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Superfícies Equipotenciais e Campo Elétrico
Leandro Rodrigues Urbano, aluno de Física Experimental II, UNESP-FEG

Resumo — Este relatório visa à obtenção do procedimento experimental para a determinação de contornos equipotenciais e magnitude e direção do vetor Campo Elétrico em determinados pontos. Com uma montagem estipulada de eletrodos distintos em uma cuba eletrolítica e aparelhos apropriados para efetuarmos medições, tivemos condições de atingir o objetivo visado com certo conhecimento de Física e ferramentas matemáticas apropriadas para a obtenção de resultados calculados.

II. SEÇÕES DO RELATÓRIO A. Metodologia O procedimento experimental consistia primeiramente em montarmos o circuito composto por uma fonte de tensão ajustável, um resistor com resistência variável (reostato) e a cuba eletrolítica composta pelos eletrodos e pelo eletrólito (solução aquosa de sulfato de cobre). Após a verificação da montagem do circuito, ligamos a fonte e a ajustamos para a tensão de 5 V.

I. INTRODUÇÃO

A

experiência que iremos expor aqui, tinha como tema a parte do eletromagnetismo que trata de superfícies equipotenciais e campo elétrico. O objetivo fundamental seria a determinação do traçado de contornos equipotenciais e a magnitude e direção do vetor campo elétrico em uma montagem estipulada contendo eletrodos carregados. Para tanto fora utilizado um arranjo de dois eletrodos em uma cuba eletrolítica, e a partir disto pudemos, com o auxílio de um microamperímetro, desenhar contornos equipotenciais com certa precisão. Com a diferença de potencial medida por um voltímetro no eixo que ligava os dois eletrodos dentro da cuba eletrolítica, fomos capazes de calcular a magnitude e direção do vetor campo elétrico nesta montagem, para tanto utilizamos o método das diferenças finitas. Por fim chegamos ao resultado esperado com algum desvio, o que é considerado normal tendo em vista algum procedimento fora do padrão que tenhamos utilizados no momento da coleta de dados e nos cálculos efetuados.

Fig. 2. Ilustração do circuito utilizado para a experiência, onde a cuba eletrolítica com os eletrodos é demonstrada por Rs na figura.

Fig. 1. Ilustração de corpos carregados com carga contrária e seus respectivos contornos equipotenciais e linhas de campo atuantes. Forma parecida com a que chegaremos no experimento.

Logo abaixo da cuba eletrolítica fora colocado um papel milimetrado, com dois eixos ortogonais (eixo x e eixo y) que se cruzavam bem no centro do papel. O eixo x fora indicado como sendo o eixo maior. Outro papel milimetrado com mesma indicação fora feito para serem anotadas as coordenadas dos pontos encontrados no decorrer da experiência. Foram usados dois conjuntos de eletrodos: no início dois anéis de ferro e logo após duas barras de ferro. Primeiramente realizamos o procedimento para conseguirmos os contornos equipotenciais ao redor dos eletrodos. Para tal feito, fora ligado um microamperímetro em série no circuito já descrito. Sabe-se que em uma mesma equipotencial a diferença de potencial (V) é nula (V=0), portanto não existe corrente elétrica em uma mesma equipotencial, dado que V=R.i (Lei de Ohm), onde V é a tensão, R é a resistência e i é a corrente elétrica. Sendo assim, nos pontos ao redor do eletrodo em que o microamperímetro apontava o valor de 0 A de corrente, significa que naquele ponto existe uma equipotencial. Este microamperímetro ficava com suas duas pontas de prova imersas no eletrólito, uma ponta era mantida fixa definindo o primeiro ponto de uma equipotencial, enquanto a outra era móvel e era usada para localizar o segundo ponto e

ELE 09190-3 outros pontos dessa mesma equipotencial. As coordenadas dos pontos encontrados foram transpostas para a segunda folha de papel milimetrado e assim pôde ser traçado o contorno equipotencial para os dois conjuntos de eletrodos. Como segunda parte do experimento, teríamos de determinar a magnitude e a direção do Campo Elétrico para tal arranjo de eletrodos. Para essa parte do experimento utilizamos um voltímetro em paralelo no circuito já descrito. Conectamos o terminal (-) em uma parte fixa dentro da cuba eletrolítica (referência). O outro terminal também fora colocado dentro da cuba eletrolítica e medimos a diferença de potencial ao longo do eixo que unia os dois eletrodos (eixo x). O espaçamento para duas medidas consecutivas de tensão (Δx) fora de 2,5 mm e anotamos todos esses valores de potencial para os dois conjuntos de eletrodos. Montamos, portanto, três tabelas com estes valores anotados: a primeira com os valores de diferença de potencial entre os espaços determinados ao longo do eixo que ligava os dois anéis, a segunda com os valores de diferença de potencial entre os espaços determinados ao longo do eixo que ligava as duas barras e a terceira com os valores de diferença de potencial em quatro pontos eqüidistantes a um ponto central fixo que se localizava ao lado de um eletrodo, e construímos gráficos referentes a estas tabelas. É sabido que podemos calcular o Campo Elétrico utilizando o seguinte raciocínio, (1) onde Vi e Vt são as diferenças de potenciais medidas em xi e xt em relação a um mesmo ponto de referência para o voltímetro e E é a magnitude do Campo Elétrico. Esta linha de raciocínio nos levou a utilizar o Método das Diferenças Finitas, encontrado no Apêndice em [3], para o cálculo do vetor Campo Elétrico no eixo que ligava os dois eletrodos (eixo x). Utilizaremos basicamente três equações oriundas de (1) e o método já descrito, elas são: (2)

2 B. Resultados Para a primeira parte do experimento, a qual tinha como objetivo definir os contornos equipotenciais para os dois arranjos de eletrodos, conseguimos obter de modo preciso. Encontramos três curvas equipotenciais para cada eletrodo. Estão os resultados obtidos para os dois conjuntos de eletrodos, indicadas abaixo: Eletrodos: Anéis

Fig. 3. Contornos Equipotenciais desenhados a partir de pontos conseguidos experimentalmente para dois anéis metálicos carregados.

Eletrodos: Barras

Fig. 4. Contornos Equipotenciais desenhados a partir de pontos conseguidos experimentalmente para duas barras metálicas carregadas.

(3)

(4) Utilizamos (2) quando se trata do cálculo sobre o primeiro ponto, utilizamos (3) quando é tratado o último ponto e utilizamos (4) quando calculamos sobre pontos intermediários.

Para a segunda parte do experimento, a qual tinha como objetivo o cálculo da magnitude e direção do vetor Campo Elétrico ao longo do eixo que ligava os dois eletrodos, utilizamos o Método das Diferenças Finitas para conseguirmos encontrar com exatidão tal resultado. Segue os resultados das medições de diferenças de potencial ao longo de tal eixo para os dois conjuntos de eletrodos. Estes dados estão indicados em forma de gráficos. Observação: As tabelas referentes aos gráficos estão no Apêndice E1.

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3 mostrado de modo separado para os diferentes tipos de eletrodos. Observação: As incertezas foram desconsideradas para todas as grandezas. Para os dois conjuntos de eletrodos, temos que Δx = 2,5 mm. Anéis:
P9
2,5mm

Eletrodos: Anéis

P17

sist. ref.

P1
10mm

Fig. 5. Variação de tensão (V) em função da posição no eixo x. Eletrodos: Anéis, referência localizada no ponto (40,0).

Fig. 7. Ilustração que mostra a localização dos pontos existentes no eixo que unia os dois anéis.

Eletrodos: Barras

Mostraremos aqui o cálculo da magnitude do vetor Campo Elétrico e sua direção para o primeiro ponto (p1), para o último ponto (p17) e para o ponto central (p9): Ponto Inicial – p1 (-20,0)

Último Ponto – p17 (20,0)

Ponto Central – p9 (0,0)
Fig. 6. Variação de tensão (V) em função da posição no eixo x. Eletrodos: Barras, referência localizada no ponto (0,0).

C. Discussões Discutiremos primeiramente os contornos equipotenciais para os dois conjuntos de eletrodos. Para os conjuntos de eletrodos os contornos equipotenciais encontrados estão completamente plausíveis, tendo em vista que nenhum absurdo ocorre como: contornos equipotenciais se cruzando ou tangenciando-se. Outro fato importante é que os contornos são curvos nas proximidades dos eletrodos e se tornam mais suaves ao se afastar dos eletrodos, o que os torna bem parecidos com os contornos da Fig. 1. Com relação ao cálculo da magnitude e direção do Campo Elétrico utilizamos, como já dito, o Método das Diferenças Finitas que compreende as equações (2), (3) e (4). Mostraremos aqui os resultados calculados para os pontos selecionados no eixo que ligava os eletrodos. Será

Barras:

P9
2,5mm

P17

P1
10mm

Fig. 8. Ilustração que mostra a localização dos pontos existentes no eixo que unia as duas barras.

Mostraremos aqui o cálculo da magnitude do vetor Campo Elétrico e sua direção para o primeiro ponto (p1), para o último ponto (p17) e para o ponto central (p9):

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Ponto Inicial – p1 (-20,0)

Último Ponto – p17 (20,0)

Ponto Central – p9 (0,0)

D. Conclusão Concluímos, portanto, que os resultados obtidos na forma experimental seguem quase que igualmente aos resultados vistos na teoria. Podemos afirmar isto tendo em vista que os contornos equipotenciais são completamente plausíveis e corretos aos estudados e as direções e magnitudes do Campo Elétrico tem completa analogia aos vistos na teoria, ou seja, sua magnitude se torna maior próxima aos eletrodos (primeiros e últimos pontos) e menor em pontos afastados (ponto central). Assim, podemos dizer que o experimento foi bem sucedido e é uma ótima forma para a obtenção precisa de contornos equipotenciais e um resultado bem aproximado do vetor Campo Elétrico. E. Apêndice E.1 Tabelas referentes ao Gráfico 1 e Gráfico 2.
Tabela 3 – Dados obtidos nas medições de diferença de potencial em pontos eqüidistantes ao ponto referencial. Ponto este localizado ao lado de um eletrodo.

Tabela 1 e Tabela 2 – Dados obtidos nas medições de diferença de potencial entre os eletrodos.

III. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] HALLIDAY, D., RESNIK, R. e WALKER, J. Fundamentos de Física. LTC. [2] YOUNG, H. D. e FREEDMAN, R. A.. Física III – Eletromagnetismo. São Paulo: Pearson Addison Wesley, 2004. [3] Guia Laboratório: ―Superfícies Equipotenciais‖, KAYAMA, M. E.. Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, UNESP.