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BNDES: um enclave político a promover enclaves econômicos?

Luis Fernando Novoa Garzon

Prof. da Universidade Federal de Rondônia, doutorando do IPPUR-UFRJ, membro da Rede Brasil sobre IFMs e da Plataforma BNDES

Na trajetória histórica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que surge em 1952 como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), elucidam-se os caminhos por que passou o processo de construção e desconstrução nacional. Em si, a (re)construção institucional do BNDES sempre foi lugar privilegiado para partejar novos processos, abrir sendas históricas, quer progressivas, quer regressivas. Foi o BNDES que delineou os traços do mercado interno nos anos do nacional-desenvolvimentismo, sobre o tripé: capital privado nacional, estatais e capital multinacional. O modelo de substituição de importações foi consolidado pelo BNDES em nome de uma burguesia que se pretendia associada, com direito a alguma primazia regional. Ainda que de forma espasmódica — com uma ditadura para pôr o tripé sob controle da perna imperialista, em posição de segurança tutelada —, esse ciclo perdurou até o começo da década de 1990. Com os governos neoliberais, o BNDES passa a financiar e planejar a regressão desse processo, desvertebrando e fatiando o corpo que antes nutrira. O BNDES sempre cumpriu ativamente o papel que se lhe impunha. Durante o ciclo de substituição de importações, foi considerado indispensável na constituição da contraparte nacional de uma descentralização (do ponto de vista

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internacional) preferencial do capital estrangeiro, no Brasil. Ainda que com os núcleos dinâmicos da economia nacional sob controle do capital estrangeiro, nas bordas (autopeças, metalurgia) e na base econômica (siderurgia e infraestrutura), e em um território continental, havia um pulsar agregado e compassado que permitia imaginar uma nação no porvir. No plano discursivo,1 qualquer projeto de nação, em um país com dois terços de sua população oprimidos secularmente, requereria algum horizonte de integração social e recorreria a um “povo brasileiro” com um grau mínimo de homogeneidade. O nacional-desenvolvimentismo teve de apelar ora ao populismo, ora ao patriotismo disciplinador. Foi ainda durante a ditadura, em 1982, que o BNDE ganhou seu S, de “social”, para que não restassem dúvidas nominais quanto ao caráter do desenvolvimento econômico pretendido. Mesmo a esquerda de corte marxista, com seu projeto nacional-popular, teria de, por tabela, disputar o conceito de nação, procurando realizar “por baixo” as tarefas nacionais e democráticas, completamente alheias à nossa burguesia. No entanto, os frágeis sustentáculos da “nação em construção” começaram a ser corroídos com a agudização da crise da dívida, na metade da década de 1980. O modelo de “integração competitiva”, que mais tarde se estabeleceria como alternativa hegemônica, foi pioneiramente esboçado por técnicos do BNDES, a partir de seu posto avançado de observação do esgotamento da capacidade de financiamento público dos setores de infraestrutura.

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Segundo Faircloug, o discurso não é apenas um local de luta de poder, mas também um marco delimitador na luta

de poder: “A prática discursiva recorre a convenções que naturalizam relações de poder e ideologias particulares , e as próprias convenções e os modos em que se articulam são um foco de luta” (2001, p. 94).

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expostas à competição com o exterior. diretor do Departamento de Planejamento do Banco. vindo a representar. 2007. o BNDES. e instruído por uma equipe técnica coordenada por Luiz Paulo Vellozo Lucas. 37) Sob a justificativa da inovação e da corrida tecnológica. tendo à testa o empresário Márcio Fortes. a opção nacional para a participação do Brasil no processo de globalização” (Mourão. e os setores mais dinâmicos sobressairiam por si sós. 2002. visando a modernizar suas práticas operacionais e adaptar-se às novas condições. dentro de seu âmbito de atuação. p. mas o conceito da Integração Competitiva já ganhara força própria. Outra consequência foi que o Banco passou por uma abrangente reorganização interna. em leilões públicos. mas diversos segmentos da sociedade tinham absorvido a proposta e a nova bandeira ganhou o mundo político. Num processo absolutamente inédito no país. a reformulação do papel do Estado. 2 Ainda sob o governo Sarney. p. de forma transparente e eficaz. nos anos 1990. propunha-se repassar o pleno comando da economia nacional para o setor privado e transnacional. ainda em maio de 1984. Em 1990 o trabalho de cenários foi descontinuado. apresentou seu novo Plano Estratégico (1997-1990) que já incorporava os cenários possíveis da “integração competitiva”. vaticinaram-se o fim do ciclo de substituição de importações e a necessidade de construção de um novo paradigma de política industrial: “O BNDES começou.Em seminário concebido por Júlio Mourão. . Aos cem 2 “As empresas tinham de ser instadas a prospectar novas tecnologias no mundo. 140) 3 . Acabava a história de eleger um setor preferencial e cumulá-lo de proteção. Às instituições públicas competiria o papel de coordenar as empresas para que melhor se integrassem nesse novo cenário” (Nassif. em dois anos e meio foram privatizadas catorze empresas. Não só a cultura do BNDES mudara.

na identificação e facilitação das “privatarias”. definindo preços mínimos. sob o toque de caixa do automatismo de mercado procurou excluir a possibilidade de qualquer traço de autonomia nas políticas industrial e de comércio exterior. e se renomina. a abertura comercial e as privatizações como ferramentas básicas para a chamada reestruturação competitiva da economia brasileira. que elencava a desregulamentação. Foi o BNDES que implementou o Programa Nacional de Desestatização (lei 8. que se recicla. Na busca de um reposicionamento relativamente 4 . Surgiram novos interesses e regras que impuseram como princípio supremo a conectividade do território e de todos os fatores econômicos nele postados. a reestruturação da economia brasileira. valendo-se do uso de “moedas podres” e de indiscriminado financiamento público. nem tiveram uma natureza meramente geométrica. É nesse quadro. isto é. agora como banco de abordagem e abalroamento. desarmando obstáculos administrativo-jurídicos. 2000. a partir de 2003. foi lançado o Programa Diretrizes Gerais da Política Econômica e do Comércio Exterior. Os cortes de gastos e as privatizações não foram lineares. O BNDES continuou sendo indispensável. Na era FHC. a forma padrão das privatizações nessa década: voltadas para a desnacionalização e reconfiguração patrimonial de nossas estruturas produtivas com o intermédio de subavaliações. 21).primeiros dias do mandato de Fernando Collor de Melo. p. localizando empresas mais atrativas. o modelo de inserção competitiva. articulando potenciais investidores e depois ainda financiando a transferência patrimonial (Pinheiro e Giambiagi.031/1990). em 26 de junho de 1990.

iniciadas nos anos de desmonte. concebido não mais como nação e sim como uma preciosa coleção de habilidades. e com base regional ampliada. A busca da unidade na diversidade do desmonte neoliberal A composição da diversidade produzida pelo desmonte neoliberal em uma nova unidade. O Banco está já está se incumbindo disso de duas formas. definidas como aquelas constituídas sob as leis brasileiras e com sede e administração no país. A primeira. seria a missão conferida ao BNDES. Nesse sentido. para que aqui estendam suas plantas operacionais. com estatais orientadas para suplementar os requisitos dos mercados. O Banco nuclearia a construção ativa dessa internacionalização retardatária. alianças empresariais público-privadas. A segunda é potencializar as empresas de capital brasileiro. vêm protagonizando dinâmicas de concentração e centralização dos capitais postados no Brasil. de capital nacional. em patamar diferenciado no mercado global. procurando influenciar as filiais transnacionais situadas no país ao adicionar elementos espaciais e setoriais às estratégias delas. desde então. que se dá com a otimização das especializações econômicas regressivas. essas filiais contam com um conjunto de estímulos governamentais coordenados que envolvem medidas de liberalização comercial e flexibilização legal. Um espaço assumidamente dedicado a valorizar capital despatriado. O Banco. o BNDES manterá sua posição nuclear na concepção e operacionalização desse deslocamento. especializações e fronteiras de mercado.vantajoso do país na divisão internacional do trabalho. Grande parte delas são empresas-casulo: ou incubadas pelo capital estrangeiro 5 .

pelo seu poder desequilibrador dos pactos oligopolistas. para servir na montagem benévola do domínio dos grandes negócios.3 Corporatização ou corporativização é a antessala da privatização. mas não consegue avançar. 2000. para que se torne enxuta e rentável previamente (Nestor e Mahboobi. Queimados os navios e pontes de saída. O Brasil das transnacionais. De forma preventiva. só tiveram efetividade porque houve vontade deliberada do próprio governo de anuir a eles. No início do mandato do Governo Lula é lançado o ultimato: o BNDES que seja extinto ou corporatizado. 6 . o sistema financeiro precisou enquadrar as políticas seletivas de financiamento. Parece que esse governo pelo menos tenta deter. paralisar o processo de corporativização do Banco. A forma como e os motivos pelos quais Carlos Lessa foi destituído evidenciam uma retomada da corporativização” (Rede Brasil. 36). Soberania ex post. Direitos sociais vindos como bônus-domesticação. p 119). os constrangimentos impostos pelo sistema financeiro e transnacional. coletada depois em publicação da editora Expressão Popular: “ o Banco fica em uma posição de que só sobrevive se seguir à risca as determinações que outros bancos privados seguem. isto é a conversão de empresa pública em empresa comercial. seria uma dessas naves de saída? Na verdade. O BNDES. perguntam os sabotadores que alternativa resta. 3 Reproduzo sobre essa questão trecho de intevenção oral por mim feita em seminário organizado pela Rede Brasil sobre IFMS perante membros da diretoria do Banco. Grupos econômicos que se aproveitam da vantajosa estrutura institucional oferecida pelo país para expandir e monopolizar faixas determinadas de cadeias produtivas transnacionais. Esse parece ser o pano de fundo que ficou muito claro nesse governo. Participação válida até onde o novo cabresto da “governança” esticar. 2007.ou orbitando em volta dele. com relação ao seu funcionamento e à sua gestão. do agronegócio e das altas finanças continua se apresentando como o “Brasil de todos”. p.

A crítica à funcionalidade dos mecanismos compulsórios de financiamento dos investimentos. Propunha ele a atrofia gradual do BNDES. que enxuguem a liquidez que interessa. o que na prática significa dizer. Arida tratou de emitir a senha para que fosse coberto o risco político do financiamento público de longo prazo. Por fim. A chamada Proposta Arida (Arida. De tal forma que não haveria mais justificativa para a interferência do Estado — e do BNDES — nesse tipo de financiamento. O BNDES. transitaria para uma convergência com a taxa Selic. seja no mercado de capitais.No caso. o crédito público direcionado é visto paradoxalmente como estímulo à particularização frente à universalidade da lógica dos mercados. A ameaça na forma 7 . o acesso ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) seria pluralizado. 2007). especificamente ao BNDES. em nome da coerência com a política macroeconômica. que sempre referenciaram e remuneraram o próprio Arida. a apontar incongruências com políticas restritivas da demanda agregada. Segue o panóptico financeirizante a identificar reais e potenciais desvios no regime de irrestrita valorização do capital fictício. a rigor um Ersatz do capital financeiro. principal ferramenta de direcionamento do crédito. zerando a alíquota do PIS mantendo depois o Banco no limite do acumulado. seja no mercado financeiro. 2005) refletiu o temor de perda do autodirecionamento dos conglomerados financeiros. privatizado. Em entrevista. A taxa de juros de longo prazo (TJLP). avaliava que o setor privado tem obtido prazos dilatados de financiamento. é na verdade uma exigência cifrada de uma compulsoriedade ponta-cabeça: os investimentos privados é que devem definir o direcionamento dos financiamentos públicos. deveria ser paulatinamente extinto na opinião de Arida (citado em Maia.

na perspectiva do projeto desenvolvimentista periférico/suplementar. créditos condicionados a conglomerações previamente definidas e não em função da sofisticação das cadeias produtivas.4 a vantagem primeira. portanto. p. Tendo-se em conta o novo papel do continente na divisão internacional do trabalho. prioridade para grandes corporações com investment grade. o BNDES um enclave político mediador e reprodutor de enclaves econômicos? 4 Sobre processos de construção institucional. concessões na direção oposta passam a ser bemvindas. observam-se não apenas a multiplicação dos enclaves mas a universalização de sua lógica. Todas as fichas na expansão dos enclaves existentes e futuros. Seletividade para solidificar as posições hegemônicas. volume e permeabilidade desses núcleos. O Banco só será tolerado.de enigma: postos os vetos. O institutional building do BNDES vai se dando processualmente em uma lógica adaptativa conforme a coalizão hegemônica de interesses monopolistas na instituição. a partir de dentro do Estado. foi estabelecida a partir do século XIX por núcleos exportadores controlados de forma direta pelo exterior. p. ver Tapia (2007. precificado positivamente. especificamente o do Brasil. seguindo o script na ordem inversa das restrições dos mercados. 1979. propiciando convenientes internalizações nacionais e sub-regionais desta mesma. Seria. 8 . Distintas combinações históricas foram possíveis a partir do perfil. seria oferecer aos mercados o poder de definir essa estruturação. em sua conceituação original (Cardoso e Falleto. Se as instituições são capazes de estruturar as vantagens comparativas da nação. A economia de enclave dos países latino-americanos. 64-9). 183-9). no limite.

Automatização dos requisitos monopolistas na política de financiamento do BNDES O BNDES tem adotado como norma o financiamento de empreendimentos de infraestrutura conformados por projects finances. Isso porque no modelo de project finance é a performance do projeto que determina sua viabilidade. Formatar projetos de infraestrutura com foco predominante no retorno financeiro significa transferir para o setor privado o planejamento de setores antes considerados estratégicos e essenciais. desde o começo. ou seja. sujeita-se a ser refém do retorno financeiro dos projetos por ele financiados. O formato project finance tem amparo legal na Lei das Parcerias PúblicoPrivadas (PPPs) e na lei 11. desde que todos os riscos estejam. O próprio cronograma fica blindado. identificados. além do comprometimento do esforço fiscal e o sobre-endividamento. que é fruto da chamada Medida Provisória(MP) “do Bem”. Dessa maneira. O art. O project finance virou regra e lei para projetos de infraestrutura tocados pela via das PPPs. 5 O project finance nomina um conjunto de acordos de financiamento segundo a lucratividade futura. visto que é instrumento central para a viabilização das garantias oferecidas. geridos e mitigados devidamente. A conversão do Project Finance em padrão para os bancos públicos de fomento significa consagrar um modelo de financiamento que estabelece garantias presentes de expansão futura dos monopólios privados. O pretexto invariável é a dificuldade de elevar o nível do investimento público. Isso significa que as concessionárias estão autorizadas a oferecer parcela de sua receita operacional futura como garantia para financiamentos de longo prazo.196/2005.5 A amortização dos juros e do principal pode começar antes mesmo da operação. os recebíveis nos marcos de um fluxo de caixa “estável e consistente”. 9 . em níveis de previsibilidade administráveis. 120 desta lei institui a cessão fiduciária de créditos nos financiamentos de projetos de infraestrutura. compartilhados.

dos cinquenta maiores projetos em cinco “áreas críticas”. tudo o que vier a afetar a potencial taxa de retorno do projeto será exorcizado e excomungado pelos setores comprometidos previamente com esse nível de resultado.5 bilhão 7. Mineração EMPRESA ANO UF/MUN VALO R DO PROJ. depois de insistentes reclamos de organizações da sociedade civil. a seguir.3 bilhões 59 bilhões (44 bilhões no país) FINANCIAMENTO BNDES (R$) 1. na acepção da Presidência do Banco.br/SiteBNDES/bndes/bndes…/BNDES_Transparente 10 . justamente os que mais têm se concentrado e se expandido no mercado internacional. A resposta diuturna será o encaixotamento e o enquadramento de todos os custos/riscos. elencam os principais financiamentos aprovados pelo BNDES entre 2006 e 2009. e o BNDES em particular). em: www.No caso do Brasil. nas subsequentes fases de implementação do projeto.3 bilhões Gerdau Vale 2009 2008 Brasil e exterior Brasil e exterior 6 Os dados originam-se. No entanto.bndes. (R$) 4. Tabela 1. o que não permite vislumbrar a real dimensão e alocação dos financiamentos de longo prazo do BNDES. Nesse sentido. entre todos os atores envolvidos (o setor privado. os dados publicados referem-se aos doze meses acumulados.gov. da divulgação feita pelo Banco em 2008. dentro dos parâmetros de rentabilidade já acordados. Os dados dos anos anteriores a 2008 foram obtidos a partir dos releases que o BNDES disponibiliza em seu site para dar publicidade aos financiamentos que a instituição tem interesse em divulgar. de administrar os riscos previamente.6 em setores com uso intensivo de recursos naturais. As tabelas. o governo federal. firma-se um compromisso. em parte.

6 milhões 723. atualizada pelo autor 11 .7 bilhões - 1.2 bilhão 1 bilhão 9.48 bilhões 774.ThyssenKrupp/CSA Siderúrgica Vale Companhia brasileira de Alumínio Siderúrgica Barra MansaVotorantim Votorantim Metais Níquel S/A MMX Mineração e Logística Alcoa Alumínio Cosipa Votorantim Metais Zinco S/A 2007 2007 2008 2008 2008 2007 RJ/Santa Cruz PA/Carajás SP/Alumínio RJ/Resende 8 bilhões 1.9 milhões 580 milhões 1.8 milhões 664 milhões 582.15 bilhão+950 milhões 400 milhões 379.2 milhões GO/Niquelândia AP/Pedra Branca do Amapari 2007/2009 PA/Juriti 2006 2008 SP/Cubatão MG/Juiz de Fora Fonte: Ibase/Plataforma BNDES com base nos dados do Banco.4 bilhão 1.

1milhões 156.6 milhões 329.Tabela 2.6 milhões 196.5 milhões Bertim JBS S/A Marfrig Frigoríficos e Comércio de Alimentos Perdigão Industrial S. o Unibanco oferece uma linha de crédito direcionado para pequenos produtores. (R$) FINANCIAMENTO BNDES (R$) 2.4 bilhões 1. atualizada parcialmente pelo autor. 7 Lastreado pelo BNDES. Pecuária EMPRESA ANO UF/MUN VALO R DO PROJ. 12 .A Sadia Unibanco Perdigão Agroindustrial Mato Grosso 2008 2008 2008 2008 2008 20087 2008 Brasil e exterior GO Brasil e exterior Brasil e exterior PA/Carajás MT MT MT Fonte: Ibase/Plataforma BNDES com base nos dados do Banco. fornecedores (efetivos e potenciais) de frango para a Sadia/Perdigão. em suas unidades em Mato Grosso.1 bilhão 700 milhões 342.

13 .Tabela 3.4 bilhões 2.5 bilhões 1.9 milhões 3.6 bilhões 878 milhões 700 milhões 207 milhões 41.5 milhões 76.4 bilhões 2.4 bilhões 2.7 bilhão 595. atualizada pelo autor. O BNDES (R$) (R$) 5.9 milhões 400 milhões 145.4 milhões Fonte: Ibase/Plataforma BNDES com base nos dados do Banco. Papel e celulose EMPRESA Votorantim Papel e Celulose Suzano Bahia Sul Celulose Klabin S/A Aracruz Celulose S/A Bahia Pulp Jari Celulose S/A Votorantim Celulose e Papel Vororantim Celulose e Papel ANO 2009 2006 2006 2006 2006 2007 2008 2008 UF/MUN Brasil e exterior BA PR ES BA/Camaç ari PA SP RS VALOR FINANCIAMENT DO PROJ.7 milhões 23.

Usinas hidrelétricas EMPRESA ANO UF/MUN VALOR DO PROJ. atualizada parcialmente pelo autor.6 bilhões 2008 RS 2007 RJ/MG/Sapucaia/Três Rios 2008 GO 2008 RJ 1.2 bilhões 1 bilhão 2008 TO 2007 MA/TO/Estreito/Aguiarnópolis 3.Tabela 4.7 milhõ Fonte: Ibase/Plataforma BNDES com base nos dados do Banco. 14 . (R$) 9 bilhões 9 bilhões - FINANCIA BNDES (R$) Santo Antonio Energia (SAESA) 200 RO/Porto Velho 8 Energia Sustentável do Brasil (ESBR) 2009 RO/Porto Velho Suez Energia Renovável S.4 milhõ 521.5 bilhões 1 bilhão 543.6 bilhão - 687.A 2008 TO 6.A Light Serviços de Eletricidade S.6 bilhões 2.A Alcoa Alumínio Consórcio Estreito Energia (CESTE) Rio Grande Energia S/A Furnas Centrais Elétricas Gerdau Aços Longos S.2 milhõ 2.1 bilhõe 7.

p. O BNDES que temos e o país que não temos Em 2002 forma-se um grupo de trabalho no BNDES para conceber linhas de financiamento ao investimento direto brasileiro no exterior. com utilização de insumos nacionais e incremento de exportações. 2002). como poderiam estar colocadas fora do âmbito público e fora da esfera de controle do Estado? Alguma forma de regulação e accountability tem de ser prevista para elas” (Moraes. sub-regionais ou regionais de integração. 2003.A redação final do inciso II do art. 15 . 9º. 128). é posteriormente adaptado 8 para que se impulsione a internacionalização de empresas de capital nacional. 9º foi dada pelo decreto 6. O BNDES poderá também: […] II. objetivando o controle de mercados externos. Não se exigem metas de desempenho dos investimentos nos marcos de políticas industriais e tecnológicas que propiciassem a difusão da renda e do saber.As empresas privadas agraciadas com tão volumoso suporte público poderiam ser então consideradas empresas “semipúblicas”? Subscrevo inteiramente a provocação aqui feita: “Se organismos desse tipo recebem fundos públicos ou realizam atividades delegadas pelo poder público. O BNDES está viabilizando projetos que implicam um planejamento territorial voltado para a otimização de fluxos de capital. 8 “Art. em seu art. desde que contribuam para o desenvolvimento econômico e social do país” (Brasil. O Estatuto Social do BNDES. financiar a aquisição de ativos e investimentos realizados por empresas de capital nacional no exterior.322/2007. inciso II. 9º. Não há vinculação ou sinergia com políticas nacionais.

no rio Madeira. A avaliação preliminar. inaugurou [acrescentar quando?] em Montevidéu um Departamento específico para tratar da América do Sul. expressa-se uma forma particular de articulação política e espacial do imperialismo. Mais que desfeito nos anos de liberalização selvagem. 2001) que é o Brasil. reexportação e outras modalidades de investimentos externos diretos (IEDs) na região. depois. Isso tudo em compatibilidade com a política de comércio exterior brasileira. No caso do financiamento das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio. a categorização ambiental e. o Brasil foi refeito. que a necessária precaução com o meio ambiente e a população foi intercambiada pela precaução com a rentabilidade prevista dos investidores. portanto. fachada que recobre nosso tardio processo de expansão de capitais. Um país continental que docilmente aceita a condição suplementar dos países centrais como vocação última requer tratamento especial. Nessa periferia especial (Oliveira. com a política de integração regional. estimular e criar oportunidades comerciais para exportação. O Departamento da América do Sul tem por objetivo identificar. o 16 . além de criar uma subsidiária em Londres. não fornecem um retrato verossímil da projeção territorial decorrente e dos riscos sociais e ambientais envolvidos. condizente.O Banco. mas também na composição de estruturas intermediárias das empresas transnacionais em segmentos industriais e de serviços tendencialmente monopolistas e como praça financeira suficientemente autorregulada. Suplementaridade que se realiza não apenas no clássico fornecimento de matérias-primas em larga escala. A institucionalidade se fez tão elástica. o enquadramento legal dos projetos que postulam financiamento ao BNDES.

2 jul. não havia no parecer uma condenação total ao projeto. levando em conta os investimentos previstos.amazonia. Devido à insuficiência de dados reais. 2009).br>. 17 . sem qualquer lapso. deve resguardar antes de tudo a viabilidade dos investimentos.” Exposição de Márcio Macedo da Costa no Seminário Febraban de Finanças Sustentáveis (São Paulo. e reuniões conjuntas de movimentos e organizações sociais em 2007. abriu-se a discussão sobre a oportunidade da construção de uma plataforma que redesenhasse o BNDES em função de outro projeto de país.chefe do Departamento de Estudos Ambientais do BNDES. em 2006. que determina a não realização de obra ou projeto quando existam lacunas de conhecimento acerca de seus impactos sociais e ambientais. em sua avaliação. o que viabiliza os financiamentos […] É claro que existe um princípio de precaução aqui. na engenharia oculta desse keynesianismo às avessas.plataformabndes. justificativa que consta no documento de criação da Plataforma BNDES.10 O primeiro alvo é a caixa-preta do BNDES.org.org. Esta obra deve ser levada à frente. inverteu o princípio da precaução. Disponível em: <www.br>. a serviço dos conglomerados “campeões” — um conjunto de entidades e movimentos sociais colocou em pauta uma “agenda inicial para o debate público sobre o papel do BNDES no desenvolvimento do país”.9 Na tentativa de combinar uma formulação alternativa de banco de fomento e processos de enfrentamento ao BNDES real — um banco corporativizado. o Banco. um planejamento público tão profundamente privatizado que não pode ser publicizado. 10 A partir do seminário O BNDES que Temos e o BNDES que Queremos. atestada nos pareceres técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A proposta-guia e demais documentos podem sem acessados em: <www. A criação de uma política de informação pública no BNDES cria oportunidades de que se abram frestas nesse processo decisório. Frente à insuficiência de dados. compreendendo a devassa da agenda e das decisões da diretoria e do 9 “Há uma dúvida muito grande entre os pesquisadores se realmente existem impactos na sedimentação.

Disponível em: <http://siteresources.worldbank. Como revitalizar os investimentos em infraestrutura no Brasil: políticas públicas para uma melhor participação do setor privado. A pressão exercida pela criação de espaços efetivos de controle social. Dependência e desenvolvimento na América Latina: um ensaio de interpretação. constrangeria o BNDES a justificar as atuais prioridades de programas e políticas setoriais. Casa das Garças. Departamento de Finanças. 8. boletins de medição e da política operacional do Banco. 2007. A consequente exigência de participação e o controle social sobre a gestão de fundos e recursos públicos podem proporcionar elementos de polarização com os interesses que agora hegemonizam a condução do Banco. 1: Relatório principal (36624-BR).conselho de administração. por si só. 5 nov.418. Decreto 4. Diário Oficial da União. de confrontação com o conteúdo de sua política. 1979. 2002..org/INTLACBRAZILINPOR/Resources/Como_R evitalizar_Investimentos_Infra_PORv1. 2005. CARDOSO. Aprova novo estatuto social da empresa pública Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). e a desvelar o controle e supervisão dos processos de implantação/execução dos projetos. Rio de Janeiro: Zahar. 8. Referências ARIDA. Setor Privado e Infraestrutura. F. Brasília.pdf>. Mecanismos compulsórios e mercados de capitais: propostas de políticas econômicas. n. BANCO MUNDIAL. v. de 11 de outubro de 2002. FALLETO. 2005. BRASIL. Região da América Latina e do Caribe. Rio de Janeiro. bem como a divulgação dos relatórios de análise. Texto de discussão n. Texto de Discussão. Mecanismos compulsórios e mercados de capitais: propostas de políticas econômicas. P. 14 out. 18 . Rio de Janeiro. Casa das Garças. E.

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