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Design e Artesanato

:
Um estudo comparativo sobre modelos de intervenção.

Universidade Federal de Pernambuco Centro de Artes e Comunicação Departamento dDesign Projeto do Produto

Vinícius Simões Botelho

Design e Artesanato:
Um estudo comparativo sobre modelos de intervenção.

Monografia apresentada à disciplina Projeto de Graduação 2 como requisito para a conclusão do curso de Design, Departamento de Design da Universidade Federal de Pernambuco. Orientadoras: Virgínia Pereira Cavalcanti Ana Andrade

Recife, 2005

Monografia defendida em 02 de Setembro de 2005, e aprovada em 02 pela banca examinadora com nota (9,18), constituída pelos professores, como requisito parcial para a conclusão do Curso de Desenho Industrial/Projeto do Produto da Universidade Federal de Pernambuco.

Ana Emília Castro

Ana Maria Andrade

Virgínia Pereira Cavalcanti

Agradecimentos

A meus pais que sempre me incentivaram. A meus amigos, principalmente os que estiveram mais próximos de mim nos últimos anos. A minhas orientadoras, que sempre ajudaram a abrir várias portas neste meu caminho acadêmico. A todos que conviveram e convivem comigo no DEC e na Universidade pelo apoio e pela amizade.

Sumário .

Traça um panorama da situação do artesanato hoje e mostra como as intervenções no artesanato podem contribuir para o desenvolvimento local. Analisa Resumo comparativamente três projetos distintos a partir de três critérios básicos: objetivos dos projetos. Identifica e mostra graficamente alguns caminhos encontrados para se valorizar o artesanato em seguida fazse alguma recomendações para o uso desses caminhos e finaliza com algumas considerações finais. . Estuda conceitos relacionados à cultura e cultura material e faz uma distinção entre arte popular e artesanato para que o leitor se situe no universo do tema estudado. Aborda algumas possíveis maneiras em que o design pode agregar valor ao artesanato. e os produtos artesanais.Este trabalho trata de uma comparação entre três modelos de intervenção de design no artesanato. as características das suas ações. busca identificar alguns possíveis caminhos para a valorização do artesanato.

06 . podem se apresentar como sendo agentes que procuram desenvolver e orientar a produção artesanal. E como resultado desse desenvolvimento.5 milhões de brasileiros e brasileiras que fazem parte da cadeia produtiva do artesanato. aumentem suas vendas e tenham um maior valor e aceitação no mercado. O artesanato emprega a mão-de-obra local. estimular o desenvolvimento do artesanato significa abrir possibilidades de atenuação das desigualdades sociais e. também movimenta a economia e incentiva o desenvolvimento local. Desta forma. para que estes se tornem mais competitivos. Beneficiando cerca de 8. Introdução. e explora a riqueza e o repertório cultural existentes. em geral.8% do PIB. As estatísticas em relação ao desempenho da atividade artesanal na economia são surpreendentes. Diante deste panorama. também. utiliza de forma ecologicamente correta os recursos naturais. as intervenções de design no artesanato. O artesanato não só gera renda para quem o produz. Atualmente. valorizando os produtos artesanais. através de metodologias projetuais e do conhecimento das demandas de mercado. promover a preservação de valores da cultura popular local. o que corresponde a 2.Introdução Introdução O artesanato tem exercido um papel preponderante na ocupação e geração de renda no Brasil. o setor movimenta cerca de R$ 28 bilhões por ano. possibilitar uma melhoria na qualidade de vida das comunidades produtoras de artesanato.

Introdução Este trabalho se propõe a fazer uma analise comparativa entre três experiências distintas de intervenção de design no artesanato. O capitulo 4 se dedica à escolha e análise dos modelos de intervenção de design no artesanato que esse trabalho se propõe a estudar. o capitulo 6 traz uma conclusão sobre os possíveis caminhos para se valorizar o artesanato. continua com algumas recomendações e cuidados que devem ser tomados ao se utilizar os caminhos propostos. Esta análise seria principalmente uma investigação sobre os objetivos. optou-se no primeiro capitulo em apresentar alguns conceitos relacionados a cultura e as manifestações da cultura material brasileira. O terceiro capitulo apresentará um panorama da situação atual do artesanato e em seguida explica como as intervenções no artesanato podem contribuir para o desenvolvimento local. e finaliza com algumas considerações e comenta sobre o compromisso Introdução. No quinto capitulo temos uma avaliação comparativa dos resultados obtidos no capitulo anterior. e a partir desta comparação pretende-se identificar alguns possíveis caminhos para se valorizar o artesanato. 07 . de forma a possibilitar o entendimento e contextualização do universo em que o tema está inserido. e como este pode contribuir para a valorização do artesanato. Esses três primeiros capítulos se relacionam com a temática deste estudo. o segundo capitulo diz respeito à aproximação do design no artesanato. e metodologias da ação de design de cada um deles. Com o objetivo de traçar um panorama sobre as conceitos utilizados neste estudo. sempre focando na questão da valorização do artesanato. Para finalizar.

Apontar caminhos. e como essa valorização pode ser benéfica socialmente para comunidade. Alem disso é uma oportunidade do designer mostrar o seu papel social. Objetivo geral Objetivos Estabelecer uma análise comparativa sobre intervenções de design no artesanato do Brasil. Pois se trata de uma alternativa de trabalho para o profissional de design. com base na avaliação das experiências. este trabalho abre espaço para discussões sobre os possíveis caminhos que o design pode atuar com o fim de valorizar o artesanato. para futuras intervenções de design no artesanato.Introdução social que as intervenções de design no artesanato assumem. Descrever o “passo a passo” de ações de design aplicadas a intervenções no artesanato do Brasil. Deste modo. 08 . e com foco na valorização da produção artesanal. Introdução. Objetivos específicos Apresentar uma análise comparativa sobre 03 (três) experiências de intervenção de design no artesanato do Brasil. Esse é um tema que vem sendo discutido cada vez mais no país. e contribuir para preservação e valorização da cultura material. principalmente o nordestino que sofre por ter um parque industrial bastante reduzido em relação ao sul do país.

Nesta parte serão apresentados os conceitos diversos utilizados neste estudo através de uma revisão bibliográfica. porém este excesso foi intencional. para valorização do artesanato. 09 . Nesta serão definidos modelos a serem estudados. A segunda parte diz respeito à análise comparativa.) para o qual são realizados análises empíricas e teóricas”(LAKATOS e MARCONI. Estas propostas foram baseadas nas conclusões da analise feita na parte anterior. 2001 188). A terceira e ultima parte conterá algumas propostas. O desenvolvimento desse estudo acontecerá em três partes: A primeira seria a fundamentação teórica.. Nesta análise serão definidos e apresentados alguns quadros que serão úteis para facilitar as conclusões sobre a comparação dos modelos. Introdução. Em seguida serão apresentadas algumas recomendações para o uso desses caminhos.. e a analise propriamente dita. que é caracterizado por ser aquele “que tem por objetivo descrever determinado fenômeno(. E finaliza com algumas considerações finais.Introdução Metodologia Este estudo realiza o processo de pesquisa exploratório descritivo. Em que apresenta um aparente excesso de citações. elaborados os instrumentos e critérios que orientarão a analise. e se justifica por procurar dar fidelidade aos pensamentos e as palavras apresentadas pelos autores estudados. que serão chamadas de “caminhos”.

1. Cultura e Artesanato “Os objetos são capazes de transcender as fronteiras do tempo e do espaço..” Sandra Nogueira ..

Uma das primeiras definições de cultura foi formatada por Edward B. apresenta cultura não apenas relacionada a valores intelectuais ou espirituais. arte. muito se tem discutido sobre o conceito de cultura e sua abrangência. ou ainda. É conhecido que deriva da palavra latina culture e que em seu sentido original está relacionada ao ato de cultivar o solo.” Já no ano de 1958. o comportamento adquirido por aprendizado social". Keesing ressalta na definição de cultura. crenças e valores.1 Conceitos de Cultura e Cultura Material.1. artefatos são partes da cultura tanto quanto idéias. Taylor em 1871.1 Conceitos de Cultura e Cultura Material. a cultura material abrange todas as objetivações materiais (artefatos). ou seja. 11 . costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade. para quem cultura seria “o complexo que inclui conhecimento. e muitas são as disciplinas que tratam de discuti-la. Desde então. moral. leis. segundo Santaella. Segundo Cavalcanti. a questão do aprendizado social. Cultura é não só o que os homens pensam. e a 1. Em contraste com aqueles que identificam cultura com buscas espirituais e a civilização com o progresso material. para ele. Assim é que se convencionou aceitar a existência de dois tipos de cultura: a cultura material e a cultura não material. para ele "a cultura é comportamento cultivado. a totalidade da experiência adquirida e acumulada pelo homem e transmitida socialmente. crenças.” (2003:38) Este último conceito de cultura traz à tona uma questão interessante. Esta discussão. As definições de cultura são muitas. mas também o que fazem. teve grande expoente no caráter precursor das idéias de Herder “Herder rejeitou a dualidade entre atividade material e não material. Felix M. Cultura e Artesanato 1. mas também aos valores materiais.

Através da cultura material. os objetos são capazes de transportar informações de um determinado local em uma determinada época. padronizadas e socialmente aprovadas. mesmo se esse povo não existir mais. o conjunto dos utensílios e 1. 12 . da antropologia. Figura1. Para efeito de entendimento. pode ter uma função simbólica que transmite informações sobre a sociedade a que ele pertence. e da arqueologia é possível estudar os costumes de um povo. nos planos material e espiritual. Os artefatos podem ter um papel utilitário. Cultura e Artesanato cultura não material consiste em todas as maneiras de sentir.1. a cultura matéria. Enfim.. neste trabalho adotaremos o conceito de cultura proposto por Miguel Reale. Para a autora. os objetos têm funcionado ao longo dos anos e em muitas sociedades como elementos de diferenciação social e/ou de sociabilização dos indivíduos. pensar e agir. É desse modo. além de sua função prática. através deles entender o perfil da sociedade à que eles pertenciam ou pertencem. um produto dessa cultura material. o homem constrói sobre a base da natureza. (2001:27) O artesanato. podemos estudá-los para entender questões relacionadas à sua época e/ou localidade.Artefato Maia. podemos também. segundo este enfoque. 2002). pode ser considerado.1 Conceitos de Cultura e Cultura Material. Ou seja. E por terem esta característica. e podem possuir ainda uma função ideológica que se relaciona com a ideologia da própria sociedade. quer para modificar a si mesmo. quer para modificá-la.. Segundo Sandra Nogueira (2002).” (NOGUEIRA. mas têm também uma função ideológica relacionada com a organização social da sociedade. que define “cultura como o conjunto de tudo aquilo que. que será conceituado mais adiante. “Os objetos são capazes de transcender as fronteiras do tempo e do espaço.

das obras e serviços.1. assim como das atitudes espirituais e formas de comportamento que o homem veio formando e aperfeiçoando através da história. 13 . Cultura e Artesanato instrumentos.” (2001:25).1 Conceitos de Cultura e Cultura Material. 1.

o folclore e os ritos são os primeiros a serem lembrados. criadas e recriadas pela maioria. costumes. e o seu significado está intimamente ligado ao processo de urbanização que ocorreu a partir do século XVIII. Cultura e Artesanato 1. como manifestações coletivas que geralmente se situam em espaços não-urbanos. contemplando suas tradições. da oposição e da luta de classes. baseada no confronto de culturas. ações do cotidiano e conhecimentos” (SANTOS. Uma outra definição admite que “cultura popular é o conjunto de experiências adquiridas. no momento em que se fala de uma cultura do povo que se opõe a cultura das elites. o termo surge no instante da percepção da existência das diferenças. Segundo esta ótica. segundo Almeida (2004). mas sim a cultura que é produzida por ele. Ainda em sua afirmação. segundo Corrêa (2003:24). 14 . Neste momento histórico. idéias. a cultura popular também é vista. 1999). crenças.1. a cultura do povo seria a cultura popular. imaginadas. Por sua vez. expressões artísticas. modos. Chauí diz que “não é porque algo está no povo que é do povo” (2000:43). Neste momento.2 Cultura erudita e Cultura popular O termo cultura popular é relativamente recente. é possível perceber uma aparente contradição no entendimento da formação e significado de cultura popular. já num segundo a cultura popular 1. O autor entende que a primeira referência ao pensar em cultura popular.2 Cultura Erudita e Cultura Popular. Chauí (2000:43) considera a cultura do povo como sendo aquela cultura que não está simplesmente no povo. valores. Num primeiro momento o termo cultura popular é associado ao processo de urbanização que ocorreu a partir do século XVIII.

1. a educação às “belas artes” próprias do ser humano e que o diferenciam de todos os outros seres inanimados. isto é. Cultura e Artesanato remete-se a manifestações coletivas em espaços não-urbanos. a exploração da terra e o êxodo rural são características da formação do proletariado urbano. e tem como pressuposto o encontro com a arte. Este é o momento em que acontece o choque entre as culturas. a formação intelectual e humana. que necessita de uma educação específica para seu deleite e contemplação” (Almeida.. a boa educação.1. do renascimento à reforma.) O erudito tem um caráter de descobrimento do belo e de auto-conhecimento. enfim a arte como uma linguagem distinta. por outro lado. 2004). Almeida (2004) faz uma afirmação que explica essa aparente contradição. da iluminista `barroca.2 Cultura Erudita e Cultura Popular. A cultura popular. as culturas elitistas ou também conhecidas como eruditas têm um significado mais antigo. tem sua correspondência nos gregos e latinos. 15 . ligado a educação do homem como tal.. Por outro lado. representa aquela cultura produzida pela maioria que não faz parte dessa elite: o povo. Isso quer dizer que. a cultura que é produzida por populações rurais passa a fazer parte de um ambiente urbano a partir do êxodo rural. isto porque a população do campo migra para os grandes centros urbanos em busca de trabalho. segundo ele a própria constituição do sistema capitalista. O entendimento destes conceitos apresenta diferenças entre cultura popular e cultura erudita.(. A cultura erudita está normalmente associada à formação intelectual e se caracteriza por representarem a elite da sociedade. do surrealismo ao romântico. que “aborda o refino. da sacra à moderna.

Pereira (2004:37) aponta que outra diferença entre arte popular e artesanato está no conceito geral em ralação a sua função. em Caruaru. “o artesanato é. Uma primeira questão a ser considerada é a proposta de originalidade dos produtos. e deve ser entendido como uma atividade de cunho artístico. apesar de beberem na mesma fonte e criarem muitas vezes sob a inspiração do mesmo imaginário.1. usam normalmente as mesmas técnicas produtivas e muitas vezes se assemelham esteticamente. enquanto que para o artesão esta é uma situação meramente eventual. O artesanato lá encontrado tem clara referência na arte popular dos mestres Vitalino e Galdino. 1. que é considerado pela UNESCO como maior centro de artes figurativas das Américas. Cultura e Artesanato 1. até porque ambos vem da mesma origem sócio-econômica e cultural. 16 .3 Arte popular e Artesanato. Para ela. o artista e o artesão diferem-se pela razão de existir de sua obra”. mas existem algumas diferenças que podem ser enumeradas para que seja mais fácil essa diferenciação. O artesanato estabelece um valor utilitário enquanto que a arte popular um valor contemplativo.3 Arte popular e Artesanato É muito fácil confundir arte popular e artesanato. Barroso (2001:25) explica que o artista tem profundo compromisso com a originalidade. mas não confundida como arte. Esta característica podemos verificar no artesanato encontrado no Alto do Moura. neste caso a característica comercial do artesanato faz com que o artesão produza os objetos de forma repetitiva mantendo apenas as pequenas diferenças que são características do fazer artesanal. Barroso (2001:25) afirma também que muitas vezes a arte popular como peça única é tomada como referência (arquétipo) para ser reproduzida como artesanato.

que vivem no interior ou na periferia dos grandes centros. e engloba várias atividades que vão desde produções materiais até as produções musicais. Fonte: Termo de Referência do PSA (2004). o que.3 Arte popular e Artesanato. plásticas e expressivas que configuram o modo de ser e de viver de um povo em um lugar.Comparação das características da arte popular e do artesanato. musicais. tem como foco a geração de renda. Isto não invalida o fato de que a arte popular também pode ter um fim comercial. sem jamais terem freqüentado escolas de arte. até porque tanto o artista popular quanto o artesão vivem no mesmo contexto sócio-econômico e precisam sobreviver. apesar de também estar destinada a um público específico. Seus autores são gente do povo. é possível discutir os conceitos de artesanato e arte popular. em geral. uma delas é a da legislação para feiras de arte e artesanato do município do Recife. No caso do artesanato. criam obras de reconhecido valor estético e artístico. Cultura e Artesanato Uma última questão diz respeito ao propósito comercial de cada um. O artesanato.1. O termo de referência do Programa Sebrae de Artesanato (PSA) (2004:21) define arte popular como o conjunto de atividades poéticas. e associa arte popular à produção de esculturas e modelagens feitas por homens e mulheres que. Esta é uma Tabela 1 . em sua grande maioria. Mascleani (2002) apresenta uma definição que restringe o conceito de arte popular às produções materiais. quer dizer pessoas com poucos recursos econômicos. representa uma forma de expressão do artista. muitas são as definições. 17 . A partir dessas diferenças e semelhanças. A legislação define o termo artesanato como a “atividade de natureza econômica que 1. enquanto que a arte popular. definição muito ampla de arte popular.

processos e desenhos originais. e dotadas de conteúdo cultural expressivo. feitos manualmente ou com a utilização de meios tradicionais ou rudimentares. destreza. mas sim mostrando ao leitor como algumas possíveis variações do termo artesanato. com habilidade. Já o termo de referência do PSA (2004:21). não excluindo o uso de maquinas sem recursos de automação. neste trabalho usaremos alguns desses termos. e este se caracteriza como conjunto de artefatos mais expressivos da cultura de um determinado grupo. As diversidades em relação às origens do artesanato são muitas. O artesanato tradicional é baseado na produção familiar ou de pequenos grupos vizinhos. mas sem relação empregatícia entre seus membros) transforma a matériaprima em produtos acabados e representados por peças únicas ou em pequenas séries de boa qualidade. Cultura e Artesanato corresponde a um modo de produção caracterizado pelo manualismo predominante. e muitos também são os termos usados para diferenciá-los. 2002). Barroso (2001:27) fala que a importância e o valor cultural do artesanato 1. qualidade e criatividade”. representativo de suas tradições. pelo qual o indivíduo ou grupo (familiar. não pretendendo classificá-los ou separá-los por tipos. aceita o conceito proposto pelo Conselho Mundial do Artesanato. originalmente destinadas à comercialização” (RECIFE. Uma das variações do termo artesanato é apresentada pelo termo de referência do PSA(2004:22) como artesanato tradicional. e define “artesanato como toda atividade produtiva que resulte em objetos e artefatos acabados. o que possibilita e favorece a continuação de técnicas.1. 18 . associativo ou comunitário.3 Arte popular e Artesanato.

e essa história se confunde e se mistura com a própria história da comunidade. 19 .1. seja com fins ritualísticos.3 Arte popular e Artesanato. Este artesanato é conhecido como artesanato étnico. Cultura e Artesanato tradicional decorre do fato de carregarem em si um passado. existe ainda uma história de repasse das técnicas de geração a geração. Neste tipo de artesanato. e nessas regiões a atividade industrial é intensa. 1. De um outro lado. Neste “tipo” de artesanato a motivação maior é pela comercialização. Existem algumas formas do artesanato tradicional trazem em si características muito fortes das identidades do seu povo de origem. e possuem um forte caráter utilitário e religioso que se incorporam ao cotidiano da vida de seu povo. incorporada ao cotidiano da vida tribal. e caracteriza-se por ser uma produção coletiva. ou ainda com finalidade lúdica (animais). porém esta não se confunde ou se mistura com a história das pessoas que vivem no local. existe o termo artesanato nãotradicional. Barroso (2001:26) completa essa definição dizendo o artesanato indígena surge com fins muito específicos sejam estes utilitários. e de fazerem parte integrante e indissociável dos usos e costumes de um determinado grupo social. porém todos estes se alinham com o modo de vida social da tribo. e a atividade rural é bastante escassa. são objetos que são produzidos no seio de uma comunidade indígena. Um exemplo desse artesanato étnico é o artesanato indígena que acordo com o termo de referência do PSA (2004:22). Isso se justifica pelo fato que a maioria das comunidades produtoras deste artesanato se localizam próximo aos grandes centos. que suprem as necessidades cotidianas. este também pode ter a história de repasse de saberes e fazeres de geração a geração. de acompanhar historias transmitidas de geração em geração.

só teria o artesanato como fonte de renda para sua sobrevivência. 1.1. Cultura e Artesanato Deste modo o artesão. 20 . que em outros casos alterna entre atividade artesanal e agricultura.3 Arte popular e Artesanato.

2.” Lars Diederichsen . Design a Serviço do Artesanato “O design participa do processo de criação e agrega valor ao produto.

segundo Dormer (1993). 1987). Segundo Rafael Cardoso Dennis. O autor considera que o processo de transformação desse operário em profissional liberal tem início na organização das primeiras escolas de design no século XIX e.1 Conceituando Design. antes integradas na atividade do artesão. atribuem o surgimento da profissão do designer ao sistema de divisão do trabalho. e continua ocorrendo. “os primeiros designers. é importante conceituar “design”.2. 1997 e Sparke. destacava-se a figura do artesão como responsável pela criação da forma do produto e também como possuidor dos 2. Alguns autores (Pevsner. em relação a outras etapas da divisão de trabalho” (2004:16). Para compreender como o design pode contribuir para valorizar o artesanato. na tecnologia e na manufatura do mundo pós-guerra. a atividade relacionada ao design surgiu bem antes. o século XX. que vigorou durante o período medieval. os quais tem permanecido geralmente anônimos. graças à versatilidade dos designers em acompanhar as mudanças que ocorreram. 22 . citados por Santos (2001). Gama (1986) explica que no modelo de produção artesanal. tenderam a emergir de dentro do processo produtivo e eram aqueles operários promovidos por quesitos de experiência ou habilidade a uma posição de controle e concepção. na seqüência. Os conceitos poderão ajudar o leitor a entender melhor a atividade do designer e porque o design é capaz de agregar valor aos objetos. Argan. 1992.1 Conceituando Design. que culminou com a Revolução industrial e que separou as ações de criação e confecção do produto. No entanto. no mercado. Heskett. Design a Serviço do Artesanato 2. 1980. Porém. sua consolidação como atividade profissional autônoma somente ocorreu a partir de 1945.

produzindo vários objetos do mesmo tipo (HESKETT apud SANTOS. possui em inglês as mesmas denotações dos termos portugueses 'desenhar' e 'desenho'. 2001). organizar. corresponde também. principalmente. igrejas e dos comerciantes mais abastados. obrigando-as a diferenciar seus produtos para atrair o interesse dos consumidores. Estavam reunidas na mesma pessoa as ações de projetar e confeccionar o produto. sua interferência resumiase então às questões formais. classificar. A palavra 'design' é muito rica. desenhar artefatos. Dentro desse contexto. enquanto 'design' como verbo ou substantivo. ambientes ou espaços para a produção industrial ou artesanal. Segundo Gomes (1993). mas possuíam trabalho bastante especializado. o design passou a ser visto como uma novidade capaz de impulsionar vendas.2. mensagens. quando se iniciou a transição para uma organização industrial capitalista.1 Conceituando Design. planejar. Design a Serviço do Artesanato conhecimentos técnicos para materializá-la. 2001). A expansão constante do comércio criou atitudes competitivas entre as oficinas. Essas oficinas ainda usavam métodos artesanais de manufatura. Servindo como veículo de comunicação estética e social. A separação entre projeto e manufatura foi decorrente do crescimento do comércio no final da idade média. uma grande área do conhecimento humano que se responsabiliza por arranjar. proporcionando ao produto um “toque artístico” e o status de objeto de moda (SPARKE apud SANTOS. projetar e. Nesse período surge na Europa grandes oficinas com o objetivo de atender as demandas das cortes. adquirindo grande importância para o mundo capitalista. ainda baseada em métodos artesanais de produção. 23 . 2.

que entende esta “disciplina como uma atividade projetual de criação. assim como a ação do designer nas intervenções no artesanato.1965.2. o campo de atuação do design é potencialmente universal. através de conceituações que ora entendem o “design como uma atividade voltada para o descobrimento dos verdadeiros componentes de uma estrutura física. que expressam maneiras diversas de conceber o papel e os objetivos do design. organiza e acompanha todo o processo produtivo. Reswick. que supõe a concepção de algo novo e útil. Soloviev. para atender de maneira ótima as necessidades materiais do homem” (Alexander. recriação e avaliação de objetos. adotaremos a definição de design é apresentada por Buchanan. sem existência prévia. Para este autor.1 Conceituando Design. ora como atividade criadora. voltada à construção de um ambiente material coerente. 24 . englobando questões que vão desde o tratamento da matéria prima ate a qualidade do acabamento do produto final. ora como uma atividade criativa. 2. Design a Serviço do Artesanato Couto (1991) mostra que a bibliografia especializada apresenta uma série de definições desta atividade. assumindo diversas formas e operando em diferentes níveis” (Buchanan apud Couto. A diversidade de opiniões que existe sobre o tema pode ser ilustrada.1963 in Couto 1991). porque a teoria de projeto pode ser aplicada a qualquer área da experiência humana.1963.1996). por exemplo. ele também planeja. presente no cotidiano das pessoas. Neste caso o designer além de cuidar das questões de desenvolvimento de produtos. Por fim. Esta definição de design é bastante ampla.

o de percepção. e o design pode ser uma ferramenta importante para conseguir essa “agregação” de 2. por exemplo: quando uma pessoa adquire uma obra de arte. Design a Serviço do Artesanato 2. Mas o que fazer com aquele artesanato que se encontra desvalorizado. Fonte: Aurélio objeto carrega em si. Segundo Farias e Carvalho (2004). consume ou utiliza algum produto ou serviço oferecido por outra entidade. pois eles carregam em si toda uma tradição e historia embutida na sua forma ou modo de fazer. 25 . que não está ligada à questão de preço. O conceito de valor é mais amplo que isto. é o chamado valor agregado. Cliente: Pessoa que compra. há uma referência ao “valor”. a agregação de valor pode ser uma boa estratégia para fazer o artesanato ter acesso ao mercado. ou que não conseguiu ser absolvido pelo mercado? Bom. “Valor” implica na compreensão de um outro conceito. ele vê “valor superior” naquele produto. se o cliente percebe mais benefícios do que custos numa relação de troca. Logo. Existem diversas estratégias para se agregar valor a um objeto artesanal.2 Design. no marketing. O termo de referência do PSA (2004) cita algumas dessas estratégias. ela não está adquirindo apenas um objeto.2 Design. Artesanato e Valor Agregado. O artesanato como o tradicional e o indígena já possuem um status diferenciado no mercado. está também adquirindo a satisfação de ter uma peça única que representa uma história ou uma personalidade e que às vezes estes valores são muito maior que o valor material do objeto. Neste caso. essa história ou essa personalidade que o 1. A diferença entre as percepções dos clientes1 quanto aos benefícios e os custos das trocas comerciais pode ser um bom começo para a compreensão do conceito de valor. esta Notas exclusividade. Vale lembrar que os benefícios adquiridos não são necessariamente benefícios tangíveis. Artesanato e Valor Agregado.2.

símbolos locais. O artesanato com um padrão de qualidade controlado tem uma maior aceitação do mercado. que conte sua história e sua ligação com a comunidade. e com uma produção orientada e consciente com a questão da qualidade. 2.2 Design. matéria prima. texturas. está comprando também um pouco de história daquele que o produz. Esta identificação com a comunidade pode ser conseguida através das intervenções de design no artesanato. formas. Outra abordagem que pode ajudar a valorizar o artesanato é o cuidado na preservação do meio ambiente. ser produzido de ecologicamente correto e com um padrão de qualidade compatível com o que mercado estipula. Sendo assim quem compra esse tipo de artesanato. Essa identificação pode ser alcançada através de cores. Outra estratégia é o uso de embalagens adequadas. Artesanato e Valor Agregado. não está comprando apenas um produto. etc. Uma delas é a questão da identidade. Diante destas reflexões. que proteja bem o objeto.2. uma embalagem adequada contendo a história de sua origem e produção. é possível compreender que os caminhos para se agregar valor ao artesanato passam por atribuir ao objeto artesanal uma identificação com a comunidade que o produz. Design a Serviço do Artesanato valor. em que o designer procura projetar o objeto com referências históricoculturais da comunidade em que é produzido. em que o designer busca agregar ao produto artesanal elementos simbólicos que o remetam a características expressivas da cultura local e de muitos elementos de uso cotidiano da comunidade que podem vir expressos nas cores. com manejo sustentável dos recursos naturais. facilite o transporte e a comercialização. 26 . e contenha as informações que o contextualize. técnicas produtivas.

2. Design a Serviço do Artesanato

na forma, na matéria-prima, na técnica produtiva, ou em detalhes do objeto artesanal. Barroso(2001:29) explica que esses elementos simbólicos podem ser encontrados em produtos e imagens banais que fazem parte indissociável de uma memória coletiva. O termo de referência do PSA (2004:18) defende o resgate dessa memória através de uma pesquisa da cultura material e da iconografia local. Barroso defende que essa pesquisa da cultura material e da iconografia local deve ser feita com a participação da comunidade. Esta participação “pode ajudar a revelar a riqueza criativa e ingênua dos artistas populares, cujo olhar pouco contaminado por modismos pode oferecer idéias novas, despojadas de vícios e referências exógenas” (BARROSO, 2001:29).

2.2 Design, Artesanato e Valor Agregado.

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2. Design a Serviço do Artesanato

2.3 Produção Artesanal e a questão da Qualidade

O sistema de produção artesanal é constituído por etapas e procedimentos executados pelo artesão que vão desde a extração da matéria prima ao acabamento final do produto. Intervenções neste sistema produtivo buscam melhorar a qualidade dos produtos, trazer melhorias as condições de trabalho e tornar mais eficiente os procedimentos executados. Nesta ótica, participação do design no sistema de produção artesanal pode ser bastante útil. Essa participação deve buscar a otimização dos processos produtivos, tornando a produção mais ágil e competitiva. Normalmente os processos produtivos são bastante primitivos e por isso devem ser atualizados, mas, ao mesmo tempo, tem que haver uma preservação da técnica, pois ela representa uma tradição e é um testemunho vivo da cultura (SEBRAE, 2004:53). Tomando como base algumas orientações contida no termo de referência do PSA(2004), foram elaboradas algumas recomendações que devem ser considerada em intervenções na produção artesanal. - Otimização da matéria prima: - Manejo Ambiental sustentável da matéria prima, e em caso de escassez, orienta-se a substituição por outra mais abundante. - Estoque adequado. - Beneficiamento com o mínimo de perdas. - Reaproveitamento de Refugo. - Melhoria das ferramentas:
2.3 Produção Artesanal e a questão da Qualidade.

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2. Design a Serviço do Artesanato

- Uso de ferramentas adequadas a cada processo. - Uso de ferramentas adequadas a cada processo. - Concepção de novas ferramentas e adaptação de ferramentas existentes. - Orientação de manutenção preventiva de ferramentas, para que uma ferramenta já desgastada não comprometa a qualidade do produto. - Otimização de Processos: - Definir um fluxo de produção eficiente, em que se minimize os “gargalos”. - Definir um ritmo de produção, respeitando sempre o ritmo de vida dos artesãos. - As limitações técnicas da produção devem ser lavadas em consideração quando se projeta o produto artesanal. - Melhoria do Ambiente de Trabalho: - Implantação dos 5S´s (utilização, ordenação, limpeza, saúde, autodisciplina). Com a aplicação desses cinco “S”, o artesão estará vivendo em um ambiente mais agradável e, por conseqüência, a relação de convivência com seu grupo de trabalho será mais equilibrada e tranqüila. - Definir um layout físico baseado no fluxo de produção.

Figura2- Tear Artesanal. Com essa máquina artesanal o artesão pode confeccionar o seu tecido artesanal mais facilmente.

2.3 Produção Artesanal e a questão da Qualidade.

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2. Design a Serviço do Artesanato

- Uma iluminação adequada melhora o ambiente de trabalho e interfere na qualidade do produto. Todas essas recomendações na produção refletem na qualidade de vida do artesão e na qualidade do produto, mas como já foi dito, ao se fazer qualquer intervenção na produção, deve-se levar em conta as questões relacionadas a tradição e a cultura da comunidade, e, respeitando sempre o ritmo de vida dos artesãos. Uma questão importante que está diretamente ligada à produção, e a questão da qualidade. O termo de referência do PSA(2004:53) afirma que qualidade significa fazer a centésima peça como se fosse a primeira, no tamanho, no peso, na forma, na motivação do artesão, porém sempre preservado as pequenas diferenças que caracterizam os produtos artesanais, e que o fazem únicos e singulares. Essa “padronização” reflete positivamente na comercialização, pois aquele produto terá uma maior credibilidade no mercado, pois possui um padrão de qualidade, e terá um facilidade na questão da embalagem. “Intervir na produção com o objetivo de torná-la mais eficaz e os produtos com maior qualidade somente será viável e sustentável no longo prazo se esta for uma ação sistêmica e compromissada com o artesão, pois é possível esperar elevada qualidade de produção daquele que tem qualidade de vida”(SEBRAE, 2004:54). Assim sendo, trabalhar as questões de melhoria das condições de trabalho no sistema de produção artesanal, procurando melhorar a qualidade de vida do artesão, pode ser primordial para se melhorar a qualidade dos produtos e a eficiência da produção.

2.3 Produção Artesanal e a questão da Qualidade.

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Artesanato e Desenvolvimento “Para haver desenvolvimento local.” Daniella Vieira dos S. cultural. social e ambiental. econômica. Saraceno . é preciso trabalhar as dimensões política.3.

São números que fazem refletir sobre a importância do artesanato para a economia do estado e o seu potencial de negócios. em seus 26 Estados e no Distrito Federal. a soma das riquezas produzidas no país. é possível encontrar uma produção artesanal diferente. quase 2. de dois a três salários mínimos por mês. Artesanato e Desenvolvimento 3. De fato. desde a coleta da matériaprima até o produto final.3. o artesanato é um grande negócio para Pernambuco. Esse valor corresponde à metade do que faturam os supermercados do Brasil. movimenta anualmente R$ 28 bilhões. Segundo Kleber Dantas em entrevista ao programa Encontro SEBRAE no dia 30 de março de 2004.8% do PIB. Cada um deles recebe.1 Artesanato e Mercado Segundo pesquisa do Ministério do Desenvolvimento . feiras de artesanato como a FENEART movimentam milhões e servem para divulgar 3. Essa diversidade é um grande diferencial que o artesanato oferece aos consumidores. como forma de subsistência e contribuição cultural para a sociedade. Para Ele. principalmente as que vivem no campo. Encosta também na produção atribuída à indústria automobilística. No país. admite que existem cerca de 15 a 20 mil artesãos e junto com trabalhadores agregados somam pelo menos 50 mil empregos.1 Artesanato e Mercado. o artesanato é um setor cuja cadeia produtiva. De acordo com levantamento realizado pelo ministério. em média. feita a partir das matérias-primas que cada região oferece e de acordo com os costumes locais.5 milhões de pessoas envolvidas com a cadeia produtiva do artesanato. Indústria e Comércio Exterior. 32 . existem no país 8. o artesanato pode se apresentar como uma alternativa à melhoria de renda das pessoas.

que o produtor tenha oportunidade de vender suas mercadorias a um preço justo ao consumidor final 3.3. Em alguns casos o artesão consegue viver apenas do artesanato. quem vive do artesanato ainda sofre por não conseguir ter acesso ao mercado. obedecendo às épocas de colheitas e entre safras. A comercialização talvez seja o maior desafio no mundo do artesanato. Essa sazonalidade na comercialização do produto artesanal contribui para que o artesão procure outra atividade para complementar a sua renda. E ainda. que vai desde o produtor até o consumidor final. 33 . Ou seja. mas geralmente é uma vida muito difícil. a atividade artesanal se intensifica sazonalmente. No entanto. e na maioria das vezes o artesanato é uma atividade complementar desenvolvida paralelamente a agricultura de subsistência. pois a comercialização do artesanato depende de vários fatores que fogem ao controle do artesão. É necessário que o fluxo financeiro que permeia a cadeia de distribuição ou como é mais conhecida de intermediação. seja revertida em uma posição relativa mais vantajosa para o artesão. tanto no que se refere ao acesso ao mercado quanto a cadeia de distribuição do produto artesanal. mesmo diante dessa potencialidade. Artesanato e Desenvolvimento os produtos sendo uma grande oportunidade de negócios para o artesão.1 Artesanato e Mercado. muitas vezes o artesão passa boa parte do ano produzindo em função de um evento. que funcionam como combustíveis e que impulsionam as vendas no setor artesanal. Segundo Cavalcanti e Mattoso (2003:66) são fatores como o turismo e as grandes festas populares.

34 . no momento das compras. Artesanato e Desenvolvimento e ao comprador atacadista. Estas iniciativas se referem ao chamado “Comércio ético. Estas intervenções podem ser feitas por meio de várias ferramentas como: o design. nesse tipo de comércio os consumidores são sensibilizados para escolher sempre. comercialização. por achar que está cumprindo o seu papel social. produtos do comércio ético. ele não ira adquirir um produto artesanal apenas por filantropia. ou seja. o marketing. a tecnologia. produtos de uma empresa que tenha compromisso com o desenvolvimento sustentável das comunidades e de grupos de pequenos produtores. mesmo que um consumidor seja sensível às questões do comércio solidário. 3. Existem iniciativas. As questões sociais. Em contrapartida. Esse diferencial pode estar associado à agregação de valor ao produto artesanal. de criar relações mais justas entre produtores e consumidores finais. que já são uma tendência no mundo. entre outras.3. Esse consumidor sempre irá exigir um produto de qualidade e que tenha um diferencial de mercado. o que lhe proporciona uma melhora significativa de sua renda. e com o estabelecimento de relações mais justas entre todos os participantes da cadeia produtiva. e a valorização da cultura local. O comércio ético. econômicas e culturais são justificativas para iniciativas de desenvolvimento do artesanato. justo e solidário é uma tentativa de construir outras relações entre produtores e consumidores. Segundo Diniz e Ferrari apud França (2002).1 Artesanato e Mercado. estas iniciativas são intervenções que procuram trazer uma melhoria de vida para a comunidade produtora de artesanato. a comunicação. justo e solidário”.

Um projeto de intervenção no artesanato deve trabalhar a partir de uma demanda de mercado. intervenções no artesanato devem ter por objetivo principal colaborar para o desenvolvimento e melhoria da qualidade da competitividade do produto de origem artesanal de modo sustentável.3. isto significa que é uma boa oportunidade de gerar renda. “Um dos desafios das intervenções no artesanato é aumentar o nível de renda dos artesãos. com a vocação da comunidade. Sempre preservando a identidade e os valores culturais que aquele artesanato traz. Artesanato e Desenvolvimento 3. pesquisas e informações técnicas. Design e desenvolvimento de novos produtos. através da melhoria dos produtos artesanais e do estimulo à formação empreendedora 3. tem por base a organização e a gestão das entidades de artesanato. a vocação da matéria-prima e a vocação do fazer manual. Essas relações aumentam a qualidade de vida dos artesãos que muitas vezes estavam desempregados e encontram nesse meio uma forma de garantir o sustento. Essas intervenções podem ser feitas através de: Diagnósticos. Intervenções de design no artesanato. Promoção. Testes e experimentações. Transferência de tecnologia. segundo a óptica de Corrêa (2003:54). SÁ. gerar trabalho promovendo a qualidade de vida. conjugandoas com as questões da produção artesanal. 35 10 . pois ela alimenta as relações econômicas e sociais. Segundo BARROSO (1999). históricas e culturais da comunidade” (CAVALCANTI. SANTOS e PEREIRA. Capacitação e aperfeiçoamento de recursos humanos.2 Intervenções no Artesanato e Desenvolvimento Local Existe um interesse público e privado no desenvolvimento da produção artesanal.2 Intervenções no Artesanato e Desenvolvimento Local . divulgação comercialização de sua produção. ANDRADE. Deste modo é preciso valorizar as questões étnicas. 2004).

Neste processo de reconhecimento. ou seja do menor para o 3. Neste processo de troca. e os designers ganham experiência. em contato com o conhecimento de antigas técnicas. certamente. 2003). os artesãos desenvolvem suas habilidades e adquirem novas. Artesanato e Desenvolvimento do artesão. A intervenção do design está transformando o artesanato brasileiro. as possibilidades de intervenção se transformam em fontes inesgotáveis de referências para projetos de produto que passam a ser desenvolvido. construindo nossa cultura material. Este diálogo possibilita que ambos os interlocutores se confrontem com realidades e especificidades que provocam novas ou outras leituras do mundo material que os cercam. na melhoria da qualidade de vida dos artesãos. que segue uma outra lógica de organização e interação com a sociedade. Para esta autora. É preciso entender o conceito de desenvolvimento local. e que objetivam a dinâmica social. transferindo ao mercado essa tarefa. no final da década de 80. a perspectiva do Estado mínimo segundo a qual o Estado reduz suas funções na gestão de programas sociais. na geração de renda e na movimentação da economia local gerando desenvolvimento. este conceito “começou a ganhar espaço no Brasil. na medida em que agrega qualidade e valor às peças que ganham competitividade e conquistam o mercado internacional. acompanhando as mudanças ocorridas no mundo: o neoliberalismo. a globalização.2 Intervenções no Artesanato e Desenvolvimento Local . 36 10 .3. As macropolíticas já não atendiam ao desenvolvimento de micro-espaços” (SARACENO. As mudanças também se refletem no resgate dos valores culturais das comunidades que vivem desse tipo de trabalho. o desenvolvimento de um país deve ser de forma “endógena”.

Local não é necessariamente igual a município. Pode ser município. no município e assim por diante.3. o conceito de “local” ainda está em construção.2 Intervenções no Artesanato e Desenvolvimento Local . existe o consenso de que o conceito assume as dimensões política. para haver desenvolvimento local. é preciso trabalhar todas essas dimensões. cultural. que reflete na microrregião. Isso significa que. As intervenções no artesanato pretendem promover o desenvolvimento local a partir do desenvolvimento dos grupos de artesãos. Ainda segundo Saraceno (2003). 3. Porém. Artesanato e Desenvolvimento maior. econômica. Ela afirma que para um país se desenvolver é preciso criar políticas que desenvolva primeiramente os microespaços. social e ambiental. comunidade ou microrregião. respeitando as diferenças culturais de cada município ou comunidade. esse desenvolvimento reflete na comunidade. 37 10 .

Artesanato como alternativa para o Desenvolvimento 4. .

A escolha de cada experiência teve uma motivação específica. A perspectiva histórica permite compreender o processo de formatação do modelo enquanto que a metodologia de ação demonstra a materialização deste. ganhou um espaço especial na mídia e tornou-se bastante conhecido. o design solidário. A escolha do artesanato solidário se justifica por este ser um projeto de dimensão e reconhecimento nacional.1 Modelos de intervenção: história e metodologia. foram escolhidas três experiências: o artesanato solidário. Neste momento serão apresentadas uma perspectiva histórica e a metodologia de ação de cada experiência.4. o design solidário e o imaginário pernambucano.1 Modelos de intervenção: história e metodologia Para realizar a análise comparativa sobre modelos de intervenção de design no Brasil. a justificativa na escolha pelo imaginário pernambucano está no fato deste ser um projeto bastante versátil atuando em comunidades com características bastante distintas. 4. As fontes de pesquisa foram realizadas nos arquivos de cada projeto (relatórios e outros documentos) e em páginas da Internet. por ser uma iniciativa estrangeira. 39 10 . Modelos de Intervenção do Design no Artesanato 4.

prefeituras locais. A proposta original do Artesanato Solidário era trabalhar com mestres artesãos no intuito de replicar os saberes e os fazeres do ofício. garantindo condições a continuidade das ações. SUDENE: Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Notas 2. Com sua experiência de trabalhos com equipes. Mistério da Integração Nacional.4. Caixa Econômica*. o Artesanato Solidário (Artesol). Em 1999. e aperfeiçoou o formato de destino dos recursos. partindo da idéia que é possível gerar renda com o resgate das manifestações da cultura local. Com isso ampliou suas parcerias financeiras. para que suas Artesanato populações se orgulhem de sua produção e a capacitem para um mercado mais amplo. que se iniciou com a SUDENE2 e hoje conta com outras diversas instituições como: SEBRAE3. ganhou o status de programa e aumentou sua esfera de atuação para outras regiões além seca. 2003:11). tanto nacionais quanto internacionais. autora do prefácio do livro “Da Sede ao Pote” (CAVALCANTI e MATTOSO. o projeto pretendia valorizar a identidade cultural das localidades envolvidas. 3. Em setembro desse mesmo ano foi criada a Central Artesol.2 O Artesanato Solidário . 40 10 . que tem o objetivo de complementar 4. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato 4. De acordo com Ruth Cardoso. Solidário Figura3.2 O Artesanato Solidário Valorizando a Tradição HISTÓRICO E ORGANIZAÇÃO O projeto Artesanato Solidário surgiu em 1998 com o objetivo de minimizar os efeitos da seca nas regiões do norte e nordeste de Minas Gerais. Com o sucesso de suas ações o projeto se ampliou. Helena promoveu a regionalização e aprimorou a forma de monitoramento do programa. de forma empreendedora e estratégica construiu as bases para viabilizar o crescimento programa e consolidar sua estrutura organizacional.Valorizando a Tradição. já com uma nova coordenação.Marca do projeto Artesanato Solidário. A sede do Artesol transferiu-se para São Paulo em 2002 e Helena Sampaio passou a ser a coordenadora do programa. SEBRAE: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.

os costumes. a língua. Seus padrões e valores são transmitidos oralmente por imitação ou por outros meios.Artesã produzindo uma peça de barro usando técnicas tradicionais. 2003:45) Um dos objetivos do Artesol é promover o desenvolvimento sustentável e a inclusão social dos brasileiros que se situam na faixa de pobreza. a música. que reconhecidamente responde às expectativas da comunidade enquanto expressão de sua identidade social e cultural. Hoje. o Artesol beneficia cerca de 3 mil artesãos e suas famílias. a mitologia. os ritos. a dança.Valorizando a Tradição. o Artesol acredita que esse desenvolvimento pode vir através da revitalização do artesanato tradicional como uma manifestação da cultura popular brasileira.2 O Artesanato Solidário .(SAMPAIO. “O Artesanato Solidário pode ser definido como um conjunto de criações que emanam de uma determinada comunidade cultural. Sampaio (2004). ou por um indivíduo. suas formas compreendem. “O Artesanato Solidário reconhece no saber tradicional do artesanato popular um rico patrimônio cultural 4. a literatura. e por meio desta revitalização gerar renda. os jogos. fundada na tradição e expressa por um grupo. 41 10 . a arquitetura. Figura4. Estes profissionais estão espalhados geograficamente por todo o território nacional. Fonte: DVD modos de fazer (Artesol). Modelos de Intervenção do Design no Artesanato a ação do Artesanato Solidário ampliando os canais de comercialização dos produtos em escala e extensão geográfica. em 68 localidades de 15 estados e conta com uma equipe de 40 profissionais na coordenação e no campo. e outras artes”. mas são detentores de saberes e fazeres que constituem as identidades culturais do País. o artesanato.4. entre outras.

que envolve os artesãos com a própria comunidade.Valorizando a Tradição. A ação do Artesanato Solidário procura estabelecer diálogos entre os artesãos. os produtos artesanais e o mercado consumidor. mas sem perder o cuidado para não ferir a tradição do fazer artesanal. 2004:47). A filosofia do programa baseia-se na ação perceptível. No primeiro diálogo. A partir daí são organizadas oficinas onde há o repasse dos saberes entre os mestres e os aprendizes. 2003). também é estimulado o trabalho coletivo e a formação de associações ou cooperativas entre os artesãos. Neste caso. 4. mas invisível. Além das oficinas.4. O Artesanato Solidário procura adequar os produtos as exigências do mercado. o artesão passa a perceber a importância da identidade cultural e do resgate de suas tradições. Desta forma a intervenção do Artesanato Solidário procura trazer melhorias na vida dos artesãos e tem como um de seus lemas “a expressão da arquiteta Janete Costa “interferir sem ferir” precisa a grande preocupação do Artesanato Solidário. Valorizar fazeres.2 O Artesanato Solidário . O outro diálogo que o Artesol promove ocorre entre os artesãos e os produtos do artesanato de tradição. E por fim. técnicas e produtos tradicionais na comunidade onde se executa o trabalho é o caminho adotado para a preservação da referida tradição” (PEREIRA. acontece uma mobilização da comunidade e a identificação dos mestres artesãos. o terceiro diálogo é estabelecido entre o produto artesanal e o mercado. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato capaz de gerar renda para os artesãos e melhorar a qualidade de vida de suas famílias” (CAVALCANTI e MATTOSO. 42 10 .

São marcadas reuniões para que os artesãos falem dos seus problemas. No entanto.4. o que eles acham do seu artesanato. Essa é a fase de diagnóstico. por parte dos artesãos. Após o diagnóstico começam os trabalhos de mobilização da comunidade. verificando as tendências do mercado para se definir a proporção dos produtos. existe uma dificuldade que se refere ao descrédito. em que são projetados novos produtos seguindo a mesma linha dos produtos já existentes.Valorizando a Tradição. Em alguns casos. etc. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato Sampaio (2003) explica que a intervenção realizada pelo Artesanato Solidário acontece em três níveis. dos costumes e das condições sócio-econômicas dos artesãos. o terceiro nível remete ao lema “interferir sem ferir”.2 O Artesanato Solidário . O primeiro nível se refere à melhoria da qualidade do produto. mantendo as mesmas técnicas e fazendo apenas atualizações que propiciam uma melhor aceitação no mercado. e é a partir dela os agentes do Artesanato Solidário elaboram planos de ação mais efetivos para dar início aos trabalhos. O segundo nível diz respeito à padronização das medidas. da melhoria da resistência dos produtos e da melhoria dos acabamentos. METODOLOGIA DA AÇÃO A ação do Artesanato Solidário tem inicio na identificação de regiões cuja produção artesanal de tradição precise de apoio. 43 10 . que é atingida através da melhoria da qualidade da matéria prima. E por fim. as próprias comunidades se encarregam de pedir ajuda ao Artesanato solidário. em 4. A partir da identificação do local é feita uma avaliação das peculiaridades e tradições do artesanato.

4.Peças com um padrão de Dimensionamento.org.artesol. os artesãos passam a ter uma melhor noção de combinações de cores. produção. Essa desconfiança e a auto-estima em baixa muitas vezes impedem a manifestação verbal dos artesãos.Tijela/ Santarém-PA. como brincadeiras. comercialização e cidadania. Fonte: www. Esta oficina procura orientar os artesãos a se preocuparem com a questão da qualidade. Essa qualidade pode ser atingida através da melhoria do acabamento e da seleção da matéria prima. então o Artesanato Solidário procura estimular os artesãos através de atividades de grupo. Fonte: DVD modos de fazer (Artesol). os artesãos aprendem também a contabilizar os gastos com matéria-prima. Oficina de cores: Através desta oficina.br.2 O Artesanato Solidário . Oficina de melhoria e acabamento do produto: Figura5. Oficina de tingimento: Nesta oficina são feitas experiências com tingimento a partir de pigmentos naturais.4.Valorizando a Tradição. dinâmicas de grupo. Oficina de padronização: Nesta oficina os artesãos são orientados a manter um padrão nos tamanhos e formas dos produtos. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato programas sociais. Com isso o artesão vai se soltando e começa de fato o dialogo desejado pelo Artesanato solidário. Depois desses primeiros momentos os artesãos começam a entender as causas da intervenção e estão prontos para o inicio das oficinas. 44 10 . A seguir veremos alguns exemplos das oficinas relacionadas aos produtos e a produção. etc. e passam a entender a importância da harmonia entre as cores nos produtos. comemorações coletivas de aniversário. Figura6. Essas oficinas têm o objetivo de melhorar questões relativas a produtos.

de estimulo ao associativismo. o Artesanato Solidário pretende valorizar o artesanato. é estimulado a se preocupar com a questão ambiental. de gestão de grupo. etc. por exemplo: oficina de trançado tradicional. Por fim. etc. de apresentação dos produtos. de empreendedorismo. Oficina de embalagem: Os artesãos aprendem sobre a importância da embalagem para o produto em relação a proteção e apresentação. e propostas de novos produtos. Essas oficinas procuram dar noção de formação de preços. de padrão de qualidade. As oficinas de comercialização orientam o artesão a ter um melhor diálogo com o mercado. Oficina de matéria prima e manejo sustentável: O artesão é capacitado a fazer um melhor aproveitamento da matéria prima. Deste modo.2 O Artesanato Solidário .Mestre artesao repassando a tradiçao do fazer artesanal. de atendimento a clientes.Valorizando a Tradição. organizar as produções e as 4. Esta é uma iniciativa com o objetivo da preservação da tradição. que pretende orientar os artesãos no relacionamento com a comunidade. 45 10 . Oficina de repasse de fazeres: Nesta oficina os mestres artesãos ensinam as técnicas aos aprendizes.4. São feitas oficinas de estimulo a liderança. as oficinas de cidadania. Oficina de produtos tradicionais: Nesta oficina são realizadas melhorias nos produtos existentes. Figura7. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato Oficina de técnicas especificas: Nesta oficina são desenvolvida melhorias nas técnicas de uma produção específica. fazendo uma extração responsável da matéria prima. Fonte: DVD modos de fazer (Artesol).

Valorizando a Tradição.4. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato comunidades. a partir da preservação dos valores culturais locais.2 O Artesanato Solidário . 46 10 . 4.

A proposta visava integrar os grupos de produtores brasileiros aos alunos do ateliê de artesanato da Academia de Design de Eindhoven. O projeto em si teve início em novembro de 2000. 4. quando professores da Design Academy estiveram no Brasil pela primeira vez. um dos maiores centros de competência e inovação em sua área na Europa. A CASA Casa Museu do Objeto Brasileiro .3 O Design Solidário Design Holandês e Artesanato Brasileiro HISTÓRICO E ORGANIZAÇÃO No ano de 2000. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato 4. no sentido de promover seu projeto de interação design/ artesanato junto a comunidades de artesãos brasileiros. aberto ao público. na Faculdade de Belas Artes de São Paulo. As principal parceria conseguida foi a do SEBRAE-SP. Em maio de 2000 foi organizado um seminário. na Holanda.Design Holandês e Artesanato Brasileiro. O seminário tratava sobre uma reflexão sobre as intervenções de design no artesanato.acolheu a proposta do arquiteto Paul Meurs. diretor da URBAN FABRIC /Holanda. Por intermédio do ateliê de artesanato a escola desejava estimular a criatividade artesanal dos alunos e promover sua sensibilidade social.3 O Design Solidário . para conhecer a realidade das comunidades com as quais iriam trabalhar.4. Existiram outras diversas parcerias que se restringiam a apoiar apenas algumas exposições específicas. e da URBIS . Vídeos com imagens do cotidiano das comunidades e amostras dos materiais tradicionalmente utilizados foram levados para a Holanda e transmitidos aos estudantes.Oficina de Projetos e Estudos da Cidade. e tinha um propósito de se estabelecer novos contatos para parcerias. 47 10 .

uma delas estava num contexto urbano.incentivar a criação de novos artefatos através da aproximação entre designers e artesãos de todo Brasil. . marginalizado. e a outra comunidade tinha um contexto rural. e a outra foi a favela Monte Azul. 4.incentivar o exercício da inclusão social através desta ponte cultural. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato Os Principais objetivos do projeto e de seus apoiadores eram: . que se localiza na cidade de São Paulo.criar condições necessárias para a realização de um processo auto-sustentável nas comunidades artesãs. . com muita tradição. As duas comunidades escolhidas tinham contextos bastante diferentes. 48 10 . . Uma delas foi o município de Serrita.proporcionar ao designer novas possibilidades de desenvolver produtos através do contato com a diversidade cultural brasileira e o contato com diferentes contextos sociais e econômicos.Qualificar o produto artesanal criado nas comunidades.Design Holandês e Artesanato Brasileiro. . as comunidades eram bastante diferentes. . que fica no sertão pernambucano.documentar e disponibilizar as informações geradas pelo projeto para o público especializado e não especializado através das ações do Museu Virtual. constituído por grupos de indivíduos bastante heterogêneos.3 O Design Solidário . Segundo Correa (2003).4.

org. acolhida em São Paulo pelo Museu de Arte Moderna. O Artesanato em couro foi o alvo da intervenção dos holandeses. 49 10 . O município se caracteriza pelo artesanato em couro e pela tradicional missa do vaqueiro.4. e o produto desta intervenção foi a hibridação entre a tradição das vestes e acessórios de vaqueiros e o geometrismo da cultura holandesa. Depois levaram todo material para a Design Academy e repassaram as informações aos estudantes. Eles conheceram as duas comunidades. e a intervenção dos holandeses introduziu novas técnicas no trato com a madeira. já havia uma associação comunitária e e iniciativas para a formação profissional da comunidade desde 1978.3 O Design Solidário . Monte Azul é uma comunidade que fica numa favela da cidade de São Paulo. no Recife pelo Espaço Cultural Bandepe e na Holanda pela Design Academy Eindhoven. Nesta associação já existiam atividades de marcenaria. reciclado e tecidos. como o papel Figura8. as técnicas artesanais. Em paralelo.Design Holandês e Artesanato Brasileiro. trabalhou também com outros materiais que já haviam sido trabalhados pela associação. O resultado dessa troca de experiências resultou em uma exposição em 2002. Ainda na Academia de Design de Eindhoven. METODOLOGIA DA AÇÃO A primeira fase do projeto se iniciou com a vinda dos professores orientadores para o Brasil.Exposição no Espaço Cultural Bandepe. e a historia de cada uma e documentaram tudo em fotos e vídeos. tomando conhecimento dos tipos de 4. os alunos foram introduzidos aos temas de cada grupo de artesãos. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato A cidade de Serrita se localiza no sertão pernambucano a 550 km de Recife. Fonte: www.acasa.

cada qual com um Figura9. cada grupo foi para uma comunidade e se instalaram nas residências dos próprios artesãos. talvez pelo fato de ser uma comunidade tradicional.3 O Design Solidário . couro. foram 20 dias na comunidade e mais 10 dias para organizar a exposição em Recife e em São Paulo. A absorção de novas técnicas e de novos materiais foi bastante proveitosa para maioria dos artesãos. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato materiais e técnicas produtivas usualmente empregados e dos aspectos sócio-culturais das duas comunidades. Ao chegar no Brasil.Talheres para salada produzidos na comunidade de Monte Azul. a principal língua eram os desenhos e as mímicas.acasa.org. A fase de criação ocorreu no Atelier da Design Academy. 4. professor e viajaram para o Brasil. os estudantes tiveram um rápido curso de língua portuguesa. sem contar com as dificuldades com a comunicação. Depois da fase de criação.Chinelos de pêlo de porco produzidos em Serrita. O material foi tratado e transformado nas oficinas da Academia pelos próprios alunos. apontando para a continuidade do processo.Design Holandês e Artesanato Brasileiro.acasa. Figura10. os artesãos não continuaram produzindo alguns produtos mais ousados. se dividiram em grupos. A partir daí foram iniciadas as confecções dos produtos com o acompanhamento das equipes de alunos e professores. 50 10 .4.org. Em Serrita. Mas mesmo com essa dificuldade o resultado conseguido foi surpreendente. papel reciclado. Fonte: www. atendendo a proposta do ateliê de artesanato de pensar o design através do trabalho manual. O choque cultural foi muito grande. Cada aluno desenvolveu projetos a partir dos materiais oferecidos: madeira. e já com modelos confeccionados. Fonte: www. mas sem dúvidas foram inegáveis as trocas culturais e a integração entre os participantes.

Neste primeiro momento o projeto ainda não se intitulava Imaginário Pernambucano. Com o sucesso alcançado em Conceição da Crioulas.4 Imaginário Pernambucano . a comunidade de Conceição das Crioulas conquistou o I Prêmio Banco Mundial de Cidadania. A partir dessas primeiras experiencias percebeu-se que era preciso um acompanhamento continuo para se obter melhores resultados. sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades. Durante este trabalho em Conceição das Crioulas foram realizadas oficinas e consultorias de design. iniciou um trabalho na comunidade de Conceição das Crioulas. garantindo mais saúde. o SEBRAE decidiu ampliar sua parceria 4. uma comunidade quilombola localizada no município de Salgueiro. Ou seja. Cultura. três alunos e uma professora do departamento de design da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) iniciaram ações pontuais de intervenção no artesanato em várias comunidades do Estado de Pernambuco. devido ao projeto de valorização do artesanato quilombola desenvolvido pelo Imaginário Pernambucano. Estas intervenções ocorreram entre 1999 e 2000 e foram as primeiras experiências do projeto de extensão da universidade. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato 4.Marca do projeto Imaginário Pernambucano. HISTÓRICO E ORGANIZAÇÃO Em 1998. mas sem exaurir os recursos naturais do planeta. Durante esta experiência a equipe do “Imaginário Pernambucano” desenvolveu experimentalmente o seu novo modelo de intervenção. Inclusão Social e Desenvolvimento Sustentável.Design. comunidade em seu desenvolvimento. conforto e conhecimento. Cultura. Em 2001 o projeto.4. é o desenvolvimento econômico. científico e cultural das sociedades. 51 10 . Em 2002. Desenvolvimento Sustentável: é aquele que satisfaz as necessidades presentes.4 Imaginário Pernambucano . que fica a 550 km de Recife. com a AQCC(Associação Quilombola de Conceição das Crioulas). com a parceria do SEBRAE e Figura11.Design. O resultado foi o desenvolvimento de mais de 30 produtos artesanais que contou com uma participação efetiva da Notas 4. Inclusão Social e Desenvolvimemto Sustentável4. social.

encontrada na região. sempre retrata cenas do cotidiano e dos costumes do povo nordestino. Jataúba. fruteiras e peças decorativas. Em Gravatá. Porém existem também habilidosos artesãos que transformam a argila de cor avermelhada (tauá). comunicação. Alto do Moura: O Alto do Moura é um bairro do município de Caruaru que fica a 135 km do Recife. 4. o projeto vem sendo desenvolvido no Alto do Moura. mais de 500 artesãos. 52 10 . Atualmente o Auto do Moura é reconhecido pela UNESCO como o maior Centro de Arte Figurativa das Américas. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato com o Imaginário Pernambucano. Inclusão Social e Desenvolvimento Sustentável. Kambiwá. Atualmente. Cabo de Santo Agostinho. Cabo de Santo Agostinho: O município do Cabo se localiza no litoral sul do estado de Pernambuco a 41 km do Recife. telhas e moringas. Tacaratú e Timbaúba as ações foram mais pontuais e nas outras houve um acompanhamento contínuo com assessorias de design. vasos. Conceição das Crioulas. A produção em cerâmica do Cabo é tradicionalmente de tijolos. Cultura.4.Design. A idéia era replicar esta experiência em outras comunidades. Em quatro anos de atividade. jarras. Lagoa do Carro e Tracunhaém. gestão e comercialização. produção. Seu artesanato é bastante tradicional e a arte do barro é passada de geração para geração. Goiana. em filtros. distribuídos em 15 comunidades da Zona da Mata ao Sertão foram beneficiados pelo projeto. Só a partir de 2002 o Imaginário Pernambucano começa a utilizar este nome institucionalmente. Rio Formoso. Caroalina.4 Imaginário Pernambucano .

é hoje uma das principais fontes de renda da comunidade. Por meio do seu artesanato feito com caroá. madeira e varias sementes. 53 10 . resistente e muito abundante no sertão nordestino. é a mesma técnica usada para o artesanato de cestaria. seu artesanato apresenta os papéis e os utensílios produzidos com a poupa do caroá. a lã é 4. a 65 km do Recife. É na praia de Pontas de Pedra que os artesãos e artesãs buscam na pesca a inspiração para sua produção artesanal. no sertão pernambucano. Lagoa do carro é conhecida como a terra dos tapetes. A principal matéria-prima é o Caroá. O seu artesanato. palha do ouricuri.4 Imaginário Pernambucano . Lagoa do Carro: Localizada na zona da mata norte de Pernambuco.4.Design. a 61 km do Recife. cada peça produzida conta a história e reafirma a identidade étnica de sua população. Goiana: Localizada na zona da mata norte de Pernambuco. Kambiwá: É uma aldeia indígena que está a 400Km do Recife e que fica entre os municípios de Ibimirim e Inajá. O município é marcado por um rico passado histórico e conhecido por seu belo litoral. que é confeccionado com barro. no sertão pernambucano. uma fibra forte. Conceição da Crioulas: A Comunidade Quilombola de Conceição das Crioulas está localizada a 550 km do Recife no município de Salgueiro. caroá. os índios de Kambiwá descobriram uma maneira de afirmar sua etnia e encontrar recursos pra lutar pela terra que lhes foi tomada. artefato de pesca feito com a fibra da cana brava. sertão central pernambucano. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato Caroalina: É um distrito do município de Sertânia que fica a 316 Km do Recife. Através do ponto florzinha. Hoje. Cultura. palha e imbira. Em Conceição das Crioulas. A técnica de trama dos covos. Inclusão Social e Desenvolvimento Sustentável.

4. contendo sua filosofia e servindo como guia para a prática. Inclusão Social e Desenvolvimento Sustentável. caminhos de mesa. A forma de agir do Imaginário Pernambucano é 4. 54 10 .4 Imaginário Pernambucano . permitiram a definição de um desenho do projeto. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato transformada pelas mãos das tapeceiras de Lagoa do Carro em tapetes.Design. Segundo Pereira (2004). desenhos e cores. como seus moradores costumam dizer em Tracunháem. “ou barro vira santo ou vira panela”. a 63 km do Recife. Conceição das Crioulas Caroalina Lagoa do Carro Alto do Moura Goiana Tracunhaém Recife Cabo Kambiwá Ao longo de suas experiências o Imaginário Pernambucano foi desenvolvendo um modelo próprio de ação e organização. o município é considerado um dos maiores centros de produção de cerâmica do país. No centro da cidade há dezenas de ateliês e olarias. O principal objetivo do Imaginário Pernambucano é valorizar o artesanato (produto e comunidade) com o fim de gerar renda promovendo o desenvolvimento local e a inclusão social. almofadas. Cultura. a associação das analises e criticas referentes as suas experiências. E. Tracunháem: Localizado na zona da mata sul de Pernambuco. passadeiras. em todos os tamanhos.

Produção: Provocar a melhoria e implementação de processos e ferramentas que garantam a qualidade do fazer artesanal e o uso responsável dos recursos naturais. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato baseada em 4 eixos básicos de atuação (design. Design: Implementar a melhoria da qualidade e o desenvolvimento de novos produtos.Design. comercialização). 4.4. produção. Inclusão Social e Desenvolvimento Sustentável. potencializar os valores identitários das comunidades produtoras de artesanato. gestão. visando a apropriação dos resultados. promover o associativismo e possibilitar que a atividade se firme enquanto meio de vida sustentável. em parceria com os grupos. 55 10 . Cultura. É desta forma que pretende. com suas ações.4 Imaginário Pernambucano .

Inclusão Social e Desenvolvimento Sustentável. professores e profissionais de varias áreas de conhecimento. é importante lembrar que o Imaginário Pernambucano adotou uma metodologia multidisciplinar. cuja comercialização fortaleça o Comércio Solidário. sejam com prefeituras locais ou outras instituições. o mundo profissional e o mundo acadêmico. A ação se inicia numa primeira visita a comunidade. fortalecendo o projeto coletivo e buscando a autonomia e empoderamento dos grupos. favorecendo o reconhecimento e a formação de lideranças. em que estudantes. Em que cada comunidade é estimulada a procurar suas próprias parcerias e acordos. METODOLOGIA DA ACÃO A primeira experiência de intervenção do Imaginário Pernambucano com acompanhamento contínuo em Conceição das Crioulas serviu para desenvolver uma metodologia referência para as outras intervenções que viriam acontecer. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato Gestão: Provocar a articulação e a organização dos grupos. são identificadas as necessidades da comunidade e a situação do artesanato e da produção artesanal. Por fim. nesta primeira abordagem acontece a fase de diagnóstico. Comercialização: Ampliar e consolidar mercados por meio da oferta de produtos com grande valor agregado.4 Imaginário Pernambucano . atuam integrados e permitem trocas valiosas entre o mundo do artesanato.Design.4. Cultura. É o momento em que o olhar da equipe se direciona para o que já existe. Paralelo a este diagnóstico. 56 10 . 4. a comunidade começa a compreender o formato de atuação do projeto.

étnico e cultural das comunidades. normalmente semanal. e dão suporte em todas as comunidades.4 Imaginário Pernambucano . A partir daí cada equipe elabora um cronograma que considera as atividades de campo e sua freqüência. e discutem os encaminhamentos. A partir das necessidades. pois é a partir dos relatos que o historiador colhe que se traçam os perfis histórico.4. É importante frisar o papel do historiador no projeto. Cada fase é intercalada por reuniões. Esta presença constante é importante para estabelecer uma relação mais próxima com os grupos e vivências suas potencialidades e dificuldades. 57 10 .Design. A fase seguinte inicia com as visitas das equipes de campo nas comunidades. O plano de ação é elaborado a partir de metas que as equipes e o projeto pretendem atingir no final de cada temporada. com conteúdo formatado em capacitações. As equipes de campo e o grupo gestor trocam informações sobre as comunidades. São estas informações que vão embasar várias ações do projeto. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato Durante o reconhecimento as equipes de campo contam com o apoio de historiadores e assistentes sociais que também fazem parte do projeto. Os objetivos são a melhoria dos produtos e da produção artesanal com o enfoque 4. Inclusão Social e Desenvolvimento Sustentável. São realizadas reuniões com os grupos de artesãos. oficinas ou com orientações. dificuldades e potencialidades identificadas nas comunidades são definidas as ações para cada comunidade. permite que as equipes façam avaliações constantes. Após a fase de reconhecimento. as equipes de campo voltam à sede do Imaginário Pernambucano e dão inicio a elaboração dos planos de ação. Cultura. com cronogramas e metas. Neste tipo de planejamento.

4 Imaginário Pernambucano . Fonte: Banco de Imagens do Imaginário Pernambucano. A questão de associar uma marca para o grupo e o padrão de qualidade reconhecido pelo mercado é apresentada. gestalt. Os principais temas abordados nas reuniões com os grupos de artesãos são: Qualidade: A importância de estabelecer um padrão de qualidade para o grupo é discutida. produção. 58 10 . Modelos de Intervenção do Design no Artesanato nos 4 eixos do projeto (gestão. Figura12. comercialização). São passadas aos artesãos orientações no sentido de se utilizar os recursos naturais da melhor forma possível. Criatividade: São passadas algumas noções de padronagens. Matéria Prima e acabamento: Neste tema são tratadas questões que dizem respeito à extração e tratamento da matéria prima. Reconhecimento do repertório local: Os artesãos são estimulados a identificarem símbolos e ícones que fazem parte do seu entorno. dimensionamento e proporção.Experimentos realizados na oficina de criatividade . Corantes e Cores: São tratadas questões da possibilidade de tingimento e noções de combinações de cores através do círculo cromático. A idéia é que o produto artesanal pode ser inspirado nesse repertório local. Fonte: Banco de Imagens do Imaginário Pernambucano. Neste caso a utilização de fotos e de objetos ajudam no sentido de despertar nos artesãos o reconhecimento de seu imaginário.Oficina de corantes e cores. design. desenvolvimento de novos produtos. Inclusão Social e Desenvolvimento Sustentável. e a partir daí os artesãos começam a fazer experimentos que servirão para o Figura13. 4. e que isso valoriza o produto.Design.4. Cultura. As orientações também são feitas no sentido de melhorar o aproveitamento da matéria prima beneficiada.

Ambiente de trabalho.4 Imaginário Pernambucano . Inclusão Social e Desenvolvimento Sustentável. apresentação do produto. As avaliações promovem a reavaliação do processo com vistas a sua melhoria constante. segurança e 5S.4. 59 10 . Essa avaliação ocorre em duas etapas. etc. O acabamento também é avaliado e melhorado. Produção: A questão da produção é tratada segundo: ritmo e capacidade de produção. Existem outros temas que também são tratados e que se referem às questões de gestão e comercialização. A fase final da ação do Imaginário corresponde a uma avaliação de todo o processo. Modelos de Intervenção do Design no Artesanato evitando perdas e aproveitando as sobras. 4. cumprimento de prazos. Os tema referentes à gestão procuram fortalecer as associações. Espaço físico e Layout. e os temas referentes à comercialização procuram tratar questões como formação de preço.Design. no campo junto com a comunidade e no imaginário com a participação de todo o grupo. Cultura.

. 5.Tradição... Inovação... Design. ..

a comparação das características da ação aponta etapas e ferramentas. A comparação dos objetivos apresenta semelhanças e diferenças dos propósitos de cada modelo.5. das características das ações e dos produtos das intervenções.1 Modelos de Intervenção: a comparação . 5. sobre os modelos de intervenção será realizada a análise comparativa sob três abordagens: dos objetivos. 61 10 . e a comparação de produtos apresenta com imagens os produtos finais resultado das ações. descritas anteriormente. Análise Comparativa entre Modelos de Intervenção 5.1 Modelos de Intervenção: a comparação A partir das informações.

e essa revitalização passa por duas vertentes: a primeira seria o enaltecimento dos mestres artesãos com o repasse do fazer artesanal. . mas sem interferir no caráter 5.Promover o desenvolvimento Sustentável e a inclusão social. é possível perceber que o Artesanato Solidário e o Imaginário Pernambucano compartilham de varias semelhanças. com a inclusão social e com a geração de renda.Quadro de comparação dos objetivos dos molelos de intervenção. . 62 10 .2 A Comparação dos Cbjetivos . . Tabela 2 .Enaltecimento dos mestres e repasse do fazer artesanal.Criar novos artefatos com a aproximação Designer x Artesão. O Artesanato Solidário busca revitalizar o artesanato tradicional. . . e a segunda seria uma readequação dos produtos já existentes às exigências do mercado.Incentivar o exercício da inclusão social através desta ponte cultural. -Proporcionar aos designers novas possibilidades.5. .Revitalizar o Artesanato Tradicional.Gerar renda.Promover o desenvolvimento Sustentável e a inclusão social.Valorizar o artesanato.Gerar renda. Imaginário Pernambucano . A primeira delas é que ambos têm uma preocupação clara com a questão do desenvolvimento local. .Estimular a criatividade artesanal e a sensibilidade social dos estudantes da Design Academy. -Articulação e empoderamento dos grupos. .Preservar a tradicionalidade do fazer artesanal.2 A Comparação dos Objetivos Artesanato Solidário . Observando o quadro comparativo dos objetivos de cada modelo. . Mas existem pequenas diferenças na maneira como cada projeto busca essa valorização do artesanato. . Análise Comparativa entre Modelos de Intervenção 5. O dois projetos também acreditam que esse desenvolvimento sustentável e essa inclusão social podem vir através da valorização do artesanato.Implementar a melhoria da qualidade e o desenvolvimento de novos produtos.Potencializar os valores identitários das comunidades. Design Solidário .

mas o direcionamento pro mercado é feito através da Central Artesol de comercialização. o Imaginário Pernambucano procura melhorar questões da produção e da qualidade do produto.2 A Comparação dos Cbjetivos . O Imaginário Pernambucano trabalha o fortalecimento do grupo. e. Neste ponto dos objetivos e da valorização do artesanato. mas sempre atribuindo a eles referencias culturais das comunidades. Em comunidades nãotradicionais. Em que faz uso desse contato com o mundo do artesanato para desenvolver a criatividade e a sensibilidade social dos alunos. o Imaginário Pernambucano faz uso de design e inovação para criar de novos produtos. a valorização do artesanato pode vir através do design e da inovação dos produtos. Análise Comparativa entre Modelos de Intervenção tradicional do produto ou do fazer artesanal. O Artesanato Solidário também procura fortalecer os grupos. Para o Design Solidário. no Artesanato Solidário o foco está na 5.5. mas seu compromisso maior é com a Design Academy e seus alunos. Em síntese. o Design Solidário se distancia bastante dos outros dois projetos. Já o Imaginário Pernambucano busca potencializar os valores identitários de cada comunidade. No caso das comunidades tradicionais. o Imaginário Pernambucano respeita e procura preservar a o caráter tradicional das comunidades. assim como o Artesanato solidário. 63 10 . e para isso não é preciso que a comunidade seja uma comunidade tradicional. A questão da sustentabilidade mencionada nos objetivos do Imaginário Pernambucano e no do Artesanato Solidário é entendida de maneira diferente por cada um deles. O Design Solidário declara que também se preocupa com a questão da inclusão social. estimula a articulação para que parcerias e mercados sejam encontrados pelos próprios grupos.

5. e no caso do Design Solidário o foco é no produto e o compromisso é com a Design Academy e seus alunos. 64 10 .2 A Comparação dos Cbjetivos .5. Análise Comparativa entre Modelos de Intervenção tradição e o compromisso é com a comunidade. mas o foco é no produto. já no Imaginário Pernambucano o compromisso se mantém com a comunidade.

onde cada indicador terá um nível quantitativo. O Artesanato Solidário faz um reconhecimento em que apenas 5. 65 10 . Análise Comparativa entre Modelos de Intervenção 5. Pouco Médio Bastante Os itens 1 e 2 (diagnóstico e levantamento iconográfico) indicam o nível de reconhecimento local que cada projeto pratica. o Imaginário Pernambucano é quem mais se aprofunda neste reconhecimento. Característica da Ação 1 Diagnóstico 2 Levantamento Iconográfico 3 Reuniões com os grupos de artesãos (orientações) 4 Oficinas 5 Acompanhamento da produção 6 Novos Produtos 7 Melhoria dos produtos existentes 8 Inovação 9 Design 10 Uso de referencias Locais nos produtos 11 Otimização da produção 12 Introdução de novas técnicas 13 Aprimoramento das técnicas existentes 14 Melhoria da matéria Prima Tabela 3 .5. até porque as equipes fazem uso dessas informações para se fazer o planejamento das ações e para se desenvolver produtos que traduzam valores culturais locais. Artesanato Solidário Design Solidário Imaginário Pernambucano A leitura deste quadro permite traçar um perfil da ação de cada modelo. Desta forma a avaliação será feita de uma forma graduada. ou de aprofundamento. baseados na própria descrição das ações de cada projeto estudado no capítulo anterior. No caso dos projetos estudados.Quadro de comparação das características das ações.3 A Comparação das Características das Ações Neste quadro foram definidos empiricamente alguns indicadores.3 A comparação das características das ações .

Neste caso a característica tradicional do produto é mantida. o Artesanato Solidário prioriza a melhoria dos produtos existentes. focando na técnica produtiva e na matériaprima. dificuldades da comunidade. mas desenvolve novos produtos com 5. De acordo com o quadro. problemas na produção. 7. 9 e 10 se referem aos produtos artesanais. combinação de cores. representam algumas estratégias para a melhoria de produtos e otimização da produção. problemas nos produtos. 8. O Design Solidário não trabalha os produtos existentes. 66 10 . faz uso do design. Já no Design Solidário. O Design Solidário aposta no acompanhamento da produção dos seus produtos. mas com bastante uso das questões culturais locais. No caso do Imaginário Pernambucano e no Artesanato Solidário o acompanhamento da produção é feito no sentido de monitorar e dar suporte ao artesão para que as orientações dadas nas reuniões e oficinas sejam executadas. proporção. O Imaginário Pernambucano e o Artesanato Solidário fazem bastante uso das orientações e das oficinas. esse reconhecimento acontece apenas para documentar as características principais do artesanato da comunidade. pois entendem que a qualidade dos produtos artesanais vem da capacitação do artesão. Análise Comparativa entre Modelos de Intervenção se aprofunda nas questões que lhes interessam mais como: tradição. etc. até porque. o papel do artesão se limita à confecção dos produtos. etc. oficinas e acompanhamento da produção dos produtos (itens 3. O uso dessa informação pelo Design Solidário se direciona aos estudantes de design que estão na Holanda e utilizam esse contexto para desenvolver os produtos. 4 e 5). com pouca inovação. Os itens 6. e são alteradas apenas questões relacionadas a acabamento.5. neste projeto. Reuniões com os grupos de artesãos para orientações diversas.3 A comparação das características das ações .

em características do entorno. O Imaginário pernambucano ainda tem uma preocupação muito grande com a qualidade da matéria prima.5. Questões de produção são tratadas nos itens 11. Porém não descarta uma otimização da produção e um aprimoramento das técnicas. 13 e 14. O Imaginário Pernambucano procura melhorar os produtos já existentes. os produtos na sua maioria são inovadores e sempre procuram sempre fazer uso das referencias culturais locais. de como ela é extraída na da natureza e de como é feito o beneficiamento. além da otimização da produção existente. desta forma. e eventualmente faz uso de alguma referencia local. 67 10 . Em que raras vezes são introduzidas novas técnicas para satisfazer uma necessidade específica de um produto ou um aprimoramento das técnicas existentes com o fim de fazer produtos com melhor qualidade. 12. até porque uma de suas premissas é de preservar o fazer manual. desenvolve novos produtos com bastante uso do design. Análise Comparativa entre Modelos de Intervenção alto grau de inovação de design.3 A comparação das características das ações . Artesanato Solidário evita introduzir novas técnicas nas comunidades. O Design Solidário praticamente ignora essas questões de produção. ou a construção de fornos mais poderosos para melhorar a qualidade da queima dos produtos de barro. ou em símbolos da cultura e da iconografia local. há uma busca por novas tecnologias que facilitem certos procedimentos como: desenvolvimento de máquinas que facilitem o beneficiamento da matéria prima. Essa referência pode estar no uso da matéria-prima. No caso do Imaginário Pernambucano há uma preocupação clara com a qualidade do sistema produtivo. num tipo específico de técnica. Já o Artesanato Solidário se preocupa mais com as questões ambientais. 5. e procura orientar os artesãos a fazerem uma extração responsável e sustentável desses recursos.

5. Análise Comparativa entre Modelos de Intervenção 5. O quadro dos produtos artesanais mostra exemplos de produtos que representam a produção artesanal orientada pelos projetos de intervenção.4 A Comparação dos Produtos Artesanais Artesanato Solidário Design Solidário Imaginário Pernambucano Tabela 4 .4 A Comparação dos Produtos Artesanais. Os produtos do Artesanato Solidário são produtos provenientes de comunidades tradicionais.Quadro de comparação dos produtos artesanais. e a intervenção se 5. 68 10 .

5. direcionados a um publico sofisticado e sem nenhuma referência do local onde foram produzidos.5. No caso do Design Solidário. com qualidade. A “cara” desse produto reflete bem a proposta do Design Solidário de se criar produtos com design universal provenientes das mãos habilidosas dos artesãos brasileiros. e o resultado dessa parceria são produtos inovadores. e serve para confirmar a coerência entre propostas e produtos de cada modelo.4 A Comparação dos Produtos Artesanais. 69 10 . Este quadro dos produtos artesanais ilustra o perfil dos produtos de cada projeto de intervenção. altamente inovadores. Análise Comparativa entre Modelos de Intervenção limitou a orientar questões referentes à melhoria da qualidade dos produtos e otimização da produção. Os produtos do quadro do Imaginário Pernambucano são exemplos da parceria designer x artesão. percebemos produtos com design. com design e possuem elementos que remetem a sua comunidade de origem.

6. Conclusões Caminhos para a valorizaçao do Artesanato .

que deve ter forte referencia local. ainda em formato experimental. Estes caminhos não representam os projetos estudados. da inovação e da otimização da produção agregar valor ao produto artesanal. e às vezes se distanciam ou se aproximam em seus objetivos. fruto das reflexões compartilhadas anteriormente. que são ações relacionadas a produtos e produção. uma estimativa do fluxo da ação para os três caminhos. Aqui serão apresentados esses caminhos. e sim algumas formas de ação identificadas a partir da comparação das ações desses modelos. O primeiro é um caminho mais conservador.6.1 Caminhos para a Valorização do Artesanato. Com a análise comparativa. o fator inovação e design arrojado são preponderantes. empiricamente. Neste caminho os produtos seriam altamente sofisticados e desprendidos de qualquer referencia do local em que foram produzidos. é um caminho mais radical. que procura por meio da melhoria dos produtos já existentes e da otimização da produção dar uma visibilidade maior aos produtos artesanais. O segundo. 71 10 . No próximo ítem será apresentada. 6. mas existe um objetivo comum a todos: a valorização do artesanato. Conclusões 6. procura por meio do design. um pouco mais moderado.1 A Caminhos para a Valorização do Artesanato Ao compararmos os modelos de intervenção notamos que cada um tem sua maneira própria de agir. Já o terceiro caminho. foi possível identificar três caminhos distintos que levam o produto a ser valorizado.

o conservador Diagnóstico Plano de Ação Capacitação (oficínas . Nesta fase são observados os aspectos históricos. o reconhecimento do entorno. produção.ou seja. Conclusões 6. que monitora a qualidade do produto e a atividade do artesão com o fim de garantir que as orientações estejam sendo cumpridas.11 Primeiro caminho . O resultado desse processo é um melhoramento dos produtos já existente na comunidade. Com base nestas informações colhidas no diagnóstico e do conhecimento de algumas informações sobre exigências do mercado deve ser elaborado um plano de ação que procure resolver os problemas encontrados nos produtos e na produção. culturais/ tradicionais. Estas oficinas e orientações têm o objetivo de capacitar o artesão a fazer um produto de melhor qualidade.6. em que são trabalhadas questões como: acabamento. 6. as características da técnica e da matéria prima.1 Caminhos para a Valorização do Artesanato. 72 10 . cores e tingimento. padronização e dimensionamento. A fase seguinte corresponde ao acompanhamento da produção. os problemas da produção e dos produtos. Então são escolhidos os temas que farão parte das oficinas e orientações. matéria prima.orientações) Acompanhamento da produção Produto Melhorado História Cultura Técnica Produção Matéria prima Produtos Acabamento Qualidade Produção Matéria Prima Cores e Tingimento Padronização Dimensionamento Monitoamento da produção Qualidade do produto MERCADO Neste modelo a ação se inicia com o diagnostico. qualidade.

produção e matéria prima.6. 73 10 . Alguns dos temas são: criatividade e referências culturais. desde a extração da 6. da produção. Conclusões 6.1 Caminhos para a Valorização do Artesanato.12 Segundo caminho . acabamento. A partir das informações colhidas no diagnóstico e de um conhecimento das exigências do mercado um plano de ação deve ser elaborado buscando introduzir a discussão de temas que serão importantes para que a comunidade melhore sua produção e seus produtos. Na fase de capacitação esses temas são tratados em forma de oficina ou apenas orientações. neste dois temas o artesão é orientado a utilizar referências locais agregadas aos seus produtos. da matéria prima e dos produtos. na situação da técnica.orientações) Desenvolvimento dos Produtos Acompanhamento da produção Novo Produto História Cultura Iconografia Técnica Produção Matéria prima Produtos Baseia-se nas questões de mercado e nas questões locais identificadas no diagnóstico Criatividade Referência Culturais Acabamento Qualidade Produção Matéria Prima Cores e Tingimento Padronização Dimensionamento Monitoamento da produção Qualidade do produto Design Inovação Referência Cultural MERCADO Na fase de diagnóstico neste modelo o olhar se direciona na historia e na cultura. qualidade. serão feitos experimentos que direcionarão mais adiante o desenvolvimento de novos produtos. essas questões são importantes para orientar os artesãos a melhorar a qualidade de todo o processo.o moderado Diagnóstico Plano de Ação Capacitação (oficínas . Esses temas buscam otimizar a produção e qualificar o fazer artesanal. num estudo da iconografia local.

também com a participação do artesão. Conclusões matéria prima ao acabamento do produto final. 74 10 . 6. A fase seguinte tem se inicio o desenvolvimento de produtos. O resultado da intervenção será um novo produto com design e de características inovadoras. cores e tingimento. esses orientações tem o objetivo de passar aos artesãos as questões referentes as exigências do mercado.1 Caminhos para a Valorização do Artesanato. Nesta fase também se utiliza de informações do mercado para ter uma maior probabilidade do novo produto ter uma boa aceitação nesse mercado. sempre acompanhados de referências locais. pois desta forma será mais fácil que a comunidade se aproprie dos novos produtos. A fase de acompanhamento da produção procura monitorar a produção com o fim de verificar que as orientações estão sendo aplicadas.6. padronização e dimensionamento.

6.13 Terceiro caminho .6. A fase seguinte é a fase de confecção dos produtos. Conclusões 6. Estas informações somadas a informações extraídas do mercado é que vão direcionar o desenvolvimento de novos produtos.1 Caminhos para a Valorização do Artesanato. O resultado desse modelo de intervenção é um produto sofisticado. que seriam desenvolvidos apenas por designers. em que há um acompanhamento dos designers com o fim de garantir um produto de qualidade.o radical Diagnóstico Desenvolvimento dos Produtos Acompanhamento da produção Novo Produto Técnica Produção Matéria prima Desenvolvidos sem a participaçao dos artesãos Qualidade do produto Design Inovação MERCADO Esse modelo também se inicia com a fase de diagnóstico. 75 10 . mas neste caso só são verificadas as características da técnica. usando a matéria prima e a mão de obra da comunidade. inovador e de um design universal. da produção e da matéria prima.

os produtos serão readequados às exigências do mercado. Então dificilmente o caminho mais radical dará certo. 76 10 . A seguir veremos algumas situações e suas recomendações para a escolha desses caminhos.2 Recomendando Caminhos. mas sem perder sua essência e seu caráter tradicional. Neste caso seria mais prudente usar um dos dois primeiros caminhos (o conservador ou o moderado). A outra opção é utilizar o caminho mais moderado. optando pelo caminho mais conservador.2 Recomendando Caminhos Não devemos entrar no mérito de qual caminho é o melhor ou pior. Conclusões 6. A escolha do caminho a ser usado depende muito dos objetivos do modelo de intervenção. Porém alguns cuidados devem ser tomados na hora de se escolher qual modelo é mais adequado para cada tipo de comunidade. deste modo. em que se faz mais uso do design.6. devemos sim perceber que cada um deles tem sua contribuição para a valorização do artesanato. a comunidade não irá se apropriar dos novos produtos. 6. Neste caminho poderão ser desenvolvidos novos produtos que terão um linha coerente com os produtos já existentes. o artesanato desta comunidade será valorizado através de uma melhoria na qualidade do produto e na otimização da produção. sempre se utilizando de muitas referencias da cultura local. a cultura local e as suas tradições têm uma força muito grande. A produção também sofrerá 6. O artesanato produzido por estas comunidades fazem parte da tradição e da história da comunidade. e das características da comunidade produtora de artesanato.21 Intervenção em comunidades tradicionais Uma comunidade tradicional possui características muito peculiares.

mas o cuidado deve ser redobrado. Dentro do universo das comunidades tradicionais existem aquelas que possuem características étnicas muito fortes. a intervenção será focada na produção e na qualidade. Deverá feita uma análise dos produtos já existentes para se identificar quais devem continuar sendo produzidos. Nesses casos o procedimento se mantém o mesmo. No caminho mais conservador. com design diferenciado. em que o compromisso maior do artesão é com a comercialização dos seus produtos. No segundo caminho. 77 10 . Neste caso todos os três caminhos são perfeitamente cabíveis. e não terá nenhum compromisso com as questões culturais da comunidade. 6.22 Intervenção em comunidades não-tradicionais As comunidades não-tradicionais tem a característica de terem uma produção artesanal muito variada. e quais deverão ser descartados.2 Recomendando Caminhos. a intervenção além de melhorar as questões de produção e da qualidade dos produtos. são o caso das comunidades indígenas ou das comunidades de origem africanas por exemplo. Conclusões alguns ajustes para que o produto final tenha uma melhor qualidade e em ambos os caminhos deverá existir um cuidado especial para não se alterar o ritmo de vida e da produção da comunidade. o moderado.6. O caminho mais radical terá o objetivo de criar produtos bastante inovadores. 6. serão desenvolvidos novos produtos com características inovadoras e procuram fazer uso das referencias locais para agregar valor aos produtos.

e que investir no artesanato pode ser encarado como uma alternativa para melhoria da qualidade de vida de milhões de brasileiros que vivem na pobreza. seja no meio rural ou na periferia dos grandes centros. deixo um apelo para que mais investimentos sejam feitos. Porém o artesanato continua sendo marginalizado pelos programas de desenvolvimento regionais e nacionais. não só no artesanato. Como foi visto. 78 10 . que mesmo em situações adversas sempre consegue conquistar os seus espaços.3 Considerações finais Verificou-se nesse estudo que é comum entre três projetos de intervenção a preocupação com as causas sociais. e irão consequentemente gerar mais renda para os artesãos. Conclusões 6. E. para finalizar este trabalho. o artesanato representa uma alternativa para impulsionar o desenvolvimento local.3 Considerações finais. mas em todos os produtos da nossa rica e diversificada cultura. 6. Este fluxo de capital que entra na comunidade é que movimenta a economia local e com isso possibilita o desenvolvimento da região.6. Então a valorização do artesanato propicia um aumento das vendas dos produtos nas comunidades. Foi verificado que as potencialidades no artesanato são muitas. e mesmo assim continua sendo no Brasil uma atividade cultural de grande importância econômica.

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