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ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA ONTEM E HOJE, SEMPRE ESTUDANDO O BRASIL

DEPARTAMENTO DE ESTUDOS

LS 820/02 DAInt

O BRASIL E A "NOVA ORDEM MUNDIAL": ENFOQUE GEOPOLÍTICO

Os textos de Leitura Selecionada, destinados à distribuição interna, às vezes discordantes entre si, visam a trazer novos subsídios aos estudos que aqui se realizam e expressam opiniões dos respectivos autores, não, necessariamente, as da ESG

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ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA DEPARTAMENTO DE ESTUDOS DIVISÃO DE ASSUNTOS INTERNACIONAIS

LS820/02

BRASIL E A "NOVA ORDEM MUNDIAL": ENFOQUE GEOPOLÍTICO

Rio de Janeiro 2002

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Presidente da República FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Ministro de Estado do Ministério da Defesa GERALDO MAGELA DA CRUZ QUINTÃO Comandante e Diretor de Estudos da Escola Superior de Guerra Vice-Almirante ADILSON VIEIRA DE SÁ Subcomandante e Chefe do Departamento de Estudos Brigadeiro-Engenheiro FRANCISCO MOACIR FARIAS MESQUITA

Divisão de Assuntos Internacionais (DAInt) Chefe: Cel JORGE CALVÁRIO DOS SANTOS

Escola Superior de Guerra Divisão de Biblioteca, Intercâmbio e Difusão Av. João Luís Alves, s/º - Urca Rio de Janeiro - Brasil CEP: 22291-090 Telefone: (021) 545-1737 Telex: (021) 30107 - ESSG Fax Fone: 295-7645

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SUMÁRIO

1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................... 7 2 - CARACTERIZAÇÃO ................................................................................. 8 3 - DINÂMICA TERRITORIAL ...................................................................... 8 4 - DINÂMICA GEOPOLÍTICA...................................................................... 10 5 - RELAÇÕES INTERNACIONAIS .............................................................. 12 6 - CONCLUSÃO ............................................................................................. 15 BIBLIOGRAFIA............................................................................................... 18 ANEXO 1.......................................................................................................... 19 ANEXO 2.......................................................................................................... 20 ANEXO 3.....................................................................................................21

“A situação geográfica do Brasil vai adquirindo importância tão capital no Mundo, que não devemos perdê-la de vista um momento sequer e preparar-nos para tirar delas as vantagens econômicas e políticas a que faz jus, por meio de diretrizes administrativas de larga visão.” H. Canabarro Reichardt

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BRASIL E A "NOVA ORDEM MUNDIAL": ENFOQUE GEOPOLÍTICO

1 - INTRODUÇÃO
Dentro do conceito dinâmico de Rudolf Kjellen “os Estados, tal como os vemos atuar na História, são seres sensíveis e racionais como os Homens”. Concluindo-se assim, que os Estados nascem, crescem, alguns se projetam outros não e morrem. Significando o "morrer" ceder seu lugar, no âmbito das Relações Internacionais a outro Estado num Mundo, que, desde a antigüidade histórica, vem se mantendo no jogo da bipolaridade. Com a ocupação de Constantinopla pelos turcos decaía a fase de supremacia geopolítica do Mediterrâneo, passando a Bipolaridade de Gênova/Veneza para Espanha/Portugal, tendo início a era oceânica. Continentes e mares se integram no complexo Poder Marítimo/Terrestre e, neste contexto era delimitado o núcleo geohistórico do futuro Estado do Brasil através da fronteira esboçada imposta pelo Tratado de Tordezilhas, cujo nome oficial é "Tratado de Repartição do Mar-Oceano" (Mapa 1). Dentro da esfera geopolítica de Portugal ficavam o Atlântico/Índico, restando para a Espanha o ângulo morto do Pacífico. A tendência continentalista do governo espanhol daria ao país o Poder Terrestre, enquanto Portugal se impunha com o Poder Marítimo. No esquema geopolítico traçado no século XVI Portugal tratou de se posicionar nas principais passagens oceânicas - Cabo (1498), Ormuz (1508), Málaca (1511), criando um ponto de apoio no Oriente em Cantão (1517). Caracterizando seu interesse bem mais voltado para as especiarias das Índias ou Oriente, só em 1549 fundavam a primeira cidade no continente americano Salvador, a capital do então criado Estado do Brasil. Caracterizando-se o Mundo desvendado por Portugal desde a América até as Ilhas Banda na Ásia por uma colonização essencialmente periférica.

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2 - CARACTERIZAÇÃO
Oficializando a posse de uma faixa marítima no Atlântico, a linha de Tordezilhas se constituiu na primeira fronteira política e deliberada de afirmação geopolítica do Estado do Brasil. Delimitava o seu núcleo geohistórico, isto é, o espaço natural onde ia se forjar o ímpeto criador da cultura brasileira. Embora posteriormente desrespeitada, a linha de Tordezilhas teve significado fundamental no espaço territorial sul-americano. Delimitando o núcleo geohistórico do futuro Estado na altura do meridiano de 49º de longitude oeste essa fronteira esboçada fixava, praticamente, a atual costa brasileira cujos pontos extremos estão hoje no Oiapoque e Chuí. Repartindo litorais, essa fronteira, sem o prévio conhecimento do terreno seccionou, geopoliticamente as duas vias de penetração no continente. Entregando a foz do Prata aos espanhóis, proporcionava-lhes maiores oportunidades de expansão pelos Pampas e Chaco; concedendo a embocadura do Amazonas aos portugueses, coincidentemente o braço sul, o melhor para a navegação, permitiu-lhes a posse da maior parte da Planície Amazônica. Induziu a uma bipartição aproximada: a parte portuguesa com aproximadamente 8.500.000 km2 e a espanhola com 9.300.000 km2 retirandose-lhe os 500.000 km2 das Guianas. A dinâmica expansionista espanhola foi efetuada mais no sentido norte-sul, prendendo-se os portugueses às diretrizes leste-oeste. No contexto geopolítico global do unitarismo, a América Portuguesa formaria um único herdeiro - o Brasil, enquanto a América Espanhola, geratriz de vários núcleos geohistóricos daria ao continente várias repúblicas. Justificando-se a superioridade territorial do Brasil, já que a Argentina que o segue em área, atinge apenas a terça parte da superfície brasileira.

3 - DINÂMICA TERRITORIAL
No século XVI e maior parte do subseqüente a ocupação do continente americano destacava o contraste entre os dois povos ibéricos. Os espanhóis com extensa área ocupada, desde o sul dos Estados Unidos até o Chile tinham

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seus principais núcleos populacionais no interior mantendo-se os portos como secundários; já os portugueses mantinham-se no setor litorâneo. O crescimento territorial do Brasil ocorreu quando, unindo-se as monarquias ibéricas (1580-1640), desaparecia a fronteira esboçada de Tordezilhas. Caberia então, ao movimento Bandeirantista promover a conquista da Amazônia com Pedro Teixeira (1637-39), enquanto as Bacias Platina e Amazônica (1628-1648) com Antônio Raposo Tavares, se conectavam dando ensejo a que Pascoal Moreira Cabral fundasse Cuiabá (1723) o nosso centro urbano mais interiorizado. Os fortes portugueses, que de Macapá (1764) até S. Miguel (1763) amarravam as fronteiras terrestres do Estado do Brasil formaram, na realidade, o "cinturão defensivo" que o "uti possidetis", princípio adotado pelo Tratado de Madrid (1750) iria consagrar. (Mapa 2). Pelo relevo mais alto e pela oposição espanhola que enfrentou no sul, o Brasil se afunilou no Prata, porém manteve o setor mais densamente povoado. Quer pela presença da planície, de penetração facilitada, quer pelo aspecto legalista, já que a conquista da Amazônia se efetuou quando da união das monarquias ibéricas, o nosso vasto setentrião iria se caracterizar, através dos séculos, como área geopolítica neutra, encontrando-se ainda como território em processo de integração. A penetração no Brasil Central e Meridional teve cunho predominantemente econômico numa busca desenfreada do ouro, enquanto a conquista do Norte e Nordeste seria caracterizadamente defensiva. Ao se tornar independente (1822) os limites geohistóricos, traçados nos séculos anteriores, já davam ao Brasil forma bem semelhante a de hoje. Dentro de nossas fronteiras não figurava o Acre (152.859 km2) conseguido em 1903, mas continuávamos presentes na foz do Prata através da Província Cisplatina até 1828. O recuo de 186.926 km2 no Prata seria, pois, geopoliticamente compensado com o avanço na Amazônia. Dentro do enfoque geopolítico, a formação da nacionalidade brasileira transformava-se num reflexo de Portugal do qual herdamos a língua, a maioria dos usos e costumes e sobretudo a coesão que foi na metrópole européia a tônica constante. O Brasil surgiu nos limites de Tordezilhas unificado, como Portugal (Condado Portucalense) a beira do Atlântico; e, só posteriormente, tanto na Europa quanto na América do Sul esses núcleos geohistóricos alargaram suas fronteiras.

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4 - DINÂMICA GEOPOLÍTICA
Dentro do contexto geopolítico o Brasil foi de 1549 até 1808 Estado Unido ao Reino de Portugal e Algarve. Abrigando a Corte no Rio de Janeiro transformada na capital do Estado desde 1763, tornara-se metrópole. Assim, em 1816 para que a Corte legitimasse sua permanência em terras americanas, o Brasil era transformado em Reino Unido ao de Portugal e Algarve. Passando, com a independência, em 1822 a categoria de Império Unitário e finalmente em 1889 a de República Federativa. O processo histórico no espaço brasileiro transcorreu dentro do fator coesão enquanto no setor espanhol prevaleceu o da dispersão. Assim, na América do Sul a descentralização castelhana implantaria três Vice-Reinos (Nova Granada, Peru e Prata) além de duas Capitanias Gerais (Venezuela e Chile). Coesão política que, no século XIX manteria o Brasil independente unificado como monarquia (1822) e esfacelaria a América Espanhola republicana. Em nossa dinâmica territorial éramos então dotados dos dois fatores básicos - o do posicionamento no Atlântico Sul, o oceano de navegação intensiva e o da presença ou seja, o espaço vital ou área, que nos confere o 4º lugar no Mundo, depois do Império Russo, China e Canadá. Pelo fator presença, na América Latina classificamo-nos como a única, potência regional, seguida, pela Argentina e México que, com seus territórios unidos não chegam a atingir a metade de nossa quilometragem. O espaço brasileiro (8.513.844 km2) é cortado pelo equador terrestre de modo desigual; o território localizado no hemisfério norte (598.656 km2) bem menor que o setor meridional (7.915.188 km2), nos transforma num país do hemisfério sul; com o Trópico de Capricórnio passando pela altura de S. Paulo, caracterizamo-nos como país tropical por excelência, visto que apenas três Estados do sul se enquadram na zona temperada. Dentro da conceituação de Renner, o Brasil é um país de forma compacta, pois há eqüidistância entre os pontos extremos de seu território; mede assim, do Monte Roraima (no Planalto das Guianas), no extremo norte, até a Barra do Arroio Chuí no sul, cerca de 4.307 km, tendo, 4.335 km da Serra de Contamana no extremo oeste até a Ponta Seixas no Cabo Branco, que avança para o Atlântico. (Mapa 3). Posiciona-se o Brasil em larga porção do setor oriental da América do Sul banhado pelo Oceano Atlântico, ocupando quase a metade (47,3%) do espaço continental. Limita-se com quase todos os países da América do Sul,

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exceto o Chile e Equador; e, por seu posicionamento se engasta, a grosso modo, nos Andes, de onde recebe o empuxo das forças continentais - no Planalto Brasileiro, vale longitudinal do Prata e vale transversal do Amazonas. Conseqüentemente somos múltiplo vetor no âmbito continental por nos conectarmos com todas as suas regiões naturais e também no setor atlântico-sul onde somos o maior país, o mais populoso e o de maior litoral. Sintetizava Mahan a sua Doutrina em 4 fatores que julgava de suma importância no desenvolvimento do Poder Marítimo e que no quadro que se segue serão correlacionados com o Brasil:

PODER MARÍTIMO FATORES (MAHAN) 1 - Posicionamento e Fisiopolítica FATORES (BRASIL) 1 - Posiciona-se no saliente oriental da América do Sul, na ante-sala das massas continentais posicionadas no Hemisfério Norte e na Zona de Estrangulamento do Atlântico. No aspecto fisiopolítico, com elevações moderadas - 58,5%, em território com elevações inferiores a 200 metros. O litoral com baías e enseadas oferece bons abrigos para portos. 2 - Maior país no Atlântico Sul e o primeiro em extensão de costa na área 3 - Núcleo geohistórico nascido em função do mar; encontra-se à beira do Atlântico nosso ecúmeno estatal envolvendo 80% de nosso efetivo populacional 4 - O potencial dos 3 primeiros itens não tem correspondência no desenvolvimento marítimo. O Poder Público ainda não correlacionou a importância do mar ao destino manifesto do país.

2 - Extensão Territorial 3 - Aspecto Psicossocial: População e Caráter Nacional 4 - Política de Governo

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Devendo-se ressaltar que, com interesses vitais no Atlântico sul impôs-se o problema da Antártica defrontante. Assim aderimos ao Tratado da Antártica a 16 de maio de 1975, enviando nossa 1ª expedição ao Continente Austral em 1982, instalando a Estação brasileira denominada "Comandante Ferraz", na Ilha Rei George no Arquipélago das Shetlands (1983) Brasil é, no Atlântico Sul, múltiplo vetor pois além do maior território e mais extenso litoral é também o mais populoso. Em 1983 a Guerra das Malvinas levaria os Estados Unidos a optarem pelo aliado na OTAN (Inglaterra) em detrimento da Argentina signatária do TIAR. Em conseqüência, tomaria o Brasil a iniciativa da implantação da Zona de Paz e Cooperação no Atlântico Sul transformada em 27 de outubro de 1986 na Revolução A/4/L 11 da ONU. (Vide LS Atlântico Sul).

5 - RELAÇÕES INTERNACIONAIS
No momento em que o Brasil nascia como Estado, a História entrava no seu período Moderno e, a Bipolaridade estava sob controle da Espanha e Portugal. Aos poucos, esses países que impuseram a Revolução Comercial no âmbito das Relações Internacionais, começaram a ceder, com a implantação da Revolução Industrial, seus respectivos lugares a França e Inglaterra que, na trilha de seus antecessores haviam formado seus respectivos impérios ultramarinos. A Inglaterra mais à semelhança de Portugal ficava com o Poder Marítimo, enquanto a França substituía a Espanha no cenário hegemônico europeu com o Poder Terrestre. Em 1835 Alexis de Tocqueville previa que o Mundo estava se tornando pequeno demais para continuar controlado por pequenas nações periféricas. O fator presença, o espaço vital teria que ser contínuo, e não gravitar na descontinuidade de impérios ultramarinos. Assim, o economista francês do século XIX apontava os Estados Unidos e Rússia como os mais prováveis substitutos no jogo da Bipolaridade 1 . Essa Bipolaridade iria se impor após a Segunda Guerra Mundial, dentro da Geopolítica Integralizada, em face dos 3 Poderes - o Terrestre, o Marítimo e
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(Vide LS - Geopolítica: Enfoques Temáticos).

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o Aéreo; o Mundo se mantinha numa Bipolaridade de estruturação hierárquica com base no Regionalismo. Começava a se constituir o Poder Aeroespacial e, embora o Eixo Leste/Oeste da URSS/E.U. continuasse através dos Pactos de Varsóvia/OTAN a influir na sorte das demais nações, já não o faziam tão abertamente como antes da Primeira Guerra Mundial, em face dos sistemas regionais que se impunham. O colonialismo seria substituído pelo imperialismo, já que a interferência das superpotências se fazia em países ditos independentes; interferência mais caracterizada pela URSS ao impor o seu sistema de satelitismo. No ano de 1990 marca o início de uma nova era histórica impondo-se uma nova ordem mundial. O cenário geopolítico vinha, desde o término da Segunda Guerra Mundial, se caracterizando por 3 mundos com a bipolaridade URSS/E.U. O Primeiro Mundo dito ocidental capitalista, amparado pelo Poder Marítimo sob o comando do Pentágono. O Segundo Mundo dito oriental comunista dotado do Poder Terrestre sob a égide do Kremlin. Enquanto o Terceiro Mundo nas fímbrias de Spykman servia de arena na geopolítica do confronto do Eixo Leste/oeste. No ano de 1990 marcaria o início de uma diferente fase histórica. A queda do Muro de Berlim, o “punctum dolens” do Eixo Leste/Oeste... desencadearia uma série de acontecimentos (fim do Pacto de Varsóvia, a Perestróika e Glasnost) determinando o fim da bipolaridade ideológica e o início de uma “nova ordem mundial”, caracterizada como fase de transição marcada pela multipolaridade. Multipolaridade que destaca três Estados Diretores, tentando numa espécie de globalização, conjugar espaços vitais em Eixos Norte/Sul. Eixos esses, que a previsão de Haushofer (1937) instituíra para um “Norte” industrial desenvolvido, face um “Sul”, fornecedor de matérias-primas dentro do subdesenvolvimento neocolonialista. Eixos esses que, na “nova ordem mundial” vêm se impondo através de pólos geopolíticos de mercados, com os Estados Unidos, o vencedor da 2ª Guerra Mundial ao lado da Alemanha e Japão os vencidos guinados a Estados Diretores. Com a proliferação de subsistemas internacionais os modelos geopolíticos do Mundo foram agrupados em cinco diferentes níveis: - As Potências de 1º Nível ou Grupo dos Sete - Nações Ricas, ainda no Hemisfério Norte, com diretrizes de alcance mundial.

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As Nações Emergentes de 2º Nível, no seio das quais se inclui o Brasil procuram competir diretamente com as de 1º Nível dentro de sua região ou reduto geopolítico. Assim, enquanto as Potências de 1º Nível têm alcance mundial, as do 2º Nível combinam diretrizes regionais e inter-regionais seguidas de perto pelas de 3º Nível, só atuantes regionalmente; as de 1º Nível adquiriram, pois, a maturidade geopolítica as do 2º e 3º Níveis estão no estágio da adolescência. As Nações Ricas caracterizadas como Produtoras, são industrializadas e, detendo o poder da tecnologia que procuram não disseminar. Assim, esse “Norte” que a princípio utilizava-se da mão-de-obra barata do “Sul” procura agora impedir a imigração isolando-se dos “novos bárbaros” por uma linha de fronteira que Jean Christophe Rufin com sua tese vem complementar a teoria de Haushofer. 2 Nesse “Sul” estão as Nações Emergentes ditas Perturbadoras que, como o Brasil, se esforçam para impor não só a sua independência econômica como militar; assim, dentro do enfoque de soberania, procuram ter uma ação madura em relação aos Eixos Norte/Sul que procuram substituir o desaparecido Eixo Leste/Oeste. Situação essa geratriz do MERCOSUL antecedendo ao NAFTA cuja diretriz vem especificada no próprio preâmbulo do Tratado de Assunção de 1991 3 - As Nações Pobres, de 4º Nível se limitam a contatos locais, não tendo virtualmente nenhum alcance as classificadas no 5º Nível. São meramente Extratoras, exportando matérias-primas numa estreita interdependência "Norte" - desenvolvido e "Sul" - subdesenvolvido. Justificando-se no caso da atual União Européia, substituta da Comunidade Européia, as Convenções de Lomé procurando atrelar a Europa Industrializada, o APC (África-Pacífico-Caribe), onde antigas colônias se encontram no estágio geopolítico infantil, envolvidas por isso no neocolonialismo.

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( Vide LS - Geopolítica: Enfoques Temáticos.) “Tendo em conta a evolução dos acontecimentos internacionais, em especial a consolidação de grandes espaços econômicos”... o processo de integração do MERCOSUL “constitui uma resposta adequada a tais acontecimentos (os grifos são nossos)

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6 - CONCLUSÃO
Dentro do aspecto biológico dinâmico de Kjellen com o desmembrar-se da URSS e implantação da Federação Russa impõe-se a mudança da Bipolaridade no âmbito das Relações Internacionais. Para alguns os Eixos Norte/Sul que se vêm formando nada mais refletem do que uma acomodação temporária. Assim se justifica a Teoria da Quantificação do Poder Perceptível de Ray Cline, que, combinada com a Tese Tocqueville, as nações com ampla extensão territorial e vasta fachada marítima se apõem as condições básicas indispensáveis que devem possuir, simultaneamente, para se enquadrar na promoção: 1ª - Superfície territorial maior do que 5.000.000 km2. 2ª - Continuidade territorial. 3ª - Acesso direto e amplo ao alto-mar. 4ª - Recursos naturais estratégicos e essenciais. 5ª - População maior do que 100 milhões de habitantes. 6ª - Densidade demográfica maior do que 10 habitantes/km2 e menor do que 200 habitantes/km2. 7ª - Homogeneidade racial. Essas sete condições básicas, no presente momento, só são preenchidas por dois países - a China e o Brasil. A Geopolítica apresenta 3 Poderes com projeção na Doutrina da ESG, especificado no quadro que se segue: TRÊS PODERES DA GEOPOLÍTICA ↓ LATENTE

REAL

PRESTÍGIO

ATUAL

POTENCIAL ↑ PROJEÇÃO NA DOUTRINA DA ESG

PRESTÍGIO INTERNACIONAL

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O Poder Real é aquele que a nação dispõe no momento considerado. Neste caso tanto o Brasil quanto a China se atém a um Poder Real avaliado em apenas 18% de seus respectivos territórios. Por isso, embora ocupem o 10º e 8º lugares respectivamente na economia mundial, são classificados como países subdesenvolvidos, pois ainda não ajustaram as diferentes peças de seus territórios classificados como áreas geopolíticas neutras ao ecúmeno estatal. No caso específico do Brasil nesse ecúmeno estatal se incluem apenas as Regiões Sul e Sudeste, com o Nordeste sobretudo, em sua faixa litorânea em desenvolvimento, e os demais 64% representando as Regiões Norte e Centro-Oeste, englobados no contexto marginalizado do subdesenvolvimento, que o quadro seguinte especifica:

REGIÃO

ÁREA KM 2 3.867.886

NORTE

POPU LAÇÃO P/1.000 10.039,8

POPU LAÇÃO P/KM2 2,6

CENTRO -OESTE NORDES TE

1.952.749 1.548.672

9.184,7 42.822,1

5,7 27,6

NO TERRITÓRIO NACIONAL ÁREA SUBDESENVOLVIDA 64%

ÁREA EM DESENVOLVI MENTO 18% SUDEST 924.935 65.558,9 70,9 ÁREA E DESENVOLVI SUL 577.723 22.762,3 39,4 DA 18% TOTAL 8.511.965 150.673,8 17,6 100% Com um potencial latente considerável em 64% de espaço vital praticamente por explotar, é grande o Poder Prestígio ao Brasil atribuído por parte de outras nações sobretudo as do "Norte", que procuram organizar os seus Eixos Norte/Sul. Concluindo-se que, no contexto da "Nova Ordem Mundial" apesar dos grandes espaços vazios por preencher e integrar, figuramos entre as nações mais populosas do Globo. Nela a homogeneidade racial vem se impondo através da miscigenação. Contamos com três condições fundamentais para atingirmos o estágio de Grande Potência - temos espaço ou presença,

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posicionamento e matérias-primas; somos pois, dentro do contexto geopolítico global, uma Nação Satisfeita. Nação satisfeita que, face a consciência regional de blocos econômicos, vem incluindo nas diretrizes geopolíticas brasileiras os agrupamentos que como o ZCPAS (Zona de Cooperação e Paz do Atlântico Sul) também inclui o CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Esta Comunidade reúne Brasil/Portugal/PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) entre continentes, com estágios de desenvolvimento distintos, com grandezas, fisiopolíticas diversas e que como em outras “coalisões de geometria variável” 4 , seus membros podem igualmente participar de outros grupos

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O melhor exemplo pode ser encontrado no Commonwealth através do qual a Inglaterra e ex-colônias formam um agrupamento político cultural misto da simbólica Coroa e anglofonia.

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BIBLIOGRAFIA

- CANABARRO, Richardt, H. A Geopolítica e a Consciência Geográfica da Nação (Separata do “Jornal do Comércio de 19/01/47). - CARVALHO, Elysio de. O Fator Geográfico na Política Brasileira - Rio, 1921. - CASTRO, Therezinha de. Retrato do Brasil: Atlas Texto de Geopolítica. BIBLIEX - Rio, 1980. - _____ Geopolítica: Princípios, Meios e Fins - Colégio Pedro II, Rio, 1986 Biblioteca do Professor. - MEIRA MATTOS, General Carlos. Atlântico Sul-Sua Importância Estratégica "A Defesa Nacional nº 688 ano 1980" - TRAVASSOS, Mário. Projeção Continental do Brasil - Companhia Editora Nacional - Rio, 1938.

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ANEXO 1

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ANEXO 2

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ANEXO 3

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