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Análise do discurso para uma formação mais didática a luz de Mikhail Bakhtin

Bento, Izabel Bernardina

Dentro da análise de discurso temos um dos maiores nomes que podemos citar o lingüista, filósofos e teórico Russo, Mikail Bakhtin, dentro das tantas análises política sociológicas e até mesmo sócio-educativas podemos elencar a base de nossa pesquisa que Bakhtin deu ao descrever que o discurso que geralmente é utilizado nas várias esferas da comunicação, tanto verbal como escrita, vem amputando e deixando que várias gerações sejam prejudicadas por uma colocação discursiva que inibe o leitor à busca do aprendizado. Em primeiro lugar porque o discurso geralmente é feito e escrito por quem entende do assunto e pra quem no mínimo já teve um conhecimento a respeito. Neste contexto a estrutura do discurso fica aquém do leigo para se formar uma boa compreensão a respeito do conteúdo abordado. A grande crítica que Mikail aborda é o fato de o escritor estar mais preocupado em explicar da forma mais complicada e prolixa possível para que seja visto como “Um grande escritor, homem culto, com linguagem rebuscada e autor para poucos leitores” do que preocupado em ser realmente entendido. Bakhtin vem fazer uma análise crítica sobre a abordagem dos grandes escritores e concluiu que para muitos autores, é o leitor que deve chegar ao nível de conhecimento do autor para que consiga enfim, começar a entender as rebuscadas estruturas lingüística, as poéticas expressões metafóricas do autor em questão e inclusive já estar ciente do tema abordado para que desse modo, possa a ter uma familiaridade do texto e conseguir tirar conclusões expressivas sobre o assunto tratado. A sua principal critica vem da abordagem em se tratar da “sintonia” da comunicação leitor e autor. Segundo ele “Devemos renunciar aos nossos hábitos monológicos” para tanto Mikail Bakhtin vem convidar a um novo tipo de “diálogo” com os autores. Ao invés de nosso leitor ter de se especializar para que chegue a uma compreensão sobre os textos de grandes escritores, pensadores, educadores e filósofos, porque não os autores tornarem possível para o leitor a disposição de uma escrita, de uma estrutura discursiva e de uma formação textual com uma linguagem que não o limite o leitor ao reconhecimento de um assunto? O autor que tem mais capacidade para escrever de forma mais acessível, porque não usar este tipo de linguagem para ensinar? “Não foi em todos os campos que a lingüística soube dominar uniformemente o seu objeto de forma metódica: [...], ainda não foi minimamente elaborada a seção que deve dirigir os grandes conjuntos verbais: longos enunciados da vida corrente, diálogos, discursos, tratados, romances, etc., pois esses enunciados também podem e devem ser definidos e estudados de modo puramente lingüístico, como fenômenos da língua. [...]. A sintaxe dos grandes conjuntos verbais (ou a composição como parte da lingüística, diferentemente da composição que leva em conta a tarefa artística ou científica) ainda espera sua fundamentação: até hoje a lingüística ainda não ultrapassou cientificamente a oração complexa: este é o mais longo fenômeno da língua já explorado lingüística e cientificamente: tem-se a impressão de que a língua precisamente lingüística e metodologicamente pura de

. não o enunciado de verdade.). Para se ter uma boa compreensão do texto é preciso antes de tudo ser conhecedor da língua e de suas aplicações.” (BAKHTIN. porque os escritores não se colocam em sintonia com seu leitor e escreve para este tipo de leitor que é o maior interessado no entendimento do texto. nem as relações entre eles (dialógicas). apenas o meio de comunicação discursiva [sic] mas não a própria comunicação discursiva. A questão é mais complexa. Outra forma de linguagem muito abordada por Bakhtin é a questão do diálogo. “A língua.). o objeto do discurso e o falante com sua atitude valorativa. Ele vem propor uma nova estrutura de composição do texto trabalhando o mesmo com uma linguagem que mais se aproxime da conversação ou simplesmente uma leitura na qual o leitor interaja com o autor como se estivesse dialogando com o mesmo. Estética da criação verbal. Porque o educador não se faz entender em seus textos didáticos por uma linguagem mais clara e concisa para que se faça entender? e por fim concluindo. a poesia. Daí vem um grande salto na descoberta de Bakhtin ao notar que o leitor não apenas tem dificuldade em interagir com o autor. 47. 2003b. a palavra são quase tudo na vida humana. 1993a. como o interlocutor consegue captar melhor as idéias do autor quando o veículo principal de transmissões de idéias é a fala. etc. Esse campo deve ser trabalhando com destreza para complementar a forma didática no ensino tornando-o mais eficaz. sem aquelas extensas barreiras do discurso prolixo. Para Bakhtin o eu só existe em interação com o outro. Contudo. p. nem as formas da comunicação. para a reação resposta ativa do interlocutor (enunciados prefigurados) e para seu autor. não se deve pensar que essa realidade sumamente multifacetada que tudo abrange possa ser objeto apenas de uma ciência – a lingüística – e ser interpretada apenas por métodos lingüísticos. São essas relações e o gênero do discurso que são determinantes na construção do estilo. a análise lingüística pura pode ser levada mais adiante. verborrágico. Questões de literatura e de estética: a teoria do romance.” (BAKHTIN. por mais difícil que pareça e por mais tentador que seja aqui introduzir aqui ponto de vista alheios à lingüística. para si mesmo" Bakhtin parte do ponto do conhecimento do homem e da sua linguagem. porque "ser significa ser para o outro e. p.repente termina ali e de repente tem início a ciência. saber diagnosticar quando o autor está usando em vários parágrafos de seu discurso um tom irônico ou comparativo. através dele. pois é preciso situar o enunciado na cadeia da comunicação discursiva. 324. muitas vezes irônicos e tantas vezes comparativo? Para o leitor que não entende sobre o assunto. assim como sabemos uma falha que veio desde o início da alfabetização. nem os gêneros do discurso. entretanto.. a língua como forma da própria interação. na relação dialógica que mantém na orientação para o objeto do seu discurso (enunciados já-ditos). O objeto da lingüística é apenas o material. assim como tem dificuldade por não compreender bem sua língua e estruturas de linguagem. estaria com certeza remetendo-o a não compreensão do assunto e até mesmo a desistência no aprendizado que já é bem cansativo mesmo sem todos esses percalços enunciativos. Fatores como determinantes do estilo: o sistema da língua.

2003b. do material e da forma na criação literária.. sendo assim um texto mais didático sem perder sua riqueza de argumentos.. na linguagem e no conhecimento de seus significados e significantes. O problema do texto na lingüística. p. ou seja. M. O problema do conteúdo.Concluindo a questão da análise de Bakhtin observamos que a estrutura discursiva deve ser trabalhada desde a raiz. Estética da criação verbal. M.Unesp/Hucitec. 1993a. 307-335. 3. . perpassa por seu reconhecimento das palavras pelo diálogo e pela estrutura da formação destes termos na construção da fala e dos elementos enunciativos e a partir daí ele desenvolve a importância de se trabalhar um texto acessível aos leitores fechando o circulo para que a construção dos textos venham de fato. ed. BAKHTIN. 4. na filologia e em outras ciências humanas: uma experiência de análise filosófica. In: _____. trabalhar com clareza as idéias do leitor. In: _____ . São Paulo: Ed. São Paulo: Martins Fontes. p.Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. M. BAKHTIN. ed. 13-70. M.