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Copyright © 2007 L P Baçan Pérola — PR — Brasil
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desde que sejam preservadas as características originais da obra.

CAPÍTULO 1

Em vinte e cinco anos como juiz de paz naquele bairro afastado, o juiz Garth já vira de tudo. Assim, não lhe causou espanto algum quando, ao abrir a porta, encontrou dois jovens sorrindo timidamente. Apenas, chamou-lhe a atenção, de imediato, a máquina de escrever que o rapaz trazia na mão e a máquina fotográfica que a garota trazia a tiracolo. — Posso ajudá-los em alguma coisa? — indagou ele, utilizando-se da mesma frase que vinha repetindo ao longo dos anos. Os dois jovens se entreolharam antes de responder. A mão do rapaz buscou a da garota, unindo-se a ela com firmeza. Um olhar de ingênua felicidade brilhou naqueles rostos. — Bem, queremos nos casar — respondeu o rapaz, encarando o juiz. — Já providenciaram os papéis? — É que... Bem, não há um modo simplificado de resolvermos isso? O juiz sorriu. Era divertido ver a pressa dos jovens em momentos como aqueles. Ele balançou a cabeça e convidou-os a entrar. — Sim, creio que podemos resolver isso. Minha esposa servirá de testemunha. Ela já está habituada a isso — respondeu o juiz, conduzindo-os até seu gabinete de trabalho. Ele contornou sua escrivaninha e abriu um grande livro. Colocou seus óculos e indagou: — Os documentos, por favor. Preciso de seus nomes, datas de nascimento e outras informações. O rapaz revistou os bolsos atabalhoadamente, entregando um documento ao juiz, enquanto a garota fazia o mesmo. — Ótimo, é só um instante agora.

Assim que terminou de lavrar a certidão, o juiz saiu por uma porta, voltando a seguir em companhia de sua esposa, uma senhora idosa e sorridente. Os dois jovens se entreolharam emocionados. Havia uma certeza brilhando em seus olhos, como se um sentimento muito profundo brotasse de dentro deles e se estampasse em suas fisionomias. O juiz leu as palavras habituais, encerrando rapidamente a cerimônia. — Pode beijar a noiva agora — disse ele, ao final. Wally Roberts olhou constrangido para Edna Perkins, agora Sra. Roberts. A garota fechou os olhos e aguardou, enquanto ele, suavemente, depositava seus lábios sobre os dela. Um arrepio percorreu o corpo da jovem ao sentir o contato daqueles lábios quentes e adorados. Ela se aconchegou entre os braços dele, deliciada. — São dez dólares, meu rapaz — interrompeu-os o juiz. — Como? — retrucou o rapaz, despertando do suave encantamento. — Dez dólares — repetiu o juiz. — Oh, sim — concordou Wally, retirando de seu casaco uma nota amassada e entregandoa ao juiz. — Aqui está a certidão, felicidade a ambos — concluiu o juiz, acompanhando-os até a porta de saída. Wally apanhou a máquina de escrever que deixara do lado de dentro da porta quando entrara; Edna apanhou sua câmara fotográfica. O juiz sorriu mais uma vez, antes de fechar a porta. — Lá se foi minha última nota — disse Wally, do lado de fora, na rua. — E daí? — Daí? Estamos em lua-de-mel, já se esqueceu? — Não, mas isso é problema seu.

— Quis dizer para onde vamos agora? — disse ele. Talvez ele . despreocupada e feliz. Depois. enfrentarem aquele problema comum. Eram ambos jornalistas "free-lancers". quando as coisas pioraram e o dinheiro acabou. — Amo você. um encontro casual na redação de um jornal. — Espere aí. depositou sua máquina de escrever no chão e abraçou a garota. parando. — Ora. com malícia. mas havia algum tempo que não conseguiam nada de positivo. juntos e unidos definitivamente. beijando-a novamente. enquanto caminhavam pela calçada. mas. sua maluca! — exclamou ele. Alguns transeuntes deles. Vendiam suas reportagens e fotos a quem pagasse mais. mas resolveram arriscar assim mesmo. — Sei lá. Os tempos andavam difíceis para ambos. A partir daí. Wally a abraçou. Wally a olhou com ternura. — Que casa? Nós ainda não temos isso. Era um modo de. tenho um amigo que possui um apartamento na Quinta Avenida. do tipo que não se prende a um local fixo de trabalho. vamos andar por aí. — E daí? Você dará um jeito. — O que vamos fazer agora? — indagou ele. numa pausa. Com o passar dos dias. Que pergunta tola! — respondeu ela. um sentimento ainda indefinido atraiu um para outro. Foi então que resolveram se casar. talvez aconteça alguma coisa. Conheciam-se há algum tempo. foram despejados.— Como assim? — É o homem da casa agora. beijando-a longamente. aquele sentimento se intensificou até se transformar em algo profundo e sincero. Viviam juntos num pequeno apartamento alugado. Edna encostou sua cabeça no ombro do rapaz. Ambos sabiam que as coisas não seriam fáceis. querido.

olhando-a com desejo. O outro. parou em frente da joalheria.possa nos emprestar por esta noite. Abraçaram-se e voltaram a caminhar.. Quando será a cerimonia? — indagou o joalheiro. Quem será o substituto? A Máfia precisa de homens fortes. Dois homens desceram. O joalheiro levantou os olhos e sorriu assim que os viu entrar. temos o bastante para pagá-lo. *** A limosine negra. Não é sempre que se tem a oportunidade de lapidar e engastar uma pedra como aquela. se antecipou ao primeiro. — Vamos ter que andar um bocado. brincalhão. impermeável e claro. — Grande idéia! Vamos para lá. Temos que aproveitar nossa lua-de-mel — falou ele. enquanto abria um pesado cofre. cara fechada e chapéu de aba curta. Isso basta. impecavelmente polida. Um deles vestia um sobretudo escuro e carregava uma pequena maleta de couro na mão. vestia um capote curto. — Então Dom Salvatore vai se aposentar. . por trás de um imenso painel. embutido na parede da loja. — No próximo sábado — respondeu secamente o homem da maleta. O futuro era incerto ainda. abrindo a porta. — Grande consolo! — exclamou ele. — Salvatore D’Angeli nos mandou — falou o homem que tinha a maleta. — Trouxeram o dinheiro? — Sim. estou com você. foi um trabalho difícil e delicado. — Isso é ótimo.. mas o amor que os unia fazia tudo muito divertido e promissor. — Não importa.

que tem isso? Sempre colaborei com Dom Salvatore. por acaso. mas nunca se podia manter segredo sobre alguma coisa como aquilo.— É bom para a saúde não se saber nada a esse respeito. voltando a guardar um pacote. Larry Volare? O homem da maleta não respondeu. Nova Iorque se banharia em sangue novamente. Subitamente. Não querem o recibo? — Boa piada! — disse o gangster. — Ora. — Está tudo certo. vai haver muito barulho. — Quanto devemos lhe pagar? — Quinze mil dólares. guardando a caixinha do anel dentro da maleta. tentaria se apoderar do trono mais importante do submundo do crime. — Então alguém discorda da decisão de Dom Salvatore ao escolher seu substituto. — Nunca vi nada como isto! — exclamou. De um lado Dom Salvatore tentaria impor sua vontade. Aquele era um assunto confidencial. O joalheiro tinha razão. — Aí está.. apoiado pelos de Chicago. Larry Volare. virando as costas. esta foi aberta por um . — Desta vez é diferente. rapazes. três pacotes de cinco mil — falou ele. Entregou três deles ao joalheiro. O homem da maleta apanhou a caixinha e examinou seu precioso conteúdo. Seu companheiro se antecipou na direção da porta. retirando a jóia do cofre e colocando-a em uma caixinha de veludo. — Aqui está o anel. é o preço pelo trabalho. abrindo a maleta e apanhando quatro grandes pacotes de notas. sem rir. chegamos até a trabalhar juntos algumas vezes. vai ser o mais legitimo símbolo de poder de um membro da Máfia — disse o joalheiro. levando Joseph Tramponi ao poder. de outro. O discordante não seria.. — Está bem — concordou o ombro. onde estavam os cinco mil dólares que sobraram e uma arma automática. Dom Salvatore está sabendo que não foi fácil fazer isso.

ele rastejou para a porta dos fundos. — Você nos traiu. de arma na mão. O homem de sobretudo escuro abaixou-se e apanhou a maleta novamente. Acenou para um táxi. se distraíram quando a maleta caiu. Sem soltar a maleta. se correr como nunca correu. Os outros dois. por alguns segundos. O outro disparou a metralhadora. sem um gemido. Uma nova rajada de balas varreu o interior da loja. antes de imobilizar-se e cair com os olhos esbugalhados. Os dois gangsters que estavam sob a mira das metralhadoras meteram a mão dentro de seus sobretudos e tiraram suas armas. O homem da maleta virou-se para o joalheiro com uma expressão furiosa no olhar. O joalheiro o olhou apavorado. Dom Salvatore saberá castigá-lo. Jerry voltou para o interior da loja. — Joguem suas armas no chão. com as metralhadoras. — Joe. Um dos homens parados à porta dobrou-se em dois e caiu. — Cem dólares. maldito! — Sem conversa — ordenou um dos homens com a metralhadora. enquanto tudo ao seu redor se estilhaçava. Um disparo soou dentro da loja. As balas arrebentaram vitrines e tiraram lascas das paredes. decididos. rápido para o carro — ordenou o homem da maleta. Saiu por um beco. Jerry. O gangster da maleta pensou rápido ao soltá-la no chão. . aproveitando para disparar outra vez. quase cortando-o ao meio. vinda de um carro parado em frente à loja. Dois homens armados de metralhadoras entraram. lentamente. Quando ambos deixavam apressadamente a joalheria.violento pontapé. uma rajada de metralhadora. — Certo. atingiu Joe. Jerry meteu-lhe uma bala na cabeça. Jerry atirou-se ao chão. saltou um muro e correu por um terreno baldio até a rua. amigo — disse ao motorista. Seu oponente ainda apertou o gatilho da metralhadora.

— O que foi. Jerry viu o pobre homem tombar sobre o volante. Uma nova descarga daquelas armas e tudo estaria perdido. se aproximando ameaçador. Os pneus do carro cantaram no asfalto. Seria a desmoralização. uma rajada de balas arrebentou os vidros da frente do táxi. Freou violentamente seu carro. O carro que vira parado em frente à joalheira vinha em sua perseguição. Se conseguissem apanhar a jóia que ele trazia consigo teriam. Jerry o atingiu e depois passou para o banco da frente. vencido o poder e a força de Dom Salvatore. Jerry olhou pelo retrovisor. Era um carro maior e mais possante. atirou-a para fora do carro.— Mas o que está havendo? — Faça o que eu disse e tudo sairá bem — ameaçou Jerry. Seus perseguidores estavam a poucos metros. numa curva. a sua frente. deixando duas marcas pretas. empurrando o motorista para o lado. Jerry sentiu um alivio enorme ao ver. Ele pisou firme no acelerador. — Você manda. O veiculo ganhou velocidade. quase abalroando o outro. porém. afastando-se do local. Uma ferida na honra de um homem velho e poderoso. uma rajada de metralhadora atingiu a lataria do carro. enquanto seus perseguidores tomavam um outro rumo. Uma idéia lhe ocorreu. . querida? — O que é aquilo? — apontou ela. Quando ia arrancar com o carro. parceiro — respondeu o motorista. um carro-patrulha da policia. evitando a policia. Jerry apanhou a maleta e. No momento seguinte. *** Edna soltou o braço de Wally de seu ombro e olhou curiosa para a beira da rua. estilhaçando os vidros de trás. Os gangster sabia o que os outros desejavam. com uma metralhadora em suas mão. simbolicamente. mas aquilo parecia inútil. apontando-lhe a arma. Um homem se aproximava.

nada estragado. — Sim. no entanto. apanhando a caixinha e abrindo-a. o couro. forçando a fechadura com os dedos. Edna olhou extasiada para a jóia. — Deixe-me ver — pediu Wally.. — está trancada. Edna não viu. indo apanhar o objeto. Havia ali uma arma automática. Pode haver algum endereço aí dentro — disse ele. um pacote de notas de cinqüenta dólares e uma pequena caixa de veludo.— Parece uma dessas maletas de executivos. não? — Por que a teriam jogado fora? — Sei lá. — Isto aqui parece um estojo para jóias. indicava tratar-se de um artigo de luxo. A maleta estava riscada em alguns pontos. talvez esteja estragada. apanhando-a com cuidado e examinandoa. — E esta arma. sem poder acreditar que algo tão bonito pudesse realmente existir. — O que acha? — Penso que alguém perdeu isso. sem conseguir sucesso. Com um estalido seco a alça de metal se soltou. . — Vou dar uma olhada — disse ela. talvez dê certo — concordou ele. apanhando o pacote de notas. No entanto. não? — falou Edna. golpeando a fechadura. — Vamos ver o que há dentro? — Bem. passando-lhe uma pedra que achara junto ao calçamento. está carregada — disse o rapaz.. — Wally. acho que devemos fazer isso. — Bata com isso — disse a garota. Um enorme diamante lapidado jogava reflexos no veludo da caixa. de primeira qualidade. veja isso! — exclamou a garota. Wally abriu a tampa e engoliu seco ao perceber o conteúdo.

Talvez seja até um bandido. Edna voltou a examinar a jóia e o pacote de notas.. com uma arma e tanto dinheiro. Edna? — indagou ele.. Há dinheiro bastante aí para começarmos nossa vida. não há nenhum endereço aqui. . — O que vamos fazer? — Acho que devemos levar à policia. — O que tem isso? — Pode significar que a pessoa que perdeu a maleta não é digna de confiança. ou não estaria nesta maleta. Pela expressão de seu rosto demonstrava que concordava com as palavras da esposa. querido. Se esperarmos até amanhã.. poderemos receber uma boa gratificação. Seus olhos brilharam. que o preocupava. examinando a pedra. pensativo. que no momento me parece boa. — Mas e isto. acho que não devemos nos precipitar. — Mas pensando bem. — O que foi? — Pode ser algo muito perigoso. porém. levantando a arma..— Wally. mas ocorreu-me uma idéia maluca. Penso que o dono de uma jóia como esta vai reclamar. Na certa colocará anúncios nos jornais. Além disso. — Escute.. um gangster. um pensamento excitante passou por sua cabeça. É perigoso. Wally escutou-a atentamente.. — disse Wally. — Penso que sim. quem pode saber? — Sim. isto deve valer milhões! — Acha que é legitimo? — indagou ele. Havia algo. Mas como alguém pôde ser tão descuidado a ponto de perder isso? — Não posso entender também. você tem razão.

. perderemos tudo isso. mas não creio que vá desprezar um valor tão grande como deve ser o desse anel. querido. — Acho excitante sua idéia. — Verdadeiramente inesquecível — concordou ela. teríamos um bom material para vender aos jornais. Jerry estava habituado a trabalhos perigosos dentro da organização e sempre contara com uma boa proteção em casos como aquele. Podemos ficar quietos e aguardar. mas gosto disso. — Então está feito. É a chance que esperávamos. — Não tem medo? — Estou com você. Wally. nada me assusta. Se levarmos isso à policia. — Mas aguardar o quê? — Imagine a noticia que conseguiremos? Daria uma excelente reportagem. Você fotografaria tudo. sentado na cela onde fora posto. vai tentar recuperá-las. Estaríamos feitos. quando fora preso. Não sei como o fará. com um belo reinicio de carreira. dom Salvatore fora informado de sua prisão e deveria ter tomado as devidas providências para que ele fosse solto. Não estava preocupado com a sua situação. garota. mas penso que não temos outra escolha no momento. Grande idéia! É arriscado. junto com a arma automática. — Pode não ser muito honesto. Vamos ter uma lua-de-mel da pesada. Havia criado uma historia convincente. guardando o anel e o dinheiro na maleta novamente. Não era a primeira vez que aquilo acontecia. CAPÍTULO 2 Jerry fumava tranqüilamente. Além disso. — Quem perdeu essas coisas.— Explique-me. — Sim. poderíamos incluir alguns detalhes perigosos para emocionar o leitor.

como magnificas casas. Jerry respirou fundo antes de responder.Além do mais. por alguma espécie de ligação. como sempre. Ali. pode me entender. — Você está livre. — Vamos logo. mas tinha certeza que Dom Salvatore compreenderia o problema. O policial o conduziu até a sala de triagem. de um modo ou de outro estava presa a Dom Salvatore. Dom Salvatore espera por você — ordenou o advogado. Jerry se levantou e vestiu seu sobretudo. Jerry imediatamente reconheceu o advogado preferido de Dom Salvatore. . em sua maioria. Jerry recebeu de volta todos os pertences que lhe haviam tirado. Sem demonstrar pressa. — Onde está a jóia? Dom Salvatore está preocupado. Isso ia desde o recebimento de pequenas quantias nos momentos certos até a grandes presentes.. pode acreditar. quando de sua prisão. Um carro o aguardava à porta da delegacia. Um guarda se aproximou da cela. tira? — finalizou caminhando pelo corredor entre as celas. carros luxuosos ou outro tipo de suborno. Sabia que havia decepcionado seu chefe.. com uma segurança que seria considerada como ofensiva pelos policiais ali presentes. — Digamos apenas que eu trabalho para as pessoas certas. com desprezo. pode sair — disse o policial. era sabido por todos que a policia de Nova Iorque. — Fez um bom trabalho. — É. — Eu disse que não ficaria aqui por muito tempo — falou o gangster. um criminalista especializado em livrar homens como Jerry de problemas como aquele em que ele se metera. abrindo a porta. — Dom Salvatore já sabe sobre a joalheria? — O inferno. principalmente ao saber que fora traído pelo maldito joalheiro. isso acontece quando se tem as costas quentes. Jerry caminhou para a saída. Você deve ser alguém importante.

— Eu perdi a jóia — disse ele. Ao perceber a entrada de gente na sala. Além disso. — Como eles chegaram lá? Como souberam? — indagou o velho. Era madrugada.. . mas firme. num excitação que o fez respirar fundo e apressado. O carro foi identificado através de uma câmara de televisão em circuito interno para que o portão se abrisse. ele entenderá. — Não se preocupe por mim. com um suspiro. Eu o matei. parando. O carro percorreu as ruas de Nova Iorque. a presença de um eficiente esquema de segurança. numa grande poltrona de couro macio. com voz rouca.. inclinou o corpo para bater o cachimbo nas pedras da lareira. Jerry? — indagou ele. com impaciência. mataram Joe e o motorista de nosso carro. quando Dom Salvatore souber disso. — Perdeu? — espantou-se Jerry. Olhou-o submisso. Jerry se aproximou respeitosamente daquele velho de cabelos brancos e rosto inexpressivo. dirigindo-se para um dos mais elegantes e bem localizados bairros. em pontos estratégicos. — O joalheiro nos traiu. homens armados de metralhadoras estavam em constante alerta. todo trabalhado em estilo medieval. algum tempo depois. — O que houve. Dom Salvatore estava sentado ao pé da lareira. ali. — Como assim? — Explicarei quando chegarmos. em frente a um enorme portão de ferro. Notava-se. — Não quero estar em sua pele. — Os homens de Volare estavam na joalheria. fiz a coisa certa. Vestia um roupão de seda chinesa e fumava seu cachimbo predileto. antes de ajoelhar-se e beijar a mão enrugada do velho mafioso. Fios camuflados indicavam que toda a cerca de ferro ao redor da propriedade era eletrificada.

não. Dom Salvatore. Fiz o que achei certo: joguei a maleta fora. como escapou? — Foi um milagre. fechando os olhos como que à procura de calma. que não podia deixar que eles ficassem com o anel. — Ganhou minha confiança. numa interrogação muda e significativa. também. Sabia. — Muito bem. Achei que seria preferível isso a deixar que eles o apanhassem. onde está o anel? Você não deixou que eles o pegassem. sempre soube que você daria a sua vida pela minha. — Estive pensando nisso. O velho ficou em silêncio. — Eles estavam me alcançando.. Jerry. Eu posso lhe explicar. Já pensou no que vai fazer agora? — voltou a falar o velho. — Como pode ter certeza que a pessoa que encontrou o anel não o tenha entregado à . Espero que eu não tenha me enganado a seu respeito. Jerry? — Eu o perdi — falou o pistoleiro.. meu filho. pensativo. Dom Salvatore arquejou. abaixando a cabeça à espera de uma reprimenda. Havia mais do que cólera neles: um sentimento sanguinário e indefinível parecia saltar daquelas órbitas cinzentas e frias. Jerry o olhava com expectativa.. Os olhos do velho se fixaram nele. Eu percebi que não conseguia escapar. há quando tempo está conosco? — Desde os quatorze anos.. — E o anel. Dom Salvatore.— E você. O velho fechou o rosto. — Não. Jerry. — Então explique. — Jerry. Acho que se colocarmos anúncios nos jornais. — Jogou fora um anel de quase um milhão de dólares? — Sim.

Edna. Seu corpo jovem estava apenas coberto por uma ponta da colcha da cama. mas quero aquele anel até sábado. — Sorte nossa termos encontrado todo aquele dinheiro na maleta. querido! Grande! — Não sei onde isso vai nos levar. Os últimos acontecimentos nada significavam naquele instante. — Aquela foi grande. querido. — disse ele. Poderemos negociar. Você viu a cara deles quando mostrei o maço de notas? Ficaram mansos e suaves como cordeiros — riu ele. Vai receber o troco esta noite. — Você viu a cara deles quando chegamos? Devem ter pensado que não tínhamos dinheiro. tenho certeza disso. Olharam-se em silêncio. — Isso que é vida. sozinhos. Quem achou aquilo deve ter ficado tentado pelo valor. fresca e perfumada. — Agora vá. — O senhor o terá. Não sei como o fará. Na cerimonia eu terei que lhe entregar o anel. Edna o aguardava. Wally inclinou-se lentamente sobre ela. Apenas eles. mas vamos aproveitar enquanto acontece. Jerry. Dom Salvatore. Larry Volare foi longe demais. atirando-se sobre a cama. vivendo aqueles momentos íntimos. divertido. *** Wally saiu do banheiro com a toalha enrolada no corpo. — Sábado vou transferir todo o poder a Joseph Tramponi. querida! — exclamou ele. Preciso falar com Bambini. É só localizarmos a pessoa que achou. sério.policia? — Havia cinco mil dólares dentro da maleta. admirando as linhas suaves daquele rosto . os corpos ansiosos pelo encontro supremo. sobre o leito. — De acordo. além do anel e de uma arma.

sentindo-se tomada de uma forte emoção. ansiosos. por favor. Wally estendeu a mão e desligou a luz do abajur. Edna o apertou contra si. gozando um prazer intenso naquelas palavras. Um abraço frenético os uniu. A musica ambiente chegava até eles em surdina. Suas peles se tocaram. . mas cheios de paixão. fazendo-a suspirar. — Amo você. seus corpos pareciam flutuar. — Como poderia me esquecer? — retrucou ela. Havia qualquer coisa de grande e delicioso naquele beijo. Suas cabeças giravam. Edna levantou a cabeça até que seus lábios roçassem suavemente os lábios dele. que agora esmagavam os seus com impaciência. algo que a fez entregar-se totalmente àqueles lábios. a testa. beijando-a com paixão. enquanto seus lábios se buscavam novamente. O contato de seus dedos com aquela pele quente a deixou transtornada. o queixo. Seus gestos foram se tornando impacientes. sabia? — indagou ele. mas em nenhuma das vezes anteriores o amor fora tão emocionante. apenas a noite e os contornos indefinidos dos móveis do quarto. unindose num beijo demorado e insaciável. num sussurro. enquanto sensações deliciosas e desencontradas os invadiam. O corpo de Wally pesou sobre o dela.terrivelmente feminino e provocante. as faces. — Estamos em lua-de-mel. sentindo seu corpo arder de desejo. Edna sentiu suas faces arderem. fazendo-a arrepiar. como que eletrificadas. Seu hálito quente acariciou os lábios da garota. Edna entreabriu os lábios. Edna — murmurou o rapaz. Ambos já haviam se amado antes. Wally esfregou seu corpo ao dela com luxúria. ao ouvido da garota. ao mesmo tempo em que um tremor delicioso abalava todo o seu corpo. Wally acariciou-lhe os seios com gestos calmos. Wally — suplicou ela. até que seus braços penetraram pela toalha que Wally tinha ao redor do corpo. Ao redor. trêmula e excitada. enquanto os lábios dele faziam uma espécie de reconhecimento pelo rosto da jovem. — Repita isso. Seus corpos vibraram na mesma emoção violenta. O rapaz a atraiu para si. beijando-lhe os olhos.

Edna suplicou pelo momento final. O prazer provocado era intenso. Uma estocada rápida e profunda e se viram fundidos em um só corpo. deitando-se sobre ela.. em retribuição. o êxtase supremo da paixão. ora subindo pelos deliciosos aclives de seus seios redondos e quentes. como se tudo que fizesse fosse insuficiente para dar a eles a atenção merecida. Os quadris do rapaz se movimentaram com ritmo. o prazer máximo. amo você.— Amo você. ao mesmo tempo em que os acariciava. o delírio total.. O corpo de Edna se levantava no ar. Wally encaixou-se nela. . à medida que seu interior ardia mais profusamente. Impaciente e excitado. fazendo aflorar à superfície os mais desencontrados sentimentos e sensações. Edna cravava suas unhas na pele do rapaz. enquanto suas mãos se desdobravam em caricias sutis.. Nada mais havia que seus lábios pudessem explorar em suas caminhadas alucinantes por todos os pontos sensíveis da garota. Ambos balbuciavam palavras de amor. enquanto tudo ao redor deixava de existir. Atingiram ambos um crescendo que ultrapassava os desejos comuns.. que subiam por sua espinha eletrizando-a. tocado por uma corrente elétrica incontrolável. Ora ultrapassando o vale abaixo dos quadris e se perdendo na macia distância daquelas coxas firmes e torneadas.. Wally atendeu prontamente. O corpo de Edna se agitou. Edna flexionou os joelhos para os lados. enquanto sua respiração parecia sumir. Sua respiração era irregular e ofegante. então. o rapaz mordiscou ligeiramente os seios da garota. — repetiu ele. quase insuportável. Os movimentos de Wally se apressaram. Edna sentiu como se um terremoto agitasse seu ventre. As mãos dele. correram impacientes pelo corpo da garota. delirante. tal o prazer que as caricias de Wally lhe causavam. Só havia o amor que dominava seus corpos e os consumia numa paixão avassaladora. Com febrilidade ela acariciou toda a extensão do corpo do esposo. ora caminhando a extensão acetinada de seu ventre.. fazendo-o suspirar ao acariciar-lhe o ponto mais sensível. Seus corpos atingiram.

A garota tinha o corpo satisfeito. Jacob Torino. as faces. Dom Salvatore estava velho e Larry se julgava no direito de substituí-lo. Com o passar dos anos. Havia conseguido uma aliança com outros ramos da organização. naquele momento. Os obstáculos eram removidos do modo mais simples: através das armas. Iniciara suas atividades como mafioso. depois a testa. Wally acariciou-lhe os cabelos. pode estar certa. querido! — suspirou ela. Wally continuou abraçado a ela. — Wally.Edna sentia fluir dentro de si toda a paixão de Wally. os ombros. braço direito de Volare e seu homem de armas. saboreando aqueles beijos como o prato final de uma refeição memorável. beijando-lhe os olhos lentamente. impôs-se como homem autoritário e rigoroso. enquanto seu corpo parecia inundado por uma calma gostosa e repousante. mandados ali para consolidarem essa aliança. A garota se aninhou nos braços do marido. em seu cassino no centro de Nova Iorque. *** Larry Volare era um homem ambicioso. Agora durma. à frente de quadrilhas especializadas em roubos de carro. até que Edna dormisse placidamente. planejando sua ascensão. de dois representantes de Chicago. você está cansada. Nova Iorque parecia ser uma cidade nascida para ser dominada por Larry Volare na opinião dele. Prova disso era a presença. com métodos violentos para resolver todo e qualquer problema. enternecido. — Sim? — Não estamos sonhando? — Mais ou menos. Há muito ambicionava pelo poder supremo. Junto à mesa. lânguida e vencida. — Vai dar tudo certo. não? — Vai sim. querida. apresentava .

Larry correu para a vigia de onde tinha uma visão ampla de todo o cenário. Mande nosso pessoal ficar atento. Vamos incluir um anúncio também. havia cinco mil dólares dentro dela. os homens de Dom Salvatore concordam em que o felizardo que encontrou fique com eles. — Dom Salvatore está velho. Larry inclinou-se para trás em sua cadeira. naquele momento. Como que fazendo eco a suas palavras. — Sim? — Estamos oferecendo uma gratificação maior pela maleta. — Acho isso uma tolice — comentou o segundo homem. Gosto da sua eficiência. saindo. — Já está tudo preparado. além do dinheiro que ficou na maleta. voltando-se para os dois homens. — Você pensa por mim. Jacob. Segundo eu soube. — Então os homens de Dom Salvatore estão telefonando para todos os jornais. amolecido — disse um dos homens de Chicago. — É uma boa noticia. acendendo um charuto. — Como saímos daqui? . principalmente depois que vocês falharam em conseguir o anel. mas é bom estarmos preparados. Vamos oferecer mais cinco mil dólares. hem? Que tipo de anúncio pretendem publicar? — Desejam recuperar a maleta que estava com Jerry. — Talvez sim. Jacob? — Estou telefonando para nossos amigos nos jornais. Que providências tomou.um relatório. rajadas de metralhadoras e tiros de armas automáticas ecoaram dentro do cassino. chefe — disse o capanga. quando o atacamos na joalheria. destruindo tudo e matando todos a sua passagem. Dom Salvatore talvez nos faça uma visita nada cordial. Um animal agonizante é sempre mais perigoso. — São eles! — exclamou Larry. Assim que ele terminou de falar. Homens armados entravam.

um de seus mais eficientes pistoleiros. porém. Os que o puderam ouvir o acompanharam. Dominados numericamente. livres de qualquer problema. — A policia vai bisbilhotar por tudo. quando um painel deslizou silenciosamente. Quando os homens de Dom Salvatore. nada encontraram. porém. Preparem o ambiente. de destruírem tudo que encontraram pela frente. Volare já estava lá. Jacob — ordenou Larry. virá aqui nos fazer perguntas. entrando pela passagem no escritório de Larry. . — Tentem detê-los. — Maldição! — exclamava ele. Enquanto isso.— Há uma saída de emergência por aqui — indicou Larry. comandados por Bambini. apertando um botão na parede do outro lado. e o painel retornou aos eu lugar. os homens comandados por Jacob caíam varados pelas balas inimigas. — Ótimo. Isso não os impediu. Os mafiosos de Chicago acharam que era o momento de também darem o fora. passando a chefia a Tramponi. Jacob e seu grupo escapavam. Um de meus homens os levará até o cais. tentando reagrupá-los. enquanto Larry e os dois mafiosos de Chicago escapavam pela passagem secreta. indignado com o acontecido. jogando cartas. diga a eles que preciso de ajuda ou dom Salvatore imporá sua vontade. De lá chegarão facilmente ao aeroporto. — Cubra nossa saída. O cassino se transformou num campo de batalha. — Diremos em Chicago sobre o que vimos aqui. rumando para uma casa à beira-mar. Jacob foi o último. — Há um barco no ancoradouro. chegaram à sala. para todos os efeitos. Uma passagem na parede surgiu. estivemos aqui a noite toda. — Vamos dar o fora! — gritou ele. Jacob voltou para seus homens. após pressionar um botão sob o tampo de sua escrivaninha. Jacob entrou no escritório de arma na mão.

com a ajuda de nossos aliados. Além do mais. — Repita isso. certo de que aquilo sorria bem aos ouvidos do patrão. Volare fechou os olhos.. Você terá armas e homens suficientes para isso. Havia uma pequena banca de revista e jornais ali mesmo. podem ir. deixou o quarto e foi até a portaria do hotel. Sem acordar a esposa. CAPÍTULO 3 Wally acordou cedo naquela manhã. Após a saída de seus aliados. . Ali. Wally teve sua atenção despertada para as manchetes que apareciam em todos os jornais. Jacob! Precisamos nos reorganizar agora. deliciado.. Dom Volare — falou Jacob. Foi um golpe doloroso esse. chefe? — Primeiro precisamos daquele anel. Quem entrasse ali juraria que aqueles homens haviam passado a noite toda jogando. eles farão tudo para ajudá-lo a impedir isso. Com armas e homens suficientes poderemos varrê-los de Nova Iorque. todos nós só temos a lucrar com o sucesso dessa luta. cairemos sobre Dom Salvatore e Tramponi como abutres. Estava particularmente ansioso para procurar nos jornais alguma menção ao que ele e Edna haviam encontrado na noite anterior.— Não se preocupe. — Em breve estará sentado à cabeceira da mesa do Conselho. Jacob e os outros homens haviam preparado tudo de modo eficiente.. — Bom trabalho. — É algo vital para mim conseguir isso. Soa maravilhosamente bem. Se o anúncio no jornal funcionar. Agora. Depois. Larry foi para uma sala ao lado. Uma idéia lhe ocorreu e ele voltou imediatamente para o quarto. nós o teremos. Comprou um jornal e leu a noticia principal daquela manhã. Está tudo preparado para vocês. — Vai revidar.. Jacob.

— Sim. — Não se preocupe. assustando-se com o tom de voz do esposo. — Sim. — Qual é o nome da joalheria assaltada. sentando-se na cama com uma expressão desconfiada em seu rosto. Penso que vi um nome naquela caixinha. Wally — disse ela refugiando-se nos braços dele. Edna cobriu os olhos com as mãos. Houve um tiroteio danado numa joalheria. — E o que vamos fazer agora? Wally soltou-a e caminhou pensativo pelo quarto. Edna empalideceu. entrando e acendendo as luzes. isso não lhe diz nada? — Espere um pouco. — Estou com medo. Edna o acompanhou com os olhos. não? — Sim. Ela apanhou o estojo onde estava o anel. Wally? — Joalheria Fênix. — A jóia veio de lá! — exclamou ele. — Joalheria? — indagou ela. veja isso aqui nos jornais — disse ele. ansiosa. Na parte de baixo estava gravado um simples nome: Fênix. com uma porção de mortos. . Wally. seus olhos olharam assustados para Wally.— Edna. o nome de uma joalheria — disse ela. e aquela arma na maleta já nos diz tudo. que se aproximou para ver o motivo daquela reação. — O que é? — Os gangsters voltaram a agir em Nova Iorque. pulando da cama e indo abrir a maleta. Acho que temos uma bela encrenca nas mãos. querida. ninguém sabe que isso está conosco.

— Vamos continuar com o plano. É uma boa chance para nós, não vamos desperdiçá-la, Edna — disse ele, apanhando novamente o jornal e folheando-o. — O que está procurando aí? — Espere um instante — pediu ele, detendo-se em uma das páginas. — Interessante... — O que descobriu? — indagou ela, olhando sobre o ombro dele. — Veja isso, há dois anúncios que parecem falar sobre a mesma coisa. Um deles pede a devolução da maleta, menos o dinheiro; o outro oferece mais cinco mil dólares pela devolução da jóia que estava na maleta. — Mais cinco mil dólares? O segundo parece mais vantajoso. — Sim, quer dizer que poderemos lucrar dez mil dólares. É muito dinheiro. — Sabe o que penso? Estamos no centro de uma disputa dentro do submundo do crime. — Por que pensa assim? — Fotografei acontecimentos policiais diversas vezes, a gente termina desenvolvendo um sexto sentido para a coisa. Além disso, a última vez que estila lá no jornal para vender umas fotos, falavam que a cidade pegaria fogo com a sucessão. — Que sucessão? — Ao trono da Máfia. — E o que o anel tem a ver com isso? — Não sei, mas posso me informar agora mesmo. Vou falar com um amigo lá no "Sunday", especialista nesse assunto — disse ela, apanhando o telefone e discando. — Redação de assuntos policiais, Doble falando. — Doble, aqui é Edna... — Por onde tem andado? Há muito trabalho para ser feito. Já soube das últimas?

— Sim, estou lendo o jornal agora. Acha que se trata de alguma coisa dentro da Máfia? — Seguramente. — Sabe me dizer o que está havendo? — Dom Salvatore D’Angeli, o poderoso no centro de tudo, desejando se aposentar. De um lado, Joseph Tramponi, seu protegido; do outro, Larry Volare, apoiado pelo pessoal de Chicago. — A briga vai ser feia, então. — Pelo inicio já se pode ter uma idéia. — Outra coisa, Dobbie: para que a Máfia precisaria de um anel? Um grande e valioso anel... — Muito grande e muito valioso? — Sim, com um brilhante do tamanho de uma noz... — Existe algo assim? — retrucou o jornalista, desconfiado. — Vamos supor que exista. — Bem, talvez esteja ligado a uma velha tradição entre eles. O escolhido para suceder um chefe ganha, como símbolo de poder, alguma coisa realmente valiosa. Dom Salvatore lutou muito para ter um cinto com a fivela mais valiosa da América. — Certo, obrigada, Dobbie. — Ei, espere aí. O que você descobriu? — Nada de importante. — Está mentindo. Como soube do anel? Se tem relação com a Máfia é um dos segredos mais bem guardados do mundo. Ninguém, a não ser eles, poderia saber alguma coisa a esse respeito. — Foi um palpite.

— Mas se tiver alguma reportagem para vender, não se esqueça de mim. Cubro em dez por cento toda e qualquer oferta que receber sobre a matéria. — Que tal algo ao redor de cinco mil? — Cinco mil? Não acha um exagero? O que tem para vender, afinal? — Aguarde. Ligarei assim que tiver a história toda — finalizou Edna, desligando. — Não devia ter dito isso — repreendeu-a Wally. — Não pude resistir, estava ansiosa para deixá-lo na expectativa. — Conte-me o que ele disse, então? — pediu Wally, estendendo-se na cama e fitando o corpo mal coberto da esposa. Edna estava apenas com suas peças intimas. Seu corpo bem torneado era uma visão extasiante aos olhos do rapaz, que o fitou com desejo. A garota percebeu isso, sentando-se ao lado dele. Wally beijou-a no pescoço e nos ombros, enquanto ela falava. — Aquele anel é uma espécie de símbolo do chefe supremo da organização, se minhas suspeitas estão corretas. Dobbie disse que eles guardam segredo absoluto sobre o assunto. Podemos ter em mãos o maior segredo da Máfia, no momento. — Interessante — disse ele, beijando-a no rosto e acariciando seu ventre com ligeiras arranhadelas. Enquanto a beijava, de relance, Wally percebeu, no jornal aberto sobre a cama, uma noticia curiosa. — Veja isso, Edna — falou ele, apanhando o jornal. — Um táxi todo crivado de balas, seu motorista morto e o passageiro alegando que foram perseguidos por desconhecido, sem motivo aparente. O passageiro se chama Jerry Brambilla, isso lhe diz alguma coisa? — Brambilla é um sobrenome italiano, não? — Penso que sim. Espere aí, acho que já podemos formar a historia toda. Tudo começou na joalheria. Os homens de Dom Salvatore vão apanhar o anel. Surgem os homens de Volare, trocam tiros, alguns morrem. Um dos homens consegue escapar, levando consigo a maleta e

Estarei seguro lá dentro. o anel. para não permitir que o anel fosse parar em mão erradas. ninguém suspeitará de minha identidade. Eles poderão fazer o mesmo conosco. é perseguido. Vamos esperar pelas outras. posso ligar de uma cabine. — Pois então já temos aí uma boa reportagem. vamos vender a reportagem assim que a concluirmos? — Não. Quando eu for fazer a troca com eles. ainda não. já tenho a solução para isso. — Por exemplo? — O distrito Policial. Toma um táxi. talvez. — Se vamos negociar. — Pegue dos cinco mil que encontramos e compre o que precisar. escolherei um local bem protegido para mim.o anel. — Sim. . — Sim. Usarei um disfarce. é salvo pela policia. Viu o que aconteceu na joalheria e com aquele táxi. Comece a fotografar a maleta. tudo se encaixa perfeitamente. — Não se preocupe. então a qual anúncio deveremos responder? — Os dois. São apenas números de telefone. mas. — Outras? — Sim. — Mas preciso de filme. não? — Acho que sim. atraindo-a para si. farei isso já. poderemos fotografar e reportar tudo isso. não se esqueça que vamos negociar com os mafiosos. entregar o anel. e o dinheiro e a arma. — Penso em tudo. atirou a maleta fora e nós a achamos. — Mesmo assim. E você estará fotografando tudo para as reportagens que faremos. Mas espere um pouco. tenho medo. querida — respondeu ele. por uma estranha ironia. Em algum momento da perseguição.

— Maldito bastardo! — berrou ele. observava tudo com aparente tranqüilidade. muito sangue vai correr por culpa de Volare e do pessoal de Chicago. Volare talvez não queria essa guerra. — Tenho que me preocupar — retrucou o outro. Mas não pensem eles que me vencerão. — Soube do anel? — Jerry vai achá-lo. pensativo. esmurrando a mesa novamente. parando em frente a sua escrivaninha. Apenas não pôde definir se aquele tremor representava emoção ou era realmente medo. isso não. Aquele era um assunto que dizia respeito a Dom Salvatore. assim como nós. Conheço Volare. *** Dom Salvatore estava possesso. — Acho que devíamos tentar um acordo. é ambicioso. com os olhos faiscando. — Nunca. O velho líder caminhava de um lado para outro de sua sala. Essa aliança entre eles os torna muito fortes. Tramponi concordou com a cabeça. Wally retribuiu o beijo. mas ainda tem pólvora nas veias. Foi apenas uma questão de segundos. Não havia nada que pudesse fazer. Bambini não sabe como ele conseguiu fugir durante o tiroteio. não. Dom Salvatore. esmurrando a mesa com violência e assustando Tramponi. não se preocupe. Volare foi muito esperto.Edna aninhou-se em seus braços. Dom Salvatore sentou-se e apanhou um charuto. — Acalme-se. Joseph Tramponi. A única coisa que vai deixá-lo satisfeito é a . O pessoal de Detroit. O velho deu mais alguns passos. a sua frente. conseguiu escapar do cassino. Acendeu-o e soltou rápidas baforadas na direção de Tramponi. Dom Salvatore pode ser um velho. beijando-o com amor. então. San Francisco e Los Angeles está conosco. sentindo o corpo da esposa tremer. Tramponi tinha de deixá-lo resolver. — Vamos ter uma nova guerra. com muitas armas.

descoberta por ele em uma espelunca de beira de cais. O mais provável é que receba a última coisa. . Seu carro o esperava à porta da grande e luxuosa residência de Dom Salvatore. meu filho. uma escultural bailarina. como proteção. O velho estendeu a mão na direção de Tramponi. era Karen Wilson. abrandando a voz. enquanto sua expressão se tornava mais suave. São discretos. é vulgar. mas Aída reclamou. A presença deles assusta as crianças. lembre-se sempre disso: há um tempo para conversar e um tempo para agir. porém. Tramponi retirou um lenço do bolso e esfregou-o nos lábios. — Mandei alguns rapazes para lá. — Está todo mundo muito bem. Passei uma noite horrível. Quando o chefe deixou a sala. Agora vá. Preciso descansar. Quando você se sentar em minha cadeira. — Para o apartamento dela. — É para o bem deles. eles entenderão mais tarde. sabe? — Sim. — Como está sua família? — indagou o velho. Três homens o acompanhavam constantemente. Dom Tramponi. E não me chame de chefe. — Tem de ser assim? — Não há outro modo. não gosto disso. O que garante a nossa permanência naquela cadeira é saber decidir qual momento chegou. — Sim. a quem Tramponi se referia. todos pistoleiros e homens de extrema confiança. Havia um tom protetor. enojado. que se inclinou e a beijou respeitosamente. — Para onde. Ela. eles estão lá. quase paternal em suas palavras.cabeceira da mesa do Conselho ou a barriga cheia de chumbo. — Eu me lembrarei disso. chefe? — indagou o que estava ao volante.

corpo ardente e muita disposição para ouvir. Conhecia Tramponi. uma pilha de nervos. falou ele. desejando amá-la e repousar em seguida. virando-se bruscamente. desnudando suas coxas. o que houve ontem? Tramponi. Outras vezes. — E estou realmente — respondeu ele. olhando-o com provocação. antes de responder. — Estive ocupado. Karen soltou o cinto do roupão e empurrou-o para trás. fazendo-o deslizar pelos seus . agressivo. — Quer uma bebida? — Não — respondeu ele.. tirou a camisa e deitou-se de costas. sem nunca reclamar. sentindo o desejo brotar dentro dele com uma intensidade violenta. — Espero que não tenha sido nada perigoso. Tornara-se uma autêntica boneca de luxo. sentando-se. — Nada se compara em perigo a minha situação no momento. Nessas ocasiões. recebendo aquele amor ansioso. assim que ele entrou. — Esperei por você. Tramponi fixou ali seu olhar. tirando o paletó e estendendo-se no sofá. com mão de fada. cansado. sentando-se na poltrona em frente. seu roupão deslizou. senhor da casa. Parece cansado — observou ela. Ao cruzar as pernas. quase derrubando a garota. apenas para estar disponível. Karen se afastou. — Olá. Às vezes chegava cansada. Karen tinha um apartamento e tudo que precisava.Tramponi cuidou dela e a pôs num dos melhores prédios da cidade. Karen sentou-se na beirada do sofá e começou a massageá-lo com perícia. — Tire isso — ordenou ele. Era sempre o mesmo em todas as suas visitas. querido. contundente.. vinha furioso com alguma coisa. karen tinha de se submeter a ele. Karen mordiscou os lábios.

pois garantia o luxo em que vivia.ombros. Para um mafioso. Quando. todo o desejo. Era uma representação a que ela se via forçada. O contato de suas peles. de suas roupas. Assim que se estendeu ao lado dele. Tramponi era um mafioso. Karen sentiu alguma dor. — Delicioso. Ela ficou em pé. sempre obedecia. — Levante-se. Tramponi a beijou de modo possessivo. Era uma pergunta que sempre ele repetia. mas fingiu apreciar tudo aquilo. Karen fingiu sua parte. não emocionou a garota. Tramponi atingiu o clímax. . Além disso. quase desajeitado. sem despertar na garota o desejo esperado. Você sabe realmente agradar as mulheres. querida? — indagou ele. desfalencendo de prazer. toda a delicia do ato amoroso estava reservado para ele. finalmente. Assim. sem se importar com a satisfação da mulher. detendo-se nos seios que se sobressaíam tentadores. Assim. percorrendo-o em caricias impetuosas. Tramponi subiu por ela e a penetrou. movimentando-se em espasmos sobre ela. porém. — Venha cá. Karen era dócil. iniciando movimentos vigorosos e profundos. à mercê dos lábios frios e implacáveis que pareciam desejar devorá-lo. seria o fim dela como amante exclusiva. o dono daquele corpo feminino. Tramponi passeou seu olhar guloso pelas curvas da garota. o dominador. toda a excitação. — Divino. submissa. insistente. a garota sabia do orgulho de macho de Tramponi. esperando a resposta com ansiedade. as mulheres só podem ser duas coisas: santas e mães. Suas mãos e lábios trabalhavam automaticamente. amor. enquanto seus dedos fortes arrancavam as delicadas peças intimas da jovem. Karen o livrou. abraçando-a e mordendo-a. como karen. ou objetos sexuais. fingindo um êxtase que absolutamente não sentia. Tramponi era um bruto no amor. Se ele suspeitasse que não conseguia fazê-la gozar os prazeres da carne. O corpo da garota ficou exposto. também.

— Conheço você. — Sozinho? — Com todos os que me são leais. Estarei então. no fundo. no topo do mundo. — Estou incluída entre eles? — Você sabe que sim — disse ele. assim que se vestiu olhou para ela sorrindo. Continuou. aqui estão — disse ele. querida. Karen o olhava. Karen o beijou novamente. — Por que no sábado? — Vamos comemorar. — Vou estar ocupado nos próximos dias. — Amo você! — falou ela. abrindo sua carteira e separando algumas notas. Tramponi. mas prometo que estarei aqui no sábado à noite. abraçando-o e beijando-o. Karen procurou ajudá-lo. beijando-a levemente e começando a se vestir. A campainha soou. convencido. sentindo uma vontade enorme de rir daquilo tudo. Tramponi se despediu e caminhou para a porta. encostada à porta. como se aguardasse alguma coisa. indo até o bar se servir de uma bebida.Tramponi sorriu. fingindo admirar-lhe o físico. — De quanto você precisa? — Você parece ler meus pensamentos. meu bem. antes que ele saísse. desfilando nu pela sala. . entretanto. — Está bem. Ela abriu a porta com ansiedade. — Quando voltará? — perguntou ela. querido. carinhosa e esbanjado charme. como um leque. Mil está bom? — É o bastante por enquanto. mas. a garota agitou as notas a sua frente. Assim que fechou a porta. pouco depois.

— Entre. — Ainda bem que não o fez.De lado de fora. CAPÍTULO 4 Edna estava às voltas com os materiais que havia comprado para ela própria e Wally. — E então. sorrindo satisfeito. — Fiquei com tanto medo que você aparecesse quando ele ainda estava aqui. ansiosa pelas novidades. preocupada que estava em desabotoar as roupas do amante. com as duas. — Vi o carro dele lá fora. — E o que descobriu? — Estive pensando. o homem que se julga tão seguro de si. esteve em minha mira por cinco segundos. — Tenho uma boa noticia. Tramponi pretende comemorar algo realmente importante no próximo sábado. por isso esperei no fim do corredor. o que acha? — Ótima idéia! — concordou ela. quando o rapaz retornou. a olhava com ar superior. Ele havia ido telefonar. falou com as pessoas dos anúncios? — Sim. Assim que ele entrou no quarto. Tramponi. Edna interrompeu seu trabalho. advinhe o que é? — Sei do que se trata. Jacob Torino. mas eu podia perceber um tom de ameaça pairando no ar. fechando imediatamente a porta. A pessoa que me pediu de volta apenas o anel. querido — convidou ela. Estive pensando até em fazer-lhe uma festa surpresa. — Eu lhe daria uma outra melhor — disse ele. Foram até gentis. o homem de confiança de Larry Volare. sem muita ênfase. acabaria com toda a minha boa vida. respondendo aos anúncios. recomendando que eu . tempo bastante para eu partir-lhe o crânio. abraçando-a.

pensativo. Além disso. Wally. — Sim. há escritores que se tornaram célebres escrevendo sobre a Máfia. estão sempre sequiosos por novas noticias a esse respeito. Assim terei certeza de quem são eles. — Acha que eles darão tais informações? — E por que não? Não precisamos de nomes. locais e datas. algo que a dispôs igualmente à aventura e ao perigo. material suficiente para um bom livro. apenas fatos do gosto do público que pudéssemos explorar. Temos o anel e eles o desejam desesperadamente. Tenho que telefonar para eles novamente.. algo que assustava a garota. a outra.. Teríamos. O homem de Dom Salvatore. estive pensando em algo bem sério. vou pedir que descrevam o conteúdo da maleta. mas o que você pretende fazer? Estou curiosa. na certa. causando sensação. Edna o olhou.ficasse com o dinheiro. Gosto mesmo. — Então poderíamos tentar.. Poderíamos pedir. parece ser alguém da parte de Larry Volare. No entanto. isso mesmo. Podemos entregar o anel ao homem de Dom Salvatore e ficarmos com um bom material para reportagem. — Não vá me dizer que. uma série de informações. Vou propor a idéia a ambos. Havia uma expressão de desafio nos olhos de Wally. depois. Vejo que você já comprou todo o material. — E o que você decidiu? — Bem. em troca. — Sim.. além daqueles que encontramos na maleta. — Por que não compra um gravador e grava todas as conversas? Poderia usá-las em seu . Seu rosto tinha uma expressão que Edna desconhecia... — Gosto da idéia. O público americano demonstra muito interesse pelas coisas de bastidores dessa organização. emprego fácil em qualquer jornal. com a projeção que alcançaríamos. saberá o que havia lá dentro. Era como se ele estivesse preste a fazer algo arriscado. Wally caminhou pelo quarto. que me ofereceu mais cinco mil dólares. senão o próprio. parece ser alguém de Dom Salvatore. apreciando a idéia. — Já lucramos cinco mil dólares.

divertida. Wally roçou seus lábios nos dela mais uma vez e saiu. — Temos um trabalho. *** Dom Salvatore atendia seus protegidos. quando Jerry entrou em sua sala. . rodeando-a com seus braços. — Sim. mais tarde. Edna riu e jogou os cabelos para trás. Gostaria de solucionar tudo isso o mais depressa possível. Não ousou interrompê-lo. ganhando febrilidade. sem muita convicção. Quando anoitecer poderemos voltar àquela rua e fazer algumas fotos do local onde a encontramos. dom Salvatore se sentava em sua cadeira e permitia que as pessoas de sua "família" apresentassem suas queixas e pedidos. Acho que estamos no caminho certo. Aquela era uma hora sagrada para o chefe. — Ótima idéia! — Enquanto isso. dando-lhe uma ligeira palmada nas nádegas. — Não vamos jogar com a sorte. — Estamos tendo sorte. agora que os gangster voltaram às manchetes. Suas mãos percorreram as costas da jovem. você é meu talismã — disse ele. Os lábios dele deslizaram para o pescoço e ombro da garota. — Está bem — concordou ele. — Podemos deixá-lo para depois — respondeu ele. durante três horas seguidas. Wally acariciou-lhe os cabelos e beijou-a suavemente.livro. com ar exultante. no entanto. não poderia ser melhor. Wally — disse ela. vou tratar das fotos a respeito da maleta e seu conteúdo. Edna encostou-se a ele e levantou a cabeça. Semanalmente. não? — Sim.

— O que ha mais. ora contribuindo em dinheiro para a salvação financeira de um. — Volare é um bastardo! Ainda o matarei com minhas próprias mãos! — vociferou o velho. Jerry não tinha dúvidas de que ele poderia fazê-lo. Sua sentença. Olhou para Jerry que estivera parado o tempo todo a seu lado. ora fornecendo proteção a outro. — Que exigência? — Antes de mais nada. — Volare. era acatada com respeito e agradecimento pelos contendores. dom Salvatore. Dom Salvatore. — E o que você vai fazer? O problema está em suas mãos. Jerry? — Bem. — O que houve. Alguém me telefonou. ameaçado de algum modo. fosse qual fosse. ligados de algum modo à Máfia. senhor das verdades e dos destinos alheios. Seu rosto se fechou por algum tempo. também. na certa — falou o chefe. demonstrando certa preocupação. Jerry? — Penso que localizei o anel.O velho as atendia na medida do possível. dom Salvatore servia como uma espécie de mediador entre disputas e brigas entre os italianos humildes. está disposto a negociar. é bom que o senhor saiba que há mais alguém interessa do anel e que também colocou um anúncio no jornal. sem muita vontade. Dava-lhe prazer ser visto como alguém todopoderoso. — Sim. Nessa ocasiões. Disse que viu o anúncio e assegurou que tinha o que desejamos. quando se dispunha a . O velho chefe gostava daquilo. Dom Salvatore tinha o rosto cansado. resolva-o da melhor maneira. Ao final da audiência. também. o homem me telefonou novamente fez uma exigência para devolver o anel. Jerry sorriu. penso que sim. mas sereno.

— Cubra a oferta. — Um jornalista! Era só o que faltava. Jerry. procure-o. — Não será preciso. Jerry. entregará o anel a Volare... — Ele foi categórico. Se não concordarmos. A pessoas que telefonou se contenta com os cinco mil dólares que achou na maleta.. coisas assim. Descubra! — ordenou o velho. já resolvi as coisas satisfatoriamente.alguma violência. é problema seu. — Descubra quem é ele. — Volare está oferecendo mais cinco mil dólares pela devolução do anel. — Você falou numa exigência? Que exigência ele fez? — Ele quer algumas informações.. — Podemos enganá-lo. colérico. — Ele disse isso? — indagou o velho. — Seja inteligente. Dom Salvatore? — perguntou o pistoleiro. sabe que isso é impossível. Não há como descobrir. num tom de voz que não admitia recusa. — Como? Você nos meteu nessa encrenca.. O gangster já o havia acompanhando em diversas ocasiões. Bambini o ajudará. Não basta saber usar uma arma em nosso ramo. informações falsas.. os rapazes o ajudarão. não aceitava que lhe impusessem nada. com dezenas de jornalistas em cada um. Jornalista são bisbilhoteiros. submisso. Há muitos jornais em Nova Iorque. Ofereça dez. Descubra-o! — E como farei isso. fornecer-lhe algumas indicações. Jerry. material para uma reportagem. mas isso não significa nada.. Tente negociar de outro modo. em momentos de vingança. dava ordens. Tenho certeza que você saberá usar os miolos... Dom Salvatore era o chefe. ia até o extremo. . mas não deixe o anel cair nas mãos dele. como costumavam chamar. — Sei que ele é um jornalista. sempre trazem complicações. — Nada disso..

teria a pessoa ao seu alcance. então. A garota. levantando-se. Fazendo isso. Seios que ele não se cansava de sugar e mordiscar. que o seguiu para fora da sala. A situação não era boa. . servindo-se de outra dose de uísque. rostos angelicais. O tom de voz do chefe indicava que ele havia encerrado o assunto. *** Larry Volare estava em seu cassino. Bambini o observava desconfiado. divertindo-se com uma das coristas. Apanhou uma garrafa de uísque e serviu-se de uma dose. A pessoa que encontrara o anel iria telefonar mais tarde para saber sua resposta. sentia imenso prazer em agradar ao patrão. principalmente. olhos grandes e. Jerry bateu a mão na testa e começou a rir. lhe ocorreu. — Mas é tudo muito fácil — disse Jerry. Sentou-se pensativo. O pistoleiro fez um gesto para Bambini. — O que pensa fazer? — perguntou Bambini. — Sei lá. do modo como dom Salvatore desejava. por sua vez. como esperar que eu descubra o sujeito? Jerry dirigiu-se a uma prateleira que havia na sala ao lado daquela ocupada por Dom Salvatore.Jerry concordou com a cabeça. pois sabia que aquilo poderia significar o primeiro lugar num próximo show. A garota era jovem e bonita e escolhera o caminho mais curto para subir na vida. mesmo sem saber de nada. O outro pistoleiro o seguiu. mas até certo ponto. Curvas definidas. Sabia que o chefe era tolerante. Jerry teria apenas que concordar com a idéia de fornecer as informações jornalísticas. vamos preparar alguma coisa para o nosso amigo jornalista — disse ele. Volare apreciava a juventude nas mulheres. Poderia recuperar o anel e eliminar o bisbilhoteiro definitivamente. Uma idéia. Estava se arriscando demais com dom Salvatore. Seu plano era simples. seios pequenos. — Bambini.

rudemente. — Fazendo alguns preparativos. um de seus pistoleiros. como se tivesse algo importante a dizer. — Onde esteve? — indagou Volare. ele vai telefonar logo mais. a doce e ardente amante de Joseph Tramponi. Sabatino. Antes de responder. Larry encontrou ali. Ele quer fazer negocio. — Informações? Sobre o nós? — Sim. voltou a dedicar toda a sua atenção ao corpo fresco e quase adolescente da corista.O telefone tocou. Estava acabando de retornar dos braços de Karen. Larry ouviu quando um de seus homens atendeu na extensão colocada na outra sala. chefe. ao mesmo tempo. — Só nos faltava essa. Só que pediu algo em troca. Jacob. — Preparativos? Preparativos para quê? . Jacob não se impressionou com o tom de voz do chefe. entrou naquele momento. Deseja informações para fazer uma reportagem. — O que há Sabatino? — Falei com o sujeito que tem o anel.. algo que não vai agradá-lo. esperando. isso mesmo. quando a acompanhou até a porta. assim que se acomodou. o braço-direito de Volare. uma impaciência muito grande.. o que responde? — Nada. serviu-se de uísque e sentou-se. chefe — respondeu. O que ele pensa que é? E você.e um jornalista. No rosto do gangster havia um ar de superioridade e. — Verdade? — indagou Volare. terminando de se vestir e indo sentar-se em sua mesa. — O que ele quer? — Parece que ele . Sem se importar com aquilo. com calma. Minutos mais tarde.

— O que diria se lhe contasse que tive Tramponi por cinco segundos em minha mira? Ao invés de desmentir. Volare gargalhou divertido ao saber daquilo. além de problemas com a policia para conseguir autorização para funcionar novamente. você é conhecido demais para ter chegado perto dele sem levar uma bala. a amante de Tramponi. eu também — retrucou Volare. Seus olhos passearam pelas paredes de sua sala.Jacob saboreou o gesto de expectativa. — Ele e a garota estarão sozinhos lá naquele apartamento. satisfeito em ver seu rival cair em ridículo. — Sim. satisfeito. Além disso. — Eu o fiz e posso faze-lo novamente. Havia tido um enorme prejuízo. — Tramponi está seguro de sua ascensão ao trono.. Aquilo facilitaria tudo para ele. Era algo que ainda estava atravessado em sua garganta. — Eu faria essa visita com todo o prazer — concordou Jacob. reconsiderando. Alguém teria que pagar por aquilo. — Talvez devêssemos ir lá no sábado e dar-lhe os parabéns.. tão seguro que já planejou uma comemoração íntima para o sábado — continuou Jacob. — Como fez isso? Há sempre guarda-costas ao redor dele. vibrando por ver a curiosidade estampada nos olhos de Volare e Sabatino. ainda conservando sinais de passagem dos homens de Dom Salvatore. — Como? Jacob. pensativo. contou-lhe sobre os eu caso com karen. Havia muita segurança nos atos de seu capanga. irônico. então. — Fala sério? — perguntou Volare. Se matasse Tramponi antes de sua ascensão à cabeceira do . Jacob se levantou e tomou uma outra dose de bebida. não acha? Tramponi ficará satisfeito com a nossa visita. Isso fez com que Volare ficasse em dúvida. falo sério. — Sim. Volare reclinou-se em sua cadeira.

— O sujeito é maluco ou então muito esperto. nunca mais poderia assumir. Pretende fazer nome a nossas custas. o trono ficaria vago. mas o anel ainda é um problema muito difícil. que veriam em mim a pessoa certa para substituir Dom Salvatore. no sábado. enquanto preparamos a ‘. ele quer informações sobre nós. Roubá-lo seria a desmoralização para Dom Salvatore e esse era o plano inicial.. de acordo com a tradição. manterá dom Salvatore ocupado. — Mas se o roubarmos. mas uma das tradições estaria quebrada. sobre a Máfia. Imagine. sem dúvida.. — E como faremos para ter o anel de volta? — A pessoa vai telefonar novamente — informou Sabatino. Isso seria um sinal de fraqueza perante os outros... CAPÍTULO 5 . A pessoa que o tem deseja negociar. a solução imediata para todos os planos ambiciosos de Volare. — Resolve todos os nosso problemas. — Grande plano nosso. Vamos insistir na recuperação do anel. É um maluco esperto. mas tem o anel.Conselho. Dom Salvatore na certa continuaria no trono. até a escolha de novo sucessor. — Sim. mas devemos continuar agindo como antes ou dom Salvatore suspeitará de algo. — Só pode ser. — Sabatino recebeu um telefonema. matando Tramponi após a cerimonia. dom Salvatore realizará a cerimonia de sucessão? — Sim. uma vez desistindo de seu lugar. Jacob! Grande plano! — exultou Volare. — Sim. Era. Só que nos impõe uma exigência absurda. Isso desencadearia a maior guerra jamais vista por Nova Iorque. já que Dom Salvatore.ultima comemoração de Tramponi. Por outro lado.

— Jacob. realmente. muito importante para nós. tenho uma amiguinha. — Está bem. desde que fornecesse o nome da pessoa que indagara sobre o anel. Acho que esse anel pode ter alguma ligação.. Volare e seus homens aguardavam com impaciência. — Quem é essa sua amiga? — É importante? — Sim. — Diga logo o que deseja. confidenciando a Volare o que acontecia.No cassino. a medida que o tempo passava e a impaciência crescia. Jacob — falou o outro. — Penso que cinco mil seriam o bastante.. Jacob logo desconfiou da jogada. indagando sobre o que eu sabia a respeito. Além disso. atendeu. O outro pigarreou do outro lado da linha. . Repentinamente o telefone tocou. diga quanto.. Este recomendou que Jacob aceitasse qualquer oferta. Jacob sorriu. Jacob. Qual o problema? — Uma amiga minha me telefonou. balançando a cabeça. olhando para o telefone.. Sabe alguma coisa sobre um anel? — Anel? Sim. o mais perto dele. do "Sunday". aqui é Dobbie. — Serei rápido. todos se convenciam de que aquilo havia sido uma piada de mau-gosto. No entanto. estou esperando uma ligação importante. A qualquer momento poderia receber a ligação que lhe facilitaria a posse do anel. — Bem. dessas garotas que querem estar sempre na moda e. — Fale-me mais sobre sua amiga. — Minha velha quer fazer umas reformas na casa. identificou-se. acho que sim.

— Tenho o nome da garota. Jacob subiria automaticamente. devemos estar preparados . Teria sob seu comando todos os homens da Máfia. Vasculharemos todos os hotéis. Jacob. Ser obrigado a visitá-la às escondidas e. Ela é fotografa e tem um namorado chamado Wally Roberts que. As coisas começavam a ficar mais fáceis para que Volare atingisse seus objetivos. além disso. Ela fotografa e ele faz a matéria. Se seu chefe subisse à cabeceira da mesa. namorado. os dois trabalham em dupla. Não prometo achá-los já. — Certo. — Não se esqueça de ver junto às imobiliárias. é um jornalista. Precisaremos de toda a ajuda possível para o próximo sábado. saber que tinha de reparti-la com seu pior inimigo. Temos um bom começo por aqui. mas com o nosso pessoal todo em ação creio que antes da meia-noite teremos uma resposta. mas o nome dela é Edna Perkins.— Bem. Será um trabalho difícil. Como poderemos encontrá-los agora? — Vou pôr todo o nosso pessoal em ação. subtraindo bons lucros para si. Isso lhe facilitaria a vida em muitos pontos. — Jornalista. coisas assim? — Sim. um jornalista. — Ela tem alguma amiga. Jacob contava em se tornar o segundo homem mais poderoso de Nova Iorque. Um deles seria proporcionar a Karen todo o luxo e requinte a que ela se acostumara. Aquele era seu dia de sorte. também. mas sei o que fazer. Quando Tramponi for morto. era algo que o feria profundamente. — Sim. Você terá o dinheiro como das outras vezes. vou falar com o pessoal de Chicago. Dobbie. dirigiria para seu chefe todas as operações ilegais. não sei onde ela se encontra agora. não? — Bom trabalho. Com a ascensão de Volare. Enquanto isso. Deveremos encontrá-los em alguma parte. uma fotografa "free-lancer" que aparece aqui de vez em quando. por coincidência. motéis à procura deles. pensões. ela sempre andou com tal de Wally Roberts. Isso nos coloca na pista certa. Eles podem ter alugado um apartamento. Jacob exultava quando desligou o telefone.

E você. — Está tudo feito. Analisando friamente os fatos. tinha certeza de que tinham tudo nas mãos para chegarem ao fim daquilo tudo com bons resultados. à noite. Tudo corria conforme ele planejara. caso as pessoas com quem falara tivessem se válido de algum meio para localizar a chamada. — Que ótimo. — Teremos nossos nomes na lista dos melhores jornalistas. Entregando o anel aos eu legitimo dono. estava garantindo sua tranqüilidade futura. — Vamos ser grandes. havia feito a coisa certa. olhando-o sorridente. alegre. querida — falou ele. você trabalhou bem. . Havia se utilizado de uma cabine pública. Os jornais nos disputarão. Estava exultante. Não duvidava das palavras do esposo. — Ótimo. A garota havia preparado sua câmara. Eles concordaram com a minha proposta. querida — falou Wally. Edna deitou-se ao lado dele. o que tornaria difícil sua localização. Segundo o que pensava. teremos sucesso. *** Após os telefonemas. atirando-se sobre a cama. apoiando o queixo entre as mãos. talvez até recebamos um prêmio. iremos fotografar o local onde a encontramos. já terminei as fotos com a maleta e seu conteúdo. seguro de si. foi ele quem conseguiu dizer o conteúdo da maleta. Logo mais. abraçou-a pela cintura e a fez girar ao redor de si. no amplo armário embutido no quarto. bem como improvisado um quarto escuro. Já podia ver seu nome na capa do livro que o tornaria famoso e reconhecido em todas as redações de jornais da cidade.para dominar esta cidade. — Sim. Wally! Com quem você negociou? — Com o homem de Dom Salvatore. querida. Edna acompanhou cada palavra com a expressão sonhadora. soltando-a após havê-la beijado de leve. já fez sua parte? — indagou ele. para revelações. Wally entrou. Wally voltou para o hotel. Edna o aguardava no hotel. pois sabia bem o que significava trapacear com gente daquela espécie.

tirando o objeto do bolso de seu casaco. Edna debruçou sua cabeça no peito do esposo. Wally já tinha mais alguma coisa a acrescentar na matéria que pretendia preparar para vender ao jornal que desse a melhor oferta. ninguém vai atirar em mim lá dentro. Com as conversas gravadas. estarei dentro do Distrito Policial. — Não quero perdê-lo. séria. — Está anoitecendo. Edna atendeu. Temos algum tempo antes de sairmos para aquelas fotos. sem perguntas. levarei o anel escondido e só entregarei quando estiver em segurança. não haverá perigo algum. beijando-a no pescoço. acariciando-o com ternura. Além disso. De repente. Ele a abraçou. . mas eficiente gravador. — Está me sugerindo algo? — indagou ela.— Como vai lhes entregar o anel? E quando fará isso? — Amanhã. aliás. eu telefonarei para o homem de Dom Salvatore e lhe darei as instruções. Wally — falou ela. — Ninguém vai perder ninguém. Quem pode nos garantir que eles não o matarão quando você entregar o anel? — Não se preocupe. Edna fechou os olhos. Vai fotografar tudo que puder. — Há algo em que não pensamos. Você comprou o gravador? — Sim. farei um bom trabalho. e já gravei as conversas de hoje — respondeu ele. beijando-lhe os cabelos. Wally. — Deixe comigo. gozando o sabor e a intensidade daquele beijo vibrante. Edna acomodou melhor o corpo ao lado de Wally. — Que tal lhe parece? — respondeu ele. Era um pequeno. Assim. levantou a cabeça. com malícia nos olhos. se tudo sair do modo que planejo. você tem que vir. tolinha — sussurrou ele. — Posso ir junto? — Sim. esmagando-lhe os lábios com um beijo ardente. Ele se levantou e deu a mão para que a esposa se levantasse. preocupada.

trêmulos. Wally deixou. Os seios pequenos e torneados de Edna ficaram livres e ao alcance das caricias de Wally. Um beijo profundo e demorado foi trocado. Sua cabeça se abaixou para que seus dentes buscassem os bicos eretos daqueles seios firmes e tentadores. então. Ondas eletrizantes brotavam do ventre da garota e . enquanto suas mãos procuravam os botões da blusa de Edna. Edna se contorcia. — Não. Edna sentiu novos e incalculáveis prazeres. Edna contorcia o corpo com lentidão.Wally foi. invadida por uma onda de calor que percorria sua espinha e causava agitação em seu estômago. Suas mãos deslizaram por aquela pele acetinada. abraçado a ela. percorrendo seus contornos mais íntimos. inquietos. Wally girou o botão e aumentou o volume. em posições exóticas e provocantes. Wally a acompanhou. apertando-o. A jovem apertou seu corpo contra o dele. saboreando um prazer intenso que a tornou fogosa e inquieta nos braços que a desejavam. A excitação do rapaz aumentou consideravelmente. seus lábios percorrerem toda a face da garota. Sua respiração acariciou o pescoço da jovem. Com facilidade ele a levantou em seus braços e a levou para o leito. junto dele. A língua de Wally trabalhou com perícia. Edna tratou de livrar Wally de suas roupas. ligar a música ambiente. isso me faz dormir — protestou ela. observando toda a sensualidade plástica da mulher. fazendo com que a garota jogasse a cabeça para trás e provasse as mais alucinantes sensações. assim que ambos sentiram suas peles se tocaram. As mãos dele fizeram um reconhecimento completo pelo corpo da jovem. soltando-os. O som envolvente e suave de música clássica inundou o quarto. O corpo do rapaz girou sobre a cama. Ele a puxou para si. em toques incendiários. Suas línguas se buscaram com prazer e luxuria. O som lento e sensual de um "blue" fez com que Edna se libertasse dos braços do esposo e dançasse solta pelo meio do quarto. tentando imitar seus movimentos lânguidos. silenciosos. Seus corpos se acomodaram.

antes de mais nada. Wally a dominou. As estocadas de Wally se repetiam com um ritmo crescente. Ela começou a gemer baixinho e a suplicar por ele. febril. em movimentos vigorosos e coordenados. penetrou-a. Ela se sentiu nas nuvens. sei disso. atacando-a com caricias mais alucinantes ainda. Wally não a atendeu de imediato. *** Anoitecera. jogando seus corpos um de encontro ao outro. fazendo-a se contorcer em espasmos prolongados. Wally iniciou seus movimentos de quadril. em delírio.percorriam seu corpo. penetrando-a com força e retirando-se com suavidade. retribuindo as caricias com movimentos inquietos e nervosos. até que seus sentimentos mergulharam em um descanso gostoso e profundo. Já é noite? . saciados e cansados. diminuindo gradualmente. As estocadas de Wally se repetiam com um ritmo crescente. — Sim. a cada penetração. Edna espreguiçou-se e o beijou. Suas mãos tatearam o corpo adormecido da esposa. A escuridão dentro do quarto era apenas quebrada pelo piscar incessante dos letreiros luminosos na rua. Edna se agitou sob ele. dorminhoca. atravessando a cortina e jogando uma luz embaçada que causava efeitos estranhos. até que ambos se abraçaram e rolaram pelo leito. finalmente. Com um movimento suave e lento. Ele a beijou com ternura. Wally mexeu-se no leito. sussurrando: — Acorde. saciados e cansados. Edna suspirava e gemia. O êxtase se aproximava avassalador. gozando cada centímetro interminável daquela deliciosa caminhada. Temos um trabalho a fazer. Edna percebia a música ao longe. até que ambos se abraçaram e rolaram pelo leito.

Qual é o problema? — Vocês têm algo que desejamos — falou o homem. Voltaremos após o jantar. acompanhando-a. nervosamente. Havia um silenciador na ponta do cano de revólver. eu mesmo. — Ela é Edna Perkins? — Agora se chama Edna Roberts. mas gostaria de um banho antes disso. Uma arma foi apontada para o casal. — Ótimo. já que todas as suas roupas haviam ficado retidas pela dona do quarto do qual haviam sido despejados. com uma suspeita terrível oprimindo-lhe o peito. — Sim. — Vamos. pode ser arriscado andar com isso aí para todo o lado. naquela tarde. Edna concordou. Após o banho. — Estou faminta. — Desejam alguma coisa? — indagou Wally. . Wally aproximou-se dela e a fez soltar os objetos. dizendo: — É bom deixarmos tudo aqui. Edna. enquanto o outro tirava a mão do bolso. dois homens. eu esfrego suas costas — disse ele. havia comprado alguma coisa nova para os dois. nós nos casamos. vestiram-se. As caras dos homens não pareciam nada amistosas. Wally olhou-a surpreso. enquanto o outro estalava os dedos. Quando abriram a porta para sair. Depois do jantar iremos tratar daquelas fotos. Um deles tinha a mão no bolso. vestindo sobretudos escuros. — Vamos descer ao restaurante. — Você é Wally Roberts? — indagou o homem que estalava os dedos.— Sim. estavam parados em frente da porta. Edna apanhou sua câmara e a maleta.

— Como assim? — insistiu o motorista. — O mais longe possível — respondeu o rapaz.. Jacob e o outro gangenster deram um passo. respirando com dificuldade. violentamente. afastando o corpo para dar passagem aos dois. com a maleta na mão. — Meu nome é Jacob Torino. quando o carro parou. Para sorte deles. sei tudo sobre você. ambos entravam apressados. — Estão atirando. Desça mais depressa! Instantes depois estavam no solo. — Como vamos sair? — indagou Edna. — Falou com a pessoa certa. tentando ganhar tempo e encontrar um modo de se livrarem daquela enrascada.— Do que está falando? — quis saber Wally. Wally acenou e. arrancando a toda. encostando-o na porta. não? — falou Wally. trancando-a. mas uma bala bateu no corrimão de ferro sibilando sinistramente. rápido — ordenou ele. Agora por que não nos convida para entrar? Temos negócios a tratar. Com enorme presença de espirito. correndo para a rua. — Dou-lhe cem dólares para não deixar que ninguém nos alcance. — Não tenho saída. empurrando-a para fora. Um dos homens surgiu à janela. após haverem arrombado a porta. Com a força do desespero. saltando degraus. Aos trancos e barrancos ambos desceram. sem nada entender. um táxi passava naquele momento. — Para onde? — indagou o motorista. Edna — gritou ele. Wally não ouviu o disparo. . — Pela escada de incêndio. — Como nos achou? — Temos nossos meios.. Wally bateu a porta na cara dos dois. — Apanhe a maleta. amigo — respondeu o motorista. correndo para a janela que dava para os fundos do hotel e abrindo-a. arrastou o sofá.

azul. enquanto pensava em algo que pudessem fazer. Aquele carro nunca nos achará aqui. atrás de nós. Com habilidade o motorista dobrou esquinas. — Obrigado. afinal de contas? — Fique tranqüilo. logo a teremos atrás de nós. Talvez a melhor coisa a fazer seja entregar logo esse maldito anel. — Não costumo me meter na vida dos outros. temos que pensar em algo melhor agora. — Acho que agora vocês podem ficar tranqüilos. Wally olhou para trás e viu os dois homens correndo para um carro parado nas proximidades do hotel. não é da policia. Parou. não há um lugar aqui na cidade onde possamos estar a salvo. Edna. quando chegaram ao cais. Agimos errado desde o principio. cruzou ruelas e se meteu por terrenos baldios. .Os pneus cantaram no asfalto. Saltaram. Edna se encostou a ele toda trêmula e assustada. — E agora. finalmente. Estamos perdidos. — Sei lá. Wally a abraçou. — De quem estamos correndo. Despiste-o e ganhará esses cem dólares — Wally exibiu a cédula. a arma e o que restou do dinheiro. aqui está seu dinheiro. então. Wally? — perguntou Edna. — Precisamos nos proteger. Eles sabem quem somos agora. — Há um carro grande. mas tudo isso me cheira a encrenca. não consigo pensar em nada. desde que eles nos deixem em paz. poderemos ser mortos. Por que não fazemos o que o motorista disse? — Não. não daria certo. Já pensei nisso. enquanto o carro partia. — Se continuarmos assim. — Mais depressa ou não ganhará esta nota — disse ele. Se eles nos alcançarem outra vez. Por que não procuram a policia? — Está é a melhor coisa que já ouvi hoje.

convencer seu interlocutor de que não estava assustado. do outro lado da linha. Houve um silêncio confuso do outro lado da linha. Wally. Wally tinha de cuidar dela. — Você tem o número? — Sim. O rapaz reuniu toda a sua coragem e sangue-frio para aparentar tranqüilidade e dar a sua voz um acento ameaçador. um indivíduo sem sentimentos concretos em situações como aquela. o que mais o preocupava. quase gritando. vou ligar para eles novamente. — De que está falando? Quem é você? — indagou Jerry. vocês não deviam ter feito aquilo. Sabia que falava com um gangster. Era a garota. Assustava-o a ameaça que pairava sobre a sua vida e a de Edna. eu o decorei. CAPÍTULO 6 Wally discou os números lentamente. foi retirado do gancho. Enquanto o fazia. Isso ia ser difícil. principalmente. teria que ser durão. tentava se acalmar. Wally estava mais apavorado do que se poderia imaginar. — Sou o sujeito que tem o anel. . assustada o bastante para desistir de todos os planos iniciais.— E acha que eles farão isso? — O que mais poderemos fazer agora? Veja. O fone. há um telefone público ali. No fundo. do outro lado da linha. Edna era sua esposa agora. É a única coisa que realmente desejo agora — pediu Edna. Quando falasse naquele telefone. protegê-la de tudo e de todos. Wally percebeu o telefone ser passado de mãos. — Consiga que eles não nos ameacem mais. — Que história foi aquela de tentar nos pegar? — indagou ele.

— Jacob Torino? — Sim. Dois homens com caras de poucos amigos e uma péssima pontaria. Não é dos seus? Wally ouviu uma gargalhada do outro lado. Meter-se entre gangster era.. Quem é ele? — Um concorrente. — Os dois homens que você mandou.. Se não eram homens de Dom Salvatore. enervando o rapaz. afinal de contas? — Como escapou de Torino? — Não foi fácil. esse mesmo. e. um jogo perigoso e Wally desejava terminá-lo o mais depressa possível. não se faça de desentendido. realmente.. não sei do que está falando. e não me esqueci disso. entendi e fico aliviado com isso. — Por que está rindo. de Volare. Nós tínhamos um trato. — Tenho certeza que ficará mais aliviado ainda quando nos entregar o anel. — Certo. o adversário do chefão. — Está bem.— Explique-se. Não foram homens de Dom Salvatore os atacantes. Como pode ter certeza de que eles eram dos nossos? — Um deles disse chamar-se Jacob não sei o quê. lembra-se? — Sim. eu farei isso. homem. sarcástica.. pode entender isso? Wally ouviu aquelas palavras com um profundo alivio. quem poderiam ser? A gargalhada se prolongou. provocante. Ainda posso contar com as informações para a reportagem? . ficando confuso com tudo aquilo. sim. — Espere um pouco! Que homens são esses? — Ora.

Conservar aquela jóia era como atrair encrencas de modo permanente. — Você não tem escolha agora. Era um bom começo. Precisava garantir-se. Com a proteção de Dom Salvatore contra Torino e Volare.. espertinho. pelo menos teria tranqüilidade para si e. Mesmo que tivesse que deixar a cidade.. no entanto. principalmente. Como vamos reconhecê-lo? .. Estou louco para sair logo dessa embrulhada toda. Que tal o Distrito Policial. para Edna. — Seu eu devolver a jóia estarei livre de novas encrencas? — Como posso ter certeza? — Não pode. Vá para lá imediatamente. — Está certo. Ele e Edna. — Quando pode entregar-me o anel? — O mais depressa possível! — Ótimo. com aquele dinheiro. — Mas nós havíamos combinado que. — Está certo. Pelo menos já havia lucrado cinco mil dólares. — Está maluco! É um local perigoso para mim e qualquer de meus homens.. recomeçarem em qualquer outro lugar. Devolva-nos o anel e vamos pensar em um modo de livrá-lo dos homens de Torino. terá que confiar em mim. — É o único lugar onde poderei estar tranqüilo. teriam tempo suficiente para planejarem suas vidas. Já era uma boa coisa.— Esqueça. Wally já havia pensado no assunto. Onde posso apanhá-lo? — Um local bem seguro para mim. Sabe o que lhe pode acontecer se continuar com essa jóia em suas mãos? Aquela era uma ponderação acertada. na rua Trinta e Três?.

Dom Salvatore o olhava com aprovação. Wally. comprando dois pequenos rádios transmissores-receptores. embora tentasse esconder isso. *** Quando Wally terminou de falara com Jerry e se juntou a Edna.. que nada acontecesse ao marido. trataram de alguns detalhes para garantir o sucesso naquele assunto. A seu lado. Respirou fundo e olhou para Edna. conduzindo as negociações de modo favorável. — Não creio que ele vá. — Entendido. dirigiram-se. Wally estacionou o carro em um ponto estratégico. assim. Não se preocupe. Após isso. para o Distrito Policial da Rua Trinta e Três. — Entendeu tudo. evitando surpresas. — Então Volare nos fez um favor. desligando. — Mate-o — repetiu dom Salvatore. caso surgisse algum problema. Dom Salvatore. Jerry havia se reabilitado perante seu chefe. em voz baixa e firme. ele estava realmente apavorado. Tramponi vai poder usá-lo no próximo sábado. Logo teremos o anel de volta. — Está tudo feito. Era importante que os dois mantivessem um contato permanente. Mate-o depois de pegar o anel — ordenou o chefe. dando um susto enorme no rapaz. Assim. concordando.— Estarei com uma dessas máquinas fotográficas pequenas. garantindo. não? — Sim. alguém vai procurá-lo. então. Edna teria imediatamente conhecimento e poderia tomar alguma providência. friamente. querida? — Sim. então — concluiu Jerry. — Ótimo. . Jerry abaixou a cabeça. O rapaz alugou um carro e passou por uma loja de artigos eletrônicos..

O local era movimentado. Eu estarei lá. estou um pouco nervoso. Ninguém pensaria em lhe preparar uma armadilha naquele local. Uma porta ao lado foi aberta. pelo menos teremos nosso próprio material. Policiais passavam de um lado para outro. amigo! Você entende alguma coisa de eletricidade? — Um pouco. — Sim. você já disse isso. Tome o rádio. querido. a garota no carro. sem parar. querida. Já que não vamos mesmo conseguir algumas informações deles.. de lá. — Ora. Vai dar tudo certo. . — Por mim eu esqueceria tudo. Antes de descer. em seguida. Não se esqueça de manter a objetiva apontada para aquela janela. Agora fique aqui e não se preocupe. Wally se sentia seguro.. apontando a objetiva de sua câmara. esperando pelo homem. observando tudo ao seu redor. Você fotografa tudo. Consultou o relógio. surgindo um policial com uma lâmpada na mão. Wally colocou o precioso anel dentro da pequena câmara fotográfica que havia adquirido especialmente para aquele fim. — Assim espero. — Desculpe-me. Penso que poderemos ainda tirar uma boa matéria de tudo isso.— Muito bem. Podia ver. Assim que entrou no prédio procurou a janela que indicara a Edna. Beijou rapidamente Edna e se encaminhou para o distrito. — Pode me dar uma ajuda aqui? — Claro — prontificou-se Wally.. — Posso entendê-la. seguindo-o. sorriu. Ao ver Wally.. mantenha-o sobre o microfone do gravador. indagando: — Hei.

vamos sair daqui. — Espere aí. impaciente. Um estalido seco chamou sua atenção. ligou-o para que Edna acompanhasse a conversa que se seguiu e pudesse fazer alguma coisa. — E se eu me recusar? — Morre aqui mesmo e não terei problema em justificar meu ato. o que está havendo? O trato não foi esse. então. Trouxe o anel? Wally olhou-o assustado. Sou um policial. tenho que me certificar — respondeu o outro. na verdade. O rapaz tremeu. Mova-se. Wally levou a mão na direção da maçaneta da porta. . amigo. abrindo a câmara e localizando o anel. — O que há de errado com a eletricidade aqui? — indagou ele. — Não fazemos tratos com aproveitadores.O policial entrou antes de Wally. Virou-se. Entregou. está comigo — disse Wally. — Nada. olhando os pontos cinzentos das balas que se sobressaíam no tambor da arma. Havia se lembrado do transmissor em seu bolso. — Sim. — Você trouxe o anel? — repetiu o policial. creio que posso ir agora. pois não esperava aquele tipo de mensageiro. — Está aí dentro. O policial havia sacado sua arma e a apontado para Wally. caminhando para perto da porta. Com um movimento insuspeito. Era apenas um deposito de materiais de limpeza. fechando a porta assim que o rapaz passou. lembrase? Wally ficou calado. não percebendo nada de errado ali. assustado. Wally examinou a sala. não? — Espere. a câmara fotográfica para o policial. — Vai mesmo me matar? — perguntou Wally.

O carro foi posto em movimento. finalmente. caso Wally tentasse alguma coisa. Quando deixaram o prédio. isso mesmo — respondeu o policial. com ar arrogante. mas estava pronto a sacá-la e disparar. Wally se sentiu um homem morto. Dentro havia um outro homem. — Para onde me levam? — Volare quer vê-lo. Onde está o anel? — Na máquina fotográfica que estava com o policial. Quando acordou. . sobre o tapete. numa sala. com cara de poucos amigos. — Apanhe-a. Os homens que o carregavam o deixaram. repleta de objetos de arte caríssimos. com armas providas de silenciadores. estava sendo carregado para o interior de uma grande casa. Ainda aturdido. depressa — ordenou o homem a seu parceiro. surgindo do nada. Rezou para que ela tentasse alguma coisa. O policial havia guardado a arma em seu coldre. Wally tentou localizar Edna. Um homem se aproximou. aturdido. obrigando-o a entrar. Nunca estivera numa casa como aquela. — Cale a boca e fique quietinho — ordenou um deles. Wally saiu para o corredor. sentando-se ao lado de Wally e encostando a arma na garganta do rapaz. tentou reconhecer alguma coisa a seu redor. — Quem são vocês? — indagou ele.— Sim. mate-o. O policial o conduziu até um carro. De repente. mas era impossível. Wally ouviu ruído abafados e seus captores tombaram ensangüentados. dois homens. o rapaz percebeu Edna fotografando tudo. se aproximaram do carro. empurrando-o pela porta com o cano da arma. mobiliada com luxo. chutando-o com desprezo. mas um golpe em sua nuca o fez dormir por algum tempo.

No outro prometialhe uma boa reportagem. — Magnifico. Sua nuca doía horrivelmente. balançando a cabeça de um lado para outro. — Você me deu um bocado de trabalho. você vai ser a noticia. — Vou lhe explicar. — Fica-lhe muito bem — elogiou Jacob. É um jornalista. Num momento Volare falava em matá-lo. apavorado. Não fosse um intrometido muito grande. rapaz. ele mesmo. pois vai tê-la. nós nunca teríamos encontrado o anel. Wally acompanhou a conversa. Levantou a cabeça. tentando pôr-se em pé. O anel está aqui — falou o pistoleiro. vou recompensá-lo de algum modo. . não? — Sim. sabendo que ele gostaria daquilo. colocando o anel em seu dedo e admirando-o. olhando-o com cinismo.— É esse o homem. Jacob? — indagou Volare. fazendo-o dobrar-se e cair de joelhos. Voltare golpeou-lhe o estômago. Melhor que isso. entregando a jóia a seu chefe. — Parece que todo mundo anda desejando isso ultimamente — disse Wally. Volare olhou deslumbrado para aquilo. — Sim. O que significava aquilo? Olhou para o gangster interrogativamente. Wally olhou-o sem entender. — Jornalistas gostam de noticias — continuou Volare. Ele se sentou com dificuldade. Pena que tenhamos de matá-lo. — Acho que vou dar uma das boas para você. Você quer uma noticia. Olhou-a contra a luz. — Devemos muito a você. — Sim. recobrando-se da pancada. Uma noticia famosa. de primeira página. desconsolado. Mas não se preocupe. sou — respondeu Wally. melhor em mim do que no idiota do Tramponi. Volare ajoelhou-se ao lado dele. fascinado com as cintilações multicores daquela pedra inigualável. Jacob! — exclamou ele.

Estes também pareciam intrigados com as palavras do chefe. atrás dele. Adivinhe quem fará isso? Você! — Está maluco! — exclamou Wally. Alguma coisa ela poderia fazer. . Wally olhou-o incrédulo. Wally torceu para que não o revistassem. — Eu não vou matar ninguém — disse o rapaz. Wally não sabia o quê. Jacob. — Não vá machucá-lo agora. Estavam ainda na quinta-feira. — Já o revistaram? Wally engoliu seco. mas alguma coisa teria que ser feita até o próximo sábado. Jacob — recomendou Volare. rapaz. possivelmente encontrariam o transmissor. não um pistoleiro. Teriam dois dias para tentarem alguma coisa ou Wally terminaria morto inapelavelmente. Basta estar lá quando fizermos o trabalho. golpeou-o selvagemente. matando Tramponi no próximo sábado. com esforço. Todos pensarão que trocou tiros com Tramponi. será o presente surpresa na festa intima de Tramponi. Se fosse revistado. dizendo: — O que esperam encontrar amigo? Uma arma? Sou um jornalista. — Vamos precisar dele. Era uma cartada arriscada. apelou para que o restava de seu sangue-frio. — Não precisará puxar o gatilho. Fazendo um esforço. Edna devia estar ouvindo toda aquela absurda conversa pelo rádio. — Tranque-o lá embaixo — ordenou Volare a Jacob.— O que está tentando me dizer? Volare olhou para seus homens. Abriu os braços. Vamos deixá-lo morto. — Vamos dar o golpe final em Dom Salvatore. — Olhe como fala. fazendo-o bater com a cabeça no assoalho. dentro do bolso interno de seu casaco. seu bastardo! — rugiu o gangster.

não com um comprado pelos gangsters? — O que fazer. Eles têm policias subornados. desesperada. Como ter certeza de que estaríamos falando com o policial certo. Não deve morrer de amores por Volare. O que devo fazer? — Deixe pensar. Wally foi conduzido pela casa. estou por perto. até a adega. sem revistá-lo. retirou o rádio e se comunicou com Edna. não? — Sim. estou bem. Wally. ele mesmo. não daria certo. não posso pensar assim. precisa estar vivo até sábado — recomendou Volare.— Ora. onde foi trancafiado. tentando encontrar uma saída. então? — Ainda não sei. ainda estou um pouco confuso. — Sim. você está bem? — indagou ela. pareceu encontrar a solução. vá andando — ordenou Jacob. Edna. — Devo chamar a policia? — Seria uma tolice. — Wally. recobrando sua serenidade . Segui o carro que o levou. Você acompanhou as conversas? — Sim. — Acho que sei o que devo fazer. Ficaram ambos em silencio por algum tempo. acho que tem razão. não perdi uma só palavra. — Cuidem bem dele. — Sim? — Vamos usar fogo contra fogo. querida. — Dom Salvatore? — Sim. . empurrando-o. Assim que se viu só. Vou procurar o único homem que pode nos ajudar agora.

Tentaria a todo custo conseguir ajuda do chefe dos mafiosos em Nova Iorque. Era a última chance de salvar Wally da morte certa. Telefone para o numero que estava no jornal. Vá fazer o que combinamos. — Compreendo. — Entendi. Um homem a atendeu. diga a Dom Salvatore que tenho a localização do anel e que . não convinha arriscar-se novamente. Amo você.. o homem riu. tente entrar em contato com ele. Wally. Consiga a palavra dele de que nos deixará em paz. Edna. — Também a amo. divertido. — Por que não me diz? Farei com que Dom Salvatore seja informado. bem como dos planos de Volare a respeito de Tramponi. desligando. — Meu nome é Edna Roberts. Quando Edna disse que pretendia falar com dom Salvatore.— Temos informações que podem interessar a ele. As coisas por aqui estão pretas. CAPÍTULO 7 Edna se dirigiu para uma cabine pública e ligou para o número fornecido por Wally.. procurando o local onde esconder o radiotransmissor. não perca tempo — pediu ele. É o seguinte. — Talvez não possamos entrar em contato novamente. — Tenho algo que pode interessar a ele — disse a garota. — Fale diretamente com ele. pode estar certa de que ele respeitará a palavra dada. Esse pessoal tem um código de honra muito severo. — Certo. tentando aparentar calma. Seria perigoso ficar com ele. insegura. Se conseguir isso. Edna anotou o numero. poderia ser perigoso — recomendou ele. O rapaz olhou ao seu redor. Já tivera sorte uma vez. Creio que apreciará saber onde está o anel.

Um homem vestido de terno branco e chapéu de abas curtas se encaminhou para ela. torcendo para que Dom Salvatore concordasse em recebê-la. Você vem comigo. . Sua voz era dura. Um velho estava curvado sobre uma mesa de bilhar. sem olhá-la. está ali. — Queria me ver? — indagou o velho. Edna desligou o telefone e aguardou. — Falo sério. nervosa. eu entendo — concordou ela. executando jogadas sob os olhares atentos de alguns homens. exigindo uma resposta rápida. alguém irá procurá-la. — Você é a garota? — Sim. acompanhando-o. garota? Dom Salvatore detesta brincadeiras. nas proximidades do New York Bank. Edna se viu no interior de uma casa ampla e riquíssima. Edna ouviu o telefone ser posto sobre a mesa. Edna mordeu os lábios. Teremos que vendá-la por precaução. onde você está? — Numa cabine telefônica na Quinta Avenida. — Sim. Aguardou ansiosa. Houve um silêncio do outro lado da linha. — Está bem. — Tem certeza do que me disse. — Um de meus homens o levará. o homem voltava ao aparelho. Instantes depois. Edna tinha certeza que cada um daqueles homens era um perigoso malfeitor. O homem a conduziu até um salão de jogos. um carro estacionou ali perto. Quando retiraram a venda de seus olhos.sei de alguns planos de Volare que podem interessá-lo. Algum tempo depois. — Espere aí. — Tem carro? — Sim.

Estávamos desempregados. acabamos nos envolvendo em um negócio comum. — Está bem. O velho depositou o taco de bilhar sobre a mesa e caminhou para a jovem. O velho a encarou por algum tempo. olhando-a nos olhos. sem sorte.. Estou sendo muito gentil. Lágrimas brotaram em seus olhos e todo os eu desespero se estampou em suas faces. O que houve.— Preciso de ajuda. olhando-a. Dou-lhe a minha. afinal? Você disse que sabia do anel? — Sim. — Olhe aqui. — Como sabe meu nome? — perguntou o velho. ele está nas mãos de Volare. mas não tínhamos outra saída. — Volare. . caminhando impaciente de um lado para outro. Reconheça que me causaram um bocado de aborrecimentos. antes de indagar: — O que tem a me dizer? — Primeiro quero a sua palavra de que nos deixará em paz. — Por favor. — Deixe a jovem falar. filha. — Sei disso. O mafioso pareceu se enternecer diante das lágrimas da garota. depois de tudo que fizeram. — Conte-lhe tudo que sabe — pediu ele. aquele bastardo novamente! — rugiu o velho. — Eu sei. até que ele se acalmasse e voltasse a encará-la. você e seu marido não serão molestados por meus homens. Edna o acompanhou com os olhos.’ — Pare! — ordenou dom Salvatore. sem olhar para o gangster. avançando para ela. Dom Salvatore. agora. bem como meu marido também. Edna estremeceu ante aquele olhar firme e frio.. garota — ameaçou Jerry. tem que me ajudar — suplicou ela. — Não precisa me falar sobre isso.

. o que fará para salvá-lo? — indagou. A vida de Wally estava em perigo. Edna se adiantou. — Ora bolas! Devia deixar que matassem aquele mulherengo. contou-lhe sobre o plano de Volare para matar Tramponi. — Volare pretende fazer isso? — Sim. . e vai incriminar meu marido nesse assassinato. onde Tramponi está sozinho. — Na casa de Volare. — eu disse a ele que não se envolvesse com mulheres até a cerimonia de sábado. — Como Volare pretende fazer isso? — Não sei ao certo. — O que sabe sobre isso. — Não é nada sério — tentou amenizar Jerry. temeroso. eu decido.Edna a pôs a par do que acontecia. — Onde está ele precisamente. Além disso. Poderia pôr tudo a perder. Por que não me avisaram antes? — Tramponi não iria gostar disso. — E quanto ao meu marido. — Não quero explicações. Dom Salvatore percebeu isso. Alguém sabe de alguma coisa sobre isso? — Jerry abaixou os olhos. no próximo sábado. apenas por me desobedecer. dom Salvatore — falou Jerry. — Aquele bastardo mulherengo! — vociferou o velho. eu mando. aproximando-se dele. mas em algum lugar. tão logo o chefe lhe dirigiu um olhar glacial. Eu sou o chefe aqui.. Deviam ter me avisado sobre isso. — Sozinho? Tramponi não seria tão estúpido. calando-se imediatamente. A ela não importava os assuntos particulares do poderoso chefe da mafioso. Jerry? — Tramponi tem uma amiguinha.

preocupada e assustada com o rumo das coisas. Ergueu a arma. — Reuna os homens. não lhe acontecerá nada? — indagou Edna. Volare pode estar nos esperando. O velho apanhou uma metralhadora e encaixou um pente de balas. estavam alinhadas cuidadosamente dentro do armário. voltando-se para seus homens. — É fácil verificar isso. Quero todos os homens que eles puderem mandar. Quantos homens devemos usar? — Todos. a vida humano de nada valia. Depois caminhou até um armário numa das paredes da sala. Na certa já recebeu alguma ajuda de Chicago. Detroit e Los Angeles. Dom Salvatore. Chegou a hora de agirmos e acabar com o intrometido do Volare. . — Os rapazes estão ansiosos por isso. — Pode ser feito? — Sim. deixou ver em seu interior um verdadeiro arsenal. pistolas automáticas e rifles especiais. temos homens vigiando o aeroporto e as entradas da cidade. Quero que telefone para San Francisco.Dom Salvatore passou a mão pelos cabelos. Abrindo-o. Metralhadoras. — Quando atacaremos? — Esta noite. Para aqueles homens. — Vamos atacá-lo? — Sim. — E quanto a Wally. num gesto lento e meditativo. Toda aquela conversa a havia assustado ainda mais. Jerry. Se alguma ajuda chegar para Volare. despache-a de volta. — Então faça-o. além de muita munição. isso mesmo.

— Não sei. Jacob o interrompeu de seus pensamentos. — Dom Salvatore vai iniciar a guerra. . poderá ir conosco para encontrar seu marido. entrando na sala. preocupado.Dom Salvatore se aproximou e segurou-a pelos ombros. garota. — Amigos de Dom Salvatore? — Sim. — Cem homens aproximadamente. já se antevia como chefe supremo de Nova Iorque. devo-lhe um favor. Dom Salvatore gosta de pagar o que deve. é tudo que peço. Havia simpatia em seus olhos quando falou à garota: — Já lhe dei a minha palavra. quem sabem. Seus planos ambiciosos estavam dando certo. símbolo de sua vitoria e de sua esperteza. Está chegando muita gente nos vôos de San Francisco. *** Anoitecia. trinta. Parecia preocupado com alguma coisa. — O que há? — indagou Volare. Se quiser. tenho certeza que sim. De algum modo. Tinha tudo as mãos. — Quantos? — Vinte. Volare esfregou o queixo. Mandei alguém verificar no aeroporto. sempre olhando com êxtase o anel em seu dedo. parece que há alguma coisa no ar. Quantos homens podemos reunir agora. Detroit e Los Angeles. irritado. então. — Salve-o. — Os homens que vinham de Chicago não chegaram ainda. Volare caminhava tranqüilo pela sua sala.

Não sabia de que se tratava ainda. olhando para aquela tomada. pela adega. pairava um cheiro de morte. não é de sua conta. Olhou ao seu redor. Wally. passaria despercebido. podia acompanhar a movimentação por uma pequena janela com grades. Jacob convocou todos os homens. agir depressa. — O que está havendo lá fora? — indagou ao homem que trazia uma bandeja e uma arma em suas mãos.— Reuna aqui está noite. Alguém lhe trazia comida. Wally teve uma idéia. mas ainda tem alguma fibra. Precisava. no entanto. mas podia imaginar o que aconteceria. — Nada que possa lhe interessar — respondeu o outro. — Pensa que seremos atacados? — Dom Salvatore é um velho. secamente. preso na adega. A porta foi aberta.. Barricas foram levantadas. junto ao chão. como se houvesse algo que pudesse fazer com ela. O ambiente era de tensão e nervosismo. deixando a bandeja sobre o chão. Seus olhos pousaram sobre uma tomada elétrica. — O pessoal lá fora parece que vai para uma guerra — insistiu o rapaz. Ficou ali. o pátio da casa se transformou numa praça de guerra. virei buscar a bandeja logo mais. Andou. por isso tinha que tentar se safar por conta própria. A movimentação lá fora era muito grande. bloqueando a entrada. Homens. parado. Só havia garrafas e pesados tonéis de vinho. Carros foram enfileirados. procurando algo que pudesse usar como arma. Em pouco tempo. Nada que pudesse manejar para pôr um homem fora de combate. Acima de tudo. Se conseguisse sair. Não sabia o que Edna havia conseguido. Coma logo. misturando-se aos outros.. carregando os mais diferentes tipos de armas. preocupado. sem se arriscar. Quero-os armados e prontos para a luta. Seguindo as ordens de Volare. . circulavam de um lado para outro. — Já lhe disse.

Wally soltou-os e teve o bastante para chegar até o meio da adega. então. Wally jogou o corpo para o lado. por isso engatilhou a arma e tentou intimidá-lo. — Por que não comeu? — indagou ele. enquanto seu corpo todo estremecia. — Foi esperto. onde estava a bandeja deixada pelo pistoleiro de Volare. entregue-me a arma. tentava se reanimar. — Desista. aturdido pelo choque elétrico. Amarrou uma das pontas à colher e deixou-a sobre a bandeja de metal. Os dois fios corriam juntos. A arma escapou-lhe da mão. virou-se e atacou o rapaz. Subitamente. Quando o gangster voltou. — Estou preparando isso. — Não estava com fome — respondeu Wally. puxou um dos fios. . ficando com a outra ponta em sua mão. adiantando-se. apanhando a bandeja. amigo. Wally apanhou-a. logo depois. O homem ficou de costas e começou a caminhar lentamente na direção da porta.Lembrou-se. com cuidado. Wally se prontificou em passar-lhe a bandeja.. Com enorme presença de espirito. presos por grampos. encostando o outro fia à bandeja. enquanto o pistoleiro. Se você disparar. Rapidamente ele se abaixou e examinou a tomada. mas não escapará daqui tão facilmente. do policial que o havia apanhando no Distrito. — Isso nós veremos — respondeu Wally. — É tolice. Vire-se. — Faça o que lhe mandou ou mato-o aqui mesmo — ameaçou-o o rapaz. Wally entedia alguma coisa. não conseguirá. ao longo da parede. ao mesmo tempo que golpeava o outro na cabeça. Fez o mesmo com o outro.. Ele perguntara se Wally entendia de eletricidade. terá todo o pessoal aqui em segundos. O homem esbugalhou os olhos. Depois. Wally sabia que não poderia atirar. com firmeza. você vai sair comigo. soltando-o.

passou por eles na direção de uma porta aberta. Wally engasgou. — Está tudo bem. Havia homens por toda parte. . até chegar ao portão. ganhando a saída. — Mas não podemos sair daqui. Se não se apressarem. usando toda a sua força. porém bastante forte.. — Gosto mais disso — falou ele. o rapaz foi até a porta e espiou para fora. Aviso se acontecer alguma coisa. não se preocupe — disse o rapaz. vigiando por uma dezena de homens. — Onde está sua metralhadora? — indagou um pistoleiro. Wally golpeou-o novamente. Wally caminhou entre eles. preparados para a luta. esquivando-se na direção do jardim. exibindo a arma. ficarão sobrando. chegando a uma ampla sala.A pancada não foi. Com cuidado. temos ordens. — Não sabiam? Estão distribuindo uma garrafa para cada homem. segurando-o pelo braço. — Não se preocupe. Dali. tentando parecer natural. ouça o que lhe digo. Havia homens por ali. Wally respirou fundo e. suando frio. Precisava despistá-los para poder sair. Não havia ninguém por perto. se vocês prometerem não de demorar. Imaginou alguma coisa. estou aqui para tomar conta. passaria por um dos homens de Volare. Lembrou-se da arma que trazia consigo e que tirara do guarda na adega. saiu por outro corredor. caminhou por um corredor úmido até uma escada. Aproximou-se deles e indagou: — Já apanharam o uísque? — Que uísque? — retrucou um deles.. Uma vez lá fora. Após se certificar de que o mafioso não o incomodaria mais. pois o gangster voltou à carga em seguida. — A luta vai ser feia.

Em parte era pela tensão. o rapaz reconheceu-lhe a voz. eu.. vamos lá. então? O que faz aqui? — Bem. Aproximou-se do portão. Sem outra alternativa. Wally os viu afastarem-se. mas ele devia ser controlado eletronicamente.. Não contava coma quilo. A cerca e o portão de metal estavam eletrificados. não? — Sim. Eles me apanharam. Por outro lado. desconfiou de algo. oculta pelas folhagens ao lado da cerca. Tentou empurrá-lo. — Quem é. Wally correu pala lá e viu uma chave elétrica. — Vim de lá — apontou ele. você é o cara do telefone. Vasculhou o local. é uma longa história. subiu por ele e passou para o outro lado. eu estava preso. São homens de Dom Salvatore. Havia uma casa de guarda. Como estão as coisas lá dentro? . Uma lanterna foi acesa em seu rosto. rapazes. disparando pela rua. quando uma voz imperiosa ordenou-lhe: — Pare! Quem é você? Wally levantou os braços. teve sorte. amigo. descobrindo alguns fios. olhando-o detidamente. — De onde você veio? — indagou o homem que o deterá. Quando ele falou. — É um dos homens de Volare? — Não. era um alivio ter o caminho livre. Desligou-a e voltou ao portão. Você é da policia? Um homem se aproximou de Wally. não? — Sim. desconsolado. Quando ia empurrá-lo. — Você deve ser o jornalista.— Certo. não contendo o riso. na direção da casa de Volare. Não havia se afastado muito ainda.

Começou a correr. para bem longe. e o que restou do dinheiro. Os dois foram para o carro. eu desliguei a eletricidade da cerca. — Vamos dar o fora daqui. o que ele alugara naquela tarde. tratem de se afastar daqui o mais depressa possível.. — Fez um bom trabalho.— Eles estão preparados para enfrentar um exército. — Ainda tem aí todas as coisas que compramos? — Sim. — Jogue tudo fora. — Mas precisamos mesmo jogar tudo fora? . — Ela está bem! — Sim. Wally apertou firme o acelerador. e com um saldo positivo. os primeiros tiros começaram a soar. Vamos embora desta cidade. querida. Escapamos dessa maldita aventura — disse Wally. Quando se afastavam. Recomeçaremos tudo em algum lugar. entre os muitos carros ali parados. num pipocar fúnebre e aterrorizante. Mas se eu fosse você. Wally não esperou outra ordem. vamos desistir de tudo? — Sim. Edna o viu. correndo ao encontro dele. parando só quando reconheceu. — Sim. sem perceberem que. — O quê? Jogar fora? E as reportagens. Depois o tiroteio aumentou de intensidade. chegará até sua esposa. Isso vai virar um inferno. os homens de Dom Salvatore começavam a se movimentar na direção da casa de Larry Volare. aliviado. entraria pelos fundos. querida. ao redor deles. Além disso. obrigado! Se continuar em frente. Abraçaram-se entre risos e lágrimas. *** — Trabalhou bem. isso mesmo. Não há muita proteção.

início da rotação de culturas (soja e trigo) e surgimento dos bóias-frias . Seus olhos brilharam. Depois encostou-se a ele.— Sim. — Está bem — concordou ela. segundo e terceiro graus Bancário aposentado Instrutor de Treinamento Profissional Escritor: poeta. LOURIVALDO PEREZ BAÇAN O MAGO DAS LETRAS Atividades: Professor de primeiro. sobre o fim do ciclo do café. — Daremos um jeito. aliviada em ver tudo aquilo acabar. — Vamos ter um bocado de problemas para recomeçar. ela guardou o dinheiro em sua bolsa. não quero nada disso aí. Sem que Wally percebesse. carinhosa. Quando apanhou o restante do dinheiro. — Vai ser uma pena — disse ela. contista e novelista Compositor letrista Tradutor Palestrante: Redação Criativa e O Processo Criativo Publicações: Publicou em 1996 a novela rural Sassarico. fingindo que atirava o dinheiro pela janela do carro. olhou-o com pena. claro que sim — sorriu ela. — Sim. O pesadelo acabara. com idéia marota que surgia em sua cabeça. você verá. — Não podemos conservar nenhum trocado? — Não. começando a atirar as coisas para fora do carro.

literatura infantil. gnomos. manuais práticos. elementais. letras para músicas. como: romances. rezas. simpatias populares. passatempos. Escreveu mais de 800 textos. amuletos. charadas. palavras cruzadas. horóscopos. erotismo. estresse. intenções. esoterismo. anjos. publicados em sua maioria. fadas. orações. . sobre os mais diferentes assuntos. talismãs.Publicou em 1998 o livro de poemas Alchimia e em 1999 o livro Redação Passo a Passo. passatempos infantis. religião e livros de bolso com os mais diversos temas.