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XXIV Simpósio Nacional de História - ANPUH 2007 Simpósio Temático "Gênero, Memória e Ditadura na América Latina" Coordenação: Cristina Scheibe Wolff, Ana Maria Colling UNISINOS, São Leopoldo, Rio Grande do Sul 15 e 20 de julho de 2007

Título: DELEGACIAS ESPECIALIZADAS DE ATENDIMENTO À MULHER: OBSTÁCULOS PARA A IMPLANTAÇÃO DE UMA POLÍTICA PÚBLICA DE GÊNERO NA ÁREA DE SEGURANÇA PÚBLICA. Autor: Lana Lage da Gama Lima LESCE/UENF/Campos dos Goytacazes/RJ/BR ISP/Rio de Janeiro/RJ/BR Resumo As delegacias especializadas no atendimento à mulher vítima de violência constituem a mais importante política pública de gênero implantada no Brasil na área da Segurança Pública. No Estado do Rio de Janeiro, sua instalação data de 18 de julho de 1986 e, mesmo após vinte e um anos de existência, ainda são muitos os problemas enfrentados para que essas unidades atendam plenamente aos objetivos com que foram criadas, como resposta a intensas campanhas promovidas pelos movimentos feministas na luta por um atendimento adequado e de qualidade à mulher vítima de violência. Para além das dificuldades de ordem material, e talvez explicando porque estas persistem, fatores de ordem cultural têm constituído obstáculos para que essa política pública consiga atingir, passados tantos anos, os resultados esperados à época de sua criação. Nessa comunicação abordaremos alguns aspectos dessa questão.

Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher: Obstáculos para implantação de uma política pública de gênero na área de segurança pública.

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A criação da primeira delegacia especializada no atendimento à mulher vítima de violência no Rio de Janeiro ocorreu em 1986, logo em seguida de sua implantação em São Paulo no ano anterior. Ambas resultaram de uma intensa campanha promovida pelos movimentos de mulheres brasileiros, a partir de alguns princípios nascidos na luta dos movimentos sociais abrigados sob a bandeira do feminismo, nos EUA, na Europa em outros países da América Latina. Apesar das diferenças entre algumas estratégias idéias, decorrente dos processos históricos e

peculiares de cada país, e apesar das

algumas idéias comuns nortearam todas as mulheres engajadas nesse processo. Apesar da situação política desfavorável. foi realmente um espaço nosso. geralmente de classe média. que levantávamos. considerados até então como pertencentes à esfera privada. grupos de reflexão. reunindo. onde então. sendo formados por um número pequeno de mulheres. foi possível realizar. o Congresso Nacional de Mulheres. traduzida no slogan: “o pessoal é político”. de aspectos fundamentais da vida das mulheres. que estudavam. a caracterização. O congresso reuniu tanto representantes tanto da direita quanto da esquerda. Entre essas idéias. Suas boas relações com o governo militar facilitaram a realização do evento. como relata Leila Linhares Basterd: Nós éramos seis e criamos esse grupo de reflexão. a importação dessa idéia colocava em xeque a inviolabilidade do “espaço sagrado do lar”. num momento em que a violenta repressão dos Anos de Chumbo impedia quaisquer manifestações públicas (Pinto.2 divergências internas verificadas em cada um dos movimentos. abordando questões polêmicas.com o que é ser mulher. muitas vezes confundidos. questionando diretamente o modelo patriarcal de família. Nessa mesma época. E mais ainda. nascidas do confronto entre grupos com interesse diferentes. mulheres. No Brasil. Em sua organização foi fundamental a participação da advogada Romy Medeiros. cujos temas que refletiram a variedade de questões e de grupos abrangidos pelo feminismo. em encontros informais realizados em residências. debatiam textos e discutiam questões do cotidiano. 2003:46-49). permitiram discussões que embasariam reivindicações posteriores. inspirados na experiência norte-americana. as nossas dificuldades individuais de . foi marcante. Esses grupos. em 1972. muitas de nós já faziam psicanálise. a sexualidade. como o planejamento familiar. herança do passado colonial. num momento em que o estabelecimento da ditadura militar reprimia todos os movimentos sociais. como fenômeno de natureza pública. embora não tivessem caráter mobilizador. fundadora do Conselho Nacional de Mulheres em 1949 e cujo empenho tinha sido decisivo para a aprovação do Estatuto da Mulher Casada em 1962. as nossas questões. com acusações que transitavam entre o político e o moral. como a violência doméstica. mas foi um espaço que realmente nos levou a entrar em contato com a nossa identidade de mulher. foram criados em São Paulo e no Rio de Janeiro. o planejamento familiar. na década de 1960.

então eu apresentava essa minha cliente 1 Leila Linhares Basterd . Outra vez Leila Linhares Basterd nos dá um interessante depoimento: Já atuava em movimento estudantil e depois na minha faculdade de direito. ela foi julgada a revelia. eu estar defendendo uma mulher e tendo que construir uma defesa tendo essa nítida percepção do peso da ditadura. quando eu terminei a faculdade. Então. e eu fui advogada dessa mulher em uma auditoria da aeronáutica. atuava. Nessa advocacia de preso político duas situações me marcaram muito. isso era muito claro para mim. corriam da polícia. Então. a atuar como advogada de presos políticos. que foi uma resistência à ditadura militar e onde rapazes e moças atuavam em pé de igualdade na luta contra a ditadura. de um peso diferenciado da ditadura sobre as mulheres. Naquela época a gente já tinha relatos de presas políticas sofrendo violências sexuais. apesar das discussões desses grupos privilegiarem por vezes aspectos pessoais da vida das mulheres. mas eram dificuldades das mulheres. E ao mesmo tempo. quando lembro retrospectivamente. perseguida pela polícia. enfim. eu participava. quando eu construí essa defesa. se arriscavam da mesma forma. a gente de repente percebia. a minha entrada na vida profissional. Mas. eu também joguei com os valores em relação à mulher. que não eram dificuldades individuais. isso não significa que suas integrantes estivessem alheias ao que se passava na política do país. eu diria que naquela época nós tínhamos muito mais as lideranças dos rapazes do que a liderança das moças. E essa minha militância acabou me levando. onde a gente atendia muitas mulheres. também como advogada de presos políticos. embora hoje em dia. . foi muito interessante porque. das mulheres no mundo que era muito sexista 1. que faziam a mesma militância. o que significava eu com 25 anos basicamente. ao mesmo tempo em que eu trabalhava no escritório de advocacia de família.Entrevista em 4 de julho de 2006. não tinha sido presa.3 mulheres. CACO. Então. essa questão. primeiro defender uma mulher que estava. menos de 25 até.

. passar a ir à faculdade usando soutien. coisa que havíamos abolido. importante papel nas relações de gênero. Era sentimento comum na época. aluna do curso de História de uma Universidade Federal do Rio de Janeiro já massacrada pelo regime militar. em 1972. apesar de correrem os mesmos riscos que os rapazes.” (LIMA:2006.. como representação do passado colonial brasileiro. Caracterizando-a como puta comunista. pp. No meu próprio caso.118-119) Por outro lado. que enclausura as mulheres num mundo privado e doméstico (Colling: 2001997. junto com uma colega. eu de alguma maneira utilizava alguma coisa que poderia ser os valores daqueles juízes.. A ditadura tinha uma forte conotação moralista... (. ao saber que um grande amigo havia sido preso e me sentir ameaçada. desempenha. Como afirmou Ana Maria Colling: A repressão busca a desconstrução do sujeito político feminino. reforçando assim modelo de família patriarcal e o padrão de comportamento feminino derivado desse modelo2.4 como uma mãe de família que estava sendo obrigada a estar afastada dos filhos. ao incluir – como modelo de relações de poder – a submissão feminina.307-332). ou seja. É preciso lembrar que os soutiens foram queimados em praça pública pelas feministas como símbolos da submissão feminina e que não usá-los representava uma postura considerada desviante pelas forças conservadoras. pp.200-2001) 3 Rachel Soihet analisou as reações do jornal O Pasquim frente ao feminismo entre fins dos anos 60 e 1980. em meio à militância estudantil de esquerda. tomei como primeira providência.3 2 “É significativo que o modelo de família patriarcal e da mulher reclusa e submissa ainda persista. não haviam rompido totalmente com o padrão tradicional. o depoimento de Leila Linhares Basterd denuncia também o fato de que as relações de gênero. a necessidade de assumir esse padrão como meio de defesa diante de um possível enfrentamento com os agentes da ditadura. pp. atuando sobretudo como “tarefeiras”. Essa fala confirma o slogan “o pessoal é político”. atribuindo-lhe a condição de indivíduo desviante. apesar de se mostrar insuficiente para dar conta da diversidade das relações familiares e de gênero daquela época. Ambas as categorias são desviantes dos padrões estabelecidos pela sociedade. pois as moças continuavam a ter papel secundário. legitimando pela tradição as situações de desigualdade e dominação entre homens e mulheres. ainda hoje. o modelo de família patriarcal. demonstrando que os intelectuais de esquerda muitas vezes eram tão machistas quanto os militares da direita (SOIHET: 2005.) Ancorado em um passado idealizado. ao menos no senso comum.

vamos resolver os antagonismos de classe. incluir na questão da política. não é bem um mal estar. as discordâncias entre as organizações de esquerda e os movimentos que agregavam determinados segmentos sociais na defesa de interesses específicos. no auditório da Associação Brasileira de Imprensa . Leila Linhares Barsted. O evento conseguiu tamanha repercussão que algumas narrativas o consideram como marco do ressurgimento do feminismo no Brasil. nós também queremos ter. ou seja. era realizado o Congresso O papel e o comportamento da mulher na realidade brasileira. classificando-as em liberal. os movimentos de mulheres encontravam. a Organização das Nações Unidas – ONU declarou 1975 como Ano Internacional da Mulher. Enfrentando todas essas dificuldades. mulheres que estavam sentindo um mal estar. ou seja. a questão da mulher e nesse sentido a gente tinha uma discordância com essa esquerda. nesse mesmo ano. estavam tentando ter um protagonismo na política em um sentido mais amplo. Sonia Malheiros Miguel. Maria Luiza Heilborn. Carmen da Silva. à época. com a presença de grande número de feministas de diferentes tendências. As duas primeiras.ABI. essa política da ditadura nós não queremos.5 Eram comum. no entanto. e o terceiro grupo colocava a própria condição de mulher no centro da . tendiam a ver os problemas com uma dimensão que extrapolava a luta específica da mulher. entre outras. Com esse respaldo. O Centro da Mulher Brasileira só durou até 1979. uma conjuntura internacional favorável. como Maria do Espírito Santo (Santinha). Desse encontro nasceu o Centro da Mulher Brasileira – CMB. Em resposta às manifestações feministas em países da Europa e nos Estados Unidos. mas teve um importante papel na conscientização das mulheres. Moema Toscano... da qual quase todas éramos originárias. como os movimentos negros e os movimentos de mulheres. Ainda é Leila Linhares Basterd quem depõe: . Diva Múcio. de natureza mais política. apesar das dificuldades em conciliar as diferentes tendências do feminismo brasileiro. marxista e radical. que acabou se refletindo no Brasil.era um grupo de mulheres que estavam querendo discutir a condição da mulher em plena época da ditadura em 74. aquela coisa da contradição principal: primeiro. como aponta Célia Regina Jardim Pinto. mas aquela outra política da qual estávamos excluídas nós também não queremos. para depois resolvermos as outras contradições secundárias. iniciando a Década da Mulher. no Rio de Janeiro.

mas porque nós não queríamos colocar o nosso novo movimento com as velhas práticas das hierarquias. 2005). o movimento feminista iria direcionar suas ações para a realização de políticas públicas em favor das mulheres.6 discussão (PINTO. com o objetivo de apoiar as mulheres no enfrentamento de todos os tipos de violência como estupros. Em um período de dura repressão política. muito amplo. constituídas basicamente por mulheres voluntária. a militância política partidária aparelhar um movimento que surgia exatamente para se colocar a cima do partidarismo. fossem “aparelhados” e mesmo que essa influência viesse da esquerda. “quem vai ser presidente?”. a ponto de haver um novo julgamento. Data dessa época. um novo slogan. de que matara por amor. a resistência de algumas feministas diante desse envolvimento político-partidário era muito forte. mas a cima dos partidarismos não apenas porque a gente sabia que os partidos de esquerda tinham posições bastantes sexistas. passeatas e pichações em muros. onde uma corrente forte de mulheres ainda estava com uma identidade partidária muito maior que uma identidade feminista e o medo que nós tínhamos é que isso pudesse ser um aparelhamento. Sobre a tensão entre os grupos. como se deu mais tarde pela ligação do CMB com o PCB. entre as quais a criação de delegacias especiais para atender as vítimas de violência. num ambiente de lenta abertura política. como outros movimentos sociais. Essas ações abriram espaço . que levou às ruas um grande número de mulheres: “Quem ama não mata!” Essa expressão surgiu da afirmação de Doca Street. Nesse período foram formadas várias Organizações Não Governamentais – ONG. espancamentos. fins da década de 70. assassino Ângela Diniz. maus tratos. condenando o réu como culpado. A partir desse ponto. deram fôlego ao feminismo. ou seja. incesto. 2003:60). ainda se colocando no campo de esquerda. que fizeram protestos nas ruas. Leila Linhares Barsted comenta: O Centro da Mulher Brasileira era um espaço amplo. A condenação de Doca Street e a divulgação progressiva de casos semelhantes na imprensa. perseguição a prostitutas (COSTA. A absolvição do réu no primeiro julgamento causou indignação e mobilizou as mulheres. era compreensível que o movimento feminista.

agora. Diferentemente do que acontecera na década anterior. que devia ser complementada por uma série de outros serviços de apoio às mulheres vítimas de violência.7 para a maior participação de outras mulheres. que tinha status de ministério. Em meio a outras propostas. Com a abertura política verificou-se o retorno de importantes lideranças da vida política brasileira. em 1986. e reivindicaram a implantação da primeira delegacia de mulheres em São Paulo. que continha emendas enumerando uma série de direitos que deviam ser reconhecidos e garantidos para a mulher . o CNDM – Conselho Nacional dos Direitos da Mulher . Se antes a ditadura e a própria resistência das mulheres os afastou da representação político-partidária. como um instrumento mais concreto para coibir a violência contra a mulher. No ano seguinte uma unidade era implantada no Rio de Janeiro. os partidos. entre os quais Leonel Brizola. Por outro lado. se constituindo no setor organizado da sociedade civil que mais vitórias conquistou” (COSTA.em 1985. As feministas realizaram atos públicos. A campanha junto aos parlamentares pela aprovação de suas demandas. Assim. 2003:75). a Carta das Mulheres. A idéia defendida era que esses serviços fossem criados em todos os estados da federação. O documento consistiu num dos mais abrangentes e importantes elaborados pelo feminismo brasileiro contemporâneo (PINTO. 2005). inclusive de outros segmentos sociais além da classe média. novos ou reconstruídos. a conjuntura política permitia que a parceria com o poder público fosse encarada como uma forma de conseguir uma resposta efetiva às reivindicações. promovida pelo CNDM. A Constituinte mobilizou as mulheres e foi encaminhada à Assembléia Legislativa. constava a criação de uma delegacia especializada no atendimento à mulher. Nos anos oitenta com a gradual abertura política. foram criando seus próprios aparelhos de luta pelos direitos das mulheres. “a eleição de partidos políticos de oposição para alguns governos estaduais e municipais forçou as feministas a repensarem sua posição frente ao Estado na medida em que a possibilidade de avançar em termos de política feminista era uma realidade” (COSTA. os movimentos feministas foram mudando seu veículo de ação. 2005). teve pleno sucesso: as feministas conseguiram “aprovar em torno de 80% de suas demandas. apoiaram a candidatura de mulheres na política. em 1983 em São Paulo. Franco Montoro cria em São Paulo a primeira delegacia de mulheres do país. criaram conselhos como o Conselho Estadual da Condição Feminina. durante o primeiro período de governo de Leonel Brizola. chamada na imprensa de lobby do batom. tido como um dos principais inimigos do .

então. na sua ausência por Vivaldo Barbosa.PTB. tratando. inicialmente. 1999:53). criaria o Partido Democrático Brasileiro – PDT. a proposta de trazer o povo ao cerne da atividade política se constituiria como uma tentativa de reverter a ordem estabelecida caracterizada pela grande exclusão social (SENTO-SÉ. Ao lado do projeto educacional. marcado pelo Programa Especial de Educação. destacava-se a política de segurança pública. tarefa colocada sob a responsabilidade do Coronel Nazareth Cerqueira. que figuraria em uma lista. o líder trabalhista chegaria ao Rio de Janeiro disposto a reorganizar o antigo Partido Trabalhista Brasileiro . com vistas à modificação das práticas policiais. Segurança Pública e Direitos Humanos. presidida pela advogada Diva Múrcio. com participação de mulheres parlamentares. de temas díspares como jogo do bicho. das mulheres e dos indígenas. objetivando a eliminação das práticas de práticas abusivas e discriminatórias das classes desfavorecidas (HOLLANDA. 1979. A valorização da educação escolar é tomada como questão prioritária na plataforma política do PDT e mesmo que se apresentasse. que após disputas acabou ficando sob o controle de Ivete Vargas. Em um período de retomada das disputas político-partidárias o PDT era notadamente marcado pela adoção de personalidades representativas dos movimentos de defesa dos negros. No mesmo ano da Lei da Anistia. como instrumento de democratização dos aparelhos de intervenção do Estado na área de Segurança Pública. 1999:167). 2005:92). no seu quadro partidário. cuja face mais visível eram os Centros Integrados de Educação Popular – CIEP. que enfatizava o papel das políticas sociais no enfrentamento da criminalidade e adotava o discurso do respeito aos direitos humanos. idealizado por Darcy Ribeiro.8 regime militar. e outras figuras com forte apego popular. logo após sua posse. como “peça de campanha” indiscutivelmente tornar-se-ia um projeto educacional transformador das estruturas sociais marcadas pela exclusão e segregação dos segmentos mais carentes à base da pirâmide social fluminense. a atuação das polícias civil e militar e a situação dos menores infratores. como a deputada Rosalda Paim e a . Em abril de 1983. divulgada pelo governo. então vice-governador. mediante a criação de comissões especiais. com oito nomes proibidos de voltar ao Brasil (SENTO-SÉ. Brizola. O Conselho que era presidido pelo próprio governador Leonel Brizola e. secretário de Justiça e tinha amplas atribuições. Em 1985 foram criadas duas importantes comissões. a Comissão Especial para o Grupo Tortura Nunca Mais e a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. sob cuja legenda disputaria e ganharia as eleições para governador. Brizola criaria o Conselho de Justiça. tomando posse em março de 1983.

naquele momento o CEPAM trabalhava. e a deputada Lucia Arruda e a vereadora Benedita. mas a investigação era procedida pela delegacia da área. E é Diva Múrcio quem afirma: Nós criamos esse conselho visando a criação da delegacia da mulher. o que custou várias negociações 4. seria implantado. que incluiu a ocupação da Secretaria de Justiça.ele era um setor dentro do gabinete da Polícia Civil. dizendo-se inspirado pelo modelo da Delegacia de Defesa da 4 Diva Múrcio Teixeira . do PT.Entrevista em 26 de junho de 2006 Martha Rocha . do PTB/RJ enviaria.9 vereadora Dilza Terra.Entrevista em 23 de maio de 2006. no mesmo ano de 1985. no segundo andar do anexo do Palácio da Guanabara. do Ministério Público. cuja criação se configuraria como um avanço na luta do movimento de mulheres apesar de não ter se constituído como uma delegacia especializada já que apenas encaminhava os registros ali realizados para as delegacias distritais conforme aponta a Delegada Martha Rocha: .. ambas do PDT. representantes da Polícia Militar. Paralelamente à proposta que havia sido encaminhada pela Comissão Especial de Defesa dos Direitos da Mulher. 5 . o Centro Policial de Atendimento à Mulher – CEPAM. no âmbito da polícia civil. da Defensoria Pública. pelo então secretário Arnaldo Campana. um projeto de lei para a criação de uma delegacia especializada no atendimento à mulher. com a criação de um Plantão de Assistência Jurídica para mulheres em casos de violência ou questões da família. Como participavam do conselho.. o deputado Eurico Neves. em horário de expediente e se você buscar na legislação das resoluções da Polícia Civil a instituição do CEPAM é posteriormente à instituição da Delegacia 5. Ainda em 1985. A proposta foi levada primeiro a Vivaldo Barbosa que o encaminhou ao governador e ao Secretário de Polícia Civil que na época era Arnaldo Campana. inclusive. as mulheres empreenderam uma árdua campanha em prol da delegacia. havia como prestar apoio às mulheres enquanto a delegacia não fosse implantada.. junto com representantes de mais de vinte grupos feministas. ficava no térreo do prédio – fazia o registro. A partir daí. da chefia..

as críticas promovidas pelas classes médias e alguns segmentos da imprensa carioca à política de segurança de Brizola. com a instalação dessa delegacia especializada. ele expunha os motivos que o moveram: “A mulher carioca. Secretaria Nacional de Segurança Pública – MJ. A referência ao modelo paulista é inevitável pois a criação dessa delegacia foi uma idéia totalmente original. calcada na garantia dos direitos humanos. E o CEPAM. elas serão atendidas por policiais femininas que terão uma visão mais humanitária do drama da mulher que é vítima de uma violência”. Assim. Em 1986. fez com que o sentimento de insegurança crescesse no Rio de Janeiro. o governador nomeou para o cargo de Secretário de Polícia Civil o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB/RJ. p. Em depoimento ao jornal Tribuna do Advogado/OAB-RJ. resultaram da idealização do movimento feminista brasileiro. E isto ocorrerá dentro de condições que respeitem a sua dignidade humana e os seus direitos como mulher. devidos à insubordinação de alguns dos seus quadros. Belo Horizonte. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres – PR. ao se dirigir à polícia ainda se vê diante de um constrangimento adicional: o medo de ser ridicularizada. Nessa Delegacia. 6 . sempre que alguma mulher é violentada ou espancada. Visando conter os efeitos da pressão promovida pela opinião pública. não contemplava totalmente suas reivindicações. 2005. A abordagem sensacionalista e a repercussão dada aos crimes contra a mulher da imprensa constituíram então uma forma de pressão para uma mudança na linha de condução da política de segurança pública (HOLLANDA. poderá denunciar todo tipo de violência de que vier a ser vítima. sem nenhuma referência a outro órgão semelhante em todo o mundo6.36). 2006. embora prestasse um primeiro atendimento diferenciado às mulheres. Atualmente.10 Mulher de São Paulo. quanto suas congêneres de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro. conhecido por sua articulação com os movimentos sociais e pela sua atuação na defesa dos direitos humanos. tanto a Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo. Nilo Batista. Sobre a sua nomeação Nilo Batista afirma: Encontro Nacional de Delegadas/os. na página 8 da edição de setembro de 1985. e a grande divulgação de problemas na polícia.

Eu. 15. no dia 18 de Julho de 1986. pretendia fazer uma intervenção no Rio .Entrevista em 23 de maio de 2006. Vasquez chamava também a atenção para a importância da delegacia ser chefiada por uma mulher. ao nosso percurso específico. 13 de julho de 1986.. no tempo que passou.. oito dias após a posse do novo Secretário de Polícia Civil a primeira Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher do Estado do Rio de Janeiro seria instalada na Rua da Relação nº 42. nunca tive vocação para a linha de frente.. p..11 Naquela crise na qual o governo federal . Domingo. na época da inauguração da DEAM. . nós já o conhecíamos há muito tempo. cometi o ‘erro’ de conversar com ele e ele me convenceu que era meu dever cívico largar tudo e ir ajudá-lo a contornar aquele problema e eu que.. Nilo Batista confere ao movimento de mulheres toda a responsabilidade por essa criação: . aqui. digamos. Na ocasião. só existia 7 8 Nilo Batista . 7 A nomeação de Nilo Batista contribuiria decisivamente para a reforçar a atuação do movimento feminista para a implantação da delegacia.. já que isso facilitaria o depoimento das vítimas. em substituição ao CEPAM. o movimento é completamente rachado e havia uma unanimidade nele. então assessor especial de Nilo Batista.. mas a pressão foi muito forte.. mas. o Governador Brizola me convidou e eu me esquivei duas vezes.. finalmente.. que a DEAM era uma coisa importante. Jornal do Brasil. solidificou essa minha convicção: eu não tomaria por mim a iniciativa. eu acho que a violência doméstica está claramente associada. todas nós já éramos praticamente amigas dele. 1º caderno. só. Assim. defendeu na imprensa a criação da DEAM “para acabar com o crime invisível da violência doméstica até bem pouco tempo omitido por todos”8. como afirma Diva Múrcio: Foi mais fácil o diálogo com o Nilo Batista. o Delegado Ivan Vasquez. digamos. nós fundamos a pena pública em uma conjuntura de poder punitivo doméstico senhorial.como você sabe.

eu me recordo bem . entrava alguém e falava uma piada do tipo ‘é melhor você dirigir um tanque’... nas nossas próprias reivindicações . estavam a necessidade de convencer os quadros da policia de que violência doméstica era uma questão pública e de legitimar as mulheres no exercício de uma profissão tida como masculina.. que era a Marly Preston. a gente comunicava que a gente tava em diligência . complementa esse depoimento sobre a tensão entre policiais homens e mulheres.com certeza não tinha um dia que nós entrássemos em contato com o rádio que não diziam ‘vai pra casa lavar roupa. hoje Coordenadora das Delegacias Especializadas de Atendimento á Mulher. Mas eu penso sempre assim.nós tivemos dificuldade porque. A proposta original da Comissão Especial de Defesa dos Direitos da Mulher era a criação de três delegacias de forma imediata. porque Niterói se antepôs. cargo instituído formalmente em 2006. o . como explica a Delegada Martha Rocha: . uma na zona norte e uma no centro para não privilegiar.12 uma delegada. mas foi melhor. no estado do Rio de Janeiro. Outra ex-delegada da DEAM Centro. Inamara Costa. flagrante ainda nos anos 90: Olha. como explica Diva Múrcio.. não sei o que’. na época de Marly. Esse fato. tinha que ter uma delegada mulher e só havia uma delegada mulher no Rio de Janeiro. representava mais uma dificuldade: . quando davam saída no rádio.. quando a gente . Nós não conseguimos na zona sul. quer dizer. nós conseguimos que ela viesse da casa dela em um gesto de muita solidariedade e assumiu a DEAM. no rádio da viatura. nós queríamos logo porque iria fazer uma na zona sul.. afirma Diva Múrcio: Pois é.. quando a gente dava saída na viatura.. nossa demanda era sempre com a reivindicação local. fazer comida.. Entre as dificuldades enfrentadas na época da criação da DEAM. Ela estava amamentando inclusive.

que também O pior de tudo era o preconceito do policial contra aquele outro que trabalha na DEAM porque a DEAM era encarada como delegacia de brinquedo porque a DEAM não matava. venho para o trabalho.13 bom humor é a melhor arma que você tem. Aí eu não agüento mais isso! Essas dificuldades chefiou a primeira DEAM: são confirmadas pela Delegada Maricyr Praça. que nos desse funcionários e ninguém queria trabalhar na DEAM e nós chegamos ao ponto de publicar uma chamada no Boletim Interno da 9 Inamara Costa – Entrevista em 25 de maio de 2006. reproduz a fala de um dos policiais sobre a chefia das mulheres na polícia: Ah rapaz eu acho que vou aposentar. Essa atitude se refletia. como também aponta a delegada Maricyr Praça. Os próprios policiais que trabalhavam nas outras delegacias tinham preconceito com aqueles que trabalhavam nas DEAM. aí eu saio de casa. a DEAM não atirava. não agüento mais isso! Eu saio daqui vou para casa. Na época. então. mas a gente está aqui trabalhando e te ajudando” 9. . pois mesmo as policiais femininas partilhavam dos preconceitos em relação ao trabalho nas DEAM: É a própria discriminação. também ex –delegada da DEAM Centro. a gente continuava o trabalho e muitas vezes a gente falava assim: “bom dia pra você. então era delegacia de brinquedo e delegacia de brinquedo não precisava de nada. que não gosta da gente. tem uma mulher aqui para me mandar. não é só do homem policial mas da mulher policial também tanto que sempre foi muito difícil conseguir funcionários para as DEAM. dentro do que era possível. eu pedi ao Drº Rafik Louzada [Chefe de Polícia]. um grande colaborador das DEAM. na dificuldade em conseguir recursos humanos e materiais para o funcionamento das DEAM. tem uma mulher. Catarina Elizabeth Noble. amigo.

outra ex-delegada da DEAM Centro. roubo e tráfico de entorpecentes. mas vale muito a pena 11. é apontada por Martha Rocha: 10 11 Maricyr Praça – Entrevista em 31 de maio de 2006. datilografasse o registro de ocorrência 10. tanto que em um plantão noturno eu fechei a Delegacia porque eu não tinha quem datilografasse os RO [registros de ocorrência]. não veio de Marte e nem de Vênus. que foi também estagiária do Plantão de Assistência Jurídica. A concepção da DEAM como um serviço prestado à população. . é um trabalho – digamos – mais assistencialista do que policial. vinculado à Comissão Especial de Defesa dos Direitos da Mulher: . o planeta do amor.. esse trabalho de DEAM..14 Polícia Civil para aqueles policiais que tivessem interesse em trabalhar na DEAM e nós não tínhamos quadro. É uma coisa assim. tem muito esse conceito de que crime é seqüestro. eu pegava quase o Rio inteiro e eu não tinha policiais. A que ponto naquela época nós chegamos. Teresa Maria Pezza – Entrevista em 19 de maio de 2006. construído em parceria com esta. Esse depoimento é complementado por Martha Rocha: No início eu acho que isso até aconteceu mais ou menos como se fosse uma sub-delegacia. tinham pouquíssimas DEAM nesse período.nós reclamávamos. as pessoas voltavam lá na delegacia para agradece>. ‘puxa aqui a gente não prende as pessoas’. eu não tinha quem. É bom lembrar que o policial não é um ser extraterrestre. A visão da DEAM como um trabalho policial diferenciado é por Teresa Maria Pezza. Era uma coisa assim bastante gratificante.. A DEAM-Centro abrangia uma área muito vasta. mas como a gente fazia as pessoas se sentirem bem. porque não tinha a DEAM-Jacarepaguá..

a DEAM é a prima mais velha da Delegacia Legal porque a DEAM na sua concepção. Duque de Caxias (1987). talvez porque a DEAM tenha surgido com esse estreito relacionamento com o movimento de mulheres. é a interlocução com a comunidade. A delegada aponta o projeto da DEAM como precursor da concepção do Programa Delegacia Legal. somente mais outras oito foram implantadas no estado do Rio de Janeiro: as unidades de Niterói (1986). e que não necessariamente o que você vai buscar na delegacia é uma solução de um problema de ordem policial e o melhor cartão de visitas de uma DEAM é uma mulher bem atendida. Esse dado demonstra que as dificuldades enfrentadas pelas pioneiras na luta pela implantação dessa política de atendimento especializado à mulher . Nova Iguaçu (1990). A ausência de carceragem nas DEAM também é uma dado que remete ao Programa Delegacia Legal. que a qualquer hora do dia vai ter alguém para te atender como toda delegacia de polícia. lá atrás.. São Gonçalo (1997). denominada atualmente DEAM Centro. Conclusão Hoje.15 Um outro dado que é mais interessante nessa construção das DEAM. Então. ela foi feita. mostrando que a DEAM é uma casa que não tem portas. do projeto DEA. ela sempre foi feita. desde 86.. Isso que hoje é tão discutido. passados vinte e um anos após a criação da primeira DEAM. Os acusados da DEAM Centro ficavam custodiados na POLINTER. implantado a partir de 1999. a DEAM teve essa concepção de perceber que a Delegacia é uma porta de entrada de problemas não necessariamente policiais. Jacarepaguá (2001). ela inicialmente tinha um serviço de assistente social para o primeiro atendimento. no governo Garotinho: Como eu gosto de dizer. Belford Roxo (2001) e Volta Redonda (2002). Campo Grande (1991). que é a necessidade de interlocução com a comunidade. porque havia representação da comunidade através do movimento de mulheres.

O Movimento Feminista no Brasil: Dinâmicas de uma Intervenção Política. que continua. Rio de Janeiro: Record: Rosa dos Tempos. Lana Lage da Gama – Racismo. Rio de Janeiro: Revan. Editora UNB. Eva Alterman. traços de uma cultura construída dentro de parâmetros morais judaico-cristãos. . desde a década de 60. 1998. As queixa relativas à falta de infra-estrutura hoje não são muito diferentes daquelas apresentadas anteriormente pelas delegadas que passaram pela chefia da DEAM Centro. Heloísa Buarque de. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. 2004. por parte da polícia e. violência e imaginário político Vitória: PPGHIS. Gênero e Crime no Distrito Federal. HOLLANDA. COOLING. Carlos Magno Nazaret. Gilvan Ventura da Silva.17 nº 49. da população.16 vítima de violência permanecem. 2001. Lourdes e Suárez. História. Cristina Buarque. Os preconceitos. apesar dos inegáveis avanços que as políticas públicas de gênero vêm obtendo e apesar dos princípios que regeram sua implantação convergirem para práticas posteriormente valorizadas com a implantação do Programa Delegacia Legal. que vem proporcionando.34. www.br/ih/his/gefem/labrys7/liberdade/anaalice. e políticas públicas. Ubiratan de Oliveira ./Dec. Sérgio Antunes e ÂNGELO. CERQUEIRA. Mireya (orgs. Elaine Reis. A aceitação plena desse princípio exige uma verdadeira quebra de paradigmas em uma cultura que tem o patriarcalismo como modelo de família (LIMA:2006). Coleção Polícia Amanhã. BLAY. responsabilizando a mulher pela violência de que é vítima (LIMA:2004). in:Labrys.). Violência contra a mulher Avançados. afetam as relações e representações de gênero perpetuando. LIMA. estudos feministas. da idéia defendida pelas feministas.Livro Eletrônico (CD-ROM). Violência conjugal e o recurso feminino à polícia. Janeiro/julho/2005 (on line). Arquivo capturado em junho de 2006. Textos Fundamentais de polícia 4. BARBOSA. mesmo. Sebastião Pimentel Franco (orgs) . 1997. São Paulo: FCC/Ed. uma profunda reforma nas práticas policiais no Estado (PAES: 2004). Violência. Na verdade. ainda hoje existentes com relação à mulher. (orgs. 1999.htm. Polícia e Direitos Humanos: política de segurança pública no primeiro governo Brizola (Rio de Janeiro: 1983 – 1986). Ana Alice Alcantara. Estudos BRANDÃO. de que a violência doméstica é crime e constitui um problema público. 2005. Horizontes Plurais – novos estudos de gênero no Brasil. Vol. Brasília. apesar de resistências à sua efetivação.). muitas vezes. BIBLIOGRAFIA BANDEIRA. COSTA.Polícia e Gênero e distúrbios civis: controle e uso da força polícia. sexualidade e gênero in: Adriana Pereira Campos. in: BRUSCHINI. 2003.unb. São Paulo: Sept. elas refletem as dificuldades da aceitação. apesar das inegáveis mudanças. Ana Maria – A Resistência da Mulher à Ditadura Militar no Brasil. Cristina e HOLLANDA.

Bicalho. As singularidades da violência de gênero e o papel das delegacias especializadas de atendimento à mulher – mitos e realidades. Vitória. Gouvêa.UENF. Trajano. da. 2006. 2005. Campos dos Goytacazes. in: Soihet. Fernanda B. Uma História do Feminismo no Brasil. Editora Fundação Perseu Abramo.in: Nader. M. R. ES: EDUFES. Rio de Janeiro: Mauad. VIEIRA. Niterói. SENTO-SÉ. Ensaios de história cultural. – História. história política e ensino da história..Beatriz. Gilvan V. Vívian Ferreira. PINTO. Rachel – Feminismo x Antifeminismo de Libertários: a luta das mulheres pela cidadania durante o regime autoritário. Célia Regina Jardim. Sebastião P. 2004. etnia e poder no Brasil Colonial . São Paulo. Os desafios da Reforma: uma análise de novas e velhas práticas da polícia judiciária do Estado do Rio de Janeiro. PAES. de Fátima S. – Culturas Políticas. Mulher e Poder. Franco. 1999. M. SOIHET. Brizolismo: estetização da política e carisma. M. Renato Soares.17 ______________________– Penitentes e solicitantes: gênero. 2003. ENTREVISTAS Nilo Batista: 03 de maio de 2006 Teresa Pezza: 19 de maio de 2006 Martha Rocha: 23 de maio de 2006 Catarina Noble: 24 de maio de 2006 Inamara Pereira da Costa: 25 de maio de 2006 Maricyr Praça: 31 de maio de 2006 Diva MúcioTeixeira: 26 de junho de 2006 Leila Linhares Basterd: 04 de julho de 2006 . Rio de Janeiro: Editora FGV. Monografia de Graduação. Coleção do povo Brasileiro. 2005. Silva. Monografia apresentada à UFF.

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