UNIVERSIDADE DE FORTALEZA – UNIFOR

Disciplina: DIREITO PENAL II Professor: Francisco Marques Lima NOTA DE AULA - 01 PARTE ESPECIAL TÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A PESSOA CAPÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A VIDA

HOMICÍDIO (ART. 121): Matar alguém Definição: É a eliminação da vida de uma pessoa por outra. “A pessoa humana, sob duplo ponto de vista material e moral, é um dos mais relevantes objetos da tutela penal. Não a protege o Estado apenas por obséquio ao indivíduo, mas, principalmente, por exigência de indeclinável interesse público ou atinente a elementares condições da vida em sociedade. Pode-se dizer que, à parte os que ofendem ou fazem periclitar os interesses específicos do Estado, todos os crimes constituem, em última análise, lesão ou perigo de lesão contra a pessoa. Não é para atender a uma diferenciação essencial que os crimes particularmente chamados contra a pessoa ocupam setor autônomo entre as species delictorum (que dizem respeito aos delitos). A distinção classificatória justifica-se apenas porque tais crimes são os que mais imediatamente afetam a pessoa. Os bens físicos ou morais que eles ofendem ou ameaçam estão intimamente consubstanciados com a personalidade humana. Tais são: a vida, a integridade corporal, a honra e a liberdade” 1
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Nelson Hungria e Heleno Cláudio Fragoso, Comentários ao Código Penal, 5. Ed., Rio de Janeiro, Forense, 1979, v. V, p. 15. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 1

OBJETO JURÍDICO: Objeto jurídico do crime é o bem jurídico, isto é, o interesse protegido pela norma penal. No caso do homicídio tem por objetivo jurídico a vida humana extra-uterina. O ataque à vida intra-uterina é incriminado pelos tipos de aborto (art. 124 a 126). “Discute-se acerca do conceito de vida.” 2 A noção de vida tira-se ex adverso daquele de morte. 3 Portanto, socorre-se da Medicina Legal para suprir a lacuna de definir a vida, avançando-se adiante do aforismo de Galeno — "Viver é respirar", e por extensão o de Casper — "Viver é respirar, não ter respirado é não ter vivido", o que, sabemos, não é precisamente exato: apnéia não é morte. Pode nascer-se asfíxico, sem que se deixe de estar vivo. A respiração é prova de vida, porém esta se demonstra por outros meios: batimentos do coração, movimento circulatório, etc. Assim, vida é o estado em que se encontra um ser humano animado, normais ou anormais que sejam suas condições fisiopsíquicas. A noção de vida tira-se ex adverso daquela de morte. 4 Objeto material: Genericamente, é a pessoa (a vida) sobre a qual se recai a conduta. Tipo objetivo (ação nuclear): O verbo matar, que significa destruir ou eliminar, no caso, a vida humana, utilizando-se de qualquer meio capaz de execução. Ação física: a) Por meios físicos: (mecânicos, químicos ou patogênicos. Físicos: Utilização dos instrumentos contundentes, perfurantes, cortantes Químicos: Uso de substâncias corrosivas (como, p ex., o ácido sulfúrico). Patogênicos: A transmissão dos vírus letais (como vírus da AIDS). ATENÇÃO : Há controvérsias. b) Por meios morais ou psíquicos: o agente se serve do medo ou da emoção súbita para alcançar o seu objetivo. c) Por meio de palavras: outros casos existem em que não há como escreve Soler, descarga emotiva, mas o emprego da palavra, que, não sendo vulnerante, atua, contudo,

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Apud E. Magalhães Noronha, Direito Penal; dos crimes contra a pessoa – dos crimes contra o patrimônio, 26, Ed., São Paulo, Saraiva, 1994, v. 2, p. 14. 3 Apud E. Magalhães Noronha, Direito Penal, cit., v. 2, p. 14. 4 Consulta eletrônica - http://www.portalmedico.org.br/revista/bio1v1/casoclin.html Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 2

. Assim. do CP. é preciso que. p. 13. portanto. 135). 1945. d) Por meio direto: age-se contra o corpo da vítima. A omissão penalmente relevante é a constituída por dois elementos: a non facere (não fazer) e o quod debeatur (aquilo que tinha o dever jurídico de fazer). Sebastian Soler. 21. o “não fazer”. por não se enquadrar em nenhuma das hipóteses do art. do CP. § 2º. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 3 .: alguém que simplesmente nega alimento a um moribundo. tal o caso de quem diz a um cego para avançar em direção a um despenhadeiro5. tendo por lei a obrigação de cuidado. e) Por meio indireto: quando se lança mão de meio que propicie a morte por fator relativamente independente do criminoso ou de seu contato direto com a vítima. morrendo este de inanição.tão eficazmente como o punhal. como por exemplo. matando-o. deixa de alimentar o filho. como por exemplo. t. vigilância e proteção. Magalhães Noronha. haja uma norma determinando o que devia ser feito. P. Ex. ATENÇÃO : Não basta. 16. ATENÇÃO : responderá Omissivo: Ocorre o ilícito pela inatividade do agente que tinha o dever de agir para evitar o 5 Cf. atraí-la para lugar onde uma fera a ataque ou que fique exposta a descarga de forte corrente elétrica. não podendo responder por homicídio doloso ou culposo. Direito penal. no caso concreto. Derecho penal argentino. 2. não configurada nenhuma das hipóteses contidas no art. resultado (art. 3. § 2º do CP). No caso responderá apenas por sua omissão (CP. não é possível vincular o omitente ao resultado naturalístico. art. não evitando que venha a morrer de inanição. apud E. 13. Essa é a chamada teoria normativa. a adotada pelo Código Penal. não infringe o dever jurídico de agir (mas tão somente o dever moral). a) Dever legal (imposto por lei): a mãe que. 13. f) • Por ação ou omissão: Comissivo que se pratica por ação positiva. v. cit. faltando com sua obrigação de zelo e assistência. § 2º. desferindo-lhe facadas. Deixar a mãe de amamentar o filho.

enseja a morte daquele que estava sob a sua imediata proteção.por homicídio doloso. por ter criado o risco do resultado. Exemplo: o chefe de uma repartição impede que sua funcionária. se agiu com negligência. está obrigado a impedir o seu afogamento ATENÇÃO : Em todos esses exemplos. rev. • • Consumação: morte da vítima. “caput”). A execução pode ser truncada. b) Dever do garantidor (derivado de contrato ou liberalidade do omitente): a babá ou uma amiga que se oferece para tomar conta do bebê.. o agente. ATENÇÃO : essa categoria não é reconhecida por grande parte da doutrina6. Curso de Direito Penal. Se ela morre. • Homicídio simples (art. Ed. responde pelo resultado morte. Tipo subjetivo: o dolo (direto ou indireto) eventual. § 2º. a título de dolo ou culpa. Omissivos por comissão: Nesse caso há uma ação provocadora da omissão. ou culposo. 13. seja socorrida. II do CP). que está passando mal. Crime instantâneo de efeito permanente. São os chamados crimes omissivos impróprios. 14. o agente inicia a execução e não chega à consumação por circunstâncias alheias à sua vontade (art. permitindo que o mesmo caísse na piscina e morresse afogado. o chefe responderá pela morte por crime comissivo ou omissivo? Seria por crime omissivo por comissão. Quando não concorrem na figura delituosa as circunstâncias que podem tornar a figura privilegiada (§1º) ou qualificada (§2º). – São Paulo: Saraiva 2004. assumindo a responsabilidade de zelar por ele. 29 do Código Penal). de acordo com as hipóteses contidas no art. E atual. c) Dever por ingerência da norma (omitente cria o perigo e torna-se obrigado a evitá-lo: quem joga o amigo em um rio. se quis ou assumiu o resultado morte. 3ª. O policial que com uma ação desastrada. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 4 . por ter o dever jurídico de impedir o resultado. do Código Penal. 6 Fernando Capez. A tentativa é admissível. ATENÇÃO : Ver CONCURSO DE PESSOAS (art. 121. Sujeito ativo: Qualquer pessoa.

68. todavia. (Art. a pessoa que mata um traficante de drogas que vendia entorpecente a crianças na porta da escola. do CP). a sociedade almejava a captura deste e a sua eliminação. Por outra. O código cataloga três hipóteses: Natureza jurídica: “O homicídio privilegiado está previsto no art. Portanto. o juiz estará obrigado a diminuir a pena. 121. Exemplo: O agente. 121. em virtude da presença de certas circunstâncias subjetivas que conduzem a menor reprovação social da conduta homicida. elimina um traidor.HOMICÍDIO PRIVILEGIADO (Caso de diminuição de pena). O agente nada mais fez do que satisfazer a vontade da sociedade. • Relevante valor moral: Valor considerável: Diz respeito a interesse particular e a moralidade média. logo em seguida a injusta provocação da vítima. 20 Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 5 . que deve ser suficientemente motivado. o homicídio privilegiado não deixa de ser o homicídio previsto no tipo básico (caput). uma vez reconhecido pelo júri a minorante. • É obrigação de o juiz reduzir a pena ou apenas uma faculdade. é o homicídio praticado por valor nobre. dentro dos parâmetros legais. Naquele dado momento. Diz respeito a interesse coletivo. o agente é impulsionado pela satisfação de um anseio social. caput. podendo tão somente decidir sobre a quantidade de diminuição. p. Na realidade. o legislador prevê uma causa especial de atenuação da pena. que incide na terceira fase de sua aplicação (cf. Rio de Janeiro – Forense. entretanto prevalece a opinião de que. pois se trata de um direito do réu. ou sob o domínio de violenta emoção. art. por amor a pátria. § 1º. §1º do CP) • • Definição: Quando ao tipo básico (homicídio simples) são agregadas circunstâncias que não alteram a essência do delito. aprovado pela moralidade 7 Masson. do CP e dá direito a uma redução da pena variável entre um sexto e um terço. Trata-se de verdadeira causa especial de diminuição de pena.7 REQUISITOS: • Relevante valor social: Valor considerável. já que o texto legal traz a expressão “pode”? Há divergências doutrinárias. “Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral. deve diminuir a pena. o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço”. mas diminuem a pena. • Sua discricionariedade (“pode”) limita-se ao quantum da diminuição. Cleber Rogério – Direito Penal Esquematizado – Parte Especial – 3ª Ed.

É também denominado de homicídio piedoso. p. a e c). culminando com a ação do agente em termos temporais exíguos. eutanásia moral ou eutanásia terapêutica. b) No privilégio exige-se seja o crime cometido sob o domínio de violenta emoção. em quatro pontos: a) O privilégio é aplicável exclusivamente ao homicídio doloso. 22 Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 6 . ao passo que é possível a incidência da atenuante genérica no tocante a qualquer crime. compassivo. Em casos em que o agente por compaixão ante o irremediável sofrimento da vítima antecipa a sua morte. pode ser fracionada em duas espécies distintas:” “Eutanásia em sentido estrito – É o modo comissivo de abreviar a vida de pessoa portadora de doença grave. 65. médico. Na atenuante genérica não se impõe essa relação de imediatidade. logo em seguida à injusta provocação da vítima: Exige a lei. O homicídio deve ser praticado logo em seguida à injusta provocação da vítima. 65. alínea “c”. O médico deixa de adotar providências necessárias para prolongar a vida de doente terminal. • Violenta emoção. O privilégio depende da relação de imediatidade. Exemplo: Eutanásia. em estado terminal e sem previsão de cura ou recuperação pela ciência médica. Cleber Rogério – Direito Penal Esquematizado – Parte Especial – 3ª Ed. 8 “A eutanásia em sentido 8 Masson. e d) Difere-se finalmente quanto ao fator temporal. inciso III. • Essa modalidade de privilégio diferencia-se da atenuante genérica arrolada pelo art. Rio de Janeiro – Forense. do Código Penal. II. pois a ação criminosa deve ser “logo em seguida” (ex vi do art. portador de moléstia incurável e irreversível”. enquanto na atenuante genérica basta a mera influência.média. • Segundo ensinamento do renomado penalista Cleber Masson amplo. caritativo ou consensual. e para a atenuante genérica é suficiente o ato injusto da vítima. também chamada de eutanásia omissiva.” “Ortotanásia – É a eutanásia por omissão. a concorrência de todos esses elementos. Corresponde a interesse individual. ATENÇÃO: É importante estabelecer a diferença entre “domínio” e “influência” c) O privilégio pressupõe a injusta provocação da vítima.

Pertence a esfera interna do agente. não se comunicam aos demais coautores ou partícipes. SITUAÇÕES DE AGRAVAMENTO DA PENA: • HOMICÍDIO QUALIFICADO Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 7 . II e V são de índole SUBJETIVA. mas aumentam a pena. §2º. §2º do CP). efetue disparos de arma de fogo contra o provocador. Se. OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: As qualificadoras do homicídio representam circunstâncias agravantes de caráter genérico. “Domínio de violenta emoção é incompatível com a premeditação. admite-se que o sujeito. e não ao aspecto pessoal do agente. ATENÇÃO: As qualificadoras previstas nos incisos I. 61 (parte geral) para renovação dos conceitos. seja pela ausência de relação de imediatidade entre eventual injusta provocação da vítima e a prática da conduta criminosa”. exemplificadamente. agindo aquele por motivo fútil. circunstância ignorada e desvinculada deste. seja pela inexistência do ânimo calmo e refletido. Em caso de concurso de pessoas. 121. de conformidade com a regra contida no art. Subsiste o homicídio privilegiado. A tarefa de arquitetar minuciosamente a execução de um crime não se coaduna com o domínio de violenta emoção. em face da regra delineada pelo art. por serem atinentes ao fato praticado.ATENÇÃO : Essa modalidade de privilégio é compatível com o aberratio ictus. 25) HOMICÍDIO QUALIFICADO (Art. 121. (Cleber Masson. previstas no art. mas atinja terceira pessoa. 61. Direito Penal esquematizado. e não ao fato. Exemplificativamente. 73 do Código Penal. • Definição: Quando ao tipo básico (homicídio simples) são agregadas circunstâncias que não alteram a essência do delito. depois de injustamente provocado. 30 do Código Penal. “A” e “B” cometem homicídio. Destarte. aconselhamos o exame do art. que foram deslocadas para o art. comunicam-se no concurso de pessoas. especificamente para a figura do homicídio. p. somente o primeiro suportará a qualificadora As qualificadoras descritas pelos incisos III e IV (meios e modos de execução) são de natureza OBJETIVA. Assim. desde que tenham ingressado na esfera de conhecimento de todos os envolvidos.

A vingança pode ou não constituir motivo torpe. não em razão da paga ou promessa de recompensa. ATENÇÃO : Na visão de alguns autores. consumado ou tentado. não se comunica ao partícipe (como mandante) nem a eventual coautor. ainda que praticado por um só agente.Motivo torpe. • • É o motivo.§2º . vil. Por se tratar de circunstância manifestamente SUBJETIVA. que repugna à coletividade. é ele que atua movido pela paga ou pela promessa de recompensa. contudo: A qualificadora é também aplicada ao mandante? Para o mesmo autor. abjeto. aplica-se a qualificadora imediatamente ao executor. pois.primeira figura . seguido por diversos penalistas.Se o homicídio é cometido: Inciso I . apesar de opiniões em contrário. 30 do Código Penal. É o que se extrai do art.930/94). OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Homicídio qualificado. assim como o homicídio simples praticado em atividade típica de grupo de extermínio. depende do que a originou. é considerado crime hediondo (Lei nº 8. Auferir a vantagem é mero exaurimento do crime em caso de promessa de pagamento. Ressalte-se que esse não é o entendimento de NELSON HUNGRIA.072/90. não. Deve ter significado econômico. Contudo. O agente ou recebe um pagamento para praticá-lo ou comete apenas porque obteve a promessa de ser recompensado pelo ato. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 8 . Inciso II – Motivo fútil. repugnante. mas sim pela torpeza genérica. ignóbil. Homicídio por mandato remunerado. • • • • Homicídio mercenário. com redação dada pela Lei 8. Inciso I .Mediante paga ou promessa de recompensa. Questiona-se. dentre eles Cleber Masson. incidirá a qualificadora.segunda figura . se a situação concreta revelar que o motivo que levou o mandante a encomendar o homicídio também é torpe.

se o sujeito pratica o fato sem razão alguma. tem sido entendida como FÚTIL para qualificar o crime. como se pretende. ausência de motivo com futilidade. 5ª T. Se por motivo fútil. Não há qualificadora se o veneno é administrado à força ou com conhecimento da vítima. Resp. de que se originou aquela. asfixia. insídia. a conduta do agente mais reprovável. sem importância. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 9 . Inciso III – Com o emprego de veneno. tortura ou outro meio insidioso ou cruel. ou de que possa resultar perigo comum. não incide essa qualificadora. totalmente desproporcionado em relação ao crime. Assim. explosivo. DJ 15/5/2006. dificilmente a conduta do agente deixará de incidir em outra qualificadora. já não o faz somente por este motivo imediato. • Veneno é a substância de origem química ou biológica capaz de provocar a morte quando introduzida no organismo humano. Para alguns autores a ausência de motivos. Como é sabido. a futilidade que originou a briga já não será o motivo da morte do ofendido. o que se quer punir mais severamente é a insídia. p.. por si só. todavia. A injustiça. desarrazoado. Primeira figura – emprego de veneno. Neste caso o homicídio não será qualificado por esta qualificadora. Laurinda Vaz. • A futilidade do motivo deve prender-se imediatamente à conduta homicida em si mesma: Quem mata no auge de uma discussão oriunda de motivo fútil. Relatora Minª. • • Venefício.• • Homicídio praticado por motivo insignificante. fogo. fútil é o motivo insignificante. Aqui. 769651/SP. Não se pode confundir. ATENÇÃO : há divergência na doutrina. não indica a futilidade. agente e vítima entram em luta corporal e desta sobrevêm o homicídio. pois ela foi anterior à briga. assim. à luz do princípio da reserva legal (STJ. tornando. em vista de sua banalidade. apresentando desproporção entre o crime e a sua causa moral. 281) • • • ATENÇÃO: Motivo injusto pode ou não ser fútil. Só qualifica se praticado com dissimulação. pois não seria razoável o agente que agisse sem motivação tivesse uma pena mais branda do que aquele que matasse por motivo insignificante.

• Atenção: Determinadas substâncias. • Asfixia Mecânica. antebraço etc). quando. do agente ou de outra fonte qualquer. Segunda figura – emprego de fogo ou explosivo. Explosivo. c) Sufocação: Emprego objetos que vedam o ingresso de ar pelo nariz ou pela boca da vítima. que se vale do seu próprio corpo (mãos. (uso de saco plástico) d) Enforcamento: constrição do pescoço da vítima provocada pelo seu próprio peso. e) Afogamento: inspiração excessiva de líquidos. • • • Fogo cite-se o jogar combustível e atear fogo ao corpo da vítima. ela não mais seja capaz de efetuar movimento respiratório. Terceira figura – emprego de asfixia. Exemplos: injetar glicose em diabético. pés. pode ocorrer pelos seguintes meios: a) Estrangulamento: constrição do pescoço da vítima por meio de instrumento conduzido pela força. em razão de estar envolvido por uma corda ou similar. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 10 . f) Soterramento: submersão em meio sólido g) Imprensamento: Impedimento da função respiratória sob a colocação de peso sobre o diafragma da vítima. podem ser tratadas como veneno. de modo que. em decorrência desse peso ou da exaustão por ele provocada.: gás asfixiante). desde que não seja o próprio peso da vítima. inócuas para as pessoas em geral. Há que se observar se a conduta não resulta perigo comum. sejam aptas a levar à morte. a) Uso de gás asfixiante ou inalação. em razão de alguma doença ou como resultado de eventual reação alérgica. O meio usado é a dinamite ou substâncias de efeitos análogos. não se exigindo a imersão da vítima. • Asfixia Tóxica (ex. b) Esganadura: aperto o pescoço da vítima provocado diretamente pelo agressor. ministrar anestésicos em alérgico de modo provocar nele choque anafilático. incidindo. em particular no organismo da vítima individualmente considerada. aí a outra qualificadora.

E. com base no conceito mencionado. • • Suplício que causa atroz e desnecessário padecimento. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 11 .b) Confinamento. causandolhe intenso e desnecessário sofrimento físico ou mental. Quarta figura – emprego de tortura. 1º da Lei nº 9. de modo a que se esgote o oxigênio no ambiente consumido pela vítima. com emprego de violência ou grave ameaça. art. A tortura. no tocante ao resultado morte. II – submeter alguém. com pena de reclusão de oito a dezesseis anos. IMPORTANTE: Homicídio qualificado pela tortura (CP. inciso III) caracteriza-se pela morte dolosa. causando-lhe sofrimento físico ou mental.Constitui crime de tortura: I – constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça. Depende de dolo. sob sua guarda. 1º . a) b) c) Com o fim de obter informação.Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento físico ou mental. como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo. o art. a intenso sofrimento físico ou mental. que pode ser física ou moral.Aquele que omite em face dessas condutas. incorre na pena de detenção de um a quatro anos. 121. por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal. § 1º . Pena – reclusão. § 2º. quando tinha o dever de evitá-las ou de apurá-las.455/97 prevê uma hipótese de crime qualificado pelo resultado: tortura com resultado morte. declaração ou confissão da vítima Para provocar ação ou omissão de natureza criminosa. E o § 3º do art.455/97 define o crime de tortura: Art. poder ou autoridade. constitui-se nitidamente em meio cruel. direto ou indireto. de dois a oito anos. Em razão de discriminação racial ou religiosa. § 2º . 1º da Lei nº 9. O agente utiliza a tortura (meio cruel) para provocar a morte da vítima. ou de terceira pessoa.

O sujeito tem o dolo de torturar a vítima. • Não se configura se o agente pressentiu a intenção do agente. A repetição de golpes ou tiros. o meio fraudulento. Primeira figura – à traição. • Ataque sorrateiro praticado inesperadamente. Se a repetição deveu-se à inexperiência ou ao nervosismo do agente. O agente se vale da confiança que o ofendido nele previamente depositava para o fim de matá-lo em momento em que ele se encontrava desprevenido e sem vigilância. visando ao padecimento da vítima. § 3º) é crime essencialmente preterdoloso. de emboscada. à princípio. e a tortura resulta culposamente sua morte. Há dolo na conduta antecedente e culpa em relação ao resultado agravador. • Pode alcançar um indefinido número de pessoas. Inexistirá a qualificadora. Não se trata. ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido. Sexta figura – meio cruel. pois aqui a insídia é o meio usado. em potencial de que outras pessoas possam sofrer a ação do agente. alheias à aquela. se o meio cruel foi empregado quando o ofendido já estava morto. • • Meio dissimulado. Quinta figura – meio insidioso. Será cruel.455/97. mesmo. 1º. pois. o meio cruel deve ter sido o escolhido ou desejado pelo agente. Inciso IV – à traição. A armadilha mortífera. Para que se configure esta qualificadora. art. de pessoas determinadas. igualmente não se configura a qualificadora. Distingue-se do modo dissimulado do inciso IV.Tortura com resultado morte (Lei nº 9. mas a possibilidade. não constitui meio cruel. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 12 . • • • • • • O meio que faz sofrer além do necessário. Sétima figura – meio de que possa resultar perigo comum. por si só. se o agente os repetiu por sadismo.

Ex. • • A surpresa. É a atuação disfarçada. impunidade ou vantagem de outro crime. (exemplo: o homicídio praticado para lograr o cometimento de outro crime ou evitar a sua descoberta). quando estes desconhecem a motivação. à espera da passagem da vítima. hipócrita. simultaneamente privilegiado e qualificado. dificultando ou impossibilitando a sua defesa. As qualificadoras do inciso “V” trazem o elemento subjetivo do tipo.Segunda figura – de emboscada. • É a tocaia. para qualificar. por si só. Terceira figura – mediante dissimulação. emboscada ou dissimulação). sempre. constituído pelo especial fim de agir. • O modo deve ser análogo aos outros do inciso IV (traição. recurso que dificulte ou impossibilite a defesa. em determinado local. duas posições sobre o assunto. como o disfarce usado pelo próprio agente para se aproximar da vítima. • IMPORTANTE: Comunicabilidade das qualificadoras – As qualificadoras referentes aos motivos do crime são incomunicáveis aos co-autores. • • O agente esconde ou disfarça o seu propósito para atingir o ofendido desprevenido. • O outro crime pode ter sido praticado por outra pessoa. é a insidiosa e inesperada para a vítima.: matar a vítima enquanto a mesma dorme. Quinta figura – assegurar a execução. Vejamos: Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 13 . com o agente escondido. Quarta figura – mediante outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa. linchamento. Discute-se se é possível a configuração de uma figura híbrida de homicídio. Tanto qualifica a ocultação do propósito. A superioridade em armas ou forças. ocultação. que oculta a real intenção do agente. quando se encontra em estado de embriaguês. basicamente. não qualifica. Compatibilidade das qualificadoras com o homicídio privilegiado. pois não é. Formaram-se.

121 do Código Penal prevê cinco espécies de qualificadoras. resultado este não querido. Essa é a posição do Supremo Tribunal Federal: “A jurisprudência do STF é assente no sentido da conciliação entre homicídio objetivamente qualificado e. NEGLIGENTE ou IMPERITO. relacionadas aos motivos do crime (incisos I. REQUISITOS: Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 14 . tratando-se de circunstância qualificadora de caráter objetivo (meios e modos de execução do crime). Em resumo: • • O homicídio privilegiado é incompatível com as QUALIFICADORAS SUBJETIVAS (motivo fútil.1ª posição – Não é possível o homicídio privilegiado-qualificado. seria possível o reconhecimento do privilégio. Sustenta ser impossível essa conjugação. O agente produz o resultado morte mediante seu comportamento IMPRUDENTE. ser evitado. o qual é sempre de natureza subjetiva”. HOMICÍDIO CULPOSO: Simples . três são de índole SUBJETIVA. ou excepcionalmente previsto (culpa consciente). Dessa forma. conclui-se ser o privilégio uma circunstância preponderante em relação às qualificadoras. ao mesmo tempo. Qualificado . torpe. II e V). Da interpretação do art. subjetivamente privilegiado. Anote-se que o § 2º do art. ligadas aos meios e modos de execução do crime (incisos III e IV). etc.§ 4º É a conduta voluntária (ação ou omissão) que produz um resultado antijurídico (morte) de alguém. com a devida atenção.). 67 do Código Penal. pois a causa de diminuição de pena não se aplica ao homicídio qualificado. mas previsível (culpa consciente). Compatível com as QUALIFICADORAS OBJETIVAS (fogo. desde que sejam de natureza objetiva. afastando-as. etc. meio cruel. veneno.§ 3º. enquanto duas outras são de natureza OBJETIVA. 2ª posição – É possível o homicídio privilegiado-qualificado – Essa posição admite a compatibilidade entre o privilégio e as qualificadoras. de tal modo que podia.). Dessas. salientou que.

definido na lei como crime. representação das conseqüências. Inobservância do dever de cuidado objetivo por imprudência. Previsibilidade objetiva que é a capacidade do indivíduo de poder prever que não deve agir conforme está agindo. O agente não deve dirigir sua vontade em relação ao evento nem prever o resultado que. • Quando o agente. praticado por imprudência. ou. nas circunstâncias.• • • Conduta voluntária. negligência ou imperícia. Modalidades de culpa são: • Imprudência ou culpa positiva (atuar sem cautela) consiste na prática de um ato perigoso. Formas de culpa: • • Consciente (resultado previsto. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 15 . • Este ato deve provocar um resultado de dano ou de perigo. tendo-o previsto. era previsível nas circunstâncias. deixando de empregar atenção ou diligências de que era capaz. os requisitos acima valem para qualquer crime culposo. • A culpa é elemento subjetivo tratado por exceção. supôs levianamente que não se realizaria. • A aferição da culpa é feita tendo em conta as circunstâncias do caso concreto e segundo condições individuais do agente. mas o agente sinceramente espera que não se verifique). Apresenta-se através do ato inicial voluntário contrário ao dever. nas circunstâncias. em face das circunstâncias. Exemplo: manusear arma de fogo carregada em local com grande concentração de pessoas. negligência ou imperícia. • A culpa fundamenta-se na previsibilidade: possibilidade de prever o que é previsível. Inconsciente (o resultado é previsível. mas que não foi previsto. exigindo menção expressa na lei. no entanto. ou o resultado desta. porque é perigoso. não previu o caráter delituoso de sua ação. mas não é previsto). Aliás. Observação: Ausente qualquer um desses requisitos não há de se falar em homicídio culposo.

• Imperícia ou culpa profissional (falta de conhecimentos técnicos ou práticos de arte ou profissão) é a falta de aptidão para o exercício de arte. d) Foge para evitar a prisão em flagrante (frustra a ação da justiça. arte ou ofício (não se confunde com imperícia. Sendo doloso o homicídio. por isso merece. Exemplo: médico ortopedista que mata o paciente ao efetuar uma cirurgia cardíaca. Exemplo: deixar uma arma de fogo carregada ao alcance de outras pessoas. fugindo para evitar a prisão em flagrante. Homicídio culposo qualificado (§ 4º).” (§ 5º) • Instituído pela lei 6. c) Não procura diminuir as conseqüências do seu ato (Deixa de tomar qualquer providência cabível ante a necessidade do momento).• Negligência ou culpa negativa (inatividade corpórea e psíquica) é deixar de fazer aquilo que a cautela recomenda. Exemplo: cardiologista que não segue as regras básicas de uma cirurgia do coração. se o crime é praticado contra menor de 14 (catorze) anos ou maior de 60 (sessenta) anos. § 5º . dificultando a ação da justiça.416. O espírito da lei é aumentar a pena do criminoso que. a pena é aumentada de 1/3 (um terço). profissão ou ofício. Quatro hipóteses: No homicídio culposo a pena é aumentada de 1/3 (um terço). profissão ou ofício para qual o agente. b) Se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima (Omissão de socorro imediato – não figura como crime autônomo do art. também. enquanto naquela o agente é dotado das habilidades necessárias para o desempenho da atividade. de 24 de maio de 1977. se o crime resulta de: a) Inobservância de regra técnica de profissão. a punição mais severa do que o outro que dessa maneira não procede. visa assegurar a impunidade do seu ato. em que pese autorizado a exercê-la. Exemplo: cirurgião plástico que mata sua paciente por falta de habilidade para realizar o procedimento médico. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 16 . impossibilitando sua identificação e comprometendo a prova pericial. se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. o juiz poderá deixar de aplicar a pena. Nesta o sujeito não reúne conhecimentos teóricos ou práticos para o exercício de arte. mas por desídia não as observa. CP. 135.PERDÃO JUDICIAL “Na hipótese de homicídio culposo. sendo deslocado para qualificadora). e. não possui conhecimentos teóricos ou práticos para tanto.

baseando-se no fato de que. PARTE ESPECIAL do Código Penal. que instituiu o Juizado Especial Criminal. dispostas separadamente. o crime de homicídio culposo simples. ATENÇÃO: Trata-se de causa de extinção da punibilidade (CP. o agente já foi punido. inciso IX) aplicável nos casos em que o sujeito produz culposamente a morte de alguém. nos termos do art. mas as conseqüências desse crime lhe são tão graves que a punição desponta como desnecessária. de 2012) EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO OBSERVAÇÕES IMPORTANTES: Esta Lista de Exercícios contém quesitos de solução SUBJETIVA (questões abertas). § 8º do Código Penal) Com o advento da Lei nº 9. 121 (HOMICÍDIO).1 Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 17 . 121.• • • • O Juiz pode deixar de aplicar a pena ao agente. § 3º. compreendendo os que se seguem para o art. sob pretexto de prestação de serviço de segurança.099. art. ou por grupo de extermínio (incluído pela Lei nº 12. por conteúdo. previsto no art. por ser a pena mínima cominada igual a um ano. 89 da lei especial. 129.720. Conseqüências: físicas (lesões no próprio agente) ou morais (lesões e morte de parentes ou pessoas muito ligadas ao agente) Natureza da ação: Penal pública incondicionada. 107. a competência para processar e julgar é do juízo singular. § 6º . para fixação da disciplina e para aplicação nas avaliações. Há regra idêntica para a lesão corporal culposa (art. admite a suspensão condicional do processo. elaboradas para o semestre 2013. o próprio resultado naturalístico já exerceu a função retributiva da sanção penal. Em outras palavras. sofrendo as conseqüências do seu ato.CAUSA DE AUMENTO DE PENA “A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até metade se o crime for praticado por milícia privada. de 26 de setembro de 1995. Homicídio culposo. e solução OBJETIVA (Verdadeira ou Falsa).

assinalando qual o objeto juridicamente tutelado no caso do crime de homicídio. b) quais as implicações para o citado crime em face da Lei nº 8. quando o crime for de homicídio? 6. Sabemos que o verbo matar. Examinando o art. aumentando a pena.HOMICÍDIO QUESTÕES SUBJETIVAS: 1. explique e exemplifique em que consiste cada um de seus pressupostos. § 1º do CP. 121. § 2º. 121. 4. No caso dos delitos em que não se exige do agente uma ação positiva para consumar o crime. Exemplifique. 8. b) identifique.930/94? Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 18 . O que você entende sobre concurso de pessoas em caso de homicídio? 7. esculpidos no referido artigo. Qual a diferença que você pode estabelecer entre o dolo direto e o dolo eventual. § 2º do CP. b) “dever de garantidor”. significa destruir ou eliminar a vida humana. Responda: a) o que você entende por crime comissivo e crime praticado por omissão? b) aponte qual o fundamento legal.ART. fale sobre o que você entende por: a) “dever legal”. particularmente para o caso do delito de homicídio. O assunto é homicídio qualificado: a) Conceitue o tipo e. 13. do CP (omissão penalmente relevante). 3.072/90 com redação dada pela Lei nº 8. de que trata o art. Estamos falando em delito de homicídio: a) em que momento se dá a sua consumação? b) em que consiste o crime tentado? 5. c) explique e exemplifique. 2. 121 . O que você entende por “eutanásia em sentido estrito” e “ortotanásia”? 9. c) “dever por ingerência da norma”. para o Direito Penal. Fale sobre tais meios. O legislador cuidou de estabelecer condições especiais de diminuição de pena ao agente que praticasse homicídio em determinadas situações: a) defina o que é homicídio privilegiado. diga em que consiste cada uma das qualificadoras que incidem sobre o art. segundo a doutrina e a jurisprudência. onde o agente se utiliza de meios capazes de execução de modo a atingir o seu objetivo.

estabelecendo a diferença entre esta e o crime praticado por motivação FÚTIL. 13. 18.10. vil. segundo a doutrina e jurisprudência. desarrazoada). a compatibilidade das qualificadoras de que trata o § 2º do art. pode ser equiparada ao motivo FÚTIL. quando o crime é praticado pela paga ou promessa de recompensa. repugnante: a) defina a TORPEZA. especificamente ao crime praticado com uso de asfixia mecânica. 121. todas concorrendo entre si? 16. desproporcional entre o crime e a sua motivação. Pergunta-se: É possível na mesma conduta a incidência de mais de uma qualificadora. sem qualquer distinção. identifique as espécies de asfixias descritas no gênero. 121 do Código Penal Brasileiro. 14. 11. O assunto é homicídio praticado por motivo TORPE. objeto do § 1º do mesmo artigo? c) fundamente e Explique. b) como deve ser enquadrada a conduta do autor intelectual? 12. segundo a doutrina e a jurisprudência. como forma de qualificar o crime de homicídio? b) qual o posicionamento adotado pelo STJ? 15. trata do “gênero” meio cruel como qualificadora objetiva: a) fale sobre as modalidades descritas na lei que representam o “MEIO CRUEL” apontando e comentando cada uma delas. A motivação para a prática do homicídio pode ser TORPE. O assunto é crime de homicídio praticado com emprego de tortura. abjeta. ressaltando o que a torna diferente da FUTILIDADE. com o homicídio privilegiado. enfim. Sobre a ausência de motivos para a prática do homicídio: a) segundo a doutrina e jurisprudência hodiernas.455/97. O art. Em se tratando da qualificadora do uso do MEIO CRUEL. § 2º. A motivação para a prática do homicídio pode ser FÚTIL (insignificante. b) é possível. inciso III. segundo a doutrina especializada. Fale sobre crime de homicídio praticado por motivo FÚTIL dando exemplos. Qualificadoras no homicídio: a) o que você entende sobre qualificadoras objetivas e qualificadoras subjetivas. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 19 . Dê exemplos de TORPEZA. b) quais as condições essenciais para o seu reconhecimento? 17. Estabeleça a diferença entre a conduta qualificada do homicídio aqui citado e o crime de TORTURA de que trata a Lei nº 9.

121 do Código Penal Brasileiro. na situação em que o agente pratica o crime buscando assegurar a execução. Em se tratando do “meio insidioso” de que fala o art. inciso V. 121. 24. Identifique e fale sobre cada uma delas. previstas no art. 61. 22. CP. Identifique na lei e fale sobre cada uma dessas qualificadoras. 27. 28. O que você entende sobre crime de homicídio praticado por “meio de que possa resultar perigo comum”? 21. O inciso IV art. Quem de qualquer forma concorre para o crime incide nas penas a ele cominadas na medida de sua culpabilidade. do Código Penal. Fale sobre tais situações dando exemplos. São quatro as hipóteses em que incide o homicídio culposo qualificado. Identifique.455/97. Atento ao que dispõe o art. § 2º. CP. § 3º do Código Penal Brasileiro. § 2º. O que você entende sobre o perdão judicial de que trata o § 5º. especificamente para a figura do homicídio. O assunto é homicídio qualificado. quinta figura. por parte do agente. que impossibilita ou dificulta a defesa da vítima. CP). diga em que consiste e qual a diferença existente entre esse dispositivo e a “dissimulação” de que trata o inciso IV do mesmo artigo. § 2º do Código Penal Brasileiro. 29 do Código Penal Brasileiro responda e justifique se há comunicação entre os co-autores em relação as qualificadoras referentes aos motivos do crime? 26. enquanto circunstância qualificadora. 25. de que trata o art. inciso III. do art. não é a mesma de que se ocupa a Lei nº 9. As qualificadoras do homicídio representam circunstâncias agravantes de caráter genérico. assim responda: a) em que situação pode ser o mesmo acatado? b) o seu reconhecimento é uma faculdade ou obrigação do juiz? c) quais as conseqüências advindas com o seu reconhecimento? Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 20 . 121. 121. A “tortura”. 121. § 2º. ocultação. impunidade ou vantagem de outro crime (art. 20. Identifique e discorra da forma mais abrangente possível sobre as modalidades descritas no tipo penal sob comento. que foram deslocadas para o art. Estabeleça a diferença dizendo como se pune a tortura na condição de crime autônomo com resultado morte. 121. discorra e dê exemplos acerca dos fundamentos legais que orientam o homicídio culposo.19. fala do uso do recurso. 23.

13 §2º. com a morte desta. ou culposo. § 2º. do CP. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 21 . É possível. há crime na conduta do agente não médico? O que alegar em seu favor? Explique. o reconhecimento do perdão judicial em crime doloso? Explique. A ação desenvolvida pelo agente com o ânimo de matar. art. do CP. O “dever legal” de que cuida o art. 3. por não se enquadrar em nenhuma das hipóteses do art. como forma de caracterizar o crime praticado por omissão. A mãe que. b) em casos onde a intervenção cirúrgica tiver por objetivo salvar a vida da vítima. responderá aquela por homicídio doloso. morrendo este de inanição. deixa de alimentar o filho. pois se trata de uma faculdade. se confunde com o “dever do garantidor” e o “dever por ingerência da norma”. se quis ou assumiu o resultado morte. 4. se agiu com negligência. 13. se dá de forma direta. vigilância e proteção. No caso responderá apenas por sua omissão (CP. QUESTÕES OBJETIVAS – Respondam “V” (verdadeiro) ou “F” (Falso) 1. não infringe o dever jurídico de agir (mas tão somente o dever moral). não evitando que venha a morrer de inanição. 2. Responda: a) segundo a doutrina há crime nas intervenções cirúrgicas consentidas quando houver morte da paciente? Explique. tendo por lei a obrigação de cuidado. 30. já que o texto legal traz a expressão “pode”. 5. quando o agente lança mão de meio que propicie a morte da vítima por fator relativamente independente do criminoso ou de seu contato direto com a vítima. prevalece a corrente de que o juiz não está obrigado a reduzir a pena. ainda que excepcionalmente. 135). Em casos em que o júri reconhecer que o réu praticou homicídio privilegiado.29. não podendo responder por homicídio doloso ou culposo. como por exemplo: atraí-la para lugar onde uma fera a ataque ou que fique exposta a descarga de forte corrente elétrica. Alguém que simplesmente nega alimento a um moribundo.

Eutanásia em sentido estrito e a ortotanásia são crimes da mesma espécie que podem levar ao reconhecimento do homicídio privilegiado. configura o motivo fútil. O agente nada mais fez do que satisfazer a vontade da sociedade que almejava a captura dele e a sua eliminação. art. seja pela ausência de relação de imediatidade entre eventual injusta provocação da vítima e a prática da conduta criminosa”. O homicídio praticado por motivo insignificante. 12. em vista de sua banalidade. 10. seja pela inexistência do ânimo calmo e refletido. seja pela inexistência do ânimo calmo e refletido. que não alteram a essência do delito. mas aumentam a pena. de conformidade com a regra contida no art. Subsiste o homicídio privilegiado. são circunstâncias agregadas ao homicídio simples. § 2º. é necessário que além de banal a motivação para o crime. depois de injustamente provocado. No caso do chamado “homicídio mercenário” somente restará configurado. mas atinja terceira pessoa. em casos em que o agente auferir a vantagem e não a simples promessa de pagamento. seja igualmente injusto o motivo. 14. como forma de qualificar o crime de homicídio. A tarefa de arquitetar minuciosamente a execução de um crime não se coaduna com o domínio de violenta emoção. Exemplificativamente. 11.6. o agente que por amor a pátria elimina o traidor. sem importância. O Homicídio privilegiado é compatível com o aberratio ictus. “Domínio de violenta emoção é compatível com a premeditação. admite-se que o sujeito. 9. 121. 7. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 22 . CP. O relevante valor moral. inciso II do CP. seja pela ausência de relação de imediatidade entre eventual injusta provocação da vítima e a prática da conduta criminosa. 73 do Código Penal. diz respeito a interesse coletivo. o agente é impulsionado pela satisfação de um anseio social. 13. 8. a que se refere o § 1º. 121. efetue disparos de arma de fogo contra o provocador. Para efeito de reconhecimento da futilidade do motivo como forma de qualificar o homicídio. de que trata o art. O relevante valor social ou moral e a violenta emoção. Exemplo. totalmente desproporcionado de motivos em relação ao crime. A tarefa de arquitetar minuciosamente a execução de um crime se coaduna com o domínio de violenta emoção.

inciso II. Para ser o “MEIO CRUEL” qualificador para o crime de homicídio é imperativo que o agente procure com a sua ação. como sentimento mesquinho de quem pratica o homicídio de forma fria e premeditada. não sendo a qualificadora aplicada ao mandante. em particular no organismo da vítima individualmente considerada. para efeitos penais. 20. a que se refere o homicídio qualificado. No crime praticado com o “emprego de fogo ou explosivo”. pois é ele que atua movido pela paga. abjeto. revelando a personalidade do agente voltada para o crime. que qualifica o homicídio. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 23 .15. pois a reiteração dos ferimentos demonstra por parte do agente falta de piedade e comiseração. Se por MOTIVO FÚTIL. 22. para efeito de qualificação penal. imediatamente. quando. já constitui o MEIO CRUEL. será sempre erigido à condição de FÚTIL 16. ou com o conhecimento desta. Em casos em que o crime de homicídio for praticado por ausência de motivos. Na visão de alguns autores. 21. dentre eles Cléber Masson. inócuas para as pessoas em geral. esta equivale à torpeza. 18. § 2º. o chamado venefício. que repugna à coletividade. Assim. aplica-se a qualificadora do homicídio qualificado pela “PAGA OU PROMESSA DE RECOMPENSA”. 19. sempre e em qualquer situação que apareça a vingança como móvel do crime. pois neste caso. pois. 23. podem ser tratadas como veneno. A repetição de golpes ou tiros. não incidindo. é o motivo repugnante. pois. se trataria da figura do “bis in idem”. em razão de alguma doença ou como resultado de eventual ação alérgica. não incidirá a qualificadora do uso de “conduta de que possa resultar perigo comum”. 121. sejam aptas a levar à morte. a futilidade que originou a briga já não será o motivo da morte do ofendido. CP. causar atroz e desnecessário padecimento à vítima antes mesmo de cometer a sua morte. 17. este não poderá ser ministrado à vítima força. Determinadas substâncias. a qualificadora de que trata o art. O MOTIVO TORPE. o agente e a vítima entram em luta corporal e desta sobrevém o homicídio. tratar-se-ía de homicídio simples. Para o reconhecimento do homicídio qualificado pelo uso de veneno. ao executor. dentre eles a vingança. não sendo possível o reconhecimento de nenhuma outra qualificadora. vil. por si sós.

como também pela inalação de gás asfixiante. em casos onde o agente age por sadismos na prática do homicídio. é a insidiosa e inesperada para a vítima. esganadura. No crime onde o agente emprega a tortura como meio para a prática do homicídio. 29. O crime de homicídio praticado à traição. direto ou indireto. pois a superioridade em armas. A asfixia mecânica que qualifica a ação do agente na pratica crime de homicídio. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 24 . 28. de emboscada. 121. 32. já qualifica o crime. dificultando ou impossibilitando sua defesa. enforcamento. em concurso formal de crimes.24. impunidade ou vantagem de outro crime”. para qualificar o crime de homicídio. sufocação. Sempre em situação em que a vítima se encontre desarmada. nem sempre representada pelo tiro nas costas. para o seu reconhecimento. se obtiver a vantagem pretendida. o fato de que venha a perceber a aproximação do seu inimigo ostentando arma de fogo de grosso calibre é irrelevante. 31. O agente utiliza a tortura para provocar a morte da vítima. ocultação. sabemos que esta conduta pode vir a atingir um número indefinido de pessoas. soterramento. Dependerá sempre do dolo. 25. Nos casos em que o agente pratica crime de homicídio com uso de meio de que possa resultar perigo comum. A surpresa. incide em concurso de crime de homicídio qualificado (art. não se exige que tais vítimas em potencial necessitem se tratar de pessoas determinadas. qualificando o homicídio pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido. inciso III. A repetição de golpes. imprensamento. 30. 26. quarta figura) e o crime de tortura de que trata a Lei nº 9. somente incidirá a qualificadora na conduta do agente se este conseguir o seu objetivo.455/97. no tocante ao resultado morte. causando-lhe intenso e desnecessário sofrimento físico ou mental. § 2º. Aqui. por si só. O homicídio qualificado pela tortura caracteriza-se pela morte dolosa. ou seja. pode se dá por estrangulamento. A prática de homicídio como forma de “ assegurar a execução. 27. é o que caracteriza a prática do crime de homicídio por MEIO CRUEL. afogamento. do contrário não se reconhecerá a qualificadora. em razão de o agente ser portador de doença mental. não qualifica o crime.

representa o meio dissimulado de que fala a lei e qualifica o crime. que instituiu o Juizado Especial Criminal. § 2º. qualifica o homicídio como “recurso que dificulte ou impossibilite a defesa da vítima”. 36. O pai. Numa situação em que a vítima se apresente desarmada. 37. 42. a superioridade em armas.099/95. de que trata o art. ainda que estes desconheçam a motivação. Com o advento da Lei nº 9. CP. 121. 43. As qualificadoras referentes aos motivos do crime são incomunicáveis aos co-autores. não faz jus à concessão do perdão judicial. 41. por ser a pena mínima cominada igual a um ano. porém compatível com as qualificadoras objetivas. quando estes desconhecem a motivação. 35. O Homicídio privilegiado é incompatível com as qualificadoras subjetivas. 121. doloso. Pratica homicídio privilegiado por relevante moral ou social aquele que reage sob o domínio de violenta emoção logo em seguida a uma injusta provocação da vítima. inciso III. 34. A Utilização da armadilha mortífera por parte do agente como meio para a prática do homicídio. circunstâncias que podem tornar a figura privilegiada ou qualificada. nunca. Para que se configure a qualificadora do meio cruel. admite a suspensão condicional do processo. previsto no art. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 25 . § 3º. o crime de homicídio culposo simples. O homicídio mercenário é compatível com o homicídio privilegiado. 40. por criar uma condição de absoluta desvantagem entre aquela e este. que somente é aplicável em casos da prática de homicídio culposo. contra agente fortemente armado. Homicídio simples é quando não ocorrem na figura delituosa. 39. ainda assim.33. exige-se que o meio de execução deve ter sido o escolhido ou pelo menos desejado pelo agente. reconhecidamente arrependido por haver dolosamente praticado homicídio contra seu próprio filho. 38. As qualificadoras referentes aos motivos do crime sempre se comunicam aos co-autores.

O ciúme. ou. deixando de empregar atenção ou diligências de que era capaz. para a doutrina e jurisprudências majoritárias. Quando o agente. 53. 50. quando ocorrente em um caso concreto. ou o resultado desta. por exemplo. representa sempre MOTIVO TORPE. Sabemos que em caso da prática de homicídio doloso. profissão ou ofício. Apresenta-se através do ato inicial voluntário contrário ao dever. 49. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 26 . Considerando que o homicídio privilegiado se reveste de critérios especiais para a redução da pena e que o homicídio qualificado tem por objeto o agravamento da pena. Nesta o sujeito não reúne conhecimentos teóricos ou práticos para o exercício de arte. seja por dolo direto ou dolo indireto. A culpa é elemento subjetivo tratado por exceção. age com dolo eventual. como meio para a prática do homicídio. 48. mas por desídia não as observa. 51. 47.44. em face das circunstâncias. não previu o caráter delituoso de sua ação. praticado por imprudência. exigindo menção expressa na lei. o agente pode praticar o delito comissivamente ou omissivamente. 52. Inobservância de regra técnica de profissão. arte ou ofício. quando o marido encontra a esposa infiel. como motivação para o crime. é sempre reconhecida como FÚTIL. Na dissimulação. logo em seguida à injusta provocação da vítima. mantendo relações sexuais com o amante. não se confunde com imperícia. O homicídio privilegiado praticado sob o domínio da violenta emoção. 46. supôs levianamente que não se realizaria. não se reconhecerá a qualificadora em casos aonde o ofendido venha a perceber a intenção do sujeito ativo. 45. respondendo este como co-participe do crime anterior. não será aceita quando o crime que se quer esconder foi praticado por terceira pessoa. No caso da prática de homicídio motivado para assegurar a execução. posso afirmar serem absolutamente incompatíveis. impunidade ou vantagem de outro crime. tendo-o previsto. enquanto naquela o agente é dotado das habilidades necessárias para o desempenho da atividade. em seu leito. negligência ou imperícia. pode ser justificado. o homicídio qualificado e o privilegiado. A ausência de motivos. ocultação.

responderá por omissão de socorro na forma do art. em qualquer caso. CP. OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Para responder aos quesitos consulte o Roteiro de Aula bem como a doutrina e jurisprudência aplicáveis e em casos de opiniões divergentes sobre um mesmo assunto. 135.54. mas as conseqüências desse crime lhe são tão graves que a punição desponta como desnecessária. Trata-se de causa de extinção da punibilidade aplicável nos casos em que o sujeito produz culposamente a morte de alguém. Universidade de Fortaleza – UNIFOR – Direito Penal II – Professor Francisco Marques Página 27 . para efeito de avaliação prevalecerá o que consta do respectivo roteiro. Se o agente deixa de prestar imediato socorro a vítima. 55.

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