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ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA ONTEM E HOJE, SEMPRE ESTUDANDO O BRASIL

DEPARTAMENTO DE ESTUDOS

LS 818/02 DAInt

MERCOSUL: CONCEPÇÃO ESTRATÉGICA

Os textos de Leitura Selecionada, de caráter doutrinário, teórico ou conjuntural, destinados à distribuição interna, às vezes discordantes entre si, visam a trazer novos subsídios aos estudos que aqui se realizam e expressam opiniões dos respectivos autores, não, necessariamente, as da ESG.

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ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA DEPARTAMENTO DE ESTUDOS DIVISÃO DE ASSUNTOS INTERNACIONAIS

LS818/02

MERCOSUL: CONCEPÇÃO ESTRATÉGICA

Rio de Janeiro 2002

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Presidente da República FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Ministro de Estado do Ministério da Defesa GERALDO MAGELA DA CRUZ QUINTÃO Comandante e Diretor de Estudos da Escola Superior de Guerra Vice-Almirante ADILSON VIEIRA DE SÁ Subcomandante e Chefe do Departamento de Estudos Brigadeiro-Engenheiro FRANCISCO MOACIR FARIAS MESQUITA

Divisão de Assuntos Internacionais (DAInt) Chefe: Cel Av Jorge Calvário dos Santos

Escola Superior de Guerra Divisão de Biblioteca, Intercâmbio de Difusão Av. João Luís Alves, s/n.º CEP: 22291-090 - Urca - Rio de Janeiro, RJ - Brasil Telefone (021) 541-1737 FAX: 295-7645

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SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .................................................................................................7 2. UM BREVE HISTÓRICO .................................................................................7 3. CARACTERIZAÇÃO DO MERCOSUL E SEUS OBJETIVOS....................11 4. INSTRUMENTOS DE CONSTITUIÇÃO DO MERCOSUL.........................12 5. POLARIZAÇÃO E SUBPOLARIZAÇÃO - MERCOSUL, NAFTA UNIÃO EUROPÉIA...............................................................................................12 6. TRAFEGANDO PARA O MERCADO COMUM..........................................15 7. RESULTADOS DO MERCOSUL ..................................................................26 8. MERCOSUL E CONCEPÇÃO ESTRATÉGICA A INTEGRAÇÃO LATINO-AMERICANA............................................................................28 9. OBSTÁCULOS RECENTES...........................................................................31 10. CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................35 BIBLIOGRAFIA..................................................................................................37 ANEXO 1 - TRATADO DEL MERCOSUR.......................................................39 ANEXO 2 - QUADROS ESTATÍSTICOS..........................................................53

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MERCOSUL: CONCEPÇÃO ESTRATÉGICA 1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho busca apresentar o MERCOSUL, sua repercussão no quadro econômico mundial, seus desdobramentos, sua importância na concepção estratégica dos países sócios, seus resultados e seus efeitos. As informações em que está baseado foram colhidas no Brasil, bem como durante a viagem do CAEPE/ESG, em 1995, aos demais países do MERCOSUL. O texto apresenta as linhas gerais do processo de integração no MERCOSUL. Inicialmente, são apresentados os antecedentes do Tratado de Assunção e, em seguida, os objetivos, mecanismos e instituições voltadas para o projeto integracionista. Posteriormente, faz-se um breve contraponto entre MERCOSUL, Nafta e União Européia. Mais adiante, discutem-se os principais balizadores do funcionamento do bloco - tarifa externa comum, regras de origem, institucionalidade, etc. e as questões existentes para a formação do mercado comum. Analisa-se, em seguida, a evolução de intercâmbio entre os países do MERCOSUL, em especial, as conseqüências recentes das medidas restritivas ao comércio tomadas pelo Brasil e Argentina. Está claro que o MERCOSUL, no médio prazo, transformar-se-á em instrumento de alavancagem crescente dos mercados existentes no Cone Sul do continente sul-americano, servindo, inclusive, para dar mais transparência e rigidez às transações econômicas que ali se processam.

2. UM BREVE HISTÓRICO
A idéia de promover um maior intercâmbio intra-regional no âmbito dos países do Cone Sul é muito antiga. A idéia já era apresentada no contexto dos trabalhos da CEPAL sobre as razões do atraso econômico dos países latinoamericanos. Na década de 50, a integração regional e uma política industrial norteada pelo processo de substituição de importações constituíam os elementos propostos por técnicos dessa importante organização para assegurar uma inserção mais favorável da América Latina no comércio internacional. A proposta cepalina era de que se procedesse a uma diversificação da pauta de exportações, tentando-se incluir produtos mais elaborados. Dado que 7

esses produtos não conseguiriam, num primeiro momento, concorrer com os similares fabricados pelos países industrializados, a saída seria o desenvolvimento não só do mercado doméstico, mas do comércio intra-regional. A operacionalização dessas idéias ocorreu com a criação da Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC), em 1960, mais tarde denominada Associação Latino-Americana de Integração (ALADI). Este foro criou a base institucional para a ampliação do comércio entre os países membros, apesar de enfrentar inúmeros problemas, fruto não só da inexperiência dos processos de integração, mas, principalmente, de divergências comerciais. A ALALC apresentou um grande dinamismo até a década de setenta. O desagravamento tarifário dos produtos tradicionalmente comercializados pelos países da região permitiu uma rápida expansão do comércio regional. Entre 1961 e 1978, o comércio entre os países latino-americanos passou de US$ 250 milhões para US$ 3,3 bilhões, o que demonstra o relativo sucesso das teses que levaram à criação da ALALC. Entretanto, à medida que iam se abrindo novas concessões para outros produtos com menor grau de complementaridade econômica, as negociações foram se tornando mais difíceis, restringindo o processo pretendido de integração. Com o sucesso da experiência do processo de integração do Mercado Comum Europeu, criavam-se novas vias de desenvolvimento intra-regional e, dentro deste novo contexto, surgiu a idéia de reestruturação do foro regional. No âmbito dessa idéia, passou-se a dar um enfoque mais pragmático à integração, observando-se, particularmente, as disparidades existentes entre os países membros. Em 1980, foi, então, criada a ALADI, formada pelos seguintes países: Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Esta relação de países é importante, pois este é o espaço natural para a evolução do processo de integração. A partir da criação da ALADI, o processo de integração econômica tornou-se mais flexível. A meta passou a ser estabelecer, de forma gradual e progressiva, um mercado comum para a região, não mais a partir da criação de uma zona de livre comércio com base na cláusula de nação mais favorecida, mas por meio de acordos bilaterais, que não eram extensivos automaticamente aos demais países-membros. A partir desses acordos bilaterais montar-se-iam acordos regionais mais complexos, que, finalmente, levariam à formação de um mercado comum latino-americano. Os passos iniciais para a integração do Cone Sul seguiram essa idéia e foram dados pelos Presidentes Sarney e Alfonsin que, com a Declaração de Iguaçu, de 1985, criaram uma Comissão Mista para estudar modalidades de 8

integração econômica entre Brasil e Argentina. Os trabalhos dessa Comissão conduziram à primeira fase de instrumentalização, com a assinatura, em 1986, da Ata para a Integração Argentino-Brasileira, que instituiu o Programa de Integração e Cooperação Econômica (PICE). O objetivo do PICE foi propiciar um espaço econômico comum, mediante a abertura seletiva e o estímulo à complementação de setores da economia dos dois países. Nessa fase, foram assinados 24 protocolos em áreas diversas (bens de capital, trigo, biotecnologia, cooperação nuclear, siderurgia, indústria automotiva, etc.). Os resultados iniciais superaram as expectativas e serviram para quebrar os argumentos, do lado argentino, que o acordo viria a atender somente interesses brasileiros. Enquanto o intercâmbio total entre o Brasil e a Argentina estava em uma média anual de 9% da pauta, entre 1980 e 1985, no quinquênio seguinte, entre 1986 e 1990, essa média havia subido para 15%. Se, na prática, os protocolos firmados em 1986, entre Argentina e Brasil, não foram suficientes para harmonizar suas políticas econômicas, serviram, ao menos, para gerar uma nova realidade política, que passou a marcar a relação entre os dois países a partir de então. A antiga rivalidade foi substituída por um ambiente de harmonia e cooperação. A segunda fase do processo ocorreu em 1988, quando ambos os países, Brasil e Argentina, manifestaram desejo de remover, num prazo máximo de dez anos, todos os obstáculos tarifários, através do Tratado de Integração, Cooperação e Desenvolvimento que firmaram. Este tratado objetivava retirar os obstáculos existentes, de caráter tarifário e não-tarifário, que existiam no comércio de ambos os países, no prazo de até dez anos, mediante a negociação de protocolos adicionais ao Acordo de Alcance Parcial de Renegociação das Preferências, outorgado no período 1962 a 1980 (AAP-1). Paralelamente, se procederia a uma gradual harmonização de políticas internas (aduaneira, comercial, de transportes, de energia, de comunicações, científica e tecnológica, etc.) necessárias para a formação de um mercado comum. O processo de integração viria a sofrer novo impulso em 1989 e 1990. A integração foi ampliada e acelerada, tendo sofrido uma alteração significativa em sua forma de governo, nos dois países, que mais receptivos ao chamado ideário neo-liberal, tomaram a decisão, mais ou menos simultânea, de promover uma maior abertura das duas economias. Em 1990, foi assinada a Ata de Buenos Aires, que estabelecia a formação de um mercado comum (e não mais uma simples zona de livre comércio) até 31.12.94 e substituía a integração seletiva e setorial, baseada em negociações produto a produto, por um processo de redução linear, generalizada e automática das tarifas alfandegárias, a cada seis meses. Instituía também um sistema de eliminação progressiva das listas de produtos que 9

ficariam de fora da liberalização e dava prioridade à harmonização de políticas macroeconômicas. No mesmo ano, foi criado o Grupo Mercado Comum e assinado o Tratado para o Estabelecimento de um Estatuto das Empresas Binacionais Brasileiro-Argentinas. Em 1991, o Uruguai e o Paraguai incorporaram-se às negociações, sendo assinado o Tratado de Assunção, através do qual os quatro países firmaram o compromisso de constituir o Mercado Comum do Sul, o MERCOSUL, no mesmo prazo fixado pelo programa bilateral Brasil-Argentina. Naquela época, o Chile, que também discutia a sua participação no acordo, resolveu retirar-se das negociações por considerar que, antes da integração, os outros países deveriam reduzir as suas tarifas aos níveis que ele praticava e por achar necessária uma harmonização prévia das políticas econômicas. Em 1º de janeiro de 1995, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai deram um passo decisivo em seu processo de integração econômica, no âmbito do MERCOSUL, com a formação de uma zona de livre comércio e de uma união aduaneira parcial. 1

3.

CARACTERIZAÇÃO OBJETIVOS

DO

MERCOSUL

E

SEUS

De acordo com o Tratado de Assunção, o MERCOSUL será, quando plenamente constituído, um mercado comum entre Brasil, Argentina, Uruguai e
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Chama-se de zona de livre-comércio o espaço econômico, formado por dois ou mais países, em que são eliminados direitos alfandegários e outras restrições comerciais em relação às importações originárias de parceiros de acordo. Em uma união aduaneira, os países-membros adotam adicionalmente políticas comerciais comuns para os produtos provenientes de terceiros países. O mercado comum, por sua vez, pressupõe as duas formas de integração anteriores mais a livre movimentação de serviços e fatores produtivos (capital e trabalho). No caso do MERCOSUL inicialmente a união aduaneira será parcial, já que alguns produtos ficarão provisoriamente de fora da Tarifa Externa Comum (TEC).

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Paraguai, com a livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos, formado através: a) de um programa de liberalização comercial, baseado em reduções tarifárias progressivas, lineares e automáticas, e na eliminação de restrições comerciais de qualquer natureza, com a zeragem das tarifas para o comércio intra-regional; b) da coordenação gradual das políticas macroeconômicas e setoriais; c) do estabelecimento de um sistema tarifário e políticas comerciais comuns, que conduzam ao aumento da produtividade dos quatro países; d) da adoção de acordos setoriais; e) da fixação, durante a constituição do mercado comum, de um regime geral de origem, de cláusulas comuns de salvaguarda e de um sistema provisório de solução de controvérsias; f) da harmonização legislativa em áreas pertinentes. A implementação do acordo ficou a cargo de dois órgãos de caráter provisório: o Conselho do Mercado Comum (CMC) e o Grupo Mercado Comum (GMC). Estes órgãos foram mantidos ao se definir a estrutura institucional permanente do MERCOSUL, no final de 1994. O Conselho foi definido como o órgão superior de encaminhamento político do processo de integração, sendo formado pelos Ministros de Economia e de Relações Exteriores dos quatro países. Ao GMC foram atribuídas funções de órgão executivo do Tratado de Assunção, sendo composto por quatro representantes de cada país, vinculados aos Bancos Centrais e Ministérios da Economia e de Relações Exteriores. O GMC ficou responsável pela adoção das medidas necessárias à implementação das decisões do Conselho, pela cooperação macroeconômica e pelo estabelecimento do cronograma preliminar de atividades, válido até a assinatura de Tratado definitivo. Foram constituídos 11 subgrupos técnicos (SGT), subordinados ao GMC. Esses subgrupos, a seguir listados, tiveram sua agenda de trabalho fixada pelo cronograma de Las Leñas, de junho de 1992: SGT- 1= Assuntos Comerciais SGT- 2= Assuntos Aduaneiros SGT- 3= Normas Técnicas SGT- 4= Política Fiscal e Monetária SGT- 5= Transporte Terrestre SGT- 6= Transporte Marítimo SGT- 7= Política Industrial e Tecnológica SGT- 8= Política Agrícola 11

SGT- 9= Política Energética SGT-10= Coordenação de Políticas Macroeconômicas SGT-11= Relações Trabalhistas, Emprego e Seguridade Social Além dessas atividades, estabeleceu-se que questões vinculadas a aspectos culturais e sociais do processo de integração mereceriam reuniões ministeriais específicas e reuniões especializadas. Estabeleceu-se, também, a participação conjunta e combinada, no âmbito do MERCOSUL, em reuniões que visassem a cooperação técnica com organismos intragovernamentais extra-zona e multilaterais.

4. INSTRUMENTOS DE CONSTITUIÇÃO DO MERCOSUL
Como instrumentos de constituição do MERCOSUL, estão reproduzidos, em anexo, o Tratado do MERCOSUL e o Protocolo de Ouro Preto, como foram publicados na revista argentina GEOPOLITICA, ou seja, em espanhol.

5. POLARIZAÇÃO E SUBPOLARIZAÇÃO - MERCOSUL, NAFTA E UNIÃO EUROPÉIA
A modificação recente do equilíbrio de poder a nível mundial pela queda do Muro de Berlim, a ruptura física da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, está provocando um reordenamento econômico a nível mundial que deve ser conceituado como uma polarização. Das alternativas previsíveis (unipolaridade ou multipolaridade), cada vez mais, do ponto de vista econômico, o mundo se organiza como um mundo multipolar. Os pólos de aglutinação deste mundo são, hoje, os EUA, o Japão e a Alemanha. O Nafta é a materialização física da aglutinação em torno dos EUA. A União Européia, em torno da Alemanha. E o conjunto de países recém industrializados da Ásia, o chamado Complexo Asiático, em torno do Japão. A posição geográfica dos países do MERCOSUL os posiciona numa situação singular pois, em decorrência de sua periferia em relação às rotas de comércio mundial, conseguem formatar o MERCOSUL como uma subpolarização. Estruturalmente, o MERCOSUL está muito mais próximo da formulação do projeto da União Européia - que segue linhas com tendências 12

integracionistas, bem próximas do conceito de "Zollverein" - do que da visão livre-cambista expressamente exposta no programa do Nafta. Existe, contudo, um distanciamento histórico entre a criação da Comunidade Econômica Européia (CEE), origem da União Européia, que se explicitou na segunda metade dos anos 50, e a criação do MERCOSUL. Este distanciamento histórico conduziu a conjunturas diversas no nascedouro da União Européia e do MERCOSUL. Esta última comunidade de nações está surgindo em uma ambiência onde predomina a ótica neo-liberal no trato das questões econômicas, conduzindo a uma crescente abertura comercial das economias envolvidas e a alterações significativas nas regras multilaterais de comércio. Há uma diferença central entre o Nafta e a União Européia. O Nafta é simplesmente um espaço de "comércio administrado", que será construído no âmbito dos Estados Unidos, do Canadá e do México, em 15 anos. O Nafta não estabelece a unificação alfandegária, a coordenação de políticas macroeconômicas ou a constituição de entidades comunitárias. O Nafta se restringe a estabelecer regras para liberação comercial, normatiza gestões como investimento, serviços, propriedade intelectual e funcionamento do mercado de trabalho. Já a União Européia constitui o mais profundo projeto de integração do mundo e estabelece que, além da livre movimentação de bens, serviços, capital e trabalho, deverá haver, entre os Estados-membros, uma harmonização em suas políticas macroeconômicas e setoriais e a adoção de uma moeda comum, até o final do século XX. Na União Européia, restringe-se a soberania dos paísesmembros em prol de instituições comunitárias, sendo a principal delas a Comissão Européia - órgão executivo supranacional. O MERCOSUL encontra-se bem próximo ao estabelecido nos primórdios da União Européia, antes da assinatura do Tratado de Roma, em 1957. O Tratado de Assunção não prevê nenhum procedimento de caráter comunitário, nem a constituição de nenhuma organização supranacional dotada de personalidade jurídica própria. Algo que também não está explicado é a unificação monetária, embora as reformas econômicas, que instituíram o austral na Argentina e o real no Brasil, parecem indicar a busca de uma paridade entre as moedas dos dois países líderes do MERCOSUL e uma possível unificação monetária. Fica, portanto, claro que os atos que geraram e gerenciam o MERCOSUL constituem atos das partes-contratantes e não instrumentos de uma comunidade. Como conseqüência, as decisões tomadas no âmbito do MERCOSUL não são auto-aplicáveis, como hoje ocorre com a União Européia, necessitando de legislação interna para serem cumpridas por parte dos signatários. Ainda assim, há exceções a este conceito, como o programa de liberalização comercial, 13

estabelecido em 1991, que levou os quatro países do MERCOSUL a perderem parcela de sua soberania ao se integrarem, sendo reduzida a discricionariedade e, consequentemente, a capacidade destes de proteger a produção doméstica. Outro aspecto que merece destaque na comparação entre os três blocos considerados diz respeito à maior ou menor heterogeneidade social, econômica e demográfica entre os países associados. Nesse aspecto, o MERCOSUL está mais próximo do Nafta, primeiro projeto de integração a envolver, desde o seu início, países desenvolvidos e em desenvolvimento. Os Estados Unidos e o Canadá possuem uma renda per capita média de US$ 22 mil e um custo salarial médio entre de US$ 16 e US$ 17 a hora; o México possui um produto por habitante inferior a US$ 4 mil e um custo de mão-de-obra que não alcança US$ 2,5 a hora. Além disso, os Estados Unidos sozinhos respondem por 87% do produto global do bloco, estimado em US$ 8,0 trilhões em 1998, e por 68% da população, de aproximadamente 377 milhões de pessoas. A UE, por sua vez, alcançou um produto global de US$ 8,2 trilhões e uma população de 364 milhões de pessoas em 1998, ano em que o PNB da Alemanha, o maior Estado-parte do bloco, respondeu por 27% do produto total do bloco. Ainda que atualmente a UE possa ser dividida em dois grupos de países - de um lado, países ricos e relativamente homogêneos e, de outro, países pobres, como Espanha, Irlanda, Grécia e Portugal - na época da criação da Comunidade Econômica Européia, o grau de desenvolvimento dos paísesmembros era similar. Já o MERCOSUL é um mercado formado por quase 200 milhões de pessoas, com um produto global de mais de US$ 1,0 trilhão a preços correntes (estimativas para 1998). Enquanto o Brasil responde por mais de 75% do PIB do bloco, a participação do Paraguai é inferior a 1,5%. O primeiro possui uma estrutura produtiva complexa e diversificada, ao passo que o segundo é um país eminentemente rural, onde a agricultura contribui com mais de 30% do produto.

6. TRAFEGANDO PARA O MERCADO COMUM
Este capítulo destina-se a estudar a evolução do MERCOSUL e baseouse, em parte, o texto para discussão n°23 do BNDES: "O processo de constituição do MERCOSUL", de autoria da economista Elba Cristina Lima Rêgo. ZONA DE LIVRE COMÉRCIO. Conforme estabelecido pelo 14

programa de desgravação tarifária automática e linear, fixado pelo Tratado de Assunção, desde primeiro de janeiro de 1995, quase 100% dos produtos comercializados entre os países do MERCOSUL estão isentos de tarifas alfandegárias, marcando a instituição de uma zona de livre-comércio. Aquele programa teve início em meados de 1991, quando as tarifas de importação para o intercâmbio intrazonal passaram a contar com uma preferência (desconto) de 47%. A preferência foi aumentando semestralmente até atingir os 100% em janeiro de 1995. Os Estados-partes poderão dispensar um tratamento alfandegário especial para um número reduzido de produtos, denominado de regime de adequação final à união aduaneira. Somente poderão gozar desta proteção produtos integrantes das listas de exceções ou submetidos a salvaguarda. No primeiro caso, o benefício terminará ao final de 1998 para Brasil e Argentina, e em 1999 para Paraguai e Uruguai. Quanto aos produtos submetidos a salvaguardas, a desgravação linear automática terá como duração quatro anos. 2 Da lista brasileira, fazem parte produtos como vinhos, artigos de lã, derivados de borracha e pêssego em calda. UNIÃO ADUANEIRA. As decisões fundamentais quanto à formação de uma união aduaneira foram tomadas em reuniões realizadas pelo CMC e pelo GMC, no segundo semestre de 1994, quando foram definidas questões como: a tarifa externa comum (TEC), as regras de origem, o tratamento a ser dado às zonas francas e a institucionalidade do MERCOSUL. Na fase decisiva das negociações sobre a união aduaneira (reunião em Buenos Aires, em agosto de 1994), o Uruguai ameaçou se retirar das mesmas. Os uruguaios reivindicavam a manutenção dos acordos preferenciais que já mantinham com o Brasil (Programa de Expansão Econômica - PEC) e com a Argentina (Convênio Argentino-Uruguaio de Complementação Econômica Cauce), que lhes permitia exportar inúmeros produtos com isenção das tarifas alfandegárias e com um índice de nacionalização de 50%, além de uma proteção especial para os seus produtos agrícolas. Algumas concessões decrescentes no tempo foram concedidas, em prol da manutenção do cronograma de integração. Os principais pontos da união aduaneira são apresentados a seguir. -TARIFA EXTERNA COMUM - A TEC situa-se entre zero e 20% para
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Atualmente, apenas a Argentina possui produtos em regime de salvaguarda. Esse país poderá manter as cotas de importação atualmente em vigor, mas com isenção das tarifas alfandegárias. Os produtos de sua lista de exceções continuam passíveis de cobrança da taxa de estatística. 15

aproximadamente 90% do universo tarifário. Para os 10% restantes, produtos integrantes de listas de exceções, os signatários do Tratado de Assunção aplicarão, inicialmente, tarifas diferentes, mas estas deverão convergir para uma tarifa externa comum, até os anos de 2001 ou 2006. Dentre estes produtos, grandes foram as divergências quanto às tarifas a serem adotadas futuramente para bens de capital e produtos de informática, em razão de as alíquotas brasileiras serem bastante superiores às de seus parceiros. Para os bens de capital, as tarifas nacionais convergirão linear e automaticamente para 14% até o ano 2001, podendo ser acordadas posições com níveis inferiores. Para os produtos desse setor que o Brasil tiver pouco interesse em produzir, as tarifas serão zeradas até aquela data. No caso do Uruguai e do Paraguai, a convergência se dará até o ano 2006. A maior parte dos bens de informática e de telecomunicações terá tarifas entre 0 e 12%. 3 Vinte e quatro produtos considerados mais sensíveis, como microcomputadores, centrais telefônicas e impressoras, estarão sujeitos à tarifa máxima de 16%, a partir de 2006. - LISTAS DE EXCEÇÕES - As listas de exceções não devem ultrapassar 300 posições tarifárias da Nomenclatura Comum do MERCOSUL para Brasil, Uruguai e Argentina, incluindo-se os bens de capital, de informática e de telecomunicações. A lista do Paraguai contará com 399 itens tarifários, exclusive os bens citados e os produtos com regime de origem de 50%, até 2001 (vide item a seguir). A data final para a entrega das listas de exceção foi prorrogada até 30 de abril de 1995. Em novembro de 1994, os quatro países divulgaram apenas listas parciais, sendo que a lista brasileira contava com 233 itens, em sua maior parte produtos alimentícios, químicos, petroquímicos, petróleo e derivados, madeira e borracha. Com exceção do leite, dos combustíveis e da borracha, os produtos da lista nacional possuem tarifas inferiores (em torno de 2%) à TEC (cerca de 10%). Isto se deu porque, em agosto de 1994, o governo brasileiro decidiu antecipar a cobrança da TEC para vários produtos, em duas etapas. Inicialmente, foram atingidos quase todos os produtos com alíquotas superiores a 20%, ou seja, aqueles integrantes da lista de exceções nacional, para os quais a convergência à TEC ocorreria apenas em 2001. Foram excluídos da antecipação alguns bens de informática e laticínios, esses últimos submetidos a uma tarifa temporária de 35% para compensar os subsídios concedidos pela União Européia até a avaliação da questão pelo
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A Secretaria Política de Informática e Automação do Brasil estima que, a partir de 1998, o acordo na área de informática implicará aumentos anuais de US$ 1 bilhão das vendas brasileiras ao MERCOSUL. 16

GATT. Nessa primeira fase, foram reduzidas as tarifas de 4.455 itens, de setores como brinquedos, bens de capital, produtos eletrônicos e automóveis. Numa segunda etapa, foram reduzidas as tarifas de bens cuja convergência à TEC ocorreria já em janeiro de 1995, caso dos produtos fora da lista de exceções. Com antecipação da TEC, procurou-se garantir o abastecimento doméstico, aumentar a demanda por dólares, estimular a concorrência e forçar a redução dos preços das mercadorias produzidas internamente. Bens com tarifas superiores à TEC que entrariam na lista de exceções brasileira, como brinquedos, produtos de informática e eletrônicos, e que tiveram as suas alíquotas rebaixadas ao nível da TEC no segundo semestre de 94, podem vir a ser incluídos na lista de exceções definitiva, se até lá for constado que a indústria doméstica ainda não tem condições de conviver com as tarifas mais baixas. Os produtos considerados mais sensíveis podem ter as suas tarifas elevadas para os mesmos níveis prevalecentes antes de agosto-setembro de 1994. Este é o caso dos automóveis, cujas tarifas, reduzidas para 20%, foram elevadas novamente para 35% em fevereiro de 1995. - REGRAS DE ORIGEM - Como a união aduaneira não será plena (pelo menos por enquanto), foram negociadas regras de origem, estabelecendo que os produtos comercializados entre os quatro países somente gozarão da isenção das tarifas alfandegárias se, pelo menos, 60% de seus insumos, forem produzidos no bloco. O Brasil defendeu, desde o início, a adoção de regras de origem rígidas, de modo a defender o seu parque produtivo de maquilagens e triangulações, propondo originalmente um índice de conteúdo regional de 70% do preço FOB de exportação do produto final. A Argentina, por sua vez, pleiteava um índice de 50% e o Paraguai, de apenas 30%. As regras de origem serão aplicadas para os produtos que ficarem de fora da TEC, para bens sujeitos a regimes especiais de importação e para mercadorias submetidas a salvaguardas ou direitos “antidumping”. Para os bens de capital, o índice será de 80% até o ano 2001 e, para alguns produtos paraguaios e uruguaios, de apenas 50% até a mesma data. Foram mantidos os acordos bilaterais do Uruguai com a Argentina e com o Brasil, que estabelecem condições privilegiadas para as exportações uruguaias de 288 produtos para o primeiro país e de 1500 para o segundo. Ademais, o Uruguai poderá isentar das tarifas aduaneiras as importações de insumos utilizados na fabricação desses produtos. Os dois programas serão extintos gradualmente até o ano 2001. Alguns itens da lista de exceções paraguaia também estarão submetidos a um índice de nacionalização de apenas 50%, até o mesmo ano. Ressalta-se que os certificados de origem poderão sofrer auditoria externa em caso de dúvidas quanto à sua veracidade. 17

Alguns setores e produtos gozam de tratamento especial por serem considerados mais sensíveis. Dentre eles, destacam-se o automobilístico, o açucareiro e o trigo: - Setor Automobilístico - Em relação ao setor automobilístico, os argentinos reivindicavam a manutenção do comércio administrado, com a preservação do sistema de quotas e do comércio equilibrado com o Brasil, até 1999. Além disso, como as autoridades argentinas vêem o setor automobilístico como uma das forças motrizes de sua recuperação industrial, pleiteava-se que 60% dos componentes fossem produzidos internamente. Foi acertado que as autopeças originárias do Brasil serão consideradas pelos argentinos como de fabricação nacional. As importações, no entanto, continuarão controladas até 1999, dado que a isenção tarifária será mantida apenas para as importações que tiverem como contrapartida exportações em valor equivalente. Ou seja, para cada US$ 1 exportado, pode-se importar US$ 1, com o pagamento de uma tarifa aduaneira de 2%. No caso do Brasil, houve uma alteração neste sistema de compensação. Quando as exportações tiverem como destino o mercado brasileiro, as montadoras poderão importar US$ 1,2 para cada dólar exportado. Sendo ultrapassada qualquer uma dessas proporções, as importações excedentes serão sobretaxadas em 20%. Em contrapartida às concessões argentinas, o Brasil dispensou, para os veículos populares (até 1.000 cilindradas) argentinos, o mesmo tratamento fiscal que dispensa aos nacionais. Essa concessão, no entanto, não foi utilizada pela Argentina, dado que lá não são produzidos veículos até 1.000 cilindradas e também o benefício fiscal conferido a tais veículos, no Brasil, terminou em dezembro de 1996. - Setor Açucareiro - Uma comissão definiu que, até janeiro de 2001, os quatro países adotarão tarifas aduaneiras diferenciadas. A Argentina continuou adotando o sistema de cotas. O Brasil parece concordar com a manutenção de uma proteção argentina para o seu açúcar depois de 2001. A solução técnica se daria pela inclusão do açúcar argentino em um regime de adequação as regras de livre comércio do MERCOSUL, o que levará a se ter um cronograma de redução gradual da tarifa de importação aplicada pela Argentina sobre o açúcar proveniente de outros sócios do MERCOSUL. - Trigo - A Argentina reivindicava a imposição de uma sobretaxa variável para o trigo proveniente de terceiros países, sempre que o preço desses fosse inferior ao dos países do MERCOSUL (leia-se ao do trigo argentino), sob a alegação que os outros exportadores do produto (Canadá, Estados Unidos, etc.) concedem amplos subsídios aos mesmos. Após intensas negociações, foi estabelecida a cobrança de uma sobretaxa de 10% para o produto de terceiros 18

países, apenas até abril de 1995 (além da tarifa vigente de 10%), quando deveria estar definido o tratamento comum a ser dado para práticas desleais de comércio. - ZONAS FRANCAS - Os produtos provenientes das zonas francas comerciais, zonas francas industriais, zonas de processamento de exportações e áreas aduaneiras especiais estão sujeitas à TEC ou, no caso de integrarem as listas de exceções, à tarifa nacional vigente. Poderão ser adotadas salvaguardas, de acordo com as normas do GATT, se o aumento das importações dos referidos produtos causar dano ou ameaça de dano ao país importador. As zonas francas de Manaus, no Brasil, e da Tierra del Fuego, na Argentina, constituirão uma exceção, podendo intercambiar produtos sem a cobrança de tarifas até o ano 2013, graças a um acordo bilateral previamente firmado entre os dois países. Contudo, os acordos acertados encontram-se tumultuados pela possibilidade do governo paraguaio implementar a chamada Lei da Maquilagem. Esta lei transformaria o Paraguai numa grande zona franca. - INCENTIVOS ÀS EXPORTAÇÕES - Com a instituição da união aduaneira em 1º de janeiro de 1995, os quatro países não podem mais promover alterações unilaterais em suas políticas comerciais. Assim, a criação de novos incentivos às exportações ou qualquer modificação nas tarifas de importação com relação a terceiros países, que impliquem em alterações nas TEC acertadas, têm que contar com a anuência dos quatro sócios. Os países poderão, no máximo, antecipar a convergência à TEC dos produtos de sua lista de exceções. Os incentivos às exportações deverão respeitar as regras do GATT e, salvo exceções, não serão aplicáveis ao comércio intrazonal. Em caso de concessão de incentivos fiscais não-autorizados pelo GATT, o sócio que se sentir prejudicado poderá lançar mão de medidas de salvaguarda. Além disso, o CMC estabeleceu que: 1) os incentivos à exportação intrazonal devem limitar-se: a) ao financiamento de longo prazo para as exportações de bens de capital, de acordo com as regras citadas no item 3; b) à devolução ou à isenção de tributos até que os sistemas tributários sejam harmonizados no âmbito do MERCOSUL; e c) aos regimes aduaneiros especiais, que poderão ser concedidos, desde que sejam cumpridas as normas estabelecidas para a concessão de “draw-back” e restituição de impostos indiretos; 2) a reintegração de impostos indiretos aos exportadores não poderá ser superior aos impostos efetivamente pagos ao longo da cadeia produtiva. Assim, os “reíntegros” argentinos - benefício fiscal que consiste na devolução em dinheiro, aos exportadores nacionais, de valor equivalente à tarifa alfandegária incidente sobre as importações de produtos agropecuários e manufaturados terão que se enquadrar nessa regra. Os “reintegros” não poderão beneficiar 19

exportações intra-regionais e serão extintos até o ano 2001; 3) os Estados-partes não poderão lançar mão de incentivos cambiais, como sistemas de taxas de câmbio múltiplas ou similares, com tratamento privilegiado para operações de exportação ou importação, assim como para determinados produtos de exportação ou importação; 4) a concessão de créditos de fomento e financiamento às exportações deve obedecer às condições vigentes no mercado internacional, em termos de prazo e de taxa de juros; 5) os Estados-membros poderão manter, caso possuam, esquemas de "draw-back" ou de admissão temporária, incluindo suspensão, isenção e redução de impostos incidentes sobre produtos destinados ao aperfeiçoamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de outro produto a ser exportado. O prazo máximo para o "draw-back" de caráter suspensivo é de dois anos, com exceção para as importações que visam a produção de bens de capital de ciclo longo, cujo prazo é de até cinco anos. O sistema de “draw-back” também poderá ser adotado para matérias-primas e produtos que, mesmo não integrando o produto exportado, sejam emprestados, na sua fabricação, em condições que justifiquem a sua concessão; 6) as devoluções, suspensões ou isenções de impostos de importação, que forem superiores aos impostos efetivamente devidos, serão consideradas subsídios. - SERVIÇOS - com relação ao comércio de serviços, as negociações deslancharam apenas em 1994, sendo, em muitas áreas, ainda bastante incipientes. O Brasil propõe a assinatura de um acordo com princípios gerais por setores, a ser implementado gradualmente. Na área financeira, já foram assinados vários acordos entre instituições financeiras públicas e privadas dos quatro países. Além disso, em janeiro de 1994, os países do MERCOSUL se comprometeram a seguir as normas básicas de prudência bancária definidas pelo Comitê de Basiléia, que estabelece níveis mínimos de capital para as instituições financeiras a partir dos ativos ponderados pelo risco. Quando ocorreu a adesão do MERCOSUL ao chamado Acordo de Basiléia, apenas o Uruguai (1989) e a Argentina (1991) já eram signatários do mesmo. 4 O Brasil teve a sua adesão
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O referido acordo foi assinado em 15 de julho de 1988 pelos bancos, centrais dos países do Grupo dos Dez (G-10) para entrar em vigor ao final do ano fiscal de 1992. Através dele, procurou-se garantir a solvência e a liquidez do sistema financeiro internacional, uniformizar as regras aplicáveis às instituições financeiras e, com isto, eliminar vantagens competitivas decorrentes da diversidade de legislação vigente em cada país, além de garantir o fluxo de 20

referendada pelo Conselho Monetário Nacional em agosto de 1994. 5 Ao aderirem ao Acordo, os signatários do MERCOSUL procuraram garantir a estabilidade e a credibilidade de suas instituições e facilitar a almejada integração financeira em um futuro, o que não significa a nivelação das instituições financeiras dos quatro países, dado que existem diferenças estruturais entre os diversos sistemas financeiros e que as autoridades financeiras locais gozam de liberdade no que se refere à definição de exigências e garantias adicionais. A Argentina, o Uruguai e o Paraguai, a partir de 1998, estão pressionando no sentido da agilização da liberação dos mercados de serviços financeiros, de telecomunicações e transportes brasileiros. Contudo, já está acordado, que serão feitos acordos para cada segmento do setor de serviços, com prazo de conclusão até 2007. recursos necessários ao financiamento do desenvolvimento econômico. Não é demasiado lembrar que as regras estabelecidas não representam um antídoto contra insolvências e crises bancárias, do mesmo modo que não garantem efetivamente equidade competitiva, posto que as autoridades bancárias nacionais podem julgar prudente a adoção de exigências superiores e adicionais às estabelecidas pelo Comitê de Basiléia. O Acordo de Basiléia, inicialmente restrito às economias centrais, vem contando, progressivamente, com a adesão de blocos regionais (como União Européia, Nafta, MERCOSUL) e de países em desenvolvimento (sobretudo daqueles em processo de liberalização de suas economias). Mais do que uma opção, a uniformização das legislações sobre prudência bancária é uma necessidade imposta pelo avanço da inovação, da globalização e da (conseqüente) instabilidade financeiras e pela proliferação de acordos de integração econômica.
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Excluído: .

A adesão do Brasil ao Acordo de Basiléia foi regulamentada através da resolução 2.099, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional de 17 de agosto de 1994. As novas regras, cujo enquadramento por parte das instituições financeiras nacionais ocorreu em abril de 1996, implicam alterações nos critérios de definição de capital, patrimônio líquido e alavancagem de crédito. Doravante, as operações ativas serão classificadas de acordo com o seu risco e vinculadas ao capital mínimo das instituições bancárias. As normas atuais, baseadas no passivo e que estabelecem uma alavancagem de até 15 vezes o patrimônio líquido, devem ser revogadas apenas quando terminar o período de adequação às novas regras. 21

- INSTITUCIONALIDADE - a estrutura institucional do MERCOSUL foi aprovada no encontro de Ouro Preto, realizado em dezembro de 1994, sendo constituída por cinco órgãos de caráter intergovernamental: - o Conselho do Mercado Comum (CMC) - como durante o período de transição, cabe ao CMC o encaminhamento político do bloco; - o Grupo Mercado Comum (GMC) - órgão executivo; - a Comissão de Comércio - órgão que cuidará do funcionamento da união aduaneira, estando sob sua alçada as decisões relacionadas com a administração da TEC e dos instrumentos de política comercial, através de diretrizes de caráter geral ou específico. Cabe à Comissão a avaliação de eventuais controvérsias comerciais em nível do MERCOSUL. Apenas se a Comissão não conseguir equacionar a questão é que a mesma será decidida pelo sistema de solução de controvérsias previsto pelo Protocolo de Brasília, espécie de tribunal arbitral; - a Comissão Parlamentar Conjunta - órgão de caráter consultivo, deliberativo e propositivo, cujas recomendações serão encaminhadas ao CMC pelo GMC. Os seus integrantes serão escolhidos pelos Congressos dos respectivos países; - o Fórum Consultivo Econômico e Social - é através deste órgão que o setor privado (empresariado e trabalhadores) encaminhará os seus pleitos ao GMC. Além desses órgãos, foi mantida a secretaria administrativa, sediada em Montevidéu, encarregada do arquivo e da divulgação dos documentos do MERCOSUL, além do registro das listas nacionais de árbitros e especialistas. Como ocorreu durante o período de transição, a estrutura institucional permanente do MERCOSUL não tem nenhum caráter supranacional. Além disso, também não há nenhum procedimento de natureza comunitária, em função da resistência dos Estados envolvidos em ceder parte de sua soberania. À medida que o processo de integração for avançando, no entanto, talvez se imponha, como necessária ao funcionamento satisfatório da união aduaneira e do mercado comum, a instituição de uma instância supranacional, que terá de ser de caráter limitado, dada a importância do Brasil no MERCOSUL. Quanto ao sistema decisório, manteve-se o procedimento vigente durante o período de transição, baseado no consenso, apesar de vários diplomatas (sobretudo brasileiros) defenderem que algumas questões fossem decididas por um sistema de votação ponderada (maioria qualificada), que levasse em conta o peso econômico e demográfico das nações envolvidas, pelo menos no que diz

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respeito às decisões econômicas 6.Como regra geral, o consenso foi mantido, mas em âmbitos como a Comissão de Comércio o mesmo pode ser flexibilizado. MERCADO COMUM. A formação do mercado comum continua na agenda político-econômica, como já colocado, ou seja para o ano de 2006. A plena liberdade de circulação de bens, serviços, capital e trabalho, todavia, requer a adoção de uma série de medidas comuns, além de uma administração permanente. Quanto aos trabalhadores, a liberdade de circulação passa pela eliminação dos obstáculos relacionados com a nacionalidade, no que se refere ao exercício de atividade econômica, e pela extensão aos cidadãos dos países-sócios de vantagens, garantias e direitos auferidos pelo trabalhador nacional, decorrentes do exercício de atividades assalariadas. Passa também pela harmonização legislativa em questões trabalhistas e previdenciárias, além da necessidade de adoção de políticas sociais regionalizadas, de modo a reduzir as diferenças entre as remunerações e garantias trabalhistas presentes na região, assim como de adoção de uma política de imigração que não implique em maiores tensões sociais. De modo geral, os mercados de trabalho dos quatro países caracterizamse por baixos salários, taxas elevadas de desemprego, grande peso do setor informal, baixo nível de sindicalização, baixa qualificação da mão-de-obra e precariedade dos sistemas de seguridade social. Segundo o Dieese 7, o Brasil era, entre os quatro países, aquele com menor piso salarial, menor participação dos salários no produto industrial e com maior jornada de trabalho, enquanto que o Uruguai apresentava os melhores indicadores sociais. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Brasil, por sua vez, considera que um dos pontos mais problemáticos da integração, no que se refere aos trabalhadores, é a inexistência de políticas regionais que minimizem as disparidades sócio-econômicas entre os países. O Subgrupo 11 já levantou as legislações trabalhistas vigentes nos quatro países, o que subsidiará a harmonização futura das legislações trabalhistas. Além disso, o Subgrupo analisou 180 convenções da Organização Internacional do Trabalho, aprovando 35 delas. Continua em discussão a Carta dos Direitos Sociais do MERCOSUL e um acordo multilateral de seguridade social que faz
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Na União Européia, por exemplo, utiliza-se o sistema de pontuação, onde o menor associado (Luxemburgo) tem peso 2 e os quatro sócios maiores (Alemanha, França, Grã-Bretanha e Itália) têm o peso 10. Para que uma decisão seja tomada, deve obter um mínimo de 54 pontos de um total de 76. 7 Boletim do DIEESE, 1993 23

com que cada país-membro considere, para efeito de aposentadoria e de assistência médica, o tempo de serviço trabalhado em outro país-membro. A vigência das mesmas, no entanto, ainda depende da ratificação pelos respectivos congressos. Várias divergências ainda permanecem. No que diz respeito ao reconhecimento de diplomas e certificados de qualificação profissional, já foi assinado o Protocolo de Integração Educativa e Reconhecimento de Certificados, Títulos e Estudos de Níveis Primário, Médio e Técnico. No tocante ao capital, coloca-se a necessidade de abolição de reservas de mercado e restrições semelhantes às empresas dos países-membros. Nesse sentido, as negociações estão muito mais avançadas entre Brasil e Argentina, que, em 1990, assinaram o Tratado para o Estabelecimento de um Estatuto das Empresas Binacionais Brasileiro-Argentinas (aprovado pelo Congresso Brasileiro em 1992). O objetivo do Acordo é a extensão dos mesmos direitos concedidos às empresas nacionais às empresas binacionais criadas no Brasil ou na Argentina. Entende-se como empresa binacional aquela que, simultaneamente, atende às seguintes condições: a) tem, no mínimo, 80% do capital social e dos votos em mão de investidores nacionais do Brasil e da Argentina; b) a participação dos investidores nacionais de cada um dos países é de, pelo menos, 30% do capital social da empresa. As empresas que preencherem os requisitos especificados devem receber "o mesmo tratamento estabelecido ou que se venha a estabelecer para as empresas de capital nacional desse país" em matéria de tributação e acesso ao crédito interno e a incentivos ou vantagens de promoção industrial, compras e contratos do setor público. 8 Para que estes dispositivos sejam cumpridos, são necessárias alterações nas legislações vigentes em cada país, dado que as deliberações tomadas no âmbito do MERCOSUL somente têm valor legal quando transformadas em lei pelos seus integrantes. Com relação ao Brasil, vale destacar que a dispensa de tratamento nãodiscriminatório a empresas binacionais ou nacionais de outros integrantes do MERCOSUL requereu alterações na Constituição, uma vez que esta garantia tratamento privilegiado às empresas nacionais, vedando ou limitando a participação de capitais estrangeiros em alguns setores ou atividades. Quanto aos investimentos, foram assinados dois acordos a respeito: o Protocolo de Colônia para a Promoção e Proteção Recíproca de Investimentos no MERCOSUL, que regulamenta os investimentos intrazonais, e o Protocolo
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Conforme o Tratado citado.

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sobre Promoção de Investimentos de Estados Não-Membros. Através destes documentos, procurou-se manter uma margem de preferência para investimentos intrabloco e impedir que regras diferentes em relação ao capital estrangeiro distorcessem artificialmente os fluxos de investimentos originários de terceiros países. Os dois documentos não prevalecerão sobre alguns documentos já firmados. Outro elemento importante (pode-se dizer que imprescindível) para o avanço da integração em direção à formação de um mercado comum é a coordenação das políticas macroeconômicas, sobretudo da política cambial. O assunto já vem sendo tratado desde 1991, mas os progressos estão aquém do desejado, em razão da instabilidade macroeconômica que caracteriza, ou caracterizava até recentemente, os Estados-membros do MERCOSUL. É da capacidade destes, sobretudo do Brasil e da Argentina, em realizar a requerida coordenação e de avançar no que se refere à complementaridade produtiva, que dependerá o aprofundamento da integração no futuro próximo, visto que, desde a instituição da zona de livre-comércio, há pouco o que o progredir em termos de redução de tarifas. MOEDA COMUM- Em decorrência principalmente de sua rígida Lei de Conversibilidade, o Governo Argentino vem envidando sérios esforços no sentido de uma rápida unificação monetária entre os países do MERCOSUL. No seu discurso de defesa da medida os argentinos alegam que a adoção de uma moeda única daria três recados aos investidores estrangeiros: a preservação da estabilidade econômica na região, a consolidação das reformas empreendidas na região e a harmonização completa das políticas monetárias e cambiais no espaço do MERCOSUL.

7. RESULTADOS DO MERCOSUL
O comércio exterior brasileiro é expressivamente multilateralizado. O MERCOSUL se insere no contexto comercial externo do Brasil, com crescente presença. A exemplo do restante da América Latina, o comércio brasileiro com o MERCOSUL tem a vantagem de ser constituído em mais de 70% de produtos manufaturados, o que o coloca em posição mais relevante do que o intercâmbio que o Brasil tem com as demais regiões do mundo. Em 1994, a corrente de comércio (exportações + importações) entre o Brasil e os seus parceiros do MERCOSUL atingiu US$ 10,5 bilhões - um crescimento de cerca de 180% em relação a 1991, ano em que foi assinado o 25

Tratado de Assunção. No mesmo período, o intercâmbio geral do país aumentou em 45,6%. Isto demonstra a elevação na participação relativa dos países do MERCOSUL, desde a sua formação, em nosso comércio exterior. Entre 1991 e 1994, as exportações brasileiras para os seus sócios no MERCOSUL cresceram 156%, alcançando US$ 5,9 bilhões, enquanto que as exportações totais do país cresceram, no mesmo período, 37,7%. As importações provenientes do bloco, por sua vez, apresentaram um crescimento de 102,2%, contra 57,3% das importações totais, atingindo US$ 4,6 bilhões. As participações das vendas e das aquisições brasileiras no MERCOSUL no total das exportações e das importações do país atingiram 13,6% e 13,8%, respectivamente, em 1994, contra aproximadamente 7,0% em 1991. Em 1994, o saldo comercial brasileiro com os seus parceiros situou-se em US$ 1,3 bilhão, contra US$ 2,0 bilhões em 1993. Esta redução de 33,6% deveu-se ao expressivo aumento das importações (35,6%), sobretudo daquelas provenientes da Argentina, e à queda de 9,8% das exportações em 1994, contra um crescimento de 31,7% em 1993. No primeiro semestre de 1995, o intercâmbio comercial entre o Brasil e o MERCOSUL atingiu US$ 6,8 bilhões, contra US$ 4,4 bilhões em igual período do ano anterior, sendo US$ 3,1 bilhões de exportações e US$ 3,8 bilhões de importações. No primeiro semestre de 1995, o país registrou um saldo negativo com os seus parceiros de US$ 565 milhões. Neste período, o Brasil só teve superávit comercial com o Paraguai - de US$ 246 milhões. Com o Uruguai, o nosso déficit foi de US$ 52 milhões e com a Argentina, de US$ 910 milhões. Ao comparar-se este resultado com o superávit obtido de US$ 516 milhões, em igual período de 1994, em nossas relações comerciais com a Argentina, constata-se quão relevante foi para o nosso comércio com os sócios a relação cambial. Após o Plano Real, inverteu-se o sinal das transações comerciais com a Argentina, após de 3 anos de elevados superávits brasileiros, acumulando-se, desde então, um déficit do Brasil com o seu vizinho superior a US$ 7,0 bilhões. No 1º semestre de 1995, houve, em decorrência deste desequilíbrio, um crescimento de 120% das importações brasileiras da Argentina, em contraponto a um incremento de 5,2% das exportações para a Argentina. Estamos vivendo agora um novo desequilíbrio. Até o Plano Real, havia uma tendência a deformações significativas em favor do Brasil. Agora, esses desequilíbrios se processam a favor da Argentina. A razão central é o câmbio. Assiste-se ao crescente fortalecimento da moeda brasileira frente ao peso, desde 1992 (utilizando-se o Índice de Preços por Atacado - IPA). Entretanto, após julho de 1994, este crescimento ficou acentuado pela sobrevalorização imposta 26

ao real. A crise mexicana de dezembro de 1994, como comentar-se-á adiante, levou, tanto o Brasil como a Argentina, a adotarem medidas restritas às suas relações comerciais. Aí, mais uma vez, teve o Brasil que enfrentar maiores restrições que o seu principal parceiro no MERCOSUL no comércio entre ambos. Maiores dados sobre os resultados do MERCOSUL podem ser obtidos nos quadros estatísticos, em anexo.

8. MERCOSUL E CONCEPÇÃO ESTRATÉGICA A INTEGRAÇÃO LATINO-AMERICANA
Como foi mencionado em capítulo anterior - Polarização e Subpolarização - MERCOSUL, Nafta e União Européia - existe uma crescente competição comercial entre os EUA, a União Européia e os países asiáticos liderados pelo Japão. Os EUA, conscientes dessa competição, desde a queda do muro de Berlim, conceberam uma estratégia onde objetivam gerar superávits crescentes nas suas relações comerciais com a América Latina. Como primeira medida concreta neste sentido, o ex-presidente George Bush anunciou, em 27 de junho de 1990, um programa que nomeou de "Iniciativa para as Américas", onde propunha uma ação em três vertentes para aproximar os EUA da América Latina: expansão do comércio, ampliação dos investimentos e redução da dívida externa latino-americana. As razões que conduziam a essa proposta repousam na significância que agora os EUA concedem às questões econômicas, diferentemente da época da Guerra Fria, onde o aspecto dominante nas relações internacionais eram questões políticas. Entendia o governo Bush que, para manter os EUA na liderança mundial no limiar do século XXI, com a derrocada do comunismo e com a emergência de novos centros de poder, teria que priorizar o crescimento das exportações norte-americanas. Líder absoluto do comércio no pós-guerra, os EUA detinham 16,5% de todas as exportações mundiais em 1955, caindo para 10,8% em 1988. Ao mesmo tempo, as importações subiram de 12,2% para 14,9%, 27

Excluído:

acarretando um crescente déficit na balança comercial americana. Verifica-se ao compilar os dados do comércio exterior dos EUA ser aquele país um "global trader". O Brasil também é um "global trader", e esta é uma observação relevante para as conclusões deste capítulo. Entretanto, os dados de comércio exterior dos EUA tem uma significativa explicação para a ênfase concedida na estratégia pretendida por aquele país na busca de superávit em suas contas com a América Latina. Essa explicação está no fato de que as exportações dos EUA para a América Latina, que representavam 22,7% do total exportado pelos americanos, em 1955, caíram para 13,7% do total, em 1988. Cumpre, entretanto, também ressaltar que muito mais representativas foram as quedas das importações dos EUA da América Latina que, em 1955, representaram cerca de 33,3% do total importado por aquele país e, em 1988, só representavam 9,4%. Apesar do impacto causado em seu lançamento, o programa da "Iniciativa para as Américas" não foi além de um corolário de intenções com poucas ações práticas e foi substituído, ainda na gestão Bush, pelos debates em torno do tratado que criou a Área Norte-Americana de Livre Comércio (NAFTA), que envolveu o Canadá, o México e os EUA. O NAFTA veio a ser aprovado em 17 de novembro de 1993, após discussões que envolveram a opinião pública norteamericana. A aprovação do NAFTA gerou a expectativa de diversos países da América Latina de poderem exportar sem tarifas para o mercado norteamericano, que mais adiante, como veremos, foi completamente baldada. Está claro que os EUA têm a economia asiática como sua primeira prioridade, o que retira importância na sua busca da integração hemisférica. Não retira, contudo, as pressões no sentido de aumentar a participação americana no comércio entre a América Latina e o mundo. É o que se constata ao se acompanhar a palestra proferida, em outubro de 1993, pela subsecretária para Assuntos Econômicos e Agrícolas, Joan Spero, no Conselho de Relações Exteriores dos EUA. Nesta palestra, em que apresentou as novas diretrizes políticas daquele país, a subsecretária afirmou que elas repousavam na recuperação da economia doméstica e no fortalecimento das posições internacionais, salientando a importância do comércio com a América Latina. Neste sentido, Spero afirmou que a renovação econômica dos EUA e a criação dos empregos só seriam possível com o fortalecimento dos mercados para os produtos norte-americanos. Segundo ela, cada US$ 1,0 bilhão exportado representa a criação de 20 mil "bons" postos de trabalho, que pagam 17% acima da média do mercado. "Entre 1988 e 1992, quase 60% do crescimento real da economia dos EUA vieram do aumento das exportações", revelou. Quanto ao NAFTA, Spero lembrou a importância das vendas para o México, que haviam aumentado em 200% desde 1986 até aquela data e tinham 28

sido responsáveis pela criação de 400 mil novos empregos. A crise com que se debateu o México em 1995 demonstrou a inviabilidade dos países da América Latina, em especial o Brasil, de aderirem a essa proposta. O modelo econômico proposto pelo Estados Unidos poderia vir a ter a vantagem de trazer grandes investimentos diretos à América Latina, após um período em que a região esteve fora da rota dos fluxos financeiros internacionais. Entretanto, muito mais do que investimentos externos diretos, o que se encaminhou foram capitais especulativos. Através de diversos mecanismos, entretanto, o governo norte-americano tem procurado pressionar os países da América Latina a abrirem suas economias e a aderirem ao livrecambismo. Com isso, os produtos dos EUA ganham competitividade e, as vezes, tornam-se mais vantajosos que a produção doméstica, o que acarreta a atrofia da indústria nacional e a evasão de divisas. O caso mexicano ilustrou claramente esta tendência, com a balança comercial daquele país amealhando déficits comerciais crescentes - US$ 22,7 bilhões em 1992, US$24 bilhões em 1993 e US$ 28,0 bilhões em 1994 - até a explosão, em dezembro de 1994, o que levou a dívida externa daquele país ao expressivo montante de US$ 200,0 bilhões, para um PIB estimado de menos de US$ 300 bilhões. É na estruturação de uma resistência a essas pressões que o MERCOSUL ganha especial significado estratégico. Em primeiro lugar, a integração estratégica aumenta o poder de barganha, não só pelo acúmulo de recursos, mas pela maior independência econômica que a complementaridade de produtos e mercados proporciona. Em segundo lugar, gera um novo polo de atração nas Américas, proporcionando a ação de outros terceiros interessados no mercado do Hemisfério Ocidental, aqui não situados. A situação antes mencionada de "global trader", dos EUA, ao longo de todo o século XX, e do Brasil, a partir dos anos 80, acentua a diferença dos pontos de vista dos dois países e decorre também do fato de que a indústria brasileira vem se tornando cada vez mais competitiva em setores antes dominados pelos norte-americanos. Para o MERCOSUL, a crise mexicana e o conseqüente problema do NAFTA abrem uma enorme oportunidade estratégica. Tornaram possível a busca da transformação do MERCOSUL na almejada integração latinoamericana, tal como consta no parágrafo único do Artigo 4º da Constituição Brasileira, que estabelece o seguinte: "A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando a formação de uma comunidade latina de nações". Para tanto, o objetivo de médio prazo a ser perseguido é a criação da Área de Livre Comércio SulAmericana (ALCSA). Para alcançá-lo, é de fundamental importância estender o 29

MERCOSUL à Bolívia e ao Chile e criar-se, mediante acordos bilaterais entre os países do pacto andino e o MERCOSUL, uma ampla área de livre comércio em toda a América do Sul. Esta tarefa, contudo, não é fácil, exigindo considerável engenharia diplomática, dado que terá de ser realizada de forma a compatibilizá-los com os demais esquemas de acordos regionais já existentes.

9. OBSTÁCULOS RECENTES
Após o final de 1994, o MERCOSUL tem atravessado diversos obstáculos, que decorrem das dificuldades de integração de economias com tamanhos e características tão distintas quanto as envolvidas, sendo que duas delas, justamente as maiores, estão às voltas com programas de estabilização econômica. Logo ao nascer do período de consolidação do MERCOSUL, tanto o Brasil como a Argentina sofreram fortes restrições do lado das contas externas, em parte devido à crise mexicana de dezembro de 1994. As crises fiscal e financeira da Argentina e a transformação dos superávits comerciais do Brasil em déficit, em um quadro de remessas de recursos para o exterior, através da conta de capital, levaram os dois países (sobretudo o Brasil) à imposição de quotas sobre a importação de automóveis e à adoção de listas de exceções adicionais (ainda que de caráter provisório e flexível). A Argentina, em março de 1995, anunciou um drástico programa de ajustamento fiscal, buscando restaurar a confiança em sua economia. As medidas relacionadas com o setor externo mais relevantes desse plano diziam respeito à eliminação de subsídios às exportações, à reintrodução da "taxa de estatística" (agora de 3%) para produtos de terceiros países e pelo aumento de zero para 10% das tarifas de importação de bens de capital e de 2% para 10% das alíquotas sobre equipamentos de telecomunicação. O Brasil teve, também, de adotar várias medidas no sentido de minimizar os elevados déficits comerciais apurados desde novembro de 1994 e que decorriam, em grande parte, do Plano Real. Os déficits crescentes tinham sua origem na valorização excessiva do real, na abertura antecipada e aprofundada da economia e na exacerbação do consumo que o plano trazia. Essas medidas foram: a) Aumento de 20% para 32% na tarefa de importação de automóveis; b) Novo aumento na alíquota de automóveis e de cerca de outros 100 30

itens, cobrindo basicamente eletrodomésticos; c)Diminuição de alíquota de uma lista de bens não duráveis, itens de baixo valor unitário, mas com relativo peso nos índices de preços. Estas medidas acarretaram uma alteração na estrutura tarifária, o que levou o Brasil a pleitear, junto aos demais países do MERCOSUL, uma lista de exceções, com 150 produtos, de caráter flexível e provisório (duração de um ano), adicional à lista de exceções definitiva, que já contava com 299 posições tarifárias. O pleito veio a ser atendido; entretanto, sua negociação conduziu ao seguinte acerto: os países do MERCOSUL podem alterar, unilateralmente, os impostos de importação de no máximo 50 produtos (matérias-primas e insumos) que tiverem problemas de abastecimento, sem a necessidade de consultas aos outros sócios. Foi, entretanto, a decisão brasileira de impor quotas para a importações de automóveis, que gerou a maior controvérsia no âmbito do MERCOSUL em 1995. A Argentina não aceitou que as suas exportações de automóveis para o Brasil fossem limitadas. Entretanto, cabe lembrar que as exportações brasileiras para a Argentina de veículos estão sujeitas a quotas. As alegações argentinas baseavam-se em que, através do protocolo "Adequação ao Regime Automotriz Comum", os sócios se comprometeram a somente modificar os acordos bilaterais de modo a aumentar o intercâmbio comercial intrabloco. A Argentina alcançou seu objetivo, ficando fora dos limites de quotas, o que ensejou a acusação feita pelos EUA de comportamento discriminatório do Brasil na OMC. Essa facilidade não foi a única concedida à Argentina. Foram as importações deste país e do Uruguai também dispensadas do pagamento à vista, quando se tratar de têxteis, arroz e milho. E tudo isto, é bom lembrar, quando o Brasil só possui 30 produtos em regime de adequação, enquanto a Argentina tem 300, o Uruguai 1.000 e o Paraguai 800. Recentemente, também, o Paraguai consolidou, junto à OMC, a quase totalidade de suas tarifas de importação a níveis próximos a zero, enquanto a TEC varia entre 0 e 20%. Consolidando suas tarifas, o país está impossibilitado de aumentá-las. Se isto ocorrer, os países que se considerarem prejudicados poderão pleitear compensação através de uma concessão tarifária ou de outro benefício. A questão que se coloca é: Quem arcará com o ônus da compensação - apenas o Paraguai, ou todos os países do MERCOSUL? As observações acima mostram que, neste instante, não seria retórico afirmar-se que o MERCOSUL, do ponto de vista econômico, transformou-se num excelente negócio para a Argentina, num bom negócio para o Uruguai, num razoável negócio para o Paraguai e num péssimo negócio para o Brasil. Os dados econômicos do final do capítulo anterior também convalidam essa afirmação. 31

Entretanto, a situação atual certamente não perdurará, já que, dada a cada vez maior dependência da Argentina ao MERCOSUL, ela será obrigada a rever algumas de suas posições, em especial as abusivas restrições que ainda existem para as aquisições de produtos brasileiros, aquelas que foram estabelecidas no período em que os saldos das relações comerciais entre os dois países eram favoráveis ao Brasil. Esta situação, que é claramente desvantajosa aos exportadores nacionais, certamente terá de ser revista, permitindo reequilibrar as relações comerciais entre os dois principais sócios do MERCOSUL, com significativos reflexos para consolidação do bloco econômico regional. Realizou-se, em Assunção, de 23 de abril de l997, a XXV Reunião Ordinária do Grupo Mercado Comum (GMC). Na ocasião, foram feitos levantamentos das atividades desenvolvidas no Mercosul, como as que se seguem: - A Comissão de Comércio está desenvolvendo trabalhos no que se refere à protocolização, na Aladi, das Decisões nº 5/96, Regime de Origem, e nº 17/96, Regulamento relativo à aplicação de medidas de salvaguarda às importações de países não membros do Mercosul. - Os Subgrupos de Trabalho (SGTs) e Grupos Ad Hoc continuaram suas tarefas. O Ad Hoc de Couros teve ampliado o prazo para a conclusão de suas tarefas; o Ad Hoc de Açúcar volta a se reunir maio de l997; o Ad Hoc de Serviços foi instruído para que acelere seus trabalhos; o Ad Hoc de Políticas Públicas que Distorcem a Competitividade teve sua primeira reunião marcada para o fim de maio; e o Subgrupo de Trabalho sobre Saúde (SGT-11) apresentou seu projeto de pautas negociadoras, tarefas prioritárias e prazos, que devem ser analisados na próxima reunião do GMC. - Durante a VII Reunião de Ministros de Economia e Presidentes de Bancos Centrais, a primeira depois da entrada em vigor da União Aduaneira, no dia 23.04, o Brasil explicou a Medida Provisória nº1.569, sobre operações de financiamento de importações e os Ministros fizeram um relato sobre a situação macroeconômica de seus países. - Por sua vez, durante a Reunião do GMC, o Paraguai expôs e explicou alcance da medida constante do Decreto do Poder Executivo nº 16.416/97, que trata de regimes especiais de importação. De acordo com o representante daquele país, a medida, que sofreu críticas de Brasil e Argentina, já existia, e figurava no inventário das medidas discutidas no decorrer do ano de l994. - A Comissão do Comércio do Mercosul (CCM) havia sido instruída na XXIV Reunião Ordinária do Mercosul para completar o levantamento dos regimes especiais de importação vigentes nos Estados Partes. Com exceção do Uruguai, os demais membros querem que o GMC amplie este mandato 32

instruindo o estudo do efeito potencial de ditos regimes e uma análise preliminar sobre a conveniência de harmonizar ou eliminar alguns deles. - A reclamação que havia sido feita pelo Uruguai com respeito ao setor de papel contra a Argentina foi resolvida por meio de um acordo entre as partes. - Ademais, o Mercosul continua seus entendimentos com diversos países e blocos econômicos com vistas a maior aproximação comercial. Assim, os entendimentos continuam com Bolívia, Chile, demais países andinos, México, no âmbito da Alca, com a União Européia, com a Coréia, Panamá, Suíça, Japão, CER, CEI, China, Asean, Canadá e Grupo de Cairns. - A Secretaria Administrativa do Mercosul (SAM) avança em suas atividades a apresentou algumas propostas de trabalho como a criação de um Boletim Oficial do Mercosul, o formato de Ata para reuniões dos órgãos e uma página WEB (Internet). - No segundo semestre de 1997 a Presidência Pró-Tempore do Mercosul passou a ser exercida pelo Uruguai. - No dia 27.04.97, os Presidentes do Brasil e da Argentina se encontraram no Rio de Janeiro. Na ocasião, foram tratados temas como o aprofundamento da integração regional (Mercosul) e comércio, notadamente nas áreas automotiva, de couros, de têxteis, café solúvel, de vinhos e de medicamentos. Além disso, reafirmou-se o compromisso de definir normas que permitam transações de energia elétrica e de gás natural livremente contratadas entre empresas dois países Está programada para julho de 1998 uma nova reunião de cúpula. Outro fator que contribuirá para o ajuste fino do MERCOSUL é a relação cambial, que tem sofrido sensíveis variações desde 1992. Esse ajuste deverá ser feito observando a produtividade das duas economias, em especial de suas atividades industriais, e não considerando relações externas decorrentes de pressões de outras economias.

10. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Mesmo considerando os resultados positivos para o país, a opção do Brasil de passar de um acordo bilateral para um acordo quadripartite de integração não seguiu considerações exclusivamente econômicas, em especial se considerarmos a pouca relevância que se expressam nas relações comerciais brasileiras com os dois novos sócios. O acordo deve ser visto, portanto, pela sua importância estratégica. Esta importância estratégica se materializa ao permitir ao Brasil, por 33

meios econômicos, exercitar ações geoestratégicas. Ou seja, o MERCOSUL seria o ponto de partida para a formação pretendida de um projeto de integração maior, englobando toda a América do Sul, ou até mesmo toda a América Latina, buscando sempre melhorar a inserção internacional da região. Como, em paralelo ao MERCOSUL, estão em andamento outros acordos entre blocos de países da região (Pacto Andino e Mercado Comum da América Central, entre outros) as negociações futuras devem observar o princípio de serem negociações entre blocos de países, e não mais entre países isolados, caso objetive-se materializar a integração latino-americana. Buscando essa integração, o governo brasileiro já propôs a formação da Associação de Livre Comércio Sul-Americana (ALCSA), em um prazo de 10 anos. Essa proposta foi levada à 7ª Reunião de Cúpula do Grupo do Rio, realizada em Santiago do Chile, em outubro de 1993. Quanto à negociação com a União Européia, que é o principal parceiro comercial para o conjunto dos 4 países, a mesma conduziu as conversações para a formação de uma zona de livre comércio entre ambos. Enquanto isso, progridem as negociações visando a integração do Chile e da Bolívia ao MERCOSUL. Tanto o Chile como a Bolívia assumiram o compromisso de participar de uma zona de livre comércio com o bloco - no esquema 4+1-, dado que os dois países não pretendem, por enquanto, a participação na união aduaneira, nem no mercado comum. Está progressivamente se avançando na busca da assinatura de um Acordo de Complementação Econômica entre o Chile, a Bolívia e os países do MERCOSUL.. Para finalizar, é importante ressaltar que o maior mérito do MERCOSUL para o Brasil é o de possibilitar o conhecimento quanto à natureza de um processo de integração, aumentar nosso poder de barganha e propiciar uma posição mais vantajosa na economia internacional, compatível com a nossa situação de potência ascendente. Para tanto, faz-se mister que o bloco seja visto como um interlocutor de peso e confiável, imagem que vem sendo trabalhada e divulgada pela diplomacia brasileira.

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BIBLIOGRAFIA
ABREU, Florêncio Sérgio Lima. Área Hemisférica de Livre Comércio Ministério de Relações Exteriores - Brasília. BALANÇA COMERCIAL BRASILEIRA - Março-1995-Secretaria De Comércio Exterior (SECEX)-Departamento Técnico de Intercâmbio Comercial (DTIC). BNDES - A Inserção das Exportações Brasileiras no Comércio Internacional de Mercadorias: Uma Análise Setorial CASTRO, Therezinha de e FIGUEIREDO, Sérgio Domingues de. MERCOSUL, Escola Superior de Guerra, ESG, LS811-95, LIMA REGO, Elba Cristina - O Processo de Constituição do MERCOSUL BNDES - Fevereiro de 1995 MERCOSUL - Textos Básicos - Fundação Alexandre de Gusmão (Coleção Integração Regional I), Brasília, 1992. SOLUÇÃO DAS CONTROVÉRSIAS DO MERCOSUL - Ministério das Relações Exteriores - Brasília.

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ANEXO 1

TRATADO DEL MERCOSUR

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ANEXO 2

QUADROS ESTATÍSTICOS

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QUADRO 01
EVOLUÇÃO DO COMÉRCIO ENTRE BRASIL E MERCOSUL ** US$ MILHÕES FOB ANO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997* EXPORTAÇÃO BRASILEIRA 1.986 3.242 5.354 6.938 7.390 7.894 8.892 4.821 VAR.(%) -13,16 63,24 65,14 29,59 6,51 6,82 12,64 20,98 IMPORTAÇÃO BRASILEIRA 2.840 2.785 2.744 3.789 5.198 7.943 9.237 5.243 VAR(%) 3,8 -1,93 -1,47 38,08 37,19 52,81 16,29 25,04

*JAN/JUN Variação Jan/Jun 97 sobre Jan/Jun 96 **Incluindo Chile e Bolívia Fonte: SECEX/ DECEX Elab: AEB

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QUADRO 02

CORRENTE DE COMÉRCIO INTRA-MERCOSUL ANO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 2000(E) US$ MILHÕES 4.244,33 5.204,26 7.335,02 10.341,50 11.940,00 14.748,50 16.333,00 32.000,00

Fonte: SECEX/INDEC/CÂMARA DE COM. BRASIL-PARAGUAI (E) Estimativas - incluindo Chile e Bolívia Elab.: AEB

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QUADRO 03

PARTICIPAÇÃO E CRESCIMENTO(%) DO MERCOSUL NAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS US$ MILHÕES FOB ANO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997(*) EXPORTAÇÃO 1.986 3.242 5.354 6.938 7.390 7.894 8.892 4.821 PART.(**) 6,32 10,25 14,96 18,00 16,97 16,97 18,62 19,45 VAR -13,16 63,24 65,14 29,59 6,51 6,82 12,64 20,98

(*) Variação jan/jun 97 sobre jan/jun 96 (**) Participação percentual sobre o total geral do Brasil Incluindo Chile e Bolívia Fonte: MICT/SECEX Elab: AEB

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QUADRO 04

PARTICIPAÇÃO E CRESCIMENTO(%) DO MERCOSUL NAS IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS US$ MILHÕES FOB ANO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997(*) IMPORTAÇÃO 2.840 2.785 2.744 3.789 5.198 7.961 9.237 5.243 PART.(**) 13,75 13,24 13,35 15,00 15,71 15,97 17,33 17,77 VAR. 3,80 -1,94 -1,47 38,08 37,19 53,16 16,03 25,04

(*) Variação jan/jun 97 sobre jan/jun 96 (**) Participação percentual sobre o total geral do Brasil Incluindo Chile e Bolívia Fonte: MICT/SECEX Elab: AEB

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QUADRO 05
EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS PARA A ARGENTINA PRINCIPAIS PRODUTOS JAN/JUN 97 PRODUTOS PARTES E PEÇAS P/ AUTOMÓVEIS E TRATORES VEÍCULOS AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS VEÍCULOS DE CARGA MOTORES DE PISTÃO E SUAS PARTES PLÁSTICOS MINÉRIOS DE FERRO E SEUS CONCENTRADOS PRODS. LAMINADOS PLANOS DE FERRO OU AÇO PNEUMÁTICOS CIGARROS CAFÉ CRU, EM GRÃO DEMAIS PRODUTOS TOTAL GERAL JAN/DEZ/96 FONTE: SECEX/ DPPC ELAB.: AEB US$ 1.000 FOB 237.812 236.739 187.523 121.580 71.100 65.374 60.135 56.733 53.221 51.439 1.836.929 2.978.585 5.170.032

42

QUADRO 06

IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS DA ARGENTINA PRINCIPAIS PRODUTOS JAN/JUN 97 PRODUTOS PETRÓLEO EM BRUTO VEÍCULOS AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS TRIGO EM GRÃOS VEÍCULOS DE CARGA PARTES/PEÇAS P/ VEÍCULOS E TRATORES MOTORES DE PISTÃO, SUAS PARTES NAFTAS LEITE E CREME DE LEITE ALGODÃO EM BRUTO CEBOLAS E "ECHALOTES DEMAIS PRODUTOS TOTAL GERAL JAN/DEZ/96 FONTE: SECEX/ DPPC ELAB.: AEB US$ 1.000 FOB 513.422 491.572 438.990 215.890 142.112 140.065 79.433 67.472 64.520 61.755 1.725.338 3.940.569 6.774.685

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QUADRO 07
EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS PARA O URUGUAI PRINCIPAIS PRODUTOS JAN/DEZ 96

PRODUTOS VEÍCULOS DE CARGA VEÍCULOS DE PASSAGEIROS CIGARROS ERVA-MATE PLÁSTICOS E SUAS OBRAS AÇÚCAR CRISTAL TRATORES PARTES E PEÇAS P/ AUTOMÓVEIS E TRATORES MÁQUINAS E APARELHOS DE USO AGRÍCOLA SOJA DEMAIS PRODUTOS TOTAL GERAL FONTE: SECEX/ DECEX ELAB.: AEB

US$ 1.000 FOB 45.914 43.079 36.651 32.655 30.439 23.080 20.939 19.711 17.566 16.954 523.680 810.668

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QUADRO 08
IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS DO URUGUAI PRINCIPAIS PRODUTOS JAN/JUN 97 PRODUTOS CEREAIS LEITE E LATICÍNIOS CARNES E MIUDEZAS COMESTÍVEIS VESTUÁRIO E SEUS ACESSÓRIOS BORRACHA E SUAS OBRAS MALTE E AMIDOS PLÁSTICOS E SUAS OBRAS LÃ, PELOS FINOS OU GROSSOS MÁQUINAS E APARS. ELÉTRICOS MÁQUINAS E APARELHOS ELÉTRICOS DEMAIS PRODUTOS TOTAL GERAL JAN/DEZ/96 FONTE: SECEX/ DPPC ELAB.: AEB US$ 1.000 FOB 75.095 53.938 49.799 36.906 19.846 19.774 18.613 17.605 15.807 15.453 159.550 482.386 931.770

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QUADRO 09
EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS PARA O PARAGUAI PRINCIPAIS PRODUTOS JAN/JUN 97 PRODUTOS CIGARROS PNEUMÁTICOS CHASSIS COM MOTOR E CARROÇARIA MÁQUINAS P/ USO AGRÍCOLA VEÍCULOS DE CARGA VEÍCULOS DE PASSAGEIROS TECIDOS DE ALGODÃO CERVEJAS DE MALTE CALÇADOS E SUAS PARTES PARTES E PEÇAS P/ AUTOMÓVEIS E TRATORES DEMAIS PRODUTOS TOTAL GERAL JAN/DEZ/96 US$ 1.000 FOB 63.456 42.304 23.572 17.085 16.941 13.870 12.617 12.236 12.084 10.448 431.011 655.624 1.324.582

FONTE: SECEX/ DECEX ELAB.: AEB

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QUADRO 10
IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS DO PARAGUAI PRINCIPAIS PRODUTOS JAN/JUN 97 PRODUTOS SEMENTES E FRUTOS OLEAGINOSOS ALGODÃO CEREAIS RESÍDUOS ALIMENTARES P/ ANIMAIS ÓLEO DE SOJA BOVINOS VIVOS MADEIRA E SUAS OBRAS CARNES E MIUDEZAS, COMESTÍVEIS BEBIDAS ALCOOLICAS E VINAGRES PRODUTOS QUÍMICOS ORGÂNICOS DEMAIS PRODUTOS TOTAL GERAL JAN/DEZ/96 FONTE: SECEX/ DPPC ELAB.: AEB US$ 1.000 FOB 107.464 42.516 26.646 26.377 22.193 14.068 11.184 8.590 2.683 2.003 15.968 279.692 551.230

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QUADRO 11
EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS PARA O CHILE PRINCIPAIS PRODUTOS JAN/JUN 97 PRODUTOS VEÍCULOS AUTOMÓVEIS E TRATORES MÁQUINAS E APARS. MECÂNICOS FERRO FUNDIDO, FERRO E AÇO PLÁSTICOS E SUAS OBRAS MÁQUINAS E APARS. ELÉTRICOS OBRAS DE FERRO FUNDIDO, FERRO OU AÇO BORRACHA E SUAS OBRAS PAPEL, CARTÃO E SUAS OBRAS ALUMÍNIO E SUAS OBRAS CAFÉ DEMAIS PRODUTOS TOTAL GERAL JAN/DEZ/96 FONTE: SECEX/ DECEX ELAB.: AEB US$ 1.000 FOB 100.119 74.063 42.064 29.404 27.698 27.594 21.571 20.953 12.754 6.472 129.725 492.417 1.055.274

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QUADRO 12
IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS DO CHILE PRINCIPAIS PRODUTOS JAN/JUN 97 PRODUTOS COBRE E SUAS OBRAS MINÉRIOS PRODUTOS QUÍMICOS ORGÂNICOS FRUTAS FRESCAS LIVROS, JORNAIS E GRAVURAS PREPARAÇÕES DE PRODUTOS HORTÍCOLAS ADUBOS E FERTILIZANTES PEIXES E CRUSTÁCEOS PRODUTOS HORTÍCULAS CELULOSE DEMAIS PRODUTOS TOTAL GERAL JAN/DEZ/96 FONTE: SECEX/ DPPC ELAB.: AEB US$ 1.000 FOB 118.353 98.073 68.344 47.077 34.152 27.330 19.367 13.931 11.147 10.777 78.116 526.667 917.938

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QUADRO 13
EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS PARA A BOLÍVIA PRINCIPAIS PRODUTOS JAN/JUN 97 PRODUTOS MÁQUINAS E APARS. MECÂNICOS AERONAVES E APARELHOS AÉREOS MÁQUINAS E APARELHOS ELÉTRICOS VEÍCULOS AUTOMÓVEIS E TRATORES BORRACHA E SUAS OBRAS ALGODÃO PLÁSTICOS E SUAS OBRAS CALÇADOS E POLAINAS FERRO FUNDIDO,FERRO E AÇO PAPEL E CARTÃO DEMAIS PRODUTOS TOTAL GERAL JAN/DEZ/96 FONTE: SECEX/ DPPC ELAB.: AEB US$ 1.000 FOB 37.188 31.932 31.763 18.863 17.898 16.006 14.131 13.645 12.601 11.655 101.220 306.902 531.679

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QUADRO 14
IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS DA BOLIVIA PRINCIPAIS PRODUTOS JAN/JUN 97 PRODUTOS GORDURAS E ÓLEOS VEGETAIS PALMITOS VESTUÁRIO, ACESSÓRIOS, EXC. MALHA MINÉRIOS ALGODÃO SAL E ENXOFRE CELULOSE MADEIRA E SUAS OBRAS VESTUÁRIO E SEUS ACESSÓRIOS DE MALHA PELES E COUROS DEMAIS PRODUTOS TOTAL GERAL JAN/DEZ/96 US$ 1.000 FOB 3.309 2.163 1.653 1.406 1.142 911 644 520 441 270 979 13.438 61.445

FONTE: SECEX/ DPPC ELAB.: AEB

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QUADRO 15 EVOLUÇÃO DO COMÉRCIO ENTRE BRASIL E MERCOSUL ** US$ MILHÕES FOB
ANO EXPORTAÇÃO BRASILEIRA 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997* 1.986 3.242 5.354 6.938 7.390 7.894 8.892 4.821 -13,16 63,24 65,14 29,59 6,51 6,82 12,64 20,98 VAR.(%) IMPORTAÇÃO BRASILEIRA 2.840 2.785 2.744 3.789 5.198 7.943 9.237 5.243 3,8 -1,93 -1,47 38,08 37,19 52,81 16,29 25,04 VAR(%)

*JAN/JUN Variação Jan/Jun 97 sobre Jan/Jun 96 **Incluindo Chile e Bolívia Fonte: SECEX/ DECEX Elab: AEB

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QUADRO 16 CORRENTE DE COMÉRCIO INTRA-MERCOSUL
ANO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 2000(E) US$ MILHÕES 4.244,33 5.204,26 7.335,02 10.341,50 11.940,00 14.748,50 16.333,00 32.000,00

Fonte: SECEX/INDEC/CÂMARA DE COM. BRASIL-PARAGUAI (E) Estimativas - incluindo Chile e Bolívia Elab.: AEB

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QUADRO17
PARTICIPAÇÃO E CRESCIMENTO(%) DO MERCOSUL NAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS US$ MILHÕES FOB

ANO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997(*)

EXPORTAÇÃO 1.986 3.242 5.354 6.938 7.390 7.894 8.892 4.821

PART.(**) 6,32 10,25 14,96 18,00 16,97 16,97 18,62 19,45

VAR -13,16 63,24 65,14 29,59 6,51 6,82 12,64 20,98

(*) Variação jan/jun 97 sobre jan/jun 96 (**) Participação percentual sobre o total geral do Brasil Incluindo Chile e Bolívia Fonte: MICT/SECEX Elab: AEB
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