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UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL CAMPUS UNIVERSITÁRIO DA REGIÃO DOS VINHEDOS CURSO DE DIREITO FILOSOFIA JURÍDICA PROFESSOR CEDENIR ROBERTO

CAUMO

MAIORIDADE PENAL

GRUPO: Alda Maria Santarosa Alexandre Barreiro Santos Anie Festa Juciane Pinto Alessi Mirella Nicolao

Bento Gonçalves, junho 2012

1. Histórico A maioridade penal, também conhecida como idade da responsabilidade criminal, é a idade a partir da qual o indivíduo pode ser penalmente responsabilizado por seus atos, conforme as leis de seu país. Em alguns países, o indivíduo abaixo da maioridade penal está sujeito, a partir de certa idade, a punições mais leves, como detenções ou internações em instituições correcionais ou reformatórios. A maioridade penal não coincide, necessariamente, com a maioridade civil, nem com as idades mínimas necessárias para votar, para dirigir, para trabalhar e para casar. 2. Definições Maioridade penal - O Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa define “maioridade” como “a idade em que o indivíduo entra no pleno gozo de seus direitos civis”, e “maioridade penal” como “condição de maioridade para efeitos criminais”. Maioridade penal também é chamada de imputabilidade penal que significa a partir de que idade uma pessoa já é considerada maior de idade. Idade da responsabilidade criminal – Derivada do inglês age of criminal responsibility, a expressão é um sinônimo para maioridade penal, indicando a idade a partir da qual uma pessoa pode ser criminalmente processada, e julgada segundo as leis penais. Regime penal especial para jovens – Em alguns países, a legislação penal possui dispositivos criminais diferenciados para jovens na faixa etária acima da maioridade penal e até determinada idade (conforme o caso, até 18 anos, até 21 anos, até 25 anos etc.). Em Portugal por exemplo, há um regime penal diferenciado para a faixa etária dos 16 anos (maioridade penal) até os 21 anos. Na França, há tribunais criminais especiais para menores entre 13 anos (maioridade penal) e 18 anos. Regime legal para jovens infratores (não-penal) – Em outros países, a

situados abaixo da maioridade penal. explica que: “Onde a maioridade penal for especialmente alta. como 17 ou 18 anos. órgão das Nações Unidas. que adotam esses procedimentos não-penais para jovens entre 12 e 18 anos. já que todo o comportamento da criança é visto como um assunto social. segundo o artigo 27 do Código Penal. de 2006. educacional e ligado ao bem-estar. o que diferencia a sanção penal das normas legais sócio-educativas ou sanções administrativas são basicamente os seguintes pontos: • existência de processo criminal. estes tipos de sistemas legais poderão sentenciar crianças com penas de privação da liberdade (detenções) em instituições tais como estabelecimentos educacionais fechados. mas tão só a recompor a ordem jurídica violada”. páginas 27-28. Características da sanção penal Sanção penal – Segundo o dicionário do “Índice Fundamental do Direito” (DJi). porém com observância das normas penais. por exemplo. Onde a maioridade penal for mais baixa. de três países da América do Sul: Brasil. É o caso. O Escritório de Drogas e Crime (Office of Drugs and Crime) da Unicef.” 4. Em relação à legislação sobre crianças e adolescentes nos diferentes países.legislação estabelece procedimentos e penalidades administrativas ou "medidas sócioeducativas" para crianças ou adolescentes em conflito com a lei. não se diz que crianças e adolescentes cometeram um "crime". do Código Processual Penal ou de uma Lei de Execuções Penais. Ainda assim. Colômbia e Peru. conforme o país). Em tais sistemas jurídicos. • julgamento do jovem num tribunal (que pode ou não ser específico para jovens. como aquelas do Código Penal. Maioridade penal no Brasil A maioridade penal no Brasil ocorre aos 18 anos. é possível que o sistema de justiça juvenil do país seja em grande parte voltado para o bem-estar do jovem. é mais provável que os sistemas legais do país façam uso de juízes e tribunais para crianças e adolescentes. não se destina a repor as coisas conforme o eram anteriormente ao ato ilícito. reforçado pelo artigo 228 da Constituição Federal de 1988 e . em seu “Manual para a Medição dos Indicadores da Justiça Juvenil”. 3. a sanção penal é definida como: "medida punitiva" ao transgressor.

alguns doutrinadores preferindo a primeira e outros a segunda.18 anos.18 anos. o uso da terminologia tem efeito emancipador e o uso da expressão "menores" acaba por discriminar o adolescente. Após esse período. Adolescentes de 12 a 17 anos estão sujeitos a . Colômbia .ECA (Lei nº 8.069/90). Peru . Já os primeiros pensam diversamente e consideram que o uso da expressão "adolescente em conflito com a lei" (que não consta no ECA) serve na verdade como instrumento a serviço de um Estado inoperante. 5. que “em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos”. O ECA estabelece. As penalidades previstas são chamadas de “medidas socioeducativas” e se restringem apenas a adolescentes (pessoas com idade compreendida entre 12 anos de idade completos e 18 anos de idade incompletos.18 anos.16 anos Brasil . § 3º. por cada ato infracional grave. em seu artigo 121. que se serviria da mudança de nomenclatura sem necessidade de promover mudança da realidade. podendo retornar ao regime fechado no caso de mau-comportamento. acrescentando. quanto ao adolescente em conflito com a lei. que a expressão "menores" faz parte do texto legal (artigo 22 do ECA). caso tenha cometido o ato aos 17 anos). a medida socioeducativa de internação poderá ser excepcionalmente aplicada ao jovem de até 21 anos.pelo artigo 104 do Estatuto da Criança e do Adolescente . Para esses últimos. Há uma discussão sobre o uso das expressões "menores infratores" e "adolescentes em conflito com a lei". Todavia. Maioridade penal nos Continentes América do Sul Argentina . Os crimes praticados por menores de 18 anos são legalmente chamados de “atos infracionais” e seus praticantes de “adolescentes em conflito com a lei” ou de "menores infratores". ainda. ele passará ao sistema de liberdade assistida ou semi-liberdade. Adolescentes de 12 a 17 anos estão sujeitos a procedimentos legais correcionais. Adolescentes de 12 a 17 anos estão sujeitos a procedimentos legais correcionais.

Dinamarca.15 anos. Oriente Médio Irã . conforme o estado.16 anos. México . Ásia e Oceania Bangladesh . Noruega. adolescentes entre 14 e 18 anos estão sujeitos .13 anos (informação da Unicef). América do Norte Estados Unidos . a qual varia entre 6 e 12 anos. Polônia . a maioridade penal varia conforme a legislação estadual.6 a 12 anos. Suécia e Finlândia. Ucrânia . Reino Unido .13 anos. Na China. China . a maioridade penal é fixada aos 15 anos.7 anos. Nos quatro países escandinavos . Escandinávia .11 anos. Na Província de Nordgrønland na cidade de Qaanaaq ao norte da Groenlândia a pena é mais severa.9 anos para mulheres. Turquia .14 anos. Apenas 13 estados fixaram uma idade mínima legal.14 anos. Groenlândia .14 anos. Dependendo da Província. sendo 11 ou 12 anos para a maioria dos estados. Itália .6 anos a 7 anos.14 anos.8 anos (Escócia).procedimentos legais correcionais.Nos EUA. 11 anos de idade para os crimes federais. Rússia . 15 anos para homens. em Nuuk por exemplo a pena é de 6 anos. 10 anos (Inglaterra e País de Gales). Europa Alemanha . França . aos 6 anos.

13 anos.13 anos.15 anos. Reforma da idade penal .7 anos.12 anos. Quênia . Mianmar (ex-Birmânia) – 7 anos. Egito .10 anos. Vietnã .14 anos. Tailândia .7 anos.7 anos. Índia . Sudão .8 anos.12 anos.12 anos. Etiópia . Argélia .20 anos. Uganda . Nigéria .9 anos. Paquistão .7 anos. Uzbdequistão . Marrocos . Nepal . Filipinas .7 anos.a um sistema judicial juvenil.17 anos.8 anos. Japão . Indonésia . e suas penas podem chegar à prisão perpétua no caso de crimes particularmente bárbaros (chamados no Brasil de “crimes hediondos”). África África do Sul . Tanzânia .7 anos. Coréia do Sul . Singapura .21 anos.9 anos. 6.

mental e intelectual do jovem. Isso têm provocado acalorados debates entre especialistas e autoridades de diversas áreas. conforme a interpretação de cada um. notadamente a redução da maioridade penal para 16 anos. 7. A grande diferença da maioridade penal entre os diversos países não necessariamente indica um sinal de "avanço" ou de "barbárie" deste ou daquele país.Diversas medidas e ideias vêm sendo debatidas ou propostas. A Resolução nº 40/33 das Nações Unidas. mas outros afirmam que a exigência de "não acontecer no calor de algum fato" trata-se de mero pretexto para adiar o debate. Alguns países que haviam baixado a maioridade penal. com vistas a possíveis alterações na maioridade penal e ou na penalização de adolescentes em conflito com a lei. analisando cada ponto de vista para tomar partido. mas irá cumprir a pena em local específico para sua idade. Maioridade penal: comparação entre os países A maioridade penal varia imensamente entre os diferentes países. distinto dos detidos considerados adultos. sem distinção quanto à idade. As decisões precisam ser racionais e alguns dizem mesmo que não devem acontecer no calor de algum fato. Vale ressaltar que existem países que adotam maioridade inferior aos 18 anos que possuem um regime de tratamento especial. no âmbito da sociedade brasileira. O mais indicado é observar os debates. conforme a cultura jurídica e social de cada nação. ou mesmo entre leigos no assunto. de 29/11/1985. Por exemplo: o adolescente pode ser julgado como adulto aos 16 anos na Argentina. e que esta idade não seja fixada “baixa demais”. acabaram . entretanto. estabeleceu as “Regras Mínimas das Nações Unidas para a Administração da Justiça Juvenil”. adotam sistema único. indicando uma falta de consenso mundial sobre o assunto. conhecidas como as “Regras de Pequim" e recomenda que a idade da responsabilidade criminal seja baseada na maturidade emocional. a exemplo dos EUA e da Inglaterra. a Resolução deixa em aberto. O quanto seria este “baixo demais”. concepções e teorias jurídicas entre as nações. mas mostra o resultado de diferentes visões de mundo. Outros países.

“o argumento da universalidade da punição legal aos menores de 18 anos. Segundo o especialista. também das Nações Unidas. diverge das informações apresentadas na página da Unicef. A Alemanha teria também um regime penal especial para jovens entre 18 e 21 anos. seriam apenas duas: os Estados Unidos e a Inglaterra. O Japão havia baixado para 14 anos.na Holanda. contudo. em contraste com os 14 anos apresentados pela Unicef. Opiniões sobre a maioridade penal Túlio Kahn Doutor em Ciência Política pela USP. Canadá e Grécia aos 12 anos. As fontes destas informações não foram apresentadas. além de precário como justificativa. no sítio do Ministério da Justiça brasileiro. é empiricamente falso”. O artigo apresenta como fonte o relatório "Crime Trends". Por outro lado. em Israel e na Nova Zelândia aos . um órgão das Nações Unidas. os dados apresentados deste relatório da ONU não se referem à maioridade penal. conceito mais amplo que engloba a maioridade civil (diversos países que definem como “adulto” o indivíduo maior de 18 anos aplicam sanções penais a adolescentes que cometem crimes). sendo que dentre as nações desenvolvidas. que defende com veemência a maioridade penal aos 18 anos e mistura o estudo do tema à definição legal de adulto. mas não mostra um link para a fonte primária da informação na página da ONU. e da Itália e da Alemanha aos 14 anos. e que a idade penal no Japão é de 20 anos. Quanto à maioridade penal. mas verificou aumento nos índices de criminalidade e acabou aumentando para 21 anos a inimputabilidade penal. 8. e sim à definição legal de adulto. Túlio Kahn afirma que "Alemanha e Espanha elevaram recentemente a idade penal para 18 anos”. acompanha as informações do sítio da Unicef (1997) quanto à maioridade penal da França aos 13 anos. matéria publicada no jornal português Diário de Notícias em 9 de junho de 2006. O especialista. e acrescenta o que seriam as idades penais em 6 outros países desenvolvidos não mencionados no sítio da Unicef . afirma que apenas 11 dentre 57 legislações pesquisadas apresentam definição legal de adulto menor do que 18 anos. No artigo de Kahn.retornando a sua idade inicial ou até aumentando.

sobre a maioridade penal (majorité pénale) aos 13 anos na França. arrastado por um carro. O que diz a legislação brasileira sobre infrações de quem não atingiu a maioridade penal? Pela legislação brasileira.mas poderão ficar no máximo 3 anos presos. De 12 a 17 anos. É a idade-limite para que alguém responda na Justiça de acordo com o Código Penal. Saiba quais são os principais argumentos dos defensores e dos críticos da medida . O manual ressalta.13 anos. como cidadão adulto. e na Áustria aos 14 anos. O glossário jurídico do CNDP francês também confirma a informação da Unicef. obrigação de reparar o dano. Como em outros crimes violentos. cujo título é Maioridade penal. Apenas crianças até 12 anos são inimputáveis. 1. dependendo do tipo de crime praticado. reacendeu o debate sobre a redução da maioridade penal no país. que alguns países possuem mais de uma idade como "maioridade penal". A maioridade penal frente às grandes emoções A revista Veja. um menor infrator não pode ficar mais de três anos internado em instituição de reeducação. As penalidades previstas são chamadas de “medidas socioeducativas”.27). também. de fevereiro de 2007. 9. como a Febem. por sua vez. vejamos. prestação de serviços à . um jovem passa a responder inteiramente por seus atos. É a idade em que. É uma das questões mais polêmicas a respeito da maioridade penal. menores de idade tiveram papel ativo no brutal crime . diante da lei. publicou reportagem sobre a morte do menino João Hélio. ou seja.e como a mudança na lei poderia ser realizada. O que é maioridade penal? A maioridade penal fixada em 18 anos é definida pelo artigo 228 da Constituição. de 2006 (pág. e categoriza a maioridade penal aos 17 ou 18 anos num país como "especialmente alta". 2. observa que a maioridade penal nos países pode variar entre os 7 e os 18 anos. depois de um assalto no Rio de Janeiro. não podem ser julgadas ou punidas pelo Estado. O Manual da Unicef. de 6 anos. A morte do menino João Hélio. Um menor é julgado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). o jovem infrator será levado a julgamento numa Vara da Infância e da Juventude e poderá receber punições como advertência.

3. Em Portugal e na Argentina. Para eles. a idade-limite é 14 anos e na Índia. Em países como Estados Unidos e Inglaterra não existe idade mínima para a aplicação de penas. 7 anos. em que é considerada somente a idade do jovem. ele deve ter também idade suficiente para responder diante da .comunidade. Em Portugal e na Argentina. Estabelece que o menor de 18 anos não possui desenvolvimento mental completo para compreender o caráter ilícito de seus atos. independentemente de sua capacidade psíquica. Como é a legislação brasileira em relação a outros países? A legislação brasileira sobre a maioridade penal entende que o menor deve receber tratamento diferenciado daquele aplicado ao adulto. o jovem atinge a maioridade penal aos 16 anos. liberdade assistida. Em países como Estados Unidos e Inglaterra não existe idade mínima para a aplicação de penas. o Estatuto da Criança e do Adolescente é muito tolerante com os infratores e não intimida os que pretendem transgredir a lei. tenha a idade que tiver. Quais os argumentos para reduzir a maioridade penal? A legislação brasileira sobre a maioridade penal entende que o menor deve receber tratamento diferenciado daquele aplicado ao adulto. tenha a idade que tiver. Adota o sistema biológico. 4. em que é considerada somente a idade do jovem. e sua consciência a respeito da gravidade do ato que cometeu. inserção em regime de semiliberdade ou internação em estabelecimento educacional. Nesses países são levadas em conta a índole do criminoso. Estabelece que o menor de 18 anos não possui desenvolvimento mental completo para compreender o caráter ilícito de seus atos. o jovem atinge a maioridade penal aos 16 anos. Na Alemanha. a idade-limite é 14 anos e na Índia. Quais mudanças são as propostas em relação à maioridade penal? Os que defendem a redução da maioridade penal acreditam que os adolescentes infratores não recebem a punição devida. Na Alemanha. e sua consciência a respeito da gravidade do ato que cometeu. Não poderá ser encaminhado ao sistema penitenciário. Eles argumentam que se a legislação eleitoral considera que jovem de 16 anos com discernimento para votar. Nesses países são levadas em conta a índole do criminoso. 7 anos. Adota o sistema biológico. 5. independentemente de sua capacidade psíquica.

Quem se manifestou a favor da redução da maioridade penal? Os quatro governadores da região Sudeste . vários deputados e senadores querem colocar em votação propostas de redução da maioridade. pressionado pela indignação provocada por crimes bárbaros. Arlindo Chinaglia. Quais são os trâmites legais para reduzir a maioridade penal? Depois de ser discutida pelo Senado. investir em educação de uma forma ampla e também mudar a forma de julgamento de menores muito violentos. diz que o país não deveria “neutralizar” parte da população e sim procurar “gerir um sistema onde as pessoas possam superar a delinqüência”. Para a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). 8. Alguns defendem mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente para estabelecer regras mais rígidas. Karina Sposato. Eles querem também aumentar o prazo de detenção do infrator para até dez anos. como o presidente da Câmara dos Deputados.Justiça por seus crimes. diretora do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção e Tratamento da Delinqüência (Ilanud). 6. 9. afirmam que reduzir a maioridade penal não seria uma solução para a violência. eles propõem melhorar o sistema socioeducativo dos infratores. O que dizem os que são contra a redução da maioridade penal? Os que combatem as mudanças na legislação para reduzir a maioridade penal acreditam que ela não traria resultados na diminuição da violência e só acentuaria a exclusão de parte da população.José Serra (PSDB-SP). Tanto o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil. Cezar Britto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz que o Estado “não pode agir emocionalmente”. Aécio Neves (PSDB-MG) e Paulo Hartung (PMDB-ES) propõem ao Congresso Nacional alterar a legislação para reduzir a maioridade penal. Sérgio Cabral Filho (PMDB-RJ). Além dos governadores. Quem é contra a redução da maioridade penal? Representantes da Igreja Católica e do Poder Judiciário combatem a redução da maioridade penal. Como alternativa. 7. a proposta de emenda constitucional . ministra Ellen Gracie. a melhor solução seria ter uma “justiça penal mais ágil e rápida”. Outros dizem que já faria diferença a aplicação adequada da legislação vigente.

Propõe-se também punições mais severas aos infratores. Quais mudanças são as propostas em relação à maioridade penal? Discute-se a redução da idade da responsabilidade criminal para o jovem. Passada a motivação inicial. Em 2003. 12.(PEC) deve ir a plenário para votação em dois turnos. houve uma “semana da segurança”. Na seqüência. O que tem ocorrido é que em períodos de comoção e mobilização da opinião pública o assunto ganha visibilidade e várias propostas chegam ao Congresso. mas há quem proponha até 12 anos como idade-limite. esta é a quarta vez que um “pacote de segurança” é proposto. após os ataques do PCC em São Paulo. Há ainda uma proposta de emenda constitucional (PEC). os projetos caem no esquecimento. a Câmara e o Senado criaram uma comissão mista para discutir o endurecimento das leis. Não houve votação originada desta comissão. O presidente da Câmara dos Deputados. depois de um sequestrador de um ônibus ser morto ao lado de uma refém. que não incluíam a discussão sobre a maioridade. após a morte de dois juízes. Desde 2000. que só poderiam deixar as instituições onde estão internados quando estivessem realmente “ressocializados”. 10. A maioria fala em 16 anos. O tempo máximo de permanência . quando o Senado aprovou 13 projetos de endurecimento da legislação penal. em caso de crimes hediondos. A proposta para redução da maioridade está parada no Congresso desde 1999. e uma para 13 anos. quatro reduzem a maioridade de 18 para 16 anos. a proposta tem de ser votada pela Câmara dos Deputados para transformarse em lei. Justiça e Cidadania do Senado avalia. O último “esforço concentrado” foi em junho de 2006. do senador Papaléo Paes (PSDB-AP) que determina a imputabilidade penal quando o menor apresentar "idade psicológica" igual ou superior a 18 anos. 11. Que propostas sobre maioridade penal serão avaliadas pelo Congresso Nacional? Das seis propostas de redução da maioridade penal que a Comissão de Constituição. não quis incluir o assunto entre as primeiras medidas do chamado “pacote da segurança”. Arlindo Chinaglia (PT-SP). Em 2000. Quando a Câmara dos Deputados votará as propostas de redução de maioridade penal? Não há prazo definido.

nos ensina o seguinte: "Tal presunção. tipificação do terrorismo e as penas para atos de corrupção são alguns dos temas abordados na discussão da Comissão de Reforma do Código Penal. . da certeza da impunidade que a sua particular condição lhe proporciona. Rogério Greco. Maioridade penal. inclusive. no Plenário 1. O encontro será realizado das 14h às 17h20. no livro Curso de Direito Penal. nos dias de hoje.de menores infratores em instituições não seria três anos. com impressionante freqüência. valendo-se. A abertura do evento será realizada pelo senador e na sequência o anteprojeto será apresentado pelo ministro Gilson Dipp e pelo procurador Luis Carlos Gonçalves. Os trabalhos do grupo. composto por 16 juristas. 10. Luis Carlos Gonçalves. Um pouco de doutrina a respeito do assunto. na Parte Geral. os participantes poderão discutir os pontos que entenderem pertinentes. Fala-se em reduzir a maioridade penal somente quando o caso envolver crime hediondo e também em imputabilidade penal quando o menor apresentar "idade psicológica" igual ou superior a 18 anos. Notícia publicada O Documento Uma Impressão Digital. ministro Gilson Dipp. menores de 18 anos praticando toda sorte de injustos penais. no dia 29/05/2012. como determina hoje a legislação. procurador Regional da República. Após explanação. proposta pelo senador Pedro Taques (PDT). tem gerado revolta na sociedade. O novo anteprojeto deve ser concluído até meados deste ano. instituída por meio de requerimento de autoria do senador Pedro Taques. que presencia. 11. criminalização do aborto. iniciaram em 2011. e do relator da Comissão. com a presença do presidente da Comissão de Juristas. mas até dez anos. 4ª edição. Exemplo de iniciativas isoladas do Poder Judiciário na discussão sobre a maioridade penal. TJ sedia discussão sobre novo Código Penal O Tribunal de Justiça de Mato Grosso sedia no próximo dia 1º de junho audiência pública sobre discussão do novo Código Penal.

o agente torna-se imputável.43 A única implicação prática da previsão da inimputabilidade penal no texto da Constituição Federal é que. 228. 27. no primeiro minuto da data de seu aniversário." A redação do aludido art. ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. o agente adquire a maioridade penal com todas as implicações dela decorrentes. serão observadas as restrições à prova estabelecida na lei civil". que a cada dia pugna pela redução da maioridade penal para os 16 anos." Em que pese a inserção no texto de nossa Constituição Federal referente à maioridade penal. No juízo penal. 27 do Código Penal. Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis. ficando impossibilitada tal redução via lei ordinária. de ser levada a efeito tal redução. assim redigido: "Art. Assim. sujeitos às normas da legislação especial. 155 do Código de Processo Penal. agora.069/90).O argumento de que ao inimputável por imaturidade natural que pratica um ato infracional será aplicada uma medida socioeducativa. conforme determina o art. uma vez que o mencionado art. 60 da Carta Magna. que diz: "Art. 228 da Constituição Federal muito se assemelha àquela contida no art. "para efeitos penais. podendo-se atribuir-lhe uma sanção de natureza penal. pois que não se amolda ao rol das cláusulas pétreas elencadas nos incisos I a IV. somente por meio de um procedimento qualificado de emenda a menoridade penal poderá ser reduzida. somente quanto ao estado das pessoas. do § 4º. Uma vez completados 18 anos. tal fato não impede. a seu turno. o reconhecimento da menoridade do réu requer prova por documento hábil". independentemente da hora em que nasceu. caso haja vontade política para tanto. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos. A prova da menoridade penal deve ser feita por certidão de nascimento expedida pelo registro civil ou documento que lhe substitua. pela Súmula 74 entendeu que. . 228 não se encontra entre aqueles considerados irreformáveis. 155. a exemplo da carteira de identidade. A preocupação com a maioridade penal levou o legislador constituinte a inserir no Capítulo VII de nossa Constituição Federal um artigo específico para o tema em estudo. não tem o condão de convencer a sociedade. assim redigido: "Art. do art. O Superior Tribunal de Justiça. nos termos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.

processado. é estéril e objetiva. O maior de 18 anos de idade que pratica crimes e contravenções penais (infrações penais) pode ser preso. que comete atos infracionais (crimes). sendo semelhante. se o caso. participa do julgamento. em algumas situações. se necessário. não pode ser superior a 10 dias. sancionado (condenado) e. de proteção diferenciada. pode ser internado (preso). tanto que criou diversas medidas sócio-educativas que. Custodiado provisoriamente. na realidade. o menor responde ao processo. portanto. senta no banco dos réus. cumprir a medida (pena) em estabelecimentos educacionais. pode ser internado provisoriamente pelo prazo de 45 dias. sem sentença definitiva. com a ressalva de que para o maior o prazo da prisão temporária. um adolescente com 12 anos de idade (que na verdade ainda é psicologicamente uma criança). também responde pelos crimes ou contravenções penais (atos infracionais) que pratica. processado. . especializada e integral. com assistência de advogado. que vê a criança e o adolescente (menores) como pessoas em condição peculiar de desenvolvimento. se o caso. isentar os culpados de responsabilidade pelo desrespeito aos direitos e garantias fundamentais da criança e do adolescente. A discussão sobre o tema. autores de infrações penais. internação esta que não passa de uma prisão. não teve por objetivo manter a impunidade de jovens. que mata seu semelhante. cumprir pena em presídios. O menor de 18 anos de idade. para o maior. de igual modo. O Estatuto da Criança e do Adolescente. que são verdadeiros presídios. em conseqüência. necessitando. a maioridade penal já foi reduzida: Começa aos 12 anos de idade. na verdade. ao adotar a teoria da proteção integral. Assim. um menor com 12 anos de idade. condenado e. tem de indicar testemunhas de defesa. Assim. previstos na Constituição Federal. iguais àquelas aplicadas aos adultos. à prisão temporária ou preventiva.José Heitor dos Santos Promotor de Justiça no Estado de São Paulo Mestre em Direito Público Professor de Direito Processual Civil na Unip. são verdadeiras penas. no Estado de São Paulo Sócio-fundador da AREJ – Academia Riopretense de Estudos Jurídicos No Brasil.

o Estatuto da Criança e do Adolescente (art. revoltam os menores. o legislador tentou dar um tratamento diferenciado aos menores. que a maioridade penal começa aos 18 anos. começa aos 12 anos de idade. as medidas transformam-se em castigos. tão reclamada e combatida por todos. logo é forçoso concluir que a maioridade penal. 112). a sociedade. prisão albergue ou domiciliar. que pode ser a internação. são iguais ou muito semelhantes àquelas previstas no Código Penal para os adultos que são: prisão. como por exemplo o Código Penal (art. É verdade que ao criar as medidas sócio-educativas.tudo igual ao maior de 18 anos. pode ser sancionado. as medidas deveriam ser aplicadas para recuperar e reintegrar o jovem à comunidade. não recuperam . iguais as que são aplicadas aos adultos. Ao final do processo. regime semi-aberto. completamente inócuas. os maiores. a inserção em regime de semiliberdade. Nessa linha. prestação de serviços à comunidade. 228) e as leis infraconstitucionais. contudo o que acontece na prática é bem diferente. mas apenas com 12 anos de idade. pois ao serem executadas transformamse em verdadeiras penas. no Brasil. pois as medidas sócio-educativas aplicadas aos menores (adolescentes de 12 a 18 anos de idade) são verdadeiras penas. gerando a impunidade. muitos devem estar se perguntando: Mas a maioridade penal não se inicia aos 18 anos de idade? Sim e não! A Constituição Federal (art. semelhante a liberdade assistida aplicada ao menor. No processo de sua execução. ser obrigado a cumprir uma medida. ou seja. reconhecendo neles a condição peculiar de pessoas em desenvolvimento. algumas das medidas previstas no Estatuto da Criança e do adolescente (art. na verdade uma pena privativa de liberdade. 27). em estabelecimento educacional. A esta altura. nesse particular. na verdade condenado. 104) dizem que sim. Vale lembrar. em conseqüência. semelhante à inserção do menor em regime de semiliberdade. esta é a verdade. pelo prazo máximo de 3 anos. o que lamentavelmente não ocorre. Não é só. exatamente igual para menores e adultos. na verdade presídio de menores. ineficazes. e. a liberdade assistida e a prestação de serviços à comunidade. que a internação em estabelecimento educacional. igual à internação do menor.

no corte da cana-de-açúcar. O sistema é falho. cala-se. a Família. aceita. para cobrir suas falhas e faltas. mas discutir o processo de execução das medidas aplicadas aos menores. castigo. grita. a exemplo do que ocorre no sistema penitenciário adotado para os adultos. Para ilustrar. que não cumpre suas políticas sociais básicas. lavouras. mas o Estado. quantas exploradas no trabalho. quantas outras abandonadas nas ruas ou em instituições. curtumes. corrompê-los ainda mais. a Sociedade. muito provavelmente por conta destas situações.ninguém.5 milhões). carvoarias. pô-lo em funcionamento e. que têm por obrigação garantir os direitos fundamentais da criança e do adolescente (menores). buscando assim a recuperação de jovens que se envolvem em crimes. semelhante ao adotado para o maior. no campo e na cidade (cerca de 7. tolera. não exige mudanças. que é reconhecidamente falido. por omissão dos pais e da família. A sociedade. em depósitos de lixo etc. um ser em . A questão. evitando-se. que são gritantes e vergonhosas. além disso. sugere. para eles. mas ao vê-los envolvidos em crimes. não podem. vejam quantas crianças sem escola (quase três milhões) e sem saúde (milhões) por omissão do Estado. para não dizer falido. de outro lado. com esse atual processo de execução. quantas sofrendo abusos sexuais e violências domésticas por parte dos pais e da família. exigir que a maioridade penal seja reduzida. galerias de esgotos. sendo obrigadas a trabalhar em minas. não é reduzir a maioridade penal. cobra. Família e Sociedade. que não desconhece todos estes problemas. pedreiras. Poder Público. abrigo em instituições. quem está em situação irregular não é a criança ou o adolescente. portanto. que prejudicam sensivelmente os menores. aperfeiçoá-lo. Ora. por seu lado. principalmente o da execução das medidas sócioeducativas. os pais que descumprem os deveres do pátrio poder. que é completamente falho. que não exige do Poder Público a execução de políticas públicas sociais dirigidas à criança e ao adolescente. que na prática já foi reduzida. punição. matadouros. coloca-os em situação irregular e exige. corrigi-lo. internação. batedeiras de sisal. que não tem estrutura e abandona a criança. por ação dos pais e omissão do Estado. mas o menor. esperneia. O Estado.

que vivem em situação de risco por culpa não deles mas de outros que estão tentando esconder suas faltas atrás desta proposta. que. com a proposta. sequer o auxílio da família. para socorrê-los. A proposta de redução busca encobrir as falhas dos Poderes. que metade da população é composta de crianças e adolescentes. que muitas vezes não têm. contudo. já é extremamente grave. falta de educação. pois desemprego. IURI ALEX SALES E SILVA Publicado em 17 de junho de 2010 http://www. tentando. são autores de apenas 10% dos crimes praticados. da Família e da Sociedade e. além de tantos outros aspectos. o que é lamentável pois preferem atingir os mais fracos . que necessita do auxílio de todos para ser criado. educado e formado. dentre outras. Não bastasse isso. os quais.com/artigos/reducao-da-maioridade-penalfrente-ao-estatuto-da-crianca-e-do-adolescente O trabalho confronta entendimentos doutrinários demonstrando a desnecessidade da redução da maioridade penal e deixa claro que a violência juvenil deve ser combatida através de políticas públicas. a exemplo do que já ocorreu em outros países do Mundo. esquecendo-se. cumprindo ou compelindo os faltosos a cumprir com seus deveres.webartigos. das Instituições. praticado contra milhões de crianças e adolescentes. ademais. por si só. pretendem alguns reduzir a maioridade penal. não diminuirá a criminalidade. repudiamos a proposta de redução da maioridade penal. revela a falta de coragem de muitos em enfrentar o problema na sua raiz. se vingar. configurará um "crime hediondo". que. são causas que influenciam o aumento da criminalidade. o que. A imputabilidade penal aos dezoito anos é garantia individual fundamental das crianças e adolescentes . diminuir sua culpa e eliminar os problemas da criminalidade.crianças e adolescentes -. se aprovada.desenvolvimento. de outro lado. é quem vem sofrendo as conseqüências da falta de todos aqueles que de fato e de direito são os verdadeiros culpados pela sua situação de risco. porém. miséria. Por estes motivos e outros.

e não somente dos infratores. Seguramente. principalmente diante da crescente onda de violência em níveis alarmantes. diminuindo-se as garantias e tornando mais rigorosa a norma jurisdicional penal. Além do mais.ECA. reformar a Constituição Federal para reduzir a idade de imputabilidade penal significa um retrocesso. O sentimento de insegurança social em relação ao jovem infrator menor de dezoito anos surge da equivocada sensação de que nada lhe acontece quando este é o autor da infração penal.e não pode ser objeto de deliberação por proposta de emenda constitucional. quase sempre desprovido de conhecimentos científicos e pesquisas. O tema gera mais clamor quando a mídia anuncia o envolvimento de adolescentes em crimes hediondos. enquanto imposição. tema que tem ensejado as mais calorosas discussões. ilude-se a população mais vulnerável à sua influência que. sem o consentimento do afetado. pela ingenuidade das pessoas que não conseguem fazer uma análise do fato inserido num contexto socioeconômico e político. principalmente devido ao gradativo aumento da criminalidade dos jovens infratores. a noção errônea de impunidade tem se revelado como o maior obstáculo à plena efetivação do Estatuto da Criança e do Adolescente . aspectos relevantes na tomada de decisões e elaboração de políticas públicas. motivados pelo sensacionalismo dos meios de comunicação. as propostas tendem a ser políticas imediatistas. pois trata-se de cláusula pétrea. Nessa dimensão a sanção socioeducativa. tornando-se. A história revela que quando a mídia denuncia um crime praticado por sujeitos nesse período de desenvolvimento existe a tendência de um clamor por redução da maioridade. se estará obtendo como resultado uma redução dos delitos praticados por menores. somente podendo ser alterada por nova Assembléia Constituinte. Nesses momentos que excedem os limites razoáveis ou verdadeiros. Vale lembrar que o ECA que tem sido alvo de discussão é uma medida de direitos e deveres de todas as crianças e adolescentes. tem evidente natureza de penalidade. Daí a crença de . Aborda a redução da maioridade penal. um campo fértil para debates dos mais variados vieses. impulsionadas pelo calor dos acontecimentos. assim. e é inegável que o mesmo construiu um novo modelo de responsabilização do adolescente infrator. Desse modo.

notadamente. a ação deste pequeno grupo tem grande visibilidade. O adolescente presencia hoje um mundo sem definições políticas claras. a escolha do tema pelas acaloradas discussões acerca da redução da maioridade penal. hoje fixada em 18 anos.que é necessário reduzir a idade de imputabilidade penal para responsabilizar os menores infratores. Assim. Para isso. Não se pode perder de vista. Reformar a Constituição Federal para reduzir a idade de imputabilidade penal. transformações físicas. dúvidas. ansiedades. ao contrário do que muitos pensam. e essas mudanças ocorrem muito rapidamente. precisa aprender a lidar e relacionar-se consigo mesmo. consequentemente. prevê que o menor que praticar algum ato infracional seja punido com medidas socioeducativas visando a sua reeducação e reintegração à sociedade. e emergem novas necessidades. mesmo conservando-se a imputabilidade penal aos dezoito anos. eram completamente desconhecidos. É uma fase de novas emoções. mostrando que essa medida em nada contribuirá para a redução da criminalidade. não há no ECA um sistema de impunidade. em sua construção da identidade pessoal. no presente estudo. É bom destacar que se está falando de menos de um por cento da população infanto-juvenil do Brasil. se comparados os números daqueles adolescentes incluídos em medidas socioeducativas (de privação de liberdade e de meio aberto) com o conjunto da população com menos de dezoito anos. inclusive. que o adolescente é um sujeito que está vivenciando uma etapa muito significativa de sua existência. um contexto econômico que priva grande parte desses jovens das necessidades básicas de sobrevivência e sem referências para suas identificações tão necessárias. sensações e sentimentos que. Justifica-se. o Estatuto da Criança e do Adolescente. O objetivo deste estudo é demonstrar a inutilidade da redução da maioridade penal para 16 anos. Os defensores de tal . É um período em que surgem questionamentos. Embora o número de adolescentes autores de ato infracional seja percentualmente insignificante em face do conjunto da população infanto-juvenil brasileira. com a família e com a sociedade por causa dessas mudanças. É preciso compreender o contexto social. antes. significa um retrocesso. sente emoções diferentes e. cultural. político e econômico que influencia nas características psicológicas e. A questão da adolescência e a violência no mundo de hoje não pode ser analisada como fenômeno isolado. fica evidente que.

Pereira Origem: Wikipédia. Hobbes em seguida define o direito natural como a liberdade que cada homem possui de usar os meios que considerar necessários para a preservação da própria vida. de onde surgiria uma competição e desconfiança constantes entre os homens (uma vez que toda vez que dois homens visassem o mesmo bem incompartilhável eles se tornariam inimigos). uma vez que. na verdade não configuraria direito algum. o que tornaria o estado de natureza um estado de guerra. que as pequenas diferenças seriam compensadas por outros fatores e nenhum homem poderia ser considerado naturalmente superior. mas esse direito natural. Assim. no estado de natureza. por isso pleiteiam a redução para 16 anos. arrastam consigo boa parte da opinião pública. a enciclopédia livre. que se deixa levar pela efervescência momentânea do debate e acaba vendo nessa medida a panaceia para todos os males referentes à violência em que estamos imersos. Junqueira de A.medida alegam que a vigência do Estatuto da Criança e do Adolescente não está conseguindo atingir seus objetivos através de medidas socioeducativas. A filosofia política de Hobbes parte do pressuposto. exatamente por ser ilimitado. de que os homens seriam tão iguais quanto às características físicas e do espírito. os homens. naturalmente autorizado(2). empiricamente verificável. com o objetivo de garantir a própria conservação atacariam por antecipação (acreditando ser essa a maneira mais eficaz de se proteger). Tal situação impediria a segurança e a paz. a natureza dissociaria os homens (1). já que diante da insegurança e da desconfiança que marcam este estado. Em suas invecções. O Leviatã e a questão da redução da maioridade penal Thomaz H. todos os homens têm direito ilimitado a todas as coisas. não havendo um limite natural ou um limite político (poder político capaz de impor regras de comportamento a serem respeitadas) decorreria que. . o que seria. portanto.

cabendo à razão. sendo a guerra não apenas o momento do conflito. Assim. mas a situação instável que lhe antecede em que a qualquer momento pode ter início o combate. fruto da escolha. a alternativa da guerra quando a vida está ameaçada. no entanto. O homem é guiado por suas paixões e sua razão. sendo tudo o mais meio para atingir este fim egoístico. e não de um instinto natural de buscar a companhia do outro. mas visar sempre seu próprio benefício. Interessante notar que em Hobbes a paz é definida negativamente pela ausência de guerra. que levaria os homens da competição à disputa e da disputa à guerra de todos contra todos. não descartando. aliado ao fato de não haver um poder político para impor limites à ação humana. e essa iminência do ataque e a desconfiança permanente é que caracterizariam o estado de natureza. apesar de ser certamente a mais segura poderia. E é exatamente por visar ao benefício próprio. Hobbes afirma que o que é natural ao homem não é viver em comunidade. por sua vez. Dessa forma. seria do medo generalizado que os homens sentem no estado de natureza.Alem disso. desejando o poder para poder atender a seus desejos. gerada. que proviria a sociedade civil. Isto porque não sendo a vida em sociedade algo natural. A regra fundamental da razão determina a preservação da vida e a manutenção da paz. por os homens esperarem obter com isso algum proveito(3). conforme a situação ser preterida pela dominação e pela guerra como meio para a realização de seu fim. tal opção. tratando da natureza humana. ditar as regras que devem ser seguidas para que tal objetivo se concretize. o medo da morte violenta e a esperança de uma vida melhor seriam as paixões que encaminhariam os homens à instituição de um poder político visando sair da situação de insegurança que caracteriza o estado de natureza. segundo Hobbes. . mas produto da vontade humana.

como todos os homens(5).Uma segunda regra da razão determinaria que os homens renunciassem ao seu direito natural a todas as coisas. sendo absoluto o poder do soberano. com freqüência desobedecem as leis da razão quando vêem nisso a possibilidade de atingirem um bem maior (de acordo com seu instinto de buscar sempre o benefício próprio). deve ser cumprida de fato para que a paz possa efetivamente ser viável. no entanto. guiados pelo princípio do benefício próprio. Assim. Tal renúncia. o que é possibilitada por uma terceira regra da razão: a de que os pactos celebrados devem ser cumpridos. um consenso natural e. porém. que o soberano. o que atende incidentalmente aos interesses de todos os seus súditos. no entanto. sendo essencial para a vida política a criação de uma pessoa civil e de uma única vontade criando o Leviatã com vistas a própria conservação. pois não havendo limitação natural ao direito humano e sendo toda limitação política fruto da vontade do soberano seria ilógico haver uma limitação a sua vontade. e sendo ele. surgindo. guiado pelo princípio do benefício próprio. uma vez que o bem de um homem e o bem de outro homem são incompatíveis(4). não está. o poder soberano. do pacto social. desde que todos os outros também o façam. os homens descumprem com muita facilidade os acordos. Tal vontade . portanto. dessa forma. que não se tornam obrigatórios senão sob ameaça de punição. é necessário um poder coercitivo que transforme as leis de natureza em leis de fato (que obrigam os homens in foro externo). . por ver na manutenção da paz condição para que se mantenha no poder. aja no sentido de garantir a estabilidade e a segurança. sujeita a nenhum tipo de limitação. uma vez que a paz só seria possível por meio da contenção do direito de natureza o que se daria para Hobbes por meio de um pacto. através do pacto social todos submetem suas vontades à vontade de um representante e suas decisões à sua decisão. não há. Os homens. no entanto. Espera-se.

não sendo instrumental para a obtenção da pacificação social. também é verdade que o mal mais longínquo pouco influí nas decisões diárias de alguém confrontado diariamente com a possibilidade real de ser vítima de alguma violência. à perniciosas influências que poderiam inclusive piorar a situação. qual seja. enganosa. se o Estado é meio para a obtenção do fim maior que é a paz. dificulta. no sentido de que se ela é meio para a obtenção da pacificação social e não havendo nenhuma limitação natural ao poder soberano. tal medida não seria não só possível. à primeira vista a questão da redução da maioridade penal. Concluí-se que. a redução da maioridade penal . a de que a redução da maioridade penal e a conseqüência inclusão das crianças e adolescentes infratores na vala comum de nosso sistema presidiário seria benéfico para a sociedade. uma vez que parte de uma premissa falsa. uma vez que estudos estatísticos já apontaram que tal previsão abstrata não cumpre sua função intimidadora. pois se é verdade que o homem tende a optar pelo bem mais próximo pelo bem mais longínquo. uma vez que os homens por serem guiados pelo princípio do benefício próprio tenderiam a desobedecerem às leis da razão quando estas os contrariassem caso não existisse um poder coator (6). é evidente a relação de todo o exposto com a questão da redução da maioridade penal. que por ainda estarem em fase de formação de caráter são mais facilmente influenciáveis em um sistema penitenciário inadequado às suas necessidades e incapaz de se beneficiar dessa influenciabilidade para obter a ressocialização. mas desejável.A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL Sendo essencial ao Estado o poder de punir os infratores (condição sine qua non para que a sociedade civil se estabeleça). Isso é falso pois: 1-) Tal medida não diminuiria a criminalidade por meio do medo. expondo-o pelo contrário. no entanto. Assim. e indo. 2-) A inclusão de crianças e adolescentes. seria facilmente solucionada. Tal conclusão é. interesse principal de todos os seres humanos. se não impossibilita que o infrator seja ressocializado. contra este próprio fim. fim maior que deveria guiar todas as condutas estatais. pelo contrário.

. uma vez que agem preventivamente apenas para defender suas vidas. seja diretamente pelos abusos daqueles que agem em seu nome. para que os homens tendem naturalmente a desejar o mesmo bem (a eudaimonia) que se identifica com a realização de sua essência. Notas (1) Hobbes se contrapõe diretamente a Aristóteles para quem o homem seria um animal político (zoon politikon) que tende naturalmente a viver em sociedade. não sendo a polis fruto de uma decisão (como em Hobbes). possível somente na vida em comunidade. Assim. não quer dizer que os homens são maus por natureza. que. seja indiretamente pela fome. conforme posicionamento seu exarado quando da argüição do Professor José Reinaldo de Lima Lopes em concurso de Livre-Docência na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. se prestando a servir de veículo para atender a esse tipo de desejos fragilizaria suas próprias bases ao conspirar contra a paz social. apesar de completamente coerente com os desejos irracionais de vingança. mas sim fruto de uma tendência natural que se inicia na união de um homem com uma mulher e passando pela família e pela aldeia termina na cidade. a redução da maioridade penal iria contra os próprios objetivos do Estado. (3) Segundo o Professor Tércio Sampaio Ferraz Junior o pacto Hobbesiano surgiria não do medo.contrariaria a própria racionalidade que pauta as decisões políticas. não é um homem essencialmente superior aos outros. no dia 2 de dezembro de 2003. (2) Isto. mas da necessidade. ao contrário do que Russeau acusa Hobbes de afirmar. para Hobbes. a qual. (4) Nesse aspecto Hobbes difere de Aristóteles. (5) De suma importância notar que o soberano. só pode ser efetivamente alcançada através de políticas públicas de inclusão e socialização que coíbam a violência que recai diariamente sobre grande parcela da população devido a ação estatal.

O editor foi Andrew Crooke. que foi escrito durante a Guerra Civil Inglesa. a Inveja. parceiro da Andrew Crooke e William Cooke. No livro. capítulo 41. Uma nota explicativa revela uma primeira definição: "monstro que se representa sob a forma de crocodilo. Não se deve perder de vista que nas diversas descrições no Antigo Testamento ele é caracterizado sob diferentes formas. Há referências. é um livro escrito por Thomas Hobbes e publicado em 1651. também sendo tratado com um dos sete príncipes infernais.só poderia ser evitado por um governo central forte. O livro diz respeito à estrutura da sociedade e do governo legítimo. e é considerado como um dos exemplos mais antigos e mais influentes da teoria do contrato social (1). O Leviatã é uma criatura mitológica. ao longo de toda a história. Thomas Hobbes defende um contrato social e o governo de um soberano absoluto. Leviatã ou Matéria. JOSÉ SAULO RAMOS .(6) Assim. uma vez que funde-se com outros animais. 1957: 614). serpente e polvo (semelhante ao Krakken) também são bastante comuns. segundo a mitologia fenícia" (Velho Testamento. Muitas vezes. bastante comum no imaginário dos navegantes europeus da Idade Moderna. é considerada uma das obras mais influentes já escritas do pensamento político. Ele é intitulado em referência ao Leviatã bíblico. as leis de natureza só se tornariam leis quando ordenadas pelo Estado e transformadas em leis civis.situações identificadas como um estado de natureza e pelo famoso lema Bellum omnium contra omnes (guerra de todos contra todos) . a imagem do "Leviatã" é retratada pela primeira vez no Livro de Jó. geralmente de grandes proporções. como o demônio representante do quinto pecado. Formas como a de dragão marinho. Foi considerado pela Igreja Católica durante a Idade Média. Sua descrição na referida passagem é breve. sendo um caso recente o do Monstro do Lago Ness. contudo. Forma e Poder de um Estado Eclesiástico e Civil. comumente chamado de Leviatã. Hobbes escreveu que o caos ou a guerra civil . No Antigo Testamento.

O Presidente Lula declarou que estão querendo prender até o feto. em São Paulo. Entre nós. Enquanto menor. Muitos discursos. mas para a educação. sim. Páginas 325 e 326 "Nem tudo. Suas vítimas ficarão mortas para sempre. é diferenciada. nada! A educação no Brasil é considerada da pior qualidade. Professor honoris causa pela FMU Faculdades Metropolitanas Unidas Livro: Código da Vida Editora Planeta do Brasil. O resto do universo fixou a responsabilidade penal abaixo dos dezesseis anos. Colômbia e Peru. O que fez para evitar que eles crescessem modelados pelo diabo? (Somente três países no mundo mantém esta velharia de maioridade penal aos dezoito anos: Brasil. diante da realidade atual cientificamente comprovada: o jovem acima de dez anos distingue perfeitamente entre o bem e o mal. torturou a língua portuguesa. Transforma-se em preso alfabetizado. a maioria aos dez. lembrei-me de que o surto de criminosos adolescentes aumentou precisamente no seu governo. em instituições educacionais. quando se discute baixar a responsabilidade penal para dezesseis anos. Akitero Nagao foi morto a tiros por um garoto de dezessete anos na Freguesia do Ó.Jurista e escritor brasileiro. no debate jurídico. E o fizeram racionalmente. é engraçado. de dezesseis anos. Se menores de dezoito anos. . comentando o caso do menino João Hélio Fernandes. mas fica longe da rua até o final da pena). Todos os dias aumenta o número de jovens envolvidos em crimes bárbaros. foi estuprada e assassinada por uma gangue chefiada por um adolescente de dezesseis anos. passarão apenas três internados na mentirinha socioeducativa. Quando Lula. Ao atingir a maioridade é transferido para a penitenciária. sem emoção. Ele não pode esquecer que esses garotos de dezesseis e dezessete anos tinham apenas dez e onze quando ele chegou a presidente. 2007. professores ganhando miséria. isto é. Liana Friedenbach. defendeu para os menores de dezoito anos a prerrogativa de matar. O cumprimento da pena. conhecido como Champinha. dizem que não se deve legislar sob emoção.

métodos de ensino em plena desordem. um pouco mais do que o título de eleitor.escolas sem infra-estrutura." . Que pena. Cidadania pode ser uma palavra sonora no discurso demagógico. mas somente passa a existir quando seu conteúdo for a educação plena.