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EGRÉGIO TRBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - SEÇÃO CRIMINAL.

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Apelação Criminal 990.09.086864-3 Apelante: Antonio Carlos Souza Del Rei Apelado: Justiça Pública Inclítos Julgadores

ANTONIO CARLOS SOUZA DEL REI, por seu advogado que a esta subscreve, vem, reverentemente a presença de Vossa Excelência, inconformado com o r. acórdão que majorou a pena aplicada na sentença de primeiro grau, interpor Embrgos de Declaração, ante a contradição a seguir apontada:

A r. sentença prolatada pelo Juízo a quo o condenou o Embargante à pena final de reclusão de, em regime inicial aberto de três anos cinco meses e dez dias de reclusão, em regime inicial fechado, e ao pagamento de 399 idas multa, no mínimo legal, por incurso no artigo 33, parágrafo 4.º da Lei 11.343/06 e artigo 333, caput do Código Penal, sem o direito de recorrer em liberdade.

quando somente o réu houver apelado da sentença". não houve sequer recurso interposto pela acusação. Desta forma.Já o r. é contraditória decisão que da provimento para reduzir a pena e aumenta a pena final aplicada em 3 meses. havendo contradição na decisão que da provimento para reduzir a pena e a aumenta. havendo apenas recurso da defesa. o que desautoriza totalmente a instância superior impor gravame maior ao condenado. . que: "O tribunal. câmara ou turma atenderá nas suas decisões ao disposto nos arts. Vê-se claramente na sentença a intenção de aplicar a pena de 3 anos e 5 mêses. não podendo. o juízo ad quem não poderá agravar a situação do réu. 386 e 387. Em contrapartida. manifestada expressamente por 2 vezes. 617. em seu art. porém. tendo nela o argumento de ter se havido dado provimento parcial ao apelo a fim de reduzir a pena do recorrente. no que for aplicável. O Código de Processo Penal pátrio estabelece. ser agravada a pena. Trata-se do princípio da proibição da reformatio in pejus. Em outras palavras. 383. acórdão prolatado reformou a em patente prejuízo do embargante a sentença de primeiro grau aplicando a pena de 3 anos e 08 de reclusão em regime fechado. uma vez que não há pedido nesse sentido. o qual significa que não pode haver reforma da decisão para pior.

. defender e julgar são atribuídas a órgãos distintos. pelo ordenamento pátrio. Esse postulado busca. 2 Art. de natureza diversa da pedida. ou seja. se houvesse tal permissão. Outra causa justificante da existência da proibição da reformatio in pejus é a adoção. ne procedat judex ex officio). o recorrente não teria a oportunidade de aduzir argumentos no sentido de impedir a imposição de eventual condenação mais gravosa. então. sendo-lhe defeso conhecer de questões. . Portanto. 128. como poderia o juízo ad quem 1 Art. do sistema acusatório. 1281 e 460 2 do Código de Processo Civil. Conclui Tourinho Filho que ".Se não há alguém postulando a exasperação da pena – pelo contrário até –. o magistrado não pode exercer sua atividade jurisdicional sem que haja sido provocado. A nova decisão não pode extrapolar os limites do que foi pedido no recurso. É defeso ao juiz proferir sentença. a favor do autor. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta. garantir o respeito ao princípio constitucional do contraditório. bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. consagra a proibição do julgamento extra e ultra petitum. de acordo com a máxima latina nemo judex sine actore (ou.A vedação da reformatio in pejus em recurso exclusivo da defesa se justifica uma vez que o órgão colegiado ad quem deve se pronunciar em conformidade com o postulado no recurso. a que se refere os arts. também. 460. tendo em vista que. não suscitadas. em que as funções de acusar..

" 3 Por derradeiro. estar-se-ia diante de uma revisão criminal de ofício e pro societate. Reformatio in pejus: vedação de aumento da reação final e não das etapas da medida da pena" (RJDTACRIM 33/204). não existindo ainda decisão transitada em julgado. 4 MOSSIN. Processo penal. vol. E a jurisprudência pátria dominante assim se manifesta. defende o douto professor Mossin 4 que. vejamos: Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo Consideração apenas do resultado final da pena. o que é vedado pelo legislador (art. Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo Consideração apenas do resultado final da pena. p. 219. a proibição da reformatio in pejus é conseqüência lógica do sistema acusatório. Fernando da Costa. 1998.º grau nas várias etapas da concretização da reprimentda. p. 3 TOURINHO FILHO. " A proibição da reformatio in pejus não vincula o Tribunal aos critérios adotados pelo Juiz de 1. 621. . 4. não há que se falar em revisão criminal nesse contexto. por ocasião de interposição de recurso unicamente seu. Em que pese a opinião do renomado autor. havendo modificação da decisão prejudicial ao condenado. uma vez que há recurso (ainda que exclusivamente da defesa).fazê-lo? Assim.. São Paulo: Saraiva. 404. CPP). "Pena. impedidndo-o tão somente agravar a pena final" (JTACRESP 74/219). 2002. Heráclito Antônio. vol. op. cit. 4.

tendo em vista os gravíssimos prejuízos de ordem jurídica e moral que a contradição apontada através dos presentes Embargos de Declaração trouxe ao Embargante. Recurso da acusação que visa a reforma parcial da sentença quanto ao co-réu. Configura julgamento que. tanto que expressamente o excluius do efeitos da apelação pertinente ao co-réu. excedendo os limites do recurso interposto. Aplicação do princípio tantam devolutum quantum appellatum. APENAS A DIMINUIÇÃO DA PENA APLICADA NO ARTIGO 333 DO CÓDIGO PENAL SEM O AUMENTO DA PENA APLICADA PELO ARTIGO 33.407 . com a qual se conformou o Ministério Publico. "Habeas Corpus. MAURICIO DE CAMPOS MENDES PEREIRA OAB/SP N. DA LEI 11. COMO MEDIDA DE JUSTIÇA! Pede deferimento. são os mesmos para que CORRIGINDO-SE A CONTRADIÇÃO APONTADA NO ARESTO. São Paulo. AO SEU OBJETO. ESTRITAMENTE. SEJA O MESMO CORRIGIDO LIMITANDO-SE. Assim. QUAL SEJA. 19 de outubro de 2009. agrava a pena do paciente. Habeas Corpus concedido" (JSTF 157/360).Supremo Tribunal Federal Impossibilidade de majorar a pena final.º 189.343/06.