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UNIABEU Campus Nilópolis

O CASO DOS EXPLORADORES DE CARVENAS

Anderson Pessoa Caio Leite Carolina Dias Patrícia Pinheiro Thamires Ramos Vinicius Aguiar

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Nilópolis Junho de 2012

UNIABEU Nilópolis 13 de junho de 2012 .“NA COLÔNIA PENAL” X MIGUEL REALE – LIÇÕES PRELIMINARES DE DIREITO – CAP. VII Trabalho apresentado a Professora Elis Crokidakis. da turma D311. do curso de Direito. da disciplina Introdução do Estudo do Direito I.

adultério. tendo por base o tema descrito em “Lições preliminares de Direito”. em que a pena de morte é exemplificada através de uma máquina hedionda. uma ameaça para a sociedade. eliminando aqueles que não respeitam a vida alheia. somente em tempo de guerra. Os opositores dizem que não é aplicada de forma eficaz e que. a pena de morte é prevista para crimes militares. Afirmam também que é uma violação dos direitos humanos. Constituindo uma forma de punição muito controversa: Os que lhe são favoráveis dizem que é eficaz na prevenção de futuros crimes e adequada como punição para assassinatos. Associando por fim. são anualmente executados vários inocentes. estupro. através da inusitada situação apresentada pelo livro “Na Colônia Penal”. como consequência. representando assim. homossexualidade e corrupção. Os criminosos condenados à pena de morte são geralmente culpados de assassinato premeditado. de Franz Kafta.INTRODUÇÃO Pena de morte. é uma sentença aplicada pelo poder judiciário que consiste na execução de um indivíduo condenado pelo Estado. Mas a pena também é utilizada hoje para reprimir espionagem. também chamada pena capital. Além disso. Todas estas questões serão devidamente ponderadas ao longo deste estudo. ambos os conceitos.1. de Miguel Reale. . No Brasil. vamos estudar os diferentes sentidos em que a palavra COAÇÃO é empregada.

e ficavam dispostas segundo o desenho que acompanhava o teor da sentença que.2. muitas vezes. chamada desenhador. com agulhas feitas de vidro. O explorador mantinha uma indiferença muito grande. no caso. O oficial era patriota ao extremo e possuía uma grande e estranha admiração pelo aparelho de execução que havia sido criado pelo antigo comandante que possuía uma pluralidade de valores e funções na colônia. personagem do livro. apelidada de cama. O aparelho era composto de três partes: a parte de baixo. o explorador. ele mesmo não sabe que cometeu. A parte do meio era chamada de rastelo. A mistura de água e sangue era conduzida por caneletas até o fosso. era composta de engrenagens que comandavam os movimentos do rastelo. no corpo do condenado. de bruços. era feita de algodão trabalhado onde o condenado era colocado nu. segundo o oficial. Já a parte de cima. O explorador tinha muito pouco interesse pelo aparelho. A obra narra a história de um explorador que durante visita a uma colônia francesa. Quem administra essa "justiça maquinal" é um instrumento de tortura que escreve lentamente sobre a pele. e com um tampão regulável de feltro na boca para impedir que o condenado gritasse ou mordesse a língua. O sistema que o condenou está baseado numa doutrina jurídica arbitrária. que era feito no formato humano e possuía agulhas dispostas por toda a sua extensão. que é a favor do uso da . atado pelas mãos. mas o oficial após tomar todos os cuidados necessários para o funcionamento do aparelho pôs-se a dar explicações sobre o mesmo. O Oficial. seria "Honra ao Teu Superior". mas o oficial com todo o fervor falava sobre a máquina enquanto apertava os últimos parafusos. em que o acusado não tem direito à defesa. um soldado e o condenado.RESUMO DO LIVRO “NA COLÔNIA PENAL”. Algumas para desenhar cada vez mais fundo na carne do condenado e outras para jorrar água e lavar o sangue e manter a escrita sempre clara. a sentença do crime que. Na colônia penal é também uma crítica à exaltação das máquinas e dos mecanismos usados com intuitos cruéis. pés e pescoço. No pequeno vale onde se encontrava o aparelho de execução só estavam o oficial. presencia o sistema empregado na execução de um soldado acusado de insubordinação.

Máquina de tortura para executar sentenças. fala desta como se tratasse de um "deus". Ele a adora como tal. . Franz Kafka é o grande nome da literatura moderna alemã e esse livro é uma bela crítica à essa nova sociedade que usa os modernismos em prol de uma verdadeira desumanização do Homem.

3. Entre os casos de anulabilidade dos atos jurídicos. tem existência jurídica. está a eventualidade de violência ou de coação. Coação significa duas coisas: de maneira genérica corresponde à violência. Para alguns autores. que pode ser feita contra uma pessoa ou um grupo de pessoas. Outros. praticado sob coação. O ato anulável produz efeitos até e enquanto não declarada a sua nulidade. empregado pelos juristas.RESUMO DO CAP. A coação é um dos vícios possíveis dos atos jurídicos. ACEPÇÕES DA PALAVRA COAÇÃO Coação é um termo técnico. mas de natureza provisória. A violência pode ser também de ordem psicológico que não é menos forte que a outra. VII – SANÇÃO E COAÇÃO – A ORGANIZAÇÃO DA SANÇÃO E O PAPEL DO ESTADO. ou a se aperfeiçoar. da adesão espontânea dos obrigados. são atos que abortaram antes de chegar ao seu tempo. é anulável. Entre os atos anuláveis estão aqueles que nasceram em virtude de violência ou de coação. em duas acepções bastante diferentes. Os atos jurídicos podem ser divididos em duas ou três categorias. Nesta acepção genérica. até que o ofendido prove que agiu compelido. a palavra coação é. Os atos nulos revestem-se de todos os requisitos formais. que não só os impede de produzir efeitos válidos como também de ser convalidados por atos posteriores. nulos de pleno direito e anuláveis. sob ameaça física ou psíquica. O ato jurídico. em sua segunda acepção é o próprio Direito enquanto se arma da força para garantir o seu cumprimento. Atos inexistentes são aqueles que não chegam a se completar. desde a ameaça de agressão caracterizada até o emprego de todas as formas de sofrimento ou tortura infligidas à vítima ou a pessoa de sua estima. de certa maneira. Existem nulidades de natureza absoluta e outras de caráter relativo. elas não pode ficar à mercê da simples boa vontade. Em um primeiro sentido. não admitem distinção entre os atos jurídicos inexistentes e nulos de pleno direito. . Quando a força se organiza em defesa do cumprimento do Direito mesmo é que nós temos a segunda acepção da palavra coação. mas padecem de um vício substancial irreparável. sinônimo de violência praticada contra alguém. A coação pode ser de ordem física. Como as normas jurídicas visam a preservar o que há de essencial na convivência humana. As absolutas inquinam o ato desde o seu aparecimento e não produzem efeito válido. os atos jurídicos se distinguem em atos inexistentes. nem mesmo do ponto de vista formal ou extrínseco. coação significa apenas a violência física ou psíquica. É necessário prever-se a possibilidade do seu cumprimento obrigatório. à força que vicia o ato jurídico.

Há também sanções próprias das normas religiosas. Para tal fim o Estado detém o monopólio da coação no que se refere à distribuição da justiça. a fim de que a aplicação das sanções se verifique segundo uma proporção objetiva e transpessoal. como um desconto ao contribuinte que paga o tributo antes da data do vencimento. é natural que todas elas se garantam para que não fiquem no papel. As sanções específicas da ordem moral são o remorso. ideal de seu comportamento. A coação é exercida pelos órgãos do Estado. mas quando as deixamos de cumprir. à luz de uma vida ultra terrena. A idéia fundamental da religião é a de que vivemos uma vida transitória. em virtude da competência que lhes é atribuída. Sanção é todo e qualquer processo de garantia daquilo que se determina em uma regra. Ao lado das sanções penais. segundo valores eternos. O ESTADO COMO ORDENAÇÃO OBJETIVA E UNITÁRIA DA SANÇÃO O que é o Estado? É a organização da Nação em uma unidade de poder. na qual cada homem receberá a retribuição de sua conduta. A sanção é o gênero de que a sanção jurídica é espécie. É o que se denomina mérito ou demérito social. como formas de sanção das regras morais. mas que se mede. fundada na esperança ou certeza de uma vida ultra terrena. a paga ética. o arrependimento. porquanto opera tanto no plano da consciência quanto no plano da chamada consciência coletiva. para o crente. temos as sanções premiais que oferecem um benefício ao destinatário. quando o homem age de modo contrário à tábua de valores vigentes. As formas de garantia do cumprimento das regras denominam-se “sanções”. As regras morais nós as cumprimos por motivação espontânea. a desobediência provoca determinadas conseqüências. Existem sanções morais e jurídicas correspondentes às regras de natureza moral e jurídica. que dizem respeito à crença e à fé. . O remorso é também.CONCEITO DE SANÇÃO As regras éticas existem para serem executadas. o amargo exame de consciência. como simples expectativas ou promessas. uma força de sanção imediata e imperiosa. Há uma reação por parte da sociedade. que não tem em si a medida de seu valor. O que caracteriza a sanção jurídica é a sua predeterminação e organização. A sanção na Moral obedece a essa dimensão individual-social do homem. que valem como sanção. Se a obediência e o cumprimento são da essência da regra.

nos acompanham até mesmo após a morte. como ordenação do poder. na realidade. disciplinas as formas e os processos de execução coercitiva do Direito. assim como exercer influência sobre sua pessoa e seus bens. O Estado é a instituição de que não se abdica. É o Direito Canônico. que não se confunde com o Direito do Estado. existe Direito também em outros grupos. A Igreja é uma instituição e. Podemos dizer que o Estado. em outras instituições. com seu Direito. que não o Estado. . Existe um Direito no seio da Igreja. dentro do corpo institucional da Igreja. Mas. que vai proteger a sua vida. Os indivíduos que deixam o território nacional carregam consigo o Direito brasileiro. AS ORDENAÇÕES JURÍDICAS NÃO ESTATAIS O Estado é o detentor da coação em última instância. há um complexo de normas suscetíveis de sanção organizada. porquanto determina a maneira pela qual os nossos bens devem ser divididos entre os herdeiros.O Estado.

com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio. podemos falar de um estado de exceção que paradoxalmente está previsto pelo Direito e ao mesmo tempo fora de seu alcance. Esta começa a se desconjuntar.RELAÇÕES ENTRE AS ACEPÇÕES DA PALAVRA COAÇÃO EM “LIÇÕES PRELIMINARES DO DIREITO” E O LIVRO “NA COLÔNIA PENAL” O direito tem por função dirimir conflitos de forma a harmonizar a sociedade. e se dispôs a reportar ao comandante da colônia penal o seu desejo de suprimir a máquina – então. CP. examinando a impropriedade das penas baseadas em castigos corporais. frente a alguns eventos extremos. contra autoridade. não sabe o porquê de estar ali . ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial.e vemos o cuidado e a perícia com o aparelho usado para torturar e matar. o oficial manda livrar o condenado e ele mesmo se autoimola na máquina de execução. o crime de Coação só acontece quando se usa de "violência ou grave ameaça. enquanto suas agulhas girando em falso terminam por trespassar o oficial: . Todo o livro gira em torno desta máquina. O funcionamento da máquina. Observamos o descaso do oficial para com o Condenado . Nesse contexto. a partir de ilustrações claras e precisas do que eram constituídas as técnicas medievais na aplicação de castigos punitivos (Coação). elas não podem ficar à mercê da simples boa vontade. As normas jurídicas visam preservar o que há de essencial na convivência humana. na voz dos seus utilizadores. portanto seu julgamento nunca pode ser contestado. ou em juízo arbitral". no conto. por ser uma máquina infalível. conforme fora mencionado. parte. entretanto. o explorador diz ao oficial o que pensa dos seus métodos de execução .4. desta forma. é necessário prever-se a possibilidade do seu cumprimento obrigatório. Ao fim da narrativa.que. se justifica. 344.fala que o método não o convenceu. da adesão espontânea dos obrigados. policial ou administrativo. até o emprego de todas as formas de sofrimento ou tortura infligidas à vítima ou a pessoa de sua estima (A violência também pode ser psicológica) ou o próprio Direito enquanto se arma da força para garantir o seu cumprimento. demonstra a incapacidade e a falibilidade de suas soluções. temos Coação em duas vertentes: Pode ser de ordem física. Em “Na Colônia Penal” há uma análise crítica sobre o instituto da pena. peça por peça. assim. quando o condenado estava para receber o suplício. desde a ameaça de agressão caracterizada. Vale mencionar que conforme reza o art. Já em Reale.

A morte do comandante na máquina que ele tanto apreciava demonstra a ineficácia do método."Não apresentava sinal algum da redenção prometida. o livro tece uma crítica aos estados despóticos nos quais o processo judicial e o direito de liberdade não são respeitados e há todas as formas de tortura. os olhos abertos. A testa se achava perfurada pela grande agulha de ferro" (KAFKA. Os lábios se achavam apertados com firmeza. com a mesma expressão que tinham quando vivos. convencido. . o olhar seguro de si. o Direito está. O que outros teriam encontrado na máquina acabara por lhe ser negado. 1969:100). Assim. demonstrando quão distante do discurso dos direitos humanos a política moderna e por conseqüência.

a sensação de absurdo criada por meios literários. exceto em casos de morte premeditada. para que a norma seja cumprida. a pena de morte vai contra a cultura ocidental. respeito. executando-se o culpado. que. Entretanto. De tortura a assassinato.a ruína de nossa relação perversa com o princípio do maquinismo. como medida de garantir o cumprimento das regras. diante do olhar estupefato e melancólico do explorador. qualquer retrocesso a tempos passados leva a uma degeneração. pois. revelando e. e para tanto.mas em atitude de suspeita . já que. no livro de Kafka. como propõe o jurista Reale. saudando . O oficial morre com seu corpo perfurado pelo rastelo e uma das agulhas grandes infincada em seu crânio. tendo como base o estudo do Capitulo VII. com a perda da liberdade). vale salientar que a proposta de tortura não é válida como garantia de cumprimento da pena. Assim. depreendemos que não existe regra que não implique certa obediência. sofrer pelo que fez (pelo menos. esconde neste caso uma reflexão sobre nossa relação com a máquina em meio à civilização. que é a interferência. ele não sofre mais e pode nem mesmo se arrepender. sobre nossas noções de justiça e sobre as conexões entre barbárie e civilização.CONCLUSÃO A partir da leitura do livro e capítulo propostos. Mas a máquina parece pressentir que seu fim está próximo. se não há verificação do crime cometido (como em “Na Colônia Penal”. isto é. a se ver sozinho em defesa do funcionamento da máquina. Não havendo esse cumprimento. O oficial é o homem da elite que se apaixona pela mistura de técnica e barbarismo que representa o castigo maquinizado de uma forma imperativa e sem chance de abdicação. o ser humano e a cultura não são mais os mesmos. foram criadas as Sanções. Sendo esta última. Franz Kafka registra claramente neste texto uma consciência ou subjetividade. condição de existência da máquina (desenhador). concluímos que a pena de morte não tem efeito inibidor. Ao invés de perfurar de maneira metódica e superficial o corpo do oficial. ela se aprofunda e começar a prensá-lo. visto que. é um pulo inevitável. o criminoso deve ser punido. por meio da força. utiliza-se Coação. se despe e deita na máquina a espera que rastelo comece seu trabalho. e decide morrer junto com seu último amante. que tanto nos causa espanto durante a leitura. limitando a atuação da Justiça à legalidade positivista preexistente. O enredo lança dúvida sobre a sanidade de nossas relações com a máquina.5. uma vez que. devemos sempre utilizar da Imperatividade da Lei Jurídica. Entendemos também que no conto de “Na Colônia Penal”. ao mesmo tempo. há possibilidade de inocentes serem considerados culpados.) não há provas que comprovem o crime. opoente. do livro “Lições preliminares de Direito”. .