INSTITUTO DE MEDICINA INTEGRAL PROFESSOR FERNANDO FIGUEIRA ESCOLA POLITÉCNICA DE SAÚDE DO IMIP

MARIA CAROLINA LOPES GRANJA

MATERIAL DIDÁTICO - Psicologia -

CURSO DISCIPLINA CARGA HORÁRIA

TÉCNICO EM RADIOLOGIA PSICOLOGIA 20 h/a

CURSO DISCIPLINA CARGA HORÁRIA

TÉCNICO EM ENFERMAGEM PSICOLOGIA 40 h/a

Competências e Habilidades  Situar o aluno em relação aos aspectos gerais e conceituais da Psicologia.

Conteúdo Programático I- Psicologia Geral: Estruturalismo Funcionalismo Behaviorismo Gestalt Psicanálise Humanismo

Caracterizar alguns processos psicológicos básicos, tais como: a percepção do corpo, da sociedade e da cultura.

II- Percepção  Situar o aluno nos conceitos de saúdedoença, diagnostico e tratamento, sob o olhar da Psicologia. Do Corpo Do Sujeito Da Sociedade e Cultura

III- Teoria Humanista  Identificar princípios éticos para um relacionamento saudável com os pacientes e no Exercitar a humanização no trabalho do técnico em radiologia no seu dia a dia. Conceito de Saúde Conceito de Diagnostico e Tratamento

METODOLOGIA
A metodologia tem como finalidade subsidiar os processos de desenvolvimento e de construção das competências indispensáveis à prática profissional. A abordagem didática voltada à construção dos conhecimentos é fundamentada através de:   Aulas expositivas; Aulas Práticas em laboratório técnico;

Exposição de filmes.

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM A verificação da aprendizagem será

contínua e cumulativa no processo ensinoaprendizagem através de: • Aplicação de testes; • Trabalho de grupo; •Desenvolvimento das

competências e habilidades nas atividades de laboratório.

Introdução ao estudante
Após alguma reflexão mais ou menos demorada você escolheu realizar um curso técnico na área de saúde. E eis que os seus planos começam a se tornar realidade. Nesta fase é normal ter dúvidas, sentir uma certa preocupação. E a curiosidade faz com que você busque novas informações e procure descobrir como será a sua realidade profissional. Quem atua profissionalmente no setor saúde deve estar apto a lidar com pessoas de todos os tipos, de todas as crenças, com todos os valores morais e com todo tipo de sofrimento (seja ele de ordem física ou mental). E este sofrimento causado pela doença tornase ainda mais intenso em virtude do processo de hospitalização, da distância da família e das atividades cotidianas, dos seus medos e inseguranças. Deste modo, é fundamental que você compreenda certos aspectos psicológicos envolvidos na saúde e no adoecimento, ampliando a visão de que somente o corpo sofre com a doença (ou de que somente o paciente sofre...). É preciso refletir sobre as relações humanas, sobre o papel da família e sobre os aspectos motivacionais que lhe ajudarão, futuro profissional, a conduzir os atendimentos da melhor maneira possível. Nestes casos, a Psicologia tem muito a contribuir, fornecendo subsídios à compreensão da subjetividade humana e dos processos de construção de significados. Além disso, os estudos em Psicologia podem ajudar a se conhecer melhor e a encontrar novas formas de lidar com a dor e o sofrimento (tanto os seus quanto os dos pacientes com os quais se encontrará), para que suas práticas reflitam verdadeiramente a intenção de promover o cuidado, e não a simples adoção de certas medidas técnicas. Com esta apostila, esperamos que você encontre pelo menos algumas das respostas que procura no que tange à ciência psicológica, refletindo sempre sobre as implicações práticas destes pressupostos teóricos. Lembre-se: o aluno que você é hoje diz muito sobre o profissional que você será em breve. Então, não deixe de buscar, de investigar, de questionar, de refletir e acima de tudo, de apostar em uma forma mais humana e solidária de atuar como técnico na área de saúde.

Bons estudos!

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Sumário
CAPÍTULO 1: Introdução ao estudo da Psicologia 5

1.1. Psicologia: uma forma de conhecer o mundo ............................................................... 5 1.2. Os tipos de conhecimento ............................................................................................ 6 1.3. Um breve histórico ...................................................................................................... 7 1.4. A Psicologia como ciência ........................................................................................... 7 1.4.1. Funcionalismo ..................................................................................................... 8 1.4.2. Estruturalismo ..................................................................................................... 8 Para aprofundar a discussão: Nativismo versus empirismo ......................................... 9 CAPÍTULO 2: Teorias da Personalidade 10

2.1. O que é personalidade? .............................................................................................. 10 2.2. Psicanálise ................................................................................................................. 11 2.2.1. A teoria topográfica ........................................................................................... 11 2.2.2. A teoria estrutural.............................................................................................. 12 2.3. Behaviorismo ............................................................................................................ 13 2.4. Teorias humanistas .................................................................................................... 14 Para aprofundar a discussão: Os mecanismos de defesa ........................................... 15 CAPÍTULO 3: Afetividade e percepção 16

3.1. A vida afetiva ............................................................................................................ 16 3.1.1. Os afetos ........................................................................................................... 16 3.1.2. As emoções ....................................................................................................... 17 3.1.3. Os sentimentos .................................................................................................. 17 3.2. Percepção .................................................................................................................. 17 3.2.1. Percepção de corpo, de si e de sociedade ........................................................... 18 3.3. Relações entre afetividade e percepção ...................................................................... 20 Para aprofundar a discussão: Afetividade e sexualidade ........................................... 21 CAPÍTULO 4: Desenvolvimento humano 22

4.1. Por que mudamos?..................................................................................................... 22 4.1.1. Mudanças referentes à idade .............................................................................. 22 4.1.2. Mudanças com causas culturais ......................................................................... 23 4.1.3. Mudanças singulares não partilhadas ................................................................. 23
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4.2. As fases do desenvolvimento ..................................................................................... 23 4.2.1. A teoria dos estágios de Jean Piaget................................................................... 24 Para aprofundar a discussão: As fases psicossexuais do desenvolvimento ................. 26 CAPÍTULO 5: Relações humanas 27

5.1. A vida em grupo ........................................................................................................ 27 5.2. Líder e liderança ........................................................................................................ 28 5.3. Motivação .................................................................................................................. 29 5.4. A comunicação interpessoal ....................................................................................... 30 Para aprofundar a discussão: Sobre a ética e o sigilo profissional ............................ 32 CAPÍTULO 6: Reflexões sobre a normalidade 33

6.1. Conversando sobre a normalidade .............................................................................. 33 6.2. Loucura e estigma ...................................................................................................... 35 Para aprofundar a discussão: A reforma psiquiátrica ............................................... 37 CAPÍTULO 7: Sobre o adoecimento e a morte 38

7.1. Diagnóstico e tratamento ........................................................................................... 38 7.2. Implicações psicológicas do adoecimento .................................................................. 39 7.3. Enfrentando a morte .................................................................................................. 40 Para aprofundar a discussão: A notícia .................................................................... 43 CAPÍTULO 8: Humanização e cuidado 44

8.1. Humanizar é preciso .................................................................................................. 44 8.2. Humanização e cuidado ............................................................................................. 46 8.3. Cuidar de si para cuidar do outro ............................................................................... 46 Para aprofundar a discussão: Como ser um profissional humanizado? ..................... 48 Referências Bibliográficas ................................................................................................. 49

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Introdução ao estudo da Psicologia

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Fonte: a autora

Para início de conversa...
- Qual a importância da construção do conhecimento para o ser humano? - Como você definiria a Psicologia? - De que modo a Psicologia pode ajudar na sua prática profissional?

1.1. Psicologia: uma forma de conhecer o mundo
Você já percebeu que o ser humano sempre busca explicar e compreender os fenômenos que acontecem a sua volta? Isso ocorre porque a construção do conhecimento é um processo indispensável à adaptação do indivíduo, já que é preciso conhecer o mundo para que se possa agir efetivamente nele3. As pessoas não buscam apenas compreender os fenômenos que ocorrem no mundo exterior. Ao contrário, muitos fenômenos que se passam dentro delas também são alvo de dúvidas e questionamentos. Por isso há atualmente tantas ciências preocupadas em estudar o próprio ser humano, como é o caso da Psicologia, da Medicina, da Enfermagem, da Nutrição, da Antropologia etc., para não citar todas.
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Acontece que muitos dos conhecimentos que adotamos em nosso dia-a-dia provêm não dos livros e artigos científicos, e sim das práticas cotidianas. Esse tipo de conhecimento é denominado conhecimento do senso comum. Conhecimento do senso comum: conhecimento intuitivo e espontâneo gerado nas práticas cotidianas, baseado em tentativas e erros2. Muitos dos conhecimentos originalmente produzidos pela ciência são, pouco a pouco, integrados ao conhecimento do senso comum construído por uma determinada sociedade2. É por isso que não é raro ouvirmos frases como “aquela menina é histérica” ou “aquele comportamento foi inconsciente”. Como é possível observar, muitos conceitos psicológicos acabam sendo utilizados por pessoas comuns na tentativa de explicar certos comportamentos humanos ou aspectos relacionados ao funcionamento mental. Devido a esse processo de apropriação do conhecimento científico pelo senso comum, o termo psicologia é utilizado com os sentidos mais variados2. Embora estes sentidos diversos nem sempre estejam comprometidos com a visão científica, há de se ressaltar que se trata de uma fonte de conhecimento que responde à finalidade de explicar os fenômenos do mundo. No entanto, um ponto merece atenção. Não podemos afirmar que a psicologia do senso comum corresponda àquela adotada pelos psicólogos em sua prática profissional. Assim, é importante que você esteja atento às suas próprias “teorias” psicológicas aprendidas no cotidiano, pois estas não serão necessariamente as mesmas estudadas nesta apostila. Além do conhecimento do senso comum e do conhecimento científico, os seres humanos encontraram outras formas de explicar os fenômenos do mundo em que vivem. Esse será o tema do nosso próximo tópico de discussão. Vamos lá?

1.2. Os tipos de conhecimento
Anteriormente, falamos sobre o conhecimento do senso comum, uma forma de conhecimento que se origina no cotidiano e que se constitui a partir da tradição (formas de refletir e agir sobre o mundo que passam de geração em geração), tornado-se hábito2. Além dele, podemos falar em outros modos de conhecer e explicar o mundo, os quais aparecem a seguir: a) conhecimento filosófico: conjunto de pensamentos sobre a origem e o significado da existência humana; b) conhecimento religioso: corpo de conhecimentos procupado com a origem do homem, sua ligação com a divindade e seus princípios morais; c) conhecimento artístico: expressão da sensibilidade e das emoções humanas. A Psicologia que estudaremos nesta apostila trata-se de um conhecimento científico, que nada mais é do que uma das muitas possibilidades de conhecimento humano. Esta Psicologia obedece a critérios precisos e rigorosos – como todas as ciências – que serão explorados, pouco a pouco, ao longos deste capítulo.
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Conhecimento científico: conjunto de conhecimentos sobre um determinado aspecto da realidade (objeto de estudo), expresso por meio de uma linguagem precisa e rigorosa. Caracteriza-se por possuir métodos e técnicas específicas, processo cumulativo de conhecimento e objetividade2. O que você faz quando quer conhecer melhor uma determinada pessoa? Provavelmente você procura saber seu nome, idade, quem são seus pais, onde mora... Enfim, você procura buscar informações sobre a história de vida dessa pessoa, certo? Pois bem. Faremos o mesmo em relação à Psicologia científica.

1.3. Um breve histórico
As raízes da Psicologia (termo etimologicamente derivado de psyché, que significa alma e logos, que significa razão 2) podem ser encontradas nos grandes filósofos da Grécia Antiga. Os mais famosos entre eles, Sócrates, Platão e Aristóteles, fizeram perguntas fundamentais sobre a vida mental: “o que é a consciência? As pessoas são intrinsecamente racionais ou irracionais? Existe realmente livre-arbítrio?”1. Psicologia: termo etimologicamente derivado de psyché, que significa alma e logos, que significa razão. Além das questões relacionadas à vida mental, os aspectos fisiológicos do corpo e o comportamento humano também geraram profundo interesse dentre os antigos filósofos, impactando profundamente nas origens da Psicologia enquanto ciência1. Embora filósofos e estudiosos continuassem interessados no funcionamento tanto da mente quanto do corpo ao longo dos séculos, geralmente considera-se que a Psicologia científica começou em 1879, quando Wilhelm Wundt montou o primeiro laboratório de Psicologia na Alemanha. Wundt acreditava que a mente e o comportamento poderiam ser tratados como objeto de análise científica. A forma encontrada por este autor para estudar as questões psicológicas foi associá-las aos sentidos, em especial à visão1.

1.4. A Psicologia como ciência
Conforme dito anteriormente, a Psicologia adquire valor científico à medida que se distancia da Filosofia, que influenciou profundamente a sua construção. Na condição de ciência, os estudiosos dos fenômenos psicológicos tiveram que padronizar a produção de conhecimento, definir seu objeto de estudo, diferenciá-la de outras ciências buscando um campo de estudo próprio, e construir métodos e teorias adequados à nova ciência 2. De forma bastante geral, podemos definir a Psicologia como a ciência que investiga questões relacionadas ao comportamento humano e aos processos mentais1. No entanto, esta definição está longe de ser aceita em todas as áreas desta ciência tão complexa.

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Psicologia: ciência que estuda o comportamento humano e os processos mentais. Embora a Psicologia científica tenha nascido na Alemanha, foi nos Estados Unidos que ela encontrou campo para um rápido crescimento. Ali surgiram as primeiras abordagens ou escolas em Psicologia, que deram origem às inúmeras teorias psicológicas existentes na atualidade. São elas: o Funcionalismo, o Estruturalismo e o Associacionismo 2. 1.4.1. Funcionalismo O Funcionalismo foi fundado por William James com o objetivo de responder a questões como “o que fazem os homens?” e “por que o fazem?”. Para atingir este objetivo, a consciência foi eleita como objeto de estudo, estando os funcionalistas comprometidos em investigar como ela é utilizada pelos homens para se adaptarem ao meio em que vivem2. 1.4.2. Estruturalismo O Estruturalismo , fundado por Edward Titchner, investigava a consciência humana através de seus aspectos estruturais. Ou seja, investigava-se os estados elementares da consciência como estruturas do sistemas nervoso central2. 1.4.3. Associacionismo O primeiro representante do associacionismo foi Edward. L. Torndike. O termo associacionismo originou-se da concepção de que a aprendizagem se dá por um processo de associação das ideias – das mais simples às mais complexas. Assim, para aprender um conteúdo complexo, a pessoa precisaria primeiro aprender as ideias mais simples que estariam associadas àquele conteúdo2.

Referências
1. Attkinson, R. L., Smith, E. E., Bem, D, J., Nolen-Hoeksema, S. & Smith, C. D. (2002). Introdução à Psicologia de Hilgard. 13 ed. (D. Bueno trad.). São Paulo: Artmed. 2. Bock, A. M. B., Furtado, O., & Teixeira, M. D. T. (2002). Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. 13 ed. reform. e ampl. São Paulo: Saraiva. 3. Granja, M. C. L. (2012). O mundo econômico da criança: uma investigação psicológica sobre o dinheiro. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Psicologia Cognitiva, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE.

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PARA APROFUNDAR A DISCUSSÃO...

Nativismo versus empirismo Um dos debates mais antigos sobre a psicologia humana ainda continua acirrado na atualidade. Ele gira em torno da questão de as capacidades humanas serem inatas ou adquiridas através da experiência. A concepção nativista afirma que os seres humanos vêm ao mundo com um suprimento inato de conhecimento e entendimento da realidade. Os primeiros filósofos acreditavam que este conhecimento e entendimento poderiam ser acessados por meio de cuidadoso raciocínio e introspecção. No século XVII, Descartes apoiou a visão nativista argumentando que algumas ideias (tais como Deus, o eu, axiomas geométricos, perfeição e eternidade) são inatas. Descartes também é notável por sua concepção do corpo como uma máquina que pode ser estudada do mesmo modo que estudamos outras. [...] A concepção empirista afirma que o conhecimento é adquirido pelas experiências e interações com o mundo. Embora alguns dos antigos filósofos gregos apoiassem esta visão, ela é mais fortemente associada ao filósofo inglês do século XVII John Locke. Segundo Locke, ao nascer, a mente humana é uma tábula rasa, ou lousa vazia, na qual a experiência “escreve” o conhecimento e o entendimento à medida que o indivíduo amadurece. Esta perspectiva deu origem à psicologia associacionista. [...] Na atualidade, o debate entre nativismo e empirismo é mencionado como debate natureza-experiência. Embora alguns psicólogos ainda argumentem que o pensamento e o comportamento humanos resultam da biologia ou primordialmente da experiência, a maioria dos psicólogos adota uma perspectiva mais integrada, reconhecendo que os processos biológicos (como a hereditariedade ou os processos cebebrais) influenciam os pensamentos, os sentimentos e o comportamento, mas que a experiência também deixa sua marca neles.[...]
Referência: Attkinson, R. L., Smith, E. E., Bem, D, J., Nolen-Hoeksema, S. & Smith, C. D. (2002). Introdução à Psicologia de Hilgard. 13 ed. (D. Bueno trad.). São Paulo: Artmed. (adaptado).

Questões
1. O que é o conhecimento do senso comum? 2. Quais são as características do conhecimento científico? 3. De que tipo de conhecimento se trata a Psicologia dos psicólogos? 4. Defina a Psicologia. 5. Quais foram as primeiras abordagens da Psicologia científica? 6. Qual a diferença entre o nativismo e o empirismo?

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Teorias da Personalidade

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Fonte: imagem capturada na internet1.

Para início de conversa
- Em sua opinião, o que é personalidade? - O que explica o fato de as pessoas serem tão diferentes entre si?

2.1. O que é personalidade?
Você certamente já ouviu falar sobre “personalidade”, não é? É comum ouvirmos frases como “eu tenho uma personalidade forte” ou “aquele homem não tem personalidade”. Agora que já sabemos que alguns conhecimentos científicos são “emprestados” ao senso comum, nem sempre da forma mais apropriada, podemos refletir sobre a seguinte questão: Será que essas frases revelam a concepção de personalidade tal qual faz a Psicologia? A resposta é não. Isso porque todos temos personalidade. Mesmo aquelas pessoas que são mais calmas e que falam menos. Desta forma, para a Psicologia não existe personalidade forte ou fraca, e nem mesmo personalidade boa ou má. O termo personalidade refere-se àqueles padrões relativamente consistentes e duradouros de percepção, pensamentos, sentimentos e comportamento que dão às pessoas identidades distintas.
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Personalidade: padrões distintivos e característicos de pensamentos, emoções e comportamentos que definem o estilo pessoal de interação de uma pessoa com o ambiente físico e social2. Se, por um lado, a Biologia é capaz de explicar com bastante precisão o que temos em comum com os demais entes da nossa espécie, explicar as diferenças individuais tem sido uma tarefa árdua para diversas ciências, inclusive para a Psicologia. Por conta disso, muitos autores desta área buscaram – e continuam buscando – explicar o fenômeno da personalidade. Algumas das teorias da personalidade ganharam destaque na ciência psicológica por seu poder explicativo. Três delas serão abordadas a seguir.

2.2. Psicanálise
Sigmund Freud nasceu em maio de 1856 no país que atualmente é conhecido como República Tcheca. Tendo se formado em medicina e se especializado em psiquiatria, interessou-se pelos estudos sobre a histeria formulando ao longo de toda a sua vida um corpo teórico denominado Psicanálise4. Através dos atendimentos clínicos que prestava aos pacientes (e também de sua autoanálise), Freud percebeu que cada pensamento, cada memória revivida, sentimento ou ação possui uma causa. Ou seja, segundo ele, os processos mentais (sejam eles conscientes ou não) são determinados pelos fatos que o antecederam. Além disso, Freud defendia que o corpo era a fonte básica de toda energia mental4, dando mais ênfase aos eventos biológicos do que aos eventos ambientais na constituição da personalidade2. A a obra freudiana foi marcada por duas grandes formulações teóricas: a teoria topográfica e a teoria estrutural da mente. 2.2.1. A teoria topográfica A premissa inicial de Freud era que havia conexões entre todos os eventos mentais (determinismo psíquico). Quando um pensamento ou sentimento parece não estar relacionado aos pensamentos e sentimentos que o precederam, as conexões estão no inconsciente. Uma vez que estes elos inconscientes são descobertos, então a aparente descontinuidade está resolvida4. A teoria topográfica do aparelho mental, conforme formulada por Freud, considera que o psiquismo é formado por três elementos, a saber: a) o consciente: é somente uma pequena parte da mente e inclui tudo do que estamos cientes em um dado momento4. Por exemplo, agora você sabe que está lendo esta apostila. Portanto, o ato de ler é consciente. b) o incosnciente: nele estão os elementos que nunca foram conscientes e que não são acessíveis à consciência. Além disso, há material que foi excluído da consciência, censurado
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ou reprimido (ver boxe no final do capítulo). Este material não é esquecido ou perdido, mas não lhe é permitido ser lembrado. O pensamento ou a memória ainda afetam a consciência, mas apenas indiretamente4. Um exemplo disso são certos sentimentos ou características que temos em nós que, por serem inaceitáveis (como sentir raiva do filho ou desejar que alguém querido morra), nós não percebemos ou negamos. c) o pré-consciente: é uma parte do consciente, mas uma parte que pode tornar-se consciente com facilidade4. As porções de memória que são acessíveis fazem parte do pré-consciente. São exemplos disso o seu número de CPF ou o telefone de sua casa. Você provavelmente não estava pensando neles até ler esta parte do texto. Porém, se desejar, poderá trazer tais informações facilmente à consciência. As constantes críticas quanto à incapacidade da teoria topográgica responder questões cruciais sobre os conflitos psíquicos levaram Freud a abandoná-la e a desenvolver uma segunda teoria do aparelho mental. 2.2.2. A teoria estrutural Ao reformular certos conceitos de sua teoria, Freud defendeu que o aparelho psíquico possuía três estruturas básicas (daí o nome desta teoria), sendo elas o id, o ego e o superego 4. a) o id: é o reservatório de energia de toda a personalidade, sendo a estrutura original, básica, central. O id é atemporal (ou seja, não comporta a noção de passado, presente ou futuro), sendo regido pelo princípio do prazer. Os instintos localizam-se aí. b) o ego: é a parte do aparelho psíquico que está em contato com a realidade externa. Tem a tarefa de garantir a saúde, a segurança e a sanidade da personalidade, ao mesmo tempo atendendo e aplacando as constantes exigências do id. O ego controla os impulsos do id de modo que o indivíduo possa buscar soluções menos imediatas e mais realistas. Por exemplo: se você sentir fome enquanto estiver realizando uma atividade para a nota, provavelmente irá concluir a tarefa para depois buscar alimento. O id exige que o ego busque alguma solução imediata para o desprazer sentido, enquanto o ego procura a melhor maneira de fazê-lo. c) o superego: este atua como um juiz sobre as atividades e pensamentos do ego, já que se constitui como depósito de códigos morais e modelos de conduta aprendidos socialmente. Por exemplo, você vem sempre vestido às aulas porque seu supergego indica que esta norma social deve ser cumprida.

Bem, há outras teorias da personalidade bastante difundidas na Psicologia. Uma delas, o behaviorismo, é o nosso próximo assunto em discussão.

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2.3. Behaviorismo
O termo Behaviorismo foi inaugurado pelo americano Jonhn Watson em 1913. A palavra inglesa behavior significa comportamento, que inicialmente era considerado por essa abordagem como objeto de estudo da Psicologia3. Postulando o comportamento como objeto da Psicologia, Watson deu a esta ciência a consistência que os psicólogos da época vinham buscando – um objeto observável, mensurável, cujos experimentos poderiam ser reproduzidos em diferentes condições e sujeitos. Essas características foram importantes para que a Psicologia alcançasse o status de ciência, rompendo definitivamente com a sua tradição filosófica 3. Em contraste com a Psicanálise, a abordagem behaviorista enfatiza a importância dos determinantes ambientais ou situacionais do comportamento. Nesta concepção, o comportamento é o resultado da contínua interação entre as variáveis pessoais e ambientais 2. Os psicólogos behavioristas utilizam os termos “resposta” e estímulo” para se referirem àquilo que o organismo faz e às variáveis ambientais que interagem com o sujeito 3. O mais importante dos behavioristas que sucedeu Watson foi B. F. Skinner. Este contribuiu profundamente para a construção de conceitos-chave como: a) comportamento respondente (ou reflexo): são interações estímulo-resposta incondicionadas, nas quais certos eventos ambientais produzem certas respostas do organismo, independente de aprendizagem. Exemplo: dilatar a pupila em ambientes escuros. b) comportamento operante: comportamentos que dependem da aprendizagem e que visam à satisfação de alguma necessidade. Exemplo: tocar algum instrumento musical. c) reforço positivo: evento que aumenta as chances de uma determinada resposta acontecer. Exemplo: receber elogios aumenta a probabilidade da pessoa agir de modo a receber novos elogios. d) reforço negativo: evento que aumenta as chances de uma determinada resposta que o remova. Exemplo: sentir fome aumenta a probabilidade da pessoa comer para não mais sentir fome. e) punição: estímulo aversivo (indesejável) ou remoção de um reforçador positivo (retirada de algo desejável) com objetivo de modificar uma determinada resposta. Punir leva à supressão temporária da resposta sem, contudo, alterar a motivação. Exemplo: cortar a mesada do filho (remoção de um reforçador positivo) para que ele melhore as notas escolares. Tendo apresentado alguns conceitos principais da teoria behaviorista, será explorada a terceira grande tendência teórica que representa as perpectivas quanto à personalidade dentro da Psicologia. Trata-se, na verdade, de um grupo de teorias denominadas humanistas.

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2.4. Teorias humanistas
Durante a primeira metade do século XX, as abordagens psicanalítica e behaviorista eram dominantes na Psicologia. Em 1962, contudo, um grupo de psicólogos fundou a Associação de Psicologia Humanista. Eles viam o humanismo como a “terceira força” da Psicologia, uma alternativa às outras duas abordagens2. Dentre os teóricos humanistas, o que mais teve destaque pela sua obra foi Carl Rogers. Ele acreditava que as pessoas possuem uma tendência inata para o crescimento, maturidade e mudança positiva. Tal pressuposto foi denominado tendência de realização 2. Além da tendência de realização, outros conceitos fundamentais da teoria rogeriana (teoria proposta por Rogers) são: a) self: termo que designa o eu ou o auto-conceito. É formado pelo conjunto de ideias, valores e percepções do sujeito sobre si mesmo 2. b) self ideal: refere-se àquilo que cada um gostaria de ser. Assim, quanto mais próxima do self ideal, mais feliz e realizada será a pessoa2. c) empatia: uma das atitudes três atitudes que um terapeuta rogeriano deve adotar. Refere-se à tendência de se colocar no lugar do outro sem, no entanto, se confundir com o outro5. d) congruência: uma das atitudes três atitudes que um terapeuta rogeriano deve adotar. Estar congruente consigo mesmo é estar de acordo, estar harmônico. A harmonia implica um estar aberto aos próprios sentimentos, podendo escutá-los, elaborá-los e expressá-los5. e) consideração positiva incondicional: uma das atitudes três atitudes que um terapeuta rogeriano deve adotar. É a consideração e o respeito ao paciente por tudo o que ele é e escolhe, sem intenção de transformá-lo5.

Referências
1. Blog Voto e Marketing. Disponível em <http://votoemarketing.blogspot.com.br/2010/05/imagem-epersonalidade-na-politica.html>. Acesso em 10 jul 2012. 2. Attkinson, R. L., Smith, E. E., Bem, D, J., Nolen-Hoeksema, S. & Smith, C. D. (2002). Introdução à Psicologia de Hilgard. 13 ed. (D. Bueno trad.). São Paulo: Artmed. 3. Bock, A. M. B., Furtado, O. & Teixeira, M. D. T. (2002). Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. 13 ed. reform. e ampl. São Paulo: Saraiva. 4. Fadiman, J. & Frager, R. (1986). Teorias da Personalidade. Editora Harbra: São Paulo. 5. Jordão, M. P. (1987). Reflexões de um terapeuta sobre as atitudes básicas na relação Terapeuta-Cliente. Em: Rosenberg, R. L. Aconselhamento psicológico centrado na pessoa (45-52), vol. 21. São Paulo: E.P.U.

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PARA APROFUNDAR A DISCUSSÃO...

Os mecanismos de defesa Diante de situações dolorosas e angustiantes da vida, o ser humano pode optar por utilizar estratégias de enfrentamento focalizadas nas emoções. Freud utilizou o termo mecanismos de defesa para se referir às estratégias inconscientes que as pessoas usam para lidar com a ansiedade. Tais estratégias não alteram em nada a situação, apenas muda o modo como a pessoa percebe ou pensa sobre ela. Assim, todos os mecanismos de defesa envolvem um elemento de auto-engano. Todos usam mecanismos de defesa de vez em quando. Eles nos ajudam nos momentos difíceis até podermos lidar com as situações estressantes de maneira mais direta. Os mecanismos de defesa só causam inadaptação quando se tornam o modo dominante de responder aos problemas.[...] São exemplos de mecanismos de defesa a repressão (através dela, memórias ou impulsos perigosos ou dolorosos são excluídos da consciência), a racionalização (não significa agir “racionalmente” como o nome pode sugerir, mas sim a atribuição de motivos lógicos ou socialmente desejáveis ao que fazemos de modo a parecermos ter agido racionalmente), a projeção (tal mecanismo nos protege do reconhecimento de nossas próprias qualidades indesejáveis atribuindo-as aos outros de maneira exagerada), a intelectualização (é a tentativa de se desvencilhar de uma situação estressante lidando com ela de maneira abstrata e intelectual), a negação (ocorre quando o sujeito nega a existência de um fato indesejável) e o deslocamento (ocorre quando um motivo que não pode ser gratificado de uma maneira é satisfeito de outro modo).
Referência: Attkinson, R. L., Smith, E. E., Bem, D, J., Nolen-Hoeksema, S. & Smith, C. D. (2002). Introdução à Psicologia de Hilgard. 13 ed. (D. Bueno trad.). São Paulo: Artmed. pp. 534-537.

Questões
1. O que é personalidade? 2. Explique os principais conceitos da Psicanálise. Faça o mesmo para o Behaviorismo e para a teoria de Carl Rogers. 3. Qual a concepção de homem da psicanálise? E do behaviorismo? E de Rogers? 4. O que são mecanismos de defesa? Dê exemplos.

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Afetividade e percepção

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Fonte: imagem capturada na internet1

Para início de conversa...
- Qual a importância da nossa vida afetiva? - Você já notou que tudo parece dar errado quando estamos de mau humor?

3.1. A vida afetiva
A vida afetiva é um tema que interessa profundamente aos psicólogos, pois ela é um componente da nossa subjetividade. Por isso, a vida afetiva fala muito sobre o indivíduo e sobre sua forma de ser e estar no mundo. Atualmente, utilizam-se alguns termos específicos (comumente usados pelas pessoas como se fossem sinônimos) para diferenciar algumas nuances – por vezes muito sutis – da afetividade humana. É o que veremos agora. 3.1.1. Os afetos Nossa vida afetiva é constituída por dois afetos básicos: o amor e o ódio. Entre estes dois extremos, é possível que experienciemos alguns afetos intermediários, às vezes bastante difíceis de compreender e expressar. Isso porque, embora os afetos sejam comunicáveis (isto
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é, podemos nos utilizar da linguagem para expressá-los a outras pessoas), muitas vezes eles parecem enigmáticos para aqueles que os sentem. Outras vezes podem parecer mesmo enigmáticos àqueles que nos observam e tentam inferir o que estamos sentindo 2. Os afetos podem ser produzidos tanto por estímulos internos (e.g., uma lembrança desagradável) quanto externos ao indivíduo (e.g., as relações sociais). Nós vivenciamos nossos estados afetivos através de emoções e sentimentos2. 3.1.2. As emoções As emoções podem ser definidas como expressões afetivas rápidas e intensas, as quais geralmente causam fortes reações orgânicas, como a aceleração dos batimentos cardíacos, o tremor, o riso, o choro e as lágrimas. Tais reações são denominadas descargas emocionais, que funcionam para diminuir o estado de tensão do organismo 2. São exemplos de emoções a surpresa, a raiva, o nojo, o medo, a vergonha, a tristeza, o desprezo, a alegria, a paixão, a atração física. Elas podem ser conscientes ou não, sendo mais ou menos aceitas socialmente por questões culturais. Como você deve saber, na nossa sociedade é comum ouvirmos frases como “homem não chora”, numa clara repreensão à expressão da tristeza – às vezes interpretada como “fraqueza” – pelo homem2. Durante a prática profissional, é comum nos depararmos com situações nas quais as emoções afloram, às vezes dificultando o trabalho. Já imaginou ter uma crise de riso durante um atendimento? E cair no choro por notar o sofrimento de algum paciente? Embora as situações profissionais exijam uma postura adequada, não há motivos para esconder as nossas emoções. O importante é, de acordo com as próprias possibilidades e situações, lidar com elas de modo natural, buscando sempre estar ciente de suas experiências afetivas. 3.1.3. Os sentimentos Ao contrário das emoções, os sentimentos caracterizam-se por serem menos intensos e mais duradouros, não sendo acompanhados por fortes reações orgânicas. São exemplos de sentimentos a ternura, a amizade, a cumplicidade e o respeito 2. As emoções e os sentimentos possuem importante função adaptativa, pois que participam ativamente da percepção que temos de nós mesmos, dos outros e das experiências vividas. Através deles avaliamos situações vividas e planejamos o modo como iremos agir 2. Assim, podemos afirmar que há uma estreita relação entre os afetos e a percepção.

3.2. Percepção
Antes mesmo de a Psicologia se tornar uma ciência, importantes filósofos gregos buscavam compreender a relação do homem com o mundo através da percepção. E mesmo as origens da Psicologia científica foram profundamente marcadas pelos estudos em Psicofísica, uma área da nova ciência que investigava a relação entre os estímulos sensoriais e a percepção que as pessoas tinham deles2.
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Não é sem motivo que uma importante teoria psicológica, a Gestalt, tenha se originado a partir de estudos sobre os fenômenos perceptuais. Gestalt é um termo alemão que não encontra correspondente na língua portuguesa. Uma tradução próxima é “forma” ou “configuração”. Por este motivo tal teoria ficou conhecida também como Psicologia da forma. Max Wertheimer, Wolfgang Köhler e Kurt Kofka realizaram estudos psicofísicos relacionando a forma à sua percepção. O objetivo destes gestaltistas era compreender que processos psicológicos atuariam em fenômenos como a ilusão de ótica, situação na qual o indivíduo percebe uma forma diferentemente daquilo que ela é de fato 2. Os teóricos da Gestalt criticavam o Behaviorismo (ver Capítulo 2) por acreditarem que entre o estímulo oferecido pelo meio e a resposta apresentada pelo indivíduo (modelo estímulo-resposta) havia o processo de percepção (modelo estímulo-percepção-resposta). Assim, afirmava-se que a compreensão do comportamento humano depende da compreensão do que o indivíduo percebe e de como este indivíduo percebe2. Alguns conceitos importantes da teoria da Gestalt são 2: a) importância do contexto: para os gestaltistas, o comportamento humano só poderia ser bem compreendidos se situado contextualmente. b) a boa forma: diz respeito ao modo como percebemos os estímulos do mundo. Quanto mais próxima a nossa percepção estiver do estímulo real, mais próximos estaremos da boa forma. c) figura e fundo: noção que explica a relação entre o que percebemos (figura) e o seu contexto (fundo). Por exemplo, olhando a figura ao lado, os elementos que você destaca perceptualmente compõem a figura. O restante compõe o fundo. d) campo psicológico: pode ser definido como um campo de força que nos leva a buscar a boa forma (ou a melhor percepção possível) em situações cujos estímulos pareçam ambíguos. Muitas ideias de teoria da Gestalt foram aproveitadas por diversas outras teorias psicológicas, sendo utilizadas inclusive em abordagens clínicas. Sem dúvida, tais ideias ajudam a compreender uma vasta gama de fenômenos humanos, servindo como importante base para refletirmos sobre como percebemos a nós mesmos e aos outros. 3.2.1. Percepção de corpo, de si e de sociedade Nós nos apresentamos no mundo através do nosso corpo. É através dele que percebemos o ambiente, as outras pessoas, a cultura. Como seres carnais que atendem necessidades de alimentação, de sexualidade e da manutenção da saúde, nosso corpo revela-se ao mesmo tempo nas dimensões física e simbólica3. Isso quer dizer que tanto a existência do corpo físico em si quanto os significados

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que atribuímos a ele fazem parte do que somos. Assim, o modo como percebemos o nosso corpo influencia profundamente o modo como nos percebemos. Cada pessoa tem uma relação particular com o seu próprio corpo. Embora ele seja a sede de todas as experiências individuais, muitas vezes suas condições orgânicas não são aceitas. Isso pode ocorrer devido às doenças, à idade ou mesmo a não aceitação de certas características estéticas que são ditadas socialmente. Em vista disso, para algumas pessoas o seu próprio corpo acaba sendo percebido como um fardo 3. A percepção é um fenômeno que se inicia com os estímulos sensoriais (apreendidos por órgãos dos sentidos tais quais a pele, os olhos e os ouvidos) e que termina com a atribuição de significados. Por exemplo, ao vermos um estranho vindo em nossa direção enquanto caminhamos por um rua escura, é provável que interpretemos a situação como ameaçadora. Ou seja, a percepção envolve mais do que elementos puramente sensoriais, englobando também questões relacionadas ao significado e à cultura. Percepção: fenômeno psicológico que se inicia com a recepção de estímulos sensoriais e que envolve a atribuição de significados. Para ilustrar esta definição de percepção, podemos utilizar a ideia de sede. Não é somente a sensação de sede (necessidade fisiológica) que nos faz buscar algo para beber, é também a consciência de que nos falta algo. Ou seja, o significado que atribuímos à sede3. Todos nós existimos no mundo enquanto ser carnal cercado por outros seres também carnais. E a identidade de cada um se constrói a partir das relações estabelecidas consigo mesmo e com os outros. Todas essas relações dependem e passam necessariamente pelo corpo, sendo este simultaneamente o que a pessoa é e o que a pessoa possui3. Nesse contexto, cabe também refletir sobre o papel da cultura no modo como percebemos o nosso corpo. A título de exemplo, podemos falar em uma tendência bastante presente em nossa sociedade: a valorização de corpos magros e esbeltos. Esse aspecto cultural acaba por influenciar o modo como percebemos a nós mesmos e aos outros. Não é a a imagem da pessoa em si que importa, e sim o significado que damos aos contornos corporais. Ou seja, uma pessoa acima do peso pode ser vista como alguém preguiçoso ou sem força de vontade enquanto uma pessoa com corpo torneado é símbolo de esforço, felicidade e beleza. Essa constante busca por corpos magros e esbeltos (uma questão notadamente cultural) tem contribuído para a crescente ocorrência de certos transtornos psiquiátricos conhecidos como Transtornos Relacionados à Imagem Corporal. São transtornos nos quais as pessoas passam a dedicar demasiada atenção e esforço para atingir um certo padrão estético de magreza e “beleza” por acreditarem (devido a uma percepção distorcida do seu corpo) que encontram-se fora de tal padrão. Alguns exemplos são a anorexia, a bulimia e a vigorexia. Transtornos Relacionados à Imagem Corporal: transtornos psiquiátricos nos quais a pessoa dedica demasiada atenção e esforço (e.g., deixar de comer ou provocar o vômito) para atingir um certo padrão estético corporal. A percepção da sua imagem corporal é distorcida.

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Para encerrar essa discussão sobre a percepção, cabe destacar um ponto de extrema importância. É fundamental que prestemos atenção aos sinais que o nosso corpo nos dá, pois eles informam os nossos estados afetivos (sabe aquela dor de coluna que não passa?) e nos alertam para a necessidade de nos cuidarmos melhor. É comum, por exemplo, o corpo apresentar desajustes em seu funcionamento como reflexo de problemáticas psicológicas não resolvidas. São as chamadas doenças psicossomáticas, cujos exemplos mais clássicos são a gastrite, a asma, a hipertensão arterial, a taquicardia, a herpes, a urticária e a enxaqueca. Doenças psicossomáticas: são doenças resultantes de causas psicológicas e cujos sintomas são expressos no corpo. Nas doenças psicossomáticas o sofrimento corporal é real, não devendo ser considerado como secundário ou menos importante. O tratamento das doenças psicossomáticas demanda uma abordagem de trabalho multidisciplinar, já que tanto o corpo quanto a mente deverão ser cuidados.

3.3. Relações entre afetividade e percepção
Você já deve ter percebido o quão estreita é a relação entre nossos estados afetivos e a nossa percepção. Utilizando como exemplo a pergunta do início do capítulo (“você já notou que tudo parece dar errado quando estamos de mau humor?”), podemos constatar que, além dos aspectos culturais, a nossa percepção é fortemente influenciada por nossos estados afetivos. Será que o mundo decide conspirar contra nós quando estamos com algum problema ou é o nosso mau humor que faz com que tudo nos pareça aborrecedor? No outro extremo, quantas vezes passamos por situações que deveriam nos deixar chateados e nós (pelo bom humor que experimentamos) não nos importamos? Assim, na condução das relações humanas é fundamental que o profissional de saúde leve em conta os aspectos perceptuais (incluindo aí a atribuição de significados) e afetivos para melhor atender o paciente em suas necessidades existenciais.

Referências
1. Site Reinaldo Ribeiro. Disponível em < http://www.reinaldoribeiro.net/>. Acesso em 10 jul 2012. 2. Bock, A. M. B., Furtado, O. & Teixeira, M. D. T. (2002). Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. 13 ed. reform. e ampl. São Paulo: Saraiva. 3. Marzano-Parisoli, M. M. (2004). Pensar o corpo. (L. M. E. Orth trad.). Petrópolis: Vozes.

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PARA APROFUNDAR A DISCUSSÃO... Afetividade e sexualidade

A Psicologia já sabe há um bom tempo que a questão sexual, pelos aspectos morais a ela vinculados, é fonte de angústia para o jovem que se inicia nesses segredos. Mas não é somente o jovem que sofre angústia com a sexualidade; o adulto e o velho também. Procurando o caminho para aplacar essa angústia, nossa ciência tem tentado superar o moralismo que envolve o tema (nem sempre com sucesso) e procurado descobrir as fontes e os caminhos da sexualidade. Muitas áreas, além da Psicologia, tratam da sexualidade humana: a Biologia e a Medicina dão conta dos seus aspectos anatômicos e fisiológicos; a Antropologia estuda sua evolução cultural; e a Sociologia e a História mostram-nos a gênese da repressão do comportamento sexual. Hoje também encontramos uma área específica de estudos da sexualidade, que procura englobar diferentes áreas do conhecimento, conhecida como Sexologia. Como a questão sexual envolve muitas disciplinas, a Psicologia poderá responder só em parte às questões colocadas anteriormente. De acordo com a competência da Psicologia, poderemos dizer o que é prazer, que sentimentos vêm junto com a sexualidade e, mesmo, qual a diferença entre sexo e sexualidade.

Referência: Bock, A. M. B., Furtado, O. & Teixeira, M. D. T. (2002). Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. pp. 231.

Questões
1. Defina o que são afetos, emoções e sentimentos. 2. Qual o objeto de estudo da teoria da Gestalt? 3. Quais são os principais conceitos da Gestalt? 4. O que é percepção? 5. Qual a relação entre a afetividade e a percepção? 6. O que são doenças psicossomáticas? Dê exemplos. 7. Há relação entre afetividade e sexualidade?
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Desenvolvimento humano

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Fonte: imagem capturada na internet1

Para início de conversa...
- Você se percebe hoje como se percebia há dez anos atrás? O que mudou? - Qual ou quais são as causas destas mudanças?

4.1. Por que mudamos?
É muito comum as pessoas rirem de suas próprias fotos antigas ao perceberem o quanto eram diferentes no passado. Embora estejamos em constante processo de mudança, nem sempre nos damos conta disso, não é mesmo? Mas, por que mudamos? As mudanças pelas quais passamos durante todo o cliclo da vida são explicadas por muitos fatores, alguns individuais, alguns sociais, outros biológicos e outros ainda devido às experiências pessoais que vivenciamos. Vamos refletir mais sobre isso? 4.1.1. Mudanças referentes à idade Ao pensar no desenvolvimento humano, a maioria de nós atribui as mudanças ao aumento de idade, fato comprovado pelas observações corriqueiras que fazemos. As mudanças de idade se devem a três causas principais, a saber:
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a) Mudanças biologicamente influenciadas: tratam-se dos processos biológicos que envolvem crescimento e maturação do corpo. Um exemplo é o crescimento do cérebro nos primeiros anos de vida2. b) Experiências partilhadas: quando chegam a determinadas idades, as pessoas geralmente passam por experiências sociais comuns à população da mesma faixa etária. Isso faz com que uma sequência de experiências culturais partilhadas, como entrar na escola, gere alguns padrões de desenvolvimento bastante parecidos2. c) Mudanças psicológicas partilhadas: certas experiências sociais partilhadas fazem com que mudanças psicológicas ocorram em pessoas diferentes em uma idade aproximada. Por exemplo, tirar a carteira de habilitação aos dezoito anos faz com que uma parte representativa da população compartilhe a experiência de sentir-se mais idependente nesta faixa etária2. 4.1.2. Mudanças com causas culturais Além de ser decorrente do aumento da idade, o desenvolvimento sofre também a influência de certos aspectos culturais. Nas diferentes sociedades observam-se padrões éticos, modelos e expectativas característicos2. Por exemplo, nos Estados Unidos é muito comum que os filhos saiam da casa dos pais ao iniciarem a graduação. No Brasil, no entanto, esta experiência ocorre em menor escala. Outro ponto que merece atenção são os componentes históricos que marcam uma geração em uma dada época2. Há alguns anos, o uso de equipamentos eletrônicos como telefones celulares e computadores era absolutamente impensável, fato este que criou uma geração bastante distinta da “geração-virtual” que vemos atualmente. 4.1.3. Mudanças singulares não partilhadas Além dos pontos já destacados, o desenvolvimento de cada indivíduo é moldado por suas próprias vivências pessoais2. No que tange a esta questão destacamos a quantidade de filhos de uma família, a união ou não do casal de pais, a qualidade das relações sociais vivenciadas, o tipo de escola onde se estudou etc. Como se vê, o desenvolvimento humano é um processo complexo que abarca múltiplas causas. Este processo lento, gradual e incessante se desenrola através de fases características, que serão o tema do próximo tópico.

4.2. As fases do desenvolvimento
O desenvolvimento pode ser compreendido como um processo de mudança4. Este processo pode ser descrito através de fases mais ou menos definidas que nos ajudam a compreender como nos tornamos, pouco a pouco, o que somos hoje e o que seremos no futuro.
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Na história da Psicologia, o tema do desenvolvimento tem sido abordado de diferentes maneiras. Há teorias que enfatizam o desenvolvimento da linguagem (como a teoria de Lev Vygotsky), outras que procuram explicar o desenvolvimento psicossocial (como foi a proposta de Erick Erickson), há outras ainda que exploram o desenvolvimento psicossexual do indivíduo (como propôs Freud – ver boxe ao final do capítulo). Como se vê, dentro da Psicologia há muitos modos de compreender o desenvolvimento. Isso porque há inúmeras possibilidades de explorar o desenvolvimento de um determinado aspecto humano (como a linguagem, a sexualidade, a inteligência, a habilidade de se relacionar com os outros etc.). Neste contexto, a teoria proposta por Jean Piaget acerca do desenvolvimento da inteligência humana surge com destaque. 4.2.1. A teoria dos estágios de Jean Piaget A compreensão de como o bebê recém nascido aprende e se desenvolve, tornando-se um adulto hábil em relacionar-se com outras pessoas e com os objetos do mundo é questão que desperta grande interesse na Psicologia. Para compreender o processo de construção do conhecimento, o suíço Jean Piaget criou a chamada Epistemologia Genética. A Epistemologia Genética interessa-se em explicar o processo da formação cognitiva a partir da ocorrência de estágios sucessivos e ordenados, que implicam na aquisição de competências pelos sujeitos após a aquisição de competências anteriores 5. Em sua teoria, Piaget apresentou o desenvolvimento cognitivo como um processo contínuo e integrado. Porém, com o intuito de melhor compreender e definir como este desenvolvimento se processa, o autor optou por dividi-lo em quatro níveis sequenciais, definidos em termos da aquisição de determinadas estruturas que justificam a explicitação de certos comportamentos6. São estágios do desenvolvimento cognitivo propostos por Piaget 6: a) sensório-motor (0-2 anos): marcado pela inteligência prática e pela exploração do ambiente através dos sentidos e dos movimentos corporais (daí o nome desta etapa do desenvolvimento). O contato com o meio é direto, ou seja, sem a mediação de representações simbólicas (como a linguagem). É neste estágio que criança desenvolve as noções de “eu” (quando consegue diferenciar o mundo externo do mundo interno) de causalidade, de tempo, de espaço e de objeto. b) pré-operacional (2-7 anos): os eventos já podem ser representados internamente pela criança (inteligência simbólica influenciada pela aquisição da linguagem). As crianças deste estágio apresentam caracteríticas como pensamento egocêntrico (não confundir com egoísmo), intuitivo e mágico, confusão entre aparência e realidade (predominânica da percepção sobre a lógica), ausência da noção de reversibilidade e animismo (atribuir vida aos seres inanimados).

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c) operacional concreto (7-11 ou 12 anos): com o declínio do egocentrismo, a criança desenvolve a habilidade de se colocar no lugar do outro, passando a usar a linguagem com finalidades predominantemente comunicativas e aumentando suas habilidades sociais. Outras características são o aparecimento do pensamento lógico (por exemplo, a habilidade de agrupar mentalmente objetos semelhantes), a percepção da conservação, a maior habilidade de concentração em atividades e de colaborar em tarefas de grupo. Vale ressaltar que, neste estágio, a realização de operações lógicas depende fortemente da presença de materiais concretos. Por exmplo: a criança consegue realizar contagem numérica com auxílio dos dedos ou de objetos equivalentes (fichas, carrinhos ou blocos de madeira). d) operacional formal (12 anos em diante): este estágio, caracterizado pelo raciocínio hipotético-dedutivo (o indivíduo consegue compreender sentenças do tipo “se...então...”), se inicia por volta dos doze anos e perdura por toda a vida. As deduções lógicas podem ser feitas sem o auxílio de material concreto. Por exemplo, o sujeito é capaz de compreender sentenças como “Se todo gato late, o meu gato Mimi late também”. Observe que a sentença não se baseia necessariamente em fatos, mas na coordenação das ideias expressas em termos de “se”, “então”. Assim, é possível constatar que muitos dos pressupostos piagetianos podem ser verificados na prática, especialmente pelas pessoas que têm filhos pequenos ou convivem com outras crianças. Apesar de certas limitações – como a pouca ênfase aos aspectos ambientais e culturais na construção do conhecimento – a teoria de Jean Piaget possui muitos méritos, tenho reconhecido valor científico em todo o mundo.

Referências
1. Blog Jardim das Reflexões. Disponível em <http://jardimdasreflexoes.blogspot.com.br/2011/01/saindo-docasulo.html>. Acesso em 27 jul 2012. 2. Bee, H. (1997). O ciclo vital. (R. Garcez trad.). Porto Alegre: Artmed. 3. Fadiman, J. & Frager, R. (1986). Teorias da Personalidade. Editora Harbra: São Paulo. 4. Lyra, M. C. D. P. (2006). Desenvolvimento como processo de mudança. Em: L.L. Meira e A. G. Spinillo (orgs.), Psicologia Cognitiva: cultura, desenvolvimento e aprendizagem (pp.170-189). Recife: Editora Universitária da UFPE. 5. Pádua, G. L. D. (2009) . A Epistemologia Genética de Jean Piaget. Revista FACEVV, 1(2). 6. Wadsworth, B. J. (1997). Inteligência e afetividade na criança na teoria de Piaget: fundamentos do construtivismo. 5 ed. (E. Rovai trad.). São Paulo: Pioneira.

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PARA APROFUNDAR A DISCUSSÃO... As fases psicossexuais do desenvolvimento Na psicanálise freudiana existe o pressuposto de que todas as atividades que os seres humanos realizam têm como causa as pulsões. Estas se expressam no indivíduo, em nível corporal, como necessidades e, em nível mental, como desejos. É por isso que comumente se diz que, segundo Freud, o homem é um ser desejante. Desde quando ainda é bebê até o momento em que se torna adulto, o homem modifica bastante os seus desejos e o modo como estes são satisfeitos. Por isso, Freud dedicou-se a descrever cuidadosamente as modificações que ocorrem desde os primeiros anos de vida até a adultez no que se refere às formas de gratificação (modos de sentir prazer) e os equivalentes corporais destas gratificações, propondo as fases psicossexuais do desenvolvimento. As fases psicossexuais do desenvolvimento podem ser assim resumidas: a) fase oral (mais ou menos entre 0-2 anos): esta fase caracteriza-se por uma satisfação de necessidades através da região oral (boca, língua e dentes). A pulsão básica do bebê relacionase à necessidade de alimentação. Enquanto se alimenta, ele também recebe carinho e atenção. b) fase anal (mais ou menos entre 2-3 anos): é a fase na qual a criança aprender a controlar os esfíncters anais e a bexiga. O controle do corpo torna-se uma nova fonte de prazer. Além disso, ao largar as fraldas, as crianças recebem maior atenção e elogios por parte dos pais. c) fase fálica (mais ou menos entre 3-5 anos) : é a fase em que as áreas genitais do corpo são focalizadas pela criança. As diferenças entre meninas e meninos começam a ser notadas. Há também uma tendência das crianças competirem pela intimidade que seus pais compartilham entre si, desejando receber mais atenção e carinho (o que ocasiona cenas de ciúmes). d) período de latência (mais ou menos entre 5 anos e o início da puberdade): aqui os desejos sexuais não resolvidos na fase fálica são reprimidos inconscientemente pela criança. Esta passa a se concentrar nas atividades escolares e nos relacionamentos com seus amigos. e) fase genital (do início da puberdade até o fim da vida): o desenvolvimento biológico e psicológico finaliza-se nesta fase. Meninos e meninas compreendem suas identidades sexuais distintas e buscam formas de satisfazer suas necessidades eróticas (associadas aos órgãos genitais) e interpessoais.
Referência: Fadiman, J. & Frager, R. (1986). Teorias da Personalidade. Editora Harbra: São Paulo.

Questões
1. Que fatores explicam o desenvolvimento humano? 2. O que é a Epistemologia Genética? 3. Quais são as fases do desenvolvimento cognitivo segundo Piaget?
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Relações humanas

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Fonte: imagem capturada na internet1

Para início de conversa...
- Qual a importância dos grupos em nossas vidas? - Que características suas contribuem para um bom relacionamento interpessoal?

5.1. A vida em grupo
O nosso dia-a-dia é profundamente marcado pela vida em grupo. Mesmo quando estamos sozinhos, pensamos em acontecimentos e lembramos de situações que envolvem o outro, não é mesmo? E ainda que estivéssemos sozinhos em uma ilha deserta, levaríamos conosco o nosso idioma, nossas crenças, nossos valores, nossa cultura etc. Assim é que podemos afirmar que em qualquer circunstância humana há determinantes sociais 4. Para viverem juntas, as pessoas precisam combinar algumas regras. Por exemplo, você aguarda o ônibus na parada porque sabe (e isso já foi previamente estabelecido pelas companhias de transporte, por órgãos do governo e comunicado à sociedade) que ele passará naquele local num horário mais ou menos previsível. A essas e outras regularidades combinadas pela vida em grupo damos o nome de institucionalização4.
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No senso comum, o termo instituição é utilizado como sinônimo de empresa ou órgão público. Na Psicologia Social, porém, instituição se refere a um conjunto de valores e regras construídos socialmente ao longo de várias gerações e que serve como guia básico de comportamentos das pessoas. Um exemplo de instituição da nossa sociedade é a monogamia (casamento somente entre duas pessoas)4. Instituição: conjunto de valores e regras construídos socialmente ao longo de várias gerações e que serve como guia básico de comportamentos das pessoas4. É importante frisar que embora seja uma construção social, a instituição adquire valor de verdade, sendo tradada como se fosse algo naturalmente correto. Isso porque ela é pouco percebida nas relações cotidianas, sendo notada somente quando é descumprida (quando um homem casa-se com várias mulheres, por exemplo). As instituições são reproduzidas e, por vezes, reformuladas nos grupos4. Um grupo pode ser definido como um conjunto de pessoas que interagem e influenciam umas as outras para atingirem um objetivo comum. Grupo: duas ou mais pessoas que interagem e se influenciam mutuamente visando a um objetivo comum7. Como você pode observar na definição acima, um grupo é mais do que um aglomerado de pessoas. Imagine algumas pessoas na sala de espera de um consultório médico. Embora todas tenham o objetivo de receber atendimento profissional, não há interação e influência entre elas. Agora, imagine que uma destas pessoas comece a passar mal. É provável que os pacientes interajam entre si buscando auxiliá-la. Agora o objetivo de todos é o mesmo, havendo influências mútuas e interações. Neste último caso, teremos um grupo. No funcionamento dos grupos observam-se características4 como: a) o grupo é mais do que a simples soma de seus membros; b) o grupo modifica-se com a mudança de qualquer subparte; c) cada um dos membros desempenha diferentes papéis para a execução do objetivo do grupo; d) os interesses do grupo se sobrepõem aos interesses individuais; e) a coesão é a forma encontrada para que os objetivos do grupo sejam alcançados. A coesão, também chamada de solidariedade, indica a influência que o grupo exerce sobre cada um dos seus membros. Ou seja, ela expresssa-se no sentimento de pertencimento que cada um possui em relação ao grupo. Quanto mais coeso o grupo, maior será a responsabilidade e o comprometimento dos seus membros7. A coesão de um grupo depende muito da atuação do seu líder. É sobre isso que falaremos a seguir.

5.2. Líder e liderança
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Para aumentar a coesão e viabilizar a realização de seus objetivos, os grupos elegem líderes. Nem sempre o líder é aquele que possui poder legítimo (ou seja, aquele que é o chefe). Às vezes, quem exerce a função de liderança é aquele que domina certos conhecimentos (e.g., o aluno que tira as maiores notas da turma) ou que tem o controle sobre recompensas (e.g., o júri de um show de talentos) ou punições (e.g., um assaltante armado) 3. A liderança pode ser exercida de três maneiras3, a saber: a) liderança democrática: o líder toma decisões com ajuda do grupo; b) liderança autocrática: o líder toma decisões sozinho e depois anuncia ao grupo; c) liderança anárquica: o líder não toma decisão alguma. O tipo de liderança adotada depende não só das características pessoais do líder, mas também das características do grupo e da situação envolvida. Às vezes, uma mesma pessoa pode exercer lideranças distintas dependendo do caso. Liderança: processo de dirigir e influenciar as atividades relacionadas às tarefas dos membros de um grupo7. A liderança não é exercida somente em grupos formais, como nas empresas. Mesmo em grupos informais podem existir líderes, como acontece em “panelinhas” de uma classe do colégio. O líder ajuda o grupo a manter-se unido e busca também motivar os seus membros para a realização dos seus objetivos.

5.3. Motivação
O que motiva as pessoas a fazerem determinadas coisas? O que faz com que uma pessoa consiga frequentar assiduamente a academia (mesmo nos dias de chuva!) e outra não consiga fazer o mesmo de forma alguma? O que motiva uma pessoa a deixar de fumar? O que motiva um indivíduo a ser um bom profissional apesar dos baixos salários? O tema da motivação é bastante complexo. Há que diga que a motivação é uma porta que só se abre por dentro... Ou seja, somente a própria pessoa pode se motivar a agir desta ou daquela maneira. Porém, se certas condições forem oferecidas, as pessoas tenderão a se sentir mais motivadas, concorda? Por exemplo, se uma mãe tem alguém de confiança com quem deixar o filho tenderá a se sentir mais motivada para realizar atividades físicas, pois estará segurança de que ele ficará bem enquanto ela estiver ausente. Motivação: os fatores que provocam, canalizam e sustentam o comportamento de um indivíduo. Compreender o que motiva as pessoas é um passo fundamental para motivá-las. Por isso, muitos estudiosos criaram as chamadas teorias da motivação. Dentre elas destaca-se a proposta de Abranham Maslow em sua hierarquia das necessidades 7.
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Maslow classificou as necessidades humanas de modo lógico e apropriado representando-as através de uma pirâmide (ver figura abaixo).

Fonte: imagem capturada na internet2

Para Maslow, as pessoas são motivadas a satisfazer a necessidade mais forte em um determinado momento. Quando uma necessidade mais básica (mais próxima à base da pirâmide) é ao menos parcialmente satisfeita, a pessoa tenderá a buscar satisfazer o próximo nível7 (ou o nível acima). Por exemplo, uma pessoa com fome ou sede (necessidades fisiológicas) provavelmente irá buscar satisfazer estas necessidades antes de pensar em arrumar um emprego que desenvolva a sua criatividade (necessidade de auto-realização). Essa teoria explica porque é tão difícil se relacionar bem com as pessoas (necessidade afetivosocial) quando se está prestes a perder o emprego (necessidade de segurança). Como se vê, a hierarquia das necessidades é uma teoria quase intuitiva, pois podemos facilmente pensar em aplicações práticas para os conceitos apresentados, não é? Muitas outras teorias foram criadas para explicar o fenômeno da motivação humana, mas abordar cada uma delas não é o objetivo deste capítulo. Para encerrar a discussão sobre as relações humanas, cabe apresentar um último (mas importantíssimo) tópico: a comunicação interpessoal.

5.4. A comunicação interpessoal
Nas relações humanas, a comunicação exerce papel fundamental, já que é através dela que as pessoas compartillham significados com a transmissão de mensagens simbólicas7. A comunicação é um processo que se inicia quando um emissor (pessoa que fala ou faz gestos) transmite uma mensagem para um receptor (pessoa que percebe a intenção comunicativa). Este emissor transforma suas ideias (codifica uma mensagem) em palavras ou gestos e utiliza-se de um canal (ar, no caso da palavra falada e papel no caso da palavra
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escrita) para comunicar algo ao receptor. Este interpreta (decodifica) a mensagem e a traduz em informação significativa7. Observe o esquema abaixo:

Fonte: adaptado de Stoner, J. A. F. & Freeman, R. E. (1995).

Nem sempre a mensagem transmitida pelo emissor chega ao receptor da forma pretendida. Às vezes, ela é alterada por ruídos que podem ser internos (e.g., quando o receptor não está prestando atenção) ou externos (e.g., um ambiente barulhento), provocando as chamadas falhas na comunicação7. Além dos ruídos, a comunicação eficaz pode ter barreiras como: a) percepções diferentes (pessoas diferentes percebem fenômenos de forma distinta); b) diferenças de linguagem (a linguagem empregada pode variar de significado de pessoa para pessoa); c) reações emocionais (raiva, alegria e tristeza, por exemplo, influenciam como percebemos as informações que recebemos e que transmitimos); d) inconsistência entre a comunicação verbal e não-verbal (quando falamos algo e nossos gestos informam o contrário) e; e) desconfiança (quando não atribuímos credibilidade ao emissor)7. A clareza nas comunicações é fundamental para o bom andamento dos trabalhos em grupo. Por isso, cada um deve se esforçar para apresentar suas ideias da forma mais clara possível, evitando desentendimentos e buscando esclarecer mal entendidos sempre que necessário. É através da comunicação que os objetivos do grupo poderão ser alcaçados.

Referências
1. Site Administrando a Rede. Disponível em <http://administrandoarede.wordpress.com/2012/05/14/teoria-dasrelacoes-humanas/>. Acesso em 26 jul 2012. 2. Site Conexão RH. Disponível em < http://www.conexaorh.com.br/artigo15.htm>. Acesso em 31 jul 2012. 3. Bateman, T. S. & Snell, S. A. (1998). Administração: construindo vantagem competitiva. (C. A. Rimoli trad.). São Paulo: Atlas. 4. Bock, A. M. B., Furtado, O. & Teixeira, M. D. T. (2002). Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. 13 ed. reform. e ampl. São Paulo: Saraiva. 5. Massarollo, M. C. K. B., Saccardo, D. P. & Zoboli, E. L. C. P. (2006). Autonomia, privacidade e confidencialidade (pp. 137-152). Em Orguisso, T. & Zoboli, E. (orgs.). Ética e bioética: desafios para a enfermagem e a saúde. Barueri: Manole. 6. Schirmer, J. (2006). Ética profissional (pp. 61-67). Em Orguisso, T. & Zoboli, E. (orgs.). Ética e bioética: desafios para a enfermagem e a saúde. Barueri: Manole. 7. Stoner, J. A. F. & Freeman, R. E. (1995). Administração. 5 ed. (A. Calado trad.). Rio de Janeiro: Prentice-Hall do Brasil.

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PARA APROFUNDAR A DISCUSSÃO... Sobre a ética e o sigilo profissional

Toda prática profissional envolve a obediência de certos padrões éticos. Ou seja, as atitudes, escolhas, preferências e gostos pessoais devem ser avaliados e, se necessário, adaptados para atender às regras estabelecidas como as mais adequadas para o exercício profissional. Além de dominar conhecimentos técnicos, os profissionais de saúde devem enfatizar as relações humanas, desenvolvendo virtudes como empatia, compaixão, honestidade, fidelidade, coragem, justiça, prudência, sabedoria, entre outras. Assim, o bem estar do outro será sempre colocado acima do seu próprio ou da instituição, a não ser quando isso possa resultar em injustiça ou em objeção da consciência. As relações humanas no campo da saúde deve ser pautada por alguns princípios éticos, a saber: a autonomia, a privacidade e a confidencialidade. A autonomia refere-se ao respeito às decisões do usuário do serviço. A privacidade, por sua vez, refere-se ao direito do paciente decidir se e como dividirá a sua intimidade com o profissional (por exemplo, quem poderá cuidar do seu corpo ou ouvirá detalhes sobre sua vida íntima). Por fim, a confidencialidade é um dever do profissional, que se comprometerá em não divulgar qualquer informação sobre o paciente a terceiros, a menos que isso seja autorizado. Mesmo em trabalhos de equipe, devese ter cuidado de compartilhar somente as informações necessárias à condução dos atendimentos. Assim, o comprometimento com o sigilo é um requisito fundamental para o estabelecimento da confiança entre o profissional de saúde e o usuário do serviço, contribuindo para a maior qualidade nas relações humanas.
Referências: Schirmer, J. (2006). Ética profissional (pp. 61-67). Em Orguisso, T. & Zoboli, E. (orgs.). Ética e bioética: desafios para a enfermagem e a saúde. Barueri: Manole. Massarollo, M. C. K. B., Saccardo, D. P. & Zoboli, E. L. C. P. (2006). Autonomia, privacidade e confidencialidade (pp. 137-152). Em Orguisso, T. & Zoboli, E. (orgs.). Ética e bioética: desafios para a enfermagem e a saúde. Barueri: Manole.

Questões
1. O que são grupos? 2. Como uma liderança pode ser exercida? 3. Explique a hierarquia das necessidades de Maslow. 4. Quais são as barreiras para uma comunicação eficaz?
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Reflexões sobre a normalidade

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Fonte: imagem capturada na internet1

Para início de conversa...
- Você se considera uma pessoa normal? - O que é ser normal? - Você já sofreu algum tipo de preconceito por apresentar alguma diferença individual?

6.1. Conversando sobre a normalidade
Conversar sobre o tema da normalidade não é uma tarefa fácil. Afinal, como definir um fenômeno tão complexo? Além disso, alguns dos sintomas que caracterizam os transtornos mentais (algumas alterações comportamentais e afetivas) podem ocorrer também em pessoas ditas “normais”, embora quase sempre de forma mais atenuada. Quantas vezes não ouvimos que uma pessoa triste está “depressiva” ou que uma mulher um pouco ciumenta é “paranóica”? Assim, parar tratar deste tema é importante que você – como diriam os jovens – abra sua mente e tente compreender a saúde mental sob um novo ângulo. Em primeiro lugar, cabe refletir sobre uma questão fundamental: a proposta deste capítulo não é abordar a doença mental (enquanto fenômeno patológico) e sim a saúde mental, um tema que interessa a todos e não somente aos ditos “loucos”. Afinal, de perto ninguém é normal, não é mesmo? Seria a saúde mental sinônimo de normalidade? Mas o que é normalidade? E anormalidade?
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Em um primeiro momento, podemos dizer que o estado de normalidade em geral possui certos traços característicos que, embora não sejam regra, nos fornecem alguma referência. São eles a percepção adequada da realidade, a capacidade de exercer controle adequado sobre o comportamento, auto-estima e aceitação, capacidade de formar relacionamentos afetivos e capacidade para produzir3. Traços característicos da normalidade: percepção adequada da realidade, a capacidade de exercer controle adequado sobre o comportamento, auto-estima e aceitação, capacidade de formar relacionamentos afetivos e capacidade para produzir. Diante disso, alguns poderão dizer que normal é aquele que tem saúde e anormal aquele que não a tem. Certo? Não exatamente... Você já observou que as pessoas costumam definir a saúde como a ausência e doença e a definir a doença como ausência de saúde? No entanto, ainda parece difícil dizer o que é doença e o que é saúde. Sei que essa reflexão pode parecer complicada demais, mas você tem que “abrir a mente”, lembra? Então, vamos pensar a saúde (e a normalidade) sob um outro ponto de vista. Atualmente, há uma ênfase na concepção de saúde enquanto um fenômeno individual, localizado no indivíduo e fortemente marcado por aspectos biológicos (concepção biológica do processo saúde-doença). Ou seja, a doença é vista como algo que ocorre dentro do indivíduo quando o seu organismo não funciona bem. Concepção biológica da saúde: a doença é um fenômeno individual, que ocorre dentro do indivíduo quando o seu organismo não funciona bem. Essa concepção, bastante reducionista, tem dado lugar a uma outra que trata a saúde como um fenômeno multivariável. Ou seja, a saúde do indivíduo é vista como algo que envolve, além de causas individuais (idade, sexo, fatores hereditários), questões relacionadas ao estilo de vida (se é fumante ou sedentário, por exemplo), influências sociais e comunitárias (a exemplo dos relacionamentos interpessoais), as condições de vida e trabalho (onde mora, como é o seu ambiente de trabalho) e condições socioeconômicas, culturais e ambientais (renda familiar, acesso aos serviços de saúde, valores morais, país ou cidade onde vive) 6. Concepção multivariável da saúde: a saúde do indivíduo envolve múltiplas causas, como as individuais, o estilo de vida, as influências sociais e comunitárias, as condições de vida e trabalho e as condições socioeconômicas, culturais e ambientais. Enfim, cada vez mais os aspectos externos às pessoas têm sido considerados como fundamentais à determinação de sua saúde. Obviamente não nos referimos somente à saúde do corpo, mas também à saúde mental. A partir daqui você já deve estar percebendo onde eu quero chegar... Segundo esta nova concepção, não faz mais sentido reduzir a saúde mental à psicopatologia e à semiologia2 (estudo do conjunto de sinais e sintomas que caracterizam uma determinada doença). E isso nos leva a pensar na questão da loucura.
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6.2. Loucura e estigma
Agora que já falamos um pouco sobre a normalidade, que tal refletirmos sobre a anormalidade? A palavra anormal significa “fora de norma”. Muitas características, tais como altura, peso e inteligência abrangem uma faixa de valores quando medidas em uma população inteira. A maioria das pessoas, por exemplo, inclui-se na faixa mediana de altura, enquanto algumas são normalmente altas ou baixas. Uma definição de anormalidade, portanto, baseiase na frequência estatística. Mas segundo esta definição, uma pessoa que é extremamente inteligente ou extremamente feliz seria classificada como anormal. Assim, para definir o comportamento anormal, precisamos considerar mais do que a frequência estatística 3. Além disso, outros elementos são considerados importantes na determinação de uma anormalidade. São eles: os desvios das normas sociais (quando o sujeito comporta-se de modo bastante distinto daquele valorizado socialmente), inadaptação do comportamento (quando o sujeito age de modo a comprometer seu próprio bem estar ou o bem estar social) e sofrimento pessoal (quando o modo de ser do indivíduo provoca-lhe angústias e infelicidade)3. No entanto, é importante observar que nenhum destes elementos – quando considerados isoladamente – consegue explicar completamente características ou comportamentos tidos como anormais. Em geral, todos eles (frequência estatística, desvios das normas sociais, inadaptação do comportamento e sofrimento pessoal) devem ser considerados conjuntamente para o diagnóstico da anormalidade3. Para diagnosticar um determinado transtorno mental, os médicos psiquiatras devem realizar um extenso e cuidadoso trabalho (inclusive contando com ajuda de profissionais de outras áreas, como a Psicologia), utilizando como base a Classificação Estatística Internacional das Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10) ou Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV). Estes manuais apresentam uma lista de sinais e sintomas característicos dos distintos transtornos mentais de modo que somente a combinação de características específicas (e não a simples ocorrência de um ou outro sintoma) garantirá um diagnóstico adequado. Embora não possamos – e nem devamos – negar a existência de um diagnóstico, devemos ter sempre em mente que mais importante do que olhar a doença é olhar o doente. O diagnóstico tem sua importância, já que sem ele o tratamento poderia ficar seriamente comprometido ou impossibilitado. Mais ainda, ter um nome para definir uma determinada condição que ocorre ao paciente torna a comunicação entre os profissionais de saúde mental mais eficaz e eficiente. O problema do diagnóstico decorre da atribuição de significados pejorativos e impróprios àquela condição vivida pelo paciente, que deixa de ser visto como um ser humano em sofrimento para ser considerado simplesmente como “louco”. Observe que neste caso (infelizmente tão corriqueiro) a pessoa tem todas as suas características, tendências, sentimentos, vivências e opiniões desconsiderados. A única coisa que os outros percebem nele é o rótulo da loucura. A este processo de rotular uma pessoa recebe o nome de estigmatização. O estigma refere-se às marcas — atributos sociais que um indivíduo, grupo ou povo carregam e cujo valor pode ser negativo ou pejorativo. Imagine o que significa para um indivíduo, em termos pessoais e sociais, ser egresso da prisão ou de instituição psiquiátrica; ser homossexual, prostituta ou portador do vírus HIV?4
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Estigma: atributos sociais que um indivíduo, grupo ou povo carregam e cujo valor pode ser negativo ou pejorativo. O estigma revela que a sociedade tem dificuldade de lidar com o diferente. Esta dificuldade é “perpetuada”, ao longo das gerações, pela educação familiar, pela escola, pelos meios de comunicação de massa, por cada um de nós em nosso cotidiano, o que leva à construção de uma carreira moral para o indivíduo estigmatizado, isto é, sua identidade tende a incorporar este atributo ao qual corresponde um valor social negativo 4. Nesse sentido, é importante prestar atenção a situações semelhantes ao processo de estigmatização que pode permear a vida cotidiana. O profissional vai ter que lidar, além da doença, também com o estigma que, na verdade, aponta para questões morais, sociais e culturais de uma determinada comunidade4.

Referências
1. Blog Etérea Paz. Disponível em < http://eterea-paz.blogspot.com.br/2012/03/preconceito-etica-e-osestereotipos.html>. Acesso em 10 jul 2012. 2. Amarante, P. (2007). Saúde mental e atenção psicossocial. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz. 3. Attkinson, R. L., Smith, E. E., Bem, D, J., Nolen-Hoeksema, S. & Smith, C. D. (2002). Introdução à Psicologia de Hilgard. 13 ed. (D. Bueno trad.). São Paulo: Artmed. 4. Bock, A. M. B., Furtado, O. & Teixeira, M. D. T. (2002). Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. 13 ed. reform. e ampl. São Paulo: Saraiva. 5. França Neto, O. (2009). Uma ética para os novos desdobramentos da reforma psiquiátrica. Ágora, Rio de Janeiro, 12(1), pp. 119-129. 6. Spink, M. J. (2003). Psicologia social e saúde: prática, saberes e sentidos. Petrópolis: Vozes.

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PARA APROFUNDAR A DISCUSSÃO...

A reforma psiquiátrica Há cerca de 30 anos vem tomando corpo no Brasil um movimento social que milita pela desinstitucionalização do paciente psiquiátrico. [...]. No nosso país aprendemos a chamar esse movimento de Reforma Psiquiátrica. Ao se falar em ética na Reforma, poderíamos propor que ela teria, como perspectiva geral, algo em torno de uma responsabilização do louco, implicando-o na existência enquanto sujeito. Nesse sentido, o primeiro grande passo foi a derrubada dos muros dos nosocômios, visando com isso criar as condições para a inscrição da loucura na pólis. Mas a questão é mais complexa. Para se atingir esse objetivo, tudo indica que não podemos nos restringir a essa primeira etapa. Uma desinstitucionalização progressiva, apesar de necessária, não tem se mostrado suficiente para garantir uma real mudança no status jurídico do "louco". Sua responsabilização jurídica não é simples, pois este se encontra em uma imprecisa zona de indiscernibilidade, na qual os limites legais exigem contínua reformulação. [...] Os manicômios já esgotaram sua potencialidade em mobilizar nossas reflexões. Tornou-se necessário destituí-los do lugar de referência para tratamento dos "insanos", para que pudessem voltar a adquirir a potência de colocar em questão nossas universalidades. Hoje, talvez seja primordialmente nos impasses causados pela inscrição jurídica e social dos loucos, dos menores infratores, dos imigrantes ilegais e de todos aqueles que colocam em xeque a universalidade instituída, o local por excelência onde novas subjetividades possam vir a ser pensadas. [...]
Referência: França Neto, O. (2009). Uma ética para os novos desdobramentos da reforma psiquiátrica. Ágora, Rio de Janeiro, 12(1), pp. 119-129.

Questões
1. Qual a diferença entre as concepções biológica e multivariável da saúde? 2. É fácil definir o que é anormalidade no âmbito da saúde mental? Justifique. 3. O que é estigma? Qual a sua relação com o diagnóstico? 4. Em sua opinião, os diagnósticos em saúde mental deveriam deixar de existir? Por quê? 5. Como você definiria a reforma psiquiátrica?

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Sobre o adoecimento e a morte

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Fonte: a autora

Para início de conversa...
- Você considera difícil dar suporte emocional às pessoas que vivenciam sérios problemas de saúde ou aos seus familiares? - O adoecimento do corpo gera implicações psicológicas? - Qual a melhor maneira de lidar com a morte?

7.1. Diagnóstico e tratamento
Não importa se a procura por um serviço de saúde ocorreu devido a uma queixa qualquer ou ao hábito de fazê-lo como periódica medida preventiva. Receber o diagnóstico de uma doença grave é sempre uma questão delicada para a maioria das pessoas. O dicionário da língua portuguesa Aurélio define o diagnóstico como “conhecimento ou determinação duma doença pelos seus sintomas, sinais e/ou exames diversos” (Ferreira, 2000, p. 234). Assim, o termo refere-se tanto ao nome da enfermidade em si, quanto ao conhecimento envolvido em sua determinação.
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Diagnóstico: conhecimento ou determinação duma doença pelos seus sintomas, sinais e/ou exames diversos3. A realização adequada do diagnóstico é fator fundamental na orientação do tratamento. Este apresenta distintas definições no diciorário Aurélio (Ferreira, 200, p. 684), sendo uma delas “procedimento médico que visa curar, aliviar ou prevenir”. Tal definição é mesmo intuitiva, já que revela o primeiro pensamento que temos sobre o que seja tratar. Porém, os profissionais da área de saúde devem buscar não somente conceber o tratamento como a realização de procedimentos, mas realiza-lo como forma de “acolhida, recepção”, uma outra definição para o termo encontrada no mesmo dicionário. Tratamento: 1. procedimento médico que visa curar, aliviar ou prevenir. 2. acolhida, recepção3. Seja durante a realização do diagnóstico, seja na prática do tratamento, o profissional de saúde deve sempre ter em mente o estado fragilizado do paciente. A doença causa uma série de transtornos a sua vida, implicando em alterações na sua rotina e nos seus relacionamentos interpessoais. Em casos mais graves, o paciente permanece internado em hospitais por um tempo mais ou menos longo, afastando-se de sua casa, de sua família, de seus afazeres diários e dos lazeres habituais. Deste modo, ainda que a enfermidade acometa em um primeiro momento o seu corpo, haverá sempre implicações psicológicas no adoecimento que precisam ser consideradas e igualmente tratadas.

7.2. Implicações psicológicas do adoecimento
Nunca o corpo foi alvo de tanto cuidado como tem sido atualmente, sendo administrado, manipulado e reparado através de infinitos recursos terapêuticos. Isso se deve, dentre outras coisas, a uma visão cada vez menos tolerante quanto à falta de controle sobre os próprios impulsos, sobre a doença e sobre o envelhecimento 5. Numa sociedade que valoriza o desempenho (fazendo com que as pessoas tenham que ser cada vez mais ágeis e eficientes em todos os setores da vida), não é dado ao corpo o direito de apresentar uma fraqueza qualquer, de modo que se procura corrigi-la tão rápido quanto possível. Não queremos defender com isso que não se devam utilizar os recursos tecnológicos de que os serviços de saúde dispõem. Porém, é de extrema importância que o profissional de saúde busque compreender o significado que o adoecimento possui para o paciente sob os seus cuidados, percebendo a doença como parte constitutiva da vida, e não algo que deve ser prontamente eliminado a qualquer custo 5. A doença expressa seus sintomas no corpo do paciente5. Isso faz com que somente ele seja capaz de dizer, mesmo que não possua qualquer conhecimento técnico, o que sente e como gostaria de ser – ou não – tratado. Nesse sentido, somente através da conversa e do sincero interesse o profissional poderá ajudar, de fato, o paciente em sofrimento. Nas práticas assistenciais, não é incomum observar o desrespeito à autonomia do paciente. Este deve sempre “colaborar” com a realização de procedimentos 6 como se o
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trabalho do profissional fosse realizado como simples favor. Nesse tipo de ocasião, cabe sempre refletir que a decisão do paciente poderá ser distinta daquela que os profissionais julgam como o melhor, não devendo o profissional conduzi-lo à força na execução de certos procedimentos técnicos. O não respeito à autonomia do paciente é um aspecto que gera importantes implicações psicológicas, afinal, tira-se dele o direito de decidir sobre si mesmo, sobre sua saúde e sobre sua vida. O paciente tenderá a sentir-se despersonalizado, já que é desconsiderado em suas particularidades, preferências, defeitos e qualidades. Em geral, refere-se a ele como “doente”, “paciente do doutor fulano” ou mesmo “ocupante do leito 12”. Deste modo, quanto mais longo o tempo da doença e quanto mais grave a sua condição, maiores são as chances de sentir-se despersonalizado1. O processo de despersonalização do paciente agrava-se devido à crescente especificação dos diagnósticos, os quais fragmentam a totalidade do indivíduo de acordo com o órgão do corpo afetado e priorizam somente a existência de um determinado sintoma em particular1. Assim é que muitas vezes o paciente passa a ser reconhecido pela equipe em virtude de sua condição médica (e. g., paciente com fratura no braço direito). Outras importantes implicações psicológicas do adoecimento referem-se a alterações na percepção de si mesmo e de corpo (ver capítulo 3). Ao perceber-se como doente, o paciente poderá comportar-se como tal, muitas vezes adotando uma postura mais retraída e menos esperançosa quanto às suas possibilidades de cura2. Pelo que já estudamos, a percepção e a afetividade possuem uma relação bastante estreira. Assim, a percepção que o paciente apresente da sua condição repercutirá diretamente em seu estado emocional. Não é incomum encontrar pessoas em situações de enfermidade bastante desgastadas emocionalmente. Ocorre frequentemente casos de depressão ou crises de ansiedade como consequência de longos períodos de tratamento, afastamento da família e do trabalho, incerteza quanto às chances de reconquistar a saúde2 ou dos problemas financeiros gerados pela doença. Este último é um aspecto que não pode ser desconsiderado, especialmento nos casos em que o paciente é o principal provedor financeiro da família. Uma última, mas não menos importante, implicação psicológica do adoecimento é o medo. O medo do incerto, o medo de sentir dor, o medo de não mais poder retornar ao convívio familiar. Enfim, o medo da morte.

7.3. Enfrentando a morte
Embora estudemos o ciclo da vida (nascimento, crescimento, amadurecimento, reprodução e morte) já nos primeiros anos escolares, bem poucas pessoas concebem a morte como um fenômeno natural que ocorrerá a todo e qualquer ser vivo, mais cedo ou mais tarde. Nota-se que a morte vem sendo desnaturalizada com o passar dos anos. Se há algumas décadas era comum morrer em casa cercado por familiares, hoje morre-se em hospitais cercado por equipamentos e cuidados profissionais, muitas vezes sem a participação dos parentes (especialmente das crianças)4. E com isso reforça-se a ideia de que a morte não pode ser vivida, não pode ser compartilhada. É quase errado morrer. Decide-se, assim, não falar sobre o assunto como se ele, deste modo, pudesse simplesmente deixar de existir.
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O tema da morte, tão temido e tão adiado, deve fazer parte das reflexões dos profissionais que lidam com a saúde, já que nem sempre o diagnóstico adequado e o tratamento de última geração levam o paciente à cura. Ou seja, é bastante válido refletir sobre como lidar com a morte tanto do âmbito pessoal quanto no âmbito profissional, considerando que muitas vezes o modo como se vive a perda de um ente querido é pior do que o fato da morte em si. Buscando compreender melhor o fenômeno da morte, a psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross realizou uma vasta pesquisa com pacientes em estado terminal na qual questionava-se o que a equipe de saúde poderia fazer para ajudá-los a enfrentar melhor aquela situação 4. Através das entrevistas com os citados pacientes, a autora percebeu que havia uma certa progressão de estados psicológicos que indicava o modo como a doença e a morte estavam sendo encaradas. A partir daí, foram descritas as cinco fases do luto 4, resumidas da seguinte maneira: a) 1° fase: negação e isolamento – ao saber que possui uma doença terminal, a maioria dos pacientes tem dificuldades em aceitá-la num primeiro momento, negando sua existência e buscando isolar-se das outras pessoas. b) 2° fase: raiva – ao perceberem que não mais podem negar a gravidade de suas doenças, os pacientes tendem a expressar raiva aos profissionais e aos familiares, sentindo profundo ressentimento contra o mundo, contra Deus e contra as pessoas sadias. c) 3° fase: barganha ou tentativa de adiamento – nesta fase os pacientes costumam tentar realizar algum tipo de acordo com a divindade como forma de adiar o desfecho inevitável. Assim, deixam de se dirigir a Deus com ira e revolta, e tentam negociar com calma mudanças na vida que levavam até então (deixar de fumar, frequentar mais a igreja) para que possam viver um pouco mais. d) 4° fase: depressão – ao constatar que todos os seus pedidos e acordos podem ter sido em vão e que o morte o vencerá de qualquer maneira, muitos pacientes sentem-se deprimidos. É uma fase mal compreendida pelos familiares e pela maioria dos profissionais. Em geral, tentase a todo custo fazer com que o paciente lute pela vida até o último instante. Porém, a quarta fase do luto é fundamental por ajudar o paciente a se despedir gradualmente da vida. Cabe ressaltar que nesta e em todas as outras fases, nunca se deve tirar as esperanças do doente. e) 5° fase: aceitação – o luto encerra-se na fase de aceitação, na qual o paciente sente-se pronto e tranquilo para deixar a vida. O paciente percebe a morte como algo natural e inevitável. De um modo geral, as fases do luto abedecem a uma certa ordem cronológica. Porém, é possível que diferentes pessoas experienciem cada fase de um modo particular. Isso inclui a possibilidade de passar mais tempo em uma fase do que em outra, em retornar a fase anterior ou mesmo em pular certas fases.

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Além disso, as fases do luto podem ser também vivenciadas pelos parentes do paciente, os quais se encontram igualmente em um momento de despedida, ou mesmo diante de alguma outra experiência que simbolize a morte (e. g., divórcio ou aposentadoria). De qualquer modo, Elizabeth Kübler-Ross demonstra que em qualquer fase do luto (mesmo na de aceitação) existe a esperança de que a vida dure um pouco mais. Em nenhuma hipótese deve-se fazer o paciente perder esta esperança porque, ainda que o morte se apresente em breve, o tempo de vida restante poderá ser vivido com mais dignidade.

Referências
1. Baptista, N. M. & Dias, R.R. (2003). Psicologia Hospitalar: teoria, aplicações e casos clínicos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2. Calil, G. S. (2012). O processo de adoecimento, hospitalização e tratamento para um portador de insuficiência renal crônica (2010). Monografia, Graduação em Psicologia, Faculdade de Ciências de Educação e Saúde, Brasília, DF. 3. Ferreira, A. B. H. (2000). Miniaurélio século XXI: o minidicionário da língua portuguesa. 4 ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 4. Kübler-Ross, E. (1996). Sobre a morte e o morrer: o que os doentes têm para ensinar a médicos, enfermeiras, religiosos e aos seus próprios parentes (P. Menezes trad.), 7 ed. São Paulo: Martins Fontes. 5. Marzano-Parisoli, M. M. (2004). Pensar o corpo. (L. M. E. Orth trad.). Petrópolis: Vozes. 6. Massarollo, M. C. K. B., Saccardo, D. P. & Zoboli, E. L. C. P. (2006). Autonomia, privacidade e confidencialidade. Em Orguisso, T. & Zoboli, E. (orgs.). Ética e bioética: desafios para a enfermagem e a saúde (pp. 137-152). Barueri: Manole.

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PARA APROFUNDAR A DISCUSSÃO... A notícia E eis que chega a hora de transmitir a notícia de que algum paciente morreu. Os familiares esperam ansiosos por notícias. Os profissionais tentam ao máximo adiar esse momento... É difícil estabeler uma regra sobre como e através de quem os parentes devem ser avisados. Em geral, espera-se que o médico realize a comunicação, porém isso não é regra. É possível que um outro profissional, mais próximo ou sensível, seja incubido desta tarefa. A morte é um evento complexo que pode despertar profundo sentimento de tristeza, desamparo e pesar. Exigir que a família permaneça calma e que não expresse sua dor é negar o direito que todos têm de exercer sua humanidade. O que de melhor se pode fazer é estar atento aos seus próprios sentimentos, às suas próprias reações para evitar que o sofrimento (saudável e humano) se transforme em pretexto para frieza e descaso. Aprender a lidar com a morte no ambiente profissional não é arranjar maneiras (e aqui os mecanismos de defesa podem perfeitamente ser mencionados) para torna-se imune a ela. É ser capaz de estar empaticamente unido àquelas pessoas que sentem muito pela recente perda. É olhar nos olhos delas e dizer da forma mais clara e simples possível que não houve como evitar a morte daquele ente querido. É, se for o caso, se emocionar junto e se colocar à disposição para prestar algum tipo de apoio dentro das suas possibilidades. É mais fácil transmitir notícias de falecimento quando nós mesmos percebemos a morte como uma parte natural da vida. E, mais do que isso, quando nós estamos certos de que fizemos o que havia ao nosso alcance para que aquela vida fosse preservada.
Referência: A autora

Questões
1. O que é diagnóstico? 2. O que é tratamento? 3. Qualquer enfermidade, mesmo as corporais, geram implicações psicológicas? 4. O que significa dizer que a morte tem sido desnaturalizada? 5. Quais são as cinco fases do luto? 6. Existe uma maneira correta de comunicar a morte de algum paciente a sua família? Como seria ela?
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Humanização e cuidado

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Fonte: a autora

Para início de conversa...
- O que significa humanizar os serviços de saúde? - Há relação entre humanização e cuidado? - A pessoa já nasce ou se torna cuidadora?

8.1. Humanizar é preciso
Muito já foi falado em capítulos anteriores sobre a necessidade de o profissional de saúde olhar o paciente como um ser humano em situação de sofrimento. Muito foi dito também sobre as implicações psicológicas do adoecimento, que podem ocorrer mesmo em virtude de doenças originalmente instaladas no corpo. Todas essas discussões sobre levar o olhar da Psicologia, a empatia e o cuidado aos atendimentos evidenciam que é preciso humanizar os serviços de saúde. Mas não foi sempre assim. Até o século XVIII as instituições hospitalares eram locais nos quais somente os pobres recebiam algum tipo de assistência, já que os ricos tratavam-se em casa. Por conta disso, os hospitais acabaram contribuindo para a exclusão social, pois que serviam ao duplo propósito de prestar assistência a pobres, doentes e loucos (pessoas estigmatizadas, lembra?) e de proteger a sociedade do “perigo” que essas pessoas representavam1.
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Já no século XIX, a ênfase na abordagem técnico-científica da doença e o aprimoramento da realização de diagnósticos e tratamentos fizeram com que o ato de confortar e consolar os pacientes fosse visto como uma coisa ultrapassada1. Essa concepção biológica da doença (concepção anatomofisiológica) faz com que pessoas sejam reduzidas a uma simples estrutura modelizável2. Ou seja, seu corpo torna-se impregnado da doença que possui e a pessoa, em si, é reduzida ao seu estado patológico. Somente em 1990 houve a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), criado com o objetivo de democratizar a saúde e reduzir as desigualdades sociais. O SUS possui princípios que norteiam suas atividades, tais como a universalidade (qualquer pessoa poderá ter acesso aos serviços), a integralidade da assistência (todos os serviços de saúde serão integrados entre si) e a igualdade (ninguém deverá ter privilégios). Sistema Único de Saúde: política pública que visa à construção da democracia, à redução das desigualdades sociais e à inclusão social. Posui princípios como a universalidade, a integralidade e a igualdade4. Esse passeio histórico surge para revelar que a necessidade de humanizar os serviços de saúde são recentes. Tal necessidade parte da constatação de que os avanços técnicos e científicos no setor saúde não têm sido acompanhados por avanços na qualidade das relações humanas. Frequentemente, o lidar com o paciente restringe-se à realização de diagnósticos e tratamentos, sem haver iniciativas para melhorar o contato pessoal e a qualidade de vida 1. Nesse cenário, percebe-se a desconsideração pelas necessidades emocionais e existenciais do ser em sofrimento, sendo este descaso quase sempre “desculpado” pelas precárias condições estruturais do sistema de saúde. Que a saúde pública (e mesmo a privada) brasileira encontra-se em situação de crise todos sabemos. Porém, a falta de recursos materiais não deve ser usada como justificativa para o constante descaso humanitário. É preciso considerar que existem outros fatores como a arrogância, a falta de vocação, o comercialismo, a insensibilidade1 e, em última instância, a cultura de que os serviços públicos de saúde não podem ser oferecidos com qualidade. Uma das estratégias para superar esses conhecidos problemas da saúde pública é a Política Nacional de Humanização (PNH), criada em 2004 pelo Ministério da Saúde. A ideia desta política é construir e fortalecer atitudes dos profissionais de saúde para que os vínculos com os usuários dos serviços tenham melhor qualidade4. Ainda que não seja possível garantir um atendimento isento de falhas aos usuários dos serviços de saúde, o profisisonal deve buscar ao menos ouvi-los, compreendê-los, acolhê-los, considerá-los em suas opiniões, queixas e necessidades de modo que, juntos, profissional e pacientes possam buscar as melhores alternativas naquele contexto 1. Deve-se fazer do atendimento um verdadeiro encontro de pessoas, havendo o reconhecimento do outro que busca ajuda, o reconhecimento de que todos precisam de ajuda em algum momento de suas vidas e de que todo mundo sabe alguma coisa e ninguém sabe de tudo 6. É preciso ouvir o usuário para que ele diga o que espera do serviço prestado e, ao mesmo tempo, que o profissional apresente as possibilidades existentes para resolver a demanda trazida. Deste modo, o paciente poderá escolher (exercício da autonomia) de que modo deseja resolver ou amenizar a sua situação de sofrimento. Em uma frase, humanizar o atendimento em saúde é integrar o comportamento ético e o arsenal técnico-científico, de forma que as necessidades existenciais dos usuários sejam contempladas1. Para isso, é fundamental que haja melhorias nas condições de trabalho no setor saúde ao mesmo tempo em que procura-se transformar também a cultura organizacional.

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Humanizar o atendimento em saúde é integrar o comportamento ético e o arsenal técnicocientífico, de forma que as necessidades existenciais dos usuários sejam contempladas. Um serviço humanizado pressupõe a consideração da pessoa doente e não apenas da doença. Por isso, a pessoa deve ser atendida em seus aspectos físico, emocional, psíquico e social. Assim, humanizar os atendimentos em saúde implica em uma mudança de postura na qual a simples realização de procedimentos técnicos dê lugar à prática do cuidado.

8.2. Humanização e cuidado
A literatura apresenta os termos humanização e cuidado ora como conceitos distintos, ora como sinônimos. Essa confusão conceitual revela-se também em termos como “cuidado humanizado” ou “humanização do cuidado”9. De qualquer maneira, humanização e cuidado relacionam-se profundamente, de modo que a discussão deste capítulo não poderia ficar completa sem a presença de ambos. Há autores que apresentam o cuidado como um fenômeno existencial que faz parte do ser e como condição para a sua própria humanidade8. Assim, todo ser humano é considerado potencialmente como um ser do cuidado, sendo esta capacidade mais ou menos desenvolvida em virtude de suas características pessoais, do contexto em que vive, de sua cultura ou de sua condição sócio-econômica7. Ou seja, o termo “potencialmente” indica que a pessoa pode escolher se e como expressará esse cuidado, mas que existe sempre a possibilidade para tal. A relação de cuidado implica na consideração do outro, na existência da responsabilidade e do compromisso. Implica ainda na busca pela promoção e pelo favorecimento de um ser que encontra-se em estado de vulnerabilidade, através da satisfação de suas necessidades7. Por isso é que o cuidador deve colocar-se no lugar desse outro (empatia) na tentativa de descobrir qual de suas necessidades devem ser atendidas e de que modo isso deve ser feito. Pelo que foi dito, você já deve estar percebendo que a diferença entre cuidar e realizar procedimentos tem mais a ver com a intenção de prover o bem a outro ser do que com a realização de determinadas ações. E essa intenção de cuidar do outro depende profundamente do modo como cuidamos de nós mesmos.

8.3. Cuidar de si para cuidar do outro
Todos sabemos o quanto é difícil cuidar de si no corre-corre cotidiano. Há sempre tantas coisas a fazer que a última pessoa a ser lembrada somos nós mesmos. Então, fica a pergunta: como cuidar bem do outro sem cuidar de si? Cuidar de si envolve buscar qualidade de vida, ter boas relações interpessoais, procurar boas condições de trabalho e cultivar hábitos saudáveis. Além disso, diz respeito a estar atento aos sinais que o próprio corpo oferece, não adiando a consulta ao médico (nem ao psicólogo, nutricionista, fonoaudiólogo etc.) quando necessário. Por lidar constantemente com pessoas em grande situação de sofrimento, é comum que os profissionais de saúde sintam-se por vezes cansados e impotentes. Essa situação pode ser considerada normal se for resolvida com um pouco de descanso ou lazer. Porém, se o desgaste emocional for intenso ao ponto da pessoa se sentir completamente esgotada, torna-se necessário buscar apoio profissional. Esse tipo de situação foi descrita pelo médico americano Herbert Freudenberger, recebendo o nome de Síndrome de Burnout (do inglês burn=queimar e out=exterior). Isso
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sugere que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente (tal qual fogueira que se apaga após queimar) chegando ao seu limite máximo2. Síndrome de Burnout: quadro clínico causado por alto estresse ocupacional com predileção para profissionais que mantêm uma relação constante e direta com outras pessoas, principalmente quando esta atividade é considerada de ajuda2. O quadro clínico da Síndrome de Burnout caracteriza-se por2: a) esgotamento emocional; b) sentimento de despersonalização (atitudes negativas, descaso ou cinismo em relação a outras pessoas); c) somatização do estresse (dores no corpo, perda de peso, alergias, dor de cabeça, mal estar geral, desordens gastrintestinais, úlceras etc.); d) manifestações emocionais: falta de realização pessoal, avaliação negativa do trabalho desenvolvido, sentimento de vazio, esgotamento, fracasso, impotência e baixa autoestima; e) Irritabilidade, inquietude, dificuldade para se concentrar e comportamentos agressivos; f) maior probabilidade de desenvolver comportamentos aditivos, como consumo excessivo de álcool, cigarro, remédios, café e drogas ilícitas; g) distanciamento afetivo, frequentes conflitos interpessoais no trabalho e na família e baixo rendimento pessoal. A Síndrome de Burnout é tratada com uso de antidepressivos e psicoterapia. Além disso, torna-se indispensável investir numa melhor qualidade de vida, praticando exercícios físicos regularmente, preferindo uma alimentação balanceada, dormindo bem à noite e reservando um tempo para o lazer. Se não for possível evitar a carga estressante do trabalho, vale a pena pensar em novos objetivos profissionais mais condizentes com suas necessidades e espectativas3. Nunca é demais lembrar, para cuidar do outro é fundamental cuidar de si.

Referências
1. Ballone, G. J. (2008). Humanização do Atendimento em Saúde. Em PsiqWeb. Disponível em <www.psiqweb.med.br>. Acesso em 31 jul 2012. 2. Ballone, G. J. (2009). Síndrome de Burnout. Em PsiqWeb. Disponível em <www.psiqweb.med.br>. Acesso em 31 jul 2012. 3. Dráuzio Varela.com.br. Síndrome de Burnout. Disponível em <http://drauziovarella.com.br/doencas-esintomas/sindrome-de-burnout/>. Acesso em 31 jul 2012. 4. Dimenstein, M. & Macedo, J. P. (2007). Desafios para o fortalecimento da Psicologia no SUS: a produção referente à formação e inserção profissional. Em Spink, M. J. A Psicologia em diálogo com o SUS: a prática profissional e produção acadêmica (207-234). São Paulo: Casa do Psicólogo. 5. Fernandes, M. F. P. & Freitas, G. F. (2006). Fundamentos da ética. Em Orguisso, T. & Zoboli, E. (orgs.). Ética e bioética: desafios para a enfermagem e a saúde (pp. 27-44). Barueri: Manole. 6. Teixeira, R. R. (2003). O acolhimento num serviço de saúde entendido como uma rede de conversações. Em Pinheiro, R. & Mattos, R. A. (orgs.) Construção da integralidade: cotidiano, saberes e práticas em saúde (pp. 89111). Rio de Janeiro: ABRASCO. 7. Waldow, V. R. (2008). Atualização do cuidar. Aquichán, 8(1), 85-96. 8. Waldow, V. R. (2011). Uma experiência vivida por uma cuidadora, como paciente, utilizando a narrativa literária. Texto & Contexto - Enfermagem, 20(4), 825-833. 9. Waldow, V. R. & Borges, R. F. (2011). Cuidar e humanizar: relações e significados. Acta Paulista de Enfermagem, 24(3), 414-418.

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PARA APROFUNDAR A DISCUSSÃO... Como ser um profissional humanizado? Em razão do desenvolvimento tecnológico na medicina, alguns aspectos mais sublimes do paciente, tais como suas emoções, suas crenças e valores, ficaram em segundo ou terceiro planos. A doença, entretanto, objeto do saber cientificamente reconhecido, passou a monopolizar a atenção do ato médico. E deve ter sido com esse enfoque eminentemente técnico que a medicina se desumanizou. Humanizar o atendimento não é apenas chamar o paciente pelo nome, nem ter constantemente um sorriso nos lábios mas, além disso, é compreender os medos, angústias e incertezas, é dar apoio e atenção permanente ao paciente. Humanizar também é, além do atendimento fraterno e humano, procurar aperfeiçoar os conhecimentos continuadamente, é valorizar, no sentido antropológico e emocional, todos elementos implicados na assistência. Na realidade, a humanização do atendimento, seja em saúde ou não, deve valorizar o respeito afetivo ao outro, deve prestigiar a melhoria na vida de relação entre as pessoas em geral. Entre os tópicos importantes na humanização do atendimento em saúde escolhemos alguns poucos, mas relevantes, para registrar aqui; o interesse e competência na profissão, o diálogo entre o profissional e o usuário e/ou seus familiares, o favorecimento de facilidades para que a vida da pessoa e/ou de seus familiares seja melhor, evitar aborrecimentos e constrangimentos e, por fim o respeito aos horários de atendimento. Como se percebe, esses não são tópicos monopolizados pela área da saúde. Eles deveriam orientar os relacionamentos interpessoais em geral. Alguns aspetos são diretamente relacionados ao que se pretende com a humanização do atendimento em saúde: a) aprimorar o conhecimento científico continuadamente; interesse e competência; b) aliviar sempre que possível, controlar a dor e atender as queixas físicas e emocionais; c) oferecer informações sobre a doença, prognóstico e tratamento; d) respeitar o modo e a qualidade de vida do paciente; e) respeitar a privacidade (e dignidade) do paciente; f) compreender a importância de se oferecer ao paciente um suporte emocional adequado; g) a instituição deve oferecer condições de trabalho adequadas ao profissional de saúde.
Referência: Ballone, G. J. (2008). Humanização do Atendimento em Saúde. Em PsiqWeb. Disponível em <www.psiqweb.med.br>. Acesso em 31 jul 2012. (adaptado)

Questões
1. Qual a importância da humanização no setor saúde? 2. Como você explicaria a relação entre humanização e cuidado? 3. Como o profissional de saúde pode cuidar de si? 4. O que é Síndrome de Burnout? 5. Que comportamentos podem ser adotados por profissionais que buscam a humanização dos serviços de saúde?
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Referências Bibliográficas
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