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ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA ONTEM E HOJE, SEMPRE ESTUDANDO O BRASIL

DEPARTAMENTO DE ESTUDOS

LS 833/02 DAInt

ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS

Os textos de Leitura Selecionada, de caráter doutrinário, teórico ou conjuntural, destinados à distribuição interna, às vezes discordantes entre si, visam a trazer novos subsídios aos estudos que aqui se realizam e expressam opiniões dos respectivos autores, não, necessariamente, as da ESG.

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ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA DEPARTAMENTO DE ESTUDOS DIVISÃO DE ASSUNTOS INTERNACIONAIS

LS833/02

ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS

Rio de Janeiro 2002

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Presidente da República FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Ministro de Estado do Ministério da Defesa GERALDO MAGELA DA CRUZ QUINTÃO Comandante e Diretor de Estudos da Escola Superior de Guerra
Vice-Almirante ADILSON VIEIRA DE SÁ

Subcomandante e Chefe do Departamento de Estudos Brigadeiro-Engenheiro FRANCISCO MOACIR FARIAS MESQUITA

Divisão de Assuntos Internacionais (DAInt) Chefe: Cel Av JORGE CALVÁRIO DOS SANTOS

Escola Superior de Guerra Divisão de Biblioteca, Intercâmbio de Difusão Av. João Luís Alves, s/nº CEP: 22291-090 - Urca - Rio de Janeiro, RJ - Brasil Telefone (021) 545-1737 FAX: 295-7645

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SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................... 7 2. MONROISMO/BOLIVARISMO............................................................. 9 3. PAN-AMERICANISMO ....................................................................... 13 3. CONCLUSÃO ..................................................................................... 15 BIBLIOGRAFIA ...................................................................................... 18 ANEXO 1................................................................................................. 19

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ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS
“Senhores, ainda não houve paralelo para o espetáculo que esta cerimônia ostenta; o de vinte nações, de várias línguas, a erigir juntas um edifício para as suas deliberações comuns. E tanto mais impressionante é tal espetáculo, quando se adverte que esses países com todas as diferenças possíveis entre si, assentaram a sua união no pé da mais absoluta igualdade”. (Trecho do discurso de Joaquim Nabuco, em 1908, por ocasião do lançamento em Washington, da pedra fundamental do palácio de mármore que ficou conhecido como “Casa das Américas”)

1. INTRODUÇÃO
No contexto das Relações Internacionais são instáveis as “afinidades” no continente americano, levando-se em conta que a convivência ou “cohabitação”, como prefere Jean Gottman, “não é cimento político nem muito eficaz, nem muito sólido”. Caracterizando-se o jogo político na arena internacional pelo estabelecimento de coligações, pactos ou tratados em escalas diversificadas, as nações americanas foram, aos poucos, tomando consciência da importância de seu espaço como força política, estratégica e econômica. Dentro deste cenário, a Ibero-America que se emancipava no século XIX, passava a ser vista como ótimo mercado para a Inglaterra na fase mais promissora de sua Revolução Industrial, e também como meta a ser alcançada pelos Estados Unidos,

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ingressando em período desenvolvimentista. E, nessas diretrizes geopolíticas em confronto, formava-se um Eixo Leste/Oeste de interesses, que prenunciaria um Eixo Norte/Sul de integração. 1 Caberia então, ao Secretário de Estado John Quincy Adams, alertar ao Presidente James Monroe para uma ação mais efetiva na Ibero-America, em pleno processo de independência. No entanto, como na época eram uma nação simplesmente emergente, os Estados Unidos teriam que agir com cautela diante de uma Europa - Áustria, Prússia, Rússia, Inglaterra e França - associadas numa Quíntupla Aliança, investindo na sustentação da política do equilíbrio e manutenção da estabilidade. Por isso, substituindo uma declaração direta, via diplomática às potências européias, a Doutrina de Monroe transformou-se numa Mensagem Anual ao Congresso, no dia 2 de dezembro de 1823. 2

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Bautista Alberdi (1810-84) vivendo na Europa por muito tempo observou a questão dentro do prisma econômico, na tese de doutoramento, defendida na Universidade do Chile. Para ele, enfrentar as ambições da Europa seria: traçar fronteiras territoriais, recompondo o mapa político americano; regulamentar a navegação em bacias internacionais; manutenção de comércio efetivo com construções de estradas e abolição de alfândegas; criar uma diplomacia objetiva de fundo econômico. Concluindo que: “A Europa não pensa em conquistar nossos territórios desertos, o que quer é arrebatar-nos o comércio, a indústria para instalar em seus lugares, o seu próprio comércio e indústria; suas armas são suas fábricas, e não os canhões; as nossas devem ser as aduaneiras, as tarifas e não os soldados . Unificar as tarifas, entrosar as aduanas, eis o grande meio da resistência americana”.

anual ao Congresso dos Estados Unidos, que refutava as regras absolutistas do Velho Mundo de pretensa recolonização do Novo Mundo, nos seguintes trechos: “Os continentes americanos, por sua livre e independente condição atual, não podem, doravante, se considerar objeto de futura colonização por parte de nenhuma potência européia... O sistema político das potências aliadas é essencialmente diverso do americano... Devemos, pois, à franqueza e às boas relações de amizade existente entre os Estados Unidos e esses países, declarar que consideraríamos toda tentativa de sua parte, visando prolongar seu sistema a qualquer porção deste hemisfério, como perigoso a nossa paz e segurança”.

2Mensagem

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Impunha-se, timidamente, a dinâmica de uma América livre de intervenções européias, já que a civilização americana, embora fosse oriunda da européia, dela já começava a diferir no conturbado século XIX. O continente americano se emancipava sob o signo não só do nacionalismo como também do liberalismo, justamente os dois princípios que a Europa, através da Política da Intervenção, se propunha a combater como perniciosos as seu equilíbrio. Nesse cenário mundial, em 1825, com suas independências recém conquistadas pelas armas, as nações hispano-americanas se conscientizavam que o esfacelamento geopolítico induzia o continente à ação eficaz das metrópoles européias no “status quo” colonial. Diferiam do conjunto hispânico os Estados Unidos e Brasil, dando seus passos iniciais na vida política dentro da unidade justificando-se a iniciativa de Simon Bolívar em convidar os nóveis países americanos para uma reunião na Cidade do Panamá em 1826. As instruções de Bolívar eram para formar uma “liga verdadeiramente americana”, vigente como “autêntica confederação”; esta não devia fundamentar-se simplesmente “no princípio de uma aliança, defensiva e ofensiva ordinária” comparando o líder hispânico, que deveria ser “mais estreita do que a que se formou ultimamente na Europa contra a liberdade dos povos”. Era preciso, pois, continuava Bolívar, que “a nossa seja uma verdadeira sociedade de nações irmãs que, embora separadas no momento, no exercício de sua soberania, sejam todavia unidas pelo encadeamento dos acontecimentos humanos e disponham de uma força suficiente para resistir às agressões do poder estrangeiro”. Considerados como precursores do pan-americanismo, Monroe e Bolívar são vistos por seus defensores envolvidos numa aura de sentimentalismos e, por alguns de seus críticos, como sonhadores de realizações impossíveis e, até mesmo como manto para disfarce de desígnios imperialistas. Assim o panamericanismo tem sido objeto das mais variadas definições e interpretações. Quer como instituição ou sistema o pan-americanismo é, antes de tudo, um movimento dentro da dinâmica histórica.

2. MONROISMO/BOLIVARISMO
O Monroismo é o primeiro estágio de uma doutrina continental, formulando exatamente a palavra de ordem - a América para os Americanos.

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Trazendo em germe uma hegemonia de fato da Grande República sobre as Américas ajustou-se ao pensamento do político inglês Disraeli - “o depositário do poder é sempre impopular”. Assim, a má vontade pela Doutrina de Monroe ser contra sua própria palavra de ordem, deturpada e conspurcada, impedindo que o continente se transformasse num todo coeso à partir de 1823. Má vontade que, no entanto, não conseguiu evitar que a América vegetasse a sombra da Revolução Industrial que enriqueceria a Inglaterra e levaria os Estados Unidos para o cenário internacional. Concluindo-se que, dentro do enfoque geopolítico o temor pela Doutrina de Monroe iria concorrer para o fortalecimento do norte e lenta evolução do sul, para a fragilidade do eixo norte/sul ante a rivalidade do eixo leste/oeste. Temor que levaria a liga de nações proposta por Bolívar a se impor como uma associação de Estados independentes na qual nenhum seria mais fraco ou mais forte. O Tratado de Confederação assinado em 1826 pelos que compareceram ao Congresso no Panamá, se atinha ao princípio da segurança coletiva, do arbitramento e da conciliação. Assim, ao convocar o Congresso do Panamá, o ideal de Bolívar era, em essência, o de integralizar uma monocracia e, em face de independências em pendências na América Espanhola, congregar os meios de resistência contra a intervenção da metrópole. Maçon Vermelho, Bolívar tentava ainda, realizar a unidade de uma América Republicana para fazer frente a uma Europa Monarquista aliada da Maçonaria Azul. Deixava assim, de “quarentena” o Império do Brasil, reduto dos maçons azuis, tido como formação exótica e, portanto, um “vírus” para o americanismo. Citado por Hélio Lobo, B. Monteagudo em seu trabalho “Ensayo sobre la Necesedad de una Federación General entre los Estados Hispanos”, afirma o seguinte: “Ao examinar os perigos do futuro que nos espera, não devemos ver, com confiança o novo império do Brasil... Tudo nos leva a acreditar que o Gabinete Imperial do Rio de Janeiro se prestará a auxiliar as ambições da Santa Aliança contra as Repúblicas do Novo Mundo; e que o Brasil virá a ser, talvez, o quartel general do partido servil, como já se assegura que é hoje o dos agentes secretos da mesma Santa Aliança”. Sendo quase uma indução à essência da hispanidade, Bolívar alimentava o ideal de unir num só destino, os núcleos geohistóricos instalados no continente com o secessionismo de Castela. Daí as desconfianças, embora não confessadas, mas demonstradas, pelos Estados Unidos, cujo governo, recusando investir de poderes os seus Delegados, achou mais prudente que chegassem depois de

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encerrado o Congresso do Panamá Desconfianças que atingiram as Províncias do Rio da Prata e o Chile já dissidentes desde o encontro Bolívar/San Martin em Guayaquil (1822), que não se fizeram representar. O Bolivarismo não conseguiria impor as metas para uma América Hispânica, nem irmanar a Ibero-América. Enquanto a Doutrina de Monroe em sua essência definiria bem mais a política estadunidense na América do Norte. Voltados para o Hemisfério Setentrional, os Estados Unidos se propunham fazer frente, com seu mercado em expansão, à própria Revolução Industrial do Velho Mundo. E, numa primeira etapa, voltava-se o monroismo bem mais para o Canadá dentro da esfera de influência inglesa, e para o Alaska ainda russo, as ameaças imediatas às pretensões do Governo de Washington sobre as costas do Pacífico/Ártico. Por ser ato unilateral, sem delegação de soberania, nem procuração de defesa por parte dos demais condôminos, a Doutrina de Monroe pouco ou nada aproximaria os Estados Unidos e a Ibero-América. O monroismo jamais se constituiu em direito internacional ou mesmo estadunidense e, sem o consenso comum, faltou-lhe a obrigatoriedade legal em sua aplicação. Daí Oliveira Lima haver afirmado que o monroismo “foi uma teoria de governo para uso particular do inventor e um compromisso unilateral, ou tomado só com a população nacional, de seguir certa regra de proceder internacional”. Lançada por uma nação emergente, ainda geopoliticamente adolescente, a doutrina pensava ser continentalista, porém, com conteúdo caracteristicamente regionalista. E, de regionalismo passaria a se compor a dinâmica histórica do continente americano que só esporadicamente se unia, ante o perigo eminente da intervenção européia. Regionalismo que se impôs diante das pretensões espanholas de reconquista, ao se firmar em 8 de fevereiro de 1848 um Tratado de Confederação entre o Peru/Bolívar/Chile/Equador/Colômbia (então Nova Granada) e, que não chegou a vigorar. Regionalismo, também de repulsa a ataque contra independência levando à conclusão de dois outros atos: o de União dos Estados Americanos firmado em Santiago a 15 de setembro de 1856 entre Chile/Peru/Equador; e o de Washington em 9 de novembro de 1856 assinado pela então Nova Granada/Costa Rica, Guatemala/México/Peru/El Salvador/Venezuela. Ante novas investidas de Madrid e a intervenção francesa no México, afloraria novo regionalismo em Lima a 15 de novembro de 1864 entre a Bolívia/Chile/Colômbia/Equador/Peru/El Salvador/Venezuela e mais um

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observador argentino, resultando em dois tratados um para a manutenção da paz e outro de união e aliança. Enquanto a Tríplice Aliança do outro lado formada pelo Brasil/Argentina/Uruguai, iniciava a guerra contra Solano Lopes no Uruguai se entendendo até 1870. Os laços de união redundavam em desunião que, em fins do século XIX, iria ocasionar a chamada Guerra do Pacífico entre Chile/Peru/Bolívia. Assim, no convite para uma reunião em Washington, expedido em 29 de novembro de 1881 por James Blaine, constava que no encontro os países americanos deveriam “considerar e discutir os métodos a fim de prevenir a guerra entre as nações da América”. Continuava o Secretário de Estado James Blaine, que a missão da Assembléia “consiste em prover os interesses de todos para o futuro e não em dirimir as desinteligências concretas do presente”. Para pôr fim aos regionalismos e conflitos, a Conferência de Washington de 2 de outubro de 1889 inauguraria na dinâmica histórica do continente a fase prática do panamericanismo, que saia do idealismo para entrar no campo das realizações. Em ato incorporado à dinâmica histórica de um continente, divulgando a expressão, pan-americanismo teria significados divergentes 3 : — “Princípio ou sistema de aliança política ou união entre os países da América”. (New International) — “Idéia ou sentimento de aliança política ou união entre todas as nações da América do Norte e do Sul”. (Murray) — “Doutrina política visando grupar todos os países americanos numa federação, sob a hegemonia dos Estados Unidos”. (Grande Encyclopédie) — “Doutrina, segundo a qual os povos de origem européia, que são nações no Novo Mundo, pretendem excluir outros países da soberania sobre eles”. (Nouveau Larousse) — “Aspiração ou tendência dos povos do Novo Mundo para estabelecerem entre eles laços de união, promoverem bons entendimentos e fraternal harmonia; e agirem sempre de acordo para o fim de impedir o domínio ou a influência de potências européias no território americano”. (Dicionário Enciclopédico Hispano-Americano).

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Coligidos por Joseph B. Lockey in Beginnings — Mac-Millan— Nova York, 1920.

Pan-Americanism,

its

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3. PAN-AMERICANISMO
Entre o Congresso do Panamá (1826) até a Primeira Conferência Internacional Americana (1889-90) realizada em Washington, a política estadunidense no continente fora de quase desinteresse ou de discreto afastamento. Em Washington porém, inaugurava-se a fase das conferências continentais e, no seu encerramento, Blaine se dirigiu aos Delegados sumariando os resultados obtidos frisando que seu sucesso se ligava a eliminação da guerra, substituída “por arbitramento entre as Repúblicas Americanas” criava-se a União Internacional das Repúblicas Americanas sediada em Washington e a Secretaria Comercial das Repúblicas Americanas para coligir e distribuir informações às nações filiadas. A data de assinatura do Acordo - 14 de abril passaria a ser comemorada em todo o continente como o “Dia Pan-Americano”. Inaugurava-se em 1910 o palácio de mármore em Washington que passava, como Casa das Américas”, a ser a sede da União Pan-Americana, substituta da primitiva Secretaria Comercial das Repúblicas Americanas e, a medida que se ampliavam suas atividades passava a ser o organismo central da associação. As conferências periódicas realizadas em diversos países dilataram e robusteceram o alvo da cooperação e paz no hemisfério. Mas, foi em vésperas das Segunda Guerra Mundial, na Conferência realizada em Buenos Aires (1936) que se conseguiu, finalmente, elaborar a Declaração dos Princípios de Solidariedade e Cooperação Interamericana, assim enumerados: 1° - Comunidade de idéias políticas ou seja, a democracia por princípio e a república por fim. 2° - Respeito mútuo dos direitos de soberania, independência e livre desenvolvimento. 3° - Igualdade jurídica absoluta para todos os Estados. 4° - Condenação de toda e qualquer intervenção por um Estado nos negócios interiores e exteriores de outro Estado. 5° - Proscrição de toda conquista territorial e o não reconhecimento de toda e qualquer aquisição feita pela violência. 6° - A ilegalidade de se cobrar dívida pela força; coroando-se assim, a total aceitação da Doutrina Drago proposta pela Argentina na Conferência de Haia de 1907.

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7° - A obrigação de se resolver pacificamente todas as diferenças e conflitos entre as nações americanas, seja por métodos conciliantes, arbitramento ou recorrendo-se à Corte Internacional de Justiça. 8° - Consulta recíproca em caso de ameaça de conflito, seja de origem americana ou extra-americana. Por fim, em 1948 na Nova Conferência realizada em Bogotá estabeleciase uma Carta Constitutiva para a associação que tomava o nome de Organização dos Estados Americanos (OEA). Assinada pelas 21 Repúblicas em 30 de abril de 1948, entrava em vigor em 13 de dezembro de 1951. A Carta da OEA tem o seguinte preâmbulo: Em nome dos seus Povos, os Estados representados na IX Conferência Internacional Americana, Convencidos de que a missão histórica da América é oferecer ao homem uma terra de liberdade e um ambiente favorável ao desenvolvimento de sua personalidade e a realização de suas justas aspirações; Conscientes de que esta missão já inspirou numerosos convênios e acordos cuja virtude essencial se origina do seu desejo de conviver em paz e de promover, mediante sua mútua compreensão e seu respeito pela soberania de cada um, o melhoramento de todos na independência, na igualdade e no direito; Certos de que o verdadeiro sentido da solidariedade americana e da boa vizinhança não pode ser outro senão o de consolidar neste continente, dentro do quadro das instituições democráticas, um regime de liberdade individual e de justiça social, fundado no respeito dos direitos essenciais do homem; Persuadidos de que o bem estar de todos eles, assim como de sua contribuição ao progresso e a civilização do Mundo, exigirá, cada vez mais, uma intensa cooperação continental; Resolvidos a preservar na nobre empresa que a Humanidade confiou às Nações Unidas, cujos princípios e propósitos reafirmam solenemente; e Convencidos de que a organização jurídica é uma condição necessária à segurança e a paz baseadas na ordem moral e na justiça; e

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De acordo com a Resolução IX da Conferência sobre problemas da Guerra e da Paz, reunida na Cidade do México... Dentro da dinâmica histórica que desembocaria no pan-americanismo da OEA, observamos que foram as duas guerras mundiais os eventos que mais concorreram para aproximar os países americanos. Tanto assim, que terminada a Segunda Guerra Mundial, os governos americanos sentiram a necessidade da adoção de um sistema de segurança coletiva que surgiria através do TIAR (Tratado Inter-Americano de Assistência Recíproca) consolidado no Rio de Janeiro em 1947, antes mesmo do nascimento da OEA. Tratado esse que entraria em vigor em dezembro de 1948. Era o Eixo Norte/Sul do panamericanismo se envolvendo na globalização dos Estados Unidos, já potência mundial, na bipolaridade de confronto com a União Soviética, num Eixo Leste/Oeste que daria logo em seguida maior ênfase a OTAN/Pacto de Varsóvia.

3. CONCLUSÃO
Em 19 de março de 1982 estourava a Guerra das Malvinas entre a Argentina e Inglaterra - o primeiro aliado dos Estados Unidos (TIAR) o segundo na OTAN. Os Estados Unidos apoiariam oficialmente a posição inglesa (8 de abril), levando a Argentina a invocar o TIAR e solicitar a convocação urgente da Assembléia da OEA. Reunidos em Washington (27 de abril) os chanceleres dos países membros votaram 4 uma Resolução reconhecendo “os direitos de soberania da Argentina sobre as Ilhas Malvinas”. Solicitavam no parágrafo 7° resolutivo “aos Estados Membros do TIAR que prestem à Argentina o apoio que cada um julgue apropriado, para assisti-la na grave situação e se abstendo de qualquer ato que possa prejudicar esse objetivo. E se necessário, tal apoio poderá ser executado com uma ação adequadamente coordenada”. Inexistindo essa ação coordenada, tanto a OEA quanto o TIAR mostraram-se simbólicos e pouco efetivos.

4Votos

favoráveis 17, nenhum contrário e 4 abstenções (Colômbia, Chile, Trinidad/Tobago e Estados Unidos).

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A Crise das Malvinas demonstrou a fragilidade do sistema interamericano. Destacando-se ter sido o Brasil o patrocinador da Resolução aprovada pela OEA, com participação ativa no Comitê de Redação, conseguindo retirar os artigos mais radicais. Sem poder, como a ONU, para resolver todas as crises que se apresentam, a OEA é a mais antiga união internacional do Mundo. — Seus objetivos são a consolidação da paz e segurança nas Américas; a solução de dissídios entre as repúblicas americanas — quando os mesmos ocorrerem — através de meios pacíficos; o estabelecimento da ação conjunta para a repulsa de agressão dirigida contra qualquer República Americana; a promoção em conjunto do desenvolvimento econômico, social e cultural das Repúblicas Americanas. — São seus princípios básicos: as relações entre as Repúblicas Americanas pautando-se pelo direito internacional e pela boa fé; gozam essas Repúblicas de paridade no seio da OEA; não podendo nenhum Estado Americano intervir nos negócios do outro; os dissídios devem ser solucionados pacificamente e os atos de agressão contra qualquer deles serão interpretados e tratados como agressão contra todos. — A Conferência Interamericana, entidade suprema da OEA se reúne de 5 em 5 anos, a fim de planejar a estrutura geral, as diretrizes e atividades para a qüinqüênio seguinte. — A Reunião da Consulta dos Ministros das Relações Exteriores realizase, a pedido, para considerar assuntos urgentes. — O Conselho da OEA é o corpo executivo permanente, reunindo-se, periodicamente, na União Pan-Americana. É de sua competência dirigir e coordenar o trabalho dos vários Organismos da União Pan Americana, bem como as atividades executadas em conjunto com as Nações Unidas. Conta com 3 Órgãos nos quais se acham representados todos os Estados-Membros: o Conselho Interamericano Econômico e Social, o Conselho Interamericano de Jurisconsultos e o Conselho Cultural Interamericano. — A União Pan-Americana como Secretaria Geral da OEA incumbe-se dos arquivos, da elaboração de relatórios, dos trabalhos preparatórios das Conferências Interamericanas e serve como repositório para os instrumentos de ratificação dos acordos interamericanos. Na qualidade de órgão central, da execução, mediante técnicos e serviços, às decisões e programas da OEA, e promove o desenvolvimento econômico, social e cultural dos Estados-Membros. Conta com Conferências Especializadas no setor da agricultura, saúde, defesa e

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outros setores de interesse; e com Organismos Especializados incumbidos da execução de programas e planos em suas respectivas esferas. É a OEA uma repartição regional das Nações Unidas, representando para o Continente o que a ONU é para o Mundo. São bem estreitas as relações entre as duas Organizações, muito embora seja a OEA independente em assuntos pertinentes ao continente americano. Continente americano, cujo sentimento de solidariedade tem base na geografia do isolamento que impôs o oceano. Mas, dento do amplo sentido da palavra panamericanismo, não se pode vê-lo concretizado, efetivamente na prática. O termo surgiu baseando-se no modelo do pan-eslavismo (1848), de pan-helenismo (1860), do pan-germanismo (1870), do pan-islamismo (1918), etc sendo pela primeira vez divulgado pelo “New York Evening” do dia 7 de setembro de 1889, a propósito da Primeira Conferência Internacional realizada nesse ano em Washington.

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BIBLIOGRAFIA
- ACCIOLY, Hildebrando. Raízes ou Causas Históricas do Panamericanismo. Ministério das Relações Exteriores. Serviço de Publicações. Rio: 1953. - CASTRO, Therezinha de. Nossa América: Geopolítica Comparada. BIBLIEX. Rio: 1994. - _____. A Dinâmica Geopolítica do Monroismo. A Defesa Nacional n° 724 março/abril de 1996. - CONTRERAS, E Lopes. El Pensamiento de Bolívar, Libertador. La Habana: 1950. - FERRAZ, A. L. Pereira. O Pan-americanismo e Suas Origens. Boletim do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Imprensa Nacional Rio: 1940. - GOTTMAN, Jean. La Politique des États et Leur Géographie. Librairie Armand Collin. Paris: 1952. - HOLLAND, Henry F. A Política Interamericana dos Estados Unidos da América. Discursos. - LOBO, Hélio. O Pan Americanismo e o Brasil. Companhia Editora Nacional. Volume 169. S. Paulo: 1939. - MANGER, William. O Panamericanismo e as Conferências Panamericanas. Série sobre Congressos e Conferências n° 15 - União Panamericana. Washington DC. - OLIVEIRA LIMA. Pan-americanismo (Monroe - Bolívar - Roosevelt). M. Garnier Livreiro Editor. Paris: 1907. - O Sistema Interamericano - União Pan-Americana. Washington DC.

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ANEXO 1
ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS (OEA)
CONFERÊNCIA INTERAMERICANA (Órgão Supremo da Organização determina a ação e orientações gerais)

Reunião de Consulta de Ministros das Relações Exteriores (considera problemas de caráter urgente e atua como órgão de consulta) CONSELHO DA ORGANIZAÇÃO (Corpo Permanente Executivo e Órgào Proviosório de Consulta)

Conferências especializadas (tratam de assuntos técnicos e especializados)

Comitê Consultivo de Defesa Junta Interamericana de Defesa

Organismos Especializados (exercem funções em matérias técnicas de interesse comum)

Conselho Interamericano Econômico Social

Conselho Interamericano de Jurisconsultos Comissão Jurídica Interamericana

União Panamericana Secretaria Geral da Organização Departamento Jurídico Departamento de Assuntos Culturais Departamento de Serviços Administrativos (Os Diretores são os Secretários dos correspondentes Conselhos)

Conselho Cultural Interamericano Comissão de Ação Cultural