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O BEM E O MAL NA FILOSOFIA Filosofia - 2º. Ano – Prof. Rodrigo 1. Para introduzir: um caso dramático... (...

) Vou lhe contar um caso dramático. Você conhece aqueles cupins que, na África, constroem cupinzeiros impressionantes, de vários metros de altura e duros feito pedra. Como o corpo dos cupins é mole, por não ter a couraça de quitina que protege outros insetos, o cupinzeiro tem a função de uma grande carapaça coletiva que as defende contra certas formigas inimigas mais bem armadas do que elas. Mas às vezes um desses cupinzeiros desmorona por causa de uma inundação ou de algum elefante (os elefantes gostam de se coçar esfregando os flancos contra os cupinzeiros - o que fazer?). Logo os cupins-operários põem-se a trabalhar para reconstruir depressa a fortaleza danificada. E as grandes formigas inimigas lançam-se ao ataque. Os cupins-soldados saem para defender sua tribo, tentando deter as inimigas. Como não podem competir com elas nem em tamanho nem em armamentos, dependuram-se nas atacantes tentando frear sua marcha, e vão sendo despedaçadas pelas mandíbulas das inimigas. Os operários trabalham celeremente para voltar a fechar o cupinzeiro ruído... mas fecham-no deixando fora os pobres e heróicos cupins-soldados, que sacrificam suas vidas pela segurança dos outros. Será que eles não merecem pelo menos uma medalha? Não é justo dizer que são valentes? Muda o cenário, mas não o tema. Na Ilíada, Homero conta a história de Heitor, o melhor guerreiro de Tróia, que, fora das muralhas de sua cidade, espera obstinadamente por Aquiles, o enfurecido herói dos aqueus, mesmo sabendo que este é mais forte e provavelmente irá matá-lo. Heitor faz isso para cumprir seu dever, que consiste em defender sua família e seus concidadãos do terrível atacante. Ninguém duvida de que Heitor é um herói, um autêntico valente. Mas não será Heitor heróico e valente do mesmo modo que os cupins-soldados, cuja gesta milhões de vezes repetida nenhum Homero preocupou-se em contar? Heitor, afinal, não faz a mesma coisa que qualquer uma dos cupins anônimos? Por que seu valor nos parece mais autêntico e mais difícil do que o dos insetos? Qual é a diferença entre um caso e outro?
(Fernando Savater, Ética para meu filho, p. 21-22)

2. Problematização  Os cupins e as formigas agiram de maneira boa ou má? E o guerreiro Heitor?  Como seus atos expressam o Bem ou o Mal?  O que vem a ser o Bem e o Mal? 3. Conceituação O que é o bem e o que é o mal? Essa pergunta vem sendo feita ao longo de toda a história da humanidade. É tida como um dos problemas filosóficos que ocuparam tempo e reflexão de muitos filósofos. Respostas são muitas. Vejamos o que alguns filósofos responderam e suas teorias: A teoria Metafísica Metafísica significa aquilo que está além da física, num mundo transcendental e ideal (mas real), portanto além do mundo material (concreto e imediato). Segundo essa teoria, o Bem é a realidade perfeita ou suprema, e é desejado como tal. O maior representante dessa teoria foi o filósofo Platão. Platão descobre que as coisas não possuem um ser pleno, mas somente “participam” da ideia perfeita dessa coisa que é seu real ser. Somente a ideia da coisa é que plenamente é ser. As coisas são sombras de seu ser que é a ideia. O próximo passo do problema é resolver a questão da multiplicidade das ideias. Se o ser verdadeiro, como já postulava o filósofo Parmênides, precisa ser uno, eterno, imutável e imóvel, como é possível existir muitas ideias no mundo das ideias? Se a ideia é o ser da coisa e existem muitas coisas diversas, não é forçoso admitir que existem diversas ideias? Isso não implica uma contradição com o ser e com seus atributos? Platão resolve esse problema permanecendo fiel ao seu achado. Do mesmo modo que as coisas não são seres completos, mas apenas participam do ser completo que é a ideia, todas as ideias se unificam em uma única ideia de

da matéria. se tanto o Bem é suprimido. também cessa sua existência. eterna. Assim. No entanto. da mesma maneira que as trevas são a ausência da luz. 4. ou ainda. A teoria Subjetivista Segundo essa teoria. a supressão do Bem. Não há nada que garanta que algo seja uma bondade ou uma maldade em si. Realmente. Dois ou mais atos. ir além de um pensamento que nos leva a considerar o mundo sob a ótica de bem contra o mal. uma maneira nova que vá além da dicotomia e do conflito entre algo que venha do Bem e algo que venha do Mal. p. una. uma mesma coisa pode ser. 4). Daí o nome de teoria subjetivista. inquestionáveis. e não o contrário. em um mundo transcendental que colocava seus objetos e seus valores como imutáveis. Ampliar a Compreensão   Defenda uma das teorias sobre o bem e o mal (metafísica ou subjetivista). por consequência. ao mesmo tempo. o bem seria a “ideia das ideias” ou o “sol das ideias”. O filósofo Espinoza. podem e devem ser questionados. momento e lugar. imóvel e imutável. A solução encontrada era a afirmação de que tudo no mundo é bom. Nietzsche também suprime o conceito Mal. ou seja. O mal é relativo. eternos e. Bem e Mal podem ser caracterizados como algo circunstancial. por exemplo. o seu oposto. aparentemente semelhantes.fato: a ideia de bem. deixa de existir como algo que necessariamente deva existir. mas são nada mais do que modos de pensar ou noções que formamos. O que confere o ser de todas as ideias é uma única ideia: o bem. podem receber uma avaliação diferenciada. imperfeito. todo bondade e perfeição. cedem lugar a outros. portanto. e escreva uma pequena dissertação sobre o tema: Bem e Mal: um conceito ou uma realidade 5. os valores de bem e de mal nunca foram questionados. encontrava sua legitimidade no outro mundo. “Resta. O que podemos notar a partir do pensamento de Platão. Segundo esse filósofo. Para Nietzsche. apresentando argumentos e exemplos atuais. criar o mundo com o mal. daquele mundo verdadeiro que desejava Platão. É o que Nietzsche propõe ao escrever um livro que se intitula "Além de Bem e Mal". ao confrontar as coisas. o valor de bem. é porque. portanto. o filósofo Nietzsche questionou os valores que norteiam a cultura ocidental. boa. em que as atitudes eram avaliadas posteriormente a sua execução. transformam-se. Assim. o mundo falso platônico. sendo Bem e Mal algo já existente e norteador dessas mesmas ações. é a ausência do bem. desde Platão. Incomodava-o o fato de Deus. (Cleber Baessa Mestriner. O “bem” ideal (enquanto ideia) é a única realidade plena. sem antes haver um conflito de interesses. escreve: “O Bem e o Mal não indicam nada de positivo (ou seja real/existencial) que esteja nas coisas consideradas em si. e todas as coisas sensíveis participam da ideia que lhes confere o ser. de acordo com a circunstância do acontecimento”. portanto. seria o mundo dos sentidos. que é irreal. Nietzsche propõe um retorno ao pensamento que encontramos nos filósofos pré-socráticos. Mas não é só isso. portanto. Todas as ideias “ganham” seu ser dessa “ideia das ideias”. Para Platão. Construção de Ideias Interdisciplinares   Vamos entrevistar algumas pessoas para saber suas definições sobre o bem e o mal: Professores / Pessoas idosas / Crianças pequenas / Pessoas religiosas / Políticos / Ateus / Outros. mas aplica a ideia de Bem a Deus. Santo Agostinho segue a mesma linha de raciocínio. Pergunta: o que é o Bem e o Mal para você? . o Mal. é que nossas atitudes e nossa ética decidiam-se por conceitos caracterizados previamente a uma ação. e se eles nunca foram questionados. já que foram criados objetivamente em algum ambiente. esses valores devem ser vistos como humanos. mas uma significação dada pelo sujeito pensante. O Mal. como demasiadamente humanos. Esses valores surgem. o Bem e o Mal não são uma realidade (em si). má e até indiferente”. por exemplo. transitório e mutável. Revista Filosofia. estão escritos na história e não em um mundo transcendental ou além da realidade física. De modo ainda mais duro. o homem deve criar um novo jeito de dizer o mundo.