíveis e algumas estruturas de suporte. esta deve ser submetida a pressões correspondentemente elevadas. assim como toda a tubulação do circuito de refrigeração. Como sob o ponto de vista termodinâmico é desejável que a temperatura da água refrigerante em um reator nuclear de potência seja a mais alta possível. O desenvolvimento de reatores PWR para geração de eletricidade foi iniciado logo após o uso destes reatores na propulsão de submarinos. devem ser suficientemente robustos para resistir à pressão extremamente elevada a que estão submetidos. Após trinta e cinco anos de desenvolvimento. embora não tenha sido totalmente contida.0%) como combustível. Nestes reatores. Nos vinte anos que se seguiram. atenção especial foi dedicada ao aperfeiçoamento das condições de segurança e à melhoria das características operacionais deste tipo de reator. Por fim. O reator nuclear PWR desta usina foi projetado e construído pela Westinghouse Electric Corporation. o custo de um PWR é menor que o custo de reatores moderados a grafite para a mesma potência fornecida. EUA). Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . A seção de choque para captura radiativa de nêutrons térmicos pela água é razoavelmente alta (0. Entretanto. que utilizava um reator PWR. que manteve sua integridade estrutural. O vaso de pressão no qual está contido o núcleo do reator. Neste acidente. o material radioativo liberado no reator. torna-se imprescindível que o reator opere em pressões bastante altas. tanto a descrição geral que será feita a seguir quanto a representação esquemática mostrada na figura 9 podem ser consideradas muito mais como típicas dos atuais reatores PWR em funcionamento no mundo do que como referentes a um reator em particular.5% e 3. Alemanha Ocidental e Japão. sem apresentar falhas estruturais. Durante os dez anos subseqüentes. Pennsylvania. a primeira usina nucleoelétrica equipada com um reator PWR começou a funcionar em Shippingport.entre 100 0C e 370 0C. Em geral. os mesmos passaram a ser designados como reatores refrigerados a água pressurizada (PWR). A taxa de crescimento na construção de reatores PWR em vários países do mundo sofreu uma redução. No dia 02 de dezembro de 1957. os reatores PWR atingiram um estágio no qual a maior parte dos reatores deste tipo construídos mais recentemente são similares uns aos outros no que se refere às características principais e aos parâmetros operacionais. EUA.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 109 de 120 . os valores típicos para a temperatura e a pressão da água são respectivamente 300 0C e 160 atm. em decorrência de erros dos operadores e de falhas em equipamentos. fato que requer o uso de urânio ligeiramente enriquecido (em geral entre 2. mas também na França. Devido ao fato da água utilizada como moderador e refrigerante nestes reatores de potência estar submetida a pressões elevadas. Assim pois. diversas usinas nucleoelétricas equipadas com reatores PWR foram construídas não apenas nos EUA. após o acidente ocorrido no dia 28 de março de 1979 na usina nucleoelétrica de Three Mile Island (Pennsylvania. Como conseqüência. apresentam também uma densidade de potência maior. sendo a espessura total da parede igual a 215 mm.664 b / molécula). constituído principalmente pelos produtos de fissão radioativos.

Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 110 de 120 . Figura 10 . acondicionadas em tubos de Zircaloy-4 com 10 mm de diâmetro e 4 m de comprimento. em ambiente altamente pressurizado. formando um elemento combustível do tipo mostrado na figura 10. utilizado na forma de pastilhas cilíndricas com 8 mm de diâmetro e 10 mm de comprimento. As varetas combustíveis assim constituídas são agrupadas de maneira compacta através de um arranjo quadrado com 20 cm de lado. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .Representação esquemática de um reator PWR.Elemento combustível utilizado em um reator PWR. O combustível nuclear é dióxido de urânio (UO2) enriquecido em 235U a cerca de 2. Cada elemento combustível assim constituído contém cerca de 236 varetas combustíveis. Os tubos de Zircaloy-4 são fechados por soldagem.5%. mantidas fixas por meio de grades espaçadoras feitas com uma liga de níquel (Inconel-718).Figura 9 . sendo as pastilhas de UO2 mantidas sob compressão no interior do tubo por meio de molas helicoidais. o vaso de pressão e o ciclo para produção de vapor. mostrando o núcleo.

estes fatores se tornaram menos importantes que o custo inferior do PWR.Por sua vez. mantidas fixas por meio de 8 grades espaçadoras feitas de uma liga de níquel (Inconel-718). localizada na Praia de Itaorna.Usinas nucleoelétricas brasileiras O Brasil possui atualmente duas usinas nucleoelétricas em operação. cujas dimensões são aproximadamente 3. O controle do reator é realizado por intermédio de feixes de barras de controle e pela adição de ácido bórico na água.6%. Um total de 121 elementos combustíveis forma o núcleo do reator de Angra 1. Para o desligamento do reator. A usina nucleoelétrica Angra 1 foi adquirida em 1972 pelo Governo Brasileiro junto à empresa norte-americana Westinghouse Electric Corporation. condições de segurança e desempenho econômico do que para alterações significativas nos fundamentos do projeto destes reatores. contido dentro de um vaso de pressão com 4. Os dois novos modelos certificados mais recentemente (System 80+ e AP600). Estado do Rio de Janeiro.0025. utiliza-se um conjunto de barras de segurança que. O material absorvedor de nêutrons que compõe as barras de controle / segurança é uma liga metálica de prata-índio-cádmio (Ag-In-Cd) contendo em massa 80% de prata. estão mais direcionados para a melhoria de características operacionais. permanece totalmente fora do núcleo ativo. Entretanto. que introduzem aperfeiçoamentos na tecnologia de reatores PWR. Em caso de acidente com perda de fluido refrigerante. em condições normais de operação. Angra 1 e Angra 2. o reator PWR padronizado fornece 3800 MW térmicos e gera 1300 MW elétricos. este PWR modelo apresenta eficiência térmica e taxa de conversão mais baixas. possui um diâmetro de 3. como atualmente há reservas abundantes de urânio disponíveis a preços não muito altos. que é hoje o tipo de reator nuclear de potência mais amplamente utilizado em todo o mundo. B. na proporção respectivamente de 80%-15%-5%) revestida com aço inoxidável. uma altura de 12 m e uma espessura total de parede de 20 cm.7 m de diâmetro interno e 10 m de altura.8 m de diâmetro e 3. As três usinas formam a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto. Utiliza como combustível nuclear pastilhas cilíndricas de dióxido de urânio (UO2) com enriquecimento médio em 235U igual a 2. A pressão da água no núcleo e no vaso de pressão é 153 atm e as temperaturas da água ao entrar e ao sair do núcleo são respectivamente iguais a 295 0 C e 330 0C.1 . As varetas combustíveis estão agrupadas de maneira compacta através de um arranjo quadrado com 20 cm de lado para formar um elemento combustível. Angra 3. há um sistema de emergência para resfriamento do núcleo (conhecido pela sigla ECCS) que injeta uma solução de ácido bórico diretamente nesta parte do reator.65 m de comprimento. estes elementos combustíveis são posicionados lado a lado para formar o núcleo do reator. onde ficam contidos os 121 elementos combustíveis.35 m. Deste total.7. Angra 1 entrou em operação em 1982. O vaso de pressão do reator. devido ao fato de abrigarem um feixe com 20 barras de controle cada. Estas barras de controle têm formato idêntico ao das varetas combustíveis e são feitas de uma liga metálica de prata-índio-cádmio (Ag-In-Cd. 15% de índio e 5% de cádmio. Nos trocadores de calor. Comparado com reatores nucleares de potência refrigerados a gás e moderados a grafite. Município de Angra dos Reis. A água refrigerante sai do vaso de pressão do reator com temperatura de 324 0C e Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .7 m de altura. com uma eficiência térmica de 34%. Atualmente. que está em construção. 33 elementos são denominados elementos combustíveis de controle. equipadas com reatores PWR. usualmente denominados geradores de vapor. vapor de água é produzido na temperatura de 290 0C e na pressão de 73 atm com uma fração de umidade inferior a 0. Este tipo de reator equipará também uma terceira usina nucleoelétrica. As pastilhas são acondicionadas dentro de varetas combustíveis feitas de Zircaloy-4 com 10 mm de diâmetro externo e 3. O arranjo quadrado de cada elemento combustível contém 16 x 16 varetas.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 111 de 120 . A carga total de combustível nuclear de Angra 1 perfaz 51 toneladas de urânio.

vapor de água é produzido com temperatura de 287 0C e pressão de 65 atm. mantidas fixas por meio de 9 grades espaçadoras feitas de Inconel-718 (primeira e nona grades) ou Zircaloy-4 (demais grades). possui um diâmetro de 5. devido ao fato de abrigarem um feixe com 20 barras de controle cada.5%. na proporção respectivamente de 80%-15%-5%) revestida com aço inoxidável. vapor de água é produzido com temperatura de 284 0C e pressão de 70 atm. Nos geradores de vapor. configurando um ciclo direto. onde ficam contidos os 193 elementos combustíveis. O envoltório interno de aço é esférico e tem 56 m de diâmetro. Angra 1 e Angra 2 em conjunto fornecem aproximadamente 45% da energia elétrica consumida atualmente no Estado do Rio de Janeiro. Temia-se também o risco de Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .75 m. Estas barras de controle têm formato idêntico ao das varetas combustíveis e são feitas de uma liga metálica de prata-índio-cádmio (AgIn-Cd. O vaso de pressão do reator.75 mm de diâmetro externo e 3. a pressão no reator pode ser muito mais baixa que a verificada em um PWR no qual vapor de água é produzido nas mesmas condições.8 . é constituído por um envoltório interno de aço e um envoltório externo de concreto. A água do mar é captada no circuito terciário e utilizada para resfriar e condensar o vapor de água produzido no circuito secundário. Angra 2 entrou em operação no ano 2000. Deste total. Nos geradores de vapor. As varetas combustíveis estão agrupadas de maneira compacta através de um arranjo quadrado com 20 cm de lado para formar um elemento combustível. O edifício do reator. uma altura de 13 m e uma espessura total de parede de 25 cm. após o vapor haver passado pelas turbinas.90 m de comprimento. instalação da usina onde estão contidos o vaso de pressão do reator e os geradores de vapor. A usina nucleoelétrica Angra 2 é a primeira resultante do Acordo Nuclear Brasil – Alemanha. As pastilhas são acondicionadas dentro de varetas combustíveis feitas de Zircaloy-4 com 10. particularmente se o vapor assim produzido for separado da água saturada e em seguida canalizado diretamente para as turbinas. O projeto de Angra 3 é idêntico ao de Angra 2. B. Um total de 193 elementos combustíveis forma o núcleo do reator de Angra 2.Reatores refrigerados a água fervente (BWR) Há vantagens evidentes em permitir que ocorra ebulição no núcleo de um reator refrigerado e moderado a água. Uma vez que não há necessidade de impedir a ocorrência de ebulição no núcleo. Este sistema elimina a necessidade da existência de trocadores de calor. Utiliza como combustível nuclear pastilhas cilíndricas de dióxido de urânio (UO2) com enriquecimento médio em 235U igual a 2. a partir da qual são gerados 642 MW elétricos. é constituído por um envoltório interno de aço e um envoltório externo de concreto. assinado em 1975. A carga total de combustível nuclear de Angra 2 perfaz 103.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 112 de 120 . a partir da qual são gerados 1354 MW elétricos. que são parte integrante do projeto de reatores PWR e acarretam tanto perdas termodinâmicas quanto aumento de custos. tendo formato aproximadamente cilíndrico com 36 m de diâmetro e 58 m de altura.pressão de 157 atm. O arranjo quadrado de cada elemento combustível contém 16 x 16 varetas. A potência total do reator alcança 3765 MW térmicos.5 toneladas de urânio. instalação da usina onde estão contidos o vaso de pressão do reator e os geradores de vapor. A usina nucleoelétrica Angra 3 será a segunda resultante do Acordo Nuclear Brasil – Alemanha. 61 elementos são denominados elementos combustíveis de controle. assinado em 1975. o que constitui mais um aspecto favorável. A água do mar é captada no circuito terciário e utilizada para resfriar e condensar o vapor de água produzido no circuito secundário. As dúvidas existentes inicialmente em relação aos reatores refrigerados a água fervente (BWR) eram referentes ao efeito que a ocorrência de ebulição no núcleo teria sobre a segurança e a estabilidade do reator. após o vapor haver passado pelas turbinas. A água refrigerante sai do vaso de pressão do reator com temperatura de 329 0C e pressão de 161 atm. O edifício do reator. A potência total do reator alcança 1876 MW térmicos.

75 m de altura. 43 usinas nucleoelétricas norte-americanas foram equipadas com reatores BWR projetados e construídos pela General Electric Company. mas também em países como Suécia. o BWR Vallecitos. 5 – Bomba de recirculação. 10 – Turbina. 35 ainda continuam em operação.7% e 2. mostrando as partes componentes do mesmo: 1 – Núcleo do reator. Estas caixas constituem os elementos combustíveis.5% em 235U. fato que torna o diâmetro do núcleo um pouco maior. começou a funcionar em 1957 gerando 5 MW elétricos. 7 – Separador de umidade e reaquecedor. 8 – Pré-aquecedores. conforme mostra esquematicamente a figura 11. Alemanha Ocidental e Japão.7 m de diâmetro e 3. a empresa que lidera mundialmente a tecnologia deste tipo de reator.6 mm de diâmetro e 12 mm de comprimento. Desde então. Diversos testes e experimentos mostraram que estas preocupações na verdade não representam problemas sérios. Por sua vez. 6 – Barras de controle. Figura 11 . 4 – Bomba de refrigeração a jato. A ocorrência de ebulição no núcleo do reator se mostrou segura e vapor de água com frações de secura de até 15% chegou a ser obtido na saída do núcleo. formando assim as varetas combustíveis. O combustível nuclear é constituído por pastilhas de UO2 com 10. que em conjunto formam o núcleo. Os reatores BWR foram desenvolvidos paralelamente aos reatores PWR nos EUA e. 9 – Estrutura de sustentação do núcleo. O problema de contaminação radioativa pode ser amplamente superado garantindo-se que a água do sistema apresente um grau de pureza bastante alto.contaminação radioativa quando o vapor de água gerado no núcleo circulasse através das turbinas. Há aproximadamente 580 elementos combustíveis deste tipo em um núcleo com 4. passaram a ser construídos posteriormente em grande número não apenas em território norte-americano. enquanto o combustível de troca contém Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Em muitos aspectos. Estas pastilhas são acondicionadas em tubos de revestimento feitos de Zircaloy-2.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 113 de 120 .Esquema representativo de um reator BWR. totalizando uma carga de combustível igual a 140 toneladas. O urânio contido no combustível é enriquecido entre 1. Os dados apresentados a seguir são típicos dos reatores BWR em funcionamento atualmente. assim como estes últimos. Destas usinas. O espaçamento existente entre as varetas combustíveis é um pouco maior que em um reator PWR. um reator BWR é semelhante a um reator PWR. A diferença principal é a ausência de um trocador de calor entre o reator nuclear e o ciclo de potência. O primeiro reator deste tipo. 2 – Separadores de vapor. estas varetas combustíveis são posicionadas segundo arranjos quadrados de 7 x 7 ou 8 x 8 no interior de caixas com 14 cm de lado. 3 – Secadores de vapor.

A potência térmica fornecida pelo reator aumentou para 3926 MW. de maneira que se a potência térmica do reator aumenta e mais ebulição ocorre produzindo portanto maior quantidade de vapor de água. Mais recentemente. desenvolvido pela General Electric Company junto com fabricantes de BWR de outros países. Os reatores BWR são projetados de maneira que os maiores fluxos de calor obtidos em condições operacionais normais atinjam cerca de 50% dos valores previstos para o fluxo de calor crítico.Reatores refrigerados a água pesada pressurizada (PHWR) O valor extremamente baixo da seção de choque para captura radiativa de nêutrons térmicos pela água pesada (1. Este movimento tem como finalidade separar a água do vapor. Como resultado destas alterações. que é operado hidraulicamente. que pode ser também usado como refrigerante.1 m de diâmetro interno e 174 mm de espessura de parede. O vaso de pressão tem 21. as barras de controle do reator são instaladas embaixo do núcleo. que funciona como refrigerante e moderador no vaso de pressão. A água separada é recirculada e a umidade remanescente no vapor é retirada nos secadores. O vapor de água saturado é fornecido às turbinas com temperatura de 281 0C e pressão de 65 atm. As barras de controle são cruciformes e a inserção das mesmas no núcleo se faz de baixo para cima.9 . encontra-se a uma pressão de 72.05 m de diâmetro interno. B. Nota-se que as condições do vapor de água fornecido às turbinas é semelhante às obtidas com um reator PWR. a reatividade do reator diminui e a potência do mesmo tende a diminuir. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Estas melhorias incluem aumento da potência térmica fornecida.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 114 de 120 . caso seja necessário reduzir a potência do reator. provocando como conseqüência um aumento na quantidade de vapor produzido. reforço da blindagem de concreto e instalação de sistemas de segurança adicionais. diminui-se a taxa de escoamento do refrigerante.06 mb / molécula) a tornam um moderador excelente para reatores térmicos. cada um contendo internamente diversas pás que obrigam a mistura águavapor a efetuar um movimento helicoidal. tornando possível controlar o reator também por meio da variação da taxa de escoamento do refrigerante pelo núcleo.1% de 235U.5 atm. dando origem ao chamado reator avançado refrigerado a água fervente (ABWR). Cada barra de controle possui seu próprio mecanismo de movimentação.6 m de altura e 6. a partir da qual são gerados entre 1200 MW e 1260 MW elétricos. em meio aos espaços existentes entre os elementos combustíveis. O material utilizado nas barras de controle é carbeto de boro (B4C). A mistura água-vapor sai do núcleo pela parte superior. apresentando uma parede com espessura igual a 152 mm. aperfeiçoamentos foram introduzidos no projeto de reatores BWR com a finalidade principal de proporcionar melhorias nos aspectos operacionais e de segurança. Por exemplo. a partir da qual são gerados 1356 MW elétricos. A água fervente. Devido ao fato do espaço acima do núcleo estar ocupado por separadores e secadores de vapor. Este é um efeito seguro e auto-estabilizante. o número total de elementos combustíveis no núcleo foi aumentado para 872 e o tamanho do núcleo do reator foi aumentado para 5. passando por separadores de vapor e secadores de vapor. porém tanto a pressão da água no interior do vaso de pressão quanto a espessura da parede do mesmo são bem menores. introdução de bombas de refrigeração internas. o que causa uma redução de potência do reator sem a necessidade de acionar as barras de controle.16 m de diâmetro. A potência térmica fornecida por um reator BWR típico é 3580 MW.entre 2. o vaso de pressão passou a ter 7. O ABWR foi certificado em 1997 e já equipa duas usinas nucleoelétricas em operação no Japão.5% e 3. Os separadores de vapor são constituídos por uma série de tubos verticais fixados por soldagem a uma base comum. Este tipo de reator nuclear possui também coeficientes de reatividade negativos.

3 mm de comprimento e 14. Desta forma o moderador e o refrigerante. com espessura de parede igual a 26. Ontario. Uma desvantagem da água pesada é o custo muito elevado para produzi-la. Atualmente. A pressão da água pesada refrigerante no reator é 88.42 mm de espessura e 15. Atualmente há também. o que torna importante evitar perdas em tubulações e trocadores de calor. em razão desta última limitação. feito de aço inoxidável. No interior de cada um destes tubos há um tubo de pressão de Zircaloy com diâmetro interno igual a 104 mm.8 mm de diâmetro que.5 m de comprimento e constituído por um conjunto de 28 varetas combustíveis. Este valor relativamente baixo da eficiência é compensado pelo baixo custo do combustível nuclear utilizado. embora sendo ambos água pesada.8 mm e cujo eixo apresenta orientação horizontal. Argentina. apenas o Canadá possuía uma instalação industrial necessária para produzir quantidades consideráveis de água pesada. Esta capacidade foi decisiva para que nos anos seguintes aquele país optasse pelo desenvolvimento de reatores nucleares de potência refrigerados e moderados a água pesada.Reatores moderados e refrigerados a água pesada podem ser abastecidos com urânio natural e apresentam boa economia de nêutrons. A carga total de combustível no núcleo deste reator perfaz 90. que teve algumas unidades exportadas para Índia. A potência térmica fornecida por reator deste tipo (há cinco deles em operação na usina nucleoelétrica de Pickering) é 1744 MW. formam as varetas combustíveis. Romênia. A temperatura máxima do combustível é aproximadamente 2000 0C. Esta configuração permite que a água pesada dentro da calândria seja mantida a uma temperatura mais baixa (65 0C) e que a água pesada refrigerante contida nos tubos seja pressurizada. que limita a temperatura máxima do refrigerante e torna necessário submetê-lo a pressões muito elevadas. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Paquistão e República Popular da China.5 toneladas de UO2 e o diâmetro efetivo do núcleo é 6. Este tipo de reator. doze reatores PHWR equipando usinas nucleoelétricas em operação na Índia e quatro equipando usinas nucleoelétricas em operação na Coréia do Sul. Outra desvantagem é a temperatura crítica da água pesada. A calândria possui 6 m de comprimento e 7. Coréia do Sul. vapor é produzido a 251 0C e 41 atm. as características termodinâmicas de reatores refrigerados a água pesada e de reatores refrigerados a água são muito semelhantes. é também usualmente designado como CANDU (uma sigla para “Canadian Deuterium Uranium”). entre outros. O moderador é contido em um vaso cilíndrico denominado calândria. enquanto na superfície externa do revestimento esta temperatura alcança 304 0C. denominado reator refrigerado a água pesada pressurizada (PHWR). Para descrevê-las.5%. Um total de 380 tubos horizontais de Zircaloy passam através da calândria. Canadá. cada um com 0.6 mm de diâmetro.3 atm. será considerado como exemplo um reator da usina nucleoelétrica de Pickering. resultando em uma eficiência térmica de 29. a partir da qual são gerados 515 MW elétricos. As duas usinas nucleoelétricas da Argentina (Atucha 1 e Embalse) e a única usina nucleoelétrica da Romênia (Cernavoda 1) são equipadas com reatores PHWR. que culminou com o início da operação do primeiro reator deste tipo em 1962 para geração de eletricidade. Os reatores PHWR possuem algumas características que os distinguem dos demais tipos de reatores nucleares de potência. sendo o espaço existente entre os dois tubos preenchido com gás hélio para obter isolamento térmico. toda a capacidade nucleoelétrica instalada do Canadá é constituída por reatores PHWR. Estas características proporcionam baixos custos de combustível. O combustível nuclear é dióxido de urânio natural (UO2) na forma de pastilhas com 22. pois a fabricação do mesmo não requer o enriquecimento do urânio. Nos trocadores de calor. Cabe destacar que. estão separados fisicamente no reator. No final da Segunda Guerra Mundial. e as temperaturas com que este fluido entra e sai do núcleo são respectivamente 250 0C e 293 0C.74 m. acondicionadas em tubos de Zircaloy-4 com 0. Dentro de cada tubo de pressão há 12 feixes combustíveis.1 m de diâmetro. boas taxas de conversão e índices elevados de queima do combustível. A figura 12 mostra o esquema representativo de um dos reatores PHWR da usina nucleoelétrica de Pickering.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 115 de 120 .

A substituição de água pesada por água comum como refrigerante reduz consideravelmente o custo do reator. Alguns anos depois. B. utilizando-se um sistema de ciclo direto. Idaho. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Uma vantagem adicional deste sistema é que se pode deixar a água comum ferver nos tubos de pressão. embora alguns reatores deste tipo usem urânio levemente enriquecido. que contém 75% de dióxido de urânio depletado (que é praticamente 238U puro) e 25% de dióxido de plutônio (239Pu). desenvolvido no Reino Unido.000 MWdia / tonelada. Nesta versão ainda é possível usar combustível nuclear contendo urânio natural. em dezembro de 1951.Figura 12 . EUA no ano de 1946. dois tipos de combustível nuclear são utilizados em reatores rápidos: a) dióxido de urânio enriquecido entre 25% e 50% em 235U. no qual a separação da mistura água / vapor é efetuada em cilindros rotatórios externos e vapor saturado seco é fornecido para as turbinas. Por exemplo. mostrando as partes componentes do mesmo. é um exemplo de reator que utiliza um sistema de ciclo direto. Ao contrário do que ocorre em reatores térmicos.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 116 de 120 .Esquema representativo de um reator PHWR da usina nucleoelétrica de Pickering.000 MWdia / tonelada. A calândria de reatores SGHWR. Novo México. o custo inicial do combustível nuclear destes reatores é muito alto e para tornar economicamente viável o funcionamento dos mesmos torna-se necessário operá-los em condições que propiciem graus elevados de queima. Uma versão alternativa do reator PHWR é o reator moderado a água pesada e refrigerado a água comum. o reator rápido denominado Reator Conversor Experimental (EBR-1) em Arco.Reatores rápidos (FBR) O primeiro reator rápido do mundo foi construído em Los Álamos. b) mistura denominada óxido misto. enquanto em um reator PWR típico o mesmo grau perfaz 30. O reator gerador de vapor moderado a água pesada (SGHWR). EUA entrou para a história como o primeiro reator nuclear do mundo a gerar energia elétrica. os reatores rápidos não possuem moderador e utilizam combustível nuclear altamente enriquecido.10 . Como conseqüência. embora similar à existente em reatores PHWR. o grau de queima em reatores rápidos é da ordem de 100. Em reatores rápidos. possui eixo orientado verticalmente (ver a última ilustração apresentada na figura 8). Este tipo de reator combina as características favoráveis da água pesada enquanto moderador com o ciclo direto de um reator BWR. Em geral. embora não integrado à rede pública de fornecimento de energia. a energia cinética dos nêutrons que induzem reações nucleares de fissão está situada na faixa entre 10 keV e 1 MeV.

A quantidade de 239Pu no combustível nuclear variava entre 22% e 30%.A concentração elevada de material físsil e a ausência de qualquer moderador tornam o núcleo de um reator rápido muito pequeno comparado com o núcleo de um reator térmico de mesma potência. cujo ponto de fusão é igual a −11 0C. Os subconjuntos combustíveis colocados no núcleo do reator continham urânio depletado nas extremidades inferior e superior para formar o envoltório axial. Reino Unido. restam como refrigerantes os metais líquidos. o reator rápido protótipo (PFR) localizado em Dounreay. consiste no fato de sódio metálico reagir quimicamente de maneira violenta com ar e principalmente com água. Além dos problemas já enumerados. as varetas combustíveis devem ter um diâmetro muito pequeno. assumindo a forma de pinos. A densidade de potência excepcionalmente elevada que caracteriza os reatores rápidos impõe certos parâmetros de projeto especiais. além de não ser moderador. Os pinos combustíveis do reator rápido PFR de Dounreay continham pastilhas cilíndricas de UO2 + PuO2 com 6 mm de diâmetro acondicionadas em tubos de aço inoxidável. era preenchida pelas pastilhas de óxido misto para formar o núcleo propriamente dito. Este inconveniente pode ser superado pelo uso de uma liga eutética sódio-potássio (contendo 78% de potássio e 22% de sódio). Assim pois. O núcleo era constituído por 70 subconjuntos combustíveis. O ponto de fusão deste metal é 98 0C. A inexistência de componentes altamente pressurizados no sistema primário de um reator nuclear rápido constitui uma característica favorável no aspecto de segurança. de maneira que não é necessário pressurizá-los no reator. formavam um subconjunto combustível hexagonal em que os lados opostos distavam 142 mm. o que torna a integridade estrutural de componentes como tubulações e trocadores de calor absolutamente essencial. Nestas circunstâncias. Um total de 325 pinos combustíveis. Água comum e água pesada são moderadores. a densidade de potência do reator PFR resultou quase cem vezes maior que em um reator AGR.3 m de diâmetro. enquanto o reator AGR britânico Hunterston B fornece uma potência térmica de 1500 MW em um núcleo com 8. Todos os reatores nucleares rápidos construídos até hoje utilizaram como refrigerantes sódio metálico líquido (a grande maioria) ou então uma liga metálica de sódio-potássio em estado líquido. Assim. posicionados fixamente por meio de grades espaçadoras. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . Para efeito de comparação. O refrigerante usado neste tipo de reator precisa apresentar propriedades excelentes no que se refere à transferência de calor. O problema mais sério. o que obriga a manter o reator acima desta temperatura quando desligado. nêutrons que escapavam do núcleo e alcançavam o envoltório podiam sofrer captura radiativa e produzir 239Pu. A maioria dos projetos de reatores rápidos apresenta o núcleo e o sistema de refrigeração primário instalados dentro de um grande vaso de aço inoxidável preenchido com sódio metálico líquido a pressão próxima da atmosférica. Uma pequena fração da potência fornecida pelo reator era proveniente do envoltório.γ)24Na. O espaço que dentro do vaso está situado acima do nível atingido pelo sódio metálico líquido é totalmente preenchido com o gás nobre argônio para evitar a ocorrência de reações químicas. com um comprimento de 914 mm. no entanto. A parte central de cada pino combustível. Ambos possuem pontos de ebulição bastante elevados à pressão atmosférica (890 0C no caso do sódio).2 m de altura e 9. enquanto gases não possuem propriedades adequadas no que diz respeito à transferência de calor. onde este 239Pu era fissionado.8 m de diâmetro. O núcleo era totalmente circundado por um envoltório no qual o combustível consistia apenas em urânio depletado. o sódio é ativado ao passar pelo núcleo do reator como conseqüência da reação nuclear de captura radiativa 23Na(n. As barras de controle do reator eram feitas de carbeto de boro (B4C). O uso de sódio metálico como refrigerante em reatores nucleares apresenta uma série de desvantagens.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 117 de 120 . Para simultaneamente reduzir a temperatura máxima do combustível nuclear e obter temperaturas elevadas do fluido refrigerante. operou entre 1975 e 1994 fornecendo uma potência térmica de 600 MW a partir de um núcleo com 1 m de altura e 1.

5 – Trocador de calor. a partir da qual eram gerados 250 MW elétricos.Diagrama do reator FBR da usina nucleoelétrica Beloyarsky 3. o sódio que flui no circuito de refrigeração primário não pode passar fora da blindagem biológica. na França (233 MW elétricos). nos geradores de vapor era produzido vapor de água a uma pressão de 160 atm e a uma temperatura de 565 0C. Por fim. Atualmente há apenas três reatores nucleares de tipo FBR em operação no mundo: Beloyarsky 3.através da qual é formado o isótopo radioativo 24Na.02 horas e emite dois raios-gama de energia muito alta (1368. Um circuito secundário de sódio é então necessário para estabelecer a circulação de refrigerante entre o trocador de calor primário (localizado dentro da blindagem biológica.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 118 de 120 . no Japão (246 MW elétricos) e Phenix. mas separado do núcleo por uma blindagem para barrar nêutrons) e os geradores de vapor. 7 – Mecanismo de recarga do combustível. 6 – Coluna central contendo o mecanismo de acionamento das barras de controle. 3 – Motor elétrico. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . o sódio que fluía no circuito de refrigeração primário passava através dos subconjuntos combustíveis hexagonais contidos no núcleo. 4 – Tampão giratório. na Rússia (560 MW elétricos.9 keV) com intensidades absolutas de emissão elevadas (praticamente 100%). mostrando as partes componentes do mesmo: 1 – Envoltório do tanque. No trocador de calor primário. mostrado na figura 13). o sódio que fluía no circuito secundário era aquecido a uma temperatura de 590 0C. 8 – Núcleo do reator. No reator rápido PFR de Dounreay. Figura 13 . 2 – Bomba de refrigeração. Monju. Portanto. A potência térmica fornecida pelo reator totalizava 600 MW. ingressando nesta parte do reator com a temperatura de 430 0C e saindo dela com a temperatura de 595 0C. Este isótopo possui meia-vida de 15.5 keV e 2753. É importante destacar que o reator FBR denominado Superphenix 1 operou na França entre 1986 e 1998 gerando 1200 MW elétricos.

É provável que apenas em meados do presente século este tipo de reator passe a exercer um papel importante na geração nucleoelétrica mundial.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 119 de 120 . Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 .O custo muito alto e a existência de reservas abundantes de urânio com preços razoavelmente baixos são obstáculos atuais de ordem econômica que dificultam a utilização em larga escala dos reatores nucleares rápidos. talvez na condição de sucessor dos diversos reatores nucleares térmicos e antecessor dos reatores nucleares a fusão.

de Biasi. Edições Melhoramentos .FÍSICA DOS REATORES NUCLEARES 1) I. McGraw-Hill Book Company.Número 18. Plenum Press. A Energia Nuclear no Brasil. John Wiley & Sons Inc. Reactor Physics. 7) J. McGraw-Hill Kogakusha Ltd. N. Gaines. Nuclear Physics and Nuclear Reactors. R. J. 5) M. Biblioteca do Exército – Editora. Thomson. Reading (1977). Nuclear Energy. Mukhin.. Addison-Wesley Publishing Company Inc. São Paulo (1977).. F. Rio de Janeiro (1979). International Textbook Company. E. M. 5) K. Pergamon Press. Nuclear Reactor Analysis.TERMODINÂMICA E TRANSFERÊNCIA DE CALOR EM REATORES NUCLEARES 1) D. Zweifel. The Elements of Nuclear Power.Fundamentos de Tecnologia Nuclear − Reatores Página 120 de 120 . New York (1976). 4) JNDC Nuclear Data Library of Fission Products. J. Scranton (1971). R. Reading (1972). Moscow (1981). Lamarsh. Scranton (1971). Murray. International Textbook Company. Divisão de Ensino – Secretaria de Pós-Graduação TNR5764 . El-Wakil. J. L.. Oxford (1993). Bennet and J. Longman Scientific & Technical. El-Wakil. E. Nuclear Heat Transport. 2) I. New York (1982). R. Tokyo (1973). London (1989). 8) R. Moscow (1987). Japan Atomic Energy Research Institute – JAERI 1287. Experimental Nuclear Physics – Volume I – Physics of Atomic Nucleus. Moscow (1977). 6) J. 4) K. Longman Scientific & Technical. R. Meyerhof. Gladkov. I . J. Cameron. Mir Publishers.Série Prisma . Duderstadt and L. Nuclear Energy Conversion.REFERÊNCIIAS BIIBLIIOGRÁFIICAS REFERÊNC AS B BL OGRÁF CAS O presente roteiro de estudos foi elaborado mediante consulta das obras relacionadas a seguir. The Powerhouse of the Atom. III . 3) P. Addison-Wesley Publishing Company Inc. 6) R. Hamilton. 7) V.TIPOS DE REATORES NUCLEARES 1) D. Elements of Nuclear Physics. J. Introduction to Nuclear Reactor Theory. Mir Publishers. 2) M. Mir Publishers. 3) M. Bennet and J. Thomson. Tokai-mura – Naka-gun – Ibaraki-ken (October/1983).. Nuclear Physics. Levin. Energia Atômica. New York (1989). Nuclear Fission Reactors. London (1989). 2) W. II . The Elements of Nuclear Power. M. Kaplan.