Mazagão, Migração de um Mito

Mazagão, Migração de um Mito
Introdução
O cenário para o filme documental “Mazagão Migração de um Mito” começa a formar-se em 1505 com as primeiras tentativas para a fundação de uma cidadela na costa marroquina. Essa cidadela viria a tornar-se em poucos anos numa fortaleza inexpugnável, na vanguarda da arquitectura e engenharia militar da época (não foi por acaso que Orson Welles escolheu Mazagão para filmar o seu filme Otelo). Constantemente abalada por assaltos por parte de berberes e mouros, a fortaleza resiste até 1769. É nessa data que a coroa portuguesa decide migrar uma cidade inteira para o Brasil, e fundar uma nova Mazagão nas florestas amazónicas. A retirada é estratégica, o Brasil é mais importante que o norte de África, é necessário defendêlo. Cerca de 2000 pessoas, soldados e suas famílias, viajam através do Atlântico. Na floresta amazónica passam grandes dificuldades, alguns fogem, muitos morrem de doença, não chega a haver confronto, os soldados sentem-se frustrados, o projecto não faz sentido, a nova Mazagão ameaça ruir. Porém, em conjunto com as povoações indígenas e negras, a nova Mazagão ressurge, e desde o século XVII até aos nossos dias se celebra a Festa de São Tiago de Mazagão, onde é simbolizado o confronto entre mouros e portugueses, no meio da floresta, cavalos e homens teatralizam as batalhas travadas em solo marroquino. A música é também um elo de ligação entre Portugal, Marrocos e Brasil e traçará também uma linha entre os três universos, no passado e no presente. É neste universo mitológico e histórico, imagetica e sonoramente riquíssimo que se passa “Mazagão, Migração de um Mito”.

1: Forte em El Jadida (A Nova), Antiga Mazagão

2: Cavaleiros em Mazagão Amazónico na Festa de São Tiago

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através da Festa de São Tiago de Mazagão. depois por muros de papel (a tal burocracia) e no final. − (Texto a ser inserido no início do filme) 2 . Mazagão Amazónica. A primeira parte tratará a fundação e o desenvolvimento da Fortaleza e da povoação de Mazagão. Ao longo do filme. são quase 5 séculos de transformação: Mazagão é hoje mais do que uma cidade. é um legado. por muros de densas florestas. onde a utopia. sintetizar-se-á toda a história e lançar-se-ão as velas para a compreensão de um universo da vontade de um povo. a passagem por Portugal. Migração de um Mito Estrutura do filme O filme dividir-se-á em três partes: Mazagão Africana. a cidade migra de África para a América. Mazighan – em português “água caída” palavra berbere que se referia aos poços utilizados para recolher água da chuva. conjugando-se. A segunda parte incidirá sobre a partida de África. recriando o épico pulsar de uma cidade que atravessou o Atlântico e se embrenhou no Amazonas. Serão também filmadas entrevistas com pesquisadores portugueses e estrangeiros (e ocasionalmente serão utilizados em voz-off trechos de trabalhos já publicados) e serão também entrevistados os actuais habitantes da Mazagão Marroquina (hoje El-Jadida “A Nova”) e Mazagão Brasileira. histórico e cultural. A divisão é espacial e temporal. A terceira e última parte retratará a Mazagão do presente e dilui-la-á no tempo e no espaço. do seu legado e para a construção de um mosaico multicultural. passará pelo seu auge e terminará no seu declínio. até se diluir no tempo e no espaço. a viagem até ao Brasil e a fundação e transformação da Mazagão Amazónica. encarcerada primeiro por muros de pedra.Mazagão. Todos estes registos funcionarão de forma independente. Mazagão dos nossos dias. inserir-se-ão em voz-off passagens de cartas e crónicas escritas entre os séculos XVI e XVIII. e a opressiva burocracia tomam conta de sua população. o absurdo. de suas batalhas. A História de Mazagão lembra algumas das obras de Franz Kafka. onde não existiam nascentes perpétuas. mítico.

(citação retirada de História de Mazagão. Migração de um Mito Primeira Parte – Mazagão Africana Mostrar-se-ão imagens da costa marroquina. que puseram fogo ao castelo que estava a ser construído. 3: Praças Portuguesas no Norte de África entre os séculos XV e XVIII 4: Planta de Mazagão.Mazagão. conhecida actualmente como “Cité 3 . «o Lajes». Instituto dos Arquivos Nacionais. que curiosamente ficava no meio dessa rede de praças e fortalezas. As imagens darão a ideia da extensão da costa africana. incidindo sobre os locais onde se firmaram outrora outras praças portuguesas (Alcácer Ceguer. Agouz. com gente à sua custa e materiais.91) Em seguida dar-se-á destaque à Fortaleza de Mazagão. de Duarte Ferreira do Amaral. sua distância de Portugal. Terão perecido cerca de quatrocentos e cinquenta portugueses. Torre do Tombo Voz Off (1) 1505 . Azamor. pag. Arzila. dando ideia da localização de Mazagão. Tânger. Edições Alfa. Mamora. Safi. Castelo Real. foram atacados pelos mouros dos aduares vizinhos da Duquela. Agadir e Massat).«Jorge de Melo. desembarcou em Mazagão Velho. 1611. Tendo começado a abrir alicerces e a formar muralhas. para aí fundar uma fortaleza. que foram sepultados num revelim chamado «da Cruz»».

A fortaleza. Azamor). esses vestígios serão ressalvados. só a abordagem e a escolha de algumas imagens ditará o tempo a que se remete. hoje um forte foco de atracção turística São muitos os focos de interesse dentro e fora da área que circunda a Fortaleza ( Cité Portugaise). onde se armazenavam a água e os víveres. a exuberante cisterna. registos de um passado português. Se possível será feita a entrada pela porta do mar dentro de uma embarcação. 6: Cisterna (no interior da Fortaleza) 5: Porta do Mar na actualidade ( por aqui entravam as embarcações) 7: Uma das ruas da Cidade Portuguesa. imagens das muralhas e ruas estreitas. que viviam nas cidades (Marraquexe.. Mogador e principalmente naquela região. as muralhas.. Dar-se-á destaque a registos (escritos em crónicas ou outros documentos. através das imagens da actualidade. na arquitectura. contrapondo-as ocasionalmente com o voz-off de antigas crónicas e cartas. foi inspirada na experiência do engenheiro imperial italiano Benedetto da Ravenna. que em conjunto com os arquitectos Miguel Arruda e Diogo de Torralva e o infatigável construtor João de Castilho foram os principais responsáveis pela construção da excepcional fortaleza. os habitantes de Mazagão mantinham com eles relações que de modo algum eram conflituais. Esses “mouros” pertenciam a dois grupos étnicos diferentes: os árabes. primeiramente o passado. Dar-se-á um curto enfoque das transformações (já que é na terceira parte que se dará destaque à(s) Mazagão do presente). as igrejas. seus habitantes. as portadas. Migração de um Mito Portugaise”. hoje transformada num bairro judeu (“Mellah”). Em seguida.Mazagão. Por toda a parte ainda se notam vestígios da presença portuguesa. O cenário da Mazagão marroquina será o mesmo na primeira e terceira parte. um homem da geração pioneira do baluarte poligonal. suas casas. a cisterna. e os 4 . depois o presente e as questões sobre o futuro. e por interpretações de pesquisadores) que sublinhem o relacionamento entre portugueses e “mouros” Laurent Vidal confirma-o: «(.) em tempos de paz. que era afinal o coração da vila.

um hiato entre a Mazagão do século XVI e a do século XXI. (citação retirada de História de Mazagão. quando os abastecimentos tardavam. não eram raras as deslocações de portugueses a Azamor para comprar gado. o tema da terceira e última parte de “Mazagão. os malefícios do turismo. xeque dos Gharbiya.) deste modo. O final da primeira parte lança anuncia de forma breve. ou em períodos de escassez. acompanhando com o tempo cronológico da sua fundação.93) 5 . Migração de um Mito berberes. especialmente os alarves.«O alcaide Yacob el Garib. pag. seu auge e seu declínio gradual. século XIX 9: El-Jadida actual – Vista da fortaleza e cidade Voz Off (2) 28 de Abril de 1521 . 8: Negociantes judeus em Mazagão. um salto vertiginoso. Morreram cristãos e mouros junto dos muros do castelo». Desta forma. Edições Alfa. fez corridas. de Duarte Ferreira do Amaral. Migração de um Mito”.. E o inverso também era possível». que viviam em tribos. a poluição.Mazagão. (. conseguir-se-á introduzir a ideia do pulsar do tempo. O discurso imagético acompanhará o discurso histórico (seja através de entrevistas ou inserções em voz-off) de forma subtil. a pobreza. mostrando depois alguns pontos mais negativos da Mazagão do presente. pôs cerco a Mazagão e tomou gado que era dos da praça. ressalvar-se-á primeiramente a grandeza da actual Mazagão (El Jadida)..

de Duarte Ferreira do Amaral. levando consigo a vida de numerosos mouros. em número superior a dez mil. A mulher do capitão. vendo o perigo.Mazagão. assim como o gado. a revolta dos mazaganistas contra essa decisão. pag. a cidade ficaria abandonada durante cinquenta anos (ora por volta 6 . Edições Alfa. a decisão de abandonar a mais importante praça portuguesa no norte de África.000 homens.«Cerca de quatrocentos mouros de cavalo correram Mazagão às duas horas da tarde. não tendo havido feridos. ajudados pela artilharia da fortaleza. e desenvalgaram quatro. Migração de um Mito Voz Off (3) 22 de Abril de 1548 . (citação retirada de História de Mazagão. bem armados. para que os mouros não entrassem. Essa destruição doou à cidade um novo nome após a partida dos portugueses: El Mahduma (a destruída). Os portugueses não eram mais que quatrocentos e deles apenas morreu um.139) Voz Off (5) 13 de Abril de 1720 . Tê-lo-iam conseguido se o cavaleiro Jacinto Nunes de Abreu se não achasse no baluarte do meio da fortaleza e com ânimo resoluto não tivesse começado a disparar a artilharia. estavam no campo colhendo rama. Sofreram porém. pretenderam fazer parar o manejo de artilharia.«Baixou uma alarca de mouros com mais de seis mil homens e meteram-se debaixo da artilharia nos revelins e. muito dano no armamento. recebendo duas pelouradas e com elas tendo permanecido até ao fim». onde pelejaram. de Duarte Ferreira do Amaral. desprevenidos. Essa saída foi acompanhada pela destruição dos edifícios principais e pelo armadilhamento da porta de acesso à fortaleza. recolheram-se bem. pag. Essa explosão foi no entanto precipitada pela quebra das tréguas por parte dos homens de Mulay Mohamed. e o cerco esmagador de Mulay Mohamed e seus 120. vieram sitiar a praça quando os portugueses. mas os atalaias estavam nos seus postos e. pag. (citação retirada de História de Mazagão. mandou fechar as portas. com inúmeras cargas de mosquetaria.200) A recta final incidirá sobre o seu declínio na última década. Edições Alfa. pois rebentaram duas peças de artilharia. cuja explosão veio a impedir o acesso à cidade. de Duarte Ferreira do Amaral. Edições Alfa. Recolheram estes em boa ordem até ao primeiro revelim. com o capitão. Acabaram estes por retirar com muita perda de gente e entre ela dois alcaides. rebentaram mais de cem mosquetes e quebraram-se muitas lanças».101) Voz Off (4) 29 de Abril de 1623 . não tendo havido consequências». (citação retirada de História de Mazagão.«Os mouros.

o que o governador vedava». Voz Off (6) 30 de Janeiro de 1769 . D. a ponto de os sitiados terem decidido sobre a eventual liquidação das mulheres e crianças para não serem presas dos mouros. matando ou ferindo todo o mouro que se descobria nas trincheiras. Uma bomba que caiu sobre um armazém da Rua de Aires Velho matou nove pessoas. de Duarte Ferreira do Amaral. Pensavam os da praça que era o socorro que esperavam. No entanto. após o que os mouros começaram a fazer tiro. Caíram nesta. mais de duzentas bombas. incluindo o velho adail Diogo Pereira Português e a mulher. Retiraram sem esperar pela resposta. (citação retirada de História de Mazagão.«Foi feito o embarque de toda a gente.Mazagão.«Pelas onze horas da manhã chegaram junto da fortaleza dois mouros trazendo uma bandeira. com uma mensagem do imperador a propor rendição. e oferecendo-se para irem combater no campo. (citação retirada de História de Mazagão. Logo que a ordem foi conhecida.«Chegaram à baía catorze embarcações portuguesas.258) Voz Off (8) 11 de Março de 1769 . ia nelas a ordem régia para entregar a praça aos mouros e para que todos os que lá estavam embarcassem para Lisboa. Edições Alfa. Coube ao Rei D. a defesa tinha chegado já à última desesperação. descarregando enorme quantidade de balas sobre a fortaleza. e ferindo outras. e só depois receberia o nome de El Jadida (a nova) e aí se instalariam uma colónia judaica e duas tribos berberes. os dois irmãos foram aliás os planeadores judiciais da saída dos mazaganistas de Marrocos para o Brasil. Teria sido com alívio que tinham recebido a chegada dos transportes para evacuação». nesse dia. Antes de partirem. mas os moradores acabaram por submeter-se à ordem. De cima das muralhas faziam repetidas descargas. que arruinaram muitos edifícios e mataram algumas pessoas. no terreiro do palácio do governador. E até 9 de Março caíram cerca de duas mil. mataram os cavalos e mais gado e minaram 7 . Migração de um Mito de 1821). deu-se uma espécie de motim. idas de Lisboa. José a decisão de abandonar a praça. destruíram as pedras sacras das igrejas. pag. encravaram as peças de artilharia. aconselhado por Marquês de Pombal e seu irmão Furtado Mendonça. Ao contrário. Edições Alfa. segundo a versão de Mateus Valente do Couto. Os portugueses não estavam entretanto inactivos.258) Voz Off (7) 1 Março de 1769 . Leonor de Pinho. de Duarte Ferreira do Amaral. pag. porém. sob pena de passarem todos os portugueses à espada. com munições e vários mazaganistas.

outros por tentarem fugir. em Belém. Durante esta estadia. mais propriamente a Belém do Pará. a cidade que atravessou o Atlântico.Mazagão.65) Foi a 15 de Setembro de 1769 que os mazaganistas deixaram Portugal rumo ao Brasil. de Laurent Vidal. E era também esse mar. os seus habitantes fizeram ainda uma passagem por Lisboa. Soube-se depois que o rebentamento da pólvora dos baluartes veio a provocar a morte a milhares de mouros. a fome e a sede atormentavam-nos». os mazaganistas não sabiam que destino os esperava. alguns por originarem desacatos. 8 . Apenas trouxeram as imagens e os livros da vedoria e dos assentamentos. pag. que sempre haviam considerado nutriente e protector (era por mar que lhes chegavam provisões e reforços. era um povo que se sentia injustiçado. Mostrar-se-ão por isso imagens do mar e da costa lisboeta. Migração de um Mito todos os baluartes. antes de partirem para fundar a Mazagão Amazónica. no qual vogavam havia mais de dez dias em embarcações mal providas. Edições Teorema. de Duarte Ferreira do Amaral. pag. (citação retirada de Mazagão. que lhes trazia novos sofrimentos e privações: o enjoo debilitava-os. Durante esta breve estadia na cidade. no fundo. por não saber o que os esperava. pag. de Laurent Vidal. onde permaneceram durante seis meses (de Março a Setembro de 1769) antes da partida para o Brasil.. Edições Alfa. Só depois de conhecer o que lhes estava reservado iriam adaptar o seu comportamento e. por vezes usar de manhas (. Edições Teorema. onde algumas famílias chegariam a aguardar dez anos até à sua transferência definitiva para a Mazagão Amazónica. onde terão sido alojados os mazaganistas. parecia só se consolidar de uma maneira efémera. (citação retirada de Mazagão. (citação retirada de História de Mazagão.) Foi no trânsito por Lisboa que Mazagão se afirmou como comunidade: anteriormente. alguns mazaganistas foram presos. Filmar-se-á toda essa zona..258) Segunda Parte – Mazagão Amazónica Após o abandono de Mazagão. esse mar trouxera-lhes a 8 de Março de 1769 a triste notícia do abandono da sua fortaleza. a cidade que atravessou o Atlântico. que festivamente entraram na praça». A Belém chegavam escravos negros. Voz Off (9) «Ao desembarcar no cais de Belém.81) Voz Off (10) «O mar. era ao mar que eles iam pescar ou apanhar marisco). por ocasião das batalhas contra os mouros». a maioria dos mazaganistas ficaram alojados no convento dos Jerónimos e suas cercanias.

Contudo. o mar representa a linha do triângulo mazagónico: Portugal-Marrocos-Brasil. estavam prontas a tomar forma novas instituições civis. de certo modo. A Mazagão Amazónica estava em processo de construção. processo que consecutivas vezes se atrasou. por onde entraram outrora os mazaganistas. o material de construção destinado a erguer novos muros foi encaixotado e inventariado. os rios lamacentos. em seguida. Voz Off (11) «Era. Será importante registar imagens da Belém brasileira. algumas centenas de quilómetros a noroeste. a intensa vegetação. Também não fora esquecida a dimensão espiritual: os porões do galeão “Nossa Senhora da Glória” foram carregados com objectos de culto. edifícios que os mazaganistas terão concerteza visto na altura. e foi também constituído um primeiro fundo de maneio.Exª que se conservão os novos povoadores sem estoria. negros. em Lisboa que a maioria dos mazaganistas aguardaram a partida para o Brasil). de Laurent Vidal. Mostrar-se-á a igreja do Carmo edificada pelo arquitecto italiano Antonio Landi e o forte do Presépio. imagens da costa brasileira. serviam também como pagamento às famílias mazaganistas e seguiriam também eles para fundar a nova cidade.91) Novamente imagens do mar.Mazagão. E era uma cidade mestiça que se movia e se anunciava. Edições Teorema. belenense. antes de seguirem para a nova Mazagão. a segunda Belém afinal por onde fizeram passagem (pois após a partida de África foi pela zona de Belém. uma cidade em peças soltas que se preparava para atravessar o Atlântico: os habitantes foram repartidos por famílias facilmente intermudáveis e devidamente numeradas. a cidade que atravessou o Atlântico. Outras imagens. essas diferenças de tonalidade intensificarão a brusca e violenta transformação de Mazagão. Coube ao arquitecto luso-italiano Domingos Sambucetti o desenho do traçado da nova vila. de urubus a esvoaçar os céus. as cartas de nomeação dos funcionários seguiram igualmente no comboio. em Belém do Pará. estátuas e quadros provenientes das igrejas da praça forte». os mazaganistas foram inicialmente bem recebidos: Voz Off (12) «Até agora só posso dizer a V . alguns mouros convertidos. Registar-se-ão imagens do rio Guamá que liga Belém ao mar. portugueses. Migração de um Mito oriundos de África. formarão uma paleta que contrastará com as paletas captadas em Marrocos e em Lisboa. todos iriam fazer parte dela. (citação retirada de Mazagão. índios. pag. e satisfeitos por 9 .

que já em Lisboa se tinham revoltado. a cidade que atravessou o Atlântico. Assim era a cidade-palimpsesto: na cidade de papel vinham enxertar-se a cidade em estaleiro. ou arroz e carne seca da Parnayba. porque havendo eu tratado este comercio com os homens de negº daquella villa.190).616) . a cidade colonial e a cidade mestiça dos neomazaganistas. Nova Mazagão era muito diferente dela. Embora inserindo-se no seu prolongamento. pag.Mazagão. percorrendo uma extensa trama de rios até alcançar o ramo norte do Amazonas e subir depois até Mazagão pelo rio Mutuacá. Canoas similares a estas ainda se utilizam no norte do Brasil. e surge-nos como o resultado de um processo original. A introdução das referidas carnes tem posto a terra tão abundante [que] sendo em dóbro os Mazaganistas acharião toda a providência». formais ou informais. mas também entravam em conflito. (citação retirada da carta nº83 (BNL – POMB Cod. se sobrepunham e se imbricavam. Num curto espaço de tempo. As primeiras famílias viajaram de Belém a Mazagão em canoas. (citação retirada de Mazagão. escavadas em enormes troncos de árvore sem quilha nem leme. consegui que viessem as sumacas a este porto. reais ou imaginárias. portanto. onde se situa Mazagão Velho 10 .do governador Ataíde e Teive para Mendonça Furtado em Janeiro de 1770) Porém. Será por isso interessante reconstituir essa viagem de canoa. e peixe seco. Edições Teorema. Migração de um Mito terem comprehendido o melhoramento da sua fortuna: recebem a ração diária de farinha. tornaram a denunciar a frágil condição dos mazaganistas. variando entre os 11 e 17 metros de comprimento. «O renascimento de Mazagão não produziu. de Laurent Vidal. tendo chegado já cinco com vinte e duas mil arrobas. uma reprodução idêntica da antiga fortaleza. a cidade índia.». 10:Carta topográfica daVila de Mazagão – Mapoteca do Itamari 11: Mapa do Estado do Amapá. Todas estas cidades. os meses que se seguiram. o sentimento de abandono e desprezo a que se sentiam relegados volta de novo à tona.

Maria e do seu casamento. alcoolismo. refugiandose em povoações vizinhas. a população sofria na mesma medida.José aquando da aclamação da Rainha D. o espírito indómito dos mazaganistas teimava em renascer tal qual uma fénix. E fugiam negros. E por volta de 1777 com a morte de D.. As obras atrasavam-se consecutivas vezes. 6720) Ironicamente. esse facto alfigiu principalmente as famílias mais nobres. as fugas e as intempéries eram os principais culpados: Voz Off (13) «Atestamos e certificamos que todas as propriedades de cazas que se tem edificado e estão ainda constroindo nesta Villa. choveram protestos sobre o comandante da vila e o provedor. 82. os mazaganistas 11 . embora a cidade se desenvolvesse e ganhasse alguma actividade económica. os primeiros a fugir. se bem que por motivos diferentes. os índios foram aliás.. a chuva e o calor extremos faziam crescer os casos de doença. o clima deléterio da antiga Mazagão era similar ao da Nova. roubos e fugas. a atribuição das casas e a fome eram as queixas mais comuns.) pelas muitas agoas que o terreno conserva. Migração de um Mito Logo à chegada das primeiras famílias à Nova Mazagão em 1771. os seus filhos não tinham educação adequada. os negros eram os que menos fugiam. Nos anos seguintes. Com apenas alguns dias de preparação. assim como das ruínas das construções antigas. intrigas. violência. pois no início não haviam mestres. No entanto. fosse autónoma e dispusesse de um importante exército de reserva. A Nova de Mazagão “apodrecia” e era a memória da antiga e gloriosa Mazagão que fazia com que a identidade da povoação sobrevivesse. facto curioso que denunciava um crescente poder dos índios sobre a vida do dia-a-dia dos mazaganistas. apodrecem as madeiras que formão os alicerces».) as muitas trovoadas que nos emvernos se experementão de rigorozos ventos e continuadas chuvas hé que as fazem demolir (. índios e neomazaganistas. tiveram que trocar a espada pela enxada. já que a floresta amazónica era para eles um universo estranho. que ao ser pedido por Lisboa a celebração de tal acontecimento em todas as regiões do império. d. fossem nobres ou não. Os guerreiros. Será importante mostrar imagens das antigas plantas.Mazagão. os mazaganistas volta a ser notícia e motivo de espanto.. E embora fossem recebendo ensinamentos preciosos com os índios sobre como tirar proveito dos recursos da floresta. estes não tinham sido traçados para as lides da terra. (citação retirada da “ Atestação do mestre carpinteiro e do mestre pedreiro” 19-12-1778 AHU – Pará cx. sam formadas de madeira e cobertas de palha cuja cobertura só dura quando muito o tempo de quatro annos(..

elle passa a expor a Vª Magestade os pezados trabalhos que tem sofrido desde a infeliz epoca da sua memoravel extinção (. pellos quaes merecerão acrescentados premios e sangue que deramarão emquanto aquella Praça foy vivo Theatro de viva guerra. 80. referindo-se a um passado glorioso. Em Fevereiro de 1779 eram transmitidos os resultados do inquérito ao ministro Martinho de Melo e Castro. soberana Rainha. ou comerciantes. e Senhora Nossa. O governador pedia que se desse 12 . e o perderem na evacoação della tudo quanto possuião. cortejos. será interessante usar o som. d. foi então pedido ao governador João Pereira Caldas um relatório ao completo sobre a vila. 6639) Ora a chamada de atenção surtira algum efeito. representaram-se sete óperas! Essas óperas. já que o compositor italiano estava em voga na época. Este acontecimento chamou a atenção do reino sobre a Nova Mazagão. não eram capazes de ser lavradores. Migração de um Mito organizaram uma estrondosa festa. e porventura imagens sobre estas óperas.. Essa festa viria provavelmente a marcar o espírito mazaganista em gerações futuras e talvez ser a génese da actual festa de São Tiago de Mazagão que ainda hoje se comemora. e outros pella desnudez e outras muitas que farião denegar a narractiva infastidiosa. de revolta. E foi artisticamente que se conseguiram manifestar de forma mais preeminente.. protestando. cânticos acompanhados com dançarinos mascarados. que nem podem descriver-se na Real prezença de Vª Magestade com inteireza muitas particularidades da mizeria que o acompanha.». os neomazaganistas iriam passar a dirigir-se à rainha. compuseram-se poemas.. os neomazaganistas quiseram através delas passar uma mensagem.. saudosista. que concerteza tivera acesso a tais representações em Portugal. ou em suma – colonos. compostas pelo libretista italiano Pietro Domenico Bonaventura Trapassi cognominado Metastasio deveriam ser do conhecimento da nobreza de Mazagão. huns pella indecencia dos trages. datada de Julho de 1778: Voz Off (14) «O fim que aquele Povo infelis se propoem é o de alegar para merecer. como são o faltarem as obrigações de Catolicos. O descontentamento é patenteado na primeira carta de petição à rainha. o aperto com que no referido do estado foy aquelle infeliz Povo mandado a estabelecer. (citação retirada da “Requerimento dos moradores da extinta praça de Mazagão.” ?-07-1778 AHU – Pará cx.Mazagão.) tal foy. de desespero. mas remetendo ao silençio os relevantes serviços de seus progenetores. adoptando uma linguagem própria. Tendo sido valorosos guerreiros. A partir dessa festa de 1777.

havendo algumas referências ocasionais. forma-se uma guerrilha de homens armados. e embora tenha declarado independência. e de conceder melhores condições às famílias que pretendessem ficar. mas em vão. A coroa cortava relações com a Vila. 13 . encontraram nela o refúgio ideal. originar-se-iam novas mudanças no destino de Mazagão. Mas surge por esta altura outro fenómeno extraordinário. termina-se a segunda parte. Decidiu-se então em 1783 pôr termo à institucionalidade da delocação e refundação de Mazagão na Amazónia. se ainda que pouco documentado e registado: a instalação de uma povoação de escravos fugitivos. e invadem Belém. A vila atravessa uma nova fase. A Nova Mazagão passa a chamar-se de Velha Mazagão. as tropas legalistas eliminam em 1840 os últimos focos da rebelião.Mazagão. Os mazaganistas voltam a entrar em cena decidindo organizar uma resistência aos cabanos. Nenhum pedido surtiu efeito. Muliplicavam-se as fugas e actos de desobediência. era uma nova provação à povoação e à sua vontade inquebrantável. formado maioritariamente por mestiços. cerca de 15 anos depois do abandono da praça africana. em colaboração com os habitantes de Macapá. E em 30 de Abril de 1841. Migração de um Mito a liberdade às famílias de Nova Mazagão de se fixarem noutro local daquela capitania. visto ter deixado de existir a fervorosa troca de cartas. pois ao encontrá-la tão isolada. A crise em Mazagão piorou com uma epidemia de paludismo. Com o registo de algumas imagens de Mazaganópolis. combatem o governo. rebaptizando-a de Mazaganópolis. No Pará. os seus políticos continuam a manter relações com grande comércio português. As tropas imperiais retomam Belém alguns meses depois. os mesmos políticos que durante dez anos reprimiram os movimentos independentistas populares. os mazaganistas ainda redigiram um protesto. Os pedidos para retornar a Belém amontoavam-se. deixando de pagar aos seus habitantes. pobre em registos históricos. e ficam ainda a habitá-la algumas famílias. passando a chamar-se Regeneração. E em 1833. Com a declaração de independência do Brasil em 1822 e a aderência do Pará um ano depois. índios e negros. face ao estado de isolamento. O Brasil fervilha. os cabanos. Mazagão recupera o seu nome. seria até na época um dos maiores do Pará. insalubridade e precaridade económica decide-se abandonar o local e instalar os habitantes de Mazagão em Vila Nova de Anauerapucú. designados como quilombolas na cercania da Velha Mazagão. E a 9 de Julho de 1915. Começava a surgir a ideia de tolerar uma deslocação da vila. Escasseia por isso informação sobre a povoação durante longo período. Mazagão perdia não só o estatuto de vila como o nome. são liberais radicais.

outros de vermelho (representando os mouros) tomam lugar no cortejo. à vida presente de ambos os locais. em conjunto com o samba ou mesmo o techno. Será importante registar imagens das ruínas da igreja da Nossa Senhora da Assunção que data do século XVIII. terra de São Tiago”. será a mensagem ideal de entrada na vila. misturam-se ritmos. À entrada da vila. Dar-se-á maior destaque ao quotidiano. ouve-se música variada. lê-se inclusive. forró e zouk com rock e techno a ideia dos 14 . representam os cavaleiros cristãos. retiram as estátuas de São Jorge e São Tiago do altar e levam-nos com eles. o ritmo da percussão marca a sua sonoridade. Por altura das vésperas da festa anual. O sagrado e o profano misturam-se. Em seguida surgem o cavaleiro de São Jorge e o de São Tiago. À noite começa o baile. 12: Fotogramas super8 de cavaleiro representando São Tiago – Festa de São Tiago de Mazagão Á frente do cortejo vários jovens lançam fogo de artifício. Um dos cavaleiros mouros surge segurando um estandarte vermelho com duas cimitarras. Grupos musicais maioritariamente formados por negros cantam de casa em casa. Mazagão enche-se de cores. A cerimónia começa. o género musical chama-se Marabaixo. também de branco. surgem dois cavaleiros vestidos de branco.Mazagão. a vila fervilha de actividade. Mas outra música se ouve nos festejos. ruínas que hoje se encontram enredadas em ramadas. outros cavaleiros. estendem-se faixas nas árvores. toda a povoação (que actualmente não ultrapassa os 500 habitantes. Migração de um Mito Terceira Parte – Mazagão dos nossos dias Na terceira parte. Somar-se-ão entrevistas aos seus habitantes. Em Mazagão Velho dar-se-á especial destaque à Festa de São Tiago. Pintam-se fachadas. é a música religiosa. samba. num pórtico majestoso: “Benvindo em Mazagão Velho. Mazagão está quase na penumbra e ouvem-se três tiros de espingarda à porta da capela. voltaremos a El-Jadida e a Mazagão-Velho. mas que por altura da festa traz centenas de visitantes à Velha Mazagão) se apressa a finalizar os últimos preparativos. trepadeiras e troncos de árvore.

mas desconfiam que estas estejam envenenadas. a população percorre a casa dos figurantes do cortejo (são eles São Tiago. assim se segue o cortejo de casa em casa. a representação começa. Os emissários mouros. e assim se decorre a semana neste inalterável ritmo. À noite é organizado um baile de 15 . por isso cedem na escolha de algumas músicas para os bailes. Os habitantes mais ilustres que recebem as iguarias são visitados em casa pelos figurantes mouros e cristãos que cantam e 14: Fotogramas super8 figurantes mouros levando oferendas aos dignatários cristãos – Festa de São Tiago de Mazagão tocam tambor. os tambores entram pela casa sem deixar de rufar. até à batalha final que decorrerá nos últimos dois dias. os atalaias e os emissários mouros) A primeira casa visitada é a de São Tiago. Na madrugada do primeiro dia de batalha. ao centro. 13: Fotogramas super8 cavaleiros representando mouros e cristãos. de amarelo segue São Jorge – Festa de São Tiago de Mazagão Com todos os protagonistas em cena. o cantor improvisa muitas vezes a letra. São Jorge. os dignatários aceitam a oferta. Migração de um Mito organizadores da festa é cativar os jovens e tentar convencê-los a participar. e começa a cerimónia religiosa de manhã cedo.Mazagão. a dona da casa recebe a multidão com comida e bebida. A festa termina ao amanhecer. um pequeno grupo de homens canta e dança. vêem oferecer aos dignatários católicos várias iguarias como prova do seu apreço.

entre mais procissões e confrontos. outras de plástico. um grande almoço organizado pelo município. pois os cristãos haviam-se infiltrado no baile com as mesmas iguarias envenenadas. Nesse baile os mouros perderão o seu chefe. espingardas disparam pólvora seca. o panorama de 16 . entre os figurantes. Fotografias de vários figurantes de cavaleiros mouros– Festa de São Tiago de Mazagão – As suas fisionomias tão diversas fazem pensar em suas origens. ao contrário do que se verificou afinal na história. Migração de um Mito máscaras a fim de comemorar a pretensa vitória dos mouros sobre os cristãos. só os homens estão autorizados a participar do baile. E são na maioria negros que habitam a Velha Mazagão e dinamizam a festa. seria o Menino Caldeirinha. As grandes personalidades da festa são curiosamente negros.Mazagão. Uma panóplia de máscaras invade o baile. algumas de cartão. que os seus povoadores souberam manter. fazem-se leilões. provavelmente descendentes dos escravos quilombolas fugidos no século XIX. uma pequena criança. Na manhã seguinte outro personagem tomaria o seu lugar. indígenas 15: No final da festa. europeus. porém. africanos. é possível sem grande imaginação denunciar a presença de traços indígenas e portugueses. são os cristãos que vencem a batalha. que numerosos infiéis terão ingerido. Caldeira. mas o imaginário de Mazagão esse venceu a mais dura das provas. A estória prossegue. vemos neles rostos berberes. novas missas.

no exterior das muralhas fervilha de actividade. tendo sido eles a pedir que esta se tornasse património da humanidade. principalmente espanholas. depois do abandono de cinquenta anos da fortaleza portuguesa.Mazagão. com extensos areais e marés calmas. Rozacema e Josué) afirmam que se tem realizado anualmente desde 1777. e conseguiram-no sem dúvida. O panorama de rostos pinta uma paleta que traduz a multiculturalidade que singularizou Mazagão desde os seus primórdios. Mazagan. os turistas são atraídos não só pela magnífica fortaleza mas também pelo facto de aqui existir uma das melhores praias de Marrocos. foi até instalada na cidade uma mesquita. só tendo vindo a ressurgir depois da criação de Mazaganópolis em 1915. A festa de São Tiago de Mazagão tem sido realizada todos os anos de 16 a 28 de Julho. tudo indica que as festividades terão sido interrompidas nos anos seguintes. Os marroquinos. como algumas famílias europeias. porém. Interessa registar esses elementos que denunciam o processo de transição da Mazagão do passado à Mazagão do presente. possuía também um enorme potencial turístico. A partir de 1827 foram-se instalando não só judeus. mais propriamente a El-Jadida e à Cité Portugaise é importante relembrar que se tornou património da Unesco em 2004. A maior mudança da Mazagão marroquina decorreu no entanto durante o protectorado francês a partir de 1912. foram-se apercebendo aos poucos da sua importância. Desde essa época. se por um lado tinha um dos melhores (senão o melhor) portos de Marrocos. 16: Fotografias de vários figurantes – Festa de São Tiago de Mazagão Voltando a África do presente. e os seus participantes mais fervorosos ( Senor Vavá. Os franceses viam em Mazagan ( por essa altura decidiram também eles recuperar o nome com que os portugueses a tinham baptizado) uma grande mais valia. A Nova cidade. a fortaleza entrava assim numa nova idade de ouro. Sendinho. Migração de um Mito rostos pinta uma paleta que traduz a multiculturalidade que singularizou Mazagão desde os seus primórdios. (hoje novamente El- 17 .

A recuperação da memória da fortaleza pela administração colonial francesa teve o apoio benévolo de Portugal. migração de um mito”. suas mortes. Restaria acrescentar. brasileiras. o que se encontra mais bem conservado são os muros. Alguns restos do material bélico estão hoje guardados no museu instalado numa galeria do edifício do castelo. pelos mares. serviu também como testemunha de troca de influências entre as culturas europeias. de que forma convive o turismo a par com a história tão violenta e épica de Mazagão e sua fortaleza. a filmagem super8 de onde foram retirados os fotogramas da mesma festa são da autoria de Ricardo Leite e Francisco Weyl. houve quem lhe chamasse já o Deauville marroquino. seus heróis. que de 1930 a 1950 se dedicaram ao seu estudo. É nesse espírito afirmativo de sua vontade e sua energia criadora que terminará o filme documental “Mazagão. depois da independência de Marrocos. Essa visão francesa levou a que se desenvolvesse a partir de 1916. O objectivo era tornar toda a região num eficiente chamariz de turismo. das Curvas e do Celeiro. O traçado das ruas sofreu modificações. Mazagão. Migração de um Mito Jadida) tornou-se o um forte foco de atracção turística. assim como a Praça do Terreiro. embora esteja debaixo do domínio da França. em especial para leste. uma cidade fora das muralhas. seus desesperos. porém ainda nos podemos deparar actualmente com as Ruas da Carreira. da migração de África. Uma grande parte do conhecimento científico da história da cidade portuguesa se deve ao trabalho de investigadores franceses.Mazagão. a esta declaração sobre a “Mazagão Africana”. a cidade retomou o seu nome de 1821: El Jadida. Da fortaleza original. da Nazaré. da Cadeia. 18 . com a explosão de 1769. que a Mazagão mítica. Foram chamados conselheiros portugueses. apenas desapareceu o baluarte do governador. ao longo do extenso areal. Oliveira Martins chegou mesmo a afirmar: «assim. seus silêncios. marroquinas. o baluarte do Serrão encontra-se apenas um pouco diminuído. é uma cidade que continua portuguesa». a que engloba toda a história. Poucos canhões portugueses subsistem no muro. portuguesas . africanas.trespassando a morte e o tempo. testemunha da troca de influências entre as culturas europeias e a cultura marroquina». A partir de 1956. As fotos da Festa de São Tiago de Mazagão são de autoria de Helga Roessing. indígenas. A Unesco declara em 2004 a justificar a escolha da cidade portuguesa para seu património: «o excepcional valor do local. pelos rios Amazónicos. Será importante registar esse fenómeno actualmente. Outros edifícios dão ainda hoje perfeita ideia da presença portuguesa. suas outras estórias indizíveis. pela Europa. suas lendas. e se renovasse a fortaleza. o baluarte e a cisterna.

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