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Texto para leitura: Consequências da Surdez. Bom estudo!

Dica: Grife informações que acha importante, isso ajuda a memorizar o que você lê. Consequências da Surdez A maior consequência trazida pela perda parcial ou total da audição está diretamente ligada a aquisição e desenvolvimento do processo de comunicação que é vital para nossa sobrevivência. O indivíduo surdo perde muito do que acontece à sua volta, principalmente se sua perda for severa ou profunda. De acordo com Ballantyne, Martin e Martin (1995), nenhuma criança, seja ela ouvinte ou surda nasce com fala, mas possuem os meios para adquiri-la através de um processo que envolve o aprendizado pela imitação dos sons que são produzidos por outros indivíduos com os quais convive e desta forma, se esses sons não podem ser ouvidos ou percebidos pela criança ela não desenvolverá a capacidade de imitá-los. Com essa explicação pode-se entender um grande engano, desde a antiguidade dizia-se e ainda hoje se ouve por falta de informação que “aquela criança é surda-muda”, o fato de ser surda não significa necessariamente que a pessoa não desenvolverá a fala. Pois mesmo uma criança ouvinte se for mantida em um ambiente onde os adultos não se comunicam com ela, não a estimulam, também não desenvolverá a habilidade de falar. A maioria das crianças surdas, em torno de 90%, nasce em famílias ouvintes e neste caso a linguagem oral é a linguagem corrente em seus lares, no seu convívio com as outras pessoas. Estas crianças sofrem então as consequências da falta de acesso a uma língua que seja por elas compreendida, atrapalhando o desenvolvimento linguístico e de aprendizagem sobre o mundo que as cerca. Portanto se não se comunicam estão sempre em desvantagem com as crianças ouvintes que participam passiva e ativamente de conversas e momentos com familiares, o que contribui para a aquisição da língua falada e posteriormente a questão da leitura e escrita ao iniciarem os estudos. Para a criança surda nascida em uma família ouvinte a dificuldade de comunicação esbarra em vários fatores, em um primeiro momento a não aceitação por parte dos pais da nova situação com a qual terão que lidar. Sendo uma das primeiras reações o isolamento, pois na fase de adaptação com esta realidade vivenciada, as buscas por diagnóstico, as dúvidas, as opções por ouvir uma segunda opinião acabam retardando ainda mais o processo de desenvolvimento da comunicação com aquele indivíduo que está ali, vendo ações acontecerem à sua volta sem compreender o porquê, sem ser estimulado e vivendo em um mundo à parte. É claro que cada pessoa da família reage de forma diferente, mas a maioria passa por um doloroso processo de autocondenação, insegurança, às vezes de acusação mútua entre outras sensações para depois caírem em si resolvendo o que poderá ser melhor para a criança. Mas sem dúvida alguma será imprescindível o apoio e orientações às estas pessoas o quanto antes. O próprio teste da orelhinha, já é um avanço tecnológico que pode diagnosticar a surdez nos primeiros dias após o nascimento da criança. Em muitos casos, contudo, os pais notam problemas tardiamente, após os dois anos de idade, o que acarreta um atraso maior no desenvolvimento

e aquisição de uma língua. É de grande importância, a partir da descoberta da surdez, o convívio da criança surda com adultos surdos integrantes das comunidades surdas, seja em associações ou outros locais onde a criança surda possa aprender e adquirir fluência na Língua de Sinais, língua natural do surdo que posteriormente a ajudará a ter mais facilidade em adquirir o conhecimento sobre a língua oral e escrita. Ainda em relação às consequências da surdez, podemos contar também com o isolamento de jovens, adultos e idosos que perdem a audição pelas mais variadas razões. Essas pessoas sofrem por não participarem das conversas em família ou por repetidas vezes perguntar o que lhes foi dito ou por ter que conviver com sua perda permanente pelo resto da vida. O Sujeito Surdo e Sua Aceitação As pessoas que se aceitam enquanto surdas e que buscam adaptar-se ao mundo ouvinte à sua maneira, sem abrir mão de construir o conhecimento, de expressar suas opiniões, que querem estar ativas diante de questões simples ou mais complexas como a participação política, fazem questão de assumir a sua identidade surda. Não têm nenhuma dificuldade em se aceitar como surdo e desenvolvem-se em um contexto de convivência natural fazendo parte da construção de sua própria cultura. Ao falarmos de cultura logo nos remetemos a costumes, valores, ações coletivas de um determinado grupo que se organiza, expondo suas opiniões, reivindicando seus direitos, demonstrando suas habilidades, repassando seu conhecimento e sua história para as gerações futuras. Isto tem sido feita pela comunidade surda desde que a Libras foi considerada uma Língua oficial no Brasil e, bem antes disto, em outros países mais desenvolvidos. Assim, esta cultura desenvolvida pelos surdos tem a ver diretamente com o modo que eles se organizam, sua forma de se expressar e prestar auxílio aos outros surdos, seus valores e sua arte. Há uma diferença entre pertencer a uma comunidade com sua própria cultura, e segregação. Muitas pessoas acreditam que os surdos preferem se isolar e não participar de outras culturas, mas isto não é verdade. No entanto, para Perlin, autora surda, a questão da cultura surda é simples: "Precisamos realizar a experiência de sermos surdos, sermos o que somos: povo surdo, onde ser povo determina a esperança e a certeza de que não somos exterminados, que não nos fechamos na deficiência, que partimos para as ações interculturais com outros povos". A aceitação é o primeiro e principal passo para o desenvolvimento do sujeito surdo, o apoio dos familiares, o incentivo e a motivação para que estas pessoas busquem ultrapassar qualquer que sejam suas limitações, principalmente em relação à comunicação, é o equilíbrio necessário para que o surdo se sinta em condições de ser parte da sociedade. Seja como for, é importante aceitarmos a forma de comunicação dos surdos e aprendermos sobre ela, para o convívio e desenvolvimento da cidadania plena. Educação de Surdos Você sabia... Que desde a Antiguidade os surdos eram vistos como incapazes e houve uma época em que estes sujeitos não podiam se casar, receber herança ou serem educados, pois eram omitidos da sociedade por suas famílias e viviam em um mundo à parte? Esses maus

tratos levou os surdos a serem quase eliminados em algumas culturas. Veremos isto em uma aula sobre Educação de Surdos.

O trabalho do Intérprete O trabalho desenvolvido pelo Intérprete junto ao aluno surdo em sala de aula é de extrema importância para que o processo de aprendizagem deste aluno se dê de maneira a alcançar o máximo de desempenho possível. Pois a maior barreira para o desenvolvimento e a aquisição do conhecimento do surdo é a comunicação. Com a presença do Intérprete a falta de comunicação é quase que inexistente desde que o surdo conheça a Língua de Sinais. Esta é uma questão importante, pois muitos surdos (principalmente os nascidos em famílias ouvintes) não têm o conhecimento pleno da língua e encontram enorme dificuldade tanto nos sinais quanto na língua falada e escrita. Com a presença do Intérprete a falta de comunicação é quase que inexistente desde que o surdo conheça a Língua de Sinais. Esta é uma questão importante, pois muitos surdos (principalmente os nascidos em famílias ouvintes) não têm o conhecimento pleno da língua e encontram enorme dificuldade tanto nos sinais quanto na língua falada e escrita. Este é um desafio que precisa ser vencido com a participação de toda a sociedade, pois pouco adianta dizer que temos uma política de inclusão, que todos os alunos devem frequentar as escolas regulares se na realidade estas escolas não estiverem de fato preparadas para acolher tais alunos. Atenção: A política de inclusão neste caso não diz respeito apenas à construção de rampas e banheiros adaptados ou mesmo à presença do Intérprete em sala de aula, e sim salas de recursos e novas tecnologias que possam auxiliar o acesso e permanência na escola. Atendimento e Apoio Especializado Atualmente os alunos surdos já estão sendo incluídos em escolas regulares, mas ainda falta muito para que esta inclusão de fato tenha efeito sobre questões históricas que envolvem principalmente a Língua de Sinais e a construção do conhecimento e aprendizagem pelo surdo. A inclusão dos surdos nos grandes centros urbanos Nos grandes centros urbanos a inclusão dos surdos é mais explícita devido ao trabalho desenvolvido em instituições como o INES por exemplo. Fundado em 1857, na cidade do Rio de Janeiro, este Instituto oferece atendimento especializado a crianças surdas e suas famílias através da atuação na área preventiva, exames de audiologia, acompanhamento fonoaudiológico e orientação familiar. Ainda são oferecidas aos surdos a orientação e qualificação para o mercado de trabalho, inserção nas artes e dança, bem como o ensino da Língua de Sinais e inclusão digital, além da escolarização em uma proposta bilíngue desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. A importância desse tipo de atendimento tem seu foco na melhor aceitação da condição da surdez tanto pelo surdo como por seus familiares, pois encontram o apoio necessário para o desenvolvimento. Infelizmente esta realidade ainda não está ao alcance dos surdos de todo o país, em municípios distantes e com população menor ou mesmo na área rural o preconceito e a própria cultura não permitem que estas crianças tenham acesso a um atendimento de qualidade. O desconhecimento e a falta de preparo tanto

das famílias como da sociedade como um todo condenam o sujeito surdo a uma vida de exclusão, impedindo-o de se comunicar e expressar seus anseios e perspectivas. Algumas cidades do interior também começam a despertar para a questão Surda e iniciam-se à formação de Associações que tem o papel de reunir os surdos da localidade, por intermédio de uma organização, com eleição dos membros para discutir questões relevantes aos direitos e necessidades dos surdos. Já falamos um pouco sobre o INES e neste momento você saberá o que é a FENEIS (Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos), fundada em 1987 no Rio de Janeiro e atualmente com regionais em vários outros locais do país, dentre eles Belo horizonte, Curitiba e São Paulo. LIBRAS - Legislação vigente A Língua Brasileira de Sinais, apesar de ser utilizada há muito tempo pelos surdos de nosso país só foi oficialmente reconhecida pela LEI 10.436 de 24 de abril de 2002, assinada pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso. Esta LEI dispõe sobre o direito de comunicação dos surdos por uma modalidade gestual-visual e que a mesma seja reconhecida pela sociedade, a qual tem a responsabilidade do poder público e empresas privadas garantir atendimento e tratamento adequado às pessoas com deficiência auditiva. A referida LEI também institui a LIBRAS como parte obrigatória no currículo dos cursos de nível médio ou superior na formação de professores e nos cursos de formação superior de fonoaudiólogos. Em 22 de dezembro de 2005 foi instituído pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva o Decreto 5.626 que regulamenta a LEI 10.436/02. Este decreto especifica a inclusão obrigatória da Libras como disciplina curricular em cursos de Pedagogia, Educação Especial e como disciplina optativa nos demais cursos de Licenciatura. O decreto dispõe sobre os prazos e percentuais mínimos para a implementação das mudanças e também aborda a questão da formação de instrutores e intérpretes da Língua de Sinais Brasileira. A formação e capacitação de servidores públicos para melhor prestação de serviço na área da educação e saúde às pessoas surdas também estão especificadas no referido decreto. A Libras Por se tratar de uma língua gestual-visual, a Libras se diferencia da Língua Portuguesa oral por utilizar como canal ou meio de comunicação, movimentos gestuais e expressões faciais e corporais que são percebidos pela visão. Os sinais utilizados na comunicação em Libras são formados da combinação do movimento das mãos com um determinado formato em um determinado lugar, que pode ser em uma parte do corpo ou um espaço em frente ao corpo. Estas configurações e formas que as mãos assumem são chamadas de parâmetros e nas Línguas de Sinais encontramos cinco parâmetros que serão detalhados a seguir. 1º Configuração das mãos: Pode ser identificada através da datilologia (assunto do próximo tópico) ou outras formas feitas pela mão predominante ou pelas duas mãos do sinalizador. 2º Ponto de articulação: Ponto onde a mão configurada vai recair. Pode ser uma parte do corpo ou um espaço neutro à frente do sinalizador. 3º Movimento: Alguns sinais possuem movimento, outros não.

4º Orientação/Direcionalidade: Os sinais possuem uma direção em relação aos parâmetros já apresentados. 5º Expressão facial e ou corporal: Além dos 4 parâmetros anteriores os sinais podem ter como diferencial a expressão facial e ou corporal (além de alguns sons) que complementam os traços manuais.

Alfabeto Manual/Datilologia Os alfabetos manuais ou a datilologia originaram-se na pesquisa de ouvintes que tentavam ensinar os surdos a falar e são utilizados pelos surdos para referir-se a palavras estrangeiras, nomes próprios de pessoas e lugares que ainda não têm um sinal definido. Para quem quer aprender Libras, o alfabeto manual é o primeiro passo. Por meio da configuração das mãos ao sinalizar as letras/palavras o sinalizador começa a desenvolver a habilidade necessária para o aprendizado dos sinais. Expressar por meio de seus movimentos e expressões faciais e ou corporais a mensagem a ser compreendida pelo surdo é uma tarefa que exige dedicação, estudo e aperfeiçoamento. Os alfabetos manuais ou a datilologia originaram-se na pesquisa de ouvintes que tentavam ensinar os surdos a falar e são utilizados pelos surdos para referir-se a palavras estrangeiras, nomes próprios de pessoas e lugares que ainda não têm um sinal definido. Para quem quer aprender Libras, o alfabeto manual é o primeiro passo. Por meio da configuração das mãos ao sinalizar as letras/palavras o sinalizador começa a desenvolver a habilidade necessária para o aprendizado dos sinais. Orientação da estrutura gramatical Antes de iniciar a prática dos sinais é importante que você saiba que na Libras a estrutura gramatical se diferencia da Língua Portuguesa, destacando-se que na língua gestual-visual deve-se centralizar na ideia principal. Exemplificando, se você quer dizer a um surdo a seguinte frase: Eu não gosto de leite com café. Na Libras a estrutura se modifica, pois na sinalização a ideia principal, o objeto ou a ação sobre a qual você vai falar vem em primeiro lugar. Portanto se você fosse sinalizar ficaria da seguinte maneira: LEITE JUNTO CAFÉ EU GOSTO Expressar por meio de seus movimentos e expressões faciais e ou corporais a mensagem a ser compreendida pelo surdo é uma tarefa que exige dedicação, estudo e aperfeiçoamento constante, mas o principal é o convívio com o surdo, que é o melhor professor, afinal a LIBRAS é sua Língua natural.