O CORPO NA DANÇA CONTEMPORÂNEA DOS ANOS 80

Ítala Clay de Oliveira Freitas1
RESUMO: O texto objetiva a apresentação de alguns fundamentos teóricos para se pensar a dança contemporânea no século XX. E o elemento de maior destaque é o conceito de Corpo, o qual neste artigo é observado à luz dos estudos de Laurence Louppe. ABSTRACT: The scope of this paper is to present some theoretical elements to think contemporary dance in the twentieth century. The most important of them is the concept of the body which here is observed in Laurence Louppe s studies. PALAVRAS-CHAVE: Dança, teoria, corpo, movimento.

INTRODUÇÃO
O século XX testemunhou o aparecimento de diversas tendências estéticas e a emergência de inúmeros e profundos questionamentos sobre os processos de criação artística. Aproximações entre arte, ciência e tecnologia. Mudanças nos modos de perceber, compreender e produzir. Para a dança teatral este século marcou períodos distintos de reflexões sobre as relações entre a dança e as demais artes cênicas e o uso do corpo, sua constituição, técnica e dramaturgia, bem como proporcionou situações para a inquirição teórica e a prática de experimentos originais acerca de novas concepções espaço-temporais. Críticos e historiadores2 afirmam ter sido a década de 80 uma das mais prolífieras para a dança teatral, em termos de diversidade estilística e discussões teóricas, de tal forma que, hodiernamente, busca-se novos caminhos para sua taxonomia histórica a fim de encontrar categorias que possam refletir a nova denominações organização do pensamento acerca da dança. As

de clássico, moderno, pós-moderno, contemporâneo, enredam-se em falas

cotidianas cuja intenção e conseqüência, ao contrário de esclarecer, parecem confundir o

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Universidade do Estado do Amazonas, Escola Superior de Artes e Turismo, Curso de Dança. E-mail: ifreitas@uea.edu.br. Para aprofundamento do tema consultar os trabalhos de Deborah Jowitt em Time and the Dancing Image , Sally Banes em Terpsichore in Sneakers e Selma Jeanne Cohen em Dance as a Theatre Art .

e equívocos acerca do conceito de dança contemporânea. o que implica no fisicalismo.entendimento e a investigação das práticas e suas irradiações. como atividade para sociabilização. exaltando-lhes a graça. a . fadados a morrer em suas individualidades. No Brasil. Discursos impregnados de um certo descompromisso para com a produção intelectual. Certezas as quais associam-se ainda as de que o artista deve ser livre de regras para criar e que na arte contemporânea vale tudo. nas quais associam-se à dança o movimento dos planetas. naturalmente. Um exemplo bem específico são as metáforas sobre a dança. A utilização do pensamento científico desenvolve sistematicidades no modo de perceber e busca evitar um olhar despreparado. saber dançar. desatento e às vezes irresponsável. dependem do referencial teórico adotado. ou simplesmente passatempo. Este olhar dispersivo. a leveza. pesquisadores caracterizam os anos 80 como um período em que surgem e se desenvolvem inúmeras controvérsias. que abundam na literatura corrente e no senso comum. E corre o risco de reproduzir-se gerando eventos desagregados. relaxamento. impossibilitando dessa forma o desenvolvimento de relações que possam garantir a continuidade e o crescimento do pensamento. pode criar discursos equivocados e/ou estéreis. Buscar mediações por meio do exercício reflexivo e crítico é dever de todo aquele que visa a pesquisa do movimento cênico. ou populares. ou pior. Acrescente-se a isso alguns pressupostos como 1) o artista não pode estudar teoria porque isso interrompe o seu processo de criação. seminários. 2) o profissional de dança. deve antes de qualquer coisa. e muitas vezes misturas indigestas em suas práticas. exaltador das virtuoses técnicas e 3) a dança relaciona-se eminentemente a expressões lúdicas. com tendências a perder-se no volume imensurável de informações nos quais se está imerso diariamente. desentendimentos. fuga da realidade. que geram confusão para o entendimento de realidades. a formação do vôo das garças. Categorizações que. criando hábitos distorcidos em seus nascedouros. Questões de historiografia e filosofia da dança. Um olhar desatento deixa passar muitas relações. Fenômeno que tem se agravado principalmente nos lugares mais afastados dos centros de maior fluxo de informação. congressos e outros meios fertilizadores para o processo de se pensar a dança e a carência de publicações específicas e de qualidade no que se refere à história e à teoria da dança. Fato que acentua-se principalmente quando há o diagnóstico de algumas preocupantes deficiências como a ausência de uma política cultural que viabilize a produção de espetáculos. as exibições aquáticas dos golfinhos.

as naves. Umberto Eco (1989. os instrumentos domésticos e rústicos e etc. in Outras inquisições) Parece haver alguma semelhança de tais categorizações quando se observa a fala do diaa-dia nos mais diversos ambientes em que a dança torna-se o assunto em questão. e até nas universidades. m) que fazem amor. Pensa-se nas conversas de corredores das academias e escolas. n) que de longe parecem moscas.e e) os que fazem . as roupas.87) em Arte e beleza na estética medieval do escritor Jorge Luís Borges. retórica. d) os que dançam descalços. g) cães em liberdade.harmonia. i) que se agitam loucamente. E o uso de metáforas neste observar o mundo acaba por confundir as idéias. se levados à redução ao absurdo. O problema é que se constrói o hábito de tomar a analogia por uma relação de identidade.. c) domesticados. os homens e os monstros. Aqueles que dançam se dividem em a) os clássicos. O que na verdade trata-se de um reconhecimento estético de plasticidades e ritmicidades em determinadas organizações de movimento. dialética. Inevitável uma brincadeira. ou estratégia ancorada no texto Borgiano. os edifícios. ou melhor. considerando então qualquer organização de movimento. j) inumeráveis. b) os que usam sapatilhas. nos festivais amadores. na qual: lembra que tal tentativa traz à mente a clássica taxonomia os animais se dividem em: a) pertencentes ao imperador. Estas analogias. para a visualização das idéias soltas que abundam no espaço público da dança e se reproduzem muito facilmente. ou ainda. tal como a de Isidoro de Sevilha em suas Etimologias . b) embalsamados. fazer acreditar que o mapa é na verdade a própria coisa representada. cujos critérios de subdivisão de início parecem inspirados na divisão das artes (gramática.. as línguas. os campos. c) as estrelas da dança. p. astronomia) e depois correm livres a examinar coisas tão díspares como Deus e os anjos. que proporcione um alento estético (do belo). como uma dança. e provocar interpretações completamente destoantes daquilo a que se referem. e) sereias. h)incluídos na presente classificação. datadas do século VII. estes modos peculiares de associação. associando-a inevitavelmente à dança teatral. d) porquinhos-de-leite. f) fabulosos. l) et coetera. podem desencadear um tipo de prática que lembra algumas tentativas classificatórias da Idade Média. matemática. k) desenhados com um finíssimo pincel de pêlo de camelo. (Empório celeste de conhecimentos benévolos. música.

que dançam com a alma. A natureza moduladora dos conceitos. o) os mais intelectuais e frios. Complexo de estados. como afirmou Monod (1976). O que torna explícita a necessidade de fundamentos teóricos que proporcionem o avanço do conhecimento. o corpo a que nos referimos foi evolutivamente tecido de movimentos. Com efeito.. Caldo biótico de movimentos. referir-nos-emos aos sistemas abertos: a vida supõe uma constante corrente de trocas: os seres não . h) os que saltam muito alto. pois que tanto oferecem um inventário de particularidades. considerando-os imbricados em um processo no qual há aprendizagem no tempo e auto-recriação continuamente.contração. quanto ofertam concretizações de postulados teóricos dualistas. Um corpo cuja existência perfaz-se nas relações entre permanência e mutação.. m) aqueles que parecem mais contemporâneos. Geneticamente programado para conservar informações. mais expressivos. j) que se agitam loucamente e se batem na parede. tendências e espontaneidades. e contendo a dinâmica da indeterminação em si mesmo. e a leitura do objeto em estudo em acordo com a sua complexidade. do movimento. embora dancem o moderno. n) aqueles mais emocionais. em O acaso e a necessidade . g) os belos e suaves. Neuronalmente pronto para atividades simples e complexas. i) aqueles mais técnicos. l) os que se apresentam com muito brilho. Certamente. aberto a trocas. Capaz de dar visibilidade simultânea às possibilidades que pululam no universo. se quisermos identificá-lo a um modelo físico. uma taxonomia deste tipo não apresenta muitas possibilidades para a compreensão da dança. obstando o surgimento da dúvida e da flexibilidade do pensar. p) os incluídos na presente lista de classificação. e da dança. levam inevitavelmente para uma revisão do entendimento do corpo. similitudes e diferenças. com sutilezas e virtuoses. suas implicações cognitivas e sociais. Um corpo contaminador e contaminável de culturas. criando e recriando e sendo recriado pelo ambiente que o cerca. CORPOS TECIDOS DE MOVIMENTO: FUNDAMENTOS TEÓRICOS No estudo da dança teatral. f) aqueles que eu posso entender o que dançam.

E as produções histórico-culturais revelam-se como expressões de pensamentos. dando visibilidade a fenômenos que existiam até então enquanto possibilidades. ao configurar-se em articulações cenográficas. Mas não se trata da capacidade que possa vir a ter. repulsivos e instigantes na criação de outros mundos. 19) Quando este corpo apresenta-se como o sistema sígnico dança. Segundo Helena Katz (1994) em Um. de acordo com sua organização interna e o relacionamento com o espaço-tempo histórico. de enunciar uma mensagem verbal . de um figurino. Relações que envolvem o entremear. ele enreda-se em diversas posturas. corpos constituintes e constituidores de uma cenografia. gestos. instáveis. Mundos que envolvem corpos em movimento. quando se faz cena. pensando em diversas modalidades. Elementos discrimináveis. formas. Este corpo. quando o corpo em seu relacionamento com o movimento consegue construir um pensamento. o que em mim dança está pensando. confluentes. indeterminados. este corpo dança. quando dança organiza-se dentro de parâmetros de complexidade semelhantes ao ato do cérebro de produzir um pensamento. Esta composição de movimentos-signos-cênicos. plasticidades. (Gasc. p. rítmicas e dramatúrgicas. e. momentos. busca-se a reflexão sobre suas organizações. organiza-se com tal densidade. dando-lhe caráter de existente e a chance de vir a se reproduzir. de um ambiente sonoro. compreensão por sentimentos e elaboração de concretudes artísticas. 1981. cultura e cena. Ou seja. operacionalidades. tampouco trata-se da carga ideológica pertinente a um objeto de comunicação. as suas próprias qualidades. O que no leva ao Movimento que forma (ação) Corpo Movimento que forma (ação) Cultura Movimento que forma (ação) Cena Ao considerar este movimento-corpo-cultura.são vivos se não forem atravessados por substâncias cuja transformação química fornece a energia e os materiais elementares que lhes permitem reproduzir quase indefinidamente a sua própria substância. cinéticas. três. sonoras. dois. como forma de apreensão do mundo. o . na abertura de outros universos. que se apresenta enquanto um pensamento. A dança é o pensamento do corpo .

apresenta uma análise aprofundada sobre o corpo na dança contemporânea. não se trata apenas de uma enunciação formal de vocabulários de gestualidade. não só de espetáculos. Relações que tem se manifestado desde a segunda metade do século XX. mais os braços do flamenco. Fato que aconteceu com os grandes mestres da modernidade. mas também de corpos. Ela evoca uma idéia de universalidade. com características gerais que permitem diferenciar a dança de suas práticas anteriores. sobre tudo o que constitui a relação do bailarino com o mundo. que se definiam por ligarem a elaboração de um estado de corpo com o conjunto de princípios estéticos e filosóficos de um grande criador. algo como a junção de alguns passos de balé. A crítica de arte e professora de história da dança. Laurence Louppe (2000. o pertencimento a grupos identitários e o diálogo eventual entre esses grupos.enredar de vários componentes sígnicos. pp. não modificados em sua estrutura. na qual ele podia encontrar os referenciais simbólicos dos quais o seu corpo era portador. Trata-se de um conjunto de procedimentos ou instâncias. Contudo. nos quais a dança teatral apresenta-se como um processo investigativo e comunicativo. não devem passar de . Trata-se de uma filosofia de corpo. É preciso que as mutações ocorram completamente imersas no corpo. A autora afirma que no início dos anos 80 houve uma perda das linhagens. em acordo com uma abertura cultural. em seu artigo Corpos Híbridos . pois do contrário. distintos. de uma visão. mudanças pedagógicas no ensino da dança.27-40). favorecida pelas tendências globalizantes perpassadas pelas reflexões atuais sobre a alteridade. A formação do bailarino acontecia de maneira coerente e pertinente através de uma prática. mas enriquecidos pela acumulação de diferentes heranças genéticas ou culturais. e novas relações sociais entre o intérprete. que envolvem. as idéias propagadas por seus criadores. modos de se buscar as criações. mas também com uma variabilidade imensa de particulares que não se apresentam tão bem comportadas a determinadas regras. entre outras coisas. de um trabalho sobre o tônus corporal. porém relacionados. mais o quadril da dança do ventre e assim por diante. Na mestiçagem há a mistura de fontes culturais. as peculiares organizações coreográficas. a mistura de sangue ou de raças criando sujeitos mistos. A perda dessas linhagens encontra-se no surgimento dos fenômenos de mestiçagem e hibridação. o público e o mercado. interpenetração das formas e dos gêneros artísticos.

O que irá por conseqüência engendrar probabilidades de se criar seres aberrantes ou altamente desenvolvidos. em um processo de longa aprendizagem. a idéia de hibridação apresenta-se muito mais atordoante do que a de mestiçagem. . por seu conceito e implicações. nos quais a consciência do sujeito se fragmenta e dispersa as referências de elaboração do campo corporal. quanto o seu oposto. E sobre este último ponto a pesquisadora convida à reflexão cuidadosa acerca das conseqüências práticas desta nova situação criada no processo evolutivo da dança. semelhantes aos movimentos das dançarinas dos programas de auditório dos fins de semana. deixando o bailarino a mercê das leis do mercado. por vezes contraditórios. por um lado. Todavia. a partir de critérios e referências variáveis. no qual o trabalho investigativo em dança pode e deve tornar clara a articulação dessas mediações. e passear descompromissadamente de uma a outra. surge então um corpo eclético. a permanência do mimético. estéril para a geração de fenômenos interessantes. sem que lhe sejam dadas as ferramentas necessárias à leitura de sua própria diversidade . Sua relação com o mundo ocorre por meio de uma sucessão extremamente complexa de mediações. de acordo com Louppe. acolhendo em si elementos díspares. atenua e quase que dissolve sua presença e seu gesto. fazendo da dança uma espécie de autofiguração. Dena David (1993) apresenta em seu artigo O Corpo Eclético apud Louppe. na manipulação dos corpos. visto poderem gerar tanto nova vida a corpos conscientes. compatíveis ou não. totalmente sem referências. Quando as condições favoráveis ao ecletismo encontram-se presentes. abrindo caminho para o seu livre funcionamento e aperfeiçoando seu potencial filosófico e poético. tais como poder escolher entre opções diferentes. Sendo assim. e por outro a ultrapassagem desses aspectos nas instâncias reais do movimento. Para Louppe.exposições meramente superficiais. pode-se encontrar. Neste último encontra-se o ponto de mutação para a configuração dos corpos híbridos. a denominação de um corpo híbrido como aquele oriundo de formações diversas. visto abrir a possibilidade de se criar relações entre espécies . A aquisição consciente de suas ferramentas simbólicas se faz através de uma lenta infiltração corporal. as atuais correntes de dança mesmo tempo em busca de fundamentos teóricos e práticos que se direcionam ao tem demonstrado suas fragilidades. cujo uso múltiplo.

tem-se os enunciados sobre o corpo. Inevitavelmente esta dança trouxe uma lúcida ocupação em experimentar a interação de linguagens corporais. conexões criativas. promovendo um carnaval de sentidos. Selma Jeanne e MATHESON. Pennington NJ. sobre a composição coreográfica. Source readings in dance history from 1581 to the present. Dance as a theatre art. COHEN. Processos de ação contínua dos signos na sua interação com ambientes em mutação. como uma produção linear com determinismos concretizados. em experienciar sistemas diversos e ao mesmo tempo entrelaçados. Modos de propiciar novas conexões. BANES. correndo todos os riscos dos estados que isto pode provocar. Publishers. Sally Rachel. a partir da compreensão e consideração de espaços deshierarquizados. Judson dance theater 1962-1964. tais como o acaso. A Dance Horizons Book. 1987. Sally Rachel. Duke University Press. 1993. 1992. possibilita como enriquecimento. Democracy s body. a relação com o público e as outras artes Os movimentos de dança contemporânea revolucionaram a própria noção de cena. England: Wesleyan University Press. Princeton Book Company. Durham and London. agora mais sensível aos seus lugares não explorados.EM SÍNTESE: UM NOVO PANORAMA Então como um breve resumo do que os anos 80 trouxeram para a dança. de mediar. e as observações e análises sobre como se chega a determinado movimento e o universo que este estado de estar entre. A dança contemporânea mudou radicalmente o conceito de corpo como se viu no acompanhamento do texto de Louppe: um corpo agora hiperaparelhado. Terpsichore in sneakers. transgredindo as sensações já tão bem habituadas com o proscênio e a perspectiva. Katy. . REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BANES. técnicas e cênicas. ao utilizar diversas estratégias. Alterou também o modo de se pensar a organização coreográfica.

MONOD. Porto Alegre: Artes Médicas. A aventura prodigiosa do nosso corpo. JOWITT. Um. Petrópolis: Vozes. Lisboa: Edições 70. Tese de doutorado apresentada ao Programa de Comunicação e Semiótica da PUC-SP. . Psicomotricidade: filogênese. LOUPPE.: Bruno Palma e Pedro Paulo de Sena Madureira. 1981. Trad.ECO. três. Ensaio sobre a filosofia natural da biologia moderna. 2000. Trad. California: University of California Press. KATZ. GASC.: Pedro Jordão. Arte e beleza na estética medieval. Helena. O acaso e a necessidade. 1989. 1994. Rio de Janeiro: UniverCidade Editora. 1989. Laurence. Deborah. Umberto. A Dança é o pensamento do corpo. Jacques. dois. 1976.: Mário Sabino Filho. Rio de Janeiro: Globo. Corpos Híbridos in Lições de Dança. FONSECA. Trad. Time and the Dancing Image. Vitor da. 1998. Jean-Pierre. ontogênese e retrogênese. 2.

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