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CIBERNÉTICA SOCIAL APLICADA A COMPREENSÃO DO EMPREENDEDORISMO

SOCIAL CYBERNETICS APPLIED TO THE COMPREHENSION OF ENTREPRENEURISM José de Arimatéia Augusto de Lima1 União dos Institutos Brasileiros de Tecnologia (UNIBRATEC) Instituto de Educação Superior da Paraíba (IESP) Endereço: Av. Argemiro de Figueiredo, 4828/308, Ed. Nautillus residence, Bessa João Pessoa, PB, 58.036.030 Fones: 083.3245.6032 / 8805.7076 Fax: 083.3226.2213 arilimajp@yahoo.com.br

Resumo
Trata-se de uma discussão do comportamento empreendedor à luz da Cibernética Social na qual a partir dos conceitos básicos de cérebro triádico, proporcionalismo, quatorze subsistemas e hológrafo social reinterpreta-se o empreendedorismo. No trabalho utilizou-se como método a pesquisa bibliográfica sem a intenção de esgotar o tema mas tão somente lança apenas algumas diretrizes para a construção de um modelo teórico de compreensão do comportamento empreendedor e para a construção de uma pedagogia empreendedora e proporcionalista. Palavras-chave: Empreendedorismo; Cibernética Social; Proporcionalismo.

Summary

This is a paper discussing entrepreneurial behaviour in light of Social Cybernetics, from a starting point of the basic concepts of a three-layer brain, proportionalism, fourteen subsystems and social holograph, thereby reinterpreting entrepreneurism. The method used in this project was bibliographical research, without the intention of finding all the research that could be possibly found on the theme. In contrast, this method was utilized only to provide some guidelines for the construction of a theoretical model for the comprehension of entrepreneurial behaviour and for the construction of an entrepreneurial and proportionalist pedagogy. Keywords: Entrepreneurship; Social Cybernetics; Proportionalism.

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Graduado em psicologia e mestre em administração com foco em empreendedorismo. É professor nas disciplinas de empreendedorismo e projetos empreendedores.

A palavra cibernética é utilizada comumente como sinônimo de informática ou computação apesar de ter um sentido próprio e distinto.a sistematização de uma teoria geral do controle. Cibernética e sociedade . 1978. As idéias aqui apresentadas resultam da garimpagem em uma ainda escassa literatura e do diálogo (pessoal e por e-mail) que temos travado com o próprio criador do modelo e com a psicóloga e profa. Se a intenção é estudar as semelhanças entre os mecanismos de controle de uma máquina. Sua pretensão não é esgotar as relações temáticas entre cibernética social e empreendedorismo. Um dos primeiros a utilizá-la foi Nobert Wiener em seu livro Cibernética e Sociedade2 inspirado na palavra grega kubernetes.1. mas realizar um primeiro ensaio sobre as possíveis conseqüências da leitura do empreendedorismo sob a ótica da cibernética social. Introdução Este artigo tem por objetivo disseminar conceitos essenciais da Cibernética Social aplicados à compreensão do empreendedorismo no meio acadêmico. de animais e dos seres humanos ou se a questão é fazer um paralelismo analógico a respeito dos problemas da informação nos seres vivos e 2 WIENER.o uso humano de seres humanos. Norbert. São Paulo: Cultrix. Toda bibliografia a que tivemos acesso está disponível ao final para quem queira saber mais sobre o tema. Colandi Carvalho os quais têm se dedicado nas últimas décadas à difusão da cibernética social nas Américas e África. Especificamente trata-se de uma nova possibilidade de concepção do empreendedorismo a luz do modelo teórico – Cibernética Social – criado por um brasileiro ainda desconhecido do grande público e mesmo entre os acadêmicos Waldemar De Gregori. 2 . que pode ser traduzida por timoneiro o que é bastante adequado ao seu objeto .

19. biológicos e sociais. consumo para atender as necessidades do sistema – e de outputs – oferta. 2001. p. no seio das ciências sociais. 2. No interior de cada sistema ocorre o metabolismo ou assimilação que se desdobra na infinita dança do universo (Figura 1). Essa energia essencial estende-se numa cadeia infinita e tridimensional formando sistemas que se interalimentam circularmente em processos de inputs – demanda. Volta-se para a compreensão do fenômeno humano no contexto do Show Planetário. insumos. Em seu arcabouço tudo o que existe – átomos. células. produtos para outros sistemas. a cultura. Cibernética Social A Cibernética Social é um paradigma surgido no Brasil na década de 1960. complexificam e se decompõem retornando ao estado inicial. 3 .nas máquinas. compra. Figura 1: Fluxo de Operação do Cérebro4 Fonte: LIMA. a cibernética é considerada como a teoria geral dos sistemas mecânicos. venda de bens satisfatores. Forças triunas3 que se condensam. plantas e animais. as nações – é movido por um mesmo princípio: energia triádica. 2003 3 4 O mesmo que trina. composta de três partes. Adaptado de: DE GREGORI e VOLPATO. moléculas.

Figura 2: Trilogia Funcional do Cérebro Humano Fonte: LIMA.Do dinamismo oculto do inconsciente psicanalítico ao movimento atômico intracelular temos múltiplas manifestações da energia essencial no ser humano e em todas as suas construções sociais. intenções). desejos. olfatar. ou como diria De Gregori nos três cérebros: esquerdo. 4 . o movimento evolutivo da energia unitriádica com seus ciclos e ramificações tem dispositivo regulador ou feedbacker5 que capta as diferenças e estímulos do exterior aos quais reage para ajustar-se. Segundo De Gregori em sua teoria da Cibernética Social (1984. Esse mecanismo regulador atua. caminhar. 2001). Num primeiro momento do desenvolvimento damos respostas operacionais na busca de sobrevivência adaptativa – sugar. ora de modo a priori (expectativas. Termo importado da biologia – “biofeedback”. ora a posteriori (reação. deglutir. troco. 2003 Na operação das três funções globais do cérebro – lógica. resposta). afeição e ação – forma-se o Ciclo Cibernético de Feedback – CCF. consumir. trabalhar. central e direito (Figura 2). depois 5 Feedbacker – neologismo utilizado por treinadores de Cibernética social em seminários. No ser humano esse processo alimentadorfeedback ocorre no cérebro e seus processos. O “tricerebrar” é o processo no qual percebemos e damos resposta ao mundo. referindo-se ao elemento ou mecanismo que oferece feedback ao sistema.

abstrato. factual. preferências. analítico. estilo de vida. psicólogos e médicos que em sua maioria estão superados. estilos cognitivos. medos e motivos. ou sociais e padronizadas. Inúmeros modelos já foram propostos por filósofos. O cérebro esquerdo seria o centro da razão.significamos a experiência sensual construindo sistemas de representação interiores e inconscientes. 3. caracterizando-se por ser verbal. Cada plano pode ser entendido como manifestação de uma inteligência única e tripartida em suas potencialidades. temporal. Roger Sperry6 com sua tese de cérebro binário. afirma que nosso cérebro se especializou deixando a cada hemisfério um conjunto de atributos. comportamento. mas que há vários anos tem nos orientado em trabalhos nas áreas de educação e psicoterapia infantil. lógico. A estes dois planos subjaz afetos e desafetos. crenças. O lado predominante determina gostos. avaliação da aprendizagem e atualmente no contexto da administração geral e empreendedorismo. completado pelos demais. assim temos a inteligência triádica. 5 . Queremos neste tópico apresentar um modelo ainda desconhecido do grande público. Por ser esta sua especialidade não significa 6 Prêmio Nobel em medicina em 1982. Inteligência triádica: pressuposto para o conceito de inteligência empreendedora Apesar de toda a evolução da ciência o cérebro humano ainda é uma desconhecida caixa preta difícil de explicar. Pela programação verbal. Uma parte ou processo é hegemônico. pela pressão do jogo triádico social nosso cérebro acabou por ter uma predominância. não verbal. Cada ser humano possui um cérebro programado pela genética. estruturante. a família e o ambiente.

o afeto por intermédio de seu funcionamento. sexualidade. O primeiro e mais antigo circula o mesencéfalo e é constituído em sua maior parte pelo que os neurologistas chamam de estria olfativa. Porém somente com o processo lógico balanceado com os demais. Esta porção compartilhamos com os répteis por isso mesmo foi chamado de Complexo Reptílico. corpo estriado e globo pálido. lúdico e mítico. porção que temos em comum com os mamíferos. porção central do cérebro coordenador da motricidade. a fé. MacLean integra a função reptiliana. Sentimos o belo. porque são mais instintivas. Finalmente envolvendo estas duas camadas temos o novo cérebro ou neo-córtex. desportividade (Figura 2). demência. Ao cérebro binário de Roger Sperry. humano. Caracteriza-se por ser não-verbal. Desenvolverá menos as funções sintéticas e intuitivas e ainda menos as analítico-lógicas. O cérebro direito por sua vez seria o centro emocional. escrita e comunicação verbal. Sua especialidade é coordenar nossas vivências emocionais. Se o cérebro reptiliano toma o controle desproporcional 6 . estético. comum apenas nos primatas superiores sendo o neo-córtex humano o mais evoluído. distinguiu três compartimentos em nosso chassi neural os quais foram adquiridos ao longo da evolução da espécie humana. Se o cérebro direito-emocional toma controle absoluto em detrimento dos demais ocorre à alucinação. Sobrepõe-se a ele uma camada chamada de sistema límbico. Em equilíbrio com os demais somos sensitivos e afetivos. 2001). sintético.que se isole em suas funções. Um cérebro sem muita educação formal desenvolverá mais as funções fisiológicas e motoras. sobrevivência material. MacLean (Citado por DE GREGORI. poderíamos dizer que o homem é um ser racional. Ele apenas é mais eficiente nas atividades de cálculo.

Patrimonial. Antônio Muller (citado por DE GREGORI. Produção. 1990). Mas proporcional temos o homem como animal produtivo. Jurídico e de Precedência. O modelo apresentado por Muller dá-nos a possibilidade de uma percepção sistêmica seja de uma cidade. Hológrafo do comportamento empreendedor O comportamento humano resulta de um mecanismo interno de regulagem do organismo no seu contato ininterrupto com o real vivido ou imaginado. A Cibernética Social propõe a definição de capital intelectual como uma nova “racionalidade ou sanidade triádica”. processamento e resposta pode ser entendido sob múltiplas perspectivas. Segurança. afirma em sua Teoria da Organização Humana – TOH que qualquer realidade pode ser avaliada mais globalmente se a abordarmos por catorze ângulos diferentes denominados subsistemas. Acreditamos que uma teoria comportamental é mais eficiente quando permite uma visão holográfica do comportamento. organização ou mesmo do comportamento empreendedor. bem como a igualação dos processos mentais produz indecisão. esquizofrenia. A evolução desproporcional e sem conexão de um cérebro com os outros é uma forma de loucura. Pedagógico. Lealdade. Viário. 4. Manutenção. Sanitário. portador de inteligência operacional.ocorre ferocidade. o homem máquina. anulação recíproca ou heteronomia. É a interface perceptível das motivações profundas em suas articulações com o meio. Religioso. O ser humano como sistema de captação. Político-Administrativo. Lazer. e é isso o que pretende a cibernética 7 . Os catorze subsistemas por ele apresentados são: Parentesco.

porém de sentido contrário.social quando utiliza os conceitos da TOH de Muller. toda entrada é codificada. p. mas cabe ao cérebro transformar tudo em algo significativo. sentimentos. 2001. O hológrafo é um modelo descritor de um todo. 2001) propormos um hológrafo do comportamento empreendedor (Figura 3). Newton8 percebeu que o entrechoque de dois objetos no mundo provoca. A linha tracejada representa os limites que separam o mundo interior e o ambiente. Na faixa interna os estímulos são processados. respostas de proporcional intensidade e direcionamento. Segundo Newton quando um corpo A exerce uma força sobre um corpo B. Os órgãos dos sentidos capturam energia. 44. Deu 7 8 Adaptado de DE GREGORI e VOLPATO. dois campos em constante interação ou trocas. em sentidos contrários. um tipo de representação que se pretende o mais global possível. Com base nos mesmos princípios e no hológrafo social (DE GREGORI. Global e condensada ao mesmo tempo. este corpo B também exercerá uma força sobre o corpo A de mesma intensidade e direção. O meio é um grande alimentador com suas diferentes formas ou manifestações da energia que são capturadas pelos nossos sentidos. visível ou não. armazenada e recebe uma resposta. Representamos o mundo e a estas representações reagimos. 8 . cérebro trino do MacLean e a evolução triádica da energia no universo da física quântica. O cérebro humano a tudo responde. 2001. transformam-se em informações. emoções e cognições. Figura 3: Hológrafo Comportamental7 Fonte: De Gregori.

associada no espaço-tempo ou distanciada do aqui e agora. missão. O empreendedorismo pelo ciclo cibernético comportamental recebe o seguinte desdobramento: 1. e não o é na maioria das vezes. As ações que caracterizam e definem uma pessoa (empresa. Não queremos aqui contrapor equilíbrio à psicopatologia. desejos. metas. mas como ele pode ser entendido e trabalhado para ser mais proporcional ou mais equilibrado9 se preferirmos. afetos. pela possibilidade engendrada pelo psiquismo de resposta ou gozo postergado. Grandes empreendimentos nascem muitas vezes como um sonho mal elaborado que vai ganhando forma à medida que ganha contornos reais10. 9 . Freud deu linguagem ao inconsciente revelando os entrechoques ou os mecanismos de interação (defesa se preferir) entre o psiquismo humano e o meio. de modo claro ou disfarçado. problemas. Nada fica sem resposta: a cada ação do meio equivale uma ação interior – real ou imaginária. São respostas a estímulos imediatos ou a eventos passados que foram significados. razão. que dormem ao longo de anos e reaparecem sem uma explicação clara. 10 Na teoria de Filion seria o equivalente ao seu conceito de visão. Seu significado pode variar de acordo com o tempo e a cultura. Assim é o conjunto de ações que neste trabalho definimos como comportamento empreendedor. Projeto – fase na qual surgem os interesses. forte vontade.linguagem e voz a natureza física dos eventos naturais. ideal. nação) como empreendedora resultam desta intercomunicação com o mundo. comunidade. pois nem sempre a falta de equilíbrio entre as funções cerebrais é sinônimo de doença mental. claro ou não. completo ou não. 9 Usamos o termo equilíbrio de modo a significar apenas uma adaptação socialmente aceita entre os fatores do ego humano – emoção. etc e o ambiente em que vive o organismo. Enquanto psicólogo seguimos uma abordagem em que vê com moderação os rótulos clássicos das doenças mentais. O hológrafo comportamental nos aponta um caminho para compreensão do empreendedorismo não como ele se “apresenta” no real.

coleta de dados. Banco do Brasil. BNB. Ministérios Governamentais entre outras instituições sociais. A moderna administração e suas agências11 criam parâmetros para isso. O empreendedor faz estatísticas. simulações criando significações para seus desejos e fantasias. brinca de João Evangelista. 8. provavelmente não entenderemos a natureza de seu simbolismo. mas. é a costura dos retalhos na tentativa de concretizar um desejo. Planejamento – junção e compatibilização dos diferentes fatores. porém recorrente. 10 . É possível entendermos o objeto transacional. é o momento em que o projeto ainda não tem uma forma real. “profetiza”. demissão. cotidiano. Este momento acaba sendo o mais criativo de todo o processo. mais complexo. emocional e metodológica. explicação de causa-efeito surgem neste momento.2. fazer acontecer. escolha. contratação. Diagnóstico – chega um momento em que o ciclo se fecha. mas já tem forma no imaginário figurando como um objeto de relação transacional. Administração – gestão ou ação. Processamento – momento em que entram em ação os mecanismos de análise. “informação” – lógica. Decisão – opção por um caminho do projeto. abertura de firma. reflexão. Sua natureza somente será compreendida ao longo de sua história real (WINICOTT. 5. 1975). O brinquedo é o método de tratamento do projeto nesta fase. para se abrir um outro mais amplo. Universidades. 11 Sebrae. Futurição – o empreendedor sonha. 7. arregaçar as mangas. 4. Informação – os contornos reais surgem quando o empreendedor se alimenta de estímulos. Ouvimos com freqüência de empreendedores que iniciam negócios tendo apenas um ponto de partida. 6. 3. constrói cenários. pois se assenta sobre o ciclo anterior. Conclusão. colaboração. competição.

parcerias. Nada disso ocorre no vácuo mas num espaço-tempo delimitado. O impacto de nossas ações no futuro do planeta. material usado ou desperdiçado. parar ou mudar de direção. “fazer a ficha cair”. c) Futuro – cenários de curto. as normas e padrões. as famílias. logística 11 . encadeamento das tarefas. b) Presente – como chegamos até aqui. os novos hábitos de consumo. a hierarquia. as oscilações da economia e da política. perfil do empreendedor na época. bairro. dia. ação no mercado local ou internacional. O feedback é o momento em que se decide continuar. controle das decisões. arquivos consultados. produtividade: a) Passado – história da comunidade. rendimento da equipe. seja claro ou não em seus limites. da empresa em que se trabalhou. Feedback – parte do que acontece a todo sistema volta para realimenta-lo. as novas tecnologias. “cair na real”. como estamos. sede do emprego atual. divisão do trabalho. os níveis de organização da empresa. horários. pastas. nas jazidas locais. ‰ Procedimentos – dados dos inputs e outputs do grupo: a) Agendas – programação. história familiar. ‰ Personagens – dados sobre os grupos. cidade. 10. Supervisão – controle e acompanhamento diário. ‰ Cronologia – dados do tempo. mês e ano. faculdade. b) Interações triádicas – jogos de interesses. sentido de urgência. Em cibernética temos: ‰ Espaço – dados do ambiente interno e externo e sua interação: matriz e filiais. espírito da época. sub-grupos e pessoas: a) O chefe. sala de treinamento do Sebrae. Diz-se que o olho do dono é que engorda o rebanho. médio e longo prazo. livros.9. país.

c) Praxes – know how.integrada. normas ABNT13. que permite um entendimento amplo ou circunscrito do comportamento ou perfil do empreendedor. 12 . consciência ecológica. sociedade entre marido e mulher. participação grupal. indicadores sociais. influência do clã na comunidade. e) Legislação – sanções. d) Valores e princípios – esforço da equipe. Fundação Social. b) Símbolos – discussão. capacitação e treinamento. etnias representadas no grupo empresarial. integração de processos. análise de forças e fraquezas. preço. Vejamos os aspectos envolvidos em cada subsistema: Parentesco – escolha dos sócios. gestual. ameaças e oportunidades. promoção e PDV (ponto de vendas). mudar de estado para começar um negócio promissor. avaliação de equipe. divórcio. ética na competição. os 4P12s do marketing. tônica ou factual. divisão e participação nos lucros. técnica de redação. metodologia de reunião. ideologias. relação dos herdeiros com a empresa. Associação Brasileira de Normas Técnicas. valor agregado no marketing. mitos. natureza familiar do empreendimento. idade em que se começa um empreendimento. agressão ao meio ambiente. qualidade do trabalho. preservação ambiental. fé do grupo. Serviço de Atendimento ao Consumidor. planejamento estratégico. uso de tecnologia. Outro aspecto do hológrafo comportamental é a taxonomia dos 14S da Teoria da Organização Humana (TOH). direito de herança. tático e operacional. 12 13 Produto. comunicação verbal. divisão de bens.

relacionamento grupal. perda do apetite na véspera do lançamento de um novo produto. descarga de adrenalina pelos esportes radicais. situações de risco. aquisição e fusão 14 15 Que trabalha de moldo compulsivo. hábitos de leitura. finanças. técnicas de relaxamento. comunicação com seus públicos. treinamentos que prefere. relação que estabelece com as tecnologias da informação. estilo de compras. Manutenção – hábitos alimentares do empreendedor. lazer coletivo. reforma do ponto de vendas. estilo de negociação. seguir o líder. sistema cognitivo. networking15. especulação imobiliária. Rede de relacionamento profissional. profilaxia das doenças do trabalho. apego as coisas.Saúde – vitalidade dos primeiros anos. vestir a camisa. marketing. “viciado” em trabalho. Pedagógico – modo como aprende. domínio de linguagens técnicas . síndrome do Workaholic14. abuso de álcool pelo empreendedor ou equipe. alianças estratégicas. meios de transporte que utiliza no dia-a-dia. úlcera psicossomática. uso de consultorias. nível de escolaridade do empreendedor. Lealdade – desejo de independência do empreendedor. tempo dedicado à atividade de reposição de energia e descanso. fidelidade a seus princípios. sanidade das relações. reuniões que passam da hora do almoço ou jantar. guerra fria. Recreação – bom humor ou mau humor do empreendedor. seleção de seu pessoal. busca de autonomia. o estilo de direção mais agressivo no trânsito. Viário-comunicação – negócios internacionais. desfrute do trabalho. negociação em um outro idioma. clima organizacional.da informática. remédios para insônia típica do gestor. câmbio no comércio exterior. 13 . programas de recondicionamento de empresários e executivos. relação com a concorrência. Patrimonial – relação com os bens adquiridos.

perfil de investidor.entre empresas. como encara normas e regras. andar com seguranças. estilo gerencial. títulos e prêmios. 5. como lida com capital próprio. Administração – estilo de tomada de decisão. agir para reduzir riscos nos negócios. crise de sucessão na empresa na empresa. estilo de aprendizagem. hierarquias. capacidade de inovação. e serve ainda como referência para a criação de uma metodologia sistêmica de formação de empreendedores. apego a modelos burocráticos. Jurídico – modo como se relaciona com as instituições sociais. 14 . Precedência – busca de status quo. Empreendedorismo e proporcionalidade A Cibernética Social serve ao estudo do empreendedorismo de duas formas: como modelo descritivo e interpretativo cuja finalidade principal é a produção de um arcabouço teórico necessário a um novo campo do saber humano. Religioso – filosofias. reservas da família e da empresa. produtividade pessoal. gerenciando reuniões. autonomia e independência. ritmo de trabalho. percepção do risco. crenças pessoais. Produção – método de produção ou estilo de trabalho. controle de qualidade em suas decisões e ações. reconhecimento aos membros da equipe. como lida com a marca pessoal. vácuo de liderança. Segurança – auto-estima. delegação. percepção da imagem da empresa e de si. o qual orienta as pesquisas nessa nova área. eficácia pessoal. método de treinamento. trabalhar com base em normas e resultados testados. poupança pessoal. forma como lida com o poder.

Figura 4: Cérebro triádico e seus subsistemas Fonte: De Gregori. faz inúmeras atividades ao mesmo tempo. vive correndo contra o tempo. 2003) seriam representados a partir da organização dos processos mentais conforme demonstrado esquematicamente pela Figura 4 e Quadro 1. Em função dos comportamentos apresentados comumente por empreendedores. critérios ou aspectos de comportamento. 17 Este trabalho é uma primeira tentativa de sistematização de um modelo de análise do empreendedorismo baseado na Cibernética Social.Numa perspectiva da Cibernética Social sugerimos um empreendedorismo “proporcional” 16 . correm riscos mesmo que deles fogem17. os quais aparecem com clareza nas pesquisas de natureza comportamental. tem um senso de emergência em tudo o que faz. Para um empreendedorismo proporcional é necessário tirar do subjugo ou tirania do cérebro operacional os demais cérebros. perdem a paciência com o longo prazo. vive a apagar incêndios. podemos supor que o cérebro empreendedor é predominantemente operacional e sintético daí porque toma decisões em prazos curtos. Em Cibernética Social os “comportamentos” característicos do empreendedorismo (vide LIMA. Somente uma reeducação dos três cérebros leva o empreendedor a um perfil comportamental mais “proporcional”. 2001. 16 Preferimos o termo “proporcional” a equilibrado para evitar a conotação psico-médica que o conceito de equilíbrio carrega. 15 .

Comprometimento ƒ Faz sacrifício pessoal ou despende esforço extraordinário para completar uma tarefa. Independência e autoconfiança ƒ Busca autonomia em relação a normas e controles de outros. ƒ Mantém registros financeiros e utiliza-os para tomar decisões.Cérebro lógico Matriz de Planejamento Busca de informações ƒ Dedica-se pessoalmente a obter informações de clientes. ƒ Expressa confiança na sua própria capacidade de completar uma tarefa difícil ou de enfrentar um desafio. Persistência ƒ Age diante de um obstáculo significativo. ƒ Procura sempre novas oportunidades. ƒ Estabelece objetivos de curto prazo. mesmo diante da oposição ou de resultados inicialmente desanimadores. fornecedores e concorrentes. ƒ Utiliza pessoas-chave como agentes para atingir seus próprios objetivos. acima do lucro imediato. ƒ Assume responsabilidade pessoal pelo desempenho necessário ao atingimento de metas e objetivos. ƒ Esmera-se em manter os clientes satisfeitos e coloca em primeiro lugar a boa vontade em longo prazo. ƒ Age para reduzir riscos ou controlar resultados. Planejamento e monitoramento sistemáticos ƒ Planeja dividindo tarefas de grande porte em sub-tarefas com prazos definidos. ƒ Aproveita oportunidades para começar um negócio ou expandi-lo a novas áreas. ƒ Define metas de longo prazo. ƒ Consulta especialistas para obter assessoria técnica ou comercial. 2003 18 Baseado no modelo comportamental utilizado no Empretec e em De Gregori. ƒ Age de maneira a fazer coisas que satisfazem ou excedem padrões de excelência. 1985. Capacidade de assumir riscos calculados ƒ Avalia alternativas e calcula riscos deliberadamente. ƒ Investiga pessoalmente como fabricar ou fornecer um serviço. para terminar um trabalho. Subsistemas de informação equivalentes: S07 – Pedagógico/educacional S06 – Viário-Comunicacional S13 – Legislativo/jurídico Subsistemas de integração e decisão equivalentes: S04 – Lealdade/networking/equipe S05 – Lazer/criatividade/disposição/paixão pelo negócio S14 – Precedência/ganhador S10 – Religioso/transcedência/intuição Quadro 1: Matriz triádica do comportamento empreendedor18 Fonte: LIMA. ƒ Realiza com ganho permutas. vendas. Estabelecimento de metas ƒ Estabelece metas que são desafiantes e que têm significado pessoal. mensuráveis. aquisições. ƒ Coloca-se em situações que impliquem desafios ou riscos moderados. Persuasão e rede de contatos ƒ Utiliza estratégias deliberadas para influenciar ou persuadir os outros. Subsistemas de produção e administrativo equivalentes: S01 – Parentesco S02 – Saúde S03 – Manutenção S06 – Viário-Transporte S08 – Patrimonial S09 – Produção S11 – Segurança S12 – Administrativo Cérebro emocional Matriz Atitudinal Senso de oportunidades e iniciativa ƒ Percebe uma oportunidade a partir de poucos elementos da situação. 16 . se necessário. ƒ Mantém seu ponto de vista. 1990 e 2002. ƒ Decide em prazos curtos sem dar atenção à detalhes demorados. ƒ Busca procedimentos para assegurar o término de trabalho ou o atendimento de padrões de qualidade. ƒ Constantemente revisa seus planos. Cérebro operacional Matriz Operacional Capacidade para concretizar ƒ Abre seu próprio negócio e faz as coisas antes de forçado pelas circunstâncias. claras e específicas. Exigência de qualidade e eficiência ƒ Procura maneiras de fazer as coisas melhor. ƒ Colabora com os empregados ou se coloca no lugar deles. mais rápido ou mais barato. levando em conta os resultados obtidos e mudanças circunstanciais. ƒ Age repetidamente ou muda de estratégia a fim de enfrentar um desafio ou superar um obstáculo. ƒ Age para desenvolver relações comerciais.

expectativas de curto prazo. Qualquer projeto humano pode se constituir num empreendimento a partir de determinada configuração. detenha conhecimentos em nível epistemológico em sua área de atuação. Supomos que empreendedores têm fortemente desenvolvidas as habilidades do cérebro operacional: interesse operacional pelos negócios. podemos ter um empreendedor que se destaque pelas funções do cérebro lógico: refinado analista de projetos. Podemos ter um empreendedor onde se destaque as aptidões do cérebro emocional: bom tomador de decisão. “faro aguçado” para perceber oportunidades. Cada empreendedor é um sujeito único e foge à regras e taxonomias em vários aspectos. exigência de qualidade. O empreender pode ter como ponto de partida um processo afetivo sem nenhuma conexão com o mundo dos negócios e até sem que a pessoa se imagine à frente de um negócio. no entanto. Apesar do forte “apelo” que as taxonomias exercem sobre os pesquisadores de modo geral elas têm obviamente seus limites na descrição do sujeito real. A sociedade contemporânea precisa. comprometimento pessoal que o leva a se sacrificar pelas suas metas.Considerações finais O empreendedor é o cérebro que possui e cada cérebro é único. disposição para correr riscos. muito intuitivo. por inúmeros 17 . Ou ainda. senso estético apurado. Negócios podem surgir de brincadeiras. que realiza descobertas pela pesquisa e métodos sistemáticos. conhecedor de ferramentas sofisticadas de planejamento e monitoramento. O que não impede de que pessoas com outras aptidões também possam se revelar fortes empreendedores. forte senso de utilidade e pragmatismo. habilidoso relacional. aceitação do dinheiro como medida de sucesso.

Propor o estudo. Dissertação. São Paulo: Cortez. Goiás: Cartonagem e Editora e Anapolina. Oficina do empreendedor.. do empreendedorismo pressupõe o desenvolvimento futuro de na empreendedores mesma lógica. F. São Paulo: Pancast. Referência AIUB. G. DE GREGORI. 2002. 1984. O poder de seus três cérebros. atuem ou e empreendam baseados empreendedores empreendimentos onde os processos informacionais. Inteligência empreendedora: uma proposta para capacitação de multiplicadores da cultura empreendedora. E. Florianópolis: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Cibernética social I: um método interdisciplinar das ciências sociais. 1987. do opressor. do revolucionário da América latina. Capital intelectual e administração sistêmica: um manual de jogos de inteligência. Desenvolvemos mecanismos altamente eficazes nessa direção. São Paulo: Cultura. DE GREGORI. São Paulo: Pioneira. W. São Paulo: Cortez. que isto funcionem. numa perspectiva triádica. 1988. atitudinais e operacionais se complementem com proporcionalismo. W. São Paulo: Pancast. DRUCKER. W. DE GREGORI. criatividade e planejamento. 1999. Inovação de espírito empreendedor: prática e princípios. Educação comunitária: do oprimido. W. VOLPATO.fatores. 106f. DOLLABELA CHAGAS. é. de que esta evolução dos projetos para empreendimentos se dê de forma acentuada e contínua. 1984. DE GREGORI. P. 1994. mercado e poder. Mestrado em Engenharia de Produção. W. 18 . Cibernética social II: metodologia. W. DE GREGORI. 2001.

uma obra de cibernética social. 2000. José de A. 1994. L. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade Federal da Paraíba. n. 2-7. Empreendedorismo e gerenciamento: processos distintos. A aventura humana entre o real e o imaginário. Rio de Janeiro: Imago. GRECO. 3. Brasília: Kelps. Brasília Thesaurus. Colandi. WINICOTT. D. Interdisciplinaridade e revolução do cérebro. Da dependência a auto-condução: psicologia em módulos. v. J. 141f. 39. GARDNER. RAE Light. LIMA. Administrando para o futuro: os anos 90 e a virada do século. Colandi C. 4. J. 19 . Porto Alegre: Artes Médicas. de. 1994. O brincar e a realidade. Milton. João Pessoa. A. RAE. out-dez. 1984. 1988. p. São Paulo: Klaxon. OLIVEIRA. porém complementares. Diferenças entre sistemas gerenciais de empreendedores e operadores de pequenos negócios.DRUCKER. 1999. H. Pter. W. C. p. jul-set. 7. FILION. 2003. n. 1992. GRECO. Milton. L. Psicologia da ensinagem: psicologia dos processos mentais na relação professor aluno. São Paulo: Pancast. OLIVEIRA. 6-20. FILION. 1987. Avaliação dos critérios definidores do empreendedorismo na percepção dos empretecos. 1975. 2003. Estruturas da mente: a teoria das múltiplas inteligências. v. São Paulo: Pioneira.