FACULDADE INTEGRADA DE PERNAMBUCO CURSO DE BACHARELADO EM DIREITO

A PAPILOSCOPIA EM LOCAIS DE CRIME: O DESAFIO DE CONSTITUIR UMA PROVA PERICIAL

ISAURA CRISTINA DO NASCIMENTO

Recife 2011.

ISAURA CRISTINA DO NASCIMENTO

A PAPILOSCOPIA EM LOCAIS DE CRIME: O DESAFIO DE CONSTITUIR UMA PROVA PERICIAL

Monografia apresentada, para obtenção do título de bacharelado, à banca examinadora no Curso de Direito da Faculdade Integrada de PernambucoFACIPE.

Orientador: Prof. Mestre José Edivaldo da Silva

Recife 2011.

N244p

NASCIMENTO, Isaura Cristina do. A papiloscopia em locais de crime: o desafio de construir uma prova pericial / Isaura Cristina do Nascimento; orientador José Edivaldo da Silva, 2011. 51 f. Monografia (Conclusão de Curso Bacharelado em Direito) Faculdade Integrada de Pernambuco - FACIPE, 2011. 1. Papiloscopia. 2. Prova pericial. 3. Justiça. I. Silva, José Edivaldo da. II. Título.

Ficha catalográfica elaborada pela Bibliotecária Marleide Irineu dos Santos, CRB-4/1001

ISAURA CRISTINA DO NASCIMENTO

A PAPILOSCOPIA EM LOCAIS DE CRIME: O DESAFIO DE CONSTITUIR UMA PROVA PERICIAL

Monografia apresentada, para obtenção do título de bacharelado, à banca examinadora no Curso de Direito da Faculdade Integrada de PernambucoFACIPE.

Aprovado pela Banca Examinadora em 08 de junho de 2011.

BANCA EXAMINADORA:

_________________________________________ Prof. Mestre José Edivaldo da Silva- FACIPE/PE Presidente

_______________________________________________ Prof.ª Esp. Andrea C. Borba da S. Valença- FACIPE/PE Examinadora

Dedico este trabalho com muito carinho, a duas pessoas muito especiais para mim e que infelizmente não estão mais entre nós, minha mãe Josefa Maria do Nascimento e meu pai Amaro Olinto do Nascimento, que mesmo com toda dificuldade nos proporcionaram uma educação exemplar, pautada em paciência e compreensão nos momentos mais difíceis. As minhas filhas Thaynná Cristina Fagundes do Nascimento e Thaisy Cristina Fagundes do Nascimento e, por fim, ao meu

companheiro Francisco Júnior

Vasconcelos Santos

estímulos da minha busca por dias melhores.

que me conduziu durante o desenvolvimento deste trabalho. Ao meu orientador José Edivaldo da Silva. . Aos meus pais meus eternos agradecimentos. me abrindo os olhos e me incentivando na busca de uma formação acadêmica.AGRADECIMENTOS Agradeço em primeiro lugar a Deus. que iluminou meu caminho durante toda minha jornada. e finalmente agradeço a todos que de alguma forma contribuíram para a realização do meu trabalho. e onde quer que estejam sei que estão muito felizes por mais esta conquista em minha vida. por tudo o que fizeram por mim. Agradeço ao meu companheiro Francisco Júnior Vasconcelos Santos que me fez voltar a acreditar em mim.

37: 7) . para que conheçam todos os homens a sua obra” ( Jó.“Deus sela a mão de todo o homem.

sendo esta. Prova Pericial.Conclui-se. tornando-se prova robusta quando analisada dentro do conjunto probatório.RESUMO Este estudo foi realizado partindo da necessidade de levar ao conhecimento dos leitores o que vem ser papiloscopia e suas diversas áreas de aplicação. observando que ela não deve ser analisada isoladamente. Destaca a importância da perícia papiloscópica. após pesquisas bibliográficas e análises de casos concretos nos quais a perícia papiloscópica demonstrou relevante importância. como prova que vem fortalecer o processo penal. visando a coleta e revelação de fragmentos de impressões digitais em locais de acidente ou de crimes. subsidiando inquéritos policiais e por conseqüência o processo penal. tal necessidade surgiu em decorrência da pouca ou quase ausência de estudos institucionais nesta área. Palavras-Chave: Papiloscopia. Justiça. . Demonstra a importância da papiloscopia. uma prova irrefutável da presença do indivíduo nestes locais. que utilizam nosso ordenamento jurídico em busca da justiça.

Stresses the importance of expertise papiloscópica as evidence that strengthens the prosecution. Expert Testimony. seeking the collection and disclosure of fingerprint fragments in site accidents or crimes. using our legal system in search of justice. making it robust evidence when viewed within the probative. this being a proof of the presence of individuals in these locations. Justice. such a need arose due to little or no institutional studies in this area.Concludes set up after literature searches and analysis of specific cases in which the expertise papiloscópica showed relevant differences.ABSTRACT This study was conducted based on the need to bring to the attention of readers what is being papiloscopia and its various application areas. subsidizing investigations police and therefore the prosecution. Keywords: Papiloscopia. Demonstrates the importance of papiloscopia. noting that it should not be considered in isolation. .

24 3...........2......................................................................................2.......................................................................SUMÁRIO 1 ...31 .......29 4...................................... OBJETIVO..............................................................................2 Meio de Prova..................................27 4.....................2 Princípio da Imparcialidade do Juiz.........................................................................PRINCÍPIOS QUE REGEM O PROCESSO PENAL......................... FINALIDADE DO PROCESSO PENAL.....1 Princípio da Presunção de Inocência ou da Não Culpabilidade.........................2 CONCEITO........................................3 O ÔNUS E O SISTEMA DE APRECIAÇÃO DA PROVA............................24 3................19 2....................19 2.....................................................2.....................3............................. DIVISÃO E PRINCÍPIOS DA PAPILOSCOPIA...........2................................................2......................1 Classificação de Prova............................................................................................ OBJETIVO E DIVISÃO DA PAPILOSCOPIA.......................21 CAPÍTULO 3 – CONCEITO.................. CONCEITO..........................................2 CLASSIFICAÇÃO E MEIOS DE PROVA.24 3.....................3.........4 Princípio da Ampla Defesa...........2 ESPÉCIES DE PERÍCIA.....1 HISTÓRICO DA IDENTIFICAÇÃO HUMANA...................1 CONCEITO DE PERÍCIA................................. ESPÉCIE E IMPORTÂNCIA DAS PERÍCIAS NO PROCESSO PENAL.................................18 2.....................................09 CAPÍTULO 1 – PROCESSO PENAL .........2.........................3 Princípio do Contraditório ou Bilateralidade da Audiência......................16 1.18 2............. CONCEITO.....3................... 13 1....3 IMPORTÂNCIA DA PERÍCIA NO PROCESSO PENAL.....27 4................................14 1......................................3 PRINCÍPIOS QUE REGEM A PAPILOSCOPIA...1 CONCEITO E OBJETIVO DA PROVA..........16 CAPÍTULO 2 – TEORIA DA PROVA..4 A IMPORTÂNCIA DA PERÍCIA PAPILOSCÓPICA NO INQUÉRITO POLICIAL26 CAPÍTULO 4 – HISTÓRICO...........................................13 1..........20 2.........14 1........2.1....................................... INTRODUÇÃO..............................................................................................14 1...2 Sistema de Apreciação de Prova.......20 2............ O DIREITO DE PUNIR.........................25 3..............................................................................................................................1 Ônus da Prova.......................18 2.................15 1....

........ 37 5......................2 Acórdãos Sobre Perícia Papiloscópica Como Prova Irrefutável..........34 4...............43 5.....................................2 PERÍCIA PAPILOSCÓPICA AJUDA A LOCALIZAR QUADRO FURTADO NO MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA EM OLINDA – PE...................42 5...............................1 Absolvições Baseadas em Laudos Papiloscópicos Negativos........ 37 5................CASOS CONCRETOS EM QUE A PERÍCIA PAPILOSCÓPICA FOI RELEVANTE PARA ELUCIDAÇÃO DOS FATOS...........................................50 .........................................48 REFERÊNCIAS...........3..............................................................4 IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO...................1A IMPORTÂNCIA DA PAPILOSCOPIA NO ACIDENTE DO AIR FRANCE 447............3 JULGADOS PELOS TRIBUNAIS QUE TIVERAM A PERÍCIA PAPILOSCÓPICA COMO PROVA........................................................4...........................40 5....................................32 4..........5 A PAPILOSCOPIA EM LOCAL DE CRIME...........................6 IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL.....36 CAPÍTULO 5.....3....44 CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................

principalmente o de homicídios. uma vez que a prova é peça essencial para o perfeito andamento do processo. como um todo. devendo neste ser abordado um tema de relevante para o Direito e para a sociedade. este estudo visa fortalecer o processo penal apresentando-lhe mais uma prova irrefutável. aliado as ações de repressão qualificada da criminalidade desenvolvida pela Secretaria de Defesa Social. não tem a sua importância salientada devido à quase ausência de estudos institucionais sobre o tema que será analisado. do quadro da Polícia Civil de Pernambuco. que possui o objetivo de demonstrar o conhecimento do aluno em uma determinada área do conhecimento do direito. p. que deverá ser entregue ao final do curso de Bacharelado em Direito. uma vez que atualmente vem sendo divulgado por parte do Governo do Estado de Pernambuco. A pesquisa tem a finalidade de levar ao conhecimento dos leitores o que vem a ser papiloscopia e suas diversas aplicações. Diante dos problemas de impunidade enfrentados pela sociedade. mais uma vez demonstra resultados positivos. a criminalidade . demonstrando sua importância para a sociedade no que diz respeito à instituição de uma prova pericial técnica. Pelo nono mês consecutivo. assim como a papiloscopia. objetivando a sua correta identificação. em decorrência do investimento que está sendo realizado em Defesa Social. 2008. contribuindo desta forma para a diminuição da impunidade nos delitos cometidos. no Estado através do projeto Pacto Pela Vida. Conforme publicação do Estado de Pernambuco: O novo modelo de gestão de segurança implantado pelo governador Eduardo Campos. seja em locais de acidentes ou em locais de crime que apresentem vestígios de fragmentos de impressões digitais.160) O tema escolhido como matéria de estudo foi a coleta e revelações de impressões digitais em locais de crime como prova importante para o processo penal.INTRODUÇÃO Este é um projeto de pesquisa de conclusão de curso. Com base em observações empíricas na atuação de Perito Papiloscopista. Sobre identificação papiloscópica preceitua Nucci: “É a coleta das impressões digitais do indiciado. por se tratar de método científico e seguro” (NUCCI. percebe-se que a coleta de fragmentos de digitais em locais de crime. a diminuição de crimes.

variando. portanto de região para região papilar e de pessoa para pessoa. a identificação papiloscópica. Conforme preceitua Edmond Locard: Perenidade é a propriedade que têm os desenhos papilares de si manifestarem definidos desde a vida intra-uterina até a completa putrefação cadavérica. (Diário Oficial de Pernambuco.O desenho conservase idêntico a si mesmo.22) Desta forma é possível entender a papiloscopia como uma ciência que se reveste da autoridade e respeitabilidade porque é fruto da concepção de especialistas que trilharam os caminhos do conhecimento científico. demonstrando assim como se chega ao resultado esperado.O desenho papilar observado num recém-nascido permanece até sua velhice. 1902 apud BRITO. Não há possibilidade de se encontrar duas impressões papilares idênticas. em números absolutos. Assim.2009) O trabalho possui a pretensão de demonstrar que parte desta meta alcançada. que asseguram a não repetição de digitais nos indivíduos. 01 out.cai em Pernambuco.Imutabilidade é a propriedade que têm os desenhos papilares de não mudarem a sua forma original. aprimorar ainda mais o estudo do Direito sob o tema que hora passa a ser objeto deste estudo.183.Variabilidade é a propriedade que têm os desenhos papilares de não se repetirem. cabe também ao trabalho realizado pelos Peritos Papiloscopistas. Segundo Alvaro Codeço e Flávio Amaral: . adultos e cadáveres. desde o seu surgimento até a completa decomposição cadavérica. o presente trabalho não tem por finalidade exaurir o problema. é a forma mais segura de identificação. Recife. p. no qual será analisado o serviço realizado. Os números mostram uma redução acumulada de 9. hoje utilizada na identificação de recémnascidos. mas sim. não muda durante toda sua existência. e qual sua importância em locais de crime. e desconhecidos por muitos. com uma única diferença do aumento de tamanho como se fora uma ampliação fotográfica. Para isto será necessário que se faça o estudo do que vem a ser Papiloscopia. a imutabilidade e a variabilidade. Portanto. nem mesmo em uma mesma pessoa. pois as papilas dérmicas possuem propriedades como a perenidade. 2009. PE. mesmos nos gêmeos univitelinos. objetivado em casos concretos. (LOCARD. 269 assassinatos a menos no Estado. n. com o escopo de servir como mais um referencial teórico. o que representa.9% no período de dezembro de 2008 a agosto de 2009. que hoje veem seu trabalho reconhecido por poucos.

por força do Código de Processo Penal (CPP). que tem como objetivo a identificação das pessoas para fins civis.p.Com o conceito de ser uma ciência que trata da identificação humana por meio das papilas dérmicas. assim como. propriedade inerente ao estado. divisão e princípios inerentes a papiloscopia. O terceiro capítulo enfoca a importância das perícias para o processo penal. Tem como fim precípuo. O quinto capítulo vem trazendo a aplicação da perícia papiloscópica em casos concretos e de grande repercussão para a sociedade. apresentando também a identificação criminal no ordenamento jurídico brasileiro. vem apresentando em seu primeiro capítulo. nesta área ainda pouco difundida. (CODEÇO. Podoscopia: é o processo de identificação por meio das impressões plantares. isto é. o que deveria constituir uma forma de identificação obrigatória. demonstrando a sua importância e seu desenvolvimento no estado de Pernambuco.39) Entre suas finalidades de identificação a papiloscopia encontra-se dividida em papiloscopia civil. estabelecendo também a importância da perícia papiloscópica no inquérito policial. objetivo. trazendo em conjunto conceito. 1992. espécie e importância. como também o levantamento de impressões digitais em locais de crimes. O presente trabalho. isto é palmas das mãos. classificação e meios de provas. O quarto capítulo vem apresentando a papiloscopia. estando dividida em: Dactiloscopia: é o processo de identificação por meio das impressões digitais. tratando de conceito. AMARAL. O segundo capítulo se refere a teoria da prova. das plantas dos pés. assim como no Brasil. que trata da identificação de pessoas indiciadas em inquéritos ou acusadas em processos. o ônus da prova e seu sistema de apreciação. finalidades e princípios que regem o processo penal e o direito de punir. o processo penal como um todo. evidenciando seu conceito. inquérito este que servirá de subsídio para a acusação dentro do processo. demonstrando a necessidade histórica da identificação humana. matéria em foco do nosso trabalho. mas tal obrigatoriedade legal nem sempre é cumprida. promover a identificação do indiciado em inquérito policial. a papiloscopia em local de crime e a identificação criminal. objetivo. Quiroscopia: é o processo de identificação por meio das impressões palmares. trazendo conceito. O trabalho cujo tema é “Papiloscopia em local de crime: o desafio de constituir . e a papiloscopia criminal.

apresenta a seguinte problematização: Qual a importância da papiloscopia no local de crime? O porquê da identificação papiloscópica ser essencial ao processo penal? Seria a prova papiloscópica uma prova irrefutável? Assim o presente trabalho visa discorrer sobre o processo penal e qual a importância da perícia papiloscópica nesta área do conhecimento desta ciência chamada Direito. tentando responder de forma clara e objetiva aos questionamentos trazidos em sua problematização. .uma prova pericial”. ajudando a combater a impunidade. Desta forma quem tem a ganhar é a sociedade com a punição dos verdadeiros infratores. realizada pela aplicação da lei penal que sempre busca a aplicação da Verdade Real. Deve-se observar que o tema escolhido apresenta uma ferramenta importante para a aplicação do Processo Penal por se tratar de mais uma prova a ser analisada por este.

através de seus órgãos constituídos. p. a pro dução das provas.31) Em alusão ao tema.44-45) . observando sempre os direitos e garantias dos indiciados assegurado pela Constituição Federal. traz a sua concepção conceituando o processo penal da seguinte forma: Corpo de normas jurídicas cuja finalidade é regular a persecução penal do Estado. Guilherme de Souza Nucci. 2011. bem como as atividades persecutórias da polícia judiciária.1 Conceito. finalidade do processo penal Para que se possa garantir ao acusado seus direitos e garantias fundamentais é que se faz necessária a aplicação de procedimentos como verdadeiras regras a serem observadas no âmbito do processo penal. pode ser dividida em mediata e imediata: aquela diz respeito à própria pacificação social obtida com a solução do conflito. Nestor Távora define processo penal como: Conjunto de princípios e normas que realizam a aplicação jurisprudencial do direito penal. p. por meio da aplicação do direito penal objetivo.32) Segundo Fernando Capez: A finalidade do processo é propiciar a adequada solução jurisdicional do conflito de interesses entre o Estado-Administração e o infrator. (NUCCI.43) Desta forma no que tange a finalidade do processo penal Nestor Távora preceitua que: A finalidade do processo penal. (TÁVORA apud MARQUES.CAPÍTULO 1 – PROCESSO PENAL 1. e a estruturação dos órgãos da função jurisdicional e respectivos auxiliares. p. 2010. caracterizando-o. 2011.79) Fernando Capez conceitua processo penal como sendo “o conjunto de princípios e normas que disciplinam a composição das lides penais. assim o Estado garante o controle interno da sociedade a ele instituído. enquanto a última está ligada ao fato de que o direito processual penal viabiliza a aplicação do direito penal. com aplicação de penas justas. através de uma sequência de atos que compreendem a formulação da acusação. 2010. o exercício da defesa e o julgamento da lide.” (CAPEZ. (TÁVORA. p. realizando-se a pretensão punitiva no caso concreto.” (CAPEZ. p. Neste contexto. para que se possa aplicar a norma penal. 2008.

2. não permitindo a arbitrariedade do Estado. primordialmente. culminando em uma sentença condenatória transitada em julgado. Desta forma passamos a elencar. O processo penal deve observar pressupostos constitucionais que garantem ao imputado direitos e garantias fundamentais.2 Princípio da imparcialidade do juiz Conforme conceito dado por Nestor Távora: . torna-se indispensável que o Estado-acusação evidencie. para garantir ao infrator a aplicação de pena justa e proporcional ao delito cometido. p. p.2008. conforme determina nossa Carta Magna em seu artigo 5º. estabelecido pela Constituição Federal. Os princípios que irrigam o processo penal apresentam-se com cunho de fundamentais.2 Princípios que regem o processo penal. tal princípio “tem por objetivo garantir. no qual todos os requisitos foram atendidos e respeitados.2.” (BRASIL. o reconhecimento da autoria de uma infração penal. contudo vale a pena ressaltar que estes fazem parte do sistema não de forma taxativa. 2008. quando estabelece que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. com provas suficientes. para quebrar tal regra. estabelecendo que: As pessoas nascem inocentes. Significa dizer que todo acusado é presumidamente inocente. que o ônus da prova cabe à acusação e não à defesa” (NUCCI. (NUCCI.1. ao Estado-juiz a culpa do réu. 1. Observamos no processo penal a existência de princípios. razão pela qual.81) 1. mas exemplificativa. pressupõe a existência de um processo legal. que servem para regular a persecução penal do Estado.81). de forma sucinta.1 Princípio da presunção de inocência ou da não culpabilidade. inciso LVII. Assim. tais princípios são inerentes ao processo penal. até que seja declarado culpado por sentença penal transitada em julgado. 2010) Para Guilherme de Souza Nucci. alguns desses princípios. buscando a aplicação de pena de forma justa. sendo esse seu estado natural.

aliado à circunstância de que ele não vai ao próprio processo em nome próprio. 2008. (CAPEZ. p. 2010. ao vedar a fundamentação da decisão com base exclusiva nos elementos informativos .62) 1. a imparcialidade do juiz “trata-se da capacidade subjetiva do órgão jurisdicional”. 2010) Imposto ao processo como regra. p. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa. trouxe limitação ao livre convencimento do juiz na apreciação das provas.84) Para Fernando Capez a importância do contraditório foi realçada com a recente reforma do código de processo penal. pois para as partes deve ser dada a possibilidade de influir no convencimento do magistrado. torna-se essencial a imparcialidade do julgador. (CAPEZ.A imparcialidade é entendida como característica essencial do perfil do juiz consistente em não poder ter vínculos subjetivo com o processo de modo a lhe tirar o afastamento necessário para conduzi-lo com isenção. com os meios e recursos a ela inerentes. nem em conflito de interesses com as partes. que segundo preceitua Fernando Capez. (TÁVORA. em processo judicial ou administrativo. (NUCCI. inciso LV.62) Assim podemos entender que a imparcialidade é um dos pressupostos para a constituição de uma relação processual válida. (BRASIL.3 Princípio do contraditório ou bilateralidade da audiência Assegurado pela Constituição Federal em seu artigo 5º. 2011. feita no processo por uma das partes. Guilherme de Souza Nucci explica o referido princípio como: No princípio do contraditório significa dizer que a toda alegação fática ou apresentação de prova. p. p. quando estabelece: Aos litigantes.2. fato que. a qual trouxe limitações ao convencimento do juiz nas apreciações das provas. havendo um perfeito equilíbrio na relação estabelecida entre a pretensão punitiva do Estado e o direito à liberdade e à manutenção do estado de inocência do acusado. definindo que: A reforma do código de processo penal. 2011. tem o adversário o direito de se manifestar.52) Para Fernando Capez O juiz situa-se na relação processual entre as partes e acima delas (caráter substitutivo).

merece o réu um tratamento diferenciado e justo. O legislador manteve. (CAPEZ. no sentido de que a prova do inquérito não bastaria exclusivamente para condenação. Segundo o entendimento de Nestor Távora: O processo penal possui como função conferir efetividade ao direito penal. segundo visão de Nestor Távora. razão pela qual a ampla possibilidade de defesa se lhe afigura a compensação devida pela força estatal. desta forma.3 O direito de punir “A vingança privada é banida do estado democrático de direito”. ressalvando a lei as provas cautelares. devendo ser confirmada por outras provas produzidas em contraditório judicial. no processo. a interpretação jurisdicional já outrora sedimentada. como direito e garantia fundamental. (TÁVORA. valendo-se de informações e dados de todas as fontes às quais tem acesso. p.53) Ao réu é concedido o direito de se valer da ampla defesa. Sobre o assunto. provas a seu favor. no qual poderá apresentar. fornecendo os meios e os caminhos para materializar a aplicação da pena ao caso concreto. exigindo-se prova produzida em contraditório judicial.32) . lançando-se mão dos meios e recursos disponíveis e a ela inerente. p. 1.63) 1. como estabelece o artigo 345 do código penal”. delimitando toda a persecução penal do Estado. 2008.4 Princípio da ampla defesa Também previsto pela Constituição Federal. (NUCCI. p. “com a tipificação criminal do exercício arbitrário das próprias razões como crime contra a administração da justiça. 2010. uma vez que o Estado é sempre mais forte. esclarece Guilherme de Souza Nucci: Considerado. não repetíveis e antecipada.82) A ampla defesa é uma das formas de assegurar ao réu a apresentação no processo de sua versão dos fatos. assim como contradizer as provas apresentadas pela acusação. 2011. 2010.32) Desta forma cabe ao processual penal solucionar as lides no âmbito criminal.2. (TÁVORA. 2010. se possível. não repetíveis e antecipadas. ressalvadas provas cautelares.” (TÁVORA. parte hipossuficiente por natureza. como forma de se defender das acusações e ele imputadas. p. agindo por órgãos constituídos e preparados.colhidos na investigação. seguindo o ensinamento de Nestor Távora “deve s er assegurada a ampla defesa. p.

que seria penas justas aos delitos cometidos. podendo caso deseje. Ainda sobre o assunto Nestor Távora explica: A vítima é movida pelos princípios da oportunidade e da disponibilidade onde a ela cabe o direito de exercer ou não a ação. mas o poder de punir. p. o poder da aplicação da pena cabe exclusivamente ao Estado. de forma que se possa garantir o devido processo legal se consiga atingir o bem comum. desistir da demanda.34) Nesse sentido observa-se e não se pode deixar de considerar que o processo penal existe para regular a persecução do Estado. mesmo em se tratando de uma ação penal privada.Devendo ser observado que o jus puniendi concentra-se na figura do Estado. 2010. observando princípios que o regem e visando resguardar direitos e garantias inerentes ao imputados. (TÁVORA. .

b) Meio: trata-se do instrumento pelo qual se demonstra a verdade de algo. mas todos possuem um único objetivo. 2011. conforme ensinamentos de Nestor Távora podemos concluir que o objetivo desta “é a obtenção do convencimento daquele que vai julga r. O convencimento do julgador não estar apenas pautado nas versões apresentadas pelas partes. Classificação e meios de prova. destinados a levar ao Magistrado a convicção acerca da existência ou in existência de um fato. .2. Assim. da falsidade ou veracidade de uma afirmação. pelo Juiz e por terceiros. mas também nas provas por elas trazidas aos autos. 2011. o de convencer o julgador. condenando ou absolvendo.CAPÍTULO 2 – TEORIA DA PROVA 2.” (TÁVORA.1 Conceito e objetivo da prova No processo.344) Guilherme de Souza Nucci apresenta três sentidos para o termo prova: a) Ato de provar: é o processo pelo qual se verifica a exatidão ou verdade do fato alegado pela parte no processo. as partes tentam realizar a reconstrução da história. 2010. o alicerce sobre o qual se ergue toda a dialética processual. 2008. ao ponto que este tenta extrair as respectivas consequências em face do que lhe fora apresentado. (NUCCI.344) 2. Sobre o assunto Fernando Capez conceitua prova como sendo: O conjunto de atos praticados pelas partes. portanto. e nessa tentativa cada uma delas apresentam a sua verdade dos fatos ocorridos. c) Resultado da ação de provar: é o produto extraído da análise dos instrumentos de prova oferecidos. decidindo a sorte do réu. 388) Para Fernando Capez a prova é: Sem dúvida alguma o tema mais importante de toda ciência processual. p. de todo e qualquer meio de perseguição empregado pelo homem com a finalidade de comprovar a verdade de uma alegação. de nada adianta desenvolverem-se aprofundados debates doutrinários e variadas vertentes jurisprudenciais sobre temas jurídicos pois a discussão não terá objeto. p. já que as provas constituem os olhos do processo. p. (CAPEZ. Tratase. (CAPEZ. demonstrando a verdade de um fato.346). p. Sem provas idôneas e válidas.

quanto ao efeito ou valor. por ilação. p. Podendo ser: a) Direta: refere-se diretamente ao fato probando. as formas nomi . 2010.2. b) Não plena ou indiciária: é a prova limitada quanto à profundidade.Como exemplo podemos citar a coleta no local de crime de impressões papilares (grifo nosso). 348) 2. por exemplo. Em regra para os doutrinadores a prova comporta a seguinte classificação: quanto ao objeto. Conforme preceitua Fernando Capez.” ( TÁVORA. Quanto ao sujeito ou causa: trata da prova em si considerada. (TÁVORA.378) No processo penal existe o princípio da verdade real. b) Pessoal: é a que decorre do conhecimento de alguém em razão do thema probandum. desde que legal. 349) O Código de Processo Penal prevê em seus artigos 158 a 250. p. São elas: a) Testemunhal: é expressa pela afirmação de uma pessoa. “Convém salientar que o meio de prova compreende tudo quanto possa servir. estudadas pela papiloscopia (grifo nosso).” (CAPEZ. b) Documental: é o elemento que irá condensar graficamente a manifestação de um pensamento. quanto ao sujeito ou a causa. e quanto a forma ou aparência. Dividida em: a) Plena: é aquela necessária para condenação. Quanto à forma ou aparência: é a maneira como a prova se revela no processo. em virtude do interesse estatal na justa aplicação da lei. 2010. de ser testemunha ou não. direta ou indiretamente. permitindo.2.2 Meio de prova. à demonstração da verdade que se busca no processo. c) Material: simboliza qualquer elemento que corporifica a demonstração do fato.1. independentemente. Quanto ao efeito ou valor: é o grau de certeza gerado pela apreciação da prova. b) Indireta: refere-se a um outro acontecimento que . por si o demonstrando. imprimindo ao julgados um juízo de certeza quanto ao fato apreciado. p. Assim utilizaremos a definição de classificação de Nestor Távora: Quanto ao objeto: é a relação ou incidência que a prova tem com o fato a ser provado.2. em que consiste o material produzido. o qual permite qualquer tipo de prova. nos leva ao fato principal. tecnicamente. São elas: a) Real: é aquela emergente do fato: exemplo podemos citar impressões digitais. a decretação de medidas cautelares. Para Nestor Távora “a busca da verdade nos faz assumir uma vertente libertária na produção probatória.Classificação de prova. 2011.

2010) Assim como. CPP. 2010. CF.” (BRASIL.1.”(BRASIL. às provas obtidas por meios ilícitos.2010) Além de vedar. Apesar de existirem algumas restrições ao princípio da liberdade probatória. em seu parágrafo único. sendo estas.690/08. CPP. 2010) Contudo devemos observar que esta liberdade probatória não é plena.nadas de prova. da Constituição Federal que dita: “são inadmissíveis. não podendo supri-lo a confissão do acusado.3. “o ônus da prova é o encargo atribuído à parte de provar aquilo que se alega. do CPP. . entretanto vale salientar que estas não são taxativas. conforme previsto no artigo 5º. Ônus da prova.” (BRASIL.363) Ainda segundo Távora: A demonstração probatória é uma faculdade. p. objetivando o cumprimento do princípio do contraditório e da ampla defesa. estas não ferem o princípio do livre convencimento do Juiz. já que aquele que não foi exitoso em provar. ficando o julgador livre para buscar os meios e formas de provas necessárias à fundamentação de sua decisão. consideradas exemplificativas.” (TÁVORA.3.689/08. sendo exigido pelo nosso ordenamento jurídico que esta seja obtida de forma legal. caput. com relação trazida pela lei 11. 2. não podendo ser suprido por outro. Para Nestor Távora. quando assevera: “Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil. da leitura de documentos ou ainda a exibição de objetos que não tenham sido juntados aos autos com a antecedência mínima de três dias úteis. conforme podemos vislumbrar no artigo 155 do CPP. assumindo a parte omissa as conseqüências de sua inatividade. LVI. com redação dada pela Lei nº 11. direto ou indireto. 2. durante os debates em plenário. conforme preceitua o artigo 158 de CPP que dita: “ quando a infração deixar vestígios será indispensável o exame de corpo de delito. O ônus e o sistema de apreciação da provas. no processo. observa a obrigatoriedade de determinados meios de prova. conforme estabelece o artigo 479. facilitando a atividade judicial no momento da decisão.

2008. Sistema de apreciação de prova. p364). Entretanto. 393) Vale ressaltar que a auto-incriminação não é exigível pelo processo penal. Conforme estabelecido no artigo 156. a prova da alegação é incumbida a quem a fizer. 2010. o réu pode chamar a si o interesse de produzir prova. pode por ele ser negada. 2008. (TÁVORA. 1- Sistema da certeza moral do juiz ou íntima convicção Sendo este o sistema que preside de certa forma. 2010. (TÁVORA. As regras de valoração da prova demonstram a transparência no ato de julgar. algum fato que propiciará a exclusão da ilicitude ou da culpabilidade.2. e também a favor do réu. 1ª parte do CPP.367) Conforme estabelecem os doutrinadores passaremos a analisar os três sistemas de apreciação de prova. (TÁVORA. 393) 2. em sua segunda fase. desta forma qualquer prova que for demandada pelo Juiz em desfavor do réu e implicando em prejuízo a sua defesa.possivelmente não terá reconhecido o direito pretendido. revelando o porquê do convencimento que deu ensejo ao provimento jurisdicional. pois ao réu é assegurado o direito de não fornecer prova contra si. funcionando como fator de conformação das partes e de fiscalização do órgão judicante. Conforme esclarece Nestor Távora: A gestão da prova e a respectiva apreciação pela autoridade judicial sofrem variações a depender do sistema adotado. no processo penal. embora nunca o faça de maneira absoluta. (NUCCI.3. p.364) Em relação ao assunto tratado Guilherme de Souza Nucci define que: Como regra. na atuação dos jurados. em seu benefício. o ônus da prova é da acusação que apresenta a imputação em juízo através da denúncia ou da queixa-crime. p. p. assim faz-se necessário que para entendermos tal pressuposto. 2010. os julgadores no Tribunal do Júri. tenhamos a visão de que o ônus da prova seja em matéria penal à luz do princípio da presunção de inocência. uma vez que neste sistema . o que ocorre quando alega. (NUCCI. p.

não permitindo que o julgador utilize qualquer margem de discricionariedade para valorar a importância de cada prova apresentada. IX Todos os julgados dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos. . e fundamentadas todas as decisões. assim como o estabelecido no artigo 158 quando esclarece que “quando a infração deixar vestígios. não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação. desde que o faça de forma motivada (TÁVORA. 2011. não se admitindo a prova testemunhal”.368) Encontrando respaldo na Constituição Federal em seu artigo 93. podendo a lei limitar a presença de determinados atos. CF.p. em hipóteses como as que estão previstas no Código de Processo Penal em seus artigos 155.quem julga está absolutamente livre para decidir. no qual o juiz encontra-se livre para decidir e apreciar as provas que lhe são apresentadas. às próprias partes e a seus advogados. parágrafo único quando define que “estado de pessoas somente se prova mediante certidão. 2010. em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação. existindo apenas a obediência estrita ao sistema de pesos e valores imposto pela lei. ou somente a estes.383) 3- Sistema do livre convencimento motivado ou persuasão racional Este é o sistema adotado pelo processo penal brasileiro. atribuindo o valor de cada prova. estando dispensado de motivar sua decisão. (BRASIL. IX que estabelece: Artigo 93. cabendo ao magistrado total liberdade (TÁVORA. sob pena de nulidade. além de poder utilizar os seus pré-conceitos e crenças pessoais. nem a confissão do acusado supre a falta do exame de corpo de delito. estando o juiz limitado a prova pericial” (CAPEZ. p. 2010. 2010) Assim como no artigo 155 do Código de Processo Penal quando especifica: Artigo 155 O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial. A lei não atribui valor às provas. Somente vigora como exceção.368) 2- Sistema da certeza moral do legislador. p. das regras legais ou da prova tarifada Neste sistema a lei impõe ao juiz que acate as regras preestabelecidas de forma rigorosa.

(NUCCI. O juiz extrai a sua convicção das provas produzidas legalmente no processo. p. p. e impede o absolutismo pleno do julgador. p. (Capez. 384) . rejeitando o formalismo exarcebado. (TÁVORA. CPP. somente a prova produzida em contraditório judicial poderá servir de fundamento para a sentença condenatória. na medida em que exige motivação.383) Devendo ser destacado ainda que com a reforma processual penal. estabelecida no artigo 155 do Código de Processo Penal. não significa que o magistrado possa fazer a sua opinião pessoal ou vivência acerca de algo integrar o conjunto probatório. tal sistema “atende às exigências da busca da verdade real. tornando-se. 2011.ressalvadas as provas cautelares. nem expõe suas idéias como se fossem fatos incontroversos. prova. cabendo ao juiz imprimir na decisão o grau de importância das provas produzidas. p. pois. 2010. não repetíveis e antecipadas.395) Para Fernando Capez. 2011. conforme define artigo 155 do Código de processo Penal supracitado. Não existe hierarquia entre as provas. gerador do arbítrio. (BRASIL.369) Em observação ao assunto esclarece Guilherme de Souza Nucci: A liberdade de apreciação da prova. transcendendo ao formalismo castrador do sistema da certeza legal. 2008.” (CAPEZ. 2010) Em relação ao tema abordado para Nestor Távora: A liberdade do julgador lhe permite avaliar o conjunto probatório em sua magnitude e extrair da prova a sua essência. mas não presta depoimento pessoal.

podendo ser feito de forma direta ou indireta conforme estabelecido no artigo 158 de CPP. contábil. sendo gerado um laudo pericial que atesta a materialidade do delito. sendo este essencialmente prova pericial. p. (NUCCI. Para a descrição das espécies de perícias utilizaremos os conceitos apresentados por Fernando Capez. Conforme ensinamento de Fernando Capez: O termo “perícia”.CAPÍTULO 3 – CONCEITO. 2008. determinar a realização do exame de corpo de delito.400) É exigido para toda infração que deixa vestígios o exame do corpo de delito. exercido por especialista. (CAPEZ. podendo fazer afirmações ou extrair conclusões pertinentes ao processo penal. 3. sendo realizado de forma indireta quando os profissionais se servem de outros tipos de prova. artístico. avaliatório ou técnico. VII. Trata-se de um meio de prova.400) No presente trabalho apresentaremos um tipo de exame de corpo de delito direto que é o fornecido pela coleta de impressões digitais nos locais de crime. acerca de fatos necessários ao deslinde da causa. Trata-se de um juízo de valoração científico. ESPÉCIES E IMPORTÂNCIA DAS PERÍCIAS NO PROCESSO PENAL 3.400) Quando ocorre uma infração penal que deixa vestígios materiais. (NUCCI. 2008. p. dotada de formação e conhecimentos técnicos específicos. 2008. tão logo tenha conhecimento da sua prática. (NUCCI. . p. CPP. originário do latim peritia (habilidade especial). deve a autoridade policial.1 – Conceito de perícia. em regra profissional. a) Perícia “deducendi”: verifica-se na situação em que o perito é chamado para interpretar ou apreciar cientificamente um fato. 2011. com o propósito de prestar auxílio ao magistrado em questões fora de sua área de conhecimento profissional. este laudo produzido de forma direta é feito pela verificação pessoal dos peritos.2 – Espécies de Perícia. é um meio de prova que consiste em um exame elaborado por pessoa. p.389) Guilherme de Souza Nucci conceitua perícia como: O exame de algo ou de alguém realizado por técnicos ou especialistas em determinados assuntos. conforme o previsto no artigo 6º.

Sobre a coleta de indícios esclarece: De nada. a verificação de que o fato seja ou não uma infração penal. não sendo o magistrado especialista em todas as áreas do saber. que é aquela realizada por peritos particulares. o que exige. estando este sujeito à disciplina judiciária. ou de pouco valeriam. em caso positivo. toda vez que inexistirem no local peritos oficiais. realmente. 3. na ocasião ulterior da instrução e do julgamento do processo criminal. a perpetuação desta pelos meios adequados. ou seja. justamente pelo tratamento dado por nossa legislação à figura do perito. com o intuito de assegurar a idoneidade e autenticidade deste material judicialmente. De sorte que. f) Perícia oficial: é aquela elaborada por um técnico ou profissional integrante dos quadros funcionais do Estado. se não forem tomadas as precauções devidas no sentido de fixar permanentemente.3 – Importância das perícias no processo penal O exame pericial procedido por pessoas que tenham conhecimentos técnicos. A perícia somente poderá ser rejeitada pelo juiz nos casos provados de erro ou dolo. O juiz tem liberdade de aceitar ou não o laudo. (TÁVORA. e) Perícia liberatória: despoja o magistrado nesses casos de maior liberdade quanto à opinião exarada pelo perito. A prova pericial assume papel de destaque na persecução penal. quando não efêmeros por natureza. perpetuar os indivíduos constatados para que futuramente possam ser apresentados como prova.b) Perícia intrínseca: assim será toda vez que tiver por objeto a materialidade da infração penal. Por exemplo: exame dos móveis destruídos pelo agente. 372) Para Tavares Júnior (1991). caracterizar e se possível estabelecer a modalidade de como este se apresenta. os resultados dos exames levados a cabo. d) Perícia vinculatória: verifica-se nos casos em que o juiz fica adstrito à conclusão do perito. vale-se dos peritos para auxiliá-lo. pois. identificando o autor ou autores. que não compõem a sua materialidade. máxime tendo-se em vista que muitos vestígios importantes estão sujeitos a deterioração ou são facilmente destrutíveis. seja na forma simples ou qualificada. Afinal. Em contraposição à perícia oficial. científicos ou domínio específico em determinada área do conhecimento. se a prova material oportunamente coligida não pudesse ser. mas que servem como meio de prova. p. sendo o adotado pelo Código de Processo Penal (artigo 182). exibi-los como eloqüentes testemunhas . não será possível. antes de matar a vítima. É o sistema decorrente do princípio do livre convencimento. c) Perícia extrínseca: quando tem por objeto elementos externos ao crime. sem poder efetuar qualquer juízo de valor sobre aquilo que foi examinado. poderá aceitar ou não a avaliação do perito. autenticando e legalizando tais indícios perpetuados ou colhidos. tem-se a perícia não oficial. 2010. mais tarde. as finalidades essenciais da realização da perícia nos locais de crime são. Exemplo: necropsia. apresentada objetiva e concludente à Justiça.

a qual pretendemos demonstrar sua importância nos locais de crime. para que.mudas já da infração. para a realização dos laudos. condições de aplicar apenas aos verdadeiros autores dos delitos investigados. transformando-se em prova para que em análise no âmbito processual sirva de esteio para a busca da justiça. Após tais investigações a autoridade policial leva ao conhecimento do Poder Judiciário. através da confecção do laudo papiloscópico. (TAVARES. Entretanto para garantir a materialidade do delito o inquérito policial pode apresentar algumas espécies de perícias. já da identidade do autor ou autores desta. 288) 3. 1991. a qual passará a constituir os fundamentos para a conclusão do inquérito pericial. assim como a perícia papiloscópica. através do processo criminal. indicando qual o suposto autor. através do inquérito policial. revelação e levantamento das impressões papilares (digitais. palmares e plantares) para posterior confrontação dessas impressões com as de suspeitos de serem autores de delitos. que em sua maioria necessita do estudo de profissionais das diversas áreas do conhecimento. como forma de subsidiar os inquéritos policiai. As atividades dos peritos papiloscopistas em local de crime consistem na localização.A importância da perícia papiloscópica no inquérito policial Não se pode negar a importância das perícias na investigação criminal. invocando-lhe a tutela jurisdicional para dar início ao processo judicial. p. subsidiarem a investigação criminal na captura destes suspeitos e embasar o inquérito policial com uma prova técnica-científica que venha propiciar à autoridade judiciária. apud. RABELO. A atividade pericial do nosso cotidiano é muito abrangente e oferece inúmeras possibilidades de análise.4 . tornando-se prova incontestável da presença de qualquer pessoa no local onde suas impressões digitais forem localizadas.287. se realmente ocorreu à transgressão. Primeiramente cabe a polícia judiciária tomar conhecimento através das investigações se houve ou não violação da norma e quem fora o autor do delito investigado. .

Os primeiros processos de identificação estavam mais ligados a determinação de propriedade sobre animais. essas características comuns de cada grupo denominam-se semelhanças. o homem sentiu a necessidade de identificar as pessoas ditas como nocivas à sociedade. 2008. Conceito: é o conjunto de caracteres próprios e exclusivos. (BRITO. o homem sempre buscou ao longo da história formas de se identificar. cruéis e degradantes foram utilizados. individuais. como é o caso do ferrete.4) A história da identificação do homem é estudada e contada por historiadores. Posteriormente. que diferenciam pessoas. escravos e objetos. Assim o homem procurou um nexo de identidade entre a pessoa física e a pessoa jurídica. Assim vários métodos bárbaros. Em alusão ao tema. Alexandre Brito traz tal distinção da seguinte maneira: Identidade:etimologicamente a palavra identidade significa aquilo que é idêntico. É o processo ou conjunto de processos destinados a estabelecer a identidade de uma pessoa. Não há seres iguais. arqueólogos e exploradores que estudam a vida animal sobre a terra. animais e coisas entre si. na face ou nas espáduas. contudo antecedente ao desenvolvimento histórico torna-se necessário estabelecer a distinção entre identidade e identificação. Identificação: surgiu em decorrência da necessidade de aproveitamento dos caracteres individualizadores de uma pessoa ou coisa. utilizado em vários países. se restringirá à identificação humana. DIVISÃO E PRINCÍPIOS DA PAPILOSCOPIA 4.CAPÍTULO 4 – HISTÓRICO. com a finalidade de identificar criminosos. Porém. para a fixação de sua respectiva identidade. a fim de se poder estabelecer a respectiva identidade. OBJETIVO. sua função estava diretamente ligados a fins cíveis e não penais. da mutilação e da tatuagem. Pessoas. todos possuem caracteres próprios. que os tornam diferentes dos demais integrantes do mesmo grupo. Conceito: é o processo ou conjunto de processos destinados a colher os caracteres individualizadores. e sim semelhantes.Histórico da identificação humana Antes de adentrarmos no tema do trabalho de pesquisa faz-se necessária uma introdução histórica para que assim possamos entender o concito e a evolução da ciência papiloscópica.1 . que Clemil Araújo vem assim relatando: Processo ferrete consiste na marcação com ferro incandescente na fronte. p. Nossa preocupação. ou seja. procurando um sinal que pudesse distinguir uma coisa da outra. animais e coisas possuem caracteres comuns que os incluem em determinados grupos comuns. Apesar de viver em sociedade. de modo que cada um fosse reconhecido pela .

(ARAÚJO. de convicção de dados seguros. Entretanto. por acompanhar o indivíduo desde o nascimento até depois da morte.2009. Esse processo tinha como finalidade identificar o autor do delito e reprimir o crime. sendo ele intangível. devido à existência de homônimos. Contudo. O órgão mutilado variava de acordo com o crime e com as leis do país que a adotavam como processo de identificação. Vale a pena ressaltar que Bentham pretendia aplicar a tatuagem não só à identificação criminal como também à civil. Heródopo informava que os tebanos prisioneiros eram marcados na fronte com o nome e as armas do rei.3) Com o passar dos tempos.Contudo estes processos por si só. ampliou-se a necessidade de identificação das pessoas. Os métodos de identificação descritos até o momento apesar de possuir sua importância na história. não estavam baseados em métodos científicos. A mutilação consistia na mutilação de órgãos essenciais de criminosos. passou a ser um método importante de identificação de criminoso. A tatuagem foi oficialmente proposta como método de identificação em 1832. uma vez que os criminosos em alguns casos alteram os seus traços fisionômicos.Assim a fotografia ainda é muito importante mas. Com um duplo objetivo: punir e identificar. pés mãos e. porém. inseparável e imutável na maioria dos casos. para a pessoa torna-se o mais importante elemento para o direito. até mesmo. não obteve aceitação social. sendo utilizados até hoje como é o caso da utilização do nome e da fotografia.correspondência das figuras ou letras. não garantem a individualização de uma pessoa. p. principalmente nos grandes centros onde se buscava sobretudo uma identificação fácil e segura. pois as mutilações poderiam ser adquiridas em aciden- . garantindo ao homem moderno a realização de negócios. a castração. tais como dedos. A fotografia. sendo utilizado atualmente como acessório a outros processos de identificação. determinando o tipo de crime cometido.mas apesar do sucesso inicial não surtiu os efeitos esperados. pelo jurisconsulto e filósofo inglês Jeremy Bentham. O nome é o mais importante método de identificação humano. impedindo dessa forma sua possível reintegração. Alguns processos de identificação vêm sendo utilizado ao longo da história. além de na atualidade estar suscetível a falseamentos por truques e técnicas especiais utilizados por computação. utilizada isoladamente torna-se em processo de identificação de pouca confiabilidade. A tatuagem era utilizada como forma de distinção por muitos povos da antiguidade como sinal de distinção. buscando cada vez mais a individualização de cada ser integrante da sociedade. bania o indivíduo da sociedade. pela impropriedade de sua aplicação. apesar de importante apresenta sua falha no sistema de identificação.

orgânico.6) Vários outros processos científicos de identificação foram utilizados até chegar no processo papiloscópico. sendo programado. estando seus ápices reproduzidos pelos relevos que se apresentam na epiderme. consistia no assinalamento das dimensões do esqueleto humano aliado ao assinalamento descrito ou retrato falado e marcas particulares. objetivo e divisão da papiloscopia “A papiloscopia é o resultado de um hibridismo Greco -latino (Papilla= papila e Skopêin = examinar)”.2008. este baseia-se no aproveitamento das impressões papilares para fins de identificação. metódico. o processo antropométrico. sistemático. Alexandre Brito elenca algumas características do reconhecimento científico da papiloscopia. 2008. que os cientistas aproveitaram para utilizá-la no processo de identificação. p. a ciência se desenvolveu de tal forma.21) Anda segundo Alexandre Brito: Papilas são pequenas saliências situadas na parte externa da derme. entre elas:  O conhecimento científico é privilégio de especialistas das diversas áreas das ciências. o sistema antropométrico foi adotado pela maioria das nações. Assim nos define Alexandre Brito: Processo antropométrico idealizado por Alphose Bertillon (França). Na segunda metade do século XIX. 2008. Tem forma de cone ligeiramente achatado ou curvo em seu vértice e variam em número.tes e as tatuagens poderiam ser facilmente alteradas ou retiradas do corpo. direção. rigoroso e objetivo. (BRITO. Representa uma ciência que se reveste de autoridade e respeitabilidade porque é fruto da concepção de especialistas que trilham os caminhos do conhecimento científico. (BRITO. entretanto seu predomínio até a definitiva comprovação da papiloscopia como cerne da ciência da identificação. 4.Conceito. Elas foram descobertas por Marcelo Malpighi (médico italiano) em 1664. (BRITO. . Ao que consta. assim surge o primeiro processo científico de identificação humana.2 . crítico.21) Ela possui o conceito de ser a ciência que trata da identificação humana por meio das papilas dérmicas.p.p. dimensão e forma.

(ARAÚJO. o que provoca um suor excessivo. Demonstra a experiência como o primeiro passo ou estágio inicial de um longo processo de pesquisa.    Nasce da dúvida e se consolida na certeza das leis demonstradas. inundando assim as cristas papilares. Atualmente ganhou novo impulso com os Sistemas Automáticos de impressões Digitais. Estuda a constituição íntima das coisas e suas causas.1991.p. Na atualidade a papiloscopia vem sendo utilizada como um suporte de elucidação de crimes. Segundo Clemil Araújo: A datiloscopia foi a primeira área da papiloscopia a ser estudada e utilizada. Graças à variação classificação dos padrões nos dez dedos foi possível a criação de grandes arquivos de impressões digitais.21) A papiloscopia entre outras aplicações é utilizada para estabelecer a identidade entre as pessoas. procurando as relações entre os componentes do fenômeno para enunciar as leis gerais e constantes que regem estas relações. palmares e plantares. Estas ao serem tocadas em algum objeto localizado no local de crime.2008. Conforme estabelece Clemil Araújo: . e. pois como define Tavares Júnior: Quando um delinqüente age. Finalmente.5) Quiroscopia o processo de identificação por meio das impressões palmares. resultando de complexas análises e sínteses. em regra produzido pelos órgãos de polícia dos estados. ou seja das palmas das mãos.59) Desta forma a papiloscopia está dividida em: Datiloscopia que é o processo de identificação por meio das impressões digitais (daktilos= dedos e skopêin= examinar). visando à identificação humana através das impressões digitais. Sua função de subsidiar os inquéritos policiais como mais um tipo de prova. possibilitando o seu emprego na expedição de carteiras de identidade. estabelece leis válidas para todos os casos da mesma espécie. (TAVARES JÚNIOR. reproduzem com perfeição os desenhos digitais. identificação de criminosos e identificação dos cidadãos em geral. está menos sujeito ao erro nas deduções e prognósticos. ele fica sob forte tensão psíquica. com a emissão do RG (Registro Geral). que venham a ocorrer nas mesmas condições. por isso. 2009.transformando-se em impressões digitais.p. se dá devido ao levantamento de impressões digitais colhidas no local de crime.p. (BRITO.

A quiroscopia é utilizada mais como uma forma de ampliar as possibilidades de identificação criminal. Os desenhos aumentam de tamanho durante o crescimento do corpo humano.5) 4. as plantas dos pés. ou seja.3 . p. 2009. (ARAÚJO. O desenho papilar observado em um recém-nascido permanece até a sua velhice. porém. A polícia não tem tradição de manter arquivos podoscópicos. Atualmente volta-se o interesse em coletar impressões palmares a fim de auxiliar nas investigações policiais. Variabilidade é a propriedade que tem os desenhos papilares de não se repetirem. como se fosse uma ampliação fotográfica. Nas maternidades colhem-se as impressões plantares dos bebês com a digital da mãe. (ARAÚJO. variando. entretanto as demais áreas permanecem inalteradas. A cicatriz.5) Podoscopia identificação por meio das impressões plantares.p. elas podem ser encontradas nos primatas. bem como pode-se obter impressões nos focinhos dos animais. eles mantém constante as características que permite identificá-las. por isso pode ser utilizada como uma característica a mais das impressões papilares. portanto. em razão das dificuldades operacionais de identificação dos mesmos. Não há possibilidade de se encontrar dois desenhos papilares idênticos. perenidade e imutabilidade. p. . 2009. eventualmente papiloscopistas realizam identificação de suspeitos que deixam impressões plantares em locais de crime. Sobre o assunto preceitua Clemil Araújo: A aplicação da podoscopia ficou consagrada na identificação de recém nascidos. Imutabilidade é a propriedade que tem os desenhos papilares de não mudarem a sua forma original. (ARAÚJO. Perenidade é a propriedade que tem os desenhos papilares definidos desde a vida intra-uterina até a completa putrefação cadavérica. Em todos eles os desenhos papilares apresentam as seguintes propriedades: variabilidade. Sobre o assunto Clemil Araújo conceitua cada um deles. com a única diferença do aumento de tamanho. pois é freqüente encontrar-se fragmentos de impressões palmares em locais de crime.06) Contudo os desenhos papilares não são indestrutíveis. uma vez estabelecida ali permanece. porém. com objetivo de serem utilizados sempre que houver desaparecimento ou suspeitas de troca de bebês. desde o seu surgimento até a completa decomposição cadavérica.Princípios que regem a papiloscopia Os desenhos papilares não se restringem aos seres humanos. de região para região papilar e de pessoa para pessoa. 2009. nem mesmo em uma mesma pessoa. por isso lesões profundas provocam surgimento de cicatrizes.

Lei nº12. CF. poderá ocorrer identificação criminal quando: I – o documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação. O Estado pelos seus órgãos prevê a tutela do direito subjetivo. (BRASIL. III . As cópias dos documentos apresentados deverão ser juntadas aos autos do inquérito. se possível e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes. 2010). ou outra forma de investigação. aplicando o direito objetivo a uma situação concreta Conforme Alvaro Codeço e Flávio Amaral: . regulamentando o art. da Constituição Federal) Sem dúvida que de todos os sistemas de identificação (civil ou criminal) um dos mais seguros e mais utilizados é a identificação papiloscópica. IV . (BRASIL. a guarda e a recuperação de todos os dados e informações necessárias para estabelecer a identidade do acusado.4. (GRECO. VIII: “ordenar a identificação do indiciado pelo processo dactiloscópico. de 1º outubro de 2009.037/2009. com informações conflitantes entre si. além de ser o de custo mais baixo. segundo despacho da autoridade judiciária competente.4 – A identificação criminal no ordenamento jurídico brasileiro.o estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do documento apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais. salvo nas hipóteses previstas em lei. inciso LVII. V .o indiciado portar documentos de identidade distintos. que decidirá de ofício ou mediante representação da autoridade policial. Tais hipóteses estão regulamentadas no artigo 3º da lei 12. Artigo 3º Embora apresentado documento de identificação. que o civilmente identificado não será criminalmente identificado não será criminalmente identificado.constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações. 2010). ainda que consideradas insuficientes para identificar o indiciado.a identificação criminal for essencial às investigações policiais. CPP. do Ministério Público ou da defesa.037. Parágrafo único.” (BRASIL. significa o registro. Assim a identificação criminal tem como fim precípuo promover a identificação do indiciado em inquérito policial.5º. VI . Dispõe sobre identificação criminal do civilmente identificado. inciso LVIII. 2010. por força do Código de Processo Penal (CPP) quando estabelece em seu artigo 6º. Para Rogério Greco a identificação criminal no contexto constitucional. p. II – o documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado. 43) Convém observar que a Carta Magna cria restrições à identificação criminal quando afirma em seu artigo 5º.

a vida.1992. Art. a liberdade. não podendo ser processado criminalmente. CP. Entretanto apenas pelo método de identificação papiloscópica é que se poderá ter a certeza absoluta sobre a identidade do acusado. impondo o equilíbrio na ordem social. porém.Através de normas coercitivas o Estado–Administração mantém obediência de todos. ou outras qualificações não poderá retardar a ação penal. por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado. ao tempo da ação ou omissão. tatuagens.. A legislação brasileira não possibilita que seja imputado a um menor de 18 anos qualquer tipo de delito. já decidiu que não constitui constrangimento ilegal e não ser . CP. mas a impossibilidade de identificação do acusado com seu nome verdadeiro. Faz-se necessário. garantindo a paz. pressupostos subjetivos e relativos que estão elencados no Código Penal (CP). Contudo um menor de 18 anos possui capacidade processual civil por ser sujeito de direito e obrigações. (BRASIL. (CODEÇO. uma vez que o descumprimento dessas normas obriga de imediato. AMARAL. etc. uma ação repressiva e acarreta a aplicação de sanção prevista para cada caso. não possui capacidade processual penal.2009) Portanto. a propriedade. Como afirmam Alvaro Codeço e Flavio Amaral: “O Supremo Tribunal Federal. em diversos Acórdãos.2009) Entretanto. cicatrizes. podendo a individualização desse suspeito ser realizada através de métodos simples como apelidos. Art. vulgo. o direito de ir e vir etc.26 É isento de pena o agente que. A responsabilidade criminal é uma conseqüência da conduta do indivíduo considerado pessoa natural. A capacidade processual consiste em realizar com eficácia atos processuais cabíveis às partes. além dos pressupostos objetivos. era. que poderá ser civil. a simples condição de ser humano maior de 18 anos não é o bastante para definir a existência de tal capacidade processual. somente o homem mentalmente são e maior de 18 anos pode ser indiciado. administrativo ou criminal conforme infração cometida. p.77) O fato punível é a conduta humana que além de ser reprovada pela sociedade é tipificada em nosso Código Penal (CP).23 “Os menores de dezoito anos são penalmente inimputáveis ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial” (BRASIL. cabendo a este apenas medidas sócio-educativas. retrato falado. inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

4. das impressões ou fragmentos papilares visando a elucidação do delito” (CODEÇO.4) Segundo conceitua Álvaro Codeço e Flavio Amaral: “A perícia papiloscópica em local de crime é feita através do estudo detalhado e minucioso do local. p. O perito deve comparecer sempre que o correr um delito e for solicitado pela autoridade policial. Tal necessidade está diretamente ligada ao Princípio da Verdade Real. graxas. das peças encontradas. corantes. O principal papel do perito papiloscopista em local de crime é viabilizar após a coleta das digitais a identificação das pessoas que estiveram no local. e que exija as providências da polícia” (BRITO. que irão determinar a identidade do indivíduo que esteve no local de crime.81) A obrigatoriedade de identificar o indiciado no processo penal visa entregar a justiça o verdadeiro imputado. apurar fatos reincidentes e confirmações sobre os dados de qualificação. p. culpado ou não. dentre elas o delinqüente.244) Em seu cotidiano o homem emprega as mãos e os pés em qualquer atividade que exerça. 1992. Apesar de especialistas afirmarem que por meio das impressões papilares qual . poeira ou lama deixados sobre qualquer superfície. ou “local de crime é toda área onde tenha ocorrido um fato que assuma a configuração de um delito. AMARAL. realizando a perícia papiloscópica de acordo com cada local. 2008.vexatório o ato de identificar pelo processo dactiloscópico . porque nele podemos encontrar elementos necessários para a elucidação do caso.p. latente ou modelada a sua marca individual. As manchas produzidas por suor e gorduras. A identificação criminal pelo processo dactiloscópico visa também obter informações seguras relativas aos antecedentes criminais. AMARAL. até mesmo dados que poderão levar ao criminoso. mãos e pés reproduzem fielmente os sinais individualizadores. O levantamento das impressões é feito em todos os casos em que se possa aproveitálo para constatação de identidade de um criminoso. e nela deixa gravada em forma visível.” (CODEÇO. sangue.5 – A papiloscopia em local de crime O local de crime é de grande importância na investigação criminal. pelo contato dos dedos. 1992.

288) Assim. seja na forma simples ou qualificada. o que exige. ou de pouco valeriam. De sorte que. exibi-los como eloqüentes testemunhas mudas já da infração. com o intuito de assegurar a idoneidade e autenticidade deste material judicialmente. saúde. entende-se o porquê de se dever manter preservados os locais de crime intactos até a chegada da perícia. mas também de aplicações de políticas públicas que supram as necessidades básicas da sociedade.287. identificando o autor ou autores. em caso positivo. 4. perpetuar os indivíduos constatados para que futuramente possam ser apresentados como prova. pois.6. Sobre a coleta de indícios esclarece: De nada. os resultados dos exames levados a cabo. mais tarde. àquela produzida através da coleta de fragmentos de impressões papilares colhidas no local do delito. se não forem tomadas as precauções devidas no sentido de fixar permanentemente. apud. RABELO. apresentada objetiva e concludente à Justiça. as finalidades essenciais da realização da perícia nos locais de crime são. a perpetuação desta pelos meios adequados.Identificação criminal O enfrentamento da violência não se resume ao trabalho da polícia. A violência ganha dimensões de difícil mensuração. habitação e segurança. se a prova material oportunamente coligida não pudesse ser. pois tudo aquilo que venha . quando não efêmeros por natureza. esta não é uma prova que deva ser analisada isoladamente. fazendo-se necessária a realização de investigações complementares para que se possa estabelecer o vínculo dos objetos encontrados no local de crime com o suspeito. máxime tendo-se em vista que muitos vestígios importantes estão sujeitos a deterioração ou são facilmente destrutíveis. tais como educação. já da identidade do autor ou autores desta. p.pessoa esteve no local do crime. Para Tavares Júnior (1991). autenticando e legalizando tais indícios perpetuados ou colhidos. na ocasião ulterior da instrução e do julgamento do processo criminal. (TAVARES. não será possível. caracterizar e se possível estabelecer a modalidade de como este se apresenta. 1991. realmente. Pois só após analise em conjunto das provas é que o responsável pelo inquérito policial terá de forma concreta uma prova irrefutável. a verificação de que o fato seja ou não uma infração penal. pois apenas com a perícia papiloscópica não podemos afirmar que a presença do suspeito tenha sido fabricada ou não.

não podendo supri-lo a confissão do acusado. também estabelece o Código de Processo Penal (CPP) em seu artigo 159 “Quando a infração deixar vestígios. são tipos de violência. inciso VIII que: Art. também serve como meio de prova colocado a disposição de pessoas inocentes. Contudo o ser humano não pode perder a capacidade de indignar-se diante de um crime.” (BRASIL. e a mais ninguém além dele.2009). permitindo que seja imposto àquele sujeito. possibilitando o conhecimento ou a confirmação de sua identidade. em seu artigo 6º. 6º. entre outras. quando houver equívoco de identidade. o desemprego. 2009). Visando alcançar a Verdade Real. .2008. se possível. e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes. será indispensável o exame de corpo de delito. CPP. Na identificação criminal não é facultada ao acusado a livre vontade em identificar-se. a contrário senso. Assim o Código de Processo Penal (CPP). mesmo que ele seja decorrente da falta de políticas públicas no País. Segundo Alexandre Brito: A identificação criminal faz-se necessária para a realização de um eventual confronto com a impressão ou impressões de algum ou alguns suspeitos. as sanções decorrentes do crime praticado. CPP.p. Em decorrência da necessidade de imputar ao criminoso o delito por ele cometido é que se faz necessária a identificação criminal. Assim realidades como a fome. direto ou indireto. ela é feita por imposição legal. para que possam demonstrar que não são as verdadeiras autoras das infrações penais. Porém a Constituição Federal Brasileira limitou a identificação criminal somente àqueles que não forem civilmente identificados.3) Assim conclui-se que a identificação criminal papiloscópica. ( BRITO.” (BRASIL. VII – “ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico.a limitar o desenvolvimento das potencialidades humanas constitui um tipo de violência.

para que através de nosso ordenamento jurídico se realize a justiça. mais uma vez os peritos papiloscopistas realizaram um trabalho de suma importância na identificação dos corpos das vítimas. com a cooperação de diversas entidades nacionais e internacionais e após intensas e incansáveis buscas. apesar de possuir sua importância esta prova pericial deve ser analisada e visualizada dentro do conjunto probatório e satisfatórios. inserindo as . desaparecendo sobre o Oceano Atlântico. Os peritos papiloscopistas realizaram a coleta das impressões digitais dos corpos.CAPÍTULO 5 – CASOS CONCRETOS EM QUE A PERÍCIA PAPILOSCÓPICA FOI RELEVANTE PARA A ELUCIDAÇÃO DOS FATOS Como já fora relatado anteriormente. promovendo a reconstituição das papilas dérmicas decompostas em decorrência do tempo gasto para a localização e resgate dos corpos. odonto-legistas e peritos criminais especialistas em DNA. Dentro deste conceito é que trazemos dois casos nos quais a perícia papiloscópica demonstra sua importância como prova pericial. Uma gigantesca força-tarefa fora montada. subsidiando inquérito policial e por conseqüência o processo penal com o intuito da busca da Verdade Real dos fatos. Durante o episódio. A imprensa deu grande destaque à busca pelos corpos e à expectativa dos familiares. a mais uma grande tragédia da aviação. sendo 58 passageiros e um tripulante brasileiro. atuando em conjunto com os demais peritos oficiais. foram resgatados 50 corpos e parte dos destroços da aeronave. médicos-legistas.1 – A importância da papiloscopia no acidente do Air France 447 O mundo assistiu em maio de 2009. que aplicada em conjunto com outras áreas do conhecimento se pode chegar a resultados incontestáveis 5. obtiveram um excelente resultado: todos os 50 corpos encontrados foram identificados pela equipe. o desastre vitimou 228 pessoas. a perícia papiloscópica é de fundamental importância uma vez que determina de maneira irrefutável a quem pertence aquelas impressões digitais coletadas. O vôo 447 da Air France decolou do Rio de Janeiro na noite do dia 31 de maio de 2009 em direção a Paris. seja ela em local de acidentes ou em locais de crime. Contudo a papiloscopia não se apresenta como prova isolada.. Papiloscopistas da Polícia Federal e da Polícia Civil de Pernambuco.

(ARAÚJO. Após a coleta. quando os corpos foram rapidamente localizados e ainda mantinham suas impressões digitais bem preservadas. foram necessárias a utilização de técnicas específicas de reconstrução dos tecidos papilares de coleta.2010. O método utilizado pelo AFIS.14) Ainda sobre o avançado sistema de identificação esclarece Clemil José de Araújo: As pesquisas tiveram início na década de 60. dos Peritos Papiloscopistas. uma vez que a grande maioria das impressões foram coletadas na derme. um dos mais modernos do mundo. atualmente o sistema já foi implantado nas polícias civis dos Estados da Federação. promover sua ampla utilização e potencializar as vantagens inerentes à identificação papiloscópica. além de um programa que trate a imagem capturada e faça o reconhecimento da digital. colhidos em visita ao Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB) no dia 19/04/2011. sendo realizado inicialmente o .impressões coletadas no Sistema AFIS (Sistema Automatizado de Identificação de Impressões Digitais). Em Pernambuco o AFIS vem sendo utilizado desde 2009. papiloscopista policial federal: O Sistema Automatizado de Identificação de Impressões Digitais (Automated Fingerprit Identification System – AFIS). p. une a papiloscopia à informática de forma a agilizar o processo de identificação. como já fora supracitado. e obtendo a rápida identificação das inúmeras vítimas e com resultados extremamente precisos. nos Estados Unidos da América e rapidamente o sistema foi difundido e adotado internacionalmente. o que ocorreu no Air France 447. requer um scanner capaz de capturar. da Polícia Civil de Pernambuco. camada abaixo da epiderme. Sobre o sistema AFIS (Sistema Automatizadode Identificação de Impressões Digitais) preceitua Clemil José de Araújo.p. que no Brasil foi instalado inicialmente nas Superintendências da Polícia Federal. Conforme os relatos. as impressões eram inseridas no AFIS.(ARAÚJO. que fizeram parte da equipe de peritos designada para identificação das vítimas. o longo período até sua localização tornou o trabalho pericial ainda mais difícil. com um bom grau de precisão.15) Diferentemente da tragédia ocorrida com o avião da GOL sobre o Estado brasileiro do Mato Grosso. os traços que definem a impressão dos dedos. 2010.

já constavam no banco de dados. Segundo arquivo publicado na Revista Impressões de outubro de 2010. não sendo considerados aptos pela INTERPOL para se identificar a identidade de um corpo. servindo apenas de indicativos para a investigação pericial. todas as impressões dos passageiros brasileiros.19) Em países como Alemanha e Inglaterra. A equipe que formava a força-tarefa. visando tornar mais célere a identificação criminal em âmbito nacional. Vale salientar que foi de fundamental importância para a identificação dos corpos encontrados. 2010. Segundo relato dos peritos papiloscopistas do Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB). e supervisão da Polícia Federal. em outubro de 2009. por intermédio da INTERPOL. a odontologia ou o DNA. em entrevista publicada na revista Impressões. a papiloscopia também trouxe uma economia significativa em relação a realização de exames de DNA. permitindo uma identificação mais rápida e segura. tatuagens e marcas cirúrgicas são indicadas como método secundário. já que quando coletadas as impressões dos corpos e inseridas no AFIS. impressões padrões para possibilitar a perícia papiloscópica solicitada pelo Departamento da Polícia Federal aos diversos países envolvidos. para atestar a identidade de uma vítima. como a papiloscopia. onde levantaram fragmentos de impressões digitais deixados por eles nos móveis e utensílios da casa. em fornecerem os padrões datiloscópicos a partir dos prontuários civis das vítimas. na tentativa de encontrar padrões para comparação. (SOUZA. Desta forma. cicatrizes. publicada pela ABRAPOL (Associação Brasileira dos Papiloscopistas Policiais Federal) Por se tratar de um acidente com repercussão internacional. pois a cada corpo localizado e identificado os médicos legistas de posse de uma identificação prévia. sob a responsabilidade do Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB). a disponibilidade e a eficácia dos Institutos de Identificação dos estados do Brasil. acessórios. documentos. relata ainda que os resultados obtidos com auxílio da papiloscopia seriam ainda melhores se os países estrangeiros tivessem enviado.cadastramento criminal. DVI Guide – Disaster Victim Identification. a localização de pertences pessoais como roupas. peritos papiloscopistas chegaram a ir até a residência das vítimas. já sabia a qual família iria . p. exige pelo menos um dos métodos de identificação primários. fora utilizado o Manual da INTERPOL sobre a identificação de vítimas de desastres. com mais agilidade.

com o apoio da Polícia Federal. na tentativa de ajudar nas investigações. avaliado em R$ 1 milhão de reais. tiveram acesso à informações detalhadas da tela. por volta das 17:30 horas. do Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Olinda Pernambuco. tomaram um susto com o furto do quadro “O Enterro” do pintor renomado Cândido Portinari. publicado na revista Impressões em outubro de 2009. que tomou repercussão internacional. ao dispor de um moderno sistema AFIS. uma vez que sem tal informação deveria ser colhido material de 228 famílias. por uma funcionária do museu. As investigações ficaram a cargo da Delegacia de Roubo e Furtos da Polícia Civil de Pernambuco. Após o caso Air France AF 447. A imprensa deu grande destaque ao fato.solicitar material para realização do exame. 5. ficou amplamente demonstrado. o avanço do Brasil neste setor. os amantes da arte. tendo em vista o elevado padrão de qualidade apresentado e o reconhecimento da excelência da perícia papiloscópica em nível mundial. Conforme informações . chegando o quadro a entrar na lista de obras procuradas pela INTERPOL. bem como contar com excelentes profissionais nos quadros das polícias federal e dos estados da federação que vêm desenvolvendo um excelente trabalho nas diversas áreas de atuação da papiloscopia. Autoridades policiais de 188 países onde a organização atua. As informações relativas ao caso supracitado foram coletadas em visita realizada ao Instituto de Identificação Tavares Buril em 19/04/2011 e através de artigo denominado “Acidente da Air France abala o mundo”. para que por eliminação pudesse ser identificado qual família poderia realizar o sepultamento de seu ente querido vitimado naquela tragédia. O furto fora percebido no dia 14 de julho de 2010. Os laudos papiloscópicos elaborados pelos peritos papiloscopistas da Polícia Federal e da Polícia Civil de Pernambuco gozaram de larga aceitação junto às autoridades internacionais que acompanharam todos os procedimentos realizados. quando a moldura da obra caiu em cima dela. no momento em que ela fechava uma das janelas do MAC.2 –Perícia papiloscópica ajuda a localizar quadro roubado no Museu de Arte Contemporânea de Olinda-PE Em julho de 2010.

No furto envolvendo trabalho de Portinari. o suspeito teria tirado a tela e escondido a moldura por trás da janela. através da imprensa. No dia 16 de julho de 2010. Entre as pessoas que visitaram o MAC. as pessoas que visitaram o museu. para garantir a preservação do local de crime e aguardando as vistorias e liberação por parte dos peritos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB). mas não contava com câmeras de segurança. além dos funcionários presentes no dia do furto. para verificar se pertenciam a mesma pessoa ou não.veiculadas pela imprensa na época. em dezembro de 2007. o que dificultaria ainda mais as investigações criminais. ambos pertencentes a Polícia Científica de Pernambuco. localizaram fragmentos de impressões digitais na fita utilizada para colar a moldura do quadro na janela do museu. O Museu de Arte Contemporânea (MAC). Como já tivera sido identificadas. Conforme informações prestadas a imprensa na época o Delegado da Polícia Civil. da Delegacia de Roubos e Furtos esclareceu o porquê dessas pessoas tornarem-se especialmente suspeitos. o próximo passo seria classificar esses fragmentos de impressões digitais e classificá-los. Peritos Papiloscopistas do Instituto de Identificação Tavares Buril. quando esclareceu: A ação foi visivelmente realizada por uma quadrilha especializada em obras de artes. 17 pessoas assinaram o livro de visitas do museu na data que o furto fora percebido. estavam envolvidos integrantes do mesmo estado.Ainda segundo a FUNDARPE. permaneceu fechado por cerca de uma semana. Além disso eles foram os únicos que passaram um tempo considerável no andar superior. que já tinha pistas dos suspeitos do furto da obra denominada “O Enterro” de Portinari. Conforme dados coletados para a investigação policial. os peritos do Instituto de . três turistas do Rio Grande do Sul tornaram-se especialmente suspeitas. Manuel Martins. o museu contava com vigilância durante 24 horas.(FREITAS. de acordo com a FUNDARPE (Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco). no MASPE.2010) Após confrontos realizados com impressões das pessoas presentes no museu no dia 14 de julho de 2010 e os fragmentos localizados na fita adesiva utilizada para prender a moldurado quadro na janela do museu. a Polícia Civil de Pernambuco divulgou. sozinhos com a obra.

2) É notório o crescimento da perícia papiloscópica solicitada pelos chefes de polícia para integrarem o inquérito policial. de Cândido Portinari. a Polícia Civil de Pernambuco pôde traçar uma linha de investigação segura e no dia 31 de julho de 2010. 2010. As informações do caso em epígrafe fora fornecida pela ASPPAPE (Associação dos Peritos Papiloscopistas de Pernambuco) em visita realizada em 18/04/2011. conseguiram a identidade do dono das impressões digitais localizadas no local de crime. no momento em que era transportado por um homem de identidade não autorizada a revelar. A identidade do suspeito fora mantida em sigilo para não comprometer as investigações.” (ARAÚJO.Identificação Tavares Buril. p. o quadro “O Enterro”. “entende -se por perícia papiloscópica o conjunto de técnicas utilizadas na busca e no exame de impressões papilares com a finalidade de identificar as pessoas que as produziram. como forma de constituir mais um tipo de prova irrefutável. 5. Diante do caso relatado fica demonstramos mais uma vez a importância da perícia papiloscópica em locais de crime. . foi localizado e apreendido no Rio de Janeiro. ajudando a justiça em busca da Verdade Real dos fatos. tornandose prova irrefutável da presença do acusado no local ou objeto do delito.3 – Julgados pelos Tribunais que tiveram a perícia papiloscópica como prova Segundo definição de Clemil José Araújo. Desta forma tais laudos vêm também subsidiando o processo penal. e necessária ao inquérito policial e por conseqüência ao processo penal. De posse da identificação do principal suspeito do furto. no bairro de Copacabana na zona sul do Rio. em uma operação conjunta entre as polícias Feral e Civil de Pernambuco. e em análise com as demais provas apresentadas fortalece o posicionamento do ilustre representante do Ministério Público. seja para acusar ou pedir a absolvição do acusado. tal fato se dá em decorrência de que os profissionais desta área vêm desenvolvendo excelentes resultados com os levantamentos e confrontos de fragmentos de impressões digitais coletadas principalmente em locais de crime.

em circunstâncias semelhantes.1 . Autoria duvidosa. mas pessoa que portava seus documentos. é que se faz mister apresentar alguns desses julgados. 2ª Turma Criminal. Os julgados apresentados estão disponíveis em sítio na rede mundial de computadores (APPEGO. ante o princípio in dubio pro reo. mantém algumas decisões judiciais fundamentadas em laudos pariciais papiloscópiscos. o reconhecimento do direito a uma justa indenização pelo erro judiciário.Erro judiciário .Assim. Meros indícios e presunções. (BRASIL. DJ 16/08/2005 p. O modus operandi constitui indício (CPP. Absolvição. art. . Insuficiência de provas. 71) Penal e processual penal. são insuficientes para sustentar o decreto condenatório. Processo penal. julgado em 25/04/2002. sobretudo quando as vítimas não reconheceram os réus absolvidos e a prova papiloscópica é afirmativa de que fragmentos do material colhido no local não foram produzidos por eles. por exames papiloscópicos. 1. (BRASIL. Sentença absolutória mantida. impõe-se a procedência do pedido para absolvê-lo. os quais objetivam a importância de tal perícia. onde o réu se encontrava.Condenação de pessoa diversa . comprovadamente roubados em data anterior. em razão de pedido expresso na inicial. 2ª Turma Criminal. (BRASIL. Unânime. julgado em 24/04/2003.3.Absolvição e reconhecimento do direito a uma justa indenização pelos prejuízos sofridos. 20000110200118APR. Relator Waldir Leôncio Junior. Furto qualificado.Documentos falsos . A falta de testemunho de alguém que tenha presenciado os fatos e a conclusão do Laudo Papiloscópico de que as impressões colhidas no local do crime não foram produzidas pelo réu deixam dúvidas sobre a autoria do delito. julgado em 18/05/2005. com o escopo de fortalecer o quem vem sendo descrito no presente trabalho. e do fato de o réu ter trabalhado para a vítima e sua família.Revisão criminal .Absolvição baseada em laudos papiloscópicos negativos A APPEGO (Associação dos Papiloscopistas Policiais do Estado de Goias). Meros indícios e presunções decorrentes do fato de a res furtiva ter sido encontrada em residência de terceiro. Relator Sérgio Bittencourt. Mostra-se temerária uma condenação baseada única e exclusivamente num reconhecimento de pessoa realizado um ano após o fato criminoso. Roubo. A constatação de que após as prisões dos réus novos crimes ocorreram na mesma região. Dúvida sobre a autoria do crime. Câmara Criminal. DJ 02/10/2002 p. bem como. Absolvição. Evidenciado. DJ 06/08/2003 p. 19990510036174APR. 2008) 5. 20050020015251RVC. Roubo. abala a confiabilidade desse indício. Prova duvidosa. 74) Penal. Processo penal . em seu site. 1399) Direito penal e processual penal. Absolvição dos réus. Relator Getulio Pinheiro. que não foi o requerente quem cometeu o crime. 239) a ser cotejado com provas consistentes. o que milita em favor do réu. Recurso conhecido e não provido.

Recurso a que se dá provimento para absolver o apelante com base no princípio in dubio pro reo.Apelos improvidos . 106) Penal e processo penal . Relator P. em especial. Digitais do agente no veículo da vítima.principalmente se essa prova é desmentida por laudo pericial atestando que os fragmentos digitais encontrados no veículo objeto de arrombamento não pertencem ao suspeito reconhecido na delegacia. deixou assinaladas no mesmo suas impressões digitais. Acórdão 139776. pois o conjunto probatório é harmônico a indicar que o acusado efetivamente participou da empreitada criminosa descrita na inicial. A vítima ouvida em juízo reconheceu expressamente o acusado. DJ 08/02/2006 p. esta prova merece crédito.A. 71/5 conclui que o fragmento de impressão digital colhido no veículo roubado pertence ao acusado dione kene.Pretendida absolvição . Acórdão 162881. ao tocar no veículo. 1ª Turma Criminal.2.Decisão unânime.DJU 27/06/2001 p. senão a que dos autos emerge. Julgado em 03/05/2001. receptador. DJU 13/11/2002 p. recurso conhecido e improvido. Negar provimento aos recursos nos termos do voto da relatora. O exame papiloscópico que identificou digitais do agente no veículo da vítima é elemento de prova precioso que não se pode desprezar.Roubo qualificado . com segurança e firmeza. Condenação mantida. (BRASIL.Apelo interposto pelos dois réus . julgado em 17/11/2005.Razões recursais distintas .(BRASIL. com utilização de arma de fogo e o meliante. Julgado em 15/08/2002. não há como se falar em insuficiência ou de precariedade de prova. Relator Edson Alfredo Smaniotto. fortalecerem a argumentação da acusação. Deve ser erigida à categoria de prova. Se as vítimas reconhecem os autores do roubo. a APPEGO (Associação dos Papiloscopistas Policiais do Estado de Goias) mantém em seu site os seguintes acórdãos: Penal: Roubo qualificado .Unânime.80) . Acórdão 176138 Relator: Lecir Manoel da Luz. Rosa de Farias. Parte da res furtiva em poder do agente.(BRASIL. e o laudo pericial acostado às fls. era o carro no qual estava a vítima quando foi rendido por um dos assaltantes.(BRASIL.Reconhecimento feito pela vítima .Fragmentos papiloscópicos pertencentes ao acusado . Remanescendo dúvida.Acórdãos sobre perícia papiloscópica. Como se vê.Alegada insuficiência de provas para embasar a condenação Autoria e materialidade comprovadas . 2. a delação do co-réu. Reconhecimento efetuado pelas vítimas. 3.como provas irrefutáveis Sobre a perícia papiloscópica analisada em conjunto com outras provas. principalmente quando assume a própria responsabilidade quanto ao ato praticado. Comprovadas a autoria e a materialidade do delito. a absolvição é medida que se impõe. Decisão: improver. 72) 5. 1ª Turma Criminal.128) Roubo.Pedidos idênticos . Prova robusta da autoria. Apelação Criminal 20020750007005APR DF. Julgado em 12/06/1003. Delação do receptador. á unanimidade. 20000110517344APR.3.Provas irrefutáveis de autoria Recurso conhecido e improvido. maxime inexistindo qualquer justificativa para o fato. Relator Carmelita Brasil. impõe-se a condenação pelo crime de roubo qualificado. pelo laudo de perícia papiloscópica. 1ª Turma Criminal. Conhecer e Prover o Recurso. diante da grave ameaça exercida pela arma de fogo e em concurso de agentes. Unânime. Apelação criminal 20000110411884PR DF. maxime quando se trata de reconhecimento realizado por mais de uma vítima.DJU 20/08/2003p.Apelação Criminal 20020110506409APR DF. qual seja. 1ªTurma Criminal.

permitem a indução de ser ele o autor do fato delituoso. DJU 28/09/2005 p. II . desconstituir a prova pericial. Apelação Criminal . Pena. neste caso. do código penal. 1ª Turma Criminal. Roubo circunstanciado. à época do fato. a autoria exsurge diante das provas testemunhal e técnica que apontam certeza da participação do agente na prática do roubo. ressalva do relator quanto à não-incidência dessa qualificadora. Apelação Criminal 20030110036929APR DF. Esta sim. encontradas no seu interior. mínimo legal. Rompimento de obstáculo. à unanimidade. de fato. 1. Julgado em 10/06/2005. são indícios veementes que. Dar provimento ao apelo. Julgado em 19/05/2005. Ademais. não encontrou respaldo nos ofícios dos diretores das penitenciárias. 2. Não se permite fixar a pena no mínimo legal. § 4º.Arrombamento da janela Prova pericial . Acórdão 220998. o autor do crime. 19990150042666APR.(BRASIL. Ainda que negada. Prova.1. incide a qualificadora do art. vez que o laudo pericial é uma prova técnica forte o suficiente para a elucidação dos crimes . Apelação criminal 20020110576913APR DF. 99) Tentativa de furto qualificado. DJ 25/10/2000 p. 2ª Turma Criminal.Fragmentos de impressões papiloscópicas colhidos no "locus delicti" .Alegação de insuficiência de prova de autoria ante a inexistência de testemunhas do fato -Improvimento. Apelação criminal 20020110834083APR DF. Acórdão 219936. este é consistente em apontar o réu como sendo. Inciso I. 155. Art. Apelação improvida.Direito penal.Os crimes de furto são. Fragmentos de impressões papiloscópicas do réu. seriam irrelevantes como prova do furto se estivessem na sua parte externa. Relator Getulio Pinheiro. prova forte a embasar um decreto condenatório. Relator Lecir Manoel da Luz. DJU 24/08/2005 p. em dar provimento ao recurso. aliado a outros elementos.Alegação de fragilidade do conjunto probatório . sendo a prova técnica. cometidos na ausência de espectadores.Condenação .Recurso improvido . no veículo da vítima. posto que negada por ele a autoria. 50) Penal. Julgado em 07/04/2005. (BRASIL. pelo reconhecimento feito pela vítima e demonstração no exame papiloscópico de ser do dedo indicador esquerdo o fragmento de impressão recolhido . Acórdão 224165. quando não elidida por outros meios probatórios. 2ª Turma Criminal. mormente se as digitais encontradas na casa casaram com as do apelante.Apelação . impõe-se a fixação da pena no mínimo legal. Por unanimidade. 81) Penal e processual penal . Relator Joazil M Gardes. de que nunca estivera naquela casa. Favoráveis ao réu todas as circunstâncias judiciais.122) Penal . a alegação do réu. em geral. assim. Oliveira. (BRASIL. § 2º. 2. inciso I do código penal.Digitais . porque se encontrava preso.condenação. Relator Romão C.Prova pericial .prova pericial . 155. suficiente para elucidar a autoria do fato típico.digitais . havendo impressão digital do apelado no automóvel que foi arrombado para a prática da subtração tem-se como presente indício veemente que permite a indução de ser ele o autor da infração.Furto de objetos do interior da casa . 2 ª Turma Criminal.A presença de impressões digitais do acusado dentro do veículo arrombado constitui seguro indício de ser ele o autor do delito . recurso ministerial . recurso provido. 3. (BRASIL. unânime. em juízo.(BRASIL. Julgado em 14/09/2000.Furto .1ª Turma Criminal. Comprovado por perícia que durante a tentativa de furto o veículo teve arrombada uma de suas portas. Prova testemunhal e técnica. Impressões papiloscópicas no interior do veículo da vítima.Unânime. Não conseguiu. DJU 31/08/2005 p. se as circunstâncias judiciais são desfavoráveis e presentes a reincidência e as qualificadoras do concurso de agentes e emprego de revólveres.Embora reduzido o acervo probatório. Autoria. I .

para efeitos penais. Exclusão da qualificadora. Relator Mario Machado. tendo em vista que as impressões digitais encontradas em objeto no interior da residência eram do réu. Relator Silvânio Barbosa dos Santos. ao reconhecimento da menoridade e. o recurso do acusado e provido o do MP. DJU 19/10/2005 p. 4 . Relator Jair Soares. Acórdão 225957. em conseqüência. DJU 26/04/2000 p.47) Embargos infringentes criminais . Embora escasso o conjunto probatório. 3) Tema pertinente à capacidade de pagamento de custas processuais deve ser objeto de apreciação perante juízo da execução. por demais grave. Inocorrência. fato corroborado pela prova pericial que constatou presença de fragmentos papiloscópicos deste no veículo daquela. reconhecer a atenuante respectiva. DJU 11/09/2002 p. Decote. DJU 18/02/2004 p. a condenação era de rigor. Pena-base. concluindo que as impressões. em poder dele. qualificadoras. Provas. Acréscimo. este é suficiente para apontar o réu como autor do delito. do art. autoriza a condenação. conclusiva em mostrar que impressões digitais do suspeito foram encontradas no veículo arrombado. fornecida pelo sistema nacional de informações criminais. Julgado em 31/08/2005.Digital . aliada à apreensão. Julgado em 13/06/2002. deve ser decotada a agravante da reincidência. 157.Certidão. o qual não soube explicar por que as mesmas ali estavam. contendo a data de nascimento do acusado. 580. é documento hábil. Prover o recurso do ministério público e prover parcialmente o da defesa. 1) Se a vítima vem reconhecer o réu como um dos autores do roubo. são provas seguras da autoria do roubo. 2) Verificando-se pelas certidões acostadas que todas as sentenças condenatórias proferidas contra o apelante transitaram em julgado posteriormente ao fato em apuração. 2 -. em parte. quando inerente à própria coisa subtraída. Acórdão 185156. Relator Natanael Caetano. o acréscimo correspondente não pode situar no mínimo legal de um terço. foram produzidas pelo dedo indicador direito do acusado. Acórdão 158548. A prova pericial. dado à prática do chamado "seqüestro relâmpago". (BRASIL. não podendo ser pouco acima do mínimo legal. (BRASIL. Apelação criminal 20010150064206APR DF. CPP). incluindo a do inciso V. Atenuante. incluindo condenações. Decisão unânime. Unânime. 21) Penal. Reincidência. (BRASIL. Custas processuais. Promover parcialmente a apelação para a redução da pena. máxime se nenhuma justificativa apresenta o réu para o fato de que fragmentos de impressões digitais suas foram encontradas na face interna do vidro lateral esquerdo. audacioso. Suficiência para a condenação. 3 -Tratando-se de acusado com folha penal vastíssima. Provimento parcial.Alegação de insuficiência de prova de autoria . Roubo duplamente qualificado. Prova pericial.Três as qualificadoras do roubo. 2. do § 2º.Prova pericial .Furto qualificado . 1. deixadas em um dos vidros do veículo subtraído. 84) Tentativa de furto de automóvel. Circunstâncias judiciais. a pena-base há de ser fixada em atenção a essas circunstâncias judiciais. Absolvição. Rompimento de obstáculo inerente à coisa. 5 -. Recurso do MP. Julgado em 06/11/2003. 1ª Turma criminal.Condenação Embargos rejeitados .19980110684914APR DF. O rompimento de obstáculo.Laudo pericial de exame papiloscópico.Maioria. posto que o laudo . Acórdão 124529. não qualifica o crime de furto de automóvel. Apelação criminal 20000110593662APR DF. Apelação criminal 200101111229252APR DF. Extensão ao comparsa não recorrente (art. do CP. A presença de impressões papiloscópicas do acusado no local do furto constitui seguro indício de ser ele o autor do delito.70) Roubo. 1 -. Julgado em 30/03/2000. 2ª Turma Criminal. justamente o que fora removido durante a ação furtiva. 1ª Turma Criminal. Prova robusta.Provido. de pasta com objetos pessoais da vítima.

a válida confissão de comparsa e o laudo de perícia papiloscópica. (BRASIL. Perícia papiloscópica. Alegação de coação não provada. Relator Edson Alfredo Smaniotto. Tentativa de latrocínio. Não merece guarida a alegação de que a confissão extrajudicial foi obtida mediante coação se o laudo de lesões corporais atesta inexistência de ofensa à integridade física e se não consta dos autos qualquer indicativo de ilegalidade do ato. a perfazer verdadeira co-autoria. Acórdão 213910. Julgado em 14/10/2004. 41) Penal. Furto qualificado pelo rompimento de obstáculo. Julgado em 04/03/2005. c/c o artigo 14. Certeza da autoria. Conhecer e improver o recurso. É apto e suficiente para a condenação um conjunto probatório em que concorrem a prova testemunhal e a pericial. colhidas no local e na data dos fatos. Acórdão 204157. Julgado em 02/06/2004. Acórdão 202139. Contradição. Retratação em juízo. Declarações da vítima. (BRASIL. esta última conclusiva ao mostrar que impressões digitais do suspeito foram encontradas no veículo arrombado. Latrocínio tentado (Artigo 157. (BRASIL. Confissão extrajudicial. Apelação criminal 20030110583898APR DF. § 3º. 1ª Turma criminal. Embargos Infringentes na apelação criminal 19980110684947EIR DF.Maioria. ambos do código penal). Apelação criminal 20020710175829APR DF. Relator Mario Machado. Reconhecimento de acusado pela vítima. Suficientes para a condenação as provas orais colhidas. DJU 02/02/2005 p. 39) Penal. que conclui pela coincidência das impressões digitais. Provas pericial e testemunhal. Relator Lecir Manoel da Luz. haja vista a relevância da conduta do agente para o desfecho favorável do crime.pericial é uma prova técnica forte o suficiente para elucidação dos crimes. flagrante a unidade de desígnios e a constituição de atos eficazes à concretização do ilícito.49) . Negar provimento. Autoria comprovada. Inexistência. Apelos desprovidos. inciso II. Câmara criminal. Confissão válida. Não há que se falar em participação de menor importância.Unânime. DJU 25/05/2005 p. 1ª Turma criminal. Impressões digitais coincidentes. com as dos acusados. quando não elidida por outros meios probatórios. DJU 04/11/2004 p.

não sendo–lhes imputado nenhum delito. sendo previsto para estes indivíduos medidas protetivas de segurança como forma de salvaguardar tanto o indivíduo como a sociedade. a papiloscopia pode determinar quais pessoas estiveram na sena do crime. cabendo para eles apenas medidas sócio-educativas. . por possuir este um universo maior de digitais dos indivíduos. Conforme vislumbrado no trabalho discorrido. auxiliando as investigações criminais e por conseqüência chegando ao verdadeiro criminoso em tempo hábil. pelo fato de que estes conforme estabelece nosso ordenamento jurídico são considerados inimputáveis. pois no tempo da ação ou omissão eram incapazes de entender o caráter ilícito de seu ato. contudo deve ser observado que esta não é uma prova a ser analisada isoladamente. conforme tal entendimento crianças e adolescentes não cometem crimes. os laudos oriundos das perícias papiloscópicas serão realizadas de forma mais célere. uma vez que havendo fragmentos de impressões digitais. recorrem aos arquivos de identificação civil gerados pelos institutos de identificação com a emissão do RG (Registro Geral). aumentando a possibilidade de identificação do suspeito. e não permitindo a identificação de menores em conflito com a lei. os peritos papiloscopistas para realizar a identificação dos suspeitos ao colherem os fragmentos de digitais em locais de crime.CONSIDERAÇÕES FINAIS O trabalho em epígrafe defende uma maior aplicação da perícia papiloscópica no âmbito do processo penal. limitando-a somente aqueles indivíduos que não forem civilmente identificados. demonstrando sua importância e a evolução de sua aplicabilidade não só no Estado de Pernambuco como também no Brasil. pois só a realização do estudo do conjunto probatório é que poderá ser avaliado em quais condições estas pessoas se fizeram presente no local do delito. Em decorrência de tais limitações. A aplicação da perícia papiloscópica em locais de crime é de suma importância. evitando a realização de novos delitos por parte dos delinqüentes. Da mesma forma que não é permito a identificação criminal de pessoas acometidas por distúrbios mentais. Assim com a implementação total do sistema AFIS (Sistema Automatizado de Identificação de Impressões Digitais). pois são conforme nosso ordenamento igualmente inimputáveis. fora demonstrado como a legislação brasileira estabelece a identificação criminal.

Desta forma entende-se que o principal interesse dos profissionais em papiloscopia é contribuir. dentro de sua esfera de atribuições. a realização de perícias incontestáveis da presença do criminoso no local do delito. levando a condenação os verdadeiros criminosos. . alcançando assim a justiça que deve ser sempre buscada pelo nosso ordenamento jurídico. dentre elas a atuação na revelação e coleta de fragmentos papilares em locais de crime.

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