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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA DEPARTAMENTO DE LETRAS CLÁSSICAS E VERNÁCULAS DISCIPLINA LIBRAS

O SURDO

ALUNOS: ANALLYNE NAYARA CARVALHO DOS SANTOS OLIVEIRA INGRID GOMES FÁBIO BORGES PEDRO ÍCARO NICOLY SOUZA WILLAMES PONTES DE SOUZA

Trabalho apresentado para avaliação na disciplina de Libras, ministrada pela professora Nayara Adriano.

João Pessoa Abril 2013

RESUMO O termo “surdo” é tão abrangente que nos impede de levar em conta os graus de surdez imensamente variados. usar a língua de sinais ou ambas as coisas. Palavras-chaves: surdo. que não têm esperança alguma de ouvir qualquer fala. não importa que avanços tecnológicos imagináveis possam surgir. Há também os “seriamente surdos”. cultura. . existem também os “profundamente surdos”. Há os que têm “dificuldade para ouvir”. identidade. Esse trabalho tem como objetivo entender sobre quem é qual a identidade e cultura do surdo. mais ou menos 15 milhões dentre a população americana. pessoas que conseguem ouvir parte do que se fala com o auxílio de aparelhos auditivos. As pessoas profundamente surdas não são capazes de conversar da maneira usual — precisam ler os lábios. muitos deles vítimas de doença ou dano no ouvido na juventude.

................................6 4...O USO DA LIGUA DE SINAIS ATRAPALHA A APRENDIZAGEM DA LINGUA ORAL?.14 10.............................4 2.......O SURDO NAO FALA PORQUE NAO OUVE?......O SURDO VIVE NO SILENCIO ABSOLUTO?...........O SURDO TEM IDENTIDADE E CULTURA PROPRIA?........15 ..............................5 3........................O SURDO TEM DIFCICULDADE DE ESCREVER PORQUE NAO SABE FALAR A LINGUA ORAL?......................O SURDO PRECISA SER ORALIZADO PARA SE INTEGRAR NA SOCIEDADE OUVINTE?...........13 10..........................CURIOSIDADES ...........9 7....................10 9.............................................................7 6.................................................................10 8....13 14............................................................................................................................................. SURDO-MUDO OU DEFICIENTE AUDITIVO? ..............................................................................7 5............................REFERÊNCIAS ....O SURDO PRECISA DA LINGUA PROTUGUESA PARA SOBREVIVER NA SOCIEDADE MAJORITARIA DOS OUVINTES?.............................. SURDO...............................................................................................O INTÉRPRETE É A VOZ DO SURDO?....................DICAS IMPORTANTES ........................................................................................TODOS OS SURDOS FAZEM LEITURA LABIAL? .....13 10.....SUMÁRIO 1.................................................................

Surdo-mudo é provavelmente a mais antiga e incorreta denominação atribuída ao Surdo. Segundo a Federação Nacional de Surdos (FENEIS). para muitos ouvintes alheios à discussão sobre a surdez. e ainda utilizada em certas áreas e divulgada nos meios de comunicação. o povo surdo tem sido encarado em uma perspectiva exclusivamente fisiológica (déficit de audição). o uso da palavra surdo pareça imprimir mais preconceito. 1988:44) Infelizmente. Para eles. uma história e uma língua. O termo deficiência auditiva refere-se à incapacidade parcial ou total da audição. para que uma pessoa seja portadora de algo. a língua oral/auditiva e compreender a fala através do ouvido. uma cultura. e sua comunidade (Padden & Humphries. não significa que ela seja muda. seja deliberadamente ou casualmente. usam termos profundamente relacionados com sua língua. seu passado. a nomenclatura mais antiga e incorreta utilizada é a de surdo-mudo. Isto é. dentro de um discurso de normalização . É facilmente observável que. mas sim. políticas é objetivos não familiares ao grupo . enquanto o termo deficiente auditivo parece-lhes ser mais politicamente correto. De acordo com Sassaki (2005). a condição da pessoa ter uma deficiência faz parte dela. surdo-mudo. Entretanto. Quando os surdos discutem sua surdez. naturalmente. e deficiente auditivo evocam. uma outra língua. para a comunidade Surda. impedindo-o de adquirir. o surdo não possui uma deficiência. Essa marca sugere autorrepresentações.SURDO. SURDO-MUDO OU DEFICIENTE AUDITIVO? Chama-se pessoa surda (ou surdo) àquela que é portadora de surdez e que possui uma identidade. No Brasil. uma cultura e uma língua. Os surdos possuem uma identidade. A deficiência é uma marca que historicamente não tem pertencido aos surdos. não gostando de serem chamados de surdos. Algumas pessoas com perda parcial da audição se auto denominam como tendo uma deficiência auditiva. ela também deve ter a possibilidade de não portá-lo. O fato de uma pessoa ser surda. surdo é o indivíduo que possui uma audição não funcional para todos os sons e ruídos do ambiente. A maioria dos ouvintes desconhece a carga semântica que os termos mudo. este termo está vinculado àqueles que não participam de Associações e não sabem Língua de Sinais.

é a sociedade que me torna excepcional” (Emmanuelle Laborit. 1994). O INTÉRPRETE É A VOZ DO SURDO? Isso é uma crença. a ideia de que o intérprete é a voz do surdo. é necessário conhecer LIBRAS e ter uma boa convivência com a cultura surda. Sinceramente nada me falta. deficiente. Ele precisa ter expressão facial para que o surdo possa entender melhor a situação . Para mim. tanto profissional como pessoal. Deverá manter sigilo quando for acompanhar o surdo não devendo revelar seu nome e o local aonde foi designado para atuar. meus olhos são meus ouvidos. Sou surda. pois. O intérprete de línguas de sinais tem como função facilitar a comunicação e compreensão de uma cultura para a outra. que não é apenas a escolha acertada de um termo que elimina os preconceitos sociais. a língua de sinais corresponde à minha voz. O intérprete por ser a voz do surdo e do ouvinte deverá manter sempre sua neutralidade diante de qualquer situação. Tanto interpretam para os ouvintes o que os surdos estão dizendo e vice-versa. Deverá sempre estar se aprimorando. independente de seus conceitos e valores pessoais deverá sem preconceito interpretar em locais como: grupo de conscientização de homossexuais e em eventos religiosos. frequentando cursos de capacitação e outros eventos que venham colaborar para o seu aperfeiçoamento profissional e na aquisição de conhecimentos sobre a cultura surda. Para tanto. Devendo ser uma pessoa íntegra e cumprir somente com o seu papel de interpretar priorizando sempre em sua prática a ética. escolas e repartições públicas. se possível. Não é verdade. como todas as outras imprimem valores e convenções na forma como o outro lado. a autora desconstrói. cujas nomeações. “Recuso-me a ser considerada excepcional. O intérprete é a pessoa em que o surdo mantém extrema confiança. A figura do intérprete ocupa importante papel nas interações entre surdos e ouvintes e configura-se como um direito em espaços institucionais como universidades. Os preconceitos podem estar disfarçados até mesmo nos discursos que dizem assumir a diferença e a diversidade. para se tornar um intérprete da língua de sinais.e de medicalização. Não sou. É um intermediário entre os dois mundos: Ouvintes e surdos.

o fato de integrarem um grupo linguístico-cultural distinto da maioria linguística do seu país de origem. realizadas no Brasil e em outros países. este é o caso da maioria dos surdos congênitos. zunidos. Ao longo dos anos. forma e som. tem contribuído para a modificação gradual da visão dos surdos. Essa situação justifica a necessidade da mediação dos intérpretes em um vasto número de contextos e situações do quotidiano dessas pessoas. O SURDO VIVE NO SILÊNCIO ABSOLUTO? “os surdos falam com as mãos e as mãos não fazem barulho. Muitos ouvintes têm a crença de que estar em um contexto de surdos é entrar em um contexto silencioso. Esses estudos têm classificado os surdos em duas categorias: • • Os portadores de surdez patológica. culturalmente conjugada ao som. principalmente... No caso de surdos que dominem apenas a língua de sinais. ou seja. Daí sua enorme necessidade da mediação do intérprete de língua de sinais. 1998: 109). o surdo sinalizado pode ter dificuldades de compreender a língua oral. ter postura. equipara-os a imigrantes estrangeiros. as pesquisas interdisciplinares sobre surdez e sobre as línguas de sinais. normalmente adquirida em idade adulta. estalos e grunhidos (Padden & Humphries. em deficiência neurológica ou mental.e. As pessoas surdas constroem seu mundo em torno dos dispositivos do movimento. não implicando. compartilhada pela sociedade ouvinte em geral. Porém. E aqueles cuja surdez é um traço fisiológico distintivo. mas muito cheia de cliques. coloca-os em desvantagem em relação aos imigrantes. visto que. quando muito. não atuar de forma exagerada com o intuito de chamar a atenção. . com respeito ao aprendizado e desenvolvimento da fluência nessa língua. essa técnica o habilita. pela audição. a perceber apenas os aspectos articulatórios da fonologia da língua. “ouço com os olhos”. A vida dos surdos está longe de ser silenciosa. Ainda que faça uso da leitura labial. Isso se dá porque a concepção de língua está do ponto de vista dos ouvintes. o fato de não disporem do meio de recepção da língua oral. necessariamente. não emitem som”.

Em todo o mundo. IDENTIDADE E CULTURA SURDA Cultura surda é o jeito do surdo entender o mundo e de modificá-lo a fim de se torná-lo acessível e habitável ajustando-os com as suas percepções visuais. é uma língua oral com a qual a criança é abordada pelos pais. que contribuem para a definição das identidades surdas e das “almas” das comunidades surdas. de forma a que ela possa se adaptar mais facilmente à sociedade.A chave para uma boa comunicação com uma pessoa surda é contato visual. cerca de 95% das crianças surdas nascem de pais ouvintes. O SURDO PRECISA SER ORALIZADO PARA SE INTEGRAR NA SOCIEDADE? A língua de sinais é o idioma natural dos surdos. ensinando-a a leitura labial e/ou a utilização de aparelhos e implantes auditivos.] As identidades surdas são construídas dentro das representações possíveis da cultura surda. Segundo Sacks (1998). É uma necessidade.. quando duas pessoas conversam em língua de sinais é considerado rude desviar o olhar e interromper o contato visual. Descreve a pesquisadora surda: [. E dentro dessa receptividade cultural. Neste contexto há duas opções possíveis: 1. é uma criação natural dos surdos. os surdos expandem seus horizontes usando uma rica língua de sinais. pois normalmente não estão preparados para tal. também surge aquela luta política ou consciência oposicional pela qual o individuo representa a si mesmo. Quando se descobre que a criança. comunicar-se com a criança de modo oralizado. No entanto. as idéias. se . há bastante controvérsia em relação a esta preferência. Muitos pais preferem optar na oralização da criança surda. quando os surdos se comunicam. Isto significa que abrange a língua. os pais nada ou quase nada podem fazer para ensinar-lhe uma língua de sinais. 2. afinal. é surda. providenciar que a criança aprenda a língua de sinais local. os costumes e os hábitos do povo surdo. independentemente do lugar onde estejam radicados. Normalmente. elas moldam-se de acordo com maior ou menor receptividade cultural assumida pelo sujeito. as crenças.. De fato.

de inclusão entre os deficientes. A comunicação é vital na construção da identidade. 2004. da sensação de invalidez. de menos valia social. estará também assegurada a identidade e cultura surda. (PERLIN. Segundo estudos. psicológico e afetivo. representa um perigo. No entanto. Quanto mais precoce o acesso à língua gestual. participando de processos de inclusão/ exclusão dos membros da sociedade e padronizando a "normalização social". Estas representações afetam o processo identitário do surdo. dos aspectos que o tornam corpo menos habitável. o surdo como pessoa existe . As escolhas sobre o ambiente linguístico em que a criança crescerá. Pelo contrário. Desta forma. cultural. a sua formação de identidade como ser inteiro e integrante de uma comunidade de indivíduos diferentes como ele mesmo. de acordo com a história dos surdos.a sua negação estigmatiza-o ainda mais. na ideologia. a opção do uso ou não da língua gestual e a escolha de ajudas técnicas e tipo de educação adotado vão determinar a maneira como o desenvolvimento social da criança se irá processar. na sua diferença. Daí advém a tentativa de muitos de considera-lo apenas uma pessoa com deficiência. 77-78) É a integração social que nos socializa.esta é uma diferença que existe. consciente e sólida. através de uma língua gestual. p. que estigmatiza o surdo . é o que proporcionará o acesso à linguagem. O surdo. sobre o mundo e as relações interpessoais. enxergando ou não. No entanto. já que não permite o seu desenvolvimento. crescerá com um enorme déficit a nível linguístico. O contato precoce entre o adulto surdo e a criança surda.defende da homogeneização. que comprometerá todo o seu desenvolvimento social. andando ou não. afinal criança é criança ouvindo ou não. o surdo apenas se sente pessoa se a sociedade o considerar como tal. o que dificultará na construção identitária de qualquer criança inclusive uma criança surda. Se for negada à criança a oportunidade de adquirir e desenvolver uma língua natural. as representações sobre a surdez sempre foram fundamentadas por mitos com base na religião. se a criança for exposta a uma língua gestual poderá adquirir um conhecimento cultural. nos interesses de foro econômico e nas diferenças sociais. mais cedo a criança adquirirá uma identidade própria. . semelhante ao adquirido por uma criança ouvinte. que serão transmitidas naturalmente à criança surda pelo adulto surdo em questão.

se não ouvem. ou comunidade de surdos possui sua própria língua de sinais. Embora os aspectos médico. Existem também surdos que. os surdos locais desenvolveram a Língua Gestual Angolana (LGA). apenas se comunicam por gestos mímicos. entre outros. Em Portugal. Mas o termo “mudo” não surge necessariamente dessa relação.cultural. Em Angola. preferem utilizar uma língua oral. Pessoas ou crianças psicóticas. o tipo de atendimento realizado. por viverem isolados ou em locais onde não exista uma comunidade surda. os encaminhamentos feitos. Há ainda aqueles que. como principal meio de conhecer o mundo em substituição à audição e à fala. Já outros. individual e familiar ampliem o universo de análise sobre o fenômeno. fazem uma laringectomia (cirurgia para a retirada do órgão responsável pela produção sonora da fala). Logo. portanto. também largamente designada por Língua Angolana de Sinais (LAS). como por exemplo: o período em que os pais reconhecem a perda auditiva. nos chama a atenção para a necessidade de vê-los sob uma perspectiva sócio . No Brasil os surdos desenvolveram a LIBRAS com influência da língua de sinais francesa. os surdos não aprendem a falar. por exemplo. por serem acometidos por câncer na laringe. Alguns fatores podem afetar o processo de aprendizagem de pessoas surdas. Mudo é aquele que não faz uso de seu aparelho fonador para a fala ou qualquer outra manifestação vocal. podem apresentar mudez como um sintoma de sua alteração psíquica. os problemas físicos associados. O surdo difere do ouvinte. Aqui há um equívoco que precisa ser esclarecido. cada país. o envolvimento dos pais na educação das crianças.Os surdos. . elas não são universais. não apenas porque não ouve. O SURDO NÃO FALA PORQUE NÃO OUVE? É comum ouvirmos de pessoas leigas a expressão “surdo-mudo”. por escolha dos pais ou opção pessoal. por exemplo. existe a LGP. e podem ter ainda uma cultura característica. O pensamento parece lógico: é de senso comum que aprendemos a falar ouvindo. mas porque desenvolve potencialidades psicoculturais próprias. por norma são utilizadores de uma comunicação espaço-visual.

Ainda que se comuniquem pela Língua de Sinais e não saibam falar. O processo é muito mais demorado do que com os ouvintes porque elas estão entrando em contato com a Língua Portuguesa pela primeira vez. pelo desenho da palavra e não. pessoas surdas podem sim produzir sonorização vocal. A escrita é uma habilidade cognitiva que demanda esforço de todos e geralmente é desenvolvida quando se recebe instrução formal. obviamente. As primeiras hipóteses são muito parecidas. mas a sua relação com a escrita se dará por meio da visão.p 56). Tanto o português escrito como o oral de que o surdo faz uso são estigmatizados. Principalmente os que lêem muito. As crianças ouvintes começam a escrever usando as letras do nome próprio. dos imigrantes. (GESSER 2006. A língua de sinais não tem acento. Ainda que o surdo não . Se não acometidas por alterações psíquicas e/ou orgânicas que interfiram em suas pregas vocais. assim como as ouvintes. O SURDO TEM DIFICULDADE DE ESCREVER PORQUE NAO SABE FALAR A LINGUA ORAL? Os surdos criam hipóteses de escrita. podem reaprender a falar usando outras estratégias. assim como os ouvintes. Ideias que rejeitam os vários fatores das variedades desprestigiadas. vão chegar à escrita alfabética. o fato de a escrita ter uma relação fônica com a língua oral pode e de fato estabelece outro desafio para o surdo: reconhecer uma realidade fônica que não lhe é familiar acusticamente. Os surdos acabam aprendendo a acentuar as palavras pelo visual. apresentam vocalizações ao sinalizar e usam a voz quando estão em perigo. como a voz esofágica (produzida pelo esôfago). dos indígenas e dos próprios surdos. Além disso. já que não atingem os ideais de língua impostos por uma maioria ouvinte (Gesser. pois. podem desenvolver a linguagem oral por meio de um processo terapêutico fonoaudiológico. pela sonoridade. ainda assim. Entretanto.tornando-se temporariamente “mudos”. As surdas. As crianças surdas. 2006). Só que as hipóteses dos surdos são visuais e não auditivas. Mas aprendem. também. O que é muito complicado trabalhar pela visão é a sílaba tônica de uma palavra.

A modalidade oralista baseia-se na crença de que a língua oral é a única forma possível de comunicação e desenvolvimento cognitivo para o sujeito surdo e a Língua de Sinais deve ser evitada a todo custo porque atrapalha o desenvolvimento da oralização. perdendo a maioria das informações. Eles as aprendem sem qualquer tipo de instrução formal. É necessário acompanhamento de profissionais. Devido à evolução tecnológica que facilitava a prática da oralização pelo sujeito surdo. surgindo o modelo misto denominado de Comunicação Total havendo um início de reconhecimento e valorização da Língua de Sinais. impondo ao povo surdo o oralismo. Muitas pessoas por desinformação pensam que a língua de sinais é composta por gestos que tem como finalidade a interpretação da língua oral. treino. bastando. ele poderia escrever bem o português como fazem os falantes de outras línguas estrangeiras. exercícios lingüísticos. o oralismo ganhou força a partir da segunda metade do século XIX. Na década de 60. 1998).vocalizasse uma palavra da língua oral. a sua inserção em um ambiente no qual seja falada uma língua de sinais. O USO DA LIGUA DE SINAIS ATRAPALHA A APRENDIZAGEM DA LINGUA ORAL? Na história da educação dos surdos houve uma época que a Língua de Sinais tinha ampla valorização e aceitação. mas a partir do congresso de Milão de 1880. Geralmente os surdos ‘deduzem’ as informações através do contexto em que as palavras são ditas. para isto. a qual foi muito oprimida e marginalizada por mais de 100 anos. (SOUZA. Porém os pesquisadores linguistas atribuíram a LIBRAS o status de língua por entenderem que esta apresenta características semelhantes às outras línguas. Um mito comum é o de que o aprendizado de uma língua de sinais atrapalharia o surdo que quer ser oralizado. como as diferenças regionais. Já as línguas de sinais são naturais para os surdos. a Língua de Sinais foi banida completamente da educação de surdos. (GESSER 2006. 2009). p 57). (OLIVEIRA. Isto porque a oralização é um processo de aprendizado formal. como é o aprendizado de uma segunda língua. muito pelo contrário. porem várias pesquisas já demonstraram que a maioria de surdos só consegue ler 20% da mensagem através da leitura labial. foi proposto o uso simultâneo da língua dos sinais associada com a oralização. uma língua de sinais ajuda o surdo que quer ser oralizado. Aprender uma . sócioculturais e sua própria estrutura gramatical bem elaborada.

2004) Hoje se sabe que o surdo adquire a língua de sinais como sua língua materna. Ao contrário. sejam outras línguas de sinais. 2000 defende que: “Se as crianças surdas não são expostas. dificultando. pode haver um atraso (até mesmo uma interrupção) da maturação cerebral. Já para a criança surda e filha de pais ouvintes.1990 apoud RODRIGUEIRO. seu aprendizado será artificial e mais demorado. bem cedo. Além disso. um surdo profundo consegue falar tão bem quanto um ouvinte e a compreensão de línguas orais por leitura labial também é limitada. a língua materna desta criança constitui-se em LIBRAS e ela terá maior facilidade para se tornar um ser bilíngue. a língua materna de uma criança surda dá. por que irá aprimorar o desenvolvimento mental. mas vai ajudar. dando a elas o seu devido grau de importância e preponderância na vida dos surdos. interpessoais e cognitivos. A esse respeito. a oralização também está sujeita a alguns problemas. o que parece importante destacar é a importância de estimular o surdo para o aprendizado das duas línguas. se o surdo for apenas exposto a uma língua oral quando criança. como os ouvintes fazem.se de acordo com o meio em que esta convive. Se a criança surda nasce numa família de pais surdos. e nunca aprenderá tão bem quanto alguém que aprendeu no . possuindo singularidades em diversos aspectos sócio-culturais. o que pode prejudicar seu desenvolvimento lingüístico. o que parece importante destacar é a importância de estimular o surdo para o aprendizado das duas línguas. SACKS . dando a elas o seu devido grau de importância e preponderância na vida dos surdos Pesquisas já mostram mostram que se o individuo surdo ficar privado de um contato lingüístico suficiente para desenvolver a aquisição da linguagem na infância. (FOSTER. cognitivo do individuo. à boa linguagem ou comunicação. quando adulto. a língua materna dela passa a ser a língua oral auditiva. Sendo assim. com uma continua predominância dos processos do hemisfério direito e uma falta de “transferência” hemisférica. muito mais cedo ele poderá desenvolver as suas habilidades na Língua Portuguesa. Portanto. ele terá muita dificuldade para aprender uma língua. que poderá depois aprender quantas línguas quiser. muito dificilmente. impedindo que esta se torne um ser bilíngue com mais facilidade. No entanto. 1997) Quanto mais cedo o surdo for exposto a LIBRAS. (LEIBOVICI.” No entanto. o processo de ensinoaprendizagem da Língua Portuguesa e da LIBRAS. ou línguas orais. assim. já que.língua de sinais não vai atrapalhar a oralização. para que o surdo desenvolva a Língua Portuguesa é necessário que ele tenha aprendido e consolidado a Língua de Sinais.

o surdo esteja em contato com uma língua de sinais para que possa desenvolver plenamente sua capacidade lingüística. surdo e ouvinte. Audrei afirma que é sem o uso da língua de sinais que o surdo não sobreviverá numa sociedade majoritária ouvinte. ou mesmo através da Língua Brasileira de Sinais. op. Isto produz alguns problemas na comunicação. e isso atrapalha a visualização da boca do falante. Assim. desde cedo. escrita. ela terá mais facilidade em aprender a língua oral-auditiva da comunidade ouvinte' (Felipe. em todo surdo. usa bigode. Poucas pessoas surdas fazem uma boa leitura labial (ler a posição dos lábios). Especialmente porque a pessoa ouvinte. A maioria faz o que se chama leitura da fala (visualização de toda fisionomia da pessoa que fala. não é verdadeiro que a leitura labial seja uma capacidade inata. Por isso. etc. e nem todos os surdos possuem essa habilidade. TODOS OS SURDOS FAZEM LEITURA LABIAL? A leitura labial não é uma habilidade natural. vira-se para os lados. aprendidos no decorrer de sua história de vida familiar e social.período certo. Para o desenvolvimento da leitura labial o surdo necessita de treinos árduos e intensos. Uma minoria não consegue fazer nenhuma dessas leituras e só se comunica através de sinais. é importante que.: 96-7). 2004) O SURDO PRECISA DA LINGUA PORTUGUESA PARA SOBREVIVER NA SOCIEDADE MAJORITARIA DOS OUVINTES? Pesquisas sustentam que 'se uma criança surda puder aprender a língua de sinais da comunidade surda na qual será inserida. A possibilidade de ser plenamente multicultural é ter oportunidades nos dois mundos. pois é através dela que o surdo constrói seu conhecimento de mundo. incluindo sua expressão fisionômica e gestos espontâneos). ao se comunicar com um surdo. A leitura . Esta precisa ser ensinada. como se ensina leitura. (FOSTER. esquece-se da deficiência. cit.

atual INES-Instituto Nacional de Educação de Surdos. DICAS IMPORTANTES .1% das crianças nascem com defi ciência auditiva severa e profunda (Northern e Downs. CURIOSIDADES ● Aproximadamente 0. ● A Comunidade Surda Brasileira comemora em 26 de setembro o Dia Nacional do Surdo. em que os surdos podem se comunicar com outras pessoas escrevendo suas mensagens em teclado e visualizando em um display as mensagens que lhe são enviadas. com o nome de Instituto Nacional de Surdos Mudos do Rio de Janeiro. ● O censo demográfico de 2000 contou 5. ● No censo escolar de 2003. das quais 796. saúde. ● O teste da orelhinha ou triagem auditiva neonatal consiste num programa de avaliação da audição de recém-nascidos para diagnóstico precoce de perda auditiva. 1991) Este tipo de deficiência é suficientemente severa para impedir a aquisição normal da linguagem através do sentido da audição.344 com até 24 anos. educação. dignidade e cidadania. A técnica utilizada é a de Emissões Otoacústicas Evocadas. ● Pela Lei nº 8213/91. ● Que o closed captions é um recurso que funciona a partir de legenda possibilitando ao surdo acompanhar os programas de televisão.(OMS). o dia 26 de setembro é celebrado devido ao fato desta data lembrar a inauguração da primeira escola para Surdos no país em 1857. trabalho. ● O TDD(Telecomunication Device for Deaf) é o telefone para surdos. No Brasil. data em que são relembradas as lutas históricas por melhores condições de vida. ● Estima-se que 42 milhões de pessoas acima de 3 anos de idade têm algum tipo de deficiência auditiva de moderada a profunda. só havia 344 pessoas surdas nas universidades brasileiras.labial é um recurso usado em situações comunicativas de emergências com os surdos. Organização Mundial da Saúde. uma vez que sua incidência é de 1 a 2 por 1000 nascidos vivos.75 milhões de pessoas surdas no Brasil. Trata-se de um sistema de comunicação telefônica digital. as empresas com mais de 100 funcionários são obrigadas a disponibilizar uma cota progressiva de 2% a 5% de suas vagas a pessoas com deficiência.

fi que de frente para ela mantenha contato visual e cuide para que ela possa ver a sua boca para ler os seus lábios. a não ser que ela peça para você falar mais devagar.Ao abordar ou ser abordado por uma pessoa surda: ● Se quiser falar com uma pessoa surda. ● Ao planejar um evento. ● Se a pessoa surda estiver acompanhada de um intérprete da língua de sinais. pois isto atrapalha ou impede a conversa. ● Se aprender a língua de sinais brasileira (Libras). Pessoa com baixa audição: ● Ao se tratar de pessoa com baixa audição. Se você olhar para o outro lado. materiais impressos e intérpretes da Língua de sinais. por exemplo. gestos ou dos movimentos do corpo para ela entender o que você quer comunicar. É preciso que você lhe mostre isso através da sua expressão facial. pessoas surdas preferem ser chamadas “surdos” e não “defi cientes auditivos”. proceda quase das mesmas formas indicadas para relacionar-se com pessoas surdas. indicando gozação ou seriedade. ● Fale normalmente. fale olhando para ela e não para o intérprete. ● Em geral. providencie avisos visuais. ● Não grite. você estará facilitando a convivência com a pessoa surda. . ● Seja expressivo. ela pode pensar que a conversa terminou. ● É muito grosseiro passar por entre duas pessoas que estão se comunicando através da língua de sinais. ● Em geral. Enquanto estiverem conversando. Ela não ouvirá o grito e verá em você uma fi sionomia agressiva. sinalize com a mão ou tocando no braço dela. A pessoa surda não pode ouvir as mudanças de tom da sua voz. ● Se tiver difi culdade para entender o que uma pessoa surda está dizendo. peça que ela repita ou escreva. as pessoas com baixa audição não gostam de ser chamadas “surdos” e sim“ defi cientes auditivos”.

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gov.br/libras .www.br www.br www.feneis.org.surdosol.acessobrasil.br www.mec.com.org.portal.