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Dentre as comparações abaixo, quais você consideraria adequadas para descrever a relação entre um pastor e os membros da igreja que estão sob o seu pastoreio?

( ) a cabeça e o corpo; ( ) o pescoço e o corpo; ( ) o rei e seu povo; ( ) o príncipe e seus criados; ( ) o general e seu exército; ( ) o prefeito e a cidade; ( ) o empresário e seus funcionários; ( ) o motorista de ônibus e os passageiros; ( ) o jardineiro e as plantas; ( ) o diretor e a escola ( ) técnico de futebol e o time de jogadores; ( ) o capitão do time e o resto dos jogadores; ( ) o professor e os alunos; ( ) enfermeiro-chefe e demais enfermeiros; ( ) o irmão mais velho e os irmãos menores; ( ) o garçom do restaurante e os fregueses.

Eu não marcaria quase nenhuma das opções acima. Em algumas o pastor age como um substituto de Deus, em outras, como um intermediário e mediador. Em algumas os membros são passivos demais, em outras o pastor tem poder demais, e ainda outras, o pastor concentra tarefas demais. A última, “garçon do restaurante”, exagera na subserviência do pastor aos outros, afinal, na igreja todos devem servir. Somente a antepenúltima e a penúltima, “chefe dos enfermeiros” e “irmão mais velho”, se aproximam mais da imagem bíblica da relação entre pastor e pastoreados. “Chefe dos enfermeiros”, porém, se fosse de um hospital onde todos são funcionários, todos estão doentes e todos cuidam de todos. “Irmão mais velho”, se fosse quando os pais estão fora de casa, e ele tendo que se responsabilizar por seus irmãos menores. Sua tarefa é zelar para que se cumpram as ordens dos pais. Mas os irmãos menores sabem que a autoridade na casa é dos pais; se o irmão mais velho fizer ou chamar os outros para fazerem alguma coisa que os pais não gostariam, os irmãos menores prontamente devem rejeitar essa atitude.

Na verdade não consigo imaginar uma figura adequada na nossa sociedade porque o mandamento de Jesus para o líder inverte todo o nosso pensamento do que seja “liderança”:

Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes: Sabeis que os que julgam ser príncipes dos gentios, deles se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre elas; Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal;E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos (Mc 10:42-45).

Jesus diz com uma clareza cristalina: entre vós não será assim.

Ele está dizendo que a liderança na igreja será diferente da liderança no mundo. Terá que ser diferente, com um princípio OBRIGATORIAMENTE DIFERENTE. Não será como o rei e seu povo, não será como o chefe e os funcionários, não será como o presidente e o país, não será como o empresário e os empregados, não será como o diretor da escola e os professores, não será como o técnico de futebol e o time, não será como o general e o exército. As igrejas erram terrivelmente quando adotam um modelo de autoridade do mundo, se Jesus disse claramente que entre os Seus discípulos não será assim. O que diz esta Palavra de Cristo é: “o maior não será senhor dos outros”, “o maior não usará de autoridade sobre os outros” (Mc 10:42).

Disse Jesus: NÃO SERÁ ASSIM. O líder na igreja servirá aos outros. Será o servo dos servos. Não no sentido de que é o melhor servo, mas que é o que serve a todos. Ele não está no topo da pirâmide, ele está na base, sustentando os outros. É uma pirâmide invertida:

Ele está dizendo que a liderança na igreja será diferente da liderança no mundo. Terá que

Dito isto, podemos refletir sobre:

a) O QUE A AUTORIDADE PASTORAL NÃO DEVE SER?

a.1. Não deve ser autoridade legislativa: Não tem direito o pastor de impor inúmeras regras e listas de proibições aos crentes, como se fosse um novo Moisés. O código de ética da igreja é a Bíblia, não devemos acrescentar coisas sobre ela.

a.2. Não deve ser autoridade abusiva:

O pastor não pode dar ordens específicas sobre a vida pessoal dos crentes, sobre as roupas, cabelos,

aparência, horário de vida, emprego, escolha de namorados, criação dos filhos, etc. Sobre todas estas coisas o pastor pode e deve aconselhar, mas nunca dar ordens em nome de Deus. Este problema ocorre quando as orientações deixam de feitas em termos de conselhos gerais ("o crente não deve usar símbolos de outras religiões") e começa-se a dar ordens específicas ("tira esse brinco!")

a.3. Não deve ser autoridade caprichosa:

Que exija que seja feita a sua vontade, que tudo seja do seu gosto pessoal, sobre a cor das paredes, o bolo

da festa, a posição das cadeiras, etc. Não se estende a coisas superficiais e inócuas. Não devem ser os detalhes pequenos objeto de cobrança por parte do pastor. Pastor não é príncipe que deva ser agradado pela igreja, nem criança chorona que faça pirraça quando não é satisfeita.

a.4. Não deve ser autoridade acima da ética:

Inquestionável, que deva ser obedecida cegamente, sem exame da base bíblica. Se o pastor estiver biblicamente errado, a igreja tem a obrigação de mostrar-lhe biblicamente seu erro. Se ele insistir em ir contra a Bíblia, devemos desobedecê-lo e prosseguir o processo bíblico da disciplina. Alguém pensa que está acima do bem e do mal? Aos [presbíteros] que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor" (1Tm 5:20). Muito mal tem causado a mentalidade de que "a responsabilidade é dele, vou obedecer assim mesmo". Na verdade, se omitir do bem é pecado de omissão (Tg 4:17). E é uma verdadeira ética da omissão, que tem triunfado nas nossas igrejas. Onde todos podem ser repreendidos, menos o pastor. Assim temos afastado muitos do evangelho por não se poder esconder por muito tempo esta contradição.

a.5. Não deve ser uma autoridade imposta:

Não vem a autoridade pastoral do concílio que o ordenou, nem do culto de posse da igreja. Nem vem do seu diploma de teologia ou de outros estudos quaisquer que tenha feito. A autoridade pastoral não vem nem da sua convicção interior de chamado e orientação de Deus. “Ninguém toma para si esta honra”. É a igreja local quem reconhece e chama alguém para ser pastor dela. É uma autoridade concedida pela igreja, para exercer uma tarefa, que pode ser retirada pela igreja quando esta julgar necessário. A igreja segue a voz de Cristo, a partir do momento em que não reconhecer esta voz no pastor, deverá retirá-lo do cargo, do mesmo modo como o colocou.

b) SE NÃO É NADA DISSO, NO QUE SE BASEIA, ENTÃO, A AUTORIDADE PASTORAL?

b.1. A autoridade pastoral é conquistada pelo serviço que o pastor tem prestado a seus irmãos.

O salário do presbítero que se afadiga é a dupla honra (1Tm 5:17,18 - Nada a ver com dinheiro essa passagem!!! O que ela diz é: “o boi é digno de capim, o trabalhador é digno de salário, o presbítero é digno de honra”). Analisemos o que Paulo diz em 1Co 16:16 - agora vos rogo, irmãos (sabeis que a família de Estéfanas é as primícias da Acaia, e que se tem dedicado ao ministério dos santos), que também vos sujeiteis aos tais, e a todo aquele que auxilia na obra e trabalha. Essa família não era composta dos pastores de Corinto, eram apenas os hospedeiros dos cultos da igreja, que aconteciam na casa deles. Paulo nos diz para nos sujeitarmos a todo que trabalha pela obra da igreja: zeladores, introdutores, professores, pregadores, evangelistas, etc. além, claro, dos pastores. O sentido da sujeição cristã é colaborar com o trabalho dos crentes, que é, afinal, o trabalho de Deus através deles. Por este texto, vemos que, na verdade, TODO CRENTE QUE SERVE E TRABALHA NA IGREJA MERECE A SUJEIÇÃO DOS SEUS IRMÃOS NO SEU TRABALHO. Hb 13:17 diz que os crentes devem obedecer aos pastores porque [eles] velam por suas almas. É o dentro de trabalho de velar pelas almas que o pastor merece obediência. Este trabalho é o motivo e alvo da obediência. Os pastores não devem ser obedecido nas suas atitudes que não velarem pelas almas dos crentes. Ez 34 fala extensamente sobre os pastores que não cumpriram seus deveres e por isso arruinaram a vida do povo de Deus, sendo rejeitados pelo Senhor. Nesse texto aprendemos que o verdadeiro pastor é aquele que cuida das ovelhas. Quem não cuida não é pastor de verdade, e não merece sujeição, pois não tem cumprido sua tarefa.

b.2. A autoridade pastoral é baseada na fé que o pastor demonstra.

A fé do Evangelho é digna de imitação e respeito, se for pura no pastor, e se ele a pratica na sua maneira de viver.

É o que Hebreus diz para imitarmos: Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver (Hb 13:7). Imitai a fé em Cristo. Imitai a confiança em Deus. Acompanhem o pastor na sua confiança e esperança em Deus.

b.3. A autoridade pastoral é baseada na maneira que o pastor vive.

Também por causa de Hb 13:7, devemos entender que a autoridade pastoral só tem sentido se for uma AUTORIDADE MORAL, conquistada pela coerência de vida cristã, pela obediência aos mandamentos de Deus e pela fidelidade aos princípios cristãos. Exemplo de vida cristã e obediência à Palavra de Deus. E nisso é que temos a grande contradição da autoridade imposta. Pois se o pastor deve ser exemplo de obediência à Palavra de Deus, e a Palavra ordena aos crentes que sejam submissos uns aos outros, considerando os outros superiores a si mesmo (Ef 5:21; Fp 2:3), como pode ser exemplo de vida cristã o pastor que deseja que seus irmãos sejam submissos a ele, se ele não for submisso a seus irmãos também? Pois ele próprio estaria desobedecendo este mandamento. Aliás, as passagens que falam da obediência dos crentes ao pastor em nenhum momento falam de autoridade ou poder do pastor sobre os crentes. Porque será? Resposta em Mt 28:18.

b.4. A autoridade pastoral é baseada na semelhança da vida do pastor com a vida de Cristo.

O pastor tem imitado a Cristo na mansidão? O pastor tem imitado a Cristo na humildade? O pastor tem imitado a Cristo na simplicidade material? O pastor tem imitado a Cristo na delegação de poderes? O pastor tem imitado a Cristo na compaixão pelas almas perdidas? Sede meus imitadores como eu sou de Cristo (1Co 11:1). Ele deve ser seguido naquilo em que tem de parecido, ou concordante com Cristo, pois o alvo da imitação de todos, afinal, é Cristo. O pastor não deve ser imitando nas coisas erradas que faz diferente do que Cristo faria, nisso não deve ser seguido.

Mas um pastor que seja parecido com Cristo nem precisa dar ordem alguma, mas os crentes fiéis o atendem prontamente pela consideração que ele conquistou, ao demonstrar um caráter semelhante a Cristo. Eles o seguem porque estão reconhecendo a vontade de Cristo, seu Verdadeiro Pastor, já que o pastor da igreja tem feito o que Cristo faria em seu lugar.

Tem uma igreja buscando um pastor. Vários crentes conhecidos foram mencionados, mas muitos foram rejeitados logo de cara.

Primeiro porque a igreja acha que esta tarefa só pode ser feita por um homem, então Débora, Priscila, Lídia, Maria, Marta, Maria Madalena, Febe, Evódia, Síntique, Ana, Hulda, a mulher samaritana, as quatro filhas de Felipe, e muitas outras mulheres cheias de amor, sensibilidade, maturidade, fé e dons de Deus foram ignoradas.

Aliás, os membros da igreja esperavam alguém com boa dicção, que soubesse falar e se expressar bem, por isso Moisés foi recusado (Ex 4:10).

Alguém que mostrasse ser abençoado pela prosperidade material, e aí Barnabé foi rejeitado, por ter se desfeito de suas posses (At 4:35-37).

Alguém que tivesse uma família perfeita, por isso que Oséias não serviu (Os 2:2).

Almejavam por alguém experiente, de extenso currículo, o que excluiu de uma só vez Samuel (1Sm 2:26;3:4), Jeremias (Jr 1:6) e Timóteo (1Tm 4:12).

Também queriam alguém instruído e cheio de conhecimento, o que tirou tanto Pedro como João dos seus planos (At 4:13).

Alguém que tivesse uma pregação impressionante, e nisso Paulo de Tarso saiu perdendo (2Co 10:10).

Esperavam trajes elegantes, e João Batista foi dispensado (Mc 1:6).

No fundo, mas sem querer admitir, eles esperavam ter à frente uma pessoa de boa aparência, por isso ao Senhor Jesus Cristo não foi dada oportunidade (Is 53:2).

...

Depois desta peneira, alguns candidatos fortes estão caindo no gosto da igreja e certamente o pastor será um destes:

Simão Mago, porque aparenta ser poderoso em Deus (At 8:9-11).

Coré, pois é um líder nato, cheio de autoconfiança (Nm 16:1-3).

Hananias ou Zedequias

...

pois esses sempre têm uma palavra de vitória (Jr 28:10,11; 1Rs 22:1-14).

Absalão, porque promete resolver os problemas de todo mundo e conquista a todos com suas gentilezas e boas palavras (2Sm 15:1-6).

Mas o candidato mais forte é mesmo Judas Iscariotes: expulsa demônios, cura os doentes, se mostra piedoso e preocupado com os pobres, tendo ainda grande habilidade com finanças (Mt 10:1; Jo 12:4,5;

13:29).

Se é verdade que estes três ministérios costumam aparecer num mesmo crente, também é verdade que podemos distinguir entre eles, já que a combinação de dons pode variar de crente para crente.

O que segue é uma tentativa nesse sentido, de buscar a essência de cada tarefa, e abrir a nossa mente para, quem sabe, enxergar nos crentes que conhecemos as áreas as quais estes possam se dedicar, se não forem exercer todos estes três ministérios.

O professor é o mergulhador que desce até o fundo do mar da Palavra para de lá trazer as pérolas mais preciosas. O pregador é o vendedor que elogia e demonstra a beleza de cada pérola para que queiramos adquiri-las. O pastor é o artesão que nos ajuda a montar e consertar cada pérola do nosso colar.

O professor é o mapa. O pregador é o combustível. O pastor é a bússola.

O instrumento do professor é a aula. O instrumento do pregador é a pregação. O instrumento do pastor é a amizade.

O que o professor mais precisa conhecer é a Palavra. O que o pregador mais precisa conhecer é a vida. O que o pastor mais precisa conhecer é seus irmãos.

O professor diz qual é a melhor teoria. O pregador pega essa teoria e diz como deve acontecer na prática. O pastor ajuda seus irmãos a praticar essa teoria.

O ensino explica a Palavra. A pregação traz a Palavra para a vida. O pastoreio traz a vida para a Palavra.

<a href=Quem define as tarefas de um pastor? A cultura ou a Bíblia? Quais são as tarefas dos pastores de uma igreja? A resposta pode variar se a pergunta for feita a um não-crente, um novo convertido ou um crente antigo. Também pode variar muito de denominação para denominação e de igreja para igreja. Mesmo dentro de uma mesma igreja, podem haver várias opiniões diferentes entre os membros. E o pior, pode haver discordância entre as igrejas e os pastores no que devem fazer, causando frustrações e desentendimentos. Para dificultar as coisas, além das diferenças de interpretação da Bíblia, existem idéias de fora da Bíblia, que são colocadas pela cultura religiosa ou secular sobre os pastores, que distorcem bastante a nossa visão sobre o que seja um pastor. DISTORÇÕES CULTURAIS MAIS COMUNS a) O “padrinho”. Aquele que vai resolver os problemas de todo mundo. Aquele que recebe as nossas reclamações dos outros. Aquele a quem pedimos para punir os outros membros que nos fizeram mal. O chefe da panela. Aquele que vai nos colocar no cargo que queremos. Aquele que vai arranjar a verba que pedimos. Aquele que temos que defender a todo custo. Aquele com quem trocamos favores. A lealdade ao pastor se torna mais importante que a lealdade ao Evangelho ou à Bíblia. A ética é relativizada para o que for conveniente. O padrinho e os apadrinhados acobertam e são cúmplices nos erros uns dos outros. A troca de favores é o que mais influencia nas suas decisões. b) O homem forte. O “coronel”, o “senhor de engenho”, o “comendador”, são figuras ainda presentes no nosso pensamento, e que estão escritas na nossa cultura. Nosso povo vem de 500 anos de escravidão, 30 anos de ditadura, não está acostumado à democracia e às idéias de igualdade. Um povo facilmente subordinado, que espera ser mandado, e na verdade estranha o fato de ter direitos. Está acostumado a obedecer sem reclamar e por isso acha normal o líder ordenar sem explicar. Não só o povo pode esperar uma liderança assim, como muitos candidatos ao pastorado mal escondem que sua motivação não é cuidar das ovelhas, mas a sede de poder, a vontade de dominar sobre a vida dos outros. Esse tipo de subordinação escrava nada tem a ver com a submissão mútua ordenada na Bíblia, pois esta é de todos para todos (Ef 5:21). Tragicamente, o povo que quer ser mandado costuma rejeitar um pastor que trabalhe pela igualdade e promova a responsabilidade de todos. Tanto nesta distorção, como na distorção citada acima, o que temos na igreja não são mais “servos de Deus”, mas sim um tipo de “servos de pastor”. c) O messias. É quando a igreja espera que o pastor seja o crente que os membros não são. Que seja mais santo que o normal, que seja melhor que eles em tudo. Que ore mais que todos, que saiba mais de Bíblia que todos, que conheça mais a Deus que todos. Que ocupe um outro nível de vida cristã e consagração. A " id="pdf-obj-6-7" src="pdf-obj-6-7.jpg">

Quais são as tarefas dos pastores de uma igreja?

A resposta pode variar se a pergunta for feita a um não-crente, um novo convertido ou um crente antigo. Também pode variar muito de denominação para denominação e de igreja para igreja. Mesmo dentro de uma mesma igreja, podem haver várias opiniões diferentes entre os membros. E o pior, pode haver discordância entre as igrejas e os pastores no que devem fazer, causando frustrações e desentendimentos.

Para dificultar as coisas, além das diferenças de interpretação da Bíblia, existem idéias de fora da Bíblia, que são colocadas pela cultura religiosa ou secular sobre os pastores, que distorcem bastante a nossa visão sobre o que seja um pastor.

DISTORÇÕES CULTURAIS MAIS COMUNS

  • a) O “padrinho”. Aquele que vai resolver os problemas de todo mundo. Aquele que recebe as nossas

reclamações dos outros. Aquele a quem pedimos para punir os outros membros que nos fizeram mal. O chefe da panela. Aquele que vai nos colocar no cargo que queremos. Aquele que vai arranjar a verba que pedimos. Aquele que temos que defender a todo custo. Aquele com quem trocamos favores. A lealdade ao pastor se torna mais importante que a lealdade ao Evangelho ou à Bíblia. A ética é relativizada para o que for conveniente. O padrinho e os apadrinhados acobertam e são cúmplices nos erros uns dos outros. A troca de favores é o que mais influencia nas suas decisões.

  • b) O homem forte. O “coronel”, o “senhor de engenho”, o “comendador”, são figuras ainda presentes no

nosso pensamento, e que estão escritas na nossa cultura. Nosso povo vem de 500 anos de escravidão, 30 anos de ditadura, não está acostumado à democracia e às idéias de igualdade. Um povo facilmente subordinado, que espera ser mandado, e na verdade estranha o fato de ter direitos. Está acostumado a obedecer sem reclamar e por isso acha normal o líder ordenar sem explicar. Não só o povo pode esperar uma liderança assim, como muitos candidatos ao pastorado mal escondem que sua motivação não é cuidar das ovelhas, mas a sede de poder, a vontade de dominar sobre a vida dos outros. Esse tipo de subordinação escrava nada tem a ver com a submissão mútua ordenada na Bíblia, pois esta é de todos para todos (Ef 5:21). Tragicamente, o povo que quer ser mandado costuma rejeitar um pastor que trabalhe pela igualdade e promova a responsabilidade de todos. Tanto nesta distorção, como na distorção citada acima, o que temos na igreja não são mais “servos de Deus”, mas sim um tipo de “servos de pastor”.

  • c) O messias. É quando a igreja espera que o pastor seja o crente que os membros não são. Que seja mais

santo que o normal, que seja melhor que eles em tudo. Que ore mais que todos, que saiba mais de Bíblia

que todos, que conheça mais a Deus que todos. Que ocupe um outro nível de vida cristã e consagração. A

sua oração é valorizada como mais forte que a de outros crentes. Espera-se que sua super-espiritualidade leve a igreja a um novo patamar. Que por causa dele Deus abençoe a igreja. Tal como aquele que disse agora sei que o Senhor me fará bem, porque tenho um levita por sacerdote – Jz 17:13. A preguiça espiritual dos membros é responsável por muito deste pensamento. Querem ser levados ao céu assentados num táxi, tendo o pastor como motorista.

  • d) O sacerdote. O pano de fundo do catolicismo na vida de muitos crentes traz para a igreja evangélica

essa distorção, que aliás não vem só do catolicismo, mas também de outras religiões onde há pessoas- chave que fazem mediação entre sobrenatural e o natural. Nesta distorção a maioria das tarefas da igreja são concentradas no pastor, que se torna um mediador das coisas de Deus para a igreja. Tudo tem que ser feito por ele, para ter efeito. Todos os ministérios são executados exclusivamente pelo pastor. Ele se torna uma mini-igreja, e os crente se tornam meros receptores e espectadores.

  • e) O empresário. O século vinte nos “brindou” com mais uma distorção cultural do pastorado, aquela

que vê a igreja como um negócio, avalia a saúde da igreja pelo número de membros e entrada financeira.

Que espera do pastor habilidades gerenciais. Que se deslumbra com símbolos de poder econômico, consumo e status social. Que mede o pastorado pelas construções, expansões, eventos e programações que o empresário promoveu. Espera dele um gerenciamento eficaz e moderno. Traz a tendência de escolher pastores de maior poder aquisitivo que os membros da igreja, pois a prosperidade financeira é a prova da bênção de Deus. A igreja na verdade admira a posição social desse pastor, não o seu cristianismo. Os membros querem é ser “bem-sucedidos” como ele. É uma avaliação completamente mundana.

  • f) O artista. Outra distorção moderna. A igreja espera alguém que tenha sempre boas palavras, pregações

interessantes, em resumo, que lhe dê entretenimento. O pastor torna-se um show-man. Sua função é fazê- los se sentirem melhor e realizados em suas vidas. A igreja não é lugar de compromisso, mas uma atividade de lazer com ingresso pago.

Mesmo que Deus nos abençoe grandemente, de modo que possamos nos expurgar dessas idéias erradas de pastorado, ainda nos resta outra tarefa difícil.

Trata-se de estabelecer as prioridades de acordo com a Bíblia. Muitas das tarefas que esperamos do pastor simplesmente não estão na Palavra. Um exame cuidadoso e imparcial é necessário para distinguir entre as:

  • a) Tarefas da cultura: Aquelas que a sociedade e igreja esperam do pastor ou do religioso profissional,

mas que não são mencionadas pela Bíblia, e na verdade são tradições criadas em cima da imagem do

pastor, conforme o tempo foi passando. Sendo assim, não são obrigatórias, e não podem ser a prioridade do ministério pastoral.

  • b) Tarefas da igreja: Aquelas atividades que são bíblicas, mas que não estão ligadas o ministério

pastoral, na verdade, foram concentradas nos pastores por uma decisão das igrejas, mas que biblicamente podem ser realizadas por todos os crentes, ou pelo menos pelos considerados pela igreja como aptos para elas, mesmo que não tenham o cargo de pastor.

  • c) Tarefas pastorais: Aquelas atividades que biblicamente estão relacionadas ao ministério pastoral, e

que por isso devem receber a prioridade no tempo e esforço dos pastores, ainda que não sejam exclusivas

deles [ 1].

[

Dentro deste exercício, tentei classificar as atividades que mais vejo serem relacionadas a pastores e cheguei a esta divisão:

Tarefa Cultural (não ordenada pela Bíblia)

Celebrar casamento Exercer capelania militar Execer capelania política Exercer capelania escolar Oração "especial" em eventos sociais Celebrar culto de formatura Discursar em festa de quinze anos Fazer funeral Celebrar dedicação de bebês Dar a bênção apostólica Governar a igreja

Da Igreja (que é bíblica, mas NÃO EXCLUSIVA ao pastoreio)

Administrar a igreja Ensinar Evangelizar Conduzir o louvor Exercer a disciplina cristã Batizar Celebrar a Ceia Pregar Dirigir o culto

Pastoral (que a Bíblia diz ser essencial ao pastorado)

Discipular Visitar os afastados Visitar os doentes Visitar sistematicamente os crentes Cuidar dos crentes nos seus sofrimentos e desafios Aconselhar a igreja Aconselhar os crentes Promover o crescimento espiritual dos crentes

Um texto bíblico muito ignorado, mas que era essencial para as igrejas do Novo Testamento definirem as tarefas do pastor (afinal a Bíblia que elas tinham era o Antigo Testamento) é o de Ezequiel 34:1-22.

Se invertêssemos as omissões dos pastores de Israel, de forma que tirássemos de cada versículo as tarefas que nosso Deus espera que os nossos pastores realizem, estaríamos mais perto da vontade do nosso Deus para nós, Seu povo:

Ex: Verso 6: “As minhas ovelhas andaram desgarradas por todos os montes, e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andaram espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem perguntasse por elas, nem quem as buscasse.”

De acordo com estes versículos, a vontade de Deus e as tarefas dos pastores são que:

  • 1 - As ovelhas de Deus não devem andar desgarradas e espalhadas.

  • 2 - Os pastores devem perguntar pelas ovelhas.

  • 3 - Os pastores devem buscar as ovelhas.”

Fica esse exercício para quem interessar possa:

Ler calmamente Ezequiel 34, e com oração perseverante, (re)descobrir ou (re)lembrar a essência do ministério pastoral, para a glória do Deus que nos pastoreia.

[ 1] Nunca é demais lembrar: na igreja de Cristo não existe exclusividade, existe especialidade. Ainda que cada crente deva se dedicar às tarefas que correspondem aos dons que Deus tem lhe dado, e observar as distribuições de tarefas que a sua igreja tem feito, nenhuma tarefa é exclusiva de nenhum crente, e um certo envolvimento de todos em tudo não deve ser visto como subversão, mas como consagração da igreja inteira. Cada um tem a sua parte no trabalho, mas todos são responsáveis por tudo, e devemos cobrir as lacunas uns dos outros amorosamente e espontaneamente. Isso deve valer para o ministério pastoral também.

Escolha de pastores

Nesta aula veremos sobre: 1) As prioridades bíblicas na escolha de pastores; 2) Questões sobre a escolha de pastores;

AS PRIORIDADES Quando olhamos para os textos de 1Tm 3 e Tt 1, vemos uma lista de virtudes que a Palavra ordena para que alguém seja pastor de igreja. Há outros critérios bíblicos além destes, mas que não são colocados assim tão obrigatoriamente. São as prioridades, nem sempre ordenadas, mas que aparecem no texto bíblico. Talvez seja difícil encontrar um crente que atenda a todos os requisitos e todas estas prioridades. Cada requisito (1Tm 3:1-7 e Tt 1:6-9) é obrigatório ter. Cada prioridade (que veremos abaixo) é importante seguir.

  • a) Maior amor a Cristo; b) Maturidade de vida; c) Morador da localidade; d) Membro da igreja.

  • a) Maior amor a Cristo;

... Cristo, para que estes ensinem os outros a amar mais a Cristo. Este é o requisito que Cristo colocou para o pastorado de Pedro. A igreja deve indicar o crente que mais ame a Cristo que ela conheça.

Amas-me mais do que estes?

Apascenta os meus cordeiros. (Jo 21:15). Por esta prioridade é escolhido um pastor dentre os crentes que mais amam a

  • b) Maturidade de vida; Esta prioridade é consequência da própria palavra que o Novo Testamento usa para descrever um pastor. Ele é presbítero, que quer dizer literalmente

ancião.

[

Se é esta a palavra, se supõe que era óbvio para as igrejas não colocar alguém novo no cargo de “ancião”. Aquele requisito de ter criado bem os filhos (Tt 1:6) fala claramente de alguém que já cruzou uma certa distância na vida, não é um jovem adulto, mas um adulto formado e aprovado na sua fé pelo teste do tempo. O cargo de pastor assim é a coroação de uma carreira cristã, não o pontapé inicial. Ao mesmo tempo assegura-se a maturidade na fé, junto com esta maturidade na vida, de tal forma que um indicado:

Maduro na fé e na vida – APROVADO Maduro na fé e imaturo na vida – DESACONSELHADO Imaturo na fé e maduro na vida – DESAPROVADO Imaturo na fé e na vida - DESAPROVADO Muitas vezes se cita o exemplo de Timóteo com justificativa para se indicarem crentes novos ao pastorado. Mas isso é feito de tal forma que a exceção têm se tornado a regra! E apesar da pouca idade cronológica, não devemos pressupor que quando Timóteo passou a pastorear ainda era imaturo na vida, uma vez que ele já tinha acompanhado Paulo por vários anos naquelas viagens missionárias cheias de perigos, torturas, perseguições, prisões e ameaças de morte. Pior ainda é ver o quanto crentes imaturos na fé e na vida têm sido alçados ao pastorado, por causa das igrejas valorizarem somente as habilidades do indicado, se ele fez um bom “curso de teologia”, se prega bem, etc., esse tipo de coisas que não garantem maturidade nenhuma. A Bíblia não ordena capacidade , ordena caráter . Não se procura num pastor conhecimento , se procura sabedoria . É problemático que hoje em dia os crentes estejam esperando um eficiente promotor de eventos religiosos (modelo mundano), ao invés de procurar um amoroso e calejado pai (ou mãe) para a família da fé (modelo bíblico).

  • c) Morador da localidade;

Em Tt 1:5 fala de estabelecer presbíteros de cidade em cidade. Cada um destes presbíteros eleitos estaria circunscrito ao uma localidade específica. E a diferença maior entre os pastores e os outros ministros citados pelo NT (apóstolos, profetas, evangelistas e mestres – Ef 4:11) era justamente que os pastores estavam ligados a um local , enquanto que os outros ministérios era itinerantes, sem local fixo. É prioritário, portanto, que o pastor da igreja respire o mesmo ambiente que os seus pastoreados, até para que tenha acesso rápido a eles, os entenda mais e os assista melhor.

  • d) Membro da igreja.

At 14:23 - havendo-lhes, por comum consentimento, eleito anciãos em cada igreja. Aqui fica claro que os anciãos foram escolhidos de dentro de cada igreja, dentre os membros da congregação que iriam pastorear. Os requisitos bíblicos para o cargo não são conhecidos através de uma mera conversa, do ouvir de uma mera pregação, mas pelo conhecimento de todo um histórico de vida irrepreensível. Essa prioridade espera que se chame alguém que foi observado pela igreja ao longo de um período razoável de tempo, que construiu uma reputação estável. Além disso, o próprio pastor terá a vantagem de conhecer bem os membros. Esta prioridade desaconselha a prática de chamar ou indicar crentes de fora para pastoreá-la, se forem pouco conhecidos da igreja. Se tiver que ser alguém de fora, que no mínimo a igreja chame alguém que ela CONHECE BEM E CONFIA MUITO. O melhor crente disponível. O mais maduro, experimentado e parecido com Cristo que a igreja conhece. Mas os desconhecidos da igreja, aqueles de quem “uma vez se ouviu falar bem”, pelo “fulano que me disse”, que “uma vez ouviu uma pregação e gostou”, são totalmente vetados.

QUESTÕES COMUNS

  • a) Os requisitos bíblicos para este cargo são muito altos. O que fazer se não tivermos ninguém que seja tudo isso?

  • b) Como trabalhamos a convicção interna do crente e o chamado externo de uma igreja?

  • c) Qual o momento do fim de um pastorado e o início de uma sucessão pastoral?

  • d) Qual o número bíblico de pastores por igreja?

  • a) Os requisitos bíblicos para este cargo são muito altos. O que fazer se não tivermos ninguém que seja tudo isso?

Lembremos em primeiro lugar que Tt 1:5,6 diz que deverá ser estabelecido presbítero AQUELE QUE FOR tudo isso (irrepreensível, não soberbo, etc). Então, não temos direito de abrir mão de NENHUM dos requisitos bíblicos. A Palavra de Deus estabeleceu os critérios, a nós cabe apenas obedecer. Entretanto, é notório que nos dias de hoje nosso nível moral e espiritual é baixíssimo. Vejamos este exemplo dos primeiros séculos do Cristianismo, se ele não nos envergonha:

“(

...

)

Basílio (pastor do séc. IV) não era fácil de dobrar. Durante uma entrevista acalorada com Basílio, o prefeito pretoriano, Modesto, perdeu a paciência, e

ameaçou-o com confisco de bens, exílio, torturas e morte. Mas Basílio lhe respondeu: ‘a única coisa que possuo, que poderias confiscar, são estes farrapos e alguns livros. Tampouco podes me exilar, pois onde quer que me mandes, serei hóspede de Deus. E quanto às torturas, meu corpo já está morto em Cristo. A morte me fará um grande favor, pois me levará mais rápido à presença de Deus.’ Surpreso, Modesto confessou que nunca ninguém se atrevera a lhe falar nesses termos. Em resposta, Basílio lhe disse: ‘sem dúvida, nunca encontraste um bispo’.”

Cabe perguntar se também nós hoje algum dia encontramos um pastor de verdade, um verdadeiro imitador de Cristo que ensine os outros como imitar o Senhor na vida. De qualquer maneira o problema permanece: vivemos tempos de baixo padrão entre os discípulos de Cristo, mas não podemos desobedecer à Palavra nos seus requisitos. Como tentativa de solução, dois critérios podem ser sugeridos para manter nossa fidelidade à Palavra, dentro das nossas possibilidades de material humano:

a.1) O indicado deve destacar-se nestas virtudes COMPARATIVAMENTE com os outros crentes disponíveis.

Ninguém atinge a perfeição em vida. É certo que ninguém tem todas as virtudes de forma plena. Mas em relação à média dos cristãos disponíveis, o

indicado se destaca? É ele quem mais se aproxima do padrão bíblico? Então ele poderá ser escolhido.

a.2) O indicado não deve possuir os DEFEITOS CONTRÁRIOS. Para toda virtude bíblica, existe o vício do pecado contrário. Podemos colocar na balança o indicado e verificar que ele em tudo esteja mais para a virtude que para o vício. Exemplo: Tt 1:7 ordena que o pastor seja não soberbo (humilde). Deve-se analisar se ele está mais para a humildade que para o seu contrário, o orgulho. Se estiver mais para o orgulho, deve ser rejeitado pela igreja e não ocupar um cargo de pastor.

Virtude (+) - - - - - - - - - - - - (0) - - - - - - - - - - - - (-)

Vício

Humilde

Orgulhoso

Irrepreensível

Reprovável

Pacífico

Briguento

(etc.)

O indicado está “mais pra lá ou mais pra cá”? Se estiver mais para o vício em qualquer dos requisitos de 1Tm 3 e Tt 1, não serve.

  • b) Como trabalhamos a convicção interna do crente e o chamado externo de uma igreja?

b.1) É errado comunicar o desejo de pastorear? Não, afinal Paulo diz: se alguém almeja o episcopado, excelente obra deseja 1Tm 3:1. Isto supõe que o desejo do crente ser pastor é conhecido da igreja. Ao mesmo tempo, não se deve abandonar precipitadamente aquele que diz não desejar ser pastor. Ele pode recusar a princípio um chamado da igreja, mas não porque não deva ser pastor, mas por uma relutância, timidez ou humildade natural. Veja como exemplo a relutância dos profetas quando Deus os chamava. E Jeremias dizendo “não me apressei em ser o pastor” Jr 17:16.

b.2) E se o crente deseja ser pastor, mas nenhuma igreja o chama?

Devemos lembrar que o ministério pastoral, no sentido de cuidar, aconselhar e discipular, pode ser exercido sem o cargo de pastor. Na verdade ele acontece o tempo todo, quando um crente visita, aconselha e ora pelo outro. A igreja decide sobre quem ocupará o cargo oficial de pastor, não sobre a totalidade do ministério pastoral, o qual já acontece sempre que um crente cuida de outro. O crente que deseja muito pastorear, mas que não tem sido chamado por uma igreja pode muito bem colocar-se à disposição de Deus e da igreja na visitação, discipulado e aconselhamento. Se realmente é isso que o realiza, não será a falta de cargo oficial que vai frustrá-lo, pois oportunidade nunca falta para se visitar e aconselhar. Na verdade este é um bom teste para a veracidade da vocação pastoral, se ele se dispõe a pastorear sem ser chamado de “pastor”. Caso contrário, bem pode ser que ele apenas queira o pastorado por cobiça de dominar a vida seus irmãos, para controlar uma igreja, para se sentir melhor que os outros ou para massagear o seu ego. Corrige-se assim a distorção do seminarista formado, com o diploma embaixo do braço, batendo nas portas das igrejas, ou espalhando para todos os seus ‘padrinhos’ a sua disponibilidade, implorando por uma indicação. Enquanto nenhuma igreja o chama, (e pode acontecer dele nunca ser chamado) o crente deve servir a Deus com todas as suas forças na igreja onde está.

b.3) E quando o crente que deseja ser pastor mas não possui a estatura moral de 1Tm 3:1-7 e Tt 1:6-9?

Talvez ele tenha a convicção de chamado, mas em sua vida ele não atende os requisitos bíblicos para exercer este cargo. O que pode fazer? Talvez deva se tornar um ótimo professor, pregador, evangelista, visitador, discipulador, conselheiro, o melhor que puder, servindo a Deus com todas as suas forças na sua igreja. Mas lembre-se que esses requisitos bíblicos são conquistáveis. Talvez ele não tenha agora, mas daqui a 5, 10,15, 20 anos ele os tenha e poderá receber o cargo de pastor de uma igreja. Ainda assim, isto não garantirá que uma igreja o chamará. Não deve ele ficar frustrado por isso, mas realizar a sua vocação nas oportunidades pastorais que tiver, (conforme o tópico b.2), inclusive em trabalhos nos hospitais, prisões, asilos, etc. Oportunidade não falta para quem realmente quer cuidar do crescimento espiritual dos outros.

b.4) Como é o chamado de Deus?

Na verdade todos os crentes têm os seus chamados. Deus chama a todos a diferentes ministérios, repartindo dons diferentes. A manifestação dos dons e talentos necessários ao pastoreio num crente já é uma boa evidência da vontade de Deus para a vida daquele crente. Mas os chamados específicos costumam se manifestar na vida de um crente quando este sente um peso pela obra, uma sensação de ter nascido para tal tarefa, e uma obrigação de realizá-la, tal como Paulo descreveu: Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho! (1Co 9:16). Paulo não podia fazer outra coisa, sentia isso como uma obrigação dada por Deus. E isto vale tanto para o ministério pastoral como para os outros. É um pensamento de “não posso deixar de fazer isto”. O chamado de Deus é uma ordem do Deus soberano.

  • c) Qual o momento do fim de um pastorado e o início de uma sucessão pastoral? Na ordem natural das coisas, o que se espera é que o pastor, uma vez recebendo o encargo de cuidar de uma igreja, fique nela o resto de sua vida. A saída de

um pastorado devia ser algo muito raro, e só se fosse realmente necessário (p. ex. doença ou mudança de domicílio). Talvez a mais bíblica possibilidade é quando um dia ele é enviado pela sua igreja a outro local ou igreja, geralmente para fundar uma nova comunidade, ou para ajudar o trabalho de missões. O normal porém é permanecer e esperar o envio ou chamado. Vemos isto claramente em Barnabé: ficou em Jerusalém, até ser enviado a Antioquia e ali

ficou até ser enviado como missionário aos gentios. E enviaram Barnabé a Antioquia

...

porque era homem de bem, cheio do Espírito Santo e de fé (At 11:22-

24). Veladamente também aqui apareceriam outros requisitos para o ministério pastoral (além dos clássicos de 1Tm 3 e Tt 1), pois Barnabé foi escolhido por ser homem de bem, cheio do Espírito Santo e de fé. Deve-se evitar o erro do carreirismo. É o profissionalismo de ficar pulando de igreja em igreja em busca de melhores salários e condições. E também o erro de uma igreja ‘roubar’ o pastor de outra justamente porque ele esteja fazendo um bom pastorado. A sucessão pastoral, segundo a ordem ideal, aconteceria após o falecimento do pastor. Normalmente a igreja escolherá para próximo pastor algum dos membros que esteve à sombra deste pastor (em tudo estamos pressupondo que era um bom pastor e digno de imitação). Um membro conhecido e digno de confiança da igreja para sucedê-lo, que tenha sido treinado pelo pastor antigo.

  • d) Qual o número bíblico de pastores por igreja?

No NT a maioria das igrejas tem um grupo de líderes , não um sozinho como é feito nas igrejas de hoje. A Igreja Presbiteriana poderia ser um exemplo de aproximação do modelo bíblico, mas nela ainda se tem apenas um pastor: os presbíteros são administradores da igreja, que elegem e fiscalizam o único pastor. No Novo Testamento o corpo de presbíteros efetivamente pastoreia, enquanto o corpo de diáconos administra. E nisto os pastores da igreja não têm um bispo principal, mas falam todos de igual para igual no discernimento do pastoreio. Eis as referências das igrejas que tinham uma liderança coletiva:

Jerusalém, 12 apóstolos - At 1:26; 2:42; 7 distribuidores de alimento – At 6:1-6; Região da Judéia, anciãos At 11:30; Antioquia, 5 profetas e mestres – At

13:1; Anciãos, no plural, eleitos em cada igreja na primeira viagem missionária At 14:23; Jerusalém, apóstolos e anciãos – At 15:2,4; Éfeso “anciãos da igreja” At 20:17; Jerusalém, anciãos At 21:8; Priscila e Áquila na igreja em sua casa, Rm 16:3-5; 1Co 16:19; Filipos, bispos e diáconos – Fp 1:1; Tessalônica,

referência coletiva “os que presidem sobre vós” 1Ts 5:12; Presbíteros de cidade em cidade – Tt 1:5; E Tiago 5:14 que diz claramente que o crente doente tem anciãos, no plural, em sua igreja para visitá-lo – “chame os anciãos da igreja”. No entanto, nós também achamos três referências de igrejas que só tinham um pastor: A igreja do Senhor Jesus, com seus doze membros e sem templo, a igreja de Ninfa (pastora?), que funcionava na sua casa (Cl 4:15), e a igreja de Filemon, que também funcionava na sua casa (Fm 2). O capítulo 16 de Romanos faz várias referências a grupos específicos, casas e famílias, dando a entender que a igreja na grande cidade de Roma estava dividida por muitas casas, cada uma delas tendo como presbíteros os chefes das famílias, pais e mães (o que nos dá nova luz sobre o requisito paulino de ser hospitaleiro, era porque a igreja funcionava na casa do pastor). Estas referências nos fazem renunciar a uma regra obrigatória do número de pastores, mas propor um princípio de proporcionalidade, em que a igreja tenha mais pastores, o quanto mais numerosa for. As igrejas do Senhor Jesus, de Filemon e Ninfa, eram bem pequenas, não precisavam de mais de um. Mas assim que uma igreja aumenta o seu número, ela deve considerar eleger mais pastores, para que todos os membros recebam igual cuidado.