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Uma constru-

Sistemas internacionais
ção sustentá- 07
e nacionais de certificação ambiental
vel ou biocli-
mática respon-
A par deste sistema obrigatório, têm vindo a ser introduzi-
dos em Portugal sistemas de certificação ambiental de de de forma
edifícios, que têm em conta um leque de parâmetros
muito mais vasto que a da certificação energética, esten- muito particu-
dendo-se, desde logo, aos impactos ambientais. Adapta-
do de sistema internacionais o sistema português Li- lar às condi-
dera, assenta no conceito de reposicionar o ambiente na
construção, na perspectiva da sustentabilidade.
ções do terre-
Recorrendo à consultoria de técnicos habilitados e adoptan- no, ao movi-
do a certificação portuguesa do LiderA ou outras estran- Pautas para uma te a sua massa (coberturas, floreiras,
geiras, mais consolidadas, como o americano LEED ou mento aparen- arquitectura sustentável: paredes). Favorecer a construção com
o inglês BREEAM, ou o internacional SBTool, os pro- paredes auto-portantes em edifícios
jectistas, consultores, promotores e construtores passam te do sol, às 1. Adoptar normativas urbanísticas com de pouca altura
a ter ao seu dispor uma ferramenta de trabalho que per- o objectivo de alcançar uma constru- 7. Favorecer a recuperação, reutilização e
mite assegurar ao consumidor final um nível de quali- correntes de ção sustentável (forma dos edifícios, reciclagem de materiais de constru-
dade construtiva assente no superior desempenho distância de sombreamento, orienta- ção utilizados
ambiental. ar, fazendo re- ção dos edifícios, dispositivos de ges- 8. Favorecer a pré-fabricação e a industria-
tão de resíduos, etc) lização dos diversos componentes
flectir estes as- 2. Aumentar o isolamento dos edifícios, do edifício
pectos na or- permitindo ao mesmo tempo, a sua 9. Reduzir ao máximo os resíduos gera-
“transpirabilidade”. Estabelecer venti- dos na construção do edifício
ganização e lação cruzada em todos os edifícios e
a possibilidade dos utentes poderem Integração das fontes
distribuição abrir qualquer janela de forma manual de energia alternativa
3. Orientação Sul dos edifícios, de modo
espacial, na a que a maioria dos compartimentos 1. Favorecer a utilização de colectores
com necessidades energéticas estejam solares térmicos para aquecimento das
abertura e orientados a Sul, ao passo que as divi- águas sanitárias
sões de serviço podem ficar orientadas 2. Estimular a utilização de biomassa, so-
orientação dos a Norte bretudo de resíduos, paletes de serra-
vãos. Dispen- 4. Dispor de uma orientação aproxima- dura e outros bio-combustíveis
da dos envidraçados em torno dos 60 3.Integrar os colectores de forma adequa-
sando a insta- por cento para Sul, 20 por cento para da, com o objectivo de reduzir a eficá-
Oeste, dez por cento para Norte e cia dos mesmos
lação de siste- dez por cento para Este 4. Favorecer a integração e complemen-
5. Dispor de protecções solares para Este taridade de diferentes energias: solar-
mas mecâni- e para Oeste, de modo que só entre luz eléctrica
indirecta, e para Sul, de modo a que 6. Favorecer a utilização de energia solar
cos de climati- no Verão não entrem raios solares por meio de um correcto desenho bio-
O sistema de certificação ambiental LiderA dispõe de três no interior dos edifícios, enquanto que climático do edifício, sem necessida-
níveis (estratégico, projecto e gestão do ciclo de vida), ten-
zação, procura no Inverno sim possam fazê-lo de de utilização de colectores solares
do em vista permitir o acompanhamento nas diferen- tirar partido 6. Aumentar a inércia térmica dos edifí- mecânicos
tes fases de desenvolvimento do ciclo de vida do em- cios, aumentando consideravelmen-
preendimento. Ou seja, é possível certificar o projecto dos elementos
em cada uma das suas fases, bem como, separadamen-
Bibliografia
te, a construção da urbanização, de cada edifício e, in- arquitectóni- O clima está nas nossas mãos -
dividualmente, de cada fracção. Os domínios avaliados História do aquecimento global, Tim
são local e integração, recursos, cargas ambientais, cos de sempre, Flannery, Estrela Polar, Lisboa 2006

ambiente interior, durabilidade e acessibilidade e gestão


ambiental e inovação. para alcançar A Green Vitruvius, Princípios e Práti-
cas de Projecto para Uma Arquitec-
A equipa de investigadores do professor Manuel Duarte Pi- tura Sustentável, Energetic Research

nheiro, do Instituto Superior Técnico, que criou o mo-


um maior ren- Group, OAP, Lisboa, 2001

delo português a partir de modelos internacionais, gere dimento ener- Novos Edifícios - Um Impacte Am-
a atribuição da classificação, de A++, classificação má- biental Adverso, Pedro Bento, Par-
que Expo 98, Lisboa 2003
xima, até G. Em Portugal, diversos edifícios têm já esta gético. Assim,
certificação, nomeadamente, a Torre Verde do Parque Tecnologias Construtivas para a
das Nações e a Urbanização Cooperativa Ponte da Pedra o conforto é Sustentabilidade, Ricardo Mateus e
Luís Bragança, Edições Ecopy, Porto
em Leça do Balio. 2006
conseguido de
Sustainable Construction: Green
Para concluir, uma ou duas ideias. A primeira, é de que uma
construção sustentável ou bioclimática responde de for- forma natural. Building Design and Delivery, Char-
les Kilbert, John Willey&Sons, Inc,
ma muito particular às condições do terreno, ao movi- New Jersey, 2008

mento aparente do sol, às correntes de ar, fazendo reflec- Arquitectura y Clima, Vitor Olgyay,
tir estes aspectos na organização e distribuição espacial, Gustavo Gili, Barcelona, 1979
na abertura e orientação dos vãos. Dispensando a insta-
Reabilitação de edifícios antigos -
lação de sistemas mecânicos de climatização, procura patologias e tecnologias de inter-
tirar partido dos elementos arquitectónicos de sempre, venção, João Appleton, Edições
para alcançar um maior rendimento energético. Assim, Orion, Amadora, 2003

o conforto é conseguido de forma natural. O aspecto fi- Eco-House, A Casa Ambientalmente


nal da construção continua variável, função da criativi- Sustentável, Sue Roaf, Manuel Fuen-
dade, da imaginação do arquitecto e do orçamento dis- tes and Stephanie, Bookman, S.Pau-
lo, 2006
ponível. Portanto, construir de modo sustentável é com-
patível com as linhas de pensamento e de trabalho que Construção Sustentável, Lívia Tirone
e Ken Nunes, Tirone Nunes,SA, Lis-
respeitam e valorizam uma boa arquitectura.
09/0342

boa, 2007