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UniCV - 2012

ANÁLISE I - NOTAS DE AULAS -SEMANA 3
A. Joaquim Fernandes
(para erros ou omissões: ajokae…@gmail.com)
SEMANA 3 (22.10.2012): Noções topológicas de R
Topologia da recta, pontos e subconjuntos notáveis de R. Propriedade do supremo de R.Completude de
R e densidade de Q em R. Sequências em R. Limite de sequências. Sequências monótonas e limitadas.
Sublimites. Limites superior e inferior. Sequências de Cauchy. Compactos em R (intervalos limitados e
fechados).
Leitura:
Ref.[1] Capítulo 12 (fotocópias extras na reprogra…a)
Sec 12.1 e 12.2
Ref.[2]
Sec. 4.1 a 4.5, pg. 53 a 63
Sec. 6.1 a 6.6, pg. 89 a 99
TPC:
Ref.[1] Capítulo 12 (fotocópias extras na reprogra…a)
Pg. 694 #2,4,6,8,10,(12),14,16,(18), 20, 22, 24, 26, (28), 30, 32
Pg. 700 #2, 4, (6), 8, 10, (12), 14, 16, (20), 22, (24), 26, (28), 30
Ref.[2]
Pg. 70 # 1, 4, (5), 6, 7, 12, (13), 14, 15, (17), 18, 19, (26)
Pg. 96 #1, (2), 3, 4, 8, (10), 16, 19, (23), 25
Topologia da recta R
Recordando o que já se sabe sobre a ordem de R:
¸R

; ¸ é um grupo comutativo, que contém o conjunto dos reais positivos,

R

+
;

, como subgrupo
maximal.
R

+
R

R

+
R

+
R

R

R

R

+
O conjunto R pode ser ordenado pela relação (<) "menor que": (a < b) = (b ÷a) ¸ R

+
« Entre quaisquer dois números a; b ¸ R: ou a < b ou a = b ou a > b (tricotomia)
« Se a < b e b < c então a < c (transitividade)
O conjunto R é totalmente ordenado pela endorelação (<)
A ordem lata (_) É de…nida como a _ b = a < b . a = b
O modelo geométrico de R é uma recta contínua:
Os números reais são representados por pontos sobre a recta.
Entre quaisquer dois reais distintos existem outros reais, em particular, não existe o menor número
positivo, Ex: 0 <
a
2
< a.
Ex. Prove que se a ¸ R e 0 _ a < " para qualquer " > 0, então a = 0
Dois pontos a; b são chamados de bordos (ou extremos) dos seguintes intervalos:
« Intervalo aberto: ]a; b[ = ¦x ¸ R : a < x < b¦
« Intervalo fechado: [a; b] = ¦x ¸ R : a _ x _ b¦
1
« Intervalos semi-abertos: ]a; b] = ¦x ¸ R : a < x _ b¦ e [a; b[ = ¦x ¸ R : a _ x < b¦
A distância (não orientada) entre dois pontos a; b ¸ R é dada por [a ÷b[, o valor absoluto da diferença
entre os dois números.
As propriedades métricas da distância entre dois pontos:
« [a ÷b[ = 0 = a = b
« [a ÷b[ = [b ÷a[
« [a ÷b[ _ [a ÷c[ +[c ÷b[
A distância de qualquer ponto x ¸ R a zero é dada pelo valor absoluto [x ÷0[ = [x[
O conjunto de pontos que distam de a uma distância menor que " designa-se por vizinhança " de a:
V
"
(a) = ¦x ¸ R : [x ÷a[ < "¦
e corresponde a um intervalo aberto de centro em a e raio ":
V
"
(a) = ]a ÷"; a + "[
Pontos notáveis a ¸ E ¸ R:
« a é um ponto interior a E sse existir uma vizinhança de a incluida em E: Se existir " > 0 tal que
V
"
(a) ¸ E
« a é um ponto exterior a E sse existir uma vizinhança de a incluida em E
c
: Se existir " > 0 tal que
V
"
(a) ¸ E
c
, onde E
c
= R ÷E
« a é um bordo de E sse não for nem interior nem exterior.
« a é um ponto aderente de E sse qualquer vizinhança de a possuir um elemento de E: Qualquer " > 0,
V
"
(a) ¨ E ,= ?
« a é um ponto de acumulação de E sse qualquer vizinhança de a possuir um elemento de E diferente
de a: Qualquer " > 0, (V
"
(a) ÷¦a¦) ¨ E ,= ?
« a é um ponto de isolado de E sse ¦a¦ for uma vizinhança de a
Ex. prove que um ponto de acumulação é necessáriamente um ponto aderente, mas um ponto aderente
não precisa ser ponto de acumulação. Quando é que um ponto aderente não é um ponto de acumulação?
Subconjunto notáveis E ¸ R:
« Int E, interior de E, é o conjunto de todos os pontos interiores de E
« Ext E, exterior de E, é o conjunto de todos os pontos exteriores de E
« @E, bordo de E, é o conjunto de todos os pontos fronteira de E
« E, fecho de E, é o conjunto de todos os pontos aderentes de E
« E
0
, derivado de E, é o conjunto de todos os pontos de acumulação de E
« E é aberto sse todos os seus pontos forem interiores a E
« E é fechado sse o seu complemento E
c
for aberto.
« E é denso em R sse E = R (o fecho é todo R)
« E é raro em R sse Int

E

= ? (interior do seu fecho for vazio)
« E é perfeito se for fechado e todos os pontos forem de acumulação.
2
Ex. R é aberto e também é fechado. O conjunto vazio ? é aberto e também é fechado (os elementos
de um conjunto vazio, porque não existem, podem satisfazer qualquer propriedade!). Um conjunto …nito
não pode ter pontos de acumulação. Ponto de acumulação é aderente mas o recíproco não é verdadeiro, i.e.
pontos isolados são aderentes mas não são de acumulação.
Dado um subconjunto E ¸ R, se existir um número real ¸ R tal que x _ para qualquer x ¸ E, então
E é limitado por cima e chama-se de majorante de E.
Se um subconjunto E ¸ R possuir um minorante diz-se limitado por baixo.
Um subconjunto de R é limitado se possuir majorante e minorante.
Ex: [2; +·[ possui minorantes mas não é limitado; 4 é um majorante de ]÷3; 3[; ÷2 é um minorante de
]1; +·[
O menor majorante chama-se supremo de um subconjunto E ¸ R e o maior minorante chama-se ín…mo
de um subconjunto E ¸ R.
Outra maneira de dizer que R "não tem buracos" é dizer que R possui a propridade do supremo (ou
do ín…mo): Qualquer subconjunto de R, não vazio e limitado por cima, possui supremo. (limitado por baixo,
possui ín…mo)
Ex. Prove que para quaisquer dois números reais x; y ¸ R tal que x < y, existe um número racional
r ¸ Q tal que x < r < y
Sequências em R
Um par ordenado de números reais é um conjunto ordenado de dois números reais: (x; y)
Um triplo ordenado de números reais: (x; y; z)
Um n-uplo ordenado de números reais: (x
1
; x
2
; ::::x
n
)
Uma sequência (ou sucessão) de números reais: (x
1
; x
2
; ::::x
n
; :::) é uma função de N para R
x : N ÷÷R
A sequência representa-se por x = (x
n
) = (x
1
; x
2
; x
3
; :::), o conjunto dos seus termos por ¦x
n
¦, e o termo
geral por x
n
, onde n ¸ N.
Ex: A sequência dada pelo termo geral x
n
= (÷1)
n
pode ser escrita por extenso como um conjunto
ordenado (÷1; 1; ÷1; 1; :::) enquanto que o conjunto dos termos da sequência é o conjunto ¦÷1; 1¦.
Uma sequência pode ser tambem de…nida recursivamente (ou inductivamente), indicando um ou mais
elementos iniciais x
1
; x
2
; :::; x
k
e a fórmula para x
n+1
em função de x
n
; x
n1
; :::x
nk
.
Ex. A sequência de…nida recursivamente por x
1
= 5 e x
n+1
=
xn
2
pode ser escrita como (x
n
) =

5;
5
2
;
5
4
;
5
8
; :::

. A sequência de Fibonacci, x
1
= 1; x
2
= 1 e x
n+1
= x
n
+ x
n1
pode ser escrita como
(1; 1; 2; 3; 5; 8; 13; :::)
Algumas sequências notáveis:
« x
n
= r, onde r é uma constante (sequência constante)
« x
n
= nr (progressão aritmética de primeiro termo e razão r)
« x
n
= r
n
(progressão geométrica de razão r é convergente para que valores de r?)
« x
n
=

1
n

p
onde p > 0
Como sequências são funções de N para R, satisfazem a algebra de funções já de…nida anteriormente:
« a soma de sequências (termo a termo), x + y = (x
n
+ y
n
), é operação binária no conjunto s (R) de
todas as sequências em R, é associativa, comutativa, o elemento neutro é a sequência constante x
n
= 0
e todas as sequências possuem simétrico.
« a multiplicação de sequências (termo a termo), x y = (x
n
y
n
), é operação binária no conjunto s (R)
de todas as sequências em R, é associativa, comutativa, o elemento neutro é a sequência constante
x
n
= 1 e apenas possuem inverso as sequências em que nenhum termo é nulo.
3
Convergência de sequências em R
Uma sequência é limitada sse o conjunto dos seus termos for limitado (sse possuir majorante e minorante)
Ex: A sequência x
n
= n não é limitada pois o conjunto dos seus termos é N e não possui majorante. A
sequência x
n
=
1
n
é limitada pois ¦x
n
¦ =

1;
1
2
;
1
3
; :::

possui minorantes, i.e. (0), e majorantes, i.e. (1).
Uma sequência converge em R se existir um número L ¸ R que satisfaça a condição limite:
¬L ¸ R : \" > 0; ¬ N (") ¸ N : n > N = [x
n
÷L[ < "
O número L é chamado de limite da sequência e escreve-se:
lim
n!1
x
n
= L ou x
n
÷ L
O número natural N (") é a ordem a partir do qual todos do termo da sequência passam a pertencer à
vinhança " de L (pode depender de "):
x
n
¸ ]L ÷"; L + "[ para n > N (")
Se L não for o limite de uma sequência então:
¬" > 0 : \n ¸ N; [x
n
÷L[ _ "
ou seja, existe uma vizinhança " de L à qual os termos da sequência nunca pertencem.
Se não existir qualquer x ¸ R que seja limite da sequência esta diz-se divergente:
\x ¸ R; ¬" > 0 : \n ¸ N; [x
n
÷x[ _ "
Ex. Prove que lim
n!1
1
n
= 0, que lim
n!1
3n+2
n+1
= 3 e que lim
n
2
1
2n
2
+3
=
1
2
(observe os coe…cientes de
maior grau)
Teoremas sobre limites de sequências em R (provar - Bartle pg 60 a 66):
« O limite de uma sequência, se existir, é único.
« Qualquer sequência convergente é limitada (A proposição contrária é verdadeira? A proposição recíp-
roca é verdadeira? A proposição contra-recíproca é verdadeira?)
« Dadas as sequências x
n
÷ a e y
n
÷ b, tem-se que:
– x
n
+ y
n
÷ a + b
– x
n
÷y
n
÷ a ÷b
– x
n
y
n
÷ a b

xn
yn
÷
a
b
apenas se (y
n
) for uma sequência em R

e b ,= 0
– Se eventualmente x
n
_ y
n
então limx
n
_ limy
n
– Se eventualmente p _ x
n
_ q então p _ limx
n
_ q
– Se eventualmente x
n
_ z
n
_ y
n
então a _ limz
n
_ b
– lim
n!1
[x
n
[ = [a[
– lim
n!1
_
x
n
=
_
a
– Se lim
xn+1
xn
< 1 então limx
n
= 0 (provar)
Uma sequência (x
n
) crescente x
n
_ x
n+1
ou decrescente x
n
_ x
n+1
diz-se monótona
Teorema da convergência monótona - Uma sequência monótona é convergente sse for limitada
(provar).
Uma subsequência (x
0
k
) é uma composição da sequência (x
n
) em R com uma sequência (n
k
) em N que
preserva a ordem dos termos da sequência original

njn
k
jk
> 0

:
x
0
k
= x
n
k
: n
k
< n
j
= k < j
4
Ex. x
0
k
= 1 é uma subsequência de x
n
= (÷1)
n
, pois fazendo n = 2k para k ¸ N, a composição resulta
na sequência
x
0
k
= x
n
· 2k
= x
2k
= (÷1)
2k
=

(÷1)
2

k
= 1
k
= 1
Teoremas sobre subsequências (provar):
« Se uma sequência converge para um número real L então qualquer subsequência tambem converge para
o mesmo número L. (A proposição contrária é verdadeira? A proposição recíproca é verdadeira? A
proposição contra-recíproca é verdadeira?)
« Qualquer sequência possui uma subsequência monótona (teorema da subsequência monótona)
« Qualquer sequência limitada possui uma subsequência convergente (Teorema de Bolzano-Weirstrass,
versão 1)
Teorema de Bolzano-Weierstrass (versão 2): Um subconjunto in…nito e limitado de E ¸ R possui
um ponto de acumulação (provar).
Prova. Como E é um conjunto limitado, existe um intervalo …nito tal que E ¸ [a; b]. Deixe m
1
=
a+b
2
ser
o ponto médio de [a; b]. Como E = (E ¨ [a; m
1
]) '(E ¨ [m
1
; b]) possui um número in…nito de pontos, então,
ou E ¨ [a; m
1
] possui um número in…nito de pontos, ou E ¨ [m
1
; b] possui um número in…nito de pontos.
De…na-se então (de…nição condicional!):
a
1
= a . b
1
= m
1
se E ¨ [a; m
1
] for in…nito
a
1
= m
1
. b
1
= b caso contrário
E
1
= E ¨ [a
1
; b
1
] é um conjunto in…nito
Aplicando recursivamente este processo de…ne-se:
m
n+1
=
a
n
+ b
n
2
a
n+1
= a
n
. b
n+1
= m
n+1
se E ¨ [a
n
; m
n+1
] for in…nito
a
n+1
= m
n+1
. b
n+1
= b
n
caso contrário
E
n+1
= E
n
¨ [a
n+1
; b
n+1
] é um conjunto in…nito
A sequência (a
n
) é crescente e limitada, logo lima
n
existe.
A sequência (b
n
) é decrescente e limitada, logo limb
n
existe.
Como b
n
÷a
n
=
ba
2
n
÷ 0 então lima
n
= limb
n
= L
Então L ¸ E.
L é um ponto de acumulação de E se para qualquer " > 0 se mostrar que V
"
(L) ¨ E possui in…nitos
pontos. Mas para qualquer " > 0 se se escolher N tal que b
N
÷ a
N
< " ter-se-á por construção que
L ¸ [b
N
; a
N
] ¸ V
"
(L). Mas como E
N
= [b
N
; a
N
] ¨E possui in…nitos pontos, então V
"
(L) ¨E possui in…nitos
pontos tambem pois [b
N
; a
N
] ¨ E ¸ V
"
(L) ¨ E.
Uma sequência é Cauchy (ou fundamental) sse
\" > 0; ¬N (") ¸ N : m; n > N (") = [x
m
÷x
n
[ < "
Teoremas sobre sequências Cauchy
« Qualquer sequência Cauchy é limitada
5
« Uma sequência em R é convergente sse é Cauchy (Mais uma maneira de a…rmar que R é completo)
Uma sequência é contrativa se existir uma constante 0 < C < 1 tal que [x
n+2
÷x
n+1
[ _ C [x
n+1
÷x
n
[
Como é que pode uma sequência divergir? Ou é limitada mas oscilante ou não é limitada.
Se for limitada mas oscilante, tem subsequências convergentes. O limite de uma subsequência convergente
chama-se um sublimite.
Como a sequência é limitada, o conjunto de todos os sublimites é um subconjunto não vazio e limitado
de R logo possui um ín…mo chamado de limite inferior, liminf x
n
, e um supremo chamado limite superior,
limsupx
n
.
Se liminf x
n
= limsupx
n
então a sequência converge.
Um subconjunto E ¸ R é completo sse qualquer sequência Cauchy em E é convergente (R é completo)
Um subconjunto E ¸ R é conexo sse for um intervalo (aberto, fechado ou misto)
Um subconjunto E ¸ R é (sequêncialmente) compacto sse qualquer sequência em E possui uma subse-
quência convergente. (R não é compacto, mas qualquer subconjunto limitado e fechado de R é sequêncial-
mente compacto).
Se a sequência não é limitada, é conviniente alargar o conjunto R para incluir dois pontos "idealizados",
÷·; +·.
O conjunto alargado chama-se recta acabada R = R ' ¦÷·; +·¦
A recta acabada é compacto.
Dada uma sequência (x
n
) em R diz-se que x
n
÷ +· e escreve-se limx
n
= +· se para qualquer ¸ R
existe um N () ¸ N tal que se n _ N (), então x
n
>
Se limx
n
= ÷·, então para qualquer ¸ R existe um N () ¸ N tal que se n _ N (), então x
n
<
As sequências não limitadas passam a ter um liminf x
n
ou um limsupx
n
em R (entretanto, não se
chamam estas sequências de convergentes).
R é uma compacti…cação de R, mas não possui as propriedades de corpo e algumas operações algébricas
com os novos elementos ÷·; +· deixam de ser possíveis.
Para além de
1
0
e 0
0
que eram indeterminadas mesmo no corpo R, as novas indeterminações (+·÷·),

+1
+1

; 0 (+·) e outras semelhantes, tambem são indeterminadas em R
6