INSTITUIÇÕES PÚBLICAS COMO PROMOTORAS DA INTEGRAÇÃO REGIONAL: CASO RECENTE DA REGIÃO NORTE Somente após 1930 o país vivenciou

o processo de unificação dos mercados. A primeira etapa desse processo ocorre de 1929 a 1960, de caráter mercantil, sediado pelo capital de São Paulo. A segunda etapa deu-se após o Plano de Metas1, no governo de Juscelino Kubitscheck. Isso decorrente principalmente dos investimentos do governo no processo de industrialização e de políticas que apararam a migração do capital produtivo do sudeste para as regiões periféricas 2, notadamente Norte e Nordeste do país (PACHECO e PATARRA, 1997). A região Norte do país começa a ganhar visibilidade com a implantação do Plano de Desenvolvimento Econômico da Amazônia (1946), quando processo de desenvolvimento e integração regional passam a constar como objetivos do governo. Naquele momento, a economia da borracha permitia que a Amazônia se ligasse de forma direta e imediata ao andamento das políticas econômicas, isto é, ao esforço da industrialização. O Estado desenvolveu um papel essencial no povoamento e valorização das terras amazônicas seja através dos planos de desenvolvimento ou através de investimentos em infra-estrutura (PACHECO e PATARRA, 1997). No governo de Juscelino Kubitschek, a preocupação política com a integração regional, em fortalecer o processo de industrialização e escoar mercadorias, levou a construção de Brasília e a abertura das frentes rodoviárias, nas quais se destacam a BelémBrasília, projeto audacioso com o objetivo de ligar a região Norte aos demais estados do país, e a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). A criação da SUDAM, em 1966, durante do Governo Militar, substituindo a Superintendência do Plano de Valorização da Amazônia (SPVEA) 3, teve por objetivo o

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No começo de seu governo, JK apresentou ao povo brasileiro o seu Plano de Metas, cujo lema era “cinqüenta anos em cinco”. Pretendia desenvolver o país cinqüenta anos em apenas cinco de governo. O plano consistia no investimento em áreas prioritárias para o desenvolvimento econômico, principalmente, infra-estrutura (rodovias, hidrelétricas, aeroportos) e indústria. 2 A adoção de bases industriais modifica a economia do Brasil. No norte do país, apesar da expansão geral da demanda pela borracha decorrente do desenvolvimento significativo da indústria automobilística mundial, não teve condições tecnológicas e locacionais suficientes para acompanhar o desenvolvimento referente às demais regiões. A grande distância que separa a região Norte das áreas nucleares da economia brasileira, aliada à densidade e à hostilidade da floresta, inibiu sua ocupação e povoamento por várias décadas. 3 Criada por Getúlio Vargas em 1953, cujo objetivo também era o desenvolvimento da região amazônica. A SPVEA, que era diretamente subordinada à Presidência da Republica, teve sua sede oficialmente instalada em Belém, em 21 de setembro de 1953, tendo como primeiro superintendente Arthur César Ferreira Reis. Faziam parte da SPVEA em sua fundação os nove estados e territórios federais: Pará, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Goiás, Território do Acre, Território do Amapá, Território do Rio Branco-Roraima e Território do Guaporé-Rondônia. O sucesso inicial da SPVEA como agência de fomento para a Amazônia Legal, estimulou o

. Segundo Martine (1995) a dinâmica desse crescimento regional está ligada a dois fatores: por um lado. Buscando a compreensão de como se deu o processo de ocupação no desenvolvimento da região Norte. por outro lado. bem como de elementos básicos ao planejamento racional do aproveitamento integrado dos recursos naturais da região Amazônica. entre 1975 e 1980. Sudeste e Nordeste – quanto pelas promessas e realizações do Governo para a região. Em 1970 é criado o Projeto Radar da Amazônia (RADAM). definir rumos do desenvolvimento e a responsabilidade pela mobilização e alocação dos recursos para o financiamento. um projeto cujo objetivo era fazer levantamento dos recursos naturais de todo o território brasileiro. promovendo investimentos públicos na região (MOURA e MOREIRA. A expansão da fronteira amazônica (19701980) teve como forte componente o destino urbano. Segundo Diniz (1995).6% a. Cabia também ao órgão. com outros mecanismos para agilizar a sua atuação e uma estrutura diferenciada.a. A SPVEA aplicou substanciais recursos financeiros no fomento agrícola e pecuário (em seus primeiros anos principalmente no setor gomífero). A combinação de investimentos públicos em infra-estrutura e na atividade minerometalúrgica e os incentivos fiscais e financeiros estimularam a dinâmica da região Norte. aos investimentos públicos em infra-estrutura e na atividade minerometalúgica e. o trabalho tem como objetivo fazer uma análise deste processo analisando o papel do Estado como instituição promotora do desenvolvimento e integração regional. que funcionaria como gestora de Fundos para Investimentos Privados (Findam). 2001). Em 1967 o Ministério do Interior passa a contar com mais um instrumento de intervenção nas condições econômicas regionais: a Zona Franca de Manaus (Suframa). constituindo como objetivo principal do novo organismo a integração de um centro industrial e agropecuário. aos incentivos fiscais e financeiros que promoveram investimentos na região. Em 1966 a SEDAM substituiu s SPVEA. As migrações não foram predominantemente compostas de pessoas com origem e destino rural. a participação da região no PIB obteve um crescimento de 19.planejamento e a implantação da infra-estrutura que viabilizasse a atração de novos investimentos e de força de trabalho para a região. presidente Juscelino Kubitschek a criar a Sudene – Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste. O grande afluxo de migrantes para a região Amazônica foi motivado tanto pela modernização concentradora – Sul.

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