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AULA 02 – DIREITO CONSTITUCIONAL – PROF.

MARCELO NOVELINO 1 de fevereiro de 2012

MATÉRIA

Estávamos tratando do constitucionalismo contemporâneo, amálgama das experiências americana e francesa. Faltou a análise do modelo de Estado que corresponde ao constitucionalismo contemporâneo.

Estado Democrático de Direito Autores neoconstitucionalistas estão utilizando como sinônimo “Estado Constitucional Democrático”. Portanto, para nós as expressões “Estado Democrático de Direito” e “Estado Constitucional Democrático” são sinônimos. As características que veremos, vale para ambas as denominações, trata-se mais de questão de nomenclatura. A preferência pela segunda expressão, todavia, é se dá, em razão de que a ideia de Estado de Direito está relacionada à ideia de império da lei. Assim, as experiências constitucionais da Europa nesta forma de Estado, formaram-se sobre a égide de império da lei. Com o neoconstitucionalismo, a ideia de império da lei é substituída pela ideia de supremacia e normatividade da Constituição. O objetivo principal desta nomenclatura é apresentar ideia condizente com a Constituição considerada como norma suprema, de caráter normativa. É a forma que a doutrina encontrou para destacar essas características. O Estado Democrático de Direito é tentativa de sintetizar as conquistas e superar as deficiências dos modelos anteriores. Vamos analisar as características do Estado Democrático de Direito. Estado de Direito e Constituição acabam por se confundir. Assim, toda vez que nos referirmos ao Estado de Direito, estas características serão também características do Constitucionalismo. Não há como dissociar uma coisa da outra. Não há como ter um Estado Social, num modelo Liberal. A primeira característica é a universalização do sufrágio e ampliação dos mecanismos de participação democrática direta. Vejamos, há correlação com o Estado Democrático de Direito (ou Estado Constitucional de Direito). A participação ativa popular é elevada a grau supremo de importância. O sufrágio ganhou um grau de universalização que a ampliação deste direito, em termos formais, é praticamente impossível, pois a todos é garantido o direito de participação popular. Os mecanismos de democracia direta correspondem ao plebiscito, ao referendo, à iniciativa popular de lei (exercido recentemente na Lei da Ficha Limpa), a ação popular (embora não seja novidade, pois existente deste o direito romano). Há, em alguns países, o denominado recall, entendido como (previsto na Constituição venezuelana, no art. 223, por exemplo) que consiste na consulta feita a governante para averiguar a permanência ou não do governante no poder. Outra característica é a ampliação do conceito de democracia, do aspecto meramente formal, para uma dimensão também material. Por dimensão formal (ou clássica) de democracia, devemos compreender a premissa majoritária, qual seja, a vontade da maioria. Em Estado Democrático, em regra, deve prevalecer a vontade da maioria. Entretanto, existem certas regras substancialmente limitativas da democrática sob o aspecto formal, que residem nos direitos fundamentais. Isto é, a democracia em sentido material pressupõe o respeito aos direitos fundamentais

RICARDO S. TORQUES

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ADO. Anteriormente. Atualmente. ADPF. preocupa-se também com o aspecto material de tais direitos. como o Brasil. A quarta característica é a limitação do Poder Legislativo passa a abranger também o conteúdo das leis e as hipóteses de omissões inconstitucionais. como os EUA. se fala em supremacia da Constituição. não vinculando o legislador. que jurídico. PÓS-POSITIVISMO e NEOCONSTITUCIONALISMO Vamos começar de uma visão mais ampla para. como norma suprema.ADI. Com isso. veremos adiante. TORQUES 2 . o primeiro texto a consagrar expressamente a inconstitucionalidade da omissão a mandamento constitucional. As vias de debate devem estar abertas para que a posição. seja quanto ao respeito aos aspectos materiais. Nenhuma outra Constituição no mundo possui tantos instrumentos de controle concentrado de constitucionalidade. a Constituição determina o modo de produção do direito. hoje. pela primeira vez se mencionou o controle de omissão inconstitucional. futuramente majoritária. que envolve o controle de constitucionalidade feito pelo Poder Judiciário. compreendido pelo conteúdo das leis. Em relação ao controle das omissões constitucionais. que nos interessa em particular. Na Constituição Iugoslava. o legislador está vinculado. seja ele difuso – feito por qualquer juiz ou tribunal (sistema norte americano) –. ADI por Omissão. Por exemplo. Pela Teoria Pura do Direito. essa supremacia é principalmente formal. Hoje. Não só no Brasil possuímos uma jurisdição constitucional. hoje. que continua presente. Atualmente. a igualdade. basta a análise da teoria kelseniana. seja ele concentrado por meio das ações concentradas de controle . A grande preocupação. Já a dimensão material dos direitos fundamentais. além desse aspecto. No Brasil. em 1974. o controle anterior era somente por via de ação. Este era visto como amigo do direito. Vamos analisar duas visões diferentes entre pospositivo e neoconstitucionalismo. há o aspecto material. Na época das revoluções liberais assegurava-se apenas os aspectos formais. ou seja. ADC. das minorias. Em alguns países. até houvera controle por omissão. minoritária possa se tornar. as formalidades que o legislador terá que observar. ao final. inclusive. RICARDO S. Antes não acontecia isso. última característica é o surgimento de uma jurisdição constitucional para assegurar a supremacia da Constituição e a proteção efetiva dos direitos fundamentais. temos a Ação Declaratória de Inconstitucionalidade por Omissão – ADO – e o mandado de injunção – MI – para fazer frente às omissões inconstitucionais. A terceira característica é a preocupação com a efetividade e com a dimensão material dos direitos fundamentais. seja quanto à forma. Por fim. Pretende-se a implementação efetiva dos direitos fundamentais. tratar de questão específica: do direito constitucional. finalizamos a evolução histórica do constitucionalismo. as Constituições possuíam caráter mais político. Entretanto.AULA 02 – DIREITO CONSTITUCIONAL – PROF. é fazer com que esses direitos saiam do papel e venham à vida real. MARCELO NOVELINO 1 de fevereiro de 2012 de todos. A mesma regra valerá para a liberdade. não como inimigo do direito. Os direitos fundamentais atingiram um grau de concretização satisfatório. de Kelsen. mas também material. Este último (MI) é instituto eminentemente brasileiro. atual. mas foi naquele país. de raízes nacionais. Os direitos fundamentais vinculam ao legislador. não é meramente formal. que deixem de ter mera efetividade jurídica e passem a ter efetividade prática.

depois veio o juspositivismo no extremo oposto. Para essa concepção. filosóficas se circunscrevem a outros ramos. o termo neoconstitucionalismo passou a ser utilizado no lugar de pós-positivismo. o pós-positivistas surgem como via intermediária. que se caracteriza por excluir (retirar) qualquer possibilidade de se incorporar argumentos morais ao direito. porque mais atual. Pós-positivismo Pós-positivismo é concepção filosófica do direito. Este é o entendimento de Luiz Roberto Barroso. o termo pós-positivismo teria sido utilizado inicialmente (introduzido no Brasil por Paulo Bonavides). Por isso. Para o positivismo jurídico. com este fenômeno de aplicação do direito. Aspecto do pós-positivismo É pela análise do principal aspecto do pós-positivismo que poderemos traçar os contornos desta concepção filosófica. Inicialmente. aceita uma relação entre direito e moral. embora na prática sejam sinônimos. a utilizar este último termo. Caracteriza-se por incorporar argumentos morais. e 2. positivismo jurídico inclusivo – é uma concepção mais tênue. argumentos morais não podem entrar no debate jurídico. mas em outros países (sobretudo Portugal. É a posição de Antônio Mayer. frisemos que o pós-positivismo é uma terceira via entre o jusnaturalismo e o juspositivismo. Esta concepção é menos radical. aproximando-se do pós-positivismo. alternativa de equilíbrio entre ambos. a relação entre direito e moral não é via necessária. em razão. se o direito incorporar RICARDO S. Passamos. Com Herbert Hart sugere uma divisão do positivismo jurídico entre duas concepções: 1. Para compreender a relação entre direito e moral no pós-positivismo vamos analisar as vias anteriores.AULA 02 – DIREITO CONSTITUCIONAL – PROF. Não satisfeito com extremos. qual seja: a relação entre direito e moral. portanto. apenas possível. Estes conceitos são considerados extremos. A dogmática preocupa-se. MARCELO NOVELINO 1 de fevereiro de 2012 Visões a respeito das duas concepções Para uma primeira visão. não ao direito. Deve ser entendido com uma meta-teoria. que Kelsen escreve a Teoria Pura do Direito. TORQUES 3 . questões morais. Espanha e Itália) falaram em neoconstitucionalismo. positivismo jurídico exclusivo. a concepção pós-positivista do direito nada mais é do que Teoria do Direito. Para o referido autor. dentro da filosofia do direito (vige o que se entende por princípio da autonomia). ou seja. o pós-positivismo é o marco filosófico do neoconstitucionalismo. Direito e moral são esferas distintas que não se intercomunicam. Para uma segunda visão. O primeiro deles foi o jusnaturalismo. Assim. uma teoria sobre a Teoria do Direito. A dogmática jurídica busca estabelecer critérios racionais para que as decisões jurídicas não sejam decorrentes do puro arbítrio. embora tal inclusão não seja necessária.

este é o caráter prescritivo. ou seja. mas vamos tratas de apenas duas. porque. as mais comentadas. diferencia-se da concepção positivista. Se o direito não corresponder exatamente à moral (se for injusto) ele não poderá ser considerado direito. Sustenta que os defeitos morais sempre têm como efeito a perda da validade jurídica. MARCELO NOVELINO 1 de fevereiro de 2012 expressamente valores morais. essa TESE FRACA é o que corresponde ao PÓS-POSITIVISMO. não como uma filosofia do direito. conceito eminentemente moral aceito pelo direito. Diante das considerações acima. Ainda que injusto (mas não extremamente) continuará válido.AULA 02 – DIREITO CONSTITUCIONAL – PROF. Nós denominamos essa corrente de jusnaturalismo. os neoconstitucionalistas devem não apenas dizer como o direito é. tal como o art. Desenvolveu-se pela Fórmula de Radbruch. Isso é denominado de Neoconstitucionalismo Metodológico. Não é qualquer defeito moral que invalida a lei. ou seja. ainda que injusta. a descrição do direito como ele é. III. Os não-positivistas dividem-se em duas correntes: 1. mas como ele deve ser. insuficientes para dar conta das complexidades que envolvem o novo modelo. Se a Constituição não consagrasse. possui peso maior a segurança jurídica. Na Segunda Guerra Mundial. O Estado alemão entendeu terem o direito estas pessoas. 2. mas no primeiro plano de análise da Teoria do Direito. que trata expressamente da dignidade da pessoa. os alemães tiveram os seus bens confiscados pelo Estado. sendo desconsiderado o texto constitucional e atribuindo-se a indenização a tais pessoas. A validade jurídica depende da conformação com os valores morais. não seria necessário garantir este princípio. O caráter descritivo significa descrever as mudanças RICARDO S. Após a Guerra. Uma delas é o Neoconstitucionalismo Teórico. que se desenvolveu na Alemanha. É a defendida por Robert Alexy. Somente deixará de prevalecer quando atingir um nível insuportável de injustiça. TORQUES 4 . não são esferas independentes. Esta fórmula afirma que o direito extremamente injusto não é direito. Por tanto. desenvolvida no pós-Segunda Guerra Mundial. de acordo com esta concepção do positivismo. este direito foi extremamente injusto. tese fraca (não-positivismo inclusivo). tese forte (não-positivismo exclusivo). Neoconstitucionalismo Este termo possui várias acepções diferentes. somente haverá invalidação quando o defeito for extremo. deverá ser invalidade. não estando no segundo plano. o Neoconstitucionalismo como uma Teoria do Direito. A premissa da qual parte Neoconstitucionalismo Teórico é que as transformações no modelo de Constituição e de Estado tornaram as teorias juspositivistas tradicionais. de acordo com a qual a teoria do direito deve ter um caráter meramente descritivo (conforme o princípio da neutralidade). por não estar expresso. Ainda que sejam esferas autônomas. 1º. Um exemplo concreto. pois se intercomunicam. ou Pós-positivismo metodológico. principal teórico do pós-positivismo. qual dos dois princípios terá peso maior? Pela tese fraca. cidadãos judeus entraram na justiça para pleitear indenizações por conta do confisco. embora previsto na Constituição alemã. Geralmente se fala em quatro acepções. pergunta-se: numa ponderação entre segurança jurídica ‘versus’ princípio da justiça. O positivismo jurídico defende que o direito é descritivo. Assim. da CF. As duas teorias não positivistas entendem que há uma relação necessária entre o direito e a moral. Contudo. se denomina não-positivista. A Teoria do Neoconstitucionalismo possui caráter descritivo e prescritivo. A outra é o Neoconstitucionalismo Metodológico.

São três os aspectos principais da constitucionalização do direito:  consagração de um grande número de normas de outros ramos do direito nas constituições. hoje no Congresso Nacional é possível que partido de minoria. seja regra – todo o conteúdo possui caráter normativo. Já pelo caráter prescritivo. às relações interprivadas. denominada de Força Normativa da Constituição. Após o final da Segunda Guerra Mundial. pelo constitucionalismo contemporâneo.   Estes três aspectos identificam a constitucionalização do direito ligada à centralidade da Constituição. Vamos. Hoje vincula não só no aspecto formal – produção das leis – mas também em relação conteúdo dessas leis. Ele possui obra clássica.AULA 02 – DIREITO CONSTITUCIONAL – PROF. que se espraiou para vários ramos jurídicos. agora. Entretanto. MARCELO NOVELINO 1 de fevereiro de 2012 ocorridas no modelo de Constituição e de Estado. como ocorre no direito norte-americano. Portanto. o direito infraconstitucional é interpretado à luz da Constituição. A terceira característica é a rematerialização das Constituições. quando ao ASPECTO DESCRITIVO do neoconstitucionalismo. porém. Significa a aplicação dos direitos fundamentas às relações entre particulares. tente na esfera jurídica o que ele RICARDO S. TORQUES 5 . os direitos fundamentais eram oponíveis contra o Estado. interpretação conforme a Constituição. A quarta característica é a centralidade da Constituição e dos direitos fundamentais. publicada em 1959. exceto o preâmbulo constitucional. Tanto é que hoje se fala em judicialização das relações políticas e sociais. A segunda característica corresponde à superioridade formal e material da Constituição. em princípio. a Constituição não seria mais um documento de natureza política. recentemente pelo STF. O Judiciário passou a tratar de temas que até então não eram levados até ele. que passaram a ser prolixas. Ao se pegar uma Constituição – seja princípio. O fortalecimento decorre do fato de que ao Poder Judiciário prefere a decisão final. Por exemplo. relacionados com o modelo contemporâneo. analisar o neoconstitucionalismo como um MODELO DE ESTADO E DE CONSTITUIÇÃO. este tipo de interpretação foi utilizada na resolução da questão na unidade homoafetiva. eficácia horizontal dos direitos fundamentais. caso perca o debate na esfera política. poderiam estar consagradas nas leis. ou seja. ou seja. presente no neoconstitucionalismo. Um dos principais autores que contribuíram para este pensamento foi Konrad Hesse. Vimos. A quinta característica é o fortalecimento do Poder Judiciário. É a questão que vimos de que as Constituições eram vistas como vinculantes apenas no aspecto formal. um modelo de Estado. Originariamente. diretrizes e direitos fundamentais. A primeira característica é o reconhecimento definitivo da força normativa da Constituição. como veremos adiante. Naquela época os direitos fundamentais tinham como destinatário certo e único o Estado. analisaremos essas características de forma mais detalhada. são vinculantes no que diz respeito ao aspecto material. Aqui no Brasil entendemos essa centralidade por constitucionalização do direito. Não é apenas o fato de que a Constituição consagra diversas normas de outros ramos. conforme a constituição. os quais serão aplicados aqui. São transformações que ocorreram no modelo de Constituição e de Estado. postulam-se mecanismos aptos para operar um novo modelo. mas a interpretação das leis será à luz da Constituição. mas estabelecendo diretrizes que. com vários artigos. no direito contemporâneo vislumbra-se eficácia horizontal aos direitos fundamentais de forma que estes direitos aplicam-se. mas documento de cunho jurídico. não apenas estabelecendo diretrizes. também. Por exemplo.

Aquele (princípio) era uma espécie de conselho. A principal mudança em relação à Teoria das Fontes é a substituição do legiscentrismo juspositivista pela centralidade da Constituição. MARCELO NOVELINO 1 de fevereiro de 2012 perdeu politicamente. além da subsunção. em última instância. mas como MODELO TEÓRICO. Para este autor. agora vamos ver alguns ASPECTOS PRESCRITIVOS. E o estudo da conformação entre o que a constituição diz e o processo de poder pelos governantes. Teoria da Interpretação. A norma: obrigatória e vinculante1. a Constituição é classificável em três espécies. defendida por Karl Lowestein. não vinculante.ADI.AULA 02 – DIREITO CONSTITUCIONAL – PROF. O critério adotado pelo autor é a concordância das normas constitucionais com a realidade do processo de poder. Hoje. CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES Dentre as classificações. Os capitaneadores desta ideia foram Roanald Doworkin e Roberto Alexy. Em relação à Teoria das Normas. A Constituição assume o centro do ordenamento do direito. nas quais muitas vezes as minorias se valem do STF para conseguir instaurá-las. por meio da proposição de ações direta de inconstitucionalidade . utiliza-se a ponderação. Havia distinção. Teoria das Normas. São três classificações: 1ª espécie: constituição semântica: utilizada pelos dominadores de fato. pelo juspositivismo. temos duas espécies: princípios e regras. o Poder Judiciário está presente para tratar de questões sociais. O STF está na mídia a todo instante. O neoconstitucionalismo teórico contrapõe-se ao positivismo teórico tradicional (século XIX). Vamos analisar essas teorias pontualmente. e 3. entre princípios e normas. 2. a principal alteração sugerida refere à relação entre princípio e norma. TORQUES 6 . Mas. Além das relações políticas. Essas teorias são consideradas adequadas lidar com essas alterações que vimos acima. A teoria positivista do século XIX previa apenas a subsunção como forma de aplicação do direito. como. Teoria das Fontes do Direito. Na Teoria da Interpretação houve a substituição do formalismo interpretativo (juiz como boca da lei) e a ideia de subsunção são substituídos por procedimentos com a argumentação jurídica e com a ponderação. Vimos os aspectos descritivos. por exemplo. visando sua perpetuação no poder. RICARDO S. como fundamento intermediário. Tudo acaba sendo resolvido. recomenda-se a leitura do capítulo: “Dos princípios gerais do direito aos princípios constitucionais”. Isto é estatisticamente comprovado pelo STF. Curso de Direito Constitucional Positivo. do livro do Prof. como a questão dos medicamentos. a Constituição cubana de 1952 e a Constituição brasileira de 1967/1969. no Poder Judiciário. É uma constituição o que é 1 Sobre o assunto. não mais relacionados ao neoconstitucionalismo como modelo de Estado. José Afonso da Silva. sendo aprofundadas ao decorrer do curso. vamos analisar com detalhes a classificação ontológica da Constituição. Vejamos as Teorias do Direito: 1. diretriz. O mesmo ocorre com as Comissões Parlamentares de Inquérito – CPIs e as suas instaurações. a norma que é considerada gênero.

sob o ponto de vista jurídico. carecendo de força normativa adequada. Para os concursos públicos. as constituições outorgadas são constituições semânticas. TORQUES 7 . a Constituição brasileira é considerada normativa pela doutrina majoritária (por todos Pedro Lenza). Embora haja divergência. inclusive em relação aos direitos fundamentais. a Constituição alemã de 1949. com o desenvolvimento econômico pelo que passamos nos últimos anos. Ela é normativa porque o poder se conforma inteiramente com a Constituição. 2ª espécie: constituição nominal: apesar de válida. RICARDO S. Lei Fundamental de Bonn. Por exemplo. Ela pretende ser normativa (porque toda Constituição pretende ser normativa) mas não consegue porque os pressupostos sociais e econômicos não permitem.AULA 02 – DIREITO CONSTITUCIONAL – PROF. impedido por dois fatores: pressupostos sociais e econômicos. não consegue conformar o processo político às suas normas. Juridicamente ela é válida. Em geral. MARCELO NOVELINO 1 de fevereiro de 2012 feita não para limitar o poder do governante mais para perpetuar o poder. Nossa Constituição Federal é normativa. por todos os seus aspectos. 3ª espécie: constituição normativa: as normas constitucionais efetivamente dominam o processo político. embora o cominho esteja sendo trilhado. só que a Constituição não possui a força normativa adequada para conformar a realidade. tornando-se normativa paulatinamente. porque os recursos que o Estado possui não são suficientes para tornar a Constituição normativa. a maioria da doutrina entende pela normatividade de nossa Constituição. Como exemplo de constituição nominal é a Constituição de Weimar.

É de grande importância. podendo-se citar. c) Do efeito integrador. b) O privilégio resultante da imunidade de execução inibe a justiça brasileira de exercer jurisdição nos processos de conhecimento instaurados contra Estados estrangeiros. as quais buscam a operacionalização imediata das condutas sociais. a) Pode-se diferenciar o regime monárquico do republicano. diferenciando-se. QUESTÃO 03 – A respeito dos princípios fundamentais previstos na Constituição Federal. d) Da justeza ou da conformidade funcional. c) A invocação da proteção de Deus. no Brasil. pois. quer ao longo dos tempos. cuja reprodução seja obrigatória nas constituições estaduais. pois. assinale a alternativa correta. de 1789. c) O Estado Legislativo. basicamente. como exemplo. apresentam-se como autonomia regional. tem-se a dignidade da pessoa humana como princípio de hierarquia supraconstitucional. quer geograficamente. sob a forma federativa. qual é o princípio que estabelece que a interpretação constitucional deve ser realizada de maneira a evitar contradição entre suas normas? a) Da máxima efetividade. em face da necessária interpretação de sua colisão somente consigo própria. presente no preâmbulo da Constituição Federal. assinale a opção correta. b) Da unidade da constituição. pois não possui força normativa. imune. nos Estados Unidos da América. das regras. QUESTÃO 02 – Os princípios são os responsáveis pelo direcionamento da conduta dos agentes. percebem-se diferenças até mesmo geográficas na diferenciação dos dois regimes. sobressaindo a característica da eleição direta dos dirigentes pelo povo no regime republicano. e) Da concordância prática ou da harmonização. as conquistas dos modelos anteriores às novas garantias sociais. caracteriza-se pelo aprimoramento dessas modalidades. em dois níveis: um geral e outro específico. mas as aperfeiçoando. b) O Estado Social de Direito. a) Ofende a Constituição Federal norma constitucional estadual que disponha sobre aplicação. como um dos responsáveis pela consolidação do Estado de Direito. Nesse sentido. não as excluindo. RICARDO S. incorporando. assim. TORQUES 8 . já que a lei é o instrumento máximo da conformação jurídica e social. interpretação e integração de textos normativos estaduais. e. a temperamento hermenêutico. não é norma central. d) O princípio da separação dos Poderes. assim. a caracterização dos corpos territoriais que. reconhecido normativamente já na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Nessa medida. os dois regimes têm significados estáveis. possui um caráter absoluto no modelo constitucional brasileiro vigente. trazerem-se para a conceituação do Estado de Direito os fundamentos que lhe são necessários a fim de o poder ter a chancela jurídica para sua legitimidade. visto ser amparado pelo status de cláusula pétrea. tendo o princípio da legalidade como pilar.AULA 02 – DIREITO CONSTITUCIONAL – PROF. representando uma evolução na forma liberal e na democrática. traduzíveis por meio dos princípios da ordem política. em conformidade com a Lei de Introdução ao Código Civil. MARCELO NOVELINO 1 de fevereiro de 2012 QUESTÕES QUESTÃO 1 – De acordo com a consagrada teoria da interpretação das normas constitucionais. é o modelo adotado pelo Estado Constitucional. Já no plano específico. e) A dignidade da pessoa humana apresenta-se alheia a qualquer confronto com outro princípio ou regra. No plano geral.

Gabarito: QUESTÃO 01 – B QUESTÃO 02 – E QUESTÃO 03 .AULA 02 – DIREITO CONSTITUCIONAL – PROF.C RICARDO S. MARCELO NOVELINO 1 de fevereiro de 2012 d) Não ofende o princípio constitucional da separação e independência dos poderes a intimação de magistrado para prestar esclarecimentos perante comissão parlamentar de inquérito sobre ato jurisdicional típico que praticou. TORQUES 9 .

* os modelos jusnaturalista e juspositivista são insuficientes. pois direito e moral. MARCELO NOVELINO 1 de fevereiro de 2012 QUADROS Estado Democrático de Direito universalização do sufrágio e amplicação dos mecanismos democráticos característica do Estado Demicrático de Direito dimensão material da democracia. que possui o seguinte aspecto: relação em direito e moral – o direito extremamente injusto não pode ser considerado direito. sendo necessário um meio termo: o pós-positivismo. embora correspondam a esferas jurídicas distintas. RICARDO S. preocupação com a efetividade e com a dimensão material dos direitos fundamentais limitação do Poder Legislativo passa a abranger também o conteúdo das leis e as hipóteses de omissões inconstitucionais PÓS-POSITIVIMO E NEOCONSTITUCIONALIMO Visões a respeito dos termos: “pós-positivismo” e “neoconstitucionalismo” •neoconstitucionalismo passou a ser utilizado no lugar de pós-positivismo •ambos os termos são sinônimos •Antônio Augusto Mayer •o pós-positivismo marco filosófico do neoconstitucionalismo •Luis Roberto Barroso 1ª VISÃO 2ªVISÃO Pós-positivismo constitui concepção filosófica do direito. intercomunicam-se.AULA 02 – DIREITO CONSTITUCIONAL – PROF. TORQUES 10 . consistente no respeito aos direitos fundamentais.

RICARDO S. não necessário positivismo jurídico inclusivo o efeitos morais sempre tem como efeito necessário a perda da validade jurídica a validade jurídica depende da conformação com os valores morais tese forte não-positivistas: jusnaturalismo. embora tal processo seja possível.AULA 02 – DIREITO CONSTITUCIONAL – PROF. MARCELO NOVELINO 1 de fevereiro de 2012 positivismo jurídico exclusivo exclui qualquer possibilidade de incorporar argumentos morais ao direito positivismo jurídico caracteriza-se por incorporar argumentos jurídicos ao direito. propriamente dito o direito extramente injusto não é direito tese fraca correpondem ao póspositivismo. TORQUES 11 .

em substituição ao formalismo jurídico incorporando-se para além da ideia de subsunção. 3. Características do Neoconstitucionalismo enquanto modelo teórico (aspectos prescritivos): 1. fortalecimento do Poder Judiciário. exemplo: Constituição de Weimar RICARDO S. carecendo de força normativa adequada. 2. argumentação jurídica e ponderação. TORQUES 12 . MARCELO NOVELINO 1 de fevereiro de 2012 Acepções de neoconstitucionalismo neoconstitucionalismo Neoconstitucionalismo Teórico Neoconstitucionalismo Metodológico Teoria do Direito as transformações no modelo de Constituição e de Estado tornaram as teorias juspositivistas tradicionais. Classificação das constituições de acordo com a concordância das normas constitucionais com a realidade do processo de poder (baseada na doutrina de Karl Lowestein): Constituição Visa a perpetuação do Poder Semântica exemplo: Constituição brasileira de 1967/1969 Constituição Válida sob o ponto de vista jurídico. que implicou na:  consagração de um grande número de normas de outros ramos jurídicos nas constituições. que consiste aplicação dos direitos fundamentais. que tornaram-se extensas – prolixas. insuficientes para dar conta das complexidades que envolvem o novo modelo caráter descritivo e prescritivo do neoconstitucionalismo Características do Neoconstitucionalismo enquanto modelo de Estado (aspectos descritivos): 1. conformar o processo político Às Nominal suas normas. reconhecimento definitivo da força normativa da Constituição. relação entre princípio e norma. quem dá a decisão final. segundo a Teoria das Fontes. por fatores econômicos e sociais. contudo. e 3. centralidade da Constituição e dos direitos fundamentais. 4.AULA 02 – DIREITO CONSTITUCIONAL – PROF. às relações inteprivadas.  interpretação conforme a Constituição. rematerialização das constituição. 5. superioridade formal e material da Constituição. haja vista ser este Poder. 2. segundo a Teoria das Normas. centralidade da Constituição. e  eficácia horizontal dos direitos fundamentais. pela Teoria da Interpretação. sem conseguir.

MARCELO NOVELINO 1 de fevereiro de 2012 Constituir Normativa As normas constitucionais efetivamente dominam o processo político. TORQUES 13 .AULA 02 – DIREITO CONSTITUCIONAL – PROF. exemplo: Constituição Federal de 1988 (para a maioria da doutrina) RICARDO S.