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TRABALHO ESTRANHADO* (Extrato

)

Karl Marx** |XXII| Partimos dos pressupostos da economia nacional. Acei­ tamos sua linguagem e suas leis. Supusemos a propriedade privada, * O presente texto é um fragmento (parte final do primeiro dos manus­ critos) dos chamados Manuscritos econômico-filosóficos (Ökono­ misch-philosophische Manuskripte), escritos por Marx entre março e setembro de 1844, em Paris. O "trabalho estranhado" é uma bem ela­ borada reflexão sobre o lugar do trabalho na composição da sociali­ dade humana, e de como tal composição se reequaciona a partir da transformação do trabalho em elemento subordinado à troca e à pro­ priedade privada. Nesta tradução optamos por chamar de alienação (ou exteriorização) a palavra alemã Entäusserung, e de estranhamento a palavra Entfremdung. Somente a segunda tem o sentido forte e ne­ gativo atribuído em geral ao termo alienação, ao passo que exteriori­ zação significa atividade, objetivação, e é ineliminável do contexto histórico do fazer-se homem do homem, o que Marx deixa claro ao indicar o estranhamento como forma específica de exteriorização hu­ mana, especialmente sob o domínio do trabalho assalariado sob o ca­ pitalismo. A tradução completa desses Manuscritos para o português, ainda inédita no Brasil, está sob nossa responsabilidade, e será publi­ cada pela Boitempo Editorial. Texto extraído do original alemão: MARX, Karl. "Entfremdete Arbeit und Privateigentum", Ökono­ misch-philosophische Manuskripte, MEGA, I, 2, Berlim: Dietz Ver­ lag, 1982, p. 363-375. ** Tradução de Jesus Ranieri. Professor de Sociologia da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp, campus de Bauru. Autor de A câmara escura. Alienação e estranhamento em Marx. São Paulo: Boitempo, 2001.
Idéias, Campinas,9(2)/10(l):455-472, 2002-2003

2002-2003 . Até q u e ponto estas circunstâncias exteriores. A partir da e c o n o m i a nacional mesma. entre capital e terra. As únicas rodas que o economista político p õ e em m o v i m e n t o são a ganância e a guerra entre os gananciosos. lucro de capital e renda da terra. A economia nacional não nos dá esclarecimento algum sobre o fundamento (Grund) da divisão entre trabalho e capital. V i m o s c o m o a troca m e s m a aparece a ela c o m o um fato acidental. Justamente p o r q u e a economia nacional não c o m p r e e n d e a co­ nexão do m o v i m e n t o . ela supõe o q u e deve desenvolver. que a miséria do trabalhador põe-se na relação inversa da potência (Macht) e grandeza (Grösse) da sua produção. Do m e s m o m o d o . 9(2)/10(l):455-472. da m e s m a forma que a divisão do tra­ balho. abstratas. por fór­ mulas gerais. Ela percebe o processo material da proprie­ dade privada. portanto a mais tremenda restauração do m o n o p ó l i o . Q u a n d o ela. não mostra c o m o têm origem na essência da propriedade privada. o qual passa. assim como entre o agricultor e o trabalhador em manufatura. É explicada a partir de circunstâncias exterio­ res. A e c o n o m i a nacional parte do fato da propriedade privada. na efetividade (Wirklichkeit). sobre isto a e c o n o m i a nacional n a d a nos ensina. são apenas a expressão de um desenvolvimento necessário. igualmente do salário. isto é. o conceito de valor de troca. expusemos que o trabalhador baixa (herabsinkt) à mercadoria e à mais miserá­ vel mercadoria. c o m suas próprias palavras.s e nas duas classes dos proprietários e dos trabalha­ dores sem propriedade. Campinas.456 O trabalho estranhado (extrato) a separação de trabalho. e toda a sociedade tem de d e c o m p o r . a concorrência entra por toda parte. o que lhe vale c o m o razão última é o interesse do capitalista. N ã o con­ cebe (begreift) estas leis. determina a relação do salário c o m o lucro de capital. aparentemente casuais. por Idéias. ela p ô d e por isto n o v a m e n t e opor. a concorrência. que o resultado necessário da concorrência é a acumulação de ca­ pital em poucas m ã o s . que então a ela valem c o m o leis. a concorrência. etc. ou seja. por exemplo. N ã o nos explica o m e s m o . capital e terra. que finalmente desaparece a diferença entre o capita­ lista e o rentista fundiário (Grundrentner).

Ele simplesmente empurra a questão para u m a região nebulosa. de monopólio e concorrência. capital e propriedade da terra. a doutri­ na da divisão da posse da terra à doutrina da grande propriedade fundiária. Campinas. da corporação e da propriedade feudal. a ganância. O trabalho não produz somente mercadorias. Assim o teólogo explica a origem do mal pelo p e c a d o original (Sündenfall). aquilo que deve deduzir. senão: o objeto ( Gegenstand) que o trabalho produz. pois concorrência. por exemplo entre divisão do trabalho e troca. notada­ m e n t e a relação necessária entre duas coisas. 9(2)/10(l):455-472. de todo este estranhamento {Entfremdung) c o m o sistema do dinheiro. deliberadas. liberdade industrial. mercadorias em geral. de troca e concorrência.Karl Marx 457 exemplo. O trabalhador se torna tanto mais pobre quanto mais riqueza produz. S u p õ e na forma da realidade (Tatsache). a separação de trabalho. presente. cinzenta. quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão. N ã o nos desloquemos. o que deve explicar. supõe c o m o um fato. o seu produto. N ó s partimos de um fato nacional-econômico. de fato. isto é. naturais do monopólio. A g o r a temos portanto que conceber a interconexão essencial entre a propriedade privada. 2002-2003 . se lhe defronta c o m o um ser Idéias. e isto na medida em que produz. C o m a valorização do m u n d o das coisas (Sa­ chenwelt) aumenta em proporção direta a desvalorização do m u n ­ do dos h o m e n s (Menschenwelt). a um estado primitivo imaginário. a doutrina da liberdade industrial à doutrina da corporação. violentas. [e] não c o m o [conseqüênci­ as] necessárias. Um tal estado primitivo nada explica. divisão da posse da terra e r a m desenvolvidas e concebidas apenas c o m o conseqüên­ cias acidentais. inevitáveis. O trabalhador se torna u m a mercadoria tão mais barata quanto mais mercadorias cria. a doutrina da concorrência à doutrina do monopólio. do acontecimento. na forma da história. Este fato nada mais exprime. ele produz a si m e s m o e ao trabalhador c o m o u m a mercadoria. c o m o [faz] o economista nacional quan­ do quer esclarecer [algo]. de valor e desvalorização do h o m e m . e t c .

a l h e i o (fremde) que ele cria diante de si. o trabalho m e s m o se torna um objeto. Portanto. Quanto mais o h o m e m põe em Deus. A efetivação ( Verwirklichung) do trabalho é a sua objetivação. segundo este pressuposto está claro: quanto mais o trabalhador se desgasta trabalhando (ausarbeitet). tanto m e n o r (weniger) ele m e s m o é. Esta efetivação do trabalho aparece ao estado nacional-econômico como desefetivação (Entwirklichung) do trabalhador. O produto do t r a b a l h o é o t r a b a l h o q u e se fixou n u m o b j e t o . A exteriorização (Entäusserung) do trabalhador em seu produto tem o significado não somente de que seu trabalho se torna um objeto. Sim. tanto m e n o s p o d e possuir e tanto mais fica sob o domínio do seu produto. A apropriação do objeto tanto aparece c o m o estranhamento (Entfremdung) que. do qual o trabalhador só p o d e se apossar c o m os maiores esforços e c o m as mais extraordinárias interrupções. é a objetivação (Vergegenständlichung) do trabalho. 2002-2003 . É do m e s m o m o d o na religião. t ã o m a i s p o d e r o s o se t o r n a o m u n d o o b j e t i v o . mas t a m b é m dos objetos do trabalho. tanto mais semobjeto é o trabalhador. mas agora ela não pertence mais a ele. quanto mais objetos o trabalhador produz. Campinas. tão mais pobre se torna ele m e s m o . Ele não é o que é o produto do seu trabalho. 9(2)/10(l):455-472. quanto maior este produto. O trabalhador encerra a sua vida no objeto. A efetivação do trabalho tanto aparece c o m o desefetivação que o trabalhador é desefetivado até morrer de fome. do capital. mas sim que existe Idéias. Com efeito. quão maior esta atividade. Por conseguinte. seu m u n d o interior. a apropriação c o m o estra­ nhamento (Entfremdung). c o m o alienação (Entäusserung). Na determinação de que o trabalhador se relaciona com o produto de seu trabalho como [com] um objeto estranho estão todas estas conseqüências. A objetivação tanto aparece c o m o perda do objeto que o trabalhador é despojado dos objetos mais necessários não somente à vida. u m a existência externa (äussern). c o m o um poder independente do produtor. mas sim ao objeto.458 O trabalho estranhado (extrato) estranho. fez-se coisal ( s a c h l i c h ) . [e] tanto m e n o s [o trabalhador] pertence a si próprio. a objetivação como perda do objeto e servidão ao objeto. tanto m e n o s ele retém em si m e s m o .

O auge desta servidão é que somente como trabalhador ele [pode] se manter c o m o sujeito físico e apenas como sujeito físico ele é tra­ balhador. sem o mundo exterior sensível (sinnliche). do seu produto. um meio de vida do seu trabalho. Campinas. c o m o trabalhador e. O trabalhador n a d a p o d e criar sem a natureza. tanto mais ele se priva dos meios de vida segundo um duplo sentido: primeiro. Portanto. 2002-2003 . porque recebe meios de subsistência. Q u a n t o mais. o trabalhador se torna.Karl Marx 459 fora dele (ausser ihm). |XXIII| E x a m i n e m o s agora mais de perto a objetivação. o m e i o de subsistência física do trabalhador m e s m o . por meio do seu trabalho. meio para a subsistência física do trabalhador. em segundo. M a s c o m o a natureza oferece o meio de vida. na qual [o trabalho] é ativo. para que possa existir. segundo. cada vez mais. 9(2)/10(l):455-472. a perda do objeto. tornandose u m a potência (Macht) autônoma frente a ele. o trabalhador se apropria do m u n d o externo. Ela é a matéria na qual o seu trabalho se efetiva. ficando a correção a cargo do editor da publicação original que serve de base para esta tradução. de ser meio de vida no sentido imediato. porque ele recebe um objeto do trabalho. da natureza sensível. portanto. a pro­ dução do trabalhador. [e] a partir da qual e por m e i o da qual [o trabalho] produz. [significa] que a vida que ele concedeu ao objeto se lhe defronta hostil e estranha. Primeiro. recebe trabalho. que [o m u n d o exterior sensível] cessa. o meio de vida no sentido mais estrito. um servo do seu objeto. por outro lado. O verbo auxiliar não foi adotado por Marx. e. assim t a m b é m oferece. e nela o estranhamento. portanto. no sentido de que o trabalho não p o d e viver sem objetos nos quais se exerça. 1 1 Colchetes da edição alemã. isto é. em primeiro lu­ gar. Idéias. isto é. c o m o sujeito físico. S e g u n d o este duplo sentido. se­ g u n d o . q u e s e m p r e mais o m u n d o exterior sensível deixa de ser um objeto pertencente ao seu trabalho. independente de e estranha a ele.

M a s o estranhamento não se m o s t r a somente no resultado.460 O trabalho estranhado (extrato) (O estranhamento do trabalhador em seu objeto se expressa. quanto mais rico de espírito o trabalho. sim. Campinas. Produz palácios. Se. A relação do abastado c o m os objetos da produção e c o m ela m e s m a é somente u m a conseqüência desta primeira relação. mas lança u m a parte dos trabalhadores de volta a um tra­ balho bárbaro e faz da outra parte máquinas. Substitui o trabalho por má­ quinas. C o m o poderia o trabalhador de­ frontar-se alheio (fremd) ao produto da sua atividade se no ato m e s m o da p r o d u ç ã o ele não se estranhasse a si m e s m o ? O produto é. da produção.) A economia nacional oculta o estranhamento na essência do trabalho porque não considera a relação imediata entre o traba­ l h a d o r (o trabalho) e a produção. mas cavernas para o trabalhador. O trabalho produz maravilhas para os ricos. mais impotente o trabalhador se torna. pelas leis nacional-econômicas. Produz beleza. quanto mais civilizado seu objeto. então perguntamos pela relação do trabalhador c o m a produção. mas produz imbecilidade. Produz espírito. a sua relação com os produtos do seu trabalho. tanto mais deformado ele fica. que quanto mais valores cria. mais bárbaro o trabalhador. mas deformação para o trabalhador. Até aqui e x a m i n a m o s o estranhamento. S e m dúvida. mais sem-valor e indigno ele se torna. 9(2)/10(l):455-472. mas sim no ato da produção. Se portanto p e r g u n t a m o s : qual a relação essencial do trabalho. dentro da atividade produtiva mesma. A relação imediata do trabalho com os seus produtos é a rela­ ção do trabalhador com os objetos da sua produção. mais pobre de espírito e servo da natureza se torna o trabalhador. que quanto mais poderoso o trabalho. quanto melhor formado o seu produto. qual seja. cretinismo para o trabalhador. portanto. em que quanto mais o trabalhador produz. somente o r e s u m o (Resume) da atividade. a exteriorização do tra­ balhador sob apenas um dos seus aspectos. E a confirma. mas produz privação para o trabalhador. então a produ- Idéias. o produto do trabalho é a exteriorização. m e n o s tem para consumir. Examina­ r e m o s mais tarde este outro aspecto. 2002-2003 .

ao resultado de que o h o m e m (o tra­ balhador) só se sente c o m o [ser] livre e ativo em suas funções ani­ mais. n ã o p e r t e n c e ao seu ser. Em que consiste. Campinas. Está em casa q u a n d o n ã o trabalha e. do cérebro e do coração h u m a n o s . q u e não d e s e n v o l v e n e n h u m a energia física e espiritual livre. m a s forçado. No estranhamento do o b ­ jeto do trabalho resume-se somente o estranhamento. a externalidade (Äusserlichkeit) do trabalho aparece para o t r a b a l h a d o r c o m o [o trabalho] não sendo seu próprio. q u e [o trabalho] não lhe pertence. a exteriorização da atividade. q u a n d o trabalha.s e nele. beber e procriar. então. m a s n e g a . foge-se do trabalho c o m o de u m a peste. por conseguinte. que o trabalho é externo (äusserlich) ao trabalhador. divina ou diabólica. m a s s o m e n t e um meio p a r a satisfazer carências (Bedürfnisse) fora dele. comer. 2002-2003 . O seu trabalho não é portanto voluntário. q u e ele não se afirma. a satisfação de u m a c a r ê n c i a (Bedürfnisses). assim tam­ b é m a atividade do trabalhador não é a sua auto-atividade. Ela p e r t e n c e a outro. ador- Idéias. o trabalho no qual o h o m e m se exterio­ riza. portanto. Final­ m e n t e . isto é. j u n t o a si [quando] fora do trabalho e fora de si [quando] no trabalho. m a s de um outro. em seu trabalho. m a s a um outro. por isso.s e aqui [de forma] tão p u r a q u e tão logo inexista coer­ ção física ou outra qualquer. S u a e s t r a n h i d a d e (Fremdheit) e v i d e n c i a . atua i n d e p e n d e n t e m e n t e do i n d i v í d u o e sobre ele. q u e n ã o se sente b e m . é um trabalho de auto-sacrifício. por c o n s e g u i n t e e em primeiro lugar. m a s mortifica sua Physis e arruina o seu espírito. O traba­ l h a d o r só se sente. A s s i m c o m o na religi­ ão a auto-atividade da fantasia h u m a n a . a exterioriza­ ção na atividade do trabalho m e s m o . q u e ele no trabalho n ã o p e r t e n c e a si m e s m o . O trabalho não é. Chega-se. c o m o u m a atividade estranha.Karl Marx 461 ção m e s m a tem de ser a exteriorização ativa. a exteriorização (Entäusserung) do tra­ balho? P r i m e i r o . 9(2)/10(l):455-472. a atividade da exteriorização. de mortificação. tra­ balho obrigatório. é a p e r d a de si m e s m o . O trabalho externo. isto é. quando muito ainda habitação. não está em casa. m a s infeliz.

não somente q u a n d o prática e teoricamente faz do gênero. o trabalho.e isto é somente u m a outra expressão da m e s m a coisa . O animal se torna h u m a n o e o h u m a n o . Assim c o m o plantas. presente. E x a m i n a m o s o ato do estranhamento da atividade h u m a n a prá­ tica.c o m o u m a atividade voltada contra ele m e s m o . a sua vida pessoal . e quanto mais universal o h o ­ m e m [é] do que o animal. nisto: que o h o m e m (tal qual o ani­ mal) vive da natureza inorgânica. tanto mais universal é o domínio da na­ tureza inorgânica da qual ele vive.q u a n d o se relacio­ na consigo m e s m o c o m o [com] o gênero vivo. 9(2)/10(l):455-472. é verdade. animais.pois o que é vida senão atividade . na abstração que as separa da esfera restante da atividade humana. e t c . O estranhamento-de-si (Selbstentfremdung). Porém. a procriação c o m o castração. consiste fi­ sicamente. 1) A relação do trabalhador com o produto do trabalho como objeto estranho e poderoso sobre ele. e t c . e em suas funções humanas só [se sente] como animal. A vida genérica. | X X I V | T e m o s agora ainda u m a terceira determinação do tra­ balho estranhado a extrair das duas vistas até aqui. [e] por isso livre. o seu objeto. c o m os objetos da natureza c o m o um m u n d o alheio que se lhe defronta hostilmente. tal qual acima o estranhamento da coisa. Idéias. funções genuína[mente] h u m a n a s . O h o m e m é um ser genérico (Gattungswesen). Campinas. mas t a m b é m . a força como impotência. 2) A relação do trabalho c o m o ato da produção no interior do trabalho. não pertencente a ele. a atividade c o m o miséria. e faz delas finalidades últimas e exclusivas. Comer. independente dele. Esta relação é a relação do tra­ balhador c o m a sua própria atividade c o m o u m a [atividade] estra­ nha não pertencente a ele. tanto no h o m e m quanto no animal. são animais. são também. q u a n d o se relaciona consigo m e s m o c o m o [com] um ser universal. A energia espiritual e física própria do trabalhador. 2002-2003 . sob dois aspectos. beber e procriar.462 O trabalho estranhado (extrato) nos. animal. Esta relação é ao m e s m o tempo a relação c o m o m u n d o exterior sensível. tanto do seu próprio quanto do restante das coisas. em primeiro lugar.

aquecimento. Pois primeiramente aparece ao h o m e m o trabalho. quanto o objeto/matéria e o instrumento de sua atividade vital. ar. 9(2)/10(l):455-472. pois o h o m e m é u m a parte da natureza. e a atividade consciente livre é o caráter genérico do h o m e m . a universalidade do h o m e m aparece precisamente na universalidade que faz da natureza inteira o seu corpo inorgânico. estranha a vida gené­ rica. A vida produtiva é. a carência de m a n u t e n ç ã o da existência física. formam teoricamente u m a parte da consciência h u m a n a .sua natureza inorgânica..Karl Marx 463 pedras. É a vida engendradora de vida. q u e ele tem de preparar prioritariamente para a fruição e para a digestão . Na m e d i d a em que o trabalho estranhado 1) estranha do h o m e m a natureza. Campinas. tanto na medida em que ela é 1) um meio de vida imediato. c o m o qual ele tem de ficar n u m processo contínuo para n ã o morrer. Fisicamente vive o h o m e m somente destes produtos da natureza. porém. Idéias. habitação. vestuário. A natureza é o corpo inor­ gânico do h o m e m . faz da última em sua abstração um fim da primeira. a natureza enquanto ela m e s m a não é corpo h u m a n o . A vida m e s m a aparece só como meio de vida. em parte c o m o objetos da arte . a vida produtiva m e s m a apenas como um meio para a satisfa­ ção de u m a carência (Bedürfnisses). igualmente em sua forma abstrata e estranhada. a saber. Primeiro. possam eles aparecer na forma de alimento. significa: a natureza é o seu corpo. No m o d o ( Ari) da atividade vital en­ contra-se o caráter inteiro de u m a species. etc. luz. sua ativida­ de vital. seu caráter genérico. 2002-2003 . O h o m e m vive da natureza. a vida genérica. Q u e a vida física e mental do h o m e m está interconec­ tada c o m a natureza não tem outro sentido senão que a natureza está interconectada consigo mesma.. a atividade vital. etc. meios de vida espirituais. sua própria função ativa. Faz-lhe da vida genérica apenas um meio da vida individual. assim c o m o a vida individual. Segundo. Praticamente. [e] 2) a si m e s m o . estranha do h o m e m o gênero. formam t a m b é m praticamente u m a parte d a vida h u m a ­ na e da atividade h u m a n a . em parte como objetos da ciência natural.

2002-2003 . isto é. enquanto q u e o h o ­ m e m se defronta livre c o m o seu produto. A atividade vital consciente distingue o h o m e m imediatamente da atividade vital animal. a elaboração da natureza inorgânica é a prova do h o m e m enquanto um ser genérico consciente. por isso. precisamente p o r q u e é um ser genérico. Esta não é u m a determinidade c o m a qual ele imediatamente coincide. precisa­ m e n t e p o r q u e é um ser consciente. ele é um ser genérico. c o m o ser Idéias. enquanto o h o m e m reproduz a natureza inteira. p r o d u z apenas aquilo de q u e necessita imediatamente para si ou sua cria. Ou ele somente é um ser conscien­ te. E ela. o h o m e m t a m b é m forma. [no animal. e só produz. 9(2)/10(l):455-472. habitações. produz unilateral[mente]. enquanto o h o m e m produz uni­ versal[mente]. Constrói para si um ninho. na elaboração do m u n d o objetivo [é que] o h o m e m se confirma. por toda a parte. apenas um m e i o para sua existência. O h o m e m faz da sua atividade vital m e s m a um objeto da sua vontade e da sua consciência. Ele tem atividade vital consciente. da sua essência. É verdade que t a m b é m o animal produz. Justamente. O traba­ lho estranhado inverte a relação a tal ponto que o h o m e m . Campinas.464 O trabalho estranhado (extrato) O animal é imediatamente um c o m a sua atividade vital. um ser que se relaciona c o m o gênero enquanto sua própria essência ou [se relaciona] consigo enquanto ser genéri­ co. primeira e verdadeiramente. O engendrar prático de um mundo objetivo. [e] só por isso. Precisamente por isso. o animal produz apenas sob o domínio da carência física imediata.] o seu produto pertence imediatamente ao seu corpo físico. enquanto q u e o h o m e m sabe produzir segundo a medida de qualquer species. O animal forma apenas segundo a medida e a carência da species à qual pertence. No entanto. etc. a medida inerente ao objeto. e sabe considerar. isto é. Eis porque a sua atividade é atividade livre. enquanto o h o m e m produz m e s m o livre da carência física. em primeiro lugar e efetivamente. faz da sua atividade vital. na [sua] liberdade [com relação] a ela. formiga. a sua própria vida lhe é objeto. N ã o se distingue dela. o animal só produz a si m e s m o . segundo as leis da beleza (Schönheit). castor. c o m o a abelha.

O trabalho estranhado faz. de sua atividade vital e de seu ser genérico é o estranhamento do homem pelo [próprio] homem. Idéias. O objeto do trabalho é portanto a objetivação da vida genérica do homem: quando o h o m e m se duplica não apenas na consciência. a questão de que o h o m e m está estranhado do seu ser genérico quer dizer que um h o m e m está estranhado do outro. O que é produto da relação do h o m e m c o m o seu trabalho. A consciência que o h o m e m tem do seu gênero se transforma. intelectual [mente]. ele faz da vida genérica do h o m e m um meio de sua existência física. mas operativa. Campinas. a atividade livre. quando o trabalho estranhado reduz a autoatividade. a sua essência humana. assim c o m o cada um deles [está estranhado] da essência humana. o trabalho estranhado arranca-lhe sua vida genérica. portanto. tal c o m o a sua essência espiritual. Q u a n d o o h o m e m está frente a si m e s m o . a si mesmo n u m m u n d o criado por ele. sua efetiva objetividade genérica (wirkliche Gattungsgegenständlichkeit) e transforma a sua vantagem com relação ao animal na desvantagem de lhe ser tirado o seu corpo inorgânico. con­ templando-se. tanto da natureza quanto da fa­ culdade genérica espiritual dele. vale c o m o relação do h o m e m c o m outro h o m e m . mediante o estranhamento. produto de seu trabalho e consigo m e s m o . a um meio. 4) u m a conseqüência imediata disto. de forma a que a vida genéri­ ca se torna para ele um meio. Con­ seqüentemente. por isso. do h o m e m estar estranha­ do do produto do seu trabalho. Em geral. Igualmente. Através d e l a a n a t u r e z a a p a r e c e c o m o a sua o b r a e a s u a e f e t i v i d a d e (Wirklichkeit). assim c o m o a natureza fora dele. 2002-2003 . por conseguinte: 3) do ser genérico do homem. Estranha do h o m e m o seu próprio corpo. efetiva[mente].Karl Marx 465 genérico. quando arranca (entreisst) do h o m e m o objeto de sua produção. a natureza. um ser estranho a ele. um meio da sua existência individual. Esta produção é a sua vida genérica operativa. defronta-se c o m ele o outro h o m e m . 9(2)/10(l):455-472. como o trabalho e o objeto do trabalho de outro h o m e m .

a q u e m ela pertence. Idéias. Campinas. o trabalho estranhado. a quem pertence então? Se m i n h a própria atividade não me pertence. então? A outro ser que não eu. só p o d e ser o homem m e s m o . Na relação do trabalho estranhado cada h o m e m considera. apenas um factum nacional-econômico. defronta-se comigo c o m o poder estranho. na efetividade. 2002-2003 . C o n t i n u e m o s agora a observar c o m o tem de se enunciar e ex­ por. por conseguinte. no Egito. c o m o por exemplo a construção de templos. Q u e m é este ser? Os deuses? Evidentemente nas primeiras épocas a produção principal. Se o produto do trabalho me é estranho. exterioriza­ do. T a m p o u c o a natureza. M é x i c o . O ser estranho ao qual pertence o trabalho e o produto do tra­ balho. do estra­ n h a m e n t o do trabalhador e de sua produção. e t c . Analisa­ m o s este conceito. forçada. se expressa. como t a m b é m o produto pertence a eles. é primeiramente efetivado. exteriorizado. aparece tanto a serviço dos deuses. é u m a atividade estranha. quanto mais subjuga a natureza pelo seu trabalho. E qual contradição seria t a m b é m que o h o m e m .466 O trabalho estranhado (extrato) O estranhamento do h o m e m . em geral toda a relação na qual o h o m e m está diante de si m e s m o . na relação em que o h o m e m está para c o m o outro h o ­ mem. [que] o h o ­ m e m deveria renunciar à alegria na produção e à fruição do pro­ duto por amor a esses poderes. por­ tanto. | X X V | Partimos de um factum nacional-econômico. porém. para o qual o trabalho está a serviço e para a fruição do qual [está] o produto do trabalho. o outro segundo o critério e a relação na qual ele m e s m o se encontra c o m o trabalhador. analisamos. quanto mais os prodígios dos deuses se tornam obsoletos mediante os prodígios da indústria. os deuses n u n c a foram os senhores do trabalho. Sozinhos. na Índia. o conceito de trabalho estranhado. 9(2)/10(l):455-472. Expressamos o con­ ceito deste factum.

T o d o auto-estranhamento (Selbstentfremdung) do h o m e m de si e da natureza aparece na relação que ele outorga a si e à natureza para c o m os outros h o m e n s dele diferenciados. Se sua atividade lhe é martírio. visto que aqui se trata do m u n d o intelectual. N ã o os deuses. pela sua relação c o m o outro h o m e m . então se relaciona c o m ele de forma tal que um outro h o m e m es­ tranho (fremder) a ele. apenas o h o m e m m e s m o p o d e ser este poder estranho sobre o homem. Se ele se relaciona. então ela tem de ser fruição de um outro e alegria de viver de um outro. 9(2)/10(l):455-472. No m u n d o prático-efetivo ( p r a k t i s c h e n wirklichen Welt) o auto-estranhamento só p o d e apare­ cer através da relação prático-efetiva (praktische wirkliche Verhältniss) c o m outros h o m e n s . de um mediador. A s s i m c o m o ele [engendra] a sua própria produção para a sua desefetivação (Entwi- Idéias. Se ele se relaciona c o m a sua própria atividade c o m o u m a [atividade] não-livre. c o m o produto do seu trabalho. sob o domínio. não a nature­ za. Considere-se ainda a proposição colocada antes.Karl Marx 467 Se o produto do trabalho não pertence ao trabalhador. c o m o seu trabalho objetivado. poderoso. que a relação do h o m e m consigo m e s m o lhe é primeiramente objetiva. poderoso. efetiva. etc. O meio pelo qual o estranha­ mento procede é [ele] m e s m o um [meio] prático. a violência e o j u g o de um outro h o m e m . é o senhor deste objeto. não apenas sua relação c o m o objeto e o ato de produção enquanto h o m e n s que lhe são estranhos e inimigos. hostil. dele independente. inimigo. ele engendra t a m b é m a relação na qual outros h o m e n s estão para a sua produção e o seu produto. 2002-2003 . portanto. Campinas. dele independente. Por isso o auto­ estranhamento religioso aparece necessariamente na relação do leigo c o m o sacerdote ou também. e a rela­ ção na qual ele está para c o m estes outros h o m e n s . então isto só é possível por [o pro­ duto do trabalho] pertencer a um outro homem fora o trabalhador. então ele se relaciona c o m ela como a atividade a serviço de. Através do tra­ balho estranhado o h o m e m engendra. portanto. enquanto objeto estranho. um poder estranho [que] está frente a ele.

2002-2003 . S o m e n t e no derradeiro ponto de culminância do desenvolvi­ mento da propriedade privada v e m à tona n o v a m e n t e este seu mis­ tério. a realização desta exteriorização. isto é. de vida estranhada. Através do trabalho estranhado. Campinas. que é o meio através do qual o trabalho se exterioriza. M a s evidencia-se na análise des­ se conceito que. de homem exteriorizado. 9(2)/10(l):455-472. um produto não pertencente a ele. mais tarde. ela é antes u m a con­ seqüência do m e s m o . para o seu castigo.c o m este trabalho. portanto. não a causa. assim c o m o [engendra] o seu pró­ prio produto para a perda. Tal c o m o estranha de si a sua própria atividade. c o m o razão do trabalho exteriorizado.468 O trabalho estranhado (extrato) rklichung). ele apropria para o estranho (Fremden) a atividade não própria deste. qual seja: que é. assim c o m o t a m b é m os deuses são. de trabalho estranhado. portanto. M a i s tarde esta relação se transforma em ação recíproca. por análise. exteriorizado. o produto. se a propriedade privada aparece c o m o funda­ mento. da relação externa (äusserlichen) do trabalhador com a natureza e consigo mesmo. A propriedade privada resulta portanto. o resultado. origina­ riamente. ele engendra t a m b é m o domínio de q u e m não produz sobre a produção e sobre o produto. t a m b é m sob o aspecto do não-trabalhador. mas o efeito do erro do entendimento hu­ m a n o .do h o m e m situado fora dele . A propriedade privada é. do con­ ceito de trabalho exteriorizado. o produto do trabalho exterio­ rizado e. o trabalhador engendra. H e r d a m o s certamente o conceito de trabalho exteriorizado (de vida exteriorizada) da economia nacional c o m o resultado do mo­ vimento da propriedade privada. Consideramos até agora a relação apenas sob o aspecto do tra­ balhador. a con­ seqüência necessária do trabalho exteriorizado. de h o m e m estranhado. A consideraremos. a relação de alguém estranho ao trabalho . A relação do traba­ lhador c o m o trabalho engendra a relação do capitalista (ou como se queira n o m e a r o senhor do trabalho) c o m o trabalho. Idéias. por um lado. em segundo lugar.

c o m um dos lados tem t a m b é m de ruir o outro. 1) A economia nacional parte do trabalho c o m o [sendo] propri­ a m e n t e a alma da produção. apesar disso. M a s esta Idéias. mas c o m o o servi­ dor do salário. Proudhon. A socieda­ de é então compreendida c o m o um capitalista abstrato. a partir desta con­ tradição.Karl Marx 469 Este desenvolvimento lança imediatamente luz sobre diversos conflitos até agora insolúveis. pois o salário (onde o produto. trans­ forma somente a relação do trabalhador contemporâneo c o m o seu trabalho na relação de todos os h o m e n s c o m o trabalho. Por isso t a m b é m reconhecemos que salário e propriedade pri­ vada são idênticos. Salário é u m a conseqüência imediata do trabalho estranhado. Desenvolveremos isto mais tarde e agora apenas d e d u z i m o s ainda algumas ||[XX]VI| conseqüências. o objeto do trabalho. N ó s r e c o n h e c e m o s . não c o m o se dissesse respeito somente à emancipação deles. como quer Proudhon. ela t a m b é m só seria mantida c o m violência) nada seria além de um melhor assala­ riamento do escravo e não teria conquistado n e m ao trabalhador nem ao trabalho a sua dignidade e determinação h u m a n a s . 9(2 )/10 (l):455-472. e t c . que esta aparente contradição é a contradição do trabalho estranhado consigo m e s m o . e que a e c o n o m i a nacional apenas enunciou as leis do trabalho estranhado. abstraindo que. mas p o r q u e na sua emanci­ pação está encerrada a [emancipação] h u m a n a universal. 2) Da relação do trabalho estranhado c o m a propriedade privada depreende-se além do mais que a emancipação da sociedade da propriedade privada. porém. se manifesta na forma polí­ tica da emancipação dos trabalhadores. e o trabalho estranhado é a causa imediata da propriedade privada. n a d a concede ao tra­ balho e tudo à propriedade privada. da servidão. U m a violenta elevação do salário (abstraindo de todas as outras dificuldades. Campinas. 2002-2003 . assim c o m o no salário t a m b é m o trabalho aparece não c o m o fim em si. C o n s e q ü e n t e m e n t e . concluiu em favor do trabalho [e] contra a propriedade privada. e. como u m a anomalia. M e s m o a igualdade de salários. p a g a o próprio trabalho) é somente u m a conseqüência necessária do estranhamento do trabalho.

Pois. e a exteriorização Idéias. A s s i m c o m o encontramos. Campinas. da concor­ rência. enquanto um factum e analisamos este fato. ser desen­ volvidas todas as categorias nacional-econômicas. como por exemplo do regateio. está-se agindo imedi­ atamente c o m o h o m e m m e s m o . apenas u m a expressão determinada e desenvolvida desses primeiros fundamentos. em sua relação c o m a propriedade verdadeiramente humana e social. sua exteriorização. a partir do conceito de trabalho estranhado. 1) Determinar a essência universal da propriedade privada. estranhar. c o m o exteriorização. Q u a n d o se fala do trabalho. Esta n o v a disposição da questão já é inclusive a sua solução. por análise. q u a n d o se fala em propriedade privada. o seu trabalho? C o m o este estranhamento está fundado na essência do desenvolvi­ mento h u m a n o ? Já obtivemos muito para a solução do p r o b l e m a q u a n d o transmutamos a questão sobre a origem da propriedade privada na questão sobre a relação do trabalho exteriorizado c o m a m a r c h a do desenvolvimento da humanidade. exteriorizado. C o n t u d o . c o m a ajuda destes dois fatores.] a apropriação apa­ rece c o m o estranhamento. 9(2)/10(l):455-472. então podem. do dinheiro. p r o c u r e m o s ainda solucionar duas tarefas. e todas as rela­ ções de servidão são apenas modificações e conseqüências dessa relação. e reencontrare­ m o s em cada categoria. 2002-2003 . Em dois elementos que se condicionam m u t u a m e n t e . ad l.470 O trabalho estranhado (extrato) [última] está aí encerrada porque a opressão h u m a n a toda está en­ volvida na relação do trabalhador com a produção. perguntamos agora. acredita-se estar agindo c o m u m a coisa fora do h o m e m . antes de examinar esta configuração (Gestaltung). Essência universal da propriedade privada e sua relação com a propriedade verdadeiramente humana. sobreveio ao homem exteriorizar. ou que apenas são expressões distintas de u m a e m e s m a relação. o conceito de propriedade privada. tal c o m o se constituiu enquanto resultado do trabalho estranhado. o trabalho exteriorizado solucionou-se para nós. do capital. C o m o . 2) A d m i t i m o s o estranhamento do trabalho. [ou seja.

"burgueses". a relação do trabalhador com o trabalho e com o produto do seu trabalho e c o m o nãotrabalhador. 9(2)/10(l):455-472. do trabalho exteriorizado. a vitalidade c o m o sacrifício da vida. c o m o a expressão material. encontramos a relação de propriedade do não-trabalhador c o m o trabalhador e [com] o trabalho. 2 O termo utilizado por Marx é "Einbürgerung". e que se di­ ferencia do clero e da nobreza) através da aquisição de valores civis. examinemos então agora a relação deste h o ­ m e m estranho (fremden) ao trabalho e ao trabalhador c o m o tra­ balhador. C o m o produto. como resultado ne­ cessário desta relação. Em primeiro lugar. e a relação do não-trabalhador com o trabalhador e [com] o produto do trabalho deste último. A propri­ edade privada.Karl Marx 471 como apropriação. ao antigo burgo. a produ­ ção do objeto c o m o perda do objeto para um poder estranho. Idéias. çao . para um h o m e m estranho. Se vimos que c o m respeito ao trabalhador que se apropria da natureza através do trabalho a apropriação aparece c o m o estranha­ mento. o trabalho exteriorizado no que se refere ao trabalhador m e s m o . a auto-atividade c o m o atividade para um outro e c o m o ati­ vidade de um outro. c o m o trabalho e o seu objeto. o estra­ nhamento. o estranhamento. abarca as duas relações. 2 o estranhamento c o m o a verdadeira civiliniza­ E x a m i n a m o s um dos aspectos. que designa a "natura­ lização" daquele que se torna cidadão de um outro país. a relação do trabalho exteriorizado consigo mesmo. mas o conteúdo pretendido e sugerido por Marx certa­ mente é mais amplo e abrange a possibilidade do indivíduo tornar-se "cidadão" (aquele que pertence à cidade. Campinas. 2002-2003 . resumida. é de se notar que tudo o que aparece no tra­ balhador c o m o atividade da exteriorização. apa­ rece no não-trabalhador c o m o estado da exteriorização. O termo pode ter também o sentido de "aclimatação" (o verbo é "sich einbürgern". ou seja. reflexivo).

Campinas. prático do trabalhador na p r o d u ç ã o e c o m o produto (como estado espiritual) aparece no não-trabalhador que está frente a ele c o m o comportamento teórico. 2002-2003 . que o comportamento efetivo. 9(2)/10(l):455-472. |XXVII| Terceiro.472 O trabalho estranhado (extrato) S e g u n d o . mas não faz contra si m e s m o o que faz contra o trabalhador. E x a m i n e m o s mais de perto estas três relações. Idéias. O não-trabalhador faz contra o trabalhador tudo o que o trabalhador faz contra si m e s m o .