You are on page 1of 2

WANDERLEY, Luiz Eduardo W. (1983). O que é Universidade. Editora Brasiliense.

Renan Nilsson Müller¹

Para a compreensão do que é uma Universidade devemos compreender a relação da instituição com as estruturas e processos sociais. Existem diferentes visões sobre a universidade, enquanto para alguns é um aparelho para a formação social capitalista, para outros é o meio para a mudança social e o desenvolvimento. Contudo suas finalidades básicas são o ensino, a pesquisa e a extensão, é a instituição que forma os profissionais, técnicos e intelectuais de nível superior de que necessitamos. O livro nos trás vários fatos e fatores históricos que justificam o atual formato de nossas universidades, a importância delas no contexto social. Com uma leitura fácil e prazerosa nos ajuda a criar uma melhor visão, e até certo ponto formar uma opinião sobre o assunto. O texto esta dividido em capítulos, onde cada um trata de forma mais aprofundada cada ponto importante para a melhor compreensão do tema. As Universidades são herdeiras da época Greco-romana. Os movimentos reformistas universitários (o autor cita constantemente os acontecimentos universitários e políticos ocorridos em Córdoba no ano de 1918) serviram como uma forma de expressão do inconformismo das classes médias e posteriormente como reduto da mesma. A reforma buscava maior democratização interna e autonomia perante o estado. Luiz Eduardo coloca constantemente em pauta os móvitos universitários latinoamericanos do início da década passada como tendo tido grande influência na formação político-social destes países. Com o surgimento dos meios de comunicação em massa e as facilidades de transporte, podemos notar o surgimento de uma cultura universal (a Coca-Cola consumida pelos yankes norte-americanos observando mulheres com seios fartos e decotes alarmantes, é a mesma dos povos do oriente médio que observam suas mulheres usando burcas). Através disso toda a manifestação teve seu reflexo multiplicado e espalhado pelo mundo, além é claro da possibilidade de trocas de informações, e encontros internacionais. Contudo, todo o bônus tem seu ônus, e nesse caso veio a ser achar o equilíbrio entre importar e nacionalizar. No início a finalidade da universidade foi transmitir o conhecimento humano acumulado, mas com o tempo surgiu à necessidade de ampliar os conhecimentos, produzir novos saberes, isso gerou a articulação do ensino com a pesquisa. Ainda segundo Luiz Eduardo Wanderley “os países que alcançaram um alto grau de industrialização e de desenvolvimento privilegiaram, com recursos e aplicação de políticas bem elaboradas, uma dinamização do ensino e da pesquisa” (p.38). Uma das, senão a finalidade mais popularizada das universidades é formar profissionais para as mais diversas áreas, e com a popularização e alta ampliação do ensino superior, acabou-se por criar uma oferta de mão de obra qualificada maior do que a necessidade, gerando assim a desvalorização de certas profissões. ¹Estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Fronteira Sul / Campus Erechim

Wanderely aborda inicialmente o ingresso do mesmo na universidade. mais especificamente na parte que tange aos professores. nos trás subsídios para uma ampla reflexão do tema abordado. e as disputas internas. “o relacionamento da universidade com a sociedade suscita posições polêmicas e antagônicas” (p. autor explicita a evolução da forma como estes são admitidos. didática. e que dependendo do seu funcionamento pode colaborar para a manutenção ou transformação da sociedade. cita o Conselho Universitário como o órgão com maior poder decisório. a seletividade que outrora muito significativa veio a reduzir devido à democratização do ensino.60) como críticas a situação das universidades brasileiras da época. Na última parte do livro reintera o fato da universidade ser parte de um contexto global que a determina. Wanderley enfatiza que na América Latina o relacionamento da universidade com a sociedade e o desenvolvimento passa pela questão da democracia. para uma valorização da capacitação e não do diploma em si. Além disso. O autor ainda elenca e descreve mais especificamente os tipos de autonomia. Também é ressaltada a necessidade de uma integração maior entre a educação superior com os outros níveis de ensino.76). mas destaca a reitoria como outro organismo fundamental. as relações com o aluno. e o fato de ser apenas um “conglomerado de escolas superiores” (p. a figura do catedrático. eliminação da figura do catedrático. .70). Ao se preocupar com a estrutura e relações de poder das universidades. Contudo. Além da circulação no meio acadêmico. o processo do temido vestibular. Sem dúvida. mas justifica que no fundo essa autonomia é aceita pela percepção que a sociedade tem frente ao papel da universidade. aponta o caráter hierarquizado. este livro pode despertar o interesse daqueles que estão em processo de entrada na vida universitária. No que diz respeito à autonomia nas universidades. tais quais: administrativa. descreve a evolução da estrutura universitária.Ao explanar sobre a comunidade universitária. a explanação sobre o que é uma universidade e qual o seu papel perante a sociedade. Luiz Eduardo afirma que “a reivindicação de autonomia constituiu um dos pilares da vida universitária através dos tempos” (p. técnicocientífica e política. Na parte referente aos estudantes. financeira. Ainda relembra o surgimento das associações de docentes.