Direito Constitucional

DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
Com o final da guerra fria, na década de 80 os direitos fundamentais tiveram um grande impulso, embora a marcha pela sua afirmação seja milenar. Sempre existiram direitos e garantias, mas na evolução dos tempos houve paulatina ampliação quanto aos sujeitos e quanto aos titulares. Direitos fundamentais são direitos subjetivos públicos indispensáveis à realização da natureza humana e à vida em sociedade. Por isso são assegurados ou concedidos pelo Estado e subsidiariamente pela ordem internacional.
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Direitos Fundamentais e a Constituição de 1988: Foi concebida como Constituição Cidadã (Deputado Ulisses Guimarães). É o texto constitucional que traz o rol mais amplo de proteção aos direitos fundamentais, prevendo direitos de 1ª e 2ª geração (por exemplo, Título II da CF) e também direitos de 3ª geração (por exemplo, artigo 4º, 5º, §§3º a 4º, 225 (meio ambiente) etc.).
Tem proteção especial – chamadas cláusulas pétreas (embora exista divergência quanto à expressão “individuais” do artigo 60, §4º, IV da CF)
§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; 2 IV - os direitos e garantias individuais. Professora Amanda Almozara

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As gerações ou dimensões dos direitos fundamentais
1. Primeira geração ou liberdades públicas: Surge no século XVIII e trata de direitos tipicamente individuais (liberdade, igualdade, propriedade, vida e segurança) em face dos quais o Estado não tem funções (obrigação negativa ou “um não fazer”), ou seja, o Estado não deve intervir, exceto em situações excepcionais para garantir que o direito individual se realize sem obstáculo oposto por outra pessoa. Os encargos estatais não são elevados, pois cabe apenas “assegurar” os direitos fundamentais. Liberdade

2. Segunda geração: Marcada historicamente européia.

pela

Revolução

Industrial
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Caracterizadas por direitos sociais e coletivos (baseada na consciência da hipossuficiência do indivíduo . Igualdade 3. motivada pela consciência de situações e problemas de 4 interesse de todos Professora Amanda Almozara .a primeira geração acredita na hipersuficiência) O Estado tem funções relevantes para conceder tais direitos (obrigação de fazer ou positivas. os direitos sociais estão diplomas jurídicos. 1919 e brasileira de 1934). XX e a Primeira Grande Guerra. como constituição de Weimar.Direito Constitucional Com o início do sec. com elevado custo). baseada na solidariedade internacional. Terceira geração: Surge em meados do século XX e se intensifica a partir da década de 80.

à segurança e à 5 propriedade. defesa dos direitos humanos. fazem surgir problemas e preocupações mundiais. etc. a “era dos direitos”: decorrentes da engenharia genética e pesquisas biológicas. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. à liberdade. nos termos seguintes: Professora Amanda Almozara . pensando no ser humano iserido numa coletividade (meio ambiente. 5º Todos são iguais perante a lei.Direito Constitucional As mudanças nas comunidades internacionais e nas relações econômico-sociais.) Fraternidade Há autores que falam em quatro gerações (Norberto Bobbio. bem como os decorrentes da globalização). sem distinção de qualquer natureza. Art. à igualdade.

que são instrumentos para assegurar a realização desses direitos a todo e qualquer ser humano. credo. independentemente de raça. a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. embora existam restrições razoáveis.é inviolável a liberdade de consciência e de crença.: VI . As garantias podem ser classificadas em internas ou externas. Professora Amanda Almozara . sexo. que correspondem a prerrogativas indispensáveis ao ser humano e à sociedade (são bens e vantagens prescritos na norma constitucional). De outro lado existem as garantias. Ex. As garantias podem ser classificadas em internas ou 6 externas.. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida.Direito Constitucional DIREITOS E GARANTIAS: De um lado há os direitos. etc. na forma da lei.

MS. “ombudsman” (ouvidor geral) etc. mas que tem natureza processual (administrativa ou judicial). A ACP é muito parecida com a Ação Popular. vedação a pena de morte (direito a vida). da mesma maneira que a ADIN por omissão é parecida com o MI. HC. c) remédios: são garantias específicas. por exemplo. b) específicas: protegem um ou alguns direitos. segurança e liberdade) etc. HD e Ação Popular. 7 Professora Amanda Almozara . MI. irretroatividade (garante a segurança).. por exemplo.Direito Constitucional I) As garantias internas ou nacionais podem ser: a) gerais: por exemplo. direito de petição (administrativo).. separação de poderes. legalidade e reserva legal (protegem igualdade. cortes constitucionais.

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..., mas tais ações normalmente não são classificadas como remédios, pois, para tanto, usa-se o critério formal (classificação do artigo 5º da CF). II) As garantias externas ou internacionais podem ser: a) globais: por exemplo, ONU e OMC (Organização Mundial do Comércio); que buscam a solidariedade internacional e a paz pelo comércio; b) regionais: os Tratados Multilaterais Globais muitas vezes encontram obstáculos pela grande diversidade entre os Países situados em Continentes diferentes e com culturas muito distintas. Já os Tratados Regionais (por exemplo: OEA – Organização dos Estados Americanos) têm a vantagem de maior homogeneidade.
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Destinatários: O art. 5o caput fala dos destinatários, mencionando os brasileiros e estrangeiros residentes no País, sendo estes os destinatários destes direitos. Pessoa jurídica também tem direitos individuais? Sim. Pessoa jurídica pode também sofrer danos morais (honra objetiva somente), conforme súmula 227 do STJ. Estrangeiros não residentes? Alemão que vem ao Brasil a passeio. Será que não tem direitos individuais? Segundo JOSÉ AFONSO DA SILVA os estrangeiros NÃO residentes NÃO podem invocar os direitos do art. 5o, tendo que invocar os tratados internacionais para ter assegurado os seus direitos. 9
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Esta interpretação é MINORITÁRIA. A MAIORIA DA DOUTRINA e o STF entendem que todos que entrem em contato com o território nacional podem invocar os direitos do art. 5o. O STF faz esta interpretação extensiva porque os direitos fundamentais existem para proteger a dignidade da pessoa humana que não é direito é atributo que toda pessoa humana tem, independentemente da nacionalidade, não sendo legítimo excluir os estrangeiros não residentes dos direitos individuais do art. 5o. Assim, como os direitos fundamentais existem para proteger a dignidade da pessoa humana e como esta última é um atributo que NÃO depende da nacionalidade NÃO se deve impedir que estrangeiros NÃO residentes invoquem os direitos individuais (obviamente que nem todos os direitos fundamentais) do art. 5o.
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conjugando-a com a mínima restrição) concorrência irrenunciabilidade inalienabilidade imprescritibilidade 11 Professora Amanda Almozara .Direito Constitucional Características dos Direitos Fundamentais: historicidade universalidade limitabilidade (não são absolutos. máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos.

por três quintos dos votos dos respectivos membros. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45.As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. de 2004) 12 Professora Amanda Almozara . em cada Casa do Congresso Nacional. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte (rol exemplificativo) § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados.Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. de 2004) (Atos aprovados na forma deste parágrafo) (chamados blocos de constitucionalidade) § 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. em dois turnos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45. serão equivalentes às emendas constitucionais.Direito Constitucional § 1º . § 2º .

porque em regra não se demanda a atuação do legislador infra-constitucional. Todavia. ou seja. em regra.Direito Constitucional Aplicabilidade: Estabelece o dispositivo que os direitos fundamentais têm aplicação imediata. Note-se que. as normas de direitos fundamentais são normas de eficácia plena ou contida. vários direitos fundamentais que são de 13 eficácia limitada. dessa forma. Assim. trata-se de regra que se aplica a todos os direitos fundamentais (sociais. existem sim. Professora Amanda Almozara . a tutela dos direitos fundamentais será feita por MS. há direitos fundamentais que demandam a atuação do legislador ordinário (normas de eficácia limitada). pois. sem a necessidade de atuação do legislador. em regra geral. ou seja. coletivos e outros). como regra. ficando afastado o mandando de injunção. Essa é a regra geral.

na forma da lei).Direito Constitucional Isso quer dizer que existem direitos que não são autoaplicáveis. Exemplos:  inciso XXXII (defesa do consumidor. 14 Professora Amanda Almozara . não basta a menção na CF para garantir a eficácia imediata. Exemplo: prestação de educação e saúde depende de uma política pública. para que seja aplicada pena.  incisos XLII e XLIII.  grande maioria dos direitos sociais. essa norma tem eficácia limitada programática (majoritária). dependendo de norma que regulamente a matéria para que ela possa produzir efeitos. é necessária uma lei para estabelecer esses crimes.

15 Professora Amanda Almozara . (principio da convivência das liberdades públicas). é absoluto.Direito Constitucional DIREITOS E GARANTIAS espécies: VILISEPRO!! FUNDAMENTAIS – 1) Direito à vida: Inviolabilidade do direito à vida. porque encontram limites em outros direitos que também estão consagrados na CR.. NEM o direito à vida. que é o valor jurídico mais importante.. de continuar vivo. 5o. tendo que conjugar com art. 1o. inclusive o art. aliás todo direito é relativo. NÃO significa apenas direito de sobreviver. O direito à vida não é direito absoluto. III. XLVII da CF. mas é um direito à vida digna.

no art.Direito Constitucional . Mas o próprio CP. sempre levar em consideração o caso concreto. porque o peso do principio vai depender sempre do caso concreto. I e II exclui a punição em dois casos: 16 Professora Amanda Almozara . Há outras hipóteses de violação de direito à vida. (testemunhas de Jeová). prevê a possibilidade de pena de morte em caso de guerra declarada. Assim para o legislador constituinte. O CP traz aborto como crime doloso contra a vida... Em todos conflito de interesses. Aborto. quando confrontado com liberdade religiosa. por exemplo. 128. por isso que principio tem peso relativo. a soberania/segurança nacional é mais importante que o direito à vida de algumas pessoas.

(b) Aborto Sentimental – é o decorrente de gravidez por estupro.Desacordo Moral Razoável – é válvula de escape em questões difíceis. . nem razoável. É uma ausência de consenso entre duas posições racionalmente defensáveis. Se ela quiser pode fazer aborto neste caso. havendo confronto de dois direitos à vida (do feto e da gestante) – não é justo aqui exigir que mãe morra.Direito Constitucional (a) Aborto Necessário – ocorre quando a má formação genética do feto implica em risco à vida da gestante. A jurisprudência confronta o direito à vida do feto e o principio da liberdade sexual da mãe conjugado com o principio da dignidade da pessoa humana. 17 Professora Amanda Almozara .

Esta ADI foi proposta pelo Procurador Geral da República. e sim a pessoa. Quando isso acontece. O PGR pediu que STF declarasse este dispositivo inconstitucional com fundamento de que o embrião é uma pessoa cuja vida e a dignidade seriam violadas pela realização de tais pesquisas. questionando a constitucionalidade do art. ADI nº 3.510. 18 Professora Amanda Almozara . 5o. da lei 11.Direito Constitucional Na ADPF 54 é caso típico de ocorrência de desacordo moral razoável e quando isso acontece.105/05 que é o dispositivo que permite pesquisa com células troncos embrionárias. não cabe à autoridade pública decidir o que fazer. deve prevalecer a autonomia da vontade.

nem tipo penal consagrando este instituto. é o direito à vida digna. No entanto. Existe eutanásia ativa (aplicação de injeção) e eutanásia passiva ou Ortotanásia (quando pessoa sobrevive a base de aparelhos e interrompe o funcionamento/medicamento desta pessoa).Direito Constitucional Eutanásia ou Morte Doce (ou Por Piedade): é forma de abreviar sofrimento de uma pessoa que não quer continuar vivendo. Não existe previsão de excludente no caso de eutanásia. será que toda hipótese de ortotanásia devem ser punidas como crime de homicídio? Tem que ver o caso concreto. porque o direito à vida. por meio de injeção letal. A jurisprudência classifica como homicídio privilegiado. 19 Professora Amanda Almozara .

20 Professora Amanda Almozara . o direito de um vai até onde começa o direito de outro. Já a liberdade do setor público consiste em ser possível fazer apenas o que a lei autoriza. A liberdade do setor privado consiste em ser possível fazer tudo o que a lei não proíbe.Direito Constitucional 2) Direito à liberdade: Juntamente com a igualdade. A adequação deve ser feita com ponderação. são fundamentos da democracia. Porque todos tem liberdade. A liberdade individual traz em si mesmo um limite lógico. sem lei admitindo (regra geral). ou seja. ou seja. não é possível realizar o ato. a regra é a liberdade e a exceção deve ser expressa (interpretada restritivamente).

sair. tais como: controle de imigração (permite o impedimento. extradição. Alcança entrar. IV e V.Direito Constitucional 1º) Liberdade de locomoção: Art. permanecer e se deslocar no território nacional. CF. em tempo de paz (em tempo de guerra e no Estado de sitio há limites mais rígido). 5°. A liberdade de locomoção é norma de eficácia contida e o remédio é o HC. Professora Amanda Almozara . A liberdade de pensamento se dá por meio oral. deportação. 21 etc. Mesmo em tempo de paz há limites lógicos. expulsão e entrega). XV. 2º) Liberdade de pensamento: Art. CF.5°. É essencial às sociedades democráticas. escrito.

Direito Constitucional A doutrina americana acrescenta à liberdade. Não há censura prévia. mas sim posterior em caso de excesso (por isso veda-se o anonimato. qual seja. Em certas situações de risco admite-se o anonimato para a preservação da integridade física e da vida do denunciante. A CF veda o anonimato porque visa possibilitar a responsabilização de manifestações abusivas do pensamento. um aspecto indissociável. a responsabilidade. O provimento 32/00 da corregedoria geral de São Paulo (pró vita) permite o anonimato das testemunhas. Sem responsabilidade a liberdade vira arbitrariedade. 22 Professora Amanda Almozara . justamente para permitir responsabilização).

moral ou à imagem. CRENÇA RELIGIOSA. VII e VIII. 3º) LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA. culto. porque não tem religião oficial (não é ateu. A liberdade de religião abrange crença. liturgia etc. pois esse recusa todas as religiões). tais como: sanção criminal. improbidade administrativa. CF O indivíduo tem direito a seus próprios valores. POLÍTICA E ESCUSA DE CONSCIÊNCIA Art.5°. crime de responsabilidade. 23 Professora Amanda Almozara . O dano moral abrange dor e honra. alem de reparação pecuniária por dano patrimonial. VI. CONVICÇÃO FILOSÓFICA. administrativa. falta de decoro parlamentar.Direito Constitucional Em caso de excesso há diversas modalidades de reparação. O Brasil é um Estado laico.

Direito Constitucional Proíbem-se religiões contrárias à ordem pública e aos bons costumes. políticas ou filosóficas. 223. art. ARTÍSTICA. §6° e art.). CIENTÍFICA E COMUNICAÇÃO Art. CF. Ninguém pode ser privado de seus direitos por suas convicções religiosas. ou seja. mas deve cumprir obrigação alternativa prevista em lei. 4º) LIBERDADE DE CRIAÇÃO INTELECTUAL. É assegurada nos termos da lei a assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva (presídios. casernas etc. Se uma obrigação imposta a todos violar essas convicções o individuo terá direito a escusa de consciência.5°.220. 224 e 221. 24 Professora Amanda Almozara . não se submeterá à obrigação geral. IX.

quando houver claros indicativos de violação aos direitos de terceiro. salvo raras exceções. tal como existia no regime militar. recomendando horários. 170. Não há censura ou licença prévia. art.139. etc. Há censura no estado de sitio. parágrafo único. por isso a imprensa escrita não depende de autorização ou licença do poder público.Direito Constitucional A regra é a liberdade. Já as empresas de radio difusão (inclui TV) depende de concessão do executivo. A responsabilização é posterior. se houver dano. CF 5º) LIBERDADE DO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO Art.5°. XIII e art. 25 Professora Amanda Almozara . aprovada pelo congresso e controlada pela ANATEL. III. pois não há censura prévia. Lei ordinária federal pode regulamentar classificando por faixa etária.

Direito Constitucional É para qualquer trabalho. se a lei não estabelecer requisitos ou qualificações razoáveis a atividade pode ser exercida (por exemplo. ofício ou profissão.5°. É norma de eficácia contida. que 26 devem ser prestadas no prazo da lei. 6º) LIBERDADE DE INFORMAÇÃO E SIGILO DE FONTE Art. Professora Amanda Almozara . O entendimento pacífico é quanto à validade de exames. Discute-se se o exame da OAB e correlatos são válidos. XIV e XXXIII. CF. para ser diretor de empresa não é necessário ser formado em administração de empresas). como o da OAB. Todos tem direito de receber informações de seu interesse particular ou de interesse coletivo ou geral. ou seja. já que as faculdades que dão os cursos de bacharelado são reconhecidas pelo próprio poder público.

como casas. 7º) LIBERDADE DE REUNIÃO Art. CF. O sigilo de fonte abrange parlamentares.Direito Constitucional (sob pena de responsabilidade) Excetuam-se as informações de terceiros resguardadas pelo sigilo de fonte. médicos (no entanto devem relatar doenças que causam epidemias) e eclesiásticos. advogados.5°. jornalistas. pelo sigilo fiscal. é direito a vida 27 privada) Professora Amanda Almozara . bancário ou profissional e informações de terceiros ou da própria pessoa quando imprescindíveis à segurança da sociedade e do Estado. XVI. É direito individual de manifestação coletiva. A reunião se dá em locais abertos ao público (se for em locais fechados. residências.

por isso não é possível portar armas. mas é imprescindível comunicar à autoridade competente previamente a reunião para não frustrar outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local e também permitir a organização de trânsito. 8º) Liberdade de Associação: Art. O remédio que garanta a liberdade de reunião é o mandado de segurança (a locomoção é direito-meio para a realização da reunião – direito fim).5°.Direito Constitucional É para fins pacíficos. desde que para fins lícitos. É direito individual de manifestação coletiva. salvo profissões como policiais.). CF. É plena a liberdade de associação. 28 Professora Amanda Almozara . XVII a XXI. etc. militares. Não é necessária autorização do poder público. etc.

civil. No entanto a lei pode estabelecer requisitos gerais para a constituição e funcionamento de cooperativas. mas não se exige lei específica para sua criação.  A criação das associações e de cooperativas (normalmente sem fins lucrativos) não dependem de autorização do poder público. cooperativas. compulsoriamente.  Veda-se a associação de caráter paramilitar  Ninguém pode ser obrigado a associar-se ou manterse associado.  As associações podem ter suspensas suas atividades apenas por ordem judicial (liminar ou decisão definitiva). Professora Amanda Almozara . sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento.  A dissolução compulsória só pode se dar por decisão 29 judicial transitada em julgado. etc.Direito Constitucional  Abrange associação comercial.

constituição regular da entidade a pelo menos um ano (é dispensada normalmente em razão da importância da defesa coletiva).Direito Constitucional A dissolução ou suspensão voluntária depende apenas de formalidades de registros. Essa representação exige: . LXX. CF) basta a autorização genérica 30 do estatuto. Professora Amanda Almozara .expressa autorização dos associados ou por ata de assembléia ou por procuração (não se exige quando for MS coletivo. As entidades associativas têm legitimidade para representar seus associados na via administrativa e na via judicial (“class actions”). tais como em cartórios e fiscais. . É a substituição processual. ou seja.5°. reclama-se em nome próprio direito de terceiro (associados). art.

Direito Constitucional . 31 Professora Amanda Almozara .relação nominal dos associados em ações em face do poder público (delimita os efeitos da coisa julgada e permite identificar quem deverá ser objeto da execução da decisão).pertinência temática (é a relação do assunto da ação e as atividades de interesse da atividade – não precisa ser exclusiva dos associados da associação autora). .

32 Professora Amanda Almozara . O elemento discriminador não determina necessariamente a inconstitucionalidade. II) É necessário haver justificativa racional para a utilização do critério.Direito Constitucional Direito à Igualdade: Todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza. O que CF não quer é que legislador trate situações iguais de maneira diferente. I) O elemento discriminador tem que estar a serviço de um valor constitucionalmente protegido. para que este não seja considerado inconstitucional. mas sim fatores que levam à inconstitucionalidade ou não da norma.

É a que está no caput do art.Direito Constitucional A doutrina diferencia: i) Igualdade Formal. 5o. ii) Igualdade Material. 33 Professora Amanda Almozara . Para JOSÉ AFONSO DA SILVA. O principio da proporcionalidade está implícito no Principio da Igualdade. Exige atuações positivas por parte do Estado. Busca efetiva igualdade perante os bens da vida. Igualdade Formal remonta ao critério de justiça formado por Aristóteles: Igualdade é tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual. Ex: Ações Afirmativas. na medida de sua desigualdade. É a igualdade perante a lei. também chamadas de Discriminações Positivas é outra prova da existência da igualdade material.

Se reservo 80% para pessoas deficiente. IV) NÃO discriminatório V) NÃO arbitrário. Se pessoa não está vestida adequadamente para o ambiente. fere a igualdade. não pode entrar. 34 VI) NÃO preconceituoso. porque não há 80% da população deficiente. II) Razoável. não é razoável. Agora se falar que não entra quem estiver mal-vestido. em razão das dificuldade maiores que esta pessoa enfrenta. Professora Amanda Almozara . porque é critério subjetivo.Direito Constitucional Para que lei seja constitucional o critério utilizado pela lei deve ser: I) Objetivo. Restaurante pode impedir que pessoa entre com bermuda. Criação de cotas para deficiente é razoável. III) Proporcional.

Direito Constitucional Princípio da Igualdade nos concurso públicos. esta discriminação é constitucional. Se for utilizado para este serviço.. 35 Professora Amanda Almozara . altura. O STF admite limitações no edital em relação ao sexo. em principio. É o mais importante. 2) Distinção tem que ser decorrente da natureza das atribuições a serem exercidas. idade etc. estando em harmonia com valores constitucionais. Tem que verificar se elemento discriminador está a serviço de um constitucionalmente consagrado. mas desde que observados os seguintes requisitos: 1) Previsão Legal. O edital só pode estabelecer limites se embasado na lei.

Direito Constitucional Na CF temos art. que possuem regramento constitucional próprio. I da CF. 5o. XXX. Este dispositivo apesar de estar dentro dos trabalhadores urbanos e rurais. não se aplica apenas à iniciativa privada. Fala que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações nos termos desta CF. 36 Professora Amanda Almozara . XXX . Art. que prevê proibição para algumas distinções.proibição de diferença de salários. salvo no caso de militares. 7o. cor ou estado civil. mas a todos os trabalhadores. idade. de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo. inclusive os servidores públicos. Igualdade entre homens e mulheres.

desde que seja com a finalidade de reduzir desigualdades ou atenuar desníveis. somente a CF poderia distinções entre homens e mulheres. a lei PODE SIM estabelecer diferenças de tratamento entre homens e mulheres. ou somente a CF é que pode diferenciar? A resposta é positiva. 37 Professora Amanda Almozara .Direito Constitucional Em princípio. estabelecer Mas a lei poderia estabelecer diferença entre homens e mulheres.

etc. policiamento civil e militar e forças armadas). vida íntima. judiciária. Direito à segurança: É essencial à estabilidade das relações e função básica do direito. Professora Amanda Almozara . segurança pública (poder de polícia. tais como “a lei estabelecerá”. Exige-se lei apenas para os assuntos mais importantes. penal. Segurança em geral: 1º. “lei criará”. A segurança pode ser classificada em: geral (legalidade e irretroatividade). São as matérias de 38 reserva legal. Legalidade e reserva legal: em razão da complexidade dos assuntos e do dinamismo da realidade contemporânea não se exige que as leis tratem de todos os assuntos. criando direitos e obrigações.Direito Constitucional 4. o que a constituição identifica como expressões.

exceto os atos do Poder Constituinte Originário.Direito Constitucional As pessoas podem fazer tudo aquilo que a lei não proibir.5°. Irretroatividade. CF. A regra geral é que não retroage. A expressão “lei” deve ser compreendida no sentido como “qualquer ato normativo”. se benéfica. “a”. mesmo a benéfica (tempus regit actum). Sempre retroagirá. III. dentre outras: A lei não prejudicará o direito adquirido. Direito adquirido: é aquele cujos requisitos já foram integralmente completados.17 do ADCT). em matéria penal e nas punições tributárias (inclui multas) 3. que pode retroagir em prejuízo (art. Professora Amanda Almozara . 2º. art. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.150. XXXIV e XL e art. embora o direito ainda não 39 tenha sido exercido (se já foi é ato consumado).

. ação rescisória.Direito Constitucional 4. Ato jurídico perfeito: é aquele já consumado segundo a lei vigente. 40 Professora Amanda Almozara . ao tempo em que se efetivou. da mesma maneira que não existe direito adquirido obtido por ato ilícito. pois se não será imperfeito. Coisa julgada: em princípio não existe na via administrativa. 5.. não podendo mais ser alterada – também chamada de definitividade das decisões judiciais. Há várias hipóteses de relativização da coisa julgada como revisão criminal. Seja consumado o ato. Deve ser lícito. a decisão irá prevalecer. No caso de o Poder Judiciário analisar definitivamente a matéria. restará exaurir o direito daí decorrente. pois se a decisão é desfavorável ao cidadão ele pode ingressar na via judicial.

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... embargos à execução de julgado que contraria posição do STF (artigo 475, §1º e 741, parágrafo único do CPC), querella nulitatis insanablis, e até mesmo o confronto entre decisões individuais e decisões erga omnes no STF (coisa julgada inconstitucional).
Segurança à Vida Íntima: Está relacionada com os direitos de personalidade, tais como: nome, honra, etc., e os de privacidade (vida privada, intimidade, etc.). O artigo 5º, X, protege todas situações possíveis de violação à vida íntima, garantindo indenização por dano material ou moral, sem prejuízo de outras reparações (por exemplo, direito de resposta) e sanções criminais, etc.
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O sigilo bancário é garantia fundamental porque protege a intimidade e a vida privada. Pode ser violado por determinação judicial, pela CPI e MP (no caso de investigação de desvio de verba pública). Inviolabilidade de Domicílio – artigo 5º, XI: casa abrange residência, barracos e qualquer outro local com intenção definitiva de residência. Também abrange estabelecimento comercial (no caso de estabelecimentos abertos ao público, é a parte interna, “balcão à dentro”). Entrar na casa sem o consentimento do morador, só é possível em casos de: - flagrante delito; - desastre (protege a coisa); - para prestar socorro (protege a pessoa); - durante o dia, por determinação judicial (cláusula de 42 reserva de jurisdição, ou seja, só o judiciário pode).

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A fiscalização tributária não pode invadir o estabelecimento do contribuinte fiscalizado, embora possa fiscalizar livros, etc. (artigos 195 e seguintes do CTN e Súmula 439 do STF). O artigo 200 do CTN prevê que a autoridade tributária pode requisitar força policial, quando vítima de desacato ou embaraço, ou para efetivar medida prevista na legislação. Mas, a posição do STF é que o fiscal não pode invadir o domicílio. Sigilo de Correspondência e de Comunicação – artigo 5º, XII: correspondência abrange: carta, e-mail, torpedo, etc. A redação do artigo 5º, XII, inicialmente dá a entender que as correspondências, as comunicações telegráficas e de dados nunca podem ser violadas, salvo as comunicações telefônicas, mas é exatamente o contrário.
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Até mesmo os empregadores podem monitorar os e-mails de seus empregados no local de trabalho.Direito Constitucional Na verdade. 44 do interesse público etc. justificadamente. Professora Amanda Almozara . a jurisprudência vem moderando esse entendimento. com equipamento do empregador e no horário de serviço (há divergências). pois vêm sendo admitidas quando para defesa do réu e para a acusação do servidor público. esse dispositivo estabelece reserva de jurisdição para a escuta telefônica. correspondência. cartas de ou para presidiários podem ser interceptadas pela administração do presídio. em favor da moralidade. No entanto. A escuta telefônica e a gravação telefônica clandestina não autorizada são consideradas provas ilícitas. e. são inadmissíveis (artigo 5º. telegramas e dados. portanto. por exemplo. e nos demais casos permite que outras autoridades possam violar. LVI).

mas. também contempla o Poder Geral de Cautela quando permite que o Juiz proteja qualquer “ameaça” a direito. Embora a regra geral seja permitir que qualquer assunto litigioso seja judicializado. O artigo 5º.Direito Constitucional Atualmente fala-se em escuta ambiental. ao mesmo tempo. Em princípio. previsto no artigo 5º. há exceções: 45 Professora Amanda Almozara . XXXV. viabiliza a garantia a direitos fundamentais permitindo que qualquer interessado ingresse com ações judiciárias. qualquer lesão ou ameaça a direito podem ser levadas ao judiciário. É o princípio da inafastabilidade da prestação jurisdicional ou unidade da jurisdição. Segurança em Matéria Judiciária: O Poder Judiciário é integrante da separação dos poderes. XXXV.

§1º da CF). 7º) concessão de liminares que concedam aumentos de vencimentos a servidores (Lei 9. 4º) matéria interna corporis de cada um dos poderes. Professora Amanda Almozara .Direito Constitucional 1º) ato de soberania de país estrangeiro. 5º) não cabe HC na restrição à liberdade de locomoção em razão de sanção administrativa militar (artigo 142. por exemplo. 2º) atos de soberania ou atos políticos do governo brasileiro.507/97 e Súmula 02 do STJ) e matéria 46 desportiva (artigo 217.494/97) e ADC 04. salvo em duas situações: habeas data (Lei 9. 6º) temas sujeitos a cláusula arbitral (Lei 9. 3º) atos discricionários. §2º da CF). a decretação de guerra.307/96 – Arbitragem). 8º) não é necessário pedir ou esgotar a via administrativa para ingressar na via judicial.

47 Professora Amanda Almozara . O contraditório e ampla defesa também exigem publicidade dos atos e motivação das decisões (pode ser sucinta). e fundamentada por parte da doutrina no artigo 5º. administrativo ou judicial. LIV) e a procedimental. O devido processo procedimental exige contraditório e ampla defesa.Direito Constitucional Devido Processo Legal – artigo 5º. relacionada à razoabilidade (oriunda dos EUA. judicial e legislativo. LV: Há duas espécies de devido processo legal: a substantiva. cuida do devido processo procedimental. LIV. O artigo 5º. Due Process Off Law. associada ao processo administrativo. o que pressupõe defesa técnica (assistência por advogado).

MUITO COBRADO EM CONCURSO! 48 Professora Amanda Almozara . LXXVIII). como proibição do juízo ou tribunal de exceção (artigo 5º. NOVIDADE DA EC 45. LXXIII).Direito Constitucional Há regras correlatas ao devido processo legal. Também é correlata ao devido processo a duração do processo no prazo razoável (artigo 5º. XXXVII) e Juiz Natural (artigo 5º.

porque ela é regulada na própria CF. 49 Professora Amanda Almozara . Função social da propriedade. É regime jurídico de direito público. JOSÉ AFONSO DA SILVA diz que direito civil regula relações civis decorrentes do direito de propriedade. fala que é garantido o direito de propriedade e no inciso XXIII fala que propriedade atenderá a sua função social.Direito Constitucional Direito à propriedade: Regime Jurídico do direito de propriedade. A CF. daí ser de direito público. XXII. Agora a estrutura do direito de propriedade tem sede constitucional. Segundo JOSÉ AFONSO DA SILVA o direito de propriedade pertence ao direito público. Foi o entendimento adotado no CESPE. tendo vários dispositivos constitucionais que versem sobre o direito propriedade. no artigo 5o.

A propriedade só pode ser retirada observado o devido processo legal. portanto. São de quatro espécies. o fato da propriedade não cumprir função social não permite retirada arbitrária da propriedade. O que é função social da propriedade? Aquela que atende às finalidades constitucionais. no artigo 5o. isso permite que proprietário seja privado aleatoriamente de sua propriedade? NÃO. II e III há dispositivo que fala também da função social da propriedade. Se propriedade não cumpra a função social.Direito Constitucional Está prevista. podendo sofrer certas limitações. No artigo 170. XXIII. Segundo o STF. 50 Professora Amanda Almozara . Limitações Constitucionais ao direito de propriedade.

Ela é bem diferente da desapropriação. Somente a própria CF pode prever estas desapropriações-sanção. A requisição pode ser requisição: 51 Professora Amanda Almozara . Está no artigo 5o. Não será em dinheiro a indenização quando for desapropriação-sanção. XXIV da CR. 2) Requisição (art. 5o. prévia e via de regra em dinheiro.Direito Constitucional Limitações ao direito de propriedade são: 1) Desapropriação. XXV). A CF diz que lei estabelecerá o procedimento de desapropriação nas seguintes hipóteses: a) necessidade pública b) utilidade pública c) interesse social A CF prevê que a indenização nestes casos seja justa.

139. (art. DI PIETRO entende que confisco é espécie de desapropriação. b) Militar. 3) Confisco. Nem sempre há indenização. Aqui ocorre uma ocupação ou uso temporário. Só há indenização se houver dano. Aqui a propriedade não é transferida (continua com proprietário) só que é ocupada ou usada temporariamente pelo poder público. No entanto. não sendo o caso de confisco 52 estudado em tributário.Direito Constitucional a) Civil. No caso de guerra. no confisco NÃO há indenização. No caso de iminente perigo público. caput e §1o). Professora Amanda Almozara . O confisco de propriedade é permitido pela CF (art. E ela é sempre posterior. 243. NUNCA será prévia. Na requisição não há transferência de propriedade. VII).

já no confisco NÃO há indenização. Tanto no caso da usucapião urbana como o rural. Também é limitação ao direito de propriedade. os imóveis públicos NÃO podem ser adquiridos por usucapião!!! 53 Professora Amanda Almozara . A CF prevê uma usucapião especial com prazo menor do que o previsto no CC.Direito Constitucional Na desapropriação-sanção não há sanção. A usucapião constitucional tem o prazo de apenas cinco anos para que pessoa possa adquirir propriedade. Pelo fato de ter prazo menor irá exigir requisitos que o CC não irá exigir. Expropriação sem indenização é Confisco. 4) Usucapião Constitucional.

à segurança e à propriedade. à liberdade. SEM DISTINÇÃO de qualquer natureza. fixada em lei.Direito Constitucional DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS – artigo 5º da CF  TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI. nos termos seguintes: (VILISEPRO)  NINGUÉM SERÁ:  obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. à igualdade.  submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. 54 Professora Amanda Almozara . garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. alternativa.

Direito Constitucional  privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política.  preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. definidos em lei.  considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. 55 Professora Amanda Almozara .  privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. quando a lei admitir a liberdade provisória. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação  compelido a associar-se ou a permanecer associado. com ou sem fiança.  levado à prisão ou nela mantido.

 a intimidade. na forma da lei. de dados e das comunicações telefônicas. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação 56 criminal ou instrução processual penal. por ordem judicial. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.  o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida. a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. a vida privada.Direito Constitucional processado nem sentenciado senão pela autoridade competente  É INVIOLÁVEL:  a liberdade de consciência e de crença. salvo. a honra e a imagem das pessoas. no último caso. Professora Amanda Almozara .

artística. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. nos termos da lei. proporcional ao agravo. podendo qualquer pessoa.  a locomoção no território nacional em tempo de paz. sendo PROIBIDO o anonimato  a expressão da atividade intelectual.  É ASSEGURADO:  o direito de resposta. nele entrar. científica e de comunicação. Professora Amanda Almozara . moral ou à imagem. permanecer ou dele sair com seus bens. independentemente de censura ou licença.Direito Constitucional  É LIVRE:  a manifestação do pensamento. além da 57 indenização por dano material. ofício ou profissão.  o exercício de qualquer trabalho.

quando necessário ao exercício profissional.  é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte.  a todos.Direito Constitucional prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares. independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direito ou contra ilegalidade ou abuso de poder. 58 Professora Amanda Almozara . para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. b) a obtenção de certidões em repartições públicas.

.  regulará a individualização da pena e adotará. as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade. ou por interesse social. c) multa.. mediante justa e prévia indenização em dinheiro. 59 Professora Amanda Almozara . o ato jurídico perfeito e a coisa julgada  penal não retroagirá.Direito Constitucional  A LEI:  estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública.  não prejudicará o direito adquirido. . b) perda de bens. entre outras.  não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. salvo para beneficiar o réu.

d) prestação social alternativa. podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser estendidas aos sucessores e contra eles executadas. 60 Professora Amanda Almozara . até o limite do valor do patrimônio transferido.. e) suspensão ou interdição de direitos.  punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais.Direito Constitucional ..  só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem.  PENAS:  nenhuma pena passará da pessoa do condenado.

contra a ordem constitucional e o Estado Democrático e a prática do racismo. civis ou militares. 61 Professora Amanda Almozara . e) cruéis.  será admitida ação privada nos crimes de ação pública. d) de banimento. se esta não for intentada no prazo legal  constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados. nem pena sem prévia cominação legal. b) de caráter perpétuo. nos termos da lei. salvo em caso de guerra declarada.  CRIMES:  não há crime sem lei anterior que o defina.Direito Constitucional não haverá penas: a) de morte. c) de trabalhos forçados. sujeito à pena de reclusão.

 e os definidos como crimes hediondos. se omitirem  PRISÃO:  não haverá prisão civil por dívida. salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel.  o terrorismo . os executores e os que.  o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. 62 Professora Amanda Almozara . por eles respondendo os mandantes. podendo evitá-los.Direito Constitucional  a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia:  a prática da tortura.

 o Estado indenizará o condenado por erro judiciário.  A PROPRIEDADE:  é garantido o direito de propriedade. não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva. desde que trabalhada pela família.  a propriedade atenderá a sua função social. 63 Professora Amanda Almozara . assim definida em lei. dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento. assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença.Direito Constitucional a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária  não haverá juízo ou tribunal de exceção.  a pequena propriedade rural.

sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. sem armas. desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local. independentemente de autorização. ou. por determinação judicial  no caso de iminente perigo público.  ENTIDADES E ASSOCIAÇÕES:  todos podem reunir-se pacificamente. assegurada ao proprietário indenização ulterior. a autoridade competente poderá usar de propriedade particular. durante o dia. em locais abertos ao público. ou para prestar socorro. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador. se houver dano.Direito Constitucional a casa é asilo inviolável do indivíduo. 64 Professora Amanda Almozara .

exigindo-se. sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento.Direito Constitucional  é plena a liberdade de associação para fins lícitos. no primeiro caso. quando expressamente autorizadas. têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente. o trânsito em julgado.  a criação de associações e a de cooperativas independem de autorização.  as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial. vedada a de caráter paramilitar.  as entidades associativas. 65 Professora Amanda Almozara .

Direito Constitucional  PROCESSOS:  aos litigantes. em processo judicial ou administrativo. no processo. o sigilo das votações.  SUCESSÃO E HERANÇA:  é garantido o direito de herança.  é reconhecida a INSTITUIÇÃO DO JÚRI. com os meios e recursos a ela inerentes.  o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos  são inadmissíveis. a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. as provas obtidas por meios ilícitos. assegurados:  a plenitude de defesa. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa. a soberania dos veredictos. 66 Professora Amanda Almozara .

que serão prestadas no prazo da lei. ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado. sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus.  todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular.  OUTROS DIREITOS:  homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. 67 Professora Amanda Almozara . ou de interesse coletivo ou geral.Direito Constitucional  a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros.  o Estado promoverá a defesa do consumidor. sob pena de responsabilidade.

ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. na forma da lei. em caso de crime comum. por ilegalidade ou abuso de poder. salvo o naturalizado. praticado antes da naturalização.Direito Constitucional  EXTRADIÇÃO:  nenhum brasileiro será extraditado. 68 Professora Amanda Almozara .  REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS:  conceder-se-á HABEAS CORPUS sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção.  não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião.

em defesa dos interesses de seus membros ou associados. b) organização sindical. entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano. não amparado por habeas corpus ou habeas data. quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.  o MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional. 69 Professora Amanda Almozara .Direito Constitucional  conceder-se-á MANDADO DE SEGURANÇA para proteger direito líquido e certo.

 conceder-se-á HABEAS DATA: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante. 70 Professora Amanda Almozara . à soberania e à cidadania. constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público.Direito Constitucional  conceder-se-á MANDADO DE INJUNÇÃO sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. judicial ou administrativo. b) para a retificação de dados. quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso.

à moralidade administrativa. salvo comprovada má-fé. e. 71 Professora Amanda Almozara . na forma da lei.  são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data. os atos necessários ao exercício da cidadania. ficando o autor.Direito Constitucional  qualquer cidadão é parte legítima para propor AÇÃO POPULAR que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe. ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.

 serve também para retificação de dados.  é uma ação personalíssima 72 Professora Amanda Almozara . quando NÃO se prefira fazê-lo por processo sigiloso. constante de registro ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público. HABEAS CORPUS HABEAS DATA  a propositura da ação é gratuita. por ilegalidade ou abuso de poder.Direito Constitucional REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS Conceito  sempre que alguém sofrer (HC Repressivo) ou se achar ameaçado de sofrer (HC Preventivo) violência ou coação em sua LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO. por menor ou por estrangeiro. judicial ou administrativo. Considerações  pode sem impetrado pela própria pessoa.  para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante.

entidade de classe ou associa legalmente constituída a pelo menos 1 ano. mas somente através de advogado  Legitimidade para impetrar MS Coletivo: Organização Sindical. quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. 73 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO Professora Amanda Almozara . assim como partidos políticos com representação no Congresso Nacional.  qualquer pessoa física ou jurídica pode impetrar.  instrumento que visa proteger direito líquido e certo de uma coletividade. quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.  OBJETIVO: defesa do interesse dos seus membros ou associados.Direito Constitucional MANDADO DE SEGURANÇA  para proteger direito líquido e certo não amparado por HC ou HD. está isento de obscuridades.  Líquido e Certo: o direito não desperta dúvidas.

 qualquer pessoa pode propor. brasileira ou estrangeira 74 Professora Amanda Almozara . ao Meio Ambiente. à moralidade Administrativa. DIREITO DE PETIÇÃO  Objetivo: Defender direito ou noticiar ilegalidade ou abuso de autoridade pública. AÇÃO POPULAR  a propositura cabe a qualquer cidadão (brasileiro) no exercício de seus direitos políticos.  qualquer pessoa (física ou jurídica) pode impetrar.  visa a anulação ou à declaração de nulidade de atos lesivos ao: Patrimônio Público. à soberania e à cidadania.Direito Constitucional MANDADO DE INJUNÇÃO  sempre que a falta de norma regulamentadora que torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. ao Patrimônio Histórico e Cultural. sempre através de advogado.

além de outros que visem à melhoria de sua condição social:  A relação de emprego É PROTEGIDA contra despedida arbitrária ou sem justa causa. SALVO o disposto em convenção ou acordo 75 coletivo.  piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho. (Atenção. Professora Amanda Almozara . o lazer. fixado em lei.  SALÁRIO:  salário mínimo. 6º ao 11 da CF  São DIREITOS SOCIAIS: a educação.  Seguro-Desemprego: em caso de DESEMPREGO INVOLUNTÁRIO. nacionalmente unificado. o trabalho. a saúde. a previdência social. cai no concurso!) DOS DIREITOS DOS TRABAHADORES  São DIREITOS dos trabalhadores urbanos e rurais. a moradia. nos termos de LEI COMPLEMENTAR. a assistência aos desamparados. na forma desta Constituição. a segurança. a proteção à maternidade e à infância.Direito Constitucional DOS DIREITOS SOCIAIS – art. sendo vedada sua vinculação para qualquer fim.  irredutibilidade do salário.

 remuneração do serviço extraordinário superior. mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. 76 Professora Amanda Almozara . facultada a compensação de horários e a redução da jornada.  13º salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria. salvo negociação coletiva.  proteção do salário na forma da lei.  REMUNERAÇÃO:  remuneração do trabalho noturno superior à do diurno. NO MÍNIMO. constituindo crime sua retenção dolosa.  jornada de 6 horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento.  salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda.Direito Constitucional  garantia de salário nunca inferior ao mínimo. para os que percebem remuneração variável. em 50 % à do normal.  DURAÇÃO E JORNADA DE TRABALHO:  duração do trabalho normal NÃO SUPERIOR a 8 HORAS DIÁRIAS e 44 SEMANAIS.

com 5 dias consecutivos. participação na gestão da empresa. sem prejuízo do emprego e salário. e.  aviso prévio proporcional ao tempo de serviço.  participação nos lucros.  ação.  assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 6 anos de idade em creches e pré-escolas.Direito Constitucional  CONQUISTAS:  gozo de férias anuais remuneradas com 1/3 a mais do que o salário normal. insalubres ou perigosas.  aposentadoria.  adicional de remuneração para as atividades penosas. preferencialmente aos domingos. DESVINCULADA DA REMUNERAÇÃO. até o limite de 2 anos após a extinção do contrato de trabalho. com prazo prescricional de 5 anos para os trabalhadores urbanos e rurais.  fundo de garantia do tempo de serviço. ou resultados.  licença à gestante.  repouso semanal remunerado. sendo no mínimo de 30 dias. excepcionalmente. quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho. 77 Professora Amanda Almozara .  licença-paternidade. com a duração de 120 dias.

técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos. cor ou estado civil. na forma da lei.  em face da automação.  de distinção entre trabalho manual. idade. a partir de 14 anos  PROTEÇÃO QUANTO À:  mercado de trabalho da mulher. por meio de normas de saúde. 78 Professora Amanda Almozara . perigoso ou insalubre. higiene e segurança.  aos menores de 18 anos: de trabalho noturno. mediante incentivos específicos. SALVO na condição de aprendiz.  aos menores de 16 anos: a de qualquer trabalho a. nos termos da lei.  redução dos riscos inerentes ao trabalho. igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso. de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo.  de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência.Direito Constitucional  PROIBIÇÕES:  de diferença de salários.

79 Professora Amanda Almozara .Direito Constitucional  seguro contra acidentes de trabalho.  Aviso prévio.  Aposentadoria. quando incorrer em dolo ou culpa. a CARGO DO EMPREGADOR.  reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho.  Salário Mínimo.  13º salário.  Irredutibilidade do Salário.  Licença maternidade de 120 dias.  Licença paternidade. sem excluir a indenização a que este está obrigado.  Férias + 1/3.  repouso semanal remunerado.  São assegurados aos TRABALHADORES DOMÉSTICOS:  integração à Previdência Social.

base esta não podendo ser inferior à área de um Município. inclusive em questões judiciais ou administrativas.  É VEDADA a criação de mais de uma organização sindical. para custeio do sistema. será descontada em folha.  cabe ao SINDICATO a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria.  NINGUÉM SERÁ OBRIGADO A FILIAR-SE OU A MANTER-SE FILIADO A SINDICATO.  vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na ORGANIZAÇÃO SINDICAL.  é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho. 80 Professora Amanda Almozara .  a ASSEMBLÉIA GERAL fixará a contribuição que. representativa da mesma categoria profissional ou econômica. em se tratando de categoria profissional.Direito Constitucional  É livre a ASSOCIAÇÃO PROFISSIONAL OU SINDICAL.  o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais. na mesma base territorial. observado o seguinte:  a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato.

até um ano após o final do mandato. se eleito.Direito Constitucional  é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e.  Transporte coletivo.  Serviços ou atividades essenciais que deverão ser observados pelos grevistas:  Tratamento e abastecimento de água. salvo se cometer falta grave nos termos da lei.  Guarda.  Assistência médica e hospitalar.  Com relação ao DIREITO DE GREVE:  É assegurado o DIREITO DE GREVE.  Telecomunicações. gás e combustível. competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender. ainda que suplente.  Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei. uso e controle de substância radioativas e equipamentos. 81 Professora Amanda Almozara .  Compensação bancária.  Controle tráfego aéreo. energia elétrica.

é a norma que tem que indicar o Estado de que depende cada um. b) Da consangüinidade: ius sanguinis – são nacionais os descendentes de nacionais – chamado de vínculo de sangue.Direito Constitucional DA NACIONALIDADE – art. mas ser brasileiro nato. ou seja. 82 Professora Amanda Almozara . Adotam-se dois critérios: a) Da territorialidade: ius solis – atribui a nacionalidade a quem nasce no território do Estado de que se trata. teremos o brasileiro nato. pois esta é o local físico onde se nasce e não necessariamente coincide com a nacionalidade. Por exemplo. o indivíduo pode ser londrino.  Espécies de nacionalidade e peculiaridades: 1) primária. por ser filho de diplomata brasileiro que lá se encontra em serviço. de origem ou originária: vinculada ao fato natural do nascimento.  Não se deve confundir nacionalidade com naturalidade. 12 e 13 da CF  A nacionalidade define o elo que une um indivíduo a um Estado determinado. por ter nascido em Londres. No caso da nacionalidade primária.

por exemplo. É o caso dos filhos cujos pais são oriundos de Estado que adota o critério do ius solis e que nascem num Estado que adota o do ius sanguinis. indica que um indivíduo e é desprovido de nacionalidade. ou seja. 83 Professora Amanda Almozara .Direito Constitucional 2) Secundária o adquirida: é a nacionalidade que se adquire pela vontade do indivíduo ou do Estado por meio de naturalização (fato artificial). Nesse caso teremos o brasileiro naturalizado. o que acontece. quando seu nascimento se vincula aos dois critérios de determinação da nacionalidade primária. É o caso dos filhos cujos pais são oriundos de Estado que adota o critério do ius sanguinis e nascem num Estado que adota o ius solis. Termos importantes:  POLIPÁTRIDA: é o indivíduo que possui mais de uma nacionalidade.  APÁTRIDA OU HEIMATLOS: significa sem pátria.

pela nacionalidade brasileira. residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal. adquiram a nacionalidade brasileira.NATURALIZADOS: a) os que. b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade. exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral. desde que sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem. ainda que de pais estrangeiros. de pai brasileiro ou mãe brasileira. b) os nascidos no estrangeiro. desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil.Direito Constitucional  São BRASILEIROS: I . em qualquer tempo.NATOS: a) os nascidos na República Federativa do Brasil. desde que requeiram a nacionalidade brasileira. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 54. de 2007) II . 84 Professora Amanda Almozara . depois de atingida a maioridade. desde que estes não estejam a serviço de seu país. na forma da lei. c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira.

Direito Constitucional  Aos portugueses com residência permanente no País. PERDA DA NACIONALIDADE : do brasileiro que: Itiver cancelada sua naturalização. II adquirir outra nacionalidade. de Ministro de Estado da Defesa. de Ministro do Supremo Tribunal Federal. de oficial das Forças Armadas. A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados. se houver reciprocidade em favor de brasileiros. serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro.  III III IV VVI VII São privativos de BRASILEIRO NATO os cargos: de Presidente e Vice-Presidente da República. POR SENTENÇA JUDICIAL. em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. salvo nos casos: 85 Professora Amanda Almozara . da carreira diplomática. de Presidente do Senado Federal. salvo nos casos previstos nesta Constituição. de Presidente da Câmara dos Deputados. salvo os casos previstos nesta Constituição.

b) de imposição de naturalização. pela forma estrangeira.Direito Constitucional a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira. 86 Professora Amanda Almozara . ao brasileiro residente em Estado estrangeiro. as armas e o selo nacionais.  Os Estados. o Distrito Federal e os Municípios poderão ter símbolos próprios.  A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. o hino. como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis.  São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira.

qualificando o nacional como eleitor. 87 Professora Amanda Almozara . seja sendo votado.Direito Constitucional DIREITOS POLÍTICOS – art. De modo geral. e consistem na reunião dos meios necessários para o exercício da soberania popular. O alistamento se faz mediante qualificação e inscrição da pessoa como eleitor perante a Justiça Eleitoral. os direitos políticos são os que asseguram a participação do indivíduo no governo de seus pais. a cidadania é adquirida com a obtenção do título de eleitor válido.  Eles estão intimamente ligados à cidadania.  É muito importante saber que os direitos da cidadania adquirem-se mediante o alistamento eleitoral na forma da lei. 14 a 16 da CF  Os direitos políticos merecem um relevo especial na estrutura do Estado contemporâneo.  Portanto. seja votando.

Direito Constitucional  A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. 88 Professora Amanda Almozara .  Não podem alistar-se como ELEITORES: os estrangeiros e. b) os maiores de 70 anos. os conscritos (enquartelados). III INICIATIVA POPULAR.  O ALISTAMENTO ELEITORAL e o VOTO são: Iobrigatórios para os maiores de 18 anos. com valor igual para todos. II facultativos para: a) os analfabetos. e. c) os maiores de 16 e menores de 18 anos. durante o período do serviço militar obrigatório. II REFERENDO. nos termos da lei. mediante: IPLEBISCITO.

na forma da lei: Ia nacionalidade brasileira. VI a idade mínima de: a) 35 anos para Presidente. os Governadores de Estado e do Distrito Federal. Direitos políticos e eleitorais são de competência da União – art.  O Presidente da República.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16. Prefeito. 22.Direito Constitucional  São condições de ELEGIBILIDADE. Vice-Prefeito e Juiz de Paz. b) 30 anos para Governador e Vice-Governador. c) 21 anos para Deputado Federal e Estadual ou Distrital. XIII e I da CF. d) 18 anos para Vereador. de 1997) 89 Professora Amanda Almozara . IV o domicílio eleitoral na circunscrição. Vice-Presidente e Senador. Va filiação partidária. os Prefeitos e quem os houver sucedido.  SÃO INELEGÍVEIS os inalistáveis e os analfabetos. III o alistamento eleitoral. II o pleno exercício dos direitos políticos. ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subseqüente.

no território de jurisdição do titular. para a inatividade (reserva). do Presidente da República. atendidas as seguintes condições: Ise contar menos de 10 anos de serviço. no ato da diplomação. passará automaticamente. se eleito. de Governador de Estado ou Território.  São inelegíveis. do Distrito Federal. até o segundo grau ou por adoção. de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito. deverá afastar-se da atividade. salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.  O militar alistável é ELEGÍVEL.Direito Constitucional  Para concorrerem a outros cargos. II se contar mais de 10 anos de serviço. o Presidente da República. 90 Professora Amanda Almozara . o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins. será agregado pela autoridade superior e.

III condenação criminal transitada em julgado. corrupção ou fraude. cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: Icancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado. Vimprobidade administrativa.  A lei que alterar o processo eleitoral ENTRARÁ EM VIGOR na data de sua publicação. II incapacidade civil absoluta.  A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça. se temerária ou de manifesta má-fé. IV recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. enquanto durarem seus efeitos. instruída a ação com provas de abuso do poder econômico.  É VEDADA A CASSAÇÃO DE DIREITOS POLÍTICOS. respondendo o autor. 91 Professora Amanda Almozara . na forma da lei. NÃO SE APLICANDO À ELEIÇÃO QUE OCORRA ATÉ 1 (UM) ANO DA DATA DE SUA VIGÊNCIA.Direito Constitucional  O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação.

(Presidente e Vice. Prefeito e Vice com mais de 200 mil hab. Estaduais e Distritais e Vereadores) Mecanismo a ser adotado: 92 Professora Amanda Almozara . (Senadores e Prefeitos de cidades com menos de 200 mil hab. são dois: 1º) Sistema majoritário: vence quem obtiver a maioria dos votos.Direito Constitucional Sistemas eleitorais O sistema eleitoral é um conjunto de regras que tem por fim organizar as eleições. (Deputados Federais. terá 2º turno com os dois mais votados. se ninguém conseguir.) b) Maioria absoluta: obtenção de maioria absoluta no 1º turno de votação. No Brasil.) 2º) Sistema proporcional: eleição se dá na proporção da preferência dos eleitores. Governador e Vice. atualmente. a) Maioria simples: única votação.

d) Distribuir os restos: podem sobrar lugares a serem preenchidos em conseqüência dos restos de votos em cada legenda não suficientes para fazer mais um eleito. despreza-se a fração igual ou inferior a 0. até a sua total distribuição entre os partidos. que se obtém dividindo o número de votos obtidos na legenda (incluindo os dos candidatos) pelo quociente eleitoral. que é o número de lugares cabíveis a cada partido. c) Determinar o quociente partidário. repetindo-se a mesma operação tantas vezes quanto forem necessárias.5 e arredonda-se para uma fração superior a 0. Os partidos precisam eleger no mínimo 01 candidato para participar do rateio. O primeiro lugar a preencher caberá ao partido que obtiver a maior média. dividindo o número de votos válidos pelo número de lugares a preencher (de acordo com o caso.Direito Constitucional a) Determinar os votos válidos (dados à legenda e aos candidatos) b) Determinar o quociente eleitoral. 93 Professora Amanda Almozara . que consiste em adicionar mais um lugar aos obtidos por cada um dos partidos.5). depois pegar o número de votos válidos atribuídos a cada partido e dividi-lo por aquela soma. desprezada a fração. O direito brasileiro adotou o método de maior média.