Marvin Cross

Missão Poesia
Coletânea de poemas cristãos do blog homônimo, incluindo poemas nunca publicados na web

VERSÃO DIGITAL

Para o Senhor, com todo o coração e louvor! Toda honra seja dada ao Rei Jesus Cristo!

Foto 1 – Imagem da Web

(CH)OREMOS AO SENHOR
Orar, como nunca oramos antes Uma vez ao menos, um esforço somente E veremos tal grandeza de milagres Perpétuo socorro vislumbrado Orar, mas com muita, muita fé Um grão de mostarda regado com lágrimas Tocar a Deus, lavar seus pés Apresentar diante Dele nossas almas Expor nossos corações sangrados Manchados retratos de nossas sombras Cantar, dançar, louvar, ex-ter-nar Pôr pra fora toda a dor, descarregar Chorar, prantear do ponto mais fundo Oremos com o rosto em pó, clamemos Clamemos por toda dor desse mundo Ao Senhor, Senhor, como santos O adoremos

Foto 2 - Marvin Cross

A VOZ DA DEPRESSÃO SOB A TEMPESTADE
Acordei num quarto sombrio, banhado de lágrimas Lugar tão frio, pior que o vale das sombras Desespero e arrepio perpassavam meu corpo gélido Este, a saber, não era menos que meu universo trevoso Acordado, porém, notei que era um sonho Ou melhor, um quase-dormir, um estágio intermediário Em que demônios tentavam assaltar-me a sanidade E clamei a Deus, em pleno choque Andava eu por uma rua sem brilho, meus pés sobre barro O cheiro da morte era intenso e pútrido, intoxicava Minhas vestes rasgadas e sujas, eu quase um mulambo Como posso ousar ser amado por tão grandioso Ser? Penso o quanto poderias ter sido altamente depressivo Pois razões tiveste, em meio a traíras e aproveitadores Mas ouviste a voz do Pai sob a caudalosa tempestade Assim também quero eu, Senhor, imitar-te Acendo a luz do quarto e faço preces no chão cinzento Oro em prantos, buscando alento, mais do que isso eu tento Não ser danificado pelas minhas agruras e meus desvarios Entontecido pela voz cavernosa e gutural desse mal, não mais

Foto 3 - Imagem da Web

AS LÁGRIMAS
Lágrimas de solidão Lágrimas de abandono Lágrimas de erro Lágrimas de desconsolo Lágrimas, apenas Lágrimas escorrendo Lágrimas de veneno Lágrimas de medo Lágrimas entrecortadas Lágrimas de desassossego Lágrimas infantis Lágrimas controladas Lágrimas desabafadas Lágrimas imperdoadas Lágrimas incontidas Lágrimas melodiosas Lágrimas silenciosas Lágrimas esganiçadas Lágrimas clamorosas Lágrimas esperançosas Lágrimas, águas que fluem da alma Alma, caixa vazia de fantasmas Fantasmas de sofreguidão exorcisados Exorcisados pelas lágrimas que banharam aquela cruz Cruz, que marcou derrota das trevas pela luz!

Foto 4 - Imagem da Web

CORAÇÃO MINÚSCULO
Coração minúsculo Quando me deixarás entrar? Se tudo que eu mais quero é em ti habitar Ó, dolorido e minúsculo coração! Coração apertado Que tirita de frio e tanto medo Sufocado por mágoas e segredos Abra-te a mim e tudo se dissipará Coraçãozinho frágil Tão fácil de quebrar, se espatifar Deixe-me te remendar Refarei você como novo em folha Coração minúsculo Eu escolhi você, desde sempre Eu só quero uma chance de tentar E prometo que não vais te arrepender Coração sangrado e calado Pela vida brutal espancado Mas hoje renasce uma esperança De juntar os pedaços outrora desprezados Coraçãozinho impenetrável Sangrei tanto para fazê-lo bater Chorei tanto pra não vê-lo recuar E hoje só quero poder entrar Coração minúsculo Eu escolhi você, desde sempre Se me escolheres também, aqui estarei Esperando o dia em que me receberás

DO PÓ
Do pó foste feito Ao pó voltarás Por mais que tente a vida enganar Mas a morte é ainda mais esperta Com cordas firmes te segurará Pois só vive pra sempre O que a vida criou Do nada, apenas poder da palavra Homem, você nada é Somos pó, somos barro, somos carne Somos pó, somos barro, somos carne A chave da morte não está em suas mãos Somos pó Somos água Somos ossos em decomposição

Foto 5 - Marvin Cross

EM NOME DE UM CORAÇÃO TRANQUILO
Em nome de um coração tranquilo É que faço poesias e oro Sorrio com os amigos e com os amigos choro Carrego minha pesada cruz Mesmo sem enxergar a luz Em nome de um pouco de alívio É que convido Deus para minha vida Em meio às dores e despedidas Buscando além do que posso ver Uma esperança pra não morrer Tudo em busca de serenidade Calma, paz, viver de verdade Em nome das rotas que precisam ser acertadas É assim que organizo essas palavras Em nome de um refrão que possa ser (re)cantado É por isso que confio no Cristo Ressucitado Em nome do único bem que eu tenho, única herança Em nome da inocência intacta de criança!

Foto 6 - Marvin Cross

FOLHA QUE CAI
Eu já não posso parar de chorar Embora eu tente As lágrimas tem vida própria, E rolam pela minha face abatida Sou uma brisa fria de inverno Uma folha sem vida, caída Fiz-me pecador voluntário dessa ilusão Varra-me o vento se eu persistir Morrer, se assim Deus me permitir Pra quê? Por quê? Escape? Covarde necessidade de me ausentar dos sonhos, promessas e derrotas Meus pés me levam aonde não há firmeza E caio, afundo, a alma presa Confiar em Deus é um salto de fé Meu pobre coração molenga hesita Sou um raio de sol às seis horas Inócuo, fraco e sem calor Deus guerreia minhas batalhas E endireita minhas falhas Ainda escorrem lágrimas arrependidas Aperta o peito ao ver no espelho Que chegou o outono em minha vida Que Deus renove essa estação!

Foto 7- Imagem da Web

LIBERTO
Minha alma geme tão alto que não posso conter As feridas dessa vida me afligem pra eu morrer Quero tanto, em meio ao pranto, ver ainda que há razão Uma forma, uma maneira de escapar da escuridão Pecado! “Perdão” Pecado! “Perdão” Ver teus olhos em tristeza repousando sobre mim Essa fome, essa ânsia, a incerteza de um fim Tatuado no meu corpo, o pecado impregnado Me socorre, me liberta, quero ser purificado Pecado! “Perdão” Pecado! “Perdão” Não me importo com as riquezas se a vida eu perder Santo Rei, respire em mim pra que eu possa renascer Liberdade, liberdade, celebrar com meu Senhor Venha a mim tua mão, me acalma nessa luta e nessa dor Pecado! “Perdão” Pecado! LIBERTAÇÃO!!!

Foto 8 - Marvin Cross

LO-DEBAR*
Quem sou eu, ó rei, para que uses de bondade comigo? Eu, que não passo de um cão morto, imundo De onde vim é escuro, densa terra do silêncio Quebraram-me os pés, não posso andar Ainda criança me tornei um manco humilhado Mataram meus sonhos, ó Rei, fui machucado Eu tinha futuro predestinado, a perder de vista Palácios, luxos, riquezas e domínios Mas indefeso caí, tão frágil fui à ruína E agora tu vens, ó rei, a fim de me restituir Tudo aquilo que um dia eu tive, e perdi? Eu que quase fui um príncipe, posso outra vez sonhar? Arrancaste-me da terra de minhas feridas E puseste esperança diante de meus olhos Estarei à tua mesa para cear contigo, ó Rei bondoso! Quebraram-me os pés, silenciaram minha alma E quando nada me restava, além de solidão O bondoso Rei me aquece o coração Quem sou eu, ó Rei, para usares de bondade comigo? Sou agora um homem digno, de olhos erguidos Nunca mais, Lo-Debar, lugar escuro de silêncio...

* Referência para este poema: 2 Samuel: 9

Foto 9 - Marvin Cross

MENOS UM DIA
Que triste é acordar com a sensação De ter vivido menos um dia, e dia nenhum ter vivido De ter deixado relegado ao passado Aquilo que hoje poderia ser um presente Como rasgarei as páginas mal escritas De minha existência, um livro de memórias oscilantes? Que revelam quadrantes vis e noutro, momentos dignos Quero seguir em frente sem dívidas comigo mesmo Preciso parar de ver esse reflexo distorcido Nesse espelho embaçado que me esfrega meus desajustes Onde guardei minha santidade, minha identidade? Que vento levou meus anos de inocência? Pelo meu rosto agora escorre essa maquiagem borrada Da mentira, da boa aparência, sorrisos de bonecos plásticos Exposta ferida nas madrugadas surdas à tua voz Onde posso recuperar meu tempo perdido? Desalojei-me da promessa e quase morri desabrigado Enquanto gigantes pisoteavam minhas doces lembranças Ah, Senhor, regressaria se pudesse aonde desperdicei Vida, tempo e juventude, agora insanamente enterrados Se ainda houver cheiro suave nas minhas palavras fracas Ouça-me, te clamo, ó Poderosíssimo Paciente! Que meus joelhos ralados já me deixam demente E assinale com sangue a brevidade que em mim ainda pulsa

Foto 10 - Imagem da Web

O PECADOR
(I) Das trevas para a luz Bradam heroicos os fariseus, Sacudindo a carne de caça vistosa Porque já seus dedos em riste o julgam Prontos para catar as pedras mais próximas Foste trazido das trevas, onde permanecias oculto E lhe jogaram luz intensa sobre teu rosto criminoso Pobre pecador, tenho pena de ti, Pois os “juízes de eus” se deliciam com teu tropeço Agora, que enfiaste os pés pelas mãos, Como farás para te livrar desta luz tão acusativa? Ei, pecador! Infeliz tu és por teu adultério, tua sina Tua mentira será exposta e tua nudez será revelada (II) Exílio e penar “ xila-te, infeliz pecador, do convívio dos santos!” Cuja impecabilidade é carregada sobre os ombros E cujos passos não são tortos nem maliciosos E vá, vá para longe de nossos olhos! Se te arrependeres, sorte tua, se houver tempo Os dentes rangem de fúria contra ti, ó infiel As lanças tem venenos nas pontas, para trucidar-te E expor a ti como exemplo aos outros fracos Agora sangram teus braços, e gemes em agonia Não clame a Deus, porque seus santos já o condenaram Nós somos a voz do Senhor, e te rejeitamos tal como a um cão Exila-te, e ai de ti se ergueres a cabeça

(III) O reverso do pecado Bem-aventurados são aqueles que encontram na graça Uma armadura resistente e amor incondicional Bem-aventurados os que levam a Deus suas feridas E com Ele aprendem a serem curados Ai de ti, ovelha negra, que mais te assemelhas a um lobo E que desvia a última esperança de um fraco pecador Resvalando-a pelos dedos para no ar se desfazer Ai de vós, santos devassos, que mal exercem o amor Porque todo aquele que voltar atrás e a Deus chorar Conhecedor de sua miséria e pequenez, quebrantado Todo aquele que acreditar no reverso do pecado Este será acolhido, este será imensamente perdoado Enxutas serão tuas lágrimas, limpo será teu corpo Socorrido serás de teus conflitos e tuas perseguições E será feito de ti grande homem, para que Deus seja exaltado Até que estejas refeito, cheirando a fina prata!

Foto 11 - Marvin Cross

ORAÇÃO DO EU
Que eu seja uma voz de esperança, em vez de medo Que eu possa vestir a roupa da verdade, em vez de um disfarce Que eu saiba dar a outra face, em vez de mostrar os dentes Que eu entenda um pouco de arte, em vez de amordaçá-la Que eu tenha o dom de escutar mais, em vez de tentar calar Que eu possa reconhecer outras belezas, em vez do meu próprio espelho Que eu consiga ser menos ranzinza, em vez de brigar com o mundo Que eu creia mais em Deus, em vez de despejá-lo à toa pelos lábios Que eu seja capaz de ajudar a subir, em vez de chutar para cair Que eu guarde minha boca do mal, em vez de jorrá-lo como ouro pela saliva Que eu seja pacífico, em vez de estimular a vingança e a violência Que eu ame sem salário, em vez de impor o valor da recompensa Que eu pare de reclamar da sorte, em vez de birrar como criança mimada Que eu esqueça dos pecados passados, em vez de trazê-los da tumba Que eu ore e agradeça por tudo, em vez de pensar só no que me falta Que eu abrace com braços de afago, em vez de dar abraços gelados Que eu tenha a ignorância de uma criança, em vez da sabedoria maligna de adulto Que eu louve e cante para um Deus real, em vez de um deus efêmero Que eu limpe meu coração dos rancores, em vez de regá-los com água do ódio Que eu chore nos colos do Pai, em vez de engolir pílulas de depressão Que eu sirva com boa vontade, em vez de cobrar qualquer palavra dita Que eu me desvie das sombras estranhas da noite, em vez de namorá-las Enfim, que um dia possa eu, em minhas quimeras Chegar a um mínimo de minha humilde oração, quem dera!

Foto 12 - Marvin Cross

REI DE TODA ERA
Dono desse mar, Criador Universal Rei de toda era, de poder colossal No meu coração, de todo o meu ser Quero pra sempre estar com você Simplesmente Firmemente Aprender os segredos da vida E as letras de amor mais bonitas É por isso que eu vou me esforçar por causa de Ti Cetro de poder está em Tuas mãos O Grande Maestro e Regente Acalma tempestades, anda sobre o mar E se entregou completamente Totalmente Fielmente Sua morte é um começo de vida Da prisão que agora é vencida É por isso que eu vou me esforçar por causa de Ti

Foto 13 - Marvin Cross

SÓ EU E DEUS
A porta do quarto trancada e o silêncio reinando É um momento íntimo, em que me encontro Ponderando questões da vida, de tantos desencontros E então Deus me visita Pra me sussurrar palavras de esperança De que o tempo é uma criança em suas mãos Preso por seu domínio e autoridade E que na verdade somente Ele governa Quando em momentos assim, Deus e eu Podemos partilhar inúmeras circunstâncias Relembrar episódios lacrimosos E outros, porém, valorosos O mais consolador é saber que meu amigo Deus Pode viajar para o ponto mais remoto do universo Que mesmo assim ainda estará aqui Inspirando-me a construir sublimes versos Preciso manter essa chama sempre acesa, Daquilo que temos vivido juntos, meu Senhor Porque quero carregar até meus anos de velhice E deixar ao longo da vida, marcas de encontros felizes

SOLDADO FERIDO
Sou um soldado em pleno campo de batalha Já vi muitos bravos colegas recuar Alguns feridos, desarmados ou finados E essa guerra ainda tem muito o que sangrar Baixei a guarda, não vigiei E o inimigo se aproximou As pernas bambas, o corpo fraco E uma imensa dor Lembro tantas noites com você Noites que jamais irão voltar Só de pensar nisso eu sinto vontade de chorar Mostra que ainda posso atacar E mesmo ferido levantar Combater o meu pecado e te adorar Sou um soldado

Foto 14 - Marvin Cross

TEOCÍDIO
Eles puseram Deus sentado no banco dos réus E lhe acusaram desse caos em que vivemos Por não ser explicado e por não ser provado Pela Ciência louca das suas vaidades Condenação melhor foi a morte de Deus Que lhe imputaram assim impiedosamente Mataram o Criador no fundo de suas almas E mal lhe deram chance de um suspiro final But I have to tell you, friend Ele ressuscitou, de nada adiantou E agora está mais vivo do que nunca But I have to tell you, friend Agora é Sua vez de fazer o juízo Sua justiça enfim chegou Pro mesmo mundo que O matou

Foto 15 - Imagem da Web

TÚMULO
Assim que chegar o morrer Eu quero vê-lo atravessando as paredes Desse meu coração deserto Qual destino é certo: um túmulo reservado à solidão Ah! Se outrora eu soubesse que eras o Cristo Agora estaria vivo, e mais do que isto Vida pulsaria em cada mover de minhas mãos E seria capaz até de sonhar De brincar, de plantar, de colher... E tantos sorrisos enterrei, quando orgulhosamente Guardei-me querendo ser são, não como os loucos tais Que se rasgam em louvores a Ti, com aleluias Quisera eu ter sido insano a tal ponto Hoje estaria pronto pra morar contigo Veio satanás visitar-me, levando rosas cinzentas Cujas pétalas revelam cada ato vil e soberbo E que o pobre de mim não conheceu limites Agora clamo coberto de terra Travando no inferno perdida guerra Onde rangem os dentes e se pranteiam os maus Onde arde o fogo e a carne dos perversos Meu lugar, meu pós-morte, minha escolha Para onde os anjos das densas trevas me levam Pro tormento longe, Senhor, de Ti... Lamento!

A FEBRE E O SANGUE
Seus sonhos nem sequer chegaram aonde eles poderiam chegar Foram até o âmago do sonhar Mas não se tornaram mais do que isso Como uma torre de barro Seu mais íntimo desejo desmoronou E a febre agora se espalha Fechando seus olhos pra batalha A mão de Deus parece distante Longe o suficiente pro teu orgulho Essa força que controla teu ser Essa dor que te impede de viver A mão de Deus está estendida Quente e firme, porém não percebida Pois teus olhos encharcados de sangue fazem com que não vejas teu Senhor Limpa teus olhos nas vestes de Cristo Alvas e limpas, suaves e acolhedoras Bebe de sua graça salvadora Antes que não haja mais sol de esperança...

Foto 16 - Marvin Cross

VENTO DE MUDANÇA
E, assim, repentinamente sopra o vento da mudança Com ele se vão costumes, olhares e passos Com ele vem novos rostos, ideias e laços Mesmo demorado... Ou será no tempo determinado? Não o sei, só Deus sabe, agindo segundo Seu agrado Tenho esperado por este vento suave... ou atormentado! Pensei ter orado sem ter sido considerado, ouvido Mas até o silêncio do Criador pode ser uma resposta Até que um dia se torne em clara verdade Eis o vento de mudança, que todo mortal anseia um dia Um novo olhar, um novo rumo, uma nova melodia Páginas em branco de um livro a se escrever Vento, suave ou forte, carrega-me contigo! Leva-me para onde houver arte todos os dias Só não me afaste de meu Cristo, sem o qual viver não saberia

Foto 17 - Marvin Cross

CONFESSO
Confesso que te coroei com espinhos agudos E rendi glórias a um punhado de inutilidades Confesso que te dei migalhas de minutos E passei horas falando de trivialidades Confesso que só Tua presença me completa Mas na hora que a coisa aperta Fujo, me fecho, descreio de imediato Por que eu sou tão ingrato? Confesso que tem vezes que dá vontade de sucumbir Mas então paro e me lembro de Ti Que foi até o fim, o último suspiro Até tudo se consumar Confesso que pequei porque quis Não fugi, nem resisti, não me escondi Mas agora sinto a dor cravando as garras Nesse meu peito de homem mau Confesso que orei de má vontade Quando na verdade, a vontade era outra E eu, que faço com essas confissões? Espero o Rei lavá-las com sangue de amor

Foto 18 - Imagem da Web

O GRANDE GUERREIRO
Quem poderá se levantar contra ti, ó Grande Guerreiro? Quem atentará em sã consciência contra o teu poder? Tudo submetes debaixo de teus pés Lanças mão de tua potente espada, sem nada temer Ó Grande Cavaleiro, que majestade reluzente! Me desfaço em adoração diante de ti Sou completamente entregue e submiso Canto tuas glórias e meu peito vibra com isso Levanto as mãos e aplaudo até doerem as palmas Ó Grande Rei, louvado seja teu esplendor! Há tempos ansiava em me derreter novamente em teus altares Mal espero pelo dia em que te verei nos ares Quem ousará ferir algum dos teus pequeninos? Tu, como leão defensor, não permites tal atrevimento Pois com tua misericórdia e amor, envolve-nos em teus mantos Ah, Senhor, quão doces são teus atos, teus encantos Só me resta encher os pulmões e bradar que és Santo! Ninguém há no universo que alcance teu brilho Sei que posso descansar, andar tranqüilo Pois o Grande Guerreiro por mim não para de batalhar

CONVITE À LOUCURA
Ando passos tortos em meio aos homens Caçando rostos desconhecidos e empatia Algo que me revele uma fuga, uma saída Um sorriso que resgate a fé na vida Que tolice, creio eu! Pensar que o amor gerado no coração de Deus fosse o suficiente para aplacar nossa ira de cada dia E nossa necessidade de ser egoístas Uma voz sábia outrora falou que lobos somos, devoramos a nós mesmos E o amor acabou se tornando lenda em meio ao caos Onde o "eu" basta para cumprir plena satisfação Debruçado sobre a Palavra que porta a verdade Descubro aos prantos que o amor é uma loucura E loucos é o que precisamos ser, para viver Pois assim Deus nos chama, um doce convite à loucura

Foto 19 – Imagem da Web

NA CONTRAMÃO
Meus sonhos são tão grandes que nem cabem no meu peito E sonhos mais vão surgindo E se espremendo num espaço estreito Sinto que posso explodir a qualquer minuto Nesse estado de euforia, vontade de pular Agarrar estrelas e brincar com elas como moleque Olhando pro céu com reconhecimento Escolhi um caminho de contramão a todo sistema que me oprime Posso não saber todas as respostas Mas morrerei, um dia, com poucas perguntas Entreguei meu caminho em tuas mãos, Jesus Para deixar de tontear por aí numa vida falsa Meus sonhos ainda são do tamanho de um mundo Mas Deus é maior ainda...

FERIDAS
Fui lançado diversas vezes ao chão Como um cão desprezível me portei Exibindo feridas abertas de desilusão Não tinha amor, o mal encontrei Neguei aquele sacrifício de amor Aquela voz de águas calmas que dizia: "Olha acima, ainda existe um motivo" E então a voz se fez forte, fez trovão Eu me angustio, me desespero Se me distancio do teu perfeito esmero Não quero o ontem, ele morreu no tempo Eu quero é Deus, meu maior sustento E se o anjo do inimigo me cercar tentar pousar com suas garras sobre mim O meu Senhor é quem vai batalhar pra garantir o meu sucesso lá no fim Agora chega dessa alma abatida! Jesus, derrama vinho novo em minha vida! Que eu me apaixone, que eu me abandone em teus braços descanse e sonhe

Foto 20 - Marvin Cross

SANTA MANHÃ
Viver em retidão, espinhoso caminho Atrás de uma promessa azul-marinho Dos altos céus vem o meu socorro O sopro divino me empurra, me leva Deus em Seu trono, Santa Providência! Fidelidade que aos homens soa incrível Mas eu, mesmo de carne, tenho consciência Ó Senhor, Tu te derramas invencível Aqui cumpro com prazer este tributo Louvando feliz por tua resposta Glória ao Rei! Glória ao amigo em tudo! Só posso sentir tua mão imposta E se eu cair, minhas asas não se quebrarão Pois teu Espírito me dá sobrevivência E pela fé conquisto a pré-paga salvação Meu Cristo, obrigado por tua beneficência!

Foto 21 - Marvin Cross

EU PREFIRO ADORAR
Desgraças, lutas, perdas Ainda assim, pelas pedras caminhando sem rumo, sem norte ao certo Eu prefiro adorar Quando a tempestade vem desabando sobre o telhado caindo sobre meus ombros cansados Eu prefiro adorar Meu inimigo se ergue em valentia e soberba Deus, que é por mim até o fim Ele é quem me sustenta Eu prefiro adorar e cantar Saber que alguém não desistiu Até a última gota de sangue entregou-se e me garantiu Vida! Vida! Eterna vida, conquistada a caro preço Vida! Sofrida vida! Mas Ele me deu um novo começo Como poderei não adorar? Eu prefiro a dor que ensina e me edifica Eu prefiro me jogar em teus braços Por tantas razões, Senhor... Eu prefiro adorar

Foto 22 - Imagem da Web

BORBOLETAS NA JANELA
O Senhor colocou borboletas na minha janela Assim que o dia amanheceu sorrindo Perfumou meu quarto com flores de primavera Me visitou enquanto estava dormindo A minha cabeça vive agora incendiada de inspiração e de razão para adorar Aqui em mim há um espírito a repousar que traz a mim aquela paz tão desejada Mas, Pai Divino, não me deixe um egoísta Quero ser vaso, dividir minha conquista Levai algumas dessas borboletas tuas pra colorir a escuridão de nossas ruas Ó Santo e lindo, o que sou para contigo? Que não mereço ver-me livre do perigo Não sou nada pra te ter como amigo Mas não negas o refúgio e o abrigo O Senhor colocou borboletas nas nossas janelas São as bênçãos que batendo suas asas nos animam, alegrando as nossas casas Deus é Santo e Sua Palavra me revela

Foto 23 - Marvin Cross

VERSOS A DEUS
A ti, clamando e orando, Pai dos humildes Abriga os enfermos e os despedaçados Reverte-nos com a couraça da vida Para que a Ti voltemos limpos e renovados Sensações indescritíveis na tua presença Glória ao verdadeiro Santo do impossível! Aquele que habita o meu coração e me revela ser o magnífico indefinível Entra agora, Deus de Israel, pela dianteira Cubra-me com Tua brancura e majestade Eu te bendigo e agradeço, ó aleluia! Por de mim teres misericórdia e piedade Meu amor procura o Senhor em orações E sua obra me põe na direção dos retos e bons Deixa-me, Cristo, cantar-te em versos e encher Teus ouvidos ao recitar estes sons

Foto 24 - Imagem da Web

A ROSA VINDOURA
Suave és como bálsamo Como o bálsamo da cura e da esperança Como a canção que acalenta a criança Suas pétalas percorrem minhas feridas Enquanto correm os dias apressados Eu aqui, ainda bem, esperei confiado E a rosa finalmente se mostra no horizonte Sinto de longe teu suave perfume Obrigado, que mais poderia dizer? Vejo com tanta fé o teu aparecer E prossigo em passos calmos até você Doce rosa vindoura, futuro a brilhar Voz do Cristo sofrido, que sofreu em meu lugar Voz do Cristo vitorioso, coroado não com glórias Sigo rumo a esse imenso amor Tão cálido, tão puro, tão forte Que não é uma questão de sorte É a vida que reluz mais que o nobre ouro Partirei a descobrir desse tesouro E enfeitarei meus caminhos com rosas de um futuro bom!

Foto 25 - Marvin Cross

MELANCOLICARIUM
(Dos tempos) Assisto à tarde partir e a noite chegar Timidamente surge a primeira estrela Vivaz, brilhante, queimando Assisto à estrela colorir o céu Vagueio em bruscos pensares Eu costumava usar uma aliança E me cobria de finura invejável Agora me calo sem nada louvável Agruras de tempos memoráveis Agora cercam-me com tamanha fúria O mar que cerca esta ilha é ácido E eu não sei nadar para fugir Austeras visitas a cada manhã que nasce De apertos e solavancos impetuosos É tão bonito o maquinário mental Mas sua cura está a milhas de distância Assisto ao sol sorrir, com a alma seca O tanque se renova enquanto há prantos E o ciclo de esvaziá-lo e enchê-lo me sufoca Jazem enterrados em mim antigos encantos (Das alianças) Canto músicas que queimam o espírito E cortam-me feito navalha cega Vejo escorrer pelo nariz uma coriza traumática Mas a febre é melhor do que a frieza da alma

Eu costumava usar uma aliança Disso lembro-me de já ter dito É que ela era tão excessivamente cara Perdi-a num bueiro qualquer das desventuras Algumas rimas lidas deitadas pelo chão Molhando no café um pedaço de pão magro Penduradas no varal estão as velhas vestes Manchadas, todavia, encontram-se eternamente Queria expressar algum tipo de desabafo Desses que se extrai da alma angustiada Sei lá, talvez 10.000 lágrimas Mas deixar vazio pra sempre o reservatório

Foto 26 - Imagem da Web

ANGÚSTIAS NOTURNAS
Ela bebeu da fonte inesgotável das ilusões Junto com aqueles cujos lábios sorriam gélidos E cujas mãos estavam pálidas em semivida Ela bebeu até escorrer queixo abaixo Ela havia entrado por portas escancaradas Onde sofismas a arrebataram como sedutores vampiros Foram sugando suas energias e lhe injetando orgulho Viciada ela ficou, envolta em sonhos e suspiros Lavaram sua mente com veneno de serpentes Enquanto matava a sede dos homens em seus braços E as angústias noturnas a mantém presa como fantoche Há vontade de fugir, mas não consegue dar dois passos Ela não tem nome, não tem sequer um rosto Ao menos uma face que se possa distinguir nas trevas Ela ergueu muralhas gigantescas a proteger o coração Onde eu deveria estar e nem mesmo posso entrar Se ao menos ela escutasse o que eu dissera Seus dias poderiam ser quase uma quimera Mas o inverno em sua alma nunca passa, frio eterno Toda noite eu a vejo desejar o inferno E muitos existem tornados como a donzela Perdidos em fumaça de falsas promessas seculares Minha espera revela que existe uma chance Eu simplesmente ainda espero por seus olhares...

Foto 27 - Marvin Cross

DEUS DA ARTE
Foi Deus que fez a arte Essa que eu uso, desuso e abuso Essa arte que me faz saltar de uma nuvem à outra Essa arte que nas veias corre solta Foi Deus que cantou a canção Na qual encontrei amor, força e perdão Segunda e terceira chance de redenção Deus aquarelou esse mundo nosso de cada dia É de Deus que vem toda inspiração Onde prevalece a doçura das poesias O dom dos sons, em fúria ou calmaria A tecelagem cerebral das ideias, até mesmo as confusas Somos imagem e semelhança do Mestre das Artes Um Deus criativo, multiforme, de toda versatilidade Deus que do barro fez da arte um milagre Que respira, caminha, pensa e... faz arte Foi Deus que acendeu a chama genial O pulsar de teus atributos que ninguém tem igual Foi Deus, esse mesmo que os mares fez E pôs a arte transbordando entre vocês

VOLTE
Volte, mesmo ainda sendo madrugada Pois é nas trevas que a sede aumenta E a necessidade do teu abraço clama e não cansa Volte, antes que raie a manhã dubitável Aquela despretensiosa manhã que sempre chega Retorne com um afago paternal inigualável Volte, e refaça meus ossos quebrados e reumáticos Sopre vida em minha pele e põe luz à minha vista Fala ao meu coração antes que eu desista Volte na hora certa, pelo vazio de minha alma Cruze minhas angústias fincando calma Arvorando bandeira de vitória sobre a morte Volte, espero-te, Precioso Amado, volte!

Foto 28 - Marvin Cross

A FONTE / THE FOUNTAIN
De onde vem, ó pequena, essa alegria? Do som das flautas de tuas loucuras? Do som da chuva surrando as ruas? De onde vem, ó pequena, esse desvario? Oh, Sweet dear poet, it comes from Him It comes from Him, like sun as well Like everything we’ve ever felt Like love on our lips or ground under feet Mas quem é Ele, ó pequena, de que falas? Que tal parece? Quão belo ou quão esperto? É alguém a quem se deseja ter por perto? Diga-me, antes que eu desfaleça on’t you know, dear poet, the fountain? His words are sweet but are strong His eyes are gentile but they burn He’s the real fountain of love Ainda me sinto confuso, pequena amiga Pareces insana, porém farta de amor Como se estivesses de alma lavada E eu preocupado com a minha dor There’s a deep fountain available, poet on’t be afraid of tasting its water Living water, never to be thirsty again Not to be stuck in your sorrow, but healed instead Qual é Seu nome? Quem é esse ser tão gentil? Para arrancar-lhe das negruras e das feiúras

Só poderoso pode ser esse teu novo achado Quem é Ele, quem é Ele, tão aclamado? His name is Jesus, the Son of God He gave his life to save us, poet Would you ever dare do the same? No one would, I praise His name Então é daí que vem, pequena? Posso eu provar do mesmo e gostar? Ele é a fonte dos teus gargalhos? Ele é a razão do teu dançar? Yes, my dear, he is The fountain, the deepest one Where ’ve lost myself not to be found Because ’ve just found my home Eu irei contigo até a fonte, ainda hoje Verás e beberei até me fartar, como tu, pequena Vou me lançar na fonte com tamanho afinco Pois eu quero provar de uma vida plena So don’t take so long to do it And bring all those ones who’d like To try on a better life Without fearing dive the fountain

A DANÇA DAS QUIMERAS
Precisas correr O cheiro já não é bom A essência se desfez Virou fumaça negra O tempo corre contra si mesmo As promessas foram quebradas E as mãos ainda atadas Tornou-se exceção à regra Filha, lá fora nascem as rosas A fuga de um sonho bom Feche os olhos e imagine campos férteis Etéreas visões de um mundo novo Crepúsculos e auroras dançam Enquanto olhos cintilam esperança Mas é necessário uma decisão antes Uma só, para romper o véu do medo Precisas, de fato, correr Enquanto ainda há água corrente Diante de ti, filha minha tão amada, Encontra-se vias de morte ou vida Busque cura perene para tua dor Envolva-te em lençois de branco puro Dance, cante, alegra-te livre E volte aqui para contar-me as boas novas...

MARVIN CROSS é um pseudônimo que uso para tudo aquilo que produzo em termos de literatura. Meu nome real é Marcos Vinícius (dá pra ver de onde vem “Marvin”...), sou formado em Letras-Inglês pela Universidade Federal do Amapá, nasci em Agosto de 1986 em Imperatriz, Maranhão, mas vivo em Macapá com minha família desde 1990. Ainda criança comecei a escrever e muitas vezes deixava de me envolver em atividades mais corriqueiras para a minha idade, só para ficar inventando algo para rabiscar. Costumo dizer que meu forte na escrita é a prosa, um estilo no qual eu creio me sair melhor. Romances, contos e crônicas me prendem mais a atenção na hora de colocar a mente para trabalhar em alguma criação literária. Entretanto, fazer poesia também é algo que me agrada enormemente, ao ponto de eu já ter produzido vários textos poéticos, inclusive abrangendo assuntos um tanto ou muito fora da temática cristã. Este livro é uma coletânea de poemas postados no blog de mesmo nome. Existe um duplo sentido no título do livro: o primeiro e original diz respeito ao fato de fazer da arte poética uma atividade missionária, levando a Palavra de Deus através de versos, objetivos ou muito subjetivos, além de louvar ao Criador e mostrar a partir do eu-lírico de vários poemas que não é por ser cristã que uma pessoa não passa por problemas, angústias horríveis e perdas. Muito pelo contrário. Acredito que exista inserida nesse tipo de poesia uma relação que aproxime o poeta ao leitor, e ambos ao Criador. O segundo significado vem do fato de ratificar a poesia como uma arte que pode ser moldada dentro do eixo espiritual-existencialista, fazendo dela uma arte sem limites. Percebe-se, ainda, que os poemas encontrados neste livro não levantam exclusivamente a bandeira de alguma denominação evangélica em particular, mas procura focar-se na relação entre o ser humano e o Senhor Todo-Poderoso. MISSÃO POESIA é o primeiro livro que publico, inclusive em plataforma digital. Resolvi meter a cara de uma maneira livre de interesses financeiros, viabilizando este livro de graça e sem a sensação de tocar uma obra impressa e bem-acabada, mas creio que ainda assim pode valer a pena. Fiz questão de corajosamente ilustrá-lo com muitas fotografias tiradas por mim mesmo, admitindo aqui que a referida arte/técnica não é bem o meu forte. Espero grandemente que o Senhor o abençoe com a leitura desta obra, e que haja outras oportunidades de publicar novos e-books, desta vez de textos em prosa... Mas, se rolar de construir uma segunda coletânea poética, então tomemos uma segunda dose de poesia. Deus seja louvado!

CONTATOS: marvincross@pop.com.br marvin_aliancas@hotmail.com http://missaopoesia.blogspot.com

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful