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ARTIGO ARTICLE

1297

Fatores associados ao sofrimento psíquico de policiais militares da cidade do Rio de Janeiro, Brasil Factors associated with psychological distress among military police in Rio de Janeiro, Brazil

Edinilsa Ramos de Souza 1 Maria Cecília de Souza Minayo Juliana Guimarães e Silva 1 Thiago de Oliveira Pires 1

1

Abstract
1

Introdução
Policiais, em todo o mundo, constituem uma das categorias de trabalhadores com maior risco de vida e de estresse 1,2,3,4,5,6,7,8,9. No caso específico dos policiais militares, o nível de estresse tem sido apontado como superior ao de outras categorias profissionais, não só pela natureza das atividades que realizam, mas também pela sobrecarga de trabalho e pelas relações internas à corporação cuja organização se fundamenta em hierarquia rígida e disciplina militar. Tais características estruturantes tornam a instituição resistente a mudanças e repercutem na saúde física e mental dos servidores. Destacam-se, ainda, como fontes geradoras de estresse, as relações, por vezes, tensas e conflituosas dos policiais com o Sistema de Justiça e com o público a quem atendem 5,6. No tocante aos policiais militares do Rio de Janeiro, as condições de saúde e de trabalho tendem a ser extremas, pois eles lidam com elevados índices de criminalidade de grupos organizados de criminosos armados 5,6,7. Os constantes riscos a que o policial militar se expõe em função do exercício da sua profissão levam-no, geralmente, a sentir medo, por si mesmo e por sua família, tanto de ser reconhecido como agente da segurança nos períodos de folga do trabalho, quando aumenta seu risco de vitimização, como de ser agredido e morto no desempenho das suas funções 6 . Esse medo é uma forma de defesa do

Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil. Correspondência E. R. Souza Centro Latino-americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli, Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz. Av. Brasil 4036, sala 700, Rio de Janeiro, RJ 21040-361, Brasil. edinilsaramos@gmail.com

This study investigates factors associated with psychological distress among military police (n = 1,120) in Rio de Janeiro, Brazil. The article describes their social, economic, and demographic characteristics, quality of life, mental health, and work conditions. Measurement of psychological distress used the Self-Reported Questionnaire. Analysis of associations used logistic regression, considering factors associated with psychological distress. The results indicate an association between psychological distress and factors such as ability to react to difficult situations, dissatisfaction with life, health problems (especially digestive, nervous, and musculoskeletal symptoms), and adverse work conditions such as excessive workload, constant stress, and victimization. The article concludes by highlighting the need for health promotion interventions for the military police, focusing especially on their mental health. Psychological Stress; Police; Mental Health

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 28(7):1297-1311, jul, 2012

Saúde Pública. em um primeiro momento. estresse e sofrimento psíquico. O apoio social foi mensurado pela Escala de Apoio Social 13. caso o mesmo seja positivo. realizada entre 2005 e 2007. 28(7):1297-1311. quando o estado de tensão e o desgaste físico e emocional são constantes. 1.).120 foram respondidos. o erro deverá ser maior. que totalizou 1. alterações em órgãos e sistemas. foram analisadas 40 questões que. dependendo da frequência de sua ocorrência. busca-se investigar fatores associados ao sofrimento psíquico dos policiais militares da cidade do Rio de Janeiro. 199 foram devolvidos sem preenchimento. bloco 3 – condições de saúde (prática de atividade física. como também ressaltam Dejours & Abdoucheli 11. os cargos (oficial. Aplicou-se um questionário anônimo com 107 questões fechadas.17. emocional e informação) utilizadas como variáveis para se estimar a qualidade de vida. Foi calculada uma amostra estratificada e por conglomerados em um estágio. cigarro. a carga mental e o sofrimento psíquico. 2012 . a partir de estudos já realizados 6. Para o cálculo.). no Brasil. Este texto traz a análise apenas de alguns dados quantitativos. tanto diretamente aos policiais como ao responsável pela sua distribuição nas unidades. eles podem gerar diversos prejuízos à saúde e à qualidade de vida. condição de vida após ingresso na corporação. composta por 19 itens e cinco dimensões (material. satisfação com a vida. O conceito de sofrimento psíquico é aqui entendido como transtorno psiquiátrico menor ou doença psiquiátrica não psicótica. foi abordado o montante necessário de policiais de cada cargo definido pelo cálculo amostral. segundo os cargos. às condições socioeconômicas e. um dos seguintes componentes: álcool. apresentam relação teórica com o sofrimento psíquico e que compõem quatro blocos. aqui entendida como variável dependente. mais diretamente. quartel etc. entre outros. remédio para emagrecer. em envelope fechado. cognitivo e psíquico.18. um erro de amostragem menor ou igual a 3. Foram considerados portadores de sofrimento psíquico ou distúrbio psiquiátrico menor os policiais com sete ou mais respostas positivas. Desses. suboficial e não oficial).700 agentes. em cada um deles. Foi considerado consumo de substância o uso de. utilizou-se a escala Self-Reported Questionnaire (SRQ-20). bloco 2 – qualidade de vida (capacidade de reagir a situações difíceis. e 381 não foram devolvidos.) e bloco 4 – condições de trabalho (tempo de serviço na polícia. afetiva. A investigação original. dentre eles. foram incluídas todas as unidades da Polícia Militar localizadas na capital e o efetivo de cada uma delas.) em que todos os profissionais ali alocados poderiam ser entrevistados. aos eventos de vida estressantes 16. No entanto. Os questionários foram distribuídos individualmente. Neste artigo. Dejours 12 considera-o como um mal-estar inespecífico. dentre outras). renda etc. é possível se obter. Essa escala possui 20 itens com respostas dicotômicas do tipo sim/não e se refere a transtornos de elevada prevalência em nível populacional que costumam estar relacionados. por Mari & Williams 15. tranquilizante. Rio de Janeiro. sedativo. apoio social. maconha. 14. pelo menos. Dependendo da magnitude desse coeficiente. e validada. em 1980. desenvolvida por Harding et al. mas que pode se tornar patológico. situação conjugal. pois ele se relaciona ao significado que tais condições têm para cada trabalhador. Metodologia Este trabalho analisa parte dos dados de uma pesquisa de corte transversal cujo objetivo foi estudar a qualidade de vida e as condições de saúde e de trabalho dos policiais militares do Rio de Janeiro 6.1298 Souza ER et al. As perdas atingiram 34. interação positiva. Para uma confiança de 95% (IC95%). foram feitos testes de associação entre a variável Cad. Para mensurar a existência de sofrimento psíquico ou de distúrbios psiquiátricos menores.1% e se deveram à recusa dos gestores e policiais em participar e à divergência entre o contingente real e o informado na listagem fornecida pela corporação. Os seis estratos compreendiam a natureza do serviço (administrativo ou operacional) e. Wisner 10 afirma que as condições de trabalho estão constituídas pelos componentes físico. foi constituída por abordagens quantitativa e qualitativa. mas. trabalhar além do horário etc. Na análise. sexo.8. Bloco 1 – características socioeconômicas e demográficas dos policiais (idade. lesões permanentes causadas pelo trabalho. corpo e do espírito dos que vivem sempre alerta aos perigos. jul. cocaína. Considerou-se um conglomerado como a unidade física (batalhão. o último é o elemento mais difícil de se caracterizar. anabolizante. dos quais. intermediário entre a saúde e a doença. indiretamente.5 pontos percentuais quando desprezamos o efeito do coeficiente de correlação in- traclasse.7. Foram sorteadas 18 unidades com seus respectivos efetivos. para proporções maiores que 40%. Nelas. usado para designar vários tipos de sintomas que traduzem sofrimento 6. Ao discutir a organização laboral. neste artigo. a partir de uma amostra aleatória simples de 610 pessoas. consumo de substâncias etc.

inicialmente. foi aplicado. ela foi acoplada ao grupo das variáveis de qualidade de vida que se mostraram associadas ao sofrimento psíquico (p < 0. 28(7):1297-1311. permaneceu e foi analisada conjuntamente com o bloco subsequente. tanto nos testes de associação quanto nos ajustes dos modelos.001) e problemas de visão. 27/03. Quanto à situação religiosa..034).00. problemas nos músculos. apenas a variável renda familiar do bloco perfil socioeconômico e demográfico foi incluída e mostrou-se significativa pelo teste de Wald (p = 0.3%). do Conselho Nacional de Saúde.0147). foi utilizado o F ajustado. de um nível hierárquico..05) na Tabela 2.05) e as relativas às condições de saúde.032). Cary.2% dos que estavam há dez anos na corporação apresentavam sofrimento psíquico. Variáveis com valor de p < 0. Observouse ainda que houve predomínio de policiais com escolaridade de 2o grau incompleto e completo (67. Na construção do segundo modelo. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. dentre as quais. obedeceram-se as normas da Resolução 196/96. o grau de satisfação com a capacidade de reagir a situações difíceis (p = 0.001) e a satisfação com sua vida como um todo (p < 0. problemas do sistema nervoso (p < 0. A fim de verificar independência. Resultados A Tabela 1 mostra que a maioria dos policiais militares do Rio de Janeiro é do sexo masculino (96.2% dos policiais militares encontra-se na faixa de R$ 1. considera-se que as características socioeconômicas e demográficas dos policiais exercem um efeito sobre os sucessivos níveis) na cadeia hierárquica do sofrimento psíquico.047) (Tabela 3). Em todos os aspectos do trabalho.8%). ossos e pele (p = 0.004) e a satisfação com sua vida como um todo (p < 0. foi incorporado o plano amostral para a correção das estimativas pontuais e da variância.008). Permaneceram significantes a propriedade da residência (p = 0. audição e fala (p = 0. Cada variável estatisticamente significativa.1. embora 27. mantiveram-se significativas: todas as do modelo anterior. para isso. Saúde Pública. A análise verificou prevalência de sofrimento psíquico em 35. contra 24% dos que trabalhavam de 11-20 anos e 16. problemas no sistema digestivo (p = 0. Na Tabela 2.00 a R$ 1.001. houve significância para: prática de atividades físicas (p = 0.9%-38.SOFRIMENTO PSÍQUICO DE POLICIAIS MILITARES 1299 resposta (ter ou não sofrimento psíquico) e as variáveis independentes. os blocos 2 e 3 são intermediários (a qualidade de vida e as condições de saúde dos policiais sofrem influência do nível anterior e têm efeito sobre o nível proximal). Foi empregado o modelo com enfoque hierarquizado 20.001) e vitimização (p = 0.010). sob o parecer nº. Estados Unidos). Quanto às condições de saúde. Em todos os testes. versão 15. Na última etapa (modelo 4).004). não estão satisfeitos com sua capacidade de reagir a situações difíceis (1. permaneceram significativas a satisfação com a capacidade de reagir a situações difíceis (p = 0.1%). 52. 48.7% (IC95%: 32. Rio de Janeiro.500.2% dos que tinham mais de vinte anos na polícia (Tabela 1). Fundação Oswaldo Cruz.998 vez mais que aqueles que estão muito satisfeitos ou satisfeitos).001). uma versão do teste de Rao-Scott 19. e 75. está na faixa etária dos 31 aos 40 anos (43.4% são casados. e o quarto bloco é o proximal (as condições de trabalho exercem influência direta sobre o desfecho). o teste F ajustado. Ao observar o modelo logístico final (Tabela 4). Em relação ao tempo de trabalho.6%) dos policiais militares da cidade do Rio de Janeiro. foram incluídas as variáveis referentes às condições de trabalho.2% são pardos.001). 13. No primeiro modelo. Devido à natureza complexa do desenho da amostra. As análises estatísticas foram feitas nos programas SPSS (SPSS Inc.0.059) mais as variáveis relativas a trabalhar além do horário (p = 0.05 foram incluídas no modelo. jul. ou seja. A entrada das variáveis no modelo seguiu a orientação estabelecida pelos níveis hierárquicos. em que as variáveis presentes no bloco 1 são consideradas distais (no presente estudo.324 Cad. exceto a prática de atividades físicas (p = 0. Em relação à qualidade de vida. foram incluídas as três variáveis relativas à qualidade de vida que se mostraram significantes (p < 0. Chicago. No terceiro modelo. Estados Unidos).9% deles possuam ou este- jam cursando o nível superior ou pós-graduação. 2012 . estresse no trabalho (p < 0. o conjunto de variáveis que compõem o nível distal foi o primeiro a ser inserido no ajuste do modelo. não estão satisfeitos com sua vida como um todo (2. podem ser visualizadas as variáveis testadas com respectivos OR (odds ratio) bruto e valor de p. e SAS (SAS Inst. o nível de significância adotado foi de 5%. O critério de seleção de cada uma foi baseado no teste de Wald 19.9% informaram que praticam algum tipo de religião. A renda familiar de 31. seguindo até as variáveis do nível proximal. versão 9. conclui-se que existe mais chance de desenvolvimento de sofrimento psíquico entre os policiais que: Do ponto de vista da qualidade de vida.0201).

7) 48.9 (25.7 (2.7 (21.7-77.000 Sofrimento psíquico Presença Ausência IC95%: intervalo de 95% de confiança.7 (32.7-34.0) 24. desenvolvem poucas vezes atividades além do horário (OR = 2. 35.7 (3. Em termos de condições de trabalho.3 (95.3) 52. Tabela 1 Prevalência de sofrimento psíquico e perfil socioeconômico e demográfico dos policiais militares da cidade do Rio de Janeiro.6) 64. comprometimento das Cad.500 1.2 (28.1-26. 28(7):1297-1311.5-30.7) 32.2 (1.1-25.4-67. Brasil. os quais estão diretamente correlacionados com a presença de sofrimento psíquico.501-2. Saúde Pública.0) 96. neste estudo. frequentemente apresentam es- tresse (OR = 3. musculares.1 (40.3) 4.0-97.500 2. 2007. têm problemas de sistema digestivo.5 (20.8 (65. grau de satisfação com a vida.2-51. que fatores como capacidade de reagir a situações difíceis.3) % (IC95%) vezes mais que a chance daqueles que estão muito satisfeitos ou satisfeitos).4 (72. jul.9) 75.8-11.4) 27.000 Mais de 4.5-3.6-8.5-34.8) 7. ósseos e dermatológicos.1) 2. Discussão Observou-se.6) 67.2 (3.5) 9.4-43.4 (37.9-55.5-19.3 (61. 2012 . às vezes Não Escolaridade 1o grau incompleto/completo 2o grau incompleto/completo Superior incompleto/completo/Pós-graduação Renda familiar (Reais) Até 500 501-1.2) 1.7-5.689).9 (23.1300 Souza ER et al.1-27.9) 3.8 (8.0) 28.1) 31. Rio de Janeiro. além dos problemas de visão.5-26. do sistema nervoso. Em relação à saúde.7) 40. frequentemente Sim.1-11.0-2.7-5.0 (5.3) 9.8 (26.501-4.2-31.3) 23.7 (22.001-1.2-5.9-38.000 1.4 (7. Variáveis Sexo Feminino Masculino Idade (anos) Até 30 31-40 41 ou mais Cor Branca Preta Parda Amarela/Indígena Situação conjugal Solteiro Casado Viúvo/Separado Prática de religião Sim.578).0 (29.784 vezes maior em relação àqueles que nunca ou quase nunca tiveram estresse no trabalho) e que sofreram alguma vitimização (OR = 1.1) 17.5) 24.7 (1.9) 4. audição e fala.9 (49.1-46.6 (15.1-70.9) 22.2 (45.5) 43.

99 1.00 0. Bloco/Variáveis Perfil Idade (anos) Até 30 31-40 41 ou mais Sexo Masculino Feminino Cor Amarela/Indígena Parda Preta Branca Situação conjugal Solteiro Viúvo/Separado Casado Tem filhos Sim Não Prática de religião Não Sim.01 1.00 0. Saúde Pública. 2012 .87 1.635 1.87 1.001-1.000 Mais de 4.00 0.31 1.00 0.02 0. jul.00 0.03 1.501-2.011 1.30 2.15 0. 28(7):1297-1311.000 1. nem insatisfeito/Insatisfeito/Muito insatisfeito Muito satisfeito/Satisfeito (continua) 2.93 1.19 1.840 0.000 Qualidade de vida Mora em casa própria Outra De favor Alugada Própria financiada Própria quitada Grau de satisfação com sua capacidade de reagir a situações difíceis Nem satisfeito.18 0.00 0.80 0.04 0.00 0.00 0.000 1.983 1.00 0. às vezes Sim.01 1.126 1.61 1.010 6. Rio de Janeiro.89 2.500 1.748 OR Valor de p Cad.90 1.85 1. frequentemente Escolaridade 1o grau incompleto/completo 2o grau incompleto/completo Superior incompleto/completo/Pós-graduação Renda familiar (Reais) Até 500 501-1.607 1.16 0.98 1.500 2.00 0.696 1.20 2.501-4.22 2.SOFRIMENTO PSÍQUICO DE POLICIAIS MILITARES 1301 Tabela 2 Odds ratio (OR) e teste entre variáveis independentes e sofrimento psíquico.

61 1.000 3. ossos e pele Sim Não Problemas glandulares Sim Não (continuação) 2.000 3. nem insatisfeito/Insatisfeito/Muito insatisfeito Muito satisfeito/Satisfeito Apoio emocional Baixo Médio Alto Apoio de informação Baixo Médio Alto Interação positiva Baixa Média Apoio material Baixo Médio Apoio afetivo Baixo Médio Condições de saúde Prática de atividades físicas Não pratico Poucas vezes por ano 2-3 vezes por mês 1 vez por semana 2-3 vezes por semana 4 ou + vezes por semana Colesterol Sim Não Lesões permanentes causada pelo trabalho Sim Não Problemas no aparelho respiratório Sim Não Problemas no coração e aparelho circulatório Sim Não Problemas no sistema digestivo Sim Não Problemas nos músculos.00 0.00 0.000 2.00 0.70 1.766 1.92 1. 28(7):1297-1311.49 1.26 1.94 1.00 0.43 1.00 0.000 1.000 OR Valor de p Cad.00 0.09 1.00 0.48 1.000 1. Rio de Janeiro.77 2.00 0. Tabela 2 (continuação) Bloco/Variáveis Qualidade de vida Grau de satisfação com sua vida como um todo Nem satisfeito.000 3.00 0.61 1.13 1. jul.000 2.000 2.58 1.1302 Souza ER et al.000 3.35 1.000 2.81 1.93 1.00 0.65 1.00 0.000 2.000 2.00 0.13 1.00 0. Saúde Pública.00 0.22 1.93 1. 2012 .

99 1. algumas vezes Sim.15 1.26 1.52 1.00 0.000 1.90 0.00 0. 28(7):1297-1311.00 0.00 0.037 1.65 1.000 7.12 1.00 0. poucas vezes Não Exerce outra atividade fora da polícia Sim Não Exerce atividade policial onde mora Sim Não Estresse no trabalho Frequentemente Às vezes Raramente Nunca ou quase nunca (continua) 3.000 2.000 0.29 1.46 1.12 1.00 0.00 0.00 0. Saúde Pública.963 1.68 1.07 0. jul.00 0. 2012 . sua vida (situação da vida após entrar na polícia) Piorou Continua igual Melhorou O trabalho que exerce é aquele para o qual treinou Não Sim Trabalhou além do horário Sim.72 1. Rio de Janeiro.00 0.000 0.000 2.44 1.10 1.SOFRIMENTO PSÍQUICO DE POLICIAIS MILITARES 1303 Tabela 2 (continuação) Bloco/Variáveis Condições de saúde Problemas do sistema nervoso Sim Não Problemas no aparelho urinário Sim Não Doenças transmissíveis Sim Não Problemas de visão.64 1. muitas vezes Sim.19 1. audição e fala Sim Não Consumo de substâncias Sim Não Condições de trabalho Tempo de serviço (anos) 26 ou mais 21-25 16-20 11-15 16-10 Até 5 Após entrar na polícia.000 3.000 OR Valor de p Cad.80 1.001 2.31 2.00 0.00 0.20 1.000 3.54 1.

662-1.938 2. jul. 2007.500 1.271 1.990 0.166 0. Tabela 2 (continuação) Bloco/Variáveis Condições de trabalho No trabalho.226-2.957 0. nem insatisfeito/Insatisfeito/ Muito insatisfeito Muito satisfeito/ Satisfeito (continua) 1.714 3.426-1.25 2.428 4.820 1.719 1.501-2.052-2.081 1.855-4.017-10.31 1.000 OR Valor de p Tabela 3 Variáveis associadas ao sofrimento psíquico de policiais militares da cidade do Rio de Janeiro.511-3.501-4.626 1.732-2.92 0.000 1.149 1.576 0.000 1.55 1.53 1.646-1.844 0.582 1.303 2.402 1.446 0. 28(7):1297-1311.027-4.000 1.646 0.255 1.001-1.81 1.678 1.083-18. 2012 .806-4. Saúde Pública.000 1.262-2.00 0.00 0.500 2. segundo modelo hierarquizado.333 1. Rio de Janeiro.1304 Souza ER et al.888 2.567 0.418 0.217 2.694-3.152 1.063-4.457 6.824 Modelo 1 IC95% OR Modelo 2 IC95% OR Modelo 3 IC95% OR Modelo 4 IC95% Cad.443 1.069 1.000 0.897-4.951 1.443 1.330-6.000 2.880 1.972 1.000 1.638-2.018 0.000 0.000 1.997 1. Nível/Variável/Categorias OR Perfil Renda familiar (Reais) Até 500 501-1.000 Qualidade de vida Morar em casa própria Outra De favor Alugada Própria financiada Própria quitada Grau de satisfação com sua capacidade de reagir a situações difíceis Nem satisfeito.198 2.00 0.000 Mais de 4.008 1.898 1.621-3.531-1.604 0.039-2. as pessoas se relacionam bem umas com as outras Discordo totalmente Discordo mais do que concordo Concordo mais do que discordo Concordo totalmente Percepção de risco Presença Ausência Vitimização Presença Ausência 2. Brasil.789 1.

314 1.429 1.000 2.173 1. 28(7):1297-1311.574-2.000 0.778-3.069 1.241 0.098 Modelo 1 IC95% OR Modelo 2 IC95% OR Modelo 3 IC95% OR Modelo 4 IC95% Cad.686 1.646 1.318 1.265 2.845-2.043 1.000 1. nem insatisfeito/Insatisfeito/ Muito insatisfeito Muito satisfeito/ Satisfeito Apoio emocional Baixo Médio Alto Apoio de informação Baixo Médio Alto Interação positiva Baixa Média Apoio material Baixo Médio Apoio afetivo Baixo Médio Condições de saúde Prática de atividades físicas Não pratica Poucas vezes por ano 2-3 vezes por mês 1 vez por semana 2-3 vezes por semana 4 ou + vezes por semana Colesterol alto Sim Não Problemas no aparelho respiratório Sim Não Problemas no coração e aparelho circulatório Sim Não Problemas no sistema digestivo Sim Não (continua) 1.464-5.074 1.494 1.735 1.456 2.129 1.478 1.309 1.121 0.045 0.508-1.000 1.460-2.993 1.430 0.130-4.576 1.875 1.801-3.571 0.000 1.SOFRIMENTO PSÍQUICO DE POLICIAIS MILITARES 1305 Tabela 3 (continuação) Nível/Variável/Categorias OR Qualidade de vida Grau de satisfação com sua vida como um todo Nem satisfeito.000 1.551 1.684-1.163 1.703-2.076-2.254 1.023 0.493 1.000 0.403 1.000 1.984 0.000 0.144 1.496 0.981-2.449 1.411-3.006 1.790-3.599-2.391 2.031-2.345 1.556-3.000 0.000 0.254 1.919-3. jul.856-2.899-2. Rio de Janeiro.014 2.000 0.091 1.111 1.726 1.752 2.711-1.000 0.104 0.127-4.579 1.197 1.000 1. Saúde Pública.905 0.673-3.725-1.171 0.507 1.000 0.519-2. 2012 .

28(7):1297-1311.085-1. muitas vezes Sim. Tabela 3 (continuação) Nível/Variável/Categorias OR Condições de saúde Problemas nos músculos.251 0.815-1.600 1.000 0.553 1.988 0.354 1.175 1.911-5.897 1.000 0.607 1.420 Modelo 1 IC95% OR Modelo 2 IC95% OR Modelo 3 IC95% OR Modelo 4 IC95% Cad.676 1.371 4.780 0.000 1.171 1.000 0.714-4.203 4.785-3.556 1.000 0.742 1.129-6.000 0.000 0.012 0.919 1.074 1.115-2.682 1.247 0.525-1. Rio de Janeiro.000 2.605-1.000 3.371 1.773-2. 2012 . nos ossos e pele Sim Não Problemas glandulares Sim Não Problemas do sistema nervoso Sim Não Problemas no aparelho urinário Sim Não Doenças transmissíveis Sim Não Problemas de visão. Saúde Pública.991 0. audição e fala Sim Não Consumo de substâncias Sim Não Condições de trabalho Tempo de serviço (anos) 26 ou mais 21-25 16-20 11-15 6-10 Até 5 anos Vida após entrar na polícia Piorou Continua igual Melhorou Exercer trabalho para o qual foi treinado Sim Não Trabalhar além do horário Sim.000 0.772-2.895 1.317 1.699 1.584-1.405 1. algumas vezes Sim.000 1.856 0.304 0.813 1.163 1. jul.247 1.411 1.780-1.901-4.000 1.763 3.225 1.579 0.460-9.1306 Souza ER et al.584 1. poucas vezes Não (continua) 2.760-1.698-1.926 0.058-2.859 1.139 1.777 0.376-0.000 0.000 1.188-2.896-1.060 1.

comumente utilizada em estudos transversais.544-2.000 1. Em relação ao modelo de regressão logística aqui usado. jul.964 1. nem a medida direta do risco. Antes de discutir os achados. é preciso comentar algumas limitações deste trabalho. situação conjugal ou mesmo a renda.379 0. que é uma medida útil para investigar associação das variáveis ao desfecho.000 0.526 2. por exemplo. sexo. que os respondentes foram os policiais que aceitaram participar do estudo em cada unidade selecionada. e a insatisfação com a vida como um todo explicam mais o sofrimento psíquico que as características de idade. afirmam que certa dose de estresse é positiva e necessária para que o serviço seja feito.842-1. sempre muito ressaltada em estudos qualitativos e quantitativos 21.319 1.120 0.983 1. Saúde Pública. cor. o OR tende a superestimar a razão de prevalência.474 1.769 Modelo 1 IC95% OR Modelo 2 IC95% OR Modelo 3 IC95% OR Modelo 4 IC95% condições de saúde física e mental. 1. 28(7):1297-1311.109 0. indicando que a insatisfação com a capacidade de reagir a situações difíceis. estresse nas atividades laborais e a vitimização influenciam o desenvolvimento de sofrimento psíquico entre os policiais militares. tendo.221 1. como os policiais. também implicando em viés de informação. algumas questões podem ter sido sub-representadas como. ora subestimando-o. Essa última. As distintas estratégias de coleta também podem ter influenciado tanto na seleção dos sujeitos como nas informações fornecidas.000 1. quando existe uma alta prevalência do desfecho.457-6. 2012 . Do mesmo modo.404 1.160-1. Mesmo a renda perdeu sua significância ao se incluírem as variáveis de qualidade de vida. mas não é ideal para aferir a razão de prevalência. trabalho além do horário.967 0.304 0.22. Rio de Janeiro. pois. frequentes no exercício das atividades policiais. o Cad.973-3.725-2. É possível que alguns vieses de seleção e de informação possam ter ocorrido. em vista. alguns profissionais que lidam com tarefas perigosas. afetando os efeitos das variáveis independentes no desfecho. o trabalho externo e o uso de subs- tâncias ou super-representadas. como o apoio social que consideram ter. A essa condição.000 1.477 1. OR: odds ratio.753-2. o que implica em prejuízo às inferências causais. ora superestimando-o. é importante destacar que ele permite estimar o OR.005-2.297 0. Para Lipp 23.SOFRIMENTO PSÍQUICO DE POLICIAIS MILITARES 1307 Tabela 3 (continuação) Nível/Variável/Categorias OR Condições de trabalho Exercer outra atividade fora da polícia Sim Não Estresse no trabalho Frequentemente Às vezes Raramente Nunca ou quase nunca Há bom relacionamento entre as pessoas no trabalho Discordo totalmente Discordo mais do que concordo Concordo mais do que discordo Concordo totalmente Vitimização Presença Ausência IC95%: intervalo de 95% de confiança.171 1. Uma delas é o fato de se tratar de um estudo transversal que não permite verificar a relação de temporalidade entre o fator e o desfecho. O primeiro ponto a ser mencionado é o fato de nenhuma variável do perfil socioeconômico e demográfico dos policiais ter permanecido no modelo como explicativa do sofrimento psíquico.

627 1.0001 46.1308 Souza ER et al.689 1.560-2.723 2.651 0.974 2. 2007.0088 51. muitas vezes Sim.006 3.473-4.791 2. OR: odds ratio.285 1.2 2.951 0. Saúde Pública. 2012 .594 1. nem insatisfeito/Insatisfeito/Muito insatisfeito Muito satisfeito/Satisfeito Grau de satisfação com sua vida como um todo Nem satisfeito.316 1.001 30.040 1.367 0.177-6.309 1.629-4.480-9.2 23.255 2.1 22.0014 Prevalência (%) OR bruto IC95% OR ajustado IC95% Valor de p * IC95%: intervalo de 95% de confiança.812-3.7 2. Rio de Janeiro. ossos e pele Sim Não Problemas do sistema nervoso Sim Não Problemas de visão.324 1.1 24.345 1.690 2.634-3.152 0.946-3.124 1.0001.475 2.404-4.5 13.711 0.9 27.689 1.6 20.122-2. Cad.871-7.647 2.515 1.2 3.5 18.725 0.439 1.0017 26.511-3.189-4.388 0.646-5.2 37.998 1. * Teste de Wald global: p < 0.077-4.459 < 0. jul.626 3.777-4. 28(7):1297-1311.229-2.192-1.735 1.917 0.0001 41.610-2.784 1.335 0.069 0.190 0.0 3. audição e fala Sim Não Condições de trabalho Trabalho além do horário Sim.7 27.0 56.4 2.0470 47.388 1.0105 54.145 0.103-3.782-5.899 0.122-2.718-2.2 3.646 < 0.552 1.897 2.637 1.0 25. algumas vezes Não Estresse no trabalho Frequentemente Às vezes Raramente Nunca ou quase nunca Vitimização Presença Ausência 50. Bloco/Variáveis/Estratos Qualidade de vida Grau de satisfação com sua capacidade de reagir a situações difíceis Nem satisfeito. nem insatisfeito/Insatisfeito/Muito insatisfeito Muito satisfeito/Satisfeito Condições de saúde Problemas no sistema digestivo Sim Não Problemas nos músculos.449 0.1 56.6 7.0005 62.1 2.220 0.3 28.263 5.528 2.578 1.239-1.177-6.5 3. poucas vezes Sim.462 2.307 < 0.472-1. Tabela 4 Modelo logístico final das variáveis associadas ao sofrimento psíquico de policiais militares da cidade do Rio de Janeiro. Brasil.145 0.

comprometimento da Cad. Martin & Stockler 26 pontuam que. em situações de necessidade e que podem atuar como mediador e possibilitar formas adequadas de lidar melhor com perdas e problemas do cotidiano. Em última instância. O modelo logístico elaborado demonstrou que fatores como capacidade de reagir a situações difíceis. o crescimento do risco. embora o sofrimento humano seja intrínseco aos processos de trabalho. grau de satisfação com a vida. Rio de Janeiro. quanto menor for a distância que separa as expectativas individuais da realidade. social. Por outro lado. a qualidade de vida é uma noção que envolve elevado grau de subjetividade e se associa também a moradia. nas duas corporações. apresentam maiores chances de desenvolver sofrimento psíquico. 17 como os recursos disponibilizados por outras pessoas a favor de alguém. que acovarda. nesta análise. Como lembra Dejours 12. no lazer ou mesmo no lar. verificou-se que a presença de certos distúrbios dos sistemas nervoso e digestivo. Investigação com policial militar e civil e guarda municipal do Rio de Janeiro mostrou a maior vitimização letal e não letal da primeira. devido à iminência de vitimização que enfrentam cotidianamente. local da ocorrência. Para avaliar esse componente. intimida e faz com a pessoa fuja das situações. aumenta as chances de sofrimento psíquico dos policiais militares. recreação. audição e fala aumentam o risco de sofrimento psíquico. Isso.31. circunstância. um estado de alerta permanente. que mereceriam aprofundamento da análise. por um lado. Vários autores ressaltam que pessoas socialmente mais integradas apresentam menos doenças e melhor prognóstico quando acometidas por enfermidades 17. e o trabalho é um deles. por exemplo. 28(7):1297-1311. Divergindo do que seria esperado. problema muscular. profissional e existencial está relacionada ao padrão de conforto e bem-estar atingido historicamente pela sociedade 5. ele se transforma em situação real de vitimização e se traduz em traumas. sem o comprometimento da sua integridade física ou de outrem 28. atores e risco envolvidos. Neste estudo. definido por Due et al.29. ambiental. 2012 . especialmente quando não se sentem satisfeitos com o trabalho 1. frequentemente. seja em seu horário de trabalho. melhor é a qualidade de vida.30. observouse maior risco de sofrimento psíquico entre os policiais que afirmaram trabalhar poucas vezes além do horário quando ajustados os OR. nenhuma das dimensões do apoio social se mostrou associada ao sofrimento psíquico.28. atribui imprevisibilidade ao trabalho policial que demanda ações resolutivas. O mesmo estudo chama atenção para os altos índices de vitimização dos policiais em seus períodos de folga. Há os que são resilientes e amam o risco. Seu oposto é o estresse negativo ou distresse. lesões ou mortes que ocorrem nos confrontos com a criminalidade e na manutenção da ordem. ósseo e de pele. duração da intervenção. Expostos a cargas horárias extensivas e intensas de trabalho e a situações estressantes. os policiais tendem a desenvolver problemas de saúde que se cronificam ao longo do tempo. Os resultados desta pesquisa indicam que os policiais que sofreram vitimização.18. entre os que trabalham poucas vezes além do horário. esse achado também pode ser um efeito de viés de informação. parece indicar o efeito da interferência de outras variáveis como. os acidentes de trânsito e as agressões. A variabilidade de eventos. estágio anterior ao estresse cumulativo. Esses achados são corroborados por pesquisas com policiais civis do Rio de Janeiro 5 e por estudos com os policiais militares de Minas Gerais 27 e de Pernambuco 8. Sobre isso. É importante recordar que a expectativa de satisfação humana com as diferentes dimensões da vida no âmbito familiar. tempo de serviço e natureza do trabalho. amoroso. Entretanto. comparados aos que o fazem muitas vezes. é necessário considerar a percepção do indivíduo sobre o suporte que reconhece ter. é necessário compreender suas causas para agir sobre elas. ambientais e relacionais da profissão policial. Pesquisa realizada com policiais civis e militares do Estado do Rio de Janeiro sobre riscos percebidos e vitimização 32 revela o crescimento da vitimização. como causas principais. porém alguns desenvolvem uma série de sintomas. pode indicar um efeito de adaptação com diminuição do risco entre aqueles que excedem a carga horária de trabalho muitas vezes. em termos de sua natureza. Segundo a Organização Mundial da Saúde 24. Saúde Pública. dentre os quais. Considerações finais O presente estudo permitiu delinear aspectos relacionados ao sofrimento psíquico entre policiais militares da cidade do Rio de Janeiro. horário. lazer e transporte 25. por lesões não fatais. A análise indicou que a insatisfação com vários aspectos da vida. além de problemas de visão. tendo. se não recebem atenção especial 1. modificando-as com vistas a tornar o processo laboral um fator de saúde e não de adoecimento.SOFRIMENTO PSÍQUICO DE POLICIAIS MILITARES 1309 autor denomina eustresse. Embora o risco seja estruturante das condições laborais. Uma das expressões da qualidade de vida é o apoio social. em relação às outras duas corporações 33. após ajuste do OR. jul.

Souza colaborou na concepção. 2. 16:403-20. dentre as quais. o que redundará em favor da corporação. 6. Jacqueline M. Minayo colaborou na revisão e escrita final do artigo. Minayo MCS. M. 28(7):1297-1311. Brasil. no entanto. Ferreira DKS. Ressalta-se ainda a importância da realização de pesquisas que possam respaldar ações transformadoras. a qualidade de vida. considerando-se variáveis relacionadas ao sofrimento psíquico. Chichester: John Wiley & Sons. Augusto LGS.120 policiais. vão além do processo de trabalho em si: suscitam reflexões acerca dos salários. Para mensurar o sofrimento psíquico. Emotions at work: theory. 8. Souza ER. 2003. musculares e ósseos. editors. Sofrimento psíquico entre policiais civis: uma análise sob a ótica de gênero. 3. problemas de saúde. Kelley TM. Colaboradores E. no seu sofrimento psíquico. Souza ER. sobretudo. Condições de trabalho e percepção da saúde de policiais militares. Missão prevenir e proteger: condições de vida. Meireles CC. Gershon R. da sociedade que precisa contar com a efetividade de seus serviços. Cooper CL. 28:6-29. p. assim. desenvolvem sintomas agudos e crônicos de sofrimento e de estresse cumulativo. 269-80. 7. Este estudo aponta para a necessidade de medidas concretas. e condições adversas de trabalho. entende-se que os dados poderiam ser modelados com o enfoque de análise multinível. Si X. Tais constatações. Resumo Nesse artigo. Paschoal T. Polícia. Saúde Pública. 9:4552. Os resultados indicaram associação entre sofrimento psíquico e fatores como: capacidade de reagir a situações difíceis e grau de satisfação com a vida. Cad. Na análise de associações. 44:160-7. Ferreira VT. Missão investigar: entre o ideal e a realidade de ser policial. Estresse Psicológico. a partir de estudo transversal com 1. pelas suas características de personalidade e pelo excesso de exposição ao risco e à vitimização. como carga excessiva. Policing: an International Journal of Police Strategies & Management 2005. 4. Organizational management of stress and destructive emotions at work. R. utilizando-se as distintas unidades/batalhões como variáveis de segundo nível. 2001. dos cuidados dispensados à saúde e das condições de vida pessoais e familiares desses servidores. análise e redação do artigo. trabalho e saúde dos policiais militares do Rio de Janeiro. mas.) 2008. Merecem atenção especial os policiais que. Santos NC. C. In: Payne RL. research and applications for management. 2008. o desenvolvimento de espaços de escuta dos problemas que os policiais vivenciam no cotidiano e em momentos de grandes tensões. 2012 . Conclui-se apontando a necessidade de intervenções que visem à promoção da saúde desses profissionais. Cooper CL. repercutindo.1310 Souza ER et al. visando não apenas. digestivos. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz. saúde física e mental. Cad Saúde Pública 2007. carga excessiva de trabalho. Silva colaborou na análise dos dados e redação do artigo. Rio de Janeiro: Editora Garamond. Dentre os possíveis desdobramentos. Estud Psicol (Natal) 2004. Validação da escala de estresse no trabalho. Cad Saúde Colet (Rio J. Cartwright S. sendo caracterizados o perfil socioeconômico e demográfico. Franco LG. do processo de organização institucional. 5. do próprio policial. sob a hipótese de que policiais tenderiam a sofrer riscos dependendo da unidade/batalhão em que estariam alocados. Work stress in aging Police officers. Tamoyo A. sobretudo. J Occup Environ Med 2002. T. foram investigados fatores associados ao sofrimento psíquico dos policiais militares da cidade do Rio de Janeiro. usou-se o modelo de regressão logística. G. jul. Minayo MCS. as suas condições de saúde e de trabalho. nervosos. Souza ER. J. O. utilizou-se o Self-Reported Questionnaire . Rio de Janeiro. Mental health and prospective police professionals. S. Constantino P. Lin S. sobretudo da sua saúde mental. Saúde Mental Referências 1. ao melhor desempenho técnico e a maior qualidade de vida para eles e suas famílias. mas também. Pires colaborou na análise estatística dos dados e redação do artigo. 23:105-14. exposição constante ao estresse e à vitimização influenciam sobremaneira o desenvolvimento de sofrimento psíquico nesse grupo de profissionais. constante exposição ao estresse e à vitimização.

26. v. Vieira SB. Fuchs SC. Mental disorders and primary health care: a study of their frenquency and diagnosis in four developing countries. Cad Saúde Pública 2001. et al. 119-45. 1994. Silva MB. Cusatis Neto R. Minayo MCS. 21:141-56. Stress e isolamento social versus stress e atividade de resgate ao público. Análise de eventos em criminalística: um estudo de caso. Lima LM. Batista ML. Patis K. 18. Saúde mental e trabalho: uma reflexão sobre o nexo com o trabalho e o diagnóstico. de Arango MV. Abdoucheli E. Nível de estresse na Polícia Militar. 32. Br J Psychiatry 1986. 31. 25. 20. São Paulo: Editora Cortez. In: Dejours C. 17:161-70. 148:23-6. 10:917-28. Faerstein E. 90:165-70. Martin A. Minayo MCS.diariodeumpm. Due P. 19. Holstein B. Ibrahim HH. Victora CG. Vermeulen M. Intervenção visando a autoestima e qualidade de vida dos policiais civis do Rio de Janeiro. Souza ER. Dejours C. Eval Health Prof 1998.net/ (acessado em 18/ Abr/2011). In: XXVI Encontro de Engenharia de Produção [CD-ROM]. Sociologias 2004. 28(7):1297-1311. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. Ciênc Saúde Coletiva 2009. 10 11. jul. Ladrido-Ignacio L. Stockler M. A validity study of a psychiatric screening questionnaire (SRQ 20) in primary care in the city of São Paulo. Wisner A. Andrade ER. 4:108-16. Pesquisa sobre stress no Brasil. Souza ER. 41:1403-9. Cad Saúde Pública 2007. Soc Sci Med 1999. 5: 428-40. Williams PA. organizadores. Recebido em 09/Nov/2011 Versão final reapresentada em 27/Mar/2012 Aprovado em 03/Abr/2012 Cad. 33. Rocha LE. 17:887-96. 15. 1996. 14. 2012 . Saúde Soc 2008. 5. 1992. Dejours C. http://www. 30. J Abnorm Psychol 1981. Policial. 13. Soc Sci Med 1995. and psychological distress. Constantino P . 23:2767-79. Lipp MEN. Itinerário teórico de psicopatologia do trabalho. Huttly SR. J Occup Health Psychol 2000. Nascimento Silva PLD. 785-9. São Paulo: Papirus Editora. Souza AL. Cad Saúde Pública 2001. 2011. 28. Saúde Pública. sofrimento e trabalho. Minayo MCS. Moos RH. Salários dos policiais militares no Brasil. 1994. Minayo MCS. 14:275-85. 17. Olinto MTA. Chor D. Representações sociais de policiais civis sobre profissionalização. Brito AS. Mendonça MGV. Harding TW. In: Anais do Congresso da Associação Nacional de Medicina do Trabalho. Psychol Med 1980. 22. The role of conceptual frameworks in epidemiological analysis: a hierarchical approach. O processo de trabalho do militar estadual e a saúde mental. 23. São Paulo: Editora Atlas. Modvig J. Climent CE. Pessoa DGC. Fisioter Bras 2003. Souza L. Mari JJ. São Paulo: Associação Brasileira de Estatística. Baltazar J. Lund R. A inteligência no trabalho: textos selecionados de ergonomia.SOFRIMENTO PSÍQUICO DE POLICIAIS MILITARES 1311 9. Florianópolis: Associação Nacional de Medicina do Trabalho. p. 29. support and relational strain. risco como profissão: morbimortalidade vinculada ao trabalho. Riscos percebidos e vitimização de policiais civis e militares na (in)segurança pública. Souza ER. 17:607-16. 1998. Social relations: network. 2006. Ciênc Saúde Coletiva 2005. The World Health Organization Quality of Life position paper from the World Health Organization. São Paulo: Fundacentro. 12. Medidas de rede e apoio social no estudo Pró-Saúde: pré-testes e estudo piloto. 6:304-27. 1987. Belo Horizonte: Secretaria de Estado de Defesa Social. Psicodinâmica do trabalho: contribuições da escola dejouriana à análise da relação prazer. 27. Jayet C. Holahan CJ. 10:231-41. Análise de dados amostrais complexos. 24. 26:224-6. Rodrigues CV. Avaliação dos riscos ambientais e das condições de saúde dos policiais militares de Minas Gerais. 16. Avlund K. social support at work. Fortaleza: Associação Brasileira de Engenharia de Produção. Rachid A. Rio de Janeiro. com base na prática. Mustard C. p. 48:661-73. Social support and psychological distress: a longitudinal analysis. Gender differences in job strain. Griep RH. Glina DMR. Abdoucheli E. Quality of life assessment in health care research and practice. Int J Epidemiol 1997. The WHOQOL Group. 21.