Análise dos Registros de Ocorrência e dos Inquéritos Policiais Referentes ao Crime de Homicídio Doloso na Baixada Fluminense

Ana Paula Mendes de Miranda UCAM/ISP, RJ, Brasil Andréia Soares Pinto ISP, RJ, Brasil Bárbara Tiago Bono UCAM, RJ, Brasil Marcos Vinícius Moura UFF, RJ, Brasil

Resumo: Sendo o homicídio doloso considerado o crime mais grave contra a vida, pretende-se que este estudo permita diagnosticar as características do processo de investigação e os fatores que determinam e/ou dificultam sua resolução. A Baixada Fluminense foi a região escolhida por concentrar, em média, 30% dos casos de homicídios dolosos registrados ao ano no Estado do Rio de Janeiro. Foram analisados 346 inquéritos policiais registrados em unidades policiais do tipo Delegacia Legal na região da Baixada Fluminense e 17 entrevistas realizadas com integrantes da policia judiciária (delegados e investigadores) dessas e de outras unidades policiais com grande volume de registros de homicídio doloso.

Palavras Chaves: Homicídio Doloso, Crime e Polícia Abstract: Being the murder considered the crime most serious against the life, one intends that this study it allows to diagnosis the characteristics of the inquiry process and the factors that determine and/or make it difficult its resolution. The Baixada Fluminense was the chosen region chosen for concentrating, in average, 30% of the cases of registered murders to the year in the State of Rio de Janeiro. 346 police inquests registered in police units of the type Legal Police station in the region of the Baixada Fluminense had been analyzed and 17 interviews carried through with integrant of police judiciary (policies commission agents) of these and other police units with great volume of registers of murder.

Key Wods: Murder, Crime e Police

-1-

A região de estudo é a Baixada Fluminense. 2 O Instituto de Segurança Pública (ISP) é uma autarquia vinculada à Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Este programa tem por objetivo realizar um amplo processo de reforma da Polícia Civil.1. implantado no estado do Rio de Janeiro em 1999. que em 2004 já estavam integradas ao programa Delegacia Legal. Introdução Este artigo tem como base a pesquisa “Análise dos registros de ocorrência e dos inquéritos policiais referentes ao crime de homicídio doloso na Baixada Fluminense”1 realizada pelo Instituto de Segurança Pública (ISP)2. Considera-se que o homicídio doloso seja o crime mais grave contra a vida e que constitui um evento de baixo percentual de elucidação no estado do Rio de Janeiro. Esta pesquisa compreende duas fases: 1) análise dos registros de ocorrência e dos inquéritos policiais referentes ao crime de homicídio doloso e. As ações que nortearam o programa foram a reforma física ocorrida nas instalações das unidades policias. também entrevistas com policiais lotados nas delegacias da Baixada Fluminense pertencentes à amostra. criada em 1999. além de relatório com a análise dos dados quantitativos. A parte quantitativa da pesquisa compreende a estruturação e análise de banco de dados dos registros de ocorrência e inquéritos policiais referentes ao delito de homicídio doloso na região da Baixada Fluminense. Rio de Janeiro. Seu objetivo principal é avaliar a investigação dos homicídios no âmbito do Programa Delegacia Legal3. A parte qualitativa compreende a realização de entrevistas semi-estruturadas com policiais civis lotados em delegacias da Baixada Esta pesquisa encontra-se em fase de conclusão e compreende. 3) inquéritos instaurados a mais de um ano. Os critérios de seleção da amostra foram: 1) delegacias da Baixada Fluminense. Este trabalho tem por objetivo o diagnóstico das características do processo de investigação e dos fatores externos que determinam e/ou dificultam a resolução dos crimes de homicídio doloso na Baixada Fluminense. 2) análise de discurso através de entrevistas com policiais lotados nas delegacias componentes da amostra. 3 O programa Delegacia Legal foi criado em 1999. Foram utilizados métodos quantitativo e qualitativo de análise. área que concentra. 30% dos casos de homicídios dolosos registrados ao ano no estado do Rio de Janeiro. 2) total de homicídios dolosos registrados nessas delegacias em 2004. 1 -2- . em média. assim como a reformulação dos processos de trabalho e a concentração dos policiais nas atividades investigativas. na gestão do Governador Anthony Garotinho.

tais como a construção da Via Light.Fluminense. obteve-se um universo de 346 registros de ocorrência de homicídio doloso. uma delegacia com volume médio de registros. análise de discurso. entre elas. a demanda de lotes na região. Suas principais vias de acesso são a Avenida Brasil. Japeri. Guapimirim. a 54ª DP – Belford Roxo (245 registros). Queimados. que destaca as altas taxas de criminalidade em determinadas áreas do Estado. Dessa forma. até o momento da elaboração deste artigo. acabou empurrando um grande contingente populacional para a Baixada Fluminense. esta região assumiu papel de “cidade dormitório” para uma população laboriosa que se deslocava todos os dias para a cidade do Rio de Janeiro em busca de trabalho. Mesquita. a 61ª DP – Xerém (18 registros) e a 63ª DP – Japeri (32 registros). Com relação à segunda fase da pesquisa. O crescimento econômico favoreceu importantes investimentos públicos. a amostra foi composta por quatro delegacias: uma delegacia com o maior volume de registros de homicídio doloso dentre as delegacias da Baixada. No início do século XX. aumentando. a 66ª DP – Piabetá (51 registros). A Baixada Fluminense é uma região vizinha à Capital do Estado que abrange 13 municípios: Belford Roxo. observação de campo através de visitas a essas delegacias. sete delegados (Titulares e Adjuntos) e dez inspetores das delegacias pesquisadas. Nova Iguaçu. 2. desta maneira. foram entrevistados. e duas delegacias com os menores volumes de registros. que não integra a amostra. Magé. inaugurada em 1946. em especial da imprensa brasileira. Itaguaí. a Baixada Fluminense. resultante da exploração imobiliária. Nilópolis. da Linha Vermelha. em 1951. além do delegado titular da Delegacia de Homicídio da Baixada Fluminense (DHBF). Duque de Caxias. e a Rodovia Presidente Dutra. A Baixada Fluminense A questão da segurança pública no Estado do Rio de Janeiro é alvo de permanente atenção da opinião pública. O “inchaço” populacional nos grandes centros urbanos e a valorização constante do metro quadrado do solo na Capital. Paracambi. No total. implantação da refinaria de petróleo (REDUC) e da primeira universidade pública da região (FEBF/UERJ). São João do Meriti e Seropédica. -3- .

é a primeira documentação do fato que servirá de base para a abertura do inquérito policial. em 2006.725. Em 2005.gov. Instrumentos de análise: do conhecimento do fato à abertura do inquérito policial Para analisar os crimes de homicídio ocorridos na Baixada utilizou-se como instrumento inicial de trabalho os registros de ocorrência de homicídio doloso de delegacias da polícia civil dessa região.0% dos homicídios registrados no Rio de Janeiro pertenciam às delegacias da Baixada4. pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA). o que representava 23. e que servirá de base para a acusação (denúncia ou queixa) do crime ao Ministério Público. com taxa de analfabetismo de 7.9% do total da população do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora Globo. disponível em: www. entre as vinte cidades mais violentas do País. O Inquérito Policial é um procedimento administrativo utilizado pela Polícia Civil que visa apontar a autoria e a materialidade do evento criminoso.br Ler“Do Velho Oeste ao Paraíso”. abril de 2005. com o objetivo de medir o risco de uma pessoa ser assassinada nos municípios com mais de 300 mil habitantes5. o dobro da Capital.0% ao ano (bem superior à Capital que foi de 0.208 habitantes. O registro de ocorrência. mostra que.isp. Além disso. quatro pertenciam à Baixada Fluminense.0%. Resumidamente podemos dividir em seis as fases de um Inquérito Policial: a) Conhecimento do Fato b) Instauração c) Diligência d) Relatório e) Remessa f) Arquivamento do Inquérito 4 5 Boletim Mensal de Monitoramento e Análise. ou RO. 3. Com relação à criminalidade violenta.rj.Segundo dados do IBGE. -4- . a população estimada da Baixada era de 3. 30.7%). A taxa média de crescimento da Baixada no período de 1991 a 2000 foi de 2. Revista Época. edição 359. a Baixada se destaca por apresentar um dos maiores percentuais de homicídios por áreas do Estado.

) e de efetivo policial. (Delegado) No entanto. Sendo assim. a ida ao local do fato torna-se imprescindível para a coleta de informações que irão subsidiar a investigação. quando o titular da ação penal é o Estado. muitas informações são obtidas. Nos crimes de homicídio a portaria deve ser aberta no instante em que se tome conhecimento do fato. isto é. principalmente pelos delegados. o delegado. pode julgar ter argumentos suficientes para elaborar seu relatório e encaminhá-lo ao Ministério Público através de despacho para abertura de processo criminal. nesse momento de conversa com os populares. Por meio de diligências são coletadas as provas. como oneroso e desgastante. Após um determinado período de investigações e obtenção de informações. segundo um dos policiais entrevistados. Um dos integrantes da equipe vai ‘a paisana’ e pára num comércio próximo ao local do fato. avalia esta documentação e decide se ela tem argumentos suficientes para oferecer a denúncia ou o arquivamento do caso.) e com as provas técnicas . armas. o relatório é retornado à delegacia com as observações e medidas que o MP julga necessárias para complementar e/ou fundamentar tal procedimento. por sua vez. Você pergunta porque aquele cara morreu e ele vai falando que o fulano queria pegar a filha do cicrano e o cicrano é o cara do tráfico e por aí vai. Neste momento. requerimento. já tem a motivação. etc. Este processo de tramitação do inquérito entre a delegacia e o MP é visto pelos policiais.. para dar continuidade ao fluxo do inquérito.. na prática.O conhecimento do fato acontece mediante representação.. já tem a linha de investigação”. já tem autor. registro de ocorrência etc. aí você pergunta pro curioso que está lá olhando quem é a vítima que está ali e ele diz que é o fulano. caso contrário. a equipe faz uso de arma ostensiva para segurança. Alguns dos motivos alegados seriam a falta de equipamentos (viaturas.. geralmente um bar. “a investigação de homicídio é trabalhada inicialmente com depoimentos (. poucas são as vezes em que o policial vai ao local do crime. Aí você já tem a qualificação da vítima. Os casos de homicídio se caracterizam por ser um tipo de ação penal pública incondicionada. A instauração do inquérito ocorre através de portaria. “Geralmente você manda uma equipe de colete para o local do fato.títulos de perícia penal e criminal”. O Ministério Público. Outra forma é: chegar no morro que está a vítima caída. e vai bater papo como se fosse uma pessoa do povo. a seguir: -5- . Um exemplo das críticas apontadas ao trabalho do MP pode ser observado no relato de um dos investigadores entrevistados.

9% dos casos analisados. Uma porcentagem significativa dos casos tramitava na justiça (42. Através da leitura desses inquéritos. No trecho acima o MP pede ao policial que o “boneco” seja chamado para depor.5% ou 147 inquéritos). Práticas como telefonar para o promotor.. Os policiais entrevistados acreditam que uma boa relação pessoal com o MP é determinante para o bom andamento do trabalho policial.8% dos inquéritos já foram enviados ao MP. Outro ponto que merece destaque é o tempo que o MP leva para despachar e devolver os inquéritos à polícia para que esta continue as investigações. os inquéritos são precedidos de um telefonema do delegado ao promotor. ter a mesma equipe há anos. O policial nos relata indignado o fato ocorrido. promotores e peritos vai além das práticas formais de documentos oficiais. fazem parte da rotina do trabalho policial. ou seja.“O MP não lê os inquéritos. 6. O número de casos que foram enviados definitivamente à justiça para oferecimento da denúncia (relatados à justiça) foi de 24 inquéritos. Antes de serem enviados ao Ministério Público. Em contrapartida. sem se dar conta de que se tratava de uma mesa de jogo e não de uma pessoa. sempre acompanhando o mesmo delegado. Havia. casos de inquéritos enviados ao MP mais de dez vezes para solicitação de novo prazo. Na visão de alguns policiais entrevistados muitos inquéritos deixam de ser denunciados pelo MP por questões mínimas ou sem fundamento. “enviados à justiça” e “justiça relatado”. inclusive. pedir ao colega da polícia técnica para adiantar o laudo. Através da análise dos 346 registros. observou-se que 98. -6- . assumindo caráter pessoal e individual. observou-se que a maioria deles foi enviada à justiça para solicitação de novo prazo para investigação. uma vez coloquei no inquérito que o corpo havia sido encontrado ao lado da “mesa de boneco” (referência a mesa de totó) aí a promotora me pediu que chamasse o boneco para depor. fazendo a ele determinadas solicitações ou até mesmo para identificar o que o promotor espera que contenha no inquérito. Para os policiais entrevistados o ato de entrar em contato com o promotor da região é fundamental para o prosseguimento da investigação.. pois segundo ele este fato evidencia o trabalho do MP junto aos inquéritos que lhe são enviados. a relação entre delegados.” (risos) (Investigador) Com a seguinte fala o investigador tenta exemplificar a atuação do MP junto ao trabalho policial. somados os casos que estavam nas seguintes situações: “devolvidos pela justiça”.

complementares”. Considerando as especificações das funções de polícia investigativa e de polícia judiciária à PCERJ. minimante. versátil.Sendo o Registro de Ocorrência (RO) uma das fontes de nossa pesquisa. acionam os serviços policiais civis. KAHN. portanto. existem fatos administrativos que por sua ordem devem ser registrados. MISSE. Segundo Muniz (2000): “O registro de ocorrência é um documento legal elaborado pela Polícia Civil que representa a primeira notificação oficial de uma queixa-crime para a maior parte dos casos que são encaminhados a uma unidade de polícia judiciária (UPJ). passa pela confecção de depoimentos. Por conta disso. por diversas motivações. 1986 e 1988. pode-se dizer que o RO expressa o atendimento preliminar oferecido ao público e agentes institucionais que. (Muniz. de um instrumento artesanal e em certa medida. o fato de nos revelar a criminalidade oficialmente registrada pelo Estado e demonstrar o perfil da instituição que o confecciona. As alterações necessárias no RO são feitas mediante o Registro de Aditamento (RA). altera e/ou corrige informações no registro de ocorrência. O uso dos registros de ocorrência como fonte de pesquisa já foi problematizado por vários pesquisadores e não é nenhuma novidade a crítica feita à qualidade das informações contidas nesses registros (BEATO. documento que acrescenta. tomar como base de análise o RO significa partir de uma classificação policial do que é por eles considerado crime. Trata-se. COELHO. 1998 e 2000. A análise dos RO permite perceber as características do processo de produção da “verdade policial”. “o registro de aditamento serve para complementar o registro de ocorrência ou alterar alguma coisa que estava errada ou adversa”. averiguações. o registro de ocorrência destaca-se como uma forma de comunicação legal que procura atender. Segundo um investigador. -7- . acreditou-se ser relevante neste artigo realizar uma análise detalhada desta peça e de seus respectivos campos de preenchimento. 1998. SOARES & SENTO –SÉ. incursões nas ruas e termina com o envio do inquérito ao Ministério Público). no qual é registrado não só aqueles fatos interpretados juridicamente como crimes e contravenções. 1997. 2000. O RO é o documento básico da Polícia Civil destinado principalmente ao registro dos fatos considerados crimes ou contravenções penais. Dentro da linha de produção do trabalho policial civil (que de uma forma simplificada. investigativas e cartorárias desenvolvidas em uma delegacia. Sendo assim. levantamento de provas. 1996). diligências solicitadas. 2000:2) Podemos destacar como principais razões para análise e estudo destes documentos. mas também. começa no balcão de atendimento. como também os atos administrativos efetuados por uma unidade policial distrital e/ou especializada. porém. a propósitos operacionais diferentes. o Registro de Ocorrência consiste na principal ferramenta que aciona boa parte das rotinas executivas.

acabo pulando alguns quadrinhos. os policiais não conseguem se acostumar à nova rotina de trabalho e optam por criar formas alternativas de manter a antiga rotina. que é a mudança na lógica do trabalho policial. As informações contidas nos RO deixam de ser encaradas como -8- .. o quanto é constrangedor tentar perceber se o autor possui ou não tatuagens. Uma justificativa para este tipo de conduta pode ser a forma como os policiais percebem a confecção do registro de ocorrência.) quando o elemento é autor aparece muita coisa para eu preencher. Em uma das visitas feitas a uma unidade policial. enquadro o cara no que tiver que preencher menos quadrinhos (. e demonstra a descrença deste no processo de produção da informação. Mesmo assim. Além disso. valendo-se das mesmas práticas antes utilizadas nas delegacias tradicionais. Assim. O investigador nos relatou. indignado. cicatrizes. o modelo de RO vigente durante meados dos anos 90 contém pouca informação e. isto significa que informações consideradas relevantes pelo Programa não estão sendo coletadas. alguns discursos mostram que é possível encontrar formas para não preencher tantos campos: “Quando o sistema está muito lento. pouca informação codificada de forma a facilitar o seu processamento. um investigador comentou que não preenchia todos os dados do sistema. dos suspeitos ou das características dos crimes mais freqüentes. o autor poderia considerá-lo homossexual ao vê-lo observar algumas de suas características físicas. é difícil tentar realizar um perfil das vítimas. o que supõe um ganho tanto na qualidade quanto na confiabilidade da informação. Quando o policial nos fala que pula alguns “quadradinhos”. o preenchimento eletrônico impede que certos campos obrigatórios sejam deixados em branco. Ao que parece. Assim. em alguns casos. Uma grande parcela dos agentes vê o RO como uma prática meramente burocrática. que acaba pautando de forma direta o trabalho policial. O novo modelo de RO implantado com as Delegacias Legais se destaca por ser mais detalhado e oferecer um conjunto de informações muito maior.Para Cano (2000). particularmente. mas quando eu coloco no campo envolvido aparece menos”. não permitindo a continuidade do preenchimento. mais “quadrinhos” deixam de ser preenchidos e mais informações deixam de ser acrescidas ao RO. manchas ou marcas do gênero.. pois. (Investigador) O trecho acima deixa clara a resistência dos policiais de se inserir ou se adequar a um dos objetivos fundamentais propostos pelo programa Delegacia Legal.

ou para a confecção de um RO. 2004) inicia-se com uma ocorrência realizada pela Polícia Militar (PM). fazer o serviço burocrático”. ouvimos de um Delegado o seguinte relato: “(.) Parar para atender no balcão demora um tempo. Enquanto nas delegacias tradicionais o policial que se encontra no balcão no momento em que a vítima chegar à delegacia é aquele que faz a mediação do atendimento e a convence a não registrar o fato (KANT.1995). já requer muito tempo. Durante a pesquisa de campo. constatou-se que alguns casos que chegam às delegacias acabam sendo mediados informalmente no balcão de atendimento ou são desqualificados pelos policiais. O crime de homicídio caracteriza-se por possuir como titular da ação penal o Estado. realizada nas delegacias estudadas. et al. o princípio que desencadeará todo o inquérito. O registro da ocorrência passa a ser visto como um entrave ao trabalho policial e não como um primeiro contato com o crime. ir ao balcão. O fluxo de processamento da justiça criminal (CASTRO. Registrada a ocorrência. A Investigação Policial Que dados são considerados fundamentais para a elucidação de um caso de homicídio? Que fatores são relevantes para o bom êxito de uma investigação de homicídio? Estas foram as principais questões que nortearam nossas análises no sentido de apontar que fatores facilitam ou dificultam o êxito das investigações policiais. Alguns delitos são encarados como insignificantes para um atendimento policial. na qual será averiguada a materialidade do crime ocorrido... na Delegacia Legal esta função é das estagiárias (estudantes de serviço social ou psicologia).contribuições para o trabalho investigativo. 4. ou por qualquer outro cidadão. Arroladas as testemunhas. A prioridade é atender ao balcão. Um exemplo de delito mediado informalmente no balcão da delegacia é a briga de família (KANT. -9- . que é a peça inicial do inquérito policial. a PC abre uma portaria. Nas visitas às delegacias foi possível observar situações em que estagiárias utilizavam a morosidade no preenchimento do RO como argumento para convencer as vítimas a não registrar o fato. Só em parar. assim não dá para prosseguir com a investigação. que comunica o fato à Polícia Civil (PC) para efetuar o registro.1995). (Delegado) Além deste habitual desinteresse na confecção do RO.

a presença de marcas como tatuagens. bar. um ritual semelhante ao que é exercido pela Justiça por meio das varas criminais. ou quais seriam as motivações para o crime. São esses fatores que auxiliam a polícia a concluir se aquela vítima.IFP) e demais procedimentos investigativos realizados. os trajes da vítima. Todos os procedimentos relativos ao trabalho investigativo são colocados em prazos legais. por isso. entre outras. Por isso. A VPI é aberta quando não há informações suficientes que possibilitem a instauração do inquérito. chamado de Verificação de Procedimento de Informação –VPI – (KANT. 30 dias para enviá-lo ao MP. por exemplo. 1995). As entrevistas realizadas nesta pesquisa mostraram que. Dessa forma. entendendo que o inquérito está suficientemente fundamentado. mas com a identificação do contexto sociocultural que os cerca”. Kant (1995) salienta que “a polícia acaba por não se preocupar com os fatos em jogo numa ocorrência. preparará a denúncia que será remetida à Vara Criminal. produz-se um relatório e remete-se o inquérito policial ao Ministério Público (MP).depoimentos tomados. seria ou não um criminoso. os policiais consideravam como características essenciais para a constituição da figura do suspeito e da vítima: a localidade onde o crime ocorreu (próximos a favelas. as técnicas e ferramentas utilizadas pelos policiais neste momento adquirem fundamental importância para a resolução do fato. Só depois de passado este período é que o policial instaura o inquérito tendo. assim. de acordo com BEATO (1999). aproximadamente. bairros nobres. Uma forma encontrada pelos policiais para obter um prazo maior para envio do inquérito ao MP ocorre mediante um procedimento já institucionalizado pela polícia. laudos recebidos (ICCE. parece ser a etapa deste processo entre o registro na DP e a denúncia na justiça criminal que determina o grau de dificuldade e obstáculos encontrados durante este fluxo. A investigação. Além disso. o prazo que oficialmente é de 30 dias a partir do instante que a PC .). a exigência de um policial voltado cada vez mais para o normativismo do que para o trabalho investigativo. onde o delegado “ocupa a posição de juiz”. a polícia brasileira realiza com o inquérito policial. O MP avaliará se há ou não meios que possibilitem o oferecimento da denúncia e. Sobre as técnicas de investigação da polícia. IML. período não contabilizado para envio do inquérito ao MP. deste momento em diante. Instituto Felix Pacheco .10 - . tendo como referência o prazo limite para o envio do inquérito ao Ministério Público. 30 dias. nos casos de homicídio. A VPI dura. Talvez. casa e etc. alguns traços físicos.

este procedimento não tem caráter legal. em alguns casos. havia outras salas na DP com função de guardar os inquéritos pendentes de conclusão das investigações e próximos do limite de prazo para envio ao Ministério Público. por trás dos inquéritos. o policial deve abrir uma portaria. mas. Tomado conhecimento do fato. tem-se a impressão de que o trabalho policial acaba. mas colher elementos seguros para que a justiça possa autuar e condenar..) Sempre digo que nos crimes o difícil não é você chegar a quem matou. quando entramos na sala de um Delegado nos deparamos com a seguinte situação: duas mesas repletas de inquéritos de homicídio empilhados e. Dentre os tipos de provas coletadas durante o processo de investigação destacam-se as provas testemunhais. (Delegado) .11 - . peça que dá início ao inquérito policial. as testemunhas nem sempre querem falar”. sem quase poder ser visto. passa para 60 dias.. Em algumas delegacias. mas precisa de mandado de busca e o judiciário exige (. um inquérito instaurado há 10 anos.. limitado ao cumprimento dos prazos determinados pela lei e fiscalizados pelo MP. observou-se também. De acordo com o Delegado. logo que a Polícia Civil tome conhecimento do fato. uma vez que o código de processo penal prevê a instauração imediata do inquérito.. “Com as provas técnicas você também vai depender das provas testemunhais porque às vezes você sabe até onde está a autoria. Em uma das visitas feitas às delegacias. casos em que as portarias foram abertas muito tempo depois do conhecimento do fato. nos casos de homicídio.toma conhecimento do fato. Na verdade. A Coleta das Provas Testemunhais Como dito anteriormente. para ver o que ainda faltava ser feito pela investigação. Observou-se durante a construção do banco de dados que muitos policiais abriam portarias no instante em que confeccionam o registro de ocorrência. estava o Delegado. determinados policiais tinham como tarefa principal verificar e manter o controle dos casos que estavam próximos do prazo limite de emissão de relatório ao Ministério Público. 5. Nas mãos do Delegado. analisando cada inquérito para ver o que ainda poderia ser feito em cada um deles. as provas coletadas irão subsidiar todo o trabalho do MP mais à frente. Vale ressaltar que.

“Segundo o comunicante. para Rua XXXXXX esquina com Avenida XXXXXX. por volta das 22:50h estava em patrulhamento por XXXXXXX. soldado da Polícia Militar. apurando que após desentendimento entre as partes. que seria uma pessoa de confiança dos policiais e/ou do delegado e que traria informações que . a fim de verificar a existência de um cadáver no interior de um veículo VW/GOL. de cor parda. ou quanto a identificação da VÍTIMA”. quando foi acionado por sala de maré 20. sem residências próximas”. local ermo. que faleceu no local. estando o cadáver em decúbito lateral direito no interior da mala. alguns policiais citaram a existência de um informante. camiseta na cor cinza. e atiraram contra a vítima XXXXXXXXXXXX. próximo ao número 760. A vítima. da vítima. que na data de hoje. o corpo de XXXXXXX na posição de decúbito ventral e com varias perfurações a paf nas costas. sexo masculino. SD PM XXXXXX. atendido no Posto Médico de XXXX e removido para o Hospital Municipal XXXXXXXXX”. que apesar de haver muitos curiosos no local ninguém quis comentar nada sobre o crime”. Km 43.A. Na maioria das vezes. para que procedesse para local de homicídio. não foi possível obter qualquer informação quanto a autoria. “Noticia o COMUNICANTE. cor branca. realizava patrulhamento. foi solicitado para comparecer em local de homicídio na Rua XXXXX. A análise dos inquéritos mostrou que as declarações desses PM arrolados como testemunhas eram muito semelhantes. socorrido. este município. Chegando ao local logrou encontrar o citado auto que ostentava a placa XXXXXXX. por ser um lugar pequeno. que no dia de hoje.F. apresentando algumas perfurações provocadas por P. Nas entrevistas. A testemunha tem que mudar totalmente sua vida. trajando calção azul. (Delegado) Dos inquéritos analisados. quando em serviço no XXXXX. os autores sacaram de suas armas de fogo. estas eram os policiais militares que primeiramente atenderam a ocorrência e comunicaram o fato na DP. por sua generalidade. as pessoas ficam indignadas e querem falar”. apresentando perfurações na altura do ombro e cabeça. vítima de projétil de arma de fogo. em decúbito dorsal. na Estrada XXXX. cerca de 45% continham duas testemunhas. Nas entrevistas de campo observou-se também um novo “personagem” no inquérito policial. “Trata-se de Crime de Homicídio (Agressão a Paf). e contra XXXXXXXXXX. como as descrições do fato destacadas a seguir: “XXXXXX.12 - . Informa o Sd-XXXXX. Ao proceder para o local constatou a veracidade do fato. comunica o encontro de cadáver. quase nada acrescentam à investigação em termos de informações. aqui na roça. além do autor. em XXXX. da testemunha e do envolvido. XXXXX. São declarações que.que de imediato foi com seu colega o Sd-XXXX. Disse ainda que o local do fato é desprovido de residências próximas e durante o período em que permaneceu aguardando os exame necessários para remoção do corpo. que a vítima estava trajando short amarelo.“A maioria não quer falar com medo. quando recebeu determinação da Sala de Operações do Batalhão para comparecer a Estrada das XXXXX. boné amarelo e chinelos de dedos.

no juízo ela vai ser contraditória. colocamos a pessoa ciente disso. (Delegado) Uma vez arroladas as testemunhas chega a hora de tomar as declarações. induzindo ou mantendo alguém em erro. Ele [informante] viu? Não. realizar interrogatórios longos. Popularmente a expressão 171 ou somente 71 é utilizada para caracterizar uma pessoa que aplica golpes em busca de obter vantagens. as técnicas aplicadas parecem ainda mais incisivas: “Não é que seja tortura psicológica.. aqui do lado eles ficam jogando videogame. Após ouvir a testemunha eu falo que ela está presa. mediante artifício. ou qualquer outro meio fraudulento.13 - . A gente joga um contra o outro. eu coloco ele aqui e grito com ele. O que para alguns policiais é algo simples e rotineiro. onde se almeja conseguir o máximo de informações possíveis do depoente. digo que ele vai para o pau de arara. O informante não. para si ou para outrem. (Delegado) 6. Por exemplo. . a verdade aparece. para outros é um momento decisivo na investigação. falo então que ela tem que falar a verdade aí. em prejuízo alheio. (Investigador) Já com relação ao depoimento de acusados. Por exemplo: tem dois interceptados.. Ouviu? Não. Usam como técnicas de interrogatório: chamar o depoente várias vezes à delegacia para se tomar depoimento. então isso é válido. vantagem ilícita. (risos) mexemos com o emocional tudo no 71”. Na linguagem tradicional da policia. “O informante é diferente da testemunha porque no depoimento da testemunha pode ter contradições lá na frente. ligam pra terceiro e eu estou aqui ouvindo [através do grampo telefônico]”. Sabia de algum desafeto da vítima? Não. Aí ele acaba caindo e abre o jogo. aí eles saem daqui e começam a ligar um para o outro. aí a pessoa se desespera e começa a chorar. confrontar informações etc. Então ele é um informante”. A visão dos policiais sobre o Programa Delegacia Legal 6 Referência ao artigo 171 do CPP: Obter. Infelizmente a gente tem que ser 716. eu trago um aqui pra dentro e o outro fica lá fora. Algumas das técnicas utilizadas pelos policiais são descritas abaixo: “Pegamos a testemunha colocamos o código penal na frente e falamos do artigo que fala de falso testemunho. ele teria um dado concreto. aí parece que está rolando a maior pancadaria e daqui a pouco ele se enrola e acaba confessando. ardil.poderiam ajudar na investigação. este informante é conhecido como “X-9”. O cara cai se quiser. As informações levantadas por esta pessoa não entram formalmente no inquérito. o tio da vítima reconheceu o corpo no IML. neste momento eu falo que ela está presa por falso testemunho.

38 possuíam autoria identificada. todos os móveis os acompanhavam.2%) encontravam-se fora do prazo. o trabalho policial acaba. observou-se que. em alguns casos os inquéritos policiais também eram levados. Quando eram transferidos. dentre todas as modificações trazidas para o trabalho policial com o Programa Delegacia Legal.14 - . seis eram provenientes de flagrantes. Como dito anteriormente. limitado ao cumprimento dos prazos determinados pela lei e fiscalizados pelo MP. observou-se que a “cultura policial” (Kant. um inquérito que já excedeu ao prazo de envio ao Ministério Público (MP) é facilmente identificado. facilitando a consulta e cruzamento de dados entre as unidades. mesas. desta forma. Entendeu-se aqui como autoria identificada os casos que trazem informações. endereço ou documentação dos mesmos. Destes 38 inquéritos com autoria identificada. 1995) apresenta-se. os policiais entrevistados acharam que. no entanto. em alguns casos. a informatização das unidades policiais foi uma das mais importantes. armários e todo material de escritório que fosse preciso. O processo de informatização das delegacias permitiu maior controle e acesso à informação que antes era restrita somente ao policial da unidade. como um entrave a essas mudanças. 7. 32 (9. Dos 346 inquéritos trabalhados. Em algumas delegacias não havia nem mesmo banheiro. Em relação às mudanças propostas pelo programa Delegacia Legal. antes das unidades serem legais (ainda hoje temos delegacias tradicionais). Através do Sistema de Controle Operacional (SCO) do Programa Delegacia Legal (PDL). . Fatores de facilitam e fatores que dificultam a elucidação dos homicídios Em relação ao percentual de elucidação dos casos de homicídio. e apenas 17 foram relatados ao Ministério Público com autoria identificada. no que se refere à lógica do trabalho policial. As mudanças ocorridas na estrutura ou na forma de trabalho trouxeram agilidade no que diz respeito ao acesso aos registros de ocorrência ou inquéritos policiais instaurados em qualquer delegacia do Estado. uma vez que a data de envio ao MP fica grifada em vermelho. De acordo com um dos policiais entrevistados. tais como: nomes completos dos autores. da amostra de 346 inquéritos. eles mesmos traziam cadeiras.De uma forma geral.

como busca e consulta por nomes.. o que demonstra o grau mínimo de utilização do programa por parte desses profissionais. acabam revelando tudo que sabem sobre a provável autoria. desde o conhecimento do fato.”. Na verdade. características físicas. (Delegado) Com as entrevistas realizadas até o momento. Além disso. notou-se que o objetivo proposto pelo Programa Delegacia Legal de realizar a reformulação dos processos de trabalho e de concentração dos policiais nas atividades investigativas. mediados pelas comunicações mantidas entre os delegados responsáveis e os juízes e promotores do Ministério Público. b) diligências ao local do fato. mas na Capital. d) ajuda dos familiares: os familiares. c) haver criminosos já conhecidos na região: de acordo com o mudus operandis consegue-se identificar de quem é a autoria comparando com perfis de alguns criminosos atuantes na região. De forma geral.. mesmo que a elucidação . não encontra eco entre os mesmos. características do fato. A área geográfica [não favelas] contribui [mais] quando queremos chegar a uma denúncia na Baixada do que na Capital. muitas das antigas práticas de procedimentos ainda fazem parte da rotina do trabalho policial investigativo. palavras-chave e etc. até a aceitação da denúncia ou o arquivamento do inquérito.15 - .. com chegada dos primeiros policiais ao local do fato e o registro da ocorrência. arrolamento de testemunhas etc. num instante de indignação. Nenhum policial entrevistado citou as ferramentas disponíveis pelo programa. conversa com populares. abordou-se ao término de cada entrevista o seguinte ponto: Quais fatores podem ser importantes para a elucidação de um homicídio? As respostas mais comuns foram: a) boa relação com o Ministério Público. e) característica geográfica da Baixada Fluminense: o relevo plano.. em seus discursos. as relações interpessoais norteiam todas as seis fases que constituem um inquérito policial. característico da maior parte do território que compõe essa região. os policiais demonstraram compreender como “êxito” o fato de um inquérito ser despachado pela delegacia e ser aceito pelo MP.Nas entrevistas realizadas com os delegados e investigadores. seria um facilitador do acesso dos investigadores ao local do crime. como instrumentos de auxílio no processo investigativo. ou citou seu uso para qualquer outro fim que não fosse o preenchimento do registro de ocorrência. Na Baixada você consegue ainda ir ao local do crime. “A geografia da Baixada pode ser vista como um facilitador para o êxito da investigação.

1999. Violência e Segurança Pública: Uma Discussão sobre as Bases de Dados e Questões Metodológicas. São Paulo em Perspectiva. (org. 4: 13–27.do crime não tenha sido alcançada. Referência Bibliografia: BEATO FILHO. “Índice de Criminalidade”. Assim. 1998. n° 2. KANT DE LIMA. Cidadania e Criminalização: o problema da contabilidade oficial do crime. “Registros Criminais da Polícia no Rio de Janeiro: Problemas de Confiabilidade e Validade”.). 1986. 2ª edição. L (orgs. 13. J. “Regionalização como estratégia para a definição de políticas públicas de controle de homicídios”. “Políticas Públicas de Segurança e a Questão Policial”. (et alli). 9. Rio de Janeiro. 1998. p.16 - . A Polícia da Cidade do Rio de Janeiro: Seus Dilemas e Paradoxos. Rio de Janeiro. 2004. In: MISSE. 5:1269-1280. CANO.) O Crime Violento no Rio: um exame preliminar das fontes. “Determinantes da Criminalidade em Minas Gerais”. v. Ignácio. 6182. 25. Dados – Revista de Ciências Sociais. Revista Brasileira de Ciências Sociais. Edmundo C. vol. KAHN. . Túlio. COELHO. Fórum de Debates – Criminalidade. ________________________. n. Lemgruber. In: Cerqueira. Cláudio C. 1999) parece ainda prevalecer sobre a atividade investigativa desempenhada pela polícia judiciária. 13. 1995. ________________________. MISSE. São Paulo. Roberto. “A Administração da Justiça Criminal no Rio de Janeiro (1942-1967)”. 2000. D. o “normativismo” (BEATO. M. Cadernos Saúde Pública. Revista do Ilanud. e Musumeci. Rio de Janeiro: Forense. 1. n° 37. Michel. IPEA/CeSECUCAM.

Jacqueline. MUNIZ. In: Cerqueira. Lemgruber. Rio de Janeiro: Relume-Dumará/ISER. Rio de Janeiro. segundo os dados sobre criminalidade? In: SOARES. 2000. e SENTO-SÉ. Registros de Ocorrência da PCERJ como Fonte de Informações Criminais. João T. 1997.Rio de Janeiro. Fórum de Debates – Criminalidade. Série Iniciação Científica. D. SOARES. L. J. 1996. n° 8. Violência e Segurança Pública: Uma discussão sobre as Bases de Dados e Questões Metodológicas. (orgs. Violência e Política do Rio de Janeir.17 - . E. IPEA/CeSEC-UCAM. Rio de Janeiro. et alli. . O que aconteceu com o Rio de Janeiro em 93 e 94. Luiz E. L. e Musumeci.). laboratório de Pesquisa Social (IFCS – UFRJ).

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful