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ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA

LS 702-04 DEPARTAMENTO DE ESTUDOS DALMob

FUNÇÃO LOGÍSTICA: TRANSPORTES Equipe da DALMob

Trabalho elaborado pela Equipe da DALMob

Os textos de Leitura Selecionada, de caráter doutrinário, teórico ou conjuntural, destinados à distribuição interna, às vezes discordantes entre si, visam a trazer novos subsídios aos estudos que aqui se realizam e expressam opiniões dos respectivos autores, não, necessariamente, as da ESG.

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ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA LS 702/04 DEPARTAMENTO DE ESTUDOS DIVISÃO DE ASSUNTOS DE LOGÍSTICA E MOBILIZAÇÃO

FUNÇÃO LOGÍSTICA: TRANSPORTES

Rio de Janeiro 2004

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Presidente da República LUIS INÁCIO LULA DA SILVA

Ministro de Estado da Defesa Dr. JOSÉ VIEGAS FILHO

Comandante e Diretor de Estudos da Escola Superior de Guerra Major-Brigadeiro-do-Ar ANTONIO LUIZ RODRIGUES DIAS

Subcomandante e Chefe do Departamento de Estudos General-de-Brigada EDUARDO RAMALHO DOS SANTOS

Divisão de Assuntos de Logística e Mobilização (DALMob) Chefe: CMG Ref NEY MARINO MONTEIRO

Autorizada a reprodução e divulgação deste documento, desde que seja citada a Escola Superior de Guerra.

Escola Superior de Guerra Divisão de Biblioteca, Intercâmbio de Difusão Av. João Luís Alves, s/nº CEP: 22291-090 - Urca - Rio de Janeiro, RJ - Brasil Telefone (21) 3223-9899 Telex: (21) 30107 - ESG FAX: (21) 3223-9971 LS - Leitura Selecionada

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SUMÁRIO

1 - SINOPSE HISTÓRICA............................................................... 2 - OS TRANSPORTES NO BRASIL.............................................. 2.1 - Conceitos Básicos..................................................................... 2.2 - Modalidades de Transportes...................................................... 2.3 - Os Transportes e suas implicações nas Expressões do Poder Nacional..................................................................................... 2.3.1 - Na Expressão Econômica................................................. .... 2.3.2 - Na Expressão Política........................................................... 2.3.3 - Na Expressão Psicossocial..................................................... 2.3.4 - Na Expressão Militar............................................................. 2.3.5 - Na Expressão Científico-Tecnológica.................................... 2.4 - Fatores condicionantes de um sistema de transportes.............. 2.5 - Política e planejamento dos transportes................................... 3 - CONCLUSÃO.......................................................................... BIBLIOGRAFIA............................................................................. ANEXOS: A.................................................................................... B.................................................................................... C....................................................................................

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APRESENTAÇÃO

Esta Leitura Selecionada foi elaborada para servir de subsídio a estudos futuros e mais acurados sobre a LOGÍSTICA NACIONAL e sobre a Função Logística TRANSPORTES. As idéias e informações expostas não têm caráter doutrinário e expressam, exclusivamente, considerações do autor, que não esgotam e nem têm a pretensão de abarcar, de modo geral, a problemática do assunto: apenas, procura nivelar alguns conhecimentos básicos, julgados indispensáveis para todos os que assistirão as conferências e palestras da fase conjuntural, a respeito do assunto. Assim, o objetivo primacial deste trabalho é, em última análise, provocar críticas e contribuições que possam enriquecer o acervo de estudos e pesquisas da Escola Superior de Guerra sobre a matéria.

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1 - SINOPSE HISTÓRICA No afã do simplificar suas tarefas diárias, principalmente visando a poupar os esforços despendidos, vem o homem, desde a mais remota antigüidade, empenhando toda sua inteligência e desenvolvendo, ao máximo, sua extraordinária imaginação criadora, no sentido de aprimorar meios e processos cuja utilização assegurar-lhe-á atingir aquelas metas, a cada vez, em melhores condições. Ainda nos estágios de pré-civilização, as simples tarefas de preparar seus toscos abrigos ou de providenciar sua alimentação e de seus dependentes passaram a exigir que o homem carregasse materiais diversos, cada vez mais pesados, a tal ponto que, o transporte a braço, no ombro ou na cabeça, inicialmente adotado, tornou-se impraticável. Os recursos do transporte no lombo de animais domesticados ou de dividir o esforço por dois ou mais homens, pela utilização de padiolas ou dispositivos semelhantes, também cedo iriam se tornar precários. Desta forma, a idéia de arrastar-se a carga não mudou muito o panorama. Foi, entretanto, na oportunidade da utilização deste recurso, que surgiu um invento revolucionário para o problema dos transportes -- a roda. Com o intuito de tornar menos penoso o deslocamento da carga arrastada, lançou-se mão de artifícios os mais diversos, surgindo, num primeiro estágio, os troncos como os mais eficientes. O exemplo típico de veículo aproveitando essa inovação foi a “Zorra Egípcia” sobre cilindros. O passo seguinte foi a invenção da roda: daí o surgimento de uma série de veículos, tracionados pelo próprio homem ou por uma grande variedade de animais domesticado. Estes veículos impuseram, em grau cada vez maior, a construção de estradas que, em uma primeira fase, atingiram o auge nos fastígios do Império Romano. Após a queda deste Império, as estradas foram praticamente abandonadas, para retomarem seu desenvolvimento somente no século XVII. A revolução tecnológica, se de um lado passou a apresentar possibilidades crescentes de cargas, distâncias e velocidades para os meios de transporte, de outro lado chegou a contribuir de maneira decisiva para a sua evolução e o progresso do transporte. Novas fontes motrizes foram pesquisadas e um grande passo foi obtido graças às experiências dos engenheiros ingleses Thomas Newcomen e de James Watt no século XVIII, considerados os inventores, respectivamente, da máquina a vapor de baixa pressão (1705) e da máquina a vapor de condensação (1769). Pequenos insucessos, como por exemplo, o afundamento das rodas da diligência a vapor no solo natural, iriam aprimorar as idéias, e fazer nascer as vias de estrutura especial, mediante a utilização de trilhos.

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A ferrovia, resultante daquela consolidação, conjugada à locomotiva a vapor, deu início ao transporte terrestre estratégico. O grande incentivador das locomotivas a vapor, o engenheiro inglês George Stephenson, longe estava de imaginar o amplo campo que estava abrindo com os transportes ferroviários, pois, da evolução de suas primeiras locomotivas, construídas no limiar do século XIX, surgiriam os modernos trens-bala, o “New Shikando”, dos japoneses, o Trem GrandeVelocidade dos franceses e alemães, e em breve, estaremos contando com os modernos trens acionados a motor de reação, e com os velocíssimos “Transrapid”, de levitação magnética (“Magnetic Levitation” ou “Mag Lev”). Entretanto, alguns fatores intrínsecos à Ferrovia, como particularmente, a sua relativa falta de flexibilidade e o elevado custo de sua implantação, aliados a outros, dentre os quais destacamos a disseminação e a diversificação dos pólos geradores de cargas, bem como o surgimento de algumas inovações tecnológicas na tração dos veículos, fizeram renascer o transporte rodoviário, permitindo a dispensa de trilhos, trocando-os pelo pavimento, e incrementando de maneira notável o desenvolvimento do transporte terrestre. O advento do motor a combustão interna, do pneumático e de novas técnicas e materiais para a pavimentação das rodovias foi decisivo para tal expansão. Os modernos automóveis e os confortabilíssimos ônibus interurbanos revolucionaram o transporte de passageiros, enquanto que a movimentação de carga muito foi facilitada, com os minúsculos utilitários até os gigantescos transportadores de minério “Off Road”, já superando as 300 toneladas de capacidade; deste forma, estes veículos passaram a assumir um papel cada vez mais relevante no Sistema de Transportes. O transporte aquaviário teve seu significado notavelmente gravado na história dos grandes descobrimentos, por via marítima, e se constituiram num importante fator de expansão colonizadora, através da utilização das vias interiores. É um modo de transporte aplicado para deslocamentos de cargas em larga escala, pelo seu baixo custo e autonomia. Com o advento e a evolução do transporte aéreo, as opções de deslocamentos rápidos aumentaram sensivelmente, em especial, aplicando-se aos grandes trajetos e aos prazos exíguos. E hoje, na matriz de transportes de qualquer país, o segmento aéreo apresenta participação significativa chegando ao alge, com o corredor aéreo para salvar Berlim, que cercada por terra, conseguiu sobreviver com o transporte aéreo. Os transportes contínuos por dutos e em esteiras rolantes vieram a completar o quadro das alternativas disponíveis para tornar mais eficiente o apoio logístico.

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Assim, a Função Logística Transportes, dentro do Setor de Serviços, é primordial para o apoio às ações estratégicas, principalmente, quando decretada a fase de Execução da Mobilização Nacional. É fator decisivo na aplicação do Poder Nacional a fim de alcançar e preservar os Objetivos Nacionais.

2 - OS TRANSPORTES NO BRASIL 2.1 . Conceitos Básicos Transportar é, essencialmente, levar de um lugar para outro, pessoal, carga ou animais. A operação de transportar, chamada TRANSPORTE, poderá exigir equipamentos especiais que são conhecidos por MEIOS DE TRANSPORTE, como por exemplo, o avião, o trem, o navio, o automóvel , o caminhão, o duto, a correia trasnportadora, e outros. A estrutura física e seu balisamento, através da qual se desloca um meio de transporte é denominada de VIA DE TRANSPORTE (aerovia, ferrovia, rodovia e as hidrovias, sejam fluviais, lacustres ou marítimas). Os pontos de origem ou de destino das vias de transporte, quando exigem obras especiais e complementares, são conhecidos por TERMINAIS DE TRANSPORTE, (portos, aeródromos, estações terminais de passageiros ou de cargas, etc) e podem ser classificados como ESPECIALIZADOS quando se destinam, exclusivamente, a um determinado tipo de carga, como por exemplo, terminal graneleiro, terminal para conteineres, terminal petroleiro ou até mesmo, o próprio aeroporto; de um modo geral, os terminais tomam o nome do principal meio de transporte atendido. Entretanto, quando o terminal atende simultaneamente a vários modos de tansportes, é conhecido por TERMINAL MULTIMODAL. A CAPACIDADE DE UMA VIA DE TRANSPORTE é a expressão numérica do somatório das possibilidades teóricas de uma via de transporte para escoar passageiros, carga ou animais, considerados os terminais envolvidos. É apresentada em número de veículos por dia (veículos/dia), em número de passageiros por dia (passageiros/dia) ou em toneladas transportadas por dia (toneladas/dia). O RENDIMENTO DOS TRANSPORTES (utilização prática, transporte realmente efetuado) é medido, também, em veículos/dia, em passageiros/dia ou em toneladas úteis/dia; entretanto, no caso específico de uma ferrovia é usual empregar a TONELADA ÚTIL POR QUILÔMETRO, a conhecida TKM,

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enquanto que o transporte hidroviário é medido em tonelada útil transportada (TUT), ou também, tonelada deslocada, ou melhor “Ton Dead Weight” (TDW). O RENDIMENTO DOS TRANSPORTES medido entre dois pontos (utilização prática), pode ser considerado em um só ou também, nos dois sentidos do trajeto, também considerada a capacidade dos terminais envolvidos; um sistema contínuo de dutos, geralmente, só tem um sentido de circulação em cada utilização, enquanto que uma rodovia, usualmente, tem dois sentidos de tráfego. A PROGRESSIVIDADE DE UTILIZAÇÃO é a característica de alguns modos de transportes que permite sua utilização desde suas fases iniciais de implantação, mesmo que seja em alguns trechos ou em condições precárias, como, por exemplo, a rodovia e o transporte hidroviário, em contraposição às ferrovias e ao transporte aéreo ou o contínuo por dutos, que só podem funcionar com suas obras encerradas. O conjunto de meios, vias e terminais, que devem agir de MODO HARMONIOSO, COMPLEMENTAR E CONTÍNUO, recebe o nome de SISTEMA DE TRANSPORTES ou SISTEMA DE VIAÇÃO, e sua programação, obviamente, tem de ser centralizada. A Constituição Federal de 1988, em seu Art 22, inciso IX, prescreve que “compete à União legislar sobre Política Nacional de Transportes” ; e ainda, no inciso XXI do Art 21, a CF/1988 estabelece a sua responsabilidade sobre a “fixação de princípios e diretrizes para o Sistema Nacional de Viação”. O Plano Nacional de Viação (PNV), aprovado por lei específica, constitui um dos principais documentos da Política Nacional de Transportes. O PNV prescreve a infra-estrutura viária – que abrange as redes de rias e terminais, com suas instalações acessórias e complementares – e as regras básicas para a estrutura operacional – compreendendo o conjunto de meios e atividades, sejam comerciais ou estatais, em cada modalidade de transporte, necessários e suficientes, ao uso adequado e seguro da infra-estrutura citada. Em seu texto legal, fica bem claro que “nenhuma obra viária poderá ser realizada pelo Governo Federal, sem que esteja constando desse Plano”. O referido PNV conceitua, ainda, os diversos sistemas e estabelece as diretrizes básicas a serem obedecidas pelos elementos das vias e dos terminais que os constituem.

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2.2 - Modalidades de Transportes:

Os transportes são seguintes modalidades:

classificados em função da Via utilizada, nas

Vias utilizadas υ • • • •

Modos de Transporte Rodoviários Ferroviários Contínuos (dutos, esteiras, etc) Interiores: - Fluviais - Lacustres (lagos e algumas baías, como a da Guanabara) Marítimos: - Cabotagem (próximo ao litoral) - Longo Curso (através dos oceanos) Linhas Aéreas Domésticas Linhas Aéreas Internacionais Linhas Não Regulares (táxis aéreos, vôos “charters”, socorro aero-médicos, vôos particulares, recreativos e muitas outras opções).

Terrestres

υ

Aquáticas Hidroviárias

ou

• • • •

υ Aéreas

Como o visto acima, os transportes adotam o nome da via empregada. Quando, por força de simplicidade ou economicidade, são empregados, pelo menos, duas modalidades para realizar um determinado transporte, de um terminal de origem até um de destino, é adotada a denominação de TRANSPORTE INTERMODAL; entretanto, para que se torne viável sua utilização, há necessidade de transferência da carga, animais ou de passageiros, de um Modo para outro, operação conhecida por TRANSBORDO. De tal forma é crucial, em termos de funcionalidade e de custos que, freqüentemente, o transbordo desaconselha determinada intermodalidade, apontando para outra, com transbordo mais favorável. É, por exemplo, o caso da exportação do minério vindo de Carajás, com o descarregamento do trem através

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dos viradores de vagões, acoplados a correias transportadoras, que carregam diretamente o minério para os navios, atracados no Porto de Itaqui, no Maranhão (intermodalidade em ótimas condições de funcionalidade) em contraposição ao transbordo entre trens de bitolas diferentes -- com intenso uso de mão-de-obra - ou de um tipo de navio para outro). As principais ocorrências de INTERMODALIDADE em utilização no país são:

INTERMODALIDADE AUTO-TREM

O QUE SIGNIFICA OU COMO FUNCIONA

• embarque de viaturas ou de reboques em vagões-pranchas ferroviárias com seus próprios meios. ROLL ON - ROLL OFF • embarque e desembarque de viaturas em navios adequados, utilizando seus próprios recursos, através de rampas de acesso. • carga armazenada em cofres metálicos, que são CONTEINERIZAÇÃO carregados ou descarregados de navios, por guindastes e recarregados em carretas ou armazenados. • reunião de diversos volumes de carga em apenas um conjunto, geralmente com emprego de cobertura de UNITIZAÇÃO DE material plástico, que é embarcado ou desembarcado CARGA de uma só vez; em alguns casos, emprega-se uma plataforma (metálica ou de madeira) sobre a qual a carga é acomodada e presa, “pallets” como por exemplo, o carregamento de carga em aeronaves ou o recarregamento em viaturas para a distribuição de refrigerantes. • viaturas e carga a granel são embarcadas e desembarcadas em plataformas flutuantes, a serem FLOT ON - FLOT OFF empurradas ou rebocadas até outros pontos, onde são desembarcados, como por exemplo, o embarque de sal a granel, em grandes barcaças para transbordo para navios nas costas de Mossoró ou o intenso transporte de carga entre Belém e Manaus, utilizando comboios de plataformas, aclopados a rebocadores ou a empurradores.

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No Quadro nº1, Anexo A, são apresentadas as características marcantes que constituem uma síntese de estudo comparativo entre as principais Modalidades de Transportes. O conjunto de Modos de Transportes de uma área ou de um país e suas respectivas taxas de utilização (Rendimento dos Transportes) constituem o que é conhecido por MATRIZ DE TRANSPORTES. O Quadro nº2, Anexo B, apresenta uma comparação entre as Matrizes de Transporte do Brasil e de outros países. Entretanto, a nossa matriz de transportes não é definitiva e tende a sofrer modificações com o grande crescimento — em tecnologia e em utilização — dos transportes terrestres por dutos e o de carga aérea paletizada.

2.3 - Os Transportes e as suas implicações nas Expressões do Poder Nacional: Um adequado Sistema de Transportes apresenta reflexos relevantes em todos os setores da vida de um país e, em conseqüência, apresenta implicações em todas Expressões do Poder Nacional; se estiver funcionando com bom rendimento, servirá para fortalecê-las, mas, em caso contrário, constituirá séria limitação para o Progresso (ONP) e para o Desenvolvimento Nacional. Para exemplificar, são apresentadas a seguir, as implicações de um Sistema de Transportes em cada Expressão do Poder Nacional, apenas aquelas com maior significado: 2.3.1 - Na Expressão Econômica: • possibilita a circulação de bens e mercadorias, procurando atender às necessidades da população; • liga os fornecedores de matérias-primas às áreas de produção e depois, às de consumo e também aos terminais de exportação, cooperando com o Desenvolvimento Nacional; • facilita o envio de alimentos, das áreas de colheita às de agroindústrias e também às de consumo; • com a utilização intensiva de transporte marítimo e de seu controle de tráfego, coopera na vigilância da plataforma continental e da zona econômica exclusiva, enquanto que, com o crescimento do transporte aéreo, provoca mais intensivo controle do tráfego,

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cuidando do espaço aéreo sobrejacente, cooperando para a manutenção da Integridade do Patrimônio Nacional (ONP); • coopera, em largos passos, para um adequado crescimento econômico, favorecendo a caminhada para o Progresso (ONP) e o Desenvolvimento Nacional; • contribui para a incorporação de novas áreas ao setor produtivo brasileiro e vitalizando-as, facilita o desenvolvimento do país, cooperando com a busca do Progresso (ONP); e • facilita a Execução da Mobilização Nacional ao possibilitar maior fluxo de insumos às indústrias engajadas no esforço de guerra. 2.3.2 - Na Expressão Política: • coopera na consolidação da comunidade nacional, interligando os centros de atividade do país e, portanto, favorecendo a Integração Nacional (ONP); • participa, como fator decisivo, na ligação de áreas isoladas da comunidade brasileira, permitindo a ocupação dos grandes espaços e da faixa de fronteira, facilitando a sua colonização, e a busca da total Integração Nacional (ONP) e com isto, facilitando a manutenção da Integridade do Patrimônio Nacional (ONP); • participa igualmente como fator importante para que a comunidade possa acompanhar e participar da vida pública, favorecendo a implantação da Democracia (ONP); • possibilita a aplicação do Poder Nacional, em suas diversas formas de atuação, nas áreas que o exijam, cooperando para o funcionamento de um regime de governo atendendo à Democracia (ONP) e a Paz Social (ONP) e, ainda, na manutenção da intangibilidade da Nação e da Soberania (ONP); e • facilita a eventual Execução da Mobilização Nacional, permitindo a concentração dos meios adicionais gerados. 2.3.3 - Na Expressão Psicossocial: • permite a incorporação de todo o território nacional e o intercâmbio entre os diversos centros culturais, contribuindo para a unidade do caráter nacional e para a participação da sociedade na condução da vida pública da Nação, cooperando para a manutenção da Democracia (ONP) e Integração Nacional (ONP);

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• assegura o acesso de toda a população aos centros vitais do país, com uma distribuição de oportunidades mais eqüitativa, contribuindo para a Paz Social (ONP) e o Progresso (ONP); • promove o desenvolvimento social ao cooperar com o aumento das opções de amparo à saúde e à educação e com isto, melhorando o padrão de vida da população, na busca da Paz Social (ONP) e do Progresso (ONP); • facilita a ação do governo em prestar assistência às populações interioranas, favorecendo o amadurecimento da Integração Nacional e da Paz Social (ONP); e ainda • coopera com uma eventual Execução da Mobilização Nacional, facilitando o envio de representação a cada comunidade a fim de motivar e informar a respeito, e reduzir as restrições de ordem psicossocial, ao chamamento da população convocada. 2.3.4 - Na Expressão Militar: • assegura a concentração e os deslocamentos de forças para os diversos pontos do país, cooperando para manter a intangibilidade da Soberania Nacional (ONP) e a Integridade do Patrimônio Nacional (ONP); • permite a realização de várias modalidades de adestramento militar, facilitando o aprestamento das Forças a fim de manter intangíveis a Integridade do Patrimônio Nacional (ONP) e a Soberania (ONP); • aumenta substancialmente a capacidade dissuasória do Poder Nacional, desencorajando eventuais agressores, e cooperando para a preservação da Soberania Nacional (ONP); • promove a movimentação dos suprimentos necessários e o abastecimento imprescindível para as forças em operação, favorecendo a sobrevivência dos efetivos e o cumprimento da missão; e • facilita a tarefa do planejamento das operações militares e do Preparo da Mobilização Nacional, facilitando a reunião dos recursos adicionais necessários a serem reunidos por ocasião da sua Execução. 2.3.5 - Na Expressão Científico - Tecnológica: • contribui para o Desenvolvimento Nacional, na medida em que busca a realização de um transporte funcional, em melhores

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condições técnicas e operacionais, cooperando com o Progresso (ONP); • motiva e incrementa a pesquisa e o desenvolvimento de soluções autóctones (como por exemplo, o álcool hidratado automotivo e o monotrilho movido a ar comprimido, ambas soluções brasileiras); • incentiva a pesquisa e o desenvolvimento de melhorias nas implantações de modos de transportes, nas conexões intermodais e nos terminais multimodais; e • colabora com o natural incremento da busca de tecnologia autóctone, no momento da Execução da Mobilização Nacional. 2.4 - Fatores condicionantes de um Sistema de Transportes: Os diversos fatores que condicionam o estabelecimento de um Sistema de Transportes não agem isoladamente, a não ser em reduzido número de exceções. É recomendado um pormenorizado estudo, analisando a conjugação dos vários fatores intervenientes, antes de ser adotada qualquer conclusão, e a eleição deste ou daquele Modo de Transporte, bem como do porte do empreendimento recomendável. Além dos oriundos das Expressões do Poder Nacional, merece realce o fato de alguns se tornarem impositivos: é o caso dos fatores geográficos, entre os quais avultam a hidrografia e o relevo de uma região ou área. Também provocam alterações as inovações tecnológicas que modificam os parâmetros de julgamento, desequilibrando a economicidade de algumas soluções. A análise em maior profundidade de uma Via de Transportes deve seguir um roteiro, para que não deixe de levar em consideração todos os fatores intervenientes. À guisa de sugestão, o Anexo C apresenta um memento que poderá ser seguido ou adaptado, para cada caso específico. 2.5 - Política e Planejamento dos Transportes O estabelecimento de princípios e normas, que venham a definir a Política e o Planejamento de Transportes de um país (Estratégia decorrente da Política de Transportes), deve ser fundamentado em acurada e permanente análise de um complexo de fatores determinantes. De uma forma bastante geral, eles podem ser grupados, no tempo, em permanentes e transitórios e, no espaço, como endógenos (ou internos, que nascem do Modo de Transporte analisado) e exógenos (em conseqüência de fatores externos).

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Sem entrar em detalhes de uma sempre difícil classificação, pode-se vislumbrar a continuada influência de fatores permanentes, mas que deverão ser preponderantes os fatores transitórios, induzindo, desde logo, a conclusão fundamental da imposição de uma sistemática dinâmica de planejamento, com a flexibilidade necessária a adaptar-se, continuamente, às evoluções conjunturais. Por outro lado, é importante considerar-se, também, a influência de elementos exógenos, quase sempre independentes da ação do Poder e de vontade da Nação, como por exemplo, o consumo de petróleo e seu custo econômico. Em decorrência, a Política e as Estratégias para o Setor dos Transportes deverão servir de base para o Planejamento Técnico e a Programação Financeira. Eles se interligam, no tempo e no espaço, para os quais são importantes os seguintes aspectos: ƒ Investimentos; ƒ Operação; e ƒ Custos. As necessidades sempre crescentes devem ser contrapostas às disponibilidades, geralmente insuficientes, antes de serem fixados os Investimentos, o que recomenda uma rigorosa seletividade na sua aplicação e uma condizente avaliação do seu benefício, através do pormenorizado estudo do binômio transporte/produção ou custo/benefício. “Não há crescimento significativo, nem melhoria de Transportes, sem maciços investimentos, sendo portanto, um elemento bem influente em qualquer planejamento para o desenvolvimento.” A Operação dos Modos de Transportes está ligada ao uso adequado do meio existente, de modo a haver eficiência, rapidez e confiabilidade por parte do usuário. A sempre procurada produtividade é expressa pela capacidade existente em confronto com o transporte produzido. A operação requer seja sempre mantida no melhor nível: daí, exigir-se que os sistemas recebam conservação e reparação necessárias, para serem adequadamente explorados. O Custo pago pelo usuário, isto é, a tarifa, está ligado ao investimento e à operação, quando se busca o relacionamento ideal do preço pago pelo usuário e o custo da prestação do serviço. Os Projetos Finais de Engenharia, em especial do setor viário, devem ser preparados e aprovados antes de ser iniciada a execução de qualquer obra; os

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cronogramas físicos-financeiros precisam ser firmemente cumpridos; as inspeções de serviços em andamento e nas obras já concluídas, precisam ser continuadas e eficientes para facilitar a evolução dos Transportes, transformando-os em instrumento fundamental do Desenvolvimento e do Progresso (ONP), que o Brasil tanto anseia. Ao Estado, cabe buscar a melhor distribuição dos fluxos de Transportes entre as diferentes modalidades, dispondo dos instrumentos fiscais adequados para assegurar a repartição dos encargos entre usuários diretos e a coletividade, capaz de suportar os ônus da construção, manutenção e exploração dos meios. Qualquer estudo a respeito do tema não poderá prescindir de consultar o trabalho preparado por um renomado escritório de especialistas internacionais COVERDALE & COLPITTS - que, embora apresentado em 1969, ainda se mostra bastante atualizado.

3. CONCLUSÃO Os Transportes se apresentam como a ferramenta fundamental para que qualquer país possa armar o edifício do seu desenvolvimento. Vários países já deixaram uma demonstração patente que só conseguiram crescer e evoluir depois de armar o seu Sistema de Transportes. Com tal importância, é necessário ser estudado com profundidade e ter como sua meta maior, a busca da funcionalidade. Somente com este orientação, poderá bem cumprir seu o seu dever e organizar o futuro. Para qualquer obra no setor dos Transportes, é de fundamental importância a organização do Projeto Final de Engenharia , seja para a implantação de suas vias e/ou seus terminais; deve ser preparado com todos os elementos necessários a cada empreendimento, minimizando as incertezas da execução e permitindo assegurar a qualidade das obras. Ademais, a ligação do futuro do País e a preservação dos seus ONP, com as possibilidades do Sistema de Transporte, fica bem claro com as implicações que este Sistema pode causar nas Expressões do Poder Nacional e no Desenvolvimento do País. Dessa forma, a Função Logística Transportes assume, dentro da Fase Básica Distribuição, uma destacada dimensão para o êxito da Logística

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Nacional, nas suas atividades de gerência dos meios do Poder Nacional, alocando-os nos momentos e locais adequados .

BIBLIOGRAFIA

ALBUQUERQUE, Roberto Cavalcante. 2010: A Economia e os Transportes. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1994. 1 volume. COVERDALE & COLPITTS. Estudo dos Transportes no Brasil. Brasília: GEIPOT, 1969 - 18 volumes. EMPRESA BRASILEIRA DE PLANEJAMENTO DE TRANSPORTES. A Evolução Recente dos Transportes no Brasil e suas Perspectivas até o ano 2010. Brasília: 1994. p. 54. ______ -- Bases da Política para o Setor Transportes. Brasília: 1994. p. 20. ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA. Mobilização Nacional. Rio de Janeiro: ESG, 1996. (NCE70/99). ESTADO-MAIOR DAS FORÇAS ARMADAS. Manual de Transportes das Forças Armadas. Brasília: EMFA, 1991. p. 28. MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES E DAS COMUNICAÇÕES. A Atuação do Governo Federal no Setor de Transportes. Brasília: M Com. 1992. p. 23. MONTEIRO, Ney Marino. Logística Nacional. Rio de Janeiro: ESG, 1996. LS 701/97. O’ DE ALMEIDA, Jorge Luiz Abreu do. O Transporte na América Latina. Rio de Janeiro: ECEME, 1974. p.104. SEVERO, Cloraldino Soares. Projetos Estratégicos em Transportes. Brasília: Ministério dos Transportes, 1994. 1 volume. WHITE, Eston T. Transportation. Washington. USA.. Livro texto do Industrial College of the Armed Forces.. Washington, EUA: NDU 1974. p. 166.

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Quadro n0 1

Anexo A

CARACTERÍSTICAS DAS PRINCIPAIS MODALIDADES DE TRANSPORTES

TRANSP CARACTERÍSTICAS RODOV
1. FLEXIBILIDADE: - Alternativas Boas - Dependência à terminais Nenhuma - Dependência às condições meteorológicas Reduz ida 2. CUSTO: - Implantação da via Elevado - Manutenção da via Elevado - Infra-estrutura dos terminais Zero - Aquisição dos meios Reduzido - Manutenção dos meios Elevado - Dependência à importações Reduzida - Custo operacional relativo Elevado 3. POSSIBILIDADES: - Granéis e cargas volumosas Reduzidas - Explosivos e inflamáveis Sim - Progressividade Sim 4. ASPECTO MILITAR: - Possibilidades de Mobilização: Amplas • dos meios viários Amplas • do pessoal especializado Reduzida - Vulnerabilidade Atq Aéreo Fácil - Proteção contra Atq Aéreo Fácil - Possibilidade de recuperação

TRANSP FERROV
Raras Sim Nenhuma Mui elevado Reduzido Mínimo Elevado Reduzido Média Médio Limitadas Especiais Não

TRANSP HIDROV
Ótimas Sim Reduzida Zero Zero Elevado Mui elevado Reduzido Média Mínimo Sim Sim Não

TRANSP

AÉREOS
Ótimas Sim Grande Zero Zero Elevado Mui elevado Mui elevado Grande Mui elevado Reduzidas Não Não

Reduzidas Reduzidas Grande Mui difícil Difícil

Amplas Boas Média Difícil Mui difícil

Amplas Boas Grande Difícil Mui difícil

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Quadro 2

Anexo B

PERCENTUAL DOS TRANSPORTES UTILIZADOS NO INTERIOR DE ALGUNS PAÍSES (Dados do ano de 1988)

MODALIDADE UTILIZADA PAÍS

TRANSP

TRANSP

TRANSP HIDROV

TRANSP

RODOV

FERROV

NO INTERIOR AÉREO

ALEMANHA BRASIL CHINA ESTADOS UNIDOS FRANÇA JAPÃO REINO UNIDO URSS

46,5 54,8 17,0 33,0 65,7 45,3 60,5 03,3

36,7 23,7 63,9 46,0 28,9 04,6 08,4 90,4

15,6 21,1 19,0 20,4 03,3 45,1 29,9 06,2

1,1 0,3 0,1 0,5 2,0 1,0 1,2 0,1

FONTE: “Encyclopedia Britannica”, 1990

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Anexo C

ESCOLHA DE UMA VIA DE TRANSPORTES

Esta decisão sugere a análise meticulosa de um conjunto de fatores, merecendo destaque os seguintes:
σ - FATORES POLÍTICOS: • Vinculação aos Centros de Poder; • Ligação com as áreas isoladas, base para a preservação do ONP Integridade do Patrimônio Nacional; • Garantia para a aplicação do Poder Nacional; e • Operação e vivificação de áreas do território que constituem um vazio populacional, como contribuição para a Integração Nacional; σ - FATORES ECONÔMICOS: • • • • • • • • Pólos geradores de carga a serem atendidos; Tipos e volumes/pesos das cargas a transportar; Possibilidades de granelização, de conteinerização e/ou paletização; Fluxo de cargas, nos dois sentidos; Necessidade de terminais especializados; Destinação: mercado interno ou exportação; Contribuição ao desenvolvimento econômico da área e do país; Pontos de estrangulamentos e possibilidades de alternativas para evitá-los. (local, época do ano, setor de atividades, transporte especializado, depósitos frigorificados, etc); • Dependência a fatores climáticos; e • Contribuição ao desenvolvimento nacional e ao Progresso (ONP). σ - FATORES PSICOSSOCIAIS: • Aspectos demográficos da área atendida; • Reflexos no mercado de trabalho;

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• Implicações nos principais aspectos sociais (bem-estar, educação, saúde e alimentação) e ocupação da faixa percorrida; • Contribuição à colonização da área e ao desenvolvimento social da população atendida; • Facilidades para a movimentação social, inclusive migração; e • Aspectos negativos com desapropriações, evasão das populações locais, entrada de aventureiros, etc. σ - FATORES MILITARES: • Facilidades para concentração de forças e para a execução de operações militares; • Atendimento às necessidades de suprimento e de abastecimento das forças em operação; • Alternativas de rotas, rocadas e transversais; • Possibilidades e limitações de carga e de tráfego; • Possibilidades e vulnerabilidades para uma possível Mobilização Nacional; • Integração dos Sistemas Regionais de Transportes com o Nacional; • Intermodalidade e terminais multimodais; • Pontos críticos a serem ocupados e defendidos; • Vulnerabilidades a ataques do inimigo e/ou de guerrilheiros; e • Necessidades de construção, melhoramentos, reparação e conservação para atender às operações. σ - FATORES CIENTÍFICO-TECNOLÓGICOS: • Possibilidades de experiências com novos meios de transportes; • Busca de alternativas e de melhorias na funcionalidade dos meios e nas vias em uso; • Busca de maior velocidade média de deslocamento, acrescida dos tempos e embarque/desembarque de passageiros, carregamento/descarregamento de cargas e eventuais tempos de mortos; e • Ênfase nos transportes urbanos de grandes massas humanas, em horários de picos, procurando melhorar a capacidade de transporte.

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