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Guia de Planejamento e Orientações Didáticas

Professor Alfabetizador – 1º ano

governo do estado de são paulo secretaria da educação fundação para o desenvolvimento da educação

Guia de Planejamento e Orientações Didáticas
Professor Alfabetizador – 1o ano

PROFESSOR(A): _____________________________________________________________ TURMA:_____________________________________________________________________

São Paulo, 2011

Governo do Estado de São Paulo Governador Geraldo Alckmin Vice-Governador Guilherme Afif Domingos Secretário da Educação Herman Jacobus Cornelis Voorwald Secretário-Adjunto João Cardoso Palma Filho Chefe de Gabinete Fernando Padula Coordenadora de Estudos e Normas Pedagógicas Maria de Lourdes Rocha Coordenador de Ensino da Região Metropolitana da Grande São Paulo José Benedito de Oliveira Coordenador de Ensino do Interior Rubens Antônio Mandetta de Souza Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação José Bernardo Ortiz Diretora de Projetos Especiais da FDE Claudia Rosenberg Aratangy

Agradecimentos

Esta publicação contou com a preciosa participação de autores, editores e colaboradores que cederam seu trabalho sem ônus algum para a SEE. Gostaríamos de agradecer: À equipe do ISA – Instituto Socioambiental, pelos diversos textos de seu site que aqui reproduzimos; À editora Terceiro Nome e Renata Meirelles, por seu texto e foto sobre piões dos Galibis do Oiapoque do livro Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil. À editora Peirópolis e Adelsin pelos textos e ilustrações de Barangandão Arco-íris – 36 brinquedos inventados por meninos e meninas. Editora Berlendis Vertechia, Bruno Berlendis Vertechia e Luiz Donizete Grupioni, por autorizarem a reprodução de trechos do livro Viagem ao mundo indígena. À Revista Ciência Hoje e Carlos Fausto, por ceder o texto A outra história do descobrimento do Brasil. Ao escritor Waldemar de Andrade e Silva, pelos textos Mandioca – o pão indígena, Mavutsinim, o primeiro homem, Guaraná, a essência dos frutos e Mumuru, a estrela dos lagos. À Secretaria Municipal de Educação de São José do Rio Preto, por ter cedido trechos do seu material de 1o ano para compor o presente Guia.

Este material foi impresso pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, por meio da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, para uso da rede estadual de ensino e das prefeituras integrantes do Programa de Integração Estado/Município – Ler e Escrever, com base em convênios celebrados nos termos do Decreto Estadual 54.553 de 15/07/2009 e alterações posteriores.

Catalogação na Fonte: Centro de Referência em Educação Mario Covas São Paulo (Estado) Secretaria da Educação. Ler e escrever: guia de planejamento e orientações didáticas; professor alfabetizador – 1o ano / Secretaria da Educação, Fundação para o Desenvolvimento da Educação; concepção e elaboração, Claudia Rosenberg Aratangy... [e outros]. - São Paulo : FDE, 2011. 208 p. : il. 1. Ensino Fundamental 2. Ciclo I 3. Leitura 4. Atividade Pedagógica 5. Programa Ler e Escrever 6. São Paulo I. Título. II. Fundação para o Desenvolvimento da Educação. III. Aratangy, Claudia Rosenberg. CDU: 372.4(815.6)

S239L

Prezada professora, prezado professor
De acordo com a Lei no 11.274/2006, o Ensino Fundamental passou a ter 9 anos, incluindo-se assim as crianças de 6 anos no Ciclo I. Na rede pública de São Paulo, a deliberação CEE no 73/2008 regulamentou a implantação do Ensino Fundamental de 9 anos. Em 2009, a implantação ocorreu em alguns municípios; em 2010 toda a Rede recebeu alunos no 1o ano do Ensino Fundamental e, agora, em 2011, com a publicação do presente Guia, os professores e alunos de 1o ano passam a fazer parte do Programa Ler e Escrever. Entendemos que todo processo de mudança requer um esforço adicional da equipe escolar na adaptação de tempos e espaços para melhor atender as crianças. Isso requer um compromisso da rede pública e seus gestores para oferecer acesso a um maior número de crianças à escolaridade e para construção de uma educação de qualidade para todos os cidadãos. Ao incluir o 1o ano no Ler e Escrever estamos dando um importante passo na melhoria do processo de alfabetização. Sabemos que, para as crianças pequenas, participar das práticas sociais de leitura e escrita, conviver com leituras, livros, histórias, revistas, informações, num ambiente estimulante e convidativo, não “apressa” a aprendizagem da leitura e da escrita, e sim, torna-o mais fácil e natural. A primeira parte deste texto traz orientações gerais sobre o primeiro ano, abordando as características das crianças desta faixa etária, a organização da rotina, o modelo de ensino e a concepção de aprendizagem. Na segunda parte encontra-se o quadro com tudo que se espera que as crianças aprendam ao longo deste ano. Tanto a primeira quanto a segunda partes já são conhecidas de muitos educadores, pois estiveram disponíveis em versão eletrônica. A terceira parte traz os projetos e atividades que concretizam as expectativas de aprendizagem em situações didáticas. Esperamos que este material ajude não apenas a planejar seu dia a dia com seus alunos, mas, principalmente, a tornar este primeiro ano da escolaridade obrigatória um ano de experiências de sucesso que torne as crianças confiantes na sua capacidade de aprender e os professores seguros em suas competências de ensinar. Bom trabalho!

Secretaria do Estado da Educação

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Calendário Escolar 2011 JANEIRO D S T Q Q S S 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 MAIO S T Q Q S S 2 3 4 5 6 7 9 10 11 12 13 14 16 17 18 19 20 21 23 24 25 26 27 28 30 31 FEVEREIRO D S T Q Q S S 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 MARÇO D S T Q Q S S 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 ABRIL D S T Q Q S S 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 D 1 8 15 22 29 JUNHO JULHO D S T Q Q S S D S T Q Q S S 1 2 3 4 1 2 5 6 7 8 9 10 11 3 4 5 6 7 8 9 12 13 14 15 16 17 18 10 11 12 13 14 15 16 19 20 21 22 23 24 25 17 18 19 20 21 22 23 26 27 28 29 30 24 25 26 27 28 29 30 31 NOVEMBRO D S T Q Q S S 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 D 7 14 21 28 AGOSTO S T Q Q S S 1 2 3 4 5 6 8 9 10 11 12 13 15 16 17 18 19 20 22 23 24 25 26 27 29 30 31 SETEMBRO OUTUBRO D S T Q Q S S D S T Q Q S S 1 2 3 1 4 5 6 7 8 9 10 2 3 4 5 6 7 8 11 12 13 14 15 16 17 9 10 11 12 13 14 15 18 19 20 21 22 23 24 16 17 18 19 20 21 22 25 26 27 28 29 30 23 24 25 26 27 28 29 30 31 DEZEMBRO D S T Q Q S S 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 Calendário Escolar 2012 JANEIRO D S T Q Q S S 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 FEVEREIRO D S T Q Q S S 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 MARÇO D S T Q Q S S 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 ABRIL D S T Q Q S S 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 MAIO D S T Q Q S S 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 JUNHO JULHO D S T Q Q S S D S T Q Q S S 1 2 1 2 3 4 5 6 7 3 4 5 6 7 8 9 8 9 10 11 12 13 14 10 11 12 13 14 15 16 15 16 17 18 19 20 21 17 18 19 20 21 22 23 22 23 24 25 26 27 28 24 25 26 27 28 29 30 29 30 31 AGOSTO D S T Q Q S S 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 SETEMBRO OUTUBRO D S T Q Q S S D S T Q Q S S 1 1 2 3 4 5 6 2 3 4 5 6 7 8 7 8 9 10 11 12 13 9 10 11 12 13 14 15 14 15 16 17 18 19 20 16 17 18 19 20 21 22 21 22 23 24 25 26 27 23 24 25 26 27 28 29 28 29 30 31 30 NOVEMBRO DEZEMBRO D S T Q Q S S D S T Q Q S S 1 2 3 1 4 5 6 7 8 9 10 2 3 4 5 6 7 8 11 12 13 14 15 16 17 9 10 11 12 13 14 15 18 19 20 21 22 23 24 16 17 18 19 20 21 22 25 26 27 28 29 30 23 24 25 26 27 28 29 30 31 Feriados Dia Mundial da Paz___________________________________ 1o janeiro Aniversário de São Paulo_____________________________ 25 janeiro Carnaval_____________________________8 de março | 21 de fevereiro Paixão___________________________________22 de abril | 6 de abril Páscoa___________________________________24 de abril | 8 de abril Tiradentes___________________________________________ 21 abril Dia do Trabalho_______________________________________ 1o maio Corpus Christi___________________________23 de junho | 7 de junho 2011 | 2012 Revolução Constitucionalista______________________________ 9 julho Independência do Brasil_____________________________ 7 setembro Nossa Senhora Aparecida_____________________________12 outubro Finados__________________________________________ 2 novembro Proclamação da República__________________________ 15 novembro Dia da Consciência Negra___________________________ 20 novembro Natal___________________________________________25 dezembro .

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Ler os nomes dos colegas da classe – dicas . Organização da rotina e as modalidades organizativas do tempo didático. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Expectativas de aprendizagem abordadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Matemática . . . . Os cantos de atividades diversificadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O que os alunos aprendem nas situações em que escrevem por si mesmos. . . . . . . . . . . . . . . . . jogar e brincar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conteúdos e expectativas de aprendizagem. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O que os alunos aprendem nas situações de leitura e escrita de nomes . . . . . . . 45 45 46 47 48 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Expectativas de aprendizagem abordadas. . . . . . . . . . . . . . . . Escrever os nomes dos colegas da classe – dicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A criança e suas especificidades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Situações de leitura e escrita de nomes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . MODELO DE ATIVIDADE. . . . . . . . . . . . . . Ciências Naturais e Sociais (História. . . . . . . . . . . . . . . . 9 Introdução . . . . . . . . . Artes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 Situações de escrita pelo aluno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Expectativas de aprendizagem. . . . . . . . . . . . . 12 12 13 15 15 16 18 20 20 24 26 29 30 32 35 35 37 37 39 Condições didáticas para as situações de leitura e escrita de nomes dos colegas da classe. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Movimento. . . Modelo de ensino e aprendizagem. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Sumário Calendário Escolar de 2011/2012 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Condições didáticas para as situações de escrita pelo aluno. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Avaliação das aprendizagens . . . . . . . A ação do professor. . . . 40 Modelo de Atividade: Ler nomes dos colegas da classe. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Língua Portuguesa. . . . Geografia e Ciências Naturais).

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Produto final . . . Conhecer diferentes gêneros textuais. . . . . . . . . . . . Condições didáticas para as situações de leitura do aluno . . . . . . . . ainda que não convencionalmente. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O que os alunos aprendem nas aulas de leitura por si mesmos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 MODELO DE ATIVIDADE: Ditado para o professor de um bilhete para os pais. . . . . . . . 66 Situações de leitura pelo professor . . . . . . . . . . . . . . . . .Situações de leitura pelo aluno . . . . . . . . . . Condições didáticas para as situações de leitura do professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . MODELO DE ATIVIDADE: Leitura de conto pelo professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81 Por que realizar um projeto de resgate das brincadeiras tradicionais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 Expectativas de aprendizagem abordadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 Condições didáticas para as situações de ditado para o professor ou produção oral com destino escrito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O que os alunos aprendem nas situações em que o professor lê para eles . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O resgate das brincadeiras infantis e a aprendizagem da língua. . . . . . . . . . 83 85 86 86 86 87 87 87 87 . . Expectativas de aprendizagem abordadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Ler. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Ler antes de saber ler convencionalmente – dicas. . . . . . . . Expectativas de aprendizagem. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 71 74 75 76 77 PROJETO DIDÁTICO Brincadeiras tradicionais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 54 55 56 58 59 Situações de ditado para o professor – produzir textos antes de saber escrever . . . . . . . . . . . . . . . antes que leiam convencionalmente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Acompanhar a leitura do professor – dicas . . . . . . . . . . . . 63 O que os alunos aprendem nas situações em que ditam um texto para o professor. . . . . . . . . Expectativas de aprendizagem abordadas. . . . Comunicar-se no cotidiano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . MODELO DE ATIVIDADE: Organizar os versos de uma parlenda conhecida. . . . . . Uso de texto fonte para escrever de próprio punho . . . . . . . . . . . . . . . Produzir textos escritos ainda que não saiba escrever convencionalmente. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 Atividade 3C: Escrita em duplas de uma das regras da brincadeira (letras móveis) e desenho do jogo. . . . . . . 115 Etapa 4: Preparação dos produtos finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Fugi fugi. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 Etapa 2: Aprender brincadeiras a partir da leitura do professor . . . . . . . . . . . . . . . . 88 Etapa 1: Apresentação do projeto e do produto final. . . . . Nunca três. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121 ANEXO 1 (para ser lido pelo professor na atividade 2B) . . . . . . . . . . . 96 Atividade 2B: Leitura do professor das regras de uma nova brincadeira. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95 Atividade 2A: Escrita do título de uma brincadeira. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Cabra-cega. . . . . . . . Pega-pega corrente . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112 Atividade 3D: Ditado ao professor da brincadeira aprendida com um dos convidados. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 Atividade 4A: Escolha da brincadeira que será apresentada pelos alunos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 Atividade 4B: Escrita da ficha de uma das brincadeiras aprendidas. . . . . . . . . . . . . 109 Atividade 3B: Ditado para o professor das opiniões a respeito da brincadeira . . . . . . . . . . . 103 Atividade 2E: Leitura de texto instrucional para confecção de um brinquedo e escrita em duplas de uma das instruções. . . . . . . . . .Organização geral do projeto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . com análise coletiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Mãe da rua . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 Atividade 1C: Elaboração de convites aos familiares que queiram ensinar uma das brincadeiras aos alunos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Coelhinho sai da toca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101 Atividade 2D: Leitura de texto instrucional para confecção de um brinquedo. . . . . . 119 Atividade 4C: Ensaios para a “Tarde de brincadeiras” . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 Atividade 3A: Aprender uma brincadeira a partir do relato de um convidado. . . . . . . . . . . . . . . . 106 Etapa 3: Aprender novas brincadeiras a partir do relato oral de diferentes convidados . . . . . . . . . . . . . . . . . 89 Atividade 1A: Apresentação do projeto. . . . . 123 123 124 124 125 125 126 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 Atividade 1B: Preparação de entrevistas sobre brincadeiras conhecidas dos familiares . . . . . 98 Atividade 2C: Desenho e legenda em duplas da brincadeira aprendida na aula anterior. . . . . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . . . . 133 Artes. . . . . . . . . 141 Atividade 2A: Leitura do professor e anotação das informações relevantes . . . . . . . . . . 159 10 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . . . . . . . 157 Etapa 4: Aprender sobre alimentação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . crianças e mitos em diferentes nações indígenas. . . . . . . . . . . 136 Atividade 1B: Levantamento do que já sabem sobre o tema a partir da leitura de imagens . . . . . . . . . 130 Aprender sobre a linguagem escrita e sobre a escrita no contexto de um projeto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145 Atividade 2C: Escrita do aluno – informações sobre diferentes nações (ditadas pelo professor). . . . . . . . . . . 136 Etapa 1: Apresentação do projeto e do produto final. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 Ciências Naturais e Sociais (História. . . . . . . . . . . . . . . . 152 Atividade 3B: Leitura de legenda sobre os Yanomamis. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 Atividade 3C: Escrita de legenda sobre o povo estudado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133 Produto final . . . . . . . . . . 147 Etapa 3: Aprender sobre uma nação indígena – Xikrins-Kaiapós . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .PROJETO DIDÁTICO Índios do Brasil: conhecendo algumas etnias . . . . . . . . . . 127 Por que realizar um projeto que envolva o estudo dos povos indígenas brasileiros . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 Língua Portuguesa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 159 Atividade 4A: Comparar a relação entre a alimentação dos povos indígenas e a dos alunos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141 Atividade 2B: Elaboração coletiva e reflexão sobre características das legendas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152 Atividade 3A: Leitura do professor de texto sobre o cotidiano dos índios Xikrins-Kaiapós. . . . . . . . . . . . . . . . 134 Atividade permanente. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 A formação de estudantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Geografia e Ciências Naturais). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131 Expectativas de aprendizagem. . . . . 136 Atividade 1A: Compartilhar o projeto com os alunos e fazer levantamento do que já sabem sobre o tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 138 Etapa 2: Aprender sobre aspectos gerais das nações indígenas brasileiras. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133 Organização geral do projeto . . . . . . . . . . . .

. 170 Atividade 4F: Como as crianças índias aprendem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Relato de brincadeira. . . . . . . . . . . 168 Atividade 4E: Ditado ao professor de uma das brincadeiras apresentadas na aula anterior. . . . . . . . . . . . . . . . . . 172 Atividade 4G: Mitos de origem de dois povos indígenas . . . . . . . . .Atividade 4B: Discussão em quartetos sobre os hábitos alimentares dos povos indígenas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178 Atividade 5A: Leitura pelo professor de matéria sobre o descobrimento do Brasil. . . . . . . . . . . . . . . . 199 ANEXO 4Fa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201 ANEXO 4Ga: Será lido para os alunos durante a Atividade 4G . . . . . . . . . . . 180 Etapa 6: Preparação do produto final. . . . . . . . . . . . . 184 Atividade 6A: Divisão dos grupos . . 198 ANEXO 4F – Texto que será lido para os alunos na Atividade 4F. . . . . . . . . 197 ANEXO 4Da . . . . . . 184 Atividade 6B: Preparação de materiais para exposição . . . . . . . . . . . . . . . . . . que vai expor informações na Atividade 4D . . . . . . . . . . 202 ANEXO 5A: Texto sobre o descobrimento do Brasil para ser lido na Atividade 5A . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 188 Atividade 6E: Ensaios para a apresentação . . . . . . . . . . 205 Guia de Planejamento e Orientações didáticas 11 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186 Atividade 6C: Escrita de legendas. . . . . . . 187 Atividade 6D: Revisão das legendas que acompanham o material de apoio para a exposição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167 Atividade 4D: Brincadeiras e brinquedos indígenas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 176 Atividade 4H: Ditado ao professor do mito de origem dos índios Desanas. . . . . . . . . . . . . . . . 192 ANEXO 3A: texto para ser lido pelo professor para os alunos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 190 ANEXO 2A: texto para Atividade 2A . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . será lido para os alunos na Atividade 4C. 163 Atividade 4C: Escrita de legendas sobre hábitos alimentares dos povos indígenas . . . . . . . . 177 Etapa 5: Aspectos históricos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 193 ANEXO 4D: texto de apoio para o professor. . . 178 Atividade 5B: Ouvir e cantar uma canção sobre o descobrimento. . . . . . . . 203 ANEXO 6: Lendas e mitos indígenas para serem lidos no momento da atividade habitual de leitura pelo professor. . . . . . . . . 200 ANEXO 4G: Será lido para os alunos durante a Atividade 4G. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Texto que será lido para os alunos na Atividade 4F . . . . . . . . . .

A criança faz uso de um repertório cada vez mais rico de símbolos. e se manifesta por meio da linguagem. seja para aquele que vem da Educação Infantil. inclusive da alfabetização. buscando uma metodologia que favoreça o desenvolvimento social. imagens e conceitos para mediar sua relação com a realidade e o mundo social. Embora seja um processo longo. o que amplia suas habilidades sociais. Nesta perspectiva. permitindo que elas avancem para os anos seguintes de forma segura e confiante em relação aos seus processos de construção de conhecimento. da imitação e da brincadeira em situações diversas. ou garantir àqueles que nunca frequentaram a escola um início de escolaridade tranquilo e promissor. Pode estabelecer novos e diferentes vínculos afetivos e se interessa cada vez mais pelas atividades em grupo. Em qualquer um dos casos. afetivo e cognitivo dessas crianças. a capacidade de conceituação 12 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . A criança do 1o ano deve ter garantido seu direito à educação em ambiente próprio e com rotinas adequadas que possibilitem a construção de conhecimentos. assegurar um trabalho pedagógico que envolva experiências em diferentes linguagens e suas expressões. A unidade escolar deverá. A capacidade de simbolização está bem estabelecida nesta fase. Cuidar e educar são princípios básicos da educação nesta faixa etária. integrando o cuidar e o educar. A criança e suas especificidades A criança dessa faixa etária possui um grande repertório de conhecimentos construídos a partir das experiências cotidianas que vivenciou. seja para aquele aluno que entrará na escola pela primeira vez. Cabe ressaltar que a ampliação do Ensino Fundamental visa dar continuidade ao trabalho desenvolvido nas escolas de Educação Infantil. da imaginação. considerando as características de sua faixa etária.Introdução A frequência neste primeiro ano configura-se em uma transição. é necessário assegurar-lhes o direito à infância. então. signos. a ampliação do Ciclo I do Ensino Fundamental de quatro para cinco anos assegura às crianças um período maior para as aprendizagens próprias desta fase. pois os alunos não deixarão de ser crianças pelo simples fato de estarem regularmente matriculados no Ensino Fundamental.

1 Fala extraída da fita de vídeo Do outro lado da Lua. permitindo que a criança estabeleça relações e generalizações.. confere originalidade e poesia ao pensamento infantil. que organiza e integra informações e novos conhecimentos aos já existentes. Uma menina já próxima aos seis anos respondeu.. produto de uma atividade mental por parte de quem aprende. com o Sol. aí a Lua se machucou e não pode mais andar... mas. Modelo de ensino e aprendizagem A concepção de aprendizagem que embasa este e os demais documentos orientadores da rede estadual pressupõe que o conhecimento não é concebido como uma cópia do real e assimilado pela relação direta do sujeito com o objeto de conhecimento...1 A consideração desse modo peculiar de pensar o mundo. no entanto. o trabalho pedagógico promove a articulação entre a ação do aprendiz.. que se tornam mais conscientes e intencionais.. Porque.. a Lua já tinha nascido antes do Sol. possibilita conhecer a criança. – E como é que ela foi impedida? – Impedida por a mãe do Sol. como vemos no exemplo abaixo. daí por isso que a Lua foi pra cima.. Essa forma de pensar. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 13 .já aparece nesta fase. Aí a Lua fica mais alta que o Sol pra poder os dois não brigar.. planejar atividades significativas. ainda que as associações e as relações sejam regidas por critérios subjetivos.. falou que ele era mais velho e aí a mãe do Sol arrastou muitas vezes a Lua. quando incorporada pelos educadores. A curiosidade e a necessidade de saber sobre e compreender o mundo são visíveis. aí ela ficou lá no mesmo lugar. Há um desenvolvimento acentuado de habilidades... construindo relações entre eles. é. Neste modelo. O modelo de ensino relacionado a essa concepção de aprendizagem é o da resolução de problemas. é. que compreende situações em que o aluno. né. né.. no esforço de realizar a tarefa proposta.. assim. como a atenção e a memória.. aí começou uma briga de quem era mais velho... precisa pôr em jogo o que sabe para aprender o que não sabe. de Regina Scarpa e Priscila Monteiro. a especificidade de cada conteúdo a ser aprendido e a intervenção didática... à seguinte pergunta: “Por que a Lua não cai em cima da Terra?” – A Lua. propiciar uma produção infantil rica e original e ampliar seus conhecimentos.. ela já foi impedida várias vezes.

O senso comum repete desde sempre que a criança aprende brincando, o que tem gerado inúmeras atividades equivocadas, infantilizando conteúdos que se quer ensinar. O brincar é sim atividade importantíssima na infância, na qual as crianças criam por conta própria enredos e ensaiam papéis sociais, o que certamente envolve muita aprendizagem relativa à sociedade em que vivem. Ao jogar com regras, elas também aprendem a interagir, a raciocinar. Mas a aprendizagem de conteúdos envolve muito pensamento, trabalho investigativo e esforço, portanto é necessário um trabalho pedagógico intencional e competente. As propostas pedagógicas devem reconhecer as crianças como seres íntegros, que aprendem a ser e conviver consigo próprios, com os demais e com o ambiente de maneira articulada e gradual. Devem organizar atividades intencionais que possibilitem a interação entre as diversas áreas de conhecimento e os diferentes aspectos da vida cidadã em momentos de ações ora estruturadas, ora espontâneas e livres, contribuindo assim com o provimento de conteúdos básicos para constituição de novos conhecimentos e valores.

A ação do professor
Considerar as crianças como seres únicos, provenientes de diferentes famílias, com necessidades e jeitos próprios de se desenvolver e aprender, pressupõe um profissional flexível, observador, capaz de ter empatia com os alunos e suas famílias, além dos conhecimentos didáticos imprescindíveis a uma boa atuação pedagógica. Conforme Zabalza: “O peso do componente das relações [pessoais] é muito forte. As relações constituem, provavelmente, o recurso fundamental na hora de trabalhar com crianças pequenas”. (1998, p. 27). Essas crianças, tendo frequentado ou não a Educação Infantil, chegarão ao 1o ano com uma bagagem de conhecimentos sobre a qual o professor terá que se debruçar para, a partir daí, basear suas ações pedagógicas. Considerar a criança dessa faixa etária competente e capaz é requisito fundamental para uma ação educativa de qualidade. O papel de mediador das aprendizagens, das interações e dos cuidados de si, do outro e do ambiente poderá exigir do professor novas competências e habilidades. O desafio de possibilitar aprendizagens desafiantes, enquanto a criança desenvolve autoconfiança em suas capacidades e relações positivas com seus pares e os adultos, implica um professor conhecedor do desenvolvimento e das aprendizagens infantis. E, principalmente, de um educador que aposta nas crianças e confia em suas capacidades. Outro aspecto importante dessa atuação profissional é a inclusão das famílias como parceiras da ação educativa, o que significa ir além de respeitar a di-

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versidade, pressupõe, acima de tudo, considerá-las competentes e interlocutoras em diferentes situações de aprendizagem propostas para as crianças. Segundo o RCNEI, “a valorização e o conhecimento das características étnicas e culturais dos diferentes grupos sociais que compõem a nossa sociedade, e a crítica às relações sociais discriminatórias e excludentes, indicam que novos caminhos devem ser trilhados na relação entre as instituições de Educação Infantil e as famílias”. Esses novos desafios ao papel do professor demonstram a importância da reflexão sobre a prática pedagógica por meio dos instrumentos metodológicos, tais como: a observação atenta, o registro sistemático, o planejamento coletivo e a autoavaliação efetuada por todos da equipe escolar relativa à qualidade educativa oferecida aos alunos.

Organização da rotina e as modalidades organizativas do tempo didático
Considerando que não é indicado atuar com as crianças desta faixa etária em aulas estanques de 50 minutos com alguns poucos minutos de recreio, será necessário organizar uma rotina mais flexível. Incorporando a nomenclatura do RCNEI, sugere-se que o tempo escolar para o 1o ano seja intencionalmente planejado para proporcionar os cuidados de higiene cotidianos, as brincadeiras e as situações de aprendizagem orientadas. Os eventos da rotina podem se organizar em:
j atividades permanentes (por exemplo: brincadeiras no espaço interno, no

externo, cantos de atividades diversificadas, ateliês de artes visuais, roda de leitura etc.); j sequência de atividades “planejadas e orientadas com o objetivo de promover uma aprendizagem específica e definida. São sequenciadas com a intenção de oferecer desafios com graus diferentes de complexidade para que as crianças possam ir paulatinamente resolvendo problemas a partir das diferentes proposições”. (RCNEI)
Pode-se pensar, por exemplo, sequências de atividades para promover entre as crianças as discussões sobre como se organizam os números e como aparecem no mundo, para buscar informações específicas sobre um fenômeno da natureza noticiado pelos jornais, para conhecer um artista cujas obras serão visitadas no passeio ao museu etc.”2.

2 Silvia Pereira de Carvalho, Adriana Klisys e Silvana Augusto. Bem-vindo, mundo!: criança, cultura e formação de educadores. São Paulo: Peirópolis, 2006.

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Outra modalidade de organização do tempo didático que tem especial interesse para crianças de 6 anos são os projetos didáticos, que se caracterizam por serem conjuntos de atividades envolvendo uma ou mais linguagens e possuem um produto final que será socializado para um público externo à sala de aula. Em geral, possuem duração de várias semanas.
A isto, Delia Lerner acrescenta outra característica: para ela, os projetos, mais do que métodos, são formas de organizar o tempo de modo a articular propósitos didáticos e comunicativos, cuja função social torna as situações de aprendizagem mais atuais, correspondentes às que são vivenciadas fora da escola. Como exemplo de proposta compartilhada com as crianças (propósito social), produzir e colecionar álbuns de figurinhas, montar coletâneas de contos favoritos, gravar fitas com poesias declamadas pelo grupo etc. Desse modo, os projetos articulam objetivos das crianças com os dos professores, objetivos de realização em conjunto com objetivos didáticos, comprometidos com propósitos educativos bastante claros. Os projetos também contribuem para aprimorar as relações em grupo e a organização de um trabalho cada vez mais autônomo, livre do controle do professor. (RCNEI) (grifos nossos)

Os cantos de atividades diversificadas
A introdução da proposta de cantos de atividades diversificadas, na qual as crianças em um determinado período do dia podem escolher entre os cantos de livros e o de jogo simbólico e de artes visuais, por exemplo, pode colaborar para uma rotina mais apropriada à faixa etária atendida. Com essa modalidade de organização as crianças podem vivenciar diferentes situações de aprendizagem, escolhendo, exercitando a autonomia e buscando conhecer as próprias necessidades, preferências e desejos ligados à construção de conhecimento e relacionamento interpessoal. É importante que esse tipo de organização favoreça o acesso aos mais variados bens culturais, como os proporcionados pela produção literária, informativa e comunicativa, pela produção artística e pelo conhecimento acumulado sobre a natureza e sociedade. Essa proposta tem função decisiva na formação pessoal e social e na construção da autonomia da criança, uma vez que prescinde de um controle direto do professor. Por outro lado, permite que ele observe mais atentamente os problemas enfrentados pelas crianças, suas dificuldades, aprendizagens, gostos e interesses, o que muito o auxiliará no replanejamento pedagógico. Os cantos devem possibilitar:
j participação em situações de brincadeiras e jogos nas quais se pode esco-

lher parceiros, materiais, brinquedos etc.; j participação em situações que envolvam a combinação de algumas regras

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de convivência em grupo e aquelas referentes ao uso dos materiais e do espaço; j valorização do diálogo como forma de lidar com os conflitos; j valorização dos cuidados com os materiais de uso individual e coletivo.

Organizando os cantos de atividades diversificadas
O professor programa diferentes propostas – jogos de construção, jogos de regras, faz-de-conta, desenho, leitura de livros e gibis etc. – e organiza a sala em cantos, de forma que as crianças possam percorrer o espaço, tomar conhecimento das ofertas e decidir por uma delas para começar, podendo ainda desenvolver outras propostas, durante o tempo previsto para a atividade. As crianças podem ajudar o professor a organizar a sala em cantos, mas isso não o libera de tomar decisões de caráter didático, tais como:
j diversificar propostas a cada dia a fim de que as crianças tenham maiores

possibilidades de escolha; j manter algumas propostas durante um tempo a fim de que as crianças aprofundem conhecimentos e se apropriem dos conteúdos apresentados; j decidir possíveis agrupamentos entre as crianças, em uma ou outra ocasião, quando perceber que alguém precisa de ajuda e, por outro lado, reconhecer quem pode ajudar; j organizar o espaço em função do que espera que as crianças desempenhem: um canto mais aconchegante e acolhedor para atividades que exigem maior concentração, um outro mais aberto e livre para atividades que pressupõem maior movimentação, como alguns jogos; j disponibilizar materiais de apoio e suporte para as atividades das crianças, por exemplo, facilitando o acesso aos materiais para quem está no canto de pintura, à lousa e ao giz para quem vai fazer placares, registros de jogos etc.; j fazer intervenções ajustadas às possibilidades e necessidades das crianças.

Reorganização do espaço físico
O espaço organizado de maneira flexível e desafiante é considerado por estudiosos como um segundo educador na educação das crianças no início da escolaridade. O que fazer então quando há um prédio escolar pronto que não é adequado ao funcionamento de uma proposta que amplie as competências infantis em vez de as limitar? Se a equipe tem uma proposta que realmente está bem construída em direção à autonomia e expressão da criança, fazer as adaptações necessárias não é tão difícil. Modificar a organização da sala para incluir, por exemplo, cantos de atividades diversificadas não é tão difícil quando há boa vontade de todos os

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roupas. brinquedos.. Descobrir outros usos para área externa. construir novos ambientes. sujeito às modificações propostas pelas crianças e pelos professores em função das ações desenvolvidas. é preciso que o espaço seja versátil e permeável à sua ação. e tenha a oportunidade de brincar expressando suas emoções. enfim. . que possa descobrir e conhecer progressivamente suas potencialidades físicas. argila. mesmo com os prédios existentes. cognitivas e sociais. incluem-se nas expectativas de aprendizagem dois eixos que não figuram com destaque nas séries iniciais do Ensino Fundamental: Movimento. cola. como cita o RCNEI. livros. (RCNEI) Muito importante também. adquira confiança em suas capacidades e se expresse em diferentes linguagens advindas das seguintes áreas: 18 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . espelhos.. jogos os mais diversos. os recursos materiais entendidos como mobiliários. pincéis. se há uma proposta educativa coesa. conhecimento e imaginação. de maneira que as crianças tenham autonomia no uso. para refeitórios.envolvidos. jogar e brincar/Cuidar de si. a acessibilidade aos materiais. tintas. bem fundamentada. (RCNEI) Acrescenta-se. ainda. tesouras. blocos para construções. material de sucata. lápis. Conteúdos e expectativas de aprendizagem Considerando que dos objetivos gerais para essa faixa etária faz parte a necessidade de a criança desenvolver uma imagem positiva de si... do outro Entende-se neste documento que os conteúdos são um meio para que a criança se desenvolva. . massa de modelar. aprenda. além de cuidados de conservação e substituição regular.. são: .. é possível. panos para brincar etc.

É uma ação pedagógica que integra conhecimentos advindos de diferentes áreas do conhecimento.n Língua Portuguesa n Matemática n Ciências Sociais e Naturais (História. jogar. história e geografia serão desenvolvidos como temas das sequências de atividades e dos projetos didáticos. brincar/Cuidar de si e do outro n Artes Os conhecimentos advindos principalmente das ciências. Geografia e Ciências) n Movimento. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 19 .

Comunicar-se no cotidiano Relata fatos que compõem episódios cotidianos. Solicitar relatos sobre episódios do cotidiano. Para isso. Observar se o aluno Expressa oralmente seus desejos. em ler e escrever de acordo com suas hipóteses. Fonte: RCNEI – MEC – Diretrizes Nacionais para a Educação Infantil Expectativas de aprendizagem Condições didáticas e atividades Criar situações em que as crianças possam expressar-se oralmente.Expectativas de aprendizagem Língua Portuguesa As crianças do 1o ano têm o direito de aprender e desenvolver competências em comunicação oral. Criar situações em que a criança tenha que ouvir os colegas. ideias e pensamentos. nas rodas de conversa. Escuta atentamente o que os colegas falam em uma roda de conversa. atentando para os comportamentos necessários à interlocução. 20 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . respeitando opiniões. considerando a criança um interlocutor real. ainda que com apoio de recursos e/ou do professor. é necessário que a escola de Ensino Fundamental promova oportunidades e experiências variadas para que elas desenvolvam com confiança crescente todo o seu potencial na área e possam se expressar com propriedade por meio da linguagem oral e da escrita. ocupando seu turno de fala adequadamente. ouvindo com atenção. sentimentos. por exemplo.

usando práticas sociais tais como chamadas. tornando observáveis as características linguísticas. parlendas e demais textos do repertório da tradição oral. ainda que não convencionalmente Propor atividades solicitando que a criança diga onde está escrita determinada expressão e/ou palavra em textos conhecidos. quadrinhas. Ler. tais como parlendas. elaboração de lista de material para festa etc. tais como as brincadeiras cantadas. estruturais e função social. ingredientes de uma receita. para brincar e jogar. quadrinhas. jornais. Ajusta o falado ao escrito a partir dos textos já memorizados. Comenta notícias veiculadas em diferentes mídias: rádio. quadrinhas e outros do repertório de tradição oral. adivinhas etc. Tornar observável para as crianças as rimas e repetições. Efetuar atividades que envolvam a identificação de nomes das crianças da sala e de nomes em diferentes listas. Localiza palavras num texto que sabe de memória. tais como parlendas. adivinhas. peças do jogo etc. Localiza um nome específico numa lista de palavras do mesmo campo semântico (nomes. quadrinhas e adivinhas. Comunicar-se no cotidiano Ler e ensinar para os alunos parlendas.Ler para crianças notícias interessantes e solicitar comentários pessoais. revistas etc. Usa o repertório de textos de tradição oral. quadrinhas. Oferecer oportunidades frequentes de contato com diferentes suportes de texto. adivinhas e outros textos de tradição oral apresentados pelo professor. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 21 . TV.). Identifica parlendas. internet. Reconhece e utiliza rimas em suas brincadeiras.

os personagens e cenários. folhetos. Manifestar às crianças suas preferências e escolhas em relação às leituras. Faz comentários sobre a trama. Consegue relacionar as ilustrações com trechos da história. informativos e demais suportes de texto. conhecendo seus usos. Escuta atentamente. Identifica legendas e levanta hipóteses sobre seu significado. tornando observáveis os procedimentos de leitura para cada tipo de suporte de texto. cartazes. Diferencia publicações tais como jornais. explicitando os comportamentos e procedimentos leitores. Diferencia tipos de livros. Aprecia a leitura e comenta suas preferências. Ler. Lê legendas ou partes delas a partir das imagens e de outros índices gráficos. Distingue algumas características básicas dos textos informativos e jornalísticos e conhece os diferentes usos e funções desses portadores. Antecipa significados de um texto escrito a partir das imagens/ilustrações que o acompanham ou marcadores característicos de cada gênero. Criar situações em que as crianças possam antecipar os sentidos do conteúdo dos textos olhando as imagens. literários. Apreciar textos literários Ler narrativas e contos para as crianças.Tornar observável a relação entre imagem e texto. e sabe nomeá-los. ainda que não convencionalmente Ler para as crianças diferentes tipos de livros e textos. chamando a atenção para os recursos que o ilustrador usou para transmitir ideias. tornando observáveis as linguagens próprias a este tipo de texto. 22 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . textos publicitários etc. Relembra trechos.

Consegue recontar uma história que ouviu mantendo uma sequência. Usa conhecimentos sobre as características estruturais dos bilhetes. Antecipa significados de um texto escrito. tornando observáveis suas características gráficas. Criar oportunidades de escrever coletivamente contos. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 23 . Produzir textos escritos ainda que não saiba escrever convencionalmente Criar oportunidades de escrita coletiva de bilhetes. tornando-os familiares. cartas e textos instrucionais. Apresenta diferentes gêneros por meio da leitura. ditando ao professor. Reconta histórias conhecidas. apontando diferentes funções e organizações discursivas. recupera trechos da história usando expressões ou termos do texto escrito. estruturais e função social. das cartas. recuperando algumas características da linguagem do texto lido pelo professor.Ler para crianças com regularidade textos narrativos literários. Produção oral com destino escrito. Emite comentários pessoais e opinativos sobre o texto lido. Usa conhecimentos sobre as características estruturais das narrativas clássicas ao produzir um texto. ditando ao professor. tornando observáveis suas características. Solicitar que as crianças recontem após ouvir leituras de contos. respeitando as normas da linguagem que se escreve. Apreciar textos literários Roda de biblioteca. e-mails ao produzir um texto.

Matemática As crianças do 1o ano têm o direito de usar seus conhecimentos e habilidades para resolver problemas. Associa as letras ao próprio nome e aos dos colegas. localizar-se. raciocinar. contar. enciclopédias etc. Matemática é D+ FVC 24 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . brincadeiras preferidas etc. Arrisca-se a escrever segundo suas hipóteses. Criar oportunidades para que os alunos escrevam listas com função social real. para escrever em situações de prática social. Escreve o nome próprio e o de seus colegas onde isto se faz necessário.Uso de texto fonte para escrever de próprio punho Propor jogos nos quais as crianças precisam achar as letras. Para isso. Recorre ao alfabeto exposto na sala. dicionários. é necessário que a escola de Ensino Fundamental promova oportunidades e experiências variadas para que elas desenvolvam com confiança crescente todo o seu potencial na área. Produz listas em contextos necessários a uma comunicação social: lista de ingredientes para uma receita. ainda que não o façam convencionalmente. estabelecer relações entre objetos e formas. calcular. como no uso de agenda telefônica. Criar oportunidades diárias para que as crianças escrevam seus nomes. Fontes: PCNs. para apoiar a pesquisa gráfica da criança para escrever de próprio punho. Fazer atividades em que os alunos tenham necessidade de utilizar a ordem alfabética em algumas de suas aplicações sociais. quadro de presença. Apresentar e disponibilizar o alfabeto em letra bastão (sem enfeites e desenhos). medir. apontando-as. Recita o nome de todas as letras. RCNEI. lista de nomes etc. listas diversas etc. títulos de histórias lidas.

usando coleções de objetos de interesse das crianças. por exemplo. Verificar como as crianças fazem contagens e que estratégias usam. Criar situações-problema envolvendo ações de transformar e acrescentar. idade.Expectativas de aprendizagem Condições didáticas e atividades Propor atividades que envolvam o sistema de numeração e o uso dos números em diferentes situações. Sabe ouvir as explicações de seus colegas. notação numérica ou registros não convencionais. Possibilitar o uso de jogos de tabuleiro e de regras que necessitem marcar pontos. Reflete acerca das regularidades do sistema numérico. caso seja apropriado. utilizando linguagem oral. Propor problemas que envolvam somar e subtrair. Produz escritas numéricas. Observar se o aluno Atribui significado. Realiza contagens orais de objetos usando a sequência numérica. Indica o número de objetos que é preciso acrescentar a uma coleção para que ela tenha tantos elementos quanto os de outra coleção dada. altura etc. produz e opera números em situações diversas. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 25 . para expor o que pensam e fazem. Garantir que todas as crianças tenham espaço. Criar oportunidades nas quais as crianças tenham que comparar quantidades de forma contextualizada. de acordo com suas hipóteses. Promover sequências didáticas e/ou projetos didáticos nos quais as crianças precisem escrever os números (por exemplo. peso. Incorpora soluções quando pertinente. Comunica quantidades. auxiliando para que se tornem observáveis as regularidades. Constrói procedimentos de agrupamentos a fim de facilitar a contagem e a comparação entre duas coleções. ainda que não seja registro convencional. telefone. Indica o número que será obtido se forem retirados objetos de uma coleção dada. em algum momento. Criar oportunidades de contagens em situações de práticas sociais reais.). Usar números no cotidiano e efetuar operações Criar situações em que as crianças ouçam as soluções que os colegas acharam para os problemas e reavaliem suas soluções. numeração do calçado. respeitando as diferentes soluções encontradas.

dar e receber instruções de localização. Propor atividades em que as crianças possam representar a posição de um objeto e/ ou pessoa estática ou em movimento. estabeleça relações entre o ambiente. Oferecer atividades em que as crianças precisem calcular. Pensa e desenvolve estratégias próprias e/ ou com colegas para medir. Fontes: RCNEI. Identifica dias da semana. por meio de desenhos. estabelece relações. o bem-estar do outro e os cuidados com o ambiente. balança etc. horas. Utiliza expressões que denotam altura. pesar e produzir representações dos dados encontrados. Propor atividades nas quais as crianças tenham que construir utilizando desenhos de seu itinerário. meses do ano. Indica oralmente a posição onde se encontra no espaço escolar e a representa por meio de desenhos. suas hipóteses. tamanho etc.Estabelecer relações entre espaço. valorize as diferenças entre os povos. objetos. pessoas e forma Propor situações em que a criança tenha que se situar no espaço. Trabalhar diariamente com o calendário para identificar o dia do mês e registrar a data. os fenômenos naturais e sociais e as transformações que deles decorrem. Ciências Naturais e Sociais (História. Identifica pontos de referência para indicar sua localização na sala de aula. régua. quantos passos é preciso dar para chegar a um determinado local etc. solicitando pontos de referência. para que pesquise com sentido e significado e desenvolva ações para garantir seu bem-estar. os seres vivos e os fenômenos naturais e sociais. tais como fita métrica. Indica o caminho para se movimentar no espaço escolar e chegar a um determinado local da escola e representa a trajetória. PCNS 26 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . conhecendo a vida dos seres vivos e sua relação com o ambiente. deslocar-se nele. a escola de Ensino Fundamental precisa oferecer diferentes oportunidades para que a criança pense. Explorar diferentes procedimentos para medir objetos e tempo Compara tamanhos. Geografia e Ciências Naturais) As crianças do 1o ano do Ensino Fundamental têm o direito de exercer seu pensamento. por exemplo. peso. Propor atividades nas quais as crianças tenham que medir e/ou pesar usando instrumentos não convencionais e convencionais. Para isso.

entrevistas. com ajuda dos adultos. jogos e apresentações. Utilizar como suporte fotografias.) e as formas de vida dos grupos sociais que ali vivem. rios. filmes. Saber elaborar perguntas instigantes que despertam a curiosidade dos alunos. relatos de pessoas. cartões-postais. criando hipóteses. relatos e outros registros para a observação de mudanças ocorridas nas paisagens ao longo do tempo. Busca responder às perguntas. Observar se o aluno Interessar-se e demonstrar curiosidade pelo mundo social e natural. chuvas. Demonstra respeito em relação às diferenças. Considerar o conhecimento das crianças acerca dos assuntos em estudo. lugares e povos. documentários. com ajuda do professor. Interage com as diferentes tradições culturais e as utiliza em suas brincadeiras. entre as crianças. Estabelece relações entre os fenômenos da natureza de diferentes regiões (relevo. Interessa-se pela maneira de viver de diferentes grupos. Proporcionar atividades que envolvam histórias. curiosidade sobre a diversidade de hábitos. fotos. modos de vida e costumes de diferentes épocas. secas etc. Acompanha com interesse. construam novos conhecimentos e os registrem. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 27 . como objetos. seus modos de vida e as transformações pelas quais passam. diferentes fontes para buscar informações. pensando. Fomentar. mapas etc. Estimular o respeito às diferenças existentes entre os costumes. livros. Criar. jogos e canções que digam respeito às tradições culturais de sua comunidade e de outras. a partir de questões instigantes. Expõe suas ideias e modos de resolver problemas. fotografias. mapas. situações para que as crianças observem a paisagem e suas variações. que retratem as variações da paisagem. valores e hábitos das diversas famílias e grupos. Utiliza. brincadeiras. Apresentar às crianças diferentes fontes para buscar informações. Estabelecer relações entre o modo de vida de seu grupo social e de outros grupos no presente e ou passado. participando ativamente das etapas do projeto e/ou sequência. Registra e representa de diferentes maneiras os conhecimentos construídos. e o reconhecimento de semelhanças. documentários.Expectativas de aprendizagem Condições didáticas e atividades Propor sequências de atividades e/ou projetos didáticos que envolvam estabelecer relações entre o ambiente e os seres vivos. Utiliza.

microscópios etc. Criar condições para que as crianças possam atender às necessidades físicas com independência. a partir de questões instigantes sobre a relação entre luz. Conhece os cuidados básicos para o crescimento dos vegetais. acompanhem e cuidem de pequenos vasos na sala ou do cultivo de hortaliças no espaço externo da instituição. como binóculos. cuidar do outro e do ambiente. produzir. Utiliza a observação direta e com uso de instrumentos. ampliar ou inverter as imagens. Oferecer oportunidades para que as crianças possam expor o que sabem sobre os seres vivos que conhecem. Registra informações utilizando diferentes formas: desenhos. Valoriza e desenvolve atitudes de manutenção e preservação dos espaços coletivos e do meio ambiente. por meio da sua criação e cultivo. nutrientes. frio. Movimenta-se com segurança. água e crescimento de vegetais. lupas. Desenvolve hábitos de cuidados com o ambiente. identificando situações cotidianas de risco contra sua integridade física. Oferecer oportunidades para que as crianças. comunicação oral registrada em gravador etc. com segurança e autoconfiança. Aprende cuidados básicos de higiene. textos orais ditados ao professor. Oferece ajuda a um colega quando se faz necessário. calor etc. Estimular as crianças a economizarem água. transmitir ou ampliar sons. auxiliá-la a identificá-las com códigos identificadores de perigo. Estabelecer relações entre os seres vivos e seu ambiente. Estabelece algumas relações entre algumas espécies vegetais e suas necessidades vitais. Exemplos: sede. Introduzir hábito de separação de lixo nas salas e na escola. para obtenção de dados e informações. Conhece algumas propriedades dos objetos: refletir. Estimular as crianças a auxiliarem os colegas em situações cotidianas. Exemplo: lavar as mãos após a ida ao banheiro e antes de comer.Identificar paisagens e fenômenos da natureza e sua relação com a vida dos animais e das pessoas. Partir do interesse das crianças e/ou instigá-las por meio de questões a observar e conhecer formas de vida de animais e pequenos seres vivos presentes no cotidiano que despertem a curiosidade dos alunos. Tornar observável para a criança possíveis áreas de risco. economia de água etc. Aprender a cuidar de si no cotidiano.. Identifica necessidades físicas e sabe satisfazê-las com independência. propriedades ferromagnéticas etc. 28 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . Ensinar e oferecer condições para o autoaprendizado dos cuidados de saúde. separação de lixo.

internet. na observação das obras.Artes As crianças do 1o ano têm o direito de conhecer a produção artística e expressar sua criatividade compartilhando pensamentos. reconhecidas como linguagem e conhecimento. a descoberta e o interesse das crianças. Escolher artistas cujas obras sejam significativas para as crianças. produz colagens. a escola de Ensino Fundamental deverá oferecer diferentes situações de contato com a produção artística. esculpe. Valoriza suas produções e as de seus colegas. pesquisando materiais. junto com as crianças. ateliês. quer pelas técnicas e suportes. Desenha. Identifica algumas técnicas e procedimentos artísticos presentes nas obras visuais. massa de modelar e demais recursos que permitam a tridimensionalidade. reproduções de obra de arte em livros. em livros. Instigar. externando opiniões. museus. as produções das crianças. produzindo novas formas. quer pelo uso de temas. Fontes: RCNEI Expectativas de aprendizagem Condições didáticas e atividades Oferecer diversidade de produções artísticas para que a criança as aprecie. possibilitando o fazer e o apreciar. Utilizar elementos da linguagem visual para expressar-se. Promover situações em que as crianças possam produzir em argila. etc. pensando sobre o que produz. museus e ao vivo. documentário. com estética e cuidado. sentimentos. casas de cultura. Aprecia. Explora espaços e materiais bidimensionais e tridimensionais em suas produções. pinta. transformando. informações interessantes sobre os artistas e as obras analisadas. Organizar um espaço para dispor os materiais e suportes necessários à produção e criar sistemática de uso. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 29 . por exemplo. as soluções encontradas para produzir com singularidade. Pesquisar. internet. socializar em roda de conversa.. Observar se o aluno Reconhecer elementos básicos da linguagem visual. com artistas locais. Para isso. ideias e sentimentos também por meio de atividades de exploração envolvendo artes visuais e música. Expor.

instrumentos musicais e tecnologia. a escola de Ensino Fundamental precisa oferecer diferentes oportunidades para que a criança se exercite. Faz arranjos sonoros simples. Organizar um espaço para dispor os materiais sonoros necessários à experimentação e improvisações etc. sons feitos com o corpo. utilizando a voz. diversidade regional. Instigar. Fontes: RCNEI. informações interessantes sobre o artista e sua produção. a brincar criando enredos e papéis e a jogar cotidianamente na escola. por meio de CDs e/ou DVDs de apresentações musicais. mas populares. Para isso. Explora as diferentes propriedades do som. quer pelo uso de temas. Identifica detalhes sonoros nas composições musicais. em livros. Escolher artistas cujas obras sejam significativas para as crianças. OCPMSP 30 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . estilos. a descoberta e o interesse das crianças por detalhes sonoros. utilizando o corpo para se expressar. Propor atividades que tornem observáveis altura.Reconhecer elementos básicos da linguagem musical. Movimento. Pesquisar. valorize a atividade física. na observação das obras. intensidade. timbre. interpreta. Conhece um bom repertório de músicas. PCNS. Oferecer diversidade de produções musicais para que a criança as aprecie. Utilizar-se dos elementos básicos da linguagem para expressar-se musicalmente. Propor a construção de objetos sonoros. jogar e brincar As crianças do 1o ano do Ensino Fundamental têm o direito a se movimentar cada vez mais com propriedade e segurança. não só infantis. oferecer música ao vivo. clássicas etc. Promover situações em que as crianças apresentem para públicos diversos as canções que aprenderam e as produções sonoras. adquira autoconfiança. identificação de instrumentos etc. materiais sonoros convencionais e não convencionais. Quando possível. brinque só ou com seus pares e jogue em diferentes momentos. quer pela intencionalidade. sons. internet e com o próprio (em caso de artista local). junto com as crianças. Reconhece diferenças nos ritmos.

Valorizar as conquistas corporais. Propor jogos que envolvam interação. Tornar observáveis para a criança modificações corporais após exercícios mais intensos e mais calmos. Percebe e identifica sensações físicas. Fornecer materiais que favoreçam jogos de construção. a desenvolverem atitudes de respeito e cooperação. Cumpre os combinados. papelão. estruturas de blocos de madeira. tacos etc. Explorar diferentes qualidades e dinâmicas do movimento. Observar se o aluno Desenvolve progressivamente a coordenação. imitação e reconhecimento de partes do corpo. filmes que envolvam a dança para que a criança aprecie. para brincar de temas variados. Percebe e identifica sensações físicas. incentivar as habilidades motoras. enredos. Usa estruturas rítmicas para expressar-se por meio da dança e outros movimentos. papéis. só ou com seus pares. coopera e é respeitoso durante os jogos. Brincar de jogos de construção. Oportunizar apresentações ao vivo. Apropriar-se progressivamente da imagem global de seu corpo. só ou com amigos. a velocidade. o equilíbrio. Brincar por conta própria e interagir com os colegas. tais como retalhos de madeira. às interações e socialização. DVDs.Expectativas de aprendizagem Condições didáticas e atividades Propor atividades físicas que envolvam correr. Ajudar os alunos a combinarem e cumprirem as regras. limites e potencialidades de seu corpo. Ensinar a jogar com regras jogos tradicionais usando bolas. CDs. quando possível. pular e jogar nos espaços externos e internos. Ampliar as possibilidades expressivas do próprio movimento. intervindo apenas quando necessário. pano etc. Constrói. construindo autoconfiança em suas habilidades físicas. Observar as brincadeiras para registrar as capacidades infantis ligadas à linguagem oral. Brinca de faz-de-conta. apoiando a descoberta e o interesse das crianças. escolhendo temas. a resistência e a flexibilidade. cordas. limites e potencialidades de seu corpo. material de sucata etc. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 31 . a força. Oferecer diversidade de mídias. Instigar a observação de diferentes tipos de danças. Organizar espaço. materiais e tempo para que a criança brinque diariamente.

n Atividades envolvendo a leitura dos alunos (localizar palavras em listas.Avaliação das aprendizagens A avaliação deve ser um processo formativo. Pela troca de informações com os colegas e contando com intervenções do professor. acompanhar a leitura de textos que se conhece de memória): nessas atividades de leitura. Nesse sentido. é importante que a rotina semanal contemple atividades que favoreçam a aprendizagem de diferentes conteúdos: aqueles que contribuem para o avanço no conhecimento dos alunos sobre a linguagem escrita e aqueles voltados à reflexão sobre o sistema de escrita. Nele aparecem indicadas algumas atividades permanentes. pois tais palavras servirão como modelo para apoiar a escrita de outras palavras. organizamos um quadro semanal para servir como sugestão para seu trabalho. os alunos serão desafiados a localizar palavras ou acompanhar a leitura de textos conhecidos de memória. títulos. contínuo. Portanto. que serão detalhadas nos textos seguintes. legendas e outros textos previamente combinados ou pequenos textos memorizados): propor atividades em que os alunos escrevam de acordo com suas hipóteses de escrita é fundamental para que possam refletir sobre o sistema alfabético. procurando fazer a correspon- 32 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . particularmente o avanço dos alunos em relação às expectativas de aprendizagem. em sua rotina semanal. É interessante que. que não necessita de situações distintas das cotidianas. n Atividades envolvendo a escrita de próprio punho pelos alunos (escrita de listas. n Atividades envolvendo nomes dos alunos: nessas atividades os alunos serão desafiados a ler e escrever seus nomes ou dos colegas da classe. A rotina do primeiro ano e as atividades para ampliar os conhecimentos sobre a linguagem escrita Nas classes de Ciclo I. tais propostas favorecem os avanços na compreensão desse sistema. organize todos os dias momentos em que você escolhe um livro para ler para seus alunos. o que aqui se apresentou são alguns critérios para que os professores possam melhor analisar e avaliar o que se passa na escola. você reserve momentos para as seguintes atividades: n Leitura de contos pelo professor: para aproximar as crianças do universo literário. Saber reconhecer os nomes é importante. sempre lembrando que deve haver flexibilidade na duração das atividades.

São importantes para ampliar conhecimentos sobre o sistema de escrita. textos memorizados) Projeto: brincadeiras Projeto: brincadeiras RECREIO Leitura de contos pelo professor Atividades de escrita ou leitura de nomes dos colegas Leitura de contos pelo professor Leitura de contos pelo professor Leitura de contos pelo professor Atividades de escrita ou leitura de nomes dos colegas Leitura de contos pelo professor Escrita pelo aluno: listas. sem ter de decodificar letra por letra. sejam desafiados a produzir textos completos. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 33 . bem como favorecer que aprendam a ler. Essas atividades podem ter a seguinte distribuição em sua rotina semanal: No 1o semestre: 2a feira Atividades diversificadas 3a feira Atividades diversificadas 4a feira Atividades diversificadas 5a feira Atividades diversificadas 6a feira Atividades diversificadas Produção de texto por meio do ditado ao professor: escrita de bilhetes Leitura pelo aluno (listas. Ao propor que os alunos ditem um texto para que você o escreva. mesmo antes de dominarem o sistema de escrita alfabético. n Atividades de produção de textos a partir do ditado para o professor: é interessante que os alunos.dência entre o que está escrito e o que dizem em voz alta enquanto recitam. aprendem importantes procedimentos relacionados à composição de textos. títulos e outros textos. Tais atividades permitem que as crianças se utilizem do conhecimento sobre as letras para antecipar o que pode estar escrito em cada parte do texto e verificar se tais antecipações são pertinentes. além disso. os alunos compartilham conhecimentos sobre a organização dos diferentes gêneros textuais e. que cumpram diferentes funções sociais. tais como planejar previamente o que se quer escrever e revisar aquilo que já foi escrito para tornar seu texto melhor.

parlendas etc. poemas ou outros textos memorizados) RECREIO Projeto Índios do Brasil: conhecendo algumas etnias Produção de texto por meio do ditado ao professor: escrita de cartas Leitura de contos pelo professor Leitura de contos pelo professor Leitura de contos pelo professor Leitura de contos pelo professor Leitura de contos pelo professor Atividades com nomes dos colegas (escrita ou leitura) Escrita pelo aluno: listas.) 34 Guia de Planejamento e Orientações didáticas .No 2o semestre: 2a feira 3a feira 4a feira 5a feira 6a feira Atividades diversificadas Atividades diversificadas Atividades diversificadas Atividades diversificadas Atividades diversificadas Leitura pelo aluno (listas) Projeto Índios do Brasil: conhecendo algumas etnias Leitura pelo aluno (parlendas. títulos. Escrita pelo aluno: textos memorizados (adivinhas.

pois. tem valor intrínseco. como tal. as situações de leitura e escrita de nomes (o próprio nome ou dos colegas da classe) devem estar presentes na rotina. j marcar na lista de presença os nomes das crianças que faltaram naquele dia. Nas propostas de escrita. em que se lê ou escreve sem outro objetivo que a memorização da escrita do nome. Escrever seu nome para: j identificar uma atividade. o que é uma condição para que contribuam para o avanço dos seus conhecimentos. os nomes assumem grande valor para a aprendizagem do sistema alfabético. Esses são exemplos de situações que fazem sentido para os alunos. j escrever seu nome na ficha de um livro retirado na biblioteca da escola. Várias pesquisas comprovam que a lista de nomes dos colegas da classe é uma valiosa fonte de informação para a criança: Guia de Planejamento e Orientações didáticas 35 . é importante evitar que essas atividades sejam momentos sem sentido. a partir de situações em que é preciso ler ou escrever seu próprio nome (ou de algum colega). que ao realizá-las as crianças tenham objetivos claros e compartilhados entre todos. O que os alunos aprendem nas situações de leitura e escrita de nomes O nome é parte da identidade de cada um e. É fundamental inserir a escrita ou leitura de nomes em propostas significativas para os alunos.Situações de leitura e escrita de nomes Mesmo que os alunos ainda não saibam ler e escrever convencionalmente. No entanto. As situações de leitura de nomes envolvem propostas em que os alunos são colocados diante de uma lista de nomes de crianças da classe e precisam localizar o seu ou o de algum colega. ler e escrever o próprio nome e o de alguns colegas da classe são aprendizagens que carregam um significado emocional importante. colocam-se problemas interessantes que contribuem para ampliar os conhecimentos dos alunos sobre a organização do sistema de escrita alfabético. Por isso. espera-se que escrevam convencionalmente seus próprios nomes ou o de colegas da classe. ou seja. Além disso.

se há poucas letras é mais provável que seja o nome do PEDRO do que de RONALDO). Esse conflito entre o que deve estar escrito e as ideias das crianças favorece avanços. por exemplo. j a leitura e escrita de nomes ajudam a compreender. pois a própria criança procura compreender o que significam as letras que excedem o que inicialmente previra. esse conjunto de palavras conhecidas funciona como um importante “material de consulta”: ao escrever determinada palavra. j ao observar essas diferenças. as crianças aprendem a buscar na lista de nomes dos colegas informações que lhes permitam escrever de maneira mais próxima da convencional outras palavras cuja escrita não dominam. j ao analisar as semelhanças e diferenças entre os nomes dos colegas. j os nomes também tornam explícito que a ordem das letras nas palavras não é aleatória e que existe um sentido convencional para a leitura. também. uma criança colocaria apenas uma letra para cada sílaba do nome RODRIGO. Por exemplo. é preciso observar a letra final). não há grafismos inventados para cada nome. j é possível observar que as letras não são partes exclusivas de um único nome: as mesmas letras podem estar presentes em diferentes nomes de colegas. ao passo que pequenas diferenças entre os nomes podem remeter a nomes diferentes (como ocorre em FERNANDO e FERNANDA). as crianças observam que todos eles são escritos somente com as letras do alfabeto. as crianças aprendem que um mesmo conjunto de letras. é preciso um con- junto de letras específico. uma 36 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . ao escrever uma lista de frutas. observa que há mais letras do que espontaneamente colocaria.j elas indicam que. ao escrever esse nome convencionalmente (por conhecer a palavra de memória ou por tê-la consultado na lista de nomes da classe). Tais situações também são produtivas por problematizar os conhecimentos dos alunos: como devem escrever convencionalmente. para a escrita de determinado nome. Além de fonte de conflito. Por exemplo. a diferença entre as letras (para diferenciar FERNANDO de FERNANDA. a partir delas eles têm a oportunidade de confrontar suas hipóteses com a escrita correta. o nome de MANUEL poderá ser consultado para a escrita da palavra MAÇÃ. j ao considerar o conjunto de nomes dos colegas. remete a determinado nome. a quantidade de palavras (MARIA LUÍSA tem duas partes e MARIANA só uma). o valor sonoro convencional das letras. os alunos aprendem a considerar indícios variados para realizar a leitura dos nomes: podem usar a quantidade de letras para diferenciar nomes (por exemplo. no entanto. na mesma ordem.

as crianças observam que o único nome da classe a se iniciar pela letra R é o do colega RENATO. se expostas à necessidade de ler os nomes dos colegas. mas não é suficiente para saber qual é qual. espera-se que os alunos usem as letras como indícios ou pistas que lhes permitam ler os nomes. portanto. À primeira vista. devem ter a(s) mesma(s) letra(s) inicial(is). a letra inicial permite localizar os nomes dessas meninas. mas tais cuidados visam garantir que a localização rápida dos nomes não se torne o objetivo. e sim um desafio para que as crianças. aos poucos. fotos ou outros materiais de identificação não devem ser incluídos a esses cartões ou à lista de nomes). Ler os nomes dos colegas da classe – dicas Desde o início do ano é importante que os alunos tenham contato com a lista de nomes dos colegas na forma de um cartaz em que constem todos os nomes e na forma de cartões individuais para cada nome. pode parecer que isso dificulta o trabalho das crianças. Também não é necessário mudar a cor da letra para diferenciar nomes de meninos e meninas.vez que as crianças observam que ambas as palavras se iniciam pelo mesmo som e. Numa determinada classe. antes mesmo de dominar o funcionamento do sistema alfabético de escrita. pois na mesma classe há também MARINA e MARIA ISABEL. espera-se que as crianças contem apenas com a diferença entre as letras que compõem cada nome para apoiá-las em atividades em que terão de localizar seu próprio nome ou o de algum colega. Expectativas de aprendizagem abordadas Essa situação didática favorece avanços dos alunos relacionados à seguinte expectativa: Uso de texto fonte para escrever de próprio punho. n Escrever o nome próprio e o de seus colegas onde isto se faz necessário. Nesse caso. Resolvendo o problema. mesmo a distância (sugerimos o uso da letra de forma maiúscula). Com isso. sem outros símbolos que discriminem um nome do outro (desenhos. sendo esse um indício eficiente para localizá-lo. utilizem as letras para diferenciar um nome do outro. A atividade permite desenvolver as seguintes competências: n Associar as letras ao próprio nome e aos dos colegas. algumas crianças observam que o nome de MARIA LÚCIA Guia de Planejamento e Orientações didáticas 37 . n Localizar o nome de um colega (ou o seu próprio) na lista de alunos da classe. Tal material deve estar em tamanho legível. por exemplo. Dito de outra forma. Já a leitura de MARIA LÚCIA não é tão simples.

seu nome. na lista. Ao mesmo tempo. intencional e cuidadoso desde o princípio. mas de usar letras como pistas que permitam localizar o referido nome. expliquem no que se basearam para descobrir que em determinado cartão está escrito o nome de certo colega). Se no início do ano as crianças não contam com essas pistas de leitura. justifiquem suas escolhas de maneira adequada (ou seja. é suficiente observar a última letra ou a primeira letra da segunda parte (ou palavra) de cada um dos nomes. o nome de determinado colega. Observam também que a primeira parte se repete no nome de MARIA ISABEL e. faz perguntas como “Onde vocês acham que pode estar escrito o nome do Manuel?” Para cada resposta das crianças peça justificativas para aquela suposição. que diz que em determinado cartão deve constar o nome do Manuel. localizar os nomes na lista e. ao mesmo tempo. Você: j lê em voz alta o que está escrito nos cartões de nomes. construam tais índices. Muitas vezes. diz “aqui está escrito MANUEL. uma adivinhação. porém. o que o diferencia do nome de MARIANA. outras letras podem ser consideradas (por exemplo. a letra inicial é um bom indício para isso. Esse encaminhamento é mais frequente no início do trabalho. mas faz parte apenas do nome de uma criança. pois as crianças ainda não contam com elementos que lhes permitam diferenciar um nome do outro. j propõe que uma criança confirme a suposição de outra. j propõe momentos coletivos em que pede ao grupo que encontre. é preciso que diferentes situações ocorram. deixa claro que não se trata de uma escolha aleatória. é preciso um trabalho constante. que tais momentos sejam mesclados com 38 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . porém. É interessante. Muitas vezes.tem duas partes. para que. aos poucos. autonomamente. em que todos trocam informações sobre índices eficientes para localizar os nomes dos colegas. a partir da indicação de um colega. tal possibilidade de discriminação entre palavras contribui para associações entre sons e letras. Em alguns casos. A colaboração entre os alunos pode dar-se em momentos coletivos. vou dar esse cartão ao Manuel para que ele possa escrever seu nome na atividade”. tal como o Y no nome de MAYRA). para diferenciar o nome de uma e outra colega. você pede ao próprio que diga se a palavra escolhida é. ou não. pede que Manuel ajude os colegas a encontrar boas pistas para localizar seu nome. Nesse momento. Para que consigam. No entanto. uma letra que aparece na posição central. dizendo “Por que você acha que aí está escrito MANUEL? O que fez você pensar que nessa palavra pode estar escrito esse nome?” Com esse encaminhamento. as crianças observam essas pistas escritas antes mesmo de compreender que tais diferenças se relacionam ao som associado a cada letra. Por exemplo. Por exemplo.

No início. localizar cada um deles na lista para copiá-los adequadamente. tanto no sentido de oferecer as condições necessárias para que essa escrita seja possível. escolhendo-as entre todas as letras do alfabeto ou contando apenas com as letras que serão usadas. Se. ou seja. da escrita convencional. chama a atenção para o número de letras do modelo. para assinalar sua presença etc. Em relação à escrita do nome dos colegas. é preciso que os alunos tenham muitas oportunidades de escrita do próprio nome ou do nome dos colegas para que possam fazê-lo com autonomia. não se espera que memorizem todas as escritas. As situações de escrita do nome diferenciam-se de outras em que as crianças escrevem de acordo com suas hipóteses de escrita (as situações de escrita espontânea). contando com a lista de colegas da classe para consulta. ainda. mas que sejam capazes de. Em outros. o quanto antes. determinada criança não consulta o modelo e escolhe letras aleatoriamente para compor seu nome. fazendo as duas coisas (primeiro organizar o nome com as letras móveis para em seguida grafar com o lápis). é você que oferece os cartões a cada criança para que copiem seus nomes. Por exemplo. o que lhes permitirá utilizar tais palavras em contextos em que a escrita correta se faz necessária: para personalizar suas lições ou desenhos. espera-se que. Como se trata de uma cópia. para identificar objetos que lhes pertencem. pedindo à criança que o compare à sua produção. a partir das discussões anteriores. Essa escrita pode ser proposta de diferentes maneiras: usando letras móveis. Escrever os nomes dos colegas da classe – dicas Assim como ocorre com a leitura. é importante que os alunos sejam desafiados a realizar tais leituras individualmente. cada vez mais. há um procedimento que deve ser aprendido aos poucos e com seu apoio. O modelo escrito é fundamental nesses momentos Guia de Planejamento e Orientações didáticas 39 . No que se refere à escrita do próprio nome. as crianças necessitarão de muito apoio do professor. com lápis e papel. você pode propor que observe algumas características de cada vez. especialmente organizados de acordo com os conhecimentos dos alunos em relação ao sistema de escrita. com autonomia. numa primeira cópia. Inicialmente. cada criança precisa ter a oportunidade de arriscar a ler seu nome ou o nome dos colegas. quanto para que a produção se aproxime. os alunos dominem de memória a escrita convencional.outros em que a colaboração se dá em pequenos grupos (em quartetos ou duplas).

também é interessante. Quando são capazes dessa escrita. A lista de crianças da classe deve estar afixada em um local acessível e organizada de maneira bastante legível. os alunos adquirem maior autonomia e conseguem localizar na lista o nome do referido colega para poder copiá-lo. Condições didáticas para as situações de leitura e escrita de nomes dos colegas da classe Em todas as situações em que a proposta é ler ou escrever seu próprio nome ou de colegas da classe. espera-se que as crianças dominem a escrita de seus nomes de memória. para que observe o que deve ser corrigido em sua produção. Além da lista. em que os mesmos cuidados assinalados acima sejam observados. algumas considerações são importantes: j cada nome deve constar em uma linha. Para isso. além de ser um material útil em propostas em que os alunos tenham de ler. quando se trata de escrever o nome de um colega (que não o seu próprio) inicialmente você oferece o cartão com o nome específico daquela criança. ao perceber que determinada criança inverteu a ordem das letras ao escrever seu nome. j apenas os nomes escritos devem constar da lista (evite o uso de fotos. mais facilmente. desenhos e outros indícios que tornariam desnecessário usar as letras como forma de discriminar cada um dos nomes). mas é comum que você necessite ainda intervir para garantir que a produção dos alunos esteja de acordo com a escrita convencional. por exemplo. você a remete novamente ao modelo.iniciais. bem como sua intervenção que. os alunos precisam contar com materiais em que tais palavras estejam escritas convencionalmente. gradativamente. ser levado à mesa do aluno para servir de modelo nas situações de escrita. vai propondo a observação do modelo e a comparação com aquilo que a criança foi capaz de produzir. Com o passar do tempo. se tais atividades forem frequentes. o modelo torna-se desnecessário. Da mesma forma. Com o passar do tempo. Para isso. j o tamanho da letra utilizada deve ser grande o suficiente para facilitar a consulta (a letra de forma maiúscula é a mais indicada). fazer cartões de nomes. j todos os nomes devem estar alinhados à esquerda (pois isso facilita a com- paração entre a quantidade de letras de cada nome). 40 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . pois esse material pode.

pois a lista com os nomes vai se tornar cada vez mais conhecida por todos. ou seja. é preciso deixar claro que os alunos somente ganharão autonomia para ler e escrever seus nomes se: j houver um trabalho em que frequentemente tenham de ler e escrever nomes. j as atividades propostas não forem meros exercícios de identificação de no- mes ou de cópia. delegue a leitura para as crianças. leia também o Guia de planejamento e orientações didáticas – Professor alfabetizador – 2o ano. permitem realizar as leituras propostas. volume 1. enumerando quais pistas. Aos poucos. j em todas as situações propostas. LUCAS MATEUS JOÃO BRUNA MARIA JOANA Para saber mais sobre esta situação didática. há um motivo claro e compartilhado entre todos para realizar as atividades. você pode se encarregar de ler ou oferecer o nome necessário para a cópia. quando os alunos são menos autônomos. mas façam sentido. página 77. j você planejar situações considerando a autonomia já conquistada pelos alunos para enfrentar os desafios. oferecidas pelas letras. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 41 .No entanto. No início. modelo de atividade Ler nomes dos colegas da classe Objetivos n Usar indícios de leitura fornecidos pelas letras para ler seu próprio nome e os nomes dos colegas. pistas essas que devem também ser justificadas pelos alunos. as crianças colaboram umas com as outras.

n Familiarizar-se com a lista de colegas da classe. você mostrará um cartão em que está escrito o nome de uma das crianças. num tamanho legível mesmo a distância). n Provavelmente. n Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. Planejamento n Quando realizar: todas as semanas (a leitura e escrita de nomes dos cole- gas da classe é uma atividade permanente nas classes de 1o ano). em letra de forma maiúscula. n Peça às crianças cujo nome for apresentado para que não se manifestem e deixem que os colegas descubram de quem é o cartão. Encaminhamento n Organize os cartões de nomes em ordem aleatória (não os utilize na mesma ordem em que aparecem no cartaz de nomes). n Mostre o primeiro nome e pergunte às crianças se sabem de quem é. Todos devem descobrir a quem pertence e dizer se a criança veio ou não naquele dia. as crianças podem ficar em seus lugares ou numa roda no chão. Independente de a resposta estar correta. n Que materiais são necessários: cartões com nomes de todas as crianças da classe (apenas o primeiro nome. as crianças indicarão alguns nomes. solicite a cada uma que justifique sua resposta a partir de perguntas como: “Por que você acha que aqui está escrito o nome deste colega?” ou “O que nesta palavra fez você pensar que está escrito o nome desse colega?” 42 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . Oriente-as para que falem uma de cada vez. n Duração: 20 minutos. Maria Lúcia Marcelo lucas josé carlos n Explique a atividade: para marcar na lista de presença os nomes das crian- ças que não vieram.

mas na nossa classe há outras crianças cujo nome também se inicia por essa letra.. mas não utilizar as letras como indício para justificar sua resposta? Independente de o nome estar realmente escrito. pergunte à criança cujo nome está no cartão se confirma que ali está escrito seu nome.?” n Quando a justificativa de uma criança não puder ser problematizada porque ela usou as pistas que permitem antecipar o nome. Se a atividade começar a ficar longa e cansativa. Além disso. o nome Guia de Planejamento e Orientações didáticas 43 . n Marque na lista de presença o nome das crianças que faltaram. problematize a justificativa oferecida pela criança. abrevie escolhendo somente os cartões das crianças que não compareceram à aula e propondo que descubram a quem pertence.. É interessante fazer uma lista de presença grande.?” ou “Você acha que esse nome é do . como sugere o Renato? Quem concordar pode ajudar explicando como é possível descobrir isso?” . pergunte aos demais se concordam com o colega e.. n Faça isso com os demais nomes dos colegas.... a criança diz saber que é o nome da Maria porque começa com S). peça ajuda aos demais: “Renato disse que aqui está escrito o nome do . mas há outros nomes na classe que também terminam com A. explicite que ela não é correta (no exemplo citado. o professor pode dizer “Realmente. porque começa com P. ela acha que é o nome da MARIA) e. está escrito neste cartão. se a criança não disser nada para justificar sua resposta. para que as marcas referentes às faltas que ocorrerem a cada dia estejam acessíveis aos alunos. a partir de novas perguntas como “Você disse que é o nome da.. use um indício errado (no exemplo citado.... que deverá ficar afixada na classe... procure ajudá-la para que o faça.. porque termina com A. O que fazer se. Como podemos ter certeza de que aqui está escrito mesmo o nome da .. propondo perguntas que a ajudem nesse sentido.. Alguém pode ajudá-lo a explicar por que esse nome pode estar escrito aqui?” ou “Vocês concordam que o nome do . como justificativa. como saber se é mesmo o nome do .um aluno indicar o nome de um colega.. Nessa situação.um dos alunos utilizar um indício errado para justificar sua resposta? É possível que uma criança diga que em determinado cartão está escrito o nome de uma criança (por exemplo. se concordarem com tal resposta... .n Mesmo que a resposta esteja correta.

. Essa letra é o M”).. n Além da lista de presença. n Uma variação da atividade é não mostrar o nome escrito no cartão. Nesse caso. Nesse caso. Na Coletânea de Atividades você encontra algumas variações de atividades com nomes. Para facilitar. Para isso deverão observar os nomes escritos no material para identificar a quem pertence. Outra possibilidade é a criança usar uma pista correta. da próxima vez que virem esse cartão.. de quem é aquele nome. que se inicia pelo M e termina com A etc. proponha aos alunos que observem características da palavra escrita que os ajudem a realizar essa leitura (podem observar que é um nome de cinco letras. você pode mostrar outras letras para que tenham cada vez mais elementos para dizer. um aluno diz “Sei que é o nome da Maria porque começa com essa letra” e apontar para a primeira letra do nome escrito no cartão).). com certeza. somente uma das letras (a inicial ou final) e deixar que tentem descobrir a partir desses indícios. Para finalizar. talvez seja difícil reconhecer os nomes dos colegas. você pode propor a um pequeno grupo de crianças (um quarteto) que preencha a lista de crianças presentes em cada dia. você pode dizer qual é e propor que pensem em formas de não esquecer. Em seguida. é interessante propor que os alunos distribuam materiais aos colegas (os cadernos. Os cartões daqueles que faltaram. informando o nome da letra (o professor pode dizer “Renato diz que este é o nome da Maria porque começa com essa letra. n Quando os alunos já contarem com bons indícios para localizar todos os nomes. sobrarão. mas o nome da Maria não começa com essa letra”). espalhe os cartões pelo chão e sugira que cada um encontre o seu.os alunos não descobrirem o nome indicado num dos cartões? Se os alunos não souberem o nome indicado. mas não nomear nenhuma letra para justificar sua resposta (por exemplo. 44 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . Variações da atividade n No início do ano. uma atividade realizada em outro dia e que precisa ser retomada). é interessante que cada criança explique como fez para localizar seu nome no meio dos demais.escrito nesse cartão se inicia pela letra S. o que está escrito ali. é importante complementar a informação.

procurando aproximar-se ao máximo da escrita convencional. favorecendo assim que os alunos lidem com o desafio de colocar em jogo seus conhecimentos sobre o sistema de escrita e produzam da melhor forma possível. para cada aluno. os alunos construíram sobre a organização do sistema de escrita alfabético. parcerias em que a troca de informações favoreça o avanço de todos os integrantes. O que os alunos aprendem nas situações em que escrevem por si mesmos Tais atividades são extremamente valiosas.Situações de escrita pelo aluno Para aprender a escrever. você não precisa informar a escrita correta. em situações de escrita de próprio punho. Nesses casos. Mesmo quando você se abstém de mostrar a escrita correta. Nessas atividades. ou seja. que deve buscar. garantir parcerias produtivas. Conhecer o proces- Guia de Planejamento e Orientações didáticas 45 . os alunos têm a oportunidade de se aproximar da linguagem própria a cada gênero discursivo. ou seja. ao escrever por si mesmos os alunos também podem contar com sua ajuda. mas não por isso o aluno estará sozinho nessa situação. nem por isso se torna um mero espectador da produção dos alunos: você pode realizar intervenções que contribuam para problematizar ou ampliar os conhecimentos deles. Trata-se de uma escrita de próprio punho. as propostas de escrita pelo aluno podem envolver situações de trabalho colaborativo. No entanto. Em outros momentos. como não se trata de uma cópia. Para que cumpram seus objetivos. Quando propostas individualmente. os alunos assumem o controle. contando somente com aquilo que já sabe. Além da colaboração dos colegas. permitem conhecer aquilo que já foi possível. espera-se que as produções finais sejam escritas não convencionais que corresponderão às hipóteses que. além de ter informações para avaliar o avanço de cada um em determinado período. até aquele momento. nesses agrupamentos. organizadas em duplas ou quartetos previamente formados por você. há momentos em que se propõe aos alunos que ditem um texto para que você escreva. aprender sobre o funcionamento do sistema de escrita alfabético.

dá oportunidade para que se realizem intervenções mais ajustadas para cada aluno e. as situações de escrita individual não devem ser as mais frequentes. Elas são bons momentos de avaliação e. para que se apoiem nessa lista e pesquisem as letras com que iniciarão a escrita da palavra desejada). para a escrita da palavra LOBO. Expectativas de aprendizagem abordadas Essa situação didática favorece avanços dos alunos relacionados ao seguinte objetivo: Uso de texto fonte para escrever de próprio punho. é importante que os alunos contem com situações variadas em que escrevam por si mesmos. bem como com suas intervenções. você diz que ambas as letras são possíveis e sugere que os alunos pesquisem na palavra PAULO (nome de um dos colegas) como observam que foi grafada a sílaba LO. um aluno sugere usar o O e outro considera que o L é a letra adequada. especialmente quando ambas as possibilidades são válidas (por exemplo.so de cada criança ajuda a identificar as crianças que necessitam de um apoio mais próximo. se os alunos querem escrever a palavra MORANGO. Na rotina semanal. bimestralmente) para levantar as informações sobre o processo de construção da compreensão do sistema de escrita realizado por cada criança. para irem além daquilo que produziram espontaneamente. j confrontar ideias diferentes dos integrantes do grupo e oferecer informações que os ajudem a superar o dilema. j escrever. devem ser periódicas. palavras que tenham o mesmo som daquela que as crianças desejam escrever (por exemplo. no fim da palavra). É interessante propor situações como essa de tempos em tempos (por exemplo. Nesse caso. como tais. remeter à lista de nomes para que encontrem o nome de um colega cuja escrita compartilha algum som com aquele que se deseja escrever). Você pode: j remeter as crianças a diferentes materiais de consulta para que se apoiem em palavras já conhecidas para escrever outras palavras (por exemplo. nas quais tenham a colaboração de colegas com quem possam trocar informações. MONTANHA e MOSCA. o objetivo da atividade é favorecer o avanço dos alunos em relação ao sistema de escrita. permite que se organizem parcerias produtivas de trabalho. 46 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . também. você pode escrever MÔNICA. Em todas essas situações. j questionar determinada escrita. No entanto. que sabe estar aquém daquilo que os alunos são capazes. à vista dos alunos.

as questões discursivas são combinadas antes da escrita. aos quais os alunos têm fácil acesso. contar com um repertório considerável de “palavras confiáveis”. títulos de histórias lidas. é fundamental: j listas com nomes dos colegas afixadas nas paredes. para que providencie os ingredientes necessários para a classe preparar determinado alimento. j títulos dos contos nas capas de livros que foram lidos recentemente. ou seja. é importante que o texto seja breve e que possa ser combinado previamente entre os autores (os integrantes do agrupamento que realiza a escrita). para que. ou seja.. Para que os alunos possam delimitar sua atenção às questões relacionadas à escrita. listas diversas etc. os alunos escreverão considerando uma finalidade conhecida e compartilhada por todos: j uma lista para ser enviada à merendeira da escola. j a legenda que acompanha um desenho. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 47 . para escrever em situações de prática social. n Arriscar-se a escrever segundo suas hipóteses. Dessa forma. a atenção das crianças se volte para os aspectos notacionais. Dessa forma. em votação. j a escrita do nome de uma brincadeira para. n Produzir listas em contextos necessários a uma comunicação social: lista de ingredientes para uma receita. quadro de presença. escolher aquela de que o grupo vai brincar no recreio etc. durante a produção. da escrita convencional. escritas na lousa. palavras cuja escrita convencional seja conhecida de memória ou que estejam facilmente acessíveis na classe. mostrando o que foi aprendido num estudo realizado em classe e compartilhado com outros colegas. Os alunos necessitam contar com fontes de informação para que sua escrita se aproxime.n Recorrer ao alfabeto exposto na sala. j as atividades realizadas diariamente. Ou seja. é importante que as propostas tenham um propósito claro. para quantas e quais letras serão utilizadas na escrita. o texto é memorizado antes de ser escrito. Condições didáticas para as situações de escrita pelo aluno Para que as situações de escrita pelo aluno façam sentido. brincadeiras preferidas etc. j plaquinhas sinalizadoras de onde se guarda cada material na classe. ao máximo.

Se. considerando os conhecimentos dos alunos sobre o sistema de escrita alfabético. n Como organizar os alunos: em duplas previamente organizadas pelo professor. n Produzir uma lista. os alunos realizem tais pesquisas autonomamente. leia também o Guia de planejamento e orientações didáticas – Professor alfabetizador – 2o ano. n Trabalhar colaborativamente com sua dupla de trabalho. páginas 33 a 35. aos poucos. Ver também o Guia de planejamento e orientações didáticas – Professor alfabetizador – 2o ano. Para saber mais sobre esta situação didática. n Que materiais são necessários: lápis e papel. a partir de propostas em que leiam e escrevam tais palavras. considerando características desse tipo de texto. espera-se que. n Duração: 50 minutos. páginas 90 e 91 (sobre o trabalho com listas). 48 Guia de Planejamento e Orientações didáticas .Todas essas são valiosas fontes de pesquisa para a escrita que ocupará as crianças. Porém. pois eles sabem recorrer a elas como fonte de consulta. num primeiro momento. é você quem convida os alunos a consultarem essas palavras. o que lhes permite escrever melhor aquilo que ainda não sabem escrever convencionalmente. sugere buscar o nome de um dos colegas ou um dos itens que compõem a rotina escrita na lousa para saber que letra deve ser usada para iniciar determinada palavra. É preciso que os alunos saibam o que está escrito em cada um. volume 1. MODELO DE ATIVIDADE Objetivos n Ampliar conhecimentos sobre o sistema de escrita alfabético. todo esse material não deve apenas ficar exposto na classe. Planejamento n Quando realizar: atividades de escrita como essa devem ocorrer semanal- mente na rotina das classes de 1o ano. As palavras estáveis são acessíveis aos alunos. volume 2.

n Explique também como será o trabalho com o colega da dupla: ambos devem decidir o que será escrito e. Esse levantamento tem o objetivo de garantir que contem com boas sugestões do que pode ser incluído em sua lista. j alunos com escrita silábica que utilizam as vogais com seus valores sonoros com alunos com escrita silábica que utilizam algumas consoantes. circule entre as duplas e faça intervenções que ajudem a melhorar o que escreveram. j alunos com escrita silábica que utilizam algumas consoantes com seus valores sonoros com alunos silábico-alfabéticos. Procure ampliar o repertório das crianças. Para a palavra seguinte. considere que podem ser agrupados assim: j alunos com escritas pré-silábicas com alunos com escrita silábica sem valor sonoro convencional. n Não escreva as brincadeiras na lousa (mesmo que seja para apagar no momento em que os alunos estiverem escrevendo). n Enquanto os alunos trabalham. Faça a sondagem periodicamente. n Antes de iniciar a escrita. informe seus nomes (por exemplo. os papéis se invertem. ou j alunos silábico-alfabéticos com alunos alfabéticos.). n Forme as duplas e explique a atividade: deverão escrever uma lista de brincadeiras presentes no quadro do artista plástico Ivan Cruz. faça um levantamento oral dos itens que podem compor a lista.Encaminhamento n Planeje a organização das duplas antes de começar a atividade. bolinha de gude etc. Leia para os alunos a pequena biografia sobre ele. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 49 . conversar sobre as letras necessárias para a escrita de cada brincadeira. sendo que a produção final deve considerar aquilo que as duas crianças pensam. A cada palavra. uma das crianças escreve e a outra ajuda a pensar nas letras que é necessário incluir. chamando a atenção para brincadeiras desconhecidas. propondo que observem o quadro. além disso. Nesse caso. considerando seus valores sonoros. para saber em que momento da aprendizagem da escrita se encontra cada um deles. Em relação a suas hipóteses. considerando os conhecimentos dos alunos sobre o sistema de escrita. ou j alunos alfabéticos com alunos alfabéticos. cinco-marias. há crianças brincando de pula-sela.

Alguns exemplos de intervenções: INTERVENÇÃO 1 Uma dupla de crianças escreve AIET O professor se aproxima e propõe às crianças que leiam o que escreveram. Uma delas começa a silabar a palavra. procurando corresponder a primeira sílaba à primeira letra e o resto é lido de uma vez. INTERVENÇÃO 3 Ao se aproximar de outra dupla. mudam o que escreveram. Se acharem necessário. 50 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . após observar o conjunto de nomes. fazem a leitura. elas substituem os grafismos por novas letras. Sua escrita ficou assim: BRIODAMO. Quando volta para essa dupla observa que alteraram a escrita inicial para: PIET e agora atribuem ao P o som da sílaba PA. As crianças apagam algumas e. Além disso. Existe alguma criança em nossa classe cujo nome se inicie pelo mesmo som?” As crianças respondem: “A Paula!” Vão à lista de nomes para ver como se escreve o nome da Paula. O professor vai ajudar outras crianças. INTERVENÇÃO 2 Outra dupla escreve: BζIODξMOδΩNVPЖ Elas explicam que aí está escrito PIÃO. Uma acha que deve incluir a letra O para escrever BOLINHA DE GUDE. Elas o fazem assim: A pa I ti E ne T te O professor diz: “Vocês disseram que essa brincadeira se escreve assim. acompanha as crianças discutindo. O professor diz: “Será que precisamos de todas essas letras? Vamos observar a lista de nomes para ver se aparecem desenhos como esses que vocês incluíram (apontando para os grafismos que não representam letras)”. a pedido do professor.

observe especialmente as duplas de alunos que ainda não escrevem convencionalmente. basta que as crianças. dê dicas que os ajudem a continuar o trabalho.para atender o maior número de crianças que necessitam de ajuda? Circule pela classe. observa que escreveram assim: BOINADUD. n Como a proposta é de escrita espontânea.A outra acha que. Vejam. por exemplo: “Com que letra se escreve. Pergunte. com perguntas do tipo: “O que podemos escrever agora? Com que letra vocês acham que começa o nome dessa brincadeira?” Guia de Planejamento e Orientações didáticas 51 . em sua produção. quando volta a essa dupla. Como ocorreu nos exemplos dados. se for o caso.? Você concorda que é com essa letra. Ele escreve BOLACHA e BONECA. considerando suas hipóteses de escrita. vou escrever várias palavras que se iniciem com o mesmo som”.. para que avancem em relação ao que sabem. Deixa as crianças refletindo e. da escrita convencional. O que fazer. Verifique se o trabalho está sendo produtivo e... mas fazê-las refletir. ofereça as informações necessárias. . por exemplo: “Que outras brincadeiras há no quadro?” • Opine em relação à escrita... Pergunte. interfira sugerindo que cada um dos alunos: • Dê sugestões para acrescentar à lista. em vez do O. as intervenções não visam fazer com que a produção das crianças fique correta. aproximem-se ao máximo. cada uma de acordo com seus conhecimentos.. O professor diz: “Vocês dois estão certos. devem colocar o B. como disse seu colega?” Se perceber que têm dificuldade para refletir sobre as letras. Uma das crianças sugere que também escreva BOCA e ele acrescenta essa palavra à lista.

Variações da atividade n Além das listas. para favorecer a troca de informações. ou seja. espera-se que incluam mais elementos em suas listas. você pode propor que as duas crianças escrevam e. Enquanto isso. Nesse caso. Isso dará maior mobilidade para a escrita e favorecerá a discussão entre as crianças da dupla. Em qualquer caso. ambos os escritos devem estar iguais. n Em vez de usar o lápis para escrever. totalmente. explique que. para que possam voltar sua atenção. evite ficar muito tempo com a mesma dupla. é preciso que seja um texto curto e que as crianças possam formulá-lo antes de se dedicar à sua escrita. n Em vez de se revezarem para escrever. É importante que discutam entre si sobre a melhor maneira de escrever determinado item. adivinhas e outros textos que sejam fáceis de guardar na memória. Na Coletânea de Atividades você encontra variações da atividade de escrita pelo aluno. Como têm mais facilidade para escrever. dedique mais tempo a eles. legendas com informações aprendidas num estudo.. 52 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . você pode propor que utilizem as letras móveis. é importante que já tenham claro o que escrever. De maneira geral. circule e oriente outros alunos.. .para oferecer desafios também aos alunos alfabéticos? Os alunos alfabéticos terão desafios relacionados à ortografia e à separação entre palavras. à reflexão de quais e quantas letras usar. você pode pedir que as crianças escrevam títulos de histórias (títulos conhecidos ou inventar um título para uma história lida em classe). sabemos também que alguns alunos necessitam de nossa ajuda.Siga também as sugestões de intervenções contidas nos exemplos apresentados. Recomendamos que você faça pequenas intervenções e deixe as crianças buscarem sozinhas as soluções. na produção final. devem estar escritos com as mesmas letras. Por outro lado. Enquanto escrevem. mas não se esqueça de voltar para certificar-se de que cada uma das duplas utilizou a ajuda fornecida por você.

as informações não verbais que acompanham o texto escrito (imagens. o autor. tais condições permitem que as crianças coordenem as informações prévias que possuem (o texto memorizado ou os itens que já sabem constar de uma lista) para tentar identificar. Tudo isso contribui para que o leitor construa o significado do texto. no texto escrito. se conta com várias informações diferentes: tudo o que se sabe antes da leitura (onde o texto foi publicado. é possível propor a realização de atividades relacionadas à leitura. Em todos os casos. Porém. o leitor conta com informações prévias que lhe permitem antecipar o que. o processo de construir o sentido de um texto é favorecido quando. estará escrito num texto. além de serem textos simples. o desafio de leitura proposto aos alunos é o de descobrir “onde está escrito” aquilo que se sabe estar escrito. Além disso. diagramação). em que ele informa todos os itens que a compõem. definirá a profundidade da leitura. as informações textuais que ajudam a delimitar cada parte do texto (títulos e subtítulos).). seja nos textos memorizados. Assim. sobre ele. provavelmente. As crianças que ainda não dominam o sistema alfabético de escrita não são capazes de ler com autonomia. porém não indica a ordem em que estão dispostos. Mesmo que ainda não saibam ler. favorecendo o processamento das informações obtidas pela exploração daquilo que está escrito. se observadas algumas condições. informações de pessoas próximas que já o leram etc. É o caso das listas. arriscando diferentes possibilidades de leitura. a clareza do leitor quanto àquilo que espera realizar (seus objetivos de leitura) fará com que a atividade seja mais ou menos complexa. seja nas listas. Em alguns casos. sua organização favorece a memorização (como ocorre com as parlendas. o conteúdo de um texto já pode ser bem conhecido das crianças.Situações de leitura pelo aluno Em qualquer ato de leitura. Em determinadas circunstâncias. no sentido convencional. onde está escrita cada parte. Em outros. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 53 . poemas e outros textos organizados em versos). o professor traz várias informações sobre aquilo que contêm.

todas as vezes em que ela perguntou “o que está escrito aqui?”.O que os alunos aprendem nas aulas de leitura por si mesmos. ela adora ouvir histórias. Precisou contar com a ajuda de leitores que. não sabe ler. AQUI Maria sabe exatamente o que está escrito no título. por exemplo. No entanto. Eu sei onde está escrito A BELA ADORMECIDA . sabe o que está escrito na capa. Vamos acompanhar Maria lendo o título de sua história predileta Maria. 54 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . uma menina de cinco anos. a menina já sabe várias informações sobre o texto. mas Maria tem um que é seu preferido: De tanto observar as pessoas lendo e manuseando o livro. mas não conseguiria chegar sozinha a essa conclusão. informaram-lhe sempre da mesma forma: A BELA ADORMECIDA. antes que leiam convencionalmente Um exemplo nos ajudará a compreender melhor o que se aprende numa situação como a que foi descrita acima. Seu professor costuma ler muitos livros.

mas não sabe bem onde termina. Depois de algumas tentativas de leitura. Maria não chegou a desvendar o mistério (ela ainda precisava de tempo. inclusive o de suas melhores amigas: LARISSA e DANIELA. percebe a semelhança sonora entre o início do nome de sua amiga Beatriz com a parte do título que diz BELA. elas coordenam várias informações. na palavra BELA encontra o L de LARISSA. observa que a letra inicial do nome da colega aparece no título (o B). Ao fazer isso. Aparentemente um simples “faz de conta”. Além disso. ainda que não convencionalmente. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 55 . tais como parlendas. tanto em seu nome como no título. Maria começou a fazer uma brincadeira fundamental para ampliar seus conhecimentos sobre a escrita: ler. buscando relacionar o que dizia às partes escritas. j o texto escrito propriamente. considera que ali pode estar escrita essa palavra. Expectativas de aprendizagem abordadas Essa situação didática favorece avanços dos alunos relacionados ao seguinte objetivo: ler. j em sua classe há muitas crianças e há várias brincadeiras em que precisam ler os nomes dos colegas. Nessa coordenação do que sabem antes da leitura com o texto. mas na verdade uma investigação: tentava compreender a que parte do falado correspondia cada letra ou sequência de letras. E na palavra ADORMECIDA identifica o D. sabendo o que está escrito. Com essas pistas. Maria também reconhece. Ao ler o título. as crianças ampliam seu conhecimento sobre o funcionamento do sistema de escrita. as atividades de leitura pelo aluno contribuem para aprender a ler. j como o professor faz muitas brincadeiras com os nomes dos colegas da classe. quando contam com muitas informações sobre aquilo que está escrito num texto as crianças podem realizar algumas atividades de leitura. novas oportunidades de contato com a escrita e acesso a outras informações). Assim como ocorreu nesse exemplo. o som do A final. A atividade permite desenvolver as seguintes habilidades: j ajustar o falado ao escrito a partir dos textos já memorizados.Como se trata de um texto curto. Aquilo que sabem e observam: j sobre o texto. Ela já consegue reconhecer o nome de vários colegas. ou seja. mas descobriu algumas coisas: j assim como seu nome. j sobre o sistema de escrita alfabético. da amiga DANIELA. quadrinhas e outros do repertório de tradição oral. A BELA ADORMECIDA termina com a letra A. a menina conseguiu memorizá-lo e.

Nesse caso. é preciso que os alunos sintam-se à vontade para “arriscar”. também nessa situação. Por exemplo. adivinhas. poemas. tais como as brinca- deiras cantadas. quadrinhas. utilizando. os conhecimentos já construídos sobre o sistema de escrita. Localizar uma informação que se sabe constar no texto é um desafio possível. os alunos contarão com informações que lhes permitirão realizar antecipações pertinentes. pois essa informação já lhes foi dada por você. No caso de atividades realizadas a partir de textos memorizados (parlendas. você diz “um destes títulos é ‘Chapeuzinho Vermelho’. Outra proposta que pode ser realizada nas classes de alfabetização é propor que. antes de propor a atividade. ou seja. peças do jogo etc. o conhecimento prévio do texto faz com que os alunos tenham as informações necessárias sobre “o que está escrito” e possam se dedicar a buscar “onde está escrita cada parte do texto”. ingredientes de uma receita. adivinhas etc. j localizar um nome específico numa lista de palavras do mesmo campo semântico (nomes. pois elas podem se basear em seus conhecimentos das letras (a letra inicial ou final. entre outros) para antecipar o que pode estar escrito em cada um dos itens. Algumas atividades de leitura são mais viáveis que outras para crianças que ainda não dominam o sistema de escrita alfabético. propor a leitura de uma lista de títulos de contos será inviável para crianças que ainda não dominam a leitura convencional se elas não tiverem acesso a informações sobre os títulos que compõem essa lista.). no entanto. Perguntar a crianças que ainda não leem convencionalmente “o que está escrito em cada item da lista?” será uma atividade difícil demais para elas. parlendas e demais textos do repertório da tradição oral. as crianças descubram o que diz em cada um. entre dois itens de uma lista. qual é qual?” Essa é uma variação que torna a atividade possível para as crianças que encontrarem dificuldades em localizar um item entre várias opções da lista.).j localizar palavras num texto que se sabe de memória. a atividade proposta é bem diferente: o problema dos alunos não é mais descobrir “o que está escrito”. você informar quais são os títulos que constam da lista. Se. Trata-se de saber “onde está escrito” cada título. mesmo para crianças que não leem com autonomia. sem dizer onde se encontra cada um. j ler legendas ou partes delas a partir das imagens e de outros índices gráficos. Ler antes de saber ler convencionalmente – dicas Para que realizem atividades desse tipo. 56 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . o outro é ‘Os três porquinhos’.

em que as letras iniciais sejam diferentes entre si. Por exemplo. mas não sabendo a ordem em que aparecem. ao propor a leitura de uma lista dos materiais escolares. pois as crianças não se basearam em nenhuma informação do texto escrito para antecipar determinado conteúdo. ainda não sabem ler. os desafios podem aumentar. propor inicialmente listas compostas por poucos itens. assim. tanto ao incluir um número maior de itens na lista como ao inserir palavras que se iniciem e/ou terminem pelas mesmas letras. intervir propondo perguntas que ajudem as crianças a considerar critérios que apoiem sua leitura. também. É preciso. uma lista de frutas pode contar com itens como: ABACAXI ABACATE MORANGO MANGA MAÇÃ MELANCIA 57 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . forçando.Das primeiras vezes em que atividades como essas são propostas. as crianças a considerar novos indícios além daqueles que já consideram. devem localizar a palavra APONTADOR. Essas primeiras tentativas não podem ser consideradas leituras. À medida que os alunos se familiarizam com atividades desse tipo. Outra reação possível é tentar adivinhar onde estão as informações solicitadas por você. a reação inicial das crianças é a perplexidade. é interessante que inicialmente essa lista contenha apenas os seguintes itens: BORRACHA LÁPIS APONTADOR Sabendo quais são os itens. afinal. é interessante. inicialmente. Algumas dessas perguntas são: n Com que letra começa determinada palavra que devem buscar numa lista? n Com que letra termina? n Há algum colega na classe cujo nome se inicie pelo mesmo som que a pa- lavra que deve ser buscada? Para facilitar tais leituras. Por exemplo.

é produtivo realizar intervenções em que você solicita aos alunos que justifiquem suas escolhas. volume 2. leia também o Guia de planejamento e orientações didáticas – Professor alfabetizador – 2o ano. sem que ainda tenham o domínio da leitura convencional. Além de antecipar o que deve estar escrito. para que todos possam observar as pistas escritas utilizadas por algumas crianças em suas tentativas de localizar as palavras solicitadas. num primeiro momento. Para isso. cantigas. Em todas as situações. Ver também o Guia de planejamento e orientações didáticas – Professor alfabetizador – 2o ano. as propostas em pequenos grupos (quartetos ou duplas) ou individualmente também podem ser feitas. é preciso que contem com o máximo de informações sobre o texto proposto para a leitura. que as adivinhas façam parte do repertório do grupo (se houve uma proposta anterior de aprender adivinhas para propor para os familiares. em determinada palavra ou verso (num texto memorizado. especialmente quando se dedicam a ler e escrever as palavras cuja forma convencional já é conhecida. páginas 70. Essa memorização viabilizará a leitura de tais textos por parte das crianças. é preciso garantir situações variadas em que as crianças reflitam sobre a escrita. poemas. volume 1. bem como o conhecimento das letras que compõem tais palavras. que expliquem os critérios utilizados para antecipar que. Quando já estiverem familiarizadas com atividades desse tipo. que procurarão coordenar aquilo que dizem em voz alta (o texto decorado) com o texto que está escrito. 90 e 91 (sobre o trabalho com listas). 58 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . por exemplo) e que os poemas tenham sido previamente aprendidos (um poema que foi escolhido como o preferido pelos alunos). Para saber mais sobre esta situação didática.É interessante que as atividades de leitura pelos alunos sejam propostas coletivamente. é importante que já os tenham aprendido de memória. Condições didáticas para as situações de leitura do aluno Para que os alunos tenham a possibilidade de ler. pois é comum que as parlendas sejam recitadas durante as brincadeiras. os alunos também devem contar com recursos que lhes permitam verificar se determinada antecipação é realmente pertinente. No caso dos textos organizados em versos (parlendas. páginas 35 a 45 e 48 a 53. por exemplo). adivinhas). pode-se ler determinado conteúdo. ou seja. Esse conhecimento permitirá que façam antecipações pertinentes sobre o que pode estar escrito e verifiquem se tais antecipações são adequadas. A memorização se dá naturalmente.

identificar as palavras que rimam nos versos da parlenda. n Que materiais são necessários: atividade da página 17 da Coletânea de Atividades.MODELO DE ATIVIDADE: Organizar os versos de uma parlenda conhecida Objetivos n Aprender uma nova parlenda. que o segundo é SOLDADO LADRÃO. É interessante agrupar alunos que não leem convencionalmente e que tenham hipóteses de leitura semelhantes. n Utilizar estratégias de seleção. para localizar cada um dos versos de uma parlenda. organize as duplas de crianças. Para isso. Organize várias brincadeiras em que tenham de recitá-la: você diz um verso e as crianças dizem o que vem a seguir. n Duração: 40 minutos. n Quando esse texto já for conhecido de memória pelas crianças. n Como organizar os alunos: em duplas. e sim próximos. os meninos dizem um dos versos e as meninas dizem o seguinte. n Num primeiro momento. proponha a atividade de leitura em que têm de organizar seus versos. substituir palavras por outras parecidas (que também rimem). garanta que saibam como se inicia cada um dos versos (devem saber que o primeiro verso é REI CAPITÃO. ensine a parlenda às crianças. recite-a algumas vezes e peça que repitam. Encaminhamento n Antes da aula. Planejamento n Quando realizar: é importante que atividades de leitura pelo aluno (como essa) ocorram semanalmente. e assim por diante). Guia de Planejamento e Orientações didáticas 59 . n Antes de realizar a proposta. procurando organizar duplas produtivas de trabalho. considerando o que os alunos já sabem sobre o sistema de escrita alfabético. o que significa que os níveis de conhecimentos de ambos os integrantes não sejam idênticos. desenhar a parlenda etc. antecipação e verificação.

Chame uma das duplas para que explique aos demais qual o primeiro verso e como fizeram para descobrir. propondo que troquem informações sobre como fizeram para descobrir qual verso é o primeiro. e assim por diante. do primeiro verso. aí então eles podem colar os versos na ordem correta. uma dupla de crianças escolheu DO MEU CORAÇÃO. O professor diz aos alunos: MOÇA BONITA se inicia com a mesma letra de Mônica. circule entre as duplas para fazer intervenções e ajudar os alunos que necessitarem do seu apoio.. Por exemplo. socialize o trabalho de cada dupla. ou que MOÇA BONITA termina com A e é o único verso com esse som final). Mesmo tendo indicado o verso correto. Estimule a participação daqueles que foram chamados à lousa. se inicia por R. solicitando que digam se concordam ou não com o que foi dito pelos colegas e se poderiam sugerir outras pistas para ter certeza de que cada verso está realmente escrito onde foi indicado.. você pode dar algumas pistas. como é o caso dos nomes dos colegas. n O foco da atividade não é o recorte mas. Vejam na lista como começa o nome dela. As crianças devem recortá-los e organizá-los na ordem correta. Para isso. faça perguntas como “Com que letra vocês acham que se inicia esse verso?” ou “Por que vocês acham que aí está escrito esse verso?” Se tais perguntas não ajudarem as crianças.n Explique a atividade: os versos da parlenda se encontram fora de lugar. n Depois de socializar o que cada dupla pensou. O importante é não cortar nenhum pedaço de palavra. n Enquanto trabalham.. o segundo. fazendo o mesmo para os versos seguintes. Quando chegarem àquele que está fora de lugar. solicite aos alunos que compartilhem com os colegas aquilo que os levou a descobrir a resposta (por exemplo. esta pode ser uma tarefa difícil. na mesma disposição em que estavam na folha. reproduza os versos na lousa. No entanto. O que fazer. Oriente-as a cortar primeiro em partes maiores e depois fazer o contorno de cada pedaço sem precisar caprichar muito. para crianças pequenas. Essa pista lhes indica qual verso deve ser substituído.. . para o verso MOÇA BONITA. n Terminado o tempo estipulado para a proposta. considerando as palavras conhecidas pelo grupo. sabem que a palavra REI. se os alunos errarem a ordem dos versos? Peça que releiam cada um dos versos. 60 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . oriente-as a somente colar os versos no final da atividade.

para atender o maior número de crianças que necessitam de ajuda? Observe quais duplas de alunos não estão trabalhando produtivamente. exatamente. Aproxime-se delas e faça perguntas para que deem sugestões para localizar cada um dos versos: “Onde você acha que pode estar escrito REI CAPITÃO?” ou “Por que você acha que aí está escrito.. por exemplo: “termina por. “Como faremos para localizar esse verso?” ou “Como podemos saber se aí está escrito. mesmo que tenham localizado cada um dos versos corretamente? Enquanto circula pelas duplas. faça perguntas do tipo: “Com que letra vocês acham que começa?”.” ou “tem o som da letra. ou seja. parlendas. onde está escrito cada item) – atividades em que os alunos devem descobrir onde está escrito cada um dos itens.. explicando. desde que já saibam seu conteúdo (mas não sabendo. cantigas ou quadrinhas que já conheçam de memória.” Variações da atividade Além das atividades em que necessitam localizar os versos de uma parlenda para organizá-los corretamente. ofereça as informações necessárias e dê dicas para ajudá-los a continuar o trabalho..?" "E você. para problematizar aquilo que sabem.. Mesmo que respondam corretamente. j ler listas. você também pode realizar as seguintes propostas: j propor que os alunos leiam poemas. procurando ajustar o que é dito em voz alta àquilo que é apontado com o dedo. j encontrar a resposta escrita para adivinhas lidas pelo professor entre várias possibilidades – essas adivinhas devem ser conhecidas. é interessante que você questione os alunos: “O que vocês acham que está escrito aqui?” (apontando para um dos versos).. concorda com seu colega?” Se perceber que estão tendo dificuldades para refletir sobre as letras. pergunte: “Como vocês sabem que está escrito isso? Vocês têm certeza?” Espera-se que assim os alunos busquem outros indicadores para justificar suas escolhas...?” . j preencher cruzadinhas em que se conte com um banco de palavras para consulta....... os Guia de Planejamento e Orientações didáticas 61 . Para isso.

Como fazer para descobrir?” Na Coletânea de Atividades você encontra variações das atividades de leitura pelo aluno. como ocorre no exemplo abaixo: Faça um traço unindo as imagens aos nomes das frutas. Aos poucos. as atividades de leitura podem ganhar complexidade ao se introduzir. 62 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . faça perguntas como: “Como você sabe que aí está escrito MELANCIA? Essa outra palavra também se inicia por M. cruzadinhas ou respostas das adivinhas. mas precisam localizar a palavra que corresponde a ela. você pode intervir sugerindo que as crianças observem que não podem se apoiar somente na letra inicial para localizar cada palavra. Para isso.alunos sabem qual a resposta. o que desafiará as crianças a buscarem outros indícios para localizar cada um dos itens. nas listas. palavras que se iniciem e terminem pelas mesmas letras. ABACATE ABACAXI AMEIXA BANANA LARANJA MAMÃO MELANCIA MORANGO PERA UVA Nesse caso.

tais como planejar o que vai escrever. que considerem propósitos comunicativos variados e que se dirijam a leitores reais. enquanto enfrentam os problemas próprios aos escritores. Tal produção costuma ser coletiva. propondo momentos em que o que já foi escrito seja relido. Mas. quanto desenvolvam. os alunos podem produzir textos se contarem com o professor como escriba daquilo que ditam. ou seja. O professor. para esclarecer pontos que Guia de Planejamento e Orientações didáticas 63 . o que implica conhecer as diferentes possibilidades da linguagem. se desde o início os alunos forem colocados ante situações em que tenham de produzir textos complexos. torna-se possível tanto que aprendam o que significa escrever. Além disso. como se a única habilidade necessária fosse a correspondência entre sons e letras. não basta compreender o sistema de escrita alfabético. limita-se a escrever o texto que foi considerado mais adequado pelas crianças. transmite-se uma ideia empobrecida do que seja o processo de escrita. o grupo de alunos todo é autor do texto. nesse caso. sem reorganizá-lo ou traduzi-lo para suas próprias palavras.Situações de ditado para o professor – produzir textos antes de saber escrever Para aprender a escrever. sugerindo que o texto seja revisado para acrescentar dados que foram esquecidos numa primeira escrita. Escrever envolve dominar o processo de produção de um texto. as habilidades necessárias para lidar com textos. escrever interrompendo sua escrita para reler o que já foi produzido até aquele momento. num processo de discussão e troca de experiências em que cada um tem a oportunidade de aprender com as sugestões dos colegas. dependendo daquilo que se tem a intenção de comunicar e para quem. ele coordena a produção. Caso as atividades propostas aos alunos no início de sua escolaridade fiquem restritas àquelas que favorecem a reflexão sobre o sistema de escrita. Envolve também dominar algumas práticas comuns aos escritores. o que significa que todos contribuem para decidir o que será escrito e como. revisar seus escritos para aprimorá-los consultar outros textos para ampliar suas ideias a respeito do que se quer comunicar. Quando ainda não dominam o funcionamento do sistema de escrita alfabético.

marcado por várias interrupções em que se relê o que se escreveu. dizem: “Vamos escrever que ele come frutas e pequenos roedores. que tem o pelo avermelhado e que precisa de territórios grandes para se locomover” sem se preocuparem com o modo como cada uma dessas informações será expressa no texto. visando melhorar o que escreve. um escritor deve fazer escolhas para que seu texto concretize exatamente aquilo que foi sua intenção dizer. O que os alunos aprendem nas situações em que ditam um texto para o professor Quando produzem um texto por meio do ditado para o professor. também. há o momento da produção propriamente. fazendo mudanças na maneira de se expressar. a revisão contribui para o aprimoramento da produção.ficaram confusos. bem como os problemas que os escritores enfrentam em cada um deles. Além da textualização. que aponta os problemas. Assim. características essas importantes para que cumpram determinados propósitos comunicativos. Todos esses diferentes momentos da escrita. que sugerem formas diferentes de expressar o mesmo conteúdo. quando vão produzir um texto. convidando o grupo a refletir sobre formas que permitam superá-los. para rever trechos que apresentem problemas. No contato com os colegas. é comum que as crianças se contentem em listar as informações que desejam incluir. Para enfrentá-los. para avaliar se está bem escrito. se ditam um texto informativo sobre o lobo-guará. se faltam informações importantes. Além disso. as crianças aprendem que a linguagem tem várias possibilidades. a ajuda do professor. Por exemplo. Em cada momento. é comum que o escritor se dedique a revisar o texto. ou seja. e para decidir o que será escrito a seguir. considerando. são colocados aos alunos quando se dedicam a situações como essa. contam com a colaboração dos colegas. os alunos aprendem especialmente o que significa o processo de elaboração de um texto em toda a sua complexidade: aprendem que cada gênero textual tem características que lhe são próprias. dependendo do tipo de relação existente entre aquele que escreve e seu destinatário). Outra aprendizagem propiciada por essa atividade é a diferenciação entre o conteúdo que se deseja incluir no texto e a forma como será expresso tal conteúdo. a linguagem mais adequada (a linguagem deverá ser mais ou menos formal. propõe ao grupo a 64 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . sob a orientação do professor. essa situação didática também permite que os alunos aprendam que a produção de um texto requer diferentes momentos: há um momento inicial para planejar o que será escrito.

é interessante propor momentos em que conversem sobre a organização dos textos. sobre o tipo de informação que pode neles constar. a variedade de letras utilizadas pelo professor enquanto escreve chama a atenção. Condições didáticas para as situações de ditado para o professor ou produção oral com destino escrito É importante que. ditando-o ao professor. os alunos conheçam a situação comunicativa em que está inserida. j antecipar significados de um texto escrito. e que. enquanto observam o professor escrevendo. Para que seja produtiva.reflexão sobre possibilidades de resolvê-los e indica algumas saídas. nesse momento. pois acreditam que se escreve com símbolos inventados em cada momento. também. lidos em momentos anteriores. sobre aquilo que deve constar. Para alguns. e-mails ao produzir um texto. definindo a quem se dirige o texto e qual o objetivo que se tem ao escrevê-lo. são revisitados para analisar as soluções encontradas por seus autores para lidar com determinadas dificuldades enfrentadas pelas crianças enquanto se dedicam à produção. Além da experiência como leitores. antes de se dedicarem à situação de produção. Contam. Expectativas de aprendizagem abordadas Essa situação didática favorece avanços dos alunos relacionados ao seguinte objetivo: produzir textos escritos ainda que não saibam escrever convencionalmente. com textos bem escritos. sobre o destinatário a quem se dirige e os propósitos que se espera alcançar com a escrita contribui Guia de Planejamento e Orientações didáticas 65 . A atividade permite desenvolver as seguintes habilidades: j usar conhecimentos sobre as características estruturais dos bilhetes. por exemplo). é importante que. antes de se propor que produzam determinado texto. Mesmo que o foco da atividade não seja este. os alunos têm a oportunidade de observar aspectos relacionados ao sistema de escrita. das cartas. outros ainda observam que há alguns símbolos que não são letras e são incluídos pelo professor enquanto escreve (os sinais de pontuação. os alunos já tenham familiaridade com ele como leitores. é importante garantir momentos em que já tenham lido bilhetes ou cartas. Se vão produzir bilhetes ou cartas. outros ficam intrigados com os espaços incluídos entre as palavras. Saber sobre o gênero textual e suas características.

leia também o Guia de planejamento e orientações didáticas – Professor alfabetizador – 2o ano. volume 1. por meio do ditado para o professor. páginas 87 e 88. É interessante que as propostas de ditado de um bilhete ao professor ocorram permanentemente na rotina do primeiro semestre. n Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. n Que materiais são necessários: giz e lousa. n Explique a atividade: as crianças escreverão um bilhete aos familiares.para que os alunos decidam quais informações são pertinentes e como serão expressas no texto. planejando o que vai escrever e revisando o que foi escrito. convidando-os para vir à escola ver os belos desenhos e legendas produzidos pelos alunos após aprenderem sobre o modo de vida de um animal estudado em classe. MODELO DE ATIVIDADE: Ditado para o professor de um bilhete para os pais Objetivos n Escrever. n Duração: 40 minutos. Planejamento n Quando realizar: em qualquer momento. providencie alguns bilhetes que já foram lidos para os alu- nos: bilhetes enviados por você aos pais de uma criança ou ao professor de outra classe ou bilhetes enviados a você pelos pais. um bilhete incluindo todas as informações necessárias para que se garanta seu propósito. As crianças podem permanecer em seus lugares. 66 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . Encaminhamento n Antes da aula. n Controlar o ritmo do ditado considerando o escritor. Para saber mais sobre esta situação didática. n Utilizar comportamentos de escritor.

um aluno sugere iniciar o convite assim: PAIS. mas o grupo deve definir qual delas é a melhor. em seguida. UM EXEMPLO POSSÍVEL DE BILHETE: AOS PAIS E MÃES DO 1o ANO A VENHAM VER OS DESENHOS E LEGENDAS QUE FIZEMOS. Para outra. VOCÊS PODEM VIR ANTES DE COMEÇAR A AULA OU QUANDO TERMINAR A AULA. Outra criança considera que ficará melhor se escreverem QUERIDOS PAIS. mais vagarosamente. n Quando os alunos considerarem o texto terminado. proponha a revisão logo após a escrita (como se trata de um texto curto. discutam qual delas ficará mais interessante. peça que ditem para que você escreva na lousa (escreva exatamente o que foi dito pelos alunos). o que ainda falta escrever. considerando tudo que foi conversado nesses momentos iniciais. proponha que ditem o que deve ser escrito. n Depois dessa conversa inicial. porém. aparece a informação sobre quem o escreveu (espera-se que as crianças digam que a pessoa que escreveu sempre coloca seu nome no fim do texto)? Para que esse bilhete foi enviado? n Proponha uma nova discussão sobre as informações que deverão constar no bilhete que escreverão. Pergunte. é possível que a revisão ocorra na mesma aula): leia em voz alta e pergunte se acham que está claro e bem escrito. Pergunte também se falta alguma informação importante. n Para cada trecho elaborado oralmente e discutido pelo grupo. nesse bilhete. peça que outras sugiram opções e. n Quando determinado enunciado for sugerido por uma criança. interrompa algumas vezes a escrita para reler em voz alta aquilo que já foi escrito.n Antes de propor que iniciem o texto. considerando seu ritmo de escrita. VOCÊS VÃO GOSTAR MUITO! ASSINADO: ALUNOS DO 1o ANO A DATA: 24 DE ABRIL DE 2010 Guia de Planejamento e Orientações didáticas 67 . n Se ditarem rápido demais. Todas essas opções são possíveis. será melhor dizer AOS PAIS E MÃES DO 1o ANO A. leia alguns dos bilhetes que trouxe e discuta com os alunos: Para quem foi enviado? Como sabem disso? Quem o enviou? Como. n Enquanto escreve. então. Por exemplo. explique o que você já escreveu até aquele momento e peça que repitam.

ELES ESTARÃO NO MURAL QUE FICA NA FRENTE DA NOSSA CLASSE. até que uma delas resolve o problema sugerindo que se escreva “NO HORÁRIO DA SAÍDA” em vez de “QUANDO TERMINAR A AULA”. ficou assim: AOS PAIS E MÃES DO 1o ANO A VENHAM VER OS DESENHOS E LEGENDAS QUE FIZEMOS. VOCÊS VÃO GOSTAR MUITO! ASSINADO: ALUNOS DO 1o ANO A DATA: 24 DE ABRIL DE 2010 n Após essa alteração. ao reler.n Nesse exemplo. VOCÊS PODEM VIR ANTES DE COMEÇAR A AULA OU QUANDO TERMINAR A AULA. As crianças voltam a refletir sobre o que fazer. VOCÊS VÃO GOSTAR MUITO! ASSINADO: ALUNOS DO 1o ANO A DATA: 24 DE ABRIL DE 2010 n Terminada a revisão do que precisa ser alterado. 68 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . então. Após discutirem. incorpore as mudanças sugeridas e providencie cópias para que todos as alunos encaminhem o bilhete para seus pais. ELES ESTARÃO NO MURAL QUE FICA NA FRENTE DA NOSSA CLASSE. os alunos se deram conta de que é preciso incluir a informação do local onde os desenhos e legendas estarão afixados. NO HORÁRIO DA SAÍDA. O professor propôs então que decidissem onde incluir tal informação e como expressá-la. o professor indica que no trecho “VOCÊS PODEM VIR ANTES DE COMEÇAR A AULA OU QUANDO TERMINAR A AULA” a palavra AULA foi repetida e isso faz com que o texto não esteja tão bom. VOCÊS PODEM VIR ANTES DE COMEÇAR A AULA OU QUANDO TERMINAR A AULA. a produção ficou assim: AOS PAIS E MÃES DO 1o ANO A VENHAM VER OS DESENHOS E LEGENDAS QUE FIZEMOS. A produção final.

Comente a importância de ouvir os colegas. … houver alunos que se dispersam em atividades coletivas? Procure fazer com que os alunos que têm essa característica ocupem lugares mais próximos de você. levantando a mão quando tiver alguma ideia. escreverão cartas. perguntando-lhes o que acham de determinado enunciado sugerido pelo colega ou propondo que pensem numa forma de incluir a informação sugerida. Valorize sua contribuição. Algumas sugestões: n Bilhete pedindo ajuda aos pais para organizar o estojo dos alunos n Bilhete para convidar para uma festa na escola n Bilhete para comunicar uma reunião de pais n Bilhete para contar aos familiares aquilo que foi aprendido num projeto n Bilhete sobre os cuidados com um livro da biblioteca que foi levado para casa n Bilhete pedindo colaboração dos familiares num estudo No segundo semestre. nas situações de ditado ao professor. bem como seus destinatários. Variações da atividade Você pode variar os propósitos comunicativos desses bilhetes.O que fazer se … … muitos alunos falarem ao mesmo tempo? Relembre que é preciso respeitar a vez de falar de cada um. é possível propor novos desafios aos alunos: em vez de bilhetes. Algumas sugestões: n Carta para o autor de um livro lido em classe n Carta para a redação de uma revista sugerindo que publiquem uma matéria ou indicando um livro lido em classe n Carta para a diretora da escola solicitando a organização do recreio n Carta para colegas de outra escola ou classe n Carta a um colega que está faltando às aulas Guia de Planejamento e Orientações didáticas 69 .

é preciso um bom conhecimento sobre os diferentes gêneros textuais. escrever uma carta a uma autoridade. espera-se um modo mais formal de dirigir-se ao destinatário). que tal domínio não é suficiente para formar bons usuários da escrita. é uma excelente maneira de aproximar as crianças do universo da escrita. E é pela voz do professor que se começa a construir um leitor. num mundo marcado pelos textos de maneira tão complexa como o nosso. dependendo de seus objetivos em cada momento. ele pode escrever uma carta a um amigo e. ao dar voz aos textos. Por exemplo. deve escolher o melhor registro a utilizar em cada caso (no primeiro. pode escrever de maneira mais coloquial. antes mesmo de estar alfabetizadas. em seguida. É pela voz de um professor que as crianças se transportam ao mundo mágico da literatura. enquanto ainda não podem enfrentar os textos por sua própria conta. Saber ler e escrever envolve conhecer as maneiras mais adequadas de se expressar por escrito. O professor pode (e deve) oferecer-se como leitor em todos os momentos em que houver a necessidade ou o desejo de ter acesso a textos que. além disso. Ao 70 Guia de Planejamento e Orientações didáticas .Situações de leitura pelo professor Ler para as crianças desde o início da escolaridade é fundamental: é por meio dessa atividade que elas têm acesso à cultura escrita. os alunos ainda não conseguiriam ou teriam muita dificuldade de ler sozinhos. especialmente aqueles voltados à cultura da infância. É preciso que saiba como se organizam as cartas e. No entanto. permite não apenas que as crianças tenham acesso à história lida. é cada vez mais evidente. Já é sabido que o domínio do sistema alfabético de escrita é necessário para formar leitores e escritores autônomos. pois. O contato com textos literários. O fascínio que despertam nelas os contos tradicionais faz com que esse seja um canal privilegiado para garantir uma aproximação favorável entre os pequenos e o mundo dos livros. Também no caso da leitura. Bons leitores sabem a que textos recorrer. já na segunda situação. A leitura do professor não envolve apenas a leitura de textos literários e não se restringe às classes de crianças que ainda não leem autonomamente. considerando diferentes situações comunicativas em que um leitor pode se envolver. mas ao modo como cada um se organiza. autonomamente.

que trazem a vida em realidades muito diferentes daquela vivida pela criança que acompanha tais narrativas. As crianças aprendem sobre a leitura. sempre as mesmas. você torna concreto o que significa ler em toda a sua complexidade. além de propiciar uma experiência de construção compartilhada de significado: como o professor lê para um grupo de alunos. Pela leitura do professor. ao propor aos alunos a releitura de um trecho para esclarecer uma dúvida. é interessante que todas essas ações sejam assinaladas. é importante que você diga que fará isso e por que o fará. São ações realizadas por qualquer leitor (sem que se dê conta de que são estratégias para compreender melhor o texto). pensamento e voz. além de comunicar o que está escrito. O que os alunos aprendem nas situações em que o professor lê para eles Ao ler um texto para as crianças. Ler envolve uma determinada atitude. Como modelo de leitora. formando assim uma bagagem comum de vivências suscitadas pela leitura. as possibilidades da leitura do professor no sentido de promover a aproximação das crianças ao universo literário. compartilhando suas impressões. a experiência da leitura pode ser compartilhada.dar voz a determinado texto. mais detidamente. rechear a imaginação de seres maravilhosos. porque as letras “instruem” a voz para que se lhes diga exatamente na mesma ordem. por participarem de momentos em que você desvenda o mistério para elas. você pode também comentar a história com os alunos. Lê-se em determinado sentido (da esquerda para a direita. voltar a determinado trecho para esclarecer dúvidas sobre o que se lê adiante. de cima para baixo). em que as fronteiras geográficas se dissipam e é possível penetrar mundos distantes. ao realizá-las na presença dos alunos. que a cada dia ganha novos autores. as crianças entram em contato com um universo mágico. o professor garante que os alunos tenham acesso ao conteúdo e à forma como foi construído. em geral originados na tradição oral de diferentes povos. A rica literatura infantil. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 71 . Vamos nos restringir à leitura de contos para explorar. em todas as suas sutilezas. Por exemplo. uma forma de lidar com as páginas. ilustrações cheias de humor e desafios estéticos. convive com os contos tradicionais. pois os alunos necessitam que se diferencie o que é ler e o que é comentar o que foi lido. projetos editoriais inovadores. no entanto. reler trechos que considerou especialmente belos ou engraçados. as palavras são ditas a partir de determinado jogo de olhar. personagens encantados.

O vocabulário mais amplo e a forma de construir as orações. ao mesmo tempo em que se observam pequenos detalhes. Abrir as portas da imaginação. imaginando que isso possa gerar desinteresse. a literatura permite que as crianças. elas constroem estratégias que lhes permitam inferir o significado do que não se compreende. apaixonam as crianças e. Pela literatura. por meio da leitura que você faz. ardilosos. se diferenciam da linguagem oral. ao aproximá-las dessas narrativas curtas. se tiverem a oportunidade de ouvir várias narrativas. Existem diversos tipo de contos. você ofereça também modelos de organização para o discurso delas. para apresentar as falas dos personagens. que se diferencia daquele que se usa no cotidiano. como se vê a seguir. em geral. diferenciando-as daquilo que foi apresentado pelo narrador. para descrever personagens e cenários. próprios aos textos escritos. conheçam seus personagens e vivam com eles todos os eventos que a compõem. as crianças aproveitam tais sobrevoos por uma linguagem mais rebuscada e. usando o próprio contexto da história para ajudá-las. passam a ser familiares aos alunos. em apresentar os termos difíceis presentes nos contos. ampliando assim suas possibilidades de organizar em relatos aquilo que vivem em seu dia a dia. por parte dos professores. A experiência mostra que. E entre eles. de maneira descontextualizada. Não é necessário ensinar as crianças. também. permite que tenham acesso à história. belos. as crianças têm a oportunidade de acessar um novo modo de construir a linguagem. há aqueles que consideramos mais adequados para a faixa etária em questão. Os escritores utilizam recursos para indicar a passagem do tempo. Como qualquer leitor. ingênuos. enriquecendo assim seus conhecimentos de outras épocas e lugares. bondosos. Todos esses recursos. criam recursos para lidar com as palavras difíceis. esse encadeamento é observado implicitamente. ampliar olhares para grandes aventuras. encantadores. ao contrário. Ao ouvir histórias. propiciando novas experiências linguísticas para os pequenos. aterrorizadores. corajosos. engraçados. malvados. as partes que compõem um conto. É interessante que. permitindo que cada evento se relacione aos demais de maneira compreensível. por meio da leitura feita por você os alunos têm a oportunidade de conhecer os recursos textuais utilizados pelos autores para organizar as diferentes partes da história no tempo. pois. além de colocar as crianças em contato com determinado gênero textual. Há um receio. Além de conhecer a história. assim como os adultos. incluam em seu cotidiano o encantamento das histórias.Quando você dá voz a um texto que as crianças não teriam condições de ler sozinhas. as crianças entram em contato com realidades distintas que lhes permitem relativizar seu próprio modo de vida. recheando-a de seres mágicos. mais presente nas conversas cotidianas. Os contos clássicos. 72 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . onde pode estar escondido o mistério. tão conhecidos de todos.

Guia de Planejamento e Orientações didáticas 73 . Os contos de repetição. criando uma lista cada vez mais longa. levando a melhor. São histórias que criam momentos em que o grupo de alunos recita em coro os trechos que se repetem. Os contos de enganação (ou contos de esperteza) envolvem histórias engraçadas. Perrault e Andersen são os contadores que colocaram por escrito essas histórias repetidas de geração a geração. pois permite lidar melhor com algumas das vivências internas infantis. elas sabem exatamente o que será dito em cada novo encontro. novos personagens. livros que constam dos acervos do MEC enviados às escolas. a cada vez. geralmente têm uma trama envolvente. são exemplos desses contos. Só um minutinho: um conto de esperteza num livro de contar (contado por Ana Maria Machado. Nesse sentido. é um exemplo. que faz parte de um dos acervos que o MEC enviou às escolas. aquele que engana é o mais fraco e lida com outro personagem que aterroriza por sua força). cada novo personagem que aparece na história é acrescentado aos que vieram anteriormente. um desafio à memória dos alunos que se divertem ao conseguir repetir toda a sequência de personagens. ou seja. Isso contradiz o que inicialmente se apresenta (em geral. A rígida separação entre o bem e o mal é uma fonte de tranquilidade. nesses contos. em que um dos personagens consegue enganar outro. frequentes entre os contos que têm origem na tradição oral. fontes de angústia e medo. com ilustrações de Yuyi Morales). O urso que queria ser pai (de Wolf Erlbruch) e O macaco danado (de Julia Donaldson e Axel Sheffer). uma missão ou vários desafios que não só ajudam a construir o imaginário como também ampliam o repertório dos alunos com relação às formas que os autores usam para prender a atenção dos leitores. as crianças começam a diferenciar esses dois níveis das narrativas. Os contos de acúmulo.como descrito pela psicanálise. aqueles em que um evento ou fala se repete durante toda a história. Ao perceber que o personagem diz algo. Essas histórias são interessantes porque permitem explicitar às crianças que. São histórias engraçadas em que a malandragem do personagem principal conquista a audiência por sua leveza e capacidade de se safar de apuros. também compartilham com os contos de repetição os eventos que se repetem ao longo da narrativa. um conflito. nos contos. envolvendo. chamam a atenção das crianças exatamente pela possibilidade de antecipar o que virá a seguir. No entanto. ajudam-na a lidar com diferentes sentimentos infantis. Pela repetição. os irmãos Grimm. há uma diferença entre as ações dos personagens e suas intenções. Além disso. mas o faz para enganar o outro.

buscar selecionar. favorecer que os alunos construam um repertório amplo de boas histórias. os personagens e cenários. misteriosas ou líricas). Mesmo considerando a importância da formação das crianças. Da mesma forma.Todas essas histórias convivem com uma infinidade de possibilidades. j escutar atentamente. de autores atuais. mesmo que traduza valores muito prezados atualmente (a defesa da natureza. também estão escritas de maneira interessante. conseguir relacionar as ilustrações com trechos da história. em que diferentes autores e ilustradores abordam. j antecipar significados de um texto escrito a partir das imagens/ilustrações que o acompanham ou marcadores característicos de cada gênero. não é interessante escolher livros pela “mensagem moral” que a história carrega. Os contos modernos. no meio dessa grande oferta. livros mais modernos. Ao selecionar os livros que serão lidos. É preciso evitar os textos em que a linguagem é empobrecida. relembrar trechos. estão cada vez mais próximos dos pequenos leitores. das minorias raciais ou os direitos das pessoas com necessidades especiais. o mais importante é buscar boas histórias. que além de contarem com um bom enredo (são engraçadas. A atividade permite desenvolver as seguintes habilidades: j apreciar a leitura e comentar suas preferências. para aproximar as crianças da literatura. Expectativas de aprendizagem abordadas Essa situação didática favorece avanços dos alunos relacionados ao seguinte objetivo: apreciar textos literários. no entanto. é importante que você tenha em mente que. 74 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . pois é lidando com um vocabulário mais rico que as crianças realmente ampliarão suas possibilidades linguísticas. fazer comentários sobre a trama. diferentes questões relacionadas aos interesses e vivências da infância. aqueles que se mantêm comprometidos com a produção de uma literatura de qualidade. não é possível colocar tais ensinamentos como critério de escolha mais importante do que a qualidade literária (tanto do texto quanto da imagem): tal procedimento compromete o objetivo principal dessa proposta. É preciso. por exemplo). tenham oportunidade de apreciar um livro bem escrito (do ponto de vista literário) e aprendam os diferentes elementos e possibilidades que compõem as narrativas. de maneira bem-humorada. ou seja.

fazendo interrupções ao longo da atividade. Acompanhar a leitura do professor – dicas Não é preciso ensinar as crianças a gostar de ouvir histórias. é mais fácil aos alunos compreender a relação entre os personagens e os diferentes fatos que ocorrem. Se. j emitir comentários pessoais e opinativos sobre o texto lido. para. No início. os alunos aprendam a observar as ilustrações das histórias. Como há poucos eventos e estes se organizam de maneira simples. no final. Já nos referimos ao fato de que um vocabulário rico é necessário para que as crianças tenham um contato mais interessante com a linguagem dos contos. j recontar histórias conhecidas recuperando algumas características da linguagem do texto lido pelo professor. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 75 . ele a conta do seu ponto de vista). mas com o tempo tendem a ganhar qualidade. Considerar isso convive com escolher. inicialmente. recu- perar trechos da história usando expressões ou termos do texto escrito.j conseguir recontar uma história que ouviu mantendo uma sequência. é interessante convidar as crianças a comentarem o que veem e relacionarem àquilo que foi lido. como ocorre nas histórias de repetição ou acúmulo. É preciso iniciar pelas histórias com enredos mais fáceis. ou ler tudo e. Após a leitura. mostrar todas as ilustrações de uma vez). pois isso é natural para elas. ao longo do ano é importante trazer histórias em que aquele que conta é um dos personagens da história (ou seja. É importante também que. também. é interessante trazer contos em que o narrador não se mistura àquilo que acontece. num primeiro momento. Para tanto. tais comentários são bastante simples. explicando também por que o escolheu. como fazer os seus próprios comentários sobre o livro. No entanto. Os personagens. histórias com tramas lineares. introduzir tramas mais elaboradas e mais longas. alguns cuidados podem ser considerados ao introduzir a leitura do professor como parte da rotina da sala de aula. Ele tanto pode fazer perguntas que permitam aprofundar o que os alunos disseram inicialmente. o professor pode combinar como fará para que elas tenham acesso às imagens (isso pode ocorrer antes de virar a página. Nesses momentos. ao longo de sua participação em situações de leitura pelo professor. relacionando-as àquilo que foi contado. são bem caracterizados. aos poucos. evitando ambiguidades que poderiam confundir as crianças. é importante que os alunos sejam convidados a dizer o que pensaram ou sentiram a partir da história. especialmente se contarem para isso com intervenções do professor.

Por isso. Se não tiverem oportunidade de entrar em contato com as dificuldades da leitura. pois isso permite que antecipem o momento da leitura) é condição para que as crianças realmente se aproximem da linguagem escrita utilizada nesses textos. recomenda-se que o professor prepare com antecedência aquilo que será lido. o que inclui enfrentar um vocabulário mais amplo do que aquele usado no cotidiano. é preciso que a leitura do professor seja uma boa leitura. Garantir. uma escolha em que se considere a qualidade do texto. Para garantir o bom envolvimento dos alunos. Corre-se aí o risco de propor livros de pouca qualidade literária. os alunos não aprenderão a ler. Se o professor quiser. A leitura prévia do professor também garante que tal critério se cumpra. conhecerão as regularidades desses textos a aprenderão a lidar com as dificuldades que a leitura muitas vezes coloca. para que possa desempenhar com qualidade seu papel de modelo de leitor. em que a temática ou o modo como o texto é construído é o os mais adequado. antes do momento de ler. É comum. a atividade pressupõe que o texto seja lido e não há possibilidade de substituir tal leitura por uma criação do professor. a atividade cumprirá seus objetivos se a escolha dos livros for. É preciso ler aquilo que está escrito. pelo menos. 76 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . inclusive aqueles que são trazidos de casa. é importante que. Outra questão importante a considerar é a fidelidade ao que é lido. em alguns momentos. mesmo que nesta situação se conte com o livro como apoio (com as imagens). buscando contemplar as escolhas dos alunos. durante a semana. mesmo que fiel ao texto lido. vários momentos em que se lê para os alunos (de preferência no mesmo horário todos os dias. a postura e o ritmo contribuam para dar vida ao texto. tal momento deve ser uma situação de leitura. não se deve esquecer que a responsabilidade pelo repertório de histórias conhecidas pelos alunos é do professor. Por fim.Condições didáticas para as situações de leitura do professor Em primeiro lugar. é importante que a leitura do professor tenha espaço garantido no dia a dia: é pela frequência que os alunos aprenderão a ler (mesmo que por meio da leitura do professor) contos. avalie. realizar tais encaminhamentos. Porém. em que o tom de voz. sem omitir trechos ou palavras por considerá-las difíceis para as crianças. se o livro trazido é realmente indicado para ser compartilhado entre todos. antes de tudo. Além disso. Para que cumpra sua função de aproximar as crianças do universo dos textos escritos. priorizar livros escolhidos pelas crianças. não se confunde com contar oralmente uma história.

volume 1. n Familiarizar-se com algumas das características dos contos. durante a leitura. só devem interromper se houver dúvidas em relação à história. Com essa informação você terá a oportunidade de compartilhar com as crianças os critérios de escolha que usa para selecionar suas leituras. Encaminhamento n Antes da aula. Se houver palavras que você julgue que serão mais difíceis. n Explique a atividade: você lerá um conto. os alunos podem estar em seus lugares ou organizados num círculo. n Informe o título e explique o motivo que levou você a escolher aquela história. no chão. informe-se sobre seu significado. n Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. Explique que. n Duração: 15 minutos. n Conhecer uma nova história. páginas 63 e 79 a 86.Para saber mais sobre esta situação didática. MODELO DE ATIVIDADE: Leitura de conto pelo professor Objetivos n Acompanhar a leitura realizada pelo professor. incluindo a apreciação que faz da história. leia o texto várias vezes para aprimorar sua leitura e anteci- par possíveis dificuldades dos alunos. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 77 . n Que materiais são necessários: o livro que será lido por você. Planejamento n Quando realizar: é interessante que a leitura de contos pelo professor ocor- ra diariamente. leia também o Guia de planejamento e orientações didáticas – Professor alfabetizador – 2o ano.

evitando assim que as crianças percam a sequência da narrativa. proponha que voltem aos seus lugares. Se for uma história em que ocorram repetições (como ocorre nos contos de acúmulo ou de repetição). somos capazes de inferir o significado da palavra. ou seja. de fruição. n As interrupções que você propõe ou são solicitadas pelos alunos não devem ser frequentes nem longas.. O que fazer. se os alunos perguntarem pelo significado de palavras que não conhecem? É comum não sabermos o sentido de algumas palavras durante a leitura de um texto... n Leia até o final e. você pode realizar pequenas interrupções para que as crianças digam o que acham que acontecerá. os autores. as crianças não as percebem como momentos prazerosos. indicando onde está escrito o título. É importante que as crianças vivam a leitura de histórias como uma atividade que tem interesse em si mesma. mostre o sumário e também a página em que se encontra aquele que será lido. Essa é uma estratégia de leitura que você pode ensinar a seus alunos. mas isso não costuma ser um empecilho para compreender a leitura. descobrir o que ela quer dizer. Tal momento é interessante para instigar a curiosidade das crianças e para que aprendam a realizar antecipações dos textos que leem. buscando favorecer que os aprofundem. n Proponha que imaginem sobre o que tratará o conto. mas com o tempo. pelo sentido da frase em que está. com sua ajuda e os comentários dos colegas. mas como preparação para realizar outras propostas. n Leia a história. Se em todos os momentos lhes é solicitado que façam outras atividades a partir da leitura. . favorecendo que as relacionem às diferentes partes da história e aos personagens. Se for um livro que reúne vários contos.n Antes de iniciar a leitura. essas apreciações tendem a se tornar mais interessantes. incentive as crianças a repetir em voz alta esses trechos. “De que parte mais gostaram e por quê?” Procure explorar esses comentários com novas perguntas. De tempos em tempos. Não é necessário propor atividades de reconto. propondo perguntas como “O que vocês acharam?”. Em geral.. mostre a capa do livro. é legal”. Sempre que perguntarem o 78 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . n Terminada a leitura. n Finalize a leitura propondo que os alunos comentem suas impressões do texto. em seguida. A primeira reação das crianças é dar respostas pouco elaboradas como “Eu gostei. mostre aos alunos as ilustrações (se houver). ilustradores e editora. desenhos sobre a história ou dramatizações.

releia a frase completa. e só então realize esse encaminhamento.. . lidos ao longo de uma semana. se houver alunos que se dispersam em atividades coletivas? Procure fazer com que os alunos que têm essa característica ocupem lugares mais próximos de você. pois tornaria a atividade longa demais e contribuiria para dispersar a atenção dos alunos. . mas que sejam abrangentes. Qual a passagem que julgaram mais bonita (ou engraçada. ou triste)?” Levante sempre questões relacionadas ao conto. em alguns momentos. n Após a leitura de alguns contos. “Gostariam de reler algum trecho do conto? Por quê?”. proponha que levantem os significados possíveis e analisem se “combinam” com a passagem lida. evite interrupções seguidas. que prejudicam a atenção à leitura. Avalie se o trecho que está lendo permite esse tipo de inferência. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 79 . mas de propiciar que.que quer dizer uma palavra. A consulta ao dicionário (com sua ajuda). a partir de suas impressões pessoais. Variações da atividade n Procure escolher diferentes tipos de contos. No entanto. Não se trata de avaliar a compreensão das crianças em relação à história. se coloquem sobre o conto. para estimular a conversa entre os alunos após a leitura? Proponha perguntas diretas: “Do que gostaram na história?”.. proponha uma votação da história que gostariam de ouvir novamente. variando histórias mais tradi- cionais com os contos de autores atuais. não é uma alternativa interessante. nesse caso. proponha que as crianças os explorem livremente.... Na maioria das vezes será melhor informar o significado da palavra. n Deixe os livros lidos num cantinho especial da sala e. explicitando de que maneira este as envolveu. procure chamar sua atenção com comentários sobre passagens interessantes da história.

Após a leitura. n Varie o local de leitura: na classe. as diferentes possibilidades podem ser comparadas à história lida. na biblioteca. num espaço aberto próximo à escola. 80 Guia de Planejamento e Orientações didáticas .n Antes da leitura. mostre todas as imagens de um livro ilustrado para que os alunos tentem antecipar a história. no pátio.

PROJETO DIDÁTICO Brincadeiras tradicionais Guia de Planejamento e Orientações didáticas 81 .

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e que nos transmitiram. Existe também um tipo de classificação que se encontra na memória de cada um de nós: são aqueles jogos que nossos pais e avós brincaram na infância. hoje assistimos a um esvaziamento da presença da infância nesses espaços. individuais. Jogos que não foram tirados de livros nem ensinados por um professor. Coloca-se. Crianças brincam e.. porque as ruas foram tomadas pelo tráfego de veículos.crmariocovas. 3 Adriana Friedman. Os jogos que aconteciam na rua. quando diferentes idades se associavam para compartilhar momentos de diversão sem outra finalidade do que a de realizar um jogo. por tipo de estímulo. Estes são os Jogos Tradicionais. praças e parques eram o cenário mais comum dessas atividades. vivemos um momento em que o brincar. e parques e praças não são mais visitados por grupos de crianças sem a companhia dos pais. a necessidade de refletir a respeito da falta que o brincar em grupo representa na formação das crianças contemporâneas. http://www. tal como era concebido. dentro de casa ou no recreio da escola. Além disso.Por que realizar um projeto de resgate das brincadeiras tradicionais “Existem inúmeras relações de jogos. na praça. como se brincar fosse uma consequência imediata dessa etapa da vida..br/pdf/ideias_07_p054-061_c. no parque. pela utilização ou não de objetos etc. é importante considerar que tais atividades são.pdf Guia de Planejamento e Orientações didáticas 83 . hoje sabemos. tem sofrido transformações relacionadas às mudanças sociais. Sem entrar na discussão dos ganhos ou perdas resultantes dessa dedicação às diversões citadas. Jogos tradicionais.”3 É comum associarmos a infância ao brincar. No entanto. a facilidade de acesso a computadores. na grande maioria das vezes. então. em que estes são classificados por faixa etária. televisão e jogos eletrônicos permite que estes ocupem grande parte do tempo livre dos pequenos. é saudável que o façam por inúmeros motivos. em que espontaneamente as crianças aprendiam umas com as outras.gov.sp. pela origem. em que a rua. mas sim transmitidos pelas gerações anteriores à nossa ou aprendidos com nossos colegas. Se em algum momento a brincadeira coletiva era a mais comum. por área de desenvolvimento.

do que possibilitar o brincar junto com outros. durante a brincadeira. É nesse contexto. jogos de bola) ou intelectuais (cartas. Gisela Wajskop. o resgate dos chamados jogos tradicionais. perguntam e refletem sobre as formas culturais nas quais vivem e sobre a realidade circundante. desenvolvendo-se psicológica e socialmente5”.Os conhecidos jogos de regras. a cultura.org. define-se por uma maneira que as crianças têm para interpretar e assimilar o mundo. brincadeiras enfim que a memória nos aguça.asp 6 Idem citação anterior. ‘Jogo da Amarelinha’. que se definem como “combinações sensoriomotoras (corridas. a memória. que ao brincar as crianças exploram. são interessantes exercícios de socialização. ‘Mamãe. a imaginação. são importantes maneiras de inserir as crianças nos valores de seu meio social. os objetos. ‘Mãe da Rua’. É sabido. ‘Polenta’. Obedecer às regras não tem outro motivo. 84 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . foi por meio das brincadeiras tradicionais tais como ‘Senhora Dona Sancha’. pois a partir das “brincadeiras podem desenvolver-se algumas capacidades importantes.ar/infanciaenred/elgloborojo/globo_2008/proyectos-jugados/noviembre/03. nesse caso. Também é inegável considerar que o brincar é uma importante fonte de desenvolvimento individual. que a competição se alia à cooperação. através da interação e da utilização e experiência de regras e papéis sociais. coloca que “do ponto de vista histórico. É ainda a mesma pesquisadora que nos chama a atenção para a principal característica do brincar: “O brincar. tais como: a atenção. as 4 Idem. válidas também para todos. Além disso. pelo simples prazer proporcionado pela atividade lúdica. xadrez) com competição dos indivíduos e regulamentados por um código transmitido de geração a geração (jogos tradicionais). considerados como construções da cultura. a imitação. no texto citado acima. 5 Gisela Wajskop. e necessárias para o exercício da brincadeira. Filhinha’. Amadurecem também algumas competências para a vida coletiva. “Brincar como Conteúdo de Ensino” http://www. ou por acordos momentâneos (em que as regras são combinadas e recombinadas a cada jogada)4”. numa perspectiva sociocultural. que crianças a partir de 5 ou 6 anos iniciam a vivência do respeito aos companheiros (da própria equipe e dos adversários). que desafios são colocados e elas buscam superar a si próprias. na medida em que implicam em ações limitadas por regras acordadas por todos. que as crianças foram sendo inseridas na cultura geral humana por meio do exercício do faz de conta e da compreensão dos valores e atitudes impregnados em cada brincadeira6”. enfim.educared.

longe de implicar numa sobrecarga curricular. brincam. pois os mesmos jogos aprendidos em classe podem se tornar alternativas de atividades para a hora do recreio. sem adentrá-lo como partícipe responsável7”. pelo fato de nascermos crianças. Tal possibilidade. desde sempre.br/pesquisa/publicacoes/ cp/arquivos/742. “O brincar na educação infantil” retirado de http://www. com sua moral. Por causa disso. permite que nós. que também é um comportamento aprendido: “Para o ser humano. se consideramos que brincar é quase “natural” à criança. realizam registros dos jogos aprendidos e de como os avaliaram. transformou-se no espaço característico da infância para experimentar o mundo adulto. Compensa-se assim a perda dos espaços tradicionalmente ocupados pelas brincadeiras das crianças. No entanto. Os jogos ensinados e aprendidos nos introduzem na cultura. cuja organização em campos diferenciados.pdf 8 Maria Borja Sole. destinados aos materiais utilizados em cada brincadeira e à explicação das regras necessárias para brincar.org. O que aprendemos são as brincadeiras. por outro lado.relações e os afetos das pessoas. uma capacidade natural que não se aprende. configurando a escola como espaço possível para essa atividade. é preciso ter claro. que os alunos terão possibilidade de organizar autonomamente. Algumas propostas envolvem a leitura de textos especialmente elaborados para que as crianças aprendam determinado jogo. seus valores e formas de entender o mundo8”.asp Guia de Planejamento e Orientações didáticas 85 . O resgate das brincadeiras infantis e a aprendizagem da língua Ao longo deste projeto. e. educadores. claro. resgatemos nosso papel de promotores da sociabilidade dos alunos.fcc. São textos instrucionais.ar/infanciaenred/elgloborojo/globo_2009/proyectos-jugados/abril/01. já que nos é dada desde a concepção. “¿Qué es el juego humano? Capacidad. permitem 7 Gisela Wajskop. jogar foi. os alunos poderão desenvolver diferentes habilidades relacionadas ao domínio da língua portuguesa. que alternará situações em que as crianças aprendem diferentes brincadeiras.educared. Propor um projeto que resgate o repertório de brincadeiras tradicionais de nossa cultura é possibilitar que as crianças vivenciem benefícios decorrentes do brincar. ao favorecer a construção de um repertório de brincadeiras que contribui para seu enriquecimento cultural e amplia suas possibilidades de interação. necesidad. conversam sobre os desafios envolvidos em cada uma. derecho” retirado de http://www.org.

relacionadas à linguagem oral. ocupan- do seu turno de fala adequadamente. em sua maioria. como se sabe. aprendem brincadeiras diferentes. As atividades voltadas ao avanço das crianças em relação aos conhecimentos sobre o sistema de escrita propostos no projeto foram planejadas considerando a necessidade de que as crianças aprendam sobre as letras ao mesmo tempo em que observam e compreendem algumas das funções da linguagem escrita. serão encaminhadas a partir do relato de pessoas especialmente convidadas para ensinar às crianças os jogos que brincavam na infância (isso pode envolver familiares dos alunos. Ler. realizadas pelo professor. a partir da escuta atenta. a maneira de brincar dos jogos e suas impressões sobre eles. Expectativas de aprendizagem Comunicar-se no cotidiano n Expressar oralmente seus desejos. sentimentos. Nesse momento. n Escutar atentamente o que os colegas falam. Outras propostas.que as situações de leitura. O fato de estarem inseridas em situações em que o aprender a brincar e o registro das impressões da turma sobre a brincadeira orientam a ação favorece uma aproximação significativa desse sistema. funcionários mais velhos da escola ou outros membros da comunidade onde está inserida a escola). para a elaboração do produto final. tenham objetivos claros. Além de desempenhar o papel de leitoras e ouvintes. as crianças participarão como ouvintes que. ou seja. por escrito e por meio de desenhos. No que se refere à aprendizagem do sistema de escrita. ideias e pensamentos. implica valorizá-los como fontes de conhecimento e aproxima-os da vida escolar. respeitando opiniões. o aprender a escrever faz sentido e pode se dar de maneira contextualizada. dos textos e de seus usos. 86 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . já que passam a ser vistos como colaboradores do trabalho desenvolvido. ainda que não convencionalmente n Localizar palavras num texto que sabem de memória ou sobre o qual con- tam com muitas informações (texto instrucional de regra de jogo). as crianças também produzirão linguagem: registrarão oralmente. diversas situações serão propostas. Favorecer a participação dos familiares. a leitura justifica-se porque permite aprender a brincar.

para escrever em situações de prática social. os alunos se encarregarão de ensinar a outra Guia de Planejamento e Orientações didáticas 87 . Além do modo de brincar. nas fichas também constarão o título da brincadeira e desenhos acompanhados de legendas. j além disso. em que preencherão infor- mações básicas (número de crianças que brincam. n Antecipar significados de um texto escrito. Produto final Os produtos finais sugeridos são os seguintes: j as crianças produzirão fichas das brincadeiras.). ingredientes de uma receita.n Localizar um nome específico numa lista de palavras do mesmo campo se- mântico (nomes. n Arriscar-se a escrever segundo suas hipóteses. peças do jogo etc. listas diversas etc. n Produzir listas em contextos necessários a uma comunicação social. como a lista de brincadeiras preferidas etc. Uso de texto fonte para escrever de próprio punho n Recorrer ao alfabeto exposto na sala. Produzir textos escritos ainda que não saiba escrever convencionalmente n Usar conhecimentos sobre as características estruturais dos bilhetes e dos textos instrucionais ao produzir um texto. Todo esse material será enviado à biblioteca da escola para que outras crianças ou professores possam consultar quando quiserem ideias de brincadeiras. Conhecer diferentes gêneros textuais n Antecipar significados de um texto escrito a partir das imagens/ilustrações que o acompanham ou marcadores característicos dos textos instrucionais (regras de jogos). objetivo do jogo e materiais utilizados). O modo de brincar será feito por meio de textos ditados ao professor ou utilizando os textos do material de apoio. n Ler legendas ou partes delas a partir de imagens ou outros índices gráficos. ditando ao professor. em pequenos grupos e num evento especialmente organizado (uma “tarde de brincadeiras”). quadro de presença.

Atividade 2E: leitura de texto instrucional para confecção de um brinquedo e escrita em duplas de uma das instruções. Atividade 1C: elaboração de convites aos familiares que queiram ensinar uma das brincadeiras aos alunos. com análise coletiva. Como se vê. Atividade 2D: leitura de texto instrucional para confecção de um brinquedo. se a escola comportar esse ciclo. Atividade 2C: desenho e legenda em duplas da brincadeira aprendida na aula anterior. Atividade 1B: preparação de entrevistas sobre brincadeiras conhecidas dos familiares. Organização geral do projeto Etapas Atividades e materiais Atividade 1A: apresentação do projeto. de uma das séries posteriores). de outra sala de primeiro ano. Atividade 2A: escrita do título de uma brincadeira. Material: papel pardo para cartaz das etapas. de Adelsin (Anexo 2). Atividade 2B: leitura do professor das regras de uma nova brincadeira. de Adelsin (Anexo 3). Material: cópias das instruções retiradas do livro Barangandão arco-íris. ou ainda.classe algumas das brincadeiras aprendidas (os convidados podem ser da Educação Infantil. Material: letras móveis. Material: regra da brincadeira (Anexo 1). a elaboração dos produtos finais implicará acionar conhecimentos tanto relacionados à linguagem escrita quanto à oralidade. Etapa 1: Apresentação do projeto e do produto final Etapa 2: Aprender brincadeiras a partir da leitura do professor 88 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . Material: cópias das instruções retiradas do livro Barangandão arco-íris. Material: lista de brincadeiras.

Atividade 3D: ditado ao professor da brincadeira aprendida com um dos convidados. Material: letras móveis. Etapa 4: Preparação dos produtos finais Etapa 1 Apresentação do projeto e do produto final Nas atividades iniciais. além de falar. Como envolve um tema muito querido das crianças. estão previstos momentos de brincar. quando colocarão em prática o que aprenderam. Atividade 4C: ensaios para a “tarde de brincadeiras”. Material: lista das brincadeiras aprendidas. Atividade 3B: ditado para o professor das opiniões a respeito da brincadeira. Atividade 3C: escrita em duplas de uma das regras da brincadeira (letras móveis) e desenho do jogo. A importância dessa etapa é garantir a adesão de todos e seu compromisso de partilhar a responsabilidade pelas atividades que serão realizadas. é importante explicar que. Atividade 4A: escolha da brincadeira que será apresentada pelos alunos.Etapa 3: Aprender novas brincadeiras a partir do relato oral de diferentes convidados Atividade 3A: aprender uma brincadeira a partir do relato de um convidado. Material: cópias das fichas de brincadeiras. Atividade 4B: escrita da ficha de uma das brincadeiras aprendidas. necessárias para que o produto final se concretize. compartilha-se com os alunos o tema do projeto (as brincadeiras tradicionais). o produto final em função do qual todos trabalharão e as etapas para alcançá-lo. ouvir. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 89 . ler e escrever sobre brincadeiras.

Observe se há brincadeiras conhecidas apenas por parte dos alunos (ou por um deles). 90 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . escreva seu nome num cartaz que servirá para que todos possam acompanhar o que já foi realizado e o que ainda falta fazer para chegar à elaboração do produto. vão brincar também para avaliar se são divertidas ou não. n Pergunte então às crianças quais as brincadeiras que conhecem. Planejamento n Quando realizar: no início do projeto de brincadeiras tradicionais. Esse cartaz procura garantir que todos controlem o andamento do trabalho. Faça uma lista a partir das sugestões dos alunos. n Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. n Duração: 40 minutos.Atividade 1A: Apresentação do projeto Objetivos n Mobilizar os alunos para a realização do projeto. Encaminhamento n Inicie a aula explicando o trabalho que será desenvolvido: aprenderão di- versas brincadeiras a partir de leituras feitas pela professora e pelo relato de alguns convidados. n Antecipe cada uma das etapas necessárias ao trabalho. n Leve os alunos ao pátio ou a outro espaço adequado e proponha que brinquem. É interessante escolher uma brincadeira que você também conheça para que possa ajudar a explicar as regras aos demais. n Compartilhar algumas brincadeiras conhecidas. é importante que você. Enquanto descreve cada uma. n Que materiais são necessários: folha grande de papel pardo para elaboração de cartaz com as etapas do projeto. Para que isso realmente ocorra. n Explique também qual será o produto final: vão escolher as melhores para reunir em fichas que serão encaminhadas à biblioteca da escola. ao longo das atividades previstas. volte a ele para avaliar o que já foi feito e aquilo que ainda falta fazer. Os alunos permanecem em seus lugares. explicando os produtos fi- nais e cada uma das etapas. Proponha a um dos alunos que ensine aos colegas uma dessas brincadeiras.

n É importante. n Utilizar indícios que permitam a leitura dos itens de uma lista. proponha uma conversa sobre o jogo. especialmente aqueles gerados pela com- preensão equivocada de alguma das regras. Esse é um importante indicador de que o projeto está cumprindo um de seus objetivos: o de ampliar o repertório de brincadeiras conhecidas dos alunos e de opções para realizarem juntos em seus momentos livres. n Que materiais são necessários: cópias da atividade. n Explique a atividade: vão levar para casa uma lista com algumas brincadeiras antigas. se foi possível aprendê-lo. porém próximos. ajude as crianças: j a entender melhor alguma regra que não tenha sido bem compreendida. Devem perguntar aos familiares se conhecem cada uma dessas Guia de Planejamento e Orientações didáticas 91 .n Enquanto essas atividades ocorrem. que tipo de habilidade é preciso desenvolver para brincar. n Como organizar os alunos: em quartetos. à medida que novos jogos são aprendidos. que os alunos os considerem como opções para serem realizados nos momentos de recreio. se poderiam brincar em outro momento. providencie cópias da atividade e organize os quartetos ga- rantindo que seus integrantes se encontrem em momentos diferentes. Atividade 1B: Preparação de entrevistas sobre brincadeiras conhecidas dos familiares Objetivos n Preparar-se para realizar uma entrevista com os familiares. n No final da atividade. Encaminhamento n Antes da aula. Os alunos devem avaliar se ele é divertido. Planejamento n Quando realizar: antes de propor a lista de brincadeiras aos familiares. em relação à leitura. n Duração: 50 minutos. j a resolver conflitos entre elas.

já que se repete somente no nome da brincadeira PASSA-ANEL. Que pistas podem usar para localizar essa brincadeira? Que letras devem aparecer? Deixe que pensem em possibilidades. Para isso. numa ordem diferente daquela que está escrita. todos os nomes dos jogos representados. também. n Diga todos os jogos que compõem essa lista. j É importante garantir que as crianças cheguem à brincadeira usando pistas relativas à escrita (uma letra. precisam saber o que está escrito em cada item. trata-se de propor que os alunos. saber que a presença do P em PASSA-ANEL indica que a brincadeira ali escrita guarda semelhança com o início do nome da colega PAULA. Para isso. que todos saibam quais são os outros jogos da lista. Por exemplo. como já foi assinalado. porém sem saber onde está escrito cada um (nesta atividade de leitura. ajude-os a localizar coletivamente um dos jogos. ajude-as a considerar as pistas escritas para localizar as brincadeiras fazendo perguntas como: “Com que letra começa DURO ou MOLE? E como termina?” n Ajude-as. Espera-se que os alunos saibam. n Reproduza no quadro a mesma lista que será entregue a eles (ver sugestão na página seguinte). faça perguntas como: “É verdade que POLÍCIA E LADRÃO começa com P. n Enquanto trabalham. para poderem procurar cada um entre os itens da lista. de maneira geral. discutirão com os colegas indícios que permitam identificar cada um dos jogos. procure favorecer que a criança explique no que pensou para sugerir uma ou outra pista. descubram onde se encontra cada um). Em cada caso.). utilizando essa letra como indício. n Quando identificarem onde está escrito PASSA-ANEL. caminhe entre as crianças.brincadeiras e marcar somente aquelas que são conhecidas. j Algumas crianças podem usar os nomes dos colegas para identificar determinadas letras presentes nos nomes das brincadeiras. mas como fazer para não confundir com PASSA-ANEL. proponha que discutam nos grupinhos como farão para descobrir onde estão escritos os nomes das outras brincadeiras. Como vocês farão para não confundir as duas?” 92 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . proponha que procurem o jogo PASSA-ANEL. Fique atento às sugestões dos alunos e confirme as corretas. Como são as crianças que perguntarão sobre cada brincadeira da lista. n Para que fique mais claro. a escolher pistas que ajudem a verificar se determinado jogo está escrito naquele lugar. a extensão do nome etc. por exemplo. j Outras podem identificar também o som do S no meio da palavra. que também se inicia por essa letra?” ou “ALERTA e MAMÃE POLENTA terminam com a mesma letra. É necessário. sabendo os jogos que constam da lista.

lendo-a em voz alta.n Com essa atividade. n Proponha então que levem a lista para casa. Tal situação favorece a ampliação dos conhecimentos sobre o sistema de escrita enquanto propõe a construção de estratégias de leitura tais como a antecipação do que pode estar escrito (isso ocorre quando a criança diz “Aqui deve estar escrito PASSA-ANEL porque começa com P”) e a verificação do que leram (isso ocorre quando a criança diz “Sei que está escrito PASSA-ANEL e não POLÍCIA E LADRÃO porque além de iniciar com P também tem o SS no meio”). Deverão perguntar aos familiares sobre cada brincadeira. contribui-se para que os alunos observem a forma es- crita das palavras e escolham indícios que os apoiem para ler esse texto. NOME:_________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA:__________________________________________ LEIA ESTA LISTA DE BRINCADEIRAS PARA ALGUÉM DE SUA FAMÍLIA E MARQUE AQUELAS QUE FOREM CONHECIDAS PASSA-ANEL MAMÃE-POLENTA DURO OU MOLE ALERTA POLÍCIA E LADRÃO MÃE DA RUA MORTO VIVO Guia de Planejamento e Orientações didáticas 93 . e marcar somente aquelas que forem conhecidas.

para cada uma das brincadeiras. n Antes da aula. anote o nome de dois alunos cujos familiares relataram conhecê-la. n Que materiais são necessários: lápis e papel. planejando o que vai escrever. n Para cada trecho elaborado oralmente. revisando o que foi escrito etc. n Proponha que as crianças digam. Planejamento n Quando realizar: após a atividade em que os alunos leram a lista de brinca- deiras para um dos familiares. n Utilizar comportamentos de escritor. escolhendo as melhores palavras. para que as crianças tenham familiaridade com esse tipo de texto. Encaminhamento n Antes dessa aula. é interessante que você já tenha lido alguns convites (pa- ra uma festa de criança. se os familiares as conheciam. proponha que os alunos elaborem um convite para que essas pessoas venham à classe e ensinem uma brincadeira aos alunos. As crianças podem permanecer em seus lugares. n Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. n Para cada uma. copie na lousa a lista de brincadeiras trabalhada na aula anterior. n Deixe que as crianças organizem coletivamente a forma como o convite será escrito. para um evento na escola). n Duração: 50 minutos.Atividade 1C: Elaboração de convites aos familiares que queiram ensinar uma das brincadeiras aos alunos Objetivos n Elaborar um convite com as informações necessárias para garantir seu pro- pósito. peça que ditem para que você escreva na lousa (exatamente como foi dito pelos alunos). 94 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . n Controlar o ritmo do ditado considerando o escritor. n Em seguida.

considerando seus conhecimentos sobre o sistema de escrita. A partir dessas leituras.n Garanta que. A atividade 2B (leitura do professor das regras de uma nova brincadeira) poderá ser repetida com diferentes jogos. além daquele sugerido. n Após elaborarem o texto. n Esse texto é só um convite para que alguns dos familiares venham à classe para explicar aos alunos determinada brincadeira. as crianças respeitam seu ritmo de escrita. n Quando os alunos considerarem terminado. Todas as produções resultantes dessas atividades deverão ser arquivadas para serem retomadas no momento de elaboração do produto final. contando para isso com sua ajuda. outras serão propostas em que as crianças terão que ler e escrever por si mesmas. A partir dessas atividades. Aqueles que concordarem em fazer isso deverão aguardar que você entre em contato para definir a melhor data e horário para que isso ocorra (as aulas destinadas aos relatos de familiares ocorrerão na terceira etapa do projeto). os alunos realizarão atividades em que aprenderão novas brincadeiras a partir da leitura do professor. outras propostas. Etapa 2 Aprender brincadeiras a partir da leitura do professor Nesta etapa. enquanto ditam. indicamos aqui os encaminhamentos para a realização da atividade em que aprendam uma brincadeira e sugerimos que você também o faça para ensinar outras. podem ser realizadas. providencie cópias dos convites para enviar aos convidados de cada criança. de escrita ou leitura do aluno (como acontece nas atividades 2A e 2C). ASSINADO: ALUNOS DO 1o ANO. MARCAREMOS A DATA E O HORÁRIO. Uma possível produção: QUERIDO SENHOR (OU SENHORA) _____________ (NOME DO CONVIDADO). VOCÊ PODERIA VIR À NOSSA CLASSE PARA ENSINAR OS ALUNOS A BRINCAREM DE _________________________ (NOME DA BRINCADEIRA)? SE CONCORDAR. ou seja. leia o texto em voz alta e per- gunte se acham que está claro e bem escrito. As crianças podem copiar os nomes dessas pessoas nas cópias que receberão. Pergunte também se falta alguma informação importante. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 95 .

Ou j Alunos alfabéticos com alunos alfabéticos. com análise coletiva Objetivos n Arriscar-se a escrever de acordo com suas hipóteses. co- letivamente. Planejamento n Quando realizar: durante o projeto de brincadeiras tradicionais. n Duração: 50 minutos. consideran- do os conhecimentos dos alunos sobre o sistema de escrita. Sugerimos que você ensine a brincadeira COELHINHO SAI DA TOCA. Faça a sondagem periodicamente. Depois.Atividade 2A: Escrita do título de uma brincadeira. j Alunos com escrita silábica que utilizam algumas consoantes com seus valores sonoros com alunos silábico-alfabéticos. n Avançar em relação ao conhecimento do sistema de escrita alfabético. considere que podem ser agrupados assim: j Alunos com escritas pré-silábicas com alunos com escrita silábica sem valor sonoro convencional. considerando seus valores sonoros. Encaminhamento n Planeje a organização das duplas antes de começar a atividade. n Que materiais são necessários: letras móveis. n Explique a atividade aos alunos: usando as letras móveis. deverão escrever o nome da brincadeira que será ensinada na aula seguinte (informe aos alunos qual é). para saber em que momento da aprendizagem da escrita se encontra cada um deles. Em relação a suas hipóteses. j Alunos com escrita silábica que utilizam as vogais com seus valores sonoros com alunos com escrita silábica que utilizam algumas consoantes. n Como organizar os alunos: em duplas num primeiro momento. Ou j Alunos silábico-alfabéticos com alunos alfabéticos. 96 Guia de Planejamento e Orientações didáticas .

dizendo se concorda ou não com aquilo que o colega sugeriu etc. Por exemplo. Nesse caso.n Cada dupla deverá escrever esse nome do melhor jeito que conseguir. Observação: cada dupla poderá propor apenas uma alteração à escrita inicial. Garanta que cada integrante da dupla contribua com a escrita sugerindo letras. Para esta atividade sugerimos o uso de letras móveis. apontando com o dedo cada parte da escrita. trocando ou omitindo letras. que está escrita na tampa da caixa em que são guardados os papéis coloridos. explicando aos demais porque consideram que deva ser feita. uma dupla de crianças pode sugerir que se retire o M colocado no início da escrita realizada pela primeira dupla e mantenham o O. pois observa que o nome deve conter as mesmas letras iniciais que a palavra COLORIDO. n Para cada uma dessas mudanças sugeridas. n Por exemplo. n Se uma das duplas terminar. É interessante chamar crianças que tenham realizado escritas que correspondam a hipóteses mais primitivas em relação ao sistema de escrita. n Deixe que trabalhem e observe sua produção. n Quando todos finalizarem sua escrita. após a mudança sugerida no passo anterior. peça que seus autores as justifiquem. peça que os alunos leiam. Por exemplo. O exemplo citado ficará assim: Guia de Planejamento e Orientações didáticas 97 . mas já utilizem letras em sua produção. porque identificam o som dessa letra no início do nome da brincadeira. o exemplo citado anteriormente ficará assim: n As mudanças são sugeridas pelas duplas que se sucedem para interferir na escrita inicial. chame uma das duplas à lousa para que mostre como escreveu aos colegas. você pode chamar crianças que escrevam pré-silabicamente. incluindo. outra dupla pode propor que se inclua a letra C antes desse O. como ocorre abaixo: n Proponha que outras duplas sugiram alterações à escrita inicial.

n A condição para que essa atividade seja realmente produtiva. além de cópias para os alunos. Não se espera que a produção final resulte numa escrita convencional. n Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. n Que materiais são necessários: o texto com as regras do jogo “Coelhinho sai da toca”. é o respeito que todos devem manifestar pelas produções sugeridas pelos colegas. Não se trata aqui de enfatizar o que faltou para chegar a essa produção. mas o quanto dela se aproximaram. transcrito na lousa ou projetado no projetor ou no retroprojetor (Anexo 1). e chame a atenção daqueles que não observarem esses combinados. quanto à necessidade de respeito e colaboração entre todos. estabeleça regras claras no início da atividade. Planejamento n Quando realizar: ao longo do projeto de brincadeiras. n Familiarizar-se com as características dos textos instrucionais. para que promova a reflexão de cada criança em relação à escrita. Os alunos permanecem em seus lugares. Atividade 2B: Leitura do professor das regras de uma nova brincadeira Objetivos n Aprender uma nova brincadeira. n Duração: 50 minutos. mesmo aquelas que estão mais distantes da escrita alfabética. n Acompanhar a leitura do professor de um texto instrucional. escreva convencionalmente. embaixo da escrita final que as crianças alcançaram. o nome da brincadeira e proponha que observem o quanto se aproximaram dela.n A atividade segue da mesma forma até que todos tenham feito sugestões e elaborado justificativas para elas. considerando o tempo da brincadeira. 98 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . n Para terminar. Para isso.

Se for necessário transcrevê-lo. n Finalize a aula com o preenchimento da ficha da brincadeira: os alunos deverão ditar a você os dados que preenchem cada um dos itens incluídos na ficha. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 99 . assegure-se de reproduzir a organização do texto e sua diagramação (separando-o em itens com informações iniciais mais gerais sobre o número de participantes e objetivos. n Explique o que será feito: você vai ler o texto que explica a brincadeira para que todos aprendam a brincar. n Para apoiar a compreensão da brincadeira. transcreva o texto na lousa ou projete-o com auxílio do projetor ou do retroprojetor. desenhar o campo onde ela se realiza e as “casinhas” onde cada jogador ficará protegido de ser pego). Além disso. n Após aprender essa brincadeira. Nessas pausas. garantindo que os alunos saibam o que está escrito em cada item. providencie cópias do texto para os alunos. proponha que discutam os principais desafios da brincadeira e quais as dicas para superá-los. Em seguida. as crianças podem dizer que é uma brincadeira em que é preciso ficar bem atento e ser rápido na corrida. Por fim. proponha aos alunos que digam se já conheciam a brincadeira. sem interromper. n Proceda assim até o final da leitura. recupere oralmente as regras e proponha a brincadeira considerando a versão lida (no caso de conhecerem outra versão). n Faça a primeira leitura. n No início da aula. nessas pausas você pode fazer desenhos esquemáticos em que a brincadeira é explicada (por exemplo. é interessante propor a discussão sobre o funcionamento do jogo. por exemplo. se determinada regra vale para o jogo já conhecido e. anote seu nome em um cartaz que deverá ficar afixado durante toda a realização do projeto. n Após a brincadeira. leia novamente. no caso dessa brincadeira. desta vez fazendo pausas após a apresentação de cada parágrafo. A cada nova brincadeira aprendida. se sugerem alterações. É preciso que fiquem atentos para aprender as regras. se as regras permitiram que a brincadeira ficasse emocionante. caso não o conheçam. por exemplo. se compreenderam como brincar. organizadas em diferentes parágrafos). anote seu nome nesse cartaz. seguido das regras.Encaminhamento n Com antecedência.

PROPOR QUE AS “TOCAS” SEJAM OCUPADAS POR DUPLAS E TRIOS. ESSE JOGO FAVORECE OS DESLOCAMENTOS E A PERCEPÇÃO DO ESPAÇO. COELHINHO SAI DA TOCA MATERIAL NECESSÁRIO: BAMBOLÊS OU GIZ PARA DESENHAR NO CHÃO. SAI DA TOCA. FICHA DA BRINCADEIRA TÍTULO: OBJETIVO: NÚMERO DE PARTICIPANTES: MATERIAL NECESSÁRIO PARA BRINCAR: 100 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . DOIS. É POSSÍVEL. QUANDO O DESEMPENHO CORPORAL JÁ FOR MAIS EFICIENTE. ENGATINHANDO. MODO DE JOGAR: DENTRO DE UM ESPAÇO DETERMINADO PREVIAMENTE. TRÊS!” AS CRIANÇAS DEVEM ABANDONAR A SUA POSIÇÃO ORIGINAL E PROCURAR OUTRA TOCA. OU QUICANDO UMA BOLA. CORRENDO O RISCO DE FICAR SEM NENHUMA. NORMALMENTE. UM. AINDA. FAZ-SE UMA “TOCA” A MENOS DO QUE O TOTAL DE PARTICIPANTES. AS CRIANÇAS SE DISTRIBUEM EM “TOCAS” CONFIGURADAS POR BAMBOLÊS. O EDUCADOR DIZ O MOTE DA BRINCADEIRA: “COELHINHO.NOME:_________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA:__________________________________________ ACOMPANHE A LEITURA QUE SUA PROFESSORA FARÁ PARA APRENDER UMA NOVA BRINCADEIRA. SALTANDO NUM DOS PÉS. PODEM-SE VARIAR AS FORMAS DE DESLOCAMENTO. FICANDO UM DELES SEM “TOCA”. OU POR CÍRCULOS DESENHADOS COM GIZ NO CHÃO.

após aprender uma no- va brincadeira. Localize-o no cartaz que contém a lista de brincadeiras aprendidas. ■■ Avançar no conhecimento da escrita ao escrever segundo suas hipóteses. poderão voltar sua atenção à escolha das letras e demais aspectos relacionados ao sistema de escrita. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 101 . proponha que algumas crianças. todas as regras estejam escritas e desenhadas para compor um mural. usem as letras móveis. Se souberem exatamente o que escrever. Encaminhamento ■■ Organize a turma em duplas. considerando os critérios apresentados na ati- vidade 2A quanto ao domínio do sistema de escrita. ■■ Relembre o título da brincadeira ensinada na aula anterior. os que já escrevem convencionalmente também devem formar duplas e desenvolver a atividade. antes de iniciar sua escrita. com que palavras vão formular o texto. ■■ Como organizar os alunos: em duplas nas quais ambos ainda não dominam o sistema alfabético de escrita e escrevem segundo hipóteses próximas.Atividade 2C: Desenho e legenda em duplas da brincadeira aprendida na aula anterior Objetivos ■■ Arriscar-se a escrever a partir dos conhecimentos já construídos a respeito do sistema de escrita alfabético. ■■ Em seguida. ■■ Duração: cerca de 40 minutos. usando o lápis e papel ou. Garanta que. faça um levantamento oral das regras da brincadeira e proponha que todos escrevam uma delas. ■■ O levantamento oral do que será escrito é muito produtivo para que. ■■ Que materiais são necessários: lápis e papel ou letras móveis. no momento em que estiverem escrevendo. dominem o conteúdo do texto. no conjunto. ■■ Proponha que escrevam em duplas. se achar conveniente. Planejamento ■■ Quando realizar: durante o projeto de brincadeiras. aquelas que ainda encontram certa dificuldade no reconhecimento das letras.

evite ficar muito tempo com a mesma dupla. observe a interação das duplas. por exemplo: “Com que letra se escreve. considere que alguns alunos necessitam de mais ajuda. por exemplo: “Como podemos explicar essa parte da brincadeira?”.. Enquanto isso. 102 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . como disse seu colega?”. O que fazer . dê dicas que os ajudem a continuar o trabalho. se for o caso.. ■■ Após a escrita em duplas... não é o caso de escrever as regras na lousa. para que os alunos mobilizem tudo o que sabem sobre o funcionamento do sistema de escrita. ou em exercício de memória. nem que seja para apagá-las depois. j se perceber que têm dificuldade para refletir sobre as letras.? Você concorda que é com essa letra. Pergunte. o que transformaria a atividade em mera cópia. ■■ Quando todos tiverem terminado. interfira sugerindo que: j cada um dê sugestões para organizar o texto. Pergunte. Nesse caso.. Nesse momento. De maneira geral.. Recomendamos que você faça pequenas intervenções e deixe-os buscar sozinhos as soluções. ofereça as informações necessárias. Verifique se o trabalho está sendo produtivo e. circule entre os grupos e faça intervenções quando necessário (ver sugestões no quadro seguinte).. peça ajuda aos alunos para organizar as regras na ordem em que devem aparecer para que a brincadeira seja compreendida.■■ A proposta é de escrita espontânea. ■■ Relembre que. até chegarem a um acordo. pode ajudá-los a escrever essa palavra?”. mas não se esqueça de voltar às mesmas duplas e certificar-se de que utilizaram a ajuda oferecida por você. j cada um opine em relação à escrita. precisam discutir suas ideias com o colega.. proponha que combinem um desenho relacionado à regra escrita. cada dupla deve ler sua regra para que se possa organizá-las na ordem em que aparecem na brincadeira. ■■ Enquanto trabalham. . Por outro lado. circule e oriente outros alunos. Assim. para atender o maior número de crianças que necessitam de ajuda? Circule pela classe. como se trata de uma atividade em duplas. dedique mais tempo a eles. com perguntas do tipo: “O que podemos escrever agora? Com que letra vocês acham que começa? Vocês acham que o nome da colega.

e peça-lhes que leiam o que quiseram escrever. . nesse caso. para conferir o que fizeram com a informação que você forneceu. ajude outros alunos e volte mais tarde. Por exemplo: para FORME UMA FILA. você pode intervir de forma a problematizar aquilo que sabem: j aponte uma palavra que foi escrita silabicamente. Varie a atividade de escrita após a explicação de diferentes jogos. procurando promover avanços? Em duplas que estão trabalhando produtivamente.. os alunos podem escrever OEUAIA. em outro. É importante que discutam entre si sobre a melhor maneira de escrever. ■■ Ler antes de saber ler convencionalmente. escrever uma variação do jogo etc. Por exemplo. Num dos casos.. para oferecer desafios também aos alunos alfabéticos? Os alunos alfabéticos terão desafios relacionados à ortografia e à separação entre palavras. Que tal procurar essas palavras na gaveta onde guardamos essas folhas?”. de Adelsin. você pode dizer que FORME UMA FILA “começa com as mesmas letras de FOLHAS COLORIDAS.. j você pode remetê-los ao nome de um colega que compartilha um dos sons da palavra que escreveram. 9 Sugerimos o uso do livro Barangandão arco-íris. Atividade 2D: Leitura de texto instrucional para confecção de um brinquedo9 Objetivos ■■ Aprender a fazer um brinquedo a partir das instruções contidas em um tex- to instrucional. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 103 . incluindo somente vogais. proponha que escrevam a lista de materiais necessários para brincar. para problematizar aquilo que sabem... Enquanto procuram resolver. Realização – Casa das cinco pedrinhas.

Procure relacionar o que você lê. ■■ Antes de iniciar a atividade de leitura. Antecipe uma informação importante: trata-se das instruções para que construam um brinquedo. fazendo a correspondência entre cada uma das palavras que sabem estar escritas e aquilo que está no texto. voltados para a lousa e para o professor. 104 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . lápis de cor e/ ou caneta hidrocor. na ATIVIDADE DO ALUNO. O texto será copiado na lousa e haverá cópias para cada um dos alunos – mimeografada. em duplas. Encaminhamento ■■ Providencie cópia do texto para os alunos. apontando para cada palavra enquanto a leitura avança. Planejamento ■■ Quando fazer: ao longo do projeto de brincadeiras tradicionais.■■ Ler um texto procurando relacionar aquilo que está sendo lido em voz alta com as palavras escritas. PARA FAZER O BRINQUEDO: pedaço de papel grosso. então. proponha que localizem algumas palavras nessa instrução (por exemplo. ■■ Quais materiais serão necessários: PARA A ATIVIDADE DE LEITURA: a escrita do texto instrucional (p. FAÇA SAPATINHOS E A BONECA FICA PRONTA”). como aparece a seguir. ■■ Após a leitura geral. faça uma nova leitura. Você pode mostrar o livro de onde o texto foi retirado. que procurem ler em seus textos. fotocopiada ou reproduzida no computador. devem encontrar onde está escrita a palavra SAPATINHOS). ■■ Em seguida. indique onde se encontra o título (salientando que está em destaque em relação ao restante do texto). indicando os campos que estão sendo lidos a cada vez. Antes da aula. leia todo o texto em voz alta. desta vez sugerindo aos alunos que o acompanhem em seus textos. pedaços de barbante e papel colorido. seguindo a mesma diagramação das cópias que serão entregues às crianças. 26 e 27 do livro sugerido). ■■ Após a leitura. ■■ Como organizar o grupo: alunos sentados nas carteiras. ■■ Duração: cerca de 40 minutos. leia várias vezes para que os alunos consigam memorizá-la. e os desenhos incluídos nesses textos para complementar a informação escrita e facilitar a compreensão. ■■ Quando chegar à 3a instrução (“AGORA COLE A OUTRA PARTE. em cada instrução. cola. Proponha. transcreva o texto na lousa. mostre o texto transcrito.

PEGUE UM PAPEL GROSSO. DOBRE NO MEIO E DESENHE A BONECA SEM PERNAS NEM BRAÇOS. distribua os materiais e releia cada instrução antes de colocá-la em prática. ainda. CORTE UM PEDAÇO DE UM PALMO DE ALTURA POR TRÊS DEDOS DE LARGURA. NOME:_________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA:__________________________________________ CARINA 1. Você pode.Para isso. a letra inicial). massa de farinha. Você pode conStruir Carinas com outros materiais. DANÇAR E BRINCAR. FAÇA SAPATINHOS E A BONECA FICA PRONTA. 4. AGORA CORTE COMO NO DESENHO. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 105 . massinha de modelar. ■■ Você pode seguir os mesmos passos para fazer outros brinquedos que constam do livro utilizado. organize os alunos em quartetos. DESENHE O OUTRO LADO. PONHA A LINHA DE PUXAR. AGORA COLE A OUTRA PARTE. ■■ Leia então a última instrução e esclareça as dúvidas antes de passar à confecção da boneca. 3. SEGURE A LINHA E FAÇA A CARINA ANDAR. criar muitos personagens de histórias. ■■ Para essa etapa da atividade. PERNAS E CABELOS. COMO NO DESENHO. PASSE PEDAÇOS DE CORDÃO PARA FAZER BRAÇOS. 2. Experimente gominhas. devem pensar no texto que já conhecem de cor e nas letras que devem aparecer nessa palavra (por exemplo.

■■ Como organizar os alunos: em duplas. linha de empinar pipa ou barbante fino. folhas de jornal. páginas 42 e 43 do livro utilizado na atividade anterior). que será ditada pelo professor. ■■ Que materiais são necessários: PARA A ATIVIDADE DE LEITURA: jj Cópias das instruções do brinquedo para todos os alunos (sugerimos o paraquedas de plástico. é interessante que os alunos estejam agrupados em quartetos. ■■ Duração: 50 minutos. Para a pro- dução do brinquedo. ■■ Ler. num primeiro momento. ■■ Escrita em duplas de uma das instruções. Planejamento ■■ Quando realizar: ao longo do projeto de brincadeiras tradicionais. 10 Sugerimos usar o mesmo livro utilizado na atividade anterior. 106 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . antes de saber ler convencionalmente.Atividade 2E: Leitura de texto instrucional para confecção de um brinquedo e escrita em duplas de uma das instruções10 Objetivos ■■ Aprender a fazer um brinquedo a partir das instruções contidas em um tex- to instrucional. PARA FAZER O BRINQUEDO: jj Sacos plásticos de lixo de tamanho grande. ■■ Ler um texto procurando relacionar aquilo que está sendo lido em voz alta com as palavras escritas.

Encaminhamento
■■ Organize as duplas considerando as hipóteses de escrita das crianças (ver

as orientações na atividade 2A). ■■ Antes da aula, transcreva o texto na lousa, seguindo a mesma diagramação do texto que está nas cópias que serão distribuídas aos alunos. ■■ Antes de distribuir as cópias faça uma leitura geral do texto que está na lousa. Explique que você vai ler a primeira instrução, apesar de ela não aparecer no texto transcrito na lousa, porque depois eles a escreverão. ■■ Após a leitura geral, distribua as cópias e faça uma nova leitura, utilizando os desenhos para complementar a explicação do que será feito. Esclareça as dúvidas que surgirem quanto à elaboração do brinquedo. ■■ Indique o espaço em que há linhas (correspondendo à primeira instrução). Leia mais de uma vez esse trecho (CORTE UM CÍRCULO DE PLÁSTICO DO MAIOR TAMANHO QUE VOCÊ CONSEGUIR). ■■ Quando todos o conhecerem bem, proponha que o escrevam e, para ajudá-los a lembrar da instrução, você vai ditar cada parte. ■■ Ao ditar a instrução, leia com naturalidade, respeitando o ritmo de escrita dos alunos. Procure não silabar ou dar pausas entre palavras. Dite pequenos trechos de cada vez. ■■ As crianças deverão escrever individualmente de acordo com seus conhecimentos sobre o sistema de escrita alfabético. ■■ Após o ditado, oriente-os a comparar o que escreveram com o colega da dupla e discutir as palavras que ficaram escritas de maneira diferente. Devem chegar a um consenso em relação à escrita dessas palavras (não se espera que cheguem à escrita convencional, mas que troquem informações sobre o modo de escrever). ■■ Enquanto estão fazendo isso, circule entre as duplas e faça intervenções de modo a ajudá-las a refletir sobre as questões de escrita. ■■ Após a escrita e revisão dos textos em duplas, proponha que acompanhem em suas cópias a leitura que você fará das outras instruções. ■■ Finalize a aula organizando os quartetos e distribua o material para elaboração do brinquedo. ■■ Enquanto trabalham, esclareça dúvidas quanto ao modo de fazer o brinquedo a partir da leitura de determinados trechos do texto.

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NOME:_________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA:__________________________________________

PARAQUEDAS
ESTE PARA-QUEDAS É CONHECIDO DOS MENINOS DE TODO O BRASIL. A GENTE VAI PRECISAR DE UM PLÁSTICO COM CINCO PALMOS DE LARGURA. PODE SER SACO DE LIXO OU SACOLA DE SUPERMERCADO.

1. CORTE UM CÍRCULO DO MAIOR TAMANHO QUE PUDER

2. AMARRE SEIS LINHAS DE PAPAGAIO EM VOLTA DO CÍRCULO. AS DISTÂNCIAS ENTRE AS LINHAS DEVEM SER IGUAIS.

3. PEGUE UMA FOLHA DE JORNAL, DOBRE E ENROLE. PEGUE O PARAQUEDAS. SEGURE BEM NO CENTRO. ESTIQUE AS LINHAS E AMARRE NO JORNAL. DÊ UM NÓ BEM FIRME. 4. AGORA ENROLE AS LINHAS COM O PARAQUEDAS EM VOLTA DO JORNAL. JOGUE BEM ALTO E VEJA O PARAQUEDAS ABRIR E CAIR DEVAGARINHO. VOCÊ PODE CRIAR UM BONECO PARaQUEDISTA DE JORNAL, COM PERNAS E BRAÇOS DE CORDÃO. MISTURANDO AS BONECAS DA PÁGINA 103. PODE TAMBÉM USAR UM BONECO DE UM BRINQUEDO QUEBRADO. EXISTE UMA MANEIRA DE SOLTAR ESTE PARAQUEDAS COMO SE FOSSE UM PAPAGAIO, MAS ISSO VOCÊ VAI TER QUE DESCOBRIR SOZINHO.

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Etapa 3: Aprender novas brincadeiras a partir do relato oral de diferentes convidados
Na etapa inicial, foi proposta a elaboração de convites aos familiares dos alunos dispostos a vir à escola para ensinar diferentes brincadeiras para eles. Nesta etapa, detalha-se a aula em que ocorre uma dessas visitas (atividade 3A). As crianças acompanharão o relato do convidado e, a partir dele, uma nova brincadeira será aprendida. Atividades de escrita a partir desse relato, por meio do professor (atividades 3B e 3D) ou autônoma (atividade 3C), também são sugeridas. Da mesma forma que ocorreu com as brincadeiras aprendidas a partir da leitura do professor, há sugestões para o encaminhamento de uma das visitas. No entanto, espera-se que os alunos possam aprender mais de uma brincadeira com diferentes convidados. Nesse caso, o mesmo encaminhamento, bem como propostas de escrita semelhantes às sugeridas aqui, deverão ser viabilizadas. Também repetindo o que ocorreu na etapa 2, todos os textos e desenhos produzidos nas atividades sugeridas deverão ser arquivados para poderem compor o produto final.

Atividade 3A: Aprender uma brincadeira a partir do relato de um convidado
Objetivos
■■ Aprender uma nova brincadeira. ■■ Acompanhar atentamente um relato e compreender as informações trans-

mitidas.

Planejamento
■■ Quando realizar: após o levantamento feito junto aos familiares sobre brin-

cadeiras de sua infância. É interessante repetir essa atividade em diferentes momentos, com outros convidados, que ensinarão as brincadeiras que constam da lista proposta na atividade 1B.

Guia de Planejamento e Orientações didáticas

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■■ Como organizar os alunos: em roda ou de frente para o convidado. ■■ Que materiais são necessários: aqueles que forem necessários para a brin-

cadeira. ■■ Duração: 50 minutos (incluindo o tempo para brincar).

Encaminhamento
■■ Combine com antecedência com um dos familiares que aceitou o convite

de vir à classe ensinar uma brincadeira a melhor data e horário para que venha à classe. ■■ Antes da aula, converse com os alunos sobre a importância de se manterem atentos para compreender as regras e poder realizar o jogo. Fale também das atitudes de respeito para com ele, especialmente no momento em que estiver explicando o jogo. ■■ No início da exposição, combine com os alunos, de acordo com a preferência do convidado, o melhor momento de colocar as dúvidas: há pessoas que preferem explicar todo o jogo e só depois esclarecer o que ficou confuso, outras preferem que, à medida que cada regra é explicada, as dúvidas sejam colocadas. Essa combinação é importante porque, para acompanhar atentamente a explicação do jogo, é importante que os alunos elaborem questões que permitirão uma melhor compreensão do que é explicado. Essa é uma situação muito interessante voltada ao desenvolvimento da linguagem oral. Nela, os alunos têm a oportunidade de aprender a ocupar o lugar de ouvintes para seguir instruções que, organizadas, permitam realizar algo (no nosso caso, jogar). ■■ A brincadeira escolhida pode envolver um jogo já conhecido ou outro, totalmente novo. No primeiro caso, é importante que os alunos acompanhem a explicação do convidado e, ao mesmo tempo, comparem as regras apresentadas com aquelas que conhecem. É comum que uma mesma brincadeira apresente regras diferentes, especialmente por sofrerem modificações com o passar do tempo. Nessa situação, oriente os alunos a ouvir, comparar e, no momento do jogo, experimentar colocar em prática as regras trazidas pelo convidado. ■■ Explicado o jogo, compreendidas todas as regras, esclarecidas as dúvidas, chega o momento esperado de brincar. O convidado para ensinar o jogo, obviamente, também será convidado a participar, mas, se isso não for possível, é interessante que acompanhe parte de sua realização para esclarecer novas dúvidas que possam surgir.

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Guia de Planejamento e Orientações didáticas

Encaminhamento ■■ Após a aula em que a brincadeira foi aprendida. Planejamento ■■ Quando realizar: após aprender uma brincadeira. Aproveite esse momento e vá lendo em voz alta cada palavra que vai escrevendo. ■■ Quando concordarem quanto à melhor forma de escrever. se as regras diferentes apresentadas pelo convidado deixaram o jogo mais interessante em relação à versão já conhecida. ■■ Em seguida. Os alunos permanecem em seus lugares. considerando seu ritmo de escrita. Proponha também perguntas quanto aos aspectos notacionais: com que letra acham que se inicia determinada palavra. Converse também sobre o desafio que a brincadeira coloca. releia e pergunte se está claro ou se é preciso realizar alguma alteração. proponha aos alunos uma avaliação do jogo.Atividade 3B: Ditado para o professor das opiniões a respeito da brincadeira Objetivos ■■ Participar de uma conversa em que todos colocam sua opinião sobre a brin- cadeira aprendida. ■■ À medida que o texto avança. Se considerar que há problemas (por exemplo. proponha que ditem para você. a Guia de Planejamento e Orientações didáticas 111 . discutam se as regras foram observadas. as principais dificuldades e como fazer para superá-las. ■■ Ditar um texto. no caso de já ser conhecida. ■■ Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. É preciso que falem de maneira organizada sobre o que incluir em cada parte do texto e como redigir (que palavras usar) para expressar cada uma dessas informações. que letra poderia se acrescentar em seguida ou com que letra pode se finalizar determinada palavra. se a brincadeira deu certo e. proponha que essas informações sejam organizadas num texto que será ditado a você. considerando a necessidade de incluir informações claras e bem organizadas. ■■ Duração: 40 minutos. ■■ Que materiais são necessários: folha grande de papel pardo para passar a limpo o texto.

Localize-o no cartaz que contém a lista de brincadeiras aprendidas. ■■ Que materiais são necessários? Lápis e papel ou letras móveis. sugira formas de superar a questão. se isso for difícil. passe o texto para uma folha de papel pardo (kraft) e deixe-o afixado junto ao cartaz com a lista de brincadeiras. Atividade 3C: Escrita em duplas de uma das regras da brincadeira (letras móveis) e desenho do jogo Objetivos ■■ Arriscar-se a escrever a partir dos conhecimentos já construídos a respeito do sistema de escrita alfabético. mudar uma palavra muito repetida por um pronome que remeta a ela) ou. ■■ Como organizar os alunos? Em duplas. coloque-os e proponha que as crianças discutam para buscar soluções (por exemplo. considerando os critérios apresentados na ati- vidade 2A quanto ao domínio do sistema de escrita. ■■ Relembre o título da brincadeira ensinada pelo convidado na aula anterior.repetição excessiva de uma palavra. Planejamento ■■ Quando realizar? Durante o projeto de brincadeiras. comprometendo a qualidade do texto). ■■ Avançar no conhecimento da escrita ao escrever segundo suas hipóteses. 112 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . ■■ No fim da aula. realize uma nova leitura para avaliar se o texto ficou bom. ■■ Duração: cerca de 40 minutos. nas quais ambos ainda não dominam o sistema alfabético de escrita e escrevem segundo hipóteses próximas. após aprender uma no- va brincadeira. ■■ No final. os que já escrevem convencionalmente também devem formar duplas e desenvolver a atividade. Encaminhamento ■■ Organize a turma em duplas.

Verifique se o trabalho está sendo produtivo e. peça ajuda aos alunos para organizar as regras na ordem em que devem aparecer para que a brincadeira seja compreendida. no momento em que estiverem escrevendo. proponha que combinem um desenho relacionado à regra escrita. não é o caso de escrever as regras na lousa. Pergunte. até chegarem a um acordo. faça um levantamento oral das regras da brincadeira e proponha que todos escrevam uma delas. usando lápis e papel ou. Pergunte. O que fazer . Nesse momento. j cada um opine em relação à escrita. pois isso transformaria a atividade em mera cópia ou em exercício de memória..■■ Em seguida. ofereça as informações necessárias. Garanta que. por exemplo: “Como podemos explicar essa parte da brincadeira?”. Se perceber que as crianças têm dificuldade para refletir sobre as letras. ■■ Quando todos tiverem terminado. no conjunto. se for o caso. para atender o maior número de crianças que necessitam de ajuda? Circule pela classe. usem as letras móveis. com perguntas do tipo: “O que podemos escrever agora? Com que letra vocês acham Guia de Planejamento e Orientações didáticas 113 .. como disse seu colega?”. . ■■ Enquanto trabalham. ■■ O levantamento oral é muito produtivo para que.. como se trata de uma atividade em duplas. ■■ A proposta é de escrita espontânea. todas as regras estejam escritas e desenhadas para compor um mural. ■■ Proponha que escrevam em duplas. Assim. precisam discutir suas ideias com o colega.? Você concorda que é com essa letra. ■■ Após a escrita em duplas. proponha que algumas crianças. observe a interação das duplas.. circule entre os grupos e faça intervenções quando necessário (ver sugestões no quadro abaixo). por exemplo: “Com que letra se escreve. cada dupla deve ler sua regra para que se possa organizá-las na ordem em que aparecem na brincadeira.. interfira sugerindo que: j cada um dê sugestões para organizar o texto. dominem o conteúdo do texto. podendo dedicar-se somente à escolha das letras e demais aspectos relacionados ao sistema de escrita. se achar conveniente. aquelas que ainda encontram certa dificuldade no reconhecimento das letras.. ■■ Relembre a todos que. dê dicas que as ajudem a continuar o trabalho. para que os alunos mobilizem tudo o que sabem sobre o funcionamento do sistema de escrita. mesmo que as apague depois.

você pode dizer: “FORME UMA FILA começa com as mesmas letras de FOLHAS COLORIDAS. circule e oriente outros alunos. pode ajudá-los a escrever essa palavra?” De maneira geral. .. mas não se esqueça de voltar às mesmas duplas e certificar-se de que utilizaram a ajuda oferecida por você.. . Enquanto isso. incluindo somente vogais. 114 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . em outro. Nesse caso. Que tal procurar essas palavras na gaveta onde guardamos essas folhas?”. procurando promover avanços? Em duplas que estão trabalhando produtivamente. dedique mais tempo a eles. você pode intervir de forma a problematizar aquilo que sabem: j aponte uma palavra que foi escrita silabicamente. e peça-lhes que leiam o que quiseram escrever. Por exemplo: para FORME UMA FILA. para problematizar aquilo que sabem. proponha que escrevam a lista de materiais necessários para brincar. j você pode remetê-los ao nome de um colega que compartilha um dos sons da palavra que escreveram. ajude outros alunos e volte mais tarde para conferir o que fizeram com a informação que você forneceu..que começa? Vocês acham que o nome da colega. Por exemplo. nesse caso. os alunos podem escrever OEUAIA. Varie a atividade de escrita após a explicação de diferentes convidados. evite ficar muito tempo com a mesma dupla. É importante que discutam entre si sobre a melhor maneira de escrever. Num dos casos. para oferecer desafios também aos alunos alfabéticos? Os alunos alfabéticos terão desafios relacionados à ortografia e à separação entre palavras. Enquanto procuram resolver. Por outro lado. Recomendamos que você faça pequenas intervenções e deixe-as buscar sozinhas as soluções. considere que alguns alunos necessitam de mais ajuda. podem escrever uma variação do jogo....

É interessante deixar um bom espaço entre as linhas. ao longo do projeto de brinca- deiras tradicionais. vão ditar um texto para que você escreva.Atividade 3D: Ditado ao professor da brincadeira aprendida com um dos convidados Objetivos ■■ Perceber a diferença entre linguagem oral e linguagem escrita. ■■ Material: um pedaço grande de papel (que se transformará num cartaz com as regras da brincadeira). rever após a escrita etc. os alunos farão uma produção oral com destino escrito. ■■ Esse texto deverá ser escrito num pedaço grande de papel. Encaminhamento ■■ Nesta atividade. Essa escolha pode se dar por meio de uma votação. o professor. pois isso per- Guia de Planejamento e Orientações didáticas 115 . Planejamento ■■ Quando realizar: pode ser mais de uma vez. ou seja. A brincadeira escolhida será explicada num texto para que possa constar do produto final deste projeto. ■■ Duração: cerca de 40 minutos (se a atividade exceder esse tempo. para que todos possam acompanhar sua escrita. interrompa-a para retomar em outra aula). ■■ Como organizar os alunos: eles podem ficar sentados em suas carteiras. que possa ocupar o papel de escriba. a organização e as expressões próprias desse gênero. escolher uma entre várias possibilidades. É interessante considerar que mesmo as crianças que não dominam a escrita já podem produzir textos e aprender alguns dos comportamentos requeridos nessa situação. desde que contem com alguém. ■■ Desenvolver comportamentos de escritor: planejar o que irá escrever. utilizando a linguagem. ■■ Participar de uma situação de escrita de texto instrucional. que deverá ser afixado na lousa ou na parede. nesse caso. rever enquanto escreve. ■■ Inicie a aula propondo que escolham qual das brincadeiras ensinadas pelos convidados foi mais divertida ou interessante.

você possa incluí-las nesses espaços. bem diferente de ditar: “O pegador deve ficar de costas para os outros jogadores”. Quando isso ocorrer. aquele de deve ser escrito. O mesmo pode ocorrer quando você resolver mudar de linha. proponha que os alunos pensem em mais de uma forma de elaborar o texto. Quando surgir mais de uma forma de escrever. ■■ À medida que o texto avança. um enunciado mais adequado a uma regra de jogo a ser escrita (o que está em jogo aqui é a diferenciação da linguagem oral e da linguagem escrita). é importante que você assinale o problema e proponha aos alunos que busquem formas de resolvê-lo. Somente se eles não conseguirem encontrar tais soluções você pode sugerir alguma. ■■ É importante começar relembrando oralmente o jogo entre todos. peça aos alunos para ditar o início (que deverá ser o título da brincadeira) e escreva exatamente o que eles ditarem. outro diz o seguinte: “O participante que pegar a bola joga com força. para que se tenha bem claro o conteúdo do que será escrito. principalmente. Os alunos devem decidir qual das duas redações é a mais adequada ao jogo. pergunte aos demais se teriam sugestões diferentes para dizer o mesmo. Por exemplo: Um dos alunos sugere a seguinte construção para uma regra: “Um dos jogadores joga a bola o mais alto que puder”. com as palavras deles. por exemplo). quando for escrever o título.mitirá que. Tais interrupções podem ocorrer durante e. você pode dizer “Vou escrever o título no centro da página para que fique destacado do resto do texto”. para o alto”. Para a mesma regra. se houver mudanças (substituições de palavras. proponha que os alunos escolham aquela que consideram mais interessante. ■■ Se um aluno disser: “Agora escreva a parte em que o pegador fica de costas para todos” devolva. Em seguida. ■■ Para cada passagem. No exemplo citado. você explicite suas decisões. por exemplo. Quando um aluno sugerir determinada redação para uma das regras. no final da produção. se diriam aquilo de outra maneira. ■■ É importante que. mesmo que as duas expressem o mesmo conteúdo. a todo momento. dizendo “O que exatamente eu devo escrever? Como isso ficará por escrito?” Os alunos precisam aprender a diferenciar comentários sobre o que deve ser escrito do texto propriamente dito. para iniciar um novo parágrafo. Tais pausas servem para avaliar a clareza do texto até aquele ponto e resolver problemas como a repetição excessiva de uma palavra ou a falta de alguma informação que comprometa a explicação do jogo. para que observem as diferentes possibilidades da linguagem escrita para exprimir o mesmo conteúdo. a fala do aluno é um comentário. 116 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . é interessante que você proponha pausas para reler o que já foi escrito.

■■ Escolher a brincadeira que será apresentada pelo quarteto. em que receberão colegas de outra classe e explicarão oralmente as brincadeiras aprendidas. Etapa 4 Preparação dos produtos finais As atividades sugeridas a partir deste momento destinam-se à produção de mais um texto que comporá a ficha da brincadeira (os demais foram realizados nas atividades que ocorreram no momento em que a brincadeira foi aprendida). visando detectar problemas e ser aprimorado. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 117 . Planejamento ■■ Quando realizar: etapa final do projeto de brincadeiras infantis. ■■ Duração: 50 minutos. os alunos também se prepararão para a “tarde de brincadeiras”. sempre a partir das sugestões dos alunos. num segundo momento. Além dessa atividade.quando o texto passará por uma última releitura. ■■ Utilizar estratégias de leitura tais como antecipação e verificação do que está escrito para localizar palavras numa lista. ele deverá ficar afixado na classe e. A reunião dessas fichas é o produto final escrito deste projeto. Atividade 4A: Escolha da brincadeira que será apresentada pelos alunos Objetivos ■■ Ler antes da compreensão do sistema de escrita alfabético. ■■ Que materiais são necessários: lista elaborada pela professora com os no- mes das brincadeiras aprendidas pelos grupos. ■■ Quando terminar de elaborar o texto. ■■ Como organizar os alunos: em quartetos. transcrito na folha que será usada para as fichas de jogos que comporão o produto final.

Proponha que cada quarteto venha ao quadro para selecionar a brincadeira escolhida e diga seu nome em voz alta (mesmo que coincida com jogos escolhidos pelos colegas). especialmente nas letras que a compõem.Encaminhamento ■■ Antes da aula. ■■ Organize os alunos em quartetos buscando garantir que num mesmo grupo encontrem-se crianças com hipóteses de leitura diferentes.? E você. ■■ Distribua as cópias da atividade e explique o que farão: cada quarteto deve localizar na lista a brincadeira que gostaria de explicar aos colegas a quem se destina a apresentação que finaliza o projeto. faça um sorteio para decidir quem se encarregará de explicá-la e proponha ao grupo que não foi sorteado que escolha. concorda com seu colega?” Se perceber que estão tendo dificuldades para refletir sobre as letras. Além disso. ■■ Quando todos os grupos chegarem a uma conclusão sobre o jogo escolhido e o tiverem localizado na lista.. retire o cartaz da parede. dê dicas que possam ajudálos a continuar o trabalho. O que fazer .. circule entre as mesas. uma outra. Para isso. fazendo intervenções que os ajudem a localizar os nomes das brincadeiras escolhidas (ver algumas sugestões no quadro abaixo). 118 Guia de Planejamento e Orientações didáticas .. ■■ Se mais de um grupo escolher a mesma brincadeira. Observe quais estão trabalhando produtivamente e quais não estão. ■■ Proponha que os grupos trabalhem e. reproduza a lista na lousa.. providencie para todos os alunos cópias da lista de brincadei- ras aprendidas ao longo do projeto (essa lista deve estar organizada numa ordem diferente daquela que foi usada no cartaz onde estão registradas as brincadeiras que fizeram parte desse trabalho). . todos precisam pensar na forma escrita da palavra. dando especial atenção aos alunos que não escrevem convencionalmente.. para atender o maior número de crianças que necessitam de ajuda? Circule entre os quartetos. enquanto isso. ofereça outras informações. entre as brincadeiras que sobraram. mas próximas. Aproxime-se destes últimos e faça perguntas para que cada um dê sugestões para localizar aquele item na lista: “Onde você acha que pode estar escrito o nome dessa brincadeira? Por que você acha que aí está escrito..

Você pode fazer perguntas do tipo: “Com que letra vocês acham que começa o nome desse jogo? Como faremos para localizá-lo? Como podemos saber se aí está escrito. além da letra inicial e final. para problematizar aquilo que sabem. E.. apareçam itens que comecem pela mesma letra. explicando.?” . Isso é importante. ■■ Avançar em seus conhecimentos sobre a escrita..” Atividade 4B: Escrita da ficha de uma das brincadeiras aprendidas Objetivos ■■ Desenvolver comportamentos de escritor: planejar o que irá escrever. rever enquanto escreve. rever após a escrita etc. ■■ Arriscar-se a escrever de acordo com suas hipóteses. e confrontar sua produção com a do colega.. procure questionar os alunos: “O que vocês acham que está escrito aqui?” Aponte para um dos itens que marcaram. mesmo que respondam corretamente. Enquanto circula pelas duplas. pergunte: “Como vocês sabem que está escrito isso?” Se responderem que descobriram porque começa por determinada letra... em sua lista de brincadeiras.... mesmo que tenham assinalado a palavra correta? Pode ocorrer que... Guia de Planejamento e Orientações didáticas 119 . ou tem o som da letra. escolher uma entre várias possibilidades. mostre outro item com a mesma letra inicial e pergunte: “Vocês têm certeza? Este nome também começa com. pois favorece a busca de outros indícios. ao escrever segundo suas hipóteses. por exemplo: “Termina por.” Espera-se que assim os alunos busquem outros indicadores para justificar sua escolha.

desenhos e opiniões a respeito das brincadeiras aprendidas). juntamente com o que foi feito ao longo do projeto (produções orais com destino escrito das regras. proponha que consultem a lista de brincadeiras aprendidas para escrevê-lo corretamente (será uma atividade de leitura de uma lista). ■■ Essa produção. ■■ No final da produção. leia cada um dos itens indicando onde está escrito e levante com eles oralmente os dados de cada brincadeira. Cada um escreverá em sua própria ficha. comporão o material que fará parte do produto final escrito (as fichas de brincadeiras que serão encaminhadas à biblioteca da escola). ■■ Quando terminarem. ■■ A escrita do título deverá ser convencional. os alunos saibam o que deve constar na ficha de cada uma das brincadeiras. legendas. peça a cada quarteto que leia seu texto. reproduza a ficha na lousa. Para isso. circule entre os grupos. antes da elaboração dessa produção. Em seguida. é necessário conversar sobre as palavras que usarão para expressar cada uma das informações e sobre as letras usadas para escrevê-las. por isso. além de buscarem detectar erros de escrita. ■■ Como organizar os alunos: num primeiro momento. Encaminhamento ■■ Proponha que preencham a ficha da brincadeira que escolheram na aula an- terior (aquela que apresentarão no evento de finalização do projeto). a atividade é coletiva. ■■ Enquanto trabalham. ■■ Duração: 50 minutos. acompanhado dessa transcrição. 120 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . Para isso. ■■ Que materiais são necessários: cópias das fichas das brincadeiras (ver o modelo a seguir).Planejamento ■■ Quando realizar: na etapa final do projeto de brincadeiras infantis. os alunos trabalharão em quartetos. fazendo as intervenções necessárias no sentido de favorecer a reflexão dos alunos. ■■ É importante que. mas os textos devem ficar iguais (com as mesmas informações escritas com as mesmas letras). o texto das crianças seja recuperado pelos leitores que tiverem acesso a ele. É importante que você o transcreva (utilizando a escrita convencional) visando garantir que. escritas dos títulos. proponha que releiam o que escreveram para analisar se o texto está completo e bem escrito. ■■ Oriente-os a combinar o que e como escrever.

em quartetos. ■■ Como organizar os alunos: num primeiro momento. ■■ Que materiais são necessários: nenhum. Em seguida. Planejamento ■■ Quando realizar: antes da apresentação que finaliza o projeto de brincadei- ras infantis. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 121 . Encaminhamento ■■ Organize os alunos nos quartetos que trabalharam juntos nas aulas ante- rioes. ■■ Duração: 50 minutos. ■■ Contar com sugestões dos colegas para aprimorar sua apresentação.O modelo da ficha da brincadeira é o mesmo que foi utilizado na atividade 2B: FICHA DA BRINCADEIRA TÍTULO: OBJETIVO: NÚMERO DE PARTICIPANTES: MATERIAL NECESSÁRIO PARA BRINCAR: Atividade 4C: Ensaios para a “Tarde de brincadeiras” Objetivos ■■ Preparar-se para a apresentação que finaliza o projeto. coletivamente. ■■ Desenvolver habilidades de comunicação oral – ensinar uma brincadeira a um grupo de crianças.

■■ Explique a atividade: eles deverão se organizar para ensinar a brincadeira aos convidados. observe como dividiram as falas. jj Clareza e correção das regras de cada brincadeira. considerando o modo que escolheram para falar. Proponha que. e proponha mudanças que ajudem a explicar melhor. ■■ Isso será feito com todos os grupos. Estimule os colegas do quarteto a fazer o mesmo. ■■ No ensaio nos grupinhos. como cada criança expõe sua parte. proponha que os grupos se apresentem para a classe. Enquanto o fazem. é importante assumir um comportamento de coautoria. Também é preciso cuidado ao criticar. falem entre si como se estivessem falando para o grupo de crianças a quem ensinarão as brincadeiras. jj a produção de um convite para a classe. ■■ Enquanto assistem aos colegas. definindo que parte das regras será apresentada por cada integrante (estimule a participação oral de todas as crianças). mas identificando problemas que possam interferir no entendimento daqueles que não conhecem a brincadeira. sugerem o que pode ser melhorado em relação aos seguintes itens: jj Tom de voz. aproxime-se de cada grupo. Se necessário. Ao propor sugestões para aprimorar a explicação dos colegas. jj a melhor maneira de divulgar o evento. assumindo uma escuta atenta e interessada. 122 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . Para que a aula não fique cansativa. cada integrante deve ajudar o colega dando sugestões para que fale com clareza. sugerir mudanças que ajudem as crianças responsáveis. ■■ Após esses pequenos ensaios. no final. num primeiro momento. os alunos podem produzir desenhos ou esquemas que ajudem a apoiar o que será explicado. que será a chamada para a “tarde de brincadeiras”. valorizando o que está adequado. Ainda nesta etapa vocês poderão decidir juntos sobre: jj o melhor local para apresentação e exposição das fichas dos jogos. considerando sempre a necessidade de respeito e estímulo ao colega cuja participação está sendo criticada. isto é. os demais acompanham em silêncio e. é importante trabalhar atitudes de respeito com quem está falando. você pode dividi-la de modo que cada quarteto se apresente num momento diferente. explique bem a regra que está sob sua responsabilidade. ■■ Enquanto trabalham.

três!” As crianças devem abandonar a sua posição original e procurar outra toca. um. quando o desempenho corporal já for mais eficiente. as crianças se distribuem em “tocas” configuradas por bambolês ou por círculos desenhados com giz no chão. propor que as “tocas” sejam ocupadas por duplas e trios. É possível. correndo o risco de ficar sem nenhuma. dois. O educador diz o mote da brincadeira: “Coelhinho sai da toca. Modo de jogar Dentro de um espaço determinado previamente. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 123 . Podem-se variar as formas de deslocamento: saltando num dos pés. Esse jogo favorece os deslocamentos e a percepção do espaço. ainda. Normalmente.Jogos do livro de textos dos alunos que podem ser apresentados para leitura do professor (as explicações encontram-se noos anexos deste projeto): ■■ Cabra-cega ■■ Coelhinho sai da toca ■■ Pega-pega corrente ■■ Mãe da rua ■■ Nunca três ■■ Fugi fugi ANEXO 1 (para ser lido pelo professor na atividade 2B) Coelhinho sai da toca Material necessário Bambolês ou giz para desenhar no chão. engatinhando ou quicando uma bola. ficando um deles sem “toca”. faz-se uma “toca” a menos do que o total de participantes.

Outros jogos sugeridos para leitura do professor: Cabra-cega Material necessário Uma venda para os olhos. Em seguida em trio. e assim sucessivamente. sendo proibido. O interessante da atividade é a utilização de sentidos que normalmente são menos usados no cotidiano. depois de girar o corpo em torno de si mesmo algumas vezes. Aos demais. Escolhe-se um pegador e os demais se espalham pelo espaço de jogo. A organização da brincadeira caminha de uma atuação individual para uma atuação coletiva. quarteto. Quando alguém é pego. Modo de jogar Esse jogo constitui um ótimo recurso para atividades em dias de chuva. pois pode ser realizado dentro de sala de aula ou em espaços mais restritos. formando uma “corrente”. 124 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . tem seus olhos vendados e assume o papel de pegador. Quando alguém for pego. Pega-pega corrente Material necessário Espaço livre para correr. Modo de jogar Deve-se delimitar o espaço no qual a brincadeira vai ocorrer antes de o jogo começar. dá a mão para o pegador e passa a atuar em dupla com ele. que será declarado vencedor. Um pegador tem seus olhos vendados por um lenço ou similar. até que reste apenas um fugitivo. cabe apenas tentar fugir e confundir o pegador. tenta pegar os demais utilizando os sentidos do tato e da audição. no entanto. tocá-lo.

A variação possível para essa atividade é inverter o papel desse componente. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 125 . procura o “pique” em alguma das duplas espalhadas pelo espaço e entrelaça os braços com um dos componentes da dupla. Modo de jogar O espaço de jogo é dividido como se fosse uma rua. organizados em duplas de braços dados. ou seja. ao ser pega.Mãe da rua Material necessário Giz para demarcar o espaço. O jogo é disputado individualmente. Nunca três Modo de jogar Os jogadores se distribuem aleatoriamente pelo espaço determinado para o jogo. O jogo consiste em atravessar a rua de uma calçada para a outra. ainda. ela deve dar a sua bola ao pegador. saltando numa perna só. ainda. ou em duplas de mãos dadas. que será declarado vencedor daquela rodada. que passa a fugir. duas calçadas em paralelo. São designados um pegador e um fugitivo. Pode-se. sem ser tocado pelo pegador. de fugitivo para pegador. Uma variação possível é manter como pegadores todas as crianças que forem sendo pegas. variar a forma de fazer a travessia. Escolhe-se um pegador e as demais crianças se posicionam nas calçadas. caso isso aconteça. Quando o fugitivo se cansa. ou. os papéis se invertem: o pegador vira fugitivo e o “atravessador” que foi pego vira pegador. cada criança quicando uma bola. neste caso. divididas por um espaço central correspondente à rua. até que reste apenas um “atravessador”. O componente da dupla do lado oposto se solta o mais rapidamente possível e passa a ser o fugitivo.

publicado pela SEE/FDE. transformam-se em pegadores fixos. Essas brincadeiras constam do Livro de Textos do Aluno. posicionam-se atrás de uma das linhas de fundo. Modo de jogar Num espaço similar a uma quadra. ou seja. O pegador inicia cada rodada dizendo: “Lá vou eu!” E corre na direção dos demais jogadores. voltados em direção ao campo de jogo. tentando tocá-los. sair da mesma posição em que foram pegos. menos um que será o pegador. O pegador se posiciona atrás da linha de fundo oposta. o último fugitivo que restar é declarado vencedor e inicia-se uma nova rodada. fugi!”. no entanto. Depois de responderem “Fugi. sem. Ao final. do Programa Ler e Escrever. também voltado na direção do centro do campo. 126 Guia de Planejamento e Orientações didáticas .Fugi fugi Material necessário Espaço livre para correr. a cada nova corrida podem tentar pegar os demais. todos os jogadores. Caso isso aconteça. os jogadores correm tentando chegar à linha de fundo oposta sem serem tocados.

PROJETO DIDÁTICO Índios do Brasil: conhecendo algumas etnias Guia de Planejamento e Orientações didáticas 127 .

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A abordagem se dará em duas frentes: numa delas. desconsiderando a presença de culturas milenares que já ocupavam a terra brasileira. as lendas etc. é interessante que o planejamento das aulas seja compartilhado com o professor dessa disciplina. como a transmissão oral das tradições. incluindo suas manifestações artísticas. importantes por serem uma das raízes que compõem a identidade cultural do povo brasileiro. conhecer aspectos do modo de vida dos grupos indígenas de hoje. os mitos. mas partir de questões adequadas aos interesses dos alunos e de informações obtidas em fontes fidedignas para superar preconceitos gerados por visões distorci- Guia de Planejamento e Orientações didáticas 129 . ela deva conviver com outras formas de ensino arraigadas nas práticas dos povos indígenas. as pinturas corporais. Pela importância que a arte tem nas comunidades indígenas. feita pelos integrantes mais idosos da aldeia. Além dele. As escolas indígenas são exemplo disso: os próprios índios reconhecem a importância de contar com escolas. também se buscará aproximar as crianças das circunstâncias em que se deram os primeiros contatos com os europeus. valorizando-a como é. busca-se proporcionar às crianças a oportunidade de aproximarem-se da cultura dos povos indígenas brasileiros e de seus valores. como fonte de aprendizagem. mas também reconhecem que. permitindo assim a construção de uma visão mais real. relativizando a versão mais conhecida da história. Não se espera abordar a questão indígena em toda sua complexidade. evitando distorções românticas ou pejorativas por serem ambas preconceituosas. também se espera favorecer que os alunos identifiquem e valorizem esses povos. Um dos objetivos principais deste trabalho é a aproximação das crianças de uma cultura diferente da sua.) e ao modo de vida de diferentes nações. As atividades propostas darão ênfase especial às produções culturais (os objetos. Em outra frente.Por que realizar um projeto que envolva o estudo dos povos indígenas brasileiros Com este projeto. na qual nosso país teria sido uma descoberta europeia. o que foi preservado de sua cultura e aquilo que mudou em decorrência do contato com os não índios.

■■ Garantir o acesso a diferentes fontes de informação: é importante garantir a oportunidade de interagir com fontes variadas. em consequência. reconheçam a importância de garanti-las como direito de todos. para buscar estratégias para favorecê-las. que compreendam as diferenças como enriquecedoras e. estarão também se constituindo como estudantes. As atitudes de valorização e reconhecimento desses povos devem ser consideradas objetivos fundamentais deste trabalho. para ampliar o que sabem sobre ele. ■■ Trabalhar em grupo: para aprender a trabalhar em grupo é importante que o professor crie situações em que os alunos trabalhem em diferentes agru- 130 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . No primeiro ano já é possível propor situações em que os alunos se coloquem como estudantes que se aproximam de um objeto de conhecimento. fica a secreta esperança de contribuir para a formação de cidadãos conscientes e orgulhosos de suas origens. desafiados a aprender mais: o interesse do aluno não é algo que brota dele. já que o encontro com o europeu marca o início de conflitos. construa a ideia de que o conhecimento é um valor importante para sua vida. em que o desrespeito por essas culturas foi (e ainda é) uma constante. além de contar com a intervenção e orientação do professor para aprender a lidar com elas. Com eles. cidadãos que saibam conviver e valorizar a diversidade cultural. Algumas atitudes que caracterizam estudantes que têm uma boa relação com o trabalho escolar e orientações para atingi-las: ■■ Construir conhecimentos a partir de atividades em que os alunos se sintam instigados. Nesses momentos.das. Isso ocorrerá gradualmente. bem como à possibilidade de que a criança. A formação de estudantes Ao longo de toda a escolaridade. É preciso que o professor reflita sobre as atitudes que caracterizam um bom estudante. Geografia e Ciências a que terão acesso. mas é construído na interação com bons materiais e num ambiente de trabalho propício. injustiças foram cometidas (e ainda são). os alunos realizarão diferentes estudos nas várias disciplinas que compõem o currículo. Tratar esse tema não é simples: historicamente. além dos conteúdos de História. aos poucos. a partir de diferentes fontes de informação. O interesse por determinado assunto aumenta porque ele é proposto de maneira instigante. a riqueza de suas tradições e de suas produções. mas a possibilidade de que aconteça de maneira produtiva está condicionada a um ensino direcionado à construção de algumas habilidades e atitudes. O foco principal das atividades visará lançar um olhar para os conhecimentos desses povos.

explicar como arquivar materiais de estudo (utilizando pastas. ■■ Organização do material de estudo: é preciso ajudar os pequenos estudantes nessa organização. Mesmo assim. hoje já se tem claro. dominadas com autonomia. Lê-se também para conhecer uma nova história (seja um conto ou romance) ou para emocionar-se com um belo poema. usar materiais de registro de maneira organizada (folhas. A leitura. Não se espera consolidar tais atitudes no primeiro ano. Por meio de textos escritos para divulgar o saber científico. ou seja. é ferramenta necessária para formar estudantes nas diversas disciplinas. é possível pensar que se a ação dos professores se direcionar nesse sentido desde o início. leem-se jornais para saber mais sobre o que ocorre no mundo. é que ela permite o acesso a novas informações. É também um objetivo complexo. de maneira compartilhada. É verdade que o domínio das correspondências grafo-fônicas é necessário para o desenvolvimento de um leitor. para escolher o melhor horário do cinema ou para conhecer os comentários do jogo de futebol do dia anterior. neste caso. No entanto. maiores serão as chances de sucesso para os alunos ao longo da escolaridade básica. desenhos etc. aos poucos. que não se resume a uma única habilidade. Aprender sobre a linguagem escrita e sobre a escrita no contexto de um projeto Como sabemos. registros de seus conhecimentos (textos.). compartilhar procedimentos simples como incluir a data em que cada informação foi aprendida. saquinhos). é possível aos estudantes ampliar seus conhecimentos sobre os mais diversos temas. conversem. não se resume à habilidade de transformar letras em sons e vice-versa.) e guardá-los em locais combinados. É preciso que os alunos tenham diferentes oportunidades de aprender a partir da leitura ao longo do Ensino Fundamental. maquetes. Aprender a ler. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 131 . a linguagem escrita é utilizada nas mais diferentes situações cotidianas: leem-se receitas para o preparo de um alimento.pamentos. contando com o apoio do professor para que tais práticas possam ser. Um dos propósitos fundamentais da leitura. especialmente na escola. cadernos etc. restringir o ensino da leitura a esse conhecimento não capacitará nossos alunos a se tornarem usuários capazes de utilizar a linguagem escrita nas mais diversas situações. discutam e produzam. Formar leitores capazes de aprender a partir da leitura é uma das garantias do sucesso da escolaridade.

informativos e demais suportes de texto e saber nomeá-los. ■■ Diferenciar tipos de livros. os personagens e cenários. Relembrar trechos.É importante ter claro que. textos retirados de livros etc. ■■ Escutar atentamente o que os colegas falam em uma roda de conversa. ■■ Comentar matérias veiculadas em diferentes mídias: internet. revistas. Isso contribuirá para que o processo de alfabetização se dê de maneira significativa e efetiva. Fazer comentários sobre a trama. literários. no contexto das ativida- des do estudo. conhecendo seus usos. Relacionar as ilustrações com trechos da história (sobre mitos e lendas). Expectativas de aprendizagem A partir desse projeto. Leitura Ler. espera-se favorecer que o aluno seja capaz de: Língua Portuguesa Linguagem oral ■■ Expressar oralmente suas ideias e pensamentos. Escrita Produzir textos escritos ainda que não saiba escrever convencionalmente 132 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . ocupando seu turno de fala adequadamente. ■■ Antecipar significados de um texto escrito a partir das imagens/ilustrações que o acompanham ou marcadores característicos de cada gênero. ■■ Conseguir recontar um mito que ouviu mantendo uma sequência. mesmo antes de dominarem o funcionamento do sistema alfabético de escrita. as crianças já têm condições de vivenciar as diferentes funções dos textos. ■■ Apreciar textos literários (considerando aqui a leitura de mitos e lendas). ■■ Emitir comentários pessoais e opinativos sobre o texto lido. ■■ Escutar atentamente a leitura de mitos e lendas. ainda que não convencionalmente ■■ Ler legendas ou partes delas a partir das imagens e de outros índices grá- ficos. respeitando opiniões. recuperando trechos da narrativa e usando expressões ou termos do texto escrito. entre elas a função de informar.

■■ Valorizar suas produções e de seus colegas. farão uma apresentação oral do que aprenderam.■■ Usar conhecimentos sobre as características das narrativas míticas ao pro- duzir um texto. ■■ Produzir listas nas atividades relacionadas ao estudo (lista de alimentos cultivados pelos povos estudados. ■■ Antecipar significados de um texto escrito. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 133 . Os convidados (pais e outros membros da comunidade escolar) encontrarão o espaço dividido em diferentes “estações” e. organizados em pequenos grupos. ■■ Desenhar. produzir colagens transformando. ditando ao professor. comunicação oral registrada em gravador etc. internet. pensando sobre o que produz. Geografia e Ciências Naturais) ■■ Estabelecer relações entre o modo de vida de seu grupo social e de outros grupos no presente e no passado. externando opiniões e sentimentos. ■■ Interessar-se pela maneira de viver de diferentes grupos. ■■ Arriscar-se a escrever segundo suas hipóteses. Artes ■■ Apreciar. em cada uma. ■■ Demonstrar respeito em relação às diferenças. produzindo novas formas. Ciências Naturais e Sociais (História. jogos e apresentações. ■■ Interagir com as diferentes tradições culturais e utilizá-las em suas brincadeiras. por exemplo). um grupo de alunos se encarregará de explicar o que aprender sobre um dos temas abordados no projeto. contando com o apoio de produções visuais (desenhos e maquetes) e pequenos textos (legendas) para apoiar sua exposição. ■■ Usar um texto fonte para escrever de próprio punho. textos orais ditados ao professor. ■■ Registrar informações. fotos. respeitando as normas da linguagem que se escreve. utilizando diferentes formas: desenhos. pintar. pesquisando materiais. reproduções de obra de arte em livros. Produto final Os alunos.

as crianças terão exposto várias vezes o mesmo conteúdo. Organização geral do projeto Etapas Atividades e materiais Atividade 1A: compartilhar o projeto com os alunos e fazer levantamento do que já sabem sobre o tema. Etapa 1: Apresentação do projeto e do produto final Etapa 2: Aprender sobre aspectos gerais das nações indígenas brasileiras 134 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . Atividade 2C: escrita do aluno – informações sobre diferentes nações (ditadas pelo professor). Após ouvir e apreciar as produções desse grupo. de Luís Donizete Benzi Grupioni. Ao final. Material: proposta de atividade do aluno. Atividade 1B: levantamento do que já sabem sobre o tema a partir da leitura de imagens. Material: texto retirado do livro Viagem ao mundo indígena. onde ouvirão outras crianças expondo o que aprenderam a respeito de outro dos temas estudados. Material: cópias de foto (ou foto digitalizada). Material: papel pardo para produção de desenhos. os convidados dirigem-se a outra estação.Os presentes se distribuirão entre essas estações e acompanharão a apresentação de um dos grupos de alunos. para grupos de convidados diferentes. para convidados diferentes. Material: fotos com legendas. Atividade 2B: elaboração coletiva e reflexão sobre características das legendas. Atividade 2A: leitura do professor e anotação das informações relevantes. Todas as crianças apresentarão suas exposições ao mesmo tempo.

Atividade 4G: mitos de origem de dois povos indígenas. Atividade 4E: ditado ao professor de uma das brincadeiras apresentadas na aula anterior. Material: textos e fotos de apoio.Etapa 3: Aprender sobre uma nação indígena – Xikrins-Kaiapós Atividade 3A: leitura do professor de texto sobre o cotidiano dos índios Xikrins-Kaiapós. Atividade 4C: escrita de legendas sobre hábitos alimentares dos povos indígenas. Atividade 5A: leitura pelo professor de matéria sobre o descobrimento do Brasil. crianças e mitos em diferentes nações indígenas Etapa 5: Aspectos históricos Etapa 6: Preparação do produto final Guia de Planejamento e Orientações didáticas 135 . Material: letra da música Pindorama. Atividade 6D: revisão das legendas que acompanham o material de apoio para a exposição. Atividade 4D: brincadeiras e brinquedos indígenas. Atividade 6E: ensaios para a apresentação. Material: matéria publicada em revista infantil. Atividade 5B: ouvir e cantar uma canção sobre o descobrimento. Atividade 4F: como as crianças índias aprendem. Atividade 6A: divisão dos grupos. Material: texto lido pelo professor. Atividade 4A: comparar a relação entre a alimentação dos povos indígenas e a dos alunos. Atividade 4B: discussão em quartetos sobre os hábitos alimentares dos povos indígenas. Material: textos de apoio. Etapa 4: Aprender sobre alimentação. Atividade 6B: preparação de materiais para exposição. Material: textos e fotos de apoio. Atividade 3C: escrita de legenda sobre o povo estudado. Atividade 6C: escrita de legendas. Material: relato escrito e vídeo. Atividade 4H: ditado ao professor do mito de origem dos índios Desanas. Atividade 3B: leitura de legenda sobre os Yanomamis.

mas utilize os livros da biblioteca que contenham textos desse tipo para compartilhar com os alunos e enriquecer o que aprenderão ao longo do trabalho. pela qualidade do que será apresentado e produzido em cada momento. Etapa 1 Apresentação do projeto e do produto final Ao compartilhar o que será feito e o produto final. Atividade 1A: Compartilhar o projeto com os alunos e fazer levantamento do que já sabem sobre o tema Objetivos ■■ Mobilizar os alunos para a realização do projeto.Atividade permanente Durante a realização desse projeto. junto com o professor. Planejamento ■■ Quando realizar: no início do projeto. Além de compartilhar o que será produzido ao final do projeto. aproveite para ler mitos e lendas dos povos indígenas no momento da atividade permanente de leitura pelo professor. este momento também é importante para que o grupo traga seus conhecimentos sobre o tema. explicando o produto final e cada uma das etapas. revendo preconceitos calcados em ideias de senso comum que pouco têm a ver com a realidade. 136 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . Também se favorece que compreendam cada uma das etapas do trabalho e que se responsabilizem. ■■ Compartilhar as ideias que os alunos já têm sobre os índios brasileiros. compartilhando ideias e criando um repertório de conhecimentos do qual se parte e com a intenção de ampliar e transformar. permite-se aos alunos compreender os propósitos que guiarão as atividades a ser realizadas ao longo do projeto. No Anexo 6 você encontrará algumas lendas.

■■ Como organizar os alunos: a primeira parte é coletiva. Em seguida, haverá

um momento em que os alunos trabalharão em pequenos grupos (quartetos). ■■ Que materiais são necessários: folhas de papel pardo para um cartaz em que serão anotadas as etapas do trabalho e para que os alunos realizem um desenho em quartetos. ■■ Duração: 50 minutos.

Encaminhamento
■■ Proponha uma conversa inicial sobre o tema: pergunte o que sabem sobre os

índios brasileiros e deixe que, livre mas organizadamente, falem sobre o que sabem. Nesse momento, o importante é uma conversa espontânea, mesmo que algumas das informações veiculadas não sejam corretas. É interessante favorecer que troquem informações, que se coloquem sobre o que concordam ou não a respeito da fala de cada um dos colegas. ■■ Explique que o grupo se dedicará ao estudo do modo de vida dos índios brasileiros. Explique, também, que aquilo que aprenderem será compartilhado com os pais e outras pessoas da escola (funcionários e alunos) num evento em que cada grupo de crianças mostrará maquetes, desenhos e pequenos textos sobre um dos temas que foram estudados. Nesse momento, é interessante também trazer alguns dos assuntos que serão abordados: as brincadeiras das crianças indígenas, as histórias criadas para explicar a origem da humanidade, o modo de vida etc. ■■ Em seguida, compartilhe as etapas que serão realizadas para chegar à elaboração do produto final. Enquanto explicita essas etapas, explicando algumas das atividades, registre-as num cartaz que ficará afixado na classe e permitirá que todos tenham claro o que já foi realizado e o que ainda falta. Essa é uma maneira de permitir que os alunos compartilhem com você o controle do tempo destinado ao projeto. ■■ Proponha, então, o trabalho em grupos: farão um desenho em quartetos que mostre aquilo que sabem dos índios, com o maior detalhamento possível. Devem mostrar como vivem, como são suas casas, vestimentas, procurando representá-los em alguma atividade significativa de seu cotidiano ou em uma data especial para aquele grupo. Explique também que esses desenhos serão expostos para o resto da turma e que cada grupo deverá explicar aos demais os detalhes ali representados. ■■ Enquanto trabalham, circule entre as mesas, garantindo que todos participem, que discutam entre si sobre o que representarão e favorecendo que todos se encarreguem de representar algo que comporá uma produção coletiva (não é o caso de produzir vários desenhos que não se relacionem entre si).

Guia de Planejamento e Orientações didáticas

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■■ Após a produção, exponha os desenhos num mural e, num segundo momen-

to, chame os integrantes de cada grupo para conversar com os demais sobre aquilo que representaram. Nesse momento, é importante que você faça intervenções no sentido de garantir o respeito àqueles que estão apresentando suas produções, bem como favorecer que estes se coloquem claramente. ■■ Observe algumas ideias que poderão surgir nesse momento e que deverão ser revistas ao longo do estudo: jj se os alunos se referem a algum povo em especial ou se referem aos índios de maneira genérica, como se fossem um único povo, com uma única língua e hábitos comuns; jj se as referências se aproximam daquilo que se conhece dos índios norte-americanos, tanto no modo de se vestirem, como nas moradias e em seus hábitos; jj observar imagens preconceituosas que colocam os índios como pessoas preguiçosas, que não gostam de trabalhar, que passam o tempo todo deitados em redes, ou como pessoas destituídas de conhecimentos próprios, que dependem integralmente do conhecimento dos não índios. ■■ Enquanto ocorre essa socialização, é interessante fazer perguntas para que aprofundem aquilo que desenharam: se representaram a moradia, questionar quem vive na mesma casa; se ocorre uma festa, questionar o que se comemora e o que acontece; se há uma cena em que as pessoas estão comendo, perguntar do que se alimentam e como fizeram para obter esse alimento.

Atividade 1B: Levantamento do que já sabem sobre o tema a partir da leitura de imagens
Objetivos
■■ Relativizar os conhecimentos iniciais dos alunos a partir de imagens e pe-

quenos textos (legendas). ■■ Utilizar fotos e legendas como fonte de informação para o estudo.

Planejamento
■■ Quando realizar: após a aula em que os alunos apresentaram seus conhe-

cimentos sobre os índios brasileiros.

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Guia de Planejamento e Orientações didáticas

■■ Como organizar os alunos: a discussão é coletiva. Os alunos permanecem

em suas mesas. ■■ Que materiais são necessários: fotos com imagens dos índios, acompanhadas de legendas em que se explicita a nação a que pertencem. ■■ Duração: 40 minutos.

Encaminhamento
■■ Utilize a sala de informática para projetar as fotos sugeridas. Além disso,

providencie cópias da atividade para os alunos. ■■ Projete as fotos e leia as legendas em que aparecem os nomes das nações indígenas retratadas. Questione o significado daquele texto. O que significa WAURÁ ou KAIAPÓ? Proponha também que observem os detalhes de cada imagem: o que as pessoas estão fazendo? É uma cena cotidiana ou faz parte de um evento especial? Como estão vestidas? Que materiais são utilizados nos adornos? Onde se encontram? ■■ Deixe que os alunos falem livremente, garantindo que todos que quiserem tenham oportunidade de se colocar, bem como de serem ouvidos pelos colegas. ■■ Enquanto falam, faça intervenções para que os demais se posicionem em relação àquilo que foi dito por uma das crianças: concordam? Têm uma ideia diferente do que possa estar ocorrendo naquela imagem ou quanto ao significado de um termo usado na legenda? ■■ Além de propor que observem as fotos, chame a atenção também para o conteúdo das legendas e as informações que nelas aparecem: o que elas acrescentam à imagem? Você pode indicar, por exemplo, que os textos escritos acrescentam às imagens informações como o nome das nações indígenas representadas, nomes dos lugares em que ocorreram as cenas retratadas ou explicam melhor o que as pessoas que aparecem nas imagens estão fazendo. ■■ Depois de discutirem sobre o que observaram em cada foto e o que aprenderam pela leitura das legendas, proponha também uma conversa sobre algumas das ideias apresentadas na aula anterior (a partir dos desenhos que produziram), e o que pensaram a respeito dos índios. O que está de acordo ou contradiz aquilo que aparece nas imagens? Esse confronto entre o que veem nas imagens e o que imaginavam pode aparecer espontaneamente ou ser apontado por você. Nesse sentido, é interessante voltar aos desenhos produzidos para explicitar essas diferenças. ■■ Após projetar e conversar sobre as imagens e legendas, proponha que os alunos ditem para você aquilo que pensavam sobre os índios e que se con-

Guia de Planejamento e Orientações didáticas

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firmou (essas informações podem ser expressas em textos como: “Nós achávamos que os índios ... e, nas fotos e legendas, aprendemos que isso realmente ocorre”), aquilo que não está de acordo com as imagens (“Pensávamos que os índios ..., mas pelas fotos e legendas aprendemos que isso não é verdade”) e aquilo que não fora levantado antes (“Aprendemos, vendo as fotos dos índios, que eles...”).

NOME:_________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA:__________________________________________

OBSERVE AS FOTOS, LEIA AS LEGENDAS E CONVERSE COM SEUS COLEGAS.

CASAS NUMA ALDEIA WAURÁ, NO MATO GROSSO. CADA CASA É OCUPADA POR VÁRIAS FAMÍLIAS.

CRIANÇA KAIAPÓ PREPARADA PARA PARTICIPAR DE UM RITUAL DE SEU POVO.

CRIANÇAS GUARANIS EM ESCOLA NA ALDEIA KRUKUTU.

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Guia de Planejamento e Orientações didáticas

Etapa 2: Aprender sobre aspectos gerais das nações indígenas brasileiras
Nessa etapa inicia-se a ampliação de conhecimentos dos alunos sobre o tema. Nela serão abordados aspectos mais gerais sobre os povos indígenas, como as diferenças entre os diversos povos e o que há de comum entre eles, o número de povos e línguas faladas e onde habitam atualmente. Além disso, os alunos começarão a refletir sobre as características e finalidade de textos como as legendas.

Atividade 2A: Leitura do professor e anotação das informações relevantes
Objetivos
■■ Acompanhar a leitura que o professor fará com o propósito de aprender so-

bre os povos indígenas brasileiros. ■■ Conhecer aspectos gerais da diversidade de nações indígenas que vivem hoje no Brasil.

Planejamento
■■ Quando realizar: no início do estudo sobre os povos indígenas brasileiros

(após as atividades em que foram levantados os conhecimentos prévios dos alunos sobre o tema). ■■ Como organizar os alunos: como a atividade é coletiva, eles podem ficar em suas carteiras. ■■ Que materiais são necessários: texto de apoio. ■■ Duração: cerca de 40 minutos.

Encaminhamento
■■ Prepare a leitura antecipadamente, tendo o cuidado de esclarecer as even-

tuais dúvidas que você tiver sobre o conteúdo ou termos utilizados no texto. ■■ Antes da leitura, conte para a classe qual é o assunto de que o texto trata – neste caso, informações gerais sobre as nações indígenas brasileiras.
Guia de Planejamento e Orientações didáticas

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■■ Peça ajuda aos alunos para que ditem a você essas informações principais e anote-as na lousa. aí vai a informação: são cerca de 200 sociedades indígenas diferentes. ■■ Durante a leitura você poderá confrontar algumas das informações que os alunos compartilharam nas aulas anteriores (aquilo que sabiam sobre os índios) e as informações oferecidas pelo texto. Todas essas habilidades são fundamentais em atividades de estudo. ■■ Faça uma segunda leitura. Pois bem. O que é uma anotação resumida? Não se trata de uma cópia literal. selecionar o que é relevante e formular um enunciado breve. 142 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . ■■ Retome o que foi conversado nas aulas anteriores (os conhecimentos dos alunos sobre os índios) e ressalte a importância de acompanhar a leitura. retomar o conteúdo sem precisar reler todo o texto. num momento posterior. Para resumir uma informação é preciso compreender o que foi lido. você pode pedir que as crianças localizem as informações mais relevantes. Por exemplo: no início do texto. indique o título do livro onde foi originalmente publicado. falando 170 línguas e dialetos conhecidos.” Depois de ler. quando é preciso reter as informações mais importantes para. para que se possa dar prosseguimento ao estudo desses povos. Se o imprimiu do material de apoio ao projeto. de maneira resumida (não é preciso copiar do texto).Caso você possua o livro onde o texto sugerido foi publicado. interrompendo a cada parágrafo para discutir as informações importantes e identificando o assunto principal do parágrafo lido. que funcione como um lembrete para recuperar a informação em outro momento. O resumo pode ficar assim: “Existem mais ou menos 200 povos que falam 170 línguas diferentes”. ■■ Converse com os alunos sobre aquilo que aprenderam nessa primeira leitura e sobre as informações que mais chamaram sua atenção. mostre-o para os alunos. você lê o seguinte trecho para os alunos: “Pouca gente sabe quantos grupos indígenas existem hoje no Brasil.

Essa é uma estratégia de leitura que você pode ensinar a seus alunos. que atrapalham a compreensão do texto. A consulta ao dicionário (com sua ajuda) também é uma alternativa interessante.■■ No final da leitura. Avalie se o trecho que está lendo permite esse tipo de interferência. acredita em lendas e mitos próprios e tem seus rituais e festas. somos capazes de inferir o significado da palavra. Peça que levantem os significados possíveis e analisem se “combinam” com a passagem lida. desde que não torne a atividade longa. que cada povo tem sua língua. Sempre que perguntarem o que quer dizer uma palavra. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 143 . daquilo que vocês achavam. Na maioria das vezes será melhor você dar logo a resposta. Saliente. pois é comum que se tenha a ideia de que há um único povo indígena. Mas evite interrupções seguidas. e só então realize esse encaminhamento. mas isso não costuma ser um empecilho para compreender a leitura. ou seja. Retome também as ideias levantadas nas aulas anteriores e converse: jj O que. as informações referentes à diversidade de povos indígenas. nessa diversidade. O que fazer se … … os alunos perguntarem pelo significado de palavras desconhecidas? É comum não sabermos o sentido de algumas palavras que encontramos ao ler um texto. descobrir o que ela quer dizer. seus costumes. fabrica objetos diferentes. não está de acordo com o que aprendemos com esse texto? jj Há informações que estão de acordo? jj Que novas informações aprendemos a partir dessa leitura? ■■ Procure enfatizar. Pode ser realizada no caso de uma ou duas palavras cujo significado não possa ser inferido pela releitura do trecho. releia tudo que estiver anotado e pergunte aos alunos se ainda há algo que considerem importante incluir. pelo sentido da frase em que ela se encontra. mesmo que isso não seja apontado espontaneamente pelos alunos. releia a frase completa e proponha que tentem descobrir o significado. seu modo de construir suas casas. Em geral.

1997. De norte a sul. os índios mudam. p. existem aldeias indígenas em quase todos os estados que formam o Brasil. só agora começam a estabelecer relações. 144 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . que os índios são algo do passado ou que eles estão desaparecendo e perdendo suas culturas. de Luís Donizete Benzi Grupioni. Pois bem. Ao manterem contato com os brancos. gravadores e falando português. mas também estão aí no nosso presente e vão fazer parte do nosso futuro. São Paulo: Berlendis e Vertecchia. Mas eles não deixam de ser índios por causa disto. Isto ocorre porque as culturas indígenas são antigas. Outras imaginam que só há índios na Amazônia.… houver alunos que se dispersam em atividades coletivas? Procure fazer com que os alunos que têm essa característica fiquem mais próximos de você e chame sua atenção para informações interessantes trazidas pelo texto. na economia. na arte.. mas não são paradas no tempo. NOME:_________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA:__________________________________________ ACOMPANHE A LEITURA QUE SUA PROFESSORA FARÁ DESTE TEXTO APRESENTAÇÃO Muitas pessoas acreditam. falando mais de 170 línguas e dialetos conhecidos. de leste a oeste. outros. Como você pode ver. esses dados mostram que os índios não fazem parte só do nosso passado. nos conhecimentos. Cada uma destas sociedades indígenas tem um modo próprio de ser. que todos falam tupi e moram em ocas. aí vai a informação: são cerca de 200 sociedades indígenas diferentes. roupas. É. porém. Elas não são apenas diferentes da nossa sociedade. (. na história. Estima-se que a população indígena atualmente totalize mais de 280 mil indivíduos. E eles continuam sendo índios. no jeito de ver o mundo e de se relacionar com a natureza. mas também se diferenciam entre si: nas tradições. Hoje é comum vermos índios usando relógios. tem muita ideia errada sobre os índios circulando por aí. se transformam em função de novos acontecimentos e situações. Alguns desses povos entraram em contato com os brancos há muito tempo. Elas se modificam. Pouca gente sabe quantos grupos indígenas existem hoje no brasil. 3 e 4..) Luís Donizete Benzi Grupioni1 1 Introdução do livro Viagem ao mundo indígena. ainda hoje.

oriente-os a ditá-la para que você a escreva na lousa. proponha que criem uma legenda que poderia acompanhar essa foto. como o jenipapo e o urucum. Devem fazer isso considerando seu ritmo de escrita (esse encaminhamento favorece que os alunos tenham maior controle e observem mais detidamente o que você escreve a partir de cada trecho ditado). Encaminhamento ■■ Proponha aos alunos que observem a foto e conversem sobre ela. o que está fazendo e onde está. os índios de algumas nações pintam seus rostos e corpos usando tintas extraídas de elementos da natureza. É possí- vel que os alunos estranhem o que a foto mostra. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 145 . ■■ Observar características gerais das legendas e sua função comunicativa. ■■ Que materiais são necessários: foto digitalizada ou cópias da foto. ■■ Duração: cerca de 40 minutos. Você pode informar que esse é um hábito comum em vários povos indígenas: para se enfeitar ou como parte de rituais. ■■ Proponha a seguinte discussão: Que informações os alunos poderiam incluir numa legenda que acompanhasse essa foto? Oriente-os a observar quem aparece na foto.Atividade 2B: Elaboração coletiva e reflexão sobre características das legendas Objetivos ■■ Aprender sobre os índios a partir da observação de uma foto e leitura de legenda. Planejamento ■■ Quando realizar: no início do estudo sobre os povos indígenas brasileiros (após ler as informações gerais sobre os povos indígenas). Escolhida a legenda. ■■ Após o levantamento oral das informações. É importante que pensem em diferentes formas de expressar essas informações e escolham a melhor. eles podem ficar em suas carteiras. ■■ Como organizar os alunos: como a atividade é coletiva.

jj o lugar que essa nação habita.■■ É possível que os alunos produzam legendas como: Mulher índia pinta o rosto de outra criança. OU É comum. entre os índios. salientando que escreveram apenas aquilo que aparecia na imagem. Converse sobre os motivos dessa diferença. transcreva na lousa a legenda original: UM JOVEM KAIAPÓ. ■■ É interessante que observem que uma legenda não se limita a descrever o que aparece na imagem. mas acrescenta informações a ela. TEM O ROSTO PINTADO COM TINTA DE JENIPAPO POR SUA MÃE. pintar o rosto e corpo para se enfeitar. ■■ Em seguida. jj o material de que é feita a tinta. DO PARÁ. obtêm-se mais informações do que apenas observando a foto ou lendo o escrito). NOME:_________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA:__________________________________________ OBSERVE A FOTO E DISCUTA COM SEUS COLEGAS UMA LEGENDA PARA ACOMPANHÁ-LA. 146 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . ■■ Espera-se que os alunos percebam que a legenda lida por você tem mais informações do que aquela que produziram. criando uma relação de complementaridade entre imagem e texto (somando ambos. Converse também sobre as informações acrescentadas à imagem pela legenda lida por você: jj o nome do povo indígena a que pertencem as pessoas.

jj alunos com escrita silábica que utilizam as vogais com seus valores sonoros com alunos com escrita silábica que utilizam algumas consoantes. Os alunos que já escrevem convencionalmente também trabalharão em duplas. Encaminhamento ■■ Planeje a organização das duplas antes de começar a atividade. ■■ Como organizar os alunos: em duplas formadas por alunos que não dominam o sistema alfabético de escrita e escrevem segundo hipóteses próximas. jj alunos com escrita silábica que utilizam algumas consoantes com seus valores sonoros com alunos com escrita silábico-alfabética. segundo suas hipóteses de escrita. Em relação a suas hipóteses. considere que podem ser agrupados assim: jj alunos com escritas pré-silábicas com alunos com escrita silábica sem valor sonoro convencional. consideran- do os conhecimentos dos alunos sobre o sistema de escrita. Faça a sondagem periodicamente. ■■ Que materiais são necessários: cópias da atividade. Planejamento ■■ Quando realizar: após a leitura pelo professor do texto que aborda a diver- sidade de nações indígenas (atividade 2A) e a discussão sobre legendas (atividade 2B). ou jj alunos silábico-alfabéticos com alunos alfabéticos. considerando seus valores sonoros. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 147 .Atividade 2C: Escrita do aluno – informações sobre diferentes nações (ditadas pelo professor) Objetivos ■■ Utilizar seus conhecimentos sobre o sistema de escrita alfabético para es- crever da melhor forma. ■■ Duração: cerca de 40 minutos. ■■ Aprender informações sobre algumas nações indígenas a partir de imagens e do ditado do professor. para saber em que momento da aprendizagem da escrita se encontra cada um deles.

cada dupla pode ler no seu ritmo. jj pensar nos nomes dos colegas que podem ajudar a escrever determinada palavra. As crianças que não leem convencionalmente provavelmente não farão a correspondência correta. A legenda que escreverão é ESSE POVO 148 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . explique que o povo representado na segunda imagem é o Kaiapó. ■■ Proponha então a escrita da segunda legenda. para que possam contar com tais informações no local onde serão arquivadas as atividades referentes a esse estudo. anotações). ■■ Explique que. procurando apontar para as palavras correspondentes enquanto dizem a legenda em voz alta. eles precisam conversar entre si e discutir a respeito das letras que vão utilizar. ■■ Converse sobre os nomes dos povos a que se refere cada imagem da ficha. O que se espera é que procurem. não é preciso que todas estejam recitando o texto ao mesmo tempo. Explique o que precisa ser feito: num primeiro momento farão uma leitura compartilhada da legenda referente ao povo Waurá. ■■ Após a leitura dos nomes dos povos. corresponder o que dizem em voz alta (o texto que sabem estar escrito) e a escrita propriamente. proponha que as crianças leiam. que utiliza enfeites muito coloridos durante suas festas. informe que é comum os nomes dos povos indígenas incluírem letras pouco utilizadas em português. faça uma primeira leitura da legenda que acompanha a imagem do povo Waurá. Quando isso estiver garantido. para escreverem da melhor forma possível. dentro de suas possibilidades. para saber como escrever. cartazes. ■■ Nesse momento. como se trata de uma atividade em duplas. o que quer dizer: jj incluir todas as letras que julgarem necessárias. ■■ Explique também que devem escrever do melhor jeito que puderem. escreverão as informações que serão combinadas entre todos sobre os povos que aparecem nas outras imagens. o Y e o W. Leia os nomes dos povos representados e proponha que observem se aparecem essas letras. mas o esforço para coordenar o que se diz e o que está escrito é interessante para que aprendam mais sobre as correspondências entre o oral e o escrito. caminhe entre as mesas para ajudar aqueles que necessitarem de seu apoio. Distribua-as e leia todas as orientações. Em seguida. poderão consultar todos os materiais disponíveis na sala (livros. tais como o K. ■■ Não se esqueça de providenciar as cópias da atividade antes da aula. Leia novamente para que os alunos memorizem esse texto.ou jj alunos alfabéticos com alunos alfabéticos. Antes. ■■ Enquanto se dedicam a ler. listas. ■■ Relembre aos alunos que.

para que. A legenda que sugerimos é: SALA DE AULA EM ALDEIA XAVANTE. Sendo assim. faça intervenções que favoreçam a reflexão sobre o sistema de escrita. isto é. você não precisa se preocupar em corrigir a produção até ficar correta. limitando-se a aceitar as sugestões do colega? Aproxime-se dele. deixando evidente que você não é a única fonte de informação.É FAMOSO PELOS BELOS ENFEITES QUE UTILIZA EM SUAS FESTAS. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 149 . deixando-os escrever segundo aquilo que sabem sobre o sistema de escrita. NO MATO GROSSO. ■■ Proceda da mesma forma para a escrita da legenda referente ao povo Xavante. Quando for o caso. se alguém solicitar sua ajuda. no momento da produção. Antes de se dedicarem a escrever. ■■ Deixe que se dediquem à escrita. trata-se de uma atividade de escrita espontânea. a legenda que será escrita. sugerir que observem semelhanças entre o nome de um colega e partes da palavra que devem escrever: “Vocês não acham que FAMOSO começa do mesmo jeito que FÁBIO?” Deixe então que localizem o nome do colega que servirá para escrever a referida palavra. Enquanto isso ocorre. possam pensar apenas nas questões relacionadas ao sistema de escrita alfabético. ajudando-o a avançar naquilo que sabe sobre a escrita. Você pode. é importante que todos saibam. na qual a criança escreve da melhor forma que conseguir. sugira que arrisque e diga antes do colega qual é a letra necessária para escrever a palavra. ■■ Intervenha apenas na medida do necessário para que os alunos avancem – veja algumas sugestões no quadro a seguir –. por exemplo. O que fazer … … para ajudar os alunos que ainda não escrevem convencionalmente? Caminhe entre as duplas e. aproxime-se das duplas para fazer intervenções de modo a favorecer a reflexão sobre as letras a utilizar (veja as sugestões abaixo). procure encaminhar a conversa para que a dupla discuta e troque conhecimentos. ■■ Espera-se que os alunos escrevam segundo suas hipóteses de escrita. Faça intervenções como as sugeridas anteriormente. de memória. … se um dos alunos não manifestar aquilo que sabe.

150 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . informando que ambas as letras estão corretas. é comum as crianças discutirem. mas um deles utiliza principalmente vogais. Nesse momento. FÉRIAS. Suponhamos uma dupla em que os dois alunos são silábicos. lendo cada palavra enquanto a escreve) para que eles próprios investiguem e consigam sair do impasse inicial. você pode escrever algumas palavras (de preferência sugeridas pelos alunos) que se iniciem pela mesma sílaba (no exemplo citado. mas não souberem qual escolher? Por se encontrarem na hipótese silábica (em que utilizam apenas uma letra para representar o som da sílaba) e já identificarem o valor sonoro de algumas letras. NOME:_________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA:__________________________________________ ESCREVA AS INFORMAÇÕES QUE SEU PROFESSOR VAI DITAR. chegam a um impasse. sua intervenção é extremamente produtiva. Na escrita da palavra FESTAS. enquanto o outro já arrisca o uso de algumas consoantes. pois um deles tem certeza de que é preciso começar com E e o outro acha que é preciso escrever F. escreva FERA. já que cada uma sugere uma letra diferente para a mesma sílaba. FEIRA. povo waurá OS ÍNDIOS WAURÁ SÃO FAMOSOS PELAS BONITAS PEÇAS DE CERÂMICA QUE FABRICAM. Para deixar bem claro.… se os dois integrantes da dupla sugerirem letras pertinentes.

povo kaiapó povo xavante Guia de Planejamento e Orientações didáticas 151 .

os alunos farão um estudo mais aprofundado de uma única cultura. leia o texto indicado. ■■ Aprender sobre um povo indígena. a partir de um relato em que são apresentados fatos vivenciados em seu cotidiano. 152 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . em que os alunos aprenderão sobre um mesmo tema. ■■ Valorizar uma cultura diferente daquela dos alunos. Planejamento ■■ Quando realizar: após a etapa 2. Ela será complementada com a seguinte. informe-se sobre o modo de vida desse povo indígena (no ANEXO 3A há um texto 2 Grupioni. ■■ Duração: 50 minutos (se não for possível ler o texto todo numa aula.Etapa 3: Aprender sobre uma nação indígena – Xikrins-Kaiapós Nesta etapa. exemplificando-o em diferentes nações. que aborda a diversidade cultural dos ín- dios brasileiros. 15 a 21. interrompa e continue na aula seguinte). em que se relata a atividade de pintura corporal de um grupo de mulheres numa aldeia Xikrin. Luís Donizete Benzi. ■■ Como organizar os alunos: os alunos estarão sentados em suas carteiras. conhecer seus costumes e modo de vida. Viagem ao mundo indígena. Encaminhamento ■■ Antes da aula. p. 1997. Além dele. volume 1. Atividade 3A: Leitura do professor de texto sobre o cotidiano dos índios Xikrins-Kaiapós Objetivos ■■ Acompanhar a leitura do professor de um relato dos costumes de um povo indígena. ■■ Que materiais são necessários: o livro Viagem ao mundo indígena2 ou o texto fornecido como apoio para que o professor leia para os alunos (ANEXO 3A). São Paulo: Berlendis e Vertecchia. Coleção Pawana.

■■ Comece a leitura do relato e. Antes de iniciar. evitando observações pejorativas e buscando enfatizar os conhecimentos que dominam e que podem. Planejamento ■■ Quando realizar: após a aula em que foram abordadas as características dos índios Xikrin-Kaiapós. Lembre-se de propor aos alunos que façam inferências sobre os hábitos do povo a partir daquilo que é dito no relato. o que valorizam. ■■ Após a leitura. É importante valorizar atitudes de respeito em relação a essa cultura. a cada parágrafo. dê algumas informações sobre como vive esse povo. jj a divisão de trabalho entre homens e mulheres. ensinar aos demais (como é o caso do conhecimento das espécies vegetais de seu ambiente). É interessante que você domine os seguintes assuntos sobre ele: jj a organização da aldeia. onde ficam suas aldeias. inclusive. discuta com os alunos o que é possível aprender sobre o modo como vivem essas pessoas. ■■ Ler legendas para familiarizar-se com suas características e finalidade. especialmente a divisão das pessoas nas casas e o uso da casa dos homens. proponha uma conversa em que as crianças digam o que mais gostaram daquilo que foi lido e o que pensam do modo de vida desses índios. jj como se dá o aprendizado dos saberes tradicionais desse povo. coleta de materiais e alimentos na floresta próxima. jj a relação com recursos naturais: cultivo de roças. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 153 .complementar para que você amplie seus conhecimentos sobre este povo). como se relacionam. ■■ Inicie a aula explicando o que será feito: você lerá um relato sobre o dia de uma índia Xikrin-Kaiapó. caça e pesca. ■■ Faça essa leitura comentada até o final do texto. o que comem etc. Atividade 3B: Leitura de legenda sobre os Yanomamis Objetivos ■■ Aprender sobre uma nova nação indígena (os Yanomamis) a partir de in- formações trazidas pelo professor e de fotos acompanhadas de legendas. É interessante usar um mapa do Brasil para localizar o Estado do Pará.

exponha algumas informações sobre esse povo: onde vive. a importância dos rituais. “Será que combina com a palavra que vocês estão apontando?” ■■ Com essa atividade. mesmo não tendo a expectativa de uma correspondência correta entre o que dizem e o que estão lendo. proponha que releiam em duplas. consulte o site http://pib. ■■ Leia várias vezes essa legenda até que os alunos a conheçam de memória. formadas previamente pelo professor. ■■ Inicie a aula contando aos alunos que você fará uma breve exposição sobre o modo de vida de outra nação indígena: os Yanomamis. quando apontarem para a palavra FORNO. ■■ Depois de conversarem sobre o possível conteúdo dos textos. Por exemplo. ■■ Providencie as cópias da atividade com antecedência. explique o que farão primeiro: observar as imagens e discutir sobre o que pode estar escrito nas legendas que as acompanham. você pode fazer perguntas como: “Com que letra deve começar essa palavra?”. Oralmente. considerando os conhecimentos dos alunos sobre o sistema de escrita (ver orientações na atividade 2C deste projeto). leia a primeira legenda e discuta com os alunos sobre as informações que ela acrescenta àquilo que aparece na imagem. ■■ Planeje previamente a organização das duplas. ■■ Enquanto se dedicam a essa leitura. se uma dupla estiver lendo o texto “Mulher Yanomami prepara um prato com mandioca em forno localizado em sua casa” e. socioambiental. Essa exposição deverá ser breve (10 a 15 minutos). ■■ Após distribuir as cópias da atividade para os alunos. circule entre as duplas e faça intervenções para que a correspondência entre a leitura em voz alta (o texto já conhecido) e o escrito não seja aleatória. Para que você possa ampliar seus conhecimentos sobre essa nação indígena.■■ Como organizar os alunos: em duplas compostas por crianças que se en- contram em momentos próximos com relação à conceituação da escrita.org/pt/povo/yanomami/581. ■■ Duração: 50 minutos. ■■ Que materiais são necessários: cópias da atividade. quais as atividades que as pessoas realizam para sobreviver. espera-se que os alunos reflitam sobre seus conhecimentos a respeito das letras e os sons a elas 154 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . Encaminhamento ■■ Antes da aula. procurando apontar com o dedo a palavra escrita que corresponde ao que é dito. disserem que ali está escrita a palavra MANDIOCA. informe-se sobre os Yanomamis. Em seguida.

OS YANOMAMIS USAM UM GRANDE ARCO. explique que deverão criar uma legenda que inclua o nome do povo a que se refere (os Yanomamis). Outra. proponha que escolham aquela que consideram a melhor.associados e seu conhecimento do texto (que está memorizado). levante oralmente como essa legenda poderá ser escrita. ■■ Após expor essas informações. a importância da caça. NOME:_________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA:__________________________________________ APRENDA SOBRE OS YANOMAMIS MULHER YANOMAMI PREPARA UM PRATO COM MANDIOCA EM FORNO LOCALIZADO EM SUA CASA. ■■ Siga o mesmo encaminhamento para a legenda seguinte. ■■ Depois de levantar as várias sugestões para elaboração da legenda. e o uso de um grande arco como arma. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 155 . ELES USAM UM GRANDE ARCO NA CAÇA. ■■ Na terceira legenda. faça intervenções para que sua escrita fique mais próxima da convencional. como as que foram sugeridas na atividade 2C deste documento. Quando a conhecerem de memória. proponha: PARA CAÇAR OS ANIMAIS DE QUE SE ALIMENTAM. deverão escrevê-la nas linhas indicadas. uma de suas principais fontes de sobrevivência. procurando avançar na correspondência entre o oral e o escrito. ■■ Enquanto os alunos escrevem. talvez. Uma das duplas pode sugerir escrever: OS YANOMAMIS SÃO UM POVO CAÇADOR.

VISTA AÉREA DE UMA CASA DO POVO YANOMAMI. 156 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . NELA MORAM VÁRIAS FAMÍLIAS.

Encaminhamento ■■ Planeje a organização das duplas antes de começar a atividade. ■■ Explique aos alunos que escreverão as informações que aprenderam sobre os Xikrins (povo que foi estudado na atividade 3A). algumas dessas produções serão apresentadas na exposição.Atividade 3C: Escrita de legenda sobre o povo estudado Objetivos ■■ Escrever segundo suas hipóteses. ■■ Proponha. como as crianças aprendem. tais como os nomes dos colegas e outros materiais escritos presentes na sala de aula. Planejamento ■■ Quando realizar: após a leitura de textos que tragam informações sobre uma nação indígena. consideran- do os conhecimentos dos alunos sobre o sistema de escrita (ver orientações na atividade 2C deste projeto). ■■ Duração: 50 minutos. ■■ Desenvolver comportamentos de escritor: planejar o que irá escrever. No final do projeto. que transformem as informações que sabem sobre cada um desses assuntos em legendas. escolher uma entre várias possibilidades. ■■ Na primeira parte da atividade. faça isso oralmente. então. por exemplo: a organização das casas. ■■ Cada dupla escolherá um dos assuntos (procure garantir que haja crianças escrevendo sobre todos os assuntos). depois de revisadas. rever após a escrita etc. relembre as informações mais marcantes que aprenderam sobre o povo Xikrin. a pintura corporal. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 157 . ■■ Faça uma lista de assuntos sobre os quais os alunos dominam alguma informação. o que ocorrerá numa aula da etapa final. ■■ Como organizar os alunos: em duplas compostas por crianças que se encontram em momentos próximos com relação à conceituação da escrita. Deixe que as crianças falem daquilo que consideraram mais interessante. Nesse momento. as atividades das mulheres e homens. utilizando diferentes fontes de informa- ção.

■■ Acompanhe de perto o trabalho dos alunos que não escrevem alfabeticamente. Para PINTURA. como as sugeridas no exemplo a seguir: Uma dupla de alunos. que grafaram assim: IUA. a professora sugeriu-lhes que pensassem em algum lugar da escola onde poderiam encontrar essa palavra escrita. A palavra ficou assim: PIUA. e que a legenda deverá trazer informações complementares àquilo que foi desenhado. após a escrita. já que esses textos costumam ser curtos. escrita numa das gavetas do armário. Isso é possível. Procure anotar a qual parte da escrita dos alunos corresponde cada parte do texto que se propuseram a escrever (se necessário. já que os demais podem realizar essa atividade de maneira mais autônoma. peça-lhes que leiam o que acabaram de escrever). pois. devem estar concentrados na escolha das letras que utilizarão. Após a consulta. As crianças lembraram da porta do banheiro feminino e foram lá para ver como estava escrita a palavra. ■■ Oriente os alunos que não escrevem convencionalmente para que se apoiem nos materiais de consulta presentes na classe (listas com os nomes dos colegas.■■ Escolhido o assunto. Para a palavra MULHERES. você pode propor que retomem o que escreveram. no local onde se guardam esses materiais. 158 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . ■■ Escolha duas duplas para acompanhar de perto sua escrita. a professora sugeriu que olhassem a palavra PINCÉIS. enquanto escrevem. contendo uma única informação. ■■ Em relação a essas duas duplas. cada dupla deverá se responsabilizar pela escrita de uma legenda que acompanhará uma ilustração também elaborada pelos alunos. ■■ Procure se assegurar de que todos saibam o que irão escrever. Saliente que o tema dos desenhos deve se relacionar ao assunto escolhido. oferecendo-lhes algumas pistas. ambos silábicos. As crianças que ainda não estão à vontade no traçado das letras podem utilizar as letras móveis para a realização dessa proposta. se propôs a escrever a seguinte informação: “As mulheres xikrins fazem pinturas corporais umas nas outras”. que escreveram com as letras ULE. A professora acompanhou sua produção e decidiu propor que refletissem sobre as seguintes palavras: MULHERES. acrescentaram um P antes da escrita que haviam feito inicialmente. PINTURAS. livros e outros textos cujo conteúdo as crianças conheçam).

Procure. É importante aceitar as escritas que produzem. ampliando. Encaminhamento ■■ Leia com antecedência o texto de apoio para preparar-se. crianças e mitos em diferentes nações indígenas Nessa etapa. e exemplos retirados de diferentes nações. ■■ Valorizar hábitos alimentares diferentes dos seus. assim. Isso não aconteceria se a professora simplesmente mostrasse “o jeito certo”. que estaria distante daquilo que as crianças são capazes de compreender. os alunos escreverão considerando seus conhecimentos sobre a escrita.■■ Nessa atividade. Atividade 4A: Comparar a relação entre a alimentação dos povos indígenas e a dos alunos Objetivos ■■ Observar hábitos de diferentes povos e comparar com o seu. abordando-os de maneira mais geral (comportamentos que são compartilhados por todos os povos). Etapa 4 Aprender sobre alimentação. também. ■■ Como organizar os alunos: em quartetos. o encaminhamento dado pela professora teve como objetivo levar os alunos a refletir. assim. No exemplo anterior. pois é a partir da problematização delas que ocorrerão os avanços. Planejamento ■■ Quando realizar: após estudar algumas nações indígenas. o panorama de nações conhecidas pelos alunos. ■■ Duração: 50 minutos. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 159 . não se espera que escrevam convencionalmente. ■■ Acompanhar a leitura de um texto para aprender. serão eleitos alguns assuntos sobre o modo de vida dos povos indígenas. ■■ Que materiais são necessários: o texto base e as fotos. ampliando o que sabem.

considerando os conhecimentos sobre o sistema de escrita e as características de cada criança. dando espaço para os comentários. ■■ Organize previamente os quartetos. as respostas a essas perguntas. Procure. proponha a socialização das respostas e anote num quadro as informações obtidas. ■■ Se achar interessante. em suas famílias. em quartetos. ■■ Proponha uma conversa inicial a partir de algumas perguntas sobre o modo como as crianças. NA FEIRA OU NO SACOLÃO. EM OUTROS. Em seguida. EM ALGUNS CASOS. por exemplo: ALGUNS ALUNOS DISSERAM QUE O ALIMENTO É PREPARADO POR SUAS MÃES. ■■ Leia o texto. não interromper demais para que não se torne longa e cansativa. no entanto. É O PAI QUEM O PREPARA. ■■ Após essa conversa. Tal encaminhamento permite que os alunos se envolvam mais efetivamente com a leitura do que se fosse feita de maneira contínua. proponha que fiquem atentos aos seguintes aspectos: jj De onde vêm os alimentos consumidos pelos grupos indígenas? jj Quem se responsabiliza por conseguir esse alimento? jj Que tipo de utensílio é utilizado e quem o fabrica? ■■ Proponha que as crianças interrompam quando identificarem respostas às questões acima ou quando quiserem enfatizar uma informação interessante. PARA OUTROS. se relacionam com os alimentos que consomem: jj Quem prepara os alimentos consumidos? jj De onde vem esse alimento? Como se obtém esse alimento? jj Como são os utensílios usados para o preparo? Quem os fabricou? ■■ Os alunos devem discutir. de modo a garantir grupos produtivos de trabalho. Essa anotação pode ser realizada na forma de tópicos breves. proponha que alguns quartetos utilizem as letras móveis para a realização dessa proposta. todos devem ficar atentos à leitura que você fará. ■■ Antes da leitura. 160 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . Deverão observar as principais diferenças entre o modo como as populações indígenas se relacionam com a alimentação e aquilo que discutiram sobre os mesmos comportamentos dos familiares.sanar as dúvidas que você tiver. O ALIMENTO É COMPRADO NO SUPERMERCADO.

cestos. como é o comportamento de cada animal. Atividades da roça Entre as diferentes populações indígenas. ÍNDIAS YANOMAMIS COLHENDO MANDIOCA EM SUA ROÇA. plantar e colher os produtos da roça etc. entre outros. eles derrubam um trecho de mato. qual é o melhor período para preparar. Para realizar cada uma das atividades. Além de produzir o alimento. a roça é uma atividade praticada por homens e mulheres. preparar a roça e colher seus produtos. pessoas devem conhecer muito bem a região onde vivem: quais são as épocas de chuva e de seca. necessários para realizar as tarefas. realizar expedições de caça e de pesca. como armadilhas. Mas as atividades que realizam não são as mesmas. também é preciso construir as ferramentas e os utensílios. como galinhas e porcos. Isso porque é preciso obter ou produzir os alimentos: criar animais. arcos e flechas. as ÍNDIA XAVANTE EM COLETA DE ALIMENTOS NA MATA. Primeiro. A ALIMENTAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS Os povos indígenas dedicam grande parte do seu tempo a atividades relacionadas à alimentação. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 161 . canoas. Preparar o terreno para a roça é tarefa dos homens. coletar frutos no mato. zarabatanas. qual é a época em que os frutos amadurecem.NOME:_________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA:__________________________________________ ACOMPANHE A LEITURA QUE A PROFESSORA FARÁ DESTE TEXTO.

amendoim. as mulheres fazem a colheita e os carregam em cestos de palha até as aldeias. Depois mantêm a roça limpa. Atividades de caça A caça é uma atividade masculina realizada individual ou coletivamente e pode ser feita nas proximidades da aldeia ou em lugares mais distantes.. o que gostam de comer. arcos.Depois de um tempo. tirando os galhos e restos de árvores. se andam sozinhos ou em bando. HOMEM XAVANTE COM ANIMAIS E FRUTOS Quando caem as primeiras chuCOLETADOS NA MATA. Quando os alimentos cultivados estão maduros. é importante conhecer os hábitos dos animais: se são noturnos ou diurnos. As outras atividades da roça são realizadas pelas mulheres. que prejudicam o desenvolvimento da plantação. onde costumam se esconder. que cheiros têm. Em seguida. feijão. como são os rastros que deixam no chão. As armadilhas. quando o mato derrubado seca. fica mais fácil encontrá-los. batata. elas plantam espécies como milho. cará etc. Os cães também podem ajudar a localizar os animais no mato. vas.. Nestas ocasiões. flechas e tudo o que é importante para garantir uma boa caçada é construído pelos homens no dia a dia. fazem uma limpeza na roça. A CAÇA É UMA IMPORTANTE FONTE DE ALIMENTOS PARA OS ÍNDIOS YANOMAMIS. Dessa forma. os homens passam dias acampados no mato. colocam fogo para limpar a área e as cinzas são usadas como adubo. retirando as ervas daninhas. mandioca. 162 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . Para ter sucesso e voltar para casa com muita comida. preparar a caçada e fazer armadilhas.

Em algumas comunidades apenas os homens saem para pescar e muitas vezes ficam dias acampados perto de rios e lagoas. ■■ Valorizar hábitos alimentares diferentes dos seus. OS XAVANTES DEFUMAM OS PEIXES PESCADOS PELOS HOMENS PARA CONSERVÁ-LOS POR MAIS TEMPO. que conhecem e usam diferentes técnicas de pesca.. ou ser realizada em família. Atividade 4B: Discussão em quartetos sobre os hábitos alimentares dos povos indígenas Objetivos ■■ Observar hábitos de diferentes povos e comparar com o seu.Atividades de pesca O peixe é um alimento importante para muitas populações indígenas. As técnicas mais utilizadas pelos diferentes povos são: uso do timbó (um tipo de cipó) e outras plantas venenosas. A pescaria também pode ser feita pelas mulheres. a pescaria com anzol e linha. e assim esse trabalho vira uma grande diversão! FONTE: Instituto Socioambiental | Site Povos Indígenas no Brasil Mirim: http://pibmirim. ■■ Registrar informações aprendidas. socioambiental. flechas.org/como-vivem/alimentacao ÍNDIOS WAURÁ REALIZAM PESCA COM REDE.. uso de armadilhas. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 163 .

mandioca. entre outros. com itens sugeridos por todos. comente e peça aos alunos que contribuam com aquilo que recordam. É interessante reler os seguintes trechos dos textos para que os alunos localizem os itens pertinentes a cada lista: Sobre alimentos cultivados na roça: Quando caem as primeiras chuvas. Escreva-a num cartaz com os seguintes títulos: jj ALIMENTOS CULTIVADOS PELOS POVOS INDÍGENAS NAS ROÇAS jj UTENSÍLIOS E ARMAS USADOS PARA OBTER E PREPARAR ALIMENTOS 164 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . os alunos deverão discutir tanto os itens que deverão constar em cada uma das listas como as letras que consideram necessárias para grafar cada palavra. cará etc. necessários para realizar as tarefas. nos mesmos quartetos em que trabalharam na aula anterior. ■■ Enquanto trabalham. feijão. ■■ Como organizar os alunos: em quartetos (os mesmos propostos na aula anterior). Encaminhamento ■■ Relembre as principais informações lidas e conversadas na aula anterior. proponha que. elas (as mulheres) plantam espécies como milho. ■■ Antes de se dedicarem à escrita. ■■ Após esse momento. releia algumas passagens do texto utilizado na aula anterior. ■■ Como a atividade de escrita será proposta em quartetos. ■■ Duração: 40 minutos. batata. cestos. ■■ Após a escrita. como armadilhas. organize uma lista coletiva de cada uma das categorias. circule entre os quartetos para ajudar as crianças que tenham dúvidas e para favorecer a participação de todos os integrantes dos quartetos. também é preciso construir as ferramentas e os utensílios. Para isso. canoas. ■■ Que materiais são necessários: cópias da atividade.Planejamento ■■ Quando realizar: após a leitura sobre a alimentação dos povos indígenas. arcos e flechas. Se houver dúvidas. os alunos organizem duas listas: alimentos obtidos nas roças e utensílios utilizados para obter e transportar alimentos e armas usadas na caça (veja o modelo de atividade). zarabatanas. amendoim. faça oralmente um levantamento do que pode ser escrito. Sobre os utensílios: Além de produzir o alimento.

se for o caso. Pergunte.. n cada aluno opine em relação à escrita.. a partir de suas sugestões. Por exemplo: para EIOA.. Se perceber que alguns têm dificuldade para refletir sobre as letras. por exemplo: “Com que letra se escreve. Por exemplo. circule e oriente outros alunos. para atender o maior número de crianças que necessitam de ajuda? Circule pela classe.. observe especialmente os grupos de alunos que ainda não escrevem convencionalmente. nesse caso. ofereça as informações necessárias. Nesse caso... com perguntas do tipo: “O que podemos escrever agora? Com que letra vocês acham que começa? Vocês acham que o nome da colega. Como é que se escreve AMANDA? Guia de Planejamento e Orientações didáticas 165 . Por outro lado.? Você concorda que é com a letra sugerida por seu colega?”. dedique mais tempo a eles.. para problematizar aquilo que sabem. sabemos também que alguns alunos necessitam mais de nossa ajuda. mas não se esqueça de voltar aos mesmos grupos para certificar-se de que utilizaram a ajuda fornecida por você. Recomendamos que faça pequenas intervenções e deixe-os buscar sozinhos as soluções. você pode dizer: MANDIOCA tem algumas letras parecidas com AMANDA. pode ajudá-los a escrever essa palavra?” De maneira geral.O que fazer . Pergunte. os alunos leram MANDIOCA. incluindo somente vogais. Verifique se o trabalho está sendo produtivo e.. evite ficar muito tempo com o mesmo grupo. e peça-lhes que leiam o que quiseram escrever. . Você pode remetê-los ao nome de um colega em que apareça um dos sons da palavra que escreveram. procurando promover avanços? Em quartetos que estão trabalhando produtivamente. . Enquanto isso. você pode intervir de forma a problematizar aquilo que sabem: aponte uma palavra que foi escrita silabicamente.. interfira sugerindo que: n cada um dê sugestões para acrescentar à lista. por exemplo: “O que mais esses povos cultivam? Quais são as armas utilizadas?”.. dê dicas que ajudem a continuar o trabalho.

para oferecer desafios também aos alunos alfabéticos? Os alunos alfabéticos terão desafios relacionados à ortografia. ajude outros alunos e volte mais tarde. espera-se que incluam mais elementos em suas listas.. Como têm mais facilidade para escrever.. NOME:_________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA:__________________________________________ COMPLETE OS QUADROS COM INFORMAÇÕES SOBRE OS POVOS INDÍGENAS ALIMENTOS CULTIVADOS NAS ROÇAS ARMAS E UTENSÍLIOS USADOS PARA OBTER OU PREPARAR ALIMENTOS 166 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . .Enquanto procuram resolver. para conferir o que fizeram com a informação que você forneceu. É importante que discutam entre si sobre a melhor maneira de escrever determinado item da lista.

que as duplas escolham um desses temas para fazer um desenho e. Num primeiro momento. ■■ Anote os cinco assuntos que consideraram mais interessantes sobre o tema. utilizando diferentes fontes de informa- ção. cada dupla deve dizer a você esse texto.Atividade 4C: Escrita de legendas sobre hábitos alimentares dos povos indígenas Objetivos ■■ Escrever segundo suas hipóteses. ■■ Com a ajuda do professor. rever após a escrita etc. para garantir que o conheçam bem antes de se dedicarem à escrita. visando aprimorar sua escrita. ■■ Proponha. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 167 . tais como os nomes dos colegas e outros materiais escritos presentes na sala de aula. ■■ Explique aos alunos que farão desenhos sobre os hábitos alimentares dos povos indígenas e depois escreverão legendas para esses desenhos. relembre as informações que foram abordadas na aula anterior sobre os hábitos alimentares dos povos indígenas. ■■ Desenvolver comportamentos de escritor: planejar o que irá escrever. elaborem as legendas. Deixe que as crianças falem daquilo que consideraram mais interessante. ■■ Duração: 50 minutos. escolher uma entre várias possibilidades. ■■ Na primeira parte da atividade. em seguida. Encaminhamento ■■ Planeje a organização das duplas antes de começar a atividade. então. ■■ Como organizar os alunos: em duplas compostas por crianças que se encontram em momentos próximos com relação à conceitualização da escrita. participar de uma situação de revisão. Planejamento ■■ Quando realizar: após a leitura da aula sobre a alimentação dos povos in- dígenas. consideran- do os conhecimentos dos alunos sobre o sistema de escrita (ver orientações na atividade 2C deste projeto).

As crianças que ainda não estão à vontade no traçado das letras podem utilizar as letras móveis para a realização dessa proposta. Planejamento ■■ Quando realizar: durante o projeto sobre povos indígenas brasileiros. assim. 168 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . devem estar concentrados na escolha das letras que utilizarão. durante a escrita. já que os demais podem realizar essa atividade de maneira mais autônoma. ■■ Oriente os alunos que não escrevem convencionalmente para que se apoiem nos materiais de consulta presentes na classe (listas com os nomes dos colegas. livros e outros textos cujo conteúdo as crianças conheçam). As intervenções sugeridas têm como objetivo levar os alunos a refletir. enquanto escrevem. oferecendo-lhes algumas pistas.■■ Relembre a característica das legendas: textos breves que acompanham uma imagem e que acrescentam informações a ela. ■■ Aprender a partir de relatos lidos pela professora. ampliando o que sabem. ■■ Aprender uma brincadeira a partir de um vídeo. ■■ Escolha duas duplas para acompanhar de perto sua escrita. ■■ Acompanhe de perto o trabalho dos alunos que não escrevem alfabeticamente. ■■ Procure se assegurar de que todos saibam o que irão escrever. Atividade 4D: Brincadeiras e brinquedos indígenas Objetivos ■■ Conhecer alguns comportamentos dos povos indígenas para com as crian- ças a partir dos brinquedos e brincadeiras. peça-lhes que leiam o que acabaram de escrever). ■■ Aprender a partir da exposição oral da professora. como as sugeridas na atividade 3C (escrita de legenda sobre o povo estudado). os alunos escreverão considerando seus conhecimentos sobre a escrita. pois. Procure anotar a qual parte da escrita dos alunos corresponde cada parte do texto que se propuseram a escrever (se necessário. ■■ Nesta atividade. você pode propor que retomem o que escreveram. não se espera que escrevam convencionalmente. ■■ Em relação a essas duas duplas.

as indígenas também brincam e muito. Prepare. Há brincadeiras de meninos. além de brincar para se divertir. ■■ Comece apresentando as informações gerais. ■■ Deixe que os alunos façam perguntas e comentem as informações que você expôs. mas estes são fabricados pelas próprias crianças.socioambiental. você exporá algumas informações e. a leitura do relato (Anexo 4Da). assistirão a um vídeo em que algumas brincadeiras são ensinadas pelos próprios índios. relatos constantes do material de apoio (anexo 4D). abra um momento para perguntas e comentários. ■■ Que materiais são necessários: vídeos com as brincadeiras do site do Instituto Socioambiental | Site Povos Indígenas no Brasil http://pibmirim. Antecipe que.■■ Como organizar os alunos: as atividades são coletivas. Na sequência. leia o texto que se encontra no Anexo 4D. Encaminhamento ■■ Antes da aula. Os alunos podem permanecer em suas carteiras. prepare-se para expor as informações referentes aos aspec- tos gerais do papel das brincadeiras para os povos indígenas. Após essa leitura. jj existem brinquedos. ■■ Passe à segunda parte da aula. com a leitura dos relatos sobre os piões dos Gabilis. jj há brincadeiras só de crianças e outras das quais os adultos participam também. jj brincar também é uma forma de aprender o que precisarão saber quando forem adultos: fazem armas como os homens adultos. Fazer o brinquedo faz parte da brincadeira. em seguida. na parte inicial da aula. as brincadeiras têm um papel muito importante para as crianças das culturas indígenas. lerá um relato sobre uma brincadeira de um povo indígena. Certifique-se de que o vídeo esteja disponível para exibição. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 169 . ■■ Explique aos alunos o tema da aula (as brincadeiras entre os povos indígenas brasileiros). ■■ Duração: 40 minutos. ■■ Finalize a aula com o vídeo sobre o jogo Ta e. É importante enfatizar nesse momento que: jj assim como qualquer criança. também. de meninas e outras em que todos brincam juntos. Para isso. brincam de casinha como as mulheres.org/como-vivem/brincadeiras ou no http://vimeo. proponha que as crianças exponham dúvidas e façam comentários.com/5641782. ■■ Compartilhe com as crianças que. assim como ocorreu antes. Proponha que fiquem atentos para descobrir qual é esse papel. também nesse momento.

utilizando a linguagem. 170 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . jj citar se o texto se referirá a um brinquedo ou a uma brincadeira. indicar também como é feito para. rever após a escrita etc. Relembre as que foram apresentadas e organize uma votação daquela que acharam mais interessante para compartilhar. Planejamento ■■ Quando realizar: durante o projeto de estudo dos povos indígenas brasileiros. mas garanta que os seguintes não deixem de aparecer: jj o povo indígena que foi referido no momento em que a brincadeira foi apresentada. indicar o material de que é feito e como é obtido. inter- rompa-a para retomar em outra aula). explicar como se brinca com ele. em seguida. a organização e as expressões próprias desse gênero. jj se for um brinquedo. É importante que esses temas sejam sugeridos pelos alunos. ■■ Participar de uma situação de escrita de texto para ensinar uma brincadeira. uma etapa importante para planejar sua produção. ■■ Como organizar os alunos: eles podem ficar sentados em suas carteiras. dedique algum tempo para organizar os assuntos que constarão no texto. ■■ Duração: cerca de 40 minutos (se a atividade exceder esse tempo. rever enquanto escreve. jj se for um brinquedo. ■■ Antes de propor que os alunos ditem. escolher uma entre várias possibilidades. ■■ Desenvolver comportamentos de escritor: planejar o que irá escrever. Encaminhamento ■■ Explique aos alunos que vocês escreverão um texto para ensinar uma das brincadeiras aprendidas na aula anterior.Atividade 4E: Ditado ao professor de uma das brincadeiras apresentadas na aula anterior Objetivos ■■ Perceber a diferença entre linguagem oral e linguagem escrita.

■■ Mesmo que não tenham terminado o texto. jj se for uma brincadeira. ■■ Quando terminar. interrompa a atividade quando perceber que já estão cansados. explicar os materiais utilizados. que pode ser resolvida pela supressão ou substituindo-a por um termo equivalente. também. relendo sempre o que já foi escrito e fazendo perguntas como: jj As informações estão de acordo com o que aprendemos e com o que precisamos comunicar? jj Há algum problema no modo como as informações estão escritas? ■■ Terminado um tópico. ■■ Quando for retomar. se achar necessário. Por exemplo: jj Esta é a melhor forma de escrevermos isso? jj Será que o leitor vai entender o que queremos dizer? Como podemos fazer para ficar mais claro (ou explicar melhor aquilo que lemos)? jj Falta alguma informação sobre esse assunto? ■■ Após escrever o começo. as regras para sua realização. Copie em papel pardo o trecho que estiver escrito na lousa e avise. pois o modo de ditarem e as opções que cada um deles propõe explicitam as características da linguagem que conseguem utilizar. discuta outras possibilidades de escrever a mesma coisa. ■■ Quando perceber que há problemas na linguagem utilizada. explicar.jj se for uma brincadeira. volte ao texto ou vídeo em que a brincadeira foi apresen- tada para relembrar algum dos assuntos citados que não tenha ficado claro. releia o que foi escrito e pergunte aos alunos se consideram que o texto está explicando o que aprenderam sobre a brincadeira. comente o que deve vir em seguida e peça-lhes que ditem o que sabem e expliquem a melhor forma de escrever. ■■ Pergunte aos alunos como acham que o texto deve começar e discuta com eles as várias possibilidades. Alguns problemas que podem surgir: jj repetição excessiva de alguma palavra. em outro dia. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 171 . jj a falta de alguma informação relevante que comprometa a compreensão da brincadeira. ■■ Se for necessário. Coloque questões que os façam refletir sobre a linguagem escrita. que continuarão posteriormente. escreva-a na lousa em letra bastão. se necessário. ■■ Escreva o que os alunos ditarem. converse com as crianças para que elas próprias procurem resolver a questão. encaminhe a escrita de cada novo tópico. coloque o papel com o trecho já realizado. quando chegarem a uma conclusão. leia o que foi feito e continue a produção seguindo os mesmos procedimentos. Isso é muito importante.

172 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . como gostariam de incluí-la no texto e outras solicitações. É mais interessante que a produção resultante dessa atividade seja expressão das possibilidades dos alunos de compor um texto. … houver alunos que se dispersam em atividades coletivas? Procure fazer com que os alunos que têm essa característica ocupem lugares mais próximos a você. levantando a mão quando tiver alguma ideia. … os alunos não conseguirem solucionar problemas textuais apontados por você? No encaminhamento foi apontada a possibilidade de propor questões aos alunos para aprimorar o modo de elaborarem o texto. Atividade 4F: Como as crianças índias aprendem Objetivos ■■ Aprender aspectos da cultura dos povos indígenas: a transmissão de conhe- cimentos e daquilo que é necessário para a participação social. utilize esse encaminhamento apenas quando absolutamente necessário para facilitar a compreensão do que foi escrito. Valorize sua contribuição. ■■ Valorizar a cultura indígena. perguntando-lhes o que acham de determinada informação. Nesse caso. No entanto. Comente a importância de ouvir os colegas. sugira uma alternativa e proponha que avaliem se contribui para melhorar o texto.O que fazer se … … os alunos falarem ao mesmo tempo? Relembre a todos que é preciso respeitar a vez de falar de cada um. ■■ Aprender por meio da leitura. Mas é possível que eles ainda não contem com os conhecimentos necessários para resolver os problemas apontados.

professores índios ensinam o português. ■■ Duração: 40 minutos. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 173 . como a tradição de seu povo (histórias. necessárias à sobrevivência do grupo. é a brincadeira. ■■ Após ouvirem a leitura e comentar a aprendizagem das tradições e hábitos de cada povo. jj essa aprendizagem ocorre na prática. ■■ Após esses momentos iniciais. faça a leitura do primeiro texto de apoio sobre a aprendizagem a partir do relato dos mais velhos e da vivência com os adultos. valorizada entre esses povos. jj retomam o que já foi referido das brincadeiras como formas de aprender as atividades dos adultos. o tratamento entre as pessoas). Procure intercalar essa leitura com a exibição de fotos relacionadas a cada assunto. jj uma outra forma de aprender. Encaminhamento ■■ Explique o tema que será abordado: como as crianças aprendem entre os povos indígenas. Esse texto também se encontra no material do aluno. jj dos mais velhos também aprendem a história do povo. ■■ Num primeiro momento. Enfatize os seguintes aspectos citados no texto: jj nas escolas que existem nas aldeias. jj citam a aprendizagem com as pessoas mais velhas. pergunte aos alunos como acham que as crianças indígenas aprendem. Esse conhecimento é feito em momentos especiais em que os mais novos ouvem atentamente os mais velhos. Observe se os alunos: jj citam a presença de escolas nas aldeias indígenas. Os alunos podem perma- necer em seus lugares. rituais. rituais. rezas. ■■ Depois da leitura. ■■ Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. em que as crianças imitam as atividades dos adultos. as crianças se inserem nas atividades junto com os adultos e aprendem fazendo. jj também se ensina a língua do povo e os costumes (isso é diferente das escolas não índias). seus mitos. a ler e escrever. passar à leitura do texto sobre escolas indígenas. enfatize os seguintes pontos: jj as crianças indígenas aprendem com os adultos tanto as atividades práticas do dia a dia.Planejamento ■■ Quando realizar: durante o projeto de estudo dos povos indígenas. ■■ Que materiais são necessários: os textos (Anexos 4F e 4Fa) e fotos. lendas. as contas. músicas.

que na língua Akwén quer dizer “gente”. organize as crianças em duplas e proponha que produzam um desenho e uma legenda em que registrem aquilo que aprenderam. faça as intervenções já sugeridas nas atividades de escrita pelo aluno (por exemplo.■■ Após a leitura. no cerrado brasileiro. outras escreverão sobre aprender trabalhando junto com os mais velhos. na atividade 2C). se autodenominam A’uwé. Em cada etapa deste longo caminho. outras. que vivem no estado do Mato Grosso. O aprendizado entre os Xavantes é um processo que acontece ao longo de toda a vida. sobre as escolas indígenas. novos conhecimentos são adquiridos nas mais diferentes situações: algumas são entendidas como momentos de aprendizagem (como é o caso dos rituais). outras estão relacionadas com as pequenas atividades realizadas no dia a dia. ■■ Para essa escrita. Enquanto escrevem. Jeitos de aprender Os Xavantes. ESCOLA LOCALIZADA NUMA ALDEIA XAVANTE. proponha que as duplas se dividam: algumas escrevem sobre a importância das brincadeiras para aprender. 174 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . desde quando se é criança até a velhice. NOME:_________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA:__________________________________________ ACOMPANHE A LEITURA QUE A PROFESSORA FARÁ DESTE TEXTO.

as crianças brincam e se divertem. levar e trazer recados. buscando novas possibilidades e desafios a cada repetição. imitam as divisões internas de sua própria casa e assim a criança xavante reflete sobre a organização doméstica e os espaços da aldeia. Os meninos. Vão aperfeiçoando a maneira de fazer os objetos e assim. A brincadeira é um jeito de aprender. Dessa forma melhoram suas habilidades e aprendem suas possibilidades e do mundo à sua volta. DESDE PEQUENAS. e é nestas ocasiões que elas aprendem a identificar as regras que orientam sua sociedade. As situações mais cotidianas são momentos de aprendizagem valorizados pelos A’uwé. lavar roupa. por exemplo. As crianças costumam caminhar livres pela aldeia. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 175 . e aprofunda o conhecimento que tem sobre sua comunidade. As crianças xavantes costumam repetir muitas vezes a mesma brincadeira. Assim o aprendizado vai acontecendo aos poucos. quando forem adultos. preparar comidas. aprendem a fazer arcos e flechas desde pequenos e brincam ao redor da casa imitando caçadores e bichos. AS CRIANÇAS APRENDEM A REALIZAR AS ATIVIDADES NECESSÁRIAS À SOBREVIVÊNCIA DO GRUPO. Ao construir com o barro uma casa em miniatura.ESCOLA NA ALDEIA KRUKUTU – ÍNDIOS GUARANIS. conseguirão fazer arcos e flechas bonitos e bons para caçar. acompanhando outras pessoas (sejam crianças. além de desenvolverem as habilidades físicas para se tornarem bons caçadores. velhos ou adultos) em suas atividades. CRIANÇAS XAVANTES PILANDO ALIMENTOS. Ao mesmo tempo em que ajudam seus parentes a tomar conta do irmão. Brincar de casinha é um bom exemplo disso. As tarefas domésticas são aprendidas no cotidiano.

os alunos trabalharão em grupos. quais atitudes se deve ter dali para frente. que conhecem importantes cantos etc. princípios e modos de agir do seu grupo e os adultos aprendem com os mais velhos todos os detalhes da realização de um ritual. Estes momentos buscam enfatizar as divisões e as regras CRIANÇAS WAURÁS ACOMPANHAM sociais xavantes e fixar os conheSEU PAI EM PESCARIA. FONTE: Instituto Socioambiental | Site Povos Indígenas no Brasil Mirim http://pibmirim. da fase de criança para a idade adulta. Têm por objetivo marcar períodos de amadurecimento. ■■ Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. como demonstrar que aqueles meninos já conseguem enfrentar desafios físicos.socioambiental. todo mundo aprende: os jovens aprendem mais sobre os valores. por exemplo. ■■ Que materiais são necessários: os textos contendo os mitos de origem (Anexos 4G e 4Ga). ■■ Duração: 40 minutos. Os alunos podem perma- necer em seus lugares. Nestes momentos. Planejamento ■■ Quando realizar: durante o projeto de estudo dos povos indígenas brasileiros. Nos rituais de passagem aprende-se como agir socialmente: o que a comunidade espera. 176 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . Na segunda parte. ■■ Acompanhar a leitura do professor.Os rituais são importantes situações de aprendizagem. cimentos sobre as mesmas. Os rituais têm objetivos concretos. de passagem de uma fase da vida para outra. material para desenhar e pintar. org/como-vivem/aprender Atividade 4G: Mitos de origem de dois povos indígenas Objetivos ■■ Conhecer mitos de origem de diferentes povos indígenas.

Explique. proponha que as crianças se reúnam em quartetos. Elas fazem parte da herança cultural de cada povo. Metade deles fará um desenho que inclua o maior número de detalhes do primeiro mito. ■■ Explique aos alunos o que são mitos de origem: um determinado povo ou cultura explica a origem do mundo por meio de uma história (narrativa) carregada de símbolos. São criações que expressam a crença daquele povo. deixe espaço para que as crianças façam perguntas e comentários. ■■ Terminada essa produção. que não apenas os povos indígenas. em geral pela tradição oral. ■■ Comportamentos de escritor: planejar o que irá escrever. também. rever enquanto escreve. ■■ Como organizar o grupo: voltados para a lousa. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 177 . entre um e outro. A outra metade se dedicará a fazer o mesmo em relação ao segundo mito. ■■ Duração: cerca de 40 minutos. ■■ Leia os dois mitos. a forma que encontraram para explicar o mistério da origem do mundo. peça o apoio do professor de artes para a elaboração de maquetes de massinha que representem cada um dos mitos. Atividade 4H: Ditado ao professor do mito de origem dos índios Desanas Objetivos ■■ Perceber a diferença entre a linguagem oral e a linguagem escrita. socialize a criação de cada grupo com os demais. rever após escrever etc. ■■ SUGESTÃO: em vez do desenho. escolher uma entre várias possibilidades. mas as mais diversas culturas detêm histórias desse tipo. Planejamento ■■ Quando realizar: durante o projeto de estudo dos povos indígenas brasileiros. mas. Esses mitos têm muita força entre os povos que os criaram e são transmitidos de pai para filho.Encaminhamento ■■ Prepare a leitura dos mitos de origem constantes do material de apoio (ín- dios Desanas e Arawetés). ■■ Após a leitura.

■■ Avise que você escreverá aquilo que eles ditarem. do descobrimento do Brasil. do grupo Palavra Cantada. ■■ No dia em que continuar. ■■ Pergunte. ou seja.Encaminhamento ■■ Faça uma nova leitura do mito dos índios Desanas. copie o trecho que tiver sido escrito em papel kraft da lousa e avise que continuarão posteriormente. Etapa 5: Aspectos históricos Nesta etapa. interrompa. Discuta com o grupo as várias possibilidades e escreva aquela que o grupo julgar que ficou melhor (em letra bastão). além da oficial. leia o que foi feito e dê prosseguimento à produção procedendo da mesma forma. apresentado aos alunos na aula anterior. Atividade 5A: Leitura pelo professor de matéria sobre o descobrimento do Brasil Objetivos ■■ Conhecer outra versão. os alunos terão contato com uma versão do descobrimento do Brasil diferente daquela que é mais difundida. eles é que irão contar a história do melhor jeito possível. a questão do descobrimento será discutida com os alunos. então. ■■ Aprender a partir da leitura de um texto publicado em revista dedicada à divulgação de informações científicas especialmente voltada para o público infantil. como acham que a história deve começar. 178 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . coloque o papel com o trecho escrito na lousa. Você pode fazer perguntas como: jj Esta é a melhor forma de escrevermos isso? jj Será que o leitor vai entender o que queremos dizer? jj Falta alguma informação neste trecho? ■■ Na hora em que perceber que estão cansados. A partir da leitura de uma matéria publicada na revista Ciência Hoje das Crianças e da música Pindorama. ■■ Coloque questões que os façam refletir sobre a linguagem escrita.

Guia de Planejamento e Orientações didáticas 179 . Espera-se que as crianças entendam que. antes de 1500. como estas: jj há muito tempo. Explique que devem ficar atentos para responder à seguinte pergunta: jj Por que o autor do artigo não concorda com a ideia de que foram os portugueses que descobriram o Brasil? ■■ Diga também que haverá pausas ao fim de cada parágrafo para que todos digam o que compreenderam. ■■ Que materiais são necessários: papel pardo grande para anotar. ■■ Deixe que os alunos conversem livremente. de que os portugueses teriam descoberto o Brasil. Os portugueses que estavam nesses navios encontraram índios vivendo por aqui. traga algumas informações sobre o tema. ■■ Duração: 40 minutos. proponha uma discussão sobre o que foi colocado no texto e a pergunta norteadora. jj no início. o Brasil não era uma terra conhecida pelos europeus. chegou ao Brasil uma esquadra proveniente de Portugal. já que vários povos já haviam chegado antes às terras do Brasil: os povos indígenas habitavam esta terra. Os alunos podem perma- necer em seus lugares. Proceda dessa forma até o final do texto. na visão do autor do texto. ■■ Explique que você lerá um texto em que essa visão. realizando as pausas para comentários em que os alunos digam o que compreenderam em cada parágrafo. é contestada. ■■ Terminada a leitura. ■■ Transcreva a pergunta na lousa e inicie a leitura. o contato entre os europeus e os índios era amistoso em alguns momentos e conflituoso em outros. o Brasil não poderia ser descoberto. Após a conversa. Texto publicado na revista Ciência Hoje das Crianças (Anexo 5A). comandada por Pedro Álvares Cabral. jj nesse ano. ■■ Como organizar os alunos: a atividade é coletiva.Planejamento ■■ Quando realizar: durante o projeto sobre os povos indígenas brasileiros. e só no final da leitura é que tentarão responder à pergunta colocada. jj hoje se diz que os portugueses descobriram o Brasil. Encaminhamento ■■ Proponha uma conversa informal em que os alunos compartilharão o que sabem sobre o descobrimento do Brasil.

com. leia a letra da canção e identifique as referências à história do descobrimento do Brasil. Para a segunda parte da aula. ■■ Relacionar o conteúdo da canção ao estudo dos povos indígenas e à leitura feita na aula anterior (“A outra história do descobrimento do Brasil”). Planejamento ■■ Quando realizar: após a leitura do texto “A outra história do descobrimento do Brasil”.■■ Peça que coloquem o que. descritos no último parágrafo do texto. Veja alguns exemplos: jj Pindorama (1a estrofe) – palavra em tupi que significa “país ou região das palmeiras”.uol. Também é importante salientar a diminuição drástica que sofreu a população indígena e os motivos para tal diminuição. ■■ Como organizar os alunos: coletivamente. além disso. CD do grupo Palavra Cantada ou acesso ao site da UOL Música: http://mais.br/view/92db81ral8qx/palavra-cantada--pindorama-0402386EC4892366?types=A ■■ Duração: 50 minutos. ■■ Que materiais são necessários: cópias da letra da canção. É importante enfatizar a relação que os portugueses estabeleceram com os povos que aqui habitavam. organizar as crianças em duplas. 180 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . visando dominá-los. jj Dom Manuel (último verso da primeira estrofe) – rei de Portugal em 1500. Encaminhamento ■■ Antes da aula. num primeiro momento. Atividade 5B: Ouvir e cantar uma canção sobre o descobrimento Objetivos ■■ Aprender uma nova canção. compreenderam e julgaram relevante. É como os povos de língua tupi chamavam sua terra. jj Vera Cruz (2a estrofe) – primeiro nome dado pelos portugueses ao Brasil (Ilha de Vera Cruz).

Manuel. ao mesmo tempo em que ouvem a música. não têm informações (que foram indicados acima). explorando também se conhecem outras canções desse mesmo grupo.jj Monte Pascoal (2a estrofe) – primeiro ponto avistado do mar pelas cara- velas. com seus navios. antes de chegarem ao Brasil em 1500. discuta a posição que cada “voz” está defendendo (índios ou portugueses). após informar. Cabral teria ido embora para seguir seu caminho para lá. ■■ Ouça a canção uma vez (sem usar a letra) ou veja o clipe da UOL Música e. transcreva a letra da canção no quadro. a quem se deve atribuir o “descobrimento do Brasil”. Quem canta a primeira estrofe? E a segunda? Proceda assim para que percebam que o sotaque português indica a visão de Portugal enquanto a outra voz se refere aos índios. jj Pero Vaz (3a estrofe) – Pero Vaz de Caminha veio junto com a esquadra de Cabral. pergunte se os alunos perceberam a brincadeira que há na alternância das estrofes. Era o escrivão e se encarregou de escrever uma carta ao rei. tinha a intenção de chegar à Índia e que só veio parar no Brasil por acaso (tal versão é considerada discutível pelos historiadores). é interessante que os alunos estejam organizados em duplas. indique no texto transcrito na lousa cada uma das estrofes. ■■ Inicie a aula explicando que aprenderão uma música que aborda o mesmo tema discutido na aula anterior. provavelmente. depois. Após “descobrir o Brasil”. ■■ Antes da aula. em 1500. Mostre o CD e diga que a música é cantada pelo grupo Palavra Cantada. Para essa atividade. desembarcaram no Brasil. Para cada estrofe. ■■ Em seguida. ou seja. proponha aos alunos que procurem acompanhar a letra. Conhecido como o Dia do Descobrimento do Brasil. jj 22 de abril – dia em que os navios de Cabral. D. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 181 . informe alguns dados sobre os quais os alunos. ao mesmo tempo. distribua a letra da canção para os alunos e. Enquanto o faz. ■■ Finalize a aula propondo que façam uma ilustração para cada uma das estrofes indicadas. ■■ Discutido o significado da canção. ■■ Essas informações deverão ser compartilhadas com os alunos para que possam compreender melhor a letra da canção. jj Para as Índias encontrar (último verso da 4a estrofe) – a história conta que Cabral. para comunicar o descobrimento de uma nova terra.

PINDORAMA É O BRASIL ANTES DE CABRAL PINDORAMA. VERA CRUZ ATRÁS DO MONTE PASCOAL BEM ALI CABRAL VIU DIA 22 DE ABRIL NÃO SÓ VIU. VÊM VOCÊS QUE FALAVAM TUPI-PORTUGUÊS SÓ DEPOIS COM VOCÊS NOSSA VIDA MUDOU DE UMA VEZ 182 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . PINDORAMA PALAVRA CANTADA (TERRA À VISTA!) PINDORAMA. FAÇA UMA ILUSTRAÇÃO PARA AS ESTROFES INDICADAS. VERA CRUZ QUEM ACHOU FOI PORTUGAL VERA CRUZ. PINDORAMA MAS OS ÍNDIOS JÁ ESTAVAM AQUI PINDORAMA. PINDORAMA É TÃO LONGE DE PORTUGAL FICA ALÉM. EM SEGUIDA. PINDORAMA JÁ FALAVAM TUPI-TUPI SÓ DEPOIS. MUITO ALÉM DOS DOMÍNIOS DE DOM MANUEL VERA CRUZ.NOME:_________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA:__________________________________________ ACOMPANHE A LETRA DA MÚSICA PINDORAMA E. MUITO ALÉM DO ENCONTRO DO MAR COM O CÉU FICA ALÉM. DESCOBRIU TODA A TERRA DO BRASIL PINDORAMA.

DESCONFIO NÃO FOI NADA OCASIONAL QUE CABRAL. NUM DESVIO VIU A TERRA E DISSE: “UAU!” NÃO FOI NAU. PERO VAZ DISSE EM UMA CARTA AO REI QUE NUM ALTAR. VEM OUVIR É UM PAÍS MUITO SUTIL QUEM QUISER DESCOBRIR SÓ DEPOIS DO ANO 2000 Guia de Planejamento e Orientações didáticas 183 . PARA AS ÍNDIAS MAS AS ÍNDIAS JÁ ESTAVAM AQUI AVISAMOS: “OLHA AS ÍNDIAS!” MAS CABRAL NÃO ENTENDE TUPI SE MUDOU PARA O MAR VER AS ÍNDIAS EM OUTRO LUGAR DEU CHABU. SOB A CRUZ REZOU MISSA O NOSSO FREI MAS DEPOIS SEU CABRAL FOI SAINDO DEVAGAR DO PAÍS TROPICAL PARA AS ÍNDIAS ENCONTRAR PARA AS ÍNDIAS. FOI NAVIO FOI UM PLANO IMPERIAL PRA APORTAR SEU NAVIO NUM PAÍS MONUMENTAL AO ÁLVARES CABRAL AO EL REI DOM MANUEL AO ÍNDIO DO BRASIL E AINDA QUEM ME OUVIU VOU DIZER.PERO VAZ. DESCOBRI O BRASIL TÁ INTEIRINHO NA VOZ QUEM QUISER VAI OUVIR PINDORAMA TÁ DENTRO DE NÓS AO ÁLVARES CABRAL AO EL REI DOM MANUEL AO ÍNDIO DO BRASIL E AINDA QUEM ME OUVIU VOU DIZER. DEU AZAR MUITAS NAUS NÃO PUDERAM VOLTAR MAS. ENFIM.

com o apoio do professor de artes. os alunos se organizarão em quartetos. ■■ Duração: 50 minutos. Encaminhamento ■■ Antes da aula. do encaminhamento das propostas.Etapa 6: Preparação do produto final Nesse momento. os alunos deverão estar em suas carteiras. Se possível. é fundamental contar. Na segunda parte da aula. tanto para o planejamento das aulas. Atividade 6A: Divisão dos grupos Objetivos ■■ Organizar os alunos em grupos para a exposição sobre os povos indígenas brasileiros. ■■ Discutir em grupo um projeto para apresentação de seu grupo. nas aulas desta etapa. ■■ Que materiais são necessários: lápis e papel para anotar os projetos dos alunos. os alunos serão divididos em grupos e começarão a preparação para a apresentação que finalizará o projeto. quanto na intervenção junto aos alunos. É interessante contar com crianças que se encontrem em momentos diferentes em relação a esse conhecimento. Assim como em outros momentos deste estudo. Planejamento ■■ Quando realizar: na etapa de preparação do produto final do projeto de es- tudo dos povos indígenas brasileiros. procure garantir uma criança com escrita alfabética em cada grupo. ■■ Como organizar os alunos: num primeiro momento. 184 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . organize os quartetos considerando o momento em que cada aluno se encontra em relação: jj à compreensão do sistema de escrita alfabético.

desenhos etc. na forma de legendas. jj 3o grupo: alimentação dos povos indígenas brasileiros. para apoiar o que é dito. contar pequenos resumos de cada um. jj 6o grupo: mitos e lendas dos povos indígenas. uma das crianças se encarrega de escrever o que ditarem. jj 4o grupo: brincadeiras das crianças indígenas. proponha que discutam como apresentarão as informações. para poder recuperar o conteúdo do texto nas aulas seguintes. mas é importante que você também anote o que planejaram. ■■ Proponha que os grupos se juntem e conversem sobre o tema de sua preferência. também em relação ao comportamento dos alunos. realize um sorteio. oralmente.jj às características de cada um (evite deixar num mesmo grupo crianças muito agitadas ou muito tímidas). Se não houver crianças nessa situação. mas se algum deles contar com a preferência de mais de um grupo e outro ficar vazio. o grupo pode ditar para um integrante que já escreva alfabeticamente.). explicar o que será feito: você organizará as crianças em grupos para que iniciem a organização da apresentação que farão na finalização do projeto. ■■ Proponha que os grupos discutam o que produzirão e como apresentarão cada tema. jj escrever o título e nome do povo. maquetes etc. deixe que escolham seu tema. jj aprender a contar o mito. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 185 . ■■ Definidos os grupos e os temas sobre os quais falarão. Para cada uma dessas produções é preciso que o grupo escreva pequenas informações. Explique que cada grupo fará uma exposição oral. Se possível. ■■ Explique que cada grupo se responsabilizará por um dos assuntos estudados: jj 1o grupo: aspectos gerais das nações indígenas hoje e na época do descobrimento. É importante que esses projetos sejam organizados numa lista. que ampliem as produções visuais (maquetes. Por exemplo: jj desenho dos mitos com legendas. ■■ No início da aula. jj 2o grupo: características dos índios Xikrin-Kaiapós. ■■ Para essa escrita. Por exemplo. mas deve contar com desenhos. é compor grupos heterogêneos. jj 5o grupo: como as crianças e jovens aprendem. escrever os títulos e o nomes dos povos a que pertencem e. O ideal. as crianças que se encarregarem de explicar os mitos podem se apoiar em desenhos legendados de cada um dos mitos.

Atividade 6B: Preparação de materiais para exposição É IMPORTANTE QUE. mesmo que alguns sejam mais habilidosos. PARA ESTA AULA. Objetivo ■■ Preparar o material que será exposto na apresentação que finalizará o pro- jeto de estudo dos povos indígenas do Brasil. ■■ Proponha que. orientar sobre o uso dos materiais e sobre a pertinência de algumas representações. ■■ Deixe que trabalhem e.) contem com a participação de todos. Distribua o material plástico disponível. antes de iniciar o trabalho. escritas etc. circule entre os grupos para incentivar a participação de todos. ■■ Proponha. Encaminhamento ■■ Espalhe pela classe os desenhos e legendas. Mostre também as fotos que foram utilizadas no estudo. ■■ Como organizar os alunos: nos quartetos formados na aula anterior. considerando o que viram em fotos 186 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . que observem as produções realizadas ao longo do estudo: algumas poderão ser incluídas nas apresentações desde que sejam pertinentes ao tema. dividam tarefas: que parte cada um elaborará? Como se organizarão para que todos contribuam para mostrar o que aprenderam? Explique que. ■■ Reúna os quartetos e proponha que se organizem para produzir o material que combinaram na aula anterior. ■■ Que materiais são necessários: material para elaboração dos objetos e desenhos que servirão de apoio à apresentação que finalizará o projeto. Planejamento ■■ Quando realizar: após o planejamento da apresentação que finalizará o pro- jeto de estudo dos povos indígenas brasileiros. isso não justifica que apenas eles elaborem os materiais: é importante que as produções (desenhos. enquanto isso. também. além de outros materiais pro- duzidos nas aulas anteriores. VOCÊ TRABALHE EM PARCERIA COM O PROFESSOR DE ARTES. de acordo com o que os grupos planejaram produzir. ■■ Duração: 50 minutos.

■■ Duração: 50 minutos.). não há sentido em tomar como modelo as cabanas de índios norte-americanos. ■■ Um exemplo: o grupo que se encarregará de explicar como as crianças indígenas aprendem poderá escrever AS CRIANÇAS TRABALHAM JUNTO COM OS ADULTOS para acompanhar um desenho que represente uma menina Guia de Planejamento e Orientações didáticas 187 . que são bem diferentes). pois as explicações mais longas serão feitas oralmente pelos integrantes no momento da apresentação. Atividade 6C: Escrita de legendas Objetivo ■■ Produzir as legendas que acompanharão o material a ser utilizado na apre- sentação de finalização do projeto. É preciso que cada um desses materiais seja acompanhado de uma legenda que amplie as informações apresentadas nas produções visuais (maquetes. ■■ Que materiais são necessários: os objetos e desenhos produzidos na aula anterior. desenhos etc. Planejamento ■■ Quando realizar: após a produção do material que servirá de apoio à apre- sentação oral dos grupos. ■■ Os trabalhos produzidos devem ser guardados para serem utilizados nas aulas seguintes e na apresentação. ■■ Como organizar os alunos: nos quartetos que se encarregarão de apresentar cada um dos temas. uma vez que viram fotos das casas dos povos indígenas brasileiros. reveja fotos ou releia trechos dos textos utilizados ao longo do estudo para relembrar (por exemplo. ■■ Se necessário. Encaminhamento ■■ Explique como a atividade vai acontecer: os alunos estarão em quartetos e receberão todo o material que foi produzido para apoiar a apresentação. o grupo que se encarregou de falar sobre a alimentação indígena pode necessitar que você releia os itens que são cultivados nas roças).(por exemplo. Diga que esse texto é breve. Mas enfatize que cada um dos objetos deverá contar com um desses textos.

■■ Como organizar os alunos: nos mesmos quartetos que trabalharam nas aulas anteriores. Esse encaminhamento permitirá que os textos sejam recuperados na aula seguinte. AS CRIANÇAS APRENDEM PORTUGUÊS E A LÍNGUA DE SEU POVO para acompanhar outro desenho em que se represente a escola de uma aldeia. circule pelos grupos oferecendo as ajudas necessárias: jj realizando intervenções para que a escrita se aproxime ao máximo da convencional (sugestões de intervenções na atividade 2C). Se nem todos os grupos contarem com crianças que já escrevam alfabeticamente. ■■ Proponha que os alunos iniciem a atividade e.trabalhando na roça com outras mulheres adultas. jj propondo que todos participem ativamente do trabalho em grupo. escolha uma delas para ser a escriba. Atividade 6D: Revisão das legendas que acompanham o material de apoio para a exposição Objetivos ■■ Aprimorar a escrita para que se aproxime da convencional. ■■ Duração: 40 minutos. 188 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . Nesse caso. Também esceverá NAS ESCOLAS INDÍGENAS. enquanto trabalham. jj relembrando informações estudadas (você pode reler textos ou recuperar imagens). ■■ Explique que as crianças devem decidir esses textos no grupo todo e ditá-lo para uma criança que já escreva. Planejamento ■■ Quando realizar: após a escrita dos textos que acompanharão as imagens e objetos produzidos para a finalização do projeto de estudo. ■■ Que materiais são necessários: os textos produzidos na aula anterior. você deverá estar mais próxima do grupo para propor que o ditem também para você. ■■ Valorizar a escrita correta.

além da escrita que produziram você incluirá a transcrição convencional desses textos abaixo da produção deles. por exemplo) ou escreva palavras que compartilhem a sílaba inicial com a que você assinalou. Nesse caso. Os alunos deverão reler. apropriados para serem utilizados na exposição. ■■ Com essas intervenções. ■■ Organize novamente os quartetos e explique que os textos que serão utilizados na apresentação deverão estar escritos corretamente. escreva a palavra corretamente.Encaminhamento ■■ Antes da aula. Faça perguntas que favoreçam essa reflexão. ■■ Explique aos alunos cuja produção não está alfabética que também passarão a limpo aquilo que escreveram. distribua papéis especiais. para favorecer a reflexão dos alunos (releia as intervenções sugeridas na atividade 2C). releia os textos produzidos e assinale as palavras que con- têm erros. tornem sua produção mais próxima da convencional. Abaixo do texto. observar as palavras marcadas e. Para garantir que os leitores compreendam o que o grupo teve a intenção de expressar. ■■ Quando os alunos terminarem a revisão (de acordo com as possibilidades de cada grupo). os alunos incluam ou mudem uma ou outra letra. com letra caprichada e legível. trabalhe junto com os grupos cuja produção não é alfabética. não se espera que as palavras assinaladas fiquem corretas. Para cada um indique a palavra que você escolheu e proponha que reflitam sobre sua escrita. Neles os alunos deverão passar a limpo os textos. consultando a forma correta que aparece abaixo de cada texto. indique materiais de consulta (os nomes dos colegas. fazer a correção. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 189 . a partir delas. ■■ Enquanto os grupos de crianças em que havia um escritor alfabético se dedicam à correção. ■■ Escolha uma ou duas palavras nos textos de crianças que não escrevem alfabeticamente. ou seja. pois essa é uma forma de valorizar a produção dos alunos e demonstrar respeito pelos leitores (as pessoas que visitarão a exposição). mas que. a intervenção será diferente. ■■ Diga que você assinalou as palavras que foram escritas incorretamente.

falem entre si como se estivessem falando para o público que assistirá às apresentações. em quartetos. Em seguida.Atividade 6E: Ensaios para a apresentação Objetivos ■■ Preparar-se para a apresentação que finaliza o projeto. ■■ Contar com sugestões dos colegas para aprimorar sua apresentação. aproxime-se de cada grupo. ■■ Que materiais são necessários: os materiais que foram produzidos para a apresentação. cada integrante deve ajudar o colega para que seja claro em sua fala e para que use um tom de voz adequado a uma apresentação em público. ■■ No ensaio nos grupinhos. definindo que parte será apresentada por cada integrante (estimule a participação oral de todas as crianças). ■■ Desenvolver habilidades de comunicação oral – expor a um público aquilo que aprendeu no projeto. ■■ Explique a atividade: eles deverão se organizar. observe como dividiram as falas. ■■ Enquanto trabalham. num primeiro momento. como cada criança expõe sua parte. Planejamento ■■ Quando realizar: antes da apresentação que finaliza o estudo de povos in- dígenas brasileiros. coletivamente. ■■ Duração: 50 minutos. Encaminhamento ■■ Organize os alunos nos quartetos. e proponha mudanças que os 190 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . ■■ Como organizar os alunos: num primeiro momento. Proponha que. Entregue todo o material produzido para a apresentação.

■■ Após esses pequenos ensaios. Para que a aula não fique cansativa. ■■ Enquanto assistem aos colegas. sugerem o que pode ser melhorado em relação aos seguintes itens: jj tom de voz. valorizando o que está adequado e contribuindo com sugestões pertinentes no sentido de aprimorar a atuação que é alvo dessas críticas. vocês poderão decidir juntos sobre: jj o melhor local para a exposição e apresentação. Ainda nesta etapa. ■■ Enquanto o fazem. é importante ter cuidado ao criticar. Ao propor sugestões para aprimorar as apresentações dos grupos. jj a melhor maneira de divulgar o evento. em seguida. Estimule os colegas do quarteto a fazer o mesmo. jj os integrantes e seu material de apoio (desenhos. os convidados serão distribuídos entre os grupos. jj a produção de um convite para os pais e demais membros da comunida- de escolar. considerando sempre a necessidade de respeito e estímulo ao colega cuja participação está sendo criticada. no final. proponha que os grupos se apresentem para a classe. jj uso do material de apoio (imagens. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 191 . jj cada grupo de alunos faz sua apresentação para um pequeno grupo de convidados que. você pode propor que os grupos se apresentem em dias diferentes. textos). A apresentação se dará da seguinte maneira: jj divida o espaço entre os grupos.ajudem a melhorar sua exposição. é importante trabalhar atitudes de respeito para com eles. ■■ Isso será feito com todos os grupos. os demais acompanham em silêncio e. textos expli- cativos) ficarão no espaço designado para cada grupo. como um circuito composto de várias estações (cada estação é representada por um dos grupos que apresentará um dos temas estudado). objetos. objetos. jj quando chegarem. por meio de uma escuta atenta. se dirige para outro grupo. jj clareza e correção das informações apresentadas.

mas também se diferenciam entre si: nas tradições. gravadores e falando português. que todos falam tupi e moram em ocas. Hoje é comum vermos índios usando relógios. Cada uma destas sociedades indígenas tem um modo próprio de ser. na economia. Isto ocorre porque as culturas indígenas são antigas. Estima-se que a população indígena atualmente totalize mais de 280 mil indivíduos.. falando mais de 170 línguas e dialetos conhecidos. na arte. Pois bem. tem muita ideia errada sobre os índios circulando por aí. (. E eles continuam sendo índios. nos conhecimentos. Pouca gente sabe quantos grupos indígenas existem hoje no Brasil. esses dados mostram que os índios não fazem parte só do nosso passado. os índios mudam.ANEXO 2A: TEXTO PARA ATIVIDADE 2A Apresentação3 Muitas pessoas acreditam. outros. roupas. Mas eles não deixam de ser índios por causa disto. Alguns desses povos entraram em contato com os brancos há muito tempo. mas não são paradas no tempo. 1997. Elas se modificam. 3 e 4. no jeito de ver o mundo e de se relacionar com a natureza. Como você pode ver. p. na história. 192 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . porém.. de Luís Donizete Benzi Grupioni. É. Outras imaginam que só há índios na Amazônia. aí vai a informação: são cerca de 200 sociedades indígenas diferentes. só agora começam a estabelecer relações. Ao manterem contato com os brancos. São Paulo: Berlendis e Vertecchia. mas também estão aí no nosso presente e vão fazer parte do nosso futuro. Elas não são apenas diferentes da nossa sociedade. ainda hoje. existem aldeias indígenas em quase todos os estados que formam o Brasil. se transformam em função de novos acontecimentos e situações.) 3 Introdução do livro Viagem ao mundo indígena. de leste a oeste. que os índios são algo do passado ou que eles estão desaparecendo e perdendo suas culturas. De norte a sul.

as mais velhas. as mulheres casadas e que têm filhos se reúnem para se pintar umas às outras. com três ou quatro filhos. O momento da pintura é sempre de descontração. prazer. Por ter um filho recém-nascido e já haver cumprido o período de resguardo – que pai e mãe devem respeitar após o nascimento dos filhos –. Ao longo de toda a vida as mulheres Xikrin vão se aperfeiçoando na arte e na técnica de pintar o corpo. Irepu vai participar da sessão. inhame. quando uma moça tem seu primeiro filho. Assim. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 193 . de acordo com a idade e com a quantidade de filhos. 4 Introdução do livro Viagem ao mundo indígena. longe do olhar crítico das mulheres mais velhas. Pouco a pouco um grupo de mulheres vai se reunindo na casa da mulher do chefe. Crianças pequenas pintam abóboras e bonecas de plástico que são levadas para a aldeia. para os Xikrins. uma atividade de grande interesse e importância na sociedade em que vivem. ela já sabe pintar. mandioca e mamão na roça. mulheres jovens com um filho ou dois. divertimento e também de muitas fofocas. p. É pintando o filho e observando as mulheres mais velhas pintando outras mulheres da mesma categoria de idade que uma Xikrin vai se aperfeiçoando no domínio da técnica de pintar. Quando atingem os 10 ou 12 anos. milho. 1997. É a primeira vez que Irepu toma parte numa dessas sessões de pintura. Isto exige muito tempo e prática. organizando-se em pequenos grupos. banana. pintando uma companheira e sendo pintada por ela. noutro. Mais ou menos a cada oito dias. suas mães permitem que pintem seus irmãos menores. Num canto da casa. as mulheres vão “treinando a mão” e aprendendo que. as mulheres conversam. Pintando regularmente seus filhos. hoje está na aldeia. 3 e 4. para fazerem juntas a primeira refeição do dia e iniciarem mais uma sessão de pinturas coletivas. São Paulo: Berlendis e Vertecchia. ela pode ingressar na categoria das jovens mulheres com filhos. Assim. de Luís Donizete Benzi Grupioni. ela embala seu bebê ao som das cantigas de seu povo e de pinceladas de tinta. É preciso adquirir segurança no uso do pincel e aprender noções de proporção. Na casa da mulher do chefe. todas comendo frutos trazidos da roça. gastar horas pintando o filho é uma demonstração de carinho e interesse.ANEXO 3A: TEXTO PARA SER LIDO PELO PROFESSOR PARA OS ALUNOS A arte de pintar4 A algazarra das crianças pequenas e a voz estridente de algumas mulheres Xikrins – índios que habitam o sul do Pará – indicam que o grupo que ontem tinha saído bem cedo para apanhar batata-doce. Em sua casa.

as mulheres voltam para suas casas. formando o conselho dos homens da aldeia. Numa pequena cuia de cabaça está a tinta. para amamentá-lo. no Pará. que dorme docemente nos seus braços. São conhecidos por suas pinturas corporais. elas se juntam novamente.quando se colocam os assuntos em dia. sua companheira cobre-lhe o corpo todo com tinta aplicada com a mão e. Falantes de uma língua Jê. agora na frente da casa da mulher do chefe. Hoje. Enquanto espera a pintura secar e a volta da companheira que tinha ido em casa buscar um abano de palha. Dali. Ele rapidamente adormece em seu colo e ela pode então retribuir a pintura na amiga. Hoje. usando uma pequena lasca de taquara que lhe serve como pincel. habitam em uma área de floresta. mas admirando o filho. e escutando os comentários que outras mulheres fazem sobre a pintura que ela realizou em sua amiga. onde se sentam os rapazes e os mais velhos. ao sul da Serra de Carajás. observam os jovens trazerem folhas de palmeira-buriti bem verdes. Algumas continuam tomando conta das crianças. pois hoje se iniciou numa nova fase de uma das artes mais apreciadas pelas mulheres Xikrins: a arte de pintar-se. que foi o escolhido. eles se autodenominam Put-Karot. que estava com sua irmã. elas elaboram os vários desenhos. fazendo o desenho do jabuti. A pintura é igual para todas e o desenho é o mesmo no rosto e no corpo. Com o entardecer. Irepu pega o filho. preparada por algumas mulheres com a mistura de jenipapo mascado. Formando triângulos. Discutem sobre vários desenhos possíveis e então se decidem sobre o motivo da pintura que farão hoje. verdadeiras vestimentas ou “peles sociais”. Depois de pintar o rosto de Irepu. 194 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . Com traços firmes. Irepu não está prestando atenção ao que é dito no centro da aldeia. Terminada a sessão de pintura. quadrados ou executando linhas retas paralelas. Irepu se sente diferente. que já tinha voltado. com uma população estimada de 555 indivíduos. Uma amiga de Irepu começa a pintar seu rosto. que representam animais e plantas. O deslizar do pincel no rosto produz uma agradável sensação de frescor. todo pintado. em seguida. Entraram definitivamente em contato com os brancos nos anos 50. carvão e um pouco de água. passa um pente para formar as listas. são um subgrupo do povo Kayapó. entre o rio Araguaia e o Xingu. enquanto outras vão preparar comida. Os Xikrins. que são colocadas no meio da praça.

A fim de aguçar estas qualidades. desde os mais jovens. mas em terreno seco e bem drenado. como processar e cozinhar os alimentos e cuidar dos filhos. a colheita diá­ ria de tubérculos para a alimentação. divididos por categoria de idade. os Xikrins perfuram. o homem vai viver na casa de sua esposa. até os mais idosos. é uma instituição básica. enfatizam a audição e a palavra. por meio de laços de amizade que não têm nada a ver com os laços de parentesco. se reúnem. do qual participam todos os homens. e da mata circundante. testemunhas silenciosas. As questões de ordem política são propostas e resolvidas no conselho dos homens. pertencem às mulheres. diferentes grupos. os órgãos correspondentes (orelhas e lábios). ocupando espaços distin- Guia de Planejamento e Orientações didáticas 195 . Nela. opinam sobre as discussões coletivas e decidem sobre os assuntos relacionados à nominação e casamentos. Após o casamento. que é mantida quando constroem uma nova aldeia ou acampamento na floresta. O espaço social constitui-se de uma praça central. A casa dos homens está associada aos grupos masculinos e as atividades tipicamente reservadas aos homens. espaço masculino. jurídico e ritual. constituído por pessoas que vivem sob o mesmo teto. As casas. Desde o momento de sua introdução na casa dos homens até o nascimento de seu primeiro filho um jovem passa por diferentes categorias de idade. atividade extremamente desenvolvida. A incorporação de um jovem na casa dos homens se dá por volta dos dez anos de idade. o abastecimento de lenha e água. Uma mulher nasce. no centro da aldeia. As casas possuem uma localização física certa e obedecem a uma ordem estável. Constroem as suas aldeias perto de um rio ou igarapé. logo na infância. Ainda que não participem formalmente do Conselho. vive e morre na mesma casa. assim como as roças. assim como parte da coleta da floresta. São responsáveis pelas tarefas domésticas. com pequenas roças circulares. Dedicam também grande tempo à pintura corporal. O nascimento de um filho marca o momento em que o jovem passa a ser um adulto. grupo de língua Kayapó. com um círculo de casas ao redor. fiam o algodão e desempenham papel importante durante os rituais. Cabe-lhes o trabalho na época do plantio.ANEXO 3A: TEXTO COM INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES SOBRE OS KAIAPÓS (para ampliar conhecimentos do professor) Informações sobre os Xikrins Os Xikrins. O grupo doméstico. No centro da aldeia está situada a Casa dos Homens. político. As mulheres de uma casa desenvolvem atividades em conjunto. testemunhas mais distantes.

assistimos à substituição de conchas de itã por botões. o caititu. Ultimamente. A caça e a pesca podem ser atividades individuais ou coletivas. esteiras. os grupos de idade se definem de modo mais visível. Da floresta. além de conchas. sendo assim. Por exemplo. penas de aves. causando seu assoreamento gradativo. As caças mais apreciadas são a anta. apesar de sua dependência dos produtos da roça. Os problemas são causados pelo fato de todas as cabeceiras de rios que banham a Terra Xikrin do Cateté estarem fora da área demarcada. diferentes qualidades de mel. cestaria. o coco babaçu e cocos menores. caramujos e sementes diversas. É muito difícil ter um chefe que administre a aldeia inteira sozinho. arcos e flechas. Coletam também toda a matéria-prima necessária para a sua cultura material. quando cada categoria se dedica a atividades específicas. Esses rios passam por área de garimpo. fibras. Cabe aos homens a confecção da maior parte dos ornamentos corporais.tos. o veado. Os Xikrins definem-se como essencialmente caçadores. almécega. cipós. cacau bravo etc. instrumentos musicais. No verão. O hábito de perambulação pela área. coletam para o consumo o palmito. a queixada. especialmente madeiras. Cada categoria conta com um chefe que atende e expressa os anseios de seu grupo. Mas. a paca e a cotia. além de diversificar a dieta. Pegam jabutis em grandes quantidades e desentocam tatu. frutão. unhas de veado e anta por sinos de 196 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . essenciais para o aprovisionamento de alimento. Várias espécies de peixes fazem parte da alimentação. Muitas vezes eles se dividem em metades (jovens versus casados) e desempenham várias atividades econômicas. prevalece a pesca comunitária com timbó. bordunas. plantas medicinais. Muitos rituais dependem destas perambulações. o que se percebe é que existe uma diminuição quantitativa da matéria-prima utilizada pelos Xikrins no seu cotidiano ou para confecção dos ornamentos e. Atualmente percebe-se uma diminuição significativa dos recursos pesqueiros. as coités para confecção de maracás cerimoniais. sementes diversas por miçangas. como durante a vida nômade. para promover as cerimônias e de outros produtos não encontrados no entorno da aldeia. somente encontradas nos campos da cabeceira do rio Itacaiúnas. bacaba. frutas silvestres (açaí. Pescam no inverno com linha de nylon e anzol. algumas aves entraram no cardápio. grandes extensões de fazenda onde a proteção da mata ciliar não é respeitada.) e larva de coco. o que representa uma novidade. permite um manejo muito bem planejado de diversos ecossistemas. palhas. cera de abelha. cupuaçu. políticas e cerimoniais. ou durante certos rituais ou competições esportivas. Em certas ocasiões. a castanha-do-pará.

aprende de modo mais contínuo com aquele que é um especialista reconhecido naquela atividade. como lenha. jenipapo e urucum (utilizado na pintura corporal). Hucitec-Edusp.org/pt/povo/xickrin-kayapo Para saber mais sobre os Xikrins Vidal. As crianças podem passar o dia inteiro brincando e inventando atividades para se divertir. Vidal. sempre que podem. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 197 . coreografias e sequências rituais a turmas de meninos e meninas. 296 p. As roças. durante um longo período de tempo. Morte e vida de uma sociedade indígena brasileira: os Kayapó-Xikrin do Rio Caeté. 1992. com marcada inclinação para desempenhar uma atividade específica. Os adultos orientam. Apesar das mudanças drásticas e rápidas às quais são submetidos. corrigem e às vezes ensinam. Os mitos são contados pelos velhos. abóbora. a queimada e o plantio (outubro). frutos. 1977. O preparo do terreno para o cultivo divide-se em três fases sucessivas: a broca e a derrubada (maio e junho). Um indivíduo. de modo mais sistemático. (org. Essa história foi baseada em informações fornecidas pelas antropólogas Lux Vidal e Isabelle Vidal Giannini. espécies plantadas ao redor das casas.metal. Lux B. são fontes de aprovisionamento. bananas e algodão. de diversos produtos. FONTE: Instituto Socioambiental | Site Povos Indígenas no Brasil Mirim http://pibmirim. Mas os adultos também gostam de diversão e. se juntam para jogar. os Xikrins continuam realizando a agricultura de coivara e plantando várias qualidades de batata-doce. macaxeira. Nobel/Edusp. babaçu (para óleo) e plantas medicinais. Nota-se a importância pedagógica da repetição e da participação nos diferentes acontecimentos. que vai expor informações na atividade 4D Brincadeiras Todo mundo gosta de brincar e jogar. mamão. produto trocado por penas de aves com outros Kayapós. mesmo após serem abandonadas para o cultivo. inhame. As mulheres Xikrins passaram a produzir uma maior quantidade de óleo de babaçu.). batata doce. As meninas aprendem a pintura corporal em casa. com parentes adultas. cantos.socioambiental. milho. 268 p. de drama ou de discurso político. sob forma de conto. São Paulo. ANEXO 4D: texto de apoio para o professor. São Paulo. Grafismo indígena: estudos de antropologia estética. O ensino tradicional dá-se por meio da convivência e da observação participante. Lux B.

Mas isso não é um problema. Valdo e Donato. 198 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . o pião da semente da palmeira tucumã. limpam e raspam toda a parte de dentro. entre outras plantas. goiaba. que se mostram à vontade com as brincadeiras que 5 Renata Meirelles. como o pai lhes ensinou. mas o objetivo é sempre desfrutar o momento e a companhia dos amigos. Ed. só então. Já outros são curiosos e originais.Existem muitos jeitos de brincar. jenipapo. tentam fazer. Os meninos galibis. Existem algumas que. rodeadas de mangueiras. Ali moram poucas crianças. infelizmente. tucumã. Sem sucesso. pois construir o brinquedo também faz parte da brincadeira! Anexo 4Da – Relato de brincadeira. Valdo e Donato moram na aldeia São José. Além disso. antes de o jogo começar. os piões não giram e muito menos fazem som. Brincar é também uma maneira de aprender! Os índios possuem muitos jogos e brincadeiras. cajueiros. A maior parte dos Galibis vive na Guiana Francesa e lá são conhecidos como Kaliñas. Existem brincadeiras que só as crianças jogam. inajá. Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil. que canta ao girar. outras que os adultos jogam junto e assim ensinam as melhores técnicas para quem quiser virar um craque! Têm brincadeiras só de menino. Buscam primeiro as melhores sementes. Terceiro Nome. quando o pai voltará da mata. aprender a fazer o brinquedo e. os jogos ajudam a desenvolver habilidades que serão importantes ao longo da vida. o pai. Originários da região do Rio Mana. deixando-as totalmente ocas. analisa o pião dos filhos e anuncia que ensinará novamente. guardam os piões nos bolsos e esperam a chegada da noite. no norte do Amapá. nesse caso. mas precisam esperar até a tarde do próximo dia. fazem alguns pequenos furos. outras só de menina. cuias. Mas. que tem oito casas de madeira. como a peteca e a perna de pau. começar a brincar. achar o material certo. eles passaram a viver na margem direita do Rio Oiapoque. é necessário ir até a mata. é preciso construir o brinquedo! Bom. Alguns são bastante conhecidos por vários povos indígenas e outros também são comuns entre os não índios. Miguel. será lido para os alunos na atividade 4C Piões dos Galibis do Oiapoque5 Os Galibis do Oiapoque migraram da Guiana Francesa para o Brasil nos anos 50.

novos conhecimentos são adquiridos nas mais diferentes situações: algumas são entendidas como momentos de aprendizagem (como é o caso dos rituais). que vivem no estado do Mato Grosso. Brincam com petecas e papagaios. se autodenominam A’uwé. sem dar explicações. que é passado de geração em geração. Deu certo! Todos os piões começam a rodar e zunir quase ao mesmo tempo. faz o seu pião na frente dos meninos. cada um com seu fane (nome desse brinquedo na língua Kaliña). Todas as outras lançavam ao mesmo tempo seus piões em cima da rede. Quatro delas seguravam nas pontas da rede. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 199 . que não disfarça a alegria de ver seus netos brincando com aquele que era o brinquedo preferido da sua infância. A algazarra traz de longe o Seu Geraldo. Reúne os meninos ao seu redor e conta como eram as disputas desse brinquedo na sua infância: juntavam várias crianças. perguntar ou pedir ajuda. o senhor mais velho da aldeia. que na língua Akwén quer dizer “gente”. Ouvindo as histórias dos mais velhos. mas não deixam de aprender com os mais velhos alguns brinquedos. sem falar. outras estão relacionadas com as pequenas atividades realizadas no dia a dia. Miguel. O objetivo do jogo era deixar o pião mais tempo rodando sem cair. As situações mais cotidianas são momentos de aprendizagem valorizados pelos A’uwé. As crianças costumam caminhar livres pela aldeia acompanhando outras pessoas (sejam crianças. e uma única rede de dormir. por exemplo. que o observam e vão fazendo seus piões junto com o pai. desde quando se é criança até a velhice. velhos ou adultos) em suas atividades e nestas ocasiões elas aprendem a identificar as regras que orientam sua sociedade. O aprendizado entre os Xavantes é um processo que acontece ao longo de toda a vida. deixando o tecido bem esticado.aprendem na cidade de Oiapoque. No horário marcado. como. iniciando um torneio de fane. ou sem ser lançado para fora da rede. ANEXO 4F – Texto que será lido para os alunos na atividade 4F Jeitos de aprender Como aprendem os Xavantes Os Xavantes. as crianças aprendem a fazer o brinquedo. o pião de tucumã. Em cada etapa deste longo caminho. no cerrado brasileiro.

Assim. Os meninos. o aprendizado vai acontecendo aos poucos. ANEXO 4Fa – Texto que será lido para os alunos na atividade 4F Nas escolas indígenas há a preocupação em respeitar as diferentes culturas. da fase de criança para a idade adulta. além de desenvolverem as habilidades físicas para se tornarem bons caçadores. Os rituais são importantes situações de aprendizagem. quando forem adultos. aprendem a fazer arcos e flechas desde pequenos e brincam ao redor da casa imitando caçadores e bichos. Brincar de casinha é um bom exemplo disso.As tarefas domésticas são aprendidas no cotidiano. de passagem de uma fase da vida para outra. Assim. A brincadeira é um jeito de aprender. lavar roupa. por exemplo. princípios e modos de agir do seu grupo e os adultos aprendem com os mais velhos todos os detalhes da realização de um ritual. conseguirão fazer arcos e flechas bonitos e bons para caçar. que conhecem importantes cantos etc. Os rituais têm objetivos concretos como demonstrar que aqueles meninos já conseguem enfrentar desafios físicos. Nos rituais de passagem aprende-se como agir socialmente: o que a comunidade espera. Foi a partir desse momento que os próprios índios se tornaram professores nas escolas das aldeias e a língua indígena passou a ser utilizada em sala de 200 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . Dessa forma melhoram suas habilidades e aprendem suas possibilidades e do mundo à sua volta. preparar comidas. Nestes momentos todo mundo aprende: os jovens aprendem mais sobre os valores. Ao construir com o barro uma casa em miniatura. buscando novas possibilidades e desafios a cada repetição. Vão aperfeiçoando a maneira de fazer os objetos e assim. levar e trazer recados. Ao mesmo tempo em que ajudam seus parentes a tomar conta do irmão. imitam as divisões internas de sua própria casa e assim a criança Xavante reflete sobre a organização doméstica e os espaços da aldeia. Têm por objetivo marcar períodos de amadurecimento. as crianças brincam e se divertem. e aprofunda o conhecimento que tem sobre sua comunidade. por exemplo. a partir dos anos 90. Estes momentos buscam enfatizar as divisões e as regras sociais xavantes e fixar os conhecimentos sobre as mesmas. As crianças Xavantes costumam repetir muitas vezes a mesma brincadeira. quais atitudes se deve ter dali para frente. a escola passou a ser um espaço que estimula e fortalece o uso das línguas indígenas.

pois respeita as festas e rituais locais. também passou a incluir os conhecimentos locais na sala de aula. O Terceiro Trovão se transformou em uma cobra grande e desceu até o fundo do Lago de Leite. Umukomahsu Boreka. quando o mundo não existia. seu calendário escolar é diferente. que foi o primeiro a descer da cobra-canoa. ou a Avó do Mundo. Os alunos aprendem. Os dois irmãos e o Terceiro Trovão saíram para criar a futura humanidade e para isso levaram todas as riquezas que possuíam. também chamada de Canoa de Transformação. Essa cobra. a humanidade inteira tem a mesma origem. o Bisneto do Mundo. Contam que. por exemplo. Na volta.socioambiental. mas deu origem ao chefe dos Tukano. gerou cinco Homens Trovões. aprendem sobre a história de seus antepassados. tinha os dois irmãos como comandantes e se deslocava como um submarino. e depois seu irmão. e também todo o modo de ser do grupo indígena a que a criança pertence. Foi lá que eles pisaram na terra pela primeira vez. não foi à terra. os irmãos criaram as línguas dos diferentes grupos de índios que ainda hoje vivem na região do alto Rio Negro. Esse novo modelo de educação ajuda a valorizar a língua. seus mitos etc. FONTE: Instituto Socioambiental | Site Povos Indígenas no Brasil Mirim http://pibmirim. A escola indígena. Yebá Gõãmu. em cada lugar que paravam. Depois foi Guia de Planejamento e Orientações didáticas 201 . que vive no estado do Amazonas. no Brasil. no princípio. além de ensinar a ler. e na Colômbia. conta assim a história da origem da humanidade: Para os Desanas. isso porque ela aprende conteúdos que se referem à sua vida e à vida de sua comunidade. faziam rituais com as riquezas que haviam levado.aula. Eles é que deveriam criar a futura humanidade. uma mulher conhecida como Yebá Buró. a escrever. Então ela criou o Bisneto do Mundo. mas não conseguiram. Eles criaram casas embaixo d’água e. Yebá Gõãmu. como usar os recursos naturais e cuidar do ambiente e do território onde vivem. Os conteúdos tratados nos cursos foram adaptados pelos próprios índios para dialogar melhor com a realidade vivida por cada comunidade. a Canoa de Transformação levou os humanos até uma cachoeira. Depois disso. a fazer conta e todos os conteúdos que os não índios aprendem.org/como-vivem/aprender ANEXO 4G: Será lido para os alunos durante a atividade 4G A origem do mundo para os índios Desana O povo Desana. Essas riquezas se transformaram em gente. Além disso.

As marcas da divisão do cosmos estão em toda parte: os morrotes de pedra que pontuam o território araweté são fragmentos do céu que se ergueu. O Bisneto do Mundo deu a todos eles alguns objetos e o poder de serem tranquilos. em ilhas de um grande rio subterrâneo. Eles são os ancestrais da humanidade atual. mas também sem fogo e sem plantas cultivadas. povoados pelos deuses. mas disse que seria uma pessoa sem medo. subindo num pé de bacaba. o deus Aranãmi decidiu abandonar a terra. as pedras do igarapé Ipixuna ainda guardam as pegadas dos Mai. Para escapar do dilúvio. Este era um mundo sem morte e sem trabalho. Junto com Aranãmi e seu sobrinho. insultado por sua esposa humana. o “céu vermelho”.org/como-vivem/mitos ANEXO 4Ga: Será lido para os alunos durante a atividade 4G A origem do mundo. Apenas dois homens e uma mulher conseguiram se salvar. Os Iwa Pidi Pa (que também são deuses) subiram ainda mais alto. A separação do céu e da terra causou uma catástrofe. alguns Mai procuraram escapar dos monstros afundando na água e criando o mundo inferior. “Estamos no meio”. dizem os Arawetés. O sétimo a sair foi o homem branco que tinha uma espingarda na mão. o chefe dos Desana. que desceu. ele tomou seu chocalho de pajé e começou a cantar e a fumar. Privada de suas fundações de pedra. Cantando. Assim se formou o firmamento: o céu que se vê hoje é o lado de baixo desta imensa placa de pedra. O branco depois de dar um tiro com sua espingarda seguiu em direção ao sul para fazer guerra. segundo os Arawetés No começo. Acompanhado por seu sobrinho Hehede’a. subiram dezenas de outras raças divinas. a terra se dissolveu sob as águas de um dilúvio: o jacaré e a piranha monstruosos devoravam os humanos. O terceiro foi o chefe dos Pyra-Tapuyo.Boreka. o quinto foi o chefe dos Baniwa e o sexto a sair foi o chefe dos Maku. Habitamos a terra. de fazerem grandes festas e de conviverem bem com muita gente. que faria guerra para roubar a riqueza dos outros. Um dia. o quarto o dos Siriano. fez com que o solo de pedra onde estavam subisse às alturas. As plantas cultivadas e a arte 202 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . os humanos e os deuses (os Mai) moravam todos juntos. as moitas de banana-brava espalhadas na mata são as antigas roças dos deuses. formando um segundo céu.socioambiental. que fica entre os dois céus e o mundo subterrâneo. onde habitam hoje. FONTE: Instituto Socioambiental | Site Povos Indígenas no Brasil Mirim http://pibmirim. Yebá Gõãmu não lhe deu bens.

maleável como o barro para nós. e os homens estarão um dia à altura dos deuses. não estamos dizendo que ela não é habitada por animais. O POVO DO IPIXUNA. ARAWETÉ. A divisão entre o céu e a terra também não é intransponível: os deuses falam com os homens. estamos tratando seus habitan- Guia de Planejamento e Orientações didáticas 203 . Mas os Mai são. pois o milho se planta sozinho. para os céus foram os maiores animais. só se ele não for habitado por pessoas. perfumados com a resina da árvore iciri. seus habitantes estão sempre pintados de jenipapo. para os deuses. imunes à doença e à morte: eles levaram consigo a ciência da eterna juventude. isto é. Os humanos são chamados pelos Arawetés de “os abandonados”. 1992 ANEXO 5A: Texto sobre o descobrimento do Brasil para ser lido na atividade 5A A outra história do descobrimento do Brasil Parece absurdo. adornados com penas de cotinga e arara. que reencontrarão os Mai no céu. após a morte. as melhores plantas. os arcos. mas. acima de tudo. as ferramentas agrícolas operam por si mesmas. São Paulo. porém mais altos. mais fortes e imponentes. Quando falamos em floresta virgem. mas é isso o que aprendemos na escola: os portugueses descobriram o Brasil. Lá ninguém trabalha. Ficamos tão acostumados a pensar assim que não nos perguntamos como isso é possível. Sabiam que os índios viviam aqui antes da chegada de Cabral. Eduardo Viveiros de. onde já viviam os índios. os machados. A pedra é. Tudo no céu é feito de pedra. publicação do CEDI: Centro Ecumênico de Documentação e Informação. intocado? Bem. por exemplo. sim.de cozinhar os alimentos foram reveladas aos humanos e aos deuses por um pequeno pássaro vermelho da floresta. os humanos se distinguem dos demais habitantes da Terra porque têm um futuro: eles são “aqueles que irão”. Os historiadores também não costumavam fazer essa pergunta. Fonte: Castro. Será possível que um lugar já habitado possa ser virgem. festas constantes de cauim de milho. a mais bela gente – pois os Mai são como a gente. danças. que ela não foi alterada pelo homem. Quando afirmamos que “essas terras virgens foram descobertas por Cabral”. No entanto. mas falavam do descobrimento como se o Brasil fosse uma terra virgem. O mundo celeste é um mundo de caçadas. Tudo que há em nosso mundo do meio é o que foi abandonado. os que foram deixados para trás pelos deuses. Tudo que é terrestre está condicionado pelo tempo e sujeito ao envelhecimento e à morte. imperecível e perfeito: as casas. as panelas.

esses grupos ficaram conhecidos como Tupi-Guarani.tes originais. eles estavam divididos em diferentes grupos. que viviam mais ao sul. tecidos trocados por farinha. Na verdade. O discurso e as práticas dos padres. Muitas vezes. uma grande nação. que dominavam o litoral desde o sul do estado de São Paulo até. profetizando e falando de uma terra de abundância. concorriam com os dos pajés. em grandes navios. mas conquistadas pelos portugueses aos povos indígenas. A aliança entre brancos e índios dava-se pela oferta de presentes (como machados de metal. E os europeus souberam bem se aproveitar das brigas internas dos Tupi-Guaranis. porém. e os Guaranis. encontraram diversos grupos indígenas. como José de Anchieta. unindo-se a alguns grupos para atacar outros. Muitos grupos indígenas foram convencidos a abrigar-se nos aldeamentos jesuítas sob 204 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . as terras que viriam a ser o território do Brasil não foram descobertas. parte da paisagem natural. Mesmo quando os Tupis conseguiam reunir um número considerável de aldeias para atacar áreas sob domínio português. trazendo objetos desconhecidos. facas. Esses pajés eram chamados pelos Tupis de Caraíba e os europeus ficaram conhecidos por esse nome. como armas de fogo e ferramentas de metal. No conjunto. que andavam de aldeia em aldeia. Até hoje. os Tupis associaram os europeus a seus grandes pajés. tinham de enfrentar índios fiéis aos colonizadores. o Ceará. espelhos. os índios. Talvez porque chegassem pelo mar. que os Tupis e os Guaranis formavam. Não se deve pensar. os conquistadores estimulavam a inimizade entre os índios para dominar o território com mais facilidade. Não foi só como parceiros na guerra e na troca que os europeus encontraram um lugar no mundo indígena. portanto. muitos grupos indígenas chamam os não índios de Caraíba. na bacia dos rios Paraná-Paraguai e em nossa costa meridional. os índios acabaram sendo derrotados. cujos costumes e línguas eram muito parecidos. como se eles não fossem pessoas. Quando os europeus chegaram à costa brasileira. pelo menos. mas. Os jesuítas – padres enviados ao Brasil com a missão de convencer os índios a se tornarem católicos – aproveitaram-se dessa associação do europeu com os grandes pajés nativos para facilitar seu trabalho. geralmente inimigos entre si. pela participação comum em atividades de guerra e pelo casamento de índias com brancos. cada qual. caça. sim. filhotes de animais e madeira). curando. embora possamos distinguir dois grandes blocos: os Tupis. embora fossem maioria. Ao contrário. está no lugar de outro termo que não costumamos utilizar: “conquista”. Assim. A palavra “descobrimento”.

mas o severo pai. deixando-a mergulhada em profunda tristeza. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 205 . Mara adormeceu na rede e teve um sonho estranho: um jovem loiro e belo descia da Lua e dizia que a amava. Esse medo tinha razão de existir. que sonhava com o amor e um casamento feliz. manteve-se indiferente. embora virgem.cienciahoje. Em noites quentes. Walde-Mar de Andrade e Silva.uol. alimentando seu desejo de tornar-se esposa e mãe. Para a surpresa de todos. Alguns autores estimam que havia cerca de um milhão de índios na costa brasileira. A maior parte morreu nas guerras de conquista. por maus-tratos e pelas doenças trazidas pelos conquistadores. não o contou a ninguém. essa população havia praticamente desaparecido. filha de um cacique. enquanto todos dormiam. Desconsolada. Deram-lhe o nome de Mandi e na tribo era adorada como uma divindade. Entretanto. Porém. passou a desprezá-la. deixando a todos amargurados. a mãe deu-lhe seu apoio. não acreditando no que ouvira. Certa noite. Mara deu à luz uma linda menina. por não querer separar-se dela. de pele muito alva e cabelos tão loiros quanto a luz do luar. deixando cair 6 Lendas e Mitos dos Índios Brasileiros. Mara sepultou a filha em sua oca. O sonho repetiu-se muitas vezes e ela acabou por apaixonar-se. FTD. desapareceu de seus sonhos como por encanto. que nunca aceitara a netinha. percebeu que esperava um filho. a filha do cacique. Carlos Fausto Departamento de Antropologia Museu Nacional/UFRJ Revista CHC | Edição 500-anos-de-historia-para-contar http://chc.a proteção espiritual dos missionários. depois de haver conquistado seu coração. Passado algum tempo.com. chorava todos os dias de joelhos diante do local. Um século depois. em 1500.br/revista/revista-chc-2000/101/500-anos-de-historia-paracontar/a-outra-historia-do-descobrimento-do-brasil/?searchterm=índios Publicado em 12/05/2000 | Atualizado em 11/05/2010 ANEXO 6: Lendas e mitos indígenas para serem lidos no momento da atividade habitual de leitura pelo professor Mandioca – o pão indígena6 Mara era uma jovem índia. O jovem. Somente seu avô. Outros fugiram para o interior. deitava-se na rede ao relento e ficava a contemplar a Lua. Contou então a seus pais o que sucedera. não havia na tribo jovem algum a quem daria seu coração. para escapar tanto dos padres como dos soldados portugueses. Pouco tempo depois. a menina adoeceu e acabou falecendo.

Acabou por dormir na mata. A criança havia vindo à Terra para ter seu corpo transformado no principal alimento indígena. Guaraná. abraçando a filha. Um dia.leite de seus seios na sepultura. voltou para a lagoa. trazendo-as num cesto para distribuí-las entre seus amigos. possuía apenas para si o paraíso inteiro. como Mandi. nasceu seu filho. transformando-se novamente em concha. Tempos depois. Certo dia. Sua filha não mentira. pois ao cair da noite não conseguira encontrar o caminho de volta. por afastar-se demais da aldeia. talvez o corpo da filha desejasse dali sair. A mãe surpreendeu-se. pensava. o primeiro homem7 Mito da Nação Kamaiurá No princípio existia apenas Mavutsinim. Não tendo família nem parentes. Mavutsinim. que ao serem raspadas exalavam um aroma agradável. 206 Guia de Planejamento e Orientações didáticas . 7 Ibid. No dia seguinte. levou a criança à mata. os índios acreditam que do filho de Mavutsinim tenham se originado todos os povos indígenas. transformando uma concha da lagoa em uma linda mulher e casou-se com ela. contou a todos o que acontecera. Talvez assim a filhinha voltasse à vida. O novo alimento recebeu o nome de Mandioca. O jovem ensinou-lhe como preparar e cultivar o vegetal. A mãe. de onde não mais retornaram. o jovem loiro apareceu em sonho ao cacique. Usou então de seus poderes sobrenaturais. Alimentava-se somente de frutas e todos os dias saía pela floresta a procura delas. o cacique reuniu toda a tribo e. a essência dos frutos8 Lenda da Nação Satere-Maué Aguiry era o mais alegre indiozinho de sua tribo. Apesar de ninguém haver visto a criança. que vivia sozinho na região do Morená. Até que um dia surgiu uma fenda na terra de onde brotou um arbusto. 8 Ibid. sentiu-se muito. Aguiry perdeu-se na mata. revelando a razão do nascimento de Mandi. muito só. pois Mandi fora sepultada na oca. encontrando apenas raízes muito brancas. Mavutsinim. Naquela mesma noite. Resolveu então remover a terra. sem nada explicar. desconsolada.

Mumuru. Sua flor se abre sempre à meia-noite e tem o formato de uma estrela. uma jovem e bela índia. tornando-se amiga dos peixes. Assim a linda jovem tornou-se a rainha da noite. a Vitória-Régia. transformava-as em estrelas.Jurupari. A lua transformou-a numa bela planta. ao se esconder atrás das montanhas. Tupã. Assim que esta apareceu. ordenou que retirassem os olhos da criança e os plantassem sob uma grande árvore seca. ganhando o nome de Mumuru. Seus amigos deveriam regar o local com lágrimas. Resolveu então aguardar a chegada da Lua junto aos peixes do lago. até que ali brotasse uma nova planta. Os índios. Nasceu-lhe então um forte desejo de tornar-se também uma estrela. encontrando-o morto ao lado do cesto vazio. a enfeitar ainda mais a Natureza com sua beleza e seu perfume. todas as noites Maraí esperava pela Lua. A planta que brotou dos olhos de Aguiry possui as sementes em forma de olhos. com grande alegria. veio a saber que a Lua ouvia os desejos das moças e. Muitos dias se passaram sem que a jovem realizasse seu sonho. sendo atraída para dentro do lago. não hesitou em atacá-lo. Maraí encantou-se com sua imagem refletida na água. das aves e dos outros animais. deixando aqueles que dele comessem mais fortes e mais felizes. preocupados com o menino. bico de coruja e também se alimentava de frutas. Tinha corpo de morcego. Ao encontrar o índio ao lado do cesto. de onde não mais voltou. recebendo o nome de Guaraná. 9 Ibid. da qual nasceria o fruto que conteria a essência de todos os outros. Perguntou ao pai como surgem aqueles pontinhos brilhantes no céu e. pássaros e outros animais. Passava seus dias a brincar perto do lago. Maraí não foi levada para o céu. Guia de Planejamento e Orientações didáticas 207 . o demônio das trevas. a estrela dos lagos. A pedido dos peixes. ficava a contemplar a chegada da Lua e das estrelas. Ela vive nos lagos e rios da Amazônia. bem no alto. saíram a sua procura. a estrela dos lagos9 Lenda da Nação Mundurucu Maraí. À noite. suplicando que a levasse para o céu. muito amava a natureza. o Deus do Bem. A partir deste instante. vagava pela floresta.

impressão e acabamento Esdeva Indústria Gráfica S/A Tiragem 19.Concepção e elaboração Claudia Rosenberg Aratangy Milou Sequeira Marisa Garcia Elenita Neli Beber Maria José da Silva Gonçalves Irmã Márcia Soares de Araujo Feitosa Neide Nogueira Soraia Calderoni Statonato Vasti Maria Evangelista Consultoria pedagógica (Introdução e Expectativas de aprendizagem) Sílvia Pereira de Carvalho Coordenação gráfica Departamento Editorial da FDE Brigitte Aubert Fotos Studio R Preparação de texto Luiz Thomazi Filho Revisão Monalisa Neves Editoração Daniele Fátima Oliveira CTP .000 exemplares .