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Introdução aos estudos históricos Historiografia A Historiografia é o registro escrito da história.

Podemos dizer que é a arte de escrever e registrar os eventos do passado. O termo historiografia também é utilizado para definir os estudos críticos feitos sobre aquilo que foi escrito sobre a História. Um exemplo: se um historiador faz um estudo crítico sobre o trabalho feito por Heródoto (historiador que viveu na Grécia Antiga e escreveu sobre o período), então ele está produzindo um trabalho de historiografia. Principais correntes da historiografia: - Positivismo: atualmente pouco seguida, privilegia o estudo cronológico dos fatos históricos, sem fazer análises críticas. - Materialismo histórico: elaborado por Karl Marx, enfatiza o aspecto econômico da sociedade no estudo da História. - Escola dos Annales: criada em 1929, pelos historiadores franceses Marc Bloch e Lucien Febvre. Incorporou na História aspectos da Antropologia, Psicologia, Geografia e Filosofia. É também conhecida como escola das “Mentalidades”. O Positivismo de Augusto Comte O positivismo é uma linha teórica da sociologia, criada pelo francês Auguste Comte (17981857), que começou a atribuir fatores humanos nas explicações dos diversos assuntos, contrariando o primado da razão, da teologia e da metafísica. Segundo Henry Myers (1966), o "Positivismo é a visão de que o inquérito científico sério não deveria procurar causas últimas que derivem de alguma fonte externa, mas, sim, confinar-se ao estudo de relações existentes entre fatos que são diretamente acessíveis pela observação". Em outras palavras, os positivistas abandonaram a busca pela explicação de fenômenos externos, como a criação do homem, por exemplo, para buscar explicar coisas mais práticas e presentes na vida do homem, como no caso das leis, das relações sociais e da ética. Para Comte, o método positivista consiste na observação dos fenômenos, subordinando a imaginação à observação. O fundador da linha de pensamento sintetizou seu ideal em sete palavras: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático. Comte preocupou-se em tentar elaborar um sistema de valores adaptado com a realidade que o mundo vivia na época da Revolução Industrial, valorizando o ser humano, a paz e a concórdia universal. O positivismo teve fortes influências no Brasil, tendo como sua representação máxima, o emprego da frase positivista “Ordem e Progresso”, extraída da fórmula máxima do Positivismo: "O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim", em plena bandeira brasileira. A frase tenta passar a imagem de que cada coisa em seu devido lugar conduziria para a perfeita orientação ética da vida social. Embora o positivismo tenha tido grande aceitação na Europa e também em outros países, como o Brasil, e talvez seja, a base do pensamento da sociologia, as ideias de Comte foram duramente criticadas pela tradição sociológica e filosófica marxista A escola metódica é criada como "ciência positiva", fugindo do subjetivismo em nome da ciência e do respeito à verdade. Estes historiadores metódicos afirmavam, por meio de suas revistas, não serem defensores de nenhum credo dogmático e que apenas buscavam o máximo possível de exatidão para com as fontes. O primeiro objetivo, deste movimento, era o de delinear maneiras claras na abordagem documental (métodos), para os historiadores profissionais. O historiador deveria estar ciente de que pertencia a uma comunidade de profissionais que zela pela objetividade, e de que seu papel era apresentar seus escritos sem qualquer traço da estética literária; um discurso frio, duro e sem qualquer resquício das "paixões" pessoais do historiador. Ele deveria somente descrever o que está objetivamente

Dessa forma. Nessa perspectiva. Por isso. com o amparo das chamadas “ciências auxiliares” da história. o pensamento marxista alega que o materialismo dialético seria uma das molas propulsoras fundamentais que alimentam as transformações históricas. compreenderam que as sociedades humanas viabilizam suas relações a partir da forma pela qual os bens de produção são distribuídos entre os seus integrantes. os pensadores Karl Marx e Friedrich Engels apareceram com um elaborado arcabouço teórico que visava renovar o socialismo. Materialismo Histórico Em 1848. Para tanto. passar à crítica interna. realizaram um complexo exercício de reflexão sobre as relações humanas e as instituições que regulavam as sociedades. ao avaliar os mais diferenciados contextos históricos. destacava-se Gabriel Monod. visando à determinação dos fatos para. no momento em que um sistema econômico passa a expor os seus problemas e contradições. O historiador deveria rechaçar qualquer precipitação imaginativa: "o ponto de partida do ofício de historiador envolvia pesquisar documentos. com a instalação de uma ditadura do proletariado. os trabalhadores deveriam conduzir um processo revolucionário incumbido da missão de colocar a si mesmos frente ao Estado.contido na fonte. Nesse sentido. no mundo contemporâneo. o regime político. Dessa forma. o socialismo científico observa que o desenvolvimento da economia capitalista foi impondo a criação de um novo regime político. Na medida em que essa situação de igualdade fosse aprimorada. especialmente sobre a origem das fontes. Neste tocante. a moral e os costumes (superestrutura) se configurariam. proceder à crítica externa. Um exemplo dessa condição pode ser vista no processo revolucionário francês. também conhecido como socialismo científico. obtiveram uma série de princípios que fundamentaram o marxismo. Contudo. coroar com a construção narrativa. Dessa forma. leis e costumes que se adequavam a essa nova realidade. ocorre entre a burguesia e o proletariado. Por meio do chamado materialismo histórico. os homens passam a refletir e lutar por novas formas de ordenação que possam se adequar às novas demandas. o marxismo aponta que a oposição que se desenvolvia entre nobres e camponeses na Idade Média seria uma variante da mesma relação de conflito que. Pensando estrategicamente as contradições do capitalismo. as condições socioeconômicas (infraestrutura) acabavam determinando como a cultura. os arcaicos costumes feudais bem como seus demais representantes acabaram sendo combatidos. defensor permanente de uma história estritamente metódica. Esse regime ditatorial teria a função de assumir os meios de produção e socializar igualmente as riquezas. Marx e Engels defendiam que a superação definitiva de tal sistema seria alcançada por uma sociedade sem classes. deixando o que há de subjetivo nela. . Marx e Engels chegaram à conclusão de que a história das sociedades humanas se dá por meio da luta de classes. Como resultado. o governo proletário cederia lugar para uma sociedade comunista onde o Estado e as propriedades seriam finalmente extintas. seriam dados os primeiros passos para o alcance de uma sociedade igualitária. Além disso. finalmente. classificá-los e. Nesse evento histórico. reuni-los. para que isso fosse possível. agrupando e ordenando os fatos numa seqüência de causalidades. em seguida.

Escola dos Annales A escola dos Annales renovou e ampliou o quadro das pesquisas históricas ao abrir o campo da História para o estudo de atividades humanas até então pouco investigadas. criada no século XX por Marc Bloch e Lucien Febvre. Sociologia. Psicologia. A Escola dos Annales. “a história consiste essencialmente em ver o passado através dos olhos do presente e à luz de seus problemas. . que o trabalho principal do historiador não é registrar mas avaliar. rompe com a visão positivista e narrativa da história propondo uma interpretação baseada nos problemas cotidianos enfrentados pelas sociedades com suas respectivas características. Economia. rompendo com a compartimentação das Ciências Sociais (História. Geografia humana e assim por diante) e privilegiando os métodos pluridisciplinares. Segundo a obra história das sociedades.