A UNI RSIDAIJE DE E A FOR COIMB AO INTELECTU DAS ELITES * MI I S COLONIAIS
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Caio C. Boschi

complementação de estudos superiores ou ssim como em outras importantes fa­ cetas da vida colonial brasileira, o educacional vigente nos sé­ culos iniciais confunde-se com a atuação da Companhia de Jesus. Integrados à polftica colonizadora desde o momento em que 8 Coroa portuguesa decidiu a Conna de ocu­ par espacialmente sua possessão n a América, ao lado de sua atividade missio­ nária os jesuítas logo cuidaram de criar colégios em diversos centros urbanos. Essas escolas simbol izavam a dupla filO­ ção (religiosa e regalista) delegada aos ina­ cianos do território ultramarino: a evange­ lização do gentio e a educação dos colonos. Na segunda das atribuições, a responsabili­ dade não se esgotava no ensino das primei­ ras letras, estendendo-se a oulfos níveis: progressivamente, foram sendo fonnados, nos colégios jesuíticos, tanto religiosos (pa­ dres e te610gos) e civis (membros dos apa­ relhos judiciário e burocrático-administra­ tivo e letrados) quanto candidatos à a cursos destinados às proOssões liberais em universidades européias. Ao contrário dos franciscanos, benediti­ nos e carmelitas, que, mantendo os mesmos cursos, destinavam-nos basicamente à for­ mação eà reprodução de seus pr6prios qua­ dros, os jesuítas, sem também descurarem desse propósito, se abriram a todos, isto é, buscaram ainda atender à demanda de ex­

ternos. Além disso, suas aulas constituíam
"um sistema de ensino integrado, sem par superiores se articulavam perfeitamente com os demais e com a pregação religiosa não escolar" (Cunha,

no tempo da Colônia, no qual os cursos

1980:19-20).

Assim

constituídos, dominavam amplamente o sistema educacional brasileiro dos primei­ ros séculos. Já em

1550, instalava-se na Bahia o pri­ 22 anos depois

mciro colégio que serviu de modelo aos dema is que lhe sucederam; ali também tinham início os cursos de artes (filosofia) e de teologia e, a pouco e pouco,

Canunieaçioapresentada no C0081e1SO wbre História da Universidade, promovido pela Universidade de Coimbrl no imbitodoseu sétimoCCIltenârio. Coimbn. março de 1990.

ESludosHist6r�os. RiodeJaneiro, vei. 4, n. 7,1991, p.

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a em algumas instiluiçóes européias. pelos m e s m o s ros graduados em filosofia da freqüência parâmetros e ritua is de congêneres euro­ peus administrados pelos jesuítas. não todo o curso de artes. insta­ quando o Estado. no quarto a teologia dora do Reino. a ttica e. sob a égide da erudi­ em Évora podiam ingressar diretamente ção tradicionalista e do dogmatismo esco­ nos cursos de medicina. rem exames de equivalência" (Cunha. De Generatione e Meteoros. • . Mas. Para o curso de direito. as autoridades rizada. uma efetiva realidade na paisagem educa­ as escrituras. Os graduados em artes na Ba­ compreendendo 17 colégios com cursos hia eram obrigados a repetir o curso em propedêuticos. a presta­ cursos de artes e. objetivan­ toava da proposta pedagógica implementa­ do o reconhecimento da condição universi­ da em outras partes do Ocidente. a Geometria e a Cosmogra­ mente nas instituições universitárias da fia.medicina e ro ano. no ter. dos quais oito mantiveram Coimbra ou em Évora.a mudança de mentalidade. é universidade requeria um ano de lógica.A UNIVERSIDADE DE COIMBRA E A FORMAÇÃO !Nu IECJ'UAL. Coelo. ou s e j a . onde Aristóteles era o autor estudado: no primei­ ra os cursos de direito. 101 até o momento da expulsão da Companhia. pelo ensino metropolitanas. O curso de teologia era desenvolvido América hispânica. Os grnus É bem verdade que o panorama educa­ conferidos pela institução brasileira não go­ cional da colônia portuguesa em quase nada zavam da chancela legal do reino portu­ discrepava do modelo metropolitano: cul­ guês. mesma ordem sediado em Évora. reconhecido. no cional do Brasil Colônia. no segundo. os graduados em artes tura clássica e formal.. das virtudes e luto dos inaciaDos. Assim. res exarados por dirigentes da Universidade mesmo distante das novas idéias que circu­ de Coimbra. não des­ partir de meados do século XVII. as escolas e seminários incumbiam-se da formação das camadas dos vícios" (Cunha. sob predomínio quase abso­ prática. ainda. dnones e lástico. configurar como universidade stricto sensu paralelamente a essas obras principais... Perfeitamente terceiro. Com esses dois gêneros de cursos. con­ ocupavam espaço secundário ou nenhum. estudando-se. em cursos complementares. 1980:33). cânones. lia-se A Lógica. continuava-se com De Generatione Vê-se. que a despeito de não se acrcscentando-seDeAnima e a Metaflsica. como se sabe. 1980:25-6). portanto. direito. e de não absorver um alunado tão numeroso liam-se. ainda que parcialmente. o ensino superior foi em quatro anos. formação essa caracte­ A par das semelhanças. e. sociais dominantes. 1980:31). ceiro. De teologia na universidade coimbrã (Cunha. ou. o hebraico. no segundo. no primeiro. na quanto o que se constata contemporanea­ de matemática. lou-se no Brasil o ensino superior orientan­ conferiu estatuto civil aos colégios jesuítas do-se pela proposta pedagógica da ralio­ no Brasil. de teologia.. como nas tária de tais cursos ou do grau de equiparn­ universidades espanholas e nas suas suce­ ção do colégio jesuítico da Bahia com o da dâneas da América Latina. a teologia especulativa segundo ajustadas às diretrizes da politica coloniza­ Tomás de Aquino. mostraram-se refratárias a su­ lavam e que já adquiriam tímida presença cessivos apelos que lhes fornm dirigidos. tratando-se dos atos. bem como dis­ pensado-os dos exames de equivalência pa­ "o curso de filosofia levava três anos. A forme as leis civis. atrnvés de carta régia. eximindo os estudantes brasileiw stlldiorum. "Deste modo. respaldando-se em parece­ da teologia e das ciências jurídicas e que. onde as ciências fisicas e naturais teologia da Universidade de Coimbra. nas cadeira de moral. nos seus fundamentos. nem mesmo praticamente todo o Brasil de então esteve esse ano de lógica cursado na Bahia era pontilhado pelos referidos educandários. Essa situação só se alterou em 1689.

Dessas duas iniciativas (se bem que a segunda seja a mais conhecida. isoladas e nem sempre operantes aulas régUzs. mas uma organização escolar que se extinguiu sem que esta destruição fosse acompanhada de medidas imediatas bas­ tante eficazes para lhe atenuar os efeitos ou reduzir a sua extensão. por obra e especial empenho do ilustrado bispo local. no melhor estilo da (sua) inspiradora universi­ dade conimbricense rcfonnada. Escassas e circunstanciais iniciativas não comprometeram o lugar ci­ meiro de Coimbra. oposta mente Estado.102 ES11JDOS HISl"ÓRlCXlS -199l!7 fenÔmeno setecentista. porquanto. Assim. em cional. com­ preende-se porque espíritos cultos e areja­ dos como Ribeiro Sanches apregoavam o colonialismo cultural. desmoronando-se com­ pletamente. no Convento de Santo Antônio. estagnada e impermeável a inovações. de outra de artilharia no Rio de Janeiro e dos dois seminários instalados em 1739 nesta última cidade. Vitorioso. quer pelo acentuado traço de intJuência vemeiana do projeto pedagógico). ao defenderem a ne­ cessidade e a exclusividade de o ensino superior . no Rio de Ja­ neiro. 1964:539). mais precisamente 25 resi­ dências. o aparelhamento da educação. expulsando-os da colônia. de arte e de. No dizer de Fer­ nando de Azevedo.especialmente o destinado a car­ reiras proflSsionais -ser ministrado no Rei­ 2 no.edificações militares na Bahia. os empreendimentos educacio­ nais reformistas na colônia. montado e dirigido pelos jesuítas no terri­ 1 tório brasileiro". há que se destacar o caráter mais progressista da realização franciscana no Rio de Janeiro. Esse quadro geral e simplificado da re­ alidade educacional da colÔnia apresenta significativas peculiaridades se a análise se desloca para a percepção desta problemáti­ ca no interior' das Minas Gerais. quan­ to favorece o ádvento de novos cursos su- . estava nas mãos da Companhia de Jesus todo o sistema de en­ sino da colÔnia. José Joaquim de Azeredo Couti­ nho. com todos os m�ritos que se Ibes cumpre conferir. e na virada do século. o reformismo pombalino tan­ to cria no Brasil 8S controvertidas. abrigando considerável número de leigos e desenvolvendo estudos experimentais. fez-se im­ prescindível processar radicais mudanças neste e em outros setores nos quais estava evidente a forte begemonia exercida até então pelos jesurtas em Portugal. Por terem recebido apoio e estímulo da metrópole. seu aliado e garante. para o Brasil a expulsão dos inacianos. não abalaram a onipresença da escola do Mondego e a se­ dução que csta continuou a exercer sobre as elites coloniais. a pedagogia jesuítica não pôde permanecer incólume no momento em que la periores. do que tinham nftida consciência as autoridades portugucsas. "não foi um sistema ou tipo peda­ gógico que se transformou ou se substituiu por outro. à exceção de uma escol� a escola �rioca não se vocacionou privile­ giadamente para a formação de clérigos. e se desconjuntou.e confiscando-lhes os bens. a exemplo dos que são devidos aos franciscanos. quando o progresso cultural passou I clamar por ensino consen­ tineo com o avanço cienUfico e com a nova realidade histórica. al�m de seminários menores e escolas isoladas de "ler e escre­ ver" (Azevedo. com a expulsão dos jesurtas. d. trouxe consigo a completa destruição do seu sistema educa­ à p�mambucana. aqui sumaria­ mente apontados. 36 missões e os mencionados 17 col�gios e seminários. pa­ ra quem havia que não perder o controle sobre setor tão nevrálgico para a sobrevi­ vência do Pacto Colonial. Quando o decreto do Marquês de Pombal dispersou os padres da Companhia. quer pelo prestigio de que seu autor sempre desfru­ tou. em Olinda. primeiramente. até porque. em 1776. Ao lado disso. fecharam-se de um momento para outro todos os seus colé­ gios de que nio ficaram senlo os ediflcios. Monolítica. 1759.

Pesquisas recentes dão ciência da pre­ sença em Minas de um exemplar da primei­ ra edição (1722?) da influente obra de Andrade de Figueiredo. o ensino sendo de respon­ sabilidade das próprias mães. Ainda que o destinatário. Frise-se. como gramática e latim. para a pró­ pria população. não são tidas em conta. pelo que se lê em sua pronta e preconceituosa resposta. em última análise. em Minas. Lourenço de Almeida. Nova Escola pura aprender a ler. Por outro lado. requerimentos avulsos de solicitação de pagamen­ to de ordenados por serviços prestados às câmaras por professores por elas contrata­ dos para ministrar as disciplinas básicas. inicialmente co­ mo comissário régio e depois como gover­ nador interino. destaque-se que se trata de atender um segmento social de despossuí­ dos. em face da impossibilidade de uaproveitamento das lu­ zes" dos potenciais alunos. 1933:347). de preceptores contratados . com suas preciosas bibliotecas anexas. escrever e contar. a educação não se identifica implicitamente com a religião. nomeado governador da recém-criada capitania de Minas. Se bem que essa Coi uma fase de muitas amarguras e dissabores por parte do emi• L . calcado nas es­ colas domésticas. não impediu os habitantes de Minas Gerais de terem acesso a atualizada literatura pedagó­ gica. provocando o surgimento de um sis­ tema educacional singular.de transferir os ônus fi­ nanceiros da educação para os senados das câmaras.missionária e a criaçao de escoJas. toca-se em um ponto nodal para a boa compreensão do tema em questão: é preciso não esquecer que. Não se desconsidera a eventual existên­ cia de escolas organizadas desde os primei­ ros tempos da capitania. 3 peI os paIs. Sejam obrigados em cada Vila a ter um Mestre que ensine a ler e escrever. diri­ gida a d. ademais. ruals pOSSUI em comparaçao com o que se .cil). Lembre­ se. as diretrizes da ocupação territorial não trazem em seu bojo uma forma sistemá­ tica de assistência espiritual. como retaguarda daquela. excep­ cionalmente.A UNNERSLDADE DE COlMBRA E A fORMAÇÃO INlELECIUAL. ao contrário do litoral. d. Resulta que. nem as mães são capazes de lhes darem doutrina: vos encomendo trateis com os oficiais das Minas desse Povo. ninguém menos do que Martinho de Mendonça de Pina e Proença. ainda no período de consolidação da ordem social. o que se quer sa­ lientar é certo traço de originalidade que o sistema de ensino das Minas Gerais colo. - estabeleceu e vigorou na beira-mar: o de não estar associado à ação missionária de ordens religiosas. de maneira mais evidente na primeira me­ tade do século. Por isso mesmo. os encargos educacionais ou foram assumidos pelas câmaras munici­ pais ou pelas próprias familias. por "serem to­ dos filhos de negras" (op. a ação cate­ quético. alguns fatos devem ser arrolados para demonstrar que a ausência de escolas geridas por ordens religiosas. 103 Em carta de 22 de março de 1721. . que como são ilegítimos se descuidam os pais deles. contar. devido à proi­ bição e ao cerceamento da flXação de or-. declare seu receio em ver cumprida eficaz-' mente a determinação régia. de capelães ou. esta segun­ da a forma mais usualmente adotada. A propósito. que Minas acolheu. que ensine latim e os pais mandem seus filhos a estas escolas" (Carvalho. a atitude régia que será uma constante no processo coloni­ zador da região . por três anos (entre 1734 e 1737). a troca de correspondência em causa bem tcstemunba a preocupação das autoridades com o fenô­ meno educacional nas Minas. os quais se criam sem doutrina alguma. ou. de outros membros da família. além disso. Não surpreende que se encontrem na documentação da época. João V constatava e detenninava que unessas terras há muitos rapazes. Com isso. dens e congregações religiosas na capitania de Minas Gerais. cujo Aponlamentos para a educaçao de um menino nobre saiu publicado quando seu autor acabava de chegar à região aurífera.

Manuel da Cruz. o espaço aberto com o fato assinalado. Seja porque a instabilidade de seus pri­ mórdios trazia incertezas para as famiJias dos candidatos a seus cursos. que alguns companheiros seus estabelecessem uma residência na cidade episcopal. natural corolário da instituíção do primeiro e único bispado instalado nas terras mineiras no perfodo colonial. Minas lidera a lista dos locais de proveniências dos matri� culados na Universidade de Coimbra. A recusa de Malagrida não impe­ diu. dentre eles. de outro. A Coroa. atendia o delibera­ do empenho de Bento XIV de. mais do que nunca. insiste. Nos anos 1750. Mesmo sobrevi� vendo a essa ruptura. acesso facilitado e mais cômodo à escola superior. com vistas à fu� tura negociação do Tratado de Madrid. Além disso. seja porque. a nova escola não entusiasmara esta mesma população. não alterou substancialmente o já referido fluxo de estudantes brasileiros rumo ao continente europeu. sob o pretexto de que a nova sede episcopal fosse ponto de referência para a propagação da fé cristã na direção de considerável faixa me­ diterrânea da colônia. durante sua permanência em Mi­ nas Gerais. enfática vontade sua.104 • ESnJOOS IDSTORlCOS - 1991/1 Dente ilustrado. foi confiado à gestão dos jesuítas. onde o surpreende sua remoção para as Minas Ge� rais. parece ter um de seus pontos es­ senciais na fundação. de um lado. por decidida e dades do velho continente. apesar de reclamada. As aulas régias. nesse período. Fr. o fato é que o seminário marianense não estancou ou diminuiu o fluxo de estudantes mineiros rumo às universidades da Europa. as Minas Ge� rais davam expressivas demonstrações da lacuna decorrente da ausência de uma ins· tituição de ensino superior mais s6Jida e menos voltada para a fonnação clerical. devido ao antijesuitismo 4 pombalino. especialmente quanto ao nivel superior e à formação de quadros. É faceta que também deman. tivesse exposto ou até procura­ do colocar em prática suas idéias pedagógicas. ainda que contando com a garantia financeira do subsídio Jiterário. compor os limites irreversíveis do expansionismo territorial português. • 50. não � de todo absurdo su­ por que. sem sucesso. do Seminário de Mariana. cons­ tituir clero nativo nas conquistas ultramari­ nas. no decorrer do final da fase colonial. com inerentes vantagens financei· ras. Gabriel Malagrida. que . embora criado pelo zelo apostólico do frade Bernar­ do. em direção às universi� de Montpellier ou de Edimburgo. pouco (empo permaneceram. em entregar a direção do educandário recém� instituído. com eficiência. mais particu� lanncnte. d. como se verá adiantc. Importante assinalar que o Sem inário de Nossa Senhora da Boa Morte (assim ficou chamado o novel estabelecimento). o fato novo permitia. atendia seu propósito geopolítico de. A criação da diocese marianense é u� desses raros eventos que conseguem con­ gregar os interesses das variadas partes nele envolvidas. Fosse como fosse. a história da educação em Minas Gerais colonial. talvez a maior interessada. todavia. diante da crise que abalava a Igreja na Europa. Manuel da Cruz. seja as de Paris. os jesuítas eram seus mais próximos colaboradores e. A população mineira. Eram antigos os laços que uniam o primeiro prelado marianense aos inacianos. pelo que se lê em copiosa correspondência. Fr. seja filR­ damentalmente a de Coimbra. Ao Papado. se mostraram incapazes de ocupar. a dita capitania não se cons� titui em exceção quando se trata de analisar as repercussõcs da expulsão dos jesuítas dos domínios lusitanos. da pesquisa. particulannente às eli� tes locais. em dezembro de É a este malfadado sacerdote que d. no cerne dos projetos políticos de Alexandre de Gusmão. Na diocese do Maranhão. onde. o Seminário de Ma� riana. Em suma. reitor e mola· mestra do seminário local. uma melhor preparação de estudos para aqueles que ambicionavam cruzar o AtlAntico.

Em decorréncia. toma explí­ cita a sua vontade. causa emancipacionista. solicitando facultar-lhes o estabelecimento naquela sede de comarca "de uma aula com Mestre para ensinar teórica e praticamente cirurgia e anatomia" (Revista do Arquivo Público Mineiro. em 1732. podia relaxar a dependência que as colônias de­ viam ter do Reino. opiniões e influência dos bacha­ réis brasileiros que têm voltado à sua pátria.âo à recém-descoberta con­ jura: "não deixo de crer que as ditas lem­ branças viessem de Coimbra. no entanto. para o que não faltaria corpo docenle alta­ mente qualificado.:468. Era patente o em­ penho dos sublevados no sentido de sustar a ida de estudantes para as universidades de além-mar. especialmente depois que se julgam instruí­ dos nos direitos públicos e das gentes. o procurador da Coroa responde "que pedia (sic) além disso ser questão polEtica se convinham estas aulas de Artes e Ciências em CoMnias. Assim é que. apenas ao longo do séculoXVlIl. Minas tinha as condições . a instalação de uma universi­ dade em Minas tomou-se um dos fortes elemenlos catalisadores para a adesão à . por isso. que pelo seu colonialismo contundente dispensa comen­ tários. v.' sar-se: que um dos mais fortes vínclllos que sustentava a dependência de nossas colô­ nias era a necessidade de vir eSllldar a Porcugar' (op. em 11 de julho de 1789. que se lembrava ler lido que alguma das nações européias se arrependera mais de uma vez de artes esta­ belecidas nas suas colônias da América. porém. 1977. p. só em 1726 chegaram a Coimbra dois outros mineiros (Morais.IEI. com um perfil de urbanização que não possui similitude na colônia. exceção feita a um duvidoso registro datado de 1701. dirigindo-se. como se nota na repre­ sentação que os oficiais da Câmara de Vila Real do Sabará remetem ao rei. de 1752 brasileiros.ECI1JAL" A UNIVERSIDADE DE COIMBRA E A FORMAÇÃO IN lOS � a ênfase assumida pela escola marianense a partir dos anos 60. Não por acaso. Daí porque.e. • É sabida a reação metropolitana. Eram justificáveis essas apreensões? Os ares do Mondego inspiravam planos sedi­ ciosos 'Ou davam alento aos sonhos nacio­ nal istas dos colonos estudantes de sua uni­ versidade? Coimbra. que lhe parecia que tudo aquilo quese podia escusar. celeiro de elites revolucionárias? No exaustivo levantamento dos estudan­ tes na Universidade de Coimbra nascidos no Brasil a quê procedeu Francisco Morais. a questão. não sur­ preende o relato do visconde de Barbacena.de sediar escolas superiores condizentes com seu estágio civilizatório. nos interesses da Europa e no conhecimento das produçôes da natureza. Com uma economia nitidamente diver­ sificada. natural. ao ministro Melo e Castro. que.8. quan­ do se registra um quarto candidato. a necessidade . como têm feito alguns sem razão suficiente" (Autos da devassa da In­ confidência Mineira. dos quais 347 eram mineiros. Em eloqüente pronunciamento. fonna adequada para lhe pennitir compar­ tilhar as mudanças pedagógicas e científi­ cas que se processavam na metrópole e em outras partes da Europa Ocidental. não se escusando. 1910:466-9). com uma divisão so­ cial do trabalho cada vez mais delineada. seja certo ou nâo o ajuste dos estudantes porque sempre nesta matéria achei muito arriscados os sentimentos. e muito mais depois que passaram a estudar Jlas universidades estrangeiras. 1949). griros nossos). projetando-se inclusive: a criação de cursos de matemática e ciências naturais. Com o tempo. em 1768. uma vez abortada a aludida conspiração. total só superado pelo número de baianos (572) e de cariocas e fluminenses (445).cil. constata-se a matrícula. c que. em que declara seu temor em relaç. cabe lembrar que. em mais de uma ocasião. nos planos dos conjura­ dos de 1789. de fato. ganhou outras conotaçõcs. se corretos os as­ sentos. não caudatária da mineração.198). devia com efeito escu. seria possível dizer que ua corrente regular'terá início. Ressalve-se.

Couto e José Alvares MaCiel. continuou a cultivar saudosa­ mente os hábitos conimbricenses. quase repentinamente. Rio de Janeiro e Babia disputam a partir de então. por outro lado. se antes da Reforma Pombalina a formação acadêmica desses estudantes era essencial­ mente humanista e livresca. A partir de então não se passa ano sem que compareça à Universidade algum candidato mineiro. mas é superado pelo comparecimento ainda maior de estudantes baianos. oriundos em geral de Vila Rica. Se a primeira geração. ao regressar à terra natal. o primeiro lugar. Para ficar nos' limites da temática pro­ posta. estes se supu­ nham mais aptos aos debates e se abriam a que ganhavam corpo na Europa. dedicavam-se a estudos mais utilitários e imediatistas. ano para ano e. Assim é que. através de todo o decênio (apenas no ano de Babia). outra não poderia ser a realidade. sem sinal de recu�­ . o rela­ xamento disciplinar que campeava na uni­ versidade beitoa abria espaço para o acesso 1772. São Paulo vem imediatamente em seguida. entendê-Ia como organismo historicamente detenni· nado.' Se esta é a análise da movimentação de estudantes. Antes disso. em suas in­ contáveis horas de Jazer. há que se constatar. antes de mais nada. Aos poetas Cláu­ dio Manuel da Costa. condicionado e contextualizado." 1758 1762 "O declínio da participação de Minas Gerais principia justamente por ocasião da transferência da sede do vice-reinado. O aumento. a despeito do aristotelismo jesultico. nos melhores casos a algu­ ma das duas. Santa Rita Durão e Inácio José de Alvarenga. porém. de que se 1750. coloca-se ela. Em notabilidade e o melbor desempenho pro­ fissional e pessoal dos mineiros saídos da Universidade de Coimbra se dariam nos denominados origina a deliberada vontade de bem conbe­ cer e explorar o potencial natural de sua pátria. depois da Babia (quatro estudantes)e muito depois do Rio de Janeiro 1772. a . mantendo-se no primeiro lugar. embora a parti­ cipação mineira continue inferior à baiana e à fluminense. graus de de­ pendêneia e de autonomia. com dois candidatos. mas tam­ bém do Rlbeirão do Carmo. no entanto. já agora também sob outro regime disciplinar. ela consegue. e já sem esse concorrente. Com três estudantes apenas.106 ES11JDOS msTÓRICOS - 199V1 também este. agora. e finalmente o Pará com um. nos anos 70 e . na primeira fase. uma ampla discussão sobre as novas idéias Claro está que a leitura das perniciosas não foi privilégio do pedodo 88 a contribuição de Minas passa a minguar de . A partir de 80. depois de doutrinas pombalino ou lbe foi posterior. para se perceber a função social na universidade é necessário. A princípio poucos. de Vila Rica. nos anos seguintes de e É 64 65. não se encontre nenhum filbo de Mi­ nas nos registros de matricula. Cortbecendo-se um mÚlimo da trajetória hist6rica da instituição em [oco. os da geração posterior procu­ raram estudar geografia e o potencial de melhor conhecimento e exploração de seu território de origem. Todavia. na busca de estabelecer os seu. inclusive. ultrapas­ sar uma e outra. e até é igualada pela da . por vezes a grande distância desses concorrentes. se entregavam muito mais a discussões literárias e exercí­ cios poéticos. mais pragmáticos.s ração. enquanto os estudantes anteriores a estudos cientlficos. pode-se afmnar que. embora ainda se matriculando nos cursos voltados para a educação clássica. se contrapõem os cientistas José Vieira . Se aqueles viviam in­ telectualmente abafados pela cultura jesu(­ tica que lhes era incutida. Há apreciá­ vel aDuxo em 66. do Sabará e do Serro do Frio. significativo que. os que são posteriores à re­ forma. a existência de acentuada diferença nas opções de cursos pelos candidatos mi­ neiros à vetusta instituição. é cres­ cente nos anos de quarenta. salvo ligeiras interrupções na nona década do século. agora. um ou dois anualmente. (12).

no lugar das escolas. 1941:12).A UNIVERSIDADE DE COIMBRA E A FORMAÇÃO lNTElJlcnJAL. pois é sempre oportu­ no lembrar que o pombalismo não se in- tirar Portugal do lugar secundário em que se encontrava no cenário das nações euro­ péias. Apesar de procurar estabelecer em Portugal uma nova postura mental. Não vai aí nenhum contrasen50. em favor de polftica previamente es­ defmir os propósitos de Pombal e de seus homens diriamos que. Nesse aspecto. talvez a maior contribuição que essa tendência renovadora tenha trazido para os estudantes dos cursos superiores conimbricenses foi a de introdu­ zir t. posto que todo o conjunto de idéias hoje consa­ ·pio � fw a recuperação econômica. Na realida­ de. Por conse­ guinte. o que se percebe é uma decidida ação do Estado visando incorporar aos seus quadros apurada mão-de-obra que anualmente emanava dos cursos de Coim­ bra. 1978:116). Conforme destaca Laerte Ramos de Car­ valho. sem pre· juízo da manutenção . que. de que ela era peça importante no projeto de ação política governamental. "D. a Universidade hoje sete vezes centenária não escondia sua con­ dição de formadora de recursos humanos qualificados para o aparelho estatal..apesar de em plano secundário . no fundo. se revestiu a Il u s t r a ç ã o p o r t u g u e s a (M o n c a d a . mas também que o desenvolvimento dos estu­ dos científicos só alcançaria o objetivo al­ mejado se os graduados pela Universidade fossem aproveitados pelo poder público nos cargos que exigiam qualificação uni­ versitária. Iismo e após ele. prati­ camente imperceptíveis.das ciências jurídicas e teoló­ gicas. Note-se. no pe­ ríodo posterior à implantação da reforma. É visível o vetor ideológico-político que subjaz à referida reforma pedagógica. eram tênues. . membro que foi da junta de Providência Literária e Reitor da Universidade de Coimbra. não havia lugar grado como pombalismo tem como princí­ para a permanência da rigidez e do forma­ lismo aristotélico-escolástico no sistema de ensino português. principalmente. na medida em que use pudéssemos compatibilizou com a Igreja. oposta mente à francesa. dos jesuítas. parar os estudantes reinóis dos coloniais. procura­ vam pôr a escola que melhor atendesse aos fins da política que as condiçôes portugue­ sas reclamavam" (Carvalho. em grande parte. do aproveitamento dos mais capazes entre todos os que hou­ vessem cursado estudos universiúrios. estimular neles o es· tudo das ciências experimentais. em seu interior. o que se pretendia era a preparação e o treinamento de uma única elite luso--brasileira. Nenhuma contradição há nisso. com o pomba. modemizadora e ilus­ tipulada pelo Estado. Assim. isto é. mas sim com uma ordem religiosa específica. de vez que. um expressivo número de clérigos continuou a matricular-se na Uni­ versidade de Coimbra e a freqüentar seus cursos. as d. o que explica o caráter cristão e católico de que. procurando imunizar Portugal do viros re­ presentado pelo pensamento revolucioM­ rio da época. a propósito. Francisco de Lemos. política e cultural da nação lusitana. Carvalho e Melo e sua refonna trouxeram maior vigilância sobre 8!i leitu­ ras e sobre 8 circulação de livros e idéias. Todas as ciências têm fins reais e de grande utilidade para o Estado . sabia não só que o progresso do país depen­ dia. HJ7 de professores e alunos As leituras nocivas e às conversações de natureza poHtica e até mesmo a conspirações. alguns se destacariam posteriormente pelos estudos e pesquisas científicas desen­ volvidas. cujo fim último era trada. Dos religiosos procedentes de Mi­ nas.dizia. muitas das propostas pombalinas têm sua origem e devem o seu êxito à estreita colaboração por ele recebida de personali­ dades do clero e de congregações religio­ sas. Com efeito. Na dimensão pombalina de que era im­ perioso modernizar o país. sem considerar os que se sobres· saíram na atuação eclesiástica. em grande número.

Por isso mesmo. no exerCÍ­ cio prático de seu reformismo ilustrado. D. aliás. tais como: Joaquim Jos� Vieira Go­ • • • • ra se fez de modo tão simplista e absoluto. Repelia. mesmo de· pois de retomados ao Brasil. o Estado procurou amortecer nessas elites o potencial de seus representantes. no mínimo. É. Nesse sentido. depois professor da Academia da Marinha e gover­ nador do Espírito Santo. concluía. dos por Coimbra. Para se conseguir estes fins se man­ dam ensinar e aprender nas Universidades. se entregas­ sem a atividades reprodutoras do saber que fossem contrárias à manutenção dos laços de dependência que uniam essas duas par­ tes do império português. No entanto. procedimento idêntico ao que adota­ ra com relação às elites econômicas locais. nesse documento. óbvio concluir que OS estu­ dos universitJrios despertavam nos antigos estudantes o senso crítico e 8 tomada de consciência tanto da tutela colonial quanto no atraso do Reino. particulannente em Coimbra. os nomes de alguns poucos mineiros de nascimento que. ainda. E. em patente evidência da fusão de comportamento que aglutinava as elites dos dois pólos do império. ao regres­ sarem ao seu país de origem. taxativo.. Lucas José de Al­ varenga. que o pombalismo foi bastante simpático ao Brasil e aos brasileiros. dos ou a serem criados. titula- tos. Sem falar de oulros noúveis naturalistas e pesquisa­ dores. na . Por este motivo. Silva Alvarenga ("O desertor") e Francisco de Melo Franco ("O reino da estupidez"). nesse gesto. sob a forma de contra­ rário sâo de autores naturais de Minas. e com o mesmo tom exemplificativo. comparativamente a outros países europeus.José de Sá Bitlencourt e Accioli e o amigo e colega deste. todos os graduados pelas novas Faculdades da mesma forma que já se praticava com os te610gos cano­ Distas e advogados.leal secretário do governo da capitania entre 1762 e 1765 e de 1769 a 1773. seria incorreto supor que a cooptação da intelligenlsia colonial minei­ maram. ex-estudantes da Universidade de Coimbra. Joaquim Veloso de Miranda e José Vieira Couto. os naturalistas e pesquisadores de riquezas minerais Manuel Ferreira da Climara Bittencourt e Sá. governador de Macau. filósofos e médicos poderia pro­ porcionar à nação seguros rumos aos seus empreendimentos" (Carvalho. a quem foram destinados cargos adminis· trativos e repassada.José Alvares Maciel. em beneficio dos interesses es­ tatais. a necessidade de ampararem com cargos de diversas naturezas. que também compuseram o corpo docente da universidade na qual se diplodinho. Sentiam-se perfeitamente cônscios de seu privilegiado acesso à educação e inte­ grados na Metrópole. Intelectualmente. Esta oficial ização e a decidida busca de homogeneização intelectual determinou que o retomo ao Brasil dos diplomados pela Universidade de Coimbra se desse. ES1lJDOS IDSTORIOOS -1991/7 na sua Relação Geral. com Antônio Cándido.. somente o sábio aproveitamento dos mate­ máticos. estimulava-se um clima de entrosamento entre metropolitanos e brasileiros. Na Universidade.108 . pe. Francisco de Le­ mos.obser­ ve-se que algumas das melhores produções poéticas do denominado pombalismo lite. não esquecendo uma série de poemas ilustrados de Cláudio Manuel da Costa e de Alvarenga Peixoto. seu innão. nos quais são louvados nâo s6 o próprio marquês como 6 outros governantes coevos. José de Santa Rita Durão. como verbi gratia. insistia o Reitor. no que era plena· mente correspondido. habilmente. Cabe lembrar. Basnio da Gama ("O Uruguai"). fr. intituí. os membros das elites intelec­ tuais da colônia que para lá se deslocavam. Registrem-se. 1978: 173). o tam�m cientista Antônio Pires da Silva Ponte. a exploração de impostos e tributos. os parâmetros e os padrões que seguiam eram os da urbe coimbrã.. estiveram a serviço do Estado no período em foco: o já citado Cláudio Manuel da Costa.

cujas potencialidades econômicas deveriam ser mais bem exploradas. A UNIVERSIDADE DE OOIMBRA E A FORMAÇÃO 'INlELEcruAL. nem por isso. ne­ cessariamente. Essa ausência de consciência grupal e de formato de propos­ tas políticas permite inferir que. Asuperação do atraso econô­ mico da Metrópole condicionava-se. Ainda que se admitisse que essas elites almejassem a separação do Brasil. desarticuladas.. ou seja. porquanto a modernização do absolutismo metropolitano e o melhor conhecimento da realidade brasileira inexoravelmente pro­ porcionavam o desenvolvimento da colô­ nia. que se freqüentavam e se correspondiam. pelo menos nas Minas Ge­ rais do setecentos. apesar de ser composta por intelectuais que mantinham vínculos pes­ soais de amizade.. Essa postura das elites intelectuais bra­ sileiras. arvorando­ se . o que apregoavam era a defesa da possibilidade de mudança políti­ ca (a defesa da emancipação política). a Ilustração foi sinônimq de conservadorismo. pois que seria impossível para Portugal se desenvolver e tentar acompanhar o com­ passo do progresso europeu sem contar com suas colônias. sem embargo da permanência das estruturas só­ cio-econômicas (a preservação da ordem escravocrata). Pela sua própria si­ tuação no corpo social da capitania. mormente diante do advento do capitalismo industrial. exerciam efetiva lideran­ sam ser tidos como reformistas. sem que. Como bem sa­ lienta Fernando Novais. tomando insustentável a manutenção dos laços de dependência. se não em toda a colônia. que com apenas raras exceções concebia seu país apartado de Portugal. junto ao restante da população. tal comportamento signifi­ casse entrar em colisão frontal com a metrópole. os' egressos da Universidade de Coimbra com­ punham segmentos da sociedade setecen­ lista mineira em condição ímpar para im­ pulsionar. de vez que julgavam possível conviver com as estrutu­ ras básicas da colônia. "" maioria dos casos. ele se configurou como sendo manifesta­ mente conciliador e reformista. não compu­ seram grupo coeso no que tange ao encami­ nhamento e à constituição de um . mas com resguardo e continuidade da ordem social. Impossível explorar a colônia e fazer a ci­ vilização chegar a ela sem desenvolvê-la: ça espiritual sobre o conjunto da sociedade. esses letrados e cientistas talvez tivessem consciência de que.projeto político OI:gânico com vistas ao estabeleci­ mento de nova ordem. a tomada da consciência bistórica dos colo­ nos frente ao jugo português. assim. antes tes dessas elites intelectuais e políticas pos- . desde que elas pas­ sassem por oportunos aperfeiçoamentos. não se admira que os integran­ uÉ extremamente significativo que toda es­ ta política . o que pennite afirmar que. com ProP9stas politi­ cas de conotação essencialmente concilia­ dora. à intensificação dos laços coloniais. na promoção de refonnas que visavam abrandar o sistema. Ao contrário. Intrinsecamente. De modo pratica­ mente unifonne.que resultou num período de efetiva prosperidade . no caso mineiro. a serviço e/ou em pro­ veito direto do Estado.em serem tidos como elite intelectual da capitania.brasileira fomenta o pro­ gresso dos dois pólos e acaba por estimular as tensões estruturais inerentes ao sistema. Mas é aqui que afiora a contradição estrutural. torna essa atividade instrumento de realimentação do sistema colonial? Assim.não abrandou. a libertação. a educa­ ção universitária na Europa resultava no fortalecimento dos privilégios de classe e da dominação ideológica dessas minorias de letrados e cientistas sobre a expressiva maioria da população.e com razão . res­ pondia plenamente aos intuitos lusitanos. a Ilustração luso. Por isso. a avidez por conhecer em­ pírica e objetivamente sua terra não incute nesses brasileiros a vontade de utilizarem­ se do referido conhecimento para transfor­ mar estruturalmente a situação coloniaJ� an­ tes. resta assinalar que. na ótica dos colonos e do ponto de vista exclusivamente político.

côn. com programa e currículo idênticos aos do Reino" a fim de impedir que "nelas os súditos nativos possam adquirir honra e tal estado que saiam da classe dos lavradores. Edusp. s e m p r e viveram e . a ela não deve ser creditado o ânimo revo­ lucionário que.1. 1975. "Metais e pedras preciosas". riação do ingresso. cuja realidade devia por vezes fazê-los parecer inadequados. op. causado pelo amtraste entre o rústico berço mineiro e a experiência intelectual e social da Metrópole. com um terço deles concentrados no colégio da Bahia (Azevedo. 00. 2. Na obra de Oáudio Manuel da Olsta. 1960. De Coimbra. p.8 foram assinalando o inconfonnislUo dos Entretanto. e as inconfidências colonos. • lares. t. forjaram seu pensamento e suas ações revolucionárias. Sérgio Buarque de. j (0. Cumpre salientar que. como o cônego Luís Vieira da Silva. Sérgio Buarque de..l'. INL. 1.. t. sobreludo p. onde fez os estudos supe­ riores e se tomou escritor. 91-105. Brasiliana. na Universidade de Coimbra. não passaram pelos bancos uni­ versitários de Coimbra. v. 302-7). 1922. 1960. A respeito da instalação dó Seminário de Mariana e das estreitas relações de d. dir. CÂNDIDO. 1964:539). ltatiaia/São Paulo. 1.. edição revista e prefaciada por Maximiano Lemos.1. em HOlAN­ DA. São Paulo. Amônio. S. Por conseguinte. Hislória geral da civilização brasileira.110 ESlUDOS losTORlCDS - 1991fl estimulou. para ficar dependente a dita colônia da capital ( . Intelectualmente pro­ penso a esposar as normas estéticas e os temas líricos sugeridos pela Euco·pa. São Paulo. São Paulo. 303. cargos e empregos deviam sair somente da autoridade e da jurisdição do Soberano. Seralim Leite sil (Rio deJaneiro. presidiu os planos e as ações dos rebelados. 3. a. Difel. em: .. Ilumi­ nismo e escolas mineiras coloniais. ou mais ardorosos e empenhados.137). sentia-se não obs­ tante muito preso ao Brasil. p. Mariana. . cit. mesmo precária ou parcial­ mente. Igre a. (op. consul­ le-se: 'ffiINDADE. seus ex-estudantes mineiros mais herdaram idéias e planos pa­ ra o desenvolvimento de sua terra natal do que planos revolucionários ou essencial­ mente políticos. mercadores e oficiais (.218). se expressi­ va fração delas participou de movimentos políticos nas Minas Gerais do séculoXVUl. como o Ti­ radentes. 1975. consulte-se: "Letras e idéias no Brasil colonial". 1968. ) JXlrque todas as honras.7. recorra-se a José Ferreira Carrato. v. Em aiteriosa interpretação. este autor estabelece um paralelismo entre a va­ de estudantes procedentes de Minas Gerais e as nia (cf. Nessa altura. Formação gazelas e dos relatos dos regressados da da literatura brasileira: momentos decisivos. 4.1951. Belo Horizonte. há que se relativizar o papel político desempenhado pelas elites aqui re­ feridas. Direi. no c o n t a t o freqüente com atualizada literatura política libertá ria ou pelo acesso ao noticiário das Europa. Nolas 2. p. Francisoo Manuel da Cruz a Companhia de Jesus.Breve noticia dosSeminários deMar. p. especialmenle p. 95-101. fazendo parecer inadequado ele próprio" (Ondido.. Raymundo. Nacional/Edusp. da Arquidiocese. Ribeiro Sanches advoga que. segundo o pe. 155 e 182-3. chega ­ va em sua Hisl6ria da Companhia de Jesus noBra­ a 300 o total de estudantes nos cursos de liIosofia mantidos pelos jesuítas no Brasil. 1.l.334). v. A respeito das escolas domésticas e da questão educacional em Minas no século XVIII. Antônio Ondido analisa a ambivalente atitude de "relativo dilace­ ramento interior.anD. 1949. v. dir. Nas Cartas sobre a educação da mocidade. 5. flutuações da produção aurífera daquela capita­ 6. nas colônias.. de­ vem ser "consentidas apenas as escolas elemen- . Imprensa da Universidade. Coimbra. ainda desse mesmo autor. cit. as tensões.. a. o que se nota é que conjurados convictos e consistentes. Hisló­ ria geral da civilização brasileira. HOLANDA. e tomando a conjuração de 1789 corno evento referencial e ma is expressivo. p. Em Minas nasce­ ram.ed. 1975:90). cujos contornos não são necessariamente coincidentes com os do quadro que sintética e superficialmente se acabou de esboçar. Sobre o mesmo as­ sunto.2.

Francisco.1910. 1964. Boschi é professor de história na . viam sellS trabalhos votados ao esquecimento. ou ao abafamento pela falta de repercussão. 1980. que então se apresenta. de V argas. Câmara dos Deputados. "Instrução pública: pri­ meiras aulas e escolas de Minas Gerais. Melhoramentos. 1979. que. Acadêmica. 1822: Dimensões. Coimbra. CUNHA. voltando novamen­ . 4. MONCADA. 4. mas ainda para os que servem na Metrópole. 1978 . Revista Brasileira de História . CARV AU-IO. Fernando de. Laerte Ramos de. São Paulo. Consul te-se também do mesmo autor Portugal e Brasil na crise do antigo sistema colonial (1777-1808). 1972. É importante ressalvar. MORAlS. não só para os que trabalham na pátria. Belo Horizonte. ed. 8 . O motivo se prende em parte à própria estrutura social. 24:347. 15-26. p.. org.ECI1JAL.e. 1721-1860". que logravam ficar nos l imites da sua especialidade. Saraiva/Edusp. São Paulo. '0 refor­ tos". Outros. A DO ARQUIVO PÚBLICO MINEI­ REVIST . 15:466. Luiz Antônio. ' Universidade Federal de Minas Gerais e na Pon­ tifícia Universidade Católica de Minas Gerais. vaI.e a Anlônio Cândido (Holanda. e ainda o capítulo " As di mensões da Inde­ pendência".RO. Rio de Janeiro.A t1NIVERSIDADE DE aJIMBRA E A FORMAÇÃO lNTEI. A universidade temporã: o ensino superior da Colônia à era leiralUFC. Luís Cabral.vendo-se o mesmo homem ser oficial. 1941.A cultura brasi­ leirai introdução ao estudo da culJura no Brasil. 7 (US). Carlos Guilherme. Huci. CARVALHO.o da quantidade de jovens bem dotados e de boa formação. BrasOi. 1933. Universidade de Coim� bra/ l n stituto d e Estudos Brasi l e i ros. mismo il ustrado luso-brasileiro: alguns aspec­ Cf. U m "iluminis­ la" português do século XVI/I: Luís Antônio V erney. 111 7. Eram por assim dizer aspirados pelos postos de responsabilidade. pois a inex is­ tência de estratos intermédios entre o homem culto e o homem comum. fossem . Revista do Arquivo Público Mi­ neiro. "Estudantes da Uni­ versidade de Coi mbra nascidos no Brasi I". quaisquer que eles professor. Caio C. NOVAIS. As r e f or­ mas pomba/inas da instrução pública. esaitor e político� ou desembargador. Belo Borizon. 8. se perdem para a vida científica ou náo tiram dela os frutos possíveis. São Paulo. bem como a falta de preparação dos extratos superiores. os forçava às posições de liderança administrativa ou profis­ sional. AZEVEDO. químico e admi nistrador. São Paulo.. Perspectiva. Isto. enquanto a pobreza do meio con­ dena a sua atividade ou ao praticismo. São Paulo.ec. os solicita para outros rumos. inéditos por desi nteresse do meio ou dispersos pela desídia e desonestidade". 1949.9. Fernando A 1984. Suplemento ao vol.. 1960:100-1) que a lo ainda não nesse particular "ocorre então um f bem estudado . Feu. mar. 1977. Bibliografia AUTOS DA DEVASSA DA INCONFIDtN­ CIA MINEIRA. em Brasília . São Paulo. Qvilização Brasi­ É que a mul tiplicidaae das tarefas. em MOT A. não obstante.