Viagens que adensam a qualidade

m seus quase seis anos de atuação no mercado (mais seis meses de planejamento que consumiu para ser lançada),EMBALAGEMMARCA acumulou respeitável banco de dados. Hoje, esse database possibilita, primeiro, fundamentar com conteúdo cada vez mais denso as reportagens e os artigos publicados regularmente na revista. Em segundo, serve para alicerçar um trabalho que, nas edições de dezembro, se transforma em útil documento de consulta. Trata-se de Tendências e Perspectivas, um balanço/prognósti-

E

Wilson Palhares
No esforço para identificar rumos e detectar inovações está a participação crescente em eventos nacionais e internacionais. Isso faz parte do empenho de fazer uma revista cada vez mais útil

co que, sem pretensão de ser professoral, busca identificar rumos possíveis da economia e dos negócios, em especial os relacionados à cadeia de embalagem. Dentro do esforço para identificar caminhos e detectar inovações está a participação crescente em eventos nacionais e internacionais. Nestas, em outubro, mal uma parte da equipe retornara da Label Expo em Chicago, outra arrumava as malas para a Pack Expo, na mesma cidade, meio tempo em que alguém regressava da feira K, em Düsseldorf. Ainda em novembro, mais dois partirão

para o salão Emballage, em Paris, e em abril próximo irão à Interpack, novamente em Düsseldorf. Para alguns, essa movimentação pode parecer passeio, mas é trabalho em que se adensa a qualidade editorial, se amplia o relacionamento e o volume de informação em nível global e se alimenta a ambição de fazer uma publicação cada vez mais útil aos profissionais de embalagem. Sem o atrevimento de intitular-se “líder”, “a maior”, ou “a melhor”, EMBALAGEMMARCA continua se empenhando para melhorar sempre. Até dezembro.

nº 63 • novembro 2004
Diretor de Redação Wilson Palhares

8 16 20 24
3

Reportagem de capa: Cremes Dentais
Diante de boas perspectivas para um mercado estagnado em inovações de embalagem, fornecedores se movimentam

28 42 50 58 60

palhares@embalagemmarca.com.br

Design
Na 6ª Semana Abre do Design de Embalagem, o destaque foi a força vendedora do branding

Reportagem
redacao@embalagemmarca.com.br

Flávio Palhares
flavio@embalagemmarca.com.br

Guilherme Kamio

K’2004
Na cobertura da grande feira mundial da cadeia de plásticos, a boa presença das empresas brasileiras

guma@embalagemmarca.com.br

Leandro Haberli Silva
leandro@embalagemmarca.com.br

Making Of
O passo-a-passo da criação da capa desta edição, com a integração de vários parceiros

Diretor de Arte Carlos Gustavo Curado
arte@embalagemmarca.com.br

Entrevista:
Vice-presidente da Abief, Rogério Mani fala sobre o mercado de embalagens flexíveis, e a participação da entidade na K

Assistente de Arte José Hiroshi Taniguti Administração Marcos Palhares (Diretor de Marketing) Eunice Fruet (Diretora Financeira) Departamento Comercial
comercial@embalagemmarca.com.br

Internacional
Jones Soda amplia estratégia de “publicar” fotos dos consumidores a suas novas multipacks

Reciclagem
Químico cria sistema de lavagem de embalagens de lubrificantes

Karin Trojan Wagner Ferreira Circulação e Assinaturas
Marcella de Freitas Monteiro assinaturas@embalagemmarca.com.br Assinatura anual: R$ 90,00

Aço
Indústria gaúcha reposiciona seu achocolatado através da utilização de lata com tampa prática

Cartonadas
Tetra Pak quer difundir alternativa de impressão mais nobre em caixinhas longa vida de leites

Público-Alvo
EMBALAGEMMARCA é dirigida a profissionais que ocupam cargos técnicos, de direção, gerência e supervisão em empresas fornecedoras, convertedoras e usuárias de embalagens para alimentos, bebidas, cosméticos, medicamentos, materiais de limpeza e home service, bem como prestadores de serviços relacionados com a cadeia de embalagem.

A capa desta edição foi impressa pela Antilhas em Papelcartão Art Premium Novo 250g/m2, da Ripasa, termolaminada com filme Prolam® aplicado pela Lamimax.

Editorial
A essência da edição do mês, nas palavras do editor

Filiada ao

22 Internacional
Destaques e idéias de mercados estrangeiros

64 Display
Lançamentos e novidades – e seus sistemas de embalagens

66 Panorama
Movimentação na indústria de embalagens e seus lançamentos

Esta revista foi impressa em Papelcartão Art Premium Novo 250g/m2 (capa) e papel Image Mate 90g/m2 (miolo), fabricados pela Ripasa S/A Celulose e Papel, em harmonia com o meio ambiente. Impressão: Congraf Tel.: (11) 5563-3466 Laminação: Lamimax Tel.: (11) 3644-4128 Filme da laminação: Prolam Tel.: (11) 3611-3400

70 Painel Gráfico
Novidades do setor, da criação ao acabamento de embalagens

74 Almanaque
Fatos e curiosidades do mundo das marcas e das embalagens

EMBALAGEMMARCA é uma publicação mensal da Bloco de Comunicação Ltda. Rua Arcílio Martins, 53 • Chácara Santo Antonio - CEP 04718-040 • São Paulo, SP Tel. (11) 5181-6533 • Fax (11) 5182-9463 Filiada à

32 Investimentos
Inaugurada no país fábrica de impressão de rótulos heat transfer

34 Pirataria
Selo de segurança elimina falsificações de autopeças

www.embalagemmarca.com.br
O conteúdo editorial de EMBALAGEMMARCA é resguardado por direitos autorais. Não é permitida a reprodução de matérias editoriais publicadas nesta revista sem autorização da Bloco de Comunicação Ltda. Opiniões expressas em matérias assinadas não refletem necessariamente a opinião da revista.

38 Consolidação
Com a compra da PP Print, Sol PP fortalece atuação em rótulos de BOPP

39 Curtas
Materiais, equipamentos e processos de decoração, identificação e rastreabilidade

reportagem de capa >>> cremes dentais

Por Guilherme Kamio

8 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2004

FOTOS: STUDIO AG – ANDRÉ GODOY

Cenário sorridente, um R
ecentemente, o ministério da Saúde divulgou um dado alarmante: 40% dos brasileiros encontram-se à margem do consumo de itens básicos de higiene bucal. Na ponta do lápis, esse índice resulta num contingente de 72,8 milhões de indivíduos, praticamente o dobro da população da Argentina. Analisado por outra embocadura, a dos negócios, o anúncio mostra o potencial de crescimento para as vendas de cremes e géis dentais no país. Some-se a isso a sensação de bons ventos para a economia, importante no desempenho desse segmento – no último decênio, o setor sempre deslanchou em anos de atividade aquecida, como no 1995 de euforia do Real, com evolução de 24,5% em volume de vendas, conforme revela um monitoramento da AC Nielsen – e o cenário à frente é sorridente. O ano passado já foi bom para o setor, com faturamento de 1,197 bilhão de reais, 17% a mais que em 2002, e a Abihpec – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos espera que as vendas do produto cresçam ao menos 10% em 2004. Também concorre para a expectativa de um boom dos dentifrícios o Brasil Sorridente, programa de governo que já iniciou a distribuição gratuita de escovas e cremes a 30% dos usuários do sistema público de saúde bucal, cerca de 12,5 milhões de pessoas, e que pretende aumentar gradativamente o número de contemplados. Os fornecedores de embalagens do setor também aguardam com grande expectativa a confirmação desse cenário positivo. Mas não só pelos previsíveis maiores volumes de entregas decorrentes do aquecimento do consumo. Para boa parte deles, uma grande alta das vendas pode acarretar um natural amadurecimento do mercado, desviando o foco das guerras de preços que atualmente o assolam – e que, invariavelmente, vêm restringindo investimentos dos fabricantes em embalagens mais práticas, convenientes e atraentes. “Infelizmente o quadro do mercado de creme dental vem levando à ‘commoditização’ de suas embalagens”, re-

Indícios de aquecimento do mercado nacional de cremes e géis dentais movimentam fornecedores de embalagens, que esperam maiores apostas da clientela em apresentações inovadoras

m convite para inovações
sume Walter Schalka, diretor-executivo da Dixie-Toga, uma das grandes fornecedoras nacionais de tubos laminados, as bisnagas cujas paredes são formadas por camadas de polietileno e alumínio que acondicionam 99% dos cremes dentais do país. Ele lembra que os cremes nacionais, em linhas de combate com preço médio na casa do 1 real, são os “mais baratos do mundo, sem paralelo nem em países asiáticos”.

Nem as líderes
“As marcas com maior valor agregado teriam como repassar custos incrementais decorrentes de inovações e para elas temos disponíveis uma ampla gama de materiais, terminações e tampas”, aponta Marcio Azevedo, gerente de marketing da Alcan Packaging Cebal, outra força da seara de tubos laminados e detentora da conta da Unilever, segunda maior produtora de creme dental do país, só atrás de outra multinacional, a Colgate-Palmolive. “Mesmo assim a demanda seria pequena, pois o consumidor é bastante sensível às variações de preço dos cremes dentais”, ele pondera. O crescimento da concorrência, entretanto, pode vir a ser um motor de inovações. Embora as três principais marcas nacionais de cremes dentais – Colgate, Sorriso e Close Up – detenham perto de 80% do mercado, segundo dados de 2003 da AC Nielsen, operações pequenas e médias de cremes dentais vêm sendo abertas no país nos últimos anos. O mesmo instituto de pesquisas calcula já existirem no Brasil, hoje, quinze fábricas, produtoras de 23 marcas e 112 versões de cremes e géis dentais, números engrossados no passado recente. “Marcas regionais e de médio porte têm surgido às pencas nos últimos dois anos”, confirma um profissional da área de embalagens que pede para não ser identificado. E esses médios e pequenos negócios têm vingado, querem aumentar seu quinhão de mercado e são operações atraentes. Prova disso é a recente venda, sem valores revelados, da pernambucana Bonamil, dona da marca de creme dental 100% Branco, para a gaúcha Condor, uma das cinco maiores fabricantes de
novembro 2004 <<< EmbalagemMarca <<< 9

escovas dentais do país. A compradora pretende se valer da presença de seus produtos em 300 000 pontos-de-venda no território nacional para ampliar o negócio de creme dental e afirma já ter adquirido novas máquinas para aumentar sua produção. Embora seja marca emergente, o 100% Branco é comercializado em tubos laminados da Alcan Packaging Cebal e da Dixie Toga, exatamente os mesmos das líderes de mercado. Do mesmo modo, o visual estampado em suas embalagens também é muito parecido ao dos grandes players. “É um quadro que nos leva a indagar se não pode ocorrer com os cremes dentais uma situação semelhante à deflagrada pela garrafa de PET no mercado de refrigerantes”, suscita Guilherme Arcuri, diretor comercial da Simbios-Pack, distribuidora para o Brasil de uma das principais chancelas de máquinas envasadoras para tubos de creme dental do mundo, a sueca Norden. “O pequeno e médio empresariado têm se conscientizado de que para brigar no mercado de creme dental é preciso investir em maquinário de ponta, e nossos projetos para essa clientela têm aumentado nos últimos anos”, destaca o profissional (a propósito, ele relata se encontrar em conversas para fornecer máquinas para um novo atuante da área de creme dental, a se instalar no Nordeste). Trata-se de mais um indicativo de que o aprimoramento das embalagens não é conselho fortuito às marcas líderes. “Possuímos todo o aporte tecnológico e know-how para realizar

CARTEIRA – Alcan Packaging Cebal afirma fornecer tubos a cerca de 60% dos fabricantes locais de dentifrícios

NICHO – Bisnaga laminada do tipo stand-up, da Dixie Toga, é usada pela Colgate somente em sua linha de géis para o público infantil

APOSTAS – Cartuchos de recentes lançamentos da Unilever exigiram da Brasilgráfica uso de hot stamping (acima) e da cor preta (abaixo)

trabalhos com hot stamping, cold foil e uma série de decorações de apelo. Tais investimentos dependem exclusivamente dos clientes”, ressalta Schalka. Ele exemplifica com os tubos laminados do tipo stand-up, que param em pé nas gôndolas, atualmente fornecidas pela Dixie Toga para as linhas de cremes infantis de seu maior cliente blue chip da área, a Colgate-Palmolive. Por sua vez, Antônio Assis, gerente de contas da Alcan Packaging Cebal, divulga que a empresa disponibiliza tubos do tipo “non-foil”, formados por laminados com barreira interna em EVOH em vez da de alumínio, que garante as mesmas propriedades, porém com superfícies brancas ou translúcidas, ideais para géis dentais coloridos, e deposita esperança nos laminados pigmentados, chamados “designer web”. Um desenvolvimento em andamento é o Dual Tube, um tubo com outro em seu interior, destinado a produtos que exigem que duas formulações sejam mantidas em compartimentos separados até o momento de uso. Nos Estados Unidos já existem dentifrícios de sucesso desse gênero, que combinam um gel de branqueamento e outro anticárie, só “unidos” quando o tubo é apertado. “Essas e outras tecnologias inovadoras têm sido de maior interesse do mercado de cosméticos e cosmecêuticos, face ao valor agregado desses produtos em relação aos dentifrícios”, relata Azevedo.

Cartuchos mais nobres
Todavia, merece registro que, apesar de incipientes, inovações em embalagens de cremes dentais já estão ocorrendo – talvez até influenciadas pela maior presença de produtos importados nas gôndolas nacionais (veja quadro sobre Crest). Bons exemplos são os cartuchos de papel cartão de recentes lançamentos da Unile-

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À MÃO – Cartuchos importados sofisticados, como o do Aquafresh, podem ser produzidos no Brasil

Líder americana volta ao Brasil
Certa de que pode cavar um bom nicho de negócios em meio ao domínio da Unilever e da Colgate em cremes dentais, a Procter & Gamble, sem muito alarde, acaba de recolocar no varejo a Crest, marca líder do mercado americano, onde lhe gera receita anual de 1 bilhão de dólares. Ela passeou por aqui, via importações, em meados dos anos 90, mas a operação foi abortada com a disparada do dólar. As importações recomeçaram e o produto custa em média 14 reais – quase o dobro do preço das marcas premium nacionais. Só que a P&G aposta num diferencial: os tubos de Crest contêm 175g, bem mais que os tubos das concorrentes locais. A volta da Crest está sendo viabilizada por uma parceria da P&G com a Marcas Internacionais, empresa que já traz os snacks Pringles para o país. Especula-se que, dependendo do desempenho, a P&G poderá até investir na fabricação da Crest no Brasil.

ver, os cremes Close Up Eucalyptus Mint e Close Up Whitening. O primeiro se vale da cor preta, pouco usual no segmento. O segundo apresenta detalhes metálicos em hot stamping. “O hot stamping ajuda a mostrar que o produto tem valor agregado”, define Priya Patel, gerente de categorias da Unilever, apontando o papel fundamental da embalagem frente ao alto custo de se realizar permanentes ações para manter marcas na mídia e na mente dos consumidores. “O consumidor precisa saber por ela o que é novo, pois de outra maneira ele não percebe as diferenças para tomar sua decisão na hora da compra.” Patel destaca ainda, no cartucho do Whitening, a presença de uma “escala de brancura”, que auxilia o usuário a visualizar a evolução do branqueamento de seus dentes. Célio Coelho de Magalhães, gerente de marketing da Brasilgráfica, a fornecedora exclusiva dos cartuchos que acondicionam os dentifrícios da multinacional anglo-holandesa, aplaude a aposta do cliente em hot stamping – “a primeira vez que isso acontece numa embalagem de Close Up” – e avisa que o parque gráfico nacional reúne todas as condições para implementar todos os tipos de decorações comumente vistas em cartuchos de cremes dentais importados, tais como metalizações em geral, detalhes holográficos e uso de tintas reativas, fluorescentes e até com odor. “Outra possibilidade de impacto é o uso de cartuchos

VÔO – Condor comprou a 100% Branco e planeja aumentar produção

plásticos”, ele entende, lembrando de um serviço dessa natureza que a Brasilgráfica fez meses atrás para a marca Pepsodent, também da Unilever, mas voltada à exportação. Investir em embalagem, porém, não está na ordem do dia somente nas indústrias usuárias. Ocorre que, com o histórico de concentração do mercado de dentifrícios em poucas mãos, somado à entrada de novas operações nos últimos anos, o mercado vem se queixando de escassez de tubos laminados. “Pelos meus cálculos, esse gap pode ser de até 30 milhões de unidades mensais”, diz um executivo de compras que pede para se manter no anonimato. “Os pequenos e médios negócios consumidores de tubos laminados não enfrentam hoje problemas de fornecimento, mas têm incerteza quanto à oferta dessas embalagens se turbinarem suas produções, o que vem inibindo planos de crescimento”, ele emenda. “Por outro lado, é preciso também ter em mente que as máquinas necessárias para a produção e impressão de tubos laminados são caríssimas, e não temos como investir sem ga-

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rantias da clientela”, comenta Walter Schalka, anunciando que a Dixie Toga acaba de incorporar uma nova, moderna e custosa impressora da Ko-Pack à sua planta de tubos. Ele informa que a Impressora Paranaense, braço do grupo focado na produção de cartuchos, inclusive os consumidos pela Colgate-Palmolive, também é constante foco de investimentos.

Nordeste será pólo
Schalka lembra também que a Dixie Toga, numa joint-venture com a finlandesa Huhtamaki, inaugurou no início do ano, em Parnamirim (RN), a Laminor, negócio dedicado à produção do laminado consumido na produção dos tubos, a qual irá substituir importações dessa matéria-prima e dará maior fôlego à produção desses recipientes no país, além de gerar divisas com exportações. De início, a fábrica, que consumiu 50 milhões de reais em investimentos, irá produzir 30 milhões de metros quadrados desse material por ano, substituindo suas importações. É também no Nordeste, em Suape (PE), que a Alcan Packaging Cebal está construindo sua segunda planta no país, para atender a Unilever, que está transferindo para aquela região a produção de seus dentifrícios, bem como outros clientes. Ao mesmo tempo, a Betts, grande nome mundial da área de tubos laminados que fincou bandeira próximo a São Paulo cerca de quatro anos atrás, vem continuamente declarando em comunicados oficiais o interesse em expandir seus negócios no Brasil. Comenta-se, ainda, que uma empresa de capital nacional estaria mapeando oportunidades para entrar no mercado de tubos laminados. “O mercado de cremes dentais brasileiro está se

COLORIDOS – Designer Web é a linha de laminados pigmentados da Alcan Packaging Cebal

desenvolvendo, a demanda por tubos é alta e temos projetos de instalações de novas máquinas em andamento. Mas não podemos revelar nomes de possíveis novos players desse mercado neste atual estágio”, confirma Alain Dumani, diretor de marketing da suíça Aisa, destacada fabricante mundial de máquinas formadoras de tubos laminados e com forte presença no Brasil. Sintoma da demanda reprimida de tubos laminados é que pequenos produtores, sem massa crítica para entrar na carteira das fornecedoras dessas embalagens, vêm recorrendo a uma alternativa criativa: o uso de bisnagas plásticas. Exemplo é o da Natuflora, que em junho lançou seu Gel Dental sabor Chocolate em tubo plástico produzido pela C-Pack. “O tubo plástico oferece características técnicas similares às do laminado, mas é somente justificável para cremes dentais de maior valor agregado e de produção contida, pois o tubo laminado apresenta maior economia de escala”, admite Fábio Yassuda, diretor comercial da CPack. “Um cliente com produção mensal de 200 000 ou 300 000 unidades não interessa ao fornecedor de laminado, e é isso o que tem trazido clientes para nós”, salienta o executivo, informando existirem atualmente mais dois projetos de fornecimento em negociações no mercado de creme dental. Outra fabricante de tubos plásticos, a Globalpack, não tira pedidos na área de dentifrícios há cerca de dois anos, mas se mostra receptiva a atendê-la novamente. “É algo possível, até pelo fato de o mercado estar abrindo espaço para novas marcas”, afirma o diretor comercial Fábio Fróes Marcelo, lembrando que a Globalpack inclusive forneceu, no passado, bisnagas plásticas coextrudadas do tipo stand-up e tampas à líder Colgate para o mercado nacional e exportações. Como se vê, o crescimento do mercado, com um maior pluralismo de produtos, marcas e embalagens, só tem a contribuir para promover num número crescente de pessoas – e de companhias – largos sorrisos.

ALTERNATIVA – Para viabilizar a entrada de seu Gel Chocolate no mercado, Natuflora recorreu às bisnagas plásticas da C-Pack

Aisa +41 (24) 4820 110 www.aisa.com Alcan Packaging Cebal (11) 4723-4700 www.cebalbrasil.com.br Betts (11) 3601-3312 www.betts-usa.com Brasilgráfica (11) 4133-7777 www.brasilgráfica C-Pack (11) 5562-8671 www.c-pack.com.br Dixie Toga (11) 6982-9497 www.dixietoga.com.br Globalpack (11) 5641-5333 www.globalpack.com.br Laminor (11) 5516-2000 Simbios-Pack (11) 5687-1781 simbios-pack@simbiospack.com.br

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making of >>> capa

Uma ação de
O passo-a-passo da criação de uma capa de revista que é uma embalagem
capa desta edição de EMBALAGEMMARCA, que provavelmente chamou a atenção pelo brilho, pela bela imagem digital (não, não é foto) de um creme dental com marca fictícia e pela alta qualidade de impressão, tem um objetivo maior do que apenas surpreender. Como vem ocorrendo desde maio deste ano, as capas da revista procuram demonstrar os recursos do papel cartão, dos processos, insumos e ferramentas que possibilitam criar embalagens capazes de causar impacto no ponto-de-venda e despertar nos consumidores o desejo de comprar. A exemplo do ocorrido em inúmeras oportunidades anteriores, ao transformar suas capas, suas páginas internas e seus próprios invólucros em amostras de embalagem e de diferentes materiais, a revista desenvolveu a presente capa integrando os parceiros fornecedores, todos eles participantes da cadeia de embalagem. A meta principal é mostrar concretamente o alto nível de desenvolvimento e o potencial que o setor alcançou no Brasil. Foi uma caminhada que, como todas, começou com o primeiro passo: o fornecimento do substrato. Para isso foi escolhido o Papelcartão Art Premium Novo 250g/m2, da Ripasa, que permite impressão também no verso,

A

NÃO É FOTO – Ilustração digital, impressa em Papelcartão Art Premium Novo 250g/m2, da Ripasa, termolaminado pela Lamimax com filme Prolam Prata

com excelente resultado. Isso é fundamental na medida em que nesse lado da capa são veiculados os anúncios das chamadas segunda e terceira capas. Tanto quanto o restante da publicação, eles devem apresentar qualidade inquestionável. Do lado em que foram impressos a capa propriamente dita e o anúncio da quarta capa, o papel cartão foi termolaminado pela Lamimax com filme Prolam Prata, da Prolam, parceira de EMBALAGEMMARCA, junto com a Ripasa, nas ações de capas especiais com papel cartão.

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CONCEPÇÃO – A imagem de capa desta edição foi feita pela R3F Digital Design com o software Lightwave de modelagem e animação em terceira dimensão. Ao lado, quadros mostram seqüência de criação do objeto: wireframe (imagem 1), volume (2), wireframe com volume (3) e textura aplicada (4)

Dentro da programação dessas ações estava pautada uma capa de papel cartão, apropriado para embalagens, com acabamento metalizado. Quando a revista estudava qual o tema mais adequado, recebeu a visita de Flávio Eduardo Cassiano, diretor da R3F Digital Design, para a apresentação de um software de modelagem e animação em terceira dimensão (veja o quadro). Trata-se do Lightwave, para o qual a empresa oferece consultoria, suporte e treinamento modular, além de um curso de design de embalagens exclusivo no país.

“MARCA PRÓPRIA” – Como no desenvolvimento de um produto verdadeiro, diferentes texturas foram criadas para o cartucho do creme dental EMBALAGEMMARCA

Do briefing à criação
Na demonstração ficou claro ser um programa extremamente adequado para o desenvolvimento de design de embalagem, capaz de expressar as idéias de forma eficiente e com grande impacto visual. EMBALAGEMMARCA propôs então a criação da capa desta edição, sobre cremes dentais, com a composição em que acabou sendo impressa. Foi totalmente

criada nesta ferramenta, e tanto o tubo como o estojo existem apenas virtualmente. Cassiano conta que, dado o briefing para criação do creme dental com a “marca própria” EMBALAGEMMARCA, ele tratou de adquirir no mercado vários produtos da categoria, para estudo de formatos e equities. “Começamos a ‘brincar’ com a logomarca da revista sobre eles, melhorando a produção até o resultado final”, ele recorda. “Como a concepção da idéia foi bem trabalhada, finaliza-

mos rapidamente esta etapa”. No passo seguinte, mais técnico e no qual são exigidos conhecimentos de fotografia, direção de arte e manejo do Lightwave, foram aplicados os mesmos princípios de captação de luz da fotografia convencional. Com ajustes de câmera (distância focal, tipo de lente e abertura de diafragma), o resultado foi uma imagem de extremo realismo. Na etapa seguinte, o departamento de arte de EMBALAGEMMARCA encaminhou à R3F o layout da capa para a inserção da imagem e posterior tratamento. Por se tratar de uma impressão especial em substrato metalizado, foram separados os canais que isolariam o efeito da capa em áreas específicas. Os designers digitais que trabalharam a imagem foram o diretor da R3F Flávio Cassiano, especialista em Lightwave, e Eduardo Baroni, publicitário

e ex-aluno da R3F. A fase de impressão da frente e do verso da capa, feita pela Antilhas pelo processo offset, começou com uma reunião de seu pessoal técnico com os designers da R3F, na condição de fornecedora, e de EMBALAGEMMARCA como cliente. “O grande desafio do trabalho era imprimir num substrato não absorvente no sistema off-set convencional”, relata André Laguzzi, gerente de desenvolvimento da empresa. “Em flexografia tal impressão não apresenta grandes problemas, mas em off-set a história é outra”, ele diz. “Tanto é que mesmo gráficas bem equipadas muitas vezes recusam trabalhos desse tipo, por temor de resultados insatisfatórios.” A partir daquela primeira reunião, os contatos para informação, esclarecimentos e ajustes correram entre os designers e a gráfi-

PASSO-A-PASSO – Entre a montagem digital e a saída das máquinas, avaliações de prelo e acompanhamento intensivo do resultado final. Todas essas etapas ficaram a cargo da Antilhas, responsável pela impressão da capa desta edição de EMBALAGEMMARCA

Design de embalagem com efeitos de blockbuster
O Lightwave é uma ferramenta de modelagem e animação 3D popular na Europa e nos Estados Unidos, usado em áreas que extrapolam em muito o segmento de embalagens. É usado, por exemplo, na criação de efeitos especiais dos grandes blockbusters de Holywood, na produção de videoclipes, games, comerciais e animações. A infinidade de recursos e a sofisticada interface gráfica do Lightwave tornam o software um poderoso aliado dos designers industriais, inclusive aqueles dedicados ao desenvolvimento de embalagens. A possibilidade de fazer previews realistas de produtos e embalagens em modelos digitais de alta qualidade, simulando inclusive diferentes materiais e texturas, facilita a visualização de resultados e a correção de defeitos antes mesmo da produção de um mock-up. No Brasil, a R3F Digital Design, com sede em São Paulo, é a representante homologada pela norte-americana NewTek, proprietária do software, e a única consultoria em computação gráfica no país dedicada exclusivamente ao Lightwave.

REALISMO: Com Lightwave, previews fiéis de produtos e embalagens

18 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2004

Antilhas (11) 4152-1100 www.antilhas.com.br Congraf (11) 5563-3466 www.congraf.com.br Lamimax (11) 3644-7865 lamimax@uol.com.br Prolam (11) 3611-3400 www.prolam.com.br R3F Digital Design (11 ) 6674-4073 www.r3f.com Ripasa (11) 3491-5010 www.ripasa.com.br

ca. “Afinou-se então a sintonia relacionada com linguagem do software, extensão de arquivos, separação de cores e outros pormenores indispensáveis”, conta Alexandre Krieck, analista de produto da Antilhas. Ficou definido nessas reuniões que na impressão seria utilizado calço de tinta branca (quinta cor) para eliminar o efeito metálico nas áreas em que não era desejado. Apresentado o layout em eps (encapsulated post service) pela R3F, o departamento de pré-impressão da Antilhas montou a imagem utilizando a plataforma Illustrator, passando a fazer retoques minuciosos, destina-

dos a adequar perfeitamente o arquivo ao processo de impressão. Feito isso, foi encaminhada por meio eletrônico uma prova digital para EMBALAGEMMARCA, que a aprovou sem restrições. Nesse meio tempo, enquanto o departamento de arte da revista montava sobre a imagem virtual o layout final da capa, na Antilhas eram realizadas pelo menos três reuniões com a área de produção, nas quais ia sendo complementada em pormenores a ficha técnica descritiva do produto. As chapas foram produzidas, por fornecedor terceirizado, em sistema CtP (Computer to Plate) e serviram para imprimir as provas de prelo, utilizadas como referência de cor na impressão. Nesta, foram usadas tintas e vernizes especiais. Exceto controles mais rígidos do que em trabalhos convencionais, a impressão transcorreu sem problemas, numa Roland 706, de seis cores mais verniz em linha. Terminada a impressão, a Antilhas encaminhou as capas para a Congraf, que imprimiu o miolo e fez o acabamento da revista. Comentários serão benvindos.

Ampliação nas caixas
Depois da garrafa, multipack traz o clique do consumidor
estratégia de criar vínculos emocionais com o consumidor para reforçar a imagem de uma marca tem nos refrigerantes canadenses Jones Soda um case que, embora recente, pode ser considerado clássico. Em 1996, o fundador e CEO da empresa, Peter van Stolk, teve uma idéia original: usar suas garrafas long neck como ferramenta interativa, para gerar identificação com o público, através da impressão de fotos enviadas pelos próprios consumidores em seus rótulos. A iniciativa foi um sucesso, e permitiu à empresa crescer no mercado dos Estados Unidos, para onde mudou sua sede pouco depois. Agora, a Jones Soda está dando um passo adiante nessa estratégia, copiada posteriormente por diversos fabricantes de bebidas. Os instantâneos dos consumidores também poderão ser vistos em suas novas multipacks. As recém-lançadas embalagens acondicionam doze garrafas dos refrigerantes da marca, e são do tipo “fridge pack” – construídas com uma estrutura especial de papel cartão que mantém as embalagens em seu inte-

A

rior geladas por mais tempo e com um formato que facilita o armazenamento na geladeira. Trata-se de uma solução de propriedade da Graphic Packaging Corporation, a companhia criada em agosto de 2003 após a fusão entre a Graphic Packaging International e a Riverwood, duas gigantes com negócios em multipacks. Seguindo a mesma mecânica aplicada ao trabalho com os rótulos das garrafas, as multipacks irão utilizar as fotos, enviadas à galeria da fabricante por correio comum ou pela Internet, por meio de uma “presença rotativa”. As sete fotos presentes nas caixas serão regularmente trocadas, para atender ao máximo as “centenas de milhares” de fotos que, segundo a empresa, lhes são enviadas anualmente. “A indústria de bebidas é muito competitiva, então esforçamo-nos em nos conectar com nosso consumidor de um modo que nenhuma outra companhia consegue”, afirma Peter van Stolk. “Acredito que com nossa embalagem única e com nossa conexão com o público, continuamos a criar uma estratégia avançada.”

Graphic Packaging Co. +1 (770) 644-3000 www.graphicpkg.com

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FOTOS: JONES SODA CO.

INSTANTÂNEOS – Acima, os rótulos das garrafas com as fotografias tiradas pelos consumidores: sucesso consolidado. Novas multipacks, abaixo, seguem a estratégia

Fenômeno “Super Size Me”?
Atendendo a um pedido do FDA americano por informações nutricionais mais claras e completas nas embalagens de pequenas dimensões, a Kraft Foods está lançando novas etiquetas com dados para seus snacks e bebidas. Diz a empresa que elas irão facilitar aos consumidores o controle de suas dietas, pois até agora as tabelas dos produtos traziam apenas a informação sobre o valor nutricional por porção, e não do conteúdo total da embalagem. Se o produto é para consumo individual, a etiqueta irá trazer informações sobre o conteúdo total da embalagem. Se o produto é tipicamente consumido por mais de uma pessoa, conterá tanto a informação sobre o valor nutricional total da embalagem quanto por porção. Ademais, as embalagens informarão, em seu frontal, quantas porções trazem.

Bolsa “de couro” rende prêmio Cerveja com guaraná
O nome e a fórmula são exóticos: a Budweiser B-to-the-E (BE) é a nova cerveja da Anheuser-Busch que pretende se posicionar como “bebida de vanguarda”, para um público adulto exigente. É um híbrido de cerveja e energético: possui cafeína, ginseng e extrato de guaraná em sua fórmula, e também teor alcoólico superior – de 6,6%. Quanto ao sabor, a BE apresenta toques de amora, framboesa e cereja. Será comercializada em latinhas de alumínio com perfil slim de 10 onças líquidas (aproximadamente 300ml), fornecidas pela Crown Cork & Seal. A Embalagem Cartonada do Ano na Europa acaba de ser eleita pelo prêmio Pro Carton/ECMA Carton Awards. É um cartucho com formato de bolsa de mão criado para o chocolate Imagine, da Kraft Foods. Quando aberto, ele se transforma num conveniente prato de servir. A superfície da embalagem possui aparência e toque de couro, o que foi conseguido graças a trabalhos de relevo mais a aplicação do verniz Iriodin, da Merck. O design da embalagem é assinado pela Landor Associates, o papel cartão utilizado é o Incada Silk, da sueca Iggesund Paperboard, e a confecção foi feita pela Model PrimePac.

Vinhos com Romero Britto
A vinícola californiana Knightsbridge Fine Wines anunciou que irá utilizar nos rótulos de alguns de seus produtos e em peças de merchandising obras do aclamado artista plástico brasileiro Romero Britto. “Romero trabalha consistentemente para reinterpretar o sentido da arte e seu papel na vida contemporânea”, afirma Joe Shapiro, CEO da Knightsbridge. “Esperamos trabalhar com ele para construir uma experiência singular para os atuais amantes da arte e do vinho”. A vinícola já utilizara, em anos anteriores, rótulos com arte de outros dois consagrados artistas pop, Guy Buffet e Andy Warhol.

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sistemas >>> cartonadas assépticas

Caixinha porta-retrato
Tetra Pak quer difundir processo de impressão mais nobre para leites
eite é uma bebida naturalmente associada à vida. E nada mais natural que as embalagens nas quais o produto é vendido explorem essa ligação, com desenhos e cores vibrantes e imagens apelativas. Um incentivo a essa noção está sendo posto em prática pela Tetra Pak, maior fornecedora de embalagens para esse mercado. É que a multinacional de origem sueca acaba de anunciar um plano para difundir entre sua clientela na área de leites um sistema de decoração mais burilado para suas cartonadas assépticas: o Photo Process. “Trata-se de uma alternativa à impressão flexográfica tradicional que utilizamos para decorar nossas caixinhas”, explica Eduardo Eisler, diretor de desenvolvimento de negócios da Tetra Pak. Segundo ele, o Photo Process garante maior sofisticação gráfica às embalagens longa vida. Abre-se a possibilidade de se trabalhar com uma gama maior de cores, que ganham mais vida, os tons são realçados e a superfície das caixinhas apresenta maior brilho. Os benefícios mais vistosos do novo processo, porém, é que são eliminados problemas de registro de detalhes complexos, como degradês, e a reprodução de imagens passa a ter qualidade fotográfica. “É um implemento que tem tudo para acabar com o paradigma mercadológico de que embalagem de leite deve priorizar o branco ou cores neutras”, afirma o dirigente da Tetra Pak.

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UPGRADE – Confepar aproveitou o lançamento do Photo Process para renovar visual de sua linha Polly

Tecnologia brasileira de reciclagem seduz espanhóis
Anunciada em dezembro de 2003, a tecnologia de separação do alumínio e do plástico das embalagens cartonadas assépticas por plasma, totalmente nacional, será exportada para a Espanha. Desenvolvida por meio de uma parceria entre a Tetra Pak, a Universidade de Campinas (Unicamp) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), ela será implantada numa fábrica na cidade de Valencia, prevista para iniciar operações em agosto de 2005. Bancada pela fabricante espanhola de papéis Nesa, ela custará 6 milhões de euros e será capaz de processar de 10 a 12 toneladas anuais de caixinhas. O acordo para a transferência de tecnologia foi fechado pela TSL Ambiental, prestadora de serviços de engenharia ambiental e uma das parceiras da Tetra Pak na construção, em andamento, da primeira planta com tecnologia de separação por plasma do país, em Piracicaba (SP). Outras envolvidas nesse negócio, de 10,5 milhões de reais e a ser inaugurado no início de 2005, são a Alcoa e a Klabin. O diferencial da tecnologia de reciclagem por plasma é a separação efetiva do alumínio e do plástico das caixinhas longa vida para a reciclagem, o que não acontecia nos métodos anteriormente conhecidos. Assim, é esperado que o valor de mercado das caixinhas pós-consumo se valorize em até 30%.

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

O Photo Process resulta em impressões com 48 linhas por centímetro. De acordo com a Tetra Pak, já está em fase experimental a impressão com 54 linhas por centímetro, que tornará possível um detalhamento ainda maior das imagens nas embalagens. Para auxiliar a impressão mais nobre, o processo também utiliza um papel diferenciado, do tipo clay coated, mais branco e uniforme que o tradicional, fornecido pela Klabin, parceira da Tetra Pak. Detalhe: as impressões com qualidade fotográfica já são utilizadas pela grande maioria dos clientes da Tetra Pak no mercado de sucos prontos. A introdução em leites se deu através de produtos especiais, de alto valor agregado, como o Shefa Premium, o Batavo Sensy e o DaMatta Zylow, entre outros. O momento, agora, é de massificação do processo, estendendo-o a todo o mercado. Eisler trabalha com a expectativa de que isso ocorra em três anos. Um dos mais recentes laticínios a aderir ao Photo Process é a paranaense Confepar, em sua linha de leites Polly, que está chegando ao mercado com visual reformulado – trabalho da Plano Propaganda. “As novas caixinhas têm, nitidamente, maior apelo vendedor”, atesta Cleverson Machado, da área de marketing da Confepar.

Klabin (11) 3046-5800 www.klabin.com.br Plano Propaganda www.planopropaganda.com.br Tetra Pak (11) 5501-3200 www.tetrapak.com.br TSL Ambiental (11) 3049-4444 www.tslambiental.com.br

INÍCIO – Leites especiais, como o Shefa Premium, foram os primeiros a receber o Photo Process

design >>> semana abre

Branding: um novo desafio
Com o aumento da competitividade, nem mesmo as marcas líderes têm garantido seu lugar ao sol. Cabe à indústria de embalagens ajudar em seu reposicionamento e consolidação
Por Liliam Benzi encidas praticamente todas as barreiras tecnológicas, a indústria de embalagem tem à sua frente o desafio de ajudar na consolidação das marcas. Esse trabalho, denominado branding, já faz parte do dia-a-dia da indústria nacional e tem se manifestado em duas situações distintas. Na primeira, empresas de médio e pequeno porte, com pouca ou praticamente nenhuma verba para publicidade, apostam na embalagem como canal de veiculação e propagação da marca. Empresas com mais recursos financeiros também utilizam essa ferramenta combinada e inserida dentro de uma ação mais abrangente de marketing/comunicação. O fato é que a embalagem é elemento acessível e relativamente barato para vencer o principal desafio do branding – criar uma alma para a marca. Como diz Luís Castellari, coordenador do Comitê de Design da Associação Brasileira de Embalagem (ABRE), trata-se de criar “uma real personalidade com a qual o consumidor se identifique – e isso está diretamente ligado à emoção, à embalagem, ao design e à percepção da marca”. Pela importância do tema, a ABRE o elegeu

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para direcionar as doze palestras apresentadas durante a 6ª Semana ABRE do Design de Embalagem, realizada na Casa Rhodia, em São Paulo, nas manhãs de 26 a 29 de outubro. A relevância do branding foi reforçada na palestra de Margareth Ikeda Utimura, do Latin Panel, que apresentou recente pesquisa sobre a retomada gradual no consumo de marcas líderes. A pesquisa, realizada em 6 300 domicílios brasileiros com 62 categorias de produtos, mostra que o mercado brasileiro mudou significativamente entre 1990 e 2000. Estas mudanças causaram forte impacto, principalmente, no consumo das marcas líderes, que perderam 52% de sua participação de mercado. Outro dado importante é que, em 74% das categorias de produtos pesquisadas, os três principais fabricantes perderam boas fatias do bolo.

Migração de classes
Por outro lado, o reaquecimento da economia tem levado a uma situação mais favorável: a redução das classes D e E e sua migração para a classe C. “A classe C já compra praticamente os mesmos produtos das classes A e B; o que diferencia é o volume e a freqüência das compras”, analisa a pesquisadora. Essa migração já apresenta sinais positivos: entre janeiro e agosto de 2004, reverteu-se o quadro de queda de vendas de marcas líderes, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Na verdade, 50% das empresas donas dessas marcas ganharam participação em valor. Uma das estratégias adotada pelos líderes e respaldada pela embalagem foi trabalhar com produtos premium price, cerca de 10% mais caros que a média do mercado. Mesmo assim, não há garantia de lealdade. O setor com maior índice de fidelidade à marca é o de produtos de limpeza, com 43%; nas bebidas, esse índice cai para 31%, e em higiene pessoal, para 8%. Em alimentos praticamente não há lealdade.

Semana ABRE do Design de Embalagem: casa cheia todos os dias

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para as embalagens
Para situações como essa, Ricardo Migliano, membro do conselho consultivo do POPAI Brasil, diz que o branding é importante uma vez que: assegura a independência, segura o preço, aumenta o valor, estabelece a diferença e garante o futuro do produto/negócio. “Embora as marcas sejam um capital simbólico, elas podem ser o maior patrimônio de uma empresa.” Ele completa dizendo que, “antes, ter uma marca forte era uma opção; hoje é uma vantagem competitiva”. Como exemplos de uso da embalagem na estratégia de branding, Migliano cita os cases Coca-Cola e Starbuck. No caso da Coca-Cola ele ressalta o desenvolvimento de uma embalagem para cada ocasião de consumo – garrafas plásticas e de vidro, lata e post mix. Já o Starbuck direcionou sua comunicação para além de uma loja de café. Suas embalagens trabalham o slogan “uma experiência de café”. Esse posicionamento permite à empresa vender um café a US$ 2,50, quando o preço de mercado gira ao redor de US$ 0,50. O que as pesquisas não dizem é que tanto melhor será a performance do produto, e conseqüentemente de sua embalagem, quanto mais o consumidor defender a marca e tiver um vínculo emocional com ela. É esse o sentido do trabalho empreendido pela Pernod Ricard do Brasil na vodca Orloff. Segundo Thiago Bersou, gerente de produto da empresa, para legitimar seu segundo lugar no mercado brasileiro de vodcas, a marca Orloff precisou ser reposicionada, e a sua embalagem, reformulada e alinhada aos valores atuais da categoria. “A saída foi encomendar uma pesquisa que ajudou a entender melhor o que os consumidores de vodca pensam de Orloff.” Seus resultados estão literalmente estampados na nova garrafa de Orloff, cujos design e transparência valorizam os atributos do produ-

to e o põem num patamar de modernidade. A marca, que praticamente introduziu essa categoria de bebidas no Brasil nos anos 60 e que foi drasticamente sacudida pela invasão dos importados na década de 70, ganhou novo fôlego. Na indústria de alimentos, a receita para o sucesso não é muito diferente. “É preciso entender os anseios do consumidor e criar marcas que toquem seu coração”, sintetiza Sérgio Bianchini, da Kraft Foods. “E o significado e os benefícios dessa marca devem ser traduzidos pela embalagem, com emoção.” O dia-a-dia do trabalho de Bianchini, com marcas e embalagens, é pautado pela manutenção da relação marca/consumo/tradição, de modo a criar tal associação na mente e no inconsciente do consumidor. Em marcas como Club Social, Tang, Royal e Sonho de Valsa, a Kraft também se vale dos benefícios do design aliados às estratégias de comunicação.

Vínculo direto
Mas como as empresas com verba mais reduzida trabalham essas estratégias de branding? A resposta vem da palestra de Eduardo Rizzo, coordenador de produto da Marilan, quarto maior fabricante de biscoitos do país. “A embalagem é o nosso principal vínculo com o consumidor e um dos principais elementos para a construção da marca”, ele diz. Há pouco tempo, a empresa nadava contra a maré. Enquanto 68% do mercado de biscoitos usavam embalagens de até 250 gramas, na Marilan 80% delas eram tamanho família, ou seja, com mais de 250 gramas. Para aumentar sua participação nas regiões Sul e Sudeste, era preciso promover um reposicionamento de preços, saindo do patamar muito popular. Com embalagens com valor agregado e benefícios perceptíveis para o consumidor, a Marilan deu a volta por cima. “Procuramos sofisticar, sem elitizar para não excluir nosso consumidor fiel”, conta Rizzo. “Como dizemos no interior, criamos embalagens que provocam a salivação, que nos grandes centros chamam de appetite appeal.” Hoje a Marilan exporta para mais de cinqüenta países e já aparece com 3% no Top of Mind. Em 1999 sequer era citada. “Não temos dúvidas de que essa ascensão se deve às novas embalagens que reposicionaram a marca Marilan no mercado nacional”, finaliza o coordenador de produto da empresa. Outro case sustentado na escassez de recur30 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2004

sos e na valorização da embalagem foi apresentado por Carlos Liguori, sócio diretor da Penina Alimentos, líder na venda de especiarias e temperos para o atacado. “Chegamos a um ponto em que precisávamos agregar valor ao produto para distribuí-lo em novos canais, como a venda direta ao consumidor final”, revela o empresário. A saída veio pela reformulação das embalagens de forma a valorizar e reposicionar cada grupo de produtos. Outro mercado que responde bem ao uso da embalagem para reforçar a marca é o de produtos de limpeza doméstica e higiene pessoal. Fábio Avari, gerente de marketing, negócios e inovação da Bombril, provou isso ao contar o case de sua palha-de-aço. “Neste e em outros produtos procuramos, via embalagem, agregar à marca valores como proteção ao meio ambiente, inovação e tecnologia.” Segundo ele, lançar novos produtos é fácil; “o duro é lançar algo novo que agregue valor e que não fira a aura da marca”. Analisando seus consumidores, a Bombril procura entender como conciliar a sua lealdade com a elasticidade, muitas vezes imposta por contingências econômicas. Situação semelhante é vivenciada pelo Grupo Friboi, proprietário da marca de sabonetes Albany. Para Moacir Sanini, diretor comercial e de marketing da empresa, a continuidade es-

Na exposição, podiam ser vistos cases de 31 agências filiadas ao Comitê de Design

tratégica da marca, ao longo de extenso período de tempo, contribui, e muito, para uma vantagem competitiva sustentável, “além de criar capacitações e habilidades verdadeiramente exclusivas”. Sanini alerta, contudo, para o perigo de ampliar muito a posição estratégica de uma marca, especialmente para atender às pressões em busca do crescimento. Segundo ele, os esforços para crescer podem chegar a debilitar uma estratégia ao obscurecerem a exclusividade e criarem a necessidade de se fazer concessões. “Por incrível que pareça, as maiores barreiras à boa estratégia de marca são geralmente criadas dentro da própria corporação.”

Nacionalização e agilidade
Na empresa O Boticário, Lígia Baruque, gerente de desenvolvimento de embalagem, diz que a importância da embalagem na consolidação da marca levou inclusive a uma mudança mais radical: um processo de nacionalização dos componentes de embalagem que permitiu ter mais agilidade nos desenvolvimentos e, conseqüentemente, na percepção da marca. Todos os projetos têm como ponto de partida a missão da empresa de ser reconhecida por seus colaboradores, parceiros, clientes e mercado onde atua como uma importante referência em beleza. “É isso tudo, além de fazer com que nossas ações para a preservação da vida estabeleçam uma forte identificação com a sociedade”, ela explica. “Traduzimos essa intenção nas embalagens de forma a fidelizar nossos clientes e assegurar o crescimento e a rentabilidade de nosso negócio.” A 6ª Semana ABRE do Design de Embalagem contou ainda com a palestra de Rossana Costa, que apresentou o case da Kidspage, empresa que iniciou a comercialização, no Brasil, de camisetas para pintar. Nesse caso as embalagens tiveram um papel fundamental para apresentar a marca e o novo conceito de produto ao mercado. Além das palestras, as dezenas de profissionais que visitaram diariamente o evento tiveram a oportunidade de ver a exposição montada com cases de 31 das 44 agências de design de embalagem filiadas ao Comitê de Design. A 6ª Semana ABRE do Design de Embalagem foi patrocinada pelas empresas Avery Dennison, Fispal, Ibratec, Indusplan, Novelprint, Rigesa, Ripasa, Sinimplast, Suzano e Tetra Pak.

O pulo do heat transfer
Nova planta produtiva e rótulos mais baratos impulsionam o sistema no país
Por Leandro Haberli tecnologia heat transfer de rotulagem de embalagens ainda não deu provas definitivas de ter deslanchado no Brasil, mas os crescentes investimentos em modernização e aumento da capacidade produtiva permitem supor que o sistema conquistará cada vez mais espaço por aqui. Entre as estratégias que evidenciam as boas perspectivas de crescimento dessa alternativa de decoração e identificação de embalagens, é muito provável que a mais expressiva já posta em prática no país tenha sido recentemente anunciada no Rio Grande do Sul, por uma empresa chamada Technopack. Conhecida por importar e distribuir rótulos e rotuladoras do grupo Dinacal, líder do mercado global de heat transfer, a companhia gaúcha inaugurou em outubro último o que define como a primeira fábrica brasileira de impressão de rótulos com a tecnologia heat transfer. Situada no município de Cachoeirinha, região metropolitana de Porto Alegre, a fábrica está em atividade desde o ano passado, mas só recentemente recebeu sua principal máquina de impressão, elevando sua capacidade produtiva para mais de 800 milhões de rótulos por ano.

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No Brasil, os rótulos heat transfer se concentram nos lubrificantes automotivos. Mas a tecnologia também começa a ser usada em embalagens alimentícias e de cosméticos

Sem rugas e sem bolhas
“Até 2003, quando começamos a nacionalizar a produção dos rótulos, o mercado brasileiro de heat transfer era inteiramente abastecido por produtos importados”, diz Geraldo Nunes, diretor da empresa. O investimento mais recente foi de 6 milhões de reais, e faz parte de uma estratégia mais ampla. Já em 2005 a Technopack pretende ampliar novamente a fábrica, investindo mais 7 milhões de reais. O 32 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2004

plano é conquistar com seus heat transfers 10% do mercado de rotulagem da América do Sul. Para isso, a empresa confia em uma de suas vantagens estratégicas: a fábrica de Cachoeirinha situa-se próxima a países que são potenciais consumidores de rótulos heat transfer, como Uruguai e Argentina. Baseada em rotuladoras equipadas com bobinas de papel impresso por rotogravura e cilindros de transferência que produzem calor e pressão, a tecnologia heat transfer se caracteriza por fundir o substrato dos rótulos na superfície das embalagens, de modo a transferir todo o layout para os frascos. “Além de uma decoração resistente e durável, esse tipo de rotulagem garante acabamento livre de rugas e bolhas”, descreve o diretor da Technopack. Segundo estimativas da própria empresa, o mercado de rotulagem do Mercosul movimenta 500 milhões de reais por ano. Desse total, a tecnologia heat transfer já representaria 4%, ou 20 milhões de reais. Mas, com a inauguração da nova fábrica, a Technopack espera reduzir custos e ampliar a carteira de clientes no Brasil e no Mercosul. Os planos incluem fazer o faturamento saltar dos atuais 12 milhões de reais para 50 milhões de reais por ano. O otimismo é baseado em vantagens que vão além do acabamento livre de bolhas. Segundo o diretor da empresa, outras características do sistema heat transfer de rotulagem são garantia de limpeza, “já que o processo não atrai sujeira do ambiente”, e facilidade de reciclagem dos frascos. Ainda de acordo com Nunes, esta última particularidade se explica porque, diferentemente de outros processos de decoração, o rótulo heat transfer não preci-

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sa ser retirado da embalagem na hora da reciclagem. Faz parte dela, no mesmo material. Estima-se que o maior mercado consumidor de heat transfer no Brasil seja o de óleos automotivos, onde conhecidas marcas já migraram para o sistema. Mas a tecnologia tem crescido em outros setores, com destaque para o de cosméticos e alimentos. Em termos práticos, os projetos de alta produtividade quase sempre recomendam que as rotuladoras sejam integradas às linhas de produção. Entre as possibilidades de acabamento, vale dizer que as bobinas de papel podem ser impressas em até oito cores, “com qualidade fotográfica e múltiplas tonalidades”. Também é possível explorar tintas termocromáticas (que podem brilhar ou se tornar ocultas de acordo com a variação da temperatura) e fluorescentes. Além disso, os rótulos heat transfer podem receber acabamentos holográficos, ajudando a minimizar riscos de contrafação. Por tudo isso os executivos da gaúcha Technopack acreditam que a tecnologia po-

Technopack www.technopack.com.br (51) 470-6889

Instalados na fábrica de Cachoeirinha (RS), novos equipamentos elevaram a capacidade produtiva da Technopack para 8 milhões de rótulos heat transfer por ano

tencialmente concorre com todos os demais sistemas de rotulagem, incluindo auto-adesivos, termoencolhíveis, etiquetas de papel e in-mold labels. Confiante nas vantagens do heat transfer, a empresa não está investindo apenas na impressão dos rótulos: a aposta é também na fabricação de rotuladoras e demais equipamentos, nacionalmente. “A perspectiva de crescimento também é grande porque, fora dos Estados Unidos, existe apenas uma empresa que fabrica rótulos heat transfer”, informa Nunes. “Trata-se da argentina Multicolor, que tem pouca penetração no mercado brasileiro.”

Um freio na pirataria
Selos de segurança ajudam produtora de autopeças a combater falsificação
os cálculos do Sindipeças (Sindicato Nacional das Indústrias de Componentes para Veículos Automotores), a indústria nacional de autopeças fechará 2004 com um faturamento de pouco mais de 14 bilhões de dólares. Quase 5% desse montante, algo próximo a 700 milhões de dólares, serão movimentados pelo mercado de peças falsificadas, contrabandeadas e recondicionadas ou remanufaturadas sem nenhum critério. Foi com essa banda podre que a subsidiária brasileira de uma das maiores fabricantes mundiais de componentes para sistemas de freio de caminhões e ônibus, a WABCO, se viu envolvida em julho de 1999. A empresa começou a receber uma série de queixas de seus distribuidores e consumidores sobre seus jogos de reparo para freios. Por meio de investigações, a empresa descobriu que caíra na malha da pirataria e que sua marca, utilizada indevidamente, entrara como contribuinte de um triste índice – dos acidentes automobilísticos com vítimas no país, cerca de 30% são causados por sistemas de freio falsificados,

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EXCLUSIVIDADE – Tecnologia dos selos de segurança com holografia e imagem retrográfica é segredo industrial da 3M

diz o Sindipeças. As saída para o problema foi encontrada por meio de um investimento em embalagem: o uso de um sofisticado selo de segurança da 3M nas cartelas dos jogos de reparo. “Erradicamos totalmente a pirataria desses produtos”, diz Reynaldo Contreira, diretor de vendas da WABCO Freios Brasil. Agora, para ampliar sua segurança – e a dos consumidores finais também –, a empresa está expandindo a presença do selo da 3M para as embalagens de seus conjuntos de freios e válvulas.

Duas imagens
A solução consiste numa etiqueta auto-adesiva que “combina a beleza da holografia com a segurança de imagens ocultas retrorefletivas”, como explica Eduardo Salles, executivo de vendas e marketing da Divisão de Sistemas de Autenticidade da 3M do Brasil. Em 34 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2004

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outras palavras, o selo recebe a impressão de um holograma com a logomarca da empresa usuária e, ao mesmo tempo, também de unidades refletoras, que formam uma espécie de marca d’água invisível sob condições normais. Tal imagem, chamada “retrograma”, só é revelada com a aplicação de um feixe de luz especial. Qualquer tentativa de adulteração dos selos torna-se evidente, pois afeta a gravação em retroflexão, alterando o formato da imagem secreta. Uma vez removidos, eles não podem ser reutilizados, pois são propositalmente danificados. Os selos possuem ainda numeração controlada. A 3M é detentora exclusiva da tecnologia envolvida nos selos, protegida por segredo industrial. “É uma solução eficaz na luta contra a pirataria não só do setor de autopeças, mas de tantos outros que amargam prejuízos com a concorrência desleal de mercadorias falsificadas”, classifica Eduardo Salles. A satisfação da WABCO é evidente. Até o fim de 2004, a empresa irá colocar em prática uma terceira fase de adoção dos selos, em componentes ainda não contemplados, informa o gerente de reposição da fabricante, Albano Lopes. Os valores dos investimentos não são revelados. “Basta dizer que a compensação veio rápido, com o fim da falsificação e a garantia de segurança ao consumidor final”, conclui Lopes.

DUPLA – Exemplo da 3M mostra, acima, a holografia na etiqueta. Abaixo, a mesma etiqueta, sob luz especial, revela a imagem retrográfica oculta

3M (19) 3838-6916 www.3m.com.br

Sindipeças (11) 3848-4848 www.sindipecas.org.br

Maior iBOPPe
De olho na alta do consumo dos rótulos de BOPP, Sol adquire a PP Print
ojões espocaram em setembro na sede do Grupo Sol, em Barueri (SP). Motivo: o fechamento da compra da PP Print, tradicional fabricante mineira de rótulos plásticos. Com a aquisição, a Sol PP, braço do Grupo dedicada à conversão de rótulos, passa a contar com capacidade instalada de cerca de 500 toneladas mensais em rótulos e laminados. “O objetivo é dar continuidade ao crescimento na participação dos mercados de fil-

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Sol PP (11) 4441-6800 www.solpp.com.br Polo (11) 3706-8201 www.poloind.com.br

NO BOLSO – Engarrafadores de Coca-Cola são alguns dos principais clientes que a Sol conquista através da PP Print

mes laminados e rótulos em polipropileno bi-orientado (BOPP), nos quais já atuamos desde 2002 com a Sol PP”, explica Rogério Mani, diretor do Grupo Sol, que no entanto prefere não revelar o valor do negócio. Localizada em Varginha (MG), a PP Print fica próxima a uma fábrica de filmes de BOPP da Polo, sua antiga controladora. Com a política firmada nos últimos anos de priorizar a produção de filmes, a Polo decidiu sair do negócio de conversão. A compra da PP Print, detalha a Sol, é uma antecipação do programa de investimentos que estavam previstos para 2005. Na sua planta paulista não haveria espaço para suportar a estratégia de crescimento em rótulos planejada pela empresa. Hoje, os rótulos e laminados respondem por quase 30% do faturamento da Sol, índice que deverá saltar para 50% com a incorporação da PP Print. Já para o próximo ano, assinala Mani, a intenção é que essa taxa sofra um incremento de 15% a 20%.

Projeto de realocação
Na planta da PP Print estão alocadas uma impressora rotográfica de oito cores e duas flexográficas, uma de quatro e outra de seis cores. A empresa tem capacidade para produzir cerca de 250 toneladas mensais de rótulos, sendo que pouco mais da metade desse volume destina-se à indústria de bebidas, especialmente a franqueados da Coca-Cola. De acordo com o Grupo Sol, a tendência é que no futuro as operações de rótulos sejam totalmente alocadas na unidade recémadquirida. Barueri ficaria encarregada somente da produção dos filmes consumidos pela empresa. Por ora, a planta mineira continuará a operar sob o nome PP Print. “Lá, buscaremos intensificar a participação junto a clientes atuais de rótulos e ampliar a produção de filmes laminados voltados para o segmento alimentício”, informa o executivo da Sol PP. 38 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2004
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Markem amplia família Cimjet
A Markem, fornecedora de sistemas de codificação, ampliou a sua linha Cimjet de impressoras e aplicadoras de etiquetas ao lançar, nos Estados Unidos, o novo modelo Cimjet 200. O novo equipamento é indicado para quem não necessita de todas as funcionalidades dos demais integrantes da família. A Cimjet 200 imprime códigos de barra, grafismos e dados variáveis, e está preparada para aplicar até trinta etiquetas por minuto em caixas e embalagens múltiplas agrupadas com filmes termoencolhíveis. Uma vantagem desse produto é a capacidade de armazenamento de informações, o que dispensa o uso de um computador no chão de fábrica. www.markem.us/cimjet200 No Brasil: 0800-132020 (11) 5641-8949

Latin American Label Summit no Brasil
Os organizadores da LabelExpo, a mais importante feira ligada à cadeia de rotulagem, que tem edições nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, estão de olho no mercado latino-americano. Vão organizar no Brasil a próxima edição do Latin American Label Summit, congresso dirigido a convertedores da região. O evento ocorrerá nos dias 17 e 18 de maio de 2005, em São Paulo. www.labelsummit.com

Prêmio Automação EAN 2004 para RR
Em evento agendado para dia 17 de novembro, a RR Etiquetas recebe o Prêmio Automação EAN Brasil, na categoria suprimentos. A empresa é premiada pelo sexto ano consecutivo.

Termoencolhíveis em expansão
No último dia 28 de outubro, em São Paulo, ocorreu o 1º Workshop de Shrink Label, organizado pela convertedora argentina Zanniello, pela STM, fabricante brasileira de aplicadoras de rótulos e de túneis de calor, e pela Klöckner-Pentaplast, multinacional fornecedora de filmes plásticos. A iniciativa reflete a parceria das três empresas no intuito de fortalecer a participação dos rótulos termoencolhíveis no mercado sul americano, e teve o intuito de passar a designers e usuários de embalagens informações técnicas sobre esse sistema de rotulagem, mostrando os cuidados básicos que devem ser tomados no desenvolvimento de projetos, como a escolha do filme adequado para cada fim e a necessidade de distorção da arte final para um bom resultado após o encolhimento. Além disso, foram apresentados exemplos de produtos que utilizam esse tipo de rótulo, como forma de mostrar o seu potencial de comunicação nas gôndolas. O evento, acompanhado com exclusividade por EMBALAGEMMARCA, é apenas mais um indício de que a presença dos rótulos termoencolhíveis deve crescer no Brasil nos próximos anos. Além da forte investida que a Zanniello vem fazendo sobre as empresas que tradicionalmente atendem esse mercado no país (a empresa já está fornecendo para a Danone do Brasil, e diz ter outros projetos grandes encaminhados), há rumores de que pelo menos um grande convertedor local de rótulos auto-adesivos iniciará, em breve, uma operação com termoencolhíveis. www.zanniello.com.br + 54 (0) 2322-466220 www.stmachine.com.br (11) 6191-6344 www.kpafilms.com (11) 4613-9978

Label’05 põe o foco no setor de bebidas
No dia 23 de novembro, os profissionais ligados à cadeia de rótulos auto-adesivos têm a oportunidade de se aprofundar em questões que relacionam a sua indústria com a de bebidas. Nesse dia ocorre o 4º Fórum de Rótulos e Etiquetas Auto-Adesivas – Label’05, no Novotel Center Norte, em São Paulo. Com estudos de casos internacionais e nacionais, a idéia do evento é trazer a convertedores de rótulos e usuários finais informações e experiências que possam orientar a indústria do auto-adesivo a aproveitar as grandes oportunidades existentes no mercado de bebidas. www.sala21.com.br (11) 3032-6329

NO BRASIL – A Zanniello, empresa argentina, já tem grandes clientes por aqui

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feira >>> K 2004

Inovação e negócios
Empresas brasileiras marcam boa presença na feira mundial do plástico
Por Wilson Palhares, de Düsseldorf

eixados de lado o ufanismo e o otimismo ingênuo, quem teve oportunidade de circular pelos dezoito pavilhões da Feira Internacional do Plástico e da Borracha – K 2004, o grande evento mundial do setor, realizado entre 20 e 27 de outubro último em Düsseldorf, na Alemanha, pôde constatar que a cadeia do plástico no Brasil oferece boas razões para alimentar prognósticos positivos. Bastaria lembrar que durante aqueles oito dias mais de 3 000 profissionais e empresários do setor originários do Brasil visitaram o evento, para pôr-se a par dos mais recentes desenvolvimentos e inovações registrados no mundo em termos de tecnologia, matérias-primas, processos, equipamentos e serviços relacionados à área. Pelo depoimento de vários deles, ouvidos por EMBALAGEMMARCA, na média a cadeia brasileira do plástico se nivela ao que há de mais avançado em países de ponta. Para reforçar o otimismo há o fato de que, apesar da pressão de preços sobre a fonte que nutre toda a cadeia – isto é, a indústria do petróleo –, o mercado é comprador. As projeções indicam que a demanda se manterá em marcha batida pelo menos até 2007 e, segundo previsões di-

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versas, o consumo global de produtos plásticos, que somou 221 milhões de toneladas em 2003, deverá chegar a 250 milhões de toneladas em 2010. Diferentes prognósticos apontam também para relativa segurança nesse campo para o Brasil, que está prestes a atingir a auto-suficiência no abastecimento. No entanto, uma solução que certamente não pode ser encontrada no evento é a da questão dos preços do insumo, que afeta negativamente todos os segmentos utilizadores de seus derivados como matéria-prima, caso das embalagens plásticas rígidas e flexíveis (ver entrevista na página 50). Para amenizar o quadro, os sinais são de que os preços do petróleo estão entrando em queda. As exportações são vistas como saída para a crise de rentabilidade que atinge aqueles dois segmentos, e isso explica em parte a presença de marcas brasileiras no evento que a cada três anos serve de barômetro, bússola e radar dos rumos da cadeia do plástico no mundo. Este ano, em sua 18ª edição, a K acolheu, em 151 126 metros quadrados de área, 2 921 empresas expositoras (51% de fora da Alemanha). Delas, excluídas associações industriais, publicações e multinacionais com subsidiárias no Brasil, doze eram brasileiras.

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Das sintéticas entrevistas com representantes desses expositores apresentadas logo adiante emana um sentimento de otimismo que, de resto, era tangível entre os participantes da feira em geral. Na verdade, todos disseram ter detectado entre os visitantes de seus estandes a disposição de investir, a qual se traduziu não só em intenções de fazer negócios, mas em vendas fechadas ainda no período de exposição. Unânime também nesses depoimentos é a convicção de que, seja para exportar, seja para atuar no mercado interno, é cada vez mais fundamental estar em sintonia com os avanços da tecnologia e em contato com o mundo empresarial em termos globais.

DIVULGAÇÃO

Instrumentos adequados
Para isso, na medida em que oferecem uma visão abrangente das inovações e da possibilidade de realizar negócios, os eventos internacionais são apontados como instrumentos muito adequados (não por menos o lema da K 2004 foi “Visão – Inovação – Negócios”). No caso específico da K, lembrou Werner Mathias Dornscheidt, presidente e CEO da empresa organizadora do evento, a Messe Düsseldorf GmbH, a composição da feira reflete exatamente o que aconteceu no mundo nos últimos três anos. “Nesse período, ocorreram importantes reestruturações e mudanças regionais, cujos efeitos agora se tornam visíveis”, ele disse. “Da edição anterior da feira, em 2001, para esta, o número de expositores estrangeiros cresceu em mais de 100, para 1 831, enquanto o de exibidores alemães caiu de 1 162 para 1 090.” Sem surpresa, o maior crescimento foi de asiáticos – de 255 para 373. São números que, por si sós, dimensionam o tamanho da concorrência em nível global e de onde ela virá com mais força. No entanto, como lembraram alguns entrevistados, essas oportunidades não devem induzir ao comodismo de aguardar a realização de eventos internacionais para atualizar-se. Igualmente indispensável é utilizar a internet e os veículos de comunicação especializados. Num mundo em que, por força da competição em velocidade eletrônica, as inovações são incorporadas imediatamente às matérias-primas, aos processos, aos equipamentos e aos serviços, o caminho para a sobrevivência pode ser sintetizado em duas necessidades: estar informado e, na medida que o capital permite, equipado com o que houver de mais avançado. É, em síntese, o que se pode depreender dos exemplos e depoimentos a seguir.

Venda no primeiro dia
Dado o fato de sua participação na K ter introduzido a Rulli Standard Indústria e Comércio de Máquinas, de Guarulhos (SP), nos mercados europeu, norte-americano e asiático, quinze anos atrás, a empresa nunca mais deixou de participar do evento, sendo esta a quinta oportunidade. Desta vez, apresentou em seu estande uma co-extrusora COEX-3, de três camadas, com capacidade de produção de 450 quilos de filme por hora. Graças à colocação de um anel de ar automático, o equipamento, que propiciava uma variação de espessura próxima a 5% nos filmes, reduziu esse índice à metade, isto é, a 2,5%. “Trata-se de um importante avanço tecnológico e um expressivo atributo competitivo”, argumenta Luís Carlos Rulli, diretor comercial da empresa. “Poucas máquinas européias, mesmo alemãs, oferecem desempenho semelhante ao da COEX-3”, ele afirma. A máquina é equipada com uma bobinadeira GAP de última geração, que permite embobinamento sem contato do filme com o tambor central. Uma das vedetes do pavilhão 17 da Messe Düsseldorf, a máquina foi vendida no primeiro dia da feira, de onde seguiria para o Canadá. Rulli Standard (11) 6486-0006 • www.rullistandard.com.br

Para café e granulados
Mais um material concorrente para o vidro (e para a lata de aço), este na área de alimentos. Em seu estande na K 2004, a Polibrasil Resinas S/A apresentou um desenvolvimento do material plástico que está em grande foco no momento, o polipropileno (PP), produzido pelo processo ISBM (Injection Stretch Blow Molding). No caso, trata-se de um PP monocamada, porém com bi-orientação que dá ao material alto brilho, barreira e transparência maiores do que os propiciados pelo polipropileno convencional. Direcionado ao mercado de café solúvel e a produtos granulados em geral, o material foi apresentado na feira já na forma de produto acabado, isto é, de pote com o produto, selado, tampado e rotulado. O desenvolvimento foi feito pela Polibrasil em conjunto com a Miliken (aditivo), a Aoki (equipamento), a Polipet (transformação) e a Geraldisco (lacre selante). O nome do fornecedor de café não foi revelado, pois seria uma empresa que vai adotar o pote para sua marca. Maurício B. Lucena, da área de serviços técnicos da Polibrasil, afirma que o shelf-life do pote para café solúvel já está comprovado, mas ainda não foi possível testar o limite, já que o material foi desenvolvido há muito pouco tempo. Segundo ele, a receptividade ao lançamento foi muito boa na feira. “Tradicionalmente a Polibrasil participa da K como expositora, por ser o evento mais importante do setor em nível mundial, atendendo aos objetivos de relacionamento com clientes e de reforço de imagem da empresa”, diz Lucena. A presença da marca brasileira em Düsseldorf é explicada por ele por duas razões básicas. A primeira é que, “estando presentes no grande ponto de inovação, referência mundial em tudo que se relaciona a plásticos, conseguimos fazer as novidades apresentadas em todos os segmentos chegarem a diferentes unidades da empresa e, daí, aos clientes”. Em segundo, a Polibrasil participa também para colocar-se como ponto de apoio aos clientes presentes na feira. “É uma excelente oportunidade para estabelecer contatos e trocar idéias com profissionais do mundo inteiro”, considera o executivo da Polibrasil. “É nesses contatos que se identificam tendências e oportunidades.” Polibrasil: (11) 3345-5960 • www.polibrasil.com.br

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STUDIO AG – ANDRÉ GODOY

Ganho de produtividade
Com forte atuação em exportações, a marca Ciola de equipamentos para a produção de filmes de polipropileno verticais e planos esteve presente pela quinta vez consecutiva na K, em Düsseldorf. “Nossas participações nesta que é a maior feira mundial do setor de plásticos trouxeram, invariavelmente, bons resultados, embora nem sempre imediatos”, relata Aldo Ciola Filho, diretor da AC Mack Indústria e Comércio, fabricante das máquinas. Em seu amplo estande montado em Düsseldorf, a empresa apresentou em operação uma novíssima Mega 1000 Advanced (foto), que produz filmes de polipropileno de 600mm a 1000mm de largura. Em relação ao modelo anterior, a máquina apresenta significativo ganho de produtividade: tem capacidade de produção de 90 quilos por hora, contra 70kg/h antes. A qualidade do filme produzido na Mega 1000 Advanced também melhorou, já que seu índice de tolerância a variação foi reduzido a aproximadamente 8%. Na feira de Düsseldorf, a Ciola apresentou também – não fisicamente, mas por meio de catálogos e folhetos – sua máquina plana (para cast film) Horizon, nos modelos 1000, 1200 e 1500. Segundo a empresa, “por ser um equipamento compacto o CastFilm Horizon é simples de ser operado, ocupando pouco espaço se comparado aos equipamentos similares e, em razão da disposição de seus componentes, é de fácil manutenção”. A capacidade de produção dos diferentes modelos, de filmes com largura variável de 1 000mm a 1 500mm, vai de 150kg/h a 400 kg/h. Acreditando na possibilidade de fechar negócios ainda na feira, Aldo Ciola Filho lembrou que “os índices de visitação da K são muito altos, e o melhor é que são visitas qualificadas”. Em sua opinião, “quanto maior a participação de empresas brasileiras em feiras especializadas melhor”, pois isso mostra a força do país em diferentes segmentos. “É importante lembrar que o Brasil ocupa o sexto lugar no ranking de fabricantes mundiais de máquinas para processamento de plástico.” AC MACK (Ciola): (11) 4591-1245 • www.ciola.com.br

Wutzl, tecnologia para o Primeiro Mundo
Ao final de sua primeira participação na K, em 2001, a Wutzl Sistemas de Impressão localizada em Guarulhos, próximo a São Paulo, fez um balanço dos resultados do evento que surpreenderam seus executivos e os levaram a retornar este ano. Segundo o engenheiro Robert Wutzl, sócio diretor da empresa, a expectativa naquela ocasião era estabelecer contatos visando a exportar para países em que as exigências de tecnologia fossem menos rígidas do que em países de economia mais desenvolvida. “Pensávamos em Iraque, Rússia, Turquia”, ele conta. “Para nossa surpresa, fruto daquela participação, hoje exportamos para a Holanda, para os Estados Unidos, para a Austrália e, claro, para aqueles países também”, ele conta. Dona de um portfólio com aproximadamente oitenta modelos de máquinas de heat-transfer, hot-stamping e tampografia, a Wutzl está presente no mercado brasileiro há mais de trinta anos, com foco em sistemas de impressão e decoração. Entre outras aplicações, esses sistemas abrangem embalagens de cosméticos e tampas plásticas em geral. Em sua segunda participação no evento a empresa teve por objetivo principal encontrar representantes no exterior, a fim de ampliar a participação das exportações no faturamento, hoje em torno de 10%. “Estamos fazendo uma seleção muito rigorosa, pois já perdemos máquinas vendidas para outros países”, conta Robert Wutzl. Ele ressalta que o Brasil está bem situado em nível internacional no que se refere a tecnologia, destacando que, no caso específico de sua empresa, é primeira no país no ramo de equipamentos de tampografia com certificação ISO 9001 e, “pela segunda vez, o único fabricante com essa condição presente na K”. No estande da Wutzl em Düsseldorf estava presente também sua coligada Rodec, fornecedora de produtos para impressão utilizados naqueles sistemas. Wutzl/Rodec (11) 6475-4243 • www.wutzl.com.br (11) 6468-9077 • www.wutzl.com.br/rodec

Ipiranga faz três lançamentos mundiais de PEAD
Beneficiada como outras fornecedoras pelo mercado demandante, pela segunda vez consecutiva a Ipiranga Petroquímica participou da K, onde fez três lançamentos mundiais de polietileno de alta densidade para sopro: GD 5160, GD 5250 e GV 0350. A primeira, um homopolímero, foi desenvolvida para a fabricação de recipientes de pequeno volume, em processo injeção-sopro. Na área de embalagem, é indicada para tampas injetadas, bisnagas, bocais de creme dental, frascos para sucos, bebidas lácteas e recipientes de uso geral com capacidade de até 2 litros. A empresa destaca, entre suas características, a boa resistência a empilhamento e a impacto, além de elevada produtividade. A GF 5250 é um copolímero direcionado ao segmento de sopro para embalagens de detergentes, tensoativos e cosméticos, além de bombonas para produtos químicos e agroquímicos. Características destacadas: excelente resistência ao impacto, boa rigidez e resistência ao tensofissuramento. Já o GD 03250 apresenta alta massa molar. Esse copolímero, que segundo o fabricante oferece excelente resistência química e alta resistência ao impacto, foi desenvolvido para o segmento de alto volume, como bombonas e tambores de 100 a 240 litros e tambores elanenados de 200 litros. Na participação anterior da Ipiranga na K, em 2001, “o objetivo foi mostrar ao mundo a empresa, que era praticamente desconhecida”, segundo relata Jayme Lucchese Moura, gerente de desenvolvimento e especialidades. “Em nossa avaliação, o resultado foi muito além das expectativas”, ele conta. Já no início da atual edição da feira, “os resultados do investimento anterior puderam ser sentidos, com visitas em grande quantidade – e de ótima qualidade, além da excelente receptividade aos três lançamentos”. Ipiranga: (51) 3216-4449 • www.ipq.com.br

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IMAGENS: DIVULGAÇÃO

Alto brilho da Braskem
Nos dois estandes que montou na K, com um total de 510m2 de área, a Braskem introduziu no mercado internacional importante inovação, que permite o uso do polipropileno (PP) na produção de garrafas de alto brilho e transparência pelo processo ISBM (Injection Stretch Blow Molding). Essa nova aplicação do PP é voltada sobretudo para bebidas não gaseificadas, como sucos, isotônicos, água mineral e chás, além de produtos de higiene pessoal e limpeza, como detergentes e xampus. A tecnologia consumiu mais de um ano de pesquisas, tendo sido desenvolvida em parceria da Braskem com a Packpet (transformador), a Sidel (equipamentos de sopro) e a Milliken, que entrou com o aditivo clarificante ao qual se deve a melhora do desempenho da resina, isto é seu alto brilho e sua transparência. “Esse lançamento é resultado de uma estratégia adotada pela empresa de oferecer aos clientes novas alternativas tecnológicas e soluções diferenciadas de acordo com as suas necessidades”, disse Luiz de Mendonça, vice-presidente responsável pela Unidade de Poliolefinas da Braskem. Já o responsável pelos negócios de polipropileno da empresa, Luís Felli, afirmou que “todos os avanços alcançados ao longo desse desenvolvimento indicam que a a embalagem de PP ISBM é muito competitiva em função de sua combinação única de propriedades”. A garrafa feita com a nova resina é mais resistente que o PP convencional, suporta empilhamento de até 2 metros (três vezes mais que o outro) e é, segundo a Braskem, 10% mais barata que uma de mesma capacidade de conteúdo produzida em vidro, material com o qual concorrerá diretamente num primeiro momento. O embate seguinte deverá ser com as cartonadas assépticas, campo em que a vantagem de preço seria ainda maior. A receptividade do produto na feira internacional do plástico foi extraordinária, segundo Edison Terra Filho, diretor de marketing corporativo poliolefinas da Braskem. Num dos dois estandes sempre lotados da empresa na Messe Düsseldorf, ele citou que essa receptividade foi “compatível com o ambiente contagiante da feira”. A propósito, registrou ser “impressionante a maneira como a indústria de transformação do plástico se inseriu e marcou presença para investir em competitividade e para manter o parque brasileiro em nível mundial”. Braskem: (11) 3443-9061 • www.braskem.com.br Milliken: (11) 3043-7944 • www.milliken.com Packpet: (11) 4198-7750 Sidel: (11) 3783-8800 • www.sidel.com.br

STUDIO AG

Policarbonatos investe em imagem
Expor a marca e agregar para a empresa a imagem de corporação de porte mundial. Esse foi o principal objetivo da Policarbonatos do Brasil S/A ao participar, pela quinta vez consecutiva, da K. “Registramos resultados logo no início da feira”, afirma Francisco M. Catalan, diretor superintendente da empresa, que exporta 50% de sua produção. Apesar desse expressivo índice, e de ser a única produtora de resinas de policarbonato da América Latina, a produção da Policarbonatos representa apenas 1% do total mundial. Ainda assim, divide mercado com os grandes fabricantes mundiais, que são a GE e a Bayer, com os asiáticos e com a norte-americana Dow. “Hoje, graças à rede de distribuição que montamos ao longo destes anos, dirigimos para países da Europa 80% de nossa produção”, conta Catalan. Para ele, “a K é a maior feira mundial do setor, que para a área de plásticos não tem nada igual; quem puder não deve deixar de estar presente”. Policarbonatos do Brasil: (71) 634-9900/9950 www.policarbonatos.com.br

Um polímero amigo do ambiente
A PHB Industrial S/A, de Serrana (SP), apresentou em seu estande na Messe Düsseldorf o Biocycle, matéria-prima para a substituição de plásticos obtida a partir da cana-de-açúcar. Com a sigla PHB, de polihidroxibutirato, o Biocycle foi desenvolvido a partir de 1992 numa parceria do Centro de Tecnologia da Coopersucar com o IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. É produzido numa joint-venture de duas empresas familiares atuantes no setor sucro-alcooleiro, a Irmãos Biagi, de Serrana, e o Grupo Balbo, com duas usinas em Sertãozinho, também em São Paulo. Suas principais aplicações ocorrem na produção de plásticos de uso rápido, como embalagens descartáveis. O Biocycle nasce por efeito da fotossíntese da canade-açúcar, sintetizada a partir da transformação do gás carbônico, disponível na atmosfera, da água no solo, da energia solar e de insumos agrícolas. Depois de industrializada, a cana-deaçúcar se transforma em sacarose e fibra. A sacarose, por sua vez, é transformada em um biopolímero, o PHB. Vale dizer que é um polímero natural obtido com uso apenas de insumos naturais. Em contato com um ambiente biologicamente ativo, isto é, onde ocorre presença de bactérias e fungos, associado à temperatura e à umidade, é transformado novamente em gás carbônico. Daí o nome, que significa ciclo de vida e que tem extraordinário apelo em mercados formados por consumidores de forte consciência ambiental. Sylvio Ortega Filho, coordenador geral do projeto, destaca três deles: a Europa Ocidental, devido à crescente movimentação em torno de temas ecológicos; os Estados Unidos, pela preocupação com a redução do consumo de petróleo; e o Japão, onde a falta de espaço e o esforço para a redução do volume de lixo são cruciais. No estande da PHB Industrial na K o movimento de interessados era intenso. “Trata-se de uma feira organizada, à qual as pessoas vêm de forma organizada”, ressalta Ortega. “Em nosso caso”, ele conta, “Uma parte expressiva dos visitantes veio programada para visitar o estande. São visitas tanto de pesquisadores quanto de interessados no produto, profissionais de empresas globais, de faturamentos enormes.” Biocycle: (16) 3987-9000 • www.biocycle.com.br

DIVULGAÇÃO

A Inbra não perde a chance de atualizar-se – e de vender
Tendo nas exportações a importante parcela de 15% de seu faturamento, a Inbra Indústrias Químicas Ltda., de São Paulo, participa como expositora da K há sete edições, mais de vinte anos. Seu principal produto oferecido ao mercado externo é óleo de soja epoxidado, um co-plastificante, ou plastificante secundário para PVC. A empresa embarca para o exterior, em média, 500 toneladas/mês, das quais cerca da metade vai para países da Europa, e o restante, para os Estados Unidos, a Ásia e os parceiros do Brasil no Mercosul. Na K, além desse produto a Inbra apresentou os estabilizantes para PVC Plastabil e Markstab e o acelerador Plastabil. O objetivo principal da empresa na feira alemã foi ampliar e acelerar as vendas, segundo Eber Luchinio de Souza, vendedor técnico. “Além dessa possibilidade”, diz Eber, “é uma enorme oportunidade que se apresenta a cada três anos de atualização em novas tecnologias, idéias e tendências.” Inbra: (16) 3987-9048 www.inbra.com.br www.biocycle.com.br

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Masterbatch para efeito perolizado
Líder do mercado brasileiro de concentrados de cor e aditivos, a Cromex apresentou na K 2004, com forte repercussão, o masterbatch de CaCO3 e/ou Ti02, que produz efeito perolizado nas embalagens de polipropileno bi-orientado (BOPP). Tal efeito é obtido por meio de tecnologia de aditivação de uma carga inorgânica com características especiais somada à bi-orientação do BOPP. Para demonstrar o produto, a Cromex levou a seu estande de 105m2 em Düsseldorf dez profissionais da empresa. A presença da Cromex na feira alemã atende à estratégia de, sendo uma empesa regional com forte presença na América Latina, projetar-se globalmente. Além de atender todos os países do continente, a empresa está presente na Europa, no Oriente Médio, na Ásia e na África. As exportações respondem hoje por aproximadamente 20% da produção, de 7 000 toneladas/mês. “A K é o evento mundial mais importante da área de plásti-

Carnevalli, um dos centros de atenção
Pela oitava vez presente como expositora na K, desta vez num estande de 354m2, a Carnevalli levou a Düsseldorf uma equipe de oito pessoas para apresentar sua linha de equipamentos de sopro. Na feira, lançou a Polaris COEX 7 PA 1200, uma co-extrusora de sete camadas, com multibarreira para oxigênio. Destinada a embalagens para gêneros alimentícios, a máquina permite extensa combinação de filmes, como polietileno (PE), poliamidas (PA) e EVOH, além dos adesivos. Segundo Wilson Miguel Carnevalli, diretor da empresa, “muito versátil, esse é um equipamento de alta tecnologia, tanto que é o único na feira com capacidade para sete camadas, enquanto as concorrentes são de cinco”. De fato, era um dos centros de atenções no pavilhão 16 do evento. Na opinião de Carnevalli, “estar presente na K é obrigatório, pois reforça muito a imagem da empresa”. Para ele, as duas feiras mais importantes do setor são a K, em nível internacional, e a Brasilplast, em âmbito regional. Ele considera também que as empresas brasileiras deveriam ter presença maior em eventos internacionais, embora reconheça que “falar é fácil”, ante o elevado custo e as dificuldades. Dentre estas destacou a falta de apoio oficial e a excessiva burocracia. Carnevalli (11) 6413-3811 • www.carnevalli.com

cos, por isso a Cromex não poderia ficar de fora”, disse Edgard Perez Jr., gerente comercial da empresa. Aliás, a participação da Cromex na feira se dá sem interrupção desde a edição de 1989, sendo esta, portanto, a sétima vez. “Sempre obtivemos bom retorno em todos as vezes que expusemos e, como em todas elas, recebemos este ano visitas e consultas de profissionais de empresas de vários países, com boas perspectivas de fechar negócios”, relata o executivo. Cromex (11) 3856-1000 www.cromex.com.br

Fala o setor
“Desde 1970 participo de todas as edições da K, por ser a mais importante feira internacional para a indústria do plástico e da borracha. A feira apresenta tecnologia de ponta, bem como os mais recentes processos e desenvolvimentos de produtos derivados de polímeros. Na condição de presidente da Abiplast e da Aliplast, sempre encorajei a presença em larga escala de empresas brasileiras em feiras desta

magnitude, especialmente porque sua importância ultrapassa a mera realização de negócios.” Merheg Cachum, presidente da Abiplast – Associação Brasileira da Indústria do Plástico e da Aliplast – Associação Latino-americana da Indústria do Plástico

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entrevista >>> Rogério Mani

“As vendas cresceram, e os
problemas de caixa também”
ice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis – Abief, Rogério Mani esteve à frente da comitiva de setenta profissionais ligados à entidade que visitaram, em outubro último, a Feira Internacional do Plástico e da Borracha – K 2004. Além de suas impressões sobre o evento alemão, considerado um dos principais pontos de encontro mundiais dos fornecedores de soluções para a cadeia de embalagens, Mani comenta nesta entrevista o atual cenário do mercado de embalagens flexíveis. Impossível, portanto, que o executivo não se ativesse aos sucessivos aumentos das matérias-primas derivadas do petróleo, que somaram 60% nos últimos nove meses, e ao processo de achatamento das margens de ganho que aflige o segmento representado pela Abief. A seguir, Mani, também diretor do Grupo Sol, descreve os reflexos da alta dos insumos nos índices brasileiros de consumo de embalagens flexíveis, e ainda fala sobre os mecanismos e ações de que o Brasil dispõe para diminuir o ritmo dos aumentos das matérias-primas derivadas do petróleo.

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de automatização que contribuem para flexibilizar a produção e aumentá-la. Mas, infelizmente muitos deles ainda não são acessíveis às indústrias do setor por questões de custo. Quais as inovações mais significativas? Não diria que existe uma inovação mais significativa, mas que os detalhes incorporados nas máquinas e equipamentos fazem a diferença. A inclusão dos robôs nas linhas de produção foi sem dúvida um item que também chamou muito a atenção de quem teve a oportunidade de visitar a K neste ano. O senhor acredita que os avanços tecnológicos incorporados aos equipamentos, na medida em que aumentam a produtividade da indústria convertedora, poderão contribuir para contrabalançar as perdas causadas ao setor pelo aumento dos preços das matérias-primas derivadas do petróleo? De certa forma sim, mas o problema é a indústria convertedora conseguir investir nesses avanços tecnológicos. Vale lembrar que o setor de transformação de embalagens flexíveis é composto por cerca de 700 empresas, a maioria delas de pequeno e médio porte. Muitas, portanto, acabam espremidas entre os fornecedores de resina, que impõem aumentos, e seus cliente diretos, que não aceitam qualquer repasse. Essas empresas já estão fazendo um grande esforço para aumentar a captação de capital de giro, a fim de fazer frente aos seus compromissos. Mas, infelizmente, investir em modernização tornou-se algo impensável no momento. A ABIEF levou uma comitiva de aproximadamente setenta pessoas à K. A presença de brasileiros ligados à ABIEF na feira foi maior do que em anos anteriores? Apesar da retração financeira da maioria das empresas, a presença dos associados da ABIEF na K foi mais significa-

Se for possível sintetizar, quais as principais tendências que o senhor observou na feira K, no que se refere a embalagens e, mais especificamente, a embalagens flexíveis? Não restam dúvidas de que duas vertentes deverão ser seguidas pelas embalagens plásticas em geral: cor e forma. A profusão de novos pigmentos que foram apresentados na edição deste ano da feira nos faz crer que a embalagem realmente virou um item de moda, acompanhando de perto as tendências para as várias estações. Em termos de forma, os shapes exclusivos e diferenciados tornam-se elementos de diferenciação no ponto-de-venda. Especificamente no caso das embalagens plásticas flexíveis, a bola da vez são os sistemas

Rogério Mani, vice-presidente da Abief, comenta a feira alemã K e as possibilidades de o setor de embalagens flexíveis contrabalançar o aumento de preço das matérias-primas derivadas do petróleo
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entrevista >>> Rogério Mani
tiva do que em anos anteriores. Embora descapitalizados, os empresários brasileiros sabem quanto é importante manterse atualizado tecnologicamente, antecipando-se às várias tendências do mercado internacional. Especialmente porque muitos deles já vêm a exportação como uma saída bem viável para a crise no mercado doméstico. No total, foram à K mais de 3 000 brasileiros. Como pode ser interpretada essa presença? Como disse anteriormente, o empresário brasileiro está suficientemente maduro para reconhecer a importância de fazer parte de um cenário internacional e respirar as novidades tecnológicas e mercadológicas. E isso não é de agora. Ano a ano a presença brasileira em eventos como a K, a PackExpo e a Interpack aumentam. Só tivemos uma queda de participação nos eventos realizados logo após o 11 de setembro. E repito: essa participação internacional só tende a se fortalecer, uma vez que o empresário quer mesmo estreitar sua relação com empresas internacionais que possam ser potenciais clientes ou mesmo potenciais parceiros em suas negociações internacionais. midor final nem de longe foi afetado por ele. Em outras palavras, aumentamos nossas vendas, pois houve um reaquecimento do consumo, mas estamos com sérios problemas de caixa. Todo mês temos que bater na porta de nossos clientes, para negociar um possível aumento – e na maioria das vezes não somos bem sucedidos. Na velocidade em que esses aumentos vêm ocorrendo, a situação de boa parte das empresas começa a dar sinais de enfermidade. O capital de giro já se foi faz algum tempo. Lá fora o processo de alta dos insumos tem sido igualmente negativo para o setor de embalagens flexíveis? Creio que o mercado internacional também está sofrendo com esses aumentos contínuos, mas de uma forma mais equacionada. Até porque as petroquímicas não saem mês a mês impondo novos preços para seus produtos. A força dos convertedores não permite tal situação. Normalmente, nos mercados externos, trabalha-se através de contratos, ou seja, os preços são pré-determinados por 120 a 180 dias, com correções futuras.

“Na velocidade em

que os aumentos das matérias-primas vêm ocorrendo, a situação de boa parte das empresas do mercado de embalagens flexíveis começa a dar sinais de enfermidade. O capital de giro já desapareceu há algum tempo”

A atual taxa de ociosidade do setor de embalagens flexíveis, de 10%, revela-se baixa na comparação com a da indústria de plásticos em geral (25%). Essa situação se deve a eventuais dificuldades de investimentos produtivos? Ou estaria ligada ao simples aumento da demanda por embalagens flexíveis no país? Eu diria que está mais ligada a um aquecimento da demanda, sentido principalmente neste segundo semestre. Mas isso não significa que o setor está financeiramente saudável. Continuamos amargando aumentos continuados no preço da matéria-prima, sem conseguir repassá-los. Também é necessário considerar que os volumes vendidos são cada vez maiores, mas a rentabilidade tem registrado queda constante. Por outro lado, o setor convive ainda com alguns equipamentos antigos e com baixa produtividade. Portanto, esses dois fatores somados, aquecimento e baixa produtividade, explicam a menor ociosidade. Em que medida a alta das matérias-primas, que somou 60% nos últimos nove meses, tem influenciado os índices brasileiros de consumo de embalagens flexíveis? Como não conseguimos repassar esses aumentos, o consu52 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2004

Na opinião do senhor, quais os mecanismos e ações de que o Brasil dispõe para diminuir o ritmo dos aumentos das matérias-primas derivadas do petróleo? Na ABIEF acreditamos que o governo poderia ter um papel importante nessas negociações. Afinal, os aumentos são desencadeados pela Petrobras. Por isso mesmo, estamos tentando mostrar às autoridades os prejuízos que o setor vem sofrendo, e como eles poderão afetar a atividade industrial e a economia como um todo. Chegamos até a cogitar algum tipo de incentivo governamental que viabilize as importações de resina. Em paralelo, continuamos a promover reuniões nas quais todos os elos da cadeia possam participar. Acreditamos que esta também é uma forma de mostrar que vai chegar um momento em que não haverá bons clientes para as petroquímicas. Vem se observando nos últimos tempos a tendência, entre os fornecedores de resinas, de oferecer especialidades, para fugir da comoditização. De que forma isso tem afetado as margens dos convertedores? As especialidades só ajudam os convertedores, uma vez que podemos agregar valor às nossas embalagens. O problema é que novamente as petroquímicas estão oferecendo essas es-

entrevista >>> Rogério Mani
pecialidades a preços pouco competitivos, muitas vezes superiores aos praticados no mercado internacional. Tal prática inviabiliza qualquer inovação. Uma área onde se notam grandes avanços é a de filmes para rótulos. A gama de produtos oferecidos pelos laminadores é cada vez maior. Seria a mesma tendência de busca por especialidades e agregação de valor? Sem dúvida. Os filmes para rótulos termoencolhíveis ou auto-adesivos garantem maiores margens de ganho. Mas produtos assim só se tornarão um boom no mercado nacional, a exemplo do que já ocorre no exterior, quando os convertedores sentirem firmeza em investir. Para isso o setor precisa ter garantias de que o fantasma do aumento contínuo de preços deixará de assombrar suas planilhas de custo. tipo camiseta, as sacolas plásticas convencionais e filmes stretch e shrink. Só não exportamos mais por não termos preços e custos competitivos. Há notícias de que a China está investindo fortemente para tornar-se em poucos anos o principal país exportador de embalagens flexíveis. Ante a agressividade comercial que se observa nos chineses em outras áreas, isso pode vir a ser uma ameaça para o setor que a ABIEF representa? Certamente. E aí voltamos ao entrave competitivo imposto pelos constantes aumentos no preço da resina. Se estamos com a nossa sobrevivência ameaçada, como podemos ter fôlego para exportar? Chegamos a um ponto em que, se não houver um envolvimento efetivo de toda a cadeia petroquímica, não apenas deixaremos de nos inserir no contexto internacional, como deixaremos de existir no mercado doméstico. Precisamos trabalhar com preços alinhados no mercado interno e externo. Precisamos, urgentemente, desonerar as exportações.

Do ponto de vista

tecnológico o Brasil está

preparado para enfrentar de países como a China. Mas talvez os convertedores e demais elos da cadeia de embalagens flexíveis não tenham

a agressividade comercial

Recentemente, até por falta de informação adequada, a questão ambiental tem colocado a indústria do plástico numa situação complicada. Já surgiram, por exemplo, leis atacando o uso de sacolas plásticas nos supermercados. Quais as respostas da indústria para esse tipo de problema? A principal delas é a utilização de materiais de rápida degradação. Algumas empresas associadas à ABIEF já estão fazendo um trabalho muito sério nesse sentido, colocando no mercado produtos feitos à base de resinas biodegradáveis, que já receberam o aval de marcas famosas como O Boticário, Grupo Pão de Açúcar e Natura.

estrutura financeira para superar essa ameaça

Diversas entidades de classe vêm afirmando que uma maior participação das embalagens na balança comercial brasileira é factível. A própria ABIEF decidiu colocar em prática um programa de incentivo às exportações do segmento de embalagens flexíveis. Que resultados a entidade teve até agora e quais produtos o senhor acredita terem maior potencial de vendas internacionais? Embora não possa medir os resultados em números, sabemos que o VIPE ABIEF – ferramenta de incentivo às exportações, cujo objetivo é criar condições imediatas para a exportação de embalagens plásticas flexíveis através da equiparação do preço das resinas aos níveis internacionais – está tendo impacto muito positivo no caixa das empresas que se propuseram a exportar. Hoje os produtos brasileiros com maior penetração no mercado internacional são as sacolas 54 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2004

O Brasil está preparado para enfrentar essa ameaça? Do ponto de vista tecnológico, temos todas as condições de competir em pé de igualdade. Mas talvez não tenhamos estrutura financeira para tal. O que consigo enxergar no momento é que, se não repassarmos os aumentos acumulados, devemos nos preparar para uma diminuição de estoques e, conseqüentemente, de redução de produção. São medidas que definitivamente inviabilizariam boa parte das nossas estratégias de exportação. Em mercados mais desenvolvidos e aquecidos que o brasileiro, registra-se tendência de crescimento do uso de embalagens flexíveis, em substituição às rígidas. Essa tendência ocorre também no Brasil? Sim. Um bom exemplo é a aparição de embalagens stand-up pouch em mercados que até pouco tempo eram dominados pelas embalagens rígidas. Esperamos que a indústria de flexíveis cresça em volume cerca de 10% este ano. Em que categorias de produtos o senhor diria que a substituição de embalagens rígidas pelas flexíveis é mais acentuada? Em alimentos e bebidas de maneira geral, e em alimentos

entrevista >>> Rogério Mani
prontos e semi-prontos em particular. Bom exemplo são os retortable pouches, e as embalagens flexíveis para bebidas especiais, como sucos prontos para beber e isotônicos. São segmentos em que o surgimento de novos sistemas de abertura/fechamento reforçam a portabilidade da embalagem e facilitam o chamado consumo nômade – em trânsito. Fora desses dois segmentos-chave, também é possível perceber algum movimento de adoção de novos tipos de embalagens flexíveis pela indústria de higiene pessoal e limpeza doméstica. O BOPP versão matte é sem dúvida um material novo, que ainda tem um longo e promissor caminho a percorrer. Ele foi introduzido no segmento de snacks e está ganhando adeptos diariamente. Se existirem inovações, elas devem concentrarse na redução de espessura dos filmes. Fala-se muito no potencial nacional para os retortable pouches, seguindo uma tendência internacional, o que abriria uma disputa dessas embalagens flexíveis com latas de aço e de alumínio. Já observamos um lançamento pioneiro dessa natureza na área de pescados. Qual a sua projeção para essa questão? Trata-se de uma embalagem que a médio e longo prazo certamente conquistará uma fatia significativa dos alimentos prontos para consumo. A tecnologia ainda não está a pleno vapor no Brasil, talvez por questões de custo, e pela própria incerteza da reação do consumidor. Mas quando começar a ser reconhecida será uma embalagem de sucesso absoluto, a exemplo do que ocorre no Japão e em outros países desenvolvidos há tanto tempo.

Ainda não existe o risco de haver problemas de suprimento de resinas no mercado interno. Por outro lado, muitos

Outra tendência de que se ouve falar muito, esta no campo da produção, seria a de aumento do uso de equipamentos de banda estreita, tomando mercado de embalagens produzidas em máquinas de banda larga. Isso ocorreria devido à necessidade de tiragens menores para atender a multiplicidade de marcas e de submarcas dos produtos, para suprir segmentos de mercado cada vez mais focados. Tal informação é verdadeira? A especialização e o foco em tiragens menores, em produtos com alto valor agregado, é sem dúvida uma tendência para a indústria de embalagem como um todo. Todos buscam diferenciar-se, tornando-se mais competitivos, e não há dúvidas de que uma maneira de atingir esses objetivos é investir em extensões de linha. Nesse sentido, os equipamentos de banda estreita de fato têm se mostrado uma boa alternativa para a indústria de embalagens flexíveis, pois permitem o desenvolvimento de pequenas tiragens. Poucos meses atrás, o senhor disse que poderia haver problemas de suprimento de resinas no mercado interno caso as petroquímicas optassem por aproveitar o cenário de preços altos no mercado internacional e exportar mais do que o excedente. Isso está ocorrendo? Ainda não. Quem está na iminência de ter problemas de estoque são os convertedores. Os aumentos constantes estão tendo reflexos nos estoques, que poderão estar seriamente comprometidos em pouco tempo. O polipropileno bi-orientado (BOPP) se tornou nos últimos anos a “bola da vez” em materiais para embalagens flexíveis, tendo avançado significativamente em áreas como rótulos, embalagens de sabonetes e snacks. Quais as próximas perspectivas de expansão desse material? 56 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2004

convertedores estão na iminência de enfrentar falta de estoque. É mais um reflexo dos

contínuos aumentos
Produtos tradicionalmente vendidos em cartuchos cartonados têm migrado para embalagens flexíveis. Que mercados o senhor destacaria para demonstrar o inverso desse movimento, ou seja, o assédio de outros materiais a categorias em que as flexíveis até então eram absolutas? Felizmente não me lembro de nenhum exemplo de caminho contrário ao flexível. Na verdade, todas as estatísticas reforçam essa tendência de migração para o flexível, apontandoo como a embalagem que terá o maior crescimento em participação, tanto por novas aplicações quanto pela substituição de materiais mais tradicionais. Em termos de sistemas de impressão, fala-se muito no Brasil sobre o avanço da flexografia. Esse movimento de expansão vem de fato ocorrendo? Sem dúvida. A verdade é que a impressão flexográfica evoluiu tanto que mesmo especialistas encontram dificuldade em diferenciá-la de uma impressão em rotogravura, por exemplo. Com o aumento do número de cores, esse sistema não deixa nada a desejar para outras técnicas. Além disso, a flexografia apresenta redução de custos e flexibilidade de produção. Por tudo isso, é o sistema de impressão que mais se consolidou na indústria de embalagens flexíveis.

das matérias-primas

reciclagem >>> lubrificantes

Lavagem ecológica
Solvente promete estimular reciclagem de embalagens de óleos lubrificantes
undamentado na ação de catadores e cooperativas, e ainda muito carente de iniciativas de coleta seletiva, o modelo brasileiro de reciclagem enfrenta outras dificuldades além da falta de legislação sobre descarte e destinação adequados dos resíduos. No caso específico das embalagens, um obstáculo bem menos visível, mas que mal gerenciado pode se transformar num gargalo para os processos de reciclagem, é a eliminação dos restos do produto originalmente acondicionado. Pode parecer um mero detalhe, mas a limpeza das embalagens usadas muitas vezes encarece a reciclagem, podendo desestimular ações de reaproveitamento. Tal situação é verificada no mercado de óleo lubrificante, que consome 730 milhões de embalagens por ano no Brasil. Estima-se que 1 000 toneladas de polietileno de alta densidade (PEAD) usado para a produção de embalagens plásticas desse tipo de produto acabem parando todos os anos em lixões Brasil afora. Além de representar um desperdício de 1,2 milhão de reais, custo aproximado de 1000 toneladas de PEAD no mercado brasileiro de reciclagem, o descarte inadvertido desses produtos leva ao ambiente mais de 400 000 litros de óleo lubrificante por ano. Isso acontece porque o volume residual médio do produto por embalagem é de 20ml.

F

PERDA - Cerca de 400 000 litros de óleo residual são descartados por ano no Brasil

Dificuldade extra
Segundo especialistas em reciclagem, uma das principais causas dessa situação de perda é a dificuldade de lavagem dos frascos usados. Antes de entrar na máquina de moagem, 58 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2004
FBR Reciclagem (51) 649-3160 www.fbrreciclagem.com.br

etapa inicial da reciclagem de plásticos como o PEAD, as embalagens precisam estar limpas. Trata-se, no caso dos lubrificantes, de uma dificuldade extra, já que o sistema convencional de lavagem exige uma etapa de separação do óleo e da água, além de uma estação de tratamento de efluentes (ETE). “A lavagem à base de água e detergente não é prática, e acaba desencorajando a reciclagem de embalagens plásticas de óleo lubrificante”, avalia Fábio Ribeiro, químico responsável por uma empresa especializada em reciclagem, a FBR. Após ter participado de um seminário em São Paulo sobre as principais oportunidades do mercado brasileiro de reciclagem, Ribeiro desenvolveu um novo método de lavagem de embalagens usadas de óleos lubrificantes. Em vez de água e sabão, utiliza-se no processo um solvente chamado hexano. Trata-se, segundo o químico, do mesmo produto empregado na extração de óleo da semente de soja. “É um solvente comum à indústria de óleos, mas pouco explorado para fins de reciclagem”, ele diz. Uma das vantagens do processo é a facilidade de separar o óleo lubrificante do solvente. Para isso, basta submeter a solução a processos de destilação, que consistem na exposição dos resíduos a diferentes temperaturas. De acordo com o químico criador do processo, essa técnica é mais simples do que a requerida para a separação do óleo misturado à água com detergente. “Com ela, as indústrias de reciclagem não precisam investir em ETEs”, fala Ribeiro. “Além disso, tem crescido o número de empresas especializadas em fazer processos de destilação de óleo lubrificante dissolvido em hexano.”

achocolatados >>> aço

Espaço com aço
Lata versátil rende a achocolatado melhor posição nas lojas
gaúcha CBS Alimentos vinha enfrentando um problema com seu achocolatado Supercau, marca forte no Sul do país, onde chega a todos os 547 municípios do Rio Grande do Sul e também às praças do litoral catarinense até a fronteira com o Paraná. Segundo a empresa, o pote plástico de 400g no qual o produto fora lançado, no início de 2002, não favorecia sua colocação nos melhores espaços do varejo. “Trabalhamos com gerenciamento de categoria e percebemos que, na layoutização, o varejista colocava o Supercau numa faixa inferior da prateleira”, afirma Alessander Bellaver, gerente de marketing da CBS. Decidiu-se, então, fazer o produto migrar para a lata de aço, mais especificamente para

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a lata com fechamento plástico Ploc Off de 400g, da Brasilata – nova versão dessa embalagem, com diâmetro de abertura maior, de 99mm. Com a nova apresentação, o achocolatado ganhou lacre de segurança, abertura fácil e, nas palavras do executivo da CBS, maior apelo visual também. “Optamos por litografar a lata em vez de usar rótulo de papel, pois a visibilidade na gôndola é muito superior”, ele argumenta. “Ganhamos em imagem e posicionamento, pois agora o Supercau está exposto na faixa premium dos supermercados.” O produto renovado foi lançado em agosto, na feira AGAS – Associação Gaúcha de Supermercados. Lá, atingiu venda de 5 000 caixas (cada uma com 24 unidades) durante os três dias do evento.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

RENOVAÇÃO – Supercau ganhou abertura prática (veja seqüência de abertura ao lado) e decoração litográfica

Brasilata (11) 3611-8122 www.brasilata.com.br

60 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2004

CONGRAF

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Bubbaloo tem novo sabor em flow pack
Através de pesquisas com jovens de 8 a 14 anos de idade, a Cadbury Adams detectou que faltavam no mercado de chicles os sabores “extraídos” de frutas tropicais brasileiras, típicas de seu cotidiano. A empresa resolveu então lançar o Bubbaloo Salada de Frutas, que já vem com os sabores “misturados”. As novas gomas de mascar são embaladas em flow packs produzidos pela Inapel.

Assolan adota rótulos auto-adesivos
A nova linha de saponáceos cremosos Assolan chega ao mercado nas versões Pinho, Limão e Marine com rótulos auto-adesivos da Novelprint. O design da embalagem tem cores que facilitam a diferenciação das suas variantes na gôndola. Os rótulos seguem o padrão gráfico de toda a linha de produtos Assolan. As cores são as mesmas dos frascos, porém em tons diferentes. Os frascos e os rótulos foram criados pela agência MDesign, mantendo as características da família de produtos e o Mascote Assolan.

Gloss para estações quentes
A Chlorophylla está lançando uma linha de gloss com as cores que prometem ser a moda na primavera-verão: rosa e marrom. A embalagem primária, em polipropileno, é fabricada pela Ipel. A caixa de papelão é da Serzegraf, com design desenvolvido pela Chlorophylla.

Private labels no mercado de cachaças
O fenômeno das marcas próprias che- couché pela Set Print. Eles são decogou, quem diria, ao segmento de cachaças. O Bar Mercearia São Roque, de São Paulo, está investindo num rótulo próprio da bebida. Para isso contratou uma empresa especializada em construção de marcas, a Neat, que cuidou do planejamento visual da recém-lançada Cachaça Mercearia São Roque. Um dos destaques do produto são os rótulos, produzidos em papel rados com o desenho da fachada do bar, feito com aquarela e bico de pena, e também com fotos do interior do estabelecimento, de autoria da fotógrafa Sheila Farah. “Porém, com o passar do tempo, a idéia é renovar as fotos, chamando outros profissionais para o projeto”, diz Sheila, que também é diretora da Neat – Construção de Marcas.

Papelão ondulado para frutas
A Paraibuna Embalagens desenvolveu um sistema de embalagens de papelão ondulado para atender o mercado fruticultor, composto por caixa, bobina ondulada, bandeja de polpa moldada e tampa pallet. Todo o sistema é projetado e desenvolvido de acordo com as necessidades de cada cliente ao embalar, paletizar e resistir ao empilhamento e à umidade. Segundo a empresa, as caixas garantem a conservação do produto, ocupam menor área de armazenamento, evitam disseminação de fungos e recebem tratamento do papel miolo e das capas interna e externa.

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Turma da Mônica, frente e verso
Com o objetivo de agregar valor à marca, a Kimberly-Clark do Brasil desenvolveu novas embalagens para as linhas diurna e noturna das fraldas Turma da Mônica, que ganharam um padrão azul claro na forma de um céu suave, com nuvens que remetem à idéia de maciez. Para comunicar os novos benefícios das fraldas, é utilizado o verso das embalagens e um selo frontal, com os dizeres “Toque Suave”, em alusão à nova cobertura externa do produto. Para a linha noturna, a embalagem ganhou um céu mais escuro e estrelado, e também teve seu código de cores preservado. As embalagens de polietileno são fornecidas pela Canguru e pela Rotaplas, com desenho da Oz Design.

Bertin lança desinfetante de 500ml
A divisão higiene e limpeza do Grupo Bertin amplia sua linha de atuação com o lançamento da embalagem de 500ml do desinfetante Brisa, antes comercializado apenas em recipiente de 2 litros. O novo frasco facilita o manuseio e favorece consumidores que utilizam o produto em menor quantidade. O produto pode ser encontrado nas versões Lavander, Pinus e Citric. O layout das embalagens é da agência Nosso Design. Os frascos de PET são da Plastifica.

Gatorade muda rótulos
A Gatorade está adotando um novo posicionamento de marca, visando popularizar ainda mais o consumo de bebidas isotônicas no Brasil. Novos rótulos para Gatorade, que pela primeira vez foram criados no Brasil, também fazem parte do projeto. Para a garrafa de PET, com tampa esportiva, foram trabalhadas ilustrações explorando a prática de esportes. Na garrafa de vidro o novo logotipo ganhou destaque especial, com sua aplicação em um fundo gráfico. Os rótulos de BOPP perolizado monocamada são produzidos pela Inapel. As garrafas de vidro são da Owens-Illinois e as de PET, da Amcor. O trabalho foi desenvolvido pela Oficina d’Design.

Mudança Em outubro, a SIG Combibloc, fornecedora de soluções em embalagens cartonadas assépticas (caixinhas longa vida), mudou-se para um novo escritório em São Paulo. “É mais um passo importante para a expansão da companhia no país”, diz Achim Lubbe, diretor geral da SIG Combibloc para a América do Sul. Para maiores informações, o novo telefone da empresa é o (11) 2107-6744. Mais uma loja A Caixasnet, fornecedora de caixas de papelão ondulado que iniciou como loja virtual em 2001, inaugurou sua terceira unidade física, no bairro do Tatuapé, em São Paulo. O propósito do negócio é vender, em pronta-entrega, modelos padronizados de caixas em poucas unidades. O telefone da nova loja é (11) 6675-9666. Desistência O grupo Owens-Illinois definiu a venda de suas operações em embalagens plásticas sopradas nos Estados Unidos, América do Sul e Europa para a também americana Graham Packaging Corporation por aproximadamente US$ 1,2 bilhão. A O-I, notória como vidraria, não sairá totalmente dos plásticos. “Continuaremos ativos em fechamentos e produtos de saúde”, disse Steve McCracken, CEO da O-I. Ataque nos EUA A subsidiária americana da alemã Henkel anunciou que fechou um acordo para a compra da Sovereign, líder no fornecimento de adesivos especiais e selantes nos Estados Unidos. O negócio gira em torno de US$ 575 milhões. Plano completo Após vender recentemente sua divisão de filmes de embalagens para um grupo de investidores, a belga UCB fechou seu projeto de desinvestimentos com a venda total da divisão química (Surface Specialties) para a Cytec. A UCB se concentra, agora, na área farmacêutica. O negócio de filmes já está operando no Brasil sob o novo nome Innovia Films.

Novo palete para tambores
A área de logística da Unipac está lançando um novo modelo de palete plástico para o transporte de tambores. Fabricados por termoformagem, os paletes possuem a dimensãopadrão de 1,2m por 1,2m e comportam até quatro tambores de 200 litros. Seu desenho atualizado permite transportar apenas um tambor na região central. O produto é retornável, passível de empilhamento e, segundo a Unipac, também é de fácil limpeza.

(11) 4166.4260 • www.unipac.com.br

O começo da Novelis
A Alcan anunciou que a companhia a ser criada com o desmembramento de seu negócio de produtos laminados de alumínio terá o nome Novelis. “O nome representará nossa nova abordagem de negócio, a oportunidade para a mudança e nossa ênfase de atendimento rápido ao mercado e desempenho preciso”, declarou Brian Sturgell, CEO da nova companhia, explicando que o nome se baseia nos conceitos de “novidade”, “velocidade” e “precisão”. A oficialização da nova companhia está condicionada à aprovação governamental e dos acionistas no final do ano. Se tudo correr conforme as expectativas, a Novelis deverá iniciar suas operações em 1º de janeiro de 2005, representando a maior companhia de produtos laminados do mundo em receitas de vendas e volume de produção (veja o quadro ao lado). O escritório executivo da Novelis ficará nos Estados Unidos e ela atuará em quatro continentes, com 38 instalações operacionais em 12 paises e mais de 13 000 funcionários.

Laminados de alumínio – mercado mundial

FONTE: ALCAN

www.alcan.com

Abeaço tem novo presidente
Numa assembléia realizada em 28 de setembro a Associação Brasileira de Embalagem de Aço (Abeaço) elegeu Luís Fernando Martinez seu novo presidente. Martinez, 39 anos, é engenheiro metalurgista e diretor comercial para o mercado interno da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Elio Cepollina, membro do Conselho Consultivo da Prada e vicepresidente da Associação Brasileira de Embalagens (Abre), permanecerá como vice-presidente da entidade.

www.abeaco.org.br

66 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2004

Retortable pouches com 8 cores
A Alusa, empresa chilena de embalagens flexíveis, anuncia que é a primeira empresa da América do Sul a confeccionar embalagens flexíveis do tipo retortable – confeccionadas para suportar processo de esterilização térmica sob altas temperaturas em autoclave com pressão compensada – impressas em até 8 cores pelo processo de rotogravura. Para viabilizar o lançamento, a empresa investiu cerca de 2 milhões de dólares em tecnologia de ponta, entre equipamentos para confecção dos pouches e stand-up pouches pré-formados e equipamentos de controle de qualidade. “As grandes vantagens da utilização desse tipo de embalagem, uma substituta perfeita da lata, são de marketing, com diferenciação do produto, fácil manuseio e abertura e segurança ao consumidor”, explica Márcia Sato, do escritório brasileiro da Alusa. “Dependendo da estrutura, a embalagem pode ser levada ao forno de microondas”.

Unilever é a campeã do 14º Top Of Mind
A 14ª edição do Top Of Mind, prêmio organizado pelo jornal Folha de S. Paulo para determinar as marcas mais lembradas pelos consumidores brasileiros, viu a Unilever sair como grande vencedora de 2004. Além de ter arrebatado o prêmio Top Performance 2004, com seu sabonete Lux, a multinacional anglo-holandesa venceu também nas categorias sabão em pó, com Omo; margarina, com Doriana; sorvete, com Kibon; desodorante, com Rexona; e maionese, com Hellmann’s. Na principal disputa, o Top of Top, que avalia a marca de maior recall entre as diversas categorias, mais uma vez Omo dividiu o prêmio com Coca-Cola. Em chocolates, ganhou a Nestlé. Ao todo, foram 38 categorias premiadas. Para fazer a pesquisa, o Datafolha foi às ruas entre 17 e 19 de agosto último para identificar os nomes de produtos e empresas mais lembrados. Foram entrevistadas 5 120 pessoas. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e é desenvolvido a partir de respostas espontâneas, ou seja, não são dadas opções aos entrevistados. O resultado completo da pesquisa está em www.folha.com.br/especial/2004/topofmind.

(11) 5093-6511 • www.alusa.cl

Chance de negócios na China
O aquecimento econômico na China já está fazendo surgir, naturalmente, projeções positivas para a indústria de embalagem. De acordo com os organizadores da feira Interfood Shanghai, realizada de 12 a 15 de outubro na China, o país já é o segundo maior importador de máquinas de embalagens no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Nos últimos anos, o país vem gastando anualmente em média 2 bilhões de dólares com esse tipo de equipamento. “Graças ao apoio governamental, a indústria de máquinas de embalagens na China tem florescido, e espera-se que ela se desenvolva numa taxa anual de mais de 20%”, diz a direção do evento. “No entanto, as indústrias de processamento de alimentos e de máquinas de embalagens chinesas ainda estão atrás das do resto do mundo.” Calcula-se que haverá 670 000 alocações de novas máquinas de embalagem nas indústrias chinesas em 2005, e o ritmo não deverá diminuir cedo: para 2010, a estimativa é de 930 000 novas alocações.

Riopol: mais informações na Internet
A Riopol, maior empreendimento gás-químico em construção na América Latina, está em sua fase final de execução. Quando for concluída, a Riopol produzirá, anualmente, cerca de 520 000 toneladas de eteno, 75 000 toneladas de propeno e 540 000 toneladas de polietilenos. Para facilitar o contato com os diferentes stakeholders, a empresa criou uma nova página na Internet, mais informativa que a anterior

0800 7078898 • www.riopol.com.br

Politeno completa 30 anos
No último dia 30 de setembro a Politeno, uma das maiores petroquímicas de segunda geração do país, completou 30 anos. Sediada no Pólo Petroquímico de Camaçari (BA), a companhia surgiu para operar no nicho dos polietilenos, largamente utilizados na produção de embalagens flexíveis e rígidas. Foi a Politeno que inaugurou a primeira planta de polietileno linear do país, na década de 90, partindo assim para o desenvolvimento de resinas de maior valor, desenvolvidas de acordo com necessidades específicas dos clientes. Nos últimos anos, após a implantação de um Programa de Qualidade Total, a empresa ganhou 22 premiações em diversas áreas. Hoje, a Politeno emprega cerca de 250 funcionários e suas duas plantas industriais têm, juntas, capacidade instalada para a produção de 360 000 toneladas de resinas por ano.

0800 7040110 • www.politeno.com.br

Mais um investimento no Mercosul
A fabricante de adesivos industriais Coim Novacote Brasil acaba de abrir um escritório em Buenos Aires, na Argentina. É a segunda filial da companhia na América do Sul. A primeira fora aberta na Colômbia, onde a Coim detém 54% de participação no mercado de adesivos para laminação de embalagens flexíveis. Na Argentina, o share da empresa nessa área já é de 28%. Recentemente, a empresa investira 9 milhões de dólares na duplicação de sua planta de Vinhedo (SP).

(19) 3876-9650 www.coim.com.br

Na Wheaton do Brasil acompanhamos a trajetória da EmbalagemMarca desde seu lançamento, e a cada edição nos surpreendemos com sua qualidade editorial e gráfica. Se fosse para definir em poucas palavras, diria que é uma publicação muito séria e de total credibilidade. Suas matérias têm conteúdo, são relevantes e sempre bem fundamentadas. É também importante dizer que a revista chega a quem nos interessa. Medimos isso da forma mais direta que existe: em visita às indústrias de cosméticos, perfumaria e produtos farmacêuticos, que são o nosso público-alvo, vemos sempre EmbalagemMarca sobre as mesas dos executivos e empresários. E todas as vezes em que o nome da Wheaton do Brasil é citado em suas páginas há repercussão. É sinal de que a revista alcança o público e é efetivamente lida.

Na Alemanha, off-set levou vantagem
Destoando da tendência que se anuncia no mercado brasileiro de embalagens, em que a flexografia parece estar dando passos cada vez mais largos rumo ao reinado do offset, um dos principais convertedores alemães de cartuchos cartonados, o Kappa Packaging Group, está colocando em prática sua estratégia de focar neste último sistema de impressão, descontinuando em alguns casos as operações envolvendo máquinas de flexo. Isso ficou claro em uma das mais recentes aquisições da empresa, a seis cores KBA Rapida 142. Segundo a fornecedora da solução, a também alemã KBA– Koenig & Bauer AG, a compra do equipamento decorre de decisão tomada no início do ano passado pela convertedora de cartuchos de migrar das impressoras flexográficas para as off-set. Customizada, a Rapida 142 acaba de ser instalada na unidade da Kappa situada na cidade de

Oude Pekela, região de Groningen, e tem capacidade para imprimir 10 000 cartões/hora, com espessuras que podem variar entre 0,35mm e 1,7mm.
www.kba-print.com No Brasil (11) 6121-5277

Integrando a cadeia de cartonados
Uma oportunidade de discutir a necessidade de sinergia entre as empresas atuantes no desenvolvimento de embalagens cartonadas. Com esse objetivo, a Box Print Grupograf organizou no início de outubro último seu 1º Fórum de Soluções Integradas. Entre outros temas, o evento, patrocinado pelas empresas Allplas, AlphaColor, Avery Dennison, Fabracor, Ofag, Pinuspel e Promax, debateu as exigências de qualidade para fornecimento de embalagens, novas tecnologias de auto-adesivos e tendências de design para cartuchos de alimentos, cosméticos e remédios. Finalizado com apresentação do conferencista Max Gehringer, conhecido pela coluna Comédia Corporativa, da revista Exame, o evento também se debruçou sobre a crescente preocupação do impacto ambiental no processo de desenvolvimento de embalagens. Segundo Sergio Damião Lopes, coordenador do Fórum, mais de 300 pessoas prestigiaram o encontro. “Foi uma iniciativa pioneira e inovadora”, comemora ele.
www.boxprint.com.br (11) 5505 2370

Sem rixa com os hermanos
No início de outubro último a Bracelpa – Associação Brasileira de Celulose e Papel anunciou que Brasil e Argentina renovaram o acordo de complementaridade para papéis de imprimir e escrever. Firmada com a Asociación de Fabricantes de Celulosa y Papel de la República Argentina, a parceria foi iniciada em 1999 e, renovada desde então, teve agora seu prazo de duração ampliado para três anos. A cerimônia foi realizada na chancelaria argentina, em Buenos Aires, e contou com a presença do embaixador brasileiro na Argentina, Mauro Luiz Vieira, e do embaixador argentino no Brasil, Juan Pablo Lohlè.

Feiras gráficas: negócio em expansão
O segmento de feiras de negócios está dando novas provas de que as perspectivas de crescimento do mercado gráfico estão entre as melhores dos últimos anos. A 37ª edição do Congresso e Exposição Anual de Celulose e Papel - ABTCP 2004, que aconteceu entre os dias 18 e 21 de outubro último, obteve a maior visitação de sua história: 16 500 pessoas. Com comitivas internacionais vindas de países como Finlândia, Estados Unidos, Canadá, Chile e Colômbia, o evento também cresceu na área de exposição, alcançando a marca de 7,3 mil metros quadrados. Resultados como esse ajudam a entender o crescente interesse do setor pelo mercado de exposições e eventos de negócio. A Associação dos Agentes Fornecedores de Equipamentos e Insumos Para a Indústria Gráfica – Afeigraf, mais jovem entidade representativa da cadeia gráfica brasileira, acaba de anunciar o lançamento de sua própria feira no Brasil. A primeira edição da Expoprint, como o evento foi batizado, está planejada para acontecer em 2006, em São Paulo. Para a

Mais uma da Drupa 2004
Uma das maiores vendas conjuntas da história da feira alemã foi anunciada em outubro último. A gráfica PMP Print, presente na Nova Zelândia e na Austrália, adquiriu durante o evento, realizado na Alemanha em maio deste ano, uma linha completa de rotativas Lithoman, da MAN Roland, uma das principais fabricantes de rotativas do mundo. A instalação dos equipamentos, que serão usados principalmente para imprimir catálogos e encartes de jornais, só deverá acontecer em 2005.

realização da exposição, a Afeigraf contará com a colaboração da Messe Frankfurt Eventos. Segundo Elaine Almeida, responsável pelo grupo de trabalho que atua na organização da Expoprint, a feira não concorrerá com nenhum evento já promovido para o setor no Brasil. “Queremos apresentar uma nova proposta, que venha ao encontro das necessidades do mercado gráfico”, diz ela.

CtP japonês na IMESP
Distribuidora exclusiva da Fujifilm Electronic Imaging no mercado nacional, a Microservice venceu licitação para fornecer à Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (IMESP) um sistema CtP semi-automático Fujifilm com capacidade de gravação de 32 chapas por hora, a 2400 dpi. A licitação foi realizada no dia 2 de setembro último.

VCP lucra mais com vendas internas
Impulsionado pelo mercado interno, o lucro da VCP - Votorantim Celulose e Papel (VCP) cresceu 21% no terceiro trimestre deste ano, alcançando a marca de 205 milhões de reais. As vendas domésticas foram responsáveis por 60% da receita líquida, contra 50% no trimestre anterior. O resultado confirmou a projeção dos analistas de que o cenário de recuperação econômica redirecionaria uma maior parcela da produção da empresa ao mercado interno. Os resultados positivos são também explicados pela ampliação da fabricação de papel em detrimento da de celulose – cujos preços internacionais recuaram no trimestre. As vendas de papéis bateram recorde de receita, atingindo 491 milhões de reais, alta de 20% sobre o terceiro trimestre de 2003. Em volume, a evolução foi de 15%, atingindo 156 mil toneladas. Já a receita com celulose evoluiu 5%, chegando a 220 milhões de reais. O recuo nos preços da celulose foi parcialmente compensado pelo aumento da produção da unidade de Jacareí (SP), inaugurada no fim de 2003. Apesar da maior capacidade, a VCP prevê vender 830 mil toneladas de celulose este ano. Em 2003 a empresa negociou 850 mil toneladas do produto.
www.vcp.com.br (11) 3269-4000

Tudo sobre cores
A ABTG lançou sua Cartilha de Gerenciamento de Cores. O material reúne instruções para a implantação desse sistema de gerenciamento, desde os requisitos básicos até a aplicação dos perfis de fluxo de trabalho. A cerimônia de lançamento foi realizada na sede da empresa, em São Paulo.

72 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2004

Almanaque
Das telas de garrafões para as sandálias foi um passo
Fundada em 1971 na cidade de Farroupilha (RS), a Grendene começou como fabricante de telas plásticas protetoras para garrafões de vinhos. No fim da década de 70, um dos diretores da empresa, Pedro Grendene, foi aproveitar o verão europeu na Riviera Francesa, onde reparou que a sandália feita de tiras de plástico calçada por todos os pescadores da região, chamada Fisherman, estava virando moda na Europa. O calçado logo chegou às butiques de São Paulo e do Rio, e, como no Velho Mundo, tornou-se uma febre no Brasil. Daí que a Grendene, percebendo como a produção das telas para garrafões se parecia muito com a das sandálias, decidiu criar uma versão nacional das Fisherman. Sob o nome Melissa, ela foi lançada no fim de 1979. A sandália da Grendene virou febre: era mais barata e até durava mais que o produto inspirador. Nos anos 80, chegou-se a vender 25 milhões de pares da Melissa num único ano. O calçado, que está completando 25 anos em 2004, segue firme e forte: ainda vende quase 1 milhão de pares anualmente.

Apelos ao apelo
Um dos produtos nacionais que mais apelaram ao apelo de reutilização de sua embalagem de vidro em campanhas de merchandising foi a célebre Geléia de Mocotó Inbasa. Os trintões e mais velhos devem lembrar do reclame televisivo cuja mensagem final era: “A criança fica com a geléia; a mãe, com o copo”. A menção à embalagem pôde ser vista em várias outras peças publicitárias do produto, como na que é reproduzida acima, do início dos anos 80. No começo da década de 90, a Inbasa – Indústria Brasileira de Alimentos foi comprada pela Arisco, pouco depois adquirida pela Refinações de Milho Brasil, que por sua vez foi incorporada pela Unilever em 2000. Hoje, a marca Inbasa, que dizem já ter pertencido a Roberto Marinho, da Rede Globo, é mera coadjuvante na embalagem do produto: aparece, discretamente, num canto dos rótulos da agora rebatizada Geléia de Mocotó Arisco.

O cantil aqui virou xingamento
Muito tempo atrás era comum ver franceses carregando seu boucaut, um primitivo cantil feito de couro de bode (bouc, em francês). Na Espanha, ele ganhou o nome de bocoy. Quando chegou ao Brasil, essa “embalagem” sofreu duas modificações: passou a ser feita pelos colonos com couro de tatu e a ser chamada, carinhosamente, de bocó. O bocó não tinha tampa e ficava sempre aberto. Daí seu nome passou também a ser utilizado para designar a pessoa boba, palerma, sempre pasma e de boca aberta.

Você sabia?
* Skol vem de skål, ou “taça” em dinamarquês. A palavra é usada como saudação na hora do brinde, como “saúde” no Brasil * Os óculos Ray-Ban foram desenvolvidos na década de 30 para proteger a visão dos pilotos de caças americanos dos raios solares * Jipe é o som da pronúncia em inglês das iniciais G.P., de general purpose – “uso geral”, como os carros 4x4 eram chamados nos anos 40. Daí jeep, que virou jipe, aportuguesado. Jeep é também o nome do cachorro do Popeye.

74 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2004

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