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ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA

LS 705-04 DEPARTAMENTO DE ESTUDOS DALMob MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA E ECONOMIA DE GUERRA Equipe da DALMob

Trabalho elaborado pela Equipe da DALMob

Os textos de Leitura Selecionada de caráter doutrinário, teórico ou conjuntural, destinados à distribuição interna, às vezes discordantes entre si, visam a trazer novos subsídios aos estudos que aqui realizam e expressam opiniões dos respectivos autores, não necessariamente, as da ESG.

ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA DEPARTAMENTO DE ESTUDOS

LS705-04

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DIVISÃO DE ASSUNTOS DE LOGÍSTICA E MOBILIZAÇÃO

MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA E ECONOMIA DE GUERRA

RIO DE JANEIRO 2004

Presidente da República LUIS INÁCIO LULA DA SILVA

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Ministro de Estado da Defesa Dr. JOSÉ VIEGAS FILHO

Comandante e Diretor de Estudos da Escola Superior de Guerra Major-Brigadeiro-do-Ar ANTONIO LUIZ RODRIGUES DIAS Subcomandante e Chefe do Departamento de Estudos General-de-Brigada EDUARDO RAMALHO DOS SANTOS

Divisão de Assuntos de Logística e Mobilização (DALMob) Chefe: CMG Ref NEY MARINO MONTEIRO

Autorizada a reprodução e divulgação deste documento, desde que seja citada a Escola Superior de Guerra.

Escola Superior de Guerra Divisão de Biblioteca, Intercâmbio de Difusão Av. João Luís Alves, s/nº CEP: 22291-090 - Urca - Rio de Janeiro, RJ - Brasil Telefone (21) 3223-9899 Telex: (21) 30107 - ESG FAX: (21) 3223-9971 LS - Leitura Selecionada

SUMÁRIO 1 - INTRODUÇÃO ............................................................................. . 7 2 - ASPECTOS HISTÓRICOS ........................................................... . 9

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3 - ECONOMIA DE GUERRA........................................................ 13 4 - O RELACIONAMENTO DA MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA COM A ECONOMIA DE GUERRA..............................................17 5 - A PRODUÇÃO NA ECONOMIA DE GUERRA..........................19 5.1 - Considerações Gerais............................................................... 19 5.2 - Caracteres Gerais das Produção de Guerra................................19 5.3 - O Problema da Direção da Produção.........................................20 5.4 - A Importância da Estrutura Industrial em Tempos de Guerra...21 5.5 - Os Métodos de Direção da Produção de Guerra.......................23 6 - PLANEJAMENTO DA ECONOMIA DE GUERRA.................. 26 6.1 - Política Governamental do Trabalho....................................... 26 6.2 - Aspectos Relevantes................................................................26 7 - AS FINANÇAS NA GUERRA..................................................28 8 - PLANEJAMENTO DA ECONOMIA DE GUERRA..................32 8.1 - Considerações Gerais..............................................................32 8.2 - Bases para o Planejamento da Mobilização Econômica e da Economia de Guerra.......................................................32 8.3 - Aspectos do Planejamento da Mobilização Econômica e da Economia de Guerra .......................................................35 8.4 - Principais Medidas a serem Planejadas..................................36 8.5 - Planos de Economia de Guerra .............................................37 9 - CONCLUSÕES....................................................................... 39 BIBLIOGRAFIA...................................................................40

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1 - INTRODUÇÃO

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Este trabalho pretende apresentar ao leitor um maior entendimento sobre o tema e despertar o interesse para esta matéria, de vital importância para qualquer nação: Mobilização Econômica e Economia de Guerra, através do estudo de sua origem, conceitos, organização, planejamento e execução. Embora todos os seres humanos abominem os efeitos nefastos da guerra não podemos deixar de reconhecer que ela esteve, está e sempre estará presente enquanto existir vida “inteligente” em nosso tão maltratado planeta. Como exemplificação, deve ser citado que, “desde a 2ª Guerra Mundial até 1966, foram irrompidos 168 conflitos, não tendo havido um só dia de paz!”(Robert Mac Namara, em “A Essência da Segurança.”) Com o fim da Guerra Fria, passou a existir em todos os cantos do mundo um sentimento de alívio, retratando que a paz e a harmonia entre os povos, finalmente, haviam chegado e que o mundo entraria no terceiro milênio sem os horrores provocados pelos conflitos bélicos. Um ledo engano, pois na década iniciada em 1990, assistiu-se: • A Guerra do Golfo, que poderia ter levado o mundo a um embate de proporções imprevisíveis; • A Guerra da Bósnia, que se iniciou em 1992 e que ceifou e mutilou milhares de vidas, num conflito étnico de difícil solução; • O acirramento do conflito no Oriente Médio, já durando quase cinqüenta anos; • A questão da Irlanda do Norte, conflito de natureza religiosa, responsável por muitas vítimas, e além de muitas outras; e • A questão da China versus Taiwan que poderá evoluir, futuramente, a um confronto armado. E não podemos nos esquecer ainda da América do Sul onde o Peru e o Equador recorreram às armas para resolver seus problemas fronteiriços. Uma boa notícia, quem nos traz, é o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres, divulgando um relatório onde mostra que, em 1995, o mundo foi mais seguro e pacífico do que no ano anterior, apesar de alertar para as áreas consideradas de risco que são Taiwan, China, as antigas Repúblicas Soviéticas e o Iraque. Quanto ao nosso País, é muito importante aceitarmos o fato de que somos responsáveis pelo futuro de uma grande nação, com dimensões continentais e riquezas incomensuráveis, possuidora de uma região Amazônica

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cobiçada internacionalmente, tanto nos seus aspectos físicos, quanto na sua biodiversidade. Para minimizar o efeito dessas aspirações contrárias aos nossos Objetivos Nacionais Permanentes, a nação precisa de planejamentos adequados enfatizando um preparo eficiente e competente, nos seus três vetores da Segurança Nacional: Recursos Humanos, Economia Nacional e Poderio Militar. Quanto à Economia Nacional, em tempos de guerra, todos devem ser orientados para a realização de um esforço comum, cujo objetivo será a implantação da Economia de Guerra, de difícil eqüacionamento, para resistir ao desgaste provocado pela responsabilidade de propiciar o apoio necessário ao esforço bélico e, simultaneamente, minimizar os danos nas estruturas sócioeconômicas do País.

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2 - ASPECTOS HISTÓRICOS Na antigüidade, período no qual as guerras eram atribuição dos príncipes, para o que se valiam de mercenários, a preocupação era retirar do produto nacional os recursos indispensáveis para a formação de grupos armados. O dinheiro era o necessário para o recrutamento, soldo e equipamento; quase não havia gastos com a alimentação, já que os exércitos providenciavam víveres nas próprias regiões de operações, praticando o preconizado por WALLENSTEIN: “A Guerra deve alimentar a Guerra.” Sob o enfoque econômico, as operações militares apresentavam algumas práticas negativas: os confiscos, as requisições, as pilhagens, os roubos, e as distorções que as acompanhavam. As repercussões de uma campanha, eram apenas indiretas a apresentavam as mesmas características de todos os outros processos alusivos às finanças públicas: novos impostos, maiores taxações e outras alocações de recursos, causando o empobrecimento geral e as agitações sociais. Mais tarde, a substituição das tropas mercenárias pelos exércitos nacionais não modificou as relações entre a guerra e a vida econômica do país. Trouxe, sem dúvida, por um período limitado de tempo, curto alívio às finanças do Estado, já que o soldo dos mercenários, uma das maiores despesas, fora reduzida aos soldos dos exércitos nacionais. Até o Século XVIII, as guerras produziam poucas despesas e só envolviam e afetavam, uma reduzida parcela da população. Os gastos eram suportados pela economia, em grandes transformações, no dia-a-dia da vida da comunidade. A partir do século XIX, todavia, a ligação entre o poder militar e a economia começou a ficar clara. A frase do Primeiro-Ministro OTTO VON BISMARCK ao REICHSTAG, a 11 de janeiro de 1887, assume um tom profético ao avisar: “A Guerra do futuro é a Guerra Econômica, o combate em larga escala para o que der e vier. Que meus sucessores tenham isso bem em mente e que seja um bom motivo de suas preocupações, a fim de que estejam armados, quando o dia deste combate chegar.” Bismarck foi um dos primeiros a reconhecer que a “Economia dos Armamentos é tão útil quanto a arte militar e que a nação inteira deveria participar do sacrifício, a fim de obter a vitória”. Afirmava, também, que “a máquina de Guerra não é mais as Forças Armadas, e sim, o Estado.”

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Com o Primeiro Grande Conflito do nosso século, foi inaugurado um novo tempo na administração da guerra: o envolvimento de várias nações e o crescente emprego de seres humanos e recursos materiais, em longo tempo de luta, obrigaram os países beligerantes a um permanente e apurado esforço. O resultado da guerra demonstrou que sem a superioridade econômica não se alcança a vitória, e evidenciou a estreita vinculação entre a preparação militar e a econômica. Ficou também demonstrado que a capacidade de defesa de uma nação não se mede, somente, pela capacidade militar, mas sim pela sua capacidade total, na qual a economia ocupa um lugar de destaque. A partir de então, quando as nações se conscientizaram do imenso valor decisivo de uma supremacia econômica visando a destruir a economia do inimigo com o objetivo de vencer a guerra, nasceu uma nova forma de combater, que é a Guerra Econômica. A Inglaterra foi o nascedouro dessa nova modalidade de guerra. A Ordem Real que a instituiu modificava a concepção geral do Direito Internacional nos capítulos referentes à propriedade privada, às objeções comerciais e aos danos e redução de propriedades pertencentes a cidadãos de Estados em guerra com o Reino Unido. À essas medidas somaram-se, posteriormente, outras, entre as quais as mais importantes eram : o boicote total, a suspensão de contratos privados antes da guerra, o confisco e a liqüidação de toda a propriedade pertencente a cidadãos inimigos, a extensão do conceito “inimigo” a todas as pessoas naturais e jurídicas que continuavam comerciando com os adversários. O Tratado de Versalhes (I Grande Guerra) proporcionou a institucionalização do boicote, surgido através de ato formal das Ligas das Nações. A partir daí, a Guerra Econômica converteu-se num artifício da política como arma, podendo ser usado no momento em que bem convier, como o boicote americano ao Iraque na guerra do Golfo em 91. O uso indevido deste artifício da Guerra Econômica foi provocado por um equívoco contido na parte dos assuntos econômicos daquele Tratado. No intervalo entre os dois maiores conflitos do nosso século e, em face das grandes transformações sofridas com o rearmamento alemão, as constituições de blocos ideológicos, o renascimento de idéias imperialistas e dos desígnios de dominação, provocaram grandes alterações no Cenário Internacional. Diversos país produziram documentos que propiciaram uma organização mais apurada na preparação da guerra: a Itália em 1925, a Bélgica em 1926, a Alemanha e a Polônia em 1935, e em 1938, a França. Esses países organizaram seus pensamentos e conseguiram definir as grandes diretrizes dos seus planejamentos militares e econômicos.

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Era preciso pensar como reagiria a economia em períodos de conflito armado e de que forma se comportaria o país, na passagem da Economia de Paz para a Economia de Guerra, pela Mobilização Geral ( ou Nacional). No Segundo Grande Conflito não só deixou de se consolidar esse pensamento, como se ampliaram enormemente os recursos dispendidos. E para citar só alguns dados, pode-se afirmar que, entre 1941 e 1945, os EUA obtiveram um aumento no PNB da ordem de 50%, produziram 300 mil fuzis dos 750 mil empregados pelos países combatentes, incrementaram a produção dos estaleiros em dez vezes e aumentaram as horas de trabalho na indústria, de quarenta para sessenta horas semanais. Nestas duas guerras, ficou provado mais que nunca, que no futuro as nações que estiverem melhor preparadas, também na sua capacidade industrial, estarão mais propensas a obter sucesso.

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3 - ECONOMIA DE GUERRA

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Conforme está na NCE de Mobilização Nacional, podemos entender Economia de Guerra como uma nova condição operacional a que a Economia de Paz é conduzida pelo governo, mediante a utilização de instrumentos e medidas apropriadas, visando a atender, oportuna e adequadamente, as necessidades da Nação, em tempos de Guerra. Resumindo, é a Ciência que trata da produção, distribuição, circulação e consumo de bens e serviços úteis, escassos e apropriáveis e como está escrito no mesmo documento, ela é função da organização dos elementos mobilizados e do funcionamento do mecanismo criado pela Mobilização Nacional, através da Mobilização Econômica, visando a obtenção dos recursos necessários às forças militares em operações de guerra, à indústria nacional mobilizada e à população do país não diretamente empenhada no conflito. Quando uma nação passa da situação de e tranqüilidade para a situação de emergência ocorrem mudanças estruturais de grande envergadura. Os dois grandes conflitos que o mundo já assistiu provaram que a capacidade bélica de uma nação se mede pela sua capacidade total, na qual a economia ocupa lugar de destaque. Podemos citar palavras do professor Benedito Silva que diz que “A Guerra moderna é um fluxo implacável voraz e onipresente que envolve em seus tentáculos, todos os recursos de um país beligerante”. Na tentativa de proporcionar ao leitor maior clareza sobre este tema da Ciência Social, enumeramos abaixo alguns conceitos e entendimentos: a) “A Economia de Guerra conceitua-se como em uma Ciência Social que trata dos problemas econômicos que devem ser resolvidos pelo governo e pelos cidadãos em cooperação, quando a nação se vê envolvida em uma guerra.” ... “A Economia de Guerra deverá ocupar-se do emprego intensivo de todas as forças econômicas do País.” ... “A Economia de Guerra pode ser definida como o estudo de melhor maneira de realizar a alocação de recursos em tempo de guerra.” (Juan Jorge Salzmann). b) “A Economia de Guerra é o funcionamento dos elementos mobilizados no interior do país para sustentar os exércitos e satisfazer o consumo nacional.”... “É preciso uma organização de tempos de guerra capaz de assegurar a Economia de Guerra, cujas características se podem assim definir: • Um consumo considerável, que assume intensidades extremas em certos períodos ou fases de guerra;

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• Uma produção, dificultada pela necessidade de empregar, na formação das forças militares para a batalha, elementos da população fisicamente capazes de produzir, além de outras causas.” (Cel J. B. Magalhães) c) “Quando um país entra na guerra, a primeira tarefa da administração civil consiste no estabelecimento de uma administração especial, a qual, à míngua de melhor denominação, chamamos administração de guerra.” (Prof Benedito Silva). Depois da leitura de todos estes conceitos e entendimentos, podemos então chegar às seguintes conclusões: 1) A Economia de Guerra é dotada de filosofia própria e deve atuar sob a direção de um órgão de Direção de Guerra, mediante normas e procedimentos que lhe são peculiares; 2) A Economia de Guerra pode, pois, ser considerada como um regime que condiciona e dirige a Economia Nacional em tempo de guerra, com vistas a atender, de forma adequada e oportuna, as necessidades: • Das forças militares empenhadas em operação de guerra; • Das indústrias voltadas para o esforço bélico; e • Da parcela da população e das indústrias não empenhadas no esforço de guerra. Sintetizando, pode-se dizer que a Economia de Guerra resume-se na organização e no funcionamento da estrutura econômica estabelecida pela Mobilização Nacional, especialmente pela Mobilização Econômica, para fazer face a uma situação grave decorrente da eminência ou efetivação de uma Hipótese de Guerra. É importante também salientar que podemos dividir a Economia de Guerra em três etapas específicas: • Economia de Preparação; • Economia de Mobilização; e • Economia Pós-Guerra (Desmobilização).

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Como Economia de Preparação ou “Permanente” podemos citar os exemplos da Suécia e da Suíça onde o planejamento para a eventualidade do conflito não se restringe apenas aos momentos de crise, mas sim, de uma forma contínua, ao apoio de suas populações, trazendo com isso um Preparo bem elaborado, proporcionando uma minimização nos custos para a manutenção da Segurança Nacional. Essa preparação abrange três fatores: A instrução, adestramento e o aprestamento, a estocagem de matériasprimas e o planejamento industrial. O primeiro fator a ser considerado é o nível de instrução, adestramento e aprestamento, de máxima importância, pois necessita de um eficaz e competente sistema de ensino e de pesquisa para a formação técnica e intelectual dos contingentes das nossas FFAA, em todos níveis hierárquicos. O segundo, a estocagem de matérias-primas, também é de grande importância, diferenciando-se, de um país para outro, somente quanto ao seu grau de autonomia de abastecimento. Os países: Estados Unidos, Rússia, Canadá, China e o Brasil (embora em menor escala) formam grandes Complexos Continentais e fornecem um alto grau de autonomia de abastecimento. O terceiro e último fator de preparação é o Planejamento Industrial que necessita não só cadastramento de todas as indústrias que se envolverão na produção bélica, mas também da obtenção de recursos financeiros maciços, do incremento da produção geral, da padronização da nomenclatura e da catalogação dos itens de suprimentos. O segundo tipo de Economia é a Economia de Mobilização, ou seja a Economia de Guerra propriamente dita, que como já dissemos, começa no momento em que é deflagrada a situação de emergência, através da implementação e colocação em funcionamento dos mecanismos da Mobilização Econômica. Os elementos principais da Economia de Mobilização são: primeiro, a logística do abastecimento militar e, segundo, de imenso valor, o financiamento da guerra. A última fase das que já apresentamos é a da Economia do Pós-Guerra ou Desmobilização que particularmente consideramos tão importante quanto a Mobilização, pois o país precisa se restruturar para retornar à sua vida normal. Nesta etapa é importante uma eficiente manobra de reconversão da Indústria e das pessoas envolvidas diretamente na guerra, frente às novas exigências da vida civil.

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4 - O RELACIONAMENTO DA MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA COM A ECONOMIA DE GUERRA.

A ESG conceitua Mobilização Econômica como:

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“Conjunto de atividades de natureza econômica, planejadas, empreendidas ou orientadas pelo Estado, desde a situação normal, visando a transformação da Economia de Paz em Economia de Guerra, para fazer face a uma situação de emergência, decorrente da declaração de estado de guerra ou resposta à agressão armada estrangeira.” Logo após a decretação da situação de emergência a Mobilização Econômica implementa e coloca em funcionamento todos os mecanismos para organização de todas as parcelas da sociedade necessárias para o início do conflito e para a preparação de sua aplicação com rapidez pela Economia de Guerra. A Mobilização Nacional, no âmbito da Expressão Econômica, compreende, também, um mecanismo de previsão das modificações a introduzir na organização existente, por transformações ou criação de novos órgãos, em face da necessidade de obter melhor rendimento ou para atender a problemas novos que venham a surgir no decorrer das hostilidades. A Mobilização Econômica significa, pois, o acionamento de mecanismos destinados a obter e organizar todos os meios necessários para fazer face a uma situação de emergência de uma Hipótese de Guerra. A Mobilização Econômica constitui obra de previsão que deve permanecer permanentemente ativa e sempre atualizada com vistas ao que poderá vir a acontecer ou ser necessário, no início da guerra e durante a mesma. A Mobilização Econômica consiste em um planejamento econômico que sirva ao preparo da utilização de meios tangíveis (recursos humanos, materiais, naturais e de produtividade) da nação, para enfrentar uma situação de emergência de grau excepcional. Esse planejamento constitui o estabelecimento do mecanismo de transformação da Economia de Paz em Economia de Guerra. A Economia de Guerra consiste no funcionamento dos elementos mobilizados, em especial pela Mobilização Econômica, para satisfazer aos combatentes e ao consumo nacional.

Pode ser definida como uma nova condição operacional a que é conduzida, pelo governo, a Economia de Paz, mediante a utilização de instrumentos apropriados, entre os quais a Mobilização Econômica. Significa, portanto, o funcionamento do mecanismo organizado e acionado pela Mobilização Econômica, acrescido dos recursos de natureza intangíveis, proporcionados pelas Expressões Política e Psicossocial do Poder Nacional.

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Para finalizar, pode-se, então, concluir que a Mobilização Econômica concorre para a Economia de Guerra e esta depende fundamentalmente daquela, estando, portanto, as duas atividades estreitamente relacionadas.

5 - A PRODUÇÃO NA ECONOMIA DE GUERRA 5.1 - Considerações Gerais Assim como não se deixa à liberdade individual ou à iniciativa privada a responsabilidade da conduta de guerra e das operações militares, também em matéria econômica não é possível deixar os indivíduos satisfazerem livremente às necessidades do Estado. Apenas os chefes militares e os poderes públicos

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normalmente conhecem a extensão e a urgência das necessidades que deverão ser atendidas. É o que justifica, em tempos de guerra, a direção de toda a produção pelo Estado. Este caráter distintivo da Economia de Guerra não resulta, portanto, da aplicação de um plano de socialização teórica decorrente de necessidades práticas; a vida econômica não tem mais um fim em si mesma, mas está subordinada, em tempos de guerra, ao interesse da defesa nacional. O Estado torna-se o diretor da produção e encontra-se diante de atribuições novas para ele: organização geral da produção, distribuição do trabalho entre as empresas, Mobilização de todas as atividades, emprego da mão-de-obra, das matérias-primas, da energia e dos transportes. 5.2 - Caracteres Gerais da Produção de Guerra Em seu famoso livro “Through Terror to Triumph”, LLOYD GEORGE escreveu: - “Nesta guerra, a produção é tudo; o destino não será decidido nos campos de batalha da POLÔNIA ou da BÉLGICA e sim nas fábricas da FRANÇA e da INGLATERRA”. Mas não se deve esquecer que é no primeiro momento em que a produção assume uma importância vital que suas possibilidades diminuem mais. Sua desorganização, em conseqüência, diminui consideravelmente seu rendimento. POSSONY indica, por exemplo, que, durante a II Grande Guerra, a produção de material militar, tinha baixado 36%. A produção dos bens civis, evidentemente considerada como menos urgente, perdia mais terreno e caía 60%. As dificuldades do esforço industrial de guerra contribuem, desta maneira, tanto quanto a enormidade do consumo para aumentar o desequilíbrio entre a produção e as necessidades de guerra. É o que não deve ser perdido de vista quando se quer emitir um julgamento sobre o êxito das experiências de Economia de Guerra dirigida, quer se trate do próprio problema de direção, da estrutura da produção ou dos métodos de direção.

5.3 - O Problema da Direção da Produção Como em todas as experiências de economia dirigida, em tempos de guerra, o Estado se esforçará, em primeiro lugar, para obter a produção dos bens diretos, isto é, dos bens que poderá utilizar imediatamente para a satisfação de suas necessidades (alimentação, material de saúde, vestuário, armas, munições etc.). A este respeito, é preciso observar que a diferença entre bens de consumo e bens duráveis perde muito de seu valor: o material de guerra não deve mais ser

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considerado no decorrer de um conflito como um bem durável; seu desgaste é tão rápido e sua substituição tão necessária, que é inútil manter uma compartimentação estanque entre as armas e as munições. Mas, a partir do momento em que o Estado se preocupa com a fabricação dos objetos cuja utilização ele faz diretamente, é obrigado a assegurar, também, o aprovisionamento das indústrias: em materiais, produtos semi-acabados ou até mesmo em produtos acabados, úteis à fabricação de bens diretos. O Estado será automaticamente chamado para dirigir ou para controlar todas as necessidades derivadas das empresas do primeiro escalão. Por exemplo, tendo fixado a produção de engenhos blindados (necessidade direta do Exército), o Estado deverá assegurar às fábricas encarregadas do trabalho o seguinte: motores, chassis, placas de blindagem, pneus, carvão, energia, faróis, magnetos, etc, em uma quantidade determinada (necessidades derivadas das empresas que trabalham para a guerra). Por sua vez, a fabricação de cada um destes artigos necessitará de um aprovisionamento especial. Por exemplo, somente para fabricação de placas blindadas, será preciso calcular e assegurar, no tempo desejado, estoques de aço bruto, de metais raros, de carvão, de máquinas complicadas de laminação, de prensas, prensas mecânicas e hidráulicas, etc; assim, de objeto em objeto, o Estado deverá estender seu controle e aumentar o processo de produção. A extensão e a complexidade da tarefa é infinita. A propósito, cita-se um exemplo de Ailleret: “Se considerarmos um único produto acabado, o obus de 75mm, de aço, com carga de melinita, e as cadeias que levam até ele, observa-se que as quantidades de cada produto intermediário finalmente necessárias, só poderão ser determinadas, com alguma precisão, quando os planos de fabricação tiverem sido estabelecidos, sucessivamente, por todas as usinas interessadas, remontando as cadeias de fabricação até suas origens.” Quando o mesmo trabalho tiver sido feito para todos os produtos acabados que correspondem às necessidades diretas, será possível conhecer a quantidade de cada produto acabado, de cada produto intermediário e de cada matéria-prima. Se a quantidade total de cada produto acabado tiver variado no decorrer desta operação, será obrigatório proceder a uma segunda aproximação, substituindo a quantidade admitida no primeiro cálculo pela quantidade deduzida deste cálculo. Nada impediria, teoricamente, chegar cada vez mais perto do resultado exato, multiplicando as aproximações. Este método, entretanto, seria ilusório... de fato, estes cálculos são muito longos e imprecisos; os procedimentos técnicos podem variar etc. Por isso, é mais fácil se variar as condições médias de produção.

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A aplicação do programa assim levantado depende, evidentemente, da Estrutura Industrial do País. 5.4 - A Importância da Estrutura Industrial em Tempo de Guerra O Comandante Lohr disse, com toda a razão, que “a força militar é, hoje em dia, apanágio das nações industrializadas.” É possível completar esta constatação e dizer que o êxito de uma economia de guerra é função da concentração, isto é, da cartelização e da racionalização das empresas. Uma concentração industrial bastante adiantada permitirá que o Estado se dirija a algumas empresas, ao invés de forçá-lo a contatos inumeráveis com pequenas fábricas, cujo rendimento e possibilidades dificilmente são conhecidos. Por isso, nos setores industriais cuja capacidade total de produção ultrapassa as necessidades da guerra, o governo escolhe as fábricas onde fará as suas encomendas. Em sua decisão final, pesará a importância da empresa: o trabalho será realizado mais rapidamente numa grande firma, o rendimento será melhor, a reunião de mão-de-obra e das matérias-primas será mais simples. Mesmo quando, num objetivo social, totalmente distinto das preocupações militares, o Estado se dirige a pequenos produtores, só o faz com a condição de que esses produtores se agrupem e apresentem, assim, em relação a ele, as vantagens de uma grande empresa. Os Poderes Públicos, em tempos de guerra, levam em consideração todos os grupos sociais. É inútil insistir sobre o papel importante do “Comitê das Forças e de outros Consórcios Privados”, durante a I Grande Guerra. A presença de cartéis ou de trustes permite que o Estado se dirija a todos os membros do cartel, que se torne mais fácil seu controle sobre todos eles e que atribua ao próprio cartel a distribuição das encomendas, pois a sua organização técnica e comercial lhe dá condições de fazer mais depressa e melhor do que uma administração de Estado, totalmente improvisada no início de uma guerra. O problema dos cartéis e o de sua utilização para defesa nacional foi objeto de prolongada discussões em torno de duas modalidades opostas: • De uma cartelização mais ou menos obrigatória, dirigida pelos poderes públicos; e • Da cartelização privada. A análise das duas modalidades, sob o ponto de vista estrito da Economia de Guerra, dá uma vantagem bastante nítida aos países, cuja estrutura corporativista coloca nas mãos do Estado os órgãos técnicos e profissionais capazes de assegurar uma direção completa da produção.

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A integração industrial é igualmente um elemento apreciável em tempos de guerra, permite que o Estado encontre, na mesma empresa, toda uma gama de produtos que lhe são úteis (por exemplo, as grande indústrias automobilísticas que fabricam em tempos de guerra, automóveis, carros de combate, motores de avião, armas, etc.). É sobretudo a integração vertical, ou seja, a reunião na mesma empresa, de fabricações consecutivas, desde a extração ou produção de matériasprimas, até a fabricação de material definitivo, que simplifica o trabalho do Órgão de Direção Econômica, uma vez que permite resolver, a partir dos tempos de paz, os cálculos cuja complexidade foi examinada no parágrafo precedente. O essencial, aliás, não é que o processo completo se realize no bojo da mesma empresa; é essencial, todavia, que se realize no país. Um Estado que dependa do estrangeiro quanto às matérias-primas e aos produtos semi-acabados que suas indústrias empregam ou, ao contrário, um Estado que possua indústrias extrativas e de fabricação de produtos semi-acabados, sem ter fábricas de produtos inteiramente acabados, encontra-se em grande desvantagem, na hipótese de uma guerra. A racionalização das empresas, o desenvolvimento do automatismo, da informática merecem, para a Economia de Guerra, uma menção especial. Não se trata mais, como em tempos de paz, de considerar seus efeitos sociais, mais ou menos temporários, tais como desemprego e as perdas de salários para os trabalhadores dispensados. Todo homem liberado pela máquina ou por uma melhor organização do trabalho, a partir dos tempos de paz, é um soldado a mais. O próprio regime e a propriedade das empresas tem influência sobre a preparação econômica da guerra. Se, por exemplo, indústrias particularmente importantes para a defesa nacional estão em mãos de capitalistas estrangeiros e de empresas multinacionais será indispensável fazer cessar esta ingerência, seja por meio de um controle severo, seja por expropriação, seja por confisco. Desta maneira, torna-se mandatório examinar como o Estado assegura, para si, a direção e a produção de guerra.

5.5 - Os Métodos de Direção da Produção de Guerra Três são as alternativas que se oferecem ao Estado: (1) - Nacionalização em tempo de paz; (2) - Requisição tendo em vista o conflito, que é uma nacionalização diferida e temporária; e (3) - Controle das empresas privadas.

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Não serão debatidas, aqui, a legitimidade da intervenção do Estado e as possibilidades de colaboração entre os Poderes Públicos e as indústrias privadas. No que diz respeito ao material de guerra diretamente necessário às Forças Armadas, o próprio Estado se preocupa em fabricá-lo. Por meio de uma política de nacionalização das indústrias privadas de armamento, um grande número de Estados se esforça, a partir do tempo de paz, para adaptar os seus serviços técnicos à fabricação da maioria das armas e petrechos utilizados pelas FFAA. Este é o objeto da Lei francesa de 11 de agosto de 1936, cujo lado político e, até mesmo, ideológico, de “luta contra os comerciantes de ganhões” não pode, entretanto, ser negado. O Ministério da Aeronáutica, que ainda não possuía, nenhum Arsenal de Estado, expropriou um grande número de empresas, cujos bens foram doados ao Estado, a título de participação em sociedades nacionais. Trata-se neste caso, de uma nova modalidade de exploração mais flexível que a de estabelecimento de Estado, pois não é obrigada a conformar-se com regras orçamentárias rígidas, nem com exigências de contabilidade pública. A Lei de 1936 estabelece, enfim, um corpo de controle sobre o setor de indústrias privadas de armamento. O corpo de controle tem atribuições importantes, definidas no artigo 1°, do Decreto de 17 de agosto de 1936. Tem como objeto: 1° - Exercer vigilância sobre a fabricação e venda dos materiais de guerra e enumerar as quantidades em curso de fabricação, fabricadas ou colocadas a venda; 2° - Conhecer os procedimentos empregados, seguir a orientação dos estudos e o desenvolvimento dos meios de produção; 3° - Velar pela aplicação das disposições, legais e regulamentares, específicas do assunto; 4° - Determinar o montante exato dos lucros das empresas e seus intermediários e fiscalizar suas despesas de representação e de publicidade. O ponto mais importante deste controle é, sem dúvida, a obrigação de obter uma autorização para fazer o comércio, para importar ou exportar material de guerra; e 5° - Prever medidas suscetíveis de serem aplicadas à totalidade da produção nacional (Lei de 11 de julho de 1938), a fim de assegurar, em benefício do Estado, a utilização máxima de todas as forças do país, já que a economia de guerra ultrapassa amplamente o quadro das indústrias de armamento. Ainda desta vez, a escolha entre a requisição integral de todos os meios de produção ou sua requisição parcial com o controle do Estado sobre as atividades que permanecem na mão dos participantes. A Lei francesa estabelece que o fornecimento dos produtos essenciais para atender às necessidades do país é feito por meio de acordo amigável, e somente na falta de acordo por requisição.

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Legalmente, não se faz nenhuma discriminação entre a simples requisição dos bens (meios de distribuição ou abastecimento) e a requisição dos meios de produção, o que equivale à sua socialização. Não se pode olvidar um ponto muito importante no processo da requisição: a indenização devida pelos bens requisitados Considerado sob o ângulo exclusivamente econômico, uma requisição geral dos meios de produção parece encontrar alguns obstáculos: opõem-se, freqüentemente, à fraca capacidade profissional do Estado com a capacidade dos industriais; é mais plausível recear que uma mudança brutal coloque os engenheiros do Estado diante de tarefas às quais não estão acostumados e que seu número não seja suficiente para permitir uma exploração estatal de toda a vida econômica. É preciso evitar, que seja suscitada a oposição dos industriais por meio de medidas de aparência demasiado coletivista, no instante preciso em que a sua total colaboração é desejável. Do lado operário, enfim, certos autores pensam, não sem verossimilhança, que a militarização do pessoal à submissão a uma autoridade bastante centralizada não é mais favorável ao rendimento industrial, do que um regime inverso de liberdades laboriosas e excessivas. Por isto, na medida do possível, na França, recorreu-se ao acordo amistoso em que as indústrias funcionaram sob um duplo controle do Ministério fornecedor e do Ministério das Finanças. Um último argumento, enfim: é inútil complicar, por uma inversão completa da direção e da administração da produção, a revolução técnica extraordinária que é preciso realizar, no início de um conflito, para adaptar a produção de paz às necessidades de guerra.

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6. POLÍTICA GOVERNAMENTAL DO TRABALHO NUMA DE GUERRA 6.1 - Política Governamental do Trabalho

ECONOMIA

O objetivo de uma política de trabalho numa economia de guerra é a produção ininterrupta. O problema básico da política de trabalho é a melhor maneira de lograr essa meta. Acima do detalhado mecanismo a ser organizado, pairam várias vias alternativas de acesso ao problema. Os poderes do Eixo (ALEMANHA, ITÁLIA, JAPÃO) demonstraram, claramente, a política de integral regulamentação do trabalho. Examinada detalhadamente, esta alternativa mostrou não se coadunar com os princípios democráticos e, além disso, ser particularmente deficiente. Foram feitas sugestões, em vários níveis, de que as disputas industriais deveriam obedecer à legislação específica. O prontuário desse tipo de legislação, quando foi tratado, não indicou êxito significativo. Os estudiosos do mercado de trabalho afirmaram, repetidas vezes, que num país democrático é impossível eliminar as greves por meio da Lei.

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Considera-se, finalmente, a alternativa de um programa de cooperação voluntária. Isto implica na segurança, por parte do grupo de trabalho, de que se farão conscientes esforços para salvaguardar seus interesses fundamentais. Na área das relações industriais, demanda o emprego de uma política de mediação e conciliação, com um mínimo de pressão e com a genuína boa fé de todas as partes. Esta foi a política seguida no programa de defesa dos Estados Unidos, na II Grande Guerra. É a mesma política adotada pela Grã-Bretanha; é uma política de difícil execução e manutenção, mas, ainda que resulte em sucesso limitado, oferece boas recompensas, em eficiência moral. 6.2 - Aspectos Relevantes Os problemas do mercado de trabalho são muitos e complexos. Deve ser recrutada, treinada e distribuída uma adequada provisão de mãode-obra, a fim de que se logre o máximo de eficiência produtiva. As distorções econômicas da guerra pesam intensamente sobre o contingente trabalhador; seus efeitos devem ser minimizados. A eficiência geral da produção deve ser mantida, e nela as greves devem ser reduzidas ao mínimo, preferivelmente pela aplicação do método das mediações. Nos ESTADOS UNIDOS, em janeiro de 1942, a organização do mercado de trabalho, para fins de guerra, estava mais avançada, do que ao término do ano de 1918. Naquele país funcionou, durante a II Grande Guerra, um sistema de escritórios de empregos e de programas nacionais de treinamento, que envolveu toda a nação e que propiciou bons resultados. O registro da amplitude das verdadeiras greves na produção, por disputas trabalhistas, e a efetividade das agências que a negociaram, não indicaram a necessidade de medidas drásticas. Estas foram as razões para se crer que as dificuldades do mercado de trabalho não constituíram obstáculos intransponíveis para a eficiente operação da ECONOMIA DE GUERRA nos ESTADOS UNIDOS, por ocasião do último conflito mundial.

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7 - AS FINANÇAS NA GUERRA É conhecido o quanto uma guerra fica imensamente dispendiosa para uma nação. Já tivemos oportunidade de examinar rapidamente a evolução do problema do financiamento das guerras no decorrer da História. Edgard Allix escreveu: “Há uma tendência em entregar-se à ilusão de que, para suportar o custo de uma operação tão assustadoramente dispendiosa,é preciso uma nação rica. Aquelas cujas finanças estão oneradas com dívidas não teriam meios de sustentar os fretes e logo se encontrariam paralisadas pela falta de recursos”.... “Esta perspectiva seria relativamente tranqüilizadoras para a manutenção da paz, numa época em que tantos povos passam pelas piores dificuldades orçamentárias, de tal forma que, infelizmente, fomos levados a constatar que, desde 1914, nenhum país foi obrigado a interromper as hostilidades por falta de dinheiro”... “Um país poderá ser paralisado pela falta de trigo ou de petróleo, mas não pela falta de dinheiro”.

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No entanto, seria exagerado acreditar que o financiamento das despesas de guerra e o das despesas da preparação para a guerra tenha cedido totalmente a vez às questões de produção, de mão-de-obra, de matérias-primas, que acabamos de examinar. As concepções habituais do financiamento evoluíram de maneira constante sob a pressão cada vez mais forte das despesas públicas; expedientes foram, não somente empregados, mas também apresentados como sistemas; a teoria financeira e monetária sofreu as conseqüências dos mesmos. Em primeiro lugar, apresentamos algumas cifras sobre as variações do custo de guerra, citadas pelo Dr. Hellmer, em seu livro “Wirtschafssystem und kriegsfinanzie rung”: A Guerra dos Sete Anos custou à Prússia 139 milhões de marcos; a Guerra de 1870, 1.551 milhões de marcos à Prússia e 1.529 milhões à França. A Guerra da África do Sul, 4.307 milhões de marcos aos ingleses; a Guerra Russo-Japonesa 4.930 milhões de marcos aos russos e 4.446 milhões aos japoneses. O custo total da Guerra de 1914-1918 ultrapassa 800 bilhões de marcos. Destas cifras, recolhidas por Hellmer em diferentes obras, dos cálculos aos quais se dedicou para converter à mesma unidade monetária, da falta de precisão destes dados, é preciso guardar apenas uma ordem de grandeza: uma guerra custava 1 em 1756; 15, em 1870; 50, em 1905; 1.000, em 1914. A progressão recente é vertiginosa. Ríesser verifica na edição francesa do livro “Préparation et conduíte financiére de la guerre”, 1916, que “se as despesas da guerra foram muito maiores do que se esperava, a potência econômica e financeira dos países o foi igualmente”. Esta constatação precisa ser completada: em tempo de guerra, as despesas extraordinárias do Estado podem ser cobertas, mesmo quando ultrapassam as capacidades da economia financeira. A Guerra de 1914-1918 levou o mundo inteiro à inflação sistemática, meio de financiamento perigoso, mas cujos aperfeiçoamentos recentes efetuados pelo Reich, a partir de 1933, atenuam, de uma certa maneira, os efeitos nefastos. O financiamento de cada guerra, observa o Dr. Hellmer, é o reflexo do sistema econômico em vigor no momento em que ela irrompe. Assim, o financiamento da Grande Guerra foi feito com base no sistema capitalista. Ao contrário, disse ele, numa economia socialista, o problema do financiamento desaparece; o Estado não é mais tributário do dinheiro para obter bens materiais e os serviços necessários para a conduta da guerra; é o proprietário e o dono absoluto dos meios de produção. Uma simples ordem é suficiente para mudar a produção do tempo de paz em produção do tempo de guerra. De acordo com seus prognósticos, o Estado dirigirá a amplitude de seu armamento e as necessidades da população civil, tanto em tempo de paz, quanto em tempo de guerra. Hellmer conclui,

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portanto, que a melhor solução para o problema do financiamento de guerra é introduzir um sistema econômico socialista. Quer se decida ou não por este sistema, o dinheiro, disse ele, só deve ser considerado como um meio, meio utilizável para a mobilização das forças econômicas do país; meio, no entanto, que não possui nenhum valor em si mesmo. Ao se passar do domínio da especulação teórica para a realidade, percebem-se separações menos nítidas; embora capitalista, o financiamento da guerra mostra uma conceituada preponderância dos empréstimos e da inflação sobre os impostos, um aumento dos poderes do Estado, a despesa de um Tesouro de Guerra, o aparecimento de um certo socialismo de Estado. Ao contrário, o Terceiro Reich, que depositou suas maiores esperanças na injeção de crédito e nos dados manipulados da inflação, não hesitou em empregar igualmente os procedimentos tradicionais, tais como o reforço dos impostos e dos empréstimos de consolidação. A verdade é que, mesmo em matéria financeira, a Mobilização deve ser total onde todos os meios de pagar ou de ganhar dinheiro são empregados amplamente, sem preocupação de sua origem doutrinária. Assim, para fixarmos mais as idéias, apresentamos como sugestão as seguintes ações e medidas que poderão ser adotadas para se obter recursos financeiros em caso de guerra: − Controle dos lucros considerados extraordinários e tributações progressivas sobre os mesmos; − Manutenção, tanto quanto possível, dos níveis de tributação normais da população; − Intensificação do controle e fiscalização da arrecadação tributária; − Incentivo ao aumento da poupança interna; − Realização de empréstimos internos através da venda, ao público, de Bônus de Guerra; − Adequação das políticas monetária, creditícia e fiscal à nova conjuntura; − Promoção de incentivos financeiros para o esforço de guerra; − Controle da inflação ⎯ mal que acontece em todas as situações de guerra visando a manter o valor do poder aquisitivo da moeda nacional; e − Desenvolvimento de uma bem organizada e dirigida campanha de cunho nacional, com a finalidade de motivar a consciência nacional para que a população passe a contribuir de forma leal, sincera e voluntária para o esforço de guerra.

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Esta última medida representa o chamamento psicológico para a aquisição do Bônus de Guerra, o que poderá levar à solução satisfatória do financiamento de guerra.

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8.

PLANEJAMENTO DA ECONOMIA DE GUERRA

8.1 - Considerações Gerais O planejamento da Economia de Guerra se insere no planejamento mais abrangente da Mobilização Nacional, particularmente no da Mobilização Econômica. De fato, o Planejamento da Mobilização Nacional persegue os seguintes objetivos: • Preparar as medidas para a transferência acelerada e compulsória dos meios necessários à realização das Ações Estratégicas de Segurança Nacional; • Promover as medidas adequadas para a produção oportuna de meios adicionais;e • Adotar as medidas tendentes a transformar a ECONOMIA DE PAZ em ECONOMIA DE GUERRA. O primeiro objetivo alude claramente ao Poder Nacional Atual ao se referir à transferência acelerada e compulsória de meios existentes, na oportunidade em que é decretada a Mobilização. Já o segundo, que visa a produção oportuna de meios adicionais, em complemento aos existentes, apresenta uma nítida conotação com o Potencial Nacional, configurando a transformação do Potencial em Poder. O

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terceiro visa a implantação de um Regime Econômico apto a enfrentar os problemas decorrentes do estado de guerra. 8.2 - Bases para o Planejamento da Mobilização Econômica e da Economia de Guerra 8.2.1 - Medidas gerais Considerado o fato de que MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA e ECONOMIA DE GUERRA comportam atividades afins e complementares (como vimos anteriormente), serão abordadas, a seguir, as bases (e outros aspectos) para o planejamento da MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA que, respeitadas as ressalvas, condições e particularidades anteriormente apontadas, se aplicam, também, ao planejamento da ECONOMIA DE GUERRA.

8.2.2 - Atuação dos poderes do Estado no planejamento da MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA e da ECONOMIA DE GUERRA. O Planejamento da MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA e da ECONOMIA DE GUERRA diz respeito aos procedimentos, métodos administrativos e restrições capazes de transformar em um complexo único de apoio ao esforço bélico; as instalações, as matérias-primas, a mão-de-obra e outros recursos de uma nação moderna. A origem desse planejamento é relativamente recente, tendo os maiores avanços nesse campo surgido a partir da I Grande Guerra. A experiência obtida nos conflitos passados, principalmente nas duas Grandes Guerras, demonstra que o campo da atribuição legislativa é muito amplo no planejamento da Mobilização Econômica, incluindo muitas das providências necessárias à condução de uma guerra vitoriosa. O poder de fixar o efetivo das Forças Armadas para o tempo de paz oferece amplas oportunidades constitucionais no campo da legislação pertinente à Mobilização da mão-de-obra e da indústria. Em situações de ameaça à Segurança Nacional, o Congresso tende a se aproximar mais do Executivo, buscando criar legislação e políticas nacionais adequadas ao combate dessa ameaça, dispensando, também, alta consideração às mensagens presidenciais referentes à guerra, inclusive sua declaração, e às proposições de leis necessárias ao desenvolvimento das atividades bélicas. Em geral, as divergências, em ambas as casas do Congresso, são relegadas, em ocasiões de emergência nacional. Não obstante a sua função legislativa básica, é necessário que o Congresso apoie decididamente a atuação do Executivo em suas decisões.

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Quanto ao Judiciário, seu desempenho, na eventualidade de uma guerra, deverá se pautar pelo dinamismo que se faz necessário para a aplicação das leis especiais estabelecidas. Este procedimento mais se acentuará no que concerne aos chamados crimes de guerra, pelos nefastos prejuízos que poderão acarretar aos setores econômico e militar da Nação. De uma maneira geral, os jurisconsultos reconhecem que, em situação de perigo, as necessidades do governo permitem atitudes que, em situações normais, seriam inconstitucionais. Em caso de guerra ou de situação de grave emergência constitucional, o maior peso das responsabilidades incidirá, quase sempre, sobre o Executivo. Uma aguda percepção da ameaça pública e da necessidade de maior presteza realça a conveniência de serem atribuídos amplos poderes ao Chefe do Governo. Enquanto as atividades do Executivo são de natureza imediata, o Congresso, em decorrência de sua variadas opiniões e diluídas responsabilidades, está mais adaptado para os debates e as críticas. A análise dos poderes que, em situação de guerra, a Constituição atribui ao Presidente, revela um número bem maior do que a quantidade assegurada ao Congresso. Num caso de guerra, ainda que, em teoria, o Chefe do Executivo possa assumir o comando das operações, na prática, esse encargo é delegado aos Chefes Militares. A crescente importância dos fatores políticos e econômicos na guerra moderna, entretanto, implica maior participação do Executivo nos assuntos militares. Em situações de grave emergência nacional, conseqüentemente, os poderes exercidos pelo Executivo atendem, em seu alcance, mais a gravidade da conjuntura do que as normas constitucionais. Na implantação da Mobilização Econômica e da Economia de Guerra, o Presidente, geralmente, obedece às leis aprovadas pelo Legislativo para tais situações e orienta a conduta geral da Mobilização. Na impossibilidade de um assunto tão amplo ficar na dependência de uma única pessoa, o Presidente, a seu critério, delega parte de suas atribuições a outros membros do Governo, criando também a máquina administrativa necessária ao exercício das funções delegadas. A análise da atuação dos Governos de Grandes Potências, em época de guerra, revela um importante dilema. É muito difícil analisar abstrativamente um assunto tão complicado como a MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA. Um esforço nesse sentido deve enfrentar, inevitavelmente, dificuldades resultantes de generalizações, omissões e excessiva simplificação, as quais podem anular o valor da análise. Por outro lado, parece relativamente simples basear o estudo do planejamento da MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA em métodos anteriormente adotados pelas Grandes Potências.

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Os estudos teóricos sofrem limitações definidas, cabendo ao dinâmico mundo atual reduzir suas atividades de planejamento a níveis práticos, com um mínimo de defasagem na orientação. No presente segmento, procurou-se relacionar alguns dos aspectos mais significativos do exercício das funções inerentes aos Poderes do Estado com as atividades próprias dos planejadores da MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA. Deixou-se, todavia, à percepção do leitor a tarefa de deduzir certos ensinamentos não mencionados expressamente e de complementar e aprofundar algumas idéias aqui afloradas. Tal expediente, além de conduzir o estudioso da MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA a nivelar seu raciocínio com os mutáveis padrões de orientação nacional e internacional da política e da economia, leva-o a intentar uma visão prospectiva, sem ter de confiar exclusivamente nas experiências passadas como único instrumento à sua disposição. 8.3 - Aspectos do Planejamento da Mobilização Econômica e da Economia de Guerra O planejamento da MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA e da ECONOMIA DE GUERRA, deverá considerar muitos aspectos, dentre os quais avultam, pela sua importância, os que, em seguida, serão abordados. 8.3.1 - Competências (1) - Da MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA: • Transformação dos meios de produção (instalações, equipamentos, fontes de energia, matérias-primas, mão-de-obra, transportes, telecomunicações etc.) necessários ao atendimento das necessidades impostas pela guerra; e • Criação de novos meios e a contratação de serviços indispensáveis à complementação dos existentes. (2) - Da ECONOMIA DE GUERRA: • Controle da produção e racionamento do consumo; • Providências relacionadas com a obtenção de créditos e fundos especiais para a cobertura das despesas; • Controle sobre preços, salários e lucros, de modo a disciplinar as finanças; e

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• Fiscalização do comércio externo. 8.3.2 - Exigências comuns à MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA e à ECONOMIA DE GUERRA: • Organização sistêmica; • Integração e coordenação no exercício do poder político; • Orientação ou intervenção do Estado na Expressão Econômica do Poder Nacional; • Planejamento de medidas relativas à transformação dos meios de produção; • Previsão meticulosa e preparação cuidadosa; • Planejadores com capacidade administrativa e competência profissional comprovadas; e • Apoio da opinião pública. 8.3.3 - Fatores de influência As atividades de Mobilização, tendo na Expressão Econômica a fonte da maioria dos recursos e dos meios tangíveis a serem utilizados, têm grande amplitude e intensidade e, por isso, como não poderia deixar de acontecer, sofrem a influência de um sem-número de fatores, dentre os quais podem ser destacados, como mais importantes, os seguintes: • Grau de carência de recursos técnico-científicos nacionais ou de origem estrangeira; • Grau de desenvolvimento nacional e regional; • Situação da infra-estrutura econômica (transportes, energia, comunicações); • Grau de modernização das estruturas econômicas, públicas e privadas; • Evolução do sistema estatístico nacional; • Capacidade do parque industrial; • Intensidade da exploração dos recursos das telecomunicações, informática e teleinformática; • Grau de suficiência de recursos estratégicos; e • Capacidade de importação de tecnologia. 8.4 - Principais Medidas a Serem Planejadas

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As ações de MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA, bem como as de ECONOMIA DE GUERRA, têm grande amplitude e intensidade. Por esse motivo, seu planejamento incide sobre um amplo elenco de medidas, dentre as quais merecem maior destaque, por serem presumivelmente as mais importantes: • Determinação dos materiais críticos e estratégicos; • Incremento da obtenção de itens críticos e estratégicos; • Fixação de prioridades; • Racionamento de itens críticos; • Obtenção de recursos materiais e financeiros, em intensidade e amplitude, inclusive no exterior; • Padronização da nomenclatura e a catalogação dos itens de suprimentos; • Incremento da produção em geral; • Garantia de velocidade na passagem da situação econômica normal para a de emergência; • Estímulo à formação de mão-de-obra especializada; • Promoção da Mobilização Industrial; • Adaptação das linhas de produção, direcionando-as para o esforço de guerra; • Distribuição de encomendas educativas; • Transferência de parcelas de atividades de um setor para outro; • Controle da importação e da exportação; • Coordenação das atividades de transporte e da utilização de seus meios; • Promoção de incentivos financeiros para o esforço de guerra; • Estabelecimento de tributações extras à nação; • Incentivo à captação de poupança e às campanhas de bônus de guerra; • Intensificação de programas de desenvolvimento de fontes alternativas de energia; • Exploração, com intensidade, dos meios proporcionados pelas telecomunicações à informática e à teleinformática; e • Intensificação dos trabalhos cartográficos em áreas prioritárias para a Segurança Nacional. 8.5 - Planos de Economia de Guerra Os PLANOS DE ECONOMIA DE GUERRA abrangem aspectos também contidos nos PLANOS DE MOBILIZAÇÃO ECONÔMICA. Assim, ambas as categorias de planos apresentam partes comuns, sendo irrelevante determinar as que

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se incluem na esfera da Mobilização Econômica e as que pertencem ao domínio da Economia de Guerra. Tão-somente para efeitos didáticos, poder-se-ia afirmar que eventuais diferenças entre uns e outros residem nos objetivos das atividades a que se referem. Os Planos de Mobilização Econômica (Plano Setorial de Mobilização Econômica; Plano de Mobilização Econômica integrante do Plano de Guerra) mencionam, como objetivo da Mobilização Econômica, a “ transformação, sob estreito controle governamental, de uma economia de Guerra”, ao passo que o objetivo da Economia de Guerra é “atender, adequada e oportunamente, às necessidades decorrentes da conjuntura nacional: prioritariamente, às das Forças Militares empenhadas em operações de guerra; subsidiariamente, às das parcelas da população não empenhadas naquelas operações ou não engajadas no serviço militar”. Pode-se dizer que, enquanto os primeiros estão voltados para a montagem de uma estrutura econômica, os Planos de Economia de Guerra estão direcionados para o funcionamento dessa estrutura. Assim, e como foi sobejamente enfatizado, poderão figurar pontos, segmentos e partes comuns em ambas as modalidades de planos. Não existem modelos para os PLANOS DE ECONOMIA DE GUERRA. Os fatores intervenientes em cada situação, as condições próprias de cada conjuntura, a maior ou menor determinação do planejador em ampliar ou restringir detalhes e o nível em que se situa a equipe de planejamento determinarão a configuração dos planos que, de um modo geral, versarão sobre as medidas a serem adotadas.

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9.

CONCLUSÃO

Todas as considerações sobre a Economia de Guerra, levantadas neste Trabalho, embasadas, em sua maior parte, nas experiências vividas pelas nações diretamente envolvidas em grandes conflitos, permanecem oportunamente válidas para, serem estudadas e aplicadas no Preparo e na Execução de uma Mobilização Nacional da Expressão Econômica.

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BIBLIOGRAFIA

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