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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA FACULDADE DE CIÊNCIAS INTEGRADAS DO PONTAL Disciplina: Ergonomia & Segurança do Trabalho Curso: Engenharia de Produção Prof

. Engº Hilano José Rocha de Carvalho Estudo dirigido (100 pontos) 1 - Leia o texto a seguir: “A troca de trabalho vivo1 por trabalho objetivado2, i.e., o pôr do trabalho social na forma de oposição entre capital e trabalho assalariado, é o último desenvolvimento da relação de valor e da produção baseada no valor. O seu pressuposto é e continua sendo a massa do tempo de trabalho imediato, o quantum de trabalho empregado como o fator decisivo da produção da riqueza. No entanto, à medida que a grande indústria se desenvolve, a criação da riqueza efetiva passa a depender menos do tempo de trabalho e do quantum de trabalho empregado que do poder dos agentes postos em movimento durante o tempo de trabalho, poder que – sua ‘poderosa efetividade’3 –, por sua vez, não tem nenhuma relação com o tempo de trabalho imediato que custa sua produção, mas que depende, ao contrário, do nível geral da ciência e do progresso da tecnologia, ou da aplicação dessa ciência à produção. (Por seu lado, o próprio desenvolvimento dessa ciência, especialmente a ciência natural e, com esta, todas as demais, está relacionado ao desenvolvimento da produção material.) A agricultura, p. ex., torna-se simples aplicação da ciência do metabolismo material, de forma a regulá-lo do modo mais vantajoso possível para todo o corpo social. A riqueza efetiva se manifesta antes – e isso o revela a grande indústria – na tremenda desproporção entre o tempo de trabalho empregado e seu produto, bem como na desproporção qualitativa entre o trabalho reduzido à pura abstração e o poder do processo de produção que ele supervisiona. O trabalho não parece mais tão envolvido no processo de produção quando o ser humano se relaciona ao processo de produção muito mais como supervisor e regulador. (O que vale para a maquinaria, vale igualmente para a combinação da atividade humana e para o desenvolvimento do intercâmbio humano.) Não é mais o trabalhador que interpõe um objeto natural modificado como elo mediador entre o objeto e si mesmo; ao contrário, ele interpõe o processo natural, que ele converte em um processo industrial, como meio entre ele e a natureza inorgânica, da qual se assenhora. Ele se coloca ao lado do processo de produção, em lugar de ser o seu agente principal. Nessa transformação, o que aparece como a grande coluna de sustentação da produção e da riqueza não é nem o trabalho imediato que o próprio ser humano executa nem o tempo que ele trabalha, mas a apropriação de sua própria força produtiva geral, sua compreensão e seu domínio da natureza por sua existência como corpo social – em suma, o desenvolvimento do indivíduo social. O roubo de tempo de trabalho alheio, sobre o qual a riqueza atual se baseia, aparece como fundamento miserável em comparação com esse novo fundamento desenvolvido, criado por meio da própria grande indústria. Tão logo na sua forma imediata deixa de ser a grande fonte de riqueza, o tempo de trabalho deixa, e tem de deixar, de ser a sua medida e, em consequência, o valor de troca4 deixa de ser [a medida] do valor de uso5. O trabalho excedente da massa deixa de ser condição para o desenvolvimento da riqueza geral, assim como o não trabalho dos poucos deixa de ser condição do desenvolvimento das forças gerais do cérebro humano. Com isso, desmorona a produção baseada no valor de troca, e o próprio processo de produção

Período: 2012/2 Data: 06/02/2012

mas ‘tempo disponível’ para cada indivíduo e toda a sociedade para além do usado na produção imediata”. 3 Poderosa efetividade – pode ser entendida como a expressão da autonomia do trabalho científico em geral como conhecimento social. capazes de realizar tarefas antes realizadas pelo homem. Elas são órgãos do cérebro humano criados pela mão humana. do processo real da vida. As forças produtivas e as relações sociais – ambas aspectos diferentes do desenvolvimento do indivíduo social – aparecem somente como meios para o capital. decorrente de da mecanização. dos indivíduos por meio do tempo liberado e dos meios criados para todos eles. a redução do tempo de trabalho necessário da sociedade como um todo a um mínimo. ele quer medir essas gigantescas forças sociais assim criadas pelo tempo de trabalho e encerrá-las nos limites requeridos para conservar o valor já criado como valor. O próprio capital é a contradição em processo. põe o tempo de trabalho como única medida e fonte da riqueza. 2011. deveio força produtiva imediata e. 2 Trabalho objetivado – trabalho morto. elas constituem as condições materiais para fazê-lo voar pelos ares. por outro lado. e para ele são exclusivamente meios para poder produzir a partir de seu fundamento acanhado. para tornar a criação da riqueza (relativamente) independente do tempo de trabalho nela empregado. ele diminui o tempo de trabalho na forma do trabalho necessário6 para aumentálo na forma de supérfluo. “Uma nação verdadeiramente rica quando se trabalha 6 horas em lugar de 12.material imediato é despido da forma de precariedade e contradição. [Dá-se] o livre desenvolvimento das individualidades e. Até que ponto as forças produtivas da sociedade são produzidas. em consequência. portanto. que corresponde então à formação artística. põe em medida crescente o trabalho supérfluo7 como condição – ‘questão de vida e morte’ – do necessário. robôs e de sistemas de informação computadorizados.” Referência: Marx. Por um lado. telégrafos elétricos. ele traz à vida todas as forças da ciência e da natureza. porém. ferrovias. podemos pensar no advento das máquinas automáticas. não só na forma do saber. força do saber objetivada. Grundrisse: manuscritos econômicos de 1857-1858: esboços da crítica da economia política. Glossário: 1 Trabalho vivo – ação manual e intelectual do homem de transformação criativa da natureza com o intuito de atender às suas necessidades. máquinas de fiar automáticas etc. material natural transformado em órgãos da vontade humana sobre a natureza ou de sua atividade na natureza. [pelo fato] de que procura reduzir o tempo de trabalho a um mínimo. A riqueza não é o comando sobre o tempo de trabalho excedente (riqueza real). científica etc. Contemporaneamente. até que ponto as próprias condições do processo vital da sociedade ficaram sob o controle do ‘intelecto geral’9 e foram reorganizadas em conformidade com ele. conhecimento.. refere-se ao trabalho anterior corporificado em equipamentos (meios de produção) em oposição ao trabalho humano vivo. Elas são produtos da indústria humana. . bem como da combinação social e do intercâmbio social. em consequência. A natureza não constrói máquinas nem locomotivas. por isso. O desenvolvimento do capital fixo8 indica até que ponto o saber social geral. ao mesmo tempo que. K. De fato. p. Por essa razão. São Paulo: Boitempo Editoral. 587-589. Por outro lado. mas como órgãos imediatos da práxis social.

da maisvalia. Século XX e Trabalho Industrial: Taylorismo/fordismo.5. direita: 3 cm. 2003. base do salário. 6 Trabalho necessário [tempo] – medido em alguma unidade de tempo. Porto Alegre: Artmed Editora. G. A. PINTO. Para Marx. 1997. Com o intuito de articular devidamente com os conhecimentos adquiridos na disciplina de Ergonomia. por conseguinte. Fordismo e Toyotismo. Em última instância. espaçamento entre linhas: 1. fator crucial na produção. margem superior: 2. MORAES. . São Paulo: Expressão Popular. ohnoísmo e automação em debate. torna-se a medida do valor da força de trabalho e. T. 2007. B. torna-se a medida do excedente de valor e. Formatação: fonte: Times new Roman. 8 Capital fixo – corresponde à totalidade do capital alocado em equipamentos para a produção de bens.4 5 Valor de troca – valor de uma mercadoria [medida quantitativa]. analise-o e correlacione-o com o texto de título “Análise coletiva do trabalho de cortadores de cana na região de Araraquara (SP)”. por conseguinte. tomando como referências os seguintes livros: OHNO. em suas variadas formas. correspondendo ao excedente de tempo de trabalho para além do tempo de trabalho necessário. Valor de uso – características e propriedades úteis de uma mercadoria [medida qualitativa]. A organização do trabalho no século 20: Taylorismo.5 cm. inferior: 2. 9 Intelecto geral – pode ser entendido uma combinação de conhecimento tecnológico e intelecto social. dissertando sobre o seguinte tema: “O mundo do trabalho na contemporaneidade” Orientações:   Cada equipe deverá entregar um texto de no mínimo 5 páginas. a) A partir do texto acima.. 7 Trabalho supérfluo (ou excedente) [tempo] – medido em alguma unidade de tempo. em qualquer sistema econômico. como é o caso do lucro do capitalista. São Paulo: Xamã. com os trechos dos artigos da revista Você S/A de título “As melhores empresas para você trabalhar em 2011 & 2010”. esquerda: 3 cm. em suas variadas formas. então o tempo de trabalho excedente será igual a 5 h.5 cm. ou conhecimento social geral – importância crescente do maquinário na organização social. Em última instância. Exemplo: se o tempo de trabalho necessário diário for de 3 h e a jornada de trabalho diária for de 8 h. correspondendo ao tempo de trabalho [trabalhador] para a produção do valor das mercadorias necessárias à sobrevivência do trabalhador em dado nível de desenvolvimento das forças produtivas. O sistema Toyota de Produção: além da produção em larga escala.

Cada equipe deve dar um título para a sua dissertação diferente do tema acima apresentado. ainda que orientado e centrado no mesmo. .  Cada equipe pode pesquisar e embasar-se em outras referências além das supracitadas. às 10h40. Data de entrega: 04/04/2013. fazendo as devidas citações.